29 de dezembro de 2018

O bom cristão e as luzes de Natal



A decoração de Natal deste ano - a iluminação das ruas, entenda-se - é qualquer coisa de deprimente, concordamos todos. O poder autárquico trata-nos assim como uma espécie de parentes afastados, a quem recebe em casa sem empenho nem agrado, literalmente a cumprir os mínimos, porque tem de ser. 
Pelas justificações que Diogo Mateus deu aos deputados municipais do PS (que o questionaram na Assembleia Municipal) o registo é ao estilo "para quem é bacalhau basta". Ficámos todos sem perceber qual foi a razão, afinal, para tamanha pobreza. O presidente - sempre politicamente hábil e com a sorte de defrontar uma oposição frouxa - não responde, não justifica, e opta pelo ataque como forma de defesa, perguntando os deputados qual é que acham que seria o valor razoável para gastar em luzes de natal. Para quem se arroga tão bom gestor, fica-lhe mal ir por aí. 
O problema, senhor presidente, é de forma e de conteúdo. Não é só a quantidade de luzes que Pombal (não) teve este ano. É o refugo que pagamos como tal. É uma questão de gosto, de brio na cidade. Mas lá voltamos ao mesmo: quem não vive a terra está-se marimbando para isso. Quem pega nos filhos e vai a outras cidades passear e fazer compras, mostrar-lhes outras coisas, deve achar que isto está bom assim. Depois embrulhamos isso tudo com um discurso de "calor humano" com as actividades na tenda do jardim, e está feita a quadra.
D. Diogo - que nos últimos anos está feito um beato - atirou então com o argumento da religião. Como se não soubesse que o Natal começou por ser uma festa pagã, como se os valores apregoados pela (sua) Igreja não fossem de acolher os outros, ou como se quem não vai à missa bater com a mão no peito não tivesse direito a circular nas ruas, a entrar no comércio, a comprar presentes,  participar do Natal. 
Mas nestas alturas há uma razão que lhe assiste: se os elementos da oposição participassem nas actividades, no programa que tanto podia ser feito agora como na Páscoa ou noutra época qualquer, mas que serviu para o Natal na Cidade - poderiam responder-lhe à letra, e dizer-lhe que merecíamos mais. Ou não. Se calhar cada povo tem aquilo que merece. 

27 de dezembro de 2018

Tesourinho

P`ra animar...

Ir à lã (III)

… e vir de lá tosquiado!
Narciso Mota começou por exaltar a sua governação; e daí partiu para a crítica. Começou pelo abandono da Quinta de Sant`Ana…  
Ora oiçam o troco…!
Durante duas malfadadas décadas, foi este o modelo de governação que tivemos: bom para os nossos, discriminatório para os outros. O actual é diferente, mas não é melhor…
Oposição eficaz exige legitimidade, e legitimidade exige credibilidade.


26 de dezembro de 2018

Alerta suicídio

Na última reunião do executivo, Narciso Mota discorreu longamente (19 minutos) sobre a sua vida e a sua carreira política, sobre tudo e sobre nada, pela enésima vez, no seu registo característico. Uma parte da lenga-lenga foi sobre boa (a sua) e má (actual) governação. Nesse encadeamento afirmou: “há pessoas a suicidarem-se”, devido às perseguições.
Esta acusação é gravíssima e alarmante… Será que já se chegou a este limite?


Ir à lã (II)

… e vir de lá bem tosquiado!
Michael António acusou a empresa municipal PMUGEST de prestar serviços de plantação de eucaliptos, a particulares, em locais que violam o Plano Director Municipal; e de ocorrerem plantações em área urbana.
Diogo Mateus sentiu o toque, enrolou a resposta, e partiu para o ataque. Ora oiçam…
Oposição eficaz exige legitimidade, e legitimidade exige credibilidade.


24 de dezembro de 2018

Um post em tom natalício

Em resposta ao pedido de algumas famílias, que pedem coisas mais “construtivas”, aqui vai…
Despertada com o tinha ouvido na AM, a doutora Odete interpelou o nosso presidente, de forma muito cordata, na reunião do executivo do dia seguinte.
A doutora Odete afirmou que gostaria de saber, e de perceber, o estado de um conjunto de obras adiadas sucessivamente: CIMO-SICÓ, Quinta de Sant`Ana, Casa Varela, Casa Mota Pinto, Casa da Guarda Norte, Quinta do Casarelo.
O senhor presidente percebeu todas as dúvidas da doutora Odete e prestou, prontamente, todas as informações à distinta vereadora do nosso distinto concelho, durante vinte e três minutos, de forma muito atenciosa, no seu registo artificioso com muito talento retórico.
A doutora Odete ouviu atentamente as explicações do nosso presidente, anotou as informações prestadas, e parece ter ficado em condições de esclarecer os nossos munícipes sobre tão importantes empreitadas para a nossa terra.

23 de dezembro de 2018

Conversas surdas (II)

Há por aqui quem me acuse de exagerar no tom das críticas.
Ora repararem na auto-avaliação feita pelo actor principal.
Não ia tão longe, mas se ele o diz…

Sai um presente para a Sandra

Este senhor, tal como o outro, usa o dinheiro da câmara como se fosse dele; e ainda goza com o pagode.

E falam em transparência...

22 de dezembro de 2018

A velha história de ir à procura de lã

…e vir de lá tosquiado. Foi isso precisamente que aconteceu à doutora Ofélia. Criticou duramente a excessiva concentração de poder no presidente da câmara e a sua postura anti-democrática nas reuniões do executivo, mas – e o mas aqui tem muita força -, falta-lhe legitimidade para o fazer (tal como à esmagadora maioria dos membros do movimento). O presidente deu-lhe... E ainda aproveitou a ocasião para verguestar o colega do lado; que, dorido ou com sede, saiu mais cedo.

Conversa de surdos

As sessões da assembleia municipal (AM) são longuíssimas conversas de surdos, onde uns falam para se ouvir e outros nem isso – vociferam simplesmente. Que os apoiantes do poder não queiram discutir os problemas do concelho, percebe-se; o que não se percebe é que a oposição também não o queira fazer (bem sabemos que não basta querer!), que não aproveite os poucos palcos de que dispõe para se diferenciar e afirmar.
Que a maioria provoque a discussão de questões de âmbito nacional, com moções e recomendações inócuas, com o intuito de encobrir a realidade local, aceita-se; faz o seu papel: sabe que está a ganhar, limita-se a atirar a bola para a bancada. Mas que a oposição entre no jogo, com a mesma táctica e artifícios, roça a insanidade.
Politicamente, as sessões da AM resumem-se ao período de antes-da-ordem-do-dia. O resto, que deveria ser o essencial, são formalismos e votações. O regimento atribui uma hora para período de antes-da-ordem-do-dia, mas na última sessão prolongou-se por quatro horas (!), por via das tais moções e recomendações inócuas e da sempre presente chicana política. Depois, cansados e desnudados de ideias e argumentos, os membros da assembleia aprovam de rajada os vinte e tal pontos da agenda – as verdadeiras matérias da governação da câmara e da vida do concelho – sem análise, sem discussão, sem contraditório ou reparos significativos. Irresponsabilidade. Reafirmo: percebe-se que a bancada da maioria aja assim (confia no executivo, no seu trabalho); não se percebe (ou percebe!) que a oposição se demita de fiscalizar a governação, que passe cheques-em-branco a (quase) tudo. É uma irresponsabilidade que pagam com língua-de-palmo, mais tarde, quando tentam criticar uma ou outra medida do executivo, e este lhes relembra que foi aprovada por unanimidade.
Na reunião de Dezembro - a mais importante - são discutidas e votadas as GOP e o Orçamento. A oposição votou contra - apesar de tudo uma evolução! -; mas não acrescentou nada ao debate. O NMPH e o PS limitaram-se a justificar a opção com uma intervenção retórica, sem qualquer substância; o CDS e o BE nem isso – confrangedor.
Assim, a oposição não se credibiliza; nunca será alternativa.

21 de dezembro de 2018

Boas Festas!


Terminámos mais um ano – o 11.º - com a sensação do dever cumprido. Farpeámos bastante, mais de 250 posts; mas essencialmente farpeámos melhor. Chegámos a mais leitores, arrancámos mais reacções e mais comentários. Foi um ano de pequenas e grandes conquistas. Não mudámos a aldeia mas ajudámos a ela respirasse melhor. Alegra-nos ver a urbe mais liberta, sem receio de opinar, de criticar, de confrontar decisores.
No próximo ano cá estaremos, para cravar uma farpa na epiderme de cada facto contemporâneo: apenas a porção de ferro estritamente indispensável para deixar pendente um sinal.
Contem connosco, contamos convosco.
Boas Festas e Bom Ano

A assembleia sem rei nem roque

Vamos com um ano disto, e não há meio disto encarreirar. A reunião da Assembleia Municipal foi a tourada do costume. Estou em crer que estamos perante uma estratégia premeditada de 'prender' os munícipes a cada sessão, à distância de um ecrã. Ou de os vencer pelo cansaço. 
Mas a figura do ano está encontrada: Aires da Ponte, o homem do movimento Narciso Mota Pombal Humano, que ali foi acordar aquele torpor.
Estava escrito nas estrelas que o clima ia andar tenso e os ânimos exaltados, desde a véspera, na assembleia de freguesia de Pombal. E aquele momento de Aires da Ponte - José Gomes Fernandes (igual a ele próprio, regressado) - Guilherme Domingues (quando não sabemos uma coisa o melhor é calarmo-nos...) foi impagável. A presidente da mesa permeável a este estado de coisas, sem ser capaz de impor respeito e dignidade ao órgão, a não ser quando o público se manifesta com...palmas. E um conjunto de politiqueiros que se representa a si próprio. 
E foi aquilo que se viu.
 

20 de dezembro de 2018

A segunda-feira sem carne uma vez por mês

A longa e pomposa iniciativa “Segunda sem Carne” foi rapidamente reduzida à iniciativazinha “Segunda sem Carne uma vez por mês”. Se o ridículo matasse muitos candidatos a políticos morreriam à nascença.
O problema - da coisa – não está na frequência, está no fim: educar pela imposição – e esse mantem-se, independentemente da frequência. Mais: por detrás desta forma de fazer política está a face oculta do moralismo cristão, que devagar, devagarinho, vai moldando, educando, impondo. Isto é o oposto da sociedade livre, da livre escolha.

14 de dezembro de 2018

Os D. Quixote deste tempo



Pombal não sai da cepa-torta, nem sairá, porque está entregue a políticos impreparados, ocos, lunáticos, escravos da vontade e da acção, que querem fazer coisas mas não sabem que fazer, aventureiros que tudo quanto pensam, vêm, ou imaginam, lhes parece real, factível, útil – estereótipos do D. Quixote. Se quando olham vissem alguma coisa, perceberiam que o concelho está cheio de monos, de equipamentos e malfeitorias inacabadas, ao abandono ou sem utilidade nenhuma; pensavam duas ou três vezes antes de falar ou propor alguma coisa; facilmente concluiriam que não basta fazer, que fazer coisas úteis exige análise e estudo, que os recursos são escassos, e, se mal usados destroem valor.
Vem esta conversa na sequência da reintrodução, pela enésima vez, da recuperação dos moinhos das Corujeiras, agora pelo PS. Como se aquilo tivesse recuperação possível, como se aquilo tivesse algum interesse económico, turístico, cultural, etc.
Existiram dezenas de moinhos de vento e azenhas em Abiúl (e nas outras freguesias), que desapareceram pela lei da vida; e nas redondezas existem moinhos de vento e azenhas, bem recuperados, que preservam a memória. Por quê esta obsessão lunática em recuperar o que é irrecuperável? O concelho precisa de vida, não de coisas mortas e ultrapassadas, não de nostalgias bacocas. E acima de tudo, precisa de políticos que saibam distinguir o essencial do acessório.

11 de dezembro de 2018

A última iniciativa da junta do Pedro


A junta de freguesia de Pombal, do nosso amigo Pedro Pimpão, lançou mais uma iniciativa: Segunda sem Carne. Com esta iniciativa o Pedro e os seus apóstolos pretendem “retirar da refeição escolar, pelo menos uma vez por semana, a carne”; e, desta forma, “consciencializar sobre o impacto que o uso de produtos animais tem sobre os animais, sociedade, saúde humana e planeta”. A junta do Pedro garante-nos que “é possível e relativamente simples adaptar os pratos típicos da gastronomia portuguesa à alimentação vegetariana”. Para o Pedro tudo é simples e extraordinário.
O Pedro é o típico político-profeta, que de escuteiro se fez profeta e de jota se fez político; que junta a fé à ilusão, e vontade à embriaguez pela acção; que se julga o educador e o salvador dos pecadores, convertendo-os à vida vegan.
O Pedro tem muita dificuldade em distinguir o acessório do essencial. Quando, ao longo dos últimos anos, os pais e os seus representantes fizeram queixa sobre as refeições escolares, o Pedro manteve-se impávido e sereno; nunca se indignou por a “sua” junta alimentar, vezes demais, crianças de tenra idade com arroz e salsicha ou arroz com atum. Bem sabemos que para o Pedro a ilusão é o seu elixir; mas evitava de o voltar a confirmar.

PS: O Farpas está em condições de anunciar as próximas iniciativas da junta do Pedro: “Sexta de jejum”; Sábado de abstinência”; “Fim-de-semana sem política”.

5 de dezembro de 2018

Afinal, não custa nada cumprir com as obrigações



Desde ontem que os serviços municipais estão a reparar as pedras levantadas na rua Capitão Tavares Dias, que têm provocado inúmeras quedas aos transeuntes, como aqui denunciámos na semana passada.
Vêem como afinal é tão simples acabar com o desmazelo? Agora só falta o resto.

4 de dezembro de 2018

CMP, a PME Excelência

Em Portugal há uma indústria que floresce: a Indústria do Galardão. As suas origens remontam aos famosos prémios da Farinha Amparo, e daí para diante foi sempre a crescer. Difícil, actualmente, é conseguir escapar ao galardão/Diploma.
No sector privado, o galardão mais atribuído e ostentado é o diploma PME Excelência - de excelência não tem nada, cheira até a mau prenuncio. Na última década foram atribuídos dezenas de milhares, uma boa parte a empresas entretanto desaparecidas. 
No sector publico, os galardões multiplicaram-se ainda mais. Chegar-lhes depende do gosto e da carteira - óbices despiciendos no sector publico. A CMP tem trabalhado afincadamente para os galardões, e as distinções têm caído: Bandeira Verde ECOXXI - 5.º Município Mais Sustentável; Autarquia Familiarmente + Responsável; 3.º no Anuário Financeiro dos Municípios ; 15.º Índice de Governação Local; etc. É bom ser distinguido, mas o que deveria contar é ser Distinto. Pombal viciou-se neste registo: pobrete e alegrete. Vive nisto, mas não vive disto. Não lhe acontecerá como aos milhares de PME Excelência que desapareceram, porque é Estado, mas desfalece a olho nu. E paradoxo dos paradoxos: quanto mais desfalece, mais galardoado é!
Era tempo dos políticos - e dos cidadãos que os elegem - perceberem uma coisa simples: quem trabalha para a aparência agrava a realidade. Era tempo do poder instalado (que não é verdadeiramente questionado) se questionar: deve trabalhar para a fotografia ou para resultados?

O sentimento de culpa dos nossos autarcas sobre as negociatas

É comovente.

30 de novembro de 2018

O casamento de fachada para este Natal


Há uma (bela) tenda instalada no Jardim do Cardal, há iluminação montada nas ruas há mais de um mês, e há toda a propaganda espalhada para anunciar "O Natal na Cidade", cujo programa integral pode ser consultado aqui.
Mas as explicações da vereadora Ana Gonçalves, na última reunião de Câmara - quando oportunamente questionada pela socialista Odete Alves - são uma uma pérola digna de pendurar na nossa árvore. 
Toda a gente sabe que o desfalecimento económico do concelho se traduz no comércio, também. Que,  aos poucos, o fluxo de lojas foi afunilando para o Largo do Cardal e para a Avenida, deixando vazios os espaços que noutro tempo moravam nas ruas da zona histórica. É um caminho ao contrário, o que fazemos em Pombal. Por isso não é de estranhar que a Associação Comercial e de Serviços de Pombal não tenha fôlego para mais. O que é lamentável é que seja a vereadora do pelouro a tratá-la com este misto de desdém e condescendência, como se a Câmara estivesse aqui a ajudar os pobrezinhos da ACSP. Como é que disse? É a Associação que deveria dinamizar o Natal na cidade? 
Oi? 

28 de novembro de 2018

Quem cair, que (a)tire a primeira pedra


Era moderno, era a regeneração urbana que ia revolucionar a zona história e potenciar o comércio, era a negação da calçada portuguesa e era, sobretudo, a surdez do poder político aos avisos lançados por aqui. Falámos do projecto a primeira vez há 8 anos, neste post do João Melo Alvim. E há seis também.  E muitas outras vezes depois disso. Sobre o tipo de piso, são muitos os posts em arquivo a propósito das "cardaleiras", como ficaram conhecidas.
Agora desafiamos os nossos leitores a encontrarem designação para as ratoeiras que todos os dias fazem cair cidadãos, sobretudo na Rua Capitão Tavares Dias. Voltamos ao mesmo: se os nossos autarcas caminhassem pela cidade, já tinham percebido o estado em que está. Se vissem para lá da passadeira entre a Câmara e o Nicola, não enchiam a boca com termos ao estilo "regeneração urbana". E se batessem com os joelhos no chão, como ainda ontem aconteceu a duas pessoas, nestas pedras partidas, levantadas ou soltas, talvez tivessem noção do perigo que ali está.
Até lá, continuem a passear-se no Cardal.

27 de novembro de 2018

Dois pinotes anunciados

Discutia-se o auto de doação à ACSP, para o Natal na Cidade - esmolas. Inesperadamente, e a desproposito, Narciso Mota puxou de uma recomendação, ao senhor presidente, que meteu orgânica da câmara e vida profissional e pessoal de funcionários. Reparem bem no registo caridoso e misericordioso dos dois “actores” – todo ele temperado com harmonia, cooperação e reforço mutuo.
O mundo dá cada cambalhota! Nada que o Farpas não tivesse já detectado e anunciado…
Confirma-se o que se prognosticava: o movimento NMPH é uma bolha de ar, nascida de um arrufo, sem substância e sem qualquer orientação. É tropa fandanga, que na assembleia municipal já começou a debandar; e na câmara dá tiros para o ar, cada um para seu lado, pelo gozo de ouvir tiros.

PS: Pedro Brilhante; põe-te em guarda - deixaste de ser necessário.

26 de novembro de 2018

Democracia à D. Diogo (II)

Democracia à D. Diogo

Em Pombal, grande parte do tempo das longuíssimas reuniões do executivo é consumido com picardias e afrontas, na sequência do corte da palavra à oposição, pelo presidente, por este considerar que aquela abusa do tempo (de uso da palavra).
Ora veja, e tire as suas conclusões.

O 25 de Novembro que importa(va) assinalar

Foto António Cotrim/Agência Lusa

Assinalou-se ontem por toda a parte o Dia Internacional para a eliminação da violência contra as Mulheres, mas em Pombal o poder autárquico prefere comemorar outro 25 de Novembro. Era domingo, uma excelente ocasião para fazermos alguma coisa com gente,  alguma coisa que não fosse a palestra-do-costume, com as pessoas do costume, que cumprem calendário e/ou obrigações.
A data vai ser assinalada amanhã, terça-feira, no Café Concerto, como é hábito. Aqui ao lado, em Ansião, foi ontem. Na data certa.
O que vale é que temos aqui o projecto BASTA. E fazemos parte da REAL - Rede Estruturas Atendimento Violência Doméstica Distrito de Leiria. E o Município de Pombal dá o seu tradicional apoio. Está tudo bem, graças a Deus. 

25 de novembro de 2018

Não em meu nome

O Município de Pombal promove, mais uma vez, a evocação do 25 de Novembro de 1975. Alguém me sabe responder se esta - como qualificar? - farsa foi aprovada pela vereação ou pela na Assembleia Municipal? Ou é apenas mais um devaneio de Diogo Mateus e seus lacaios? Como pombalense, recuso-me a ficar nesta fotografia mas, para não me acusarem de não fazer uma crítica construtiva, deixo uma proposta (em vídeo) que pode agradar ao nosso bento edil.

24 de novembro de 2018

Luta de galináceos

As reuniões do executivo são demasiado longas – mais de 4 horas -; não porque os seus membros discutam os assuntos e problemas com clareza e profundidade, na busca das melhores soluções para o concelho, mas porque usam aquele palco para a troca de bicadas em directo.
Ali, dois (ás vezes três) pobres diabos, de coração exaltado e ódios à flor da pele, perdem com frequência a cabeça e resvalam para a grosseria, num registo que extravasa a náusea e provoca o vómito, sempre com as mesmas questiúnculas, os mesmos apartes, as mesmas baixezas.

23 de novembro de 2018

Alienados

A reunião da câmara, de hoje, começou logo com o presidente a catalogar os vereadores da oposição de alienados. O provo tem um rifão estupendo para isto (chama-lhe…antes que ela…). Mas numa coisa D. Diogo tem razão: há por aqui muita alienação. A maior, porventura, advém de como é que o povo permite isto.

22 de novembro de 2018

Na primeira quem quer cai, na segunda cai quem quer


A Junta de Freguesia de Pombal vai promover, na próxima sexta-feira, mais um evento que só a envergonha. Diz o povo que "na primeira quem quer cai, na segunda cai quem quer" e é bem verdade. Se a palestra do Coach, Master Trainer, Facilitador de Cursos de PNL, Top Trainers e Quantum Mind Training, Pedro Vieira, promovida no passado mês de Fevereiro, se poderia explicar pelo querer de Pedro Pimpão, pelo seu espírito empreendedor e voluntarioso que muitas vezes lhe tolhe a clarividência, o Talk About de sexta-feira não tem qualquer explicação. 

Atente-se ao cartaz que promove a iniciativa. Apesar de ser bastante explícito quando ao horário (19h29), ele omite completamente os nomes dos intervenientes da sessão. Minto! Se tomarmos atenção, podemos ler, bem no fundo: "criado pelo médico Dr. Neil Negrelli Jr". Já é uma pista.

Quem é Dr. Neil Negrelli Jr? O que é o DL, Desenvolvimento e Liderança? Foi muito fácil descobrir na internet que o Dr. Neil Negrelli Jr é Master Practitioner e Trainer em PNL (poderia lá ser de outra forma), e também o presidente do obscuro Instituto Nacional de Excelência Humana (INEXH). Fantástico, Melga! Quando ao DL, percebi que é um Treino (o verdadeiro Treino das Emoções, segundo os seus promotores) com objectivos muito similares aos das consultas do Prof. Karambamas a preço muito superior (984€ a pronto pagamento). Fiquei esclarecido: o Dr. Negrelli é o Prof. Karamba do meninos ricos e o seu Treino a mais genuína banha da cobra.

Caro Pedro, eu até percebo o teu frenesi e necessidade que tens de estar permanentemente na ribalta. Mas não abuses! Ao colares a imagem da Junta aos devaneios de Negrellis e Vieiras não só te envergonhas a ti próprio como a muitos pombalenses. 

20 de novembro de 2018

A Jota é quem mais ordena?



Desde segunda-feira que o jota Nuno Carrasqueira já não é secretário dos vereadores Pedro Brilhante e Ana Cabral, passando a integrar o Gabinete de Apoio ao Presidente. E o que à partida pode parecer uma promoção, é outra coisa. O despacho foi assinado pelo presidente, Diogo Mateus, na sexta-feira passada, com efeitos logo na semana seguinte.
Carrasqueira, que fora lacaio do jota Brilhante no executivo, tinha o destino traçado desde que recuou no golpe palaciano que pretendia derrubar a líder da JSD local, Nicolle Lourenço, uma das "revoltosas" com a liderança de Pedro na JSD distrital. Ou melhor, desde que entrou e saiu - chegou a demitir-se mas voltou atrás. 
Ora acontece que entretanto findou-se aquela bolsa de emprego que era o projecto CLDS+Rosa dos Ventos, e era preciso arranjar lugar para a deputada municipal Cláudia Duarte. De maneira que é ela a feliz contemplada em secretariar o jota Brilhante e a vereadora Ana Cabral. 
É sempre interessante observar como Diogo Mateus joga este xadrez, antes de fazer xeque-mate.

19 de novembro de 2018

Olha o Arunca tão limpinho

Na última reunião da Assembleia Municipal, uma deputada do NMPH questionou a Câmara sobre a poluição no rio Arunca e foi prontamente ridicularizada por Diogo Mateus. Como a realidade é uma maluca, esta semana havia uns montes de espuma pelo rio acima.
Isto só pode ser do detergente para lavar as margens. 

15 de novembro de 2018

Oposição colaborativa


Narciso Mota nasceu e cresceu no regime da União Nacional. Não surpreende, portanto, que sempre tenha abominado a crítica política e defendido que a oposição deve ser colaborativa (convém acrescentar que para Narciso Mota colaborar é estar de acordo com ele).
Como vereador da oposição, Narciso Mota tem continuado a reafirmar que quer fazer a tal “oposição colaborativa”. Logicamente, sem quaisquer resultados e com muita conflitualidade à mistura. Porquê? Porque a vontade que manda não é a dele.
No entanto, Narciso Mota deve ter saído feliz da última reunião do executivo. Conseguiu, finalmente, fazer a sua “oposição colaborativa”: (diz-se que) foi o autor da proposta de atribuição da Medalha de Prestigio e Carreira ao Pe. Américo Ferreira. A proposta não era do conhecimento dos outros membros do executivo (descontando o presidente) -  quebrando as regras acordadas - mas, mesmo assim, foi aprovada por unanimidade, como convém.
Neste processo, uma coisa merece realce: Narciso Mota conseguiu o seu primeiro troféu com a tal oposição colaborativa. E duas dúvidas persistem: primeira, Narciso Mota, foi o verdadeiro autor da proposta ou um simples veículo? Segunda; tendo feito um “favor” a D. Diogo, qual foi/será a “recompensa”?

13 de novembro de 2018

A propósito da educação altruísta

Desde que o bom-cristão Guterres enunciou a sua paixão pela Educação, e fez dela o seu grande desígnio político, qualquer aprendiz de político encontrou ali caminho para percorrer, e assunto para poder debitar banalidades. A praça, por cá, está cheia deles. Esgadanham-se para dizer a banalidade maior, com os termos que melhor a emproem.
Um bom-cristão local, em tirocínio para político, veio-nos apregoar a educação altruísta – suponho que ele queria dizer educação cristã, mas teve receio do dizer.
A moral altruística não peca somente contra o bom gosto e a elevação, é um incitamento aos pecados da omissão e do amadorismo, uma sedução a mais sob a máscara da generosidade(zinha).

11 de novembro de 2018

Olha a pala (II)



Passados pouco tempo de aqui ter sido postado o miserável estado da pala da praça do Cardal, a câmara mandou retirá-la.
Conclusão: eles até sabem o que deve ser feito; andam é muito distraídos - são muito desleixados.

Olha os camiões



De manhã, a EM 237, entre o cruzamento para o Barrocal e o Alto do Cabaço, parece um comboio humanitário das Nações Unidas, mas com camiões carregados de pedra.
Diogo Mateus gaba-se, sistematicamente, que a rotunda do Alto do Cabaço veio facilitar a vida aos automobilistas. É verdade para uma (pequena) parte deles. Mas veio facilitar muito mais a vida aos seus amigos da pedreira, que agora entram directamente no IC2, sem parar. Por isso, a via, na prática, não foi requalificada para ser devolvida aos peões, foi para facilitar a vida aos camionistas da pedra (que têm uma boa via sem passar por dentro da cidade).

10 de novembro de 2018

O que é que nos distingue, afinal?



Andei dias para escrever um post sobre uma intervenção de um jota na última Assembleia Municipal, que tecia loas à fabulosa aposta da Câmara em matéria cultural. Acabei por não escrever, com aquela sensação que não devíamos ter, de bater em mortos. Bem sei que a culpa é nossa, dos que não acompanhamos a extraordinária actividade municipal em matéria cultural: não vislumbramos uma programação no Teatro-Cine, não apreciamos a qualidade das exposições que passam pela galeria do mesmo edifício  (a última, de escultura, era demasiado para nós...), ou dos espectáculos que animam o Café Concerto. Não compreendemos que o público vai ali para rir alto e falar muito, que tanto faz ser um duo como os Terylene, ou um organista qualquer.
A culpa é nossa, pois, que não damos o devido valor ao investimento municipal na cultura, à programação que o pelouro organiza e desenvolve, nem nos comovemos com a afirmação "Pombal é Cultura", que perpassa pelo facebook de cada vez que acontece algum entretenimento. Como naquela tarde de sábado em que um grupo de gaiteiros desfilava pela cidade, com o director da Biblioteca à frente e o fotógrafo municipal atrás, mais uma funcionária que entregava panfletos. Eram os 20 anos da Biblioteca Municipal e aqueles que "são do contra", os mal-agradecidos, portanto, não foram lá "marcar presença". Porque - para o caso de não saberem - é isso que distingue um pombalense de gema, interessado e que ama a sua terra: fazer número.
É nossa, a culpa. Não sabemos de cor a letra do "ai meu Pombal", não valorizamos esse espaço ao serviço da cultura que é a Casa Varela, ou o Auditório Municipal, ou o Centro Cultural (ainda se chama assim) instalado no Celeiro do Marquês. Não sabemos aproveitar as oportunidades que a terra nos dá, e por isso é só curioso que dois dos técnicos de sonoplastia do Teatro Miguel Franco, em Leiria, sejam pombalenses. Que ainda na semana passada  deram cartas num concerto de um grupo de Pombal - o projecto Jazz - que esgotou a sala. E que sentiu a diferença de tratamento entre a cidade-natal e a que os acolheu.
A culpa é nossa, que permitimos o alastrar da (subsidio)dependência da Câmara, nos 20 anos em que Narciso Mota reinou, e nos conformámos com a displicência de Diogo Mateus. Pior: resignámo-nos, quase todos, contentado-nos com o poucochinho, demitindo-nos de qualquer papel na sociedade civil. O sucesso do Farpas - visível e palpável nas visualizações e na interacção com os leitores, sobretudo nas redes sociais, no último ano - resulta dessa consciência que temos vindo a tomar, no colectivo. Até há um ano, nas últimas eleições, por exemplo, o cidadão comum não se manifestava, lia tudo mas não comentava nada. 
Se há algum caminho que vale a pena ter percorrido é este, o de acordar consciências. Mas não basta. De que nos serve isso tudo se não houver uma alternativa ao poder em exercício? Falta-nos a bolha, não raras vezes. E aproveitarmos essa onda para valorizar o pouco que vai aparecendo, fora da caixa municipal, fora da esfera comissão-de-eventos-freguesia-de-Pombal, que acena com jantares aos participantes em iniciativas (válidas, pois) como o Ó da Praça. Não é muito, mas há gente a fazer coisas, de Abiul a Vermoil. Da Charneca a Londres, com raízes aqui presas. Há a Ideias Ousadas, sempre menosprezada. A Orquestra Marquês de Pombal. É uma lista de gente a insistir na terra, a dar-lhe nome, e a receber indiferença. Às vezes chego a duvidar que 2014 tenha existido, que aquele Bodo tenha sido real. E custa a crer que tenhamos deitado tudo fora: a pintura, a música, a dança, os debates, a homenagem à emigração que trouxe até Gérald Bloncourt, há poucos dias desaparecido. 
Falo nisto agora porque amanhã é Dia do Município, com o qual o concelho se identifica muito pouco, para lá do feriado.
Falta-nos sentimento de pertença, identidade. Não admira por isso que a lista de homenageados com medalhas seja o que é, todos os anos: um item a cumprir, uma obrigação municipal, a arte de andar à pressa a convidar clubes, figuras, empresas. E desta vez não se arranjou nada na área cultural, para cúmulo.
Somos a soma dessa resignação, desse desalento, dessa "política do enfeite" que embandeira em arco com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma: autarcas em modo Pimpão que destilam adjectivos no facebook, onde é tudo "notável e extraordinário". E que por isso nunca precisará de ser melhorado, repensado, povoado de alguma coisa que nos acrescente em vez de nos enfeitar, só. 
A culpa é nossa, que os elegemos no exacto momento em que engordamos os números da abstenção (convém lembrar que metade dos eleitores de Pombal não vota), na medida em que nos demitimos de intervir. Porque não basta encher a boca a dizer que "o meu amor é Pombal", é preciso pô-lo em prática. Se os nossos autarcas o fizessem, importavam-se com o desmazelo a que está votada a cidade, e algumas freguesias. Mas para isso é preciso percorrê-la, andar a pé em vez de correr para a fotografia. Ver para além de olhar. É preciso morar aqui, de facto, ter os filhos na escola pública, ir ao Centro de Saúde, acompanhá-los nas actividades. E depois olhar à volta, e perceber as diferenças entre as cidades e vilas vizinhas, o empenho no espaço público.
Vivemos a cultura do bem-parecer, perpetrada pelas rádios e pelo jornal, que redunda nos dias iguais, porque está tudo bem, é tudo gratificante. Nunca equacionamos discutir a sério, debater de verdade, ouvir opiniões contrárias, porque não interessa. Quem ousa fazê-lo é uma espécie de belzebu da terra, com quem não nos devemos cruzar nem virtualmente! Só ver o que diz, enviar aos correlegionários, à socapa, em mensagem privada, evitar o contágio. 
Não é uma escolha fácil ficar em Pombal, viver para contá-la, como escreveu sobre a (sua) vida Gabriel Garcia Marques. Levantar o tapete e sacudir a poeira é uma forma de zelar por ela. Discuti-la também. 
Digam lá o que disserem, essa é a nossa medalha mais brilhante. Não nos pesa, não enferruja, e está ao alcance de todos. 
Façam muitos magustos por aí. É uma forma de tirar o bafio às salas das colectividades, e dinamizar as comunidades sem ser em épocas eleitorais. Se começarmos agora, ainda vemos a tempo.
Vivam Pombal. 

9 de novembro de 2018

Uma história de vida, que mete touros

Há duas décadas, estava instalada no país a polémica sobre os touros de morte, por causa da morte do touro pelos barranquenhos durante as festas anuais. Sempre fui contra os touros de morte e, como normalista que sempre fui (agora menos), não percebia porque é que o Estado continuava a tolerar aquela excepção - se, naquela altura, houvesse facebook teria desancado forte nos políticos “fracos” que permitiam aquela violação da lei.
No verão seguinte, resolvi fazer um desvio na viagem da semana de férias no Algarve, e aproveitar para conhecer alguma coisa de Barrancos (daquele povo bruto que matava o touro e desafiava a autoridade do Estado). Almocei em Monsaraz (nas viagens para o Algarve aproveito sempre para desfrutar da cozinha alentejana) e continuei por estadas estreitas e com mau piso até Barrancos. Chegado ao centro da vila, no alto, deparei-me com uma praça pequena, com piso de rocha natural irregular, circundada por casario terreno, de pedra e telhados com telha de canudo, pobre e degradado; uma taberna/café no lado este; velhotes sentados nas lajes em frente às casas, no lado com sombra, agarrados ao seu cajado; e dois ou três garotos a dar pontapés numa pequena bola de plástico. Fui á taberna beber uma bebida fresca; dei uma pequena volta à pequena vila e parei por uns momentos junto ao carro, na praça, antes de retomar a viagem. Lembro-me como se fosse hoje: senti um arrepio que me contraiu a face, desceu e contraiu barriga (uma espécie de murro no estômago), e soou-me este grito na cabeça: fxxx-se, Adelino; estás errado! E este povo está certo! Este povo, que não tem quase nada, tem a dignidade suficiente para não abrir mão da sua cultura, da sua história, das suas tradições, dos seus laços. Percebi naquele momento porque é que aquelas festas se continuavam a realizar daquela forma, com aquele esforço e galhardia, com aquele sentido comunitário, onde o touro é lidado, morto, esfolado, cozinhado e comido pela pobre comunidade. Aquela gente não celebra a morte, celebra a vida e a alegria (talvez a única do ano); aquela gente não é bruta, é fraterna; aquela gente não é baixa, é Grande.
Parti, voltei atrás - porque junto à fronteira não existia estrada que ligasse ao Algarve -, atravessei a fronteira, andei muito até Huelva, entrei ao fim da tarde pela fronteira de Vila Real de Santo António com a garota pequena chateada porque tinha perdido uma das poucos tardes de praia que tinha para gozar. Mas eu recebi uma grande lição de vida.

8 de novembro de 2018

Onde se dá conta da distribuição das comendas no dia do Principado

O esgotamento do Príncipe é tão evidente que até para distribuir as comendas do dia do Principado precisou dos alvitres do Pança. Chamou-o:
- Pança; vinde aqui.
- O que desejais, Alteza? – acudiu o Pança.
- Como sabeis; estamos em vésperas do dia do Principado, e ainda não sei quem agraciar…-principiou o Príncipe.
- Pois,…O Senhor sempre foi mui deslembrado para a ventura alheia…- atalhou o Pança.
- Já estais a desvairar, Pança; mas adiante, que tenho pressa. Indicai-me cinquenta justos que mereçam comenda.
- Justos segundo a medida divina ou segundo a medida humana? – perguntou o Pança.
- Boa pergunta - estais mui arguto! – notou o Príncipe.
- Foi bom haver sido eu por vós achado, senão o que seria deste pobre Principado – tufou o Pança.
- Não vos esticais, Pança – avisou o Príncipe; e prosseguiu a prosa: - segundo a primeira, que é a que mais interessa.
- Somente segundo a primeira é mui dificultoso inventar cinquenta justos num Principado onde a virtude não medra - afirmou o Pança -; a não ser que se junte um ou outro vidente, um ou outro adivinho e um ou outro charlatão.
- Fazei como achardes melhor – anuiu o Príncipe -; que adiante separarei.
- Estou pouco imaginoso, Alteza; trago a cabeça cheia com os meus muitos afazeres – afirmou o Pança. E prosseguiu: - devemos agraciar quem se distinguiu; o problema é que nesta terra ninguém se distingue (para cima – pensou, mas não disse).
- Deixai-vos de considerandos, Pança. Nomes, nomes… - insistiu o Príncipe.
- Vossa Mercê pode agraciar o Almirante, o padre do “Pão de Deus”, o estudante de números do oeste…- sugeriu o Pança.
- O Almirante já foi agraciado, e o padre do “Pão por Deus foi-nos roubado pelo beato Ilídio…- retorquiu o Príncipe -; mas, sim: o estudante de números serve…
- Já temos um…- assinalou o Pança. E acrescentou: - Vossa Mercê poderá também agraciar a associação dos esquecidos...
- Essa serve… Mas mais, Pança; mais…- suplicou o Príncipe - Estais pouco imaginativo. Falta-nos criaturas ilustres, que engrandeçam esta mui nobre cerimónia.
- Dai-me um entretanto, Alteza, para pensar alto, com os meus botões…
- Pensai, Pensai, Pança; mas despachai-vos, que não falta muito tempo para a cerimónia – avisou o Príncipe.
- Se me pedíeis que seja imaginoso, que também o sei ser, quando mo pedem ou mo deixam ser; pergunto a mim mesmo (e perdoai-me se for precipitação): por que não agraciar os farpeiros?
- Endoidaste, Pança; ou eles já te deram a volta?
- O Senhor é mesmo desagradecido…; eu só queria auxiliar Vossa Mercê, mas já vi que me precipitei.
- Assim, não ajudais nada, Pança; seria loucura tentar semelhante empresa! – afirmou o Príncipe.
- Eu sei que oferecer incenso a maldizentes, que se têm fartado de chasquear as nossas misérias - eu que o diga, que tenho sido um mártir nas mãos deles -, é fazer deles ídolos.
- Contava que me alimentásseis os desejos, não que me importunásseis com extravagantes toleimas – advertiu o Príncipe.
- Não sei se é toleima…- retorquiu o Pança -; se já agraciamos radialistas sem ouvintes e pasquim sem leitores, por que não agraciar estes que amiúde são indicados para as comendas por súbditos bem letrados … 
- Santo Deus! Que estais dizendo, Pança? Querereis que eu entronize três Judas, sem vergonha e sem temor, que nos têm infernizado a vida? - perguntou o Príncipe.
- Olhe que eles até têm andado comedidos! Se Vossa Mercê não lhes desse tanta mecha, nas reuniões difundidas, não nos davam tantos desgostos…- retorquiu o Pança.
- Seríeis um escudeiro mais confiável se me dissésseis que os deveria mandar excomungar e condenar ao fogo – afirmou o Príncipe.
- Desculpai-me, Alteza; que as minhas intenções sempre as dirijo para bons fins – retorquiu o Pança.
- Cala-te, Pança — tornou o Príncipe, com voz exaltada — cala-te, repito, e não digas blasfémias.
- Se Vossa Mercê se enfada — retorquiu o Pança — eu calo-me e deixo de dar os meus alvitres.
- Às vezes mais valeria cortar-te o pio - lembrou o Príncipe – mas não, agora; falai, mas falai com tino - com proposições conformes à ordem estabelecida.
- Pedir é fácil, difícil é ir ao agrado do Senhor. Mas, por minha fé, Deus e o Senhor me perdoem este outro alvitre: por que não agracia, Vossa Mercê, a oposição? – sugeriu perguntando o Pança.
- Endoidaste de vez, Pança – afirmou, exaltado, o Príncipe.
- Bem sei que não é gente justa – advertiu o Pança -, mas a comenda seria justa – tanto têm sofrido, sem gemer nem mugir, com as bordoadas que o Senhor lhes tem dado.
- À oposição não se dá comendas, Pança.
- Por que não?! Seria um prémio merecido: são uns verdadeiros mártires; e têm-nos ajudado tanto ou mais que os nossos. Se o Senhor fosse piedoso, uma vez na vida, dava-lhes esta alegria (que outra não terão – pensou só para si) - concluiu, rogando, o Pança.
- Pança; arrebita as orelhas e ouve-me bem ouvido: obedeces-me ou desterro-te definitivamente para o teu condado – ameaçou o Príncipe, com voz irritada.
                                                                                                          Miguel Saavedra

A tourada


Por estes dias, a tourada voltou a ser o tema fracturante da sociedade portuguesa - e também da comunidade local. A polémica foi desencadeada por a redução do IVA para os espectáculos culturais não englobar a tauromaquia e pela (infeliz) justificação da ministra da cultura – “tauromaquia não é uma questão de gosto, é de civilização”. A proibição da tourada é uma polémica recorrente, ao longo da história; tal como o são, mais recentemente, o aborto e a eutanásia.
O que me leva a entrar nesta polémica - de galos atiçados - não é a questão fiscal - não espero comprar bilhetes para touradas - nem a defesa da tauromaquia - deixo isso para os verdadeiros aficionados. São razões de imperativo de consciência: a defesa de princípios e valores em que acredito e deveriam ser um imperativo categórico de boa conduta: a liberdade individual (em todas as suas dimensões: estilos de vida, gostos e comportamentos).
Um verdadeiro democrata não impõe estilos de vida, gostos e comportamentos, nomeadamente quando estes não chocam frontalmente com o bem-comum. Vivemos tempos conturbados e de grande incerteza; convém não largar as verdadeiras âncoras da nossa civilização para embarcar em modas de maiorias conjunturais ou de minorias folclóricas. Como afirma o Manuel Alegre “é chegada a hora de enfrentar cultural e civicamente o fanatismo do politicamente correcto”, onde sobressai a humanização dos animais e o culto do amolecimento do Homem. Vivemos tempos de degeneração, onde uma certa esquerda, igualmente intolerante e avessa à diversidade, parece empenhada em puxar para baixo. Uma esquerda conduzida pela cultura de rebanho - na boa matriz cristã que tanto diz combater -; pelo sentimentalismo oco, idealista, contraditório, exótico, hermafrodita; e pela falsa compaixão com os animais. A mesma esquerda que tanto se bate pelo aborto e pela eutanásia escandaliza-se com tourada (diversão com um animal que vai ser abatido), com a caça, com o abate dos animais abandonados, com a esterilização de animais que são uma praga, etc.
Sim: a tourada é uma questão de gosto, e de civilização.

5 de novembro de 2018

Cidade desmazelada


SE o vereador responsável pela Manutenção Urbana e o presidente da junta de freguesia de Pombal dedicassem 10% do tempo que dedicam às festas, romarias e encontros partidários, para verificarem o estado da cidade, reportar as situações degradadas e exigirem aos serviços as reparações necessárias, a cidade estaria um mimo. Não acham?

4 de novembro de 2018

O elogio do mal


Em Abiul - que reclama para si a praça de touros mais antiga do país - há uma coisa chamada Tertúlia Berço da Tauromaquia, a que os nossos autarcas gostam de dar cobertura. E dinheiro nosso. Por estes dias os mentores publicaram orgulhosos a imagem que aqui se pode ver, agradecendo a" a todos quantos colaboraram neste projeto". Presumimos que se trate do acto de embalsamar o animal, morto naquela arena da terra, e cuja carcaça vai adornar a sala da Tertúlia. O horror em estado sólido.

Olha a pala



O desmazelo a que a cidade tem sido votada, confrange. Mas não cuidar da sala de visitas da cidade – Praça do Cardal – é demais.
A praça foi recentemente “requalificada”; mas o estado de degradação já exige nova requalificação.
Ora vejam o estado da pala (rota e cheia de bolor) que foi apresentada como principal elemento embelezador da praça.

2 de novembro de 2018

Michael e a pedagogia barata

Quem acompanha a vida política nas últimas duas décadas lembra-se bem de como Michael António ficou conhecido na Câmara como "o vereador da tarde". E apesar de dar sinais de algum amadurecimento, e de ser, por ora, o menos mau daquele conjunto na oposição, não deixa de ser um mimo este momento em que decidiu fazer pedagogia voltada para o jovem Brilhante. 
Mas bem mais surpreendente é o silêncio deste último, que ficou mudo perante as palavras do antigo companheiro de partido. O que diz bem da fragilidade em que se encontra no executivo - e na política. 

29 de outubro de 2018

E ela a dar-lhe com a ponte suspensa sobre o Vale do Poio

Não conseguem acabar o mamarracho do CIMU-SICÓ - está parado há dois anos e meio, ainda não está sequer a meio e não sabem que utilidade lhe dar;
Pelo meio, constroem e adquirem edifícios que estão ao abandono ou em subutilização;
Mas vão estas alminhas meter-se a construir uma ponte suspensa no Vale do Poio – numa área especial protegida – que ninguém lhes pede.
Dinheiro a mais; e juizinho a menos!

19 de outubro de 2018

O “novo” PS morreu

O “novo” PS – anunciado pelos actuais dirigentes – morreu à nascença. Pode-se afirmá-lo, com aquela verdade que não precisa de flores para se saber que está morta. A demissão de Aníbal Cardona (ideólogo do “novo” PS) foi só a confirmação do desfecho que a debandada de dirigentes e representantes nos órgãos autárquicos já anunciava.
Este PS não tem nada de novo – para além do slogan – e não tem futuro – como o slogan prometia. É o velho PS com a mesma roupa: sem liderança, sem estratégia, sem discurso político, sem pessoas (bases). Pior: sem uma ideia sequer do que deve ser e do que quer para o concelho (sobre qualquer das funções nucleares da administração municipal). O partido não tem massa crítica para fazer oposição política - não dispõe das competências necessárias para o fazer. O pouco que faz é sem razão, vive demasiado à parte para ter razões pró ou contra tal coisa.
Os dirigentes do PS não podem continuar a enganar-se e a enganar os militantes e os pombalenses que ainda acreditam. O partido por e simplesmente não existe como força política. É um organismo sem vida; corroído até ao tutano pela intriga, mesquinhez e inimizade; incapaz e impotente; movido unicamente pelo ciúme e indolência; resignado ao non far niente; preso de pés e de cabeça desligada; onde nada medra e tudo definha. A gravidade maior é que os seus crónicos dirigentes não têm sequer consciência disto…
O partido foi afastando ou escorraçando os quadros com valor político (pensamento próprio, sentido crítico, capacidade política), hostilizando-os tanto mais afincadamente quanto mais méritos têm. Resume-se actualmente a meia-dúzia de criaturas que acreditam sem acreditar, e outras tantas almas penadas que se assaparam à estrutura por oportunismo ou inveja pueril. Há muito que o partido perdeu o amor-próprio, e se foi transformado num covil de desgostos e desgraças onde todos submergem.
O partido precisa urgentemente que alguém desligue a luz por uns tempos, para que, cada um na solidão consigo próprio e depois todos em conjunto, façam uma catarse que expurgue maldades e ódios de estimação. Só assim se pode refundar localmente uma estrutura que já foi triunfadora, que a nível nacional goza de simpatia e liderança invejáveis, mas aqui entrou numa espiral de destruição que conduziu à agonia interminável.

18 de outubro de 2018

A lei de Murphy

Assisti - como qualquer munícipe daqueles que teve comunicações, estes dias - aos briefings que o presidente da Câmara fez questão de fazer, com a prestimosa ajuda dos presidentes de junta e da vereadora Ana Cabral. Ao princípio ainda tive dúvidas se aquilo não era o regresso do Gato Fedorento, mas depois vi o rapaz da Protecção Civil e o bombeiro João e a coisa afigurou-se séria. Tão séria como a tempestade Leslie que causou em Pombal maiores danos do aqueles que vi em Soure. Tão séria que deixou tanta gente sem água, luz, comunicações. Culturas destruídas nas terras que vivem da agricultura. Casas destelhadas, a maioria sem seguro, e agora à mercê dos apoios que um dia hão-de chegar, depois dos formulários preenchidos.
E nesses momentos (transmitidos em directo para o facebook pelas rádios locais) - que contavam com a participação dos representantes dos órgãos da imprensa local, de tal modo que até um director de rádio faz perguntas, mesmo não sendo jornalista - ninguém se lembrou de perguntar por que raio o Município de Pombal não decretou a calamidade pública? Por que razão o ministro da Administração Interna não passou por Pombal no domingo, quando foi a Soure e Figueira da Foz? Será que a autarquia comunicou ao governo o estado em que nos encontramos? 
O mais certo é sermos tão auto-suficientes que não é preciso. 
E assim fica já feito o discurso para a próxima reunião de Câmara e/ou Assembleia Municipal, a dizer que lá está Pombal a fazer o papel do Estado. 
De permeio, continuamos no olho do furacão: um presidente dos Bombeiros que usa o melhor vernáculo para se dirigir em público a quem questiona, em defesa-do-colete-do-presidente. Entre o fogo e o vento, a tempestade ensinou a Diogo Mateus a importância de não ir para o terreno em camisa branca e sapato de vela . E quando exportamos os nossos para a fora, às vezes acontece uma espécie de karma, como se viu na Figueira da Foz.
Estamos condenados à lei de Murphy, é o que é. 

16 de outubro de 2018

O que acontece no PS

Os militantes do PS foram ontem surpreendidos com a notícia da demissão de Aníbal Cardona da comissão política concelhia e do secretariado.
Numa altura em que o PSD está dividido como nunca, em que o poder autárquico está uma comédia, o que faz o PS? Nada. Senta-se e espera que passe. 
Cardona invoca razões pessoais para se demitir das funções. Esperemos que continue (pelo menos) na assembleia de freguesia de Pombal, e que esta demissão não signifique um afastamento da vida política.
Falta-nos gente de garra na oposição. Falta-nos oposição. 

13 de outubro de 2018

Pedro perdeu o coelhinho


Pedro é um rapaz muito esperto, trabalhador e ambicioso. Querido por todos, ganhou rapidamente o estatuto de líder junto dos seus amiguitos, que o respeitavam e admiravam. Nos seus tempos de escola, Pedrocas foi muito feliz e a sua aura ofuscava tudo à sua volta. 

Infelizmente, nada dura para sempre e a felicidade de Pedro não é excepção. A sorte começou a mudar quando, um dia, perdeu o seu coelhinho. Mais do que um amigo, o simpático bichinho era a sua grande referência e o segredo da sua força. Qual Sansão privado do seu longo cabelo, assim murchou o rapaz quando perdeu o coelhinho. Sem a clarividência e sagacidade que o caracterizavam, Pedro deixou-se enredar em aventuras inconsequentes

O moço é hoje uma pálida sombra de si próprio. Desprezado pelos mais velhos, que se recusam a dar-lhe o protagonismo que julga merecer, ganhou tiques de ditador junto do mais jovens. E se, em tempos, tudo lhe era perdoado, actualmente são poucos os que estão dispostos a pactuar com a arrogância e a vaidade. Sem surpresa, os seus maiores críticos passaram a ser aqueles que antes lhe vaticinaram um futuro brilhante.

O sempre jovem e bonito Pedro que, tal como Dorian Gray, se recusa a envelhecer, já não consegue esconder as primeiras rugas que lhe revelam o carácter.