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24 de agosto de 2020

Da ilustre Casa Varela


foto: Anteprojectos

Na senda do "faz & desfaz", a Casa Varela lá se vai aguentando de pé, à espera que lhe dêem uso. Já teve mil e um fins, só nunca teve um princípio.

A solícita imprensa local - aquela que não noticia as suspeitas de fraude e peculato na Câmara, mas é lesta a jorrar comunicados do PSD disfarçados de notícia - anunciou em primeiríssima mão que estava escolhido um director para a Casa, mesmo antes de se saber o que vai dirigir. 

Parece que é esta tarde que decorre uma acção de propaganda. Está dado o mote, que não podia ser mais explícito, claro e objectivo. Atentem, pois, no exercício maior de português bem escrito e comunicação escorreita, que encravou na palavra 'território' e distribuiu vírgulas como quem espalha facturas em cima da mesa.

 "O projeto “Casa Varela” foi concebido para ser como um espaço pertença do território e da comunidade, aliando ao seu passado rico de histórias e memórias, as novas centralidades para as artes, no concelho, na região e no país, atraindo a procura de uma faixa etária jovem e criativa, que venha a induzir no território um novo conhecimento, e um contributo identitário forte.

Pretende ser um espaço incontornável de criação artística, envolvendo Associações/ Artistas locais, reforçando redes nacionais e internacionais, projetando-se como polo de referência e como um centro de conhecimento, promovendo a diversidade da oferta cultural através de uma intervenção inovadora que atraia, de forma sustentada, públicos diversificados, e que concite o apoio da comunidade.

Enquanto ponte de ligação com artistas, a “Casa Varela” prevê, ainda, o desenvolvimento de um território de criação aproximando da cidade criativos do país e do mundo, impulsionando e complementando decisivamente a programação cultural já existente no nosso concelho"

20 de julho de 2020

A cultura de 'picar o ponto'



Ao longo do dia de hoje a RTP está dedicada ao distrito de Leiria, a propósito do concurso "7 maravilhas da cultura popular". E mais uma vez Pombal fica de fora. Porquê? Porque se ficou, de novo, por "picar o ponto": levou a concurso a lenda de Al Pal-Omar (que à partida não teria qualquer hipótese, está bem de ver) e a arte do bracejo da Ilha, além do capacho, ícone maior desse artesanato. Alguém nos explique, por obséquio, por que razão não candidatámos a lenda do Bodo?
Mas o empenho do município foi tanto que nenhuma das candidaturas foi contemplada. Custa a crer que não tenham sido envolvidos nessa candidatura os rapazes e raparigas da ARCUPS, aqueles que melhor sabem promover o bracejo e as capacheiras. 
Assim, ficamos a assistir pela tv à promoção dos outros municípios: Porto de Mós (muros de pedra seca), Batalha (procissão dos caracóis no Reguengo do Fétal)), Peniche (Renda de Bilros e procissão nocturna de Nossa Senhora da Boa Viagem), Marinha Grande (artesanato em vidro e arte xávega da praia da Vieira) e Leiria (enterro do Bacalhau no Soutocico ).
Temos esta tendência natural para servir de capacho. E para nos empenharmos pouco. Depois venham dizer-nos que Pombal é cultura, que é isto e aquilo. É uma maravilha, sim, mas é para meia dúzia que lhe usa o nome no currículo e se está nas tintas para o concelho e para o povo. 

16 de julho de 2020

44º Aniversário do TAP


Vários motivos que tornam este evento interessante: não é organizado nem pela Câmara nem pela Junta; é uma oportunidade para ver o Teatro Só num espectáculo sobre o tema (muito actual) da violência doméstica; a discussão sobre a importância do teatro no espaço público faz todo o sentido nos tempos que correm. É crucial que os artistas reivindiquem o "direito à cidade" e que, ao mesmo tempo, aceitem o desafio de a ocupar em todas as suas dimensões: física, social, cultural e política. Parabéns ao TAP!

31 de maio de 2020

Desprezo pelos artistas


Numa altura em que se vivem tempos de completa indigência política em Pombal, a nossa Autarquia necessita urgentemente de likes e de emojis cheios de coraçõezinhos. A receita usada desta vez não podia ser a melhor: recuperar a ideia dos camiões (que tanto sucesso fizeram nas campanhas), contratar um conjunto de artistas com residência no concelho e convocar as criancinhas para bater palmas e aparecer nas fotos. 

Até eu poderia estar na primeira fila a aplaudir, não fosse a nossa câmara, mais uma vez, ter repetido a asneira de sempre. Com a ânsia de monopolizar os louros e os aplausos, a iniciativa foi publicitada omitindo completamente os principais protagonistas: os artistas. E não me venham com a conversa do esquecimento! A verdade é que a nossa câmara despreza os artistas, encarando-os apenas como meros figurantes da pindérica encenação que tem vindo a construir, com o único objectivo de se manter na ribalta. 

6 de dezembro de 2019

Le Freak C'est Chic!

O icónico artista e figura pombalense, Dr Zappa Performer Dada, regressa à sua cidade natal com um espetáculo de performance intitulado "AMA.zona". 
Membro activo do grupo de performance multimédia "Objectos Perdidos", criado em 1987 por Paulo Eno, Tó Martinho e Zappa Dada. Influenciados por autores como Sade, Jean Genet, Lautréamont e Baudelaire e o dadaísmo nascido no Cabaret Voltaire. O último trabalho do colectivo intitulado "The Exploding Plastic Coimbra Inevitable" foi apresentado em Coimbra em Setembro de 2019.
Zappa participa também regularmente em concertos ao lado da banda "Black 77" uma reinvenção da banda Punk "77" uma das primeiras bandas de Punk Rock em Portugal fundada no ano de 1977 por Paulo Eno, a banda conta também com Pedro ''Calhau'' no saxofone, Victor Torpedo Ex "Tédio Boys" na guitarra e Ricardo Brito na bateria, sendo também acompanhados em palco pela performer Vera Mahsati.
Zappa Dada irá atuar este Sábado no Café Concerto em Pombal, realizando uma performance com a artista visual Magali Reales.
Através de video, música, poesia e performance teatral os dois artistas prometem não deixar ninguém indiferente, será sem dúvida um espetáculo único e imperdivel.
É sempre um prazer observar o doutor a operar, ainda mais neste tipo de espetáculo a que raramente temos acesso em Pombal. Apareçam no Café Concerto, Sábado às 22h30.
Obrigado por reaparecer, já tinhamos saudades suas Dr Zappa Dada!!


23 de novembro de 2019

Serviço público

Na próxima sexta (29/11), sábado (30/11) e domingo (1/12), o TAP apresenta o seu “Lusíadas?” em três freguesias do nosso concelho, respectivamente, na Associação do Louriçal, no Salão Paroquial da Mata Mourisca e no Salão Paroquial de São Simão de Litém. Os espectáculos têm início às 21h30 e os bilhetes têm o preço simbólico de 1 euro. Está de parabéns o TAP por esta iniciativa de serviço público. 

19 de novembro de 2019

Por ti, a inquiteção

Um dos nossos maiores morreu hoje, aos 77 anos.
Ninguém cantou tão bem a Inquiteção como ele. Deixa-nos tanto, em música, vida e obra, que seria atrevimento aqui dissertar sobre a grandeza tamanha. De Pombal, contou com o cartaz do Rui Cavalheiro e com a colaboração do Calika no generoso filme "Mudar de Vida - José Mário Branco, vida e obra".
Daqui, contará sempre com isto de nós. E para o resto.

18 de novembro de 2019

Os visionários


Nunca me canso de repetir que Pombal esteve bem ao aderir à associação Artemrede. Já antes havia felicitado o executivo de Narciso Mota aquando da decisão de integrar a Cultrede, uma associação congénere que penso estar inactiva. Como aqui disse, para além da rentabilização de recursos, este tipo de estruturas em rede possibilita disseminação de boas práticas de programação e gestão cultural, bem como a itinerância de projectos artísticos de qualidade, impossível de concretizar noutro contexto.

O caso da Artemrede é particularmente interessante pois, para além da programação cultural, tem outras vertentes que merecem destaque. Uma delas é a questão política. Eu não sei se a nossa Autarquia se revê nos documentos que assinou nos sucessivos Fóruns Políticos em que participou mas, se assim for, fico ansioso pelo que aí virá.

Outro ponto interessante da actividade desta associação de municípios é o projecto Visionários. O ideia consiste em convidar todos os cidadãos (é uma iniciativa totalmente aberta) a poder participar activamente programação cultural do município. Em Pombal, os Visionários foram os responsáveis por parte da programação do Teatro-Cine durante o mês em Novembro e, diga-se em abono da verdade, foram muito felizes. Parabéns ao Roque, ao Nuno - e a todos os outros que não conheço - por não ficarem em casa, por se juntarem e pela generosidade das suas escolhas.

Mas mais do que apenas espectadores/visionários, queremos cidadãos participativos da cena cultural. Para isso, há que fortalecer a rede de actores locais, gerar massa crítica, dar vós aos que se dedicam à música, ao teatro e à dança, mas também aos que escrevem romances, poemas (ou apenas os lêem), aos que se exprimem através das artes visuais ou do cinema, mas também aos que promovem eventos, aos que juntam pessoas e a todos os que acreditam que a cultura é também a exigência de um modo de vida e a necessidade de comunicação. 

Como apontou Madalena Victorino, prémio Universidade de Coimbra, no documento final do 3º Fórum Político da Artemrede, que decorreu no passado mês de Maio, em Pombal: "É nos universos e imaginários artísticos que reside uma riqueza excepcional de visionamento de uma vida cheia de possibilidade, de tolerância e de amplitude. A cada cidade cabe reinventar a sua cultura. A sua identidade cultural e artística". E este é um desafio para todos nós.

14 de novembro de 2019

Que cultura é esta? - o debate visto pela Rita Leitão

Na opinião de muitos Pombalenses, a adesão (e não aderência!) às comemorações do Dia do Município sempre deixou um pouco a desejar. Nem tanto porque chove e está frio ou porque é feriado e querem aproveitar para descansar, mas mais porque simplesmente o programa não puxa… Este ano, graças ao BlogueFarpas Pombalinas, o dia do município foi fechado com chave de ouro. 
“Discutiu-se” a cultura, e é entre aspas, porque foi mais uma troca de ideias, lamentos e projetos, do que propriamente uma discussão. Porque se há algo de que nos apercebemos, naquele Café Concerto cheio (pasme-se!!) é que todos queremos o melhor para Pombal. Mais e melhor Cultura. Com subsídios? Sem subsídios? Com salas cheias? Com pouco público? Façamos! E cada vez façamos mais! Vamos tentar combater o fenómeno da “Cultura do Entretenimento”… uma programação sem conteúdo, pensada para agradar às massas e sem uma contextualização ou enquadramento adequado. As pessoas certas, nos lugares certos, programando as coisas certas – penso que o caminho também passa por aí. 
Vimos uma sala cheia de agentes culturais que podem e devem unir-se mais em projectos, em parcerias, em intercâmbios, mas devem também, na minha opinião, ser os primeiros da fila a comprar bilhetes para ver os outros Agentes, divulgar os que os “outros” fazem, ajudar a criar públicos para si mesmos. Não somos só agentes, também somos público! 
Cada vez mais me convenço de que devíamos desculpabilizarmo-nos menos pela falta de divulgação ou falhas na comunicação de eventos e iniciativas (não digo que não haja, atenção!). Mas há que procurar, malta! Gostas de música? Gostas de dança? Gostas de Teatro? Gostas de exposições de arte? Procura saber o que se faz, onde se faz e por quem se faz. Ninguém te vai buscar à porta de casa… e as tuas séries e o sofá ainda lá estarão à tua espera quando voltares.

Rita Leitão

Licenciada em Animação Sociocultural, desde cedo se sentiu atraída pelo humor e pelo teatro. Elemento do Teatro Amador de Pombal desde 1999 e Stand Up Comedian desde 2011. A entrada no mundo da Stand Up Comedy surgiu quase por brincadeira, num bar "clandestino" de uns amigos, actualmente a Galeria Cabaret em Abiul. No bar de uma amiga em Pombal criou a "Meia Dose de Leitão", espectáculo mensal de 30 minutos que durou 2 anos naquele espaço até sair para "o mundo".

12 de novembro de 2019

Que Cultura é esta? O debate (e o Farpas) visto pelo Pedro Miguel

As Farpas Pombalinas são isso mesmo. Cenas que espetam e é uma chatice tirar. O poder local irrita-se e isso, como todos sabemos, não é cadastro, é currículo. Oportunidades falhadas, quem as não tem? Pedras no caminho? Guardam-se todas e um dia faz-se uma instalação ali na praça. Há que admitir que esta coisa de ter vergonha de falhar, enerva. Assim como assim, prefiro o Beckett e falhar melhor.  O que as Farpas Pombalinas vêm demonstrar é que há igualmente um outro País, fora dos grandes centros, que pulsa e que sempre foi contemporâneo, mesmo em ambientes mais adversos.  Vai nisto, a realidade entra em acção. Com que então a malta quer cultura? Mais ou menos. Se der jeito. It's complicated, como se dizia nas definições pessoais das redes sociais. Ainda assim, faz-se o que a cada um tem na veneta, em perfeita anarquia. Tem tudo para correr mal... e é tão bom.
Nunca foi crime trocar uma ida ao teatro, museu, concerto, por ficar enterrado numa poltrona fofinha, comprada em promoção na loja da JOM à beira da Estrada Nacional nº1 (true story). Mas esta nossa tradição Católica Apostólica Romana, do ai-meu-deus-o-que-é-que-as-pessoas-vão-pensar, não deixa que as coisas fiquem assim. Com jeitinho, a malta ainda acredita que mantém a face e que os outros pensam que isto é só gente culta. Só que não. Uma pesquisa rápida pelos dados do Eurobarómetro, sobre a participação cultural em Portugal, indicava que, não sendo novidade, oficializou-se o declínio na maioria das práticas culturais. Por outras palavras, em termos genéricos e que englobam todas as artes, a malta não vai às cenas e a que vai é pouca. Não há dinheiro para usufruir de muita coisa, mas também é certo que há falta de interesse. Os casos de iliteracia são gritantes e a falta de exigência é tal que, só por se ler um livro ou um jornal já se é quase considerado 'intelectual'. Credo. O problema da cultura em Portugal também é, portanto, cultural.
O compromisso com o território e com as pessoas que nele habitam - como vem nos livros - tenta-se cumprir à risca. Sim, há propostas, mas não se gosta de tudo (com direito a unlikes como consequência, um clássico). Já agora: também anda por aí muita coisa que não tem qualidade e estranho seria se assim não fosse. Muitos que nas suas mais variadas profissões apregoam o mérito e a exigência, de repente, para a cultura querem que seja um saco de gatos, sem filtros, sem critério. Não pode ser. Já se disse que a questão da cultura é cultural e a maneira como se olha para estas questões é sintomática. Depois há o direito fundamental de não gostar... para ambas as partes.
A estupidez humana é uma coisa fascinante e há momentos de um fascínio arrebatador. Faz parte. Apesar das honrosas excepções que fazem a regra, o interesse por coisas novas vai tendo alguma resistência. Acho eu e é uma posição muito pessoal mas já sentida na pele. Trocado por miúdos, ao invés da curiosidade, a validação dos seus próprios gostos costuma mostrar-se mais eficaz. É uma faca de dois legumes, ou lá como se diz isso. A certa altura é como ter um amor platónico, sem aquelo bafo quente na nuca.
Como diz a outra: "Que fazer?" isto da cultura dá uma trabalheira do caraças, as pessoas têm a sua vida. Por exemplo, este texto está a ser adaptado de um outro que escrevi há uns anos mas não faz mal. Desde que faça sentido está tudo bem, certo?  Jon Stewart (apesar deste ter tido qualidade até ao fim), nos últimos dias como apresentador do seu Daily Show, exorcizou no programa algo que já lhe deveria estar atravessado há muito tempo: "Entram à borla e fartam-se de criticar". "Já passaram 30 segundos, faz-me rir, rapaz-macaco!", exemplificou o apresentador. "Estão a borrifar-se para as nossas famílias, as nossas vidas. São cruéis. (…) "Isto parece o Coliseu", momento em que se levanta e abre os braços. "NÃO ESTÃO ENTRETIDOS?", grita. "Não querem saber. Querem-nos deixar sem sangue", diz com ironia. Nisto, alguém do público grita: "We love you!". Jon Stewart, sempre bem disposto, responde: "Isso não é amor. Se fosse amor, traziam uma sopinha, perguntavam se estavas bem. Amor não é "faz mais programas! Entretém-me!", concluiu.

Mas são estes momentos que ninguém nos tira e que poderemos contar aos netos. Se for possível é para fazer tudo outra vez. E em pior. As Farpas Pombalinas merecem uma medalha. São como aquele senhor que mantém o carvão on fire com um secador. Quem não tem cão caça com gato. Longa vida para as Farpas Pombalinas.


Pedro Miguel

*44 anos,  nasceu em Viseu mas vive em Leiria desde que se lembra. Está ligado a Associações Culturais desde 1995, com passagens pelo Nariz Teatro de Grupo e Fade In . Paralelamente foi DJ durante 20 anos e fez rádio durante meia década. Foi membro fundador e editor do projecto de media online, Preguiça Magazine, colaborou com o Omnichord Records (Surma, First Breath After Coma) e acompanhou de perto os principais eventos culturais não só da cidade de Leiria como da região centro dos últimos 25 anos.  Licenciado em Comunicação Social, tem o mestrado em Comunicação e Media e actualmente está no 2º ano do doutoramento em Discursos: Cultura, História e Sociedade na Universidade de Coimbra. Profissionalmente (e sem ordem cronológica)  foi actor, Dj residente em duas discotecas, jornalista cultural, roadie dos Silence 4, mas a grande aventura foi ter trabalhado durante mais de 10 anos com o coreógrafo Rui Horta, com o qual fez diversas tournées europeias. Actualmente pode dizer-se que é investigador, tem participado em alguns congressos na área da sociologia e estudos culturais, e trabalha também na livraria Arquivo, em Leiria. Tem três livros publicados, dois de ficção, sendo o último, Uma Cena ao Centro, um apanhado histórico da cena musical da região centro entre  1990 e 1999. Toca teclados, pandeireta, aspirador e berbequim no grupo Ayamonte Cidade Rodrigo. Adora um bom frango no churrasco e tem uma panca saudável pela banda industrial alemã Einsturzende Neubauten

10 de novembro de 2019

Faz de conta que nos importamos com a cultura local



À hora marcada, atravessei o Cardal até aos claustros da Câmara. Estava agendado para as 17 o lançamento do livro da Maria Luís Brites, que o município 'gentilmente' colocou no programa de 'comemorações' do 11 de Novembro. Decidiu juntá-lo a uma exposição de pintura de Armando Rocha, sendo que escritora e pintor nada têm em comum, tão pouco se conheciam. Era preciso preencher o programa e calhou mesmo bem. Quem entrasse nos Claustros na tarde de sábado, ficava a saber o mesmo: não houve direito a apresentações para ninguém. Mas adiante. Ainda bem que os meninos da Filarmónica da Guia tinham um bom repertório preparado, pois que o (pouco) público e protagonistas do momento tiveram de esperar uma hora para começar a apresentação: à espera do Presidente.
O momento - que me era feliz, à conta de ver ali a Maria Luís inteira, a equilibar-se no alto dos 85 anos - foi surreal. É certo que ela dispensou alguém que a apresentasse e dissesse dela ou do livro qualquer coisa. Mas à Câmara só ficava bem, pelo menos, ter o respeito e a simpatia de apresentar o momento. A Maria Luís Brites não é uma mulher qualquer. Se não fosse pelo mérito enquanto escritora (e pelo facto de ter sido a única mulher candidata à Câmara, embora, lá está, por partidos que não interessam), que fosse pelo muito que fez aos microfones da Rádio Clube de Pombal, quando nos anos 90 percorria todo o concelho de Pombal numa carrinha, à procura de dar voz aos autarcas e às populações. Mas isso foi uns anos depois de - num dia do Município, precisamente - ter tido honras de apresentar o livro 'Um triângulo no Litoral' para uma sala cheia. Outros tempos.
Como só ela, apresentou o livro sozinha e pediu logo perguntas ao público. E ficou para o fim o 'encerramento' (erro de protocolo, João. Tenho um livro da Isabel Amaral em que ela explica muito bem estes pormenores, vou emprestar-to) a cargo do Presidente da Câmara. Foi aí que aquilo me fez lembrar o tempo de Narciso Mota, em que, estranhamente, Diogo misturou alhos com bugalhos, embrulhando tudo num discurso redondo sobre as obras (literárias) que a Câmara já promoveu este ano, como que a metro. Sem esquecer a referência à distinção já feita à Maria Luís no rol de medalhas. E pronto, cumprido o programa, já pode voltar a encher a boca para a oposição com este feito notável que é promover a arte dos que até são do Bloco de Esquerda.
O que aconteceu este sábado, nos claustros, devia fazer corar de vergonha quem valida este faz-de-conta. Mas não faz. Está tudo bem. Tudo bem.
Já a sessão de autógrafos tinha terminado quando apareceram os amanuenses com uns ramos de flores, aquele mimo e cortesia que habitualmente se entrega aos escritores logo que terminam de falar. Foi a cereja no topo do bolo, exemplo maior das peças de puzzle que não encaixam mas...fazem parte. 
Enquanto assistia àquele momento - que a Maria Luís merecia tivesse sido de muito maior dignidade (e isso não tem nada a ver com solenidade) lembrava-me da biblioteca que quis doar ao município. Eu mesma enviei a Diogo Mateus um sms, na semana antes do Natal de 2018, dando-lhe conta dessa vontade. Foi numa manhã em que lá estive, em casa dela, a fazer-lhe uma entrevista de vida para o DN. Sei que mandou outros recados. A minha mensagem nunca teve resposta. Os recados também não. Afinal, o que é que isso interessa?

24 de outubro de 2019

E agora a Cultura



O Farpas arranjou uma forma de todos poderem participar nas comemorações do 11 de Novembro, feriado municipal. Não, não vamos dar medalhas nem discursos. Vamos lançar o debate: Que Cultura é Esta? É hora de discutirmos quem faz o quê, como e com que apoios. Que modelo temos e qual gostaríamos de ter, se é que este não nos serve. O convite é para todos os agentes culturais e para o público em geral, sem o qual nada disto faz sentido. 
 Temos um painel de quatro convidados para abrir o debate, de áreas tão diversas como o teatro, a música, o cinema, a literatura - com visões diversas sobre a realidade cultural de Pombal, de Leiria e da região. Além do Calika (que é da casa e defende o cinema e a música), vão abrir este debate a Rita Leitão (ligada ao Teatro Amador de Pombal, à Galeria Cabaret e à stand up), o David Gomes (da ARCUPS, Ilha, onde acontece um dos eventos mais marcantes do concelho, o Ti Milha) e ainda o Pedro Miguel, músico e investigador de Leiria, que tem integrado a organização de diversas iniciativas culturais aqui ao lado. 
 Esperamos por todos no dia 11, às 21 horas, no Café Concerto!

20 de setembro de 2019

O ADN persecutório e o episódio Pedro Lamares



Chamei-lhe, a brincar, Lamaresgate, quando ontem à noite soube de todo o desenlace da novela. Tinha pensado contar o episódio em registo ridículo, mas a partir do momento em que D. Diogo leva o assunto à Câmara e o torna público - contando apenas uma parte da história - o caso muda de figura.
Vamos a factos: a Biblioteca Municipal de Pombal comemora hoje os seus 21 anos com um espectáculo de poesia pelo actor Pedro Lamares - que é mandatário da lista do Bloco de Esquerda pelo círculo eleitoral do Porto. Como Ruy de Carvalho já foi pelo PSD. Como outros foram por outros partidos.
 Ora, satisfeita com a vinda de um camarada a Pombal, a responsável local pelo BE, Célia Cavalheiro, partilhou o evento não só na sua página pessoal de FB, como na página do partido. Conhecendo-a como conheço, tenho dúvidas de que o tenha feito intencionalmente, mas antes por inabilidade na rede. Mas adiante. Quando soube da história, já o post não estava lá disponível, de modo que li-o na página pessoal da Célia, secundado por um comentário de Nelson Pedrosa, o distinto director da Biblioteca.
Que antes disso já lhe ligara a pedir que retirasse o post (!) que considerava que "aproveitamento político".
Depois ligou-lhe a produtora, Maria Miguel Coelho.
E depois ligou-lhe o próprio do Pedro Lamares(!), cheio de pruridos e cuidados. Imagino o tipo de contacto que deve ter sido feito com eles a partir de Pombal...

Não deixa de ser surpreendente como a realidade consegue sempre superar a ficção.
Esta manhã ficámos a saber, em directo, na reunião de Câmara, que D. Diogo equaciona fazer queixa da Célia (que é como quem diz do BE/Pombal) à Comissão Nacional de Eleições. E que ele é tão democrata que até convida o Pedro Lamares. Porque "a Câmara não tem qualquer agenda partidária" (sic) nos convites que faz. Citou, aliás, vários exemplos nacionais que já aqui estiveram no burgo, como Sérgio Godinho, Vitorino de Almeida ou Gabriel o Pensador. Tão democrata.
O que deveria preocupar o presidente da Câmara era que o seu funcionário Nelson Pedrosa perdesse tempo a fiscalizar o facebook alheio, mas talvez isso faça parte das funções. Pior: que ouse contactar e sugerir a eliminação de uma publicação. Não lhes basta a forma como destratam - na pessoa da presidente da AM - a deputada Célia Cavalheiro. Tudo serve para exercitar o ADN persecutório que lhes corre nas veias, num registo típico de quem é fraco com os fortes e forte com os fracos.
Se aqui reinasse alguma elevação, isto era um não-assunto.
Como o que reina é o caciquismo, a lambebotice e nunca se esgota o gosto de espezinhar os outros, eis o poder ofendido com uma publicação do BE - que, como sabe, é poderosíssimo em Pombal!

8 de agosto de 2019

Sete sóis sete luas: o que nos fica



O festival Sete Sóis Sete Luas é, provavelmente, o melhor que esta Câmara conseguiu puxar para Pombal nos anos recentes, em matéria cultural. Termina hoje, com um concerto agendado para as 21h30, no Teatro-Cine (e não na Praça Marquês de Pombal, por causa da chuva), e deixa-nos um rasto artístico vasto e diverso, o peito cheio. 
O festival - que se estende por palcos de locais tão diversos como Pombal, Elvas, Alfândega da Fé, Ponte de Sor, Castro Verde ou Odemira, mas também Ceuta, Piran (Eslovénia), Roma, Rovinj ou Umago (Croácia), e mais um punhado de cidades entre a Turquia, Marrocos, Espanha, França, Cabo Verde ou Brasil. É a simbiose perfeita entre a promoção das artes e culturas do mediterrâneo e do mundo lusófono, e a animação das praças e jardins no verão. Desta vez o tempo trocou as voltas à organização e a chuva mandou para dentro do Teatro os dois últimos espectáculos. Ontem foi em vão, pois que as esplanadas estavam cheias - como no auge de Agosto, e bem que podia ter sido feita outra divulgação do espectáculo e da alteração de local. Mas o que esperar da página de facebook da autarquia, quando ainda continua com a imagem do Bodo como foto de capa?
Os espectáculos começaram em Junho e terminam agora, trazendo à cidade muitos artistas conhecidos nos seus países, mas com pouca expressão internacional. A banda de ontem era do melhor que já aqui pisou: Gustafi, a banda croata que é uma explosão de alegria em cima do palco. Imaginei-os ainda melhor na rua, claro, ou mesmo nas festas de Carnide, da Charneca ou do Louriçal. Porque falta fazer ao nível local aquilo que este festival faz entre países. E não chove sempre. 
Na noite de ontem - com muitas cadeiras vazias no Teatro-Cine - quase não havia entidades locais (excepção feita à vereadora da Cultura, Ama Gonçalves). Já sabemos que Diogo Mateus prefere inteirar-se destes espectáculos em viagens como aquela que fez na primavera, e que Agosto é tempo de férias nos serviços públicos. Para conviver com os emigrantes já lhe basta a feira de Nanterre, ou o salão do imobiliário português. Só me falta perceber por que é que neste festival atribuíram a Pombal o epíteto de "cidade do diálogo - e da mobilidade internacional". Vou esperar pelas notícias dos jornais locais para melhor compreender. Afinal, na última viagem aos países do festival,  o presidente fez-se acompanhar de um escriba - certamente conhecedor das artes em causa - e era suposto que o festival merecesse algum acompanhamento dos media. Ou não?

15 de julho de 2019

É a cultura, estúpido!


Quando entrei no Café Concerto, na última terça-feira, um rol de gente enchia o espaço. Estavam em círculo, como nas reuniões ou grupos de auto-ajuda, enquanto o mastro Paulo Lameiro explicava ao que vinha: a candidatura de Leria a capital europeia da cultura em 2027, a importância dos municípios se envolverem em trabalharem em rede (lá está), num trabalho que deve começar pela base, entre os diversos 'agentes culturais'. E bom, chegamos então ao cerne da questão: aquilo era uma reunião de agentes culturais - como horas antes me avisara o responsável da PMU, sabendo-me parte do Gang da Malha, que ali se reúne precisamente às terças, desde há cinco anos. Não raras vezes, as tricotadeiras são a única clientela do espaço, para mal dos resultados financeiros do CC. 
Espantei-me com o cenário: não conhecia uma boa parte das pessoas que ali estavam, não reconhecia ali a cena cultural dominante. Faltava ali muita gente, a começar pelos rapazes do Ti Milha (o festival que é mesmo uma Ilha), o pessoal da ADAC, e tantos agentes culturais individuais e colectivos que vão fazendo coisas, teimando em dar à terra aquilo que ela nem sempre merece.
A certa altura, o Paulo quis perceber melhor o que somos e quem somos, culturalmente falando. E foi aí que o circulo se abriu, desaguando entre um muro de lamentações e um bailado de graxa à Câmara, que ali estava representada pela vereadora da Cultura, Ana Gonçalves. 
Foi uma cena bizarra, aquela: ranchos e filarmónicas, grupos de música popular e barroca, músicos vários, professores, assalariados e assessores, dirigentes e afins, num espaço público sem público. A maioria não se conhece. 
E no meio da discussão, a lembrança da casa Varela. Aquela que foi comprada para ser berço das artes, em Pombal, que assim se mostrou ao público num Bodo, e que agoniza, sem rei nem roque. Que motivou certa vez uma reunião de outros agentes culturais, ao estilo pretensioso de D. Diogo, com muita parra e pouca uva. Pior: chegou a pedir trabalho a um grupo mais restrito desse naipe, para nada.
De modo que a intenção do Paulo Lameiro é boa (mesmo que Pombal não tenha sido seleccionada para os prelúdios que aconteceram noutros pontos do distrito), mas faria muito mais sentido se esta casa estivesse arrumada: se os nossos agentes culturais (seja lá isso o que for) se conhecessem, pelo menos. Se isto não fosse um saco de gatos em que o rancho inveja o subsídio da banda, em que há filhos e enteados para o poder, em que isso se traduz na importância maior ou menor que cada um assume. Porque nos falta, também na cultura, o de sempre: sociedade civil. Que não fique à espera das migalhas que hão-de ser aprovadas por quem não distingue uma clave de sol de uma roda de bicicleta, uma noite de fados de um projecto musical, um artista de um chico-esperto. 
Para nossa felicidade, temos alguns (bons) exemplos. Mas a maioria não estava ali. Fica-me a dúvida: não foram porque não quiseram ou porque simplesmente não foram convidados? Tenho para mim que isto de ser agente cultural aqui na terra é mais ou menos como a mulher de César, mas de forma mais apurada: mais do que ser, é preciso parecer. 

29 de abril de 2019

A cultura de elite, ou o sectarismo estratégico



O fim de semana que passou foi uma pedrada no charco dada pelo festival Oh da Praça. Durante dois dias (sexta e sábado) a música, a dança, a fotografia, e todo um conjunto de arte(s) tomou conta da cidade, com maior expressão na noite de sábado, que encheu o Jardim. 
Ao longo desses dois dias a Câmara fez questão de ignorar olimpicamente o evento: não há uma única referência nem fotografia na página do Município, o que quer dizer que a presença fugaz dos vereadores Pedro Brilhante (na noite de sexta) e Ana Cabral (no sábado à tarde) foi-o, muito provavelmente, a título pessoal. Não há notícia da presença da vereadora da Cultura em nenhum dos momentos.
Mas ontem, Ana Gonçalves integrou a "delegação do Município de Pombal" - como lhe chamou o deputado do PSD, eleito pela Europa, Carlos Gonçalves - que foi à capital apadrinhar o lançamento do livro de uma ilustre desconhecida (Maria Lourenço, natural de Almagreira), pela Chiado editora. Não sei se os leitores sabem como é fácil editar um livro por ali: basta pagá-lo.
A "escritora" em causa é emigrante na Suíça, e o lançamento decorreu em Lisboa. Foi confrangedor assistir à presença em peso da Câmara, por comparação à estratégica ausência num festival artístico que decorreu aqui na terra, e que - sabe-se agora - poderia ter sido a comemoração do 25 de Abril. Mas a Câmara não quis.
De que tem medo Diogo Mateus? De que foge a vereadora da Cultura? De Pombal? 
Por último, não deixa de ser interessante este súbito interesse pelos livros e pelos autores. Em Novembro deste ano, quando entrevistei a escritora desta terra de maior vulto e obra publicada, enviei pessoalmente uma mensagem ao presidente da Câmara, dando-lhe conta da vontade que ela tem em doar a uma entidade pública (ao município, por exemplo) toda a sua vasta biblioteca. O silêncio do edil foi ensurdecedor. Tanto quanto estridente foi a presença dos três vereadores na apresentação daquela obra, ontem. Está comprovada a questão de prioridades por parte do poder autárquico aqui na terra; resta ao povo - que ainda vota - dar-lhe resposta adequada quando for chamado a pronunciar-se. Oxalá tenha por onde escolher. 

27 de abril de 2019

A liberdade está a passar por aqui?

A realidade é sempre mais criativa do que podemos supor. Mostrou-o mais uma vez ontem à noite, no Celeiro do Marquês - um dos lugares a que o Festival Oh Da Praça também dá vida.
Um dos convidados - Luís Travassos - acabou por trazer a Pombal a comemoração de Abril que o poder autárquico insiste em camuflar: o presidente da Câmara cumpre os mínimos, preferencialmente sem cravos, o presidente da Junta aproveitou a proximidade com o deputado da nação e levou todos os funcionários a Lisboa, para assistirem a uma sessão como deve ser. 
De modo que foi uma felicidade assistir àquele final do espectáculo de Luís Travassos, que escolheu Zeca Afonso e Carlos Puebla para encerrar, lembrando Abril. Não sei se o rapaz saberia a terra em que estava. Mas foi bonito de ver os nossos autarcas a entoar "hasta siempre, comandante", em memória de Che Guevara. Ainda tenho dúvidas se o perceberam, o que torna tudo muito mais divertido...
Afunilando a questão, como se fosse o megafone que Vasco Faleiro usa para anunciar os espectáculos, é importante reter estes dias do festival Oh da Praça, cuja organização é assinada pela Junta de Freguesia. Era escusado. Bastava que entregasse o evento aos artistas Leonel Mendrix, Calika e Faleiro, que se esmeraram por programar dois dias de festival que bem poderiam ser, em si, a comemoração do 25 de Abril. A Junta não tem que ser uma comissão de festas, basta que cumpra o papel de as apoiar e incentivar. E com isso talvez a Câmara acedesse a fazer alguma divulgação do evento (que diz que apoia, pelo menos no cartaz), como faz de tudo o que é festival de sopas, mas a música...ainda por cima se tiver a chancela da junta...é concorrência.
O festival é uma excelente iniciativa, um palco para muitos artistas locais. Merece todo o apoio, e terá tanto mais valor quanto mais independente. Já parávamos com esta mania de 'institucionalizar' tudo, não?
Agora vamos lá para a rua, que o tempo promete e a música chama!



14 de abril de 2019

Mercado Medieval: muita cor no negro

Anunciam, para este fim-de-semana, o regresso de Pombal à Idade Média e à Reconquista Cristã. Se fosse só num fim-de-semana e com fidelidade, não vinha grande mal ao mundo (à terra); o problema é que, em parte, Pombal nunca saiu de lá: nos costumes, nos portes, nos ritos – na mentalidade.
O evento abarca duas dimensões que se complementam: a lúdica e a histórico-simbólica. Sobre a primeira, pouco haverá dizer para além daquilo que é mais ou menos consensual: serve para atrair e divertir pessoas. Pena que até um evento puramente mercantil seja deficitário em dezenas de milhares de euros; nestes câmara gasta sem restrições, mas não apoia os de valor artístico e produção local, tipo "Oh da Praça".  No que se refere à vertente histórico-simbólica a coisa muda de figura: o evento apresenta a época como grandiosa, abastada e ociosa, quando, na verdade, foi, durante a maior parte do tempo, aquilo por que ficou conhecida: Época das Trevas – da brutalidade, da miséria, da escuridão.
O evento replica o modelo, pobre e de mau gosto, que roda pela maioria dos concelhos do país; mas não é por estar na moda que é necessariamente virtuoso. Nalguns concelhos - Penedono, por exemplo - existe algum critério na selecção dos expositores; aqui entra tudo (crepes, pizzas, gomas, etc.) A época tem pouco de dignificante para mostrar, para além de batalhas e duelos, artesãos a trabalhar peles, ferrar quadrúpedes ou a cegar inimigos derrotados, marafonas de touca, tocadores bobos de alaúde, recitais do “Pranto de Maria Parda” e leituras da sina. Dar grandeza a isto, sem o contextualizar, diminui a humanidade.
Quer isto dizer que não se deve assinalar e recordar as épocas históricas menos gloriosas? Não. Quer simplesmente dizer que não se deve deturpar a História e o seu simbolismo, nomeadamente quando a sua apropriação é prejudicial ao progresso da sociedade.

4 de março de 2019

Cabeça ausente, corpo presente



O humorista Salvador Martinha esgotou a lotação do Teatro-Cine na sexta-feira passada, no arranque de mais um festival de teatro. E foi uma comédia. Salvador é daqueles artistas com pontaria: primeiro foi a vereadora Ana Gonçalves, que entrou já o espectáculo tinha começado, sujeitando-se a um dueto entre a plateia e o palco. E depois foi o secretário do presidente da Câmara, Nuno Carrasqueira, cujo estilo de jovem-vestido-de-velho chamou à atenção de Salvador. Vai uma pessoa fazer o favor de ocupar as filas da frente e calha-lhe em sorte ser motivo de chacota colectiva. 
- e o presidente, está cá? Não? 'Cagou', não foi? mandou o secretário...


9 de janeiro de 2019

Diogo vai parar o Centro Estudos Mota Pinto?


Questionado, na reunião do executivo, sobre o não avanço do propalado Centro de Estudos sobre e na casa Mota Pinto, Diogo Mateus desculpou-se com a incompatibilidade do projecto com as regras do PDM, indefinições na finalidade, falta de conteúdos e alertou ainda para os elevados custos de funcionamento - para o pouco (ou nada) que há para mostrar. Ficou claro, apesar das meias palavras, que não pretende avançar com o projecto. Faz bem. Para tontaria já chega a compra de um barraco sem qualquer utilidade ou valor arquitéctónico. Meter lá mais um euro é agravar o erro. Por isso, neste momento, a única decisão racional é parar definitivamente com aquilo e alienar o imóvel com o menor prejuízo possível.
De elefantes brancos está o concelho cheio. Não acrescentes mais, Diogo.