Ricardo Ferreira (CDS) continua a mostrar que sabe intervir
– tanto na forma como no conteúdo – e consegue acossar Diogo Mateus, levando-o
a perder o controlo, a descer de nível e a ter que recorrer a argumentos falsos.
Mas o seu número não salva a face do partido, que numa agenda com vinte e tal
pontos, só marcou o ponto no período antes da ordem do dia. Com a agravante de
o seu cabeça de lista mostrar desconforto claro com o teor da intervenção.
"E na epiderme de cada facto contemporâneo cravaremos uma farpa: apenas a porção de ferro estritamente indispensável para deixar pendente um sinal."
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2 de outubro de 2018
28 de setembro de 2018
Ouro olímpico
10 de setembro de 2018
Centro Escolar das Meirinhas - Obra Torta
O
Centro de Educação das Meirinhas, adjudicado em Julho de 2016, com prazo de
execução de 450 dias, está neste estado! Não vai abrir no início do ano
escolar, como era exigível. A data de abertura foi adiada para o próximo ano.
O
empreiteiro deixou atrasar a obra, não comunicou o incumprimento nem pediu
formalmente o prolongamento do prazo (afirmou o presidente da câmara na ultima reunião
do executivo). Não se sabe se a câmara sabia do atraso - a câmara não acompanha
nem fiscaliza as obras devidamente. Mais: o presidente da câmara acha que não
compete a esta controlar/acompanhar o planeamento da execução das obras. Irresponsabilidade.
Em parte, estão explicados os sistemáticos incumprimentos dos prazos.
Mas há
dúvidas que persistem:
- Que tipo de relação existe entre a câmara e os empreiteiros que os leva a estarem-se nas tintas para a câmara (que é o cliente)?
- Porque é que a câmara – que paga bem – não é exigente com os empreiteiros?
8 de agosto de 2018
Obras tortas
O Centro Escolar de Pombal (CEP) foi mal concebido, nasceu
torto, cresceu torto – como assinalámos aqui -, está torto. Bem diz o povo: o
que nasce torto tarde ou nunca se endireita.
Menos de um ano após a inauguração confirma-se o que há muito se suspeitava: o CEP foi mal concebido, mal construído, mal acompanhado e mal recepcionado. Apresenta múltiplas deficiências/anomalias: fissuras, abatimentos, infiltrações, madeiras empenadas, pinturas degradadas, etc. que exigem uma reparação profunda antes do início do ano lectivo. O empreiteiro foi chamado mas (consta que) não respondeu afirmativamente. Pelos vistos, prefere perder a caução (avultada) do que fazer as reparações.
Menos de um ano após a inauguração confirma-se o que há muito se suspeitava: o CEP foi mal concebido, mal construído, mal acompanhado e mal recepcionado. Apresenta múltiplas deficiências/anomalias: fissuras, abatimentos, infiltrações, madeiras empenadas, pinturas degradadas, etc. que exigem uma reparação profunda antes do início do ano lectivo. O empreiteiro foi chamado mas (consta que) não respondeu afirmativamente. Pelos vistos, prefere perder a caução (avultada) do que fazer as reparações.
Vão assim as obras municipais.
5 de julho de 2018
O velho pobre “novo PS”
Eis
uma verdadeira amostra do actual PS local: registo patético e métodos terceiro-mundistas
próprios das “repúblicas das bananas”.
2 de julho de 2018
O pobre “novo PS” (II)
A fonte de todo o oportunismo está em partir dos sintomas e não do problema, dos efeitos e não das causas, da parte e não do todo; está em
ver no interesse particular e na sua satisfação uma forma de captar um apoio
momentâneo, não um meio para a criação de uma alternativa política. O populismo
pode parecer o caminho mais fácil para captar simpatias, mas obriga a cedências
aos interesses particulares e compromete a coerência de qualquer projecto
político.
Só a
ausência de qualquer pensamento político minimamente estruturado e o desespero
político pode ter levado o pobre “novo PS” local a quebrar o mais elementar solidariedade
política e a enveredar pela veia oportunista e populista, contra o programa do
partido e do governo.
Quem tem
alguma consciência política e viu o pobre “novo PS”, envergonhado, na
mini-manifestação organizada pelos três militantes do BE contra o encerramento
da agência da CGD do Louriçal, deve ter ficado perplexo e deve ter pensado que
este PS bateu no fundo. Se o pensou, enganou-se. O pior estava para vir, logo a
seguir!
O
pobre “novo PS” juntou-se ao PSD, na rua e com um moção apresentada na AM -
logo apropriada pelo PSD -, no combate a uma medida emblemática ideologicamente
e de uma racionalidade económica à prova-de-vala do actual governo – manutenção/reforço
dos contratos de associação com os privados onde não existe procura ou oferta
pública. Perante tamanha insanidade política, pergunta-se: está tudo doido? São
socialistas? Sabem qual é o partido que está no governo? Acham que o país é
rico? Ou que pode duplicar e desperdiçar recursos?
Depois,
como o partido não possui nenhum pensamento político minimamente estruturado,
os seus representantes decidem tudo casuísticamente, são apanhados a cada passo
em contradições indesculpáveis num partido que deveria ser alternativa.
Decididamente,
não têm futuro.
1 de julho de 2018
O pobre “novo PS” (I)
A
nudez ideológica do “novo PS” – dirigentes e autarcas – é tal que deixa
qualquer um na dúvida: resulta da impossibilidade do uso activo da inteligência
(medo, por exemplo) ou de ausência da própria inteligência.
Por
isso, não surpreende que até um PSD convicto lhes dê uma lição de social-democracia numa área fundamental – Educação.
29 de junho de 2018
A vã glória de mandar
foto: dreamstime
O que aconteceu ontem na Assembleia Municipal de Pombal, a propósito da (legítima) luta dos pais de Albergaria dos Doze pela abertura de (mais) uma turma no Externato local merece um 'páre, escute e olhe na vida política local'. Num rasgo de impulsiva antecipação, a bancada do PS apressou-se a apresentar uma proposta "pelo financiamento de uma segunda turma do 7º ano", naquele estabelecimento de ensino privado. Respondendo com a habitual manha, a bancada do PSD logo lhe fez um abraço de urso - como aquele que, em 2016, já acontecera. Se bem que, desta vez, o PS conseguiu superar-se: não foi a reboque, tomou a dianteira. Como se isso lhe rendesse qualquer dividendo político, a não ser a vergonha alheia. O filme acabou com uma cena mimosa de um texto comum - lido em voz alta por Manuel António, líder do PSD/Pombal, que até então se mantinha num silêncio ensurdecedor*. O mesmo PS a quem o mesmo PSD, na mesma sessão, tratou de forma rasteira, a propósito de outra cena da vida pombalense - o encerramento do balcão da Caixa Geral de Depósitos no Louriçal. E na verdade, há que dizê-lo: tem razão Diogo Mateus quando lhes atira que são essas atitudes que fragilizam o concelho. Só lhe faltou dizer que o PS está paulatinamente a cavar a sua própria sepultura, sem coerência, sem estratégia, sem qualquer pensamento político.
É verdade que a questão dos contratos de associação é ideológica, sim. Foi este Governo que a levantou e a tem vindo a pôr em prática, acabando com o regabofe que durante anos encheu cofres privados à conta do dinheiro público. Por isso talvez alguém deva avisar o PS de Pombal que existe um programa, e que as estruturas não servem só para levar congressos ao colo e embandeirar em arco com eles.
*Tenho muita curiosidade em saber se, também neste particular, o ex-presidente da Junta da Guia e actual dirigente do Agrupamento de Escolas de Pombal, virou a casaca, ou se continua a pensar como dantes, mas é uma chatice admiti-lo.
28 de maio de 2018
Quem faz xeque-mate a isto?
No lufa-lufa de eventos que é a Junta de Freguesia de Pombal, calhou-me assistir a dois deles, nos últimos dias: as Pombalíadas (ainda bem que há memória e que no local alguém se lembrava de um evento com o mesmo nome, há muitos anos, organizado por um jornalista desportivo no tempo d'O Eco), e o já conceituado torneio de xadrez jovem. Esta quarta edição juntou mais de uma centena de crianças do primeiro ciclo, que no âmbito das AEC (Actividades de Enriquecimento Curricular) frequentam as aulas de xadrez. Foi uma tarde intensa para as crianças (entre os 6 e os 10 anos de idade) e para os pais. Por ser a primeira vez que acompanhava a minha filha a uma coisa destas, precisei de me habituar à ideia de que, durante quatro ou cinco horas, um amontoado de pais e mães iriam ficar colados às janelas daquela sala da Gualdim Pais. E essa deveria ser a primeira regra de qualquer organização similar - porque intimida os pequenos e é um espectáculo deprimente. Depois veio o essencial: dentro da sala não estavam apenas os professores das AEC's. Estavam promotores de escolas privadas, que vão 'gerindo' os jogos dos miúdos sob diversas formas, com a conivência da Junta de Freguesia. Uma espécie de 'olheiros', ou 'observadores' - como um deles se intitulou, junto de um grupo de pais, à caça de novos talentos.
A introdução do xadrez nas AEC's foi benéfica, no cômputo geral. Despertou nos miúdos esse interesse pelo jogo de estratégia que lhes estimula o raciocínio. Mas não havia necessidade destes números, que colocam a competição acima de qualquer competência, de forma mais ou menos velada. Também não havia necessidade de fazer discursar o actual presidente da Junta, o antigo presidente da Junta, a vereadora da Cultura e a presidente da Assembleia Municipal. Ao final, foi a minha filha que me fez o desenho: "mãe, já percebi que isto é como no Crianças ao Palco...os que andam nas escolas privadas estão sempre em vantagem". Não é assim lá fora, mas Pombal, já se sabe, é um micro-clima.
25 de maio de 2018
A atracção pelo infortúnio
Na sessão de abertura da Feira Nacional da Floresta - local, de tudo e de pouca floresta-, o
presidente da CMP - Diogo Mateus - anunciou a intenção de desenvolver um novo
estudo para a criação de uma Escola Superior de Ciências Agro-industriais e
Florestais. Estuda-se o que se desconhece, não o que se conhece. E o que é que
se conhece desta matéria? Que os cursos existentes na Agro-indústria têm pouca
procura, e na área Florestal praticamente nenhuma.
Nas últimas décadas, os presidentes de câmara (e os seus
executivos) têm evidenciado uma gritante incapacidade de prospectivar o futuro
do concelho. Continuam a afirmar que o concelho tem muitas potencialidades, mas
tem-lhes faltado visão e estratégia de desenvolvimento. Resultado: apostas avulsas e erráticas conduziram o
concelho, primeiro à estagnação, depois ao declínio. A realidade socioeconómica
está à vista de todos; e os exemplos espalhadas pelo concelho também.
É tempo de abandonar medidas avulsas, arriscadas e sem
nenhum enquadramento estratégico. Chega de atracção pelo infortúnio.
13 de março de 2018
Misérias
Uma Nota Informativa
proveniente da CMP (“assinada” por um não-funcionário) relata “a entrega de 20
cabazes por parte de famílias de etnia cigana a outras famílias carenciadas” e
acrescenta que a “ação que se decorreu no âmbito do Projeto 3I`s”. Ao lê-la,
fica-se na dúvida se o autor disse o que queria ou o que não queria. Pouco importa.
Importa, sim, o que o caso, em-si, representa: a carência inteira no seu
esplendor; e a material não é, com certeza, a parcela maior.
“A bondade, como bem
disse Pessoa, é um capricho temperamental: não temos o direito de fazer os
outros vítimas de nossos caprichos, ainda que de humanidade ou de ternura”. Esta
nem isso tem (humanidade e ternura); mete no mesmo saco bondade e compaixão, e
rega tudo com o mais escabroso proveito mediático; onde a graça e a felicidade de
uns, é a vergonha e a mágoa de outros. Para Nietzsche “a compaixão tem uma impudência
própria como companheira: pois, querendo ajudar de toda forma, não se embaraça
nem com os meios de cura nem com a espécie e a causa da doença, e
desenvoltamente lida como um charlatão com a saúde e a reputação do paciente”.
Atingimos o estágio
onde a (feitura da) bondade e compaixão se tornaram um vício; e a sua
ostentação uma patologia social. Mas convém lembrar que a bondade honesta é a que a Natureza nos presenteia, ou a que é doada sem mostrar o rosto.
30 de novembro de 2017
Anomalias e irregularidades
A discussão e aprovação da recepção (provisória) do Centro Escolar de Pombal era o assunto mais delicado que foi à última reunião do executivo. Percebendo-o, Diogo Mateus evitou expor-se em demasia: não participou na cerimónia de recepção (provisória) da obra e aproveitou a impulsividade da oposição para lhes passar logo a batata-quente. A oposição centrou as críticas nas 40 anomalias detectadas na vistoria à obra, mas o pecado maior não estava aí.
Quando foi preciso responder à oposição, Diogo Mateus chutou a defesa para a nova vereadora da educação e para o seu ministro das obras (tortas). A vereadora Ana Cabral - há muito convertida ao registo pimposo - procurou limpar as nódoas e embelezar a coisa com as fragrâncias deixadas pelas técnicas da DEGESTE.
A obra, como aqui, aqui, aqui e aqui fomos dizendo, é um chorrilho de aselhice técnico-política: má localização, falta de capacidade, deficiente planeamento e programação, execução e recepção irregulares. Aplica-se bem aqui o rifão popular que diz: o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. O Centro Escolar nasceu tordo, cresceu tordo e foi posto a funcionar de forma irregular, antes da aprovação da recepção provisória pelo executivo.
Pergunta-se: por que passaram
quase três meses entre a entrada em funcionamento da obra e a aprovação da
recepção provisória pelo executivo?
Um presidente sério e
responsável não coloca o executivo perante factos consumados.
21 de novembro de 2017
Auto de Fé
Faz agora um ano, o Conselho Pedagógico e a Direcção do Agrupamento de Escolas de Pombal submeteram
à aprovação do Conselho Geral um regulamento disciplinar para o 1.º ciclo, que
previa a instauração de processo disciplinar por infracções tais como: entrada
e saída da sala de aula aos gritos ou empurrões, linguagem imprópria, não
acatar as ordens, participar em lutas ou agredir verbalmente ou reagir agressivamente
pela voz ou gestos.
Na altura, manifestei
profunda discordância em relação ao regulamento, por o achar inadequado - autoritário,
opressivo e punitivo - e inoperacional (Como é que se conduz um processo
disciplinar a uma criança de 6, 7, 8 ou 9 anos? Que penalização se poderá aplicar
para além da achincalhante e ineficaz transferência de escola?).
Perante as críticas,
o director decidiu retirar o regulamento da agenda e propôs a nomeação de uma comissão
para a sua revisão. Mas para a comissão de revisão não foi nomeado nenhum
membro crítico do regulamento. Consequentemente, na reunião seguinte (última,
onde não estive por motivo de doença) apareceu uma proposta de regulamento
idêntica à anterior - com a mesma matriz punitiva. O regulamento foi aprovado sem
grandes reservas, por um Conselho Geral, onde a maioria dos seus membros foi educada
pelo antigo regime, bebeu aí a sua pedagogia e gosta de a replicar, aos outros.
Há umas semanas, uma
criança de 8 anos, do novo Centro Escolar de Pombal, aliciou outras, masculinas,
com um brinquedo, para simularem uma cena sexual na casa de banho. Alertada por
outra criança, a funcionária pôs cobro à cena rapidamente e comunicou o caso à
coordenadora da escola. Esta chamou as crianças, esclareceu o caso e
repreendeu-as. Depois, chamou os pais das crianças envolvidas, comunicou-lhes o caso, esclarecendo que não lhe tinha parecido grave e que já tinha repreendido as
crianças; como tal, a bem das crianças – todas –, recomendava que o caso não
fosse empolado e prometeu-lhes que iria reforçar a vigilância.
Só que – há sempre um
“que” nestas coisas –, como a cultura punitiva está bem disseminada e o mentor
da cena é cigano, estavam criadas as condições para os justiceiros - direcção
do agrupamento e pais – avançarem com o Auto de Fé: processo para cima da
criança de 8 anos, do cigano. Aposto cruzado contra vintém: se a criança
tivesse sangue azul, o caso seria abafado.
É a escola que temos,
a pedagogia que se pratica e a cultura que se espalha. Depois, não se admirem
com os resultados.18 de setembro de 2017
Daqui fala a mãe
O novo Centro Escolar de Pombal abriu hoje as portas, pela primeira vez. Entraram por ali adentro 194 crianças, que a partir de agora hão-de correr pelos corredores impregnados do cheiro a novo, ocupando então seis salas do primeiro ciclo e três do pré-escolar. Eram quatro, mas as inscrições não chegaram para tanto. Fui lá hoje pela primeira vez e trago uma sensação agridoce: não é tudo perfeito mas é melhor, muito melhor do que a escola Conde Castelo Melhor, onde outros tantos meninos continuam a brincar num recreio pobre, a almoçar num refeitório que ecoa e amplia os gritos de miúdos e graúdos, enfim, o verdadeiro "reformatório do século XIX", como tão bem lhe chamou (em tempos passados) o director do Agrupamento. E isso devia bastar para fazer corar de vergonha o nosso poder político, um município que escolheu para lema na educação o "sucesso escolar 100%". Como tão bem lembra Catarina Pires neste exercício de memória, "a escola deve ser o principal instrumento de criação de igualdade de oportunidades e justiça social."
Só que não é. Em Pombal, não é. Bem pode Diogo Mateus esgrimir argumentos e vantagens de "não ter uma escola com 400 alunos", para justificar a opção de requalificar a velhinha EB1 em vez de construir o Centro fora dali, que isso não apagará os factos deste ano lectivo: há meninos a chorar na Conde, tristes porque não tiveram a mesma sorte que os outros. Houve um sorteio, como é sabido, que ditou as turmas bafejadas. "Isso daqui a uns dias passa", hão-de dizer-me. Pois passa. "No meu tempo também não tinha melhores condições e ninguém reclamava". Pois não. Só que o tempo não anda para trás, o mundo é outro, e a nossa exigência na aplicação dos dinheiros públicos também o deveria ser.
Descendo na cronologia, uma nota importante: a reunião no ginásio da escola secundária de Pombal, segunda-feira passada, entre o agrupamento, a Câmara, a Junta (afinal o presidente sempre se dignou a aparecer, depois de anunciar em edital que não fazia sentido reunir com os pais e falar de AEC's, almoços e ATL, por estar em fim de mandato...) e os pais. Demorei oito dias a digerir aquilo. Era um anfiteatro cheio de pais, a maioria mais ansiosos que os filhos, muitos que ali entravam pela primeira vez. Lembrei-me naquela hora da minha primeira reunião do género a que assisti, no velhinho ginásio da EB1, salva pelo entusiasmo da professora Trindade, então à beira da reforma. Falta entusiasmo e faltam sorrisos nestes encontros a que a Escola chama de acolhimento, efeito bálsamo para pais à rasca. Na segunda feira passada, o presidente da Câmara anunciou a todos aquilo que já se adivinhava quando passávamos perto da obra: o Centro Escolar não estava pronto, as aulas só poderiam começar na semana seguinte. E por mais que tenha apreciado a forma frontal como ali foi falar aos pais, isso não apaga o desrespeito da revelação tardia. Mais uma vez, tudo começa e acaba na comunicação, ou na falta dela. E num caso destes, bastava aos pais terem sido avisados atempadamente do adiamento da abertura, para que pudessem (re)organizar a sua vida. Mas os pais estão condenados ao papel de espectadores neste processo educativo, são encarados pela escola como figuras decorativas na estrutura, e quando assim não é...é uma chatice. Não vem mal ao mundo que uma obra se atrase, desde que estejamos todos preparados para isso. Porém, parece que esta nem se atrasou. Naquela reunião ficámos a saber que o caderno da encargos previa a entrega da obra até 15 de Outubro (!) Sendo assim, é tempo de embarcarmos naquele discurso fofinho do "em Pombal temos muita sorte, estamos muito bem, quem dera ao país estar como nós"? Não, não é. É tempo de sermos exigentes com o poder que nos governa e com a oposição que deveria perceber estas coisas antes de as assinar de cruz. Ou só agora repararam que os meninos não cabem todos na escola nova, aprovada por unanimidade, como é costume?
Sobre a obra da escola nova, falta dizer que ainda não houve bênção, embora precise. O piso do recreio não inspira confiança a um crente. As salas de aula são demasiado pequenas para turmas com 26 meninos. O resto é bom: espaço amplo no refeitório e na biblioteca. O ginásio ainda não está pronto mas promete. Temos metade do problema resolvido. Dentro de poucos anos talvez esteja todo ele sanado. E eu, que continuo a defender a escola pública e as lutas dos professores (mesmo que nem todos nem sempre o mereçam) acredito que os nossos filhos vão ser felizes ali. De resto, não podemos esperar que toda a gente nos compreenda, que quem opta pelo privado para a educação dos filhos saiba colocar-se no nosso lugar. Essa deveria ser a primeira condição para um titular de cargo público, seja ele qual for.
5 de setembro de 2017
E agora, rezamos?
O poder político encontrou neste ano eleitoral uma forma inédita de fazer inaugurações: agora designam-nas por "bênção" dos edifícios, chamam o padre da freguesia e a banda filarmónica, convidam (parte) da população a juntar-se à festa e depois exibem-se nas redes sociais as fotografias do momento. Foi assim em Vermoil e foi assim no Louriçal. Ora, como falta menos de uma semana para o novo centro escolar de Pombal abrir as portas às seis turmas contempladas com a novidade, e a obra continua em marcha (quando deveria ter sido entregue a 15 de Agosto) está na altura de começarmos uma novena... Será que Pombal ainda faz parte do Estado laico? Ou retrocedemos à monarquia da santa madre Igreja e ninguém nos avisou?
21 de julho de 2017
Onde se dá conta das preocupações e dos planos da Princesa e do Príncipe
No período entre a
missa matinal e o almoço domingueiro, a Princesa e o Príncipe tiveram,
finalmente, a conversa que vinha sendo adiada sobre a sua pouco firme situação.
A Princesa começou
por descrever o ambiente que se vive no reino, comparando-o ao que se viveu na época
mais gloriosa da alta Roma, pouco antes de cair o grande Júlio:
- Conta-se que saíram
dos sepulcros os cadáveres em seus lençóis, gemendo pelas ruas. Depois,
chuviscou sangue e apareceram manchas no Sol”. E concluiu: - Idênticos sinais
de cruéis eventos, percursores de agouros eminentes, andam no ar. Estamos no
meio de uma borrasca que pode dar em guerra fratricida. Tremeram-lhe os lábios
ao expressar tão ruim presságio, e rematou: - se Deus com sua infinita
misericórdia nos não socorre, estamos perdidos.
- Bem sabeis que a vida
dos príncipes está sujeita a mil perigos e desventuras, mas, com coragem,
habilidade e a bênção do Senhor, havemos de vencer – sentenciou o Príncipe.
- Já estive mais
segura, Alteza – retorquiu a Princesa. O Inimigo bajula muito o povinho, de uma
forma que parece mergulhar-lhes no peito. E o povinho desta terra serve apenas
para luz emprestar a criatura tão pífia, que tem mais de bruto que de pessoa ajuizada.
- Não me alegra vê-la
tão desesperançada! Ficai serena e confiai em mim – asseverou o Príncipe. E
continuou: - O partido sabe arregimentar os apoios necessários – vede como o
beato Ilídio o a sua amanuense o fizeram recentemente, com o passeio dos idosos
e o respectivo comprometimento. E eu, do trono, estou determinado, com o apoio
do meu fiel escudeiro, a tudo fazer para seduzir os seduzíveis.
- Desculpai-me a
sinceridade nefasta: se, contra tanta adversidade, Vos apoiais só no partido e
no Pança, estais perdido. Há muito que andais rodeado de zombadores e amigos de
cochichos - gente licenciosa e sem princípios - que faz jogo duplo – afirmou a
Princesa.
- Mas preciso deles
para este combate mata-mata – disse o Príncipe.
- Devíeis apoiar-vos
mais no povo… ficar mais próximo dele. O que vos aproveita ir para Marrocos com
a Marquesa, em passeio? – Perguntou a Princesa. E deu a resposta: - Em Marrocos
não há votantes, e a cruz da Marquesa há muito que está conquistada.
- Estais mal-humorada…-
disse o Príncipe.
- Estou é a ver a
nossa vida a andar para trás - afirmou a Princesa. E acrescentou: - É altura de
pensarmos em nós mesmos e nas nossas crianças.
- E o que propõe,
Você? – Perguntou o Príncipe.
- Para começar, tiramos
as crianças desta terra (das escolas desta terra). Bem sei que Você tem tentado,
com o tal EPIS, melhorar as coisas. Mas nada mudou – o povo não muda. Logo, não
podemos deixar as meninas, educadas com tanta "finesse", misturadas, muito mais tempo, com os garotos dos bairros
sociais e do campo, expostas à ordinarice, aos piolhos e às carraças.
- Concordo…- anuiu o Príncipe.
E acrescentou: - o que não nos falta é problemas com as escolas…
- As escolas desta
terra não têm regras, dirigentes à altura e educadores capazes. O rapaz vai
para a capital e as meninas têm que ir para o Colégio Conciliar da Maria Imaculada,
que lhes proporciona educação distinta e o acompanhamento cuidado das irmãs. Eu
farei com gosto o esforço diário das viagens de ida e vota. Depois, se as
coisas correrem mal dia 1 de Outubro abandonamos esta piolheira – rematou a Princesa.
Miguel Saavedra
13 de junho de 2017
Obra torta
Se há área onde a
igualdade de oportunidades é essencial, é na Educação. Em Pombal continuará a
não o ser. Não por falta de recursos, mas por falta de vontade e de planeamento.
Às vezes, custa a
perceber certas opções: se são premeditadas ou impensadas. A câmara andou a
construir Centros Escolares onde não há crianças - nem vai haver nas próximas
décadas - e adiou a construção de um Centro Escolar na cidade onde há
crianças.
Tardiamente, a cidade
vai ter um Centro Escolar no próximo ano lectivo (eleições oblige). Mas o
pior, neste caso, nem é chegar tarde; é não responder às necessidades actuais e
futuras. Por isso, metade das turmas do 1.º ciclo funcionará no novo Centro
Escolar (que não é centro nenhum); e a outra metade funcionará na velhinha
Conde Castelo Melhor – escola sem condições mínimas, que deveria ter sido encerrada
no século passado. Teremos, assim, metade dos alunos numa má escola - dos
meados do século passado - e outra metade numa escola dos novos tempos. Bem
pode Diogo Mateus encher a boca com o sucesso escolar a 100%; mas, a trabalhar
assim, só cava insucesso.
Pelo meio, a direcção
do Agrupamento de Escolas de Pombal lava (disto) as mãos como Pilatos; e a
(nova) Associação de Pais de Pombal deu um contributozinho: propôs um sorteio
para distribuir as turmas pelas duas escolas.
O problema ficaria abafado, democraticamente!
3 de maio de 2017
Exigem-se respostas claras!
Numa carta-aberta ao senhor Presidente da Câmara Municipal de Pombal, a antiga Directora-Geral da ETAP, Ana Pedro, afirma que a escola "não cumpre mínimos de legalidade". E enumera: "Autorização Prévia da DGest obrigatória para o número de alunos que comporta; diretor ausente da escola mas quando presente ameaçando se preferem obedecer a ele ou ao Ministério da Educação, pautas de classificação entregues sem módulo concluído, diretor técnico pedagógico com profissionalização em serviço como bacharel, mas autorizado como licenciado omitindo que a licenciatura é pós-Bolonha; formadores de baixa por gravidez de risco a dar aulas; professores e formadores a assinar e serem remunerados por aulas sumariadas aquando alunos ausentes no tão publicitado ERASMUS; taxas de conclusão de curso na ordem dos 50%; dotação de horas não aprovadas nem financiadas pelo POCH em vários apoios e projetos, projeto EMPSE (sucesso escolar) sem resultados; permissão de fumar no recinto da escola com coberto elaborado para o efeito e apelidado de “sala de chuto organizada”; professora de Gestão/ Marketing e Turismo a lecionar a parte técnica dos cursos de saúde em Transporte de Fezes e Urina!"
Em que ficamos: o que Ana Pedro afirma acontecer corresponde, de facto, a um conjunto de ilegalidades? É este o resultado da estratégia delineada pelo actual Director-Geral da escola? Para quando entregar a gestão da escola a quem realmente percebe do assunto? Exigem-se respostas claras!
12 de fevereiro de 2017
Muita parra, pouca uva
Diogo Mateus não se cansa de apregoar os méritos da parceria que a Câmara Municipal de Pombal tem com a Associação EPIS - Empresários Pela Inclusão Social. De tempos a tempos, lá surge um comunicado a referir as maravilhas do programa.
Sejamos sérios: alguém conhece os resultados de tal parceria? Talvez a culpa seja minha, mas até agora ainda não vi nada de concreto. E quanto ao envolvimento dos pais: é verdade que colaboram efectivamente no projecto ou estão lá apenas porque ficam bem na fotografia?
Como professor e pai, sou o primeiro a aplaudir tudo o que de sério possa ser feito pela promoção do sucesso escolar. Se for essa a vontade dos senhores empresários e da autarquia, trabalhem com descrição e eficácia. Não gastem energia e dinheiro em propaganda oca. Vão acabar por matar uma ideia com potencial a brincar à caridadezinha.
3 de fevereiro de 2017
O respeitinho.
Esta semana ficou marcada pela agressão de um professor a um aluno, na escola Marquês de Pombal. Aconteceu tudo numa aula de substituição, essa artimanha do sistema que mantém os meninos na sala, quando um professor falta, aos cuidados de outro qualquer, em vez de os deixar brincar - para o bem de todos. Os factos foram descritos pelo irmão do miúdo agredido, no facebook, num post partilhado centenas de vezes por amigos, conhecidos, curiosos da comunidade. Ainda bem que foram: num tempo esquizofrénico como este, a rede (que tantas vezes é um pelotão de fuzilamento) tem esse lado libertador, de democratizar o acesso ao público. E isso para mal dos pecados de quem acha que tudo se resolve dentro de quatro paredes, com os panos quentes do sistema, que abafam todos os males - sobretudo os/dos maiores. Não faltaram moderadores furtivos, nem justificações diversas para o injustificável. De todos os argumentos e tentativas de apagar o sucedido - alguns podem revelar-se eventualmente chocantes, como entidades legalmente superiores sugerirem primeiro o silêncio cúmplice, e mais tarde a retirada do post do facebook. Neste particular, uns e outros vivem ainda noutro século, sem perceberem que nada se apaga: uma vez na net, sempre na net.
Mas à distância dos dias, o que fica é a questão de fundo: tal como no flagelo da violência doméstica, não perdemos a mania de fazer de conta que não existiu, e pior - somos fartos a arranjar justificações para um adulto que, dentro de uma sala de aula, leva uma criança a fazer xixi nas calças.
"O meu filho quase ficou numa cadeira de rodas e ninguém fez nada", desabafou um pai, por estes dias, no facebook, aludindo a uma história do passado recente. Só há uma maneira de alguém fazer alguma coisa: Falar. Escrever. Destapar. Ou ainda há dúvidas?
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