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28 de janeiro de 2017

O regresso de Narciso

Foto: facebook da candidatura. Narciso ladeado por Ofélia Moleiro (que deverá ser cabeça de lista à Assembleia Municipal) e Rodrigues Marques, que há-de ser o que Deus quiser nesta campanha.

Depois de apresentada a candidatura independente, ontem ao final do dia, no velho auditório da Caixa Agrícola, Narciso Mota está lançado. 
Foi um evento e tanto, aquele: sala cheia, propícia à melhor crónica de costumes. Narciso esteve igual a ele próprio, provando aquilo que já se sabia - vale tanto sozinho como encostado ao PSD, do qual, de resto, já se desfiliou. Falta-lhe máquina, como ficou provado no discurso escrito mas pobre, por exemplo, mas sobra-lhe autenticidade, tal como mostrou no momento de perguntas e respostas aos jornalistas (sim, aquilo era uma conferência de imprensa). E não lhe falta povo. Na sala havia de tudo - empresários, autarcas, ex-autarcas, apoiantes, curiosos, medrosos e outras espécies - mas era sobretudo a populaça que ali estava, para o aplaudir genuinamente, mesmo tendo em conta que uma grande maioria do eleitorado ainda não sabe desta candidatura. Os que o rodeiam talvez não saibam que há uma parte deste concelho que não vive na net. É por isso que a apresentação de ontem foi mesmo o tiro de partida. A partir de agora a luta vai endurecer. Do lado do PSD (que é como que diz de Diogo Mateus e de Pedro Pimpão, que vivem disto) virá muito chumbo grosso, sob as mais variadas formas. Mas os estilhaços desta bomba chamada Narciso hão-de chegar também ao PS. Mais: o tempo e os votos dirão a quem roubará mais esta candidatura independente. Por isso, a presença massiva dos dirigentes e eleitos socialistas na apresentação de ontem é só desperdício. 
Como o CDS continua em banho-maria, não sabemos ainda os danos colaterais que (também aí) provocará este "Pombal Humano". Já que a carne está quase toda no assador, agora e ver se Narciso tem brasas suficientes para a manter nos próximos meses. Mas uma coisa certa: na história de Pombal há um antes e um depois destas autárquicas, pois que não restará pedra sobre pedra da muralha laranja que aqui se ergue vai para um quarto de século. Por ironia do destino, o mesmo 'cavalo de Tróia' que elevou o partido, pode bem ser aquele que o vai afundar. Ou como dizia, numa noite de eleições, há muitos anos, um actor político que já cá não está, "um dia vão-se digladiar uns aos outros".

17 de janeiro de 2017

Jorge Claro é candidato à Câmara



A comissão política concelhia do PS aprovou ontem à noite o nome de Jorge Claro para candidato do partido à Câmara de Pombal nas eleições autárquicas que acontecem este ano. 
Aqui no Farpas notámos essa vontade de Jorge Claro - e consequente mudança de atitude na vereação, algures no verão passado. Mas os meses passaram, as estruturas distritais  (e nacionais?) iam fazendo caminho paralelo, de forma que no início de Janeiro, o homem publicou na sua página de facebook esta fotografia, respondendo tratar-se de "a minha foto para 2017". Jorge Claro não nasceu ontem e sabia que era preciso marcar terreno. Que nos bastidores o PS continuava a asneirar, alimentando contactos com Narciso Mota, que ainda terá ponderado a possibilidade de ir a votos com a bandeira socialista. E ei-lo, então, pronto para o combate.
De acordo com a nota de imprensa divulgada esta madrugada, "O PS considera que se trata de um candidato credível, capaz e profundamente conhecedor do Concelho e das suas gentes. Dono de um percurso profissional irrepreensível mas também de uma dedicação ao serviço público extremamente relevante". 
Tem agora uns meses pela frente para mostrar o que vale, politicamente, numa corrida que podia ter começado sem pressas.

16 de dezembro de 2016

Tal Presidente Tal Povo

Aqui ao lado, em Ourém, o presidente da câmara municipal está há anos em insolvência pessoal, com dívidas de mais de 4,6 M€. Em 2014, um empresário interpôs-lhe um processo de insolvência pessoal por uma dívida de 350 mil Euros; mas Paulo Fonseca empurrou a inevitável declaração de insolvência, recurso após recurso, até ao Tribunal Constitucional.
Pelo meio, Paulo Fonseca ganhou as eleições no estado de insolvência pessoal amplamente conhecido e exerceu o mandato. Entretanto, o Tribunal Constitucional confirmou a inevitável insolvência pessoal, o que lhe retira a idoneidade necessária para se manter no cargo e para se candidatar nas próximas eleições. Mas o malabarista Paulo Fonseca não quer ficar por aqui; prepara-se para contornar a decisão do Tribunal Constitucional através de um acordo artificial com os credores. Este caso mostra, até à saciedade, o estado de degradação e de desagregação do regime, e a falta de sentido ético mínimo da sociedade em geral e dos Oureenses em particular.
Expõe a Justiça, que permite que um tipo, sem pingo de vergonha e sem qualquer possibilidade de reverter o estado de insolvência pessoal (com o rendimento que tem e quer manter, nem que dure mil anos honra os compromissos), goze de idoneidade para exercer cargos públicos; expõe as debilidades do Sistema Democrático; e expõe o partido – PS - que o candidata e apoia esta desvergonha. Mas expõe também uma sociedade cívica e politicamente corrompida até à medula, constituída maioritariamente por pessoas sem vergonha, sem carácter e que não distinguem já o bem do mal.

9 de dezembro de 2016

Onde se dá conta da reunião do Príncipe com os seus ministros

O Príncipe sabe que para conquistar os súbditos tem que se aproximar deles; e para isso, tem que sair do convento de Santo António, tem que procurar o povo e misturar-se com ele – cousas onde não é muito versado. Mas, para o poder fazer, sabe (agora) que tem que se libertar dos seus muitos afazeres, das minudências em que se deixou enrolar e entreter; distanciando-se, ainda mais, de súbditos e, até, dos ministros; não se dando sequer conta do que não fazem, do que fazem mal, e - pior - do que andam a fazer. Chamou o Pança e ordenou-lhe que convocasse os ministros para uma reunião. O Pança perguntou: - Todos ou só os nossos, Alteza?
O Príncipe corrigiu logo a pergunta: - Fazes bem perguntar, Pança; mas fazes mal a pergunta! Sabes bem que são todos nossos; mas para este fim, só quero os que têm pasta atribuída.
- Percebido Alteza, - rematou o Pança.
No dia seguinte, à hora marcada, o Príncipe perguntou ao Pança se já tinham chegado todos, ao que este respondeu favoravelmente. Mal tinha o Príncipe acabado de se sentar, apareceu à porta, atrasado, o ministro Videira. Pediu desculpa pelo atraso - tinha-se descuidado no envio de uma encomenda.
O Príncipe, depois de fazer uma alocução alargada sobre o momento político e da necessidade que tinha de se libertar dos seus muitos afazeres para poder procurar a sua fortuna, e a deles (ou pelo menos de alguns deles); advertiu os ministros que esperava deles mais empenhamento, e que lhes iria delegar mais competências.
A cara dos ministros era de espanto e por todos perpassava uma interrogação: se quis concentrar tudo; porque delega, agora?
O Príncipe mandou o Pança apontar as atribuições a distribuir por cada ministro. E começou por dizer:
- Começo pelo ministro Videira, por ser o mais folgado. Delego-lhe a competência para emprestar os campos da bola.
- Não posso assumir mais atribuições, Alteza – reagiu incomodado o ministro Videira. Preciso é que Sua Alteza me liberte totalmente das que tenho.
- Libertado tendes estado, estes anos todos - retorquiu o Príncipe. Não acheis que seria melhor, que neste final de mandato, fizésseis alguma coisa, para justificardes o cargo? 
- Agora já não vale a pena, Alteza – contrapôs o ministro Videira. Falta-me tempo e querer; tais são as empresas em que estou metido.
- Empresas? Que empresas? – Interrogou o Príncipe.
- Várias, Alteza. Com a família e o negócio dos pines a crescer; e querendo tornar-me governador da junta, não tenho tempo para mais atribuições. E que lhe aproveita Vossa Mercê dar-me mais atribuições se não as exercitarei?
- Muito me surpreendeis: nunca governardes nada, como quereis ser governador? Quem te havia de dar uma junta para governardes? E logo a maior? Não vedes que há homens mais hábeis e esforçados do que tu para governador?
- Governo o meu negócio. - Refutou o ministro Videira.
- Tenho que mandar avaliar as incompatibilidades desse negócio.
- Não tem nenhuma incompatibilidade, Alteza. Não falto ao trabalho; faço-o aqui dentro, para outro público!  - contrapôs o ministro Videira.
A estupefação incomodou todos. Percebendo-o; adiantou-se o Pança para conter o imbróglio: - depois esclarecemos esses negócios…?
E o Príncipe interrompeu a reunião para almoço. Segue dentro de momentos.

                                                                                                                    Miguel Saavedra

5 de dezembro de 2016

O ex-futuro presidente

Tem sido um deleite para quem acompanha a acção política, o desenrolar dos últimos tempos em Pombal. Sempre achei que, à falta de oposição, o PSD haveria de consumir-se internamente, com os diversos actores a degladiarem-se, entre si. É o que está a acontecer, desde que Narciso Mota saltou para o terreno, abrindo aquilo a que a JSD já chamou "uma guerra fratricida". Mas a quantidade de tiros - nos pés e ao lado - que o ex-presidente da Câmara tem dado, faz-nos adivinhar um tempo ainda mais animado nas próximas eleições autárquicas. Hoje mesmo fez sair um comunicado em que diz que afinal não-votou-o que foi votado-pois que-não tinha que votar- mas que ainda é candidato- pois que não concorda com outro - e que será candidato com ou sem o PSD. A vantagem do engenheiro continua a ser a mesma de sempre: o seu fiel eleitorado não lê comunicados, pouco liga a jornais, e continua a sentir-se órfão do poder político, como se tivesse perdido o interlocutor de eleição. Mas há um limite para asneirar, e isso o ex-futuro-presidente-da-Câmara parece que ainda não percebeu, desde 2013. Foi a candidatura que acabou por não ser apresentada, foi a votação em que afinal não participou, é a falsa esperança que alimenta de ver o PSD a apoiá-lo, quando toda a gente já vislumbrou que isso não vai acontecer. 
Quando esprememos esta paródia, há no entanto figuras tristes que nunca pensámos ver outros fazer, nomeadamente aqueles que foram humilhados por D. Diogo - e que agora vão em coro, quais cavaleiros do apocalipse, bater à porta de Narciso e implorar-lhe para que não se candidate. A troco de quê?

29 de novembro de 2016

A excursão a Lisboa


Foi a Câmara, foram as juntas, foram presidentes e secretários, vogais e tesoureiros, e outros apêndices.  A convite do deputado Pedro Pimpão, os representantes do poder local foram todos - ou quase... - passear até Lisboa. Aguardamos o post que Pimpão fará no facebook, ao seu estilo, elogiando os autarcas "maravilhosos" que acederam ao seu convite, incluindo a independente Ana Tenente, de Vila Cã, e Sandra Barros, eleita pelo CDS em Abiul. Ora, como todos sabemos, não há almoços grátis. Muito menos neste tempo.
Os media locais fizeram o seu papel tradicional de acompanhar estes números, e de manter o povo informado, como se pode ver aqui. Estamos em crer que se trata da primeira iniciativa sufragada no plenário do partido, sexta-feira passada. Dizem as notícias que "A Comissão Politica Concelhia de Pombal do PSD vai iniciar o processo de escolha dos seus candidatos à Câmara Municipal, à Assembleia Municipal e às Juntas de Freguesia para as eleições autárquicas do próximo ano".
Depois do repasto e do convívio, fica-nos só uma dúvida: quem é que paga isto, hã?

25 de novembro de 2016

Cada cavadela...

Em Leiria o PPD ufana-se na novela dos candidatos.
Agora, alegadamente como soi dizer-se, será Fernando Costa ex- Presidente das Caldas da Rainha por 7 - sete - mandatos consecutivos, a recuperar Leiria para o mapa laranja da região.
Valha-nos a arqueologia jornalística para recuperar pérolas como esta:

"No discurso ainda houve tempo para mais uma gargalhada do congresso quando Fernando Costa, após ter dito que "foi o Rui Machete que o ensinou a falar assim", rematou dizendo que "se não fosse mentiroso, também não era presidente da câmara"."

Onde se dá conta das preocupações do Príncipe e dos afazeres do mundanal Vaz

O Príncipe sabe que o xadrez político está revoltoso e que a roda-viva em que tem andado nas últimas semanas não chega para inverter o sentido da peleja; que é necessário recorrer às peças da retaguarda. A precipitada ofensiva do inimigo foi bem repelida com o avanço do Lorde-mor; mas logo surgiu a surpreendente cisão no reduto eclesiástico a oeste; o que demandou o avanço do “bispo”, nesta época natalícia. Chamou o Pança e ordenou-lhe que marcasse um encontro com o Cura Vaz.
O Pança desceu as escadarias do convento e dirigiu-se à sacristia, onde encontrou o Cura e Trovador Vaz a preparar os despachos das suas novas cantorias para os fiéis. Mal o viu entre-portas, o Cura e Trovador Vaz, puxou-o:
 - Entrai, amigo Pança. Ao que vindes?
O Pança benzeu-se novamente, depressa, e disse: - muito obrigado, reverendo Vaz. Venho a mando do nosso Príncipe.
- E que incumbência trazeis – Interpelou, curioso, o Cura?
- Venho incumbido de o convidar Vossa Excelência para um encontro com nosso Príncipe, amanhã, depois da missa da manhã, se Vossa Mercê tiverdes vagatura.
O Cura Vaz consultou o calepino e disse: - Poderá ser; não tenho nenhum sacramento marcado e, mesmo que tivesse, arranjar-se-ia, com certeza, vagatura para os encontros, sempre proveitosos, com Sua Alteza.
Cumprida a incumbência, reparou o Cura e Trovador Vaz que o Pança se preparava para sair. Por isso, interpelou-o: - Irmão, há muito tempo que não passas pelo confessionário.
- Tem razão – anuiu o Pança – mas, como sabe, agora, a minha atarefada empreitada deixam-me pouco tempo para cumprir os deveres religiosos.
- Não pode ser, meu bom-cristão. A salvação da alma nunca pode ficar para trás. E deveis saber que a vossa empreitada é muito propícia ao pecado; e que Deus suporta os maus, mas não para sempre.
- Mas eu não sou dos maus – acudiu Pança.
- Não digo que o sejais; mas olha que os amanuenses e o povo andam muito queixosos. Tenho-os afagado na confissão, mas...
- Já percebi que é melhor passar pela confissão e comunhão. Reconheço que tenho andado afastado da Igreja, da Sr.ª do Cardal (minha querida Senhora) e, até, da graça de Deus.
- Muito bem – anuiu o Cura e Trovador Vaz, e perguntou logo de seguida: - Mas dize cá, meu bom-cristão: já encomendastes as minhas novas cantorias?
- Ainda não – confirmou o Pança. Mas fá-lo-ei, entretanto. Fique Vossa Mercê descansado que será a minha prenda natalícia aos amigos e família.
- Não esperava outra coisa de um bom-cristão como o meu amigo, com provas dadas – atestou o Cura e Trovador - mas, já que estais aqui, dize-me: a câmara vai encomendar as minhas novas cantorias?
- O que sei dizer a Vossa Mercê — respondeu o Pança – é que os serviços estão a tratar disso. Mas será conveniente abordar esse ajuste no encontro de amanhã. Como Vossa Mercê sabe, D. Diogo é muito formal; exigirá, com certeza, o necessário protocolo; mas conte com uma boa ajuda à Santa Igreja e ao seu digníssimo representante nesta santa terra.
- Vai com Deus, Pança amigo.
- Até amanhã, digníssimo.
                                                                                                                  Miguel Saavedra

27 de outubro de 2016

Narciso, o renegado



Narciso Mota vai fazer uma fuga para a frente, no próximo dia 4 de novembro, no auditório da Caixa de Crédito Agrícola, e apresentar-se à imprensa como candidato à Câmara de Pombal. Sendo certo que o PSD já deu mostras várias de não o querer - as eleições hão-de confirmar uma evolução na continuidade, com Diogo Mateus - o mais certo é assumir-se já como independente, para não passar a vergonha de ser desmentido publicamente. Consta até que o próprio presidente do partido em Pombal já lho disse, na cara, depois de meses com as mãos a escaldar de tamanha batata quente. Quem conhece o Pedro Pimpão imagina-o a dizer a sentença a Narciso Mota enquanto engole as vísceras e segura as entranhas. Tal como a esmagadora maioria dos que vivem da política em Pombal, deve a Narciso Mota muito do ganha-pão. Mas isso são contas de outro rosário. Também Diogo as engoliu, por mera questão de sobrevivência política, ao longo de 20 anos.
É certo que o PSD não tinha grande saída, e mesmo não sendo D. Diogo o candidato ideal para um partido vincadamente populista, não havia como não o apoiar.
O problema nesta equação chama-se povo. É esse que vai contribuir ainda mais para partir o partido, é essa a grande base de apoio de Narciso Mota - porque o reconhece como parte integrante e não precisa de tirar o chapéu para lhe falar. Mesmo que neste tempo já não baste a empatia para ganhar eleições, a era Marcelo é esta, a dos afectos. Melhor fora que Narciso tivesse escolhido as Meirinhas para se apresentar. Se na quinta-feira aparecer sozinho, não se iludam. Até ao dia das eleições, o cenário será aquele aqui descrito: um exército que com uma mão segura a bandeira do partido e dá passagem a Diogo, e com a outra abre a porta a Narciso. Isto vai ser imperdível...

22 de outubro de 2016

Partido

Os partidos são como a pescada: antes de o serem já o eram. Uns escondem-no, outros assumem-no. Nisto, o PPD/PSD é exemplar, e expressa-o bem.
O PPD/PSD local está partido. Nas próximas eleições autárquicas vai ter dois candidatos: Diogo Mateus pelo Partido e Narciso Mota como independente. Mas a divisão das hostes é tão profunda que se justificava que fosse um pelo PPD e outro pelo PSD.  

No fundo, a surpresa nem é tanto a divisão (natural), mas a forma dissimulada e determinada como se está a processar; o persistente jogo duplo de dirigentes e autarcas, que subscrevem um candidato e trabalham para outro. Por este andar, os resultados eleitorais vão ser uma caixinha de surpresas. 
É a política...

9 de outubro de 2016

O candidato que veio do...Bombarral

''Desejo um Portugal moderno, livre, em que o Estado — que deveríamos ser todos nós — garanta o direito universal à educação mas não obrigue os menos favorecidos a obtê-la em estabelecimentos públicos.''
Ó senhor Deputado do PSD, Licenciado, Mestre, Doutorando em Direito e Presidente da Comissão Parlamentar de Trabalho e Segurança Social, o que seria deste país com gente ''menos favorecida'' a estudar em estabelecimentos públicos?
Medo.
Tenham muito medo.

18 de agosto de 2016

A tórrida Silly Season

A silly season vai tórrida, no clima e na política local. Com os dois galos no terreno, em marcação cerrada, voltou a terceira via – o frango.
Da oposição nem sinal de vida.
O príncipe perdeu o pé, tenta acertá-lo mas troca-o a cada passada mais arrojada. As inflexões bruscas não rendem dividendos - a populaça, com o tempo, foi percebendo as manhas dos políticos - e a aproximação aos súbditos marca passo ou regride, apesar do esforço para refrear a altivez; pese embora as penitências custosas, como interromper férias para ir a procissões e arraiais. Mas o piedoso cristão não cola com o gambuzino pagão, o aristocrata não casa com o mundano e a colagem a apoios que desabonam também não.
O príncipe está mal assessorado, com estratagema seguido perde nos dois terrenos: na câmara e na rua. Como centralizou tudo em si, e passa agora mais tempo por fora, a câmara entrou em serviços mínimos – em modo eleitoral. Os ministros (que nunca o foram) nada decidem e nem verdadeiros despachos dão, limitam-se ao mínimo: a roda-viva por festas, arraiais e procissões. E até isso fazem a contragosto, porque sabem que o presente não tem futuro, independentemente do destino da coisa. Entretêm-se, por lá, divertidamente, a achincalhar o pai. Os dirigentes há muito que estão em serviços mínimos, mais preocupados em não fazer (não errar) do que em fazer.
Chegados aqui, a terceira via foi reactivada (se alguma vez esteve morta). Compreende-se: uma estrutura partidária que se acha invencível não pode aceitar papel de simples expectadora de uma luta de galos que não regula. Daí, empurra novamente Pedro Pimpão para a frente, e este está já no terreno a avaliar e a conquistar apoios. O arriscado estratagema dos líderes do partido passa por, primeiro, eliminar os dois galos, fragilizando-os e forçando-os à desistência, e, depois, lançar a terceira via, o partido, o eterno-jovem Pimpas. A coisa parece clara e transparente. Mas incorrem na mesma tolice da mosca quando se depara com a janela de vidro: pensa que algo transparente não oferecerá resistência ao atravessamento. Puro engano. Chocam de frente com a realidade: dois galos duros de roer.

Nesta grande procissão do destino, bastaria a Narciso Mota esperar sentado. Só que – e há sempre um “se” nestas coisas – Narciso Mota não gosta de estar sentado e de esperar. 

11 de julho de 2016

A (nossa) tragédia grega

A política pombalense está possuída pelo Complexo de Édipo. Existisse por aqui um Sófocles, e o actual o drama político daria uma bela tragédia grega.
O complexo de Édipo é a designação que Freud atribuiu a um fenómeno psicológico universal que observou em crianças neuróticas e normais, após ter visto a representação da tragédia de Édipo do Rei, de Sófocles. Freud caracterizou o complexo como um conjunto de desejos amorosos e hostis que as crianças vivenciam na relação com a mãe e o pai, que lhes provoca enorme culpa inconsciente e as leva a dirigir o primeiro impulso sexual para a mãe e o primeiro ódio para o pai, ao ponto de desejarem matá-lo. De uma forma ou de outra, com menor ou maior intensidade, o Complexo de Édipo acompanha-nos ao longo da vida, e, se não for bem resolvido, nos primeiros anos de vida, pode tornar-se patológico e desencadear verdadeiras tragédias. Freud observou também que a tragédia do Édipo do Rei era apreciada por novos e velhos e por diferentes culturas, o que indicava que o Complexo de Édipo era um fenómeno universal.   
Por cá, o complexo de Édipo manifesta-se porque o filho não arrumou o passado - não esqueceu os desaforos do pai, recalcou-os. Daí à afronta ao pai, foi um passo. Afrontar o pai é um erro que transforma a felicidade em infelicidade, por duas razões: primeira, a cultura cristã castiga sempre quem afronta o pai; segunda, o pai nunca tolera a desconsideração e a desautorização, e quando ainda está rijo, vinga-se. O caminho para a tragédia fica traçado.
O drama político pombalense assemelha-se a uma verdadeira tragédia grega: prelúdio empolgante (que já se vive), mote conhecido de todos - o filho que quis matar o pai, e o pai deseja vingar-se do filho – e epílogo imprevisível.
A peça não terá, com certeza, grande unidade estética, mas promete cenas empolgantes, como a do último fim-de-semana. Dois indivíduos de carácter distinto, com diferentes estados de alma, entregues ao enigma do destino, com culpa inconsciente e sofrimento imerecido, numa luta feita de coragem e medo, resistência e poder, fugindo da punição e buscando a salvação. O enredo promete muita transfiguração da realidade: peças alegóricas e doutrina cristã, sentimentos piedosos e sentido aristocrático, moral prática e falsa moral ascética, briga política e pessoal.
Os espectadores (o povo e o não-povo) não se limitarão a assistir. Ser-lhes-á pedido participação activa na repartição da culpa e da absolvição, na punição e na consagração, conforme o gosto ou a estirpe.
Uma coisa é certa: o deleite do povo está garantido.

8 de junho de 2016

Luta de Galos

Em Pombal, as eleições autárquicas, previstas para o ultimo trimestre de 2017, já estão ao rubro, com três candidatos – dois galos e um frango - do mesmo galinheiro, cobiçando o mesmo poleiro.
Ontem realizou-se a primeira refrega: longa (até às duas da manhã) e duríssima (com muita bicada e descompostura), mas sem triunfador. Tudo correu conforme os propósitos: eliminar ou enfraquecer os galos de crista-alta para fazer avançar o frango. O confronto mostrou a política partidária no seu esplendor, repleta das suas misérias e das suas grandezas. Podem não respeitar Narciso Mota, mas respeitar o PSD local é respeitar o muito que Narciso Mota deu ao partido.
A forma como decorreu a refrega confirmou o que sabíamos: (i) o partido não quer o regresso de Narciso Mota; (ii) o partido gostaria de afastar Diogo Mateus; (iii) o partido gostaria de avançar com Pedro Pimpão - sabe-se por quê e para quê, mas amanhã ainda não será a véspera desse dia.
Daqui se conclui que a vida não está fácil para ninguém. Mas o caminho fica claro para os diferentes protagonistas: Narciso Mota deve fazer o seu caminho, independentemente do dos outros, porque não precisa do partido, o partido é que pode precisar dele; Diogo Mateus tem que “usar” cargo e desgastar Narciso Mota, mas o problema está na dose, e aí já demonstrou inépcia no doseio do fel; Pedro Pimpão e os dirigentes a si ligados têm a delicada empreitada de gerir uma guerra e participar nela.
Está renhida a luta. Infelizmente só com galos da mesma capoeira. Na política, tal como na economia, a fortuna e a penúria andam sempre ligadas, são o resultado de vasos comunicantes descompensados, sabiamente estabelecidos.

17 de maio de 2016

Uma dúvida


O Narciso Mota faltou à festa de aniversário dos bombeiros?
Não pode...!

A campanha eleitoral começou

O povo diz que o tempo já não é o que era: faz sol quando deveria chover, chove e faz frio quando deveria estar sol e calor – as estações parecem andar trocadas ou, pelo menos, desfasadas. Na política local, também: já não se respeitam os ciclos, anunciam-se candidaturas extemporâneas e faz-se campanha eleitoral fora de tempo, quando se deveria estar a governar. 
Neste frenesim, até o aniversário dos bombeiros foi utilizado como coutada de caça ao voto. O presidente da câmara utilizou a cerimónia para (tentar) “comprar” votos aos bombeiros com uma oferta variada: apoio jurídico, prioridade na atribuição de habitações sociais, acesso gratuito a iniciativas de carácter desportivo ou cultural, piscinas municipais de forma gratuita, apoio na aquisição de livros e material escolar, passe gratuito nos transportes, etc.
Tudo isto, antes de aprovação das medidas pelo executivo (percebe-se: os vereadores não riscam nada). 
Tudo isto, depois de ainda há pouco tempo, tudo terem feito tudo para retirar rendimentos e regalias aos bombeiros.

Haja um mínimo de decoro.

10 de maio de 2016

A ilusão de Ícaro (e de D. Diogo)

A divulgação, pelo Farpas, da (re)candidatura de Narciso Mota à CMP, e a imediata confirmação pelo próprio, desencadeou um terramoto político em Pombal (e não só).
Admitindo, como plausível, que Narciso Mota sempre teve o desejo de regressar aonde foi feliz, o que o conduziu à concretização do desejo foi a imprudência do príncipe: cometeu muitos erros, gerou muito odioso, a maior parte das vezes sem necessidade, o que criou as condições para o regresso. Bem pode o príncipe arguir traição política, fazer-se de vítima e apontar cúmplices - é uma propensão natural atribuir infortúnio à malignidade de alguém – mas foi da sua arrogância que o conduziu ao infortúnio. Se o príncipe conhecesse (e tivesse interiorizado) a lenda da ilusão de Ícaro ou se prestasse atenção ao Farpas, tinha evitado muito desgosto e a queda em desgraça. Bem sabemos que é pedir muito: o príncipe é incapaz de corrigir a sua natureza e jamais leria o Farpas. Erro seu e virtude de seu pai (político) - Narciso Mota – que não o sabia ler, mas lia-o, religiosamente.
O príncipe deslumbrou-se com o poder “absoluto”, cometeu a ilusão de Ícaro. Diz a lenda que Ícaro morreu no Mar Egeu (ou Mar Icário) vítima de sua arrogância. Seu pai, Dédalo, era um exímio artesão. Condenado por sabotar a obra do rei Minos (que capturou o Minotauro), Dédalo criou uma incrível trama para escapar da prisão: criou um par de asas para ele e seu filho. Depois de fixar as asas com cera, prepararam-se para fugir. Dédalo alertou Ícaro para não voar muito perto do sol. Mas, encantado com sua capacidade mágica de voar, Ícaro desobedeceu ao pai e voou alto demais. Todos sabemos o que aconteceu: a cera derreteu e Ícaro, o filho adorado, perdeu suas asas, caiu no mar e morreu.

O príncipe ainda não morreu, mas caminha a passos largos para tal desgraça. Que se tenha deslumbrado com a herança de um reino rico e obediente, percebe-se. Mas já não se percebe a forma como tem reagido ao assalto do pai: as precipitações, os tiros nos pés – tudo feito ao contrário. Quando a fragilidade da compreensão e a perversidade de vontade colaboram mutuamente, o caminho para o desastre fica traçado. Ou será que o príncipe já deu o trono como perdido?