Foto: facebook da candidatura. Narciso ladeado por Ofélia Moleiro (que deverá ser cabeça de lista à Assembleia Municipal) e Rodrigues Marques, que há-de ser o que Deus quiser nesta campanha.
Depois de apresentada a candidatura independente, ontem ao final do dia, no velho auditório da Caixa Agrícola, Narciso Mota está lançado.
Foi um evento e tanto, aquele: sala cheia, propícia à melhor crónica de costumes. Narciso esteve igual a ele próprio, provando aquilo que já se sabia - vale tanto sozinho como encostado ao PSD, do qual, de resto, já se desfiliou. Falta-lhe máquina, como ficou provado no discurso escrito mas pobre, por exemplo, mas sobra-lhe autenticidade, tal como mostrou no momento de perguntas e respostas aos jornalistas (sim, aquilo era uma conferência de imprensa). E não lhe falta povo. Na sala havia de tudo - empresários, autarcas, ex-autarcas, apoiantes, curiosos, medrosos e outras espécies - mas era sobretudo a populaça que ali estava, para o aplaudir genuinamente, mesmo tendo em conta que uma grande maioria do eleitorado ainda não sabe desta candidatura. Os que o rodeiam talvez não saibam que há uma parte deste concelho que não vive na net. É por isso que a apresentação de ontem foi mesmo o tiro de partida. A partir de agora a luta vai endurecer. Do lado do PSD (que é como que diz de Diogo Mateus e de Pedro Pimpão, que vivem disto) virá muito chumbo grosso, sob as mais variadas formas. Mas os estilhaços desta bomba chamada Narciso hão-de chegar também ao PS. Mais: o tempo e os votos dirão a quem roubará mais esta candidatura independente. Por isso, a presença massiva dos dirigentes e eleitos socialistas na apresentação de ontem é só desperdício.
Como o CDS continua em banho-maria, não sabemos ainda os danos colaterais que (também aí) provocará este "Pombal Humano". Já que a carne está quase toda no assador, agora e ver se Narciso tem brasas suficientes para a manter nos próximos meses. Mas uma coisa certa: na história de Pombal há um antes e um depois destas autárquicas, pois que não restará pedra sobre pedra da muralha laranja que aqui se ergue vai para um quarto de século. Por ironia do destino, o mesmo 'cavalo de Tróia' que elevou o partido, pode bem ser aquele que o vai afundar. Ou como dizia, numa noite de eleições, há muitos anos, um actor político que já cá não está, "um dia vão-se digladiar uns aos outros".














