Por perfil
psicológico, por confundir a câmara com a sua própria casa (como bem lhe disse
um seu correligionário), e por não ter oposição, D. Diogo tem dirigido a
câmara como um Rei, como o Rei Sol. Mas nos últimos tempos, talvez por ter anunciado
a retirada ou por se estar a esgadanhar por nova redesignação, tem exagerado
nos modos e na substância, seja com “avocação” de pelouros a vereadores do seu
partido, sem dar cavaco a ninguém, seja com processos disciplinares sem
fundamento.
Na última
reunião do executivo, de anteontem, D. Diogo foi confrontado com um
requerimento que apontava e fundamentava as ilegalidades nas “avocações” dos
pelouros, à vereadora Ana Gonçalves e ao vereador Pedro Brilhante, e requeria a
reposição da legalidade. Custa a perceber que um presidente da câmara, que
cursou direito, que tem um gabinete jurídico, e que leva três décadas no exercício
de mandatos autárquicos, não saiba que não se avocam pelouros, retiram-se, e não
saiba que o presidente da câmara não tem competência para reduzir ou aumentar o
número de vereadores a tempo inteiro – não saiba que essa competência é do executivo municipal, onde, neste momento, não dispõe sequer de maioria.
Depois, custa também
a perceber que a oposição (em maioria nesta altura) se acobarde e chute para um
pedido de parecer jurídico à CCDR uma questão que é puramente política e está
na letra da lei.
Quem perdoa um
carrasco às mãos lhe morre.