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24 de agosto de 2020

Da ilustre Casa Varela


foto: Anteprojectos

Na senda do "faz & desfaz", a Casa Varela lá se vai aguentando de pé, à espera que lhe dêem uso. Já teve mil e um fins, só nunca teve um princípio.

A solícita imprensa local - aquela que não noticia as suspeitas de fraude e peculato na Câmara, mas é lesta a jorrar comunicados do PSD disfarçados de notícia - anunciou em primeiríssima mão que estava escolhido um director para a Casa, mesmo antes de se saber o que vai dirigir. 

Parece que é esta tarde que decorre uma acção de propaganda. Está dado o mote, que não podia ser mais explícito, claro e objectivo. Atentem, pois, no exercício maior de português bem escrito e comunicação escorreita, que encravou na palavra 'território' e distribuiu vírgulas como quem espalha facturas em cima da mesa.

 "O projeto “Casa Varela” foi concebido para ser como um espaço pertença do território e da comunidade, aliando ao seu passado rico de histórias e memórias, as novas centralidades para as artes, no concelho, na região e no país, atraindo a procura de uma faixa etária jovem e criativa, que venha a induzir no território um novo conhecimento, e um contributo identitário forte.

Pretende ser um espaço incontornável de criação artística, envolvendo Associações/ Artistas locais, reforçando redes nacionais e internacionais, projetando-se como polo de referência e como um centro de conhecimento, promovendo a diversidade da oferta cultural através de uma intervenção inovadora que atraia, de forma sustentada, públicos diversificados, e que concite o apoio da comunidade.

Enquanto ponte de ligação com artistas, a “Casa Varela” prevê, ainda, o desenvolvimento de um território de criação aproximando da cidade criativos do país e do mundo, impulsionando e complementando decisivamente a programação cultural já existente no nosso concelho"

21 de agosto de 2020

Agarrem-nos, senão...

Poucas horas antes da reunião de Câmara - que podem acompanhar esta sexta-feira nos canais do município - em que o vereador Pedro Brilhante deverá fazer, ao vivo, meia dúzia de perguntas que já enviou por escrito, envolvendo suspeitas à volta do fundo de maneio gerido pelo Gabinete de Apoio à Presidência, o PSD deu um ar de sua graça neste Agosto: um comunicado em que dá 30 dias ao ex-líder da Jota para "rectificar a sua acção política, ou renunciar ao mandato de vereador", sob pena desta estrutura avançar para medidas drásticas: abrir um processo para o expulsar do partido.

Esta atitude musculada de Pimpão (Pedro) acontece na sequência das suspeitas levantadas nas perguntas, e que incluem Pimpão (João), que é, como sabemos, chefe de Gabinete. Dizem eles que esta atitude de Brilhante é "revanchista, persecutória e difamatória", palavras e actos que, como sabemos, o PSD de uns e outros desconhece...

Mas Pedro (Pimpão)...tantos anos na política e cais na asneira de fazer um comunicado infantil, como este? Então o partido não tinha retirado a confiança política ao vereador Brilhante? O que lhe importa que levante lebres? Ou que mundo ao contrário é este, em que o partido está-se nas tintas para a possibilidade dos seus mexerem indevidamente em dinheiro que é de todos, e mata o mensageiro para não se saber da mensagem?

Está bem de ver, como já aqui disse, que há pessoas que nasceram para ser da oposição - e não do poder. Pedro Brilhante é um caso desses. Uma pena não ter empregue esta energia quando foi vereador a tempo inteiro e com pelouros tão importantes como a Juventude e o Desporto. Mas fica a prova, para os eleitos de outros partidos e movimentos: afinal não é assim tão difícil fazer oposição. Basta querer. 

Agora vamos assistir ao clássico.

https://www.youtube.com/watch?v=YHmjQ3VX-cE


20 de julho de 2020

A cultura de 'picar o ponto'



Ao longo do dia de hoje a RTP está dedicada ao distrito de Leiria, a propósito do concurso "7 maravilhas da cultura popular". E mais uma vez Pombal fica de fora. Porquê? Porque se ficou, de novo, por "picar o ponto": levou a concurso a lenda de Al Pal-Omar (que à partida não teria qualquer hipótese, está bem de ver) e a arte do bracejo da Ilha, além do capacho, ícone maior desse artesanato. Alguém nos explique, por obséquio, por que razão não candidatámos a lenda do Bodo?
Mas o empenho do município foi tanto que nenhuma das candidaturas foi contemplada. Custa a crer que não tenham sido envolvidos nessa candidatura os rapazes e raparigas da ARCUPS, aqueles que melhor sabem promover o bracejo e as capacheiras. 
Assim, ficamos a assistir pela tv à promoção dos outros municípios: Porto de Mós (muros de pedra seca), Batalha (procissão dos caracóis no Reguengo do Fétal)), Peniche (Renda de Bilros e procissão nocturna de Nossa Senhora da Boa Viagem), Marinha Grande (artesanato em vidro e arte xávega da praia da Vieira) e Leiria (enterro do Bacalhau no Soutocico ).
Temos esta tendência natural para servir de capacho. E para nos empenharmos pouco. Depois venham dizer-nos que Pombal é cultura, que é isto e aquilo. É uma maravilha, sim, mas é para meia dúzia que lhe usa o nome no currículo e se está nas tintas para o concelho e para o povo. 

3 de julho de 2020

Sermão de D. Diogo aos ignorantes


Diogo Mateus esmerou-se particularmente na última reunião da Assembleia Municipal, no que toca a distribuir roda de ignorância ao povo, neste caso a quem ali o representa.
A maneira altiva e petulante  como responde a perguntas ou intervenções que não tragam chancela de sangue-azul ou cor de laranja, revela - essa sim - uma extrema ignorância.
Se nos anos que passou a fazer cursos, tivesse despendido algum do seu tempo (até podia ser com o nosso dinheiro, na mesma) a frequentar um que fosse em comunicação, talvez lhe tivesse sido bem mais útil do que a auditoria de segurança interna. 
Porque há valores que, numa balança, pesam mais do que os botões de punho. 

30 de junho de 2020

A democracia volta dentro de momentos. Será?



A pandemia obrigou a maioria das autarquias locais a reinventarem formas de comunicar com os munícipes, reorganizando reuniões de Câmara e de Assembleia Municipal: reduziram o número de presenças físicas, mudaram-se para espaços maiores (que permitissem o distanciamento físico), permitiram a deputados e presidentes de junta que acompanhassem a partir de casa, sem prejuízo de intervenção. 
Mas aqui resolveu-se a questão em dois tempos, no que à Assembleia Municipal diz respeito: não houve reunião em Abril. Cortado o mal pela raiz, hoje é hora de retomar a actividade da AM, sem direito à presença do público. Estou bastante curiosa em perceber como é que a senhora presidente vai resolver essas questões sanitárias, e o que mudou agora relativamente a Abril. Se eu acreditasse em milagres, já tinha a resposta.

23 de junho de 2020

D. Diogo, o justiceiro, com a bênção de Rui Rio



Diogo Mateus deu hoje umas declarações à rádio Cardal que desmontam qualquer ideia peregrina (que reinava aí nalguns círculos) de que vá embora da Câmara. Está preparadíssimo para o combate autárquico de 2021, e passa por cima de tudo e todos aqui na terra.
Vale a pena ouvir aqueles 20 minutos de prosa em que distribui fruta para todos: reduz à insignificância os partidos da oposição, mas - e principalmente - reduz a pó a estrutura local do PSD, pelo silêncio ensurdecedor de Pedro Pimpão sobre a proposta de revogação de competências assinada por dois vereadores do PSD (Pedro Brilhante e Ana Gonçalves).
Diogo parece estar a viver numa realidade paralela: repete tantas vezes aquela história do artifício que arranjou para se livrar de Ana Gonçalves que parece acreditar mesmo nela. Retive uma frase em que ele fala de "disfarçar adulteração" e na mesma diz que "isso não tem nada a ver com o PSD que eu conheci". Oi?
A cereja do bolo guardou-a para o final. Aliás, foi para isso que quis falar à rádio: dizer que Rui Rio - o líder que não apoiou - já lhe manifestou apoio. Sabe-se que arranjou maneira de falar a José Silvano, para reclamar essa protecção.
De maneira que estamos assim: D. Diogo pode tudo, acima de todos, sobretudo da secção de Pombal do PSD. Vamos ver quanto pode um justiceiro contra a justiça, pelo menos a dos homens, pois que a divina está assegurada.
Pedro Pimpão bem pode ir pondo as barbas de molho, que há um animal feroz à solta no Largo do Cardal.

19 de junho de 2020

O general no seu labirinto



Diogo Mateus ficou hoje sem as competências delegadas pelo executivo no início do mandato, o quer quer dizer - na prática - que a partir de agora só faz aquilo que a oposição quiser. Porque a prepotência e arrogância com que vem exercendo o cargo, nos últimos tempos, deixou-o neste estado: em minoria. Logo ele, que foi treinado desde miúdo para ser presidente da Câmara. Que foi o quadro político melhor preparado para ocupar o cargo - pois que durante mais de 20 anos não fez outra coisa que adquirir experiência pública, conhecimento técnico no domínio autárquico, e que teve o partido a seus pés. 
O que hoje aconteceu na reunião de Câmara (o vídeo está disponível aqui) é o perfeito exemplo de como um homem de cabeça perdida pode dar cabo de uma carreira. Neste caso é política, mas também quer dizer profissional, porque esta é a profissão de Diogo. 
Já aqui escrevi mais do que uma vez o meu estado de espírito quanto à liderança dele, em Pombal: é esperar 20 anos que o vento mude, e quando ele finalmente muda...levar com ele na cara, e perceber que era tudo um engano. Que não havia nenhuma página para virar (muito menos o livro, como ele me disse na ocasião), o que foi visível desde cedo: primeiro nas equipas, depois nos quadros que escolheu, nos projectos que não fez, na estratégia que, afinal, não tinha para Pombal. Nos últimos tempos, foi pior. Porque as obras em catadupa no espaço público dão a ideia de que não quer deixar aqui pedra sobre pedra, como se estivesse obcecado por deixar a sua marca urbanística em cada jardim, em cada praça, sem se importar se é isso que as pessoas querem. Como se as eleições que lhe deram maioria legitimassem tudo, como se valesse tudo. Como fiz questão de lhe dizer na apresentação do projecto da Várzea, esta semana, não me interessa se pensa ir-se embora daqui amanhã ou depois. Mas interessa-se, isso sim, que a terra que escolhi para viver e onde os meus filhos cresceram (sem um metro do tal parque verde, que nunca chegou) seja mais do um amontoado de praças empedradas com aversão à terra, às árvores, ao verde.
De maneira que, numa primeira fase, uma pessoa até se divertia com esta implosão interna a acontecer no PSD, aquele partido todo-poderoso que sempre gostou de ridicularizar os outros nas reuniões de Câmara, da Assembleia Municipal, nas Assembleias de Freguesia. Mas agora que nos caiu a ficha, não deixa de ser degradante e decadente o que nos está a acontecer, no espectro público.
Diogo Mateus tinha obrigação de ter acautelado este estado de sítio, antes de retirar pelouros a Pedro Brilhante a Ana Gonçalves. Como já aqui disse o Adelino Malho em post anterior, ele tem qualidades. Já quanto aos princípios e valores, tenho dúvidas. Quando misturamos assuntos pessoais com a actividade profissional, raramente corre bem. Ou como diz o povo: onde se ganha o pão não se come a carne. Muito menos se o cenário for o domínio público. 

PS: Desde que o requerimento (assinado por Michael António, Narciso Mota, Odete Alves, Ana Gonçalves e Pedro Brilhante) deu entrada nos serviços que Diogo Mateus agilizou pressões: primeiro junto do partido, exigindo solidariedade política e retirada de confiança aos vereadores a quem avocou pelouros (ameaçando avançar ele próprio para a concelhia); depois pediu a um peão do partido que tentasse convencer Ana Gonçalves a voltar atrás. Gorada a tentativa, avançou para um almoço com Narciso Mota. Como se viu, não resultou. Ficamos expectantes com as cenas dos próximos capítulos.

Da Várzea para os transportes, vai uma assinatura de distância


A semana termina como começou: o poder a fazer de conta que se importa com o que o povo pensa. A próxima paragem é o projecto de requalificação da "zona de interface de transportes de Pombal", não ao ar livre - como na Várzea - nem no local (já se sabe que o ambiente à volta não é muito agradável, como a Câmara está fartinha de saber - mas nos Claustros, esse local de maravilhosa acústica e condizente energia. Uma coisa com pompa e circunstância, como foi do Jardim do Cardal. 
Há só uma pequena diferença no convite aos munícipes: desta vez Pedro Pimpão demarcou-se (ganhaste uma pontinha de respeito meu, Pedro), avisando que não queria a sua assinatura nesta encenação. É que fontes conhecedoras do processo revelam que a Câmara decidiu usá-la no convite da Várzea sem sequer lhe pedir autorização.

17 de junho de 2020

Sorria, está a ser gravado



A Câmara Municipal não avisou ninguém (porque isto da ética é coisa que a ela não lhe assiste) mas gravou as duas horas de apresentação do 'novo' projecto do Jardim da Várzea. Quer dizer que a minha e as vossas intervenções vão servir agora para serem utilizadas pelos senhores autarcas para os fins que entenderem por convenientes. Por isso da próxima vez aprumem-se, amigos: coloquem bem a voz e cuidem do discurso. Até o mais humilde amanuense a quem for entregue a missão de vos ouvir merece o melhor de nós. 
Até amanhã. 

16 de junho de 2020

O dia em que o povo defendeu a Várzea



Não vivi nunca, em Pombal, um momento como o de ontem. Ao longo da minha vida assisti a dezenas (talvez centenas) de apresentações, a maioria delas por força da profissão. Mas ontem, como cidadã, entrei e saí do Jardim da Várzea de alma cheia, um orgulho imenso de ver este povo lutar para defender um património que nos querem destruir. Foi importante o que aconteceu ontem, acreditem, para memória futura. Mais de uma centena de pessoas juntou-se, deu a cara para lá do computador, e foi dizer ao poder que não quer uma praça no lugar do jardim. Que a cidade é nossa e não deles - que andam há uma eternidade a desgovernar o espaço público. A erradicar o verde e cobrir o chão de pedra. Que este caminho que o Farpas vem trilhando há uma dúzia de anos começa finalmente a dar frutos. Já o sentíamos, por aqui, mas há sempre quem prefira negar a realidade, escudar-se naquele chavão de que "não vale a pena", porque "votam sempre nos mesmos" e "eles fazem o que querem", como se esta fosse uma história acabada. Não é. Momentos como o de ontem mostram-no bem. Isto da cidadania, além da coragem, requer treino. Por isso a partir de agora só precisamos de praticar.

1. O projecto. Foi importante perceber que, depois de exposta publicamente, face à tradicional tendência de não promover discussão nem consulta pública, a Câmara foi obrigada a recuar no projecto, reformulando-o totalmente. Da vossa parte (dos que lá estiveram) não sei, mas a mim continuam a sobrar-me muitas dúvidas, mesmo com as alterações que essa sumidade local da arquitectura urbanística apresentou. O essencial ficou claro: considera que a maioria das árvores estão doentes, portanto corta-se o mal pela raiz. Das mais de 20 que "sobrarão" - quer ele dizer, que plantarão - podem talvez os nossos bisnetos usufruir, um dia. 

2. O espaço público. Talvez o projecto da Várzea sirva para explicar o que tem acontecido em Pombal, nos últimos 25 anos: o poder vigente abomina verde e árvores. O parque verde nunca avançou (apesar da sucessiva propaganda em tempo de eleições), e os jardins foram sendo eliminados, o verde das árvores substituído por pedra, no chão. Foi assim na Praça Marquês de Pombal (com a promessa da mobilidade, de chamar mais gente, mais comércio, como de resto é esse o argumento aqui usado, também), mas na verdade foi o que se viu. Depois o Largo do Cardal. Agora temo pelo dia em que vão retirar a vedação da obra do Jardim do Cardal...e é por isso que se tornou tão urgente proteger a Várzea. A dupla Diogo & Vinhas mostra-se muito incomodada com o facto de haver pouca gente a frequentar o Jardim. Desde quando é que um jardim é mais ou menos importante pela quantidade de pessoas que ali se sentam? Queremos milagres? Acaso já pararam para olhar para os números dos últimos anos, que nas próximas eleições nos farão descer, de novo, aos 7 vereadores?

3. O sucessor. Foi por demais evidente que a máquina laranja emperrou. A crise política fez-se notar também ontem, ao ar livre: não apareceu o coro do costume, e o poder viu-se, pela primeira vez, em minoria num acto público, sem acólitos. E Pedro Pimpão, que acumula a liderança do partido com a presidência da junta e ainda a ambição de saltar dali para a Câmara, perdeu uma excelente oportunidade de se mostrar diferente. Talvez porque não é. Para quem tanto diz amar Pombal e ter regressado à terra para fazer dela alguma coisa de jeito, é poucochinho quedar-se pela copa das árvores e centímetros de relva. Diz ele que a junta já tinha tornado a sua posição pública nos jornais (?) e transmitido à Assembleia de Freguesia(?). Ficámos a saber que, afinal, o que diz nas costas de Diogo é incapaz de dizer na frente. Melhor fora que usasse o canal do youtube para divulgar o que pensa daquilo tudo, ao invés das entrevistas patéticas que os súbditos andam a fazer, no desconfinamento. Cuidado Pedro. Há jogos que podem correr mal. 

6 de junho de 2020

Da tragédia à farsa


Um eminente filósofo alemão advogou que a história repete-se, "primeiro como tragédia, depois como farsa" (O 18 de Brumário, de Luís Bonaparte, 1852, cap. 1). O recente episódio da requalificação do Jardim da Várzea vem dar-lhe razão. Depois da tragédia que foi a gestão do processo que culminou na encenação de consulta pública, assistimos agora à farsa do dissimulado interesse pelas opiniões dos pombalenses.

O caricato é que o comunicado autárquico só surgiu horas depois da Paula Sofia aqui ter denunciado a farsa. A Câmara Municipal de Pombal já não age; só reage. Está moribunda. E Diogo Mateus, o Tartufo, já não disfarça a sua condição de gato-pingado.

4 de junho de 2020

Obras para totós: está lançado o concurso para a Várzea


Chega a ser desprezível a forma como a Câmara de Pombal nos trata. Nos últimos tempos todos os dias nos diz, em actos, aquilo que o Farpas anda a mostrar por palavras há anos: um total desprezo pela opinião pública. Mas é pior do que isso. O desprezo vem mascarado de um faz-de-conta-que-nos importamos-com-aquilo-que-eles-pensam, como bem demonstra aquele vídeo surreal feito no Jardim da Várzea, a fazer crer aos pombalenses que afinal até valia a pena enviar sugestões para uma discussão pública que não houve.
Pois bem, acaba de ser lançado o concurso público para aquela aberração que vai ser a requalificação da Várzea. Foi publicado em Diário da República na segunda-feira, 1 de Junho, e não é uma brincadeira de crianças. Tem um prazo de execução de 540 dias e vais-nos custar qualquer coisa como um milhão, setecentos e oitenta e sete mil, quinhentos e quarenta e nove euros e sessenta e cinco cêntimos. Sem falar no que nos rouba: memória, património, a alma da cidade.


26 de maio de 2020

Agarra a pandemia, Pedro, agarra a pandemia!



A pandemia é uma coisa que não cola bem com a felicidade. A malta sofre de contrariedades várias, e - já se sabe - se não morre da doença pode morrer da cura. 
De maneira que os tempos não têm estado de feição para Pedro Pimpão, nosso campeão-presidente-da-junta. Não há almoços nas colectividades, nem eventos, nem nada que se aproveite para uma pessoa se mostrar - além das saudáveis corridas à volta do castelo. 
Por outro lado, o confinamento teve no Pedro um certo efeito de retardar as coisas: primeiro no PSD, agora na Junta. Começar a fazer nesta altura (que o país vai desconfinando e é preciso voltar à rua e à vida) aquilo que os outros autarcas fizeram em Março...é um delay que nem os melhores programas de coach conseguem explicar.

15 de abril de 2020

Reforços para o Gabinete da Propaganda



O gabinete da propaganda municipal está com problemas em fazer passar a mensagem. Mesmo com tanto mensageiro disposto a ser correia de transmissão, não está fácil.
Só assim se percebe este "anúncio de emprego" que circula por aí, como se fosse um quebra-cabeças. 
Como hoje estou naquele modo boa-vontade-como-se-fosse-pimpão-feliz-e-o-mundo-não-estivesse-em-pandemia, aqui fica algumas notas de correção deste escrito:

Os jornalistas não fazem clipping. Fazem notícias, entrevistas, reportagens. Quem faz clipping são as agências de comunicação.

2ºTambém não trabalham em marketing, publicidade e relações públicas. Muitos dos que ingressam nas agências já foram jornalistas, é verdade, mas deixam de sê-lo. Como outros já foram professores, comerciais, etc.

3ºO clipping (para que não sabe) é o processo de monitorizar e seleccionar notícias em jornais, revistas, sites e outros meios de comunicação, geralmente impressos, para conseguir um apanhado de recortes sobre assuntos de total interesse de quem os quer reunir. Ora, no anúncio em causa, não é só a Câmara de Pombal que importa, mas pelos vistos é igualmente importante seguir o presidente. 
É bizarro, isto. O Diogo Mateus que eu conheci nunca embarcaria numa cegada destas. Mas também nunca teria feito listas como fez, nunca se rodearia de certas pessoas. E nunca chegaria ao segundo mandato assim, envolto numa curta manta de retalhos.

O nosso dinheiro não pode servir para isto. Espero que a douta oposição interpele a este respeito, como é seu dever. Não é preciso requerimentos para isto: é perguntar, confrontar, como deveria ter feito (por exemplo) quando a Câmara despachou o assessor/fotógrafo, no início deste ano, sem passar cavaco a ninguém. Mas os senhores vereadores deixam de ver ali nas reuniões uma das pessoas e isso não vos intriga?

O que a câmara precisa não é de clipping, mas antes do passo anterior: comunicar. Fazer como as outras câmaras, que têm gabinetes de comunicação com técnicos e não com apaniguados políticos, que por sua vez estabelecem canais com a imprensa, e aí sim, saem "coisas" para a rua, permitindo olhar, finalmente, para essa pescadinha de rabo na boca. 

28 de março de 2020

Ana e as máscaras



Já todos tínhamos percebido que a câmara foi "só" a intermediária do negócio na aquisição das máscaras para as IPSS. Também percebemos que esse foi um assunto tratado no seu gabinete, e que por isso, na conferência de imprensa (em que participei, a título profissional, e onde fiz a pergunta) o presidente respondeu completamente ao lado. Talvez nem sequer tivesse conhecimento desse episódio. Talvez.

E por fim percebemos que, no mesmo dia em que aqui publiquei o post (denunciando a vergonha que é pedir aquele dinheiro às IPSS) o gabinete da propaganda tenha enviado para os jornais uma listagem de apoios que incluída diverso material de protecção individual.

A senhora vereadora diz que do seu gabinete não saiu nenhum e-mail com a factura para as IPSS. Talvez seja melhor perguntar ao seu pessoal, o que quer dizer então que "a câmara serve apenas como intermediário", e que "cada máscara tem o preço unitário de 55 cêntimos" - como de resto já foi confirmado por várias responsáveis de instituições envolvidas. Poderá ela desmentir isto?

Conheço a Ana Cabral há muitos anos, desde os tempos em que era educadora de infância - de excelência. Mais tarde acompanhei-lhe o percurso na Biblioteca Municipal, denunciei a injustiça de que foi alvo por parte de Narciso Mota (com o apoio de muitos que agora a bajulam), e espantei-me mais tarde com a aproximação ao PSD, que a colocaria neste lugar onde se encontra.

Ninguém lhe pede que seja especialista em Acção Social ou em Saúde, que deveriam ser pelouros entregues a quem fosse da área. Se houvesse gente da área na equipa de Diogo Mateus. Se ele ainda tivesse equipa.

A Ana fez uma escolha. Mas que não tenha ilusões: se houver próxima, será ela a escolhida.

26 de março de 2020

Quando cai a máscara

Esta semana um grupo de Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS's) sentiu na pele a diferença entre propaganda e apoio. 
Toda a gente sabe que há uma crise europeia que dificulta a aquisição de equipamento de protecção individual, e por isso foi sensato, da parte de uma vintena de IPSS's de Pombal, solicitarem a ajuda Câmara como intermediário para encomendar máscaras - a um fabricante que apenas vendia volumes superiores a 3000. Muito solícita, a autarquia prontificou-se a encomendar. Chegaram esta semana, e têm um custo total na ordem dos 1650 euros. 
Para espanto das IPSS's (por estes dias com a corda na garganta, muitas delas), a Câmara fez-lhes chegar a respectiva factura, a cada uma. 
Não sei quantos telemóveis dá para comprar com essa verba, também não sei quantas instituições pagam água (aquela medida extraordinária de diminuir a factura em 50% não se aplica a algumas delas...), mas sei que todas precisam no imediato de material de protecção.
E pedir este dinheiro chega a ser obsceno. 

19 de março de 2020

Comunicação de crise

Em pleno estado de emergência no país, numa altura que o concelho de Pombal é (no distrito de Leiria) o maior foco de preocupação no âmbito da pandemia, o presidente da Câmara - que hoje activou o Plano Municipal de Emergência e Protecção Civil, chamando a si a responsabilidade maior das operações - ainda arranjou tempo para retirar os pelouros à vereadora Ana Gonçalves. Da mesma maneira que, na sexta-feira passada, suspendeu o director de Recursos Humanos - com efeitos imediatos.

15 de março de 2020

COVID-19 (nós por cá)

À hora a que vos escrevo ninguém sabe quantas pessoas em Portugal serão já portadoras do novo coronavírus. Sabemos o número de casos confirmados, os que estão a aguardar resultado aos testes, os casos suspeitos e os que estão sob vigilância. 
Mas há quem, entre nós, neste pequeno mundinho, acha que sabe tudo. De repente vemo-nos rodeados de especialistas em Saúde Pública, mas também em gestão do território, administração interna, gestão hospitalar, tudo e um par de botas.
Entre os que pedem o fecho imediato das fronteiras e os que apontam o dedo ao Governo 'porque devia tê-las fechado há várias semanas', ficam aqueles que apontam o dedo a tudo. Menos aos medicamentos que hoje estão a tomar e são fabricados na China. Menos ao avião que trouxe o filho de regresso a casa, interrompido o programa Erasmus em Itália. Apontam o mesmo dedo que ainda há dias contava notas aos molhos, sem o lavarem a seguir. O mesmo que deslizavam no ecrã do telemóvel a escolher o destino da próxima viagem. O mesmo que ainda há poucos dias carregava malas nos aeroportos, nas estâncias da neve, nos hotéis e alojamentos, esquecendo-se que, nessa altura, o vírus já se passeava também pelo mundo. 
Entre o chorrilho de disparates que leio nas redes sociais, perdoo quase tudo. Até àquela enfermeira que ontem, na caixa do LIDL, espalhava o pânico nos olhos das duas funcionárias que a ouviam. Sendo até uma questão ética, compreendo que nem todos conseguem ter o discernimento de gerir o seu próprio medo.
Sucedem-se há dias as pérolas como:
"Já há um caso em Almagreira!"
"Não, é na Pelariga".
"Ouvi dizer que é um camionista"
"Há vários casos na Marquês e na Secundária"
"No centro de saúde já foram atendidos vários casos, no hospital também"
"Estão a esconder tudo".
Normalmente são os mesmos que nos mandam áudios apocalípticos via messenger - em que se percebe ao primeiro segundo que é fake. 
Perdoo tudo, mas não a todos. Os políticos desta terra têm obrigação de ter juízo. Ser eleito local não é só ir à Assembleia, dizer umas balelas e levar para casa uma senha de presença na ordem dos 70 euros. É ter  noção do que é causa pública, a responsabilidade social. Encarnar a ordem e a serenidade num momento da vida como nunca a conhecemos. Objetivamente, o que é que ganhamos em agitar bandeirinhas políticas num tempo destes? 
Vamos lá atinar, e começar pelo básico: o Município de Pombal ainda não percebeu que é preciso comunicar com os munícipes, de forma simples e eficaz, em vez de os obrigar a ler um plano de contingência de várias páginas. É certo que está sem gabinete de comunicação há algum tempo, ultimamente transformado em gabinete de propaganda do presidente. Mas o mesmo trio que tem disparado notas à imprensa com apoios e subsídios também poderia comunicar com o público, como estão a fazer as outras câmaras da região, todos os dias e a toda a hora. Informações básicas, curtas, claras e concisas. 
Tudo é mais útil do que espalhar previsões aos milhares no facebook. É a esses que me dirijo em particular, com uma reflexão do Paulo Querido, esta manhã: "Agora imaginem por 5 segundos que o desgoverno de Passos/Portas tinha desmantelado por completo o serviço nacional de saúde, como queriam, com o aplauso daquilo que são hoje a IL e o Chega. Pronto, já passaram os 5 segundos de terror. Só espero que tenham deixado lastro duradouro até às próximas eleições (se o sistema aceitar manter esse luxo)".
À hora a que vos escrevo não há nenhuma cadeia de transmissão em Pombal, nem casos diagnosticados no distrito de Leiria. Não sabemos até quando, pois que todos circulámos por aí nos últimos tempos. Chama-se globalização, e este é um dos preços a pagar. 
Acredito que as autoridades estão a fazer o melhor que podem e conseguem. Que os meus amigos médicos e enfermeiros se vão desdobrar para garantir que o SNS do nosso pequeno país vai dar tudo nesta cruzada. E que cada um de nós, por uma vez, faça o esforço de proteger os outros, protegendo-se. Que o sentido de colectivo é maior que a ganância individual.
Uma nota para os outros pombalenses proprietários de cafés, restaurantes e outros serviços por este concelho fora que preferiram prevenir para não remediar. Há coisas que não deveria ser preciso um Governo dizer-nos, há outras em que - sendo da sua responsabilidade - é inevitável. Ninguém está livre. Mas o medo e o pânico não podem tomar conta de nós, em nome da sanidade mental - da nossa e dos nossos filhos.

7 de março de 2020

A paridade e a cultura à moda de Pombal



Já sabíamos de como D. Diogo gosta de nivelar por cima, nas suas escolhas. E por isso foi sem surpresa que o ouvimos anunciar o elenco para a comissão de honra da rede cultura 2027, também conhecida pelo povo como candidatura e Leiria a Capital Europeia da Cultura - que para ter coro juntou à festa outros 25 municípios. Se é para fazer número, eis-nos aqui.
De modo que as escolhas de Diogo Mateus não poderiam ser mais abalizadas, depois de (mui democraticamente) ouvida a Câmara. É tudo gente de reconhecido mérito cultural, profundamente conhecedora do que se faz por cá (pelo país e pelo mundo, também) a esse nível. A média de idades estraga-se ali pelo guitarrista João Silva, mas isso é compensado pela partilha de saber que os restantes pares serão capazes de lhe assegurar. 
Já a paridade...que maçada, Fernanda Domingos. Ouça o sábio presidente, que felizmente  nesta sessão de comédia municipal soube dispor-bem todas as senhoras de sua corte. Ele não disse, mas dizemos-lhe nós: ele já tinha na manga a compensação para esse ligeiro deslize mundano: a Câmara (em parceria com a Junta) vai apoiar uma sessão organizada pela APEPI, ao serão de segunda-feira, subordinada ao tema "A Mulher e a Cultura", no Café  Concerto, no âmbito da comemoração do Dia Internacional da Mulher. Vê? Está resolvido. 

3 de fevereiro de 2020

O partido que jaz morto e arrefece



Apesar de não existir qualquer confirmação (pública e oficial), a verdade é que lá se realizaram as eleições para os órgãos locais do Partido Socialista. 
Nos últimos meses alguns militantes movimentaram-se para irem a votos como alternativa às águas paradas, mas com o aproximar da data...a montanha pariu um rato. De modo que Odete Alves liderou a única lista, recandidatando-se ao lugar de presidente da concelhia. Ao contrário do que aconteceu há dois anos, desta vez não se lhe conheceu moção ou projecto. Os militantes que (ainda) fazem parte de um grupo fechado no facebook, lá foram informados de que iria recandidatar-se; mais tarde acrescentou os nomes dos ilustres socialistas que a acompanham, num registo de 'para quem é bacalhau basta'.É muito pouco para quem, há dois anos, se propunha "aproximar os militantes, motivá-los e uni-los". 
O que aconteceu agora foi uma espécie de retrato da última ceia, mas com vários Judas a posar para a foto: elementos que passaram os últimos meses a apunhalá-la pelas costas, criticando (muitas vezes com propriedade) a falta de pensamento político e de acção política. Eis que agora aparecem de braço dado com a presidente, numa lista que tem ainda outra particularidade: é familiar, com irmãos, casais, pais e filhos. E que mesmo tendo pouca gente, se deu ao luxo de deixar de fora alguns dos eleitos nos órgãos autárquicos. Militantes do partido.
Nesta quintinha em que se transformou o PS/Pombal, percebe-se facilmente que não havia militantes suficientes para disputar as eleições com duas listas (como em Alcobaça ou Caldas da Rainha, concelhos onde o PS é oposição mas quer chegar ao poder). 
De modo que o resultado foi o que tinha de ser: 38 votantes, 31 na lista única, mais 6 brancos, e ainda 1 nulo. 
Bem podem agora espernear no facebook os acólitos mais fervorosos. Melhor fora que tivessem a humildade de fazer alguma introspecção e corrigir os tiros, percebendo que a crítica faz parte de uma sociedade democrática, e que tantas vezes é dela que nasce alguma coisa, depois de agitadas as águas. Mas já que preferem as pancadinhas nas costas...ficamos aqui a vê-los guardar os punhais no bolso, até à próxima oportunidade. Ou até que alguém ressuscite este partido.