Mostrar mensagens com a etiqueta Opções. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Opções. Mostrar todas as mensagens

3 de fevereiro de 2020

O partido que jaz morto e arrefece



Apesar de não existir qualquer confirmação (pública e oficial), a verdade é que lá se realizaram as eleições para os órgãos locais do Partido Socialista. 
Nos últimos meses alguns militantes movimentaram-se para irem a votos como alternativa às águas paradas, mas com o aproximar da data...a montanha pariu um rato. De modo que Odete Alves liderou a única lista, recandidatando-se ao lugar de presidente da concelhia. Ao contrário do que aconteceu há dois anos, desta vez não se lhe conheceu moção ou projecto. Os militantes que (ainda) fazem parte de um grupo fechado no facebook, lá foram informados de que iria recandidatar-se; mais tarde acrescentou os nomes dos ilustres socialistas que a acompanham, num registo de 'para quem é bacalhau basta'.É muito pouco para quem, há dois anos, se propunha "aproximar os militantes, motivá-los e uni-los". 
O que aconteceu agora foi uma espécie de retrato da última ceia, mas com vários Judas a posar para a foto: elementos que passaram os últimos meses a apunhalá-la pelas costas, criticando (muitas vezes com propriedade) a falta de pensamento político e de acção política. Eis que agora aparecem de braço dado com a presidente, numa lista que tem ainda outra particularidade: é familiar, com irmãos, casais, pais e filhos. E que mesmo tendo pouca gente, se deu ao luxo de deixar de fora alguns dos eleitos nos órgãos autárquicos. Militantes do partido.
Nesta quintinha em que se transformou o PS/Pombal, percebe-se facilmente que não havia militantes suficientes para disputar as eleições com duas listas (como em Alcobaça ou Caldas da Rainha, concelhos onde o PS é oposição mas quer chegar ao poder). 
De modo que o resultado foi o que tinha de ser: 38 votantes, 31 na lista única, mais 6 brancos, e ainda 1 nulo. 
Bem podem agora espernear no facebook os acólitos mais fervorosos. Melhor fora que tivessem a humildade de fazer alguma introspecção e corrigir os tiros, percebendo que a crítica faz parte de uma sociedade democrática, e que tantas vezes é dela que nasce alguma coisa, depois de agitadas as águas. Mas já que preferem as pancadinhas nas costas...ficamos aqui a vê-los guardar os punhais no bolso, até à próxima oportunidade. Ou até que alguém ressuscite este partido.

20 de janeiro de 2020

A cidade e o espaço público: o regresso dos debates do Farpas

Que cidade e espaço público queremos?

Pombal está em obras. Por estes dias a cidade sofre uma mudança sem precedentes, ao abrigo de um plano de reabilitação urbana que avança desde o ano passado, atravessa o Jardim do Cardal e reinventa-o, tal como o das Laranjeiras, caminhando em breve para a Várzea. As decisões do poder sobre o (nosso) espaço público fizeram-se à margem do debate. É nesse ponto que o Farpas que recentrar a discussão: envolver a cidade na sua própria vida.
No plano que traçou para Pombal, chamado PEDU (Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano), a Câmara reclama uma cidade mais atrativa, ativa e inclusiva. Será que estamos a caminhar para lá? Ou a descaracterizar o que é nosso?
É este o tema do nosso primeiro debate de 2020. Venham daí para mais um café e uma farpa, dia 27 de janeiro, às 21 horas, no Café Concerto.
Para começo de conversa convidámos os arquitectos Carlos Vitorino e Tânia Ventura, cada qual com a sua visão sobre o tema. A discussão é para todos ;)


31 de dezembro de 2019

Os esqueletos do Cardal e o que nos espera em 2020

As notícias da imprensa regional dão conta de uns achados arqueológicos no Jardim do Cardal: túmulos do século XVI. Até um leigo na matéria sabe que revolver um jardim colado a uma igreja é obra certa, nesta matéria. E que por isso era fatal como o destino desta terra encontrar ali alguns esqueletos. Da mesma maneira, qualquer leigo sabe também que encontrar esses vestígios históricos implica um atraso nas obras, pelo que nos podemos preparar para continuar a ver o jardim entaipado durante muito tempo. É a nossa certeza para 2020. 
Voltemos à vaca fria: eram necessárias estas obras? Era preciso revolver as entranhas do Cardal para conservar o jardim e cuidá-lo? O que é que ganhamos, enquanto cidade, em estender betão num espaço que só precisava de mais relva, flores e plantas, para ter mais pessoas?
Saio de 2019 com a sensação de que Diogo Mateus quis, a todo o custo, deixar a sua marca em Pombal: mudar a face da cidade, que é o que está a fazer no Cardal, na rua Custódio Freire, no Jardim das Laranjeiras, e se deixarmos ainda juntará a Várzea a esta operação cosmética. Mas nem a cidade precisa de ser reconstruída (desta maneira) nem ele é o Marquês de Pombal. O nosso único problema é que, à volta, todos o fazem acreditar que sim, prestando-lhe vassalagem. E por isso não vimos a colaborante oposição levantar o dedo e a voz ao caos em que se transformou o trânsito, nesta quadra festiva, à conta desse capricho municipal. 
Estão todos bem para um brinde colectivo, pois claro. 

10 de novembro de 2019

Faz de conta que nos importamos com a cultura local



À hora marcada, atravessei o Cardal até aos claustros da Câmara. Estava agendado para as 17 o lançamento do livro da Maria Luís Brites, que o município 'gentilmente' colocou no programa de 'comemorações' do 11 de Novembro. Decidiu juntá-lo a uma exposição de pintura de Armando Rocha, sendo que escritora e pintor nada têm em comum, tão pouco se conheciam. Era preciso preencher o programa e calhou mesmo bem. Quem entrasse nos Claustros na tarde de sábado, ficava a saber o mesmo: não houve direito a apresentações para ninguém. Mas adiante. Ainda bem que os meninos da Filarmónica da Guia tinham um bom repertório preparado, pois que o (pouco) público e protagonistas do momento tiveram de esperar uma hora para começar a apresentação: à espera do Presidente.
O momento - que me era feliz, à conta de ver ali a Maria Luís inteira, a equilibar-se no alto dos 85 anos - foi surreal. É certo que ela dispensou alguém que a apresentasse e dissesse dela ou do livro qualquer coisa. Mas à Câmara só ficava bem, pelo menos, ter o respeito e a simpatia de apresentar o momento. A Maria Luís Brites não é uma mulher qualquer. Se não fosse pelo mérito enquanto escritora (e pelo facto de ter sido a única mulher candidata à Câmara, embora, lá está, por partidos que não interessam), que fosse pelo muito que fez aos microfones da Rádio Clube de Pombal, quando nos anos 90 percorria todo o concelho de Pombal numa carrinha, à procura de dar voz aos autarcas e às populações. Mas isso foi uns anos depois de - num dia do Município, precisamente - ter tido honras de apresentar o livro 'Um triângulo no Litoral' para uma sala cheia. Outros tempos.
Como só ela, apresentou o livro sozinha e pediu logo perguntas ao público. E ficou para o fim o 'encerramento' (erro de protocolo, João. Tenho um livro da Isabel Amaral em que ela explica muito bem estes pormenores, vou emprestar-to) a cargo do Presidente da Câmara. Foi aí que aquilo me fez lembrar o tempo de Narciso Mota, em que, estranhamente, Diogo misturou alhos com bugalhos, embrulhando tudo num discurso redondo sobre as obras (literárias) que a Câmara já promoveu este ano, como que a metro. Sem esquecer a referência à distinção já feita à Maria Luís no rol de medalhas. E pronto, cumprido o programa, já pode voltar a encher a boca para a oposição com este feito notável que é promover a arte dos que até são do Bloco de Esquerda.
O que aconteceu este sábado, nos claustros, devia fazer corar de vergonha quem valida este faz-de-conta. Mas não faz. Está tudo bem. Tudo bem.
Já a sessão de autógrafos tinha terminado quando apareceram os amanuenses com uns ramos de flores, aquele mimo e cortesia que habitualmente se entrega aos escritores logo que terminam de falar. Foi a cereja no topo do bolo, exemplo maior das peças de puzzle que não encaixam mas...fazem parte. 
Enquanto assistia àquele momento - que a Maria Luís merecia tivesse sido de muito maior dignidade (e isso não tem nada a ver com solenidade) lembrava-me da biblioteca que quis doar ao município. Eu mesma enviei a Diogo Mateus um sms, na semana antes do Natal de 2018, dando-lhe conta dessa vontade. Foi numa manhã em que lá estive, em casa dela, a fazer-lhe uma entrevista de vida para o DN. Sei que mandou outros recados. A minha mensagem nunca teve resposta. Os recados também não. Afinal, o que é que isso interessa?

7 de novembro de 2019

Os medalhados de última hora, ou a hora do faz-de-conta


Esta tarde a Câmara reúne para (supostamente) discutir e aprovar um ror de nomes para medalhar. Diz o regulamento municipal que tem de haver consenso, que tem de haver unanimidade, e por isso pressupõe-se discussão. Ledo engano. Por esta altura, a três ou quatro dias do 11 de Novembro, nem um milagre de São Martinho conseguirá fazer as coisas bem feitas. Pois que há colectividades que já sabem que vão ser galardoadas, e que já foram contactadas há vários dias.
D. Diogo está feito um mouro de trabalho nos Paços do Concelho, mal come, e arriscamos adivinhar que mal dorme. Entre o faz-de-conta que foi ouvir os partidos para o Plano Plurianual de Investimentos (que é como quem diz ouvir-se a ele próprio, pois que foi mais monólogo que diálogo cada bloco de três ou quatro horas que gastou com alguns deles), e as dores de cabeça que a autarquia lhe anda a dar, tratou de mandar avisar alguns dos homenageados. Homem precavido vale por...9. Assim como assim, a reunião de hoje é só para ficar em acta. Daqui por uns anos a história há-de contar que aos 7 dias do mês de Novembro reuniu o executivo municipal para deliberar a respeito dos homenageados. Só que não. Já estava tudo decidido. 
E agora, senhores vereadores, sentem-se bem nesse papel de candeeiros? 

28 de setembro de 2019

A porta dos fundos da Feira de Artesanato


A imagem é desta noite de sábado, captada num corredor para onde a Câmara de Pombal atirou 13 expositores, nesta XXVI edição da Feira Nacional de Artesanato. Reina a indignação entre os artesãos, desde ontem à tarde.
Nos dias anteriores, a organização babava-se com os números de expositores (184, mais seis que no ano passado, segundo o Pombal Jornal). Mas devia ter vergonha de colocar aqueles artesãos (a maioria da terra) num local habitualmente destinado à passagem dos trabalhadores, arrumos e lixo.
E basta dar uma volta pela feira para perceber que há qualquer coisa que aqui não bate certo: o que fazem numa feira de artesanato as IPSS's cá do burgo, ocupando um dos mais nobres corredores da feira, faltando espaço para os artesãos? Hum?

24 de setembro de 2019

E chove no Centro Escolar de Pombal



Dois anos depois de abrir portas (já sabemos, Diogo, que ainda não foi inaugurado...) o Centro Escolar de Pombal mete água por todos os lados. Outra vez. Um dos ícones das Obras Tortas, para o qual alertámos, em bom tempo, aqui e aqui  e aqui.. 
Uns exagerados, é o que nós somos...
Hoje uma das casas de banho teve de ser encerrada por manifesta falta de segurança: há um tecto pronto a desabar.
Como a Câmara, a Junta e todos os apêndices estavam entretidos a inaugurar um espaço muito moderno na Biblioteca Municipal, não houve tempo para resolver estas minudências do #PombaléEducação,
Estudassem.

22 de setembro de 2019

Desporto molhado, desporto abençoado

Toda a gente sabe que a função dos pavilhões desportivos da cidade é acolher peregrinos em épocas altas para Fátima. E que nos intervalos há uns clubes que praticam duas ou três modalidades, com a mania de entreterem os miúdos cá da terra. E de receberem, em jogos oficiais, clubes visitantes.
Ora acontece que há anos que o Pavilhão Eduardo Gomes mete água por todos os lados, sempre que chove, danificando o piso, tornando-o impróprio para a prática. Aconteceu hoje outra vez.
Rezam pouco, os dirigentes desportivos cá do burgo. As preces junto do poder local não têm servido para mais que engordar a lista do #PombaléDesporto.
Estudassem.


20 de setembro de 2019

O ADN persecutório e o episódio Pedro Lamares



Chamei-lhe, a brincar, Lamaresgate, quando ontem à noite soube de todo o desenlace da novela. Tinha pensado contar o episódio em registo ridículo, mas a partir do momento em que D. Diogo leva o assunto à Câmara e o torna público - contando apenas uma parte da história - o caso muda de figura.
Vamos a factos: a Biblioteca Municipal de Pombal comemora hoje os seus 21 anos com um espectáculo de poesia pelo actor Pedro Lamares - que é mandatário da lista do Bloco de Esquerda pelo círculo eleitoral do Porto. Como Ruy de Carvalho já foi pelo PSD. Como outros foram por outros partidos.
 Ora, satisfeita com a vinda de um camarada a Pombal, a responsável local pelo BE, Célia Cavalheiro, partilhou o evento não só na sua página pessoal de FB, como na página do partido. Conhecendo-a como conheço, tenho dúvidas de que o tenha feito intencionalmente, mas antes por inabilidade na rede. Mas adiante. Quando soube da história, já o post não estava lá disponível, de modo que li-o na página pessoal da Célia, secundado por um comentário de Nelson Pedrosa, o distinto director da Biblioteca.
Que antes disso já lhe ligara a pedir que retirasse o post (!) que considerava que "aproveitamento político".
Depois ligou-lhe a produtora, Maria Miguel Coelho.
E depois ligou-lhe o próprio do Pedro Lamares(!), cheio de pruridos e cuidados. Imagino o tipo de contacto que deve ter sido feito com eles a partir de Pombal...

Não deixa de ser surpreendente como a realidade consegue sempre superar a ficção.
Esta manhã ficámos a saber, em directo, na reunião de Câmara, que D. Diogo equaciona fazer queixa da Célia (que é como quem diz do BE/Pombal) à Comissão Nacional de Eleições. E que ele é tão democrata que até convida o Pedro Lamares. Porque "a Câmara não tem qualquer agenda partidária" (sic) nos convites que faz. Citou, aliás, vários exemplos nacionais que já aqui estiveram no burgo, como Sérgio Godinho, Vitorino de Almeida ou Gabriel o Pensador. Tão democrata.
O que deveria preocupar o presidente da Câmara era que o seu funcionário Nelson Pedrosa perdesse tempo a fiscalizar o facebook alheio, mas talvez isso faça parte das funções. Pior: que ouse contactar e sugerir a eliminação de uma publicação. Não lhes basta a forma como destratam - na pessoa da presidente da AM - a deputada Célia Cavalheiro. Tudo serve para exercitar o ADN persecutório que lhes corre nas veias, num registo típico de quem é fraco com os fortes e forte com os fracos.
Se aqui reinasse alguma elevação, isto era um não-assunto.
Como o que reina é o caciquismo, a lambebotice e nunca se esgota o gosto de espezinhar os outros, eis o poder ofendido com uma publicação do BE - que, como sabe, é poderosíssimo em Pombal!

18 de setembro de 2019

Precisamos de mais escolas? Para quê?



No Dia (municipal) da Educação, ficámos a saber que o Município vai investir cinco milhões de euros (!) em três novas escolas do primeiro ciclo: Guia, Vila Cã e Pelariga.
Das três, só a Guia encontrará aqui alguma justiça no investimento - pois que o Centro Escolar vem com muitos anos de atraso, numa comunidade onde ainda vai havendo alunos: há 78 crianças matriculadas no primeiro ciclo. Embora haja apenas 19 no pré-escolar público, a esperança cresce para os anos seguintes com as que transitam da Acurede, por exemplo, uma das mais antigas IPSS's do concelho com a valência de creche e jardim de infância. Nessa altura, quando estiver construído o centro escolar da Guia, só não sabemos se ainda haverá espaço para manter aquele pólo da Mata Mourisca (um dos primeiros a ser construído, numa altura em que já abriu com salas vazias). Actualmente tem apenas 30 crianças no primeiro ciclo. As coisas melhoram ligeiramente na Ilha, onde há 65 crianças, e (alguma) esperança no futuro, com 47 no pré-escolar.
Quanto aos outros, estamos a investir em quê? Na satisfação das vontades dos caciques locais? 
No ano passado a freguesia de Vila Cã tinha 39 alunos no primeiro ciclo. Ficando a mais ou menos 2 km de distância da vizinha Abiul - que exibe um novo pólo escolar, onde não falta espaço - qual é a ideia? 
Deixamos para o fim o caso da freguesia da Pelariga, onde havia apenas 30 crianças no ano passado. Ora, no lugar da Machada, a escola albergava 62 - o que se explica com o número de crianças que emanam dos dois infantários privados. Ou melhor, que emanavam. Porque um deles - O Berço dos Afectos - acabou de fechar portas este verão. Resta apenas o Zero Seis. 
Expliquem-nos então, para que serviram as obras na escola da Machada? Ou alguém acredita que a construção de uma nova escola na Pelariga é sustentável sem agregar as crianças dali?
Em 2015, uma reportagem do Jornal de Leiria noticiava que faltavam 700 alunos para preencher a capacidade dos centros escolares de Pombal. Passaram quatro anos, Pombal perdeu população. De tal forma que, nas próximas eleições autárquicas, o executivo volta a ser constituído apenas por sete vereadores, perdendo dois. 
Há décadas que não há registo de grandes investimentos industriais, geradores de emprego. É isso, afinal, que faz crescer e fixar população. Diogo Mateus pode dourar a pílula e até culpar o Governo por este destino (o argumento da redução de turmas aos privados é de ir às lágrimas), que não se livra de ficar associado ao maior declínio deste território. A não ser que esteja a guardar para o final aquele trunfo que anunciou na primeira eleição, que eram os empresários da América Latina que andavam de olho em Pombal. Se vierem charters deles, isto vai. 

22 de maio de 2019

E agora para algo completamente fracturante: as esplanadas

Este post é uma singela contribuição para a causa que o vereador Michael António abraçou neste mandato: as esplanadas e suas idiossincrasias.
Desde que voltou à Câmara que anda preocupado com a esplanada do Buda Bar. O processo conheceu duas fases: a primeira, em que Diogo Mateus rebatia ferozmente os argumentos inócuos do seu ex-companheiro de partido e de bancada; e a segunda, em que surpreendentemente (ou não) o presidente começou a fazer coro ao lado de Michael, mostrando uma atitude musculada de "chamar a polícia e fechar aquilo", se preciso for.
Ora, numa das ruas que ainda tem algum movimento em Pombal - a prof Gonçalves Figueira - está esta beleza de esplanada. Será este o modelo?

29 de abril de 2019

A cultura de elite, ou o sectarismo estratégico



O fim de semana que passou foi uma pedrada no charco dada pelo festival Oh da Praça. Durante dois dias (sexta e sábado) a música, a dança, a fotografia, e todo um conjunto de arte(s) tomou conta da cidade, com maior expressão na noite de sábado, que encheu o Jardim. 
Ao longo desses dois dias a Câmara fez questão de ignorar olimpicamente o evento: não há uma única referência nem fotografia na página do Município, o que quer dizer que a presença fugaz dos vereadores Pedro Brilhante (na noite de sexta) e Ana Cabral (no sábado à tarde) foi-o, muito provavelmente, a título pessoal. Não há notícia da presença da vereadora da Cultura em nenhum dos momentos.
Mas ontem, Ana Gonçalves integrou a "delegação do Município de Pombal" - como lhe chamou o deputado do PSD, eleito pela Europa, Carlos Gonçalves - que foi à capital apadrinhar o lançamento do livro de uma ilustre desconhecida (Maria Lourenço, natural de Almagreira), pela Chiado editora. Não sei se os leitores sabem como é fácil editar um livro por ali: basta pagá-lo.
A "escritora" em causa é emigrante na Suíça, e o lançamento decorreu em Lisboa. Foi confrangedor assistir à presença em peso da Câmara, por comparação à estratégica ausência num festival artístico que decorreu aqui na terra, e que - sabe-se agora - poderia ter sido a comemoração do 25 de Abril. Mas a Câmara não quis.
De que tem medo Diogo Mateus? De que foge a vereadora da Cultura? De Pombal? 
Por último, não deixa de ser interessante este súbito interesse pelos livros e pelos autores. Em Novembro deste ano, quando entrevistei a escritora desta terra de maior vulto e obra publicada, enviei pessoalmente uma mensagem ao presidente da Câmara, dando-lhe conta da vontade que ela tem em doar a uma entidade pública (ao município, por exemplo) toda a sua vasta biblioteca. O silêncio do edil foi ensurdecedor. Tanto quanto estridente foi a presença dos três vereadores na apresentação daquela obra, ontem. Está comprovada a questão de prioridades por parte do poder autárquico aqui na terra; resta ao povo - que ainda vota - dar-lhe resposta adequada quando for chamado a pronunciar-se. Oxalá tenha por onde escolher. 

24 de abril de 2019

O fardo que Pombal carrega neste Abril

Desde que Diogo Mateus chegou a presidente da Câmara, as comemorações do 25 de Abril deixaram de contar com intervenção política. Um dia chamou os líderes das diversas bancadas  - que na Assembleia Municipal representam os partidos políticos - e fez-lhes uma espécie de canto da sereia: que era importante desanuviar, arejar as comemorações, trazê-las para a rua. Os partidos anuíram, com ressalva para o PCP. E foi o que se viu, é o que se vê. O esforço táctico para que não subsista qualquer mensagem política, sem direito a laudatório discurso de resposta por parte de quem manda e pode.
As comemorações deste ano são um bom exemplo do esforço que se faz no Largo do Cardal para fazer de conta, para tornar inócua uma data como esta.
Fazemos de conta que estamos em festa, pá: arranja-se um concerto para a véspera (Capitão Fausto é coisa que não aquece nem arrefece, por isso cumpre bem o número), depois chama-se uma banda filarmónica para fazer a arruada da manhã, e já que se vai chamar alguém para falar, convida-se como orador o almirante Silva Ribeiro, nascido em Pombal, actual Chefe de Estado Maior das Forças Armadas, que trocará a sessão nacional para vir à terra, falar d'"As Forças Armadas ao Serviço da paz e da segurança no mundo". A palestra poderá revelar-se muito útil para quem se interessa por estes temas, como será o caso do nosso presidente da Câmara, agora que está empenhado em concluir o seu curso de auditor de defesa nacional. 
O resto é costumeiro e alivia a consciência. Coroas de flores no monumento aos Heróis do Ultramar e no busto de Salgueiro Maia, e está feita a festa.
Mas este ano o poder autárquico - conquista de Abril, convém lembrar - conseguiu superar-se. Marcou para esta tarde a reunião da Assembleia Municipal, que é uma boa ocasião para ser forte com os fracos. E marcou para dia 26, sexta-feira, a reunião de Câmara, não vão os senhores vereadores ter a veleidade de ir para fora, procurar outras paragens para a festa e usar esse dia como ponte. Alinhadinhas, as Juntas de Freguesias seguiram-lhe o exemplo, marcando as assembleias também para hoje e para sexta-feira. 
E por isso não é de estranhar que o Município exiba, desde há cinco anos, uma escultura que lhe serve de cartão de visita, à entrada para o café concerto: um homem curvado, cedendo ao 'peso' da revolução. Por mais que passe por ela, nunca me é indiferente. Está cumprida a intenção do poder.  
O espírito de Abril que por aqui paira é este, que mais uma vez o Farpas vai contrariar, entre a noite e e o dia em que se cumprem 11 anos deste blogue.  Por isso, logo à noite, no Hotel Pombalense, abrimos a porta ao dia inicial, inteiro e limpo.
Não passarão. 

1 de abril de 2019

O estatuto de arrependido

1. Esta nova versão do vereador Micael António na vida política casa muito bem com a era das fake news em que vivemos. Como diz o povo, 'Quem o ouve falar não o leva preso'.
Mas esta última intervenção sobre o financiamento municipal ao que resta dos jornais e das rádios seria cómica, se não fosse trágica. O vereador pediu a lista dos dinheiros (públicos) despendidos com a comunicação social local, regional e nacional, e fixou-se nos 56 mil euros (a fatia de um bolo de 218 mil) que o Município pagou, nos últimos cinco anos, à sociedade unipessoal Crónicas Mágicas, proprietária do Pombal Jornal.
Micael António está em pleno gozo do estatuto de arrependido: foi ele um dos fiéis sectários de Narciso Mota a encaminhar toda a publicidade para o Correio de Pombal (onde os protagonistas eram os mesmos que agora dão corpo ao Pombal Jornal). A relação era tão próxima, nesse tempo, que o vereador se sentava ao lado de quem paginava os anúncios, nas instalações do jornal.
 Foi o que aconteceu quando o Tribunal ordenou que fizesse um pedido de desculpas público à directora d'O Eco (que era esta que vos escreve) por causa de umas mensagens indecorosas que enviara do seu telemóvel, perdão, do telemóvel da Câmara. Depois de negar ser o autor das mesmas, considerando que 'aquilo foi alguém para o tramar', teve um assomo de honestidade: foi à PSP e apresentou queixa por roubo do telemóvel.
Em tribunal, acedi virar a página mediante um pedido de desculpas. Mas Micael teve novo rasgo de verticalidade e decidiu adulterar o que estava combinado, com a conivência da concorrência. Lembro-me disso todas as vezes em que me cruzo, por estes dias, com o advogado Castanheira Neves, que o representou. Mais tarde, um homem que já cá não está, e que processara Narciso Mota por difamação, dizia-me, no hall do Tribunal: 'não se pode fazer acordos com eles, minha cara. Porque esta gente não é séria'.

2. Não me recordo de ter visto o vereador Micael pugnar pela sobrevivência dos jornais nessa ou noutras alturas. Fazia bem o papel de delfim, soprando ao ouvido de um manipulável presidente da Câmara que 'quem não era por ele era contra ele'. Os empresários eram candidamente aconselhados a não investirem naquele jornal, optando pelo outro. Não valeu de nada. Morreram todos.
E neste processo de asfixia da liberdade de imprensa - e da própria imprensa - não há inocentes, no espectro político e público. A dificuldade em lidar com a crítica e a deficiente capacidade de encaixe levaram a melhor, transformaram Pombal no que hoje é: dos quatro jornais que (con)viviam, entre as décadas de 1980-2000, não resta nenhum. Publicavam-se dois semanários e dois quinzenários. Hoje resta-nos o Pombal Jornal, quinzenalmente, e aquela publicação com sede no Louriçal, de nome 'Notícias da sua terra', que chega a noticiar suicídios - violando as mais elementares regras da ética e da deontologia, a que até os equiparados a jornalistas estão obrigados. 
Percebo os pés-de-lã, o conforto de viver com pancadinhas nas costas em vez de olhares adversos, mas nunca os vou aceitar. Foi essa postura que nos conduziu a esta pobreza. 

 3. A parte em que Micael tem razão é aquela em que diz que no jornal em causa 'só dá câmara municipal'. É uma espécie de contrapartida, quer ele dizer. E será, sim. Mas seria interessante perceber quanto pagavam os executivos que integrou ao extinto Correio de Pombal, e de que tamanho era a sua indignação...
Por força das responsabilidades sindicais, tenho percorrido o país em visitas a jornais e rádios regionais. Há terras (mais pequenas que a nossa) onde as rádios locais mantêm 5 (cinco) jornalistas profissionais. Há cooperativas com 600 cooperantes. Cadeiras de rádio em Trás-os-Montes. Jornais que noticiam, denunciam, intervêm, fazem reportagens e entrevistas. Onde o tecido empresarial tem consciência da importância de investir nos meios de comunicação, ao invés de encarar a publicidade como uma ajuda. Uma esmola. Afinal, ouvida a resposta de Diogo Mateus (fica para outro post), não andamos longe disso.  

25 de março de 2019

A realidade, os números, a falta de gente: Pombal vai de carrinho


Uma reportagem do Jornal de Leiria desta semana mostra, a nu, como estamos sem gente. Bem podem os analistas municipais tentar justificar os números de utilização dos transportes públicos urbanos (Pombus) da forma que entenderem melhor, a começar pela  preferência na utilização do carro. O que a realidade nos mostra é outra coisa.
Já aqui escrevi várias vezes que considero a criação da rede Pombus o maior legado da era Narciso Mota. Quando chegou ao poder, Diogo Mateus mexeu na rede: criou mais uma linha, mas parece-me que não adequou os meios. Além disso, as alterações de horários não foram benéficas para quem (como eu) se habituara a utilizar o autocarro. Isto de querer aplicar o princípio da manta de retalhos nunca deu bom resultado.
E eis que os números dos transportes urbanos no distrito nos dizem, de facto, o que era já intuição: há uma diminuição acentuada em Pombal, em contraciclo com as restantes cidades: perdemos 11 mil utilizadores do Pombus nos últimos dois anos. Estamos sempre a perder, desde 2008. Fica-nos a dúvida existencial: os pombalenses não utilizam porque a rede não lhes serve? Ou não há utilizadores?
Numa volta pela cidade, desafio cada um de vós a entrar no comércio, em dias úteis ou ao fim de semana, e trocar dois dedos de conversa com quem mantém, teimosamente, lojas abertas. Se não quiserem dar-se a esse trabalho, basta que vagueiem pelo centro da cidade (não é preciso ir às ruas menos visíveis). Ao domingo, por exemplo, que seria - supostamente - o dia em que temos cá gente. 
Bem pode continuar a Câmara a incentivar os velhinhos e as criancinhas a decorarem a cidade com flores de plástico. O que a realidade nos mostra é outra coisa.

9 de março de 2019

A política do enfeite, versão higiene oral

É comovente este lado bonzinho do nosso presidente. Imagine o leitor/munícipe que chega ao ponto de homenagear personalidades fora do domínio laranja, sobretudo numa fase da vida em que já não lhe fazem grande - ou nenhuma - mossa.
 É certo que era escusado nomear aquelas pessoas que trabalham para a autarquia e que manifestaram, em determinado momento da vida, alguma outra simpatia política. Mas que não ousam ter actividade. 
Portanto: ou estão inactivas pela ordem natural da vida... ou ficam, para que tudo corra bem. 

ps: Arlindo Medeiros é militante sim, mas do PS, Diogo. Alguma coisa falhou aí...

5 de fevereiro de 2019

O presente envenenado



O impoluto Diogo Mateus escolheu para coordenadora do programa CLDS-4G a psicóloga Rita Mota, filha de Narciso Mota.
Como? - perguntará o leitor atento, sabendo da chacina política que o presidente tem feito ao seu antecessor; da humilhação constante nas reuniões públicas e gravadas, do processo que corre em tribunal movido pela nora do mesmo Narciso, contra a Câmara Municipal, onde também trabalha. 
Como? - terá perguntado a vereadora do PS, Odete Alves, na última reunião de câmara, convencida de que esta nomeação cheira a "uma forma de silenciar ou controlar" o agora vereador da oposição.
Como? tem razões para se interrogar Teresa Silva, presidente da direcção da APEPI - a entidade gestora do dito programa CLDS-4G, ligação que vinha do tempo em que a sua IPSS  e a Câmara tinham uma relação umbilical, em que também ela era uma mulher social-democrata, ao ponto de dar o nome da deputada (e ex-secretária de Estado) do PSD, Teresa Morais, à Casa Abrigo. No meio social toda a gente sabe que a filha de Narciso Mota não era a escolha da APEPI para coordenadora técnica deste projecto - que dura há anos e ninguém sabe muito bem o que é, para que serve, que resultados se apuram do meio milhão de euros investido, de cada vez que cai "no terreno". E toda a gente sabe que Diogo não perdoa nem esquece. E que, na verdade, esta nomeação - para um cargo pago a peso de ouro, com dinheiros públicos - é uma espécie de presente envenenado, qual pescadinha de rabo na boca: a filha daquele que foi seu adversário, que lhe lhe chama vingativo todos os dias, que levou com ele muitos do PSD, como Teresa Silva. 
O futuro há-de mostrar como este caso é um isco e quem o vai morder.  

10 de janeiro de 2019

A política do enfeite para este inverno

A melhor iniciativa do reinado de Diogo Mateus em época de Natal é a colocação das fogueiras no Cardal. São um ponto de encontro para os mais velhos e para os mais novos, tornam-se uma fonte de calor par lá da chama. 
Este ano a época natalícia foi quase tropical, com dias em que a temperatura bateu nos 20 graus. Quer isso dizer que não faziam grande falta, as fogueiras, pelo menos durante o dia.
Acontece que, mal encerram as festividades, o clima mudou. É Janeiro e está um frio de rachar, como diz a canção. Mas as fogueiras apagaram-se mal o dia de Reis se finou, justamente no momento em que eram precisas. 
A política do enfeite é isto: fazer por fazer, cumprir calendário. Os velhos procuram agora um lugar ao sol, no Cardal que enchem. Outros passeiam-se o dia todo no Pombus, para se manterem quentes. Do lado de lá, no Convento, o calor dos gabinetes não deixa perceber a vida cá fora. Foi ali que se falou em calor humano?

29 de dezembro de 2018

O bom cristão e as luzes de Natal



A decoração de Natal deste ano - a iluminação das ruas, entenda-se - é qualquer coisa de deprimente, concordamos todos. O poder autárquico trata-nos assim como uma espécie de parentes afastados, a quem recebe em casa sem empenho nem agrado, literalmente a cumprir os mínimos, porque tem de ser. 
Pelas justificações que Diogo Mateus deu aos deputados municipais do PS (que o questionaram na Assembleia Municipal) o registo é ao estilo "para quem é bacalhau basta". Ficámos todos sem perceber qual foi a razão, afinal, para tamanha pobreza. O presidente - sempre politicamente hábil e com a sorte de defrontar uma oposição frouxa - não responde, não justifica, e opta pelo ataque como forma de defesa, perguntando os deputados qual é que acham que seria o valor razoável para gastar em luzes de natal. Para quem se arroga tão bom gestor, fica-lhe mal ir por aí. 
O problema, senhor presidente, é de forma e de conteúdo. Não é só a quantidade de luzes que Pombal (não) teve este ano. É o refugo que pagamos como tal. É uma questão de gosto, de brio na cidade. Mas lá voltamos ao mesmo: quem não vive a terra está-se marimbando para isso. Quem pega nos filhos e vai a outras cidades passear e fazer compras, mostrar-lhes outras coisas, deve achar que isto está bom assim. Depois embrulhamos isso tudo com um discurso de "calor humano" com as actividades na tenda do jardim, e está feita a quadra.
D. Diogo - que nos últimos anos está feito um beato - atirou então com o argumento da religião. Como se não soubesse que o Natal começou por ser uma festa pagã, como se os valores apregoados pela (sua) Igreja não fossem de acolher os outros, ou como se quem não vai à missa bater com a mão no peito não tivesse direito a circular nas ruas, a entrar no comércio, a comprar presentes,  participar do Natal. 
Mas nestas alturas há uma razão que lhe assiste: se os elementos da oposição participassem nas actividades, no programa que tanto podia ser feito agora como na Páscoa ou noutra época qualquer, mas que serviu para o Natal na Cidade - poderiam responder-lhe à letra, e dizer-lhe que merecíamos mais. Ou não. Se calhar cada povo tem aquilo que merece. 

28 de novembro de 2018

Quem cair, que (a)tire a primeira pedra


Era moderno, era a regeneração urbana que ia revolucionar a zona história e potenciar o comércio, era a negação da calçada portuguesa e era, sobretudo, a surdez do poder político aos avisos lançados por aqui. Falámos do projecto a primeira vez há 8 anos, neste post do João Melo Alvim. E há seis também.  E muitas outras vezes depois disso. Sobre o tipo de piso, são muitos os posts em arquivo a propósito das "cardaleiras", como ficaram conhecidas.
Agora desafiamos os nossos leitores a encontrarem designação para as ratoeiras que todos os dias fazem cair cidadãos, sobretudo na Rua Capitão Tavares Dias. Voltamos ao mesmo: se os nossos autarcas caminhassem pela cidade, já tinham percebido o estado em que está. Se vissem para lá da passadeira entre a Câmara e o Nicola, não enchiam a boca com termos ao estilo "regeneração urbana". E se batessem com os joelhos no chão, como ainda ontem aconteceu a duas pessoas, nestas pedras partidas, levantadas ou soltas, talvez tivessem noção do perigo que ali está.
Até lá, continuem a passear-se no Cardal.