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19 de janeiro de 2019

Conversa harmoniosa

A última reunião do executivo foi um deleite para as almas doces. Se o Eng.º Narciso também tivesse adoecido, a coisa teria sido uma conversa de anjos.
A doutora Odete, de forma sucinta e no seu registo mui cordato, interpelou o nosso presidente - lançou as deixas - sobre temáticas que são do agrado de qualquer bom-cristão.
O senhor presidente aproveitou muito bem as deixas da doutora Odete para, ao longo de 46 minutos (!), de 46 minutos (!), dar nota da sua frutuosa reunião com secretário de estado, sobre o processo de delegação de competências, onde, no seu dizer, alardeou as virtualidades da (sua) gestão municipal; o que lhe possibilitou exibir, ali, os seus talentos jurídicos e a sua retórica mui substantiva (palavras suas). Enfim: fez política ao longo daquela eternidade, tendo ainda a lata de intercalar os apartes “agora vou fazer um comentário político”. Embalado como estava, mostrou-nos a sua desconhecia face bondosa: informou-nos que já ofereceu, e pode oferecer, carros de lenha aos pobres.
O nosso presidente esteve soberbo. Satisfeito, consentiu que a cereja no topo do bolo fosse colocada pela vereadora Ana, que o fez com a simpatia e a doçura que a caracterizam.


22 de dezembro de 2018

A velha história de ir à procura de lã

…e vir de lá tosquiado. Foi isso precisamente que aconteceu à doutora Ofélia. Criticou duramente a excessiva concentração de poder no presidente da câmara e a sua postura anti-democrática nas reuniões do executivo, mas – e o mas aqui tem muita força -, falta-lhe legitimidade para o fazer (tal como à esmagadora maioria dos membros do movimento). O presidente deu-lhe... E ainda aproveitou a ocasião para verguestar o colega do lado; que, dorido ou com sede, saiu mais cedo.

Conversa de surdos

As sessões da assembleia municipal (AM) são longuíssimas conversas de surdos, onde uns falam para se ouvir e outros nem isso – vociferam simplesmente. Que os apoiantes do poder não queiram discutir os problemas do concelho, percebe-se; o que não se percebe é que a oposição também não o queira fazer (bem sabemos que não basta querer!), que não aproveite os poucos palcos de que dispõe para se diferenciar e afirmar.
Que a maioria provoque a discussão de questões de âmbito nacional, com moções e recomendações inócuas, com o intuito de encobrir a realidade local, aceita-se; faz o seu papel: sabe que está a ganhar, limita-se a atirar a bola para a bancada. Mas que a oposição entre no jogo, com a mesma táctica e artifícios, roça a insanidade.
Politicamente, as sessões da AM resumem-se ao período de antes-da-ordem-do-dia. O resto, que deveria ser o essencial, são formalismos e votações. O regimento atribui uma hora para período de antes-da-ordem-do-dia, mas na última sessão prolongou-se por quatro horas (!), por via das tais moções e recomendações inócuas e da sempre presente chicana política. Depois, cansados e desnudados de ideias e argumentos, os membros da assembleia aprovam de rajada os vinte e tal pontos da agenda – as verdadeiras matérias da governação da câmara e da vida do concelho – sem análise, sem discussão, sem contraditório ou reparos significativos. Irresponsabilidade. Reafirmo: percebe-se que a bancada da maioria aja assim (confia no executivo, no seu trabalho); não se percebe (ou percebe!) que a oposição se demita de fiscalizar a governação, que passe cheques-em-branco a (quase) tudo. É uma irresponsabilidade que pagam com língua-de-palmo, mais tarde, quando tentam criticar uma ou outra medida do executivo, e este lhes relembra que foi aprovada por unanimidade.
Na reunião de Dezembro - a mais importante - são discutidas e votadas as GOP e o Orçamento. A oposição votou contra - apesar de tudo uma evolução! -; mas não acrescentou nada ao debate. O NMPH e o PS limitaram-se a justificar a opção com uma intervenção retórica, sem qualquer substância; o CDS e o BE nem isso – confrangedor.
Assim, a oposição não se credibiliza; nunca será alternativa.

13 de novembro de 2018

A propósito da educação altruísta

Desde que o bom-cristão Guterres enunciou a sua paixão pela Educação, e fez dela o seu grande desígnio político, qualquer aprendiz de político encontrou ali caminho para percorrer, e assunto para poder debitar banalidades. A praça, por cá, está cheia deles. Esgadanham-se para dizer a banalidade maior, com os termos que melhor a emproem.
Um bom-cristão local, em tirocínio para político, veio-nos apregoar a educação altruísta – suponho que ele queria dizer educação cristã, mas teve receio do dizer.
A moral altruística não peca somente contra o bom gosto e a elevação, é um incitamento aos pecados da omissão e do amadorismo, uma sedução a mais sob a máscara da generosidade(zinha).

19 de outubro de 2018

O “novo” PS morreu

O “novo” PS – anunciado pelos actuais dirigentes – morreu à nascença. Pode-se afirmá-lo, com aquela verdade que não precisa de flores para se saber que está morta. A demissão de Aníbal Cardona (ideólogo do “novo” PS) foi só a confirmação do desfecho que a debandada de dirigentes e representantes nos órgãos autárquicos já anunciava.
Este PS não tem nada de novo – para além do slogan – e não tem futuro – como o slogan prometia. É o velho PS com a mesma roupa: sem liderança, sem estratégia, sem discurso político, sem pessoas (bases). Pior: sem uma ideia sequer do que deve ser e do que quer para o concelho (sobre qualquer das funções nucleares da administração municipal). O partido não tem massa crítica para fazer oposição política - não dispõe das competências necessárias para o fazer. O pouco que faz é sem razão, vive demasiado à parte para ter razões pró ou contra tal coisa.
Os dirigentes do PS não podem continuar a enganar-se e a enganar os militantes e os pombalenses que ainda acreditam. O partido por e simplesmente não existe como força política. É um organismo sem vida; corroído até ao tutano pela intriga, mesquinhez e inimizade; incapaz e impotente; movido unicamente pelo ciúme e indolência; resignado ao non far niente; preso de pés e de cabeça desligada; onde nada medra e tudo definha. A gravidade maior é que os seus crónicos dirigentes não têm sequer consciência disto…
O partido foi afastando ou escorraçando os quadros com valor político (pensamento próprio, sentido crítico, capacidade política), hostilizando-os tanto mais afincadamente quanto mais méritos têm. Resume-se actualmente a meia-dúzia de criaturas que acreditam sem acreditar, e outras tantas almas penadas que se assaparam à estrutura por oportunismo ou inveja pueril. Há muito que o partido perdeu o amor-próprio, e se foi transformado num covil de desgostos e desgraças onde todos submergem.
O partido precisa urgentemente que alguém desligue a luz por uns tempos, para que, cada um na solidão consigo próprio e depois todos em conjunto, façam uma catarse que expurgue maldades e ódios de estimação. Só assim se pode refundar localmente uma estrutura que já foi triunfadora, que a nível nacional goza de simpatia e liderança invejáveis, mas aqui entrou numa espiral de destruição que conduziu à agonia interminável.

21 de agosto de 2018

Dúvida


Os jotas, e muitos graúdos, cá do burgo andaram empenhadíssimos na candidatura do fugaz Santana Lopes à liderança do PPD/PSD. No entanto, Santana Lopes perdeu as eleições; e vai daí, resolveu fundar um novo partido.
Os acérrimos apoiantes locais tinham algum alinhamento ideológico com Santana Lopes ou apoiaram-no por simples opção carreirista?
Duvida a esclarecer nos próximos meses.

7 de maio de 2018

Trapalhadas nas eleições no PSD



As eleições para os órgãos concelhios dos partidos - salvo raras excepções - são uma farsa. Limitam-se a um ritual de substituição de um “controleiro” por outro, que se revezam; ou, noutra variante, um testa-de-ferro reserva o lugar para o “controleiro” que já atingiu o limite de mandatos.
As eleições no PSD local, que decorreram sexta-feira passada, seguiram o guião normal. De novo só as trapalhadas: primeiro, com o Manel a fazer-se anunciar presidente antes de o ser; segundo, com este a anunciar publicamente uma lista sem ter obtido a aceitação de todos os candidatos.
Começa mal, o Manel. Fica mais descansado o “controleiro”.

PS: já agora: quem foi eleito para a Mesa do Plenário? E os resultados!? A malta está curiosa...

4 de maio de 2018

O extraordinário combate ao desemprego



É assinalável o esforço que o executivo municipal está a desenvolver no combate ao desemprego. Ontem mesmo ficámos a saber da contratação de um presidente da junta derrotado nas últimas eleições, que já assina mails em nome do Município de Pombal - mesmo antes da contratação. Isto sim, é serviço: atribuir um telemóvel e um endereço de e-mail a um futuro funcionário que ainda não o é. 
No seu primeiro mandato, Diogo Mateus quis cortar com o registo "...senão ajudarmos os nossos" e manteve-se firme e hirto no bloqueio à cunha e ao tacho. Mas parece estar a perder esse filtro. O que dizer, por exemplo, da ex-vereadora que (naturalmente com mérito) ficou à frente de umas quantas dezenas de candidatas ao cargo de psicóloga na Comissão Social de Freguesia que servirá Carriço, Louriçal e Almagreira? E cujo lugar de assistente social já estará reservado para quando outra destacada militante do PSD ficar sem trabalho, ao fim de certo projecto? Ou ainda da secretária que vem a caminho (de um concelho vizinho) para apoiar certa vereadora?
Às vezes compreendo os jovens que se deixam seduzir pelo canto da sereia da jota. E lembro-me daquele anúncio de antigamente: "jovens, se tens 18 anos, vem para a GNR". Agora troquem por JSD. E vamos verificar quantos jovens ligados a outros partidos têm tido oportunidades nesse grande empregador que é o município. O primeiro a acertar ganha uma viagem à feira medieval.
 

6 de abril de 2018

Guia prático para utilizadores da Assembleia Municipal



foto: Diário de Leiria

Reúne amanhã o órgão máximo do município, num ambiente propício a uma boa discussão política. Senão vejamos:
1. O PSD está sem liderança desde há duas semanas (Pedro Pimpão despediu-se do mandato no facebook), pelo que a reunião da AM será não apenas um teste como um palco para o novo líder, que há-de ser eleito em Maio, "quando o sangue novo atiça" - lá dizia o poeta. 
1.1. Espera-se uma entrada em pleno de José Gomes Fernandes.
1.2. É reservar lugar para assistir a esse desfile de líderes-de-bancada na primeira fila. Juntar João Coucelo e JGF do mesmo lado da barricada tem tudo para correr bem.


2. O PS está motivadíssimo depois do "congresso histórico", pelo que os quatro magníficos (alô dr. Célio, é amanhã. Se não puder avise. Não faça essa desfeita a quem o convidou com tanto empenho) deverão levar preparado um naipe de intervenções políticas como a ocasião merece. 


3. Do CDS e do PP esperam-se intervenções várias.
a) Henrique Falcão estará a elencar o conjunto de elogios possíveis ao executivo.
b) Ricardo Ferreira (ou Pedro Pinto) estarão a fazer todo um trabalho de casa. Apostamos em como o tema das florestas e das responsabilidades que o município não assumiu virão à baila? E bombeiros...a talho de foice.


4. O NMPH...pois o NMPH é um problema. Assumir o papel de oposição é tão estimulante como comprometedor. Com a ausência anunciada de Manuel Barros (as melhoras, daqui lhe desejamos) vamos ver quantos galos cabem naquele poleiro.


5. Finalmente, o Bloco de Esquerda. É exótico achar piada às propostas do BE. Mas desde que uma única deputada conseguiu fazer aprovar uma medida - não obstante a ameaça por parte de certo dirigente do PSD de que isso nunca mais aconteceria - que a maioria tem cautelas e caldos de galinha. Mas não lhe basta. A presidente-em-modo-secretária viu-se obrigada a enviar duas versões da ordem de trabalhos aos deputados, pois que insistia em deixar de fora as quatro propostas adiadas na última sessão. Vamos ver que bancadas têm coragem de denunciar que o rei vai nu, que não é o presidente da Câmara que decide o que a presidente da AM deve ou não incluir na agenda. Não é bom para ninguém, nem sequer para a auto-estima da senhora. Para a democracia, pois.

16 de fevereiro de 2018

PS

O PS (local) continua sem norte e sem liderança. Em assuntos fundamentais aprova no executivo; e reprova na AM. Há muito que deixou de ser um partido respeitado - levado a sério. Está condenado a disputar a liga dos últimos, para onde já foi atirado nas últimas eleições.
Os seus dirigentes andam (todos) muito empenhados nas eleições para a federação; sabem que aqui dificilmente terão futuro.
Valha-lhes a Nossa Senhora da Boa Morte.

13 de janeiro de 2018

Pombal não é Portugal

Rui Rio ganhou a Santana Lopes. Sinal de que há ainda algum bom-senso no PPD. 
Mas custa a acreditar que tanto militante, e tanto político profissional, escolha Santana Lopes para candidato a primeiro-ministro.
Portugal ainda é muito diferente de Pombal. E Pombal continua a ser o que é.

29 de dezembro de 2017

O CDS está em total simbiose com o poder


Não tendo encontrado nenhuma ilegalidade nas GOP e Orçamento, deslumbrados com a visão sobre a nova Interface de Transportes e em total sintonia com o executivo mesmo desconhecendo o projecto do novo pavilhão multi-usos e da nova piscina descoberta, o CDS votou favoravelmente as GOP e o Orçamento e endereça os parabéns ao executivo.
O partido dos 3% está conformado e rendido! Ao menos são claros…não procuram enganar ninguém.

13 de dezembro de 2017

A esquerda tem futuro em Pombal




Existe uma opinião generalizada de que a dicotomia esquerda/direita não faz hoje qualquer sentido. Eu defendo uma opinião radicalmente diferente. Não só afirmo que essa dicotomia continua a fazer todo o sentido, como acho que é hoje mais útil do que sempre foi. Para se poder perceber a minha posição e o sentido da resposta que pretendo dar no final, tenho que discorrer um pouco sobre aspectos mais conceptuais. A minha visão sobre esses aspectos não será, obviamente, neutra. É uma visão comprometida com os valores políticos que assumo. 

1. Por onde começar?

Desde a Revolução Francesa e até ao final da década de 80 do século passado, coexistiram na opinião pública duas formas de conceber o destino histórico da humanidade. Por um lado, o liberalismo, como a continuação de algo profundamente enraizado na história, que defende a propriedade privada como o aspecto central da organização social. Por outro lado, algo de novo, que foi chamado de socialismo (ou anarquismo, ou comunismo) e que advoga uma rotura com a narrativa histórica liberal, colocando em primeiro plano questões como a igualdade e o bem comum.

Hoje são poucos os que defendem a idea de que existe uma alternativa ao liberalismo. A esse propósito ficaram célebres as palavras de Margaret Tatcher: "There is no alternative", a famosa TINA. Mas é importante referir que o slogan não afirma, categoricamente, que o liberalismo é uma boa solução. O argumento é: pode não ser bom mas é a única possibilidade real.

2. Quais os efeitos a nível político?

A visão totalitarista subjacente à tese do fim da história não é apanágio da direita liberal. As trágicas experiências políticas do século XX, protagonizadas tanto pela esquerda como da direita, foram construídas com argumentos que advogavam o fim da política, a extinção dos partidos políticos e da própria ideia de oposição. Mas foi a direita quem melhor fez a leitura desses totalitarismos; a esquerda demitiu-se de fazer o seu balanço crítico. Ao incorporar no seu discurso os valores tradicionais da esquerda, a direita consegui fortalecer a convicção de que a democracia liberal representa a fórmula da melhor sociedade possível, pelo que não podemos fazer mais nada do tentar torna-la um pouco mais justa, um pouco mais tolerante.  

Mas, se isto é verdade, porque é que continua a haver tanta gente a insistir, contra toda a lógica aparente, numa utopia alternativa? A verdade é que nunca como hoje a regra do 80/20 de Pareto foi tão ajustada para descrever a vida social: 80% dos lucros são produzidos por 20% dos empregados; 80% da terra está na posse de 20% da população; 80% dos links estão conduzem a 20% de páginas web. E um sistema que torna 80% da sua população descartável, inútil, não será, ele próprio, igualmente descartável e inútil?

O liberalismo impôs uma relação assimétrica de valores: o que é bom para Wall Street é bom para Maine Street, mas o que é bom para Main Street não é necessariamente bom para Wall Street. Por outras palavras, Wall Street pode prosperar mesmo que Maine Street definhe, mas o contrário não é verdadeiro.  Esta assimetria tem como consequência um enorme descontentamento da população. Fazendo-nos crer que somos totalmente impotentes para mudar o status quo, instalou-se um sentimento de apatia face à democracia e de total desprezo pelas instituições democráticas. 

Paradoxalmente (ou não) foi a direita, mais uma vez, quem capitalizou estes descontentamentos. O surgimento de uma direita populista, fundamentalista, é disso a prova mais evidente. A escolha de líderes populistas, que fundamentam o seu discurso no medo e na desconfiança em relação ao outro, é uma reacção contra uma falha real do liberalismo. Ao alegar o fim da história, ao eliminar o sonho utópico de percurso alternativos, o liberalismo deixa terreno fértil à demagogia, ao populismo. 

3. O que fazer?   

Fazendo minhas as palavras de Rui Tavares, "talvez o maior legado moral das tragédias do século XX seja a obrigação partilhada, na esquerda e na direita, de combater esta visão do fim da política. (...) Quem proclama a superação das distinções política, partidárias ou de opinião, fá-lo, muitas vezes num quadro mental povoado por objetivos supostamente indiscutíveis: a eficácia, a competência, a pontualidade, a produtividade, etc. Contudo, ao fazê-lo, esquecem-se que estes valores são apenas prezáveis num quadro de princípios, valores e ideais. (...) Estes argumentos são perigosos porque, ao escolherem critérios indiscutíveis, imediatamente esvaziam a discussão e com ela a persuasão que fazem de nós humanos. São perigosos porque, no fundo, substituem a democracia pela demagogia."

Vale a pena regressar a um discurso ideológico. A esquerda para se afirmar, terá que ter claros os seus princípios fundamentais. O que nos é cometido como tarefa, como homens e mulheres de esquerda, é o ajudar a que se desenhe uma ideia forte, comprometedora que dê sentido ao ser de esquerda. Vale a pena lembrar que tudo o que hoje caracteriza a democracia liberal - desde o sufrágio universal à liberdade de imprensa - foi conquistado através de longas e difíceis lutas de classes. 

A utopia de esquerda só faz sentido num quadro de antagonismos reais que dão a essa ideia uma urgência prática. A identificação desses antagonismos é o que nos pode conduzir a uma estratégia alternativa. A esquerda tem protagonizado novos protestos, novas mobilizações, novas preocupações ecológicas. Não faltam formas de resistência ou protesto, mas é clara a ausência de alternativa. O que conta na acção política é a afirmação. A negação é necessária mas não permite a construção de uma alternativa credível.

É urgente que a esquerda recupere a sua matriz identitária e afirme, sem medo, as suas convicções. Tem também a obrigação de criar uma verdadeira contradição à visão liberal de direita. Se acreditarmos em soluções novas, temos obrigação de lutar por elas mesmo correndo o risco de falhar. De certa forma, temos que estar disponíveis para aceitar o aforismo de Samuel Beckett: Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor

4. A esquerda tem futuro em Pombal?

Em Pombal - e no país - vivemos a mistificação de termos um partido socialista e um partido social democrata que não o são. Esta mistificação faz com que o seu discurso não se adeque à prática. A prática do PSD é, sobretudo depois do advento da crise, claramente liberal, conservadora, enquanto a do PS sempre foi social democrata. Enredados nesta contradição, a acção de ambos os partidos pouco difere. Provavelmente um é mais conservador, outro mais reformista, mas estão fundamentalmente de acordo quanto ao essencial. O eixo de actuação de ambos consiste na gestão eficaz do sistema neoliberal.

Pombal precisa de uma esquerda corajosa, culta, alternativa. Uma esquerda que se paute mais pela acção e menos pelo discurso. Uma esquerda que se saiba unir naquilo que tem de mais fundamental, evitando guerras fratricidas que apenas servem os interesses partidários mais mesquinhos. Mas, para isso, há definir uma verdadeira alternativa ao PSD e, sejamos honestos, o PS não tem cumprido a sua obrigação.

Se não apresentarmos uma verdadeira alternativa aos pombalenses, porquê mudar? A defesa de causas fracturantes é muito importante mas não pode ser tudo o que a esquerda tem a apresentar. Temos que ser capazes de apresentar uma política económica e social credível. E, em Pombal, temos muitos argumentos que a podem sustentar: a questão dos baldios; a defesa da agricultura familiar e da floresta; a promoção dos mercados municipais; a luta para por fim à precariedade na autarquia; o criar mecanismos para combater a especulação imobiliária; o incentivo à fixação de empresas que tragam valor acrescentado para o concelho. 

Também não podemos passar o dia a arranjar justificações para nos afastarmos do povo. As populações têm que se sentir engajadas com as decisões políticas. "O que deve ser feito" em abstracto não compromete; o que compromete é "o que vamos fazer". Há que aproximar os cidadãos dos centros de decisão, incentivar a participação dos munícipes em fóruns promovidos pela autarquia onde se debatam (e decidam) os reais problemas do concelho. É preferível um povo que possa errar do que um tecnocrata que nunca admite que erra.

A esquerda tem que enfrentar os interesses instalados, lutar por uma educação inclusiva, uma cultura emancipatória, defender a causa pública, dignificar a condições de vida na terceira idade, acabar com o clientelismo e a perpetuação de uma casta política. As justas reivindicações das populações têm que ser satisfeitas como direitos e não apenas sob a forma de permissões. Um direito dá acesso ao exercício de um poder, à custa de um outro poder. Uma permissão não diminui o poder de quem o concede e não aumenta o poder de quem a obtém. E direitos é tudo aquilo que o PSD não tem dado em Pombal.

Não tenho a pretensão de afirmar que podemos mudar o mundo agindo apenas localmente. Mas temos obrigação de contribuir para isso. Precisamos de acreditar na capacidade política, de ter confiança no futuro e no outro. Há que mobilizar afectos por forma a eliminar um certo clima de desconfiança, de medo, dando lugar a um ambiente mais optimista. É preciso incentivar uma certa disciplina de artista, de investigador (e não só de empresário e empreendedor), que nos faça procurar, com confiança, o que não existe, o que ainda não foi inventado. 

Eu assumo a visão optimista de esquerda e, por isso mesmo, afirmo com toda a convicção: a esquerda tem futuro em Pombal.

12 de dezembro de 2017

A Esquerda tem futuro em Pombal?

A resposta à provocadora e polémica questão exige que se fixem os termos da mesma: o que é “Esquerda” e o que é (ter) “futuro”. Aceite-se, por ser o mais consensual, que a Esquerda é composta pelas forças (PS, BE e PCP) à esquerda do PSD (poder em Pombal) e o “futuro” se pode e deve dividir em três estágios: curto prazo (1 mandato, 4 anos); médio prazo (2 mandatos, 8 anos) e longo prazo (3 ou mais mandatos, ≥ 12 anos).
Para responder à questão, convém seguir a cartilha marxista para caracterizar a realidade objectiva em que a dita “Esquerda” está mergulhada.
No que se refere à envolvente externa o ambiente é adverso e hostil:
- O eleitor é cada vez mais instruído e culto, por isso mais exigente;
- A gestão autárquica tornou-se mais exigente, complexa e interdependente;
- O PSD domina de forma esmagadora as instâncias políticas e controla a generalidade das forças vivas da comunidade;
- O PSD possui competências políticas e autárquicas relevantes;
- O surgimento do movimento NMPH foi/é uma forte ameaça para a “Esquerda”.
Por outro lado, as forças de Esquerda estão numa situação frágil:
- Fraca representação política, no seu conjunto e cada um per si (PS:12%; Esquerda <20%);
- Diminuta presença e influência nas forças vivas da comunidade.
Neste contexto, a Esquerda está enfraquecida e reduzida à insignificância política; tanto ao nível político como ao nível social, contrariamente ao que sucede a nível nacional. A Esquerda, por erros e deméritos próprios (e também pelos mérito do PSD), caiu num fosso profundo do qual dificilmente sairá, no curto ou médio prazo, porque não tem massa crítica para o fazer. Para ter futuro, a Esquerda tem que poder, saber e querer competir com o poder instalado. Mas para isso, tem que renascer: abandonar a política do enfeite - da postura decorativa, colaborativa, conciliadora, bem comportada - e não esperar sentada por um futuro risonho que nunca atingirá sem esforço e risco. Tem que se convencer que antes de ser poder tem que ser contrapoder; tem que condicionar e influenciar as políticas locais, marcar a agenda política e mediática, ir ganhando competências, reconhecimento e credibilidade; e, desta forma, começar a aparecer como alternativa.
Para fazer contrapoder, de forma eficaz, bastam dois recursos: massa cinzenta e coragem – atributos raros. E seguir um aforismo com mais de quatro séculos, mas cada vez mais válido: “o silêncio só é virtude em língua defumada ou em virgem que não quer ser conquistada".

17 de julho de 2017

Quo vadis PS?

Com o governo em alta nos estudos de opinião, a economia a crescer em força e a confiança das famílias no valor mais alto deste século; o PS teria tudo para fazer um grande resultado nas eleições autárquicas. Em Leiria não o terá, provavelmente. Não são necessários estudos de opinião ou recolher o sentimento das populações para o afirmar; basta falar com os dirigentes do partido no distrito - é raro encontrar um que acredite num bom resultado, mesmo entre os que são candidatos.
Se exceptuarmos Leiria, Marinha Grande e Nazaré - onde o partido está a trabalhar bem e ganhará as eleições (Marinha Grande será difícil) -, a noite de 1 de Outubro não trará boas noticias para os militantes e apoiantes, no distrito. Seria conveniente que os dirigentes e militantes tivessem consciência que o partido, se não crescer nestas eleições (onde beneficia de uma conjuntura geral muito favorável), terá, nos próximos anos, um futuro sombrio na esmagadora maioria dos concelhos do distrito. Mas tão importante como perspectivar este cinzento cenário, é perceber as causas internas do provável falhanço e corrigir o que ainda for corrigível.
O partido - na federação e na esmagadora maioria das concelhias - não tem estratégia, não tem discurso nem coordenação mínima. Actua de forma desgarrada, atabalhoada e simplista; queima etapas, pessoas e imagem; faz más escolhas sem necessidade, vezes demais. Só assim, com tanto erro, é possível levar uma "chapelada" do adversário (PSD) mais enfraquecido que o partido alguma vez enfrentou.

PS: No norte do distrito o desenlace estava traçado, mas a tragédia recente introduziu grande incerteza que pode beneficiar o PS.

11 de julho de 2017

Mostrem lá o que valem, senhores deputados!


Passaram três semanas desde que o inferno de chamas consumiu terras e vidas nos concelhos do norte do distrito de Leiria. Reina uma desinformação nas redes sociais - onde cada um publica o que quer e se arma em repórter da desgraça e da caridade, como o mostram algumas páginas e vídeos por aí. Mas reina também uma descoordenação preocupante entre entidades e instituições diversas daquele território, há tanto abandonado. Até ao fatídico 17 de Junho, só quem lá ia tinha a percepção das ruínas da indústria, do isolamento e da pobreza que o marcavam. O fogo serviu (infelizmente) para mostrar ao país e ao mundo as fragilidades daquelas terras, que interessam pouco ao poder político porque representam uma agulha no palheiro das eleições. Cada um daqueles três concelhos tem menos eleitores que algumas freguesias do concelho de Pombal. Mas cada um deles é parte do país, contribui para ele e para o sustento da coisa pública. Portanto, aqui fica um lembrete aos senhores deputados eleitos por Leiria, que é como quem diz  eleitos (também) por aquelas pessoas que - efectivamente - estão a precisar muito de apoio, e não é só de beijos e visitas presidenciais: vão lá. Percebam o que está a falhar. Usem os vossos poderes e deveres para questionar, para agilizar, para pressionar o tempo e o modo de ajuda àquele povo. Ir de férias, senhor Primeiro-Ministro, ainda em rescaldo da catástrofe? Não. Instituições que lançam apelos desenfreados para recolhas massivas e agora lavam as mãos? Não. O voluntariado é muito lindo, é preciso, mas é ao Estado que compete assegurar a restituição das condições de vida daquela gente. E isso, garanto-vos, está muito longe de acontecer.

#Teresa Morais (PSD)
#Pedro Pimpao (PSD)
#Margarida Balseiro Lopes (PSD)
#José António Silva (PSD)
#Feliciano Barreiras Duarte (PSD)
#Assunção Cristas (CDS)
#António Sales (PS)
#Odete João (PS)
#José Miguel Medeiros (PS)
#Heitor de Sousa (BE)

12 de fevereiro de 2017

Dissemelhanças

O PSD local sofre de dores de enfartamento, provocado pelo excesso de candidatos - tem três em campanha.

A oposição faz dieta - faz da inexistência modo de vida - e espera que o adversário pereça do enfartamento. 

22 de outubro de 2016

Partido

Os partidos são como a pescada: antes de o serem já o eram. Uns escondem-no, outros assumem-no. Nisto, o PPD/PSD é exemplar, e expressa-o bem.
O PPD/PSD local está partido. Nas próximas eleições autárquicas vai ter dois candidatos: Diogo Mateus pelo Partido e Narciso Mota como independente. Mas a divisão das hostes é tão profunda que se justificava que fosse um pelo PPD e outro pelo PSD.  

No fundo, a surpresa nem é tanto a divisão (natural), mas a forma dissimulada e determinada como se está a processar; o persistente jogo duplo de dirigentes e autarcas, que subscrevem um candidato e trabalham para outro. Por este andar, os resultados eleitorais vão ser uma caixinha de surpresas. 
É a política...

30 de julho de 2016

O mundo ao contrário…

Afirmação (deixa) do jornalista: há quem afirme que está a gerir o município sem oposição…
D. Diogo: “Eu não sei se a forma de fazer oposição tem de ser comparada com aquela que era feita a alguns anos. Admito que, quer o exercício do poder, quer a forma coma a oposição é feita, desenvolve-se de forma diferente.”…
O jornalista: Fica satisfeito ao ouvir elogios por parte da oposição?
D. Diogo: Fico satisfeito. É simpático. Mas dá também muito mais responsabilidade, porque significa confiança e, também da parte das equipas, uma capacidade de resposta que não defraude.”…
D. Diogo, amigo, a oposição está contigo. O partido é que não!
In PombalJornal