"E na epiderme de cada facto contemporâneo cravaremos uma farpa: apenas a porção de ferro estritamente indispensável para deixar pendente um sinal."
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26 de agosto de 2020
5 de julho de 2020
Querer ou não querer, eis a questão
O Pedro tem muitas qualidades e alguns defeitos. O Henrique, a Odete, o António, a Célia, o Fernando e a Liliana também. A diferença é que o Pedro quer ser presidente da Câmara e o Henrique, a Odete, o António, a Célia, o Fernando e a Liliana não. Quando chegar a hora, o Pedro irá ser o justo vencedor e o Henrique, a Odete, o António, a Célia, o Luís e a Liliana não irão perceber. Bem... a não ser que tudo isto seja uma enorme farsa e o Pedro se revele como mero lacaio de um amo superior.
3 de julho de 2020
Sermão de D. Diogo aos ignorantes
Diogo Mateus esmerou-se particularmente na última reunião da Assembleia Municipal, no que toca a distribuir roda de ignorância ao povo, neste caso a quem ali o representa.
A maneira altiva e petulante como responde a perguntas ou intervenções que não tragam chancela de sangue-azul ou cor de laranja, revela - essa sim - uma extrema ignorância.
Se nos anos que passou a fazer cursos, tivesse despendido algum do seu tempo (até podia ser com o nosso dinheiro, na mesma) a frequentar um que fosse em comunicação, talvez lhe tivesse sido bem mais útil do que a auditoria de segurança interna.
Porque há valores que, numa balança, pesam mais do que os botões de punho.
19 de junho de 2020
O general no seu labirinto
Diogo Mateus ficou hoje sem as competências delegadas pelo executivo no início do mandato, o quer quer dizer - na prática - que a partir de agora só faz aquilo que a oposição quiser. Porque a prepotência e arrogância com que vem exercendo o cargo, nos últimos tempos, deixou-o neste estado: em minoria. Logo ele, que foi treinado desde miúdo para ser presidente da Câmara. Que foi o quadro político melhor preparado para ocupar o cargo - pois que durante mais de 20 anos não fez outra coisa que adquirir experiência pública, conhecimento técnico no domínio autárquico, e que teve o partido a seus pés.
O que hoje aconteceu na reunião de Câmara (o vídeo está disponível aqui) é o perfeito exemplo de como um homem de cabeça perdida pode dar cabo de uma carreira. Neste caso é política, mas também quer dizer profissional, porque esta é a profissão de Diogo.
Já aqui escrevi mais do que uma vez o meu estado de espírito quanto à liderança dele, em Pombal: é esperar 20 anos que o vento mude, e quando ele finalmente muda...levar com ele na cara, e perceber que era tudo um engano. Que não havia nenhuma página para virar (muito menos o livro, como ele me disse na ocasião), o que foi visível desde cedo: primeiro nas equipas, depois nos quadros que escolheu, nos projectos que não fez, na estratégia que, afinal, não tinha para Pombal. Nos últimos tempos, foi pior. Porque as obras em catadupa no espaço público dão a ideia de que não quer deixar aqui pedra sobre pedra, como se estivesse obcecado por deixar a sua marca urbanística em cada jardim, em cada praça, sem se importar se é isso que as pessoas querem. Como se as eleições que lhe deram maioria legitimassem tudo, como se valesse tudo. Como fiz questão de lhe dizer na apresentação do projecto da Várzea, esta semana, não me interessa se pensa ir-se embora daqui amanhã ou depois. Mas interessa-se, isso sim, que a terra que escolhi para viver e onde os meus filhos cresceram (sem um metro do tal parque verde, que nunca chegou) seja mais do um amontoado de praças empedradas com aversão à terra, às árvores, ao verde.
De maneira que, numa primeira fase, uma pessoa até se divertia com esta implosão interna a acontecer no PSD, aquele partido todo-poderoso que sempre gostou de ridicularizar os outros nas reuniões de Câmara, da Assembleia Municipal, nas Assembleias de Freguesia. Mas agora que nos caiu a ficha, não deixa de ser degradante e decadente o que nos está a acontecer, no espectro público.
Diogo Mateus tinha obrigação de ter acautelado este estado de sítio, antes de retirar pelouros a Pedro Brilhante a Ana Gonçalves. Como já aqui disse o Adelino Malho em post anterior, ele tem qualidades. Já quanto aos princípios e valores, tenho dúvidas. Quando misturamos assuntos pessoais com a actividade profissional, raramente corre bem. Ou como diz o povo: onde se ganha o pão não se come a carne. Muito menos se o cenário for o domínio público.
PS: Desde que o requerimento (assinado por Michael António, Narciso Mota, Odete Alves, Ana Gonçalves e Pedro Brilhante) deu entrada nos serviços que Diogo Mateus agilizou pressões: primeiro junto do partido, exigindo solidariedade política e retirada de confiança aos vereadores a quem avocou pelouros (ameaçando avançar ele próprio para a concelhia); depois pediu a um peão do partido que tentasse convencer Ana Gonçalves a voltar atrás. Gorada a tentativa, avançou para um almoço com Narciso Mota. Como se viu, não resultou. Ficamos expectantes com as cenas dos próximos capítulos.
6 de maio de 2020
ÚLTIMA HORA| Diogo Mateus ameaça ir embora "já hoje"
A reunião da comissão política do PSD, que aconteceu na noite passada, terminou da pior forma: Diogo Mateus abandonou a reunião a ameaçar que vai embora da Câmara já hoje.
Não se sabe ainda se foi esse 'terramoto' que despoletou a quebra de energia generalizada numa parte da cidade, mas é uma possibilidade...
Diogo foi ao partido exigir apoio, mas só encontrou críticas à forma como tem conduzido os últimos acontecimentos. Convém lembrar que naquele órgão têm assento Pedro Brilhante e Ana Gonçalves. Foi uma reunião escaldante, com acusações graves a Diogo Mateus.
Nessa entrada de leão e saída de sendeiro, o presidente da Câmara jogou a última carta: a demissão do cargo. A esta hora já lá estarão os únicos dois dirigentes que se prestaram ao papel de o demover: Fernanda Guardado (presidente da Assembleia Municipal) e Fernando Matias (ex-presidente da Junta de Almagreira).
(em actualização)
1 de abril de 2020
Quem é que manda aqui?
À hora a que vos escrevo Pombal continua (destacado) a ser o concelho do distrito de Leiria com mais casos confirmados de Covid-19. Mas a crise sanitária - para a qual o poder autárquico acordou tarde - não se afigurou suficientemente grande, aos olhos dele(s): Em plena pandemia, o presidente da Câmara retirou os pelouros à vereadora Ana Gonçalves, abrindo mais uma crise política.
Aqui no Farpas já tínhamos avisado que a decisão estaria iminente. Mas a nossa maior futurologia não poderia conceber que tal acontecesse num tempo como este, que todos estamos a viver.
Na reunião de Câmara da semana passada, uns e outros falaram do assunto com pinças. Ana Gonçalves referiu-se a "pressões exteriores", ela que acabou por ser vítima desta espécie de fado do ciúme. Não foi explícita, como não foi nenhum dos vereadores. Mas quem circula pelo comércio e serviços locais sabe bem do que está a falar, sabe que há neste enredo toda uma novela de faca e alguidar, que começa com alegadas traições e termina com alegadas chantagens.
Não temos nada contra novelas, que tantas vezes retratam a vida como ela é. Já não achamos normal que andemos a ser governados por terceiros, por quem não elegemos.
Nos últimos dias a nossa primeira-dama assumiu, nas redes sociais, o papel que caberia ao gabinete de comunicação da autarquia, se ele existisse. A proposta que deixamos a D. Diogo é que regularize de uma vez por todas essa função. Que contrate esses serviços, às claras. Não é o primeiro nem será o último presidente de Câmara deste país a fazê-lo. Perante tamanha abrangência demonstrada publicamente, não é de estranhar que a senhora esteja apta a assegurar alguns pelouros, aliviando assim o fardo dos poucos vereadores que restam.
Além disso, se é para nivelar por cima, por que não haveríamos de ter a nossa Hillary Clinton, em versão direitolas?
2 de março de 2020
O (falso) democrata
Na última sessão da AM, o Pedro puxou pelo seu talento eminentemente retórico para, num exercício de hipocrisia política, induzir a assembleia a tomar a sua (do PSD) tramoia (validade da sua moção e a rejeição da admissão das outras) por boa acção.
Surpreendentemente ou talvez não, o Pedro não interveio na polémica discussão sobre a admissibilidade das moções nem da sua própria moção, porque sabia que o sucesso da tramoia estava garantido - contava com o seu “rebanho” e com o fanatismo da presidente da assembleia. Por isso, o Pedro resguardou-se para a honrosa tarefa de dissimular a tramoia e capitalizar o sucesso. A outros podemos desculpar o desconhecimento de princípios democráticos elementares, mas ao Pedro, que estudou Direito e estagiou uma década na Casa da Democracia, não. O Pedro tem obrigação de saber que a democracia não é o poder da maioria, não é o desrespeito pelas regras e pelos acordos, não é o esmagamento da oposição pela maioria.
Bem sabemos que em Pombal está instalada uma ditadura da maioria, que se aprofundou com a eleição dos actuais presidentes da câmara e da assembleia, mas vir defender atropelos às regras e a princípios democráticos elementares com o argumento do poder da maioria é um exercício de hipocrisia política, próprio de ditadores mascarados de democratas.
11 de fevereiro de 2020
Será a felicidade do Pedro a nossa felicidade?
O Pedro já nos tinha anunciado que andava a estudar Felicidade por terras de “nuestros hermanos”. No passado fim-de-semana, levou ao congresso do partido (PSD) a moção “Por um Portugal mais feliz”.
A política está para o Pedro como o voar está para a mosca. Se pudéssemos compreender a mosca, perceberíamos que ela navega no ar animada por essa mesma paixão e sentindo em si que voar é o centro do mundo. Na política, e não só, o Pedro é uma espécie de mosca (voadora).
Lá, no congresso, ninguém o quis ouvir - o que levou o presidente da mesa a interrompê-lo duas vezes para repreender os congressistas. Mas nós - que sabemos que esta ladainha não nos vai largar nos próximos anos - não o podemos ignorar.
O Pedro é o verdadeiro profeta da boa vontade; não vontade de vida, mas vontade de poder. É um escuteiro da moral amorosa-altruísta, perito na recolha de vontades para proveito próprio, que confunde o predicado com o efeito, e acredita – ou diz acreditar – que políticos felizes fazem pessoas felizes, que o céu estrelado gira em torno do destino do Homem.
O pensamento político do Pedro é ridiculamente superficial, idêntico ao das garotas inexperientes do passado que se lisonjeavam com a ideia de que estava em seu poder tornar um homem feliz.
Pessoa dizia que o irritava a felicidade de todos os homens que não sabem que são infelizes. O Pedro quer tratar da saúde das pessoas e combater a depressão com choques de energias positivas e o circo da vida mágica, quer replicar o Paraíso do S. Pedro na Terra. Esquece-se que uma felicidade tola não é de modo nenhum preferível a uma infelicidade consciente.
Pedro: deixa-nos ser mortais, sofredores, felizes e infelizes.
31 de dezembro de 2019
Os esqueletos do Cardal e o que nos espera em 2020
As notícias da imprensa regional dão conta de uns achados arqueológicos no Jardim do Cardal: túmulos do século XVI. Até um leigo na matéria sabe que revolver um jardim colado a uma igreja é obra certa, nesta matéria. E que por isso era fatal como o destino desta terra encontrar ali alguns esqueletos. Da mesma maneira, qualquer leigo sabe também que encontrar esses vestígios históricos implica um atraso nas obras, pelo que nos podemos preparar para continuar a ver o jardim entaipado durante muito tempo. É a nossa certeza para 2020.
Voltemos à vaca fria: eram necessárias estas obras? Era preciso revolver as entranhas do Cardal para conservar o jardim e cuidá-lo? O que é que ganhamos, enquanto cidade, em estender betão num espaço que só precisava de mais relva, flores e plantas, para ter mais pessoas?
Saio de 2019 com a sensação de que Diogo Mateus quis, a todo o custo, deixar a sua marca em Pombal: mudar a face da cidade, que é o que está a fazer no Cardal, na rua Custódio Freire, no Jardim das Laranjeiras, e se deixarmos ainda juntará a Várzea a esta operação cosmética. Mas nem a cidade precisa de ser reconstruída (desta maneira) nem ele é o Marquês de Pombal. O nosso único problema é que, à volta, todos o fazem acreditar que sim, prestando-lhe vassalagem. E por isso não vimos a colaborante oposição levantar o dedo e a voz ao caos em que se transformou o trânsito, nesta quadra festiva, à conta desse capricho municipal.
Estão todos bem para um brinde colectivo, pois claro.
7 de dezembro de 2019
O doutor falou
O doutor falou. Na Assembleia
Municipal de Pombal. Falou de Pombal? Não. Falou do País. E até da Europa!
O doutor fala bem, muito bem,
demasiado bem. Fala de tudo e de todos, e a todos aponta falhas. A todos? não! Ao País, ao governo, e à oposição (a parte dela!).
O doutor é grande. E
sapiente. E Pombal tem destas coisas, destes privilégios incomuns, demasiado
grandes para as nossas necessidades. Criaturas invulgares, que sabem tudo de
tudo, conhecem e sabem apontar (todos) os problemas, dos outros.
E nós, os provincianos, ficamos
cheios de inveja. E de pena - de o doutor não colocar uma grama da sua sapiência
política ao serviço dos saloios.
O doutor é, porventura, o
político local há mais tempo no activo. Mas até hoje – e já lá vão três décadas
– nunca o vimos ou ouvimos apontar um problema desta pobre terra.
3 de novembro de 2019
Narciso Mota e o estranho conceito de família
Aquele momento em que se apagou toda a memória de Narciso Mota:
Ele, que nunca cumpriu o estatuto da oposição nos 20 anos em que tomou conta da Câmara a seu belo prazer;
Que enquanto foi presidente da Assembleia Municipal olhava satisfeito para a diferença na quantidade de deputados eleitos pelo PS, com todo o menosprezo;
Que deixou um rasto de desigualdade no tratamento aos outros, pois que quem não era por ele era contra ele e isso pagava-se;
Que em 2017 se candidatou contra o delfim Diogo Mateus por considerar que geria mal a Câmara, acusando-o de perseguição e humilhação a trabalhadores (alguns daqueles com que engordou o quadro de pessoal da câmara);
Que há uns meses inverteu a 360º a sua postura em relação ao executivo, depois de orientada a vidinha dos seus;
Que na segunda-feira passada foi o único a comparecer na reunião com o presidente da Câmara, e acabaram os dois a almoçar num restaurante da cidade, amigos como dantes, afinal. Na cabeça de Narciso ele já não é de movimento nenhum adversário, o NMPH esfumou-se, é tudo do PSD outra vez, o que diz muito das motivações (pessoais, sim, como lhe disse Diogo, certa vez) que tinha nas autárquicas, convencendo até socialistas a votarem nele. Só o (seu) vereador Michael é que ainda não percebeu isso.
E assim se percebe que Narciso tenha passado aquele sermão à vereadora Odete Alves, assim ao estilo a doutora-estava-a-portar-se-tão-bem-o-que-é-que-lhe-deu-agora. Mais: que tenha usado a expressão "somos uma família", porque foi sempre assim que entendeu a câmara, um lugar para 'ajudar os nossos'.
Se lhe restasse um pingo de vergonha, já há muito teria ido embora.
6 de agosto de 2019
Política do eucalipto
A
Concelhia de Pombal do PSD – Pedro Pimpão – veio, num longo comunicado, agradecer
o que Pedro tem dado ao partido (localmente) e repudiar veementemente a sua exclusão
(pela direcção nacional) da lista de candidatos às próximas eleições
legislativas.
A
concelhia de Pombal do PSD está cada vez mais igual à do PS: o mesmo (falso) unanimismo, a mesma política do eucalipto, a mesma canibalização.
PS: e
o mesmo truque manhoso: não publica, na sua página, o comunicado, publica uma "notícia" do seu comunicado.
1 de agosto de 2019
Crónica de uma saída anunciada
Pela primeira vez na história do poder local democrático, Pombal ficou de fora das listas do PSD à Assembleia da República. A saída de Pedro Pimpão foi ditada pelos órgãos nacionais do partido, porque Rui Rio não perdoa aos que não lhe foram fiéis em devido tempo - como foi o caso do político-prodígio, quando decidiu apoiar Santana Lopes.
Nada que aqui na terra não seja prática comum, internamente, mas é sempre mais fácil apontar o agreiro nos olhos do outros...
Mais tarde, na contenda do líder com Luís Montenegro, o nosso Pedro ainda tentou emendar a mão, escondendo-se: quando soube que a votação seria de braço no ar, ficou em casa.
De modo que é um deleite apreciar os comentários nas redes sociais dos sociais-democratas cá da terra, condoídos com a injusta saída de Pimpão, em particular, e com a ostracização de Pombal, em geral.
Já dizia Winston Churchill que "uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir". Neste caso, deu apenas meia volta. E há aqui várias perguntas a fazer, já que ninguém no partido se lembra que ele tenha colocado o lugar à disposição, apenas ficou gravado o momento em que não aceitou ser o número 5 da lista. Mas porquê, Pedro?
1. Se o PSD continua a esmagar no distrito, por que não luta ele pela (re)eleição?
2. Se estava determinado a regressar à terra e ocupar (finalmente e de facto) o lugar de presidente da Junta de Pombal, por que razão a concelhia fez saber que "ou era ele ou ninguém", mesmo quando a estrutura superior pediu à concelhia que indicasse uma mulher, nesse caso para ocupar o 4º lugar da lista?
3. Que moral tem Fernanda Guardado para 'espingardar' contra o partido, quando à concelhia foi proposto o seu nome para esse lugar?
4. Que papel é o de Manuel António - além de porta-voz de Pedro Pimpão - na concelhia laranja?
De maneira que estava escrito nas estrelas que isto iria acontecer, mas não é razoável que um partido fique refém de um nome, por mais popularucho que se apresente. Podem enfiar a viola no saco os trovadores que ontem lamentavam por essa rede fora que Pombal tenha ficado de fora da lista. Na verdade, a questão das listas e de quem ocupa qual lugar não passa de uma grande falácia nas eleições. O povo vota no cabeça de lista nacional, naquele que quer ver primeiro-ministro. A ordem das listas vale zero para o eleitorado.
Só conta para quem se quer fazer eleger.
25 de julho de 2019
Guia prático para picar o ponto
Vai um falatório por esse facebook fora por causa do nosso Pedro Pimpão ser o campeão das presenças na AR.
São uns invejosos, é o que é, para não falarmos das pessoas mal intencionadas que têm o topete de escrutinar os eleitos, de não se reverem no folclore político, distinguindo o acessório do essencial. Não se aguenta tanta falta de coaching.
Por isso mesmo repescamos aqui um excerto desse directo divulgado nas redes sociais pela Rádio Cardal, há poucos dias, em que o Pedro explica, de forma singela - e não simplista - como é que isto se faz.
21 de julho de 2019
Teoria do convencido
Este vídeo poderia ser acompanhado de um filme (O Corpo Fala), ou de uma banda sonora (Eu cá sou bom, dos Xutos e Pontapés).
Mas bastam as simples palavras de Diogo Mateus sobre a eleição do seu ex-vice, António Pires, para a direcção do agrupamento de escolas da Guia.
O ressabiamento é isto. Para começar.
15 de julho de 2019
É a cultura, estúpido!
Quando entrei no Café Concerto, na última terça-feira, um rol de gente enchia o espaço. Estavam em círculo, como nas reuniões ou grupos de auto-ajuda, enquanto o mastro Paulo Lameiro explicava ao que vinha: a candidatura de Leria a capital europeia da cultura em 2027, a importância dos municípios se envolverem em trabalharem em rede (lá está), num trabalho que deve começar pela base, entre os diversos 'agentes culturais'. E bom, chegamos então ao cerne da questão: aquilo era uma reunião de agentes culturais - como horas antes me avisara o responsável da PMU, sabendo-me parte do Gang da Malha, que ali se reúne precisamente às terças, desde há cinco anos. Não raras vezes, as tricotadeiras são a única clientela do espaço, para mal dos resultados financeiros do CC.
Espantei-me com o cenário: não conhecia uma boa parte das pessoas que ali estavam, não reconhecia ali a cena cultural dominante. Faltava ali muita gente, a começar pelos rapazes do Ti Milha (o festival que é mesmo uma Ilha), o pessoal da ADAC, e tantos agentes culturais individuais e colectivos que vão fazendo coisas, teimando em dar à terra aquilo que ela nem sempre merece.
A certa altura, o Paulo quis perceber melhor o que somos e quem somos, culturalmente falando. E foi aí que o circulo se abriu, desaguando entre um muro de lamentações e um bailado de graxa à Câmara, que ali estava representada pela vereadora da Cultura, Ana Gonçalves.
Foi uma cena bizarra, aquela: ranchos e filarmónicas, grupos de música popular e barroca, músicos vários, professores, assalariados e assessores, dirigentes e afins, num espaço público sem público. A maioria não se conhece.
E no meio da discussão, a lembrança da casa Varela. Aquela que foi comprada para ser berço das artes, em Pombal, que assim se mostrou ao público num Bodo, e que agoniza, sem rei nem roque. Que motivou certa vez uma reunião de outros agentes culturais, ao estilo pretensioso de D. Diogo, com muita parra e pouca uva. Pior: chegou a pedir trabalho a um grupo mais restrito desse naipe, para nada.
De modo que a intenção do Paulo Lameiro é boa (mesmo que Pombal não tenha sido seleccionada para os prelúdios que aconteceram noutros pontos do distrito), mas faria muito mais sentido se esta casa estivesse arrumada: se os nossos agentes culturais (seja lá isso o que for) se conhecessem, pelo menos. Se isto não fosse um saco de gatos em que o rancho inveja o subsídio da banda, em que há filhos e enteados para o poder, em que isso se traduz na importância maior ou menor que cada um assume. Porque nos falta, também na cultura, o de sempre: sociedade civil. Que não fique à espera das migalhas que hão-de ser aprovadas por quem não distingue uma clave de sol de uma roda de bicicleta, uma noite de fados de um projecto musical, um artista de um chico-esperto.
Para nossa felicidade, temos alguns (bons) exemplos. Mas a maioria não estava ali. Fica-me a dúvida: não foram porque não quiseram ou porque simplesmente não foram convidados? Tenho para mim que isto de ser agente cultural aqui na terra é mais ou menos como a mulher de César, mas de forma mais apurada: mais do que ser, é preciso parecer.
12 de julho de 2019
Afinal, qual é o verdadeiro amor do Pedro?
Nas últimas autárquicas, o Pedro fez
repetidas declarações de amor a Pombal, aos pombalenses, aos amigos, à família,
etc.; convenceu-nos (à maioria) que a sua paixão era sincera. Mas quando decidiu
ficar por Lisboa a dúvida instalou-se… Ficámos agora a saber que a verdadeira
paixão do Pedro – o seu interesse – é Lisboa (o Parlamento) e não Pombal: fez-se
designar elegível por Leiria, em lugar seguro (3.º)! As opções do Pedro não são
fruto das circunstâncias; são uma forma de vida.
O Pedro é uma criatura amorosa - um
polígamo político que ama todos por si - a quem se tolera uma traiçãozita. Se
Rui Rio não o cortar – razões não lhe faltam - o Pedro ficará bem lá por
Lisboa, junto da senhora luxuriosa, rica e majestosa, durante mais quatro anos,
à espera de melhores dias. Talvez gostasse de ficar por cá, com os seus, mas
esta terra não gera oportunidades, nem para rapazes como o Pedro. Ficará sempre
com o consolo da amante provinciana para os escapes de fim-de-semana.
O Pedro está feito político: surpreendentemente
saiu (parece ter saído) vitorioso deste jogo, jogando em dois tabuleiros, com
muita manha e jogo de cintura.
Força Pedro, és um dos nossos, o
Farpas está contigo.
10 de julho de 2019
Diogo Mateus; balanço a meio
Metade da vida política de Diogo Mateus, como presidente da
câmara, esfumou-se. O que mais surpreende nem são os
parcos resultados, é o sentimento de inutilidade absoluta. Confrange ver como é
que um indivíduo tão empenhado e preparado (tecnicamente) pode ser tão
inconsequente e inútil.
Diogo Mateus foi sempre apresentado como o
contraponto de Narciso Mota, no estilo, na literacia, nos hábitos de estudo dos
dossiês; mas na prática, é a outra face da mesma moeda, o mesmo absolutismo e a
mesma exercitação do inútil, com melhor representação, mais encenação e melhor
retórica.
Diogo Mateus é poderoso. Daí não viria grande
mal se o atributo não fosse um vício, se não gostasse tanto de o ser e de o
parecer. Vive a vã glória de ser grande… Sujeita os assujeitados que o servem,
e o temem, a fazer aquilo que lhe agrada e não o que os poderia engrandecer.
Não é um líder - não vende esperança nem entrega resultados. O que transparece
da actividade da câmara é uma lufa-lufa sem rumo e sem sentido, onde se
consomem energias e recursos sem critério e sem resultados. Pelo meio, o
concelho definha a olhos-vistos; enquanto os executivos, que nada executam, se
consomem, meio descrentes, num rodopio estafado de aparições públicas para as
mesmas almas conformadas.
A Política é - como alguém a definiu - a arte do
possível. Aqui, é sobretudo um jogo, um rito, um hábito, um desserviço à
comunidade que se tornou um mero exercício de sobrevivência política.
O que podemos esperar da outra metade da vida
política de Diogo Mateus? O mesmo registo, em perda - o mal reforça a acção mal
começada. Terminará derreado, desiludido e frustrado com os assujeitados e com
a terra.
21 de junho de 2019
"Temos aqui algum desfasamento". Pois temos, senhor presidente
A vereadora Odete Alves (PS) levantou na última reunião de Câmara uma questão pertinente: o que é feito do Conselho Municipal de Segurança?
Ora, pela resposta de Diogo Mateus, ficámos a saber que está mais ou menos como o resto do concelho: em banho-maria. A resposta deixa perceber a importância que o edil atribui ao que os outros pensam - e dizem - se dúvidas houvesse. Segundo D. Diogo, é uma maçada andar a reunir um órgão sem assunto para discutir. E a verdade é que o dito Conselho só reuniu uma vez. Deveria ser convocado trimestralmente - por sua excelência o presidente - mas isso só aconteceu uma vez em quase três anos.
A dúvida que nos fica é de onde vêm os poderes omnipresentes de Diogo Mateus, que lhe permitem constatar se existe ou não assunto. E já agora, lamentamos informá-lo de que, sim, há problemas de segurança nesta terra. Se reunisse o conselho de segurança - que é composto por 27 membros, nem todos da casa, por estranho que pareça - poderia ficar a saber de tão coisas simples, mas preocupantes: o aumento da delinquência juvenil; da violência doméstica; do tráfico de droga à porta da escola secundária, e de outros focos de violência e (in)segurança que estão a aumentar, nomeadamente entre algumas comunidades estrangeiras.
Pois, de facto, "temos aqui algum desfasamento", senhor presidente. A começar pelo cumprimento da lei.
4 de abril de 2019
A vereadora Anabela
A vulgaridade é uma forma de vida tão digna como
outra qualquer; também merece o seu momento.
A vereadora Anabela existe, está vereadora, pronto.
E ali, basta-lhe existir para ser figura. É uma existência sem essência: não
fala, não pensa (ou se pensa não mostra que pensa), não sente – não acerta nem erra.
Está ali, porque quiseram que ali estivesse. E porque é que não havia de estar, se
os outros e outras estão? Mas a sua existência não é igual à dos outros e das
outras. Os da frente fazem-no por obrigação; a Anabela fá-lo – parece - por
missão. É o que a distingue. Esconde-se e mostra-se, faz parte, é um elemento
do cenário.
Diz-se que é professora e doutora; custa-me a
acreditar: não consigo imaginá-la senão como (me) existe. Devia ser indiferente
à sua existência, mas não consigo; naquele cenário, prende-me constantemente a
atenção. Pergunto-me muitas vezes: o que faz a Anabela ali? Não percebo por que
não se aborrece por só existir! Bem sei que há mais pessoas assim – muitas -,
mas pouquíssimas como ela: sabe existir. Há, até, uma certa imponência na sua
existência - na figura, na pose, no olhar, na luz e na cor que irradia - que
contrasta com o cinzentismo circundante.
A vereadora Anabela existe. Ponto.
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