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11 de março de 2019

O problema não está na lei, está na moral cristã


A comemoração do Dia Internacional da Mulher serviu para as mulheres reivindicarem o justo estatuto de igualdade e para colocar na agenda outras reivindicações mais ou menos folclóricas. Em Pombal, a data foi assinalada, ontem, com uma Manifestação Silenciosa de Apoio às Vitimas de Violência Doméstica, onde o cabeça de cartaz foi o “bom-cristão” Diogo Mateus.
Convém assinalar que em Portugal pouco haverá a fazer ao nível legal pela igualdade de género, já que a igualdade de direitos está plenamente consagrada no nosso regime jurídico. O que não quer dizer que na vida real não existam injustiças e constrangimentos que mantêm discrepâncias significativas entre homens e mulheres.
O materialismo histórico ensinou-nos que a explicação dos fenómenos sociais, nomeadamente os mais complexos, não está nos seus actores mas em causas ocultas (na realidade submersa). Assim, quando se introduzem alterações significativas ao nível dos direitos das pessoas ou grupos sociais, é natural que, durante um certo período, haja um desfasamento entre o quadro legal e a realidade social. Contudo, na problemática da Igualdade de Género, o desfasamento não se tem atenuado ao ritmo que a maioria julgaria possível e aceitável. Por outro lado, é mais ou menos consensual que as razões do desfasamento estão essencialmente na realidade social e não no quadro legal; ou seja, está a ser difícil mudar a realidade, apesar do consenso político e social colocado no fortalecimento do quadro legal. Estudos recentes indicam que a desigualdade de género se manterá por muitas décadas ou até séculos!
Este fenómeno social complexo mostra aquilo que já sabíamos, mas que neste caso é mais evidente: as mudanças nos regimes jurídicos são essenciais mas não asseguram, per si, a mudança da realidade social; torna mais claro que os fenómenos sociais são fortemente influenciados por causas culturais, que ditam comportamentos individuais, que, por sua vez, conduzem a comportamentos colectivos.
Tudo isto para dizer que as mulheres portuguesas para além de vítimas da realidade social são agentes activos dessa realidade; condicionam-na fortemente e nem sempre no bom sentido – no sentido que as beneficia. Porquê? Porque, em Portugal – por muito que isto custe a ouvir à maioria - a moral cristã é o principal condicionante dos comportamentos individuais e colectivos. A religião e a moral cristã secundarizam a mulher de uma forma que as deveria indignar - com o estatuto que tinham na Idade Média. No entanto, anacronismo dos anacronismos, são as mulheres o principal veículo da moral cristã, frequentam mais a igreja, batem-se mais pela educação cristã dos filhos, etc. Enquanto a moral cristã for o principal condicionante social, bem pode a mulher reforçar a sua instrução, bater-se pelo reforço dos seus direitos e da sua protecção, a sua condição social será sempre secundarizada e foco de conflitos.
Convém nunca esquecer que não haveria casuística da moral se não houvesse casuística da vantagem.

11 de outubro de 2018

Um passo em frente PARA Pombal


Foi ontem inaugurado em Pombal um espaço que alberga a partir de agora o 
PARA - Projecto de Apoio e Recursos para o Autismo, vencedor do concurso de ideias para o orçamento participativo, há dois anos.
É a primeira vez que temos notícia de um projecto desses ser concluído, e este em particular merece destaque. Porque resulta da persistência do Patrick e da Viviana Mendes, pais que conhecem bem os caminhos tortuosos da sociedade e das instituições no apoio às crianças autistas. "Agradecemos do fundo do coração a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, contribuíram para que este sonho seja agora uma realidade. É um primeiro mas decisivo passo que irá influenciar o futuro de muitos. Obrigado POMBAL", escreveu ontem Patrick Mendes na sua página de FB.
Apesar da demora, é bom que a Câmara tenha abraçado este projecto. Há um mundo para lá da propaganda ao "sucesso escolar 100%". E é bom que o orçamento participativa seja, de facto, pertença da sociedade civil. 

25 de abril de 2018

Dez anos de Farpas


Quando, na noite de 24 para 25 de Abril de 2008, lançámos o Farpas, com o propósito de “farpear os interesses e os poderes instalados, os oportunistas e os manhosos, a hipocrisia e o servilismo, a obscenidade e o desperdício. E dar nota do gesto simples e desinteressado, da exemplar cidadania e da excelência”, estávamos longe de imaginar que a aventura cumpriria uma década, nomeadamente com a penetração e o reconhecimento, entretanto alcançado. Nós fizemos por isso, e as circunstâncias ajudaram muito.
Preocupámo-nos, desde o início, em fazer uma coisa séria, com estilo e propósito claros. Começámos pelo mais simples: apontar casos que evidenciavam os vícios e os podres dos poderes instalados; depois, evoluímos para a crítica sociopolítica incisiva, fracturante, mordaz. Ao mesmo tempo, fomos melhorando o embrulho com mais imagem, cartoons e, mais recentemente, vídeo – obrigado Diogo. Há pouco mais de três anos entrámos no Facebook - em boa hora o fizemos…
Passados dez anos, somos o que somos, porque como escreveu pessoa, no poema que serviu de mote ao debate do 10.º aniversário, “somos do tamanho do que vemos…e não do tamanho da nossa altura”nunca fomos tão poucos e nunca valemos tanto! Na verdade, somos grandes por que vemos muito. Da janela das nossas casas no cimo do nosso outeiro, de lados opostos, vemos este (nosso) universo, este Pombal.
A nossa única riqueza – como diz Pessoa – é ver. Ver o que a maioria não vê ou não quer ver. Nestes dez anos apurámos muito a capacidade de ver, de ver para além da superfície, de radiografar a realidade. Nesta aldeia que Pombal continua a ser, não “existem grandes casas que fecham a vista à chave”. Aqui, o céu e o inferno estão à vista do olhar atento; e a realidade mais obscura está logo debaixo do véu, basta levantá-lo. Sim, nesta aldeia, conhecemos-nos todos, o presente e o passado, o que é bom e mau. Bom por que nos permite ver tudo com mais clareza, antecipar passos, movimentos, alinhamentos, intrigas, rupturas…Mau por que farpeamos gente conhecida, pessoas de carne e osso, amigos ou inimigos, das nossas vidas.
A missão a que nos propusemos não é fácil, nomeadamente numa terra onde existe uma profunda aversão à crítica; numa cidade maioritariamente constituída por gente que veio da aldeia para o meio urbano, mas trouxe a aldeia consigo; assumimo-la porque alguém a tinha que fazer.
Nestes dez anos, o que conseguimos? No debate, o Adérito afirmou: só derrotas! E justificou-o com os resultados eleitorais. Não subscrevo a avaliação. Prefiro olhar para o copo meio cheio: estimulámos e enriquecemos muito a cidadania, a cultura política e o debate de ideias. E nós crescemos, também, muito neste processo; porque acreditamos que a troca de ideias, como afirmou Bernad Shaw, é a troca mais enriquecedora, porque quando  quando se troca uma ideia com um amigo, cada um fica com duas ideias. Muita gente instruída não percebe isto, mas quer ter sucesso na vida pública. O Farpas vai continuar a praticar a troca de ideias.
Viva o Farpas. Viva a Liberdade.

26 de fevereiro de 2018

Uma terra de litigantes

Pombal foi sempre uma terra de gente litigante, tanto nos domínios do material como do imaterial, nomeadamente na área do pensamento, da opinião, da crítica, da sátira, do humor. Uma idiossincrasia própria de desajeitados de espírito, que atravessa todas as faixas da comunidade: do analfabeto (ainda existem muitos) ao doutor; do pobre ao rico/remediado; do súbdito ao político. Por isso, a advocacia é a profissão que mais floresce por cá - o número de advogados com escritório aberto confirma-o.
Neste caldo de cultura medra um poder que se considera impoluto e isento à crítica; que ataca, amesquinha, subjuga e persegue os que se lhe opõem; e lacaios que só herdaram uma roupa e a coberto do anonimato ofendem sem rédea.
Profecia de advogado anónimo: Deus proteja os litigantes compulsivos; são esses paranóicos que nos sustentam a família.

24 de março de 2017

A tragédia dos comuns


Diz-se, muitas vezes, que uma imagem vale mais que mil palavras. Se isso fosse verdade, bastava o forte impacto visual provocado pelas pedreiras do concelho de Pombal para convencer que estamos perante um atentado ambiental. Infelizmente não é o caso. Daí a relevância da luta do Grupo de Protecção Sicó (GPS), uma associação que presta um verdadeiro serviço público.

Depois do alerta, em sede de discussão do Plano Director Municipal, sobre as consequências da eventual expansão das pedreiras existentes no concelho, a associação vem agora mostrar que as suas as preocupações não eram infundadas. A exploração da pedreira avança, sem escrúpulos,  para os terrenos baldios circundantes e o poder local assiste a tudo isto impávido e sereno.

As populações estão, naturalmente, revoltadas. A prepotência com que os mais fortes impõem a sua lei, desrespeitando as mais elementares regras de convivência comum, é típica de uma república das bananas, não de um estado que se pretende democrático.  Thomas Hobbes, em 1651, na sua famosa obra “Leviatã", afirmou que os homens são fundamentalmente egoístas cabendo aos governos controla-los para que não se destruam mutuamente na busca dos seus interesses próprios. Mas quando o poder político assume, claramente, o interesse de uma das partes, o seu papel regulador desaparece. 

Em Pombal, temos um poder autárquico beato, mas que despreza as populações, e uma oposição de serviços mínimos, simpática e delicodoce. Neste cenário, a regulação dos comportamentos egoístas terá que ser feita pelas pessoas, pelas associações e pelos partidos que insistem em faz seus os problemas comuns. Ah! E pelo Farpas, claro!

21 de setembro de 2016

O Orçamento Participativo

A ideia é uma boa ideia: financiar as propostas do cidadão comum, aquele que não lidera uma colectividade nem fez carreira partidária autárquica. Mas a história volátil do Orçamento Participativo em Pombal faz-se mais de oportunismo do que de oportunidades para a sociedade civil. São as colectividades - já abonadas pela Câmara, como em poucos concelhos do país - que têm levado vantagem. De maneira que ver ali no meio do rol deste ano um projecto como este - apresentado por pais de crianças autistas - é uma boa razão para levar o caso a sério e votarmos. A lista está disponível aqui, e a discussão pública decorre esta quinta-feira, 22, pelas 21 horas, no Teatro-Cine de Pombal.

20 de novembro de 2015

Homens bons e Homens maus

Pombal é uma terra de gente boa - boa até demais – constituída por Homens “bons”, meia dúzia de desalinhados - Homens “maus” – e uma grande franja de adormecidos.
Mas será que o Homem “bom” faz, em média, mais bem do que o Homem “mau”? É uma questão que vários filósofos colocaram, e que convém abordar numa terra de gente cada vez mais obediente ao poder e mais temente a Deus. Russel, um Lord de quinta geração, procurou responder a esta dúvida, caracterizando primeiro o Homem “bom” e o Homem “mau”, e, depois, os seus contributos para o bem comum. Segundo ele, “o Homem “bom” não fuma nem bebe, evita linguagem de baixo calão, conversa na presença de homens exactamente o que falaria se houvesse mulheres presentes, vai à igreja com regularidade e tem opiniões correctas sobre todos os assuntos. Tem verdadeiro horror ao mau procedimento e está ciente que é nosso doloroso dever punir o Pecado. Tem horror ainda maior aos pensamentos errados e considera ser responsabilidade das autoridades proteger os jovens contra os que questionam a sabedoria das opiniões aceites, de modo geral, pelos cidadãos de meia-idade bem-sucedidos. Além dos deveres profissionais, aos quais é assíduo, ele dedica muito tempo a trabalhos que visam o bem. Acima de tudo, é claro, a sua “moral”, em sentido limitado, deve ser irrepreensível”. Em síntese: “um Homem “Bom” é aquele cujas opiniões e actividades são agradáveis aos que detêm o poder” e o Homem “mau” é o oposto da descrição anterior.
Para Russel, uma das principais utilidades de ter Homens “bons” nos cargos políticos “é fornecer uma cortina de fumaça para que os outros possam dar continuidade às suas actividades de modo insuspeito” porque a moral estabelecida dita que “um Homem “bom” nunca será suspeito de usar a sua “bondade” para esconder vilões”. Só que, um dos principais problemas é que “os padrões de “bondade” reconhecidos em geral pela opinião pública não são aqueles calculados para fazer o mundo um lugar melhor”. E Pombal não o é seguramente.

1 de setembro de 2015

Ubi commoda ibi incomoda

Vamos ver se nos entendemos (não acredito):
- As avenças do Teófilo dos Santos com a câmara de Pombal - e com outras câmaras do PSD na região  - são um facto político, não meros actos administrativos;
- Se o José Gomes Fernandes tiver uma avença ou uma prestação de serviços pontual com a câmara de Pombal (nos próximos tempos, não acredito), é um facto político, não um mero acto administrativo;
- Se o Carlos Gameiro Lopes tiver uma avença ou uma prestação de serviços pontual com a câmara da Marinha Grande, é um facto político, não um mero acto administrativo;
- Se a Marlene Matias tiver uma avença ou uma prestação de serviços pontual com a câmara de Leiria, é um facto político, não um mero acto administrativo;
- etc, etc, etc;
Já diziam os romanos: “Ubi commoda ibi incomoda”.
É difícil de entender? Não creio…
Pessoa dizia e eu reproduzo: “Os benefícios são coisas que se infligem; por isso os abomino friamente”.

20 de fevereiro de 2015

Criaturas azaradas

Há criaturas de que não se espera nada, porque é perfeitamente inútil esperar. Todos as conhecemos algumas, temo-las até entre os nossos amigos, mas a sua presença põem-nos os cabelos em pé. Quando aparecem lá em casa, no que mexem desarranjam ou estragam. Com eles jogamos frequentemente jogos de perde-perde: se lhes oferecemos um “néctar” num copo de plástico ficamos mal vistos, se usamos um copo de cristal, corremos grande risco de ficar sem o copo e ter que ouvir a patroa porque lá se foi o conjunto. É muito difícil lidar com estas criaturas: por um lado são solícitas e até simpáticas, por outro, são azaradas e atraem o azar. Para além destes traços têm outros que as tornam particularmente perigosas: são voluntariosas e, até, empenhadas, metem-se em muita coisa mas não produzem nada, quietas seriam mais úteis. As associações, cooperativas e entidades públicas deste concelho estão cheias delas, com os resultados conhecidos.
Os Bombeiros Voluntários de Pombal foram, durante muitos anos, uma instituição pacífica e pacificadora. Nos últimos tempos, transformaram-se num foco de “incêndios”. Ainda não apagaram um e já outro eclodiu. Há ali, com certeza, muita fonte de ignição ou pessoas que atraem o azar.
Na verdade, as criaturas azaradas são um perigo, mas as obstinadas não o são menos. Por cá, saem-nos, frequentemente, na rifa, umas e outras. É azar a mais!

23 de janeiro de 2015

Rica paróquia, sim senhor

A paróquia de Pombal está transformada em agência turística, de um turismo religioso de pouca religiosidade.
A próxima viagem é à Rússia; inicia-se com uma visita ao túmulo de Lenine – esse símbolo maior do catolicismo! - e prossegue com uma rota pela história dos Czares. Grandioso! Custa perto de 2.000 € - coisa pouca para os paroquianos locais! No entanto, se algum mais necessitado tiver dificuldade em pagar; há sempre a possibilidade de arranjar um subsídio.
A escolha do destino e da rota surpreende, até, o mais distraído. Mas há alguns por maiores que embasbacam qualquer um:
- Porque é que um anti-comunista primário leva os seus paroquianos ao outro lado do mundo para visitarem o túmulo de Lenine? Não será uma heresia? E não baralhará os crentes? Se é pecado comentar no blog maldito, o que dizer desta visita?


21 de janeiro de 2015

Isto anda pouco católico

O incómodo tomou conta dos fiéis na missa do passado domingo, em Pombal. O insólito conta-se em poucas palavras: o padre, pouco piedoso e descrente na qualidade da catequese, resolveu fazer três perguntas aos candidatos ao crisma. Resultado: ninguém soube responder, nem mesmo a vereadora mais cool, e tardiamente convertida à praxis religiosa; que integrava o grupo. Uma mácula, desnecessária!
No meu tempo, com três meses de catequese - meia hora depois da missa – aprendia-se a ladainha e cumpria-se a tríade dos sacramentos da adolescência (primeira, segunda comunhão e crisma). E só na posse destes se poderia ser padrinho/madrinha, e não só.
Agora, está tudo pervertido: primeiro exerce-se e depois obtêm-se os sacramentos. O problema nem é tanto a mácula religiosa da vereadora…
A tradição já não é o que era! E não havia necessidade!

22 de fevereiro de 2012

E, Pombal move-se!

Voluntariamente ou à força. Na ACSP, Manuel Gonçalves passou voluntariamente a pasta. Na AICP e nos BVP a ordem manda aguentar. Na CMP a lei forçará a mudança.
Pombal move-se!

16 de julho de 2011

Bem fica

As Casas dos principais clubes são, salvo raras excepções, locais de copos e manifestação de clubismo salpicado com muito fanatismo. A Casa do Benfica de Pombal foge um pouco à regra. Nos últimos tempos tem demonstrado um dinamismo e uma capacidade de realização surpreendentes, nomeadamente na oferta de actividades desportivas e de recreio.
A iniciativa Ferias Activas, já na quarta edição, é um projecto interessante, muito apreciado pelas crianças e famílias, que, apesar de pago, tem muita procura, e, mostra que a escassez de recursos não é a principal limitação para fazer coisas com valor. Era bom que outras entidades, com maior estrutura e mais recursos, seguissem este bom exemplo.

26 de junho de 2010

Deputada no Louriçal


A deputada na Assembleia da República Odete João vai estar hoje, dia 26 de Junho, pelas 21.30h, na sede da Junta de Freguesia do Louriçal, para discutir o futuro da freguesia do Louriçal e do concelho de Pombal. Uma boa oportunidade para se exercer cidadania, participando e fazendo sentir à deputada os anseios destas populações. Como sempre, todos serão bem recebidos no Louriçal!

17 de maio de 2010

EDP




Já por aqui se tinha falado no assunto: fruto do péssimo serviço que a EDP tem vindo a prestar no Louriçal, enviou-se à empresa um abaixo-assinado. O Pedro Santos (o maior dinamizador da iniciativa) recebeu a resposta, que é (nas palavras dele), uma resposta a todos os que assinaram o documento. Aqui fica o registo:














25 de março de 2010

Nós e os outros

Houve gente que, antes e no dia 20 de Março, se esfalfaram para Limpar Portugal e, em particular, vários pontos do Concelho. E depois, houve gente que fez o seguinte:

(..) após ter sido limpa a lixeira PBL M-6, de onde foram retiradas, no dia 20 de Março de 2010, 53,880 toneladas de lixo, e colocada uma placa a proibir a colocação de lixo, houve alguém que teve a amabilidade de no dia de ontem colocar mais uma carrada de lixo...

Muitas vezes disse que os políticos não são cá deixados por um OVNI, "emergindo" antes de uma sociedade que, muitas vezes, se esquece de elementares regras de exigência, civismo e responsabilização. Os imbecis que gozaram com o esforço de quem achou que devia limpar, para além da sua violação consciente da Lei, devem ser os mesmos que numa qualquer mesa de café vociferam contra quem manda neste País (no geral) e as Leis que temos. Independentemente da legitimidade de vociferar à mesa do café, o que é certo é que este é um episódio que mostra bem que uma sociedade civil funcional não é imposta de cima para baixo (sob pena de entrarmos em campos de engenharia social), mas sim de baixo para cima. Haja é vontade de exigir a nós próprios o que exigimos aos outros. E respeitar o trabalho e esforço dos outros. E evitar estas vergonhas.

19 de março de 2010

Dia L


É já amanhã. Na Freguesia de Pombal, o ponto de encontro é às 8h00 na Biblioteca Municipal, com vestuário apropriado à ocasião. Para outras freguesias é verem a página de Pombal. Aproveito desde já para louvar todos aqueles que se dedicaram a gerir a logística deste projecto (eu apenas me disponibilizei para o dia 20). Espero que depois haja conclusões, vindas daqueles que acompanharam todo o processo, sobre o que se encontrou e limpou e a forma como as instituições públicas se posicionaram em relação a um exemplo do que deveria ser a Sociedade Civil a actuar.

18 de março de 2010

Viagens na minha terra

Fui surpreendido a semana passada pelo convite do Sr. Padre de Pombal para visitar, in loco, as obras de remodelação da Igreja do Cardal, motivado, sem dúvida, pelas referências que aqui fui deixando ao que por ali se passaria.

Correspondi ao convite, que publicamente registo e agradeço (uma atitude rara por parte de quem é visado em críticas públicas), e lá parti para uma visita completa à principal Igreja da Cidade e à procura de algumas respostas para dúvidas que entendia serem legítimas. Foi-me explicada toda a intervenção planeada e, no geral, não sendo eu técnico, não vi ali motivos de reparo.

Mas mantinha-se a questão do chão e das mexidas que lhe foram feitas, com a remoção do mesmo para a instalação do piso radiante. Note-se que esta era a questão que maior estranheza causou em Pombal: a intervenção num chão onde haveria, supunha-se, enterramentos. Tendo sido constatadas a existência de ossadas no início da remoção, houve a imposição de interroper a obra para que técnicos analisassem a questão. E pelos vistos, a opinião técnica, pese embora emitida sempre depois do início da intervenção, é de que não se verifica impedimento para a continuação das obras. Só é pena a forma como tudo se passou, quando uma intervenção acompanhada do início impediria esta situação.

Prevenção e água benta, se me permitem a brincadeira... e nada disto teria acontecido. No fundo não é pedir muito e quero crer que no futuro, não haverá intervenção deste tipo que não seja devidamente acompanhada, prevendo-se ou não logo na Lei essa necessidade, atendendo à natureza do sítio onde se intervém.