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28 de agosto de 2020

O Parque Verde

O parque verde que nos prometeram, ao longo de duas décadas, continua a ser uma miragem. E até os históricos jardins da cidade reduzem, descaracterizam ou eliminam. 

No Cardal fizeram uma operação cosmética de mau gosto: embetumaram e infantilizam o jardim com betão e uns canteiros elevados inestéticos de difícil e custosa manutenção. 
Na Várzea quiseram e preparam-se para eliminar o jardim, transformando aquilo numa praça modernaça em betão garrido.

Mas ora reparem no que é um parque verde (de lazer) concebido com bom-gosto, muito bem zelado e apreciado pela população. Não é numa cidade verde, futurista, amiga do ambiente e das pessoas. É numa freguesia vizinha.


28 de julho de 2020

A política do facto consumado

Afinal, a ponte sobre a linha férrea não caiu; foi simplesmente adiada para a segunda fase, ficando as fundações já feitas (na primeira fase). Isto tem um nome: política do facto consumado. 

D. Diogo só conhece – só pratica - duas formas de acção política: a política da força ou a política do facto consumado (versão light da primeira). Nesta deriva, estará, porventura, à frente de Salazar, que num dos seus discursos alertava para “o desvirtuamento da política realista - a política do facto consumado, a política da força”. Mas o que mais choca, já nem é a política da força ou do facto consumado, é o vazio de argumentos pelas opções tomadas. 

No debate sobre a alteração da empreitada do Interface Modal, D. Diogo não apresentou um único argumento minimamente plausível, não deu uma única justificação, nem uma única explicação sobre os propósitos e os objectivos do projecto. Porquê? Porque simplesmente não os tem. 

Pergunta-se, então: pode este tipo – e os figurantes que o acompanham – esturrar 4.000.000 € (o maior investimento público alguma vez realizado na cidade) numa obra de fachada, que não serve a cidade e, pior, descaracteriza-a?

Razão tinha o dirigente do PSD local quando me disse que Diogo Mateus, depois do elefante branco CIMU-SICÓ, deveria ser proibido de mexer na cidade.

17 de julho de 2020

Centro Escolar de Vila Cã – Obra torta e desnecessária

Depois de muitos avanços e recuos, a câmara e a junta de freguesia resolveram avançar para a construção do Centro Escolar de Vila Cã, no qual se propõem gastar 1.370.000 € (… vai ficar mais caro, ou mais pequeno!). Não por que seja necessário – há um, em Abiúl, meio vazio, a 2 km de distância -, mas pela vã glória de fazer obra, de gastar dinheiro, de mostrar benfeitoria.

Tudo isto já era mau, muito mau; mas desta gente, movida pela vontade, onde abunda propensão para a acção e escasseia tino e prudência, pode-se esperar sempre o pior.

A junta e a câmara compraram um terreno que supostamente teria 6540 m2, mas, na verdade, só tem 2920. Resultado: o terreno não tem área suficiente para implantar o edifício.

Isto já não é só má gestão da coisa pública; é muito pior…!

PS: acresce ainda a desajustada localização. No entanto, existem duas escolas naquela zona, uma a 20 metros e outra a 300!

3 de julho de 2020

A Passagem Superior Pedonal caiu

No passado dia 30, o executivo municipal de Pombal aprovou, com o voto de qualidade do presidente da câmara (a oposição falhou o novamente o fito), o projecto de requalificação da Interface de Transportes e da Passagem Superior Pedonal (PSP). Mas o presidente da câmara decidiu suspender/abandonar o projecto da PSP sobre a Linha Férrea. 

Esta alteração de planos confirma, mais uma vez, que quando as pessoas se imiscuem na vida pública as coisas importantes (que afectam as nossas vidas) são melhor trabalhadas e decididas. E confirma-se, também, que afinal D. Diogo ouve! Ou é forçado a ouvir. Neste caso, ouviu com certeza a clarividente intervenção do arq.º Celestino e a do tipo da trotinete que defendeu que projecto da PSP não cumpria dois critérios fundamentais: o estético e o da utilidade.

Percebe-se, pela resposta dada na AM, a azia de presidente da câmara e as razões porque abandonou o projecto. Não o fez por ter percebido que era impróprio, mas por não possuir capacidade política para o impor.

Quando uma criatura, que se julga iluminada mas não passa de um ignorante em muitas matérias, tem a lata de afirmar que avaliar o projecto de uma ponte pelo prisma da utilidade é uma ideia pré-histórica, atesta duas ciosas: primeira, que nos dez anos andou a cursar Gestão (Autárquica) não aprendeu absolutamente nada; segundo, que desconhece os traços fundamentais das diferentes épocas da História.

D. Diogo tem razão quando afirma que as passagens subterrâneas sobre a linha férrea são más, nomeadamente as que vêm do séc. XIX. Mas parte de uma premissa verdadeira para tirar uma conclusão errada, que o deveria fazer reflectir sobre a utilidade/funcionalidade do que tem andado a fazer na cidade.  


22 de junho de 2020

Uma enorme aberração urbanística

Nos últimos dias, temos assistido a um corrupio de apresentações de projectos/obras na cidade.
Uma pessoa ainda não se tinha restabelecido do atentado ao Jardim Histórico da Várzea, que o transformava numa praça modernaça, e da mistela, a seguir apresentada, que procurava um compromisso inviável entre o histórico e o vulgar, e levou, logo de seguida, com o projecto da Interface de Transportes e a Ponte sobre a Linha Férrea, que custa a digerir e merece tratamento devido.
Hoje, tivemos direito à apresentação da Rede Pedonal e Ciclável da Cidade. Fui lá com o compromisso comigo próprio de não participar na discussão (para dar uma folga ao poder). Mas perante a nula participação do público presente, que parece ir ali só por curiosidade, decidi tecer uns comentários sobre o conceito – pobrezinho, ultrapassado, inseguro.
Mas o pior estava guardado para o fim: a apresentação do “projecto” de um Parque de Estacionamento num espaço adjacente ao Largo do Carmo, junto à Praça Marques de Pombal (coração do Centro Histórico). Uma coisa inconcebível. Tive que lhes dizer que aquilo não é um projecto, é uma enorme aberração urbanística, porque usa o que há de mais escasso num centro histórico, o espaço livre, para fazer um parque de estacionamento. 
Decididamente, este presidente - e este executivo - não tem noção nenhuma de como usar o raro e nobre espaço público, é um escravo da vontade que só faz asneiras, que se propõe qualificar o espaço público mas descaracteriza-o sistematicamente. Como dizia, há tempos, um influente correligionário: “este presidente deveria ser proibido de mexer no espaço público", nomeadamente nas zonas nobres.

19 de junho de 2020

Da Várzea para os transportes, vai uma assinatura de distância


A semana termina como começou: o poder a fazer de conta que se importa com o que o povo pensa. A próxima paragem é o projecto de requalificação da "zona de interface de transportes de Pombal", não ao ar livre - como na Várzea - nem no local (já se sabe que o ambiente à volta não é muito agradável, como a Câmara está fartinha de saber - mas nos Claustros, esse local de maravilhosa acústica e condizente energia. Uma coisa com pompa e circunstância, como foi do Jardim do Cardal. 
Há só uma pequena diferença no convite aos munícipes: desta vez Pedro Pimpão demarcou-se (ganhaste uma pontinha de respeito meu, Pedro), avisando que não queria a sua assinatura nesta encenação. É que fontes conhecedoras do processo revelam que a Câmara decidiu usá-la no convite da Várzea sem sequer lhe pedir autorização.

15 de junho de 2020

Jardim da Várzea - coisas que os pombalenses ainda não sabem

A Requalificação Urbana da Várzea tem gerado enorme revolta e indignação na comunidade, nomeadamente o projecto de remodelação/eliminação do Jardim da Várzea. 
Mas há coisas que a comunidade ainda desconhece; nomeadamente que: 

1 - Concorreram ao concurso para elaboração do projecto dois gabinetes de arquitectura: Atelier Carlos Vinhas, Lda e a SPI – Sociedade Portuguesa de Inovação, SA;

2- Ganhou o concurso o Atelier Carlos Vinhas, Lda com uma proposta no valor de 65.000 €;

3 - A proposta do atelier SPI, de montante significativamente mais baixo, foi excluída do concurso (não foi possível confirmar o montante da proposta da SPI porque a câmara ainda não emitiu as actas do 4.º trimestre de 2018, altura em que foi decidido o concurso, mas já emitiu as actas do primeiro semestre de 2019);

4 - A SPI foi excluída por:
 4.1 - Divergência sobre a responsabilidade pela execução do levantamento das redes de infraestruturas (a câmara comprometia-se, no caderno de Encargos, a “fornecer a informação necessária para o desenvolvimento deste projecto, com especial para as redes cadastrais de infraestruturas”; e exigia que “o projecto será desenvolvido tendo por base o levantamento topográfico existente” - a fornecer pela câmara);
4.2 - Divergência sobre a responsabilidade por “instruir e solicitar pareceres às entidades várias entidades competentes”, que a SPI alega não ser, nem dever ser, da sua competência como simples executante do projecto;

5. A SPI reclamou da exclusão ao concurso (o que também confirma que a sua proposta era de valor inferior) mas não lhe foi dado provimento;

6 - O projecto do Jardim do Cardal (o principal e maior jardim da cidade) custou à câmara 15.500 €;

7 - O projecto de Requalificação Urbana da Várzea custou à câmara 65.000€. Admitindo que metade do custo do projecto é referente ao Largo da Estação e a outra metade ao Jardim da Várzea, então o projecto do Jardim da Várzea custou mais do dobro do projecto do Jardim do Cardal.

A adjudicação do projecto é, no mínimo, pouco congruente, nomeadamente pelo processo e tipo de Atelier escolhido. Mas pior, muito pior, é o projecto apresentado e aprovado. Um projecto, e uma obra, que a comunidade tem que parar.

1 de maio de 2020

O Jardim da Várzea morreu!



No lugar do tradicional Jardim da Várzea vai nascer uma praça "modernaça", artificial, limpa, sem nenhuma relação com as características históricas do bairro, fortemente agressiva e impositiva relativamente ao espaço circundante.
O projecto combina bem o empreendedorismo urbano cego do seu promotor com o estilo neo-modernista do projectista, intrusivo e impositivo, que despreza a memória e os valores identitários do local, como já tinha feito no edifício da sede da Caixa Agrícola, cuja volumetria e falsa monumentalidade chocam com o espaço circundante e com a construção da urbanidade no momento actual.
Há um certo radicalismo formal e estético no estilo de arquitectura proposto, na opção pelo artificial, pelo liso, pelo limpo, e por uma geometria démodé, baseada em eixos paralelos e ortogonais, cheia de adornos simétricos e coloridos chocantes. E há a negação do seu oposto, do natural, do irregular, do rugoso, da terra, das plantas, da vida. Ora, é esta ruptura e esta dissonância com o espaço circundante que provoca uma grande fealdade. 
A urbe é o cenário onde a vida mais se exprime, onde socializamos, onde o sentido de comunidade se desenvolve. É estúpido pensar a urbe sem ser com e para as pessoas.

29 de abril de 2020

D. Diogo deu mais um bigode na oposição

O vídeo abaixo é um excerto, longo, da longuíssima e vazia discussão, entre os membros do executivo da CMP, sobre a aprovação do projecto da Área de Reabilitação Urbana (ARU) da Várzea e a aprovação da adjudicação.
Ficam claras duas coisas: o presidente da câmara (e os seus apoiantes acéfalos) nunca quis submeter o projecto a discussão pública; a “oposição” não tem nada para dizer sobre o projecto - limita-se a obstaculizar.
Pombal, os pombalenses, tem esta sina: gramar sempre com o pior de dois mundos.
Assim:
- D. Diogo deu "guita" à "oposição", porque sabe que, mais tarde ou mais cedo, os enrola; 
- a doutora Odete esteve igual a si própria: simplista - defendeu uma coisa mais simples, sem muitas árvores, barata;
- o doutor “coiso”, a doutora Gonçalves e o doutor Brilhante só queriam discussão;
- o engenheiro Narciso queria “obra”, mesmo que não fosse a sua prioridade nem tivesse opinião sobre ela, porque depois, no momento, com o que houvesse na obra e com a opinião de um ou outro transeunte que por lá passasse, fazia-se.
No final: 
- a “oposição” foi ao combate, adiou a coisa, concertou-se, estava convicta que ia ganhar, mas perdeu em toda a linha - levou mais um bigode;
- D. Diogo deu, baralhou, partiu, e ganhou.



23 de abril de 2020

Obra de destruição do Jardim da Várzea


A CMP - Diogo Mateus; porque o resto, sejam vereadores ou técnicos, não risca nada – pediu um “projecto”, a um arquitecto da praça, para “requalificar” o Jardim da Várzea e o Largo da Estação.  

O “projecto” que vai amanhã à reunião da câmara, para adjudicação da empreitada, é uma aberração arquitectónica que arrasa, empedra e destrói um dos espaços mais emblemáticos da cidade – o Jardim da Várzea.
Diogo Mateus não está – como diz – a requalificar a cidade; está a destruir a sua traça, a sua história, a sua alma. Começou pela Praça do Cardal, avançou para a aberrante descaracterização do Jardim do Cardal (entretanto bloqueada), e parte agora para destruição, pura e simples, do Jardim da Várzea, onde vai derreter mais de 1.000.000 €, e eliminar um espaço emblemático da cidade.
Dir-me-ão: mas o jardim da Várzea tem pouca atractividade e vida. É verdade. Mas tem mais valor e acrescenta mais à cidade como está (e poderia estar melhor se a câmara não o tivesse deixado ao abandono) do que o que lá se vai fazer: muito betão, granito e adornos de mau gosto.
Há uns anos, durante uma conversa sobre a cidade, um influente dirigente do PSD disse-me: “O Diogo, depois do desastre nos Poios, deveria ser proibido de mexer na cidade”. Achei exagerado. Percebo, agora, que não o era. Um autocrata é um perigo para uma cidade ou território, e quando se junta a um arquitecto que só vê betão, granito e adornos de mau gosto, o desastre fica traçado.
Vamos precisar de muitas obras de requalificação urbana, sim, para limpar os estragos que Diogo Mateus está a fazer à urbe.

Projecto: https://www.facebook.com/municipiopombal/videos/224540242190081/

6 de fevereiro de 2020

A tua cidade...é minha e é nossa

“O que se opõe ao descuido e ao descaso é o cuidado. Cuidar é mais que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro.” 
Leonardo Boff

Todos os dias os lugares por onde passamos, vão sendo usados por uns e por outros. Como eu, são visitantes, moradores e vizinhos, pessoas do próprio concelho ou vindas de fora, que de um lugar para o outro, se deslocam, permanecem, brincam ou fazem compras. Tudo isso, acontece todos os dias, numa multiplicidade de atividades que se acumulam, num constante pisar e repisar dos lugares públicos da cidade de Pombal, que goza de uma centralidade que remonta à sua fundação e que nos dias de hoje mantém e conserva. 
Assim nos relacionamos com os lugares que valorizamos…
Existem também um sem número de agentes que se preocupam com o bom funcionamento da cidade de Pombal. Todos juntos, estão encarregues de garantir o bom funcionamento de todos estes espaços urbanos e procuram perceber como podem melhorar o seu desempenho e tornar a cidade de Pombal mais resiliente.
Seguramente foi com esse propósito, que se aprovou a Operação de Reabilitação Urbana da zona central de Pombal, delimitada por uma área de 54,3 hectares. Através dela justificaram-se, um conjunto de investimentos para realizar na “Área de reabilitação urbana: a área territorialmente delimitada que, em virtude da insuficiência, degradação ou obsolescência dos edifícios, das infraestruturas, dos equipamentos de utilização coletiva e dos espaços urbanos e verdes de utilização coletiva, designadamente no que se refere às suas condições de uso, solidez, segurança, estética ou salubridade, justifique uma intervenção integrada, através de uma operação de reabilitação urbana aprovada em instrumento próprio ou em plano de pormenor de reabilitação urbana” ORU - memória descritiva, pág 02. 
A noção de intervenção integrada cumpre-se aqui pela concentração e a proximidade das intervenções urbanísticas, ao invés de outras operações do género, que reconhecem nas obras apenas um efeito catalisador, quando na verdade a transformação dos espaços publicas dá-se através de um conjunto de medidas sociais e económicas claramente identificadas e incrementadas, durante um período de tempo que idealmente vai para além de um mandato. Nesse clima as obras são um fator de indução de novas dinâmicas económicas e sociais dentro da cidade e quando bem acompanhadas, transformam e mobilizam um concelho e uma região.
Para o centro de Pombal: Que imagem queremos? …O que é que pretendemos? …Quem serão os futuros moradores? …Que atividades económicas e sociais serão necessárias? …Que função poderá desempenhar, no quadro mais alargado do concelho? São apenas algumas das questões que terão que ser respondidas. Mas antes, urge re-conhecer a atual realidade de Pombal, contextualizar e refletir sobre ela.
Para os investimentos previstos serem potenciadores de mudança é necessária uma ampla e profunda reflexão ao longo de todas as fases de incrementação deste projeto, a ser liderado pela Câmara Municipal de Pombal em estreita delegação/participação dos agentes que atuam dentro deste perímetro (IEFP, Associações empresarial e comercial, Misericórdia, Bombeiros, IPSS, Igreja, CNEs etc…) e a uma comunidade organizada em torno de associações de moradores pronta a participar construtivamente. 
É num clima de partilha sincera e de apresentação das motivações de cada parte, que se constrói uma comunidade resiliente, fortemente identificada com os seus espaços urbanos e seus equipamentos públicos. Um centro urbano construído a pensar nas necessidades das suas estruturas civis, capaz de dar respostas aos múltiplos usos e contribuir para valorizar, cuidar e proteger os valores do concelho de Pombal, no seu contexto regional.

Carlos Vitorino
Arquiteto, orador no debate sobre Urbanismo, a cidade e o espaço público, promovido pelo Farpas a 27 de Janeiro

20 de janeiro de 2020

A cidade e o espaço público: o regresso dos debates do Farpas

Que cidade e espaço público queremos?

Pombal está em obras. Por estes dias a cidade sofre uma mudança sem precedentes, ao abrigo de um plano de reabilitação urbana que avança desde o ano passado, atravessa o Jardim do Cardal e reinventa-o, tal como o das Laranjeiras, caminhando em breve para a Várzea. As decisões do poder sobre o (nosso) espaço público fizeram-se à margem do debate. É nesse ponto que o Farpas que recentrar a discussão: envolver a cidade na sua própria vida.
No plano que traçou para Pombal, chamado PEDU (Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano), a Câmara reclama uma cidade mais atrativa, ativa e inclusiva. Será que estamos a caminhar para lá? Ou a descaracterizar o que é nosso?
É este o tema do nosso primeiro debate de 2020. Venham daí para mais um café e uma farpa, dia 27 de janeiro, às 21 horas, no Café Concerto.
Para começo de conversa convidámos os arquitectos Carlos Vitorino e Tânia Ventura, cada qual com a sua visão sobre o tema. A discussão é para todos ;)


6 de janeiro de 2020

Afinal, ele ouve-nos…

A CMP decidiu abandonar a ideia peregrina de construir um restaurante no rés-do-chão da Casa Varela.
Desfez a tempo; logo, sem grandes custos… Se ouvisse mais, desfazia muita ideia tonta; por exemplo o mamarracho nos Pois, ainda no tosco.


26 de novembro de 2019

Obras tortas faz&desfaz

Toda a gente que acompanha a vida pública local já percebeu que o Centro Escolar de Pombal é o exemplo maior das obras-tortas. Mais: a denominação obras-tortas nasceu lá, inspirada nas colunas tortas que cresciam dos caboucos (como aqui assinalámos).
Adivinhavam-se os problemas. O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita; neste caso, rompe, parte, e mete água por todos os lados quando chove.
Ao problema Centro Escolar junta-se o próprio vereador, que, coitado, ainda não percebeu o problema, a sua origem, as suas causas. E nós também não o percebemos; não percebemos as suas explicações sofridas, nem as acções.
Então, não é que agora (hoje), em plena invernia, quer substituir toda a tela da cobertura. Ponham mão naquele santinho...E os garotos ao largo.

PS: As obras dos Vinagres continuam sem fim à vista. O empreiteiro fura todos os prazos acordados; e o vereador já nem submete ao executivo – como devia - pedidos de prorrogação do prazo; limita-se a ter fé que o empreiteiro acabe aquilo, entretanto (vale-nos o vereador ser um homem de fé).

6 de novembro de 2019

Obras falhadas

Se há legado que Diogo Mateus (e Narciso Mota) nos deixa é um rol enorme de investimentos falhados e obras tortas. Os exemplos maiores são o CIMU-SICÓ e as obras de requalificação urbana. Passado algum tempo, interessa olhar, com alguma atenção, para uma obra emblemática do regime: a requalificação do Largo do Cardal, que ela ilustra bem o estenderete.

O Largo do Cardal é, ou deveria ser, o espaço mais emblemático da cidade, o seu coração e a sua memória. Localizado no centro da cidade, para ali confluem todas as artérias e ali se situam os edifícios e monumentos mais emblemáticos. Deveria ser aquilo que sempre foi (mas deixou de ser): um espaço dinâmico, atractivo e valioso; disputado pelo comércio e serviços, pelas actividades de lazer e de animação cultural. É, actualmente, uma praça sem vida, nomeadamente nos fins-de-semana - ao domingo nem um café/esplanada está aberto.

As obras de requalificação do Largo do Cardal limparam o espaço dos seus elementos característicos e decorativos, desnudaram a praça, procuraram torná-lo mais funcional, mas não acrescentaram nada de atractivo ou recôndito. O resultado está a vista de todos: a praça é um espaço banal, vazio, sem alma e sem vida, onde até sombra falta, que perdeu quase tudo: beleza, atractividade, pessoas. Depois, há ali uma assimetria entre o banal e o antigo que destoa e desapraz.

Bem pode o poder instalado arranjar desculpas para o sucedido. As preferências das pessoas são o verdadeiro teste do algodão. Nada representa maior fealdade que um cadáver nu. A praça está desnudada e morta. Um erro a não cometer nas próximas intervenções na cidade.

3 de novembro de 2019

Obras tortas

As obras nos governos continuam sem rei-nem-roque, na qualidade, nos prazos e nos prejuízos.
Oh Diogo; mete o Narciso nas obras; ele gosta, é um especialista e fica mais barato(?)

30 de outubro de 2019

As obras de D. Diogo

O presidente Diogo está a transformar a cidade num grande estaleiro – o activismo político e o excesso de dinheiro oblige. Temos um estaleiro no Jardim das Laranjeiras e outro na Rua Custódio Freire, que já estão a provocar imensos transtornos, mas, entretanto, teremos outro no Jardim do Cardal, outro na Várzea, outro junto à estação da CP, outro no terminal rodoviário, etc. Os estaleiros dentro das cidades são um mal necessário, pelos incómodos que provocam, mas são, também, e vezes demais, sinónimo de esbanjamento, inutilidade, desperdício.
As intervenções em curso e programadas não obedecem a um plano estratégico ou urbanístico para a cidade, são meras operações cosméticas, que consumirão avultados recursos sem melhorar significativamente a actratividade e a funcionalidade da cidade. Diogo Mateus comprometeu-se a apresentar e a submeter a discussão pública um Master Plan urbanístico para a cidade. Não o fez; prefere começar a casa pelo telhado; prefere a acção à concepção; o fazer ao planear; o impor ao envolver. Nesta terra, as coisas não se fazem para responder às necessidades e aspirações das pessoas, fazem-se em função de uma agenda. Raramente resultam.
Há uns tempos, um político e dirigente do PSD disse-me: “Depois do desastre em que se transformou o CIMU-SICÓ, o Diogo - e os que o acompanham - deveria ser proibido de mexer na cidade”.
Só que: há almas nascidas para mandar, e outras – a esmagadora maioria – para obedecer ou abster-se. Quando se juntam, o caminho para a desgraça fica traçado.

16 de outubro de 2019

Faz & Desfaz





As obras nos Governos são as verdadeiras obras de Santa Engrácia. Erros de projecto e de execução conduzem a isto: desperdício e a incómodos para as pessoas.
Não saímos disto…



3 de outubro de 2019

Urbanizações à pombalense… (IV) – A Ameaça e as Falácias

O Farpas não tem medo da Verdade, nem da Justiça, nem dos justiceiros. O que nos move é o combate sem trégua aos “interesses e poderes instalados, aos oportunistas e aos manhosos, …” - a defesa do interesse público. Os interesses e os conflitos particulares não nos interessam; ignoramo-los até.
As afirmações que a doutora Ana e o seu cliente rotulam de “absolutamente falsas” constam do longo argumentário do presidente da câmara para justificar o embargo do loteamento, que promotor imobiliário acatou, engoliu em seco, remediou ou tentou remediar. As afirmações são materialmente verdadeiras; e nenhuma sentença as desmente, porque áreas são áreas, e coordenadas são coordenadas. Ponto. 
A vil ameaça assenta, também, em vícios de raciocínio indesculpáveis em gente letrada. Ao afirmar que as afirmações são “absolutamente falsas, conforme resulta de sentença proferida pelo Juízo Local Cível de Pombal, …, confirmada pelo Tribunal da Relação de Coimbra”, ignora que:
(i) a sentença proferida em OUT2018, e confirmada em FEV2019, diz respeito, unicamente, a uma providência cautelar, apresentada por um particular, de embargo de obra nova (muro de sustentação de terras numa estrema do loteamento);
(ii) a sentença nada diz sobre a legalidade do loteamento, porque nada sobre isso era requerido, nem o poderia ser com aquele tipo de acção;
(iii) o embargado do loteamento foi decretado pela CMP em data posterior à dita sentença (MAI2019), com base num vasto conjunto de irregularidades detectadas pela fiscalização da câmara.
Assim, penso que fica claro que as afirmações que publiquei, sobre o dito loteamento, ou mais concretamente sobre a forma como se aprovam loteamentos nesta terra, são verdadeiras e são uma breve síntese do argumentário que o presidente da câmara aduziu para justificar o embargo do loteamento - são cocegas, quando comparadas com as proferidas pelo presidente da câmara. 
Se o promotor imobiliário se sente ofendido, e prejudicado, vire-se para o presidente da câmara, que falou e agiu contra ele; e deixe o Farpas em paz (nós faremos o mesmo – os interesses e conflitos privados não nos interessam).
Bem sabemos que a verdade dói. Mas a dor também é necessária. Por que, como disse um grande filósofo, a verdade tem que ser dita nem que o mundo vá pelos ares.