17 de abril de 2009

Revista de imprensa

Liga-me um colega da TVI que vem a caminho de Pombal. À rua do Fidalgo Aprendiz (volta Gentil, estás perdoado...), a propósito da inauguração de mais uma ideia de Pedro Martins, que não precisaria de ser vereador para desempenhar tão bom trabalho, mas já que é, que se mantenha, pois que a terra é de extremos e não há espaço para quadros intermédios. Helàs...
A ideia consiste numa experiência que, por uma vez, permitirá que se fale de Pombal à escala nacional por bons motivos.
No rescaldo das amêndoas amargas que o administrador-fashion da Pombal Viva saboreou por estes dias, à laia de digestão tardia da festança do último Bodo, fica o registo da corajosa abordagem ao tema por parte do Correio de Pombal. Temporariamente só* como semanário, traz um trabalho escorreito de Nuno Oliveira sobre a derrapagem nas contas. Sendo que nos últimos tempos a informação na hora certa e sem medos tem sido praticamente um exclusivo do Notícias do Centro, é de louvar a...ousadia do OCP.

*Parece que estes senhores estão a caminho de Pombal com um semanário gratuito. Boa sorte!

Ponto prévio

O ponto de partida deveria ser o que é que se quer fazer com Pombal? Para onde é que Pombal deve caminhar? Temos um passado que condiciona (ou define, consoante as barricadas) o caminho a tomar. Mas o que deveria, digo eu, nortear a acção de quem gere é o saber onde se quer chegar, traçar o objectivo para depois definir a estratégia a adoptar para lá chegar. Para poder ponderar as hipóteses e escolher as opções que mais o ajudem a chegar ao destino.

É suposto fazer Pombal concorrer com Coimbra e Leiria para não ficar meramente "entalada"? Então como é que se faz? Quais são os investimentos, as opções estratégicas, as associações, os projectos que devem ser abraçados? É suposto assumir que essa concorrência é ilógica, mas que Pombal pode ser um centro, digamos, intermédio, que contribui para o crescimento regional à sua escala e beneficia dele? É suposto Pombal tornar-se a locomotiva do Pinhal Litoral Norte e do Pinhal Interior, aproveitando as suas ligações priveligiadas? Mais uma vez, como? Através de que instrumentos? Quais as áreas sectoriais (indústria, turismo, o quê?) que têm de ser desenvolvidas/alvo de aposta?

O passado tem de ser discutido, nomeadamente para perceber se as apostas que, nestes 35 anos foram sendo feitas, foram as mais acertadas para o desenvolvimento de Pombal, para que todo o potencial que este concelho tem seja mesmo atingido. Sem a avaliação crítica, séria e rigorosa do que foi feito, com assunção de erros e responsabilidades, a discussão de preparar o futuro sairá sempre coxa. Mas sem se traçar um rumo, não apenas com ciclos de 4 em 4 anos, também é essencial. Por isso é que os programas eleitorais são, muitas vezes, depósitos de palavras a quem ninguém liga, porque representam apenas a espuma dos dias (da altura) e os chavões que parecem mais lógicos. Mais que ideologias partidárias, deveriam disputar-se, em ano de eleiçõe, a capacidade de avaliar criticamente o passado e as ideias sobre o futuro. Sem isso, é reduzir a Política a mera clubite e a confronto de caciques.

16 de abril de 2009

As ideias ou a falta delas

As opiniões aqui expressas sobre as forças políticas locais, nomeadamente a distinção entre as têm ou não têm ideias para Pombal, roçam o ridículo e o mais descarado facciosismo.
Antes de discutir o ter ou não ter ideias convinha esclarecer o que é ter uma ideia (ou ideias) para Pombal. Se ter ideias é: apontar uma medida, uma acção ou um conjunto delas; então todas as forças políticas têm ideias, e até demais. Costumo chamar a isto intenções ou palpites. O seu valor é reduzido ou nulo, por isso a maioria delas não passa do papel dos programas eleitorais. Quando estão minimamente alinhadas com uma necessidade de grupo ou lugar tendem a ser concretizadas.
Os partidos, a nível local e também a nível nacional, não têm grandes ideias para apresentar aos cidadãos. Ter uma ideia pressupõe ter uma visão para a comunidade, um modelo de desenvolvimento assente em vantagens comparativas e um programa de acção concreto e alinhado com o modelo. Como isso dá trabalho e requer estudo, compreensão da realidade e massa crítica para o fazer tendem a transformaram-se em estruturas para ganhar ou participar nas eleições.
Quando não se confrontam visões e modelos de desenvolvimento as eleições resumem-se a um duelo nas urnas. Infelizmente, é a isto que temos assistido e é disto que os maus políticos e os eleitores pouco exigentes gostam. Ganha sempre um, mas perdem, quase sempre, as populações. Como a realidade demonstra!

PS: O PS quando divergiu e criticou o executivo municipal apresentou, sempre, propostas alternativas.

Festival de teatro de Pombal


Este fim-de-semana, pelas 21h30, no teatro-cine, o Teatro Amador de Pombal vai estrear a sua nova produção "O que não vi", criado a partir do (excelente) livro de Javier Tomeo "Histórias Mínimas". Este espectáculo abre a edição de 2009 do Festival de Teatro de Pombal.

De louvar a vitalidade do TAP e a iniciativa promovida em parceria com a Câmara Municipal. O livre trânsito para todo o festival só custa 1o euros.

15 de abril de 2009

Modelo no Casarelo

Falava-se nos terrenos da Beiroleo, o que até se compreendia, mas não, é no Casarelo.
Comem o melhor naco, com a conivência do executivo camarário.
Ficamos mais pobres. É a nossa sina.

Falta de ideias

Em vários comentários que li recentemente, a oposição em Pombal é acusada de falta de ideias. Para contrariar essas afirmações, envio o link para a página da CDU das últimas autárquicas.

Por curiosidade: alguém se lembra de ter visto alguma coisa semelhante da parte do PSD?

14 de abril de 2009

Derrapagem das Festas do Bodo (IV)

No debate de hoje na RC, Diogo Mateus contestou os números da derrapagem das Festas do Bodo avançados pela imprensa local.
Segundo ele, o prejuízo nunca poderia ser superior a 300.000 € porque os resultados da Pombal Viva foram, só, -267.000 €.
Isso é que temos aqui uns gestores da coisa pública! A fazer deficits e explicá-los.

Derrapagem das Festas do Bodo (III)

Uns do lado da aldrabice outros do lado da transparência.

13 de abril de 2009

Empresas Municipais

Existem grandes benefícios na opção da gestão da cultural por uma empresa municipal. Desde logo, o facto desta se poder constituir como entidade de Direito Privado, permite a agilização de processos fruto de uma menor carga burocrática. Por outro lado, as empresas municipais têm mais capacidade para se relacionar com outros agentes culturais da cidade e com as empresas, criando parcerias e redes de trabalho com vantagens inegáveis para a vida cultural do município.

Mas para que a sua actividade seja produtiva, terá que ser enquadrada num plano estratégico a longo prazo, definido pela autarquia e assumido pelos diversos agentes culturais, pelas empresas locais e pelos partidos políticos por forma a não ser contingente aos ciclos eleitorais. Por outro lado, a escolha do seu responsável deverá ser assente em critérios meramente técnicos.

Não é esta a realidade que temos em Pombal. Em primeiro lugar, não existe qualquer plano estratégico. Veja-se o exemplo das Festas do Bodo: se olharmos para o seu programa, constatamos que é tão pouco imaginativo que não pode servir nenhuma estratégia minimamente pensada. Por outro lado, a Pombal Viva não incentiva as parcerias com agentes locais, ao contrário da vereação municipal que promove o excelente festival de teatro em parceria com o TAP. Finalmente, na nomeação do Sr. João Vila Verde pesou mais a cor do seu cartão do que a sua qualidade como gestor (que agora se provou ser muito pouca).

Neste momento fala-se em retirar autonomia à empresa municipal. Mas isso vai contra toda a lógica da sua existência e revela que a autarquia apenas olha para a Pombal Viva na perspectiva das eventuais vantagens burocráticas. O que se exige à Câmara Municipal é que actue com rasgo e inteligência e que aproveite o momento para repensar a sua (falta) de estratégia numa área tão estruturante como a cultura. Mas isso é pedir demasiado a um executivo que sempre pautou a sua actuação na lógica do despotismo iluminado.

12 de abril de 2009

Derrapagem das Festas do Bodo (II)



Narciso Mota vê em João Vila Verde um exemplo de “competência e profissionalismo”.
Pergunto: onde é que está o incompetente? E o aldrabão?
Aditamento: desconfio que o incompetente ainda vai ser o revisor oficial de contas.

11 de abril de 2009

Sim, ainda o Bodo

A 3 de Outubro de 2008 escrevi: "O facto de ter gostado do meu Bodo (leia-se dos concertos) não me impede de, perante os números, de achar que o Bodo, naqueles moldes, não correu bem. Aliás, "não correr bem" acaba por pecar por defeito. Não se conseguiu atrair o número de pessoas que tornaria a festa auto-sustentável, que é a fasquia no mínimo exigível, e a desculpa do 1º ano não vale para tudo. Voltar ao modelo anterior? Não. Reequacionar este, tornando-o sustentável, isto é, evitando o prejuízo (..)".

Escrevi o texto acima com base nos 100 mil euros de prejuízo. Demasiado, sempre, mas ainda passíveis de, no futuro, com cortes na "gordura" e mais racionalidade, virem a ser reduzidos procurando a sua sustentabilidade. Recentemente, numa conversa pública, na Rádio Cardal, com João Vilaverde, perante a admissão de quem nem tudo teria corrido bem, assumindo que se procuraria um investimento semelhante desde que gerasse menos custos, admiti a possibilidade (lógica) do Bodo poder caminhar para a sua auto-sustentação, o que seria o seu patamar óptimo e desejável. E a única solução lógica e racional.

É claro que para esses raciocínios partia-se sempre do quadro apresentado, aquele que tinha por base os números apresentados em Setembro e agora completamente desacreditados pois o prejuízo, afinal, era 2 vezes superior ao anunciado. Por isso impõe-se naturalmente uma questão:

Por que motivo é que a derrapagem só foi assumida depois de se ter apresentado o Bodo para 2009?

Só me ocorre uma resposta: é que assim continua a garantir-se uma festa que, apesar de não andar minimamente perto de se conseguir sustentar, ainda é em "grande", voltando ao normal para o ano, já bem depois das eleições.

E, com todo o respeito por opinião contrária, nomeadamente do meu amigo Eng. Rodrigues Marques, promover Pombal é sempre um bom princípio, sempre tendo em conta o custo/benefício. Use-se, para lógicas de promoção, o Euro 2004 como exemplo: promoveu Portugal, mas o que deixou depois? Veja-se a nossa capital de Distrito, por exemplo. Não fosse o desperdício e, se calhar, não se torcia o nariz ao Mundial 2018. Isto para dizer que, com prejuízos destes, festas do Bodo serão sempre custo e nunca investimento. Haja um modelo que consiga ser mais equilibrado (e isso dá outra discussão) e talvez depois se fale em investimento.

E isto porque gastar sim, quando se assume, de forma sustentada, um retorno satisfatório. Admite-se a insistência quando, apesar de nem tudo correr bem, se adopta o princípio de aprender com os erros e aprimorar processos, desperdiçando menos dinheiro. Mas qualquer benefício da dúvida se evapora quando os processos são tudo menos transparentes como, afinal, se veio a revelar ser caso presente. Afinal, a derrapagem em causa (200%) mina qualquer pretensão de credibilidade.

Acrescente-se que não se pode exigir transparência e responsabilização quando a côr é uma e esquecer isso quando a côr é outra. Há uma derrapagem grave, censurável e que implica a responsabilização dos responsáveis, passe o pleonasmo. Que, acrescente-se, não se reduzirão apenas ao administrador-executivo da PombalViva mas inclui também o próprio Presidente da Câmara que, enquanto vocifera violentamente contra desperdícios e incompetência de outros, não pode esperar passar agora por entre os pingos da chuva quando, na hora da verdade, a responsabilidade política é sua.

8 de abril de 2009

Bodo party

Sem prejuízo de se visualizarem todos os vídeos (únicos, imperdíveis, cada um à sua maneira), atentem, senhores, no que diz João Miguel. O oráculo não indica de quem se trata, mas a malta sabe que é um cantor ali de Leiria, que não raras vezes canta com a banda da Kiay, no Cabaret, e fez uma incursão por uma boys band aqui há tempos. Tem um álbum novo, informa ele.
Na apologia do Bodo, que fez aos microfones da Rádio Cardal - ou a Isilda só emprestou a voz à Pombal Viva? Ou a rádio vai ter um papel preponderante no espectáculo? - diz ele que "o país pára para vir ao Bodo". Menos rapaz, menos...

7 de abril de 2009

Demagogo

A propósito da polémica da Factura da Água, Diogo Mateus classificou os dirigentes do PS de intelectualmente desonestos.
Quem não tem argumentos ataca as pessoas.
Diogo Mateus formou-se no caldo da demagogia. Decididamente, a intelectualidade não é o seu forte.

Comentários

Este blog também se tem feito dos comentários, maioritariamente anónimos (infelizmente). E continuar-se-á a fazer, se …
Os comentários insultuosos, particularmente os anónimos, serão eliminados (já que não é possível editar o comentário e retirar a parte insultuosa).
Aqui a opinião é livre, desde que responsável.
PS: Domingo eliminei comentários anónimos que poderiam ser considerados ofensivos pelos visados (comentadores identificados do Farpas). Respeito muito quem assume as ideias e as opiniões.

Uma bom notícia e um bom vereador

Pombal vai ser a primeira cidade portuguesa a adoptar a tecnologia LED na iluminação de uma rua. Excelente notícia! Para além de provocar uma substancial redução do consumo energético, a solução tem grandes vantagens ambientais e de gestão.

Esta tecnologia foi já testada, com sucesso, nos EUA, no Canadá e muitos outros países. A nossa Câmara Municipal e o vereador da Energia, Pedro Martins (sempre ele...), estão, pois, de parabéns!

6 de abril de 2009

R. MARQUES A PRESIDENTE DO SPORTING DE POMBAL, JÁ!



R. Marques foi eleito nos últimos tempos Presidente da Rádio Clube e Direcção dos Bombeiros Voluntários de Pombal. Sabendo nós que além destes insignes cargos, é Presidente da Junta da Freguesia de Albergaria dos Doze e Associação dos Industriais de Pombal, e que no Sporting Clube de Pombal o actual director não se irá recandidar, daqui desafio o Sr. Engenheiro a candidatar-se a mais um lugar de Presidente, agora o do Sporting. Faria quase o pleno. Para bem do associativismo e da social democracia. Por isso daqui lanço a seguinte palavra de ordem: RODRIGUES MARQUES A PRESIDENTE DO SPORTING CLUBE DE POMBAL, JÁ!!!

Meus caros amigos*,



Aqui vai, com especial dedicatória para todos aqueles que se consomem a destilar fel,uma das pérolas de Chico Buarque. Foi o meu amigo Adelino Leitão que me fez voltar a ouvi-la, aqui há dias, quando era convidado no "Ronda Columbina", programa de Daniel Abrunheiro que habitualmente vai para o ar à sexta-feira, no éter da Cardal FM. Isto quando não há especiais lúdico-informativos sobre as festas do bodo.

*qualquer semelhança entre o título do post e o início dos discursos de um presidente de Câmara perto de si é mera coincidência.

5 de abril de 2009

A propósito do Go!Shopping

Manuel Gonçalves (ACSP) dixit: “teremos um caos urbanístico tremendo, com montras vazias, ou tapadas com papéis a preencherem ruas sem vida, sem luz e sem segurança”.
A oposição, o PS, ainda não tinha ido tão longe.

4 de abril de 2009

O último grande Herói


Não posso deixar passar esta data em claro: decorrem hoje 17 anos sobre a morte de um homem a quem devemos, mais do que a nossa Liberdade, um exemplo a seguir em termos de dedicação, coragem e abnegação. Fez o que sentiu que devia fazer e retirou-se, apenas para ser esquecido e maltratado por um país ingrato que condecorou PIDEs enquanto o deixou abandonado na doença. Mas é certo que nunca lhe tirou a dignidade que, ainda hoje, envergonha alguns e inspira muitos outros. A Salgueiro Maia, a minha homenagem pessoal por, no momento certo, não ter virado as costas à História.

3 de abril de 2009

Não há limites

Nao há limites para a crise.

Não há limites para a crise directiva nas associações.

Não há limites para a crise directiva nas associações de Pombal.

Mas pelos vistos há limites para chegar ao poder das associações. É preciso ser sócio!

Até no Sem-Limites é preciso ser sócio para ser dirigente. Que chatice.

Com rapazes tão disponíveis para emprestarem o seu tempo, a sua carolice, enfim, a sua presença fashion aos desportos radicais e aos passeios todo-o-terreno, como é que isto foi acontecer, hã?

(P)(S)(D) sou eu

Tirando 1974, ano em que ninguém governou, e 1975, ano em que o amanhã quase cantou, há coisa de 34 anos que somos desgovernados, alternada e inalternativamente, por um par de jarras de sigla-clone: o PS(D) e o (PS)D. Para este totobola não contam nem o partido dos eucaliptos, que foi CDS e agora é PP, nem a coligação dos rabos-de-cavalo, que foi UDP e PSR e agora é BE, nem o partido da cassete contra-o-grande-capital-e-as-políticas-de-direita. Portanto, a culpa disto tudo é minha.
Três décadas e quase meia de PS(D) e/ou(PS)D: e a culpa é minha. Já não assobio para o lado. Quando raspo a barba, barbeio, olhos nos olhos, o culpado disto tudo.É certo que tenho alguma gramática, mas nenhum cartão, sequer de multibanco (ou multibando, conforme a perspectiva).
É verdade que possuo dois pares de sapatos, um de pantufas e outro de chinelos de banho, mas nenhum sítio para onde ir.
É real que tenho certa queda para a poesia, mas lugar algum onde cair morto, quanto mais poeta.
A culpa é minha. O senhor Flaubert era Madame Bovary. (P)(S)(D) sou eu: Patego, Sonso, Desequilibrado; Picuinhas, Sentimental, Doidivanas; Portuga, Seminal, Delicodoce; etc.
Quando me casei com esta senhora que hoje me tem, ela não sabia. (Fiz por lhe não contar, que isto de ser burro também tem seus dias não contados. Morrendo, fina-se a burrice que é um mimo.)
O problema é enquanto não se morre. Nasceu-se, nasceu: nada a fazer. É aguentar a coisa, trinar o fado com o fiapo de bacalhau a apodrecer a anfractuosidade dentária, benficósportingar umas minis, chupar o mata-ratos e saudades à prima.
Mas à noite, enrolado na fria lona que resgatei ao espólio da tropa, consolo-me todo de o (P)(S)(D) ser eu.
Eu e tu também, meu culpado leitor: não assobies, que tens espuma de barbear na boca.

Daniel Abrunheiro

2 de abril de 2009

É isto o poder local…

Domingos Névoa, condenado em Lisboa por um crime de corrupção no poder local foi indigitado para presidente de uma empresa intermunicipal em Braga. Indigno.
Mas o mais sintomático e grave é que foi eleito por UNANIMIDADE!
Eis o grau zero da decência política!

Como é que dizia Gandhi?

Primeiro de Abril

Ao ler que o Castelo de Pombal iria ser demolido e reconstruído por questões de segurança, facilmente se chegava à conclusão de que só podia ser mesmo coisa do Dia das Mentiras (e muito bem inventada, sim senhor). Mas há sempre uma fracção de segundos antes que 2+2 sejam 4 em que uma pessoa, atendendo a outras ideias peregrinas, ainda se interroga se tal coisa seria possível...

Já agora, e como devem ter notado, também o Farpas aderiu ao 1º de Abril.

1 de abril de 2009

Mais um a farpar

Depois da "lufada de ar fresco"que foi a chegada de Adelino Leitão a este canto da blogosfera (citando Carlos Ribeiro da Silva), é chegada a hora de alargar a coluna "os da casa" ao pensamento escorreito, à escrita poética, enfim, à mente aberta do mais alto representante do povo de Pombal. Trata-se, claro está, de Narciso Mota, presidente do município.

Não raras vezes o autarca expressa, publicamente, a vontade de responder aos críticos e aos que escrevem artigos de opinião. Pois bem, é chegada a hora de aqui ter a vez e a voz. É que o Farpas desenvolveu um sistema da mais avançada tecnologia que permitirá ao engenheiro gravar os seus post's, sempre que o assunto o justifique, permitindo ao leitor usufruir da realística qualidade sonora das intervenções mais acaloradas.

A partir de agora este será, verdadeiramente, um blogue sustentado, harmonioso, enfim, charneira.

30 de março de 2009

Nova Associação Empresarial

Em Pombal, a notícia da semana, pelo que tem de novidade e de sintomático, foi a intenção de criação de uma nova Associação Empresarial. Se a ideia for criar uma coisa mesmo nova é uma boa-nova, se a ideia for criar uma coisa formalmente nova, a partir do velho, é um mau sinal.
Romper com o status quo, acreditar que se pode fazer melhor é, em qualquer lado, um bom sinal. Aqui é premente.

Rafeiro

O Rafeiro é um canino sem caninos, que ninguém leva a sério, que ladra porque só ladrando mostra serviço ao dono que o alimenta.
A política está cheia de rafeiros e de sabujos que adulam e mordem à traição, de Eusebiozinhos e de Miquinhas.

NOVO ILÍCITO PENAL - REFORMA DO CÓDIGO PENAL DE POMBAL

É de facto espantosa a forma como as reuniões do executivo camarário servem para responder aos comunicados do PS. Uma parte do tempo daquelas "magnas" reuniões vão servindo para exercer o contraditório às posições da oposição representada na Assembleia Municipal, pois como é bem sabido S. Leal e R. Miranda, vereadores eleitos e antigos "opositores" deixaram de tomar qualquer posição desfavorável ao executivo, renegando e desprezando o seu próprio eleitorado. A última reunião é bem demonstrativa da concepção de democracia que possuem o Senhor Presidente, o Senhor Vereador Mateus, e ainda o inapagável Senhor Vereador Michael Mota António, uma vez que à miníma chamada de atenção, crítica, pedido de esclarecimento, reagem sempre e sempre da forma do costume. Para os supra citados toda a oposição que mexe é " gente desonesta intelectualmente", "mentirosos", possuem "falta de carácter", pelo que "devem ser criminalmente responsabilizados". Esta de criminilizar as posições da oposição, não lembraria a ninguém, a não ser ao Senhor Engenheiro, e teria que ser Presidente da Câmara, e de Pombal, não é assim, minha cara Paula Sofia e prezados leitores?

Ainda a água

O que afasta as pessoas de votar, para usar a frase de Narciso Mota, não são comunicados "mentirosos", mas sim a incapacidade de discutir factos. Entendamo-nos: há dados do IRAR que demonstram que a factura da água de Pombal é mais cara que a de outras localidades. A Câmara Municipal de Pombal entende que, afinal, a comparação não pode ser feita e que os dados estão desactualizados. No entanto, já estariam desactualizados quando se começou a falar disto e só agora se ouvem esses argumentos. Ou seja, por cada escalada na "discussão", há mais dados em cima da mesa, o que mostra não abona nada a favor da transparência de toda a questão. A questão central é simples e é essa que tem de começar por ser respondida: a factura da água é das mais caras ou não do distrito? Sublinho "factura". Isto são factos e factos não deveriam ser dificeis de comparar. E depois discutir.

Quanto aos epítetos lançados na reunião da CMP são reveladores da forma de fazer política de alguns: tão elevada que essa sim afasta as pessoas de participar.

29 de março de 2009

Circo

As reuniões do executivo da CMP, órgão que tem por missão avaliar as opções da maioria e as solicitações dos munícipes e decidir o melhor para o concelho, transformou-se num circo cuja principal finalidade é atacar e denegrir, com mentiras e calúnias, todo o tipo de adversários: políticos, jornalistas, cidadãos, etc.
Ali, há muito que se perdeu a noção da respeitabilidade (não todos).

27 de março de 2009

rescaldo de uma semana surpreendente

1. A esta hora Rodrigues Marques - e o vice Diogo Mateus - estará a ser eleito presidente da Direcção dos Bombeiros Voluntários de Pombal. Sem querer discutir aqui as inegáveis qualidades do engenheiro - que passam sobretudo pela dedicação pessoal e pelo amor à camisola - , tenho uma sensação estranha quando, num espaço de dois meses, o vejo assumir dois cargos de relevo. Primeiro a rádio, agora os bombeiros. Tenho a certeza de que estará até mais à vontade no meio das fardas. Ele, que até usa a dele volta e meia.
Mas das duas uma: ou isto é um assalto ao poder ou estamos perante a mais grave das crises directivas de que há memória em Pombal. A ver vamos.

2. João Coucelo alimenta na cidade uma espécie de apetite eleitoral que desperta amiúde. São notórias e conhecidas as diferenças, sobretudo de estilo, entre ele e o Presidente da Câmara, a quem, no entanto, tem ajudado a eleger sucessivamente. Na primeira eleição o papel de Coucelo terá sido mesmo preponderante, como foi de resto no primeiro mandato.
Sendo certo que Narciso Mota daqui não tenciona sair tão cedo - preparando-se para fazer 20 anos a mandar na Câmara, percebe-se a "revelação" do médico - actual presidente da Assembleia Municipal - esta semana, numa entrevista "concedida" (sic) ao Correio de Pombal. Diz ele que, neste momento, a sua disponibilidade para cargos políticos é nula.
Mas das duas uma: ou pensa resguardar-se definitivamente no seu papel de "senador" e não vai a votos para a Assembleia Municipal, ou deixou de a entender como um cargo político. O que será, então?

Ainda os Pombus

Os Pombus passam a ser pagos a partir do dia 4 de Maio. Falta ainda saber os preços que se pagarão. Concordo com o que aqui é dito, já que começava a não se compreender o atraso na entrada em vigor do pagamento daquele serviço.

26 de março de 2009

3 Milhões de euros no Castelo

"Ó pá, não é por nada, mas o que me parece é que a zona está mesmo a ser preparada para o GoIShopping".
Bem apanhado, anónimo!

Bateu mesmo no fundo (II)

A Justiça bateu no fundo. Não garanto que bateu mesmo no fundo porque as decisões judiciais caricatas e contraditórias são tantas e cada vez mais surpreendentes que se torna difícil assegurá-lo.
O sistema está à deriva e sem capacidade de regeneração porque sendo fechado e corporativista não possui grandes mecanismos de controlo e reacção.
A força para a mudança, necessária, teria que vir de fora, mas dificilmente virá nos próximos tempos. O poder político é, normalmente, fraco e não sabe lidar com os operadores judiciais as suas corporações. Assim, estamos condenados a ter uma justiça ao sabor da onda e dos interesses, uma justiça para os pobres e outra para os ricos.
Quando dois tribunais, de primeira e segunda instância, decidem de forma contraditória um crime factual (e reconhecido), com prova recolhida por equipamento calibrado, comprovam, mais uma vez, que a aplicação da justiça é um processo sem grande previsibilidade e fiabilidade.
PS: o recurso também diz alguma coisa sobre os protagonistas.

24 de março de 2009

Sobre a água...

... os vôos de uma qualquer low cost também são dos mais baratos. Mas quando se paga o bilhete também se pagam as taxas. E aí, as diferenças são poucas... E não conheço ninguém que, na hora do consumo, compare os preços sem as taxas, já que no fundo, quando se paga, paga-se tudo.

Castelo de Pombal

SM coloca, em comentário a este post, questões que interessam, e que passo a reproduzir, atendendo à pertinência das mesmas, sobre as obras de valorização da colina do Castelo de Pombal:

Porque razão se vai fazer tal obra sem que antes tenha sido realizado um estudo arqueológico prévio?

Quanto se vai gastar a mais caso apareça algo durante a obra?

E se durante as obras o projecto previsto tiver que ser radicalmente alterado? Quanto custará ao nosso bolso?

É certo que as obras, obrigatoriamente, terão que ser acompanhadas por um arqueólogo, mas tal como aconteceu na Praça Velha, tenho muito receio que se diga no fim, não apareceu lá nada, é terreno estéril!!! Estranho, muito estranho, não?

Será que não interessa saber o que há por ali?

Que pormenores sobre a nossa história esconde?

Que estruturas estão enterradas?

Na igreja de Sta. Maria do Castelo não haverá sepulturas?

E sua hipotética cripta, existe ou não?

Será que se consegue identificar o suposto castro pré-romano que se supõe existir?


Uma coisa é tratar o património a betão, outra é cuidar do património, investigando aquilo que o valorize de facto, como por exemplo, a existência de ruínas únicas ou que contribuam para o espaço (ver Silves, tal como SM refere). Admito as minhas reservas a esta obra (pela sua lógica e eventuais consequências), mas veremos como tudo corre. Parece-me de elementar lógica que uma revitalização sem um levantamento arqueológico sério seja questionado. Não se trata de fundamentalismo, politiquice ou as habituais acusações de quem é alérgico a opiniões diversas: é querer proteger o património. Exactamente pela mesma razão que era bom que se pudesse fazer um levantamento sério do património romano de Pombal (onde não se inclui a Ponte Românica da Redinha).

Descaramento…

Narciso Mota, acossado pelo PS e por alguns pombalenses mais atentos ao montante da Factura da Água, decidiu escrever aos pombalenses, para os aldrabar.
Montou assim a artimanha:
(i) Ignorou que a Factura da Água engloba o consumo de água, a tarifa de disponibilidade da água (ilegal), o saneamento fixo, o saneamento variável, os resíduos sólidos fixos e os resíduos sólidos variáveis;
(ii) Ignorou que a Factura da Água é única e indivisível;
(iii) Escolheu os concelhos que melhor lhe serviam para a comparação, sem qualquer critério lógico;
(iv) Optou por fazer a comparação com o consumo de 20 m3, consumo que não representa a maioria dos consumidores, e ignorando os outros escalões;
Concluiu que os pombalenses pagam a água mais barata. O IRAR utilizando 3 escalões (5 m3, 10 m3 e 15 m3) demonstrou, com um estudo comparativo entre todos os concelhos do Distrito de Leiria, exactamente o oposto.
Todos sabemos que o Eng. Rodrigues Marques gosta de fazer passar a sua falácia, mas tem o cuidado de recorrer a equações do segundo grau. Narciso Mota não precisa, basta-lhe as simples contas de somar.
Há engenheiros e políticos muito descarados, não há? E muito manhosos…

23 de março de 2009

uma boa notícia

Que vem mesmo a calhar para evitar acusações vãs no caso do Go Shoping, mesmo ali ao lado. Cala-te boca...

é clicar e ler aqui

22 de março de 2009

Condução sob o efeito do álcool

Já agora, pergunto: a testemunha do outro recorreu? E foi, também, absolvida?

Bateu mesmo no fundo

Este pequeno mas significativo caso mostra, pela enésima vez, que a justiça bateu no fundo e está à deriva.
Mas o mais grave, o verdadeiramente grave, é que não se vislumbra qualquer saída para o “status quo”.

Uma morte anunciada

Está prestes a concretizar-se. “O ECO” vai deixar de ser semanário. Passa a mensário. Uma espécie de metáfora para anunciar o fim de um percurso de 77 anos de vida, com os seus altos e baixos, mas que não pode ser ignorado. É – foi! – um título que não pode ser desligado da história das últimas décadas de Pombal. E é com profunda mágoa que, de há alguns meses para cá, assisto ao seu definhar, para – como receava (e tive oportunidade de manifestar à Paula Sofia, quando soube do seu regresso ao “Região de Leiria”, deixando a direcção do jornal que ela, tão competentemente, estava a relançar…) – ver agora concretizado o seu desaparecimento do panorama da Imprensa Regional.
Não é em vão que recordo 50 anos de uma ligação a este jornal. Onde recebi o primeiro (e único!) pagamento por uma colaboração. Dez escudos – em 1959 – por uma reportagem efectuada em Albergaria dos Doze (apresentação de uma rectroescavadora, uma novidade à época), pagos pelo saudoso Joaquim “Trino”…
O filme exibido na Gala de Honra que assinalou os 75 anos de O ECO bem pode constituir o epitáfio para este Jornal. Os depoimentos registados – “é nosso, é da nossa terra” (Reinaldo Serrano); “o jornal ansiosamente aguardado pelos seus assinantes” (Henrique Falcão); “é o meu jornal” (Manuel Ferreira); “a ligação comovente à emigração” (Paula Sofia); “espaço de liberdade” (Daniel Abrunheiro); “jornal bem escrito”, onde escreveram Pessoa Amorim, Costa Ferreira, Tavares Dias, Miguens Vieira, António Serrano, Pedro Sagunto, Menezes Falcão e tantos, tantos outros – explicam toda uma história de vida de um título que deveria orgulhar os pombalenses.
Pena que não se cumpra o desejo manifestado pela então directora e que O ECO não tenha o tal “futuro risonho”.
Minha cara Paula Sofia: Cumpre-se o destino (tal como com tantas outras coisas por cá). O ECO será “aquilo que Pombal quiser”. Risonho! – dizias.
Dois anos depois… cumpre-se o mau presságio que, já à época, se fazia adivinhar.
Quando, já saturada por ambiente pouco respirável, decidiste “deixar” o barco à deriva, para assumires outros projectos, sabias – sabíamos quantos te acompanharam na tua luta por um jornal digno desse nome – que o futuro de O ECO seria tudo – menos risonho.
Ele aí está, sob a forma de uma morte anunciada.

Correio dos leitores
Alfredo A. Faustino

20 de março de 2009

Cegueira ou arrogância?

Em Pombal, o tema das últimas semanas tem sido o aumento do número de recenseados e o consequente aumento do número de vereadores e membros da AM.
O que é que isto interessa a Pombal e aos Pombalenses? NADA. A não ser aos dois eventuais bafejados com o cargo de vereador.
No entanto, e a fazer fé no relato da imprensa local, a reunião do executivo municipal serviu essencialmente para os membros do executivo darem larga à sua euforia: “Pombal está a evidenciar-se no distrito de Leiria”; “nunca houve um registo de tanto crescimento no concelho como nos últimos anos, o que mostra que afinal o concelho é um bom sitio para viver e trabalhar”; “Pombal é um concelho muito competitivo”; etc., etc., etc.
Mais importante do que ter números é saber analisá-los. O aumento do número de recenseados, porque a forma de recenseamento mudou, nada diz sobre o crescimento de Pombal em qualquer das suas dimensões (se exceptuarmos o número de recenseados).
Não querer ver isto é sinal de cegueira ou arrogância. A arrogância vê sempre tudo com lentes de aumento que transformam pequenas coisas em grandiosas, anões em gigantes, indícios em certezas.

Grande depressão

Não é só a vontade com que uma pessoa fica quando se apercebe dos caminhos que o mundo anda a levar, seja em termos económicos, sociais ou políticos, que mais parecem uma repetição dos anos 30, bastante mais sofisticada, claro. Grande depressão é perceber que o centrão já assumiu a sua perfeita incapacidade de regenerar seja o que for e que tornou os partidos políticos em meras agremiações de contagem de votos, onde o poder é a única ideologia que conta. Por vezes já é a curiosa mistura dos anos 30 com as décadas finais da monarquia portuguesa, onde a alternância reinava e onde se mudava o essencial para ficar tudo na mesma. Em alturas de crise, vê-se a fibra dos líderes mas também se vê a fibra do povo. E vê-se, não numa lógica de tudo partir, mas de querer mais, melhor e, sobretudo, diferente. De exigir responsabilização, fiscalização, consciência social, exercício de direitos com respeito por deveres. Não peço uma revolução, pedia antes uma sociedade civil, daquelas que soubesse que nem tudo é política, no sentido de política partidária, daquelas que se fizessem respeitar. Daquelas que não se contentem em ser figurantes de uma tragicomédia em que apenas de 4 em 4 anos se manifestam, por exemplo. Daquelas que gostassem de saber onde o dinheiro dos seus impostos é gasto e como é gasto, por exemplo. Daquelas que não achassem normal que contra factos ou números é legítimo responder com argumentos ad homine, por exemplo. Daquelas que achassem que discutir política é muito mais que discutir um mero jogo de futebol. Daquelas que não tivessem medo de ser razoáveis e exigir o impossível...

Mais papistas que o papa...

Ultimamente sempre que há uma campanha publicitária que corre mal, a lógica é dizer que só se quis chamar a atenção e que a publicidade negativa também é publicidade. O pior é que nem o melhor Oscar Wilde salva o último exemplo, aquele da campanha da Antena 1, em que se intui que as manifestações são contra os cidadãos. Por muito que muitas manifestações não me mereçam a concordância em termos de reivindicações e justificações, é um direito inalienável de um qualquer cidadão. Usar isso não é que devesse ser proibido, longe disso, mas é revelador de um imenso mau gosto e de um espiritizinho de subserviência, no mínimo, abjecto... Isto porque estamos a falar de uma campanha para uma emissora pública paga com o dinheiro de todos nós.

19 de março de 2009

Esclarecimento

Este blog tem uma missão muito concreta, definida na sua Linha Editorial e divulgada no blog. Aqui “Farpearemos os interesses e os poderes instalados, os oportunistas e os manhosos, a hipocrisia e o servilismo, a obscenidade e o desperdício”...
Este blog não é um fórum de debate. Também pode sê-lo, mas não é essa a sua missão.
Gosto muito da troca de palavras e ideias, com vivacidade e acutilância, mas com quem dá a cara por elas. Valorizo muito esses, os que se assumem, os que têm coragem dizer o que pensam, os que têm sentido crítico e assumem a diferença.
Os outros? Respeito-os, se me respeitarem…

17 de março de 2009

UM AMIGO

O meu particular amigo, Jorge Ferreira, ilustre jurista, vive e labuta na cidade de Lagos. Juntos na Primária em Vermoil, no Secundário em Pombal e ainda na Faculdade de Direito de Lisboa. Além disso compartilhámos momentos de luta por uma sociedade mais justa e solidária. Apesar dos ventos da história soprarem em sentido adverso, temos confiança no futuro. Atento ao que se vai postando no FARPAS, enviou-me um texto que não resisto a publicar. Para que conste.

"Meus caros administradores,

Defendo sempre Pombal e as minhas origens. Mesmo quando o comboio, e eu próprio, só paramos no Entroncamento. Quem me conhece, e um ou dois conhecem (não é presunção), sabe que não ofendo nem pretendo ofender ninguém. Vim cá porque como diz o editorial: “Farpearemos os interesses e os poderes instalados (…)” Nunca as pessoas. “E daremos nota do gesto simples e desinteressado…” Só isso!
Os que estão fora, serão menos Pombalenses e tratarão pior a bola?
Estou a dizer isto por pensar que o “post” retirado pode ter um destinatário. Se for eu, desde que não ofenda a honra de nenhum de vós, das vossas e da minha família, não há problema, publique-se, posso bem com isso e não quero dar azo a “censuras”, nem “tirar o pio” a ninguém. Agradeço apenas que o autor dê a cara para eu lhe poder oferecer a outra face, e se faça a paz ou se cumpra a profecia. Espero saber responder. Se não for capaz. O máximo que posso fazer é exibir o meu metro e oitenta e cento e vinte quilos de peso. Nunca fui muito rápido. Agora, só com muito empenho, é que me mexo. O melhor que posso fazer é sombra em alguma baliza! Ou, tentar trazer alguém, “abalizado”, a este campeonato.
O Eça não farpeou, com fino humor, as Gouvarinhos e outras viscondessas e baronesas? Desrespeitou alguma pessoa, mesmo com esses títulos? Não! Ao que sei até se casou com uma! Dizem os eruditos, que quando começou a sua vida como Administrador do Concelho de Leiria, o Eça (consta que é verdade) no Carnaval de 1871, foi convidado para uma festa de salão em casa do Barão de Salgueiro (1), figura cimeira da região, como era o nosso Barão de Claros (2), que nessa altura tinha acabado de receber o título do Rei D. Luís. Tinha ido para Leiria na procura de algum recolhimento e se preparar para o exame de acesso à carreira diplomática e consular, de que as danças de salão eram uma parte, não menos importante, do currículo e garantia de que nos iria saber representar nos melhores Salões Internacionais, em que as danças e as senhoras tinham um papel importante, tanto nos bailes, como no jogo estratégico das nações. Nessa circunstância, porque achou graça, ou porque o ferrete lhe apertava – pois ainda não tinha trinta anos - o Eça fantasiou-se de Cupido e lá foi para a festa. Já o baile ia avançado e muitas e boas senhoras lhe tinham bailado nas mãos, não se sabe, se devido ao Cupido, se à fantasia, a Baronesa anfitriã afeiçoou-se dele e, pela noite adentro, conduziu-o a uma divisão mais humilde do Palácio – dizem uns, ao quarto da costura, e outros, que ao da criada. Porém, e há sempre um porém! A noite foi-lhe aziaga. O Barão, talvez por saber quem tinha, manteve-se à coca e foi no encalço do “Cupido” e da “Musa” que, de tão entretidos, nem o viram, sorrateiro, a entrar. A Nobre figura e respeitável Presidente da Câmara, pôs-se em “brios”. Sem alarde, pegou no nosso humorista atrevido e, conduziu-o pela escada sem lhe dar tempo para contar os degraus. Ele, que não ficou no melhor estado, regressou a casa. Aí, um amigo da Pensão onde vivia, que o viu sair em tão belo arreio, logo deu pela diferença no regresso e procurou indagar a razão. O Eça, que só queria recolhimento e passar discreto, apenas lhe respondeu: “Consummatum est – olha sou um Cupido desasado.”Rematando, assim, um dos incidentes que o foram ajudando a combater o aborrecimento em que se encontrava e a construir outras estórias que nos deixou.

(1) Não é nada, “nem da água nem do sal”, ao Barão de Vale Salgueiro, cujo titular, julgo ser o meu familiar, amigo e colega Dr. José Gomes Fernandes, o jovial “Menino Guerreiro” .
(2) - O Barão de Claros é só para ligar a história a Pombal. Não tem nenhuma outra utilidade. Tem tudo para ser redundante.
P.S.:
- A vitória do Guimarães, também me deixou desasado. Aqui estou a lutar com o aborrecimento.
Jorge Ferreira,
30/10/60Vermoil"

Aviso aos susceptíveis e sem sentido de humor: não leiam

Recebi este texto no meu mail. Ignoro quem o escreveu, mas não resisti a colocá-lo aqui.
Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os dizendo:

Em verdade vos digo, bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles...

Pedro interrompeu:
- Temos que aprender isso de cor?
André disse:
- Temos que copiá-lo para o caderno?
Tiago perguntou:
- Vamos ter teste sobre isso?
Filipe lamentou-se:
- Não trouxe o papiro-diário.
Bartolomeu quis saber:
- Temos de tirar apontamentos?
João levantou a mão:
- Posso ir à casa de banho?
Judas exclamou:
- Para que é que serve isto tudo?
Tomé inquietou-se:
- Há fórmulas? vamos resolver problemas?
Tadeu reclamou:
- Mas porque é que não nos dás a sebenta e... pronto!?
Mateus queixou-se:
- Eu não entendi nada... ninguém entendeu nada!


Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele, dizendo:

Onde está a tua planificação?
Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didáctica mediatizada?
E a avaliação diagnóstica?
E a avaliação institucional?
Quais são as tuas expectativas de sucesso?
Tens para a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da transmissão?
Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dos conhecimentos prévios?
Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem?
Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo?
E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais?
Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e cooperativos das áreas concomitantes?
Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico constituídos pelos núcleos generativos disciplinares, transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?

Caifás, o pior de todos, disse a Jesus:
- Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás notificado em devido tempo pela via mais adequada. E vê lá se reprovas alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de nomeação definitiva.

... E Jesus pediu a reforma antecipada aos trinta e três anos...

15 de março de 2009

Um desfile de parar o trânsito


A recriação das invasões francesas em Pombal foi uma coisa de fazer parar o trânsito. Literalmente. Qual desfile de banda filarmónica, os figurantes espanhóis desceram a avenida, sábado à tarde, atrás do presidente da junta, do vereador e do mentor da ideia. Para a próxima (sim, estou certa de que há próxima), não é pior interromper o trânsito, como no desfile de carnaval. Boa?

O 7-1 e o 7-2

Foi a semana do 7-1 e do 7-2.
O 7-1 atingiu o Sporting e os sportinguistas mais sofredores. Para os outros, com excepção dos humoristas e dos escribas do fenómeno da bola, pouco interesse teve.
O 7-2 é o palpite que, em Pombal, diverte a malta; sejam situacionistas, esquerdistas ou direitistas. É o que se pode arranjar, há falta de melhor entretimento.
Bem sei que as goleadas são sempre mau prenúncio mas, cruzes canhoto, dêem tempo à prenunciação. Verão que, quando o campo não está inclinado, ganham, quase sempre, os melhores. E que, para aqueles que participam de cara lavada e dão o seu melhor, a derrota nunca é o fim de nada mas simplesmente um resultado e o início de um novo ciclo de aprendizagem. Saibamos compreender isso…

Palavras dos outros que faço minhas

Aumento do número de vereadores

O executivo municipal poderá a vir a ser constituído por mais dois vereadores. Narciso Mota apressou-se a congratular este facto, antevendo “uma maior representatividade do concelho em termos de participação democrática”. Em tese, concordo com o nosso Presidente.

O problema é que, atendendo aos previsíveis resultados eleitorais, os dois novos vereadores irão sair da lista do PSD e (será que estou enganado?) o seu perfil será cuidadosamente escolhido de forma a não criar nenhum tipo de afronta às ideias do grande chefe.

12 de março de 2009

Vamos a contas, então...

A diferença, actual, entre um vereador a tempo inteiro e um a meio tempo, seria de 1526,40 €, ou seja, perto de 21.000 € por ano, cerca de 0,4% do orçamento da CMP para 2009. Noutros orçamentos, esse valor aumentaria para 0,8%. Estes cálculos não contabilizam as despesas de representação. Se fosse entre um vereador a tempo inteiro e um vereador sem pelouro, este (imaginando que há 20 reuniões por ano - 2 por mês em 10 meses) custaria 1526,40 € por ano, implicando uma poupança de cerca de 41.000 € por ano (menos de 1% do orçamento).

Estas são as contas, aproximadas, feitas aos valores actuais. Em termos muito concretos, longe de representarem uma enorme poupança, soariam a exemplo (sublinho o enorme). Um exemplo baseado na lógica de que a um vereador/Presidente cabe a decisão política e que os técnicos servem para justificar decisões técnicas, logo não precisamos de tantos vereadores. Obviamente que cada caso é um caso, e este é apenas um ponto de partida. Isto é, era, já que agora teremos 9 vereadores. Ora, partindo do princípio que se mantêm 5 a tempo inteiro, o aumento de mais 2 em regime de não permanência é de 3.000 € por ano (números redondos), o que é residual num qualquer orçamento camarário. Mas mais um a tempo inteiro, sempre são mais 42.000 € que não escondem uma realidade simples: as diferenças populacionais são assim tão grandes que justifiquem um aumento de 2 vereadores?

E agora indo à Assembleia Municipal, sabe-se que esta não pode ter um número de participantes inferiores ao triplo do número de membros da Câmara Municipal, ou seja, de um mínimo de 21 - cumprido em Pombal passaremos para 27 a que acrescem os 17 presidentes de junta. Monetariamente, estamos a falar de, pelo menos, mais 1.800 € por ano com o funcionamento da Assembleia Municipal.

Os valores são ilíquidos, obtidos aqui.

Reitero que a redução do número de vereadores é muito mais que uma lógica de poupança, e deve ser antes colocada não no plano monetário, mas sim no plano da organização. Nisso e no exemplo, que apesar de tudo, pode constituir.

Suspiro de alívio

De acordo com o mapa de recenseamento eleitoral publicado em Diário da República, o número de eleitores aumentou exponencialmente em Pombal. Quer isto dizer que a Câmara passa a ser constituída pelo Presidente e oito vereadores. Nove lugares, ao todo, estão agora disponíveis, ao invés dos sete que até agora ocupam a mesa do Salão Nobre.
Vista a questão do lado de fora, significa que aumentamos os cargos políticos em vez de os diminuirmos (como aventava JGF há dias, numa intervenção populista, segundo Diogo Mateus no programa da Rádio Cardal). Dura lex, sed lex...
Para o PS está criado (mais um) problema: mais dois nomes para arranjar.
Para o PSD está resolvido o problema: mais dois nomes podem ficar.

11 de março de 2009

Revolta e submissão

O presidente da Junta de Freguesia de Almagreira, Fernando Matias, aproveita todas as oportunidades para vociferar contra o Governo da Nação. Na visita, supostamente de trabalho, do executivo camarário à sua freguesia manteve a postura habitual. Mas, quando confrontado com a falta de saneamento básico e com as estradas degradadas “reconheceu que a rede viária está “estoirada”, contudo aguarda pela instalação do saneamento básico, frisando que os investimentos devem ser feitos de forma realista e ponderado” (In RC).
Duas posturas, duas caras. E a população espera…,

10 de março de 2009

Narciso Mota tira aos pobres para dar aos ricos

O meu camarada João Coelho demonstrou, mais uma vez, na última AM, que nas questões essenciais da gestão da camarária quase tudo nos separa em relação a Narciso Mota e ao PSD.
Narciso Mota decidiu não alargar a Acção Social Escolar (ASE) a 400 potenciais beneficiários do 1.º ciclo, em contra corrente com aquilo que o governo fez para o 2.º e 3.º ciclos e a maioria dos municípios fez para o 1.º ciclo. Consequentemente, 400 famílias de baixos rendimentos ficaram sem apoio para adquirir, este ano, ano de crise, manuais e refeições para os filhos. Em contrapartida, Narciso Mota anunciou no plano anti-crise que vai pagar, em 2009-2010, os manuais escolares a todos os alunos do 1.º Ciclo.
Confrontado com estas opções, erradas e profundamente injustas, que tiram aos mais desfavorecidos para dar aos mais favorecidos, Narciso Mota limitou-se a dizer: “só tomo decisões planeadas”.
Ora, pelos vistos, é aí que deve estar o problema. Neste caso, como em muitos outros, melhor seria que não planeasse, e melhor ainda que não decidisse!

9 de março de 2009

O Compadre Rui

Vai ser candidato à Câmara de Castelo de Vide, sua terra natal. Pelo mesmo partido que, em Pombal, lhe retirou a confiança política. Em Pombal, a notícia deve ter deixado a todos em estado de choque:
1 - ao PS, que deve estar a beliscar-se ou à procura dos comprimidos
2 - ao PSD, que fica com menos um concorrente na lista à Câmara ou nas empresas municipais
3 - ao camarada Sérgio, que deve estar (mesmo) surpreendido

e também à blogosfera lá do sítio. Vide os comentários.

6 de março de 2009

O regresso do guerreiro

O regresso de José Gomes Fernandes à ribalta trouxe algum brilho à poeira. Bastou-me ouvir na rádio a intervenção que fez na Assembleia Municipal - e depois ler o que reproduziram os jornais - para perceber, mesmo sem lá ter estado, o quão cortantes terão sido as palavras do verdadeiro enfant terrible do PSD de Pombal. Sugeriu ele menos um vereador a tempo inteiro como medida justa para combater a crise, ao mesmo tempo que votou contra o pacote de medidas anunciadas pela Câmara com esse propósito.
JGF terá feito mais moça naquele dia que toda a intervenção da oposição. Ou melhor: JGF há-de ser considerado por esta altura como a verdadeira oposição. Ele, que tem o mérito de ganhar a vida por conta própria (o que tanto incomoda, senhores...), não colocou só o dedo na ferida. Escarafunchou-a. Porque entre as obras dos executivos do seu partido está o aumento do quadro de pessoal da Câmara e redondezas. E do número de vereadores a tempo inteiro. A figura do meio-tempo já foi há tanto que já ninguém se lembra. Contas feitas, todos os vereadores ficaram profissionais da política nos últimos anos. Todos, menos os da minoria. Pelo menos por enquanto.
E será dessa liberdade de acção que resulta a margem de manobra de JGF. Já entrou e já saiu do activo muitas vezes, já esteve bem e mal na peculiar forma de estar (que lhe vale até o cognome de 'taliban' entre os pares), mas sempre com esse passaporte para a liberdade.
De resto, fica a cereja no bolo: o semblante de Rodrigues Marques na foto de capa do Correio de Pombal, enquanto ouvia JGF. É que não vale a pena "avisar o Zé". Os [meninos] guerreiros do PSD não ligam nenhuma ao aparelho. Só quando são eles a comandá-lo.

Parques de estacionamento II

A CMP gastou no parque de estacionamento subterrâneo da Praça Marquês de Pombal aproximadamente 1.400.000 € (aproximadamente).
Sabem qual foi a receita em 2008? 6.408 €!
A receita não chega, de certeza, para cobrir os custos de exploração ou de manutenção, quanto mais para recuperar a "despesa".
Inacreditável, como se desbarata dinheiro público, sem nenhuma mais-valia significativa.

5 de março de 2009

Parques de estacionamento

O executivo camarário levou à AM a eliminação do estacionamento pago no parque junto ao Centro de Saúde. Decisão certa. Era uma velha revindicação do PS.
A alteração justifica-se pela baixíssima taxa de ocupação do parque (11% em 2007), fraca receita e pela falta estacionamento livre na periferia.
No entanto, o executivo insiste na construção de um parque de estacionamento subterrâneo no mesmo local, pago com os nossos impostos.
Incoerência ou incompetência?

Lobo Antunes fala de nós

Quer dizer, dos nossos antepassados. Fala do Eco e do Notícias de Pombal de outros tempos. Afinal sempre somos notícia pelo que não é necessariamente mau. Para ler aqui, numa edição de aniversário do Público que vale a pena ler e guardar.

O estranho caso da blogosfera de Pombal

O Farpas é, provavelmente, o blogue de maior longevidade na história da blogosfera em Pombal. Lembro-me, assim de repente, dos que morreram quase à nascença, dos que escreveram a sua curta história debaixo do anonimato, dos que se viram forçados a a fazer logout.
Tenho para mim que o caso do Farpas se deve essencialmente a dois factores: a autoria assumida e - talvez essencial - a independência profissional de cada um dos da casa relativamente aos poderes instituídos. Daí que o anonimato nos comentários (que à força de conhecer há anos os estilos de escrita de muita gente identifico sem esforço) não me incomode, mas desgoste. Sobretudo quando percebo que começa a espreitar o fantasma que - à boa maneira de Pombal, sic Rodrigues Marques, honra lhe seja feita pela frontalidade e pela frase que adoro - gosta de discutir questões pessoais em vez de outras. Estou-lhe a ver o rabo de fora.
Porque todos temos presente a história do "Pombalog", que manchou definitivamente a liberdade de expressão em Pombal.

4 de março de 2009

Nota Editorial

A missão deste blog está definida, com clareza, na sua linha editorial. Foi esse o compromisso dos cinco fundadores e mantêm-se.
O caminho percorrido tem sido coerente com o desígnio inicial. E os resultados também. O cerco está furado. O mérito é dos da casa, mas também dos de fora.
Todos são bem-vindos se vierem de forma responsável. Compreendo aqueles que comentam sob a capa do anonimato, mas gostaría de ter mais gente a assumir o que comenta.
Se gostamos da liberdade, usufruamo-la.
Aditamento
Este post é da minha exclusiva autoria.
Sobre os comentários: toda a liberdade com toda a responsabilidade.
Defendo as duas formas de comentário, mas acho que quem comenta como anónimo tem particulares responsabilidades e nunca deve pisar o risco, o que começava a acontecer.

O caminho menos percorrido

A propósito da discussão que por aqui anda, e se permitem alargar a mesma, introduzir um movimento de cidadãos na equação autárquica é uma opção que, em teoria, poderia trazer alguma vantagem a Pombal?

Go or no Go

Em Pombal discute-se, como símbolo maior de melhoria urbanística, um complexo comercial de viabilidade duvidosa numa zona de implantação que levanta mais dúvidas que outra coisa. Este é o modelo de desenvolvimento disponível e desejado. Não um parque urbano, mas um centro comercial. Assente numa lógica de consumo que, a ver, não terá clientes (mas esse é um problema do promotor). Pessoalmente, prefiro outro modelo. Outra alavancagem entre interesses públicos e privados. Por isso, em relação a este projecto, tenho legítimas dúvidas que, até ver, continuam por desfazer. Dúvidas como cidadão. Afinal, esta discussão não é apenas sobre uma localização que, mantenho, por causa da avaliação que nem é minha, mas de técnicos, me merece as maiores reservas. Discutir esta questão e o que significa para Pombal devia era ser terreno livro de bairrismos partidários.

3 de março de 2009

Coligação de Coligações: CDU + BE

Adelino Araújo revelou à imprensa que a concelhia do PCP de Pombal propôs à direcção do partido a coligação entre o CDU e o BE porque acredita que, com a coligação destas duas coligações, terão “fortes possibilidades de eleger um representante nas assembleias de freguesia e municipal”.
Quando é que percebem que a soma de infinitésimos permanece, ainda assim, um infinitésimo.

Novamente, os lobos na pele de cordeiros

Adelino Araújo afirmou à RC que “a oposição feita pelo PS à maioria social-democrata é de “bradar aos céus” … “É uma oposição que deixa muito a desejar na assembleia municipal, aquilo é uma achincalhada, não é correcto que indivíduos com responsabilidade política, quer do PSD quer do PS, abandalhem tanto uma assembleia municipal, depois querem que as pessoas confiem neles”.
Ó camarada Adelino, na AM não se quer unanimismos, quer-se debate puro e duro; ali não se vai fazer pedidos, para limpar a valeta lá da rua, vai-se discutir, criticar, exigir. E já agora, por que não alguma ponderação e contrição na avaliação, não vê(m) que o vosso grande problema é que as pessoas, em Pombal, só confiam no PSD e no PS.
E com dissimulação não vão lá. A autenticidade, apesar de tudo, dá mais garantias.

2 de março de 2009

Eliminar um vereador

A AM foi rica no que concerne às medidas de combate à crise. Houve de tudo: mais Estado ou menos Estado, mais Câmara ou menos Câmara, reduzir impostos ou aumentar a despesa, apoios a todos ou só a alguns, etc., etc., etc.
Mas a mais original veio, de certeza, de José Gomes Fernandes: “eliminar um vereador a tempo inteiro”. Segundo ele, em tempos de crise tem que se reduzir a despesa, e se as empresas estão a fazer cortes no pessoal a câmara deveria dar o exemplo.
Reduziam-se as despesas e as TRAPALHADAS. Digo eu.

O novo Presidente da AM

O esperado. Um Senhor. É verdade que um presidente não faz uma assembleia, mas que ajuda muito, ajuda. Basta comparar a “tourada” da penúltima AM e a última.
A autoridade, tranquila, não está ao alcance de qualquer um, está ao alcance de muito poucos.
Bem nos prelúdios, sintético, e no esvaziar do balão. Melhor ainda na forma implacável como colocou o presidente da câmara no lugar, afirmando, sempre em tom de voz crescente:
- “Senhor Presidente: o Presidente aqui, sou eu; Senhor Presidente: o Presidente aqui, sou eu; Senhor Presidente: o Presidente aqui, sou eu”.

28 de fevereiro de 2009

Os defensores do Go!Shopping

Na AM emergiram dois defensores do Go!Shopping: os Presidentes da Câmara e da Junta de Pombal, com argumentos falsos e patéticos.
Nascimento Lopes defendeu que o empreendimento é uma grande mais-valia para Pombal e como tal não se compreende a (o)posição do PS (contra o projecto naquela zona). Na sua argumentação misturou o Go!Shopping com o TGV e afirmou que não compreendia como se podia estar contra o Go!Shopping e a favor do TGV (o que é que uma coisa tem a ver com a outra, pergunto?). Concluiu: “Quem está contra o Go!Shopping está contra o progresso”. Temos político!
Narciso Mota atacado nesta ilegal e perniciosa opção barafustou contra tudo e contra todos, negou os significativos impactos negativos do empreendimento (chegou ao ponto de negar que o empreendimento contempla uma bomba de gasolina), Atingiu o ridículo quando contou a história da compra e da venda dos terrenos do Casarelo e centrou a sua argumentação na premência em ajudar o promotor que, segundo ele, se encontra numa situação económica difícil porque comprou os terrenos muito caros. Narciso Mota alertou para os riscos de o projecto não avançar e com um discurso trágico-patético relembrou os recentes suicídios de construtores civis do concelho devido a problemas financeiros. Por fim, naquele seu ar incrédulo, mostrou estupefacção por o PS não apoiar um empreendedor que é do PS (militante ou apoiante). Inacreditável? Não…
Pergunto: por que é que os presidentes gostam tanto de “obra”, seja boa ou seja má? É por deformação profissional ou por interesses?

Os assuntos da AM

O Go!Shopping e as medidas anti-crise foram os verdadeiros assuntos da última AM, pela sua importância e relevância e porque serviram para evidenciar as diferenças entre o PSD e o PS. Mais o primeiro do que o segundo.
Ficou claro que o PS é frontalmente contra o empreendimento, no Casarelo, e o PSD apoia-o, de forma envergonhada, porque Narciso Mota o quer a todo o custo.
Ficou claro que PS faria mais e de forma diferente para minimizar as consequências da crise. Como a crise não atinge todos mas essencialmente os desempregados ou as pessoas que ficaram sem rendimentos para as necessidades básicas, o PS reforçaria e centraria nesses o apoio e não em todos por igual como faz o PSD com intuitos claramente eleitoralistas.

26 de fevereiro de 2009

Presidente da CMC arguido

O Sol online afirma: “o presidente da CMC, Carlos Encarnação e alguns vereadores do anterior executivo, foram ouvidos hoje pela Polícia Judiciária como arguidos por alegadamente terem violado a lei no arrendamento de um imóvel”.
Por esta ilegalidade? Não havia necessidade…

24 de fevereiro de 2009

Go!Shopping: um crime urbanístico

Por muito distraídos ou resignados que estejamos há coisas a que não podemos ficar indiferentes. O Go!Shopping, o crime urbanístico que ameaça a nossa cidade, a nossa terra, é seguramente uma delas, porque destrói de, forma irreparável, uma parte nobre e significativa da cidade.
O estudo de Impacto Ambiental, que está em discussão pública, é, como quase todos, um chorrilho de banalidades, mas é uma oportunidade para os pombalenses se pronunciarem, para defenderem a sua cidade de um crime.
Nada tenho contra o projecto, mas tenho tudo contra a sua localização. Os promotores do projecto têm todo o direito de construir o empreendimento em Pombal mas não têm o direito de destruir uma zona virgem e nobre de Pombal com um “mamarracho” sem qualidade, que descaracteriza e degrada totalmente a zona. Se os promotores tivessem alguma preocupação com a qualidade do projecto e a câmara com a preservação e qualificação da zona, nunca este abarcaria tamanha volumetria e não contemplava um posto de combustíveis (discount, de certeza, para atrair a populaça).
Pombal necessita de projectos estruturantes, que engrandeçam e qualifiquem a cidade, não disto. O Go!Shopping é um CRIME.

23 de fevereiro de 2009

A POESIA É UMA ARMA


ANA E ANTÓNIO
Ana e o António trabalhavam
na mesma empresa.
Agora foram ambos despedidos.
Lá em casa, o silêncio sentou-se
em todas as cadeiras
em volta da mesa vazia.
«Neo-realismo!» dirão os estetas
para quem ser despedido
é o preço do progresso.
Os estetas, esses, nunca
serão despedidos.
Ou julgam isso, ou julgam isso.
Mário Castrim

22 de fevereiro de 2009

O que é que a estrada tem?


Nada. Quase nada. É que quando um itinerário como o IC8 é aberto ao trânsito, já está desactualizado, pelos 10 ou 15 anos que passaram desde que foi projectado. O resultado é este: quando acabado, já não serve as necessidades.

21 de fevereiro de 2009

Participemos então

Avaliação do Impacto Ambiental do Projecto do GoShopping. Ver aqui.

Destaco, para já, aquilo que me chamou mais a atenção:

Para a Paisagem, os impactes na fase de construção serão negativos e com algum significado.

Na fase de exploração, a referida infra-estrutura, apesar de ter uma leitura dominantemente horizontal e de se encontrar integrada no terreno natural, irá destacar-se na paisagem envolvente, devido à sua elevada volumetria.
A sua elevada volumetria quer em termos de área ocupada quer em termos de altura, irá provocar uma significativa intrusão visual, degradando a actual paisagem envolvente ao Castelo de Pombal, tornando a presença deste na paisagem mais insignificante.
Este impacte será negativo e de elevada magnitude. Relativamente à importância dos impactes, dado que a construção do GO! Shopping irá reduzir o destaque do castelo de Pombal na Paisagem, devido às elevadas dimensões do empreendimento comercial, considera-se que as perturbações serão muito significativas. (Página 16)

As Grandes Opções do Plano do Munícipio, aprovadas em Dezembro de 2008, prevêem para 2009 e 2010 perto de 3 milhões de Euros para a "Recuperação e Revitalização do Castelo de Pombal e Zona Envolvente" (Página 5 do Plano Plurianal de Investimentos). Uma construção com uma "significativa intrusão visual" não coloca este projecto em causa? Sempre manifestei a minha discordância em relação a um investimento avultado para a beneficiação do Castelo sem que antes se conseguisse dinamizar a zona histórica e nessa altura nem equacionava este cenário que, aparentemente, prejudica a tal ideia e projecto beneficiação (veja-se o posicionamento do projecto em relação ao Castelo).

Quanto à questão dos Recursos Hídricos, nomeadamente o escoamento de água pela ribeira que por ali passa, o cenário que o estudo coloca é relativamente inócuo (pág. 13). A minha dúvida é se será mesmo.

O ponto mais positivo seria a criação dos postos de trabalho (tenho sérias dúvidas quanto aos 5 milhões de visitantes), mas atendendo à conjuntura, duvido que um centro comercial venha a ser uma perspectiva aliciante que se traduza num eficaz investimento e não em meras lojas a definhar. Ou dito de outra forma, não creio que haverá poder de compra para sustentar este projecto. Juntando isso às outras condicionantes, não o encaro como uma opção estruturante para Pombal. Mas esta é ainda uma primeira apreciação.

Mas o melhor mesmo é discutir e participar, para já, até ao dia 27 de Fevereiro.

20 de fevereiro de 2009

Oh, que cena, pá...

Diz o Correio de Pombal (cuja notícia não podemos linkar porque não é de livre acesso...) que a JSD não anda lá muito satisfeita com o desempenho do vereador Michael. Esse, o da Juventude. Parece que o dito cujo não anda a corresponder à mesma. Só pode ser intriga da oposição. Yo.

As trapalhadas do Michael


Segundo o NC, “O Vereador Michael Mota António afirma que a sessão pública realizada pela Autoridade de AIA da CCDRC sobre 'GO! Shopping' era privada e técnica. A própria autarquia e a CCDRC dizem o contrário”.
Por que não te calas?

A deputada Ofélia reapareceu…

A digníssima deputada Ofélia reapareceu! Aproveitou os assaltos dos últimos dias em Pombal para se mostrar. Questionou o governo sobre o reforço do dispositivo das forças de segurança na cidade de Pombal e nas freguesias.
Eis o mais descarado oportunismo e populismo.
Há pessoas que tudo aproveitam para mostrar que existem. Compreende-se. Posturas meramente decorativas tendem a ser facilmente ignoradas e esquecidas.

Arrastão à Pombal

15 assaltos numa só noite numa das principais artérias da cidade. Foi, por isso, um autêntico arrastão que, incompreensivelmente, dada a sua extensão, não foi detectado por quem quer que fosse e principalmente pela polícia. São por isso legítimas todas e quaisquer dúvidas sobre a segurança de bens e pessoas na cidade de Pombal. E seria fácil culpar apenas a polícia por este estado de coisas. Todos bem sabemos que a falta de recursos humanos e materiais e a materialização do sentimento de impunidade são grandes ajudas a situações como estas. Faltará saber se esta onda de assaltos se relaciona com o cenário de crise que aí anda, relação essa que ainda poderá ser prematura. E agora veremos quais as respostas exigidas e quais as habituais promessas que serão ou não cumpridas. Sim, veremos, que a pouco mais estamos habituados neste estado de coisas. Até nos fartarmos, claro.

15 de fevereiro de 2009

Não se faz, não senhora

O parque subterrâneo da Praça Marquês de Pombal tem, como deve ser, um lugar destinado ao estacionamento para cidadãos portadores de deficiência. Por duas vezes, na semana que passou, o lugar estava indevidamente ocupado pela viatura de uma funcionária municipal. Diz quem por lá estaciona todos os dias que não foi um acto isolado, mas é que é prática corrente.
Ora ainda bem (ou mal, neste caso) que o fiscal da Pombal Viva não desce às catacumbas.

12 de fevereiro de 2009

As falácias de Rodrigues Marques

Rodrigues Marques já foi deputado da Nação. Bem sei que não foi por muito tempo, mas devia ter sido o tempo suficiente para ter compreendido as missões, atribuições e deveres dos principais órgãos do Estado. E deveria, também, aparentar alguma razoabilidade nas opiniões que emite.
Rodrigues Marques sabe bem que o PSD, e ele próprio, inviabilizou as averiguações às suspeitas de irregularidades e/ou tráfico de influências na área do Urbanismo denunciadas por todas as forças políticas locais, nomeadamente pelo, na altura, presidente da Concelhia do PSD.
Rodrigues Marques sabe bem que o PS sempre quis tratar as questões de Pombal em Pombal e que foi o PSD que escolheu o caminho conhecido.
Porque se lamentam, então?
Estão com medo? Estão a sentir-se muito apertados? Gostava(mos) de saber…

11 de fevereiro de 2009

Rui Miranda no seu melhor…

Os ex-vereadores do PS tinham, obrigatoriamente, que participar no coro de críticas ao PS, a propósito das averiguações do IGAL.
Segundo a RC, Rui Miranda “lamentou a atitude do PS”, recordando que, “no ano e meio que liderou a estrutura concelhia, nunca recorreu a estes mecanismos” (acrescento: nem a estes nem a outros).
E “ressalvou que não são as pessoas que fazem os partidos, nem os partidos fazem as pessoas”. E esta heim!
Rui Miranda no seu melhor…

10 de fevereiro de 2009

Haja paciência

Segundo o NC, Narciso Mota diz-se “indignado e revoltado” com os pedidos de esclarecimentos do IGAL, na sequência das denúncias do PS sobre eventuais irregularidades no Urbanismo.
Narciso Mota nunca percebeu, e não chegará a perceber, as principais obrigações de um Presidente de Câmara: o escrupuloso cumprimento da lei, a total transparência nas decisões e os correspondentes deveres de informação.
Narciso Mota não tem que se indignar e revoltar com o escrutínio legal e político das suas acções e decisões porque tem a obrigação de prestar todos os esclarecimentos; à população, à oposição e às entidades fiscalizadoras.
Era tempo de Narciso Mota perceber que a “Câmara não é ELE”, que ele exerce o poder para os pombalenses e em nome dos pombalenses, de TODOS os pombalenses; e que não tem o direito de utilizar, sistematicamente, as reuniões do executivo para agredir os que não lhe dizem AMÉM.

Quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele

E eis que, embora sem carácter de surpresa, pois que aquilo que não tem remédio, remediado está, a resposta dos vereadores da minoria é, por assim dizer, coerente. Ora atentem, por favor, nos factos e nos protagonistas desta história, apesar de haver palco para aqueles que, nos bastidores, desempenham o papel principal.

Cordeiros e lobos

O PS, como partido que aspira ser poder em Pombal, tem uma estratégia (legítima) de contestar toda e qualquer iniciativa da Câmara Municipal. Os eleitores poderão, dessa forma, perceber melhor quais as diferenças entre os dois partidos mais representativos e votar em consciência.

Nessa ânsia de marcar a diferença, os socialistas caiem, muitas vezes, em exageros e os eleitores, que não andam a dormir, interpretam as críticas como uma mera estratégia eleitoral. É pena pois o concelho precisa de uma oposição credível.

Ultimamente, como já disse neste fórum, o PS tem aparecido mais combativo, mais esclarecido e isso é óptimo. Essa vitalidade é salutar para a democracia e, ao confrontar o poder, faz com que as discussões políticas sejam mais participadas e que os cidadãos estejam mais atentos.

O PCP tem também assumido uma postura crítica, mais modesta, mas disponibilizando-se para colaborar com os eleitos locais. Os comunistas estão em condições de assumir essa posição pois, apesar de aspirarem a cargos de vereação, nunca serão poder em Pombal. Mas não é só por aí! A cultura autárquica da CDU aponta no sentido de que as diferenças entre os diferentes partidos podem ser assumidas mesmo num cenário de cooperação. Em Coimbra e no Porto, só para dar dois exemplos, a CDU tem tido vereadores com pelouros atribuídos e não é por isso que não tem conseguido afirmar a sua identidade e as suas ideias.

Numa altura em que os munícipes enfrentam gravíssimos problemas, potenciados pela crise do sistema capitalista, tantas vezes sacralizado por quem agora, hipocritamente, pretende surgir como o Messias, a atitude do PCP tem uma justificação acrescida. O PS não compreende; não me surpreende. O que já me surpreende é o PS querer ser conselheiro numa área onde, claramente, não o pode ser. O historial do partido em Pombal está aí para o provar. De guerreiros assumidos em campanha eleitoral, recorrendo frequentemente à estratégia do “vale tudo” (quem não se lembra da triste campanha de 2001...), passam rapidamente a inofensivos lacaios mal acabam de ser eleitos. A prática da vereação socialista não é caracterizada pela cooperação. Não! O PS na vereação tem-se revelado um partido servil, sem ideias e totalmente incapaz.

Cordeirinhos com pele de lobo?

9 de fevereiro de 2009

Prioridades invertidas

Pombal é um concelho com uma estrutura social de base rural caracterizada por população dispersa, isolada e envelhecida, enfraquecida pela forte emigração e migração. Neste quadro, uma rede de apoio social torna-se premente.
O governo tem apostado e incentivado a criação de estruturas de apoio social dirigidas às pessoas mais necessitadas. Muitos municípios têm seguido o exemplo do governo.
No Distrito de Leiria, os concelhos de Figueiró dos Vinhos, Leiria, Batalha, Nazaré e Bombarral, em cooperação com instituições de solidariedade social e misericórdias, colocaram em funcionamento unidades de cuidados continuados. Os concelhos de Pedrógão Grande, Alvaiázere, Ansião, Marinha Grande, Porto de Mós e Caldas da Rainha irão igualmente avançar e já apresentaram as respectivas candidaturas.
E Pombal, sendo dos mais necessitados, porque espera?
Infelizmente, aqui, as prioridades estão, quase sempre, invertidas.

E um dia o prédio veio abaixo

Sim, que nós afinal sempre temos alguma coisa de urbano, um não sei quê de cidade a sério. E muita sorte temos tido, é o que é.

5 de fevereiro de 2009

Ainda a propósito da rejeição do empréstimo

Escreve João Coelho no CP:
“Mas vamos a factos, citando o documento: 1.º - a CM fez uma obra com as receitas obtidas em 2006 e 2007 nunca a tendo orçamentado convenientemente nos referidos exercícios; 2.º a CM pede que lhe seja concedida autorização para contrair um empréstimo por obras completamente pagas, algo que a Lei da Finanças Locais (LFL) impede”.
Em relação ao primeiro ponto prova-se algo que a oposição do PS tem dito há muito: …os orçamentos … não traduzem verdadeiramente as obras que irão ser realizadas. É um sinal claro de desrespeito pelas regras democráticas, pelo órgão AM e, mais importante que tudo, pelos pombalenses.
O segundo demonstra uma de três hipóteses seguintes: ou o executivo municipal desconhece a LFL, ou confiou que o TC não a conhecesse ou rezou para que o TC não olhasse para ela. Se o executivo não a conhecia é grave. Se o executivo acreditou que este pedido poderia passar sem mais no TC só poderia ser por uma razão simples, queria que o dinheiro viesse para ser usado de forma discricionária.”
Gostava de ter escrito isto.

Cordeiros ou lobos?

A CDU de Pombal diz querer fazer oposição pela positiva, garantem: "queremos ajudar os eleitos locais".
Oferecer-se para ajudar quem nunca quis ser ajudado cheira a ingenuidade ou a dissimulação, porque não deixa de ser estranho querer vestir a pele de cordeiro em Pombal e estar contra tudo o que vem do governo a nível nacional.
Tácticas, contra-natura, de eficácia muito duvidosa.

Mai Nada

Se não servirem para mais nada, as manifestações de trabalhadores ingleses contra a contratação de operários estrangeiros, incluindo portugueses, podiam ter, ao menos, o benefício de levar certos cidadãos nacionais – os que organizam manifestações contra os pretos, ucranianos, ciganos e demais imigrantes e os que concordam com eles, mais ou menos silenciosamente - a pensar, uma vez na vida que fosse, e a perceberem que há muitos sítios no mundo onde os pretos somos nós, a suposta e superior “raça portuguesa”.
in Teatro Anatómico.

A NOSSA "ESQUERDA" MODERNA

Em Portugal o crescimento do PIB entre 2005 e 2008 foi apenas metade dos países da zona euro. A dívida pública aumentou 25 mil milhões desde 2004, mais de 65% do PIB, fazendo de Portugal um dos países mais endividados do mundo. O endividamento das famílias e das empresas aumentou desde 2005 respectivamente 78% para 91% e de 91% para 107% do PIB. Dois milhões de portugueses auferem um rendimento inferior a 366 euros/mês. Só no passado mês de Janeiro,a falência de 80 empresas lançou 11 mil trabalhadores no desemprego, 354 por dia. O que fazer?

Abordagens

Há quem rejubile com os primeiros falhanços em termos de nomeações políticas de Barack Obama, em que apostas seguras se revelam descartáveis devido a problemas legais em que estiveram envolvidos. Eu não. Haja um sítio onde, apesar dos exageros, a Lei serve para alguma coisa, nomeadamente para assegurar transparência. Se não a ideal, pelo menos a mínima. Sim, é que lá, casos de corrupção não demoram anos a julgar nem se permite que um lugar sirva de escudo contra a Lei. Mas eles é que são os estúpidos.

3 de fevereiro de 2009

Uma boa ideia...

Concelhos do Norte do distrito criam parque empresarial intermunicipal.
(Em oposição ao caminho seguido em Pombal).

Infelizmente, muito atrasada no tempo.

Destaques


Se não há heróis é porque nada acontece que o justifique, o que é bom. Mas quando acontece algo é bom saber que há pessoas que conseguem fazer a diferença e impedir desfechos trágicos. E foi isso que aconteceu no último Domingo à tarde, num dos campos de futebol do nosso concelho, quando Arlindo Medeiros evitou uma tragédia. A notícia explica-se a ela própria, mas não podia deixar de dar o devido relevo, especialmente pela consciência de que mais importante que procurar heróis é de louvar aqueles que na hora certa sabem o que fazer e não baqueiam. Um destaque pombalense bem merecido!

1 de fevereiro de 2009

Demagogia

Manuel Gonçalves, presidente da ACSP, defendeu, numa rádio local, que uma das soluções para revitalizar economicamente as pequenas e médias empresas é aumentar o poder de compra dos consumidores.
Elementar, meu caro. É como dizer que a solução para a morte é ressuscitar as pessoas. Admitindo que a principal causa do problema esteja aí (tenho todas as dúvidas), pergunto: como é que isso se faz no pequeno comércio e em Pombal?
A missão do presidente da ACSP é apresentar ideias e medidas para resolver os problemas do pequeno comércio, em vez de andar a atacar o governo para desculpar a sua própria inacção e a dar cobertura, sistemática, à (in)acção do executivo municipal, que tem ajudado a cavar a sepultura do pequeno comercio e nos tem condenado a um dos mais baixos poder de compra do Distrito.