30 de abril de 2009

Fait diver

Rui Miranda e um “jornalista” da praça quiseram fazer de um aparte, perfeitamente normal, semelhante a outros que ocorrem frequentemente na AM ou na AR, dirigido a Narciso Mota e ao próprio, um caso, uma ofensa ao bom-nome.
Rui Miranda prestou-se ao fait-diver radiofónico. Ele gosta muito disto, fez-se de vítima, afirmou que se tinha sentido ofendido mas já tinha dado o caso por encerrado e aproveitou para divulgar que muitas pessoas lhe tinham manifestado apoio (as tais “palmadinhas nas costas”, o seu grande elixir).
No momento, Rui Miranda alegou defesa da honra, o que de certeza (e bem) lhe teria sido concedida. Poucos minutos depois abandonou a sessão. Fugiu ao confronto, mas tinha a obrigação de permanecer na sessão até final.
Aproveitará(ão), concerteza, a próxima reunião do executivo para fazer os tradicionais ataques pessoais, cobardes.

Defesa do Relatório de Gestão (RG)

O RG é tão fraco, tão fraco, que não mereceu grande defesa pela maioria na AM.
A tarefa ficou a cargo de Manuel Domingues e de António Carrasqueira (JF Abiúl).
Para avaliar o desempenho do executivo, Manuel Domingues socorreu-se das boas taxas de realização e do bom Prazo Médio de Pagamentos. A fraqueza dos argumentos não se deve, concerteza, a impreparação do defensor mas, seguramente, ao desempenho do executivo.
Mas, depois de fazer a (fraca) defesa do executivo, Manuel Domingues quis fazer uns bonitos e acabou a chutar para a própria baliza. Resultado? Dois auto-golos: pouco saneamento e excesso de subsídios. Chegou mesmo a propor um responsável ou uma equipa para controlar o desvario dos subsídios. A oposição dificilmente faria melhor e nunca seria mais eficaz na crítica.
António Carrasqueira, sem pedalada para aquele vendaval ofensivo foi um passador, subscreveu e reforçou os argumentos do PS
. Segundo ele, Narciso Mota tinha feito muita obra: arranjos, passeios, largos, asfaltagens, aberturas de caminhos, …). Era só ir ver em Abiúl.
Foi isto, sem mais palavras!

29 de abril de 2009

E assim nasce (mais) uma empresa

Os arautos da desgraça e os velhos do restelo que se rendam às evidências. Pombal é, decididamente, um caso sério e exemplar. E não é só nas lâmpadas. É nos iluminados. É na actividade empresarial, no empreendedorismo, e até na apetícel gestão do tempo - pois só assim se compreende que certos e determinados detentores de cargos de gestão municipal consigam encarnar a versão moderna (e fashion!) do homem dos sete instrumentos.
Anda a circular nos corredores noticiosos o nascimento de uma empresa dedicada ao "Fornecimento de serviços publicitários, incluindo actividades de consultoria, concepção e produção de material publicitário; Compra, venda, aluguer, importação, exportação e exploração de produtos e serviços publicitários, nomeadamente insufláveis; organização de eventos". Fixe, então, o nome: PUBLIFORMAT. Há quatro sócios nesta aposta empresarial, dois deles bem conhecidos na praça. Nada menos que João Vila Verde e Rui Benzinho, o administrador da Pombal Viva e o Director da Rádio Cardal. E esta?

28 de abril de 2009

O Relatório de Prestação de Contas 2008

Traduz fielmente o desempenho do executivo do PSD durante 2008 e é também o corolário do mandato. É tão pobre que nem os vereadores eleitos pelo PS o aprovaram.
Narciso Mota não realizou nenhuma obra relevante em 2008 e, no mandato, não resolveu nem atacou, de forma decisiva, nenhum dos problemas estruturais de Pombal.
E tem o descaramento de apresentar como grande bandeira da sua acção os “arranjos urbanísticos”.
Querem maior sinal de falhanço e esgotamento?
PS: Não é por falta de dinheiro (como disse e demonstrei na AM) que as obras estruturantes não avançam, é por incompetência ou porque as prioridades são outras.

E as medidas anti-crise

Nada. Só propaganda.
O meu camarada Adelino Mendes desafiou Narciso Mota a fazer um balanço da implementação das medidas, como prometido. Não saiu nada, disse que iam fazer…
Eis a apregoada gestão por objectivos no seu melhor!

27 de abril de 2009

Silêncios ensurdecedores (II)

O silêncio mais estranho, aquando da discussão das Festas do Bodo, foi o de Rodrigues Marques.
Honra lhe seja feita, Rodrigues Marques costuma ir a todas, nem sempre bem (mas isso agora pouco importa), surpreende, por isso, que se tenha calado!
Será porque o J. Vila Verde não lhe paga? A QUILATE é, só, a maior credora da PombalViva!

Sr. Presidente: isto é verdade?

Leio no editorial de O Correio de Pombal:
“(…) Podemos anunciar que a PombalViva já anulou os contratos publicitários agendados com o nosso jornal!! Uma medida “oportuna” se tivermos em conta que a prioridade, a partir de agora, será provavelmente a contenção de despesas ou, pelo menos, só de algumas”.
Quem anda ligado à Imprensa já conhece esta música de cor. Significa o uso de uma arma que, entidade pública que se preza, jamais devia empunhar. “Ou dão notícias a nosso gosto, ou não recebem a nossa publicidade”. A aplicação, na prática, do velho ditado: “olho por olho, dente por dente”.

Ó Paula Sofia, onde é que já vimos isto?
Senhor Presidente, explique lá isto. Diga-nos que houve um qualquer lapso e que O Correio de Pombal não deve ter entendido bem…


Alfredo A. Faustino

Política "sobe" ao altar...

A cerimónia da canonização de D. Nuno Álvares Pereira teve ontem (domingo) lugar em Roma. Natural, portanto, que a subida aos altares de um português, agora sob a designação de S. Nuno de Santa Maria, tenha sido objecto de dissertação nas homilias das missas nas igrejas do nosso país, para enaltecer a sua figura humanista (e de Homem Bom) que, para além de militar distinto, se destacou pelas suas preocupações em defesa dos mais pobres, colocando-se muitas vezes contra a nobreza (que combateu).
Isso, porém, não deveria ser motivo para, uma vez mais, a despropósito, “levar” a política ao altar. Como terá acontecido em Pombal.
Aproveitar a oportunidade para, a pretexto do elogio ao novo santo, dizer que Nuno de Santa Maria foi um governante (o que é falso) que deu tudo o que tinha aos pobres (na verdade despojou-se de todos os seus bens; mas distribuiu-os pelos seus descendentes, pelos seus soldados e pelos mais necessitados, assim irritando os nobres) e que baixou os impostos (pura mentira), o que não acontece agora, é entrar por uma via que supunha ultrapassada.
Espero que este tipo de homilias não venha a ter seguidores e que o pároco de Pombal não aproveite a época que aí vem, com três actos eleitorais, para seguir o exemplo daquele outro (neste mesmo concelho) que num passado não muito distante, do alto do altar, aconselhava os seus fiéis, a terem cuidado com o voto, lembrando que “a rosa tem espinhos, o punho fechado magoa e que era preciso votar em quem nos indica o caminho do céu”, numa clara alusão aos símbolos dos partidos...

Alfredo A. Faustino

26 de abril de 2009

Silêncios ensurdecedores

Narciso Mota não respondeu a nenhuma das perguntas colocadas pela da bancada do PS, e foram muitas.
E da bancada da maioria também não apareceram defesas e respostas.
Porque será?

PS: Esquecia-me do presidente da Junta de Freguesia de Carnide, que esboçou uma tentativa de defesa. Disseram-me depois, que o abnegado defesa tinha alugado umas tendas para as festas. Coincidências…!

Os meus remates ao ferro

A contenda iniciou-se com a PombalViva e as Festas do Bodo debaixo de fogo.
Os meus remates foram estes:
• Acham aceitável que se tenham gasto 70000 € em alojamentos e restauração (sem contar os 25000 para o Bob Sinclar)?
• Acham razoável que se tenham gasto 6000 € em juros, sendo este um evento pontual, que deveria ter proporcionado fluxos de caixa positivos?
• Acham razoáveis os cachets pagos a alguns artistas (por exemplo: 75000 ao Bob Sinclar, 11000 à Ana Malhoa, 12750 ao Fernando Mendes, etc.)?
Senhor Presidente,
• Como explica tamanho falhanço na gestão e no controlo orçamental das Festas do Bodo de 2008?
• Porque mentiu aos pombalenses e aos seus representantes aquando da apresentação da primeira versão das contas?
• Conhecia ou não, nessa altura, a derrapagem das contas?
• Teve ou não conhecimento da alteração das condições contratadas com os artistas (Bob Sinclar)?
• Se teve, aceitou a alteração às condições contratadas?
• Quem assina os cheques ou autorizações de pagamento de montante elevado? (por exemplo > 5000 €)?
• O senhor disse que foi enganado (iludido) pelo JVV neste processo. O senhor aceita quebras confiança e não faz nada? Que raio de gestor é o senhor?
• O senhor foi enganado ou quis ser enganado?
• O senhor não age porque não quer ou porque não pode?
• O senhor é vítima ou refém?
• Porque vai correr com Revisor Oficial de Contas?
• Finalmente: quando é que o senhor se disponibiliza a discutir na AM as constas das empresas municipais?

Um verdadeiro – “Galo”

...
"Viver num concelho economicamente parado. O fisco de arma apontada às empresas não lhes larga a porta, parte dos nossos impostos transitam para o poder local, e é o mesmo poder que esbanja milhares de euros oferecendo pão e circo aos contribuintes.
Começo a pensar que há intocáveis na nossa incompleta democracia, e que o sol quando nasce, não é para todos. Bem como quando chove, há abrigos privilegiados para alguns.

Os responsáveis pelos dinheiros públicos que dizem ter sido gastos sem controlo só tem um responsável – o presidente do conselho de administração da PombalViva. Tratando-se de dinheiros públicos deveriam ser julgados criminalmente e não politicamente como é o caso.
Não temos, portugueses que, por norma, contabilizar o custo das decisões politicas e, tão pouco o de responsabilizar os seus autores pelas respectivas consequências danosas."

Gostava de ter escrito isto!
Eliseu Ferreira Dias, O Correio de Pombal , 23 de Abril de 09

25 de abril de 2009

Salazar e o Estado Novo





EU LEMBRO, O QUE ME PERMITIRAM LEMBRAR E O QUE EU SEI.

Em geral, eu lembro e sei:
- Salazar era mesquinho e venal. Sacrificou um país e um povo à sua ganância fingindo desinteresse e vontade de servir, quando queria ficar com o poder todo e por todo o tempo (demitiu-se do M. Finanças fingindo querer desfrutar, apenas, da bucólica Coimbra).
- O Salazar era hipócrita e misantropo. Fingia-se de santo e de padreco. Teria uma fé, apenas por conveniência, com missas em casa a fazer de sacristão. Fingia-se puro e casto e usava os cofres do estado para prendar as amantes - não é este o problema, antes o fosse.
- O Salazar pouco fez pelo povo e pelo país. Quem o aguentou, foram a repressão, os negócios e os tráficos da guerra. O povo não tinha pão, nem roupa, nem calçado. Ele mandava tudo: o trigo, o milho, as conservas, o volfrâmio e outros materiais para alimentar o esforço de guerra NAZI. Fingia respeitar a Aliança Luso-Britânica, praticando a maior das infâmias e cobardias ao jogar com “pau de dois bicos”. Recebeu o ouro e valores das vítimas da guerra e do Holocausto. Aquilino Ribeiro em Volfrâmio e em Quando os Lobos Uivam, por exemplo.
- Salazar empobreceu o país mantendo o povo na ignorância e obscurantismo, alimentado com vinho, fado, fátima e futebol.
- Foi a Guerra, a fome e a miséria dos portugueses, e mais tarde, as receitas dos nossos emigrantes que lhe deram umas balanças comerciais excedentárias durante alguns poucos anos e mais equilibradas durante outros, e não, qualquer mérito especial do Salazar.
- Salazar não nos deu voto. Deu-nos Censura e Tarrafal.
- Salazar legitimou a perseguição e o assassinatos político dos opositores. (Catarina Eufémia, Humberto Delgado, António Lopes de Almeida e muitos outros). Deu-nos PIDES e deu-nos Bufos, deu-nos censuras e mordaças. Deu-nos isto e muito mais. Irene Flunser Pimentel, Luís Farinha, Vítimas de Salazar. Estado Novo e violência política, Esfera dos Livros, etc.
- Salazar praticou a perseguição e a tortura. Salazar tolerou e abafou a pedofilia, orgias de sexo e de drogas das famílias responsáveis e de respeito (Ballet Rose, Caso Burnay, etc), que o respeitinho era bonito.
- O Salazar recusou os investimentos do plano Marshall no pós guerra. Temeu que a abertura ao exterior lhe retirasse o poder e, com isso, prejudicou, deliberadamente, o desenvolvimento do pais. Queria manter um país decadente e rural, onde já era bom saber ler e contar. Não tolerava a liberdade de comércio, impôs o condicionamento industrial até para as padarias, assegurando os monopólios no mercado interno, e no acesso exclusivo aos recursos naturais e mercados das colónias. Leiam e estudem História factual e não a propaganda.
- Salazar boicotou e falseou eleições. Sacrificou e perseguiu os estudantes, os intelectuais, os camponeses, os operários, os sindicatos, mas permitia leilões de mão-de-obra esfomeada, ignorante e desqualificada, favorecendo as tecnologias obsoletas e produtos sem capacidade de concorrência no exterior.
- Salazar matou muitos dos nossos soldados e massacrou aldeias indígenas a napalm e à catana, mantendo uma exploração económica quase esclavagista com as “Leis do Indigenato”, mantendo esses povos ainda em maior ignorância do que na metrópole, julgando lá, como cá, que em nos mantendo na ignorância, viveríamos na suprema felicidade e ele no supremo poder. Escritos de Adriano Moreira sobre o tema e Massacres em Africa, Felícia Cabrita, Esfera dos Livros, etc..


Lagos, 24 de Abril de 2009

Jorge Ferreira
(30/10/60)

Assembleia Municipal

Em linguagem futebolística, pode dizer-se que a última AM era um confronto que prometia muito mas não correspondeu às expectativas.
Com o terreno inclinado, o árbitro a interromper e a cortar o ritmo do jogo e um adversário teimado em queimar tempo não se consegue um bom jogo, emotivo, tecnicamente bem jogado. Mesmo assim, conseguiram-se alguns bons lances, bolas no ferro e auto-golos.
Segue dentro de momentos…

Temos candidato


Conheci Adelino Mendes durante as Autárquicas de 1993 e logo percebi que estava ali um político de carreira.
Nos últimos seis anos, descontando o meu interregno forçado, trabalhei regularmente com ele, no PS e na AM. Confirmei a sua grande astúcia política e a sua enorme capacidade de trabalho.
Os últimos desafios fizeram-no crescer muito, não tenho dúvidas que é um quadro bem preparado para gerir uma autarquia da dimensão de Pombal. A candidatura à Presidência da CMP é o corolário de um trajecto, um desafio estimulante e à sua altura e a oportunidade para demonstrar que tem dimensão política fora do partido. Depende dele e das pessoas que o acompanharem. Ou seja, depende dele.
Força e felicidades, Adelino.

Comício do Salão Nobre

Em Pombal, Abril não passa.
Em Pombal, os partidos são uma maçada.
Em Pombal, a Democracia está suspensa porque esta Democracia não presta.
E entretanto, aproveita-se o dia 25 de Abril para fazer um comício no Salão Nobre da CMP.
É assim Pombal…

O nascimento de um país no feminino

Segundo o eminente sociólogo Boaventura Sousa Santos "só comemoramos o futuro. O que, num dado momento, se comemora do passado é o que se elege para o futuro". Cabe-nos hoje comemorar os 35 anos da revolução de 25 de Abril de 1974.

As revoluções, todas as revoluções, contém em si elementos de ruptura e de continuidade. Hoje, ao comemorar a revolução, estamos principalmente a comemorar a ruptura entre a sociedade actual e aquela que existiu no passado. O discurso apologético da ruptura tende, muitas vezes, a esquecer as continuidades. No entanto, elas existem e a sua referência é cada vez mais usual na boca do cidadão comum. É muito frequente ouvir, nos dias que correm, em pessoas de todos os quadrantes políticos, um discurso que enfatiza as continuidades. Para a direita, o Salazar não era tão mau como o pintavam e a sociedade não era tão amorfa como se possa fazer querer. Para a esquerda, as pessoas que hoje exercem o poder são as mesmas "do antigamente" e, como tal, a sociedade actual é igualmente injusta e autoritária.

Um antigo deputado municipal do PSD do nosso concelho afirmou publicamente que "o 25 de Abril marcou o início da destruição de Portugal". Façamos então um flashback até ao seu glorioso Portugal de então. Quem não se lembrar e preferir uma visão poética da mesquinhez que era o nosso país em vésperas da revolução de Abril de 1974, convido-o a ler Alexandre O'Neill, poeta já referido neste blogue. Não é necessário, no entanto, convocar os poetas! A inexistência de luz eléctrica a 2 km de Pombal, por exemplo, era uma realidade bem mais prosaica. Os 300 alunos do ensino secundário em todo o concelho aliados à maior taxa de analfabetismo de todo o mundo civilizado contribuíram para que todos nós tenhamos uma deficientíssima relação com a cultura e com a educação. Cinquenta anos de um regime que encarou a cultura e a educação como meros instrumentos para servir o próprio regime, tiveram o condão de "deitar ao lixo" sucessivas gerações. Vivia-se num país de 10 mil habitantes e não num país de 10 milhões, como hoje se pretende! Quem acusa o actual sistema de ensino (e com muita razão, na maioria das vezes), não se pode esquecer desse pormenor. Hoje queremos educar 10 milhões; ontem só queríamos educar 10 mil. Provavelmente ainda estamos a aprender como é que se faz.

Mas uma das maiores conquistas de Abril foi a de alterar radicalmente o papel da mulher na sociedade. A ditadura apenas confiava às mulheres a função de ser “a ânfora maravilhosa onde a vida se renova”. Num artigo publicado no Eco em 2003, referi que, segundo o código civil de então, "a administração dos bens do casal, incluindo os próprios da mulher e os bens dotais, pertence ao marido, como chefe de família". O conceito de chefe de família faz hoje parte do passado e o papel subalterno da mulher é inaceitável para as novas gerações. Enquanto a ideologia salazarista tudo fazia para que a mulher sentisse a sua inferioridade como um privilégio, quase uma benção divina, os ideais democratas pugnam pela igualdade e pelo respeito mútuo.

Viva o 25 de Abril! Vivam todas as portuguesas! Um beijinho para a Paula Sofia :-)

O meu 25 Abril

Há 35 anos estava internado num colégio com cerca de mil alunos que era o modelo do sistema de ensino desse tempo, profundamente repressivo, com recuso sistemático ao castigo e à agressão física. Nesse colégio não existiam alunos de classes pobres (sendo eu uma das poucas excepções) porque as mensalidades eram muito caras, mas as taxas de reprovação, logo nos primeiros anos do Liceu, eram superiores a 50%.
Há 35 anos havia a guerra e nós tínhamos medo dela.
Há 35 anos as pessoas davam o salto para a França para escaparem à miséria e/ou à guerra.
Há 35 anos a PIDE estava por todo o lado e também no meu colégio.
Há 35 anos o padre da minha freguesia punha e tirava pessoas da prisão.
Há 35 anos a minha aldeia não tinha água e luz, nem estrada transitável por viaturas.
Há 35 anos os capitães e militares de Abril desencadearam e concretizam um dos feitos mais nobres da nossa História: a libertação do jugo de um regime opressor e tirano que nos condenou ao isolamento e à miséria.
Há 35 anos os capitães e militares de Abril devolveram-nos a LIBERDADE, o valor mais importante, a seguir à vida. Pena que muitos, ainda hoje, abdiquem dela.
Obrigado capitães e militares de Abril.
Viva a LIBERDADE!

Farpas, um ano depois



O Farpas faz hoje um ano. Juntámo-nos à esquina da blogosfera para trazer à discussão tudo o que merecer, com Pombal como pano de fundo. Há um ano, sabíamos – os cinco, mais tarde seis – que a terra era adversa à longevidade dos blogues, que viriam os dedos apontados à figura de cada um dos “da casa”, que a água, sem ser mole, iria bater nas pedras mais duras. E mesmo sem as furar, as desgastaria. Elementar, meus caros.
À imagem da forma de estar de cada um, demos a cara. Às vezes até “o peito às balas”, num percurso nem sempre perfeito, mas honesto. E livre, como se quer.
E porque este blogue é, sobretudo, um exercício de liberdade, permite desde a primeira hora a existência de comentários. E aqui, predominam os tais “que se escondem atrás do ecrã”, num esforço desenfreado que prefere – talvez à maneira de Pombal – discutir pessoas em vez de projectos. Virá o dia em que mudaremos esse hábito? Pode ser que sim.
Nós por cá continuaremos a farpar nesse medo instalado, nessa mordaça mansinha, nesses actos e contrições de que é feito o nosso presente, do que quiserem fazer do nosso futuro. Daqui a dias é Maio, outra vez. Como foi há 35 anos, na mais bela alvorada que fez sair para a rua um país de esperança, que então comemorava a Revolução dos Cravos, uma semana antes.
E se fizermos de Maio a nossa luta…isto vai! como dizia Ary.
Viva a Liberdade!
Adelino Malho
Adelino Leitão
Adérito Araújo
Daniel Bento Alves
João Melo Alvim
Paula Sofia Luz

24 de abril de 2009

A notícia oficial que já era oficiosa

Adelino Mendes é, oficialmente, o candidato do PS à Câmara Municipal. Depois de reunida ontem a noite, a concelhia tornou público e oficial o que há muito era oficioso.
Este não será uma fardo leve de carregar.
Porque o PS tem, desta vez, dificuldades acrescidas: É Narciso Mota que "engoliu" o PSD e pouco precisará de fazer campanha. É a crise que deixa o eleitorado danado e baralhado e por isso é fácil descarregar naqueles que estiverem à mão, desde que se apresentem com as cores do Governo. É a herança de um partido que mirrou em 1993, quando Armindo Carolino extremou posições e recusou assumir o lugar na vereação. São os erros de casting sucessivos na escolha de candidatos (honra seja feita a Joaquim Guardado, que lá ficou, como lhe competia), com as últimas autárquicas como cereja do bolo. Quem não se lembra de ouvir Sérgio Leal garantir que seria o candidato nestas eleições. Pois sim. Ele e companheiro Rui Miranda, que passaram por todos os estádios, desde inimigos a amigalhaços. Antes disso foi António José Rodrigues, mais António Calvete (sim, sim, ele foi do PS. Vereador, Deputado da Nação, Presidente de Junta, candidato à Assembleia Municipal. E fontes bem informadas dão-no como certo no lugar de mandatário de Narciso), Mário Diogo e o não menos importante Carlos Barros.
É pesada a herança, sim. Tal como já disse, não fosse o facto de tudo estar escrito e gravado, poderíamos até pensar que foi tudo obra de ficção.

23 de abril de 2009

Há mudanças

E para melhor.
Pedi ao Senhor Presidente da AM as contas das empresas municipais e os orçamentos das Festas do Bodo de 2008 e 2009.
Acabo de receber a documentação, com relativa celeridade e sem as polémicas do passado recente.
Ganha a democracia, em transparência e escrutínio. E evitamos chatices e conflitos.