30 de maio de 2009

Desemprego dispara



No último ano, em Pombal, o desemprego disparou. É a consequência mais visível e nefasta da forte recessão da económica global e nacional. Como previ, num post recente, a crise parece estar a afectar mais o concelho de Pombal do que os outros concelhos da região.
Na economia não há coincidências apenas consequências.

29 de maio de 2009

Eleições Europeias

As eleições europeias resvalaram, definitivamente, para a mais baixa politiquice.
Tal deve-se a várias razões. Enumero as que julgo mais importantes:
· Desvalorização das eleições europeias; estão transformadas em primárias para as legislativas;
· Falta de pensamento político estruturado sobre a Construção Europeia; a Europa tem servido para nos alimentar um pouco a auto-estima e os bolsos de alguns;
· Impreparação da maioria dos candidatos; o que os leva a resvalar para aquilo que sabem fazer – politiquice;
· Cultura demagógica da classe política actual; recorrem sistematicamente a discursos ambíguos que misturam anti-europeismo, nacionalismo e provincianismo;
· Os media e os eleitores interessam-se essencialmente pelos sound bites e pelas picardias.
Resultado? Nada de relevante se discute, e quem o tenta fazer é rapidamente atacado por todos os lados. O tratamento dado à questão do Imposto Europeu é um exemplo paradigmático da politiquice reinante.

Eu, eleitora

Houve um tempo em que eu achei que se não fosse jornalista teria enveredado pela política.Posiciono-me naturalmente à esquerda das decisões e da ideologia, mais por defeito que por excesso, sei-o agora.Nasci e cresci numa casa onde nem tudo são rosas, mas antes punhos fechados na hora de votar. Sem ser militante, o meu pai é mais socialista do que algum dia há-de ser o Sócrates, criatura que uma vez me enganou. A minha mãe sempre lhe seguiu as intenções, mesmo as de voto. Não sei se por causa disso ou por (d)efeito das personalidades, sempre ouvi falar das diferenças entre ricos e pobres (nós chegámos a ser remediados, como a maioria deste país), da igualdade, da ajuda aos outros. De como era preciso ir falar com o vizinho para que ele deixasse que a Junta abrisse o caminho - tão necessário às vezes, ou dos peditórios para os bombeiros, ou ainda dos cortejos de oferendas para o Lar. E depois a associação, a equipa de futebol, os melhoramentos precisos, a colaboração obrigatoriamente voluntária. A minha mãe a refilar que a nós ninguém dava nada. E eu a achar que era preciso, e útil, e até divertido - porque não admiti-lo, que isto de lavar casas-de-banho de um bar público e cozinhar para os jogadores do clube pode ter muita piada quando se tem 15 ou 16 anos. Exibi com orgulho o meu cartão de eleitor quando finalmente me pude recensear. Aconteceu que eram os anos do cavaquismo e o tempo de vagas gordas não chegou lá a casa. E então não fui para a faculdade, remetendo os estudos para mais tarde. E fui trabalhar. E naquelas legislativas de 1991 fiz parte da pequena minoria que não votou no senhor, mas fiz a minha primeira reportagem sobre eleições. Percorri pela primeira vez o concelho num pajero branco que o João Aurélio Mendes conduzia. Também lá iam o Pimpão dos Santos e o João, porque aquelas eram as primeiras eleições que o Correio de Pombal iria acompanhar e por isso era preciso levar a equipa toda. (Só essas aventuras davam não um post, mas um blogue). Pendurei ao peito um cartão da Secretaria de Estado da Comunicação Social e segui viagem. Nunca precisei dos dias de reflexão nem engrossei a lista dos indecisos, durante anos.Até que,por estes dias, fiz aquele teste que aqui deixei há dias e descobri que estava próxima de uma tal Partido Humanista, que eu, rapariga informada e agente (?) da informação, desconhecia. Consolou-me o facto de ter como parceiros os meus caros colegas quase todos. Só isso. Porque às vezes dou comigo a já não insistir com os amigos para irem votar. A optar pelo branco, que fica sempre bem mas tanto faz como fez. A ver-me ao espelho indecisa.À minha volta multiplicam-se amigos que estão agora a ascender aos lugares cimeiros das listas. É a nossa geração que vai agora jogar-se ao poder, ocupar as cadeiras confortáveis dos gabinetes, pôr em prática um certo modo de estar que condenávamos todos. Da direita à esquerda, os meus amigos andam aí. Às vezes fico triste, quando os vejo, e ando à procura deles entre os sorrisos e as conversas.E depois é este país, enfim, (que a Rita Quintela, cujas raízes estão na minha Moita do Boi, descreve tão bem neste post) que me anda a chatear. De maneira que lá vou eu votar dia 7, com certeza, depois de apanhar os cacos da cidadã empenhada que fui. Desta vez levo só uma certeza: faço-o em homenagem aos que lutaram tanto e aos que morreram pelo direito ao voto. São esses que me merecem a viagem.

27 de maio de 2009

Desfaçatez

O administrador-executivo da Pombal Viva, J. Vila Verde (JVV), convocou uma conferência de imprensa para se auto-elogiar e anunciar que o relatório da auditoria do ROC não refere a “existência de fraudes”. Como se a auditoria tivesse por finalidade detectar fraudes ou crimes. Essa responsabilidade é das polícias e da Procuradoria.
No entanto, as irregularidades que o JVV divulgou (de certeza uma pequena amostra) deveriam fazer corar de vergonha qualquer pessoa com um mínimo de dignidade. Mas não é o caso, antes pelo contrário, a criatura há muito que perdeu a noção da respeitabilidade e insiste em gozar connosco de forma descarada, com a cobertura e conivência de Narciso Mota.
Há muito que o JVV e, por arrasto, Narciso Mota perderam a noção do ridículo.

Acabado?

Os sinais do esgotamento de Narciso Mota são muitos, variados e expressivos. Acentuaram-se nos últimos tempos: anúncio precipitado da recandidatura, ausência de desenvolvimentos desta, notícias de recusas de figuras sonantes, decisões precipitadas e contraditórias, episódio no Louriçal, vitimização sistemática, declarações patéticas, ataques gratuitos, etc.
O terreno nunca foi tão fértil, como agora, para afirmar um projecto alternativo. No entanto, é preciso ter a lucidez para perceber que o caminho continua a ser difícil e que a situação actual é uma condição necessária mas não suficiente para o sucesso. A outra condição passa pela apresentação de um projecto verdadeiramente alternativo, que reúna alguns atributos básicos: novo no estilo e nas ideias, refrescante nas pessoas e nos métodos, visionário mas sério. Ou seja, ganhador.

25 de maio de 2009

Sinceramente, julgava que já estava no Séc. XXI

Narciso Mota disse que gostaria que “houvesse terapeutas para tratar todas essas causas que dão origem a problemas complicados, e aquelas causas contraproducentes àquilo que é a essência da vida humana, toxicodependência, práticas contraproducentes, homossexualidade e pedofilia”. “Não se facilite, em termos democráticos, aquilo que é contra natura, aquilo que não está na essência daquilo que a gente pretende, em termos de história, de dignificar aquilo que é a pessoa humana”, adiantou.

E eu tomaria que em pleno Séc. XXI vergonhas destas não acontecessem. Até neste plano surgem claras demonstrações de que é mesmo tempo de mudar.

PS: Partir da violência doméstica para uma alegada violência da homossexualidade, passando por quem "manda" (seria tem?) blogs anónimos é tão surreal que nem há palavras para descrever.

A engenharia autárquica

O que aconteceu na visita à freguesia/vila do Louriçal na sexta-feira passada fez-me recordar os primeiros tempos de Narciso Mota como presidente, quando se exaltava nas reuniões de Câmara e fora delas. Tenho de memória episódios hilariantes entre ele e Joaquim Guardado, entre ele e Ofélia Moleiro, entre ele e Alfredo Faustino, entre ele e Diogo Mateus, entre ele e Feliciano Duarte, entre ele e Teresa Estanislau. São dos que me lembro no imediato. Eu e ele nunca protagonizámos uma cena destas, helàs. Ficámo-nos sempre pelos recados dele a terceiros e pelo talento que ambos demonstrámos, ao longo dos anos, publicamente, dentro do socialmente correcto. O resto ficará para contar um dia, noutro formato.
De forma que quase não me espantou a cena, não senhor. Ou melhor, espantou-me ligeiramente que Manuel Jordão Gonçalves, o presidente da junta do Louriçal (que recordo desses tempos apoiante incondicional de Narciso, então convicto social-democrata) tenha tido a coragem de afrontar o presidente da Câmara. Assim como assim, isto deve ser uma questão de engenharia autárquica, parece-me. E que encontra o seu modelo – contudo mais polido e sofisticado – no Primeiro da Nação. E por mais que o momento de nervos em franja divirta espectadores, ouvintes e cibernautas, não foi bonito, não senhor. No meio disto tudo, ficamos sem saber quando é que colocam os bancos no Largo D. Luís de Menezes. Nem quando arranjam a calçada. E já agora, o que pensam fazer do alegado Parque de Merendas da minha Moita do Boi, inaugurado com tanta pompa como circunstância na pré-campanha eleitoral de 2005, e entregue à sua própria sorte.

Aviso à navegação

Contra o anonimato… blogar, blogar

Começaram por ser às dezenas, passaram para as centenas e actualmente há dias em que são milhares as visitas ao Farpas, este nosso/vosso espaço de debate e intervenção. Começámos por moderar os comentários. Mais tarde escancarámos as portas deste blogue, pois que ainda somos (quase) todos crentes num mundo feito de liberdade e proporcional responsabilidade. Ora acontece que, grosso modo, os comentadores optaram por discutir pessoas em vez de posts, enveredando não raras vezes pelo insulto ou pela ofensa gratuita. Para grandes males, grandes remédios: A partir de agora o Farpas interdita o anonimato, viabilizando apenas a opção open ID, que obriga a um prévio registo (para registo e informações ver
aqui).
Porque aqui cada um dos que escreve dá a cara. Muitos que aqui comentam também têm essa dignidade. Ainda é tempo dos outros a conquistarem. Ou não. Mas esse é um problema que vão resolver noutras paragens.

22 de maio de 2009

A excursão


As visitas às freguesias são a excursão do regime.
No Louriçal, o passeio transformou-se em pesadelo.
Narciso Mota deveria saber que os tempos de bonança acabaram.

It`s the economy, stupid!

Foi o slogan utilizado por Bill Clinton, com sucesso, nas eleições presidenciais de 1992. Com o país em recessão, provocada pelo enorme esforço de guerra e por uma política fiscal agressiva que asfixiava as famílias e as empresas George W. Bush foi derrotado sem apelo nem agravo.
Em Pombal a realidade económica é cinzenta, muito mais cinzenta do que no País, mas as coisas tendem a agravar-se. Os próximos anos vão trazer à tona as verdadeiras debilidades do concelho e evidenciarão os erros e as omissões da governação de Narciso Mota. O concelho não se desenvolveu porque faltou enquadramento estratégico às políticas e medidas tomadas, não se aproveitaram recursos endógenos nem as vantagens comparativas relativamente a outros concelhos ou regiões e não houve nenhum esforço para captar investimento, nomeadamente o de carácter estruturante. A economia local vai ser fortemente afectada pelo profundo abrandamento do sector da construção, à volta do qual esta girou nas últimas décadas, pela provável falência de indústrias de referência e pelo fraco valor acrescentado dos serviços.
Há 2 ou 3 anos este cenário era bem visível e muitos câmaras, mais conscientes do que a nossa, começaram a aliviar a carga fiscal. A nossa agravou-a brutalmente.
Assim temos, cada vez mais, uma Câmara rica e um concelho pobre.
Por quanto tempo mais?

21 de maio de 2009

Afinal...

Primeiro assina-se um contrato-programa com a Pombal Viva para esta gerir o Bodo, definindo as verbas que estão em causa. Depois afasta-se o Administrador Executivo da Pombal Viva por causa de alegados indícios de irregularidades no relatório preliminar. Depois este põe o lugar à disposição (diferente de uma demissão) e não é aceite e fica até ao fim do mandato, desautorizado e a prazo.

Ou seja, sem conclusões definitivas, afasta-se a pessoa, mas apenas um bocado, legitimando que se assuma que a barraca é bem pior do que parece. E afasta-se a pessoa apenas o suficiente para, sem qualquer margem para dúvida, ter um responsável à mão, fazendo esquecer que os cheques se assinam com duas assinaturas e que há outro administrador que não sendo executivo, tem toda a responsabilidade política.

Em suma, uma forma de estar na política: navegar à vista em função de humores e sem estratégia definida (tudo, desde o primeiro relatório de contas em Setembro de 2008 até hoje, o demonstra) coadjuvado por "yes men", que não deixam de o ser mesmo quando se deixam conduzir ao altar do sacríficio (e ainda que também tenham aparentemente a sua quota-parte de responsabilidades).

20 de maio de 2009

Pombal versus Portugal

Vejo um grande paralelismo entre a realidade política de Pombal e de Portugal.
Encontro muitas semelhanças e poucas diferenças.
É a vida!

A Porca da política


Era assim no tempo do Bordalo mas agora é muito pior.
Mas a culpa não é da Política.

19 de maio de 2009

Bela açorda

Em 2008, João Vila Verde (JVV) prometeu-nos Festas do Bodo à grande e com a garantia de se pagarem.
Resultado: prejuízo superior a 300.000€, contas aldrabadas e fortes indícios de gestão danosa (do nosso dinheiro).
Em 2009, JVV volta a prometer Bodo à grande, correcção dos erros e equilíbrio entre receitas e despesas.
E o que decide a Câmara? Dar, de imediato, 135.000 €, dinheiro nosso, ao JVV, de mão beijada, sem ele o ter pedido.
Isto é que está aqui uma açorda!!!

Trancas à porta?


É pena não se ter feito isto o ano passado. É positivo saber quanto é que se pretende gastar, como se pretende gastar e onde se pretende gastar. Espero é que a prestação de "contas à Câmara Municipal de toda a actividade desenvolvida e dos resultados sociais, económicos e financeiros desta” seja feita antes das eleições e de forma a que não venham a necessitar de correcções meses mais tarde.

Aditado: Note-se que isto não pode fazer esquecer, seja de que forma for, que 2008 foi uma embrulhada que tem de ser deslindada.

Ainda as Pedreiras

Para além das dimensões que o Adelino Malho aqui indicou e onde se centra grande parte da questão, há áreas de intervenção que não devem ser esquecidas: os esforços de alguns para que a Sicó continue a ser esquartejada, nomeadamente através de petições como a que SM colocou em comentário e que eu aqui desvio para um lugar mais de destaque. De facto, podemos nem concordar com todos os pormenores, mas todos os esforços para se discutir a Sicó, aproveitando toda a potencialidade que esta zona tem, devem ser feitos. Por isso, se concordarem, assinem a seguinte petição:

Quanto à nova estrada de acesso à pedreira, questionei o executivo numa Assembleia Municipal sobre o impacto da mesma. Houve logo quem achasse que estaria a ser fundamentalista e contra o progresso (o libelo habitual face à ausência de argumentos válidos ou a inabilidade em escutar os outros), mas foi o próprio Presidente que afirmou que se procuraria evitar o máximo de impacto, sendo certo que não haveria ainda um traçado definitivo. Neste momento, ignoro os desenvolvimentos, mas parece pouco lógico que um dos sítios naturais mais bonitos (e com mais incentivos, podia até ser mais procurado) da freguesia possa ser posto em causa por um equipamento daqueles. E antes que alguém venha afirmar que se põe a natureza à frente das pessoas, uma estrada para a pedreira por ali ainda continuaria a afectar populações. Para evitar situações em que erros do passado têm de ser corrigidos seria bom saber-se que, de futuro, se planeará melhor.

18 de maio de 2009

As pedreiras

Em Pombal, as pedreiras, tal como as outras explorações de inertes, serão sempre um tema importante. Temo-las cá. No entanto, não é uma área onde o poder político local tenha a maior quota de responsabilidade directa, é co-responsável. É uma área de actividade onde tem havido uma demissão, quase total, dos poderes políticos. Por interesse, diga-se.
O quadro legal tem vindo a compor-se. Estão criadas as condições para terminar com a apropriação e destruição de uma riqueza que é de todos. Assim, haja coragem para atacar o problema.

14 de maio de 2009

Associações empresariais locais

Cria-se uma (AEP) da junção de duas, mas as duas que se juntam continuam a existir.
Eis o verdadeiro milagre da multiplicação dos lobbies.
Aditamento: ... e "tachos".

O estranho caso de Narciso Mota

É no mínimo estranho que Narciso Mota tenha chegado a este maduro Maio sem apresentar publicamente a sua (re)candidatura à Câmara. Acredito que a coisa não esteja fácil no teatro das operações. E que esteja a organizar o exército das listas para poupar em festas. Mas a dilatação dos lugares do executivo já deveria ter resolvido as dificuldades na fila.
E apesar deste à vontade denunciar uma confiança acomodada, subsistem, ainda assim, uma dúzia de questões:
1 - João Coucelo vai ou não ser cabeça-de-lista à Assembleia Municipal?
2- Diogo Mateus vai ou não em número dois?
3 -Calvete vai ou não ser mandatário?
4 -Ofélia está mesmo de fora?
5 -Isabel Gonçalves aceitou o convite?
6 -E Teresa Monteiro?
7- É desta que Paula Cardoso sobe à vereação?
8- E João Vila Verde? Que tal?
9- Ana Pedro continua na Etap ou é finalmente chamada às listas?
10 - Nas Juntas está tudo "controlado"?
11 - Será que a festa de apresentação vai decorrer durante o Bodo?
12 - E ainda quer fazer de Pombal a segunda cidade do distrito?*

*Foi o que (me) disse na primeira entrevista que deu, como candidato à Câmara, ao Correio de Pombal, na primavera de 1993, quando nem ele sonhava que tinha vindo para ficar.