19 de agosto de 2009

A campanha on-line


Ao contrário do que aconteceu há quatro e há oito anos, tempos em que, em Pombal, apenas a CDU assumia a sua candidatura na internet, proliferam os sites e blogues das diversas forças partidárias. Parabéns! Existe agora uma forma simples de obter informação relativa às agendas de campanha, aos programas eleitorais, etc.

Um "estrangeiro", como eu, pode agora consultar o blogue do Narciso Mota que, pelos vistos, lá arranjou tempo para escrever em blogues (as voltas que o mundo dá...), o site do Adelino Mendes, o blogue do Alcides Simões. Como se pode ver, todas as candidaturas optaram pela personalização da campanha. Não gosto. Mas isso talvez se deva a facto da minha formação privilegiar os projectos colectivos...

Também as candidaturas à junta se começam a perfilar no ciberespaço. Temos o site e o blogue, do João Alvim (sem dúvida o candidato mais habituado a estas andanças), o site e o blogue do José Neves (o homem tem também, pasme-se, facebook, hi5, etc), o site do Dinis Martins.

Passou-se do oito para o oitenta! Agora tudo tem site, blogue, facebook, hi5, twitter e sei lá mais o quê. Eu até comprendo essa parafernália no João Alvim. Como já anda há muitos anos nisto, definiu estratégias diferentes para o site e para o blogue (basta ver a inteligente escolha dos títulos), conseguiu atrair um grande número de seguidores no facebook, objectivou diferentes públicos-alvo para os vários canais que utiliza. Apesar de achar que poderia ter sido mais parcimonioso, não lhe fica mal. Agora, convenhamos: na maioria dos casos é um completo absurdo!

18 de agosto de 2009

É preciso é seguir a pista!

Há entre nós uma nova paixão. Chama-se Aeromodelismo. Ae-ro-mo-de-lismo. Fiquei a saber sábado à noite, quando ouvia uma dissertação do senhor presidente numa festa de um clube de... Atletismo. Ainda julguei tratar-se de um lapso, pois que os muitos adeptos da modalidade reclamam para Pombal uma pista, no Estádio Municipal, que sirva a todos. Mas não. O homem repetiu aquilo. E voltou a repetir. E ainda disse não-sei-quê de falar com verdade e com rosto. A cena passou-se em Vermoil, onde o Atlético local comemorava bodas de prata.

17 de agosto de 2009

De um simples ribeiro a uma grande praia



Ontem, empurrado pelo meu miúdo, voltei a Castanheira de Pêra para passar o dia na famosa Praia das Rocas. Os miúdos, normalmente, não se enganam na escolha das atractividades lúdicas. Valeu a pena, passámos um belo domingo.
É espantoso como a câmara transformou um simples ribeiro numa enorme e belíssima praia, animada e cheia de atractividades (ver imagens). Fui lá nos primeiros anos (2003 e 2004) e já naquela altura fiquei surpreendido com a visão e o arrojo do executivo camarário que concebeu e realizou aquele avultado investimento público. Temi que depois do epifenómeno inicial a coisa acabasse num enorme elefante branco. Felizmente nada disso aconteceu, o empreendimento continua vivo, com grande capacidade para atrair famílias dos concelhos vizinhos e não só (vi por lá várias famílias de Pombal).
Daqui se conclui que os executivos municipais podem fazer muito mais pelo desenvolvimento das suas comunidades do que à primeira vista se pode pensar. Mas para isso é necessário possuir alguma imaginação e alguma visão (no mínimo para além das próprias palmas das mãos) e não destruir riquezas naturais, valiosíssimas nos dias que correm, nem desbaratar recursos financeiros em subsídios frívolos e em benfeitorias e arranjas de fraco valor.

Agosto

Agora que mês já vai a (mais de) meio, que pese embora a crise o Intermarché continua de prateleiras vazias, que a vacada da Ranha até calhou a um domingo e foi um sucesso ainda maior do que o habitual, que as festas do Louriçal registaram uma verdadeira enchente mesmo com um programa daqueles, que no Osso da Baleia quase não há gelados, que nos dias quentes até o parque aquático enche, mesmo com aquele serviço e o café a um euro (em copo de plástico e colher de gelado),
é tempo de relermos este escrito do Daniel - cujas crónicas bem falta nos fazem, a todos. Porque isto está tudo ligado. O Nel Monteiro já morou na Ranha e agora canta no Louriçal. Depois ainda se admiram de certas e determinadas voltas que a vida dá.

16 de agosto de 2009

Rio Arunca: uma vergonha e um desastre (II)


Todos sabemos que a água é um bem essencial, mas um rio, ou mesmo um simples ribeiro, nos tempos que correm, em que a maioria das pessoas vive encafurnhada em caixotes e rodeada por betão, é uma riqueza preciosa.
Pombal tem um rio, o Arunca, que já não é um rio. É mais um vazadouro para onde a atiram, para o leito e para as margens, todo o tipo de tralha.
Inacreditável? Nem tanto, o Professor explicou muito bem.
PS: E isto não conta para o tal Estudo sobre a Qualidade de Vida. Olha se contasse?

14 de agosto de 2009

Rio Arunca: um desastre e uma vergonha


O Rio Arunca, principalmente a partir da cidade de Pombal, é um esgoto a céu aberto. É um problema que envergonha Pombal e os pombalenses porque é, essencialmente, dentro da cidade que o rio é poluído. Nos dias de hoje será difícil, senão impossível, encontrar no País um rio tão contaminado. Há muito que os rios Alviela e Cávado deixaram de ser a vergonha nacional em que o nosso rio ainda se mantém. Se mantém e se agrava. Há uns anos atrás tínhamos a desculpa da falta de ETAR, hoje é a própria ETAR a fonte de contaminação.
Ontem encontrei o rio num dos seus piores dias e tentei perceber as origens do desastre. Concluí que até ao ponto de descarga da ETAR a água não sendo boa é razoável, é minimamente transparente. Após a descarga da ETAR (ontem estava a descarregar um caudal significativo) não se pode falar em água mas de um efluente negríssimo e pastoso, como as imagens procuram mostrar. Como é possível?
A culpa não era, de certeza, da indústria em frente à ETAR, muitas vezes acusada de ser a principal fonte poluidora, porque estava encerrada e não descarregava nenhum efluente.
Por quanto mais tempo temos que viver com este atentado ambiental?
Há dezasseis anos que o PSD e Narciso Mota prometem a despoluição do rio Arunca. Há dezasseis anos que falham! E contaminam-no.
Como é possível?

12 de agosto de 2009

Farpas dos Leitores

O Fundo do Vale

A minha cidade-natal (à altura vila), Pombal, fica, segundo me esclareceram há muito pouco tempo, num vale. Como vale que se preze, este foi formado pelo movimento das águas. Uma coisa o separa de outros vales, no entanto. Neste, por sobre cidade edificada e habitantes, corre ainda uma corrente. Uma que não molha nem gela, mas arrasta quem ali vive para as profundezas da ignorância e a foz do afastamento em relação a algo que deveria sempre estar ao alcance da mão: a política.

Está mais do que discutida a capacidade que o poder ter de revelar o mais profundo da natureza humana. Mais do que sabido que todos adoramos manter os nossos empregos e que, no limite - e Pombal, às vezes, parece-me ter atingido o limite - a emulsão da política na sociedade acaba por se tornar rotina. Pior, acaba por ser normal.

Perdemos a capacidade de indignação e, com isso, o direito a tê-la. Somos, quer queiramos quer não, eleitores mesmo depois de elegermos. E se não o quisermos ser por amor ao jogo político, que o sejamos, pelo menos, na defesa do nosso património e dos nossos. Num mundo ideal, sê-lo-íamos até em defesa da nossa honra e inteligência. As mesmas em que o Correio de Pombal cuspiu. E não é pela constante corrente asfixiante que corre por Pombal que o escarro se nota menos.

Ao publicar, em lugar de uma notícia sobre a JSD de Pombal, sem alterações que não duas expressões no final dos dois últimos parágrafos, um press-release emitido pela própria Jota, o Correio de Pombal tornou-se quase um Caronte para a corrente de que falo. O barqueiro que leva o pensamento livre, a ética e até a inteligência até ao seu destino final. Só as consequências podem ser mais graves por estarmos em clima eleitoral. O acto em si, a falta de independência, o ultraje e a negação da própria natureza do jornalismo que ali estão embutidos são gravíssimos em qualquer altura.

Podem achar que exagero, que a linguagem é demasiado lírica ou que o assunto, tratando-se "apenas" de uma Jota, é demasiado trivial. Mas a JSD tem peso em Pombal, junto de uma faixa importante. Pertence ao partido dominante, até ubíquo, e responsável pelo ambiente político de que João Alvim falou, e muito bem, num post anterior. Nesta situação, e tendo em conta que em Pombal não proliferam jornais, saber que o mais conhecido deles não é pessoa de bem parece-me o cenário perfeito para, caso decidamos não dar importância a isto agora, virmos nós próprios, pombalenses, a lançar a base para uma malha de influência e abuso do poder local ainda mais apertada.


João Gante

11 de agosto de 2009

Duas listas, um destino

A escolha do Louriçal para palco da apresentação das listas do PS à Câmara e Assembleia Municipal é tão emblemática quanto curiosa. Isto para não classificar de provocatória, pois que Adelino Mendes:
1. conhece bem aquele terreno (trabalhou ali para o mesmo António Calvete que dantes era do PS e que agora "vai a todas", como ele próprio explica naquele vídeo que faz sucesso no youtube)
2. tem naquela freguesia a única junta que o partido ganhou há quatro anos.
3. É ali que mora Rui Miranda (lembram-se? Que era do PS de Pombal, saiu, e agora é outra vez do PS em Castelo de Vide e candidato a essa Câmara)
4. São dali naturais dois dos elementos da sua lista: Manuel Jordão Gonçalves (actual presidente da Junta, noutros tempos apoiante incondicional do PSD) e Patrícia Carvalho. Ocupam o 4º e o 7º lugar, respectivamente. No resto da lista (que em nove lugares tem quatro mulheres, como manda a lei) figuram nomes como o de Carlos Lopes (fiel nº 2 de Adelino Mendes também no partido), Marlene Matias (que é de Almagreira - olá Marlene, sei que aqui vens com regularidade e dás a cara nos comentários, o que é logo à partida um ponto a teu favor!), Maria Manuel Gomes (conhecida em Pombal por Mané, filha do falecido professor Gomes, o nº 2 de Carolino noutros tempos), Daniel Francisco (sociólogo, de Vermoil) e Ana Raquel Gomes (que faz carreira num grupo empresarial de nome mas nem por isso se afasta de Pombal).

E depois há a lista para a Assembleia Municipal, liderada por Armindo Carolino. Agora que já passaram muitos anos e que o homem já deve ter digerido a derrota, fazendo uma travessia no deserto que costuma ajudar a ver a floresta em vez da árvore, ficamos na expectativa das suas intervenções. Como tenho tanto de iluminada (olá Engº Narciso, escrevo-lhe um dia destes só para si!) como de realista, acredito que o vamos ver na bancada, a devolver algum nível de oratória que se perdeu na Assembleia Municipal. Pelo que sei, essa deixará de contar com a intervenção do camarada Adelino Malho. O que é uma pena. É a vida. Uma andorinha não faz a primavera mas ajuda a fazê-la.

7 de agosto de 2009

Castigo?


Em Ansião, a CDU repete a candidatura de Nídia Valente à câmara pela quarta vez consecutiva!
Pergunto: não deveria haver, também, limitação de candidaturas consecutivas (falhadas)?
Em Pombal, a CDU, pelo menos, vareia.

Tiro nos pés

O Presidente da Distrital de Leiria do PS, João Paulo Pedrosa, não acredita na vitória do PS, nas autárquicas, em Pombal.
Com amigos destes não são necessários inimigos.

6 de agosto de 2009

A Quinta da Gramela


Está à venda. Pela módica quantia de 14,5 milhões de euros, transformando-se numa das duas casas mais caras de Portugal. Pode ser que desta vez a Câmara resista...

5 de agosto de 2009

Um verdadeiro crime paisagístico

Confirmei, durante a visita à Freguesia de Pombal, que a Junta espera ansiosamente que a Câmara concretize a promessa de construir uma nova estrada entre a rotunda do Lavrador (Junto ao IC8) e a aldeia do Vale, cuja finalidade, pasme-se, seria desviar os cerca de 700 camiões de inertes que atravessam o Barrocal e tanto têm castigado a população. O projecto parece estar na fase final e a Junta exigiu à Câmara que as obras se iniciassem o mais breve possível.
Não existe nenhuma razão plausível para fazer a estrada, porque:
- A estrada nunca será a solução para desviar os camiões de inertes que atravessam o Barrocal. Entre o Barrocal e o Ramalhais, existem duas pedreiras: a pedreira do Barrocal e a pedreira do Vale. As pedreiras possuem circuitos independentes para o escoamento dos inertes. Assim, os camiões de inertes que atravessam o Barrocal provêm unicamente da pedreira do Barrocal e é difícil e contraproducente fazê-los passar pela nova estrada. A estrada seria, quanto muito, uma solução para os camiões da pedreira do Vale, sucede que estes não são problema para os habitantes do Barrocal porque saem pela zona do Ramalhais.
- A estrada rasgaria a Aldeia do Vale e o belo vale que vai do fundo da Urbanização da S. Belém até à Aldeia do Vale. Este vale possui um caminho pedestre que é, na ausência de melhor, utilizado por muitas pessoas para praticar desporto.
Pelo que aqui fica dito, a estrada não se justifica e, a concretizar-se, seria um gravíssimo crime paisagístico. Com que interesses?

Pimpão, deputado da nação

Pedro Pimpão vai em 5º lugar na lista do PSD por Leiria. Está eleito deputado, portanto. Pombal continua a dar cartas no plano político nacional. E antes de outra qualquer, esta é já uma vitória da Jota. É verdade que ninguém conhece a cabeça de lista por Leiria, mas isso agora não interessa nada.

4 de agosto de 2009

Singularidades políticas

Por muitas terras deste Portugal (e no próprio Portugal), e seguramente que não apenas a nossa, vigora uma política que tarda em ser extinta. É conhecida como a política da "porta aberta" e como facilmente se constata, implica que a única política a ser defendida seja a tal da porta e nada mais, antes que haja chatices. Isto vai muito para lá da mera troca da liberdade por segurança. É uma das razões pelas quais, faça-se o que se fizer, a desconfiança na actividade política não acaba: quando a única zona verdadeiramente livre para fazer política é na cabine de voto (espera-se), não há responsabilização e fiscalização que nos valha (sim, a todos nós).

E sim, há muitas e honrosas excepções, felizmente. E não, se quisesse falar em "medo", usava a palavra. Não há medo, há é um clima estranho, quase claustrofóbico (nunca pensei em utilizar vocabulário rangélico, mas isto há sempre uma primeira vez para tudo) que não sendo alimentado intencionalmente, acaba por dar jeito a muita gente.

3 de agosto de 2009

Ainda o Estudo sobre a Qualidade de Vida

O estudo “Os Municípios e a Qualidade de Vida em Portugal”, elaborado pelo Prof. José Pires Manso da UBI, é o primeiro estudo, científico, que visa "alcançar uma medida única que permita dar-nos a posição relativa no ranking do bem-estar dos municípios portugueses de um dado concelho em particular”.
É concerteza um valioso instrumento de análise, de decisão e de acção para executivos camarários, oposições, empresas, famílias e eleitores.
A forma como foi recebido, aqui, é revelador de muita coisa.
Penso que o estudo de 2009 ainda é de acesso restrito. No entanto, quando o comentei possuía os resultados e o estudo de 2007. O estudo de 2009 segue, concerteza, a metodologia do estudo de 2007, já que é propósito dos seus autores monitorizar a Qualidade de Vida em Portugal de dois em dois anos.

Nada mais autêntico (II)

O slogan - “Uns prometem, nós trabalhamos” - será, de certeza, o mais autêntico de entre os muitos que surgirão nas próximas eleições autárquicas. Ajusta-se na perfeição a António Carrasqueira.
Afirma ele: “Nós trabalhamos”. É verdade. É vê-lo de manhã, à tarde ou à noite agarrado à camioneta, carregando pedras, brita, areia, sacos de cimento ou manilhas; para aquela estrada, obra ou amigo; faça chuva ou faça sol. Sim, ele trabalha, até demais. Trabalha tanto, tanto, que não lhe resta tempo para fazer contas ao que trabalha.
Afirma, também, ele: “Uns prometem”. Desta forma esclarece-nos que ele não é dos que prometem. É verdade, ele só faz. Mas deveria saber que um político que não promete e que não se compromete, que só faz, não é um Politico, é um tarefeiro.
Como diz o povo: “Quem muito trabalha fica sem tempo para criar riqueza”, para os Abiulenses.

Não há jantares de borla?

Nada mais autêntico






... E até demais!

1 de agosto de 2009

A minha visita(II)


Indo à substância, a visita procurou mostrar, com realismo (descontando a paternidade e o financiamento das obras), o que foi e o que não foi realizado nos últimos quatro anos.
E o que foi realizado? Estradas: asfaltagens, alfastagens e asfaltagens, mais uns quantos empedramentos e aberturas de caminhos; e, Arranjos/Melhoramentos: do largo, das alminhas, do parque de merendas, das fontes (Cinco!), etc.
É disto que precisamos mais? É com isto que abandonamos a cauda do ranking da Qualidade de Vida?
Adenda: Sim, reconheço o realismo da mensagem passada durante a visita, mas isso não altera a minha opinião acerca de tais eventos nem revela nenhuma contradição com o que sempre tenho dito, como alguém já quis fazer passar.
E das duas uma: esta visita foi uma excepção ou a propaganda é feita na divulgação da coisa.

A minha visita(I)

Ontem, depois de confirmar o convite formal, lá fui à visita à Freguesia de Pombal.
Descontando a recepção inicial, a visita decorreu em ambiente descontraído e até com alguma cordialidade. Terminou com uma simpatia do Senhor Presidente da Câmara para comigo que, como não poderia deixar de ser, será tida em consideração nos meus comentários.
Quem faz a visita pela primeira vez tende a achar tudo novidade e acaba por passar um dia diferente e descontraído, foi o meu caso, mas quem conhece o formato da coisa deve achar uma seca e um grande desperdício de tempo. Sim, andar um dia inteiro a mostrar estradas asfaltadas e por asfaltar por entre os pinhais e os lugares mais recônditos da Freguesia não é um passeio, é um castigo.
Do castigo livraram-se os outros Presidentes de Junta, não apareceu nenhum!

30 de julho de 2009

Zangam-se as comadres

Sabem-se as verdades. É assim em todo o lado: na política, nos negócios, na sociedade, nas famílias, etc.
Só não percebo como é que algumas classes profissionais são tão aguerridas contra o Estado e, ao mesmo tempo, tão submissas com os patrões. Depois admiram-se…

O autocarro da propaganda

Recebi ontem, pela primeira vez, um convite formal para participar na “Visita às Freguesias”, neste caso à de Pombal.
Não gostaria de terminar o meu mandato na AM sem confirmar, no terreno, a inutilidade, para os munícipes, de tais eventos propagandísticos.
Se tiver tempo lá estarei e darei, aqui, conta do sucedido.

27 de julho de 2009

Um Bodo de nervos (história de uma fotografia)



O que terá irritado o presidente, sexta-feira à noite, no estádio municipal?

1 - Chegar ao recinto e perceber que estava pouca gente (apesar de belíssimo espectáculo dos Sons da Fala)

2 - Deparar-se com tanto esquerdista junto, a começar pelo palco e a acabar no recinto.

3 - Ter sido fotografado por esta vossa amiga, quando, na companhia do discípulo Fernando Parreira, mais do tal que diz que é da Juventude - pôs mãos à obra para empilhar as cadeiras que:

a) nunca lá deveriam ter sido colocadas, como bem constataram Sérgio Godinho e Vitorino.

b) estavam ocupadas inicialmente por 28 pessoas das cerca de 300 que por ali assistiam ao concerto.

O pior é que a foto saiu mal, como já tive oportunidade de explicar às muitas pessoas que me vieram perguntar o que se tinha passado, pois que (esta parte é para os senhores assessores, adjuntos, delfins e demais que fazem o favor de imprimir estes escritos e levar ao senhor...sublinharem a sombreado) só se vêem cadeiras - como podem constatar. Pelo que não havia necessidade de sua exª ter interpelado um rapaz sério que é casado comigo, com observações a (des)propósito. Aqui para nós, é melhor deixarmos as famílias de fora disto ;)

26 de julho de 2009

Por que desfalece Pombal?

Não é por causa da crise internacional, já que esta afecta todos os concelhos e é recente.
Não é, concerteza, por causa do governo, já que vários concelhos do distrito (Nazaré, Caldas da Rainha, Óbidos, Alcobaça, etc.) têm boa performance (vide estudo da UBI).
Por que será então?

Imperfeições

Um cego é um cego, mesmo que tenha dois olhos. Um ignorante é um ignorante, mesmo que tenha dois neurónios. Um fanático é um fanático, mesmo que cogite.
Infelizmente é assim na política, tal como na religião e no futebol.

24 de julho de 2009

A Crua Verdade

A verdade, em Pombal, não é aquela que os cartazes propagandeiam. É outra e muito menos colorida do que os cartazes.
Um Estudo do Observatório para o Desenvolvimento Económico da Universidade da Beira Interior sobre a Qualidade de Vida** nos diferentes concelhos, diz-nos que Pombal continua a desfalecer e perde 27 lugares relativamente a 2007. No distrito de Leiria só temos atrás de nós Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Alvaiázere. Até Ansião e Castanheira de Pêra, concelhos de interior do distrito estão á nossa frente.
Os estudos e os números não enganam e desmascaram dezasseis anos de Narcisismo.
Que mais nos irá acontecer?
** O estudo entra com mais de uma centena de indicadores das variáveis seguintes: equipamentos de comunicação, equipamentos culturais, equipamentos de saúde, equipamentos educativos, infra-estruturas básicas, cultura e lazer, educação, população, saúde, segurança, ambiente, dinamismo económico, mercado de habitação, mercado de trabalho, rendimento e consumo.

Odete Alves


É daquelas pessoas que cativa pela simplicidade. Formou-se e começou a trabalhar por conta própria numa das actividades mais concorrenciais – a advogacia. Entrou na Política, a sério, quando numas eleições autárquicas a convidaram a integrar as listas. E por lá, por cá, foi ficando. No partido foi fazendo o trabalho que aqueles que buscam o protagonismo não querem fazer, anos a fio, na sombra, com dedicação e profissionalismo, sem atropelar ninguém, dando sem cobrar.
Só por isto (que não é nada pouco), mas também por comparação com os seus concorrentes locais, a Odete merece o meu voto. E a continuar assim merece todo o sucesso, na vida e na política
.

Interlúdio desportivo


Amanhã, Sábado, dia 25, às 18 horas no Teatro-Cine. Novo projecto e novos rostos. Pombal também passa por se reinventar e por regenerar em termos associativos.

Toda a verdade

Há verdades e verdades, pelos vistos.

Numa volta pelo Cardal e pelo Bodo que voltou a ser nosso foi-se-me o post que contava escrever hoje: ía dizermos que estava sensibilizada com o que julgava ser o exemplo maior de contenção, quando reparei num cartaz do presidente Narciso. Está ele de gravata verde-esperança e um slogan que diz "Pombal de verdade". E eu que até estava convencida de que o homem iria dar o exemplo e não gastar dinheiro em cartazes, pois que não precisa, como é sabido. Ledo engano.

Mais à frente, chegando ao Jardim, outra "verdade": um stand do Correio de Pombal diz que o jornal tem "18 anos de verdade". Que bom. Por estes dias chegam-nos notícias de agressões e processos disciplinares. Estaremos perante a verdade da mentira?

E nisto, há papas e bolos por toda a parte. E farturas e imperiais e música. E as noites são de liberdade até nas ruas, no piso feito de alcatrão a estrear. É madrugada e ainda por ali andam pais e filhos, num clima de festa. E de repente uns faróis. Um carro irrompe pelo viaduto. É um BM preto que faz arredar transeuntes e carrinhos de bébé. Desculpa-se tudo. Até a quem devia dar o exemplo. É Bodo senhores!

23 de julho de 2009

As minhas escolhas

Estamos no ano de todas as eleições, logo de muitas escolhas. Cada um fará as suas em função dos seus critérios. Muitos decidirão, até, não escolher nada, nem ninguém. É assim a Democracia, ainda bem.
Participarei nas escolhas todas, porque gosto de escolher tudo: a comida que como, o vinho que bebo, a mulher com quem durmo, os amigos com quem convivo e discuto, o local de trabalho, etc; e, como não poderia deixar de ser, os políticos por quem gostaria de ser governado.
Escolho os políticos, acima de tudo, pelo que são: pelo que pensam e pelo que não pensam, pelo que prometem e pelo que não prometem, pelo que provaram e pelo que não provaram. Não me importa se são novos ou velhos, se são negros ou brancos, se são mulheres ou homens.

22 de julho de 2009

Aviso à navegação

Uma andorinha pode não fazer a Primavera, tal como uma roulotte de farturas não faz o Bodo, mas que elas já andam aí, andam.

21 de julho de 2009

Pombal e o futuro

Por estes dias sinto-me quase ingrediente de uma salada de frutas. Tenho amigos a candidatarem-se à esquerda e à direita, numa lógica de participação cívica que me faz gostar mais deles. Dois desses são peças integrantes da blogosfera, com quem aliás partihei este blogue, faz agora dois anos. Juntei-os vários vezes no mesmo jornal, a escreverem sobre as mesmas coisas. Quando chegava o Bodo, jantávamos todos, fazendo Eco de um estado-de-espírito que partilhamos ainda. Guardo essa na parte boa das memórias de Pombal. E quando às vezes me auto-convenço de que um dia isto há-de mudar, lembro-me deles e dos outros como eles, que fazem dessa uma geração de esperanças.
Isto para dizer que tanto vou gostar de ver o Alvim na Junta de Pombal como o Pimpão na Assembleia da República (ou na Câmara, se tiver de ser, ok...). Porque os dois estão nisto com o melhor que têm lá dentro. E isso é coisa rara.

ADENDA: Para espanto de muitos e pranto de outro(a)s, Odete Alves vai integrar a lista do PS para as legislativas, pelo distrito de Leiria, num apetecível sexto lugar. Não a conheço como aos outros dois, mas é mulher e basta! Se por um acaso o PS ganhar as eleições, é certinho que será deputada.

19 de julho de 2009

Press para todo o serviço

Intrigada pelos comentários que, amiúde, aqui têm sido colocados recentemente, fazendo alusão "ao que se passa no OCP", julguei ter encontrado a resposta quando recebi, por mail, um convite por parte do Correio de Pombal para estar presente numa festa de inauguração de uma discoteca. Fui até verificar se não era engano meu. Não era, de facto. Qual sintoma do estado a que chegámos, isto agora faz-se assim, sem pejo nem pudor. Bem sei que os empresários-modelo que o autarca-modelo cá do sítio gosta de elogiar (agora, entenda-se) fazem vista grossa a determinados códigos de conduta. Mas há mínimos senhores.

Andar por aqui

Ontem fui apresentado como candidato à Junta de Freguesia de Pombal pelo PS. Começa, por isso, uma caminhada naquele que será o projecto mais ambicioso em que me meti até hoje, quanto mais não seja porque é uma eleição a um cargo executivo na minha terra e, claro, por ser um projecto encabeçado por mim. Não pretendo deixar de farpar nesta casa, seja com posts ou comentários. Não a usarei para campanha, obviamente, mas antes de ser político e candidato, sou cidadão com opinião, opinião essa que apenas presta contas à minha consciência. Por esse motivo, e com o acordo dos meus camaradas de casa, por aqui continuarei, deixando a parte mais oficial da candidatura e a respectiva campanha para outros locais. Por isso, para além de andar por aqui, vou também andar por aí...

Força Mulheres

Assisti hoje (ontem) à apresentação dos cabeças de lista do PS às diferentes Juntas de Freguesia do concelho de Pombal. Foi uma agradável surpresa: novos rostos (a renovação é sempre um bom sinal, não só para quem está no poder mas acima de tudo para quem tem estado na oposição), a esmagadora maioria dos candidatos tem formação superior (bons desempenhos exige boa formação) e mulheres. Sim, quatro mulheres como cabeças de lista: Telma Domingues (Guia), Cidália Couto (Ilha), Cláudia Rodrigues (Pelariga) e Luísa Pinto Maço (Santiago Litém)!
Com a obrigatoriedade de os partidos reservarem quotas mínimas nas listas para as mulheres perspectivava que a maioria delas viesse a integrá-las, simplesmente, com o intuito de cumprir a lei. Estava longe de imaginar que quatro mulheres aceitassem candidatar-se, em Pombal, à presidência de uma Junta.
É consensual que a participação activa das mulheres na política é factor decisivo para a melhoria da Democracia e da governação, não porque fazem melhor mas porque, no geral, fazem de forma diferente. Mas participar, de forma expressiva, em lugares executivos e de chefia é um salto enorme.
Força candidatas e parabéns pelo atrevimento
.

16 de julho de 2009

À consideração de quem interessar

Castelo de Leiria vai ser estudado como nunca antes foi. Porquê?

“Para ser valorizado, mesmo do ponto de vista turístico, o património tem de ser estudado, conhecido”, justificou Vítor Lourenço, sublinhando que “nunca se fez um estudo tão intensivo” sobre o interior do monumento como o que vai ser encetado a curto prazo.

Concordo. Fazer por fazer não faz sentido. Perceber bem o que se tem para fazer algo de completamente diferente, se calhar é bem mais lógico que "plantar" obra e colocar placa de inauguração.

E agora para algo completamente novo

Sim, que há mais vida para além de JVV e seus episódios bodísticos. E agora que se foi, aparente e definitivamente para a esfera privada, é deixá-lo. Que há toda uma série de novidades (ou não) na vida política deste concelho.
A saber:
1. se Narciso não lhe falhar, Pedro Pimpão estará a ser indicado a esta hora como deputado quase-elegível na lista do PSD por Leiria.
2. Nos entretantos, Pedro Martins estará conformado em descer à Junta de Freguesia de Pombal.
3. Adelino Mendes suspira de alívio porque lá arranjou candidatos para as juntas todas.
4. E há por aí um rapaz que está quase a candidatar-se à Câmara pelo Bloco de Esquerda. Na volta ainda se descuida é eleito.

15 de julho de 2009

E depois do adeus? (II)

Foi-se o mentor, o Café Concerto é deficitário (justificando-se considerar a entrega a privados mediante um contrato de concessão - transparente e com pés-e-cabeça -, tal como aqui também se defende, mais a mais, sendo a agenda cultural apenas concertos que podem ser mantidos nesses moldes), foi-se também o Bodo, por culpa de quem geriu e de quem avalizou as opções tomadas, a Expocentro não é dinamizada (vide Relatório da Auditoria) e sobra o estacionamento, incompreensivelmente desligado de toda a questão do trânsito, devendo, por exemplo, repensar-se a alocação, nem que seja parcial, de fundos à sustentação do sistema de transportes urbanos, com consequente expansão. Mas no que toca à Pombal Viva, depois da festa (Bodo 2008) chegou-se a este ponto. Trapalhada é uma boa expressão, mas haverá outras.

Sim, houve o Bodo de 2008 que, já o escrevi aqui e disse noutros sítios, apontava para uma estrutura com a sua lógica, desde que dimensionada para ser sustentável, coisa que não aconteceu. Tão simples como isso: não houve qualquer esforço para evitar que o passo fosse maior que a perna. E não se trata de coarctar a ambição. Aliás, a ambição, com o dinheiro dos outros, normalmente descamba na mania da elefantíase, que tanto critico aos nossos governos. Não vejo mal nenhum que o Bodo se afirmasse cada vez mais ou seja, que o passo fosse maior do que é habitual. Convinha, repito, é que não fosse maior que a própria perna. Por isso é que dispenso que, nessa ânsia, regras elementares de gestão e responsabilidade fossem dispensadas como o foram.

Moral da história: a herança dificilmente chega para pagar as dívidas, mas chega, e bem, para tirar excelentes lições para o futuro.

14 de julho de 2009

O Marquês do Louriçal

A família marquesa, com toda a pose e estilo.

Pasmei quando vi escrita a frase, escrita a partir da Câmara: "com a ilustre colaboração de Sua Excelência o Senhor D. Tiago Henriques (Louriçal)". Pensei que fosse trote. Pelos vistos não era. A avaliar pela foto "de família" publicada na última edição do Correio, o homem existe. O que duvido é que soubesse, até agora, onde ficava o Louriçal. Ele e os outros. É preciso ter lata.

E depois do adeus?

Para além de todo o resto (seja as legítimas e pertinentes dúvidas quanto ao timing ou quanto à legalidade da decisão), há ainda mais um pormenor delicioso: no documento que exonera o Administrador-Executivo afirma-se que "o défice das Festas do Bodo 2008, motivador de desmedida controvérsia, não possa por si só ofuscar a boa actividade e relevante iniciativa da Pombal Viva". Então afinal é para fundir com a PMU ou não? Se dúvidas houvesse, ficamos bem esclarecidos: o poder autárquico não sabe o que fazer com a Pombal Viva. E se a transparência foi palavra ausente do passado da Pombal Viva, já se viu que também não pertence ao léxico relativo ao seu futuro. Isso e a expressão "desmedida controvérsia": é bom saber que discutir défices encapotados, gestão e responsabilidazação é coisa com a qual os cidadãos não se deveriam preocupar.

13 de julho de 2009

Porquê agora?

A decisão de afastar, agora, o Viva Verde da administração da PombalViva tem causado perplexidade no burgo. Narciso Mota sempre recusou afastar o rapaz antes de acabar o mandato. Porquê, então, agora? Que factos ou motivações levaram a tão estranha decisão? E como interpretá-la? Castigo ou favor?
Não existindo uma explicação minimamente plausível e considerando que:
- O Vila Vede, pelo visto, mantém o rendimento até ao fim do mandato;
- O Vila Verde tem pelo menos duas empresas ligadas ao sector dos espectáculos;
- O Vila Verde deixa de exercer funções, logo fica com o tempo todo livre;
- Estamos na época (f)estival, período ideal para gozar férias ou para facturar.
Só pode ser um grande favor, porque não quero imaginar o pior.

10 de julho de 2009

O Buraco Negro não pára de nos surpreender

Segundo OCP e informações que por aí circulam, a Comissão das Festas do Bodo de 2009 viu-se confrontada com contratos perfeitamente leoninos realizados entre a PombalViva e os artistas do Bodo de 2009. Há artistas, nomeadamente os DJ, contratados por valores muito acima do que normalmente cobram. A comissão confrontou os artistas com a irrazoabilidade dos cachets e das mordomias e tentou renegociar os contratos mas estes não aceitaram. Vai daí, a comissão admite cancelar as actuações e assim poupar nas deslocações e estadias.
Querem melhores exemplos de gestão danosa?
Como foi possível aquilo andar tanto tempo em total desgoverno?
Como foi possível a reincidência da prática de gestão danosa, mesmo após o conhecimento público do desastre do Bodo de 2008?
Quem beneficia ou beneficiou com tudo isto?

O administrador é mau? Extinga-se o cargo!

O anúncio da extinção do cargo de Administrador-Executivo da Pombal Viva chega a ser anedótico. Ao cabo de todo o processo polémico em torno das contas do Bodo e do desempenho do rapaz (que era inatacável, até há poucos dias, no dizer do presidente), eis que Narciso Mota não perde a capacidade de nos surpreender: enquanto desanuvia numa viagem a Bruxelas, manda alguém mandar um comunicado.
Faz lembrar a rábula do director que chama a secretária e lhe pede,
- marque-me uma reunião para sexta-feira, com a administração.
- Sexta é um x ou ch, sr. director?
- Deixe...mude para segunda.

9 de julho de 2009

Adilpom

É verdade, como afirma um dos nossos comentadores, que a Adilpom é um alçapão por onde se paga a funcionários e a ex-funcionários da autarquia?
Esperam-se esclarecimentos.
A gestão rigorosa por objectivos agradece.

Nogueira Matos

Nogueira de Matos, presidente da Junta de S. Simão de Litem, decidiu não se recandidatar. Tresmalhou.
Apesar dos muitos anos no poder consegue mostrar algum desapego ao poder.
Coisa rara cá na terra. Estou convencido que se não fosse a limitação dos mandatos alguns apodreciam no poder e arriscavam-se a tombar da cadeira, no poder, como o outro.

Perguntem ao vento que passa

Perguntem. Perguntem notícias do vosso concelho. Perguntem o que está a acontecer com a imprensa. Perguntem o que aconteceu aos jornalistas. E aos escrivãos. Aos repórteres e aos recórteres. Perguntem aos que ficaram se dormem tranquilos, à noite. Perguntem aos que partiram. Aos empresários do sector. Perguntem enquanto é tempo e ainda podem. Enquanto ainda há. Enquanto o vento ainda não cala a desgraça, e ainda diz alguma coisa.
Perguntem ao poder.

8 de julho de 2009

Notícias da crise

O Eurostat confirmou hoje que a economia portuguesa contraiu 3,7% no primeiro trimestre de 2009 (quando comparado com igual período do ano passado). Na Zona Euro a contracção foi de 4,9%.
Relativamente ao trimestre anterior a situação económica agravou-se. Em Portugal o PIB contraiu 1,6% enquanto na Zona Euro a contracção foi de 2,5%.
Não estamos bem. Mas estamos melhor (ou menos mal) do que a maioria dos nossos parceiros da Zona Euro. E muitos disseram que nesta altura estariamos muito pior.
Já agora, seria interessante conhecer os dados da Região e de Pombal. Infelizmente,
só os teremos daqui por ano e meio.

7 de julho de 2009

Finanças travam aumentos de IMI pelas autarquias

Na edição de hoje, o Diário Económico informa que “A Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais vai chumbar qualquer proposta de aumento dos coeficientes de localização dos imóveis, que interferem na avaliação dos imóveis e, como tal, no cálculo do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI)”.
Haja alguém que pare este saque!

6 de julho de 2009

A febre de sábado à noite

Concluí, por estes dias, que é mais importante ter boas fontes do que estar fisicamente presente nos jantares do engenheiro. (A propósito, continua em franca renovação do guarda-roupa, voltei a constatá-lo ontem. Isso, não se poupe a esforços que a idade não perdoa e assim sempre fica com um ar mais levezinho).
De modo que gostei de saber do regresso daquela rapariga da JSD (Ana Gonçalves, de todos conhecida por Piteiras) que fazia perder de amores os rapazes da minha geração. Não percebi como é que a professora Fernanda Duarte se evaporou da lista de intenções. Também já sei quem é a minha homónima. Era mais fácil se me tivessem dito logo que a Paula Silva era mulher de fulano tal. Parece-me que empurrar o Pedro Ferraz para o final não é boa estratégia. Isto se a ideia é ter gente competente nos lugares elegíveis, sei lá. Continuo a achar que a Paula Cardoso deveria ser chamada à lista. Mas se os critérios não forem esses que acabei de citar, então está explicado.
Que me perdoe o engº Rodrigues Marques (caríssimo director de campanha), mas consta que o ambiente era propício aos intentos do Nobre Povo, já que o clima de "conspiração" dominou na cave do Manjar. A malta que colou cartazes e suou as estupinhas para eleger o engenheiro em 93 não anda lá muito contente com essa classe emergente dos avençados e afilhados. Parece-me até que o clima é de "pré-golpe de estado", o que só faz subir o interesse destas eleições. Mesmo que a classe empresarial e a dita sociedade civil se tenham poupado a jantares, excepção feita a António Calvete, agora alegadamente adoptado pela família social-democrata.
Ah! Muito importante: sempre há uma mulher como cabeça de lista nas Juntas, para salvar a honra do convento. Chama-se Isabel Costa e concorre à freguesia de S. Simão de Litém, agora que o lendário Nogueira Matos acha que já chega de ser presidente.

5 de julho de 2009

Toda a verdade

Sobre o homem da Monvalca.

"Quando abriu o café da Várzea, era de um Pide. E então veio para lá trabalhar um tipo, da Moncalva, que era o bufo de serviço".

Isto e muito mais. Ou o que resultou do meu encontro imediato de segundo grau com o Nobre Povo.

PS proíbe candidaturas duplas a câmaras e ao Parlamento

Vai tarde.
Mas mais vale tarde do que nunca.

3 de julho de 2009

Sai o melhor

Segundo a Rádio Cardal, Pedro Martins não aceitou o sétimo lugar na lista do PSD às próximas eleições autárquicas. Convenhamos que era uma grande despromoção para o vereador que, sob todas as perspectivas, teve o melhor desempenho.
Fica de fora o melhor. Mas mostra dignidade, coluna vertebral e independência em relação à política. Coisa rara nos últimos tempos, nomeadamente por aqui.
PS: Espero que não se confirmem alguns "zunzuns" que por aí circulam. A confirmarem-se, teria que corrigir o último parágrafo.

E novidades?

Cardal FM, a rádio oficial do BODO

A rádio Cardal assegurou os direitos de exclusividade da transmissão sonora, nas ruas da cidade de Pombal, das festas do Bodo, a decorrer entre 23 e 27 de Julho.
A Cardal FM vai mobilizar uma vasta equipa de profissionais para lhe contar tudo sobre as festas anuais da cidade, com várias intervenções em directo, a partir do estúdio móvel, para além de muitas surpresas para os ouvintes da rádio e visitantes do Bodo, desde a realização de concursos e oferta de ingressos para os concertos, a realizar no estádio municipal.
A Cardal FM tem ainda preparada a cobertura integral da Meia Maratona de Pombal e a corrida do Bodo, a ter lugar no dia 26.

2 de julho de 2009

Ao que isto chegou...


Se houvesse bom senso nunca, mas nunca, este ser tinha aguentado até aqui. Bom senso. Só isso.

E o Bodo senhores?

Bem sei que por estes dias há muito em que pensar. Que a organização do evento de sábado dá trabalho, que é preciso tratar de tudo ao pormenor e que todo o pormenor recai sobre Diogo Mateus (ao menos isso...do mal o menos), mas está marcada outra festa, lembram-me? Bodo? Festas de Pombal? Hello? É que estamos em Julho e passámos do 80 ao 8 em matéria de divulgação.

Nota esclarecedora: Não, não é preciso os senhores assessores, adjuntos, delfins e outros seguidores do engenheiro irem numa pressa interpretaduzir este escrito. Não se trata de ser "preso por ter cão e preso por não ter". Trata-se mesmo de estar na hora de aparecer alguma coisa na rua. Peçam lá ao J. para apressar os cartazes, vá.

30 de junho de 2009

UM HOMEM




Eis, um homem. Faleceu em 1969. Quarenta anos volvidos sobre o seu desaparecimento físico, a sua obra e personalidade continua mergulhada num profundo e lamentável esquecimento. Médico de formação e crítico literário, ensaísta com títulos tão determinantes como:Fernando Pessoa, Poeta da Hora Absurda,Ensaios de Domingo. Colaborou em jornais tão imporantes como, Diabo, o Sol Nascente, Vértice e o Diário de Lisboa. Resistente anti-fascista. Membro da comissão central da organização de juventude do Movimento de Unidade Democrática (o MUD Juvenil). Organizadordo 1º e 2º Congresso Republicano de Aveiro ( 1957, 1969 ). O meu primeiro contacto, com a sua obra foi em Vermoil através da Biblioteca Itinerante da F. Calouste Gulbenkian, e desde aí nunca deixei de reler os seus escritos e ensaios literários. Mas, o seu escrito que mais me impressionou foi esta carta-testamento. Admirável. Aqui vos deixo....






Carta-testamento



Esta carta foi deixada por M. Sacramento em envelope fechado com a indicação «Para ser aberto quando eu morrer» e assinado o envelope com a indicação «Escrito em 7-4-1967»


Caramulo,
Pousada de S. Lourenço,
7 de Abril de 1967

Aos mais adiados...

Vai sendo tempo de escrever uma carta de despedida! A velha carcaça é já uma ruína nítida. A somar às cicatrizes das lesões pulmonares que tive, há bronquiectasias e zonas de enfisema do impossível fumador que sou, as quais hão-de vir a resultar num coração pulmonar. A tensão mínima já começa a ressentir-se disso. O rim deita vestígios acentuados de albumina e cilindros. E o estômago tem qualquer coisa que um destes dias hei-de averiguar... Como não posso nem devo emagrecer excessivamente — são os próprios colegas que mo dizem —, dado o perigo de reactivação das antigas lesões bacilares, o peso é também um contra. E, como deixar de fumar, nesta idade, além de ser um sacrifício inglório que me roubaria um dos poucos apegos concretos que ainda tenho à vida, seria levar-me a engordar ainda mais, o balanço é portanto muito nítido. Quantos anos? Depois dos cinquenta acaba-se, estou convencido. Mais erro, menos erro, a média deve ser essa.

Começo por isso a ter pressa de fazer umas tantas coisas que reservei para a fase final, quando a terrível batalha que travei na sobrevivência contra o fascismo me deixasse, à margem desta profissão cujas dificuldades e condicionamentos económicas, sociais e políticos liquidaram tantos dos meus sonhos, margem para isso. Espero roubar, sempre que possa, alguns dias à labuta e à engrenagem diária e isolar-me, como agora fiz, para escrever qualquer coisa de mais íntimo. Para o romance cíclico que trago há tantos anos na cabeça, não chegará o tempo, decerto. E é melhor assim, pois evito uma desilusão e sempre morrerei com o arzinho angustiado de vítima dum mau destino, o que é chique, como diria o Eça...

Antes de tudo, impõe-se, porém, que escreva estas singelas palavras. Quem pode afiançar-me que não vou acabar hemiplégico e afásico, como minha Mãe? Deixa aqui, então, o que depois não poderás!

Deixar cheira a testamento. E eu, que deixe, só tenho o corpo. Por mais que fizesse, por mais que me fizessem, disso é que nunca consegui ser espoliado! E, como é com ele que me avenho nas noites de insónia e nas porfias diárias, é justo que lhe dedique, ao menos, um pensamento em vida. E não o legue aos cães... Pois não equivaleria a isso estar a ver-me, daqui, de barba feita a posteriori, sapatos engraxados, fato de ver a Deus, a apresentar as minhas despedidas, muito formalizado, de dentro da cabine - especial? Como não tenciono ir para parte nenhuma, metam-me como eu estiver no caixote mais barato que encontrem e devolvam-me os restos à terra. A terra sabe lavar-se. E não há nada como um cadáver «limpo» para marcar um limite.

Se morresse em localidade com forno crematório, não desgostava disso, se não fosse caro. E, por falar em caro: não sei se a terra será o mais barato para o caso, - ó contradições do capitalismo! E, como isto de morrer também «custa» aos outros, há que prevê-lo. A família tem uma pirâmide egípcia em Ílhavo. Embora eu esteja farto de conhecer prisões em vida, como nessa altura quem terá de aguentar isso é «o outro», não me oponho a ir para lá, se for mais económico ou mais fácil de arrumar. Não faço questões nenhumas com a morte... Ela nega-me, e é tudo. A grande magana!

Não, o motivo fundamental desta carta é outro. Aceitei dialogar, nestes últimos tempos, com os católicos. Se tivesse nascido num país protestante ou árabe ou budista, tê-lo-ia feito com esses. Pois do que se tratava — se trata, ó morto-vivo!, ainda não acabaste! — era, é de dialogar com os progressistas e, sobretudo, com o povo, directa ou indirectamente. Não há-de faltar contudo — sempre assim foi, ó alminhas santas! — quem procure fazer sujeira com isso e aproveitar-se duma ambiguidade que surja para me denegrir a memória. Se a minha Mulher ainda estiver viva — ela tem sido boa companheira! Não haverá problemas com isso, estou convencido. E o mesmo se dará se os filhos estiverem atentos: eles têm carácter. Mas quem pode prever tudo? Não que eu faça grande questão do meu bom nome: estou-me nas tintas para ele, depois de morto. Mas, além dele pertencer aos meus companheiros de jornada. E, que diabo, se passei tantos maus bocados por eles, em vida, é porque considerei que era esse o meu destino. E um homem tem o direito de o defender, mesmo depois de morto!

Fica portanto entendido que sou ateu e como ateu devo ser enterrado. Em vez dum pano preto, ponham um paninho vermelho no caixote, se puderem. E usem luto vermelho, se algum quiserem usar...

Mesmo que eu ficasse pílulas ou sugestionável à hora da morte, isso não modificaria ser esta a minha opinião responsável. É esta, por conseguinte, a única válida.

Claro está que gostaria de ter sido melhor homem, melhor marido e melhor pai. A perspectiva da morte só tem de positivo fazer-nos pensar assim. Mas o homem é um bicho complicado. E eu tenho a consciência de que pelo menos, me bati sempre comigo mesmo para ser melhor do que poderia ter sido. Fui amigo da família à minha maneira: sem efusões líricas ou rodriguinhos. E, se não fiz mais por ela, foi porque não pude, tanto no sentido social como psicológico do verbo. A prova de que o meu desejo era ser bom marido e bom pai está no muito que li, pensei e escrevi sobre isso. Sejam os Filhos melhores do que eu pude — foi sempre esse o meu sentido de missão.

Nasci e vivi num mundo de inferno. Há dezenas de anos que sofro, na minha carne e no meu espírito, o fascismo. Recebi dele perseguições de toda a ordem — físicas, económicas, profissionais, intelectuais, morais.

Mas, que não as tivesse sofrido, o meu dever era combatê-lo. O fascismo é o fim da pré-história do homem. E procede, por isso, como um gangster encurralado. Fiz o que pude para me libertar, e aos outros, dele. É essa a única herança que deixo aos meus Filhos e aos meus Companheiros. Acabem a obra! Derrubem o fascismo, se nós não o pudermos fazer antes! Instaurem uma sociedade humana! Promovam o socialismo, mas promovam-no cientificamente, sem dogmatismos sectários, sem radicalismos pequeno-burgueses! Aprendam com os erros do passado. E lembrem-se de que nós, os mortos, iremos, nisso, ao vosso lado!

Não veremos o que quisemos, mas quisemos o que vimos. E este querer é um imperativo histórico. Há milhões de mortos a dizer-vos: avante!

Para a Mulher, um abraço, simples e esquivo como eu sempre fui. Para os Filhos, um beijo, frio e recalcado como eu sempre lhes dei. Para todos, um afecto. Quem tinha tão pouco que dar a tantos, teve de ser avaro... Mas morre convencido de que não guardou nada para si. Ou de que teve, pelo menos, essa intenção.

Façam o mundo melhor, ouviram? Não me obriguem a voltar cá!



Mário Sacramento

29 de junho de 2009

Tá-se bem, dama(s)

1. Desta vez não foi o meu filho a usar a expressão, no esplendor dos seus quase dez anos. Foi mesmo a Rádio Cardal, a propósito da notícia das três mulheres que (obrigatoriamente) pelos vistos vão integrar a lista de Narciso Mota. Das três - Fernanda Duarte, Paula Silva e Elisabete João - só conheço a última. Fazendo fé nos critérios do engenheiro, devem ser competentes, cada uma à sua maneira.
É verdade que o distinto autarca [elegante que ele anda, que bem o vi, fatinho cinza-prata e gravata vermelha (!) num evento social em Leiria] não perdeu a capacidade de nos surpreender, caso se confirme a inclusão das duas primeiras. Era sabido que pairava no ar a preocupação de encontrar para o sexto lugar uma mulher com determinado perfil, disposta a renunciar ao mandato (assim se explicam as ausências das hipóteses Isabel Gonçalves e Teresa Monteiro).

2. Não se sade nada de Adelino Mendes e da sua lista. Das duas uma: ou está o segredo muito bem guardado ou ainda não tem.

3. Tenho curiosidade em saber quem é que vai acompanhar Alcides Simões. E já agora Adelino Leitão, coisa que me interessa particularmente.

4. O Bloco de Esquerda pondera apresentar candidatura. Falta-lhe um/a cabeça de lista. Pode ser uma mulher, que não Maria Luís Brites. Aguardemos.

A CRISE É SÓ PARA ALGUNS.

Este post, colocado em http://ocastendo.blogs.sapo.pt/, não me surpreendeu de todo. Mais uma vez fica demonstrado que a crise ao mesmo tempo que gera pobreza, serve também para enriquecer os mesmos de sempre.

" Os 5 principais administradores do grupo VW viram as suas remunerações anuais aumentadas de 16,5 milhões € para 45,4 milhões €, o que representa um aumento de 175% em comparação com os 5,8% que os trabalhadores da Autoeuropa terão para os próximos 2 anos?

A VW pôs à disposição da fábrica portuguesa 541 milhões €?


Mais recentemente, foi anunciado pelo governo português o chamado Plano de Apoio ao Sector Automóvel (PASA)? Este plano contempla um total de 900 milhões € para atribuir às empresas do sector para que estas enfrentem as dificuldades da crise económica, através de acções de formação que podem decorrer durante um ano e que garantem os salários por inteiro aos trabalhadores. Não esquecer inclusivamente o próprio empenho de responsáveis da Autoeuropa na elaboração deste plano em conjunto com o governo.


Segundo notícias surgidas na comunicação social, a recente reunião anual de accionistas da Volkswagem decidiu aumentar os dividendos em relação ao ano de 2007? Assim, referente ao ano de 2008 foram distribuídos mais de 700 milhões de euros.


As remunerações dos trabalhadores representam 5% (cinco por cento) dos custos do produto final?


As remunerações ao sábado representam 0,0«qualquer coisa» dos custos do produto final?

A realidade é uma «chata», não é?"

27 de junho de 2009

Eleições (actualizado)

Autárquicas no dia 11 de Outubro. Hoje saber-se-á quando serão as Legislativas. Aposto que, por todos os motivos (sejam eles políticos, patrimoniais, estratégicos, tácticos ou de simples gosto), as eleições coincidirão. Se assim for, e atendendo a que os eleitores não só não são estúpidos como têm dado provas de bom senso, eleva-se o nível de desafio para quem se apresenta a votos. Por esses motivos, nada contra. A exigência e a responsabilização são partes inalienáveis da Democracia.

Perdi a aposta. Mas mantenho que não teria sido pior.

Também publicado na minha outra casa.

26 de junho de 2009

Carta ao Adelino Leitão (meu caro amigo)

Meu caro amigo eu bem queria te escrever/mas o Correio andou arisco... (podes pôr a música do Chico a tocar, que eu não me importo)

Leitão, amigo:
Serve o presente post para reclamar a tua presença neste blogue, pois que há mais de um mês não te manifestas sob qualquer forma. Como não pude ir à tertúlia, não tive ocasião de constatar o tal ar pálido e esbranquiçado de que fala o nosso amigo Jorge (que descobri há tempos dlegado da Ordem lá para Lagos, vê bem, que invejoso, não pode ver nada, nem que seja com uns anos de atraso), mas acredito na autenticidade das palavras, mesmo tratando-se de um advogado. Não devia, eu sei, mas temos de ser uns para os outros.
Pois que nada sei de ti, nem da tua campanha e/ou candidatura, e gostava de saber, provável que é, desta vez, a tua urgente eleição para a Assembleia Municipal.
Correm notícias pelo éter que carecem de confirmação, por isso espero pelo teu regresso para dar conta se continuo ou não a jogar no euromilhões.

Recebe saudações desta camarada, com votos de rápidas melhoras.

25 de junho de 2009

Centro demográfico de Portugal


No último número (o 157) da revista "Gazeta de Matemática", foi publicado um artigo da autoria do meu colega João Queiró intitulado "A Demanda do Centro de Portugal". Nesse artigo, o autor prova que o centro geográfico, ou geométrico, de Portugal (excluindo as ilhas) fica "entre as povoações de Arganil e Amêndoa, no concelho de Mação, distrito de Santarém", não muito longe (mas não coincidente) com o pico da Melriça, Vila de Rei. Este facto é mais ou menos conhecido.

O que também é curioso nesse artigo é que o autor prova que, de acordo com o censo de 2001, o centro demográfico de Portugal fica "cerca de 30 km a su-sueste de Coimbra, na fronteira entre os concelhos de Soure e Pombal". Olhando para o mapa que ilustra o artigo, pode ver-se que o centro demográfico de Portugal fica muito próximo de Pousadas Vedras, algures no triângulo Pousadas Vedras-Sabugueiro-Malavenda.


Enquanto o centro geográfico está fixo, o centro demográfico tem mudado. Em 1864 encontrava-se "perto de S. Miguel de Poiares, cerca de 17 km a leste de Coimbra". Depois moveu-se lentamente para sul e um pouco para oeste, até 1930, altura em que o movimento passou a ser para oeste." Mantendo-se a tendência, em 2011 iremos provavelmente assistir à sua chegada ao nosso concelho.

23 de junho de 2009

Eu é que sou o presidente da junta!

Soube do episódio ainda no domingo. Agora que está transformado em notícia, é digno de ser lido. E cada um que tire daqui as suas "inalações", como dizia um político meu conhecido, daqueles que já não se fazem. E quando percebi que também lá estava António Calvete, não pude deixar de sorrir para dentro. Lembro-o há anos, no palco da colectividade da minha aldeia - que até integra a mesma freguesia do Louriçal que a de Cavadas - em plena campanha eleitoral, com uma frase/slogan memorável: "Se tens juízo não votes no Narciso". Estou em crer que por essa altura andava o Manuel Jordão Gonçalves a fazer campanha pelo dito. As voltas que a vida dá.

Autarca do Louriçal 'silenciado' em almoço da associação das Cavadas

A direcção da colectividade das Cavadas não chamou o presidente da Junta de Freguesia do Louriçal a intervir durante um almoço de confraternização. O autarca é socialista e o dirigente é agora do PSD.
O presidente da Junta de Freguesia do Louriçal foi ignorado pela Direcção do Grupo Desportivo, Cultural e Recreativo das Cavadas, durante o almoço de confraternização referente à inauguração das obras de melhoramento das instalações daquela colectividade.
Manuel Jordão Gonçalves, eleito pelo Partido Socialista, não foi convidado a intervir perante a mais de centena e meia de pessoas que encheram por completo o salão da colectividade. Ao contrário do que aconteceu com o presidente da Câmara Municipal de Pombal, o social-democrata Narciso Mota.
Em declarações à Rádio Cardal, o presidente da Direcção da colectividade das Cavadas, refere que no seu entender “não se justificava chamá-lo ao palco para usar da palavra” acrescentando que “”tudo o que tinha sido feito, tinha sido dito, portanto não se justificava, apenas essa a razão”.
Adelino Oliveira, anterior autarca socialista e que agora é dado como certo nas listas candidatas pelo Parido Social Democrata, adianta ainda que no seu pensamento “não houve qualquer deselegância” para com o presidente da Junta de Freguesia. Tendo adiantado, ainda, que “um dos motivos” para que tal tivesse ocorrido deve-se ao facto de “durante estes quatro anos de mandato, o presidente da Junta foi convidado muitas vezes a vir à associação das Cavadas e ele apenas ignorou, dizendo que mandava alguém, e não mandou ninguém”.
Uma justificação que Manuel Jordão Gonçalves considera ser “perfeitamente absurda”. “Quando eu próprio não podia estar, sempre me fiz representar nos locais para os quais fui convidado”, diz o autarca acrescentando que “só se justifica isso pela sua [Adelino Oliveira] envolvência na candidatura do PSD”.
Para o autarca “era legítima e até natural que o presidente da Junta fosse chamado a dirigir umas palavras às pessoas que o elegeram, até como principal responsável pela freguesia”.
Manuel Jordão Gonçalves considera, ainda, que aquela iniciativa promovida pela colectividade teve “fins políticos” e que “foi feito para enganar a população das Cavadas”. O autarca estranha a presença do dado como certo candidato à Junta pelo PSD, José Neves, bem como dos seus apoiantes Rui Calvete e António Calvete.
Para Manuel Jordão, se José Neves estaria como membro da Assembleia de Freguesia, “deviam ter sido também convidados os restantes membros, principalmente a presidente da Assembleia”. E se os empresários Rui Calvete e António Calvete foram convidados como beneméritos da colectividade, “também outros beneméritos o deveriam ter sido e não foram”.

22 de junho de 2009

Apologia do anónimo


"Há quem não entenda que a escrita nas caixas de comentários é um género literário inteiramente distinto do post, pelo que não pode ser avaliada pelos mesmo critérios.

Se eu afirmo taxativamente numa caixa que o Zizek não produziu nada que valha a pena ser lido, isto é prosa de alto calibre. Se alguém me denuncia por nunca ter lido nada desse autor, a reacção é supimpa. Se eu treplico que li mais do que o Zizek, que entrega à mulher a dias as provas dos seus livros para revisão, isto aproxima-se do génio.

Por regra, nas caixas não há argumentos, há interjeições: "Apoiado", "Cala a boca, ó palhaço", "Vai-te...", "O pm é vigarista", "O que tu queres sei eu!", ou algo similar. Há quem desvalorize esta forma de expressão. Há quem se indigne com isto. Há quem sonhe com o dia em que o último comentador será enforcado com as tripas do último blogger.

O mundo é injusto, por isso não tenho esperança que algum dia seja atribuído um Nobel a um comentador de caixa de blogue. Mas temos que reconhecer que há, neste género, autores inesquecíveis. Por exemplo, a zazie, o ac4117 ou o bzidroglio. E então o anónimo, senhores, o anónimo!

Digam o que disserem, o anónimo é o mais admirável ornamento da blogoesfera, o verdadeiro soldado desconhecido da guerra das ideias, sem cujo manso sacrifício nenhuma batalha poderia ser travada, muito menos vencida.

Certa vez topei com um post que gerara 138 comentários, a grande maioria assinados pelo tal anónimo. Pensem bem: 138 comentários! Quanto esforço, quanta convicção, quanta argúcia, quanta persistência, quanta toleima, quanto desvario empregues na confecção de 138 comentários, sem sequer, no final da linha, a compensação dos míticos quinze minutos de fama.

Heróis do nosso tempo, silenciosos e ignorados heróis do nosso tempo, é isso que os comentadores das caixas dos blogues verdadeiramente são. Para todos, um grande bem-hajam."


João Pinto e Castro, "Pensar dentro da caixa", in Jugular, 3 de Julho de 2008

Uma questão comtemporânea

É sempre bom percebermos que não estamos sozinhos no mundo. Rejubilei ontem (como sempre) com o episódio dos Contemporâneos. Ide ver, quem perdeu.

18 de junho de 2009

Ecos de uma intervenção imprópria

Ou como quem representa Pombal é visto a nível nacional. Felizmente que ainda há quem não tome a árvore pela floresta. Só é pena não se ter escalpelizado a perigosa relação blogger-pedofilia-homossexualidade.

16 de junho de 2009

Uma boa notícia

A declaração de Impacte Ambiental desfavorável ao centro comercial Go!Shopping é claramente uma boa noticia para a cidade e também para o concelho.
Pombal e os pombalenses precisam muito de boas notícias. Mas temos que as procurar.

Farpas ao vivo

Com tertúlia, comes e bebes.
O mordomo, por todas as razões e com total autonomia, é o Rodrigues Marques.
Esperamos instruções.

14 de junho de 2009

Lá vai a marcha...


Não sei do que tenho mais saudades: se de morder a língua para não me desmanchar a rir com a figura do Nel Monteiro (esse ícone da música portuguesa que tinha aquele mórbido teledisco da mãe, tu partiste e não voltaste, em que cantava com uma coroa de flores), se de ver o engº Marques a desfilar na avenida.


Seja como for, continuo a gostar dos santos populares e das marchas em particular. Este ano não pude assistir ao desfile no largo da Biblioteca mas fui fazer o gosto à vista a Santo António, ali ao lado do Louriçal, num arraial à maneira que voltou a receber marchantes residentes e convidados. E quase me emocionei quando vi os meninos lá da minha aldeia, tão bem ensinados, a cantarolarem uma letra que eu escrevi há tantos anos, daquelas que julguei ter-se perdido no tempo e no espaço. Pelos vistos alguém a encontrou e lhe deu vida outra vez, agora com direito a música original.

O regresso da aldeia de Santo António às lides faz-nos aceditar que, num destes dias, pode ser o bairro Agorreta a seguir-lhe o exemplo. Já cá não está o enfº Campos para repor essa falha, e também por isso seria uma homenagem à altura para o homem que tanto deu de si às marchas e a Pombal.

13 de junho de 2009

Propaganda baixa

Os dirigentes do PSD, nomeadamente o chefe da propaganda e o “estratega”, tudo têm feito para passar a ideia de que os resultados das eleições autárquicas estão decididos. Segundo eles, o PSD vai esmagar a concorrência, o PS. Sinceramente, não sei aonde é que vão buscar tanta convicção.
O PSD esteve durante os últimos anos mergulhado em guerrilhas internas e na câmara. No executivo camarário teve um desempenho paupérrimo: não cumpriu a esmagadora maioria das promessas eleitorais, não realizou nenhuma obra relevante e teve um mandato manchado por irregularidades e escândalos.
As irregularidades são tantas e de tal gravidade que, a serem investigadas pelas autoridades judiciais, darão, provavelmente, condenações e percas de mandato.
Será, então, que os dirigentes do PSD acreditam na vitória? Talvez!
Bem sei (sabemos) que tudo é possível. E em eleições autárquicas, estamos fartos de ver coisas aberrantes: Felgueiras, Gondomar, Oeiras, Marco de Canavezes, etc., etc., etc.
Coisas que dão que pensar!

10 de junho de 2009

As palavras dos outros

"Mais do que tudo, os portugueses precisam de exemplo. Exemplo dos seus maiores e dos seus melhores. O exemplo dos seus heróis, mas também dos seus dirigentes. Dos afortunados, cujas responsabilidades deveriam ultrapassar os limites da sua fortuna. Dos sabedores, cuja primeira preocupação deveria ser a de divulgar o seu saber. Dos poderosos, que deveriam olhar mais para quem lhes deu o poder. Dos que têm mais responsabilidades, cujo "ethos" deveria ser o de servir.

Dê-se o exemplo e esse gesto será fértil! Não vale a pena, para usar uma frase feita, dar "sinais de esperança" ou "mensagens de confiança". Quem assim age, tem apenas a fórmula e a retórica. Dê-se o exemplo de um poder firme, mas flexível, e a democracia melhorará. Dê-se o exemplo de honestidade e verdade, e a corrupção diminuirá. Dê-se o exemplo de tratamento humano e justo e a crispação reduzir-se-á. Dê-se o exemplo de trabalho, de poupança e de investimento e a economia sentirá os seus efeitos.

Políticos, empresários, sindicalistas e funcionários: tenham consciência de que, em tempos de excesso de informação e de propaganda, as vossas palavras são cada vez mais vazias e inúteis e de que o vosso exemplo é cada vez mais decisivo. Se tiverem consideração por quem trabalha, poderão melhor atravessar as crises. Se forem verdadeiros, serão respeitados, mesmo em tempos difíceis. Em momentos de crise económica, de abaixamento dos critérios morais no exercício de funções empresariais ou políticas, o bom exemplo pode ser a chave, não para as soluções milagrosas, mas para o esforço de recuperação do país."

António Barreto, discurso do 10 de Junho.

Palavras, é certo, mas que relembram aquilo que tantos tentam fazer esquecer.

9 de junho de 2009

Fora da Lei



Sistematicamente fora da lei, com a conivência das autoridades.
Depois não se admirem com as consequências…

A Abstenção

A abstenção é um fenómeno eleitoral perfeitamente normal. Sabe-se que a dimensão da abstenção varia em função da relevância do que está em jogo. Não compreendo a histeria intelectualoide de muitos políticos e comentadores com o nível de abstenção nas eleições europeias. Estava alguma coisa em jogo, a não ser o partido? Acho que não. Por isso, tivemos, quase exclusivamente, voto militante e uns resquícios de voto de protesto.
Logo, não percam tempo a censurar os que não quiseram ir votar. Eles aparecerão para votar quando alguma coisa de relevante estiver em jogo. São eles que decidem as eleições importantes. E riem-se daqueles que os criticam e os censuram.

Ainda as análises...

Desde as primeiras eleições europeias (1987) que os partidos do centrão têm concentrado a votação: começou nos 60% e chegou nas últimas aos 77%. Nestas, caíram para 58%, havendo que ter em conta os 6% de eleitores que fizeram questão de votar em branco ou nulo (a abstenção foi elevadíssima, mas digamos que essa variável já era expectável, restava era saber o número exacto). Este cenário que poucas vezes se viu (apenas 1985, em legislativas, em que o fenómeno PRD arrecadou quase 20% dos votos), levanta questões sobre o que poderá acontecer em Setembro. Para que fique bem claro, afasto qualquer espectro de ingovernabilidade nem acho que esse argumento seja utilizável fora do discurso partidário e em campanha. O que parece ser de considerar é que a maioria dos eleitores desconfia do "seu" centrão. "Parece" apenas porque as Europeias são eleições diferentes, em que o voto de protesto pode ser utilizado com maior à vontade. Quer isto dizer que duvido que a soma dos dois maiores partidos seja inferior a 60% nas próximas eleições. Duvido, mas não só não tenho certezas como muitas vezes até me engano. No entanto, não querer retirar ilações de todos os resultados de Domingo, parece-me mais que má táctica, uma péssima estratégia.

8 de junho de 2009

Eleições Europeias: leitura local

Se os resultados das eleições europeias não são transportáveis para as legislativas muito menos o serão para as autárquicas. No entanto, podem ser muito úteis para retirar algumas ilações da realidade socio-política local.
Os resultados mostram-nos duas realidades distintas: a cidade e as freguesias.
Na cidade, há hoje um empate entre as forças de esquerda (PS+BE+CDU) e de direita (PSD+CDS). Nas freguesias, existe um domínio, quase total, do PSD.
O PS não existe nas freguesias, o que é muito preocupante para quem quer conquistar a câmara. O partido, os seus dirigentes, nunca quiseram olhar seriamente para isto. É sempre mais fácil culpar os outros. Mas o problema não está no povo, está sempre nos partidos e nos seus dirigentes.

Eleições Europeias: leitura nacional

O PS perdeu as eleições por culpa própria. A lista era fraca e não tinha um plano de comunicação adequado ao que estava em jogo nem uma mensagem política clara, ziguezagueou entre querer discutir a Europa e atacar o PSD.
O PSD, o BE, o PCP e o CDS ganharam! Pouco, mas ganharam. Por isso, partem todos mais juntos para o próximo combate. Ainda bem, nada pior para a Democracia, para o regime, do que resultados decididos à partida. Mas tão importante como ter vitórias é saber o que fazer com elas.
As próximas eleições centrar-se-ão, obrigatoriamente, nas soluções para a crise e nas soluções para a governabilidade. Terrenos muito difíceis para as lideranças partidárias.
O povo demonstrou, mais uma vez, que para além do senso comum possui algum bom senso. E nos próximos meses vai, de certeza, estar mais atento. Convém, portanto, não confiar muito na demagogia, e não abusar do aparelho.

E ainda...

Quase 12% dos votos não foram nos 5 partidos de 1ª linha. Desses 12%, metade, perto de 230 mil votos (o suficiente para eleger, no mínimo, 1 deputado) foram brancos ou nulos. Ontem praticamente ninguém falou nesses, hoje penso que também não. Não é a única questão, mas é umas das principais questões. Houve muitos portugueses que se deram ao "trabalho" de ir votar mas que tornaram claro que nenhuma das alternativas servia. Mostraram o descontentamento com os actores do sistema e não com o sistema em si. Consequências, reacções, sugestões, haverá?

Fora isso, impõe-se que o PS nacional reflicta nestes resultados e perceba que há estilos, escolhas e meios que não resultam. Falo de cabeças-de-lista que são fretes, discursos que são excessivamente maniqueístas e o meios excessivos, inspirados noutras realidades, que afastam mais do que atraem. Aprender-se-á alguma lição?

7 de junho de 2009

Está tudo normal em Pombal ocidental

Vá, confesso. Quase tinha saudades dos sapatos de berloques, da camisa azul-bebé e da franja ligeiramente grande e bem ao lado, que veste qualquer Jota (SD) que se preze. Davam pulinhos ainda agora na TV, enquanto Paulo Rangel (qual sapo transformado em príncipe) e Manuel Ferreira Leite falavam ao país, quase incrédulos com a vitória que lhes caíu nos braços. Hoje, tal como outras vezes no passado, quer no país, quer aqui em Pombal, não foi o PSD que ganhou. Foi o PS que perdeu. E enquanto os dois grandes se vão esgrimir em argumentos daqui até às legislativas, sobra espaço para registar essa emocionante vitória do Bloco de Esquerda, também em Pombal, coisa ainda mais rara. Porque Pombal até pode parecer um mundo à parte mas não é. Num concelho que bate recordes de abstenção em todos os actos eleitorais, os mais de 73 por cento destas europeias são mais do mesmo. O resto é quase o costume: o PSD e a supremacia, o PS (cada vez mais) envergonhado, o CDS e os fiéis, a CDU e os seus, o BE em ascenção, os brancos cada vez mais, tal como os nulos. Os nulos. Eles andam aí.

Resultados para conferir aqui e aqui.

E para não variar...

Comecei por escrever que "6, quase 7, em cada 10 portugueses não votaram mas todos os partidos optarão pelo "vitória" ou pelo "não é uma derrota". E acrescentei que "tal como na campanha mantém-se, de forma indecorosa, o grau zero da responsabilidade e da responsabilização política". Por isso registo com satisfação que pelo menos o PS não escondeu que perdeu estas eleições, assumindo de forma clara os resultados decepcionantes, embora confesse que não me sinto espantado nem chocado (e não foi apenas devido ao cabeça de lista, mas isso é para outros posts). Mantenho também que perdeu a "indústria" das sondagem. E mantenho ainda que era bom que houvesse consequências regenerativas, principalmente dentro do PS. Para além disso, o grande vencedor da noite é o Bloco. Quanto ao PSD, sendo outro vencedor, ainda será prematuro considerar-se "a" ou "uma" alternativa para Setembro, mas essa luta eleitoral começa amanhã. Volto a lembrar que votaram pouco mais que 3 em cada 10 portugueses. Não é para menorizar resultados, que esses são reais e palpáveis, mas apenas para constatar que há muito para fazer em sede de responsabilização e participação.

5 de junho de 2009

PombalViva: um caso de polícia (II)

Narciso Mota, seguindo o discurso de J. Vila Verde (seu protegido), quer fazer-nos crer, a toda a força, que na PombalViva existiram apenas irregularidades formais, coisas menores e sem relevância, que não representam qualquer prejuízo para a coisa pública. E insiste na falácia de que o Relatório atesta que não houve fraude. É uma rotunda mentira. Mas insistem, insistem, insistem.
Na esperança de que a mentira, dita muitas vezes, se transforme em verdade.

PombalViva: um caso de polícia

Anteontem recebi o Relatório de Auditoria Financeira à PombalViva. Ontem à noite li-o com atenção. Confirma todas as minhas suspeitas e vai mais longe do que esperava no apuramento de irregularidades, muitas e graves, e actos de gestão danosa.
Decididamente, estamos perante um caso de polícia.

PS: Trarei aqui todas as constatações relevantes, mas, por uma questão de respeito pelo órgão, fá-lo-ei após a realização da próxima AM.

Declaração de voto

No próximo Domingo vamos eleger 22 representantes porugueses para o parlamento europeu. Quer votemos quer não, o número de deputados será sempre o mesmo.

A tarefa de escolher em consciência não é fácil nem cómoda. O mais fácil é mesmo não ir votar: "que se lixe, aquilo é tudo a mesma cambada!"; "eu quero lá saber, eles que se amanhem!". Este é porventura o raciocínio da maioria dos eleitores pois,
segundo todos os indicadores, a percentagem da abstenção rondará os 60%, ou seja, três em cada 5 eleitores irá declinar a tarefa de eleger os seus representantes, aceitando a decisão de uma minoria. O nosso país é visto na Europa como um país onde os cidadãos têm pouca consciência europeia e que aceitam docilmente aquilo que outros lhe queiram impor. É uma casaca que eu me recuso a vestir.

Temos 13 listas: duas listas que, tradicionalmente, elegem muitos deputados, duas que irão eleger menos deputados e as restantes que, pelo que tudo leva a crer, não elegem quaisquer deputados.
Como estas eleições europeias não servem para eleger governos, a questão do voto útil tem, por isso, menos relevância. Considero mesmo que é mais útil votar num partido pequeno que num partido grande. Sem os deputados dos partidos mais pequenos o parlamento ficará mais pobre pois as ideias mais radicais, mais inovadoras estarão ausentes desse importante fórum.

Os políticos são como todos nós. Um são mais superficiais, outros mais vaidosos, outros mais irascíveis, outros mais trabalhadores, uns mais sérios, outros mais vigaristas. Não vale a pena, sobre isso, fazer qualquer drama. O importante sim é sabermos distinguir e votar naquela que consideramos a melhor lista de candidatos. Cada um terá os seus critérios de escolha. Eu tenho os meus. Quero que os meus representantes sejam pessoas sérias, com capacidade e vontade de defender os interesses, não só do país como da Europa, pessoas capazes de arregaçar as mangas e trabalhar, encarando o cargo para que foram eleitas com um espírito de missão e não como uma possibilidade de se pavonear, aproveitando o chorudo ordenado de deputado europeu.


Por isso, no Domingo, caro leitor, não vou deixá-lo decidir por mim. Não é nada de pessoal. Acontece que o voto é um direito cívico que eu não prescindo.

Quem twitta assim não é gago



Será a isto que se chama descer às bases?

3 de junho de 2009

Colégio João de Barros


Foram campeões nacionais de juniores em andebol feminino. Na mesma modalidade, mas no escalão sénior, disputaram a final-four da Taça de Portugal. Têm desenvolvido um trabalho desportivo que é um luxo. E ainda há quem ache que não se justifica um pavilhão desportivo decente nas Meirinhas?

É preciso mudar alguma coisa, para que tudo fique na mesma

Bem me parecia que alguma coisa faltava acertar, para tanta demora na apresentação da candidatura de Narciso Mota. Diz o nosso amigo Marques que é dia 4 de Julho, no Manjar, a que um dia Ofélia Moleiro chamou "ninho de vitória". Compreendo. O dia 4 é emblemático para Narciso e seus discípulos ;)
A fazer fé na notícia da sempre bem informada Rádio Cardal, José Grilo é o cabeça de lista à Assembleia Municipal, e João Coucelo é (de novo) o mandatário.
Quando esta semana avistei José Grilo no funeral de Alves Mateus farejei-lhe ares de candidato.
Entretanto, vou começar a jogar no euromilhões.

2 de junho de 2009

Só neste país

Existe uma enraizada mania nacional que consiste em dizer, por tudo e por nada, mal do país. Como diz Sérgio Godinho no seu mais recente álbum: só neste país é que se diz "só neste país, só neste país".

Este exercício de estilo, aparentemente inofensivo, contribui, em larga medida, para o estado de depressão colectiva em que nos encontramos. Não quero com isto dizer que não existam motivos válidos para justificar a nossa descrença. Existem, não são poucos e alguns deles também me desmotivam e me fazem pensar que não vale a pena acreditar no nosso sucesso como nação. Mas, numa altura de eleições, de consagração de democracia e de exaltação da cidadania participativa, esse exercício deveria ser evitado.

Portugal é um país essencial à construção europeia e tem aí um papel importante a desempenhar. Mas, para isso, temos que acreditar nas nossas capacidades, nos nossos valores e procurar estar no centro de todas as decisões, de forma activa e participante.

Acabei de chegar de uma viagem de trabalho à Suécia e Dinamarca. Em ambos os países encontrei grande indiferença em relação à campanha eleitoral. Não vi cartazes nem pessoas empenhadas em discutir a Europa; nas televisões falou-se mais sobre a Susan Boyle (não ganhou, coitadinha…) que nas eleições do dia 7. Os nórdicos podem até ser mais cultos, organizados e loiros que nós mas não têm a nossa paixão, a nossa imaginação (conseguimos ver no Vital Moreira o elo perdido que liga o Gepeto ao Avô Cantigas), o nosso espírito inventivo e de desenrasque.

A riqueza da Europa está nessa multiculturalidade e é nisso que eu acredito.