27 de janeiro de 2011

A negligência do Lavrador

A negligência (tal como os outros vícios do poder) germina melhor na CMP do que o joio no trigal. Nada que espante. Negligência sempre gerou negligência.
O que incomoda, porque injusto, é o tratamento diferenciado da mesma: uma é castigada outra é favorecida. O técnico responsável pelos jardins foi punido porque foi negligente e revelou falta de brio profissional na recepção e armazenamento das árvores. Os que permitiram que o técnico de contabilidade desviasse, ao longo de vários meses, cerca de 600 mil Euros das contas nada lhes aconteceu.
Já Confúcio dizia: - "Não são as ervas más que sufocam a boa semente é sim a negligência do lavrador."

Há vida para além das Presidenciais?


Eu sei que o Dr. João Coucelo era mandatário do candidato, mas digam-me lá se não é possível ver isto e ficar a pensar em 2013?

26 de janeiro de 2011

Afinal, Ele tinha carta-branca

Segundo o NC, o Ministério Publico refere, na acusação, que em 22 de Novembro de 2007 o suspeito do desfalque foi autorizado pelo presidente da Câmara, através de documento escrito, a movimentar a referida conta, através do serviço BPI Net Empresas, tendo-lhe sido concedido username, uma palavra-chave e um cartão matriz.
Afinal o homem era mesmo de confiança pessoal, logo, tinha carta-branca para fazer e desfazer. Por isso, pergunta-se: porque é só ele acusado?

24 de janeiro de 2011

A meia vitória

Pombal ainda é o que era. A maioria não vota, e quando vota é como ontem. É esta, afinal, a "terra da meia vaca", como escreveu Maria Luís Brites. Se isto é apenas um meio país, a mim o que me espanta é tanto interesse em falar aos jovens, pelos jovens e dos jovens. Sim, esses mesmo, os que se licenciaram para o desemprego e para os recibos verdes. Assim se percebe que nem sequer tenha havido festa.

No Cavaquistão, ganhou a abstenção

Resultados em Pombal


Cavaco Silva: 15491 votos; 71,34%

Manuel Alegre: 2414 votos; 11,12%

Fernando Nobre: 2408 votos; 11,09%

Manuel Coelho: 652 votos; 3,0%

Francisco Lopes: 521 votos; 2,4%

Defensor Moura: 227 votos; 1,05%


Brancos: 1207 votos; 5,17%

Nulos: 436 votos; 1,87%


Votantes: 23356; 42,08%

Abstenção: 32145; 57,92%

22 de janeiro de 2011

Votar é preciso

Também passo por fases de desalento, com o meu Pombal e com o meu país. Percebo a descrença, a angústia e o laxismo de quem deixa cair os braços. E deixar cair os braços é abster-se. Mas não sou capaz de encarar essa resignação e assobiar para o lado.

É preciso ir votar, sim. Mesmo quando há um suposto vencedor antecipado. Mesmo que seja em branco. Mesmo quando a televisão nos faz acreditar que está tudo decidido, às vezes em exercícios que envergonham. Não importa nada disso. É preciso não deixar que os outros decidam por mim, por nós.

Porque no meu país morreu muita gente pelo direito ao voto. E encará-lo como um dever é o mínimo que podemos fazer para honrar os que tanto lutaram por ele, sob pena de o perdermos de novo, um dia destes.

Se não deixar mais nada aos meus filhos, que lhes deixe ao menos os valores em que acredito.

21 de janeiro de 2011

Negligência?

Esta boa peça jornalística do NC esclarece, citando declarações de Narciso Mota no final da última reunião do executivo, o que foi apurado no processo disciplinar instaurado ao funcionário responsável pelos jardins.
No entanto, tal como no outro caso, fica por apurar a responsabilidade da(s) chefia(s) e do(s) responsável(is) politico(s). Se a nova vereadora do Ambiente detectou a falha continuada, porque é que o anterior vereador não a detectou?

Dúvida existencial

Quando a campanha terminar, peço a um qualquer iluminado (neste caso desconfio que não pode ser nenhum d'Os da Casa) que me explique o que leva um Presidente a não exercer o direito de veto na lei que dita os cortes de financiamento aos colégios privados. Aqueles que lhe fizeram claque ao longo das últimas semanas.


Cavaco Silva, o timoneiro, fotografado em 1985 para a Grande Reportagem.
O homem que não é político já fazia politica em 1985 – e esta capa da Grande Reportagem (de boa memória...), é disso boa prova. “O Endireita” não era ainda sequer primeiro-ministro, tinha acabado de conquistar o PSD, como escrevia então José Júdice, “invocando meia dúzia de vezes o nome de Sá Carneiro, falando no “destino” e no “fado”, e dizendo que as palavras do falecido fundador do PSD tinham sido para ele como os primeiros acordes da 5ª Sinfonia”. Ou, de forma mais crua: “o cumprir de mais uma pancada do destino”.
25 anos depois, Cavaco aí está, querendo endireitar de novo o país.
Desta vez, ninguém pode falar em “surpresa” – e os que nele votarem não se poderão queixar de não saberem quem é a figura, e do que é capaz...
Esta Grande Reportagem de 1985 era dirigida por Barata-Feyo e alimentava uma equipa de luxo, de Vasco Pulido Valente a Adelino Gomes, de Miguel Sousa Tavares a Fernando Gaspar, de Joaquim Furtado a Agustina Bessa-Luis...




20 de janeiro de 2011

E por cá

A Câmara Municipal de Lisboa, apesar de ter um executivo minoritário, está a reorganizar o mapa administrativo. Vai eliminar 29 freguesias (passará a ter 24 em vez das 53 actuais) e reforçar as competências e recursos das novas freguesias.
E por cá, quando é que o processo arranca?

Habemus Bastonarium


19 de janeiro de 2011

Presidenciais: não voto

Conheci-o melhor nesta campanha: não me vendia um carro em 2.ª mão. Além disso, parece sofrer de Alzheimer…

Desiludiu-me, ou iludi-me. Apesar disso, numa 2.ª volta votaria nele. Não votarei!

Nunca votarei num monárquico para Presidente da Republica. Ainda por cima Nobre!

Está a fazer o tirocínio para Secretário-geral do PCP. Para Secretário-geral do PCP, se pudesse, votava nele.

Nunca votarei em alguém que assume que não concorre ao cargo a que se candidata.

Não é de cá, nem para cá. É da Madeira, fica bem por lá.

16 de janeiro de 2011

De que se ri, afinal?

A capa do Correio de Pombal desta semana traz um Narciso a rir. Atrás dele o presidente da junta de Vila Cã, sorri. E o filho, que quase sorri também. Se estivessemos todos insanes até poderíamos concluir que o presidente da tolerância, humanista e solidário ri dos cartazes. Mas não estamos. E portanto tem de haver alguma razão para que o homem ria daquela maneira, perante a denúncia pública (para Cavaco ver) de gente que come pó há muitos anos, em plena britadeira da sicó.
De que se ri, ele, afinal?

14 de janeiro de 2011

Santo Amaro


O Santo Amaro está aí! Desta vez, os jovens deram lugar às “mães e às sogras”. Apesar de ligeiras diferenças, a festa mantém o mesmo espírito: o Tó Silva, o baile, os ranchos...


Não sei porquê, lembrei-me da Elis Regina quando cantava:


Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais...

12 de janeiro de 2011

Incompetência ou abuso de poder?

Para atestar que uma pessoa (por exemplo um filho) faz parte do agregado familiar a Junta de Freguesia de Pombal exige que o requerente entregue uma cópia da declaração de IRS.
Os atestados passados pelas juntas de freguesia são, já em si, um procedimento burocrático anacrónico, mas fazê-los depender da entrega da declaração de IRS roça o ridículo e o absurdo. O problema é que, continuando algumas entidades a pedi-los e sendo eles passados obrigatoriamente pela junta de freguesia de residência, ficamos, facilmente, nas mãos de burocratas incompetentes e/ou de abusadores de poder.

10 de janeiro de 2011

Os Vícios do Poder

Francis Bacon, no longínquo Sec. XVI, tipificou os vícios do poder: a demora, a corrupção, as irregularidades e as facilidades.
Neste pedaço de terra à beira mal plantado as câmaras municipais são verdadeiros antros dos vícios do poder. E Pombal aí esta para o confirmar. Poderia ser de outra forma? Não. Porque o estilo e a longevidade do poder instalado criaram o terreno propício à sua germinação. Agora, pelo Outono (do Patriarca) os cogumelos (venenosos) despontam uns atrás dos outros. Na semana passada, a imprensa regional divulgou o caso do engenheiro técnico agrário, com 25 anos de casa, alvo de um processo disciplinar por suspeita de negligência. Mas, atendendo ao falatório que circula na praça pública, muitos mais despontarão.

4 de janeiro de 2011

Velhas notícias num ano novo

Fernando Parreira indigitado novo vereador da Acção Social e Habitação
O vereador Fernando Parreira passará a ter a pasta da Acção Social e Habitação e mantém a tutela da Educação e Desporto.
Esta é a nota mais relevante do processo de reajustamento de pelouros levada a cabo pelo presidente da Câmara de Pombal, Narciso Mota, a entrar em vigor no dia 1 de Fevereiro.
Outra das novidades prende-se com o vice-presidente do executivo, Diogo Mateus, que terá a seu cargo o pelouro das Finanças e Qualificação na Administração Pública.
A vereadora Ana Gonçalves ganha o pelouro da Fiscalização e Pedro Pimpão a pasta da Coordenação do Gabinete de Auditoria.
Paula Silva continuará a ser o rosto do Ambiente e Michäel António manterá as cadeiras da Regeneração Urbana e Ordenamento do Território permanecendo a Cultura sob a alçada do presidente Narciso Mota.


A notícia da Rádio Cardal está bem dada, sim. É verdade que o título poderia ser "Narciso Mota retira pelouro da Acção Social a Diogo Mateus", mas depois os leitores ainda haviam de julgar tratar-se de uma notícia atrasada, colocada por erro, vinda de outro ano ou de outro mandato qualquer.
Depois do mediático caso do desfalque, eis que o presidente anda a murmurar acerca de um outro funcionário, igualmente com responsabilidades grande na autarquia, sobre quem pende já um processo disciplinar. Um problema, isto. Vai-se a ver e andou por aí uma malta a governar-se com os nossos tostões. Uma chatice, isto. Resta-nos então esperar para ver quem é o senhor que se segue neste mandato horribilis.
Posto isto, ficar com o pelouro das Finanças é ganhar alguma coisa? Só se for um presente envenenado.

29 de dezembro de 2010

Mais uma oportunidade perdida

Os principais pontos da agenda da última AM do ano são a discussão e votação do Orçamento e das Grandes Opções do Plano (GOP).
É normal e compreensível que as bancadas votem de forma distinta: a bancada que apoia o executivo aprova os documentos e a bancada da oposição rejeita-os.
Mas para os rejeitar, e capitalizar alguma coisa com isso, é necessário discordar das opções tomadas e fazê-lo com argumentos claros e robustos. Ou seja, é preciso deixar claro que se a oposição fosse poder faria outras opções ou faria de forma claramente diferente. Ora, o que ficou claro do incipiente debate é que o PS tomaria, no essencial, as mesmas opções: saneamento básico, sistema de abastecimento de água, pólos escolares e regeneração urbana. O que é coerente com o discurso do PS nos últimos anos, quando sempre criticou a falta de investimento nestas áreas e sempre as definiu com opções prioritárias. Logo, neste momento, o PS deveria ter-se colado às opções tomadas pelo executivo, abstendo-se talvez, criticando o atraso do executivo, deixando a dúvida na capacidade deste para concretizar atempadamente os projectos e alertando para a provável perda de fundos comunitários.
Ao rejeitar o Orçamento e as GOP o PS perdeu mais uma oportunidade de se credibilizar como alternativa.

AM: a fantochada do costume

A AM de hoje decorreu no registo habitual: ofensas gratuitas e insultos directos regados com muita demagogia e muita banalidade.
Um espectáculo triste …, com os protagonistas habituais.

28 de dezembro de 2010

2010: menos e mais

Menos

Em Portugal, o ano de 2010 ficou marcado pelo assumir da crise financeira. Aquilo que já todos sabiam foi, finalmente, admitido pelo governo: estamos completamente falidos e já ninguém confia em nós. Depois de anos de sacralização do capitalismo, chegou-se a uma situação de total descalabro. A crise, por si só, até nem seria tão má se fosse aproveitada para dar um impulso novo à nossa sociedade. O problema é que a receita que os nossos governantes nos apresentaram, na forma de três PECs, insiste na velha fórmula: há que poupar os prevaricadores, aqueles que durante anos andaram a roubar, e ir buscar o dinheirinho aos “do costume”. Lá está: quando o mar bate na rocha, quem se .... é o mexilhão!


Na nossa realidade local, ficámos a saber que as contas do município estavam a saque. Aqui o roubo foi daqueles à antiga. O problema é que, depois de muito choro, muita lamentação, a culpa lá acabou por cair apenas no mexilhão.


Mais

Destaco a iniciativa Limpar Portugal, promovida por um conjunto de cidadãos sem ligação a partidos ou outra qualquer organização. O que é facto é que foi conseguida uma mobilização sem precedentes de toda a sociedade para uma causa completamente altruísta, tendo sido recolhidas 70 toneladas de lixo! Como não há bela sem senão, quem percorrer as matas deste país tem a sensação de que a iniciativa foi um fracasso. Quem lá esteve sabe que não.


Em Pombal, reconheço como muito meritório o esforço da nossa autarquia em promover a construção de creches e, sobretudo, de centro de dia. Num concelho onde a percentagem da população envelhecida é grande, agravado com o facto de vivermos numa sociedade que tende a desprezar os mais velhos, estas iniciativas prestigiam, sem dúvida, quem as protagoniza.


(Versão do texto publicado hoje n' O Correio de Pombal)