31 de julho de 2012

Festas do Bodo

Uma festa, pequena ou grande, de uma família ou de uma comunidade, é sempre um evento que expõe e realça as qualidades e os defeitos, as forças e as fraquezas, os valores e os princípios dos seus organizadores.

As Festas do Dodo confirmam-no: ali se manifesta de forma crua a desarrumação, a desorganização, a incoerência, a falta de critério, o amadorismo, a falta de rigor e o tratamento de favor a que assistimos durante todo o ano por todo o concelho.

As festas estão partidas por três espaços sem ligação entre eles e sem coerência na sua composição, por onde as pessoas vagueiam sem norte. O Cardal, que deveria ser o cartão de visita das festas é de uma pobreza franciscana: cinge-se ás farturas e umas barracas privilegiadas mas desinteressantes. Nos outros espaços a organização é tipo feira da ladra.

O Bodo é uma marca forte, alicerçada numa tradição secular, que, apesar de todos os atropelos, continua a atrair muita gente. Mas é possível fazer muito melhor. O concelho merece-o.


PS: A alteração do horário do concerto da Áurea, no domingo, à última hora, sem avisar os espectadores nem os músicos, revela a arrogância dos organizadores. A Áurea, apesar de não ter culpa no sucedido, pediu desculpa aos espectadores.


26 de julho de 2012

O joker de Narciso

O processo de designação do sucessor de Narciso Mota acelerou após a saída de cena de João Coucelo, o candidato consensual. Narciso Mota não aceita (e lá terá as suas razões) que Diogo Mateus lhe suceda na presidência da câmara porque sabe que este demarcar-se-á imediatamente da sua gestão. Narciso Mota não quer correr esse risco.
Logo, Narciso Mota teve que lançar Pedro Pimpão de forma a tentar impedir a designação do eterno candidato do aparelho: Diogo Mateus.
Pedro Pimpão encarna na perfeição o sucessor que Narciso Mota sempre ambicionou ter: é pacificador, deve-lhe tudo e tudo lhe pagará. Com ele, Narciso Mota não tem que se preocupar: as suas obras serão sempre enaltecidas e as suas asneiras justificadas.
Narciso Mota tem poder mais do que suficiente para impor o seu candidato, até porque tem o Pedro Pimpão na liderança do partido. Falta, no entanto, perceber se Pedro Pimpão tem estaleca para dar o passo em frente. Como em tempos disse o Chico da Barosa para um político pombalense que também esteve nesta corrida: “para deputado qualquer … serve, mas para presidente da câmara é preciso ter estaleca”.

Transparência mas pouco

O executivo gaba-se de ser o campeão da informação e dos serviços on-line.
No entanto, as actas das reuniões do executivo são colocadas on-line com um atraso de DEZANOVE MESES.
Um serviço on-line com dezanove meses de atraso é um arquivo morto.

PS: Qualquer munícipe tem o direito de acesso às actas das reuniões do executivo. Se não forem disponibilizadas no site durante a próxima semana requerê-las-ei.

Adenda: as actas foram disponibilizadas no site dia 30JUL12.

24 de julho de 2012

Já chegámos às Meirinhas?

Beneficiação do Estádio Municipal de Meirinhas. Valor do preço base de procedimento: 816401.53 EUR. Assim mesmo: Oitocentos e dezasseis mil, quatrocentos e um euros e cinquenta e três cêntimos. 

Ora aí está a obra que faltava para fechar com chave de ouro os 20 anos do mais ilustre meirinhense à frente dos destinos de um concelho inteiro. 
Depois do pavilhão gimnodesportivo (inaugurado há um ano), eis que é publicado aqui o anúncio de concurso público.
Entre muitas outras, sobram, para já, algumas questões:
  • O estádio municipal de Meirinhas já existe? Desde quando? E onde?
  • Com tanto campo relvado (quase à razão de um por freguesia) e tanto campo desactivado, haveria mesmo necessidade de construir um estádio?
  • A confirmar-se a necessidade de mais um estádio municipal (existe apenas um, na cidade), será Meirinhas a freguesia que oferece maior centralidade?
  •  Como é que a Câmara pretende explicar, a cada uma das colectividades e/ou juntas de freguesia do concelho, esta benesse à freguesia de Meirinhas? (Quem geriu por aí a construção dos sintéticos sabe bem o que está em causa)
  • Não sendo pela centralidade da freguesia de Meirinhas (que pelas contas do doutor Relvas até corria o risco de perder o estatuto), que razão válida leva a Câmara a construir um estádio municipal nessa bela localidade? O facto de ali existir  uma única equipa de futebol sénior, no seio da Associação Desportiva local, sem lugar para a formação de camadas jovens? Um incentivo aos seus 1775 habitantes contabilizados pelos censos de 2011? E esses não ficariam melhor servidos com outro tipo de infra-estruturas, entre as várias necessidades?
E por último, mas nem por isso menos importante: será o estádio uma prioridade local nos tempos que correm?

19 de julho de 2012

Limitação de mandatos nas autarquias

O País está cheio de problemas que urge resolver, no entanto os principais partidos lançaram para o debate político, em cima das eleições, a lei autárquica e a lei da limitação de mandatos nas autarquias. Os portugueses são, no geral, adversos à estabilidade, previsibilidade, sistematização; e, quando esta se consegue, arranjam sempre uma razão para desfazer e voltar a fazer. Somos assim!
A lei autárquica está claramente instituída, é clara, e não tem criado problemas de governabilidade nas autárquicas. Podia ser melhor? Podia, nomeadamente se facilitasse em vez de dificultar as candidaturas independentes. Mas, neste momento, não deve ser mudada.
A lei da limitação dos mandatos foi publicada em AGO05 mas só agora, porque só agora produz efeito, é contestada. A lei é curta e simples, estabelece que “o presidente de câmara municipal e o presidente de junta de freguesia só podem ser eleitos para três mandatos consecutivos, salvo se no momento da entrada em vigor da presente lei tiverem cumprido ou estiverem a cumprir, pelo menos, o 3.º mandato consecutivo, circunstância em que poderão ser eleitos para mais um mandato consecutivo”. A contestação (que também tem andado por aqui) poder candidatar-se noutra autarquia. Acho que é uma polémica sem sentido. A lei pode não ser clara no que permite, mas é clara no que não permite: reeleição após três mandatos. A lei teve e tem como objetivo fundamental (senão único) impedir o chamado caciquismo baseado em redes de interesses que favorecem e perpetuam, em meios pequenos e sem grande escrutínio democrático, a reeleição dos autarcas. Nunca esteve no espírito do legislador retirar totalmente a capacidade electiva aos autarcas em funções.
Como pombalense e como abiulense acho bem que Narciso Mota e António Carrasqueira não se possam candidatar nas próximas eleições. Já Chega! Mas também acho bem que possam candidatar-se em Leiria, Freixo de Espada-à-Cinta ou na Marmeleixa. A lei não o impede a candidatura noutra autarquia e não o deveria impedir. Ao não o impedir a lei tem duas virtudes adicionais: por um lado, permite que todos os autarcas mantenham a capacidade electiva; por outro, permite que aqueles que arriscam submeter-se a votos noutra autarquia possam demonstrar a si e aos outros que o seu continuado sucesso se deveu ao seu mérito e não a forças ocultas.

17 de julho de 2012

Aberrações Urbanísticas

A Avenida do Casarelo é, em si, uma aberração urbanística: pelo traçado, pela entrada, pelas ligações, … Uma aberração inexplicável e inaceitável porque a sua construção é recente e não existiam (tal como não existem hoje) constrangimentos construtivos significativos. Logo, a aberração urbanística foi propositada. Tão propositadas que suprimiram um dos passeios, na entrada, obrigando as pessoas a atravessar a avenida ou a circular pela via descendente numa zona de curva. A irresponsabilidade chega ao ponto de, para arranjar meia dúzia de metros para um prédio, não se importarem de colocar em risco a segurança das pessoas.

Mercado de transferências

Afinal também vamos ter exportações na política local. Mais uma vez a prova de que o bloco central, nas suas cúpulas (seguidas com entusiasmo por muitas das duas claques), trocou os interesses do país pelos interesses partidários. Mais uma vez, a solução não passa por responsabilizar quem desbarata dinheiro público, acabar com as possibilidades de nepotismo e adequar serviços às reais necessidades do espaço geográfico. Não, a solução é legislar para manter o poder. A todo o custo. 

16 de julho de 2012

PSD de Pombal activo


A nova comissão política do PSD de Pombal, chefiada por Pedro Pimpão, organizou na passada sexta-feira, um jantar de tomada de posse (simbólica). Foi a ocasião para mostrar já trabalho na organização partidária e sobretudo na adesão de novos militantes.
O peso político-social do PSD de Pombal nunca teve correspondência nas estruturas distritais e nacionais do partido e muito menos na representação no órgão de soberania Assembleia da República. Parece acertada a decisão de definir a militância como primeira tarefa. Se o número de votos dos militantes de Pombal constituir uma razoável percentagem do peso global partidário, o PSD de Pombal terá um papel importante na definição de políticas e na condução do poder público.
Entretanto, há que verificar quantos membros da comissão política e dos órgãos das autarquias do nosso concelho se irão manter empenhados e irão comparecer às actividades a definir pela comissão política fora das épocas de eleições.
Teremos também de verificar se o homem das cavernas aceita e apoia a renovação e não continua sempre a falar do passado e dele próprio e a definir o que deve ser feito. O seu discurso maçador de cerca de 45mn foi a forma habitual de “estragar a festa”…
Resta perguntar: o que anda a fazer a oposição?…

10 de julho de 2012

Quo Vadis ETAP?


Nos últimos anos, a falta de alunos da ETAP parece ser uma realidade. Pais e alunos parecem estar a preferir a escola profissional Avelar/Penela/Alvaiázere. É a imagem destas escolas…
A ETAP terá movido 7 ou 8 processos disciplinares contra professores, sobretudo contra os mais antigos. Num dos processos, terá sido negociada a cessação do contrato de trabalho com um(a) professor(a) com 16 ou 17 anos de antiguidade mediante indemnização correspondente.
A certificação foi perdida e as inerentes auditorias externas findaram.
Até ao ano lectivo findo, a constituição de turmas tem sido garantida com a inclusão de alunos provenientes dos PALOPs, permitindo o financiamento através do POPH (fundos comunitários da EU). Consta que uma das turmas apenas integrava um aluno português.
A exigência de turmas com 26 alunos e a alteração das fontes do financiamento, o qual será da responsabilidade do Ministério da Educação e que passará a abranger apenas alunos nacionais da EU, trará consequências sérias…
A Câmara Municipal de Pombal poderá passar a financiar mais ainda o funcionamento da ETAP. Serão os munícipes e contribuintes de Pombal a pagar os custos da gestão e funcionamento, através das altas taxas de água, de lixo, de infra-estruturas urbanísticas, e através de IMI, IMT, Derrama, etc.
Os políticos responsáveis pelo actual estado das coisas apenas sabem resolver os problemas com mais dinheiro, que já não há. Digam agora os candidatos a cargos políticos autárquicos qual a solução que estão a pensar e digam os cidadãos em geral o que querem. Mas digam já, porque o silêncio cúmplice está a levar o país à ruina…

9 de julho de 2012

Narciso e os ambientalistas

Os nossos autarcas vivem uma relação amor/ódio com as associações ambientais que não lhes faz nada bem.  

Recentemente, a Quercus elegeu o Osso da Baleia como uma das praias portuguesas com melhor qualidade da água, tendo-lhe atribuído o galardão Qualidade de Ouro; Narciso rejubilou. Em tempos, organizações ambientalistas criticaram a localização do Parque Eólico da Serra da Sicó, argumentando que pás dos geradores poderiam prejudicar o voo dos morcegos autóctones; no auge da sacralização das energias renováveis como paradigma do desenvolvimento do país, Narciso explodiu de raiva, criticando os “catedráticos dos morcegos” e lamentando "que tenham dado cobertura a ambientalistas", apelidando-os de irresponsáveis efundamentalistas

Tinha um amigo que dizia que não sofria do "complexo da coerência".  Mas ele nunca foi a votos. Para bem da democracia e da credibilidade da classe política, o mesmo não deveria acontecer com os nossos autarcas.

3 de julho de 2012

Tudo a postos para o jogo

A JSD comemorou há dias 25 anos "a liderar" - como se pode ler nas mensagens do Facebook. É lá também que existe um álbum (público) de fotos que falam. Como estas, por exemplo.




2 de julho de 2012

Eleições autárquicas


Eliseu Ferreira Dias escreveu sobre o candidato do PSD à Câmara Municipal de Pombal, “desenhando-o” para que todos o identificassem. 
Em Soure, fala-se de João Gouveia para candidato à Câmara Municipal de Pombal, pelo PS.
Nos bastidores da Câmara Municipal de Pombal, fala-se de João Gouveia para candidato à Câmara Municipal de Pombal, mas pelo PSD. Afirma-se mesmo que uma pessoa “não teórica” também fala…
É chegado o momento de conhecer o carácter, a “lealdade”, a “coerência” e a disciplina dos que terminam o exercício do poder e dos outros.
O calor do Verão começa a aquecer a temperatura local e as águas começam a ser agitadas. Os interesses comuns ou pessoais, as amizades altruísticas ou interessadas, os sentimentos e as razões, os negócios e a governação vão começar a falar em voz alta ou em surdina.
A sorte está lançada…

29 de junho de 2012

79


A partir de Agosto são mais 79 os desempregados do concelho de Pombal. A frieza do número esconde o drama de quem vai ter que iniciar a via sacra do centros de emprego, na procura da tal “oportunidade para mudar de vida”. Segundo a 97, a Hydro Building Systems “está disposta a pagar indemnizações acima do previsto pela legislação”. Isso até poderia ser uma boa notícia, não fosse a nossa legislação tão má.

28 de junho de 2012

Madorna nacional


A cantora americana “Madona" foi a Coimbra cantar.
Os eruditos de Coimbra e algures pagaram mais de €100,00 por bilhete para verem e ouvirem a cantora. Prioridades pessoais estranhas da vida de cada um.
Afinal Portugal é um país rico ou de labregos/pedantes e Coimbra o exemplo da “madorna” nacional.

20 de junho de 2012

Rui Costa e o Ciclismo

Rui Costa venceu a volta à Suiça em bicicleta. Certamente um motivo de orgulho para os portugueses, especialmente para os residentes naquele país.
Porém os "prostitutos" da publicidade e da comunicação social quase ignoraram o feito e continuaram a endeusar um jogador de futebol que faz birras e mostra imaturidade. Não é por acaso que Scolari o nomeou capitão: armadilhou o caminho e o futuro do treinador que se seguiu.
Entretanto, Rui Costa quase passa ao anonimato, Paulo Bento aplica as táticas definidas por Mouriunho e Portugal continua anestesiado...

10 de junho de 2012

No euro/futebol


Portugal começou a perder. Espero que perca mais jogos.
Estou cansado de ouvir jornalistas idiotas a falar e a escrever sobre futebol, dizendo que temos o melhor jogador do mundo, como se fosse verdade e como se isso bastasse para ganharmos. Parece que se esquecem que existe Messi…
O CR faz-lhes a vontade: mostra-se obcecado em mostrar que é o melhor do mundo, olha frequentemente para os écrans gigantes para ver se está a ser filmado, estraga o jogo da equipa, marca todos os livres, mesmo os de posições mais favoráveis a outros colegas de equipa, não ajuda os colegas a defender, quer fazer tudo sozinho no ataque e não vê que Nani é melhor que ele.
O treinador nada diz e não toca no “craque”; não lhe explica que para ser o melhor tem saber sê-lo. Por lado, convocou o Hélder Postiga e o Hugo Almeida, que pouco domínio de bola e pouca capacidade física têm e pouco jogam com a equipa. É o peso do nome e do passado dos jogadores a valer, como se o nome jogasse no presente. Fez-me recordar o Sporting até ao penúltimo ano a contractar “velhos” que já só jogavam com o nome.
O treinador apenas deu alguma esperança ao fazer entrar Silvestre Varela…
Para acabar com as vaidades, o que eu quero é que Portugal perca no euro/futebol, que pense em coisas mais sérias e que faça mais um esforço para levantar a economia.

4 de junho de 2012

Outdoors

Há uns anos atrás o executivo municipal (Narciso Mota) mandou arrancar e apreender Outdoors (fixos e em atrelados) porque não estavam licenciados (mas a câmara não tinha nenhum regulamento para o seu licenciamento). Politiquice e má formação democrática.
No entanto, nos últimos anos, quem quis colocou Outdoors pela cidade e não consta que algum tenha sido retirado.

Na entrada da Urb. São Cristovão está instalado, há vários meses, um Outdoor de uma empresa privada de segurança, que compromete a visibilidade de quem aborda o cruzamento e, como tal, põe em causa a segurança do tráfego naquela zona (já ali aconteceram vários acidentes). Mas, como a mensagem não incomoda o poder instalado, por lá vai continuar…

Pombal e os touros

Os nossos autarcas, pouco cultos e ansiosos de protagonismo, são muito permeáveis a modas. Agora não há quem não queira ter a sua “maravilha” nos infindáveis concursos promovidos por um espertalhaço que aí viu um filão. Já outros aspiram a algo mais arrojado: pertencer ao restrito clube dos que têm um bem classificado como Património Cultural e Imaterial da Humanidade (PCIH).

Vem isto a propósito de Pombal ter atribuído o título de Património Cultural do Município às Touradas de Abiúl, numa iniciativa mais vasta que pretende candidatar a festa brava a PCIH. E qual o raciocínio dos nossos autarcas? “Se a coisa for classificada, teremos hordas de turistas. É só massa a entrar!” Esquecem-se é que a classificação acarreta, em si, um compromisso forte, que transcende a esfera política. Deveria, por isso, ter sido amplamente discutida.

Gosto de touros, mas não acho é piada nenhuma aos tipos embonecados, encavalitados num cavalo, a espetar farpas no lombo de quem não pediu para estar ali. E são precisamente esses e outros embonecados que sustentam esta candidatura. Se a ideia era promover o sacrifício animal, porque não a matança do porco? Essa sim, verdadeiramente popular a nacional.

(texto adaptado de coluna escrita no Região de Leiria)

2 de junho de 2012

Estamos vivos, afinal

Um projecto maior da Liga Portuguesa Contra o Cancro afastou-me por meses deste blogue. Foi pela melhor das causas, posso dizê-lo agora. Ao longo do tempo fui comentando com os camaradas da farpearia a descoberta que esse movimento trouxe a Pombal: somos capazes de muito mais do que imaginávamos. "Afinal somos capazes de fazer coisas!", disse-me a Sílvia, certa noite, no I-Code, um dos vários bares da cidade que aderiu ao projecto Um dia pela Vida. E somos, sim. Para além da motivação maior que todos tínhamos (recordar os que partiram levados pelo cancro, celebrar a vida dos que o venceram e lutar ao lado dos que o enfrentam), quando integrei a comissão local dessa missão não poderia imaginar o que aqui viria, a comovente forma como a sociedade civil consegue emergir, quando abanada por causas.
O desafio da Liga era quase assustador: ligar as 17 freguesias do concelho, tão separadas à nascença. Ao princípio julguei tratar-se de uma missão impossível. Enganei-me. À medida que o tempo passou fui deixando cair décadas de certezas sobre o meu Pombal. Quando semana após semana se constituíam equipas novas (foram 84, no total, a maioria de 20 elementos) de voluntários, que haveriam eles próprios de implementar o projecto no terreno. Foram dezenas de palestras e acções de educação para a saúde, mais de uma centena de festas, de eventos de angariação de fundos. Mais de 110 mil euros angariados para a Liga, que os há-de aplicar no rastreio do cancro da mama e no apoio social aos doentes e famílias, cada vez mais preciso, cada vez mais notado.
Mas para além de tudo, a movimentação. A juventude a mexer. A capacidade de organizar, de mobilizar, de fazer acontecer. Nalguns casos os presidentes da junta estiveram ao lado das equipas, noutros foram a reboque, noutros perderam uma excelente oportunidade de ver como se faz. Um dia chegámos ao Carriço e havia 500 pessoas num almoço. Noutro a Palace Kiay abriu ao domingo à tarde para pais e filhos. Noutra ocasião duas equipas da cidade colocaram 700 pessoas num jantar. Em Vila Cã até a serra de sicó se transformou em palco. E as caminhadas, e os concertos, sempre a surpreender até a própria organização.
E o que dizer daquela malta que organizou uma edição da Voz de Pombal no Café Concerto (que precisa urgentemente de rever a organização de recursos...), trazendo à cidade uma explosão de talento. Sim, essa é uma parte que fica gravada. Pombal está cheio de talentos. Gente que toca, canta e dança tanto. E outra tanta que arregaça as mangas sem pudor.
Acredito que depois disto, nada pode voltar a ser como dantes. Não foi alheio a todo o sucesso desta mega operação a despartidarização que há tantos anos toma conta das organizações e as amarra entre muros. A Câmara fez o seu papel (cedendo espaços, meios e apoios diversos), num exemplo claro de como as coisas deveriam funcionar: há mais vida para além do município e do municipalismo.
E por fim, a festa de encerramento. A contragosto de algumas vontades (que insistiam na hipótese do Largo do Arnado), acabou por fazer-se no Jardim do Cardal (é municipal, eu sei, mas é muito mais nosso assim), num misto de emoções e milhares de pessoas a celebrar a vida. Provou-se que foi a melhor escolha. O Bodo podia ser assim, também. Ter uma componente social, tirando partido da gente boa que temos.
Às vezes é preciso dar a volta ao mundo para nos (re)encontrarmos no ponto de partida. Deixar os ciclos fecharem-se e ajudar a construir o futuro.
E sim, pela primeira vez, eu vi este povo lutar!