28 de março de 2013

Nós e os outros



Ontem comemorou-se o dia mundial do teatro. Comemorou? Bem, em Pombal, pelos vistos, não. Já o mesmo não se pode dizer dos nossos vizinhos da Figueira da Foz, que assinalaram a efeméride com o início das suas XXXVI Jornadas de Teatro Amador.

Curioso é notar que foi precisamente o nosso TAP quem inaugurou o evento. E com honras de actuação no Grande Auditório do CAE! De facto, a Figueira não é Pombal. É verdade. A cidade tem uma forte tradição teatral e, pasme-se, até tem um vereador para a cultura. Diz quem ontem se deslocou à Figueira que nem sequer foi preciso esperar pelo séquito autárquico para dar início ao espectáculo. 

Ah, já me esquecia: na Figueira também souberam reconhecer o valor do grande escritor que é o Paulo Moreiras.

Estátua a Kim Jong-Mota


As obras de remodelação do Largo do Cardal estiveram suspensas. Poderia pensar-se que a causa seria a necessidade de avaliar e cuidar dos achados arqueológicos e do terreno. Depois não se verificou a presença dos técnicos do Município que têm conhecimentos sobre arqueologia e verificou-se que os terrenos de terra fértil (preta) passaram a ser misturados com brita.
Então pensei que a suspensão seria motivada pela necessidade de se alterar o projeto elaborado pelo arquiteto do regime a fim de se construir uma estátua de Kim Jong-Mota do tamanho do Colosso de Rodes. Sim, uma estátua colossal, cujos ombros sirvam de poiso a uma passarinha que esvoaça entre o Largo do Cardal e a ETAP e a outros passarinhos que esvoaçam no local. Uma estátua com dignidade, cujos olhos sejam lanternas para iluminarem a entrada dos paços do concelho e estejam vigilantes a indicarem o rumo ao delfim novo timoneiro.
Pouco importa se o caderno de encargos do concurso do projeto de remodelação da cidade elaborado pela empresa do regime previa, como um dos critérios de valoração das propostas, a afetação de um licenciado em determinada área. Sim, pouco importa que, em resultado do estabelecimento daquele critério, uma determinada empresa tenha ganho o concurso e que a EU tenha colocado a possibilidade de aplicar uma multa de €500.000,00 por violação das regras da concorrência. Pouco importa que o querido líder diga que o município tem dinheiro no banco por boa gestão e “atire” com os papéis para cima do seu “crítico” em jeito de vitória e omita que o saldo é a consequência do aumento da comparticipação dos fundos comunitários. Pouco importa a verdade.
O que importa a este povo é a estátua colossal do “querido líder”. Ele merece e o povo apoia e todos vão ficar muito felizes…

21 de março de 2013

Quem vê TV, sofre mais que no WC*

O Rotary Clube de Pombal tem feito um ano interessante em matéria de cidadania e serviço público.  Esta semana  volta a dar a sua contribuição para o debate de temas tão actuais como é o da televisão pública - por estes dias pontuado por mais um acto de pedagogia à la Relvas, como é o caso do despedimento de Nuno Santos: é preciso criar o terror.
Por isso, sexta à noite, um dia antes do comediante Fernando Mendes divertir uma sala esgotada no Teatro-Cine, o pequeno auditório recebe Luís Marques, o administrador da SIC que é natural de Abiul. É ocasião para sabermos tudo sobre pecados públicos...e privados da rádio e da TV.

*canção dos Taxi. Nos idos de 80'

19 de março de 2013

Pisar o risco

Entre a Igreja do Cardal e o estaleiro da obra de remodelação foi pintada, no solo, uma linha longitudinal contínua de cor amarela (provisória) a separar os dois sentidos de trânsito. Porém, alguns “titulares” dos pelouros municipais e alguns funcionários camarários quando conduziam as suas viaturas automóveis no sentido Largo do Cardal / Largo 25 de Abril e pretendiam mudar de direção à esquerda, para o parque das traseiras dos Paços do Concelho, paravam na rua, congestionando o trânsito e “pisando o risco”.
O executivo camarário deu ordens para pintar apenas alguns poucos metros segmento de linha contínua e uma outra linha descontínua paralela para permitir a mudança de direção para a esquerda…
Voltou tudo a ficar semelhante ao tempo anterior ao início da obra, antes do estrangulamento da rua. Também já há alguns anos, foi pintada uma linha descontínua para o mesmo efeito.
Todos são iguais, mas o edil e alguns vereadores e alguns funcionários camarários são mais iguais do que os outros: não podem maçar-se a contornar a “rotunda” do Largo 25 de Abril. Pisar o risco é só para alguns...

15 de março de 2013

Aconteceu...


Sexta-feira o meu irmão foi buscar a minha mãe ao Centro do Dia e levou-a a visitar a sua antiga residência. Sábado de manhã, depois de ter passado mais uma noite na minha casa, veio buscá-la para almoçarem na casa dela e passarem lá a tarde. O meu irmão detetou-lhe alguma prostração e arrastamento de voz, mas almoçou pela própria mão.
Porque a minha mãe tinha uma saúde frágil devido à idade (próxima dos 80 anos) e às sequelas de uma hemorragia cerebral ocorrida em 1990 inspirava alguma preocupação. Ao meio da tarde de Sábado o meu irmão decidiu levá-la à urgência do HDP.
Na triagem, após uma primeira observação, constataram que a minha mãe apresentava um ritmo cardíaco muito baixo (45 bpm). Censuraram o comportamento dos familiares por a transportarem de carro e cadeira de rodas, em vez de a levarem numa ambulância. A minha mãe ficou nas urgências para observação.
No domingo de manhã, o meu irmão ligou-me e pediu-me para me preparar para a receber. Tinham-lhe dado alta, apesar de, na opinião dele, estar muito pior do que quando entrou. Disse-lhe para aguardar até eu chegar ao hospital.
Na urgência pedi para ver a minha mãe e falar com o médico que a estava a seguir. Vi a minha mãe inconsciente - não me reconheceu - e sem fala. Inquiri o médico sobre o estado dela e sobre a alta médica. Disse-me que ela tinha vários problemas que eu já deveria conhecer (AVC, Alzheimer, …) mas que, para além disso, não tinha nada de preocupante. Tinha unicamente uma pequena infeção pulmonar e uma pequena infeção urinária que passava com um antibiótico que lhe tinha prescrito e que dava para os dois pequenos problemas, logo, tinha-lhe dado alta. Disse-lhe que não compreendia a alta porque a minha mãe estava muito pior do que quando entrou, e, em menos de 24 horas, o estado tinha-se agravado fortemente. Reagiu com alguma agressividade e reafirmou que ela tinha alta porque não tinha nada de grave, estava um bocado desorientada mas isso não me deveria surpreender porque, como eu deveria saber, ela tinha Alzheimer. Nisto, entra no gabinete um enfermeiro, intromete-se na conversa, corroborando a tese do médico e defendendo que o melhor para a minha mãe era a alta. Discordei da tese que atribuía a inconsciência da minha mãe a Alzheimer, porque, ainda há pouco tempo, a minha mãe tinha realizado um TAC para diagnosticar demência que não tinha revelado degeneração significativa. Perante a intransigência do médico e do enfermeiro relativamente à alta médica, pedi-lhes que, pelo menos, e porque era Domingo, me concedessem algum tempo (umas horas/um dia) para encontrar uma solução para a minha mãe. Reagiram com inflexibilidade: - a sua mãe tem alta e tem que sair, não vê que temos isto tudo cheio? (Sim, a urgência estava a abarrotar). O enfermeiro, para além da inflexibilidade e agressividade, recorreu à chantagem mais ignóbil. Disse-me e reafirmou que a minha mãe a partir daquele momento não receberia qualquer medicação porque tinha tido alta e perguntou-me se eu estava preparado para assumir a responsabilidade disso. Chocou-me! Disse-lhe que nunca imaginaria ouvir aquilo de um profissional do SNS e preferia não lhe responder. Tenho, infelizmente, recorrido muito ao SNS, nomeadamente com a minha mãe. Os meus amigos sabem bem que tenho/tinha uma excelente imagem do SNS. Este caso abalou-a.
Perante a inflexibilidade daqueles profissionais pedi, na receção, para falar com o Diretor Clinico do Hospital (disseram-me que não estava) ou com alguém que mandasse no hospital. Passados alguns minutos colocaram-me em contato com uma jovem médica que, por acaso, seguia a minha mãe nas consultas externas. Pediu-me desculpa pelo sucedido e disse-me para ir almoçar com calma e voltasse mais tarde, que ela, entretanto, iria reavaliar a situação.
Voltei ao fim da tarde. A jovem médica recebeu-me e disse-me que já tinha reavaliado a situação e que a minha mãe estava com problemas cardiorrespiratórios e uma infeção urinária. Para além disso iria pedir um TAC para perceber se tinha feito AVC.
No Domingo há noite a minha mãe seguiu para Leiria para fazer TAC e regressou segunda-feira ao início da manhã.
Segunda-feira, ao início da tarde, falei com a médica na urgência. Disse-me que o TAC não revelou novas lesões cerebrais mas a minha mãe tinha uma grave infeção pulmonar pelo que iria ficar no SO.
Na terça, quarta e quinta-feira fui vendo a minha mãe, sempre inconsciente, na luta contra a morte. Os diferentes médicos descreveram-me sempre um quadro clínico grave, de prognóstico reservado, com falha de vários órgãos (pulmões, rins, coração).
Ontem, quinta-feira ao fim do dia, uma senhora do hospital ligou-me e, depois de uma breve introdução, disse-me: a senhora Joaquina morreu.
Não sei se ouve erros significativos de avaliação e decisão. Não culpo ninguém pela morte da minha mãe. Sei sim, que não se comunica desta forma com os doentes e os seus familiares.

PS1: Nunca imaginei escrever este post. Não gosto da temática, do estilo e muito menos do conteúdo. Mas ontem à noite encontrei, por acaso, o tal enfermeiro na urgência. Perguntei-lhe se se recordava do episódio de domingo comigo. Disse-me que sim. Perguntei-lhe então se já tinha feito uma análise crítica ao sucedido. Disse-me que sim, falou, falou, justificou-se, justificou-se, …, com a baixa médica. No final perguntei-lhe se achava que em algum momento tinha errado. Disse-me, na presença do segurança, que não. Cumprimentei-o e vi-me embora ainda mais desalentado. Escrevo isto para mostrar como está a funcionar a urgência do nosso hospital.
PS2: Agradeço, em nome da minha mãe, ao Dr. João (o das barbas) o seguimento que fez da minha mãe nos últimos anos. Talvez não lhe tenha prolongado a vida, mas melhorou-lhe a qualidade de vida. Obrigado.
PS3: A vida nos últimos tempos não me tem corrido nada bem. Agora passei a ser o último da fila. É altura de repensar tudo. E suspender, por uns tempos, a participação ativa neste espaço.

14 de março de 2013

Operação limpeza

A Câmara Municipal vai contratar a empresa igualmente municipal PMU Gest para limpar um conjunto alargado de edifícios públicos. A coisa vai custar-nos qualquer coisa como 285 mil euros. Mas o presidente garante que a adjudicação é um bom negócio, pois que “se não existisse a PMUGEST teríamos de contratar pessoal no quadro da Câmara para o efeito”. Se ele garante, está garantido. 
Ainda bem que existem esses laços familiares municipais que nos ajudam a mobilizar a economia em tempos de crise, poupando uns cobres. Ainda bem que a transparência é amiga da eficácia, salvaguardando que não nos acontece a pouca-vergonha que se vê noutras câmaras, noutras empresas municipais, em que as segundas servem quase só exclusivamente para contratar quem as primeiras não podem, por imperativo legal. Ainda bem que isto é Pombal.

12 de março de 2013

Da série vergonha na cara.


"Cavaco homenageia o homem a quem há 20 anos recusou pensão". Alertam-me para esta notícia. Imediatamente vem-me à cabeça uma palavra: nojo. Toda a podridão e hipocrisia de um dos pais do regime e do próprio regime que levou esta III República à exaustão está patente nesta atitude. Este PR foi aquele que disse, além de outras alarvidades, que era preciso nascer muitas vezes para ser tão honesto quanto ele. Não é. A prova provada é que ao Homem a homenagear lhe bastou nascer uma vez para ser muito mais num dedo do pé do que o PR algum dia será em sucessivas reencarnações. E sim, isto é uma provocação. Não a qualquer património de esquerda ou de direita, já que Salgueiro Maia, o último grande português, mostrou bem o que é dedicação, espírito de sacrifício   e servir e não abusar do lugar que se ocupa. É uma provocação a todos os que não desistem de criar um futuro diferente neste país. Um que nos afaste dos becos sem saída para onde temos sido encaminhados.

11 de março de 2013

justin bieber e a crise


Dizem que há crise! Pois dizem, mas um cantor chamado Justin Bieber, com cara efeminada, vem a Portugal e as adolescentes saloias já acampam à entrada do pavilhão, onde vão permanecer durante duas semanas a esperar e a fazer juramentos de amor ao seu “grande” ídolo.
Não estamos em tempo de abundância nem de férias escolares, mas os papás saloios suportam os custos e toleram as faltas das filhas saloias às aulas, para elas melhor poderem "aprender" a "cultura" da moda, do esbanjamento e da ociosidade. Toleram e pagam, porque também eles passaram a adolescência e a juventude atrás de quimeras e a adorar “vacas sagradas” e outros ídolos.
Temos de facto uma crise bem profunda…

8 de março de 2013

E é outra vez Dia Internacional da Mulher


Não sei bem qual delas admiro mais: se a minha avó Maria, que pariu 13 filhos sozinha e ainda ajudou a nascer meia Moita do Boi; se a minha avó Leontina, que pariu apenas 10, oito dos quais ao lado da minha mãe, numa esteira, no chão. Que percorria os 20 km que separam Antões de Pombal com um cesto de laranjas à cabeça, para vender nos tempos de fome; se a avó do meu homem (que também foi muito minha, nos anos em que convivemos), que ficou viúva aos 32 anos, com cinco filhos e sem qualquer ajuda; ou a minha mãe, uma muralha à prova de tudo.
Na minha família as mulheres têm tão mau feitio que nunca nenhum homem ousou desafiar-lhes limites, nem pisar o risco. Se o fizesse, tenho a certeza de que acabava partido aos bocados. Sempre ganharam o seu próprio dinheiro, sempre trabalharam muito, em casa e no campo, nas casas dos outros, nas fábricas, nos escritórios, nas escolas, onde houver trabalho e onde for preciso. Nunca os homens ousaram mandá-las calar, porque qualquer um que se aproximou delas percebeu ao que ia.
A minha mãe sabe que eu não concordo nada com a forma como a maioria decidiu assinalar o Dia Internacional da Mulher* e não se rala nada com isso. Logo à noite lá vai ela para um desses jantares, que  dinamizam a economia neste concelho a cada 8 de Março. 
Depois há muitas que eu admiro, à minha volta, e que nunca são evocadas nos poemas nem nas músicas. Luísas de muitas calçadas que nunca desistem. Seria nessas que pensava madre Teresa de Calcutá quando escreveu estas linhas:
Tenhas sempre presente que a pele se enruga, o cabelo branqueia, os dias convertem-se em anos …
Mas o que é importante não muda; a tua força e convicção não têm idade.
O teu espírito é como qualquer teia de aranha. Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.
Atrás de cada conquista, vem um novo desafio.
Enquanto estiveres viva, sente-te viva.
Se sente saudades do que fazias, volta a fazê-lo.
Não vivas de fotografias amarelecidas…
Continua, quando todos esperam que desistas.
Não deixes que enferruje o ferro que existe em ti.
Faz com que em vez de pena, te tenham respeito.
Quando não consigas correr através dos anos, trota.
Quando não consigas trotar, caminha.
Quando não consigas caminhar, usa uma bengala.
Mas nunca te detenhas!
 *em quase cinco anos de Farpas, julgo que é a primeira vez  que me refiro ao Dia. Sei que muitas mulheres aqui vêm, embora muito poucas se mostrem.  Entrem, sem medo. Esta casa também é vossa.

6 de março de 2013

AM repudia RM


Leio, mas não acredito.
Na AM (de Pombal) cada um diz o que quer e quem mais pode mais diz. Rodrigues Marques faz parte dos que dizem tudo o que querem e, às vezes, o que não querem. Neste caso disse, só, o que queria. E o que queria ele? Que o PS barafustasse e criasse o ambiente para que o Diogo Mateus dissesse o que disse.
O PS foi no engodo. O presidente da AM não percebeu, disse e desdisse-se.
Tático, o sacana*! Começou a campanha, e os golpes.

*Sem conotação agressiva, antes pelo contrário.

28 de fevereiro de 2013

A regeneração ou lá o que isso é

Atentemos, então, no que diz Joaquim Eusébio, obviamente chocado com o que se passa com a cidade que ajudou a erguer, e cuja história ajudou a contar. Ontem mesmo, escrito no Facebook:

"Obras do Cardal

Lamentável a todos os títulos. Estranha a insensibilidade da população de uma cidade multisecular que deixa fazer esta operação a coração aberto. Mas para mim o mais inquietante é a grande possibilidade de uma vez mais NADA de arqueologicamente significativo se encontrar durante os trabalhos. A exemplo do que ocorreu nos trabalhos feitos nas imediações da igreja de Santa Maria do Castelo, no interior das muralhas do castelo (que teriam podido fornecer muita informação sobre o período medieval de Pombal) ou na praça Marquês de Pombal (coração da vila durante a Idade Moderna) será que o cemitério do convento de Santo António do Cardal, o forno do Bodo ou a capela de Nossa Senhora de Jerusalém não terão igualmente deixado qualquer vestígio?"

26 de fevereiro de 2013

Ó meu Pombal...


Ainda sobre a questão da dita regeneração do Largo do Cardal, não posso deixar de constatar o seguinte:

Este link contém uma súmula do projecto (páginas 13 e 14 sobre o Largo do Cardal), tendo sido este que foi apresentado, pelo menos, numa Assembleia de Freguesia, já que a Junta é parceira (no papel) deste projecto.


Este, sobre as alterações ao trânsito, contém uma montagem sobre como ficará o espaço. É neste que aparecem as tais IS (ou lá o que é):


Descubram as diferenças entre projectos. Isto ajuda à seriedade com que se quer que se olhe para a actuação de quem decide "regenerar"? Isto ajuda a que aceitem os argumentos sem desconfiança?


E entendamo-nos: regenerar, em muitos casos, tem servido como pretexto para gastar dinheiro estupidamente, decorando a betão ou a outros elementos, zonas que mereciam outro tratamento. Reaproveitar, redesenhar e repensar espaços públicos é bem-vindo desde que inserido numa estratégia. Infelizmente vê-se o resultado que a Praça Marquês de Pombal deu, ou o Castelo, onde a requalificação deu apenas de bom a Cafetaria e o tratamento à volta do Castelo - sem contar com as vergonhosas escadas tipo maison - ou ao pé do Cemitério. Excepção, claro, ao Parque Verde do Açude (mantendo eu que aquelas "varandas" são uma coisa perigosa - por favor, vão lá e vejam bem como aquilo está, mas que afecta a mais valia do espaço). Desde há anos que se trabalha a forma e não se preocupa com o conteúdo. O Castelo, fechado há anos, terá, pelos vistos, uma apresentação/filme. Mas a ocupação de espaços não é acautelada, o que condena o Celeiro do Marquês (espaço excepcional) a uma utilização espaçada ou o próprio Museu do Marquês (que até teve um prémio para a recuperação), que por ter uma exposição com horários de função pública é incapaz de atrair mais público.


Há 11 anos defendi um debate público alargado quando se enterrou uma fortuna num parque de estacionamento que não é usado e se converteu uma Praça que é o resto da nossa zona histórica, num momento à insipidez e à lógica do empedrar sem tornar o espaço aprazível (que continua sem o ser). Defendi que a autarquia, já que estava naquilo, podia perfeitamente equacionar serviços públicos na Praça ou ter um plano para ter vida. Obviamente, não tive retorno, sendo certo que eram, infelizmente, poucos os que naquela altura se preocupavam com aquela situação ou que criticavam as opções do partido do poder em sede de património, tendo este defendido, acerrimamente, uma intervenção que apenas iria ter placa de inauguração. Aliás, é uma constatação  que as vozes críticas, quando se trata de património, são sempre poucas demais. Que este golpe final, depois de tantos avisos e obra efectuada, sirva de exemplo e de mudança, principalmente com Outubro à porta.

Ontem, como hoje, é assim que a obra é feita. Mesmo com fundos comunitários na sua maioria, são milhões que não servem para reconciliar os cidadãos com a sua cidade, com algumas honrosas excepções. Lamento, por exemplo, não ter um Parque Verde a sério ou mais corredores verdes (a Junta queria um na Charneca, mas falta capacidade para reivindicar ou capacidade para gerar o dinheiro de outra forma) ou ainda ver a obra do CIMU Sicó começada. (http://noticiasdocentro.wordpress.com/2010/09/15/pombal-constroi-centro-de-interpretacao-e-museu-da-serra-de-sico/cimu-sico/)


Concluindo, fazer obra para placa, qualquer um, desde que tenha dinheiro, faz. Mesmo que sejam pontes que só dão para uma margem ou quase-aeródromos em terras que nem passeios têm. Mas preocupar-se com o retorno, como por exemplo, se tentou (e bem) fazer com a Expocentro, é uma excepção. Aliás, fosse isto um oásis e o poder cessante não desistiria enquanto as palmeiras não fossem abatidas, a água contida dentro de um lago de betão e o verde substituído por granito. E claro, uma placa de inauguração para cada uma destas requalificações.

25 de fevereiro de 2013

E o Cardal foi-se


O Cardal está (e ficará por muito tempo) transformado num enorme estaleiro. Para quê? Para enegrecer o coração da cidade e colocar lá um URINOL.
Eles não sabem o que fazem, coitados! Querem simplesmente fazer, gastar e dar dinheiro a ganhar.
Pelo meio apagam uma parte significativa da memória dos pombalenses e exterminam os poucos comerciantes locais que ainda resistem. Os verdadeiros pombalenses não podem deixar fazer isto.

23 de fevereiro de 2013

Narciso encabeça lista


O presidente da Câmara de Pombal vai encabeçar a lista do PSD à Assembleia Municipal. A tão esperada notícia foi confirmada ontem à noite, em plenário de militantes da família social-democrata, que assim reconhece o trabalho desenvolvido por Narciso ao longo de quase 20 anos. 
Uma sala cheia e uma plateia entusiasta aprovou - por quase unanimidade e aclamação - esta nova era que agora se inicia no nosso Pombal. Num registo de grande dignidade, o presidente de quase todos os pombalenses tinha, como sempre, o coração ao pé da boca. E foi a emoção que o fez explicar à assistência toda a dinâmica do post anterior deste blogue, confirmando, afinal, aquilo que quase sabíamos: a ponte é uma passagem...para a mesma margem.
Está bem de ver que reunião de família que se preze tem sempre alguma tensão. Mas fontes bem colocadas garantem que bastou uma folha voadora para libertar todas as desavenças acumuladas. E foi com lágrimas que os ânimos serenaram, numa noite de emoção como há muito se não via lá para as bandas da Rua dr. Luís Torres.
Ao lado de Narciso, o Farpas inicia também uma nova era, acompanhando a evolução na continuidade. 

19 de fevereiro de 2013

A ponte é uma passagem?

Há uma linha que separa as freguesias de Vermoil e Meirinhas.
Há uma linha que separa o essencial do acessório.
Haverá alguma linha (de acção, supõe-se) que explique a construção de uma ponte para nenhures?


Dão-se alvíssaras a quem no-lo explicar.

16 de fevereiro de 2013

Ideias de fora

(os sublinhados são meus)

Pombal não é Coimbra, como é claro, e sociedade civil aqui é coisa que parece tão estranha como granito na parte histórica, mesmo com os exemplos, de quando em vez, que mostram que há vontade de fazer pela comunidade, sem rótulos, normalmente colados pelos invertebrados do sistema. Fica o apontamento do que se vai passando lá fora (mesmo que, aparentemente, também impulsionada por uma péssima escolha do PS em Coimbra) e o flagrante contraste com a modorra pombalense onde parece (sublinho o parece) que se vai apenas cumprir calendário. Sobre a questão dos partidos, subscrevo, aliás, sempre subscrevi o que é dito. São necessários, mas este sistema é uma democracia não uma partidocacria. São bases essenciais, principalmente numa lógica de representação nacional, mas o próprio sistema eleitoral deveria ser reformado para que as decisões cruciais sobre representação não ficassem nas mãos de alguns. Nesse sentido deixo uma sugestão de leitura sobre a representatividade dos partidos (assinada por dois militantes, note-se).

14 de fevereiro de 2013

As escolhas para Marcelo - carta ao professor que adivinha coisas


Estimado professor Marcelo:

Soube que está tudo organizado para o receber como merece, na próxima sexta-feira. A Associação dos Amigos Social-Democratas de Pombal anda incansável, pois que não é todos os dias que a colectividade tem ocasião de receber tão ilustre personalidade. Além disso, os tempos de austeridade afastaram os associados das jantaradas no Manjar. Já lá vai o tempo em que o "ninho de vitórias" - como lhe chamava Maria Ofélia Moleiro, de quem se lembrará - não tinha mãos a medir com as marcações para isto e para aquilo. Aqui para nós, depois daquela transição para o Expocentro...ao tempo de Marques Marques, nada voltou a ser como dantes.
Por isso a sua vinda se revela de tamanha importância, nesta altura do campeonato. Não é só pelo mediatismo que pode emprestar a Pombal. É também porque está ainda viva na memória de todos aquela premonição que o professor trouxe à família social-democrata, quando era líder, e que se confirmou naquelas autárquicas em que o PSD "limpou" todas as freguesias. Não sei se sabe, professor, mas esse foi aquele ano conturbado, quando Narciso Mota afastou Diogo Mateus das listas, empurrando-a para
uma candidatura à junta de freguesia local, que se sagrou numa vitória mais festejada do que a costumeira cabazada municipal. Coisas da vida.
De então para cá, muita coisa mudou, professor. Até a lei, a maldita lei que nos vai levar daqui esse homem bondoso que nos últimos 20 anos veio trabalhar para o Largo do Cardal. Para consolo colectivo, ficam aqui os seus ramos, semeados um pouco por todos os serviços municipais. Claro que cada um dos seus só trabalha em prol do município pelo extrema competência que lhe é nata. É, de resto, uma característica comum a várias famílias deste concelho, que em conjunto formam a família laboriosa do município. Assim fica tudo em família! Não é bonito, professor? É esse clima de amor e ternura que o espera, amanhã à noite, no jantar da Associação.  E depois da festa,voltaremos a falar. Cá ficamos à espera da boa-nova que, certamente, não vai deixar de anunciar, como é seu apanágio.
Ah...se acaso for sua intenção ofertar um livro ao nosso estimado-ainda-presidente, traga-lhe aquela obra de Irving Wallace, O Todo-Poderoso. É um clássico sobre poder e jornais. E um clássico nunca passa de moda.

13 de fevereiro de 2013

De La Palice


Nem mais…

Ainda o ensino superior em Pombal

Não assisti ao fórum "Como crescer na crise" promovido pela concelhia do PS. Daí que, talvez, não devesse falar sobre ele. O problema é que não consigo deixar de comentar o que li no relato do Orlando Cardoso, jornalista a quem reconheço isenção.

Segundo os empresários presentes, uma das receitas para Pombal "crescer na crise" seria a instalação de um pólo do Ensino Superior na cidade. Assim, sem mais nem menos. Não interessa saber que Ensino Superior, quais as licenciatura a ministrar. O que interessa é ter um barracão qualquer onde alguém coloca uma placa de mármore a dizer “Universidade inaugurada pelo Senhor Fulano de Tal…” e se encha de jovens de capa-e-batina dispostos a queimar a mesada nossos bares a troco de nos derreterem os tímpanos: “a mulher gorda/para mim não me convém/…”.

Esta discussão já não é nova e, como tal, respigo alguns argumentos que usei num artigo que escrevi para O ECO, em Outubro de 2002, e que explicam porque estou em total desacordo com a opinião dos nossos empresários.

"O ensino superior em Portugal, depois da enorme explosão verificada nos anos 90, atingiu um período de estabilização, senão mesmo de recessão. Muitas das universidades existentes não conseguem preencher o número de vagas disponíveis e muitos cursos apenas o fazem pois admitem alunos com médias claramente inferiores às consideradas adequadas. Seria muito pouco crível que uma instituição de ensino superior investisse num curso de sucesso em Pombal podendo fazê-lo na sua cidade de origem, com muito menos custos. Perspectiva-se, assim, a vinda para Pombal de cursos com capacidade para atrair apenas os piores alunos do país.

Uma universidade é uma instituição de ensino que necessita de professores altamente qualificados, alunos motivados, infra-estruturas adequadas, bibliotecas, etc. O investimento envolvido na criação de um pólo universitário de qualidade é muito elevado e dificilmente as instituições que conheço tem capacidade para o fazer."

Se esta era a situação em 2002, imagine-se em 2013!

A Demanda


No próximo sábado, dia 16 de Fevereiro, o Teatro Amador de Pombal (TAP) volta a apresentar “A Demanda”. É mais uma oportunidade para assistir ao aclamado espectáculo encenado por Rui M. Silva e construído a partir do romance “A Demanda de D. Fuas Bragatela” de Paulo Moreiras. E se razões faltassem para ir ao Teatro-Cine, fica a informação que esta apresentação conta com o apoio de “A Casa da Amizade” do Rotary Club de Pombal e tem como fim uma acção de solidariedade a favor das famílias carenciadas do concelho.

11 de fevereiro de 2013

Ilusionismo


Em ano de eleições os partidos ficam mais ativos. O PS também, e começa a mostra-se com a realização de uns fóruns. O primeiro foi sobre a Saúde, o segundo sobre "Pombal - como crescer em tempo de crise". A ideia é em si mesmo um paradoxo e uma ilusão. Mas os portugueses - e PS local em particular - tendem a embarcar em ilusões.
Há uns tempos atrás Miguel Esteves Cardoso definia os portugueses como o povo manso e lunático. Manso porque refila, refila mas é inconsequente e acaba, normalmente, por aguentar tudo. Lunático porque ilude-se facilmente, e, nessa ilusão néscia, acha que tem solução para todos os problemas, dos outros!
O PS de Pombal confirma plenamente o estereótipo: tem (ou procura) soluções para os problemas dos outros (mas nunca para os seus) e ilude-se ou procura iludir os outros com propostas fantasiosas.
"Pombal - como crescer em crise" é em si mesmo um paradoxo e uma ilusão. Ao formular o problema desta forma, o PS, estranhamente, não se limita a propor o crescimento de Pombal (o que já por si é uma ilusão tremenda), mas a fazer crescer Pombal em contexto de crise. Ou seja, o PS quer fazer passar a ilusão de que, liderando o executivo, fará de Pombal um oásis no deserto.
Para quê tanto ilusionismo?

10 de fevereiro de 2013

Assimetria preocupante


Em Pedrogão Grande, dois militantes do PS guerreiam-se para serem candidatos à câmara municipal: um aprovado pela concelhia (o seu presidente), outro aprovado pela distrital.
Fartura por lá, escassez por cá.

7 de fevereiro de 2013

É pau, é pedra, é o fim do caminho

(Por “encomenda” da minha mui querida Amiga Paula Sofia Luz, escrevo agora e aqui uma diatribe anti-Narciso da Câmara de Pombal, a publicar nas Farpas Pombalinas, sítio internáutico de apreciável concorrência pombalense.)

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Em jeito de proémio, aviso desde já os eventuais leitores internautas meus que a idade me tem acrescentado em anos o mesmo que me tem sumido em paciência. O mesmo vale por dizer que nem palpos-de-aranha, nem papas-na-língua. Quem tiver medo de se assoar em público, que corte o nariz em privado.

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Quer-se então dizer que a Câmara Municipal de Pombal odeia Pombal. Quer, quer, Man’el Rodrigues Marques – quer, quer. As duas décadas narcisistas aí estão para no-lo demonstrar – à saciedade como à sociedade.
Vinte anos são muito ano. É muito bafio a sacristia menos autárquica que autocrática. É muita canga jungindo o mesmo cachaço.
Que vai arrancar a calçada para tudo lajear, em seu lugar, de granito. Granito! Supina parolice: que temos nós, sicó-arunquenses, a ver com granito? Nada. Nada – a não ser a reiterada asneira de reeleger sucessivamente uma figura da idade… da pedra.
Que vai arrancar os plátanos. Cuidado: isto já não é só e tão-só parolice. É crime. A dendroclastia é uma tara intolerável. E é uma burrice mineral própria de quem for de miolo mais dado à substância do calhau do que à circunvolutiva prega neural da noz cerebral que às vezes distingue o homem da alimária. A não ser que se seja das Meirinhas, essa charneira do pato-bravismo mais corneamente obtuso, caso em que tudo fica (quase) explicado.
Que vai fazer um urinol público em frente aos, ou perto dos, Paços. Isso já acho bem: consagrar-se-á o mija-depressa-que-vem-lá-gente em monumento vivo à cagada dos últimos dois decénios.
Aos moradores e aos comerciantes do centro histórico não foi pedida qualquer opinião. Pelo contrário, o projecto e a aberração foram-lhes apresentados como facto consumado. É normal: é característico de qualquer aleivoso e histriónico tiranete o rancor e a alergia à opinião livre, assertiva e construtiva. Suponho que o edil com nome de velocípede até deve sonhar com elas, as bichas das opiniões, as mostrengas manifestações de raciocínio não acarneirado. Deve, deve, Man’el Rodrigues Marques – you know what I mean, como dizem os ugandeses que andaram no colégio. Antes sonhasse, pobre homem, com as boazonas que o Cristiano Ronaldo engata a torto e a direito – enquanto nós homens do Arunca népias.
Népias por surrépias, temos portanto que Narciso, o Arboricida, se prepara para deixar em sua infeliz memória um urinol, uma saudade plátana e um chão de granito em que o escarro gordo há-de ter estrelada pontuação. Muito bem. A gente, amigo doutor Rocha Quaresma, também não tem feito por merecer mais. Tem? Não tem. Menos é que era difícil.

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Termino com um giro e bonito slogan de minha mesma lavra, do qual faço graciosa oferta à edilidade mata-árvores. Tem a ver com o tal urinol (será ele, pergunto-me eu, daqueles de meter moedinhas e que, depois de utilizado e aberta a porta, um gajo dá por si na Austrália?). O slogan é este:

Quando fores ao urinol do Narciso, no fim sacode-a, que é preciso.

Daniel Abrunheiro

2013 tarda em aquecer

Houve alturas em que estando o CDS no boletim de voto, sobretudo em Pombal, ajudou a determinados resultados. E agora um CDS-PP que, aparentemente, está organizado e a trabalhar, apresentará Mota Carvalho para candidato a Presidente da Câmara. É uma prova de vida que carece, como tudo, de demonstração. Mas que faz pensar na capacidade de outras oposições que não a habitual, especialmente numa cidade onde a sociedade civil apenas aparece de quando em vez. Para mais quando do PSD não sai fumo branco (talvez andem facas no ar, agora que o poder vai deixar de ser de charneira). E o PS ainda não passou das conferências para o nome, que, quer se queira quer não, é que determina ou não a mobilização, embora se reconhecendo esta como mais lógica nas suas premissas que a anterior, tendo ainda o bónus de contar com a presença do "D. Sebastião" do PS/Pombal.

Mas agora, numa altura em que pelo país se vão confirmando os nomes, a modorra pombalense deixa que seja legítimo assumir que passando anos, continuem lições por ser aprendidas: as eleições não se ganham num ano (e eu que o diga) e que se há pessoas que valem mais que uma sigla, há outras que não valem tanto. Porque até Outubro são uns dias. E os próximos 4 anos são decisivos, esteja lá quem estiver. Não apenas pelos buracos que se vão herdar (falo de obras), mas pela absoluta e imperiosa necessidade de ter uma estratégia para Pombal, aproveitando o que de bom se fez nos últimos anos e erradicando os vícios e a rede que se foi impondo e constragendo o mérito e o relacionamento normal entre poder e cidadãos. Tarefa difícil? Claro, mas há cargos que fazem os homems e homens que fazem o cargo. Está na altura da última opção.

6 de fevereiro de 2013

Os sanitários, ou o ex-libris da regeneração urbana


A notícia bem que podia ser a manchete desse periódico que sai hoje à rua pela primeira vez. Não sendo, está tratada aqui, no sítio do costume.
Antes de ir embora, Narciso Mota está apostado em não deixar pedra sobre pedra no centro da cidade. Vão arrancá-las todas, as da calçada portuguesa, e substituí-las pelo granito, tão típico da nossa região, como sabemos.
Na semana passada o presidente, mais o vereador do pelouro e um arquitecto que sabe muito chamaram ao salão nobre os moradores e os comerciantes que restam. Não, não era para discutir ideias nem chamar os intervenientes a pronunciarem-se. Era mesmo para mostrar o facto consumado: O Cardal e todo o centro da cidade vão ser virados do avesso, ao preço de três milhões de euros. No centro, o nosso cartão de visitas passará a ser um sanitário público. Até pode ser dourado. É um sanitário. E vão arrancar os plátanos.
O que chegou ao Farpas nos dias que se seguiram foi um lamento constante e uma revolta incontida. Quem aqui nasceu e escolheu esta terra para viver não pode ficar sentado a aplaudir que nos arranquem o passado, a troco de qualquer coisa que ainda não percebemos que proveito terá. Mas a avaliar pela amostra do que tem sido a intervenção urbana desta gente, está-se mesmo a ver o que será o centro de Pombal em breve. Basta pôr os olhos na zona histórica: uma Praça às moscas, um parque de estacionamento subterrâneo cuja rentabilidade é nula, um comércio que sucumbiu ao fim do estacionamento, primeiro, e ao resto.
É claro que a fava sobrará para quem  suceder, no poder, a este presidente. Daqui até Outubro a cidade ficará transformada em estaleiro, a fazer lembrar os tempos de Joaquim de Almeida, de má memória para o PSD. Se ao menos houvesse oposição, sempre haveria esperança.

31 de janeiro de 2013

Quo Vadis ETAP (II)?

No seguimento do nosso anterior “post” sobre a ETAP, aqui publicado no dia 10-07-2012, vamos ironizar um pouco sobre algumas indemnizações laborais ou despesas “volutuárias” e negligentes semelhantes que consta) terão sido suportadas por aquela instituição, desde 2010, e sugerir uma profunda reflexão sobre o assunto.
Se eu estiver errado sobre os valores indicados, quem de direito que os corrija.

- Destituir o Infante D. Costa, contra travamento de inspeção, balúrdio de valor desconhecido.
- Desinfetar o cheiro de um ano da caca de bebé (ATL), perda do valor das obras.
- Substituir o Ribeiro de Sousa por cinco regatos, custos inerentes.

- Sarar as feridas de Lázaro, cerca de €35.000,00;
- Extinguir o perfume da flor Margarida, cerca de €35.000,00;
- Devolver a francesinha Natalie, desconhecido;
- Importar o aroma dos Jardins da Serra do Sicó, cerca de €30.000,00;
- Levar a certificação à putrefacção, equivalente ao custo inicial, cerca de €35.000,00…
O contribuinte não conhece estes dados e muitos outros, porque “não tem direito de conhecer”, embora tenha o dever de pagar.
Seria muito mais barato e muito mais prestigiante substituir a chefia do que os professores.
Quem são os responsáveis pela manutenção da organização?

26 de janeiro de 2013

Demissão de Paulo Júlio

Paulo Júlio pediu a demissão, e foi aceite, do cargo de secretário de Estado da Administração Local, porque foi acusado pelo Ministério Público de ter beneficiado um familiar, num concurso para chefe de divisão, em 2008, quando era presidente da câmara de Penela (coisa que se faz por outras bandas, às descaradas).
Fica, no entanto, uma dúvida: a demissão de Paulo Júlio revela sentido de estado ou pressa em abandonar a RATA?

22 de janeiro de 2013

Bravo, sr. presidente!

Eu sabia que alguma vez haveríamos de estar de acordo:
Em comunicado, o presidente da Câmara de Pombal, Narciso Mota, acusa a EDP de não ter feito o que devia, nem ter limpado as zonas de floresta adjacentes às linhas de alta e média tensão, de modo a evitar um apagão de uma dimensão tal que, em tempos recentes não há memória. O autarca refere mesmo que a empresa, agora dominada pela China Three Gorges Corporation deveria repensar o seu papel com o parceiro no desenvolvimento nacional. Narciso Mota afirma ainda ter notado a ausência de uma voz “amiga e solidária” da Administração Central e do Governo.

“Na madrugada do passado sábado, o Concelho de Pombal foi fustigado por uma das maiores intempéries de que há memória. A força da natureza derrubou centenas de árvores, dobrou sinais de trânsito, destruiu telhados, tornou estradas e caminhos intransitáveis, suspendeu comunicações e deixou milhares de pessoas e dezenas de empresas sem água e sem electricidade.

É de lamentar que a EDP tenha manifestado, nestes dias, uma tão profunda impreparação para acudir a situações de emergência nacional. Demonstrou que perdeu a capacidade de resposta às necessidades de abastecimento em tempo de crise, colocando-se hoje a dúvida de como corresponderá para providenciar o abastecimento energético em caso de crise mais grave.
Da mesma forma que terminámos com os nossos guarda-rios e guardas florestais, que providenciavam a manutenção adequada e equilibrada dos nossos rios e florestas, notamos hoje que a EDP delapidou o seu historial de manutenção das redes eléctricas assim como a limpeza adequada dos seus corredores florestais. Notamos ainda o desaparecimento dos seus quadros técnicos mais qualificados afectos aos diversos concelhos, por força de reformas antecipadas que os substituíram por jovens quadros sem capacidade de decisão no terreno, completamente dependentes de administrações centralizadas em Lisboa e Porto, que lhes cortam a capacidade de resolução de problemas locais e imediatos.

A EDP por força de estar mais preocupada com mega investimentos no estrangeiro, deixou de ocupar o seu desígnio nacional de parceiro no desenvolvimento económico do nosso país. Um parceiro de quem os nossos empresários dependem para poder laborar, produzir e criar riqueza, mas um parceiro que, pela ineficiência demonstrada neste fim-de-semana, é um parceiro que terá que repensar o seu papel na estratégia de desenvolvimento nacional.
Não podemos deixar de enaltecer o trabalho de todas as freguesias na sua disponibilidade total junto das populações. É caricato que estas estruturas autárquicas, que garantem a operacionalidade e manutenção do território local, mantendo um serviço de maior proximidade com os cidadãos, são aquelas que a muito curto prazo irão sofrer remodelações que seriam melhor aplicadas noutras estruturas de poder.
A diferença de actuação entre estes dois patamares [poder local vs administração central e EDP] daquilo que deveria ser o verdadeiro serviço público de interesse nacional, deve merecer uma profunda reflexão, questionando- nos se em pleno século XXI as actuais opções estratégicas são aquelas que melhor servem o nosso país.
A nossa primeira preocupação foi a de movimentar os serviços municipais e, com o apoio dos nossos incansáveis 17 Presidentes de Junta de Freguesia, colocar máquinas e equipamentos a trabalhar para acudir as nossas populações, desimpedindo estradas e caminhos, remover árvores caídas sobre edifícios e assegurar que o abastecimento básico de água às populações fosse reposto.
Compreendendo que as nossas obrigações, perante as calamidades imprevistas da natureza, são de atender àqueles que dependem de nós, não podemos deixar de lamentar que a nossa função enquanto autarcas tenha sido limitada, pela falta de preparação nacional para lidar com eventos desta natureza.
Quem, como eu, andou no terreno, motivando, liderando, decidindo e ajudando na resolução das diversas situações de calamidade a que tivemos de atender, notou bem a falta de meios de comunicação fixos e móveis, quer dos operadores privados de telecomunicações e lamentavelmente do próprio SIRESP - Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal.
Notámos também a falta de uma entidade nacional coordenadora na gestão da crise, que liderasse a acção prestimosa dos nossos bombeiros ou das nossas forças de segurança.
Notámos a ausência duma voz amiga e solidária com responsabilidade tutelar, que nos perguntasse se estávamos bem ou se precisávamos de ajuda por parte de quem tem a responsabilidade de governar um território maior que o nosso.

Da nossa parte fizemos o que nos compete fazer. Faltando-nos cumprir o total
reabastecimento de água ao concelho por nos faltar a tão necessária energia eléctrica que nos permita colocar os nossos equipamentos a funcionar.
Da mesma forma se sentem as famílias do nosso concelho, os Lares de Idosos e os Centros de Dia, bem como centenas de empresas que estão privadas de laborar normalmente condicionadas aos serviços prestados por uma empresa abastecedora de energia que, infelizmente, já não é nossa.”

2013-01-22

21 de janeiro de 2013

Pombal é um dos concelhos mais afectados? Jura?

O senhor da EDP fez ontem à noite uma revelação na TV que nem por isso nos deixou de olhos em bico: O distrito de Leiria é um dos mais afectados pelo temporal, particularmente o concelho de Pombal. As horas passam e há milhares de pessoas sem luz, sem água e sem telefone desde sábado. De Albergaria a Abiul, o concelho-charneira anda às apalpadelas. Na cidade, já sabíamos desde 2006 que atiramos a Veneza nas horas de muita chuva. À volta, ficámos a saber que a parte florestal dos 640 km2 pode dar mais chatices com o vento do que até com os fogos. Desta vez somos apenas uma gota no oceano nacional. 
Tendencialmente ignoramos os alertas. Só que desta vez era verdade, como na história de Pedro e o Lobo.
Escrevi este texto no Aventar à laia de crónica das horas difíceis. As fotos que aqui publico são do Louriçal, Santo António e da minha Moita do Boi, tiradas ontem à tarde. Na nossa página do FB há partilhas de outras imagens, de outros pontos do concelho.
Digam-me agora para que servem os planos municipais de emergência.

17 de janeiro de 2013

“Lingerie” bíblica


Conta a Bíblia que a conduta incestuosa entre Herodias e Herodes Antipas gerou escândalos públicos “silenciosos”, decorrentes da corrupção moral e económica do estado, e provocou a censura do crítico João Batista, cuja cabeça foi oferecida a Salomé numa bandeja.
A história atual (fictícia), já com alguns anos, também tem uma Herodias e um Herodes, sem incesto mas com troca de favores pagos com os recursos do estado. O escândalo é ainda maior, quando um dos aios, florzinha colorida pago com recursos públicos, gasta parte do tempo do seu trabalho a organizar viagens exóticas ou a escolher a “lingerie” que há de ser despida por Herodes a Herodias.
Ao João Batista dos tempos atuais não importa a conduta moral (particular) de cada cidadão, mas apenas ter de pagar vícios e divertimentos pessoais dos seus governantes e de suportar as consequências na governação. Também o preocupa o servilismos de alguns pedantes e petulantes, ditos pensadores livres e aspirantes a escribas, que “admiram” e apoiam…

16 de janeiro de 2013

Diz que é uma espécie de jornal

Queria chamar-se Jornal de Pombal mas pelos vistos a marca já estava registada. Sendo assim, ficou Pombal Jornal. O que aqui se publica - e circula por aí - é uma carta para angariar assinaturas para o mensário, que se anuncia para Fevereiro próximo.
O que dizer? Quando caminhamos no deserto, qualquer miragem serve para iludir.

15 de janeiro de 2013

Justiça de mierda

Macário Correia perdeu o mandato de presidente da câmara de Faro porque, enquanto presidente da câmara de Tavira, violou os regulamentos de urbanismo e ordenamento do território. Nada que não se faça por outras bandas, mas, apesar de denunciadas a todas as autoridades com poder sancionatório e após confirmação pela entidade fiscalizadora, ficaram impunes. 
 

13 de janeiro de 2013

A SAÚDE do PS de Pombal



O PS de Pombal decidiu mostrar-se. Que seja bem aparecido! E para tal escolheu – reparem só - a Saúde.
A malta que manda na Alexandre Herculano n.º 7, 1.º Esq, deveria saber que o PS de Pombal é para Pombal, e que o PS de Pombal não risca nada na Saúde, em Pombal ou noutro lado qualquer. Então por quê discutir a Saúde (nomeadamente em ano de eleições autárquicas)? Só pode ser por uma ou as duas razões seguintes: o PS de Pombal desistiu de ser poder em Pombal; ou, o PS de Pombal está muito preocupado com a (sua) Saúde.

O que é preciso é ter ambição

Ana Gonçalves, vereadora da CMP, em entrevista ao Jornal de Leiria, na semana passada.

11 de janeiro de 2013

EMPREGO

Entidade sem fins lucrativos, líder concelhio na criação de emprego, com avultados recursos financeiros e sempre disposta a ajudar os seus, procura:
Função:
- Avaliador de Imóveis
Perfil do candidato:
- Sem formação especifica;
- Sem experiência na função;
- Dos nossos (preferencialmente da Jota).
Oferta:
- Contrato de prestação de serviços;
- 3.570,00 €;
- Regime part-time.
Contacto:

10 de janeiro de 2013

O julgamento da Myriam


É hoje, em Lisboa. A Myriam  Zaluar vai ser julgada por "desobediência qualificada". E eu percebi, nos últimos dias, que a maioria das pessoas desconhece a história, tal como desconhece o que se passa, realmente, neste país supostamente livre.
Aqui um resumo dos acontecimentos (feito ontem pelo Público) que levam essa perigosa agitadora social ao banco dos réus. 
Falta dizer que conheço a Myriam. é jornalista, mãe e mulher. E que sei de como só quer o que deveria ser nosso: trabalho, dignidade. Por ela, por todos nós, espalhem a notícia. Porque isto não é ficção. Está a acontecer.

9 de janeiro de 2013

“Ai linda”, ai lindo jornal


Era com as palavras “ai linda” e com uma carta na mão a acenar, que um carteiro, no final da década de 60 do século passado, anunciava as cartas às destinatárias que corriam felizes na sua direção para saberem novas dos seus esposos deslocados para terras distantes.
Tal como o carteiro que distribuía o correio na freguesia de Carnide, Ana Pedro decidiu anunciar um novo jornal para Pombal e ainda anunciar-se como diretora do mesmo.
Para tanto, passou a visitar empresários e organismos públicos, onde anda a pedir apoios na companhia dos “avales/garantes da verdade” de dois ex-colaboradores do “Correio de Pombal”. Entre os vários apoios ou clientes que diz já ter angariado, estão a ETAP e a Câmara Municipal de Pombal.
A necessidade da criação do novo jornal estará ligada ao futuro incerto do “carteiro” na ETAP, face à incógnita das opções do próximo novo executivo camarário, e à proximidade da época de eleições autárquicas, geradora de eventuais notícias e apoios.
Tal como aconteceu há cerca de 20 anos, quando chegou a Pombal, o “carteiro” tem também agora de ir à luta, de conquistar corações e de garantir o futuro.
“Ai linda”…

7 de janeiro de 2013

Eu voto Farpas!

O Aventar está a promover um concurso de blogues nacionais com vista a "promover e divulgar o que de mais interessante se faz na blogosfera portuguesa". Nós concorremos na categoria "Locais/regionais". Se quiserem dar-nos o vosso voto, podem fazê-lo aqui.

RATA cara

O Núcleo de Estudos de Direito das Autarquias Locais, que funciona na Universidade do Minho, concluiu que a reforma das freguesias vai aumentar os custos do Estado com estas estruturas.
Só pode! Feito, como tem sido...

4 de janeiro de 2013

Bem prega Frei Tomás

Tudo deve mudar para que tudo fique como está.
Giuseppe Tomasi di Lampedusa

Esta frase a propósito da recente notícia de que os gabinetes ministeriais ignoram austeridade, continuando a agir como sempre, sem respeito por tectos máximos, despesas com cartões, etc. Aliás, sem respeito pelo contribuinte. Pelo cidadão. Se antes já era censurável (o desperdício, a ausência de regras na gestão do dinheiro público é sempre censurável), agora, em que se apregoam exemplos (o ar condicionado nos Ministérios de Cristas já terá regressado?) e se quer e pratica um ajustamento, esta imoralidade descredibiliza todo e qualquer esforço. Notem que nem falo em vencimentos ou num regular funcionamento, com dignidade, de um gabinete. Falo de um esforço, um exemplo que, claramente não há. Porque não há consciência possível que justifique mais uma afronta a um esforço que tantos fazem, desde pessoas singulares a empresas.

Principalmente depois do Pedro, senhor que ocupa um cargo de debitador de banalidades, tutelado por um morto-vivo político, acossados por um fanático de Excel, ter escrito estas singelas linhas no Facebook:

"A eles, e a todos vós, no fim deste ano tão difícil em que tanto já nos foi pedido, peço apenas que procurem a força para, quando olharem os vossos filhos e netos, o façam não com pesar mas com o orgulho de quem sabe que os sacrifícios que fazemos hoje, as difíceis decisões que estamos a tomar, fazemo-lo para que os nossos filhos tenham no futuro um Natal melhor."

Acrescento que nunca uma utilização de pronomes me pareceu tão adequada: os vossos vs os nossos.


2 de janeiro de 2013

O candidato que falta anunciar


Nas eleições autárquicas mais esquizofrénicas de sempre (as de 2013, sim), o PS terá escolhido estes primeiros dias de Janeiro para anunciar as diversas candidaturas no distrito de Leiria. Em terreno adverso para conversas côr-de-rosa, ficámos a saber ontem mesmo pelo Notícias do Centro que já são conhecidos alguns candidatos, nomeadamente em Figueiró dos Vinhos e Ansião. A decisão de o anunciar publicamente terá acontecido na noite de 28 de Dezembro, em sede de comissão política.
Ora, nessa noite, quase passou despercebido aos media o anúncio que o vice-presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes (o homem do aparelho no executivo) fez no Facebook, através da comunidade "Autárquicas 2013", revelando a recandidatura de Raul Castro.
Hoje mesmo, no vizinho concelho de Ourém, Paulo Fonseca também anunciou a sua recandidatura.
Acontece então que nos próximos dias o PS de Pombal também deverá apresentar publicamente o seu candidato. Perante a recusa do desejado José Manuel Carrilho, a indisponibilidade do líder Adelino Mendes, e a impossibilidade do veterano João Gouveia, ali de Soure, sobra para Carlos Lopes (vereador) a tarefa hérculea de encabeçar a lista do PS às eleições autárquicas deste ano da (des)graça de 2013.
Aguardemos então o anúncio oficial.