20 de agosto de 2013

Despedida


Comunidade Farpeira,

"Um blog é um blog", alguém resumiu uma vez num dos nossos jantares, tentando (re)centrar o papel do Farpas na vida política local.

Mas o Farpas foi mais que um blog ao longo destes 5 anos e meio. Foi também uma das minhas casas e o sítio onde tentei inquirir, debater e farpear os temas que me interessavam mais. Foi e é, uma forma diferente de exercer a cidadania, reunindo cidadãos que escolheram ou escolhem esta forma de participar na vida pública. Durante 5 anos, fomos louvados por uns, desprezados por outros, mas no que a mim me toca, mesmo com as naturais divergências que pessoas adultas e interessadas têm, estou de consciência tranquila e satisfeito por ter feito parte da história deste blog e, porque não, desta terra, na sua dimensão política.

Posso não ter sido o farpeiro mais assíduo ou o mais acutilante, mas estou satisfeito com o meu contributo para esta casa. E orgulhoso do que esta casa acabou por impor aos poderes instituídos (e afins) desta terra. E isto porque este blog nunca foi um órgão oficioso de um qualquer partido ou de qualquer ideologia, mas um espaço aberto onde naturalmente o poder tem sido mais farpeado (mas não é isso algo de natural?). Um blog, e este blog em concreto, não é um órgão de informação, nem tem que o ser. Todos os que aqui escreveram, escreveram nas vestes de cidadãos e não investidos em qualquer cargo, missão política ou algo semelhante. Cidadãos comprometidos com a cidadania, passe a expressão. Querer ver mais nisso é uma perda de tempo. Querer ver tudo a preto e branco, ou noutras cores mais da moda, é um erro. Cada um de nós vale pelo que é e, sobretudo, pelo que pensa. E pela independência em relação a filiações (quando as há), projectos ou outras dimensões da sua vida pessoal, têm demonstrado isso mesmo.

No entanto, tudo o que começa tem um fim. Por isso, hoje, quase 5 anos e meio depois de ter começado esta aventura, chegou a altura de me juntar à lista dos antigos membros desta casa. Funções profissionais que irei iniciar em breve, longe de Pombal, obrigam-me a isso. Não que não tenha pensado em continuar, mas entendi que estando longe (física e "espiritualmente"), não havia razão para continuar, sob pena de, mantendo pouco contacto com a vida do dia-a-dia, nada de relevante ter para acrescentar à discussão sobre a nossa terra, mantendo o "posto" de membro da casa sem o merecer.

Fecha-se assim um ciclo e acaba a minha participação nesta casa (pelo menos nestes moldes), pela falta de disponibilidade que terei. E como ninguém é insubstituível, os da casa (presentes e futuros) estou certo que continuarão a honrar o mote do Farpas:

"E na epiderme de cada facto contemporâneo cravaremos uma farpa: apenas a porção de ferro estritamente indispensável para deixar pendente um sinal."

Eu, ao longe, não deixarei de acompanhar. Afinal, apesar de tudo, a minha terra é a minha terra.

Até breve,

João Melo Alvim

19 de agosto de 2013

Charneca não é China

Cardal etc. e Tal – 6
1. Tenho e mantenho por norma existencial não ir aos figos com altarrões nem à merda com anões. Nem perdão Vos peço pelo vernáculo: a Língua só faz mal a quem a mal trata. Começo assim por necessidade de aviso: não voltarei a comentar os meus próprios textos aqui vindos a lume. Se e quando tiver algo de pertinente e crítico-construtivo a propósito de publicações das outras pessoas que por aqui “farpeiam”, muito bem, comentarei. Mas os meus, não. Que eles, textos, se comentem a si mesmos, imperfeitos e ínvios que sejam. Aviso feito, passemos à lembrança de certa ocasião interjornalística minha com o já fisicamente desaparecido senhor Menezes Falcão.

2. Nos idos da década de 90 do século passado, há já coisa de uns quinze anos, mantive, nas páginas do saudoso semanário pombalense O Eco, uma polémica opinativo-cronística com uma das mais notórias e notáveis figuras do sinédrio pombalense: o senhor Menezes Falcão. Assunto da polémica: a entrega de Macau por Portugal à China em 1999. O senhor Menezes Falcão era toda uma figura: fisicamente afranzinado por mor dos seus já muitos anos, seguia porém sendo um peso-pesado da cena cardalense. Tínhamos, ele e eu, posições diametralmente opostas em relação àquilo de Macau. Ele era todo contra, eu era mas-que-remédio. Tratava-se, no fundo, de um duplo coice da nostalgia: para ele, era o derradeiro desfiar das pérolas do Império; para mim, que fiz a 4.ª classe no exacto ano do 25 de Abril, era a minha última oportunidade de ser português com  Macau, à imagem e semelhança do grande poeta Camilo Pessanha, que por lá nos representou e cumpriu a dura solidão de sonetista ímpar.
Nada mais natural, sermos de opostas divisões e mundivisões. O senhor Menezes Falcão era um homem que se tinha dado bem na Ditadura, tendo chegado a edil nomeado a dedo, como nesses tempos cinzentos se praticava sem remorso nem justificação. Em democracia, todavia, o senhor Menezes Falcão seguiu as regras do jogo. Muitas vezes o senti enojado perante certas avantesmas parolas que lhe sucederam (e sucedem ainda, aliás). Mas foi uma figura digna, merecendo ser recordado – por uns com saudade, por outros com respeito.
A polémica foi breve. Foi breve – e foi isto também: de uma subida amabilidade de argumentos pró-pessoais entre um senhor (e um Império…) que se finava e um Zé-Ninguém que assinava, como ainda hoje assina, com o nome que meu Pai me deu. Não é que tenhamos ficado amigos. Não. Décadas de mais nos separavam (e educações; e percursos; e credos; e expectativas; e, vá lá, filosofias). Mas também nenhuma baixeza mútua nos inimizou. Sou amigo dos filhos dele, o Zé e o Henrique. E Macau é dos Chineses, pois-que-remédio: como nós por cá também não tarda muito vamos ser, senhor Menezes Falcão.
Sit tibi terra levis, enfim, locução que o senhor padre João Paulo Vaz me fará o favor de explicar aos morangos-sem-açúcar que, dia 15 de Agosto passado, foram bandeirar tangerinamente a um sítio mal escolhido (por eles): a Charneca. Mas, e só porque lá não estive, não desenvolvo para além disto: a Charneca não é a China.
Só a merda é que nunca deixa de ser o que é.
Daniel Abrunheiro

17 de agosto de 2013

À grande e à socialista

Li o panfleto com as vagas promessas socialistas chamadas de “20 compromissos”, resumidas nos painéis exteriores, e vejo que Adelino Mendes promete fazer tudo à grande e à socialista: “mais emprego”, “menos impostos municipais” e “mais apoio social e saúde”. Se estas promessas fossem concretizadas, teríamos menos receitas e mais despesas, o que revela a falta de seriedade da política, a demagogia e a irresponsabilidade.
Todos deveríamos saber, antes, quanto teremos de pagar para termos, depois, determinados serviços ou bens públicos. Porém, o PS de Pombal continua a defender a política do endividamento que levou as finanças públicas ao caos e muitas empresas e famílias à ruína. É a política da vigarice, contra a qual já aqui (blog) me manifestei várias vezes.
Por outro lado, seria interessante saber se Adelino Mendes defende a manutenção da atual política local de atribuição de subsídios a associações, como tem feito cobardemente nas votações camarárias, ou se pretende alterar tal política.

16 de agosto de 2013

Descubra as diferenças (nas festas populares)

Há coisas que podem até não ser ilegais, mas são imorais. Foi o caso da cena a que assisti ontem, na festa da Charneca, quando uma comitiva do PSD chegou ao arraial para distribuir propaganda: carros a apitar, o hino do partido no ar, bandeiras a abanar, aquele registo de "isto é tudo nosso" que só é admissível num comício partidário, onde vai quem quer.
Todos sabemos que as festas populares são apetecíveis para qualquer candidatura. É indiscutível. É lá que estão (mais) pessoas. Mas há limites que devem ser respeitados, sob pena de se virar o feitiço contra o feiticeiro. Não sei de quem foi a ideia de invadir as festas populares como se fossem comícios, mas sei que há gente do partido incomodada com isto também.
Na Charneca, a coisa descambou. E quase acabava à porrada, como noutros tempos.
Não havia necessidade.

Adenda: Ontem, domingo, na festa popular do Cabeço (Carriço), a caravana foi aconselhada por um mordomo a deixar as bandeiras e o material de campanha nos carros.

Hoje, segunda-feira, a caravana foi aconselhada por um autarca local a não repetir esta façanha nas festas da Ranha (Vermoil). Há, felizmente para a democracia e para o próprio PSD, quem se demarque de atitudes como aquela a que assistimos na Charneca, repetida mais tarde nos Vicentes. 

13 de agosto de 2013

O esquema Putin, em Pombal

Na Rússia, tal como no nosso poder local, o regime é presidencialista: o poder está centralizado no presidente.
Na Rússia, tal como no nosso poder local, existe limitação de mandatos políticos obtidos por eleição direta.
Na Rússia, apesar de existir limitação de mandatos, Putin conserva sempre o poder. Como? Simples: enquanto a lei lho permite, Putin ocupa o cargo de presidente da república e nomeia Medvedev primeiro-ministro; quando a lei o impede de continuar como presidente, Putin avança para primeiro-ministro e candidata Medvedev a presidente. Ou seja: vira o disco e toca, sempre, o mesmo!
Por cá o PSD adotou o esquema de Putin: os presidentes que não se podem candidatar vão em número dois e avança o número dois para número um. Quando o agora número dois se puder candidatar …
Há maior desprezo pelos eleitores?

10 de agosto de 2013

Escolhas que não lembram ao justo

Já aqui muito se falou de candidatos às juntas de freguesia que não lembram ao diabo (quase só os do PSD), relativamente à juventude de um, ao vínculo laboral de dois e à ausência (indisponibilidade) de outro. Pouco ou nada se falou das candidaturas do PS e nada se falou do perfil moral e ético da generalidade dos candidatos (decorrente das suas condutas no exercício profissional, no desenvolvimento de negócios e no relacionamento familiar e social) e das competências pessoais de cada candidato.
Seria necessário que generalidade dos factos referentes, pelo menos, ao relacionamento profissional ou patrimonial dos candidatos com terceiros ou familiares pudessem ser conhecidos e que os mesmos apresentassem uma “declaração de interesses” sobre o que fizeram, para podermos concluir que são ou que não são pessoas idóneas para o exercício do cargo.
Sobre os candidatos, interessa mais ao homem justo saber se aqueles não se apropriam de bens alheios (de sócios, familiares ou terceiros) e se são empenhados na atividade profissional e cargos públicos que desenvolvem do que saber se são jovens ou idosos. Interessa mais ao homem justo saber se o candidato tem vícios que poderá transmitir ao exercício do cargo do que saber se não tem experiência para alguns assuntos. A desonestidade mantém-se, a inexperiência ultrapassa-se.
Venham de lá as “declarações de interesses” de todos os candidatos.

Sinais


Quem é a figura central? O que significa? 

9 de agosto de 2013

Já chegámos às Meirinhas, pois.


Um ano depois, a obra está praticamente concluída. Como bem sabe toda a comunidade, foi graças à denúncia farpeira que se pouparam uns cobres (qualquer coisa como 300 mil euros) aos cofres do município. Depois deste post, o homem sonhou alto e a obra nasceu. Está praticamente pronto o novo Estádio das Meirinhas, essa bela localidade.

8 de agosto de 2013

O João Faria gosta é de dinossauros, não é de criancinhas

Pombal etc e Tal
1. Gostei de ver (e de ler) tantos comentários à nova candente questão da política à pombalense, nomeadamente Vila Cã. Eu não voto nem em Vila Cã nem em qualquer das outras freguesias do Concelho, por isso estou à vontadinha para achar mal que a dita freguesia possa vir a ser encarada como uma creche: uma questão de garotos, à imagem do que os partidos nacionais mostram e apontam. Se o anterior presidente “anda lá fora a lutar pela vida”, pois muito bem, não deve ser ele o presidente. Mas, pergunto eu, por alma de quem é que se lembraram disto? Não conheço o rapazinho, mas custa-me a hipótese de os próximos quatro anos serem uma imitaçãozita da tripa-forra que foi, lembram-se?, a Pombal Viva-Vila Verde. Tipo coisa assim: elege-se o miúdo e pronto, mini-queima-das-fitas no adro da Igreja Paroquial de São Bartolomeu, festival de “deejays” no meio dos carros-de-bois e das máquinas de sulfatar do Pocilgão, encontro de motards de mola nas calças na Garriapa, festival de tunas universitárias-tipo-Relvas na eira do ti’ Manel de Trás os Matos etc. etc. etc. etc.
Não acho bem. Acho que cada freguesia deveria merecer dos merceeiros do P(h)oder Local outra consideração. Acho que brincar com as pessoas não pode dar coisa boa – porque nunca deu. Sobretudo quando as pessoas não dispõem de, digamos, cabeça minimamente instruída para se não deixarem levar por cachopos. Aquilo bíblico do “Deixai vir a Mim as criancinhas” é para outro contexto. Vila Cã não é a Galileia, porra.

2. Jantei no passado dia 1 do corrente Agosto em sítio agradabilíssimo: nos Netos, Almagreira, em casa do há muitos anos emigrado Ernesto Andrade. Para além do gentilíssimo anfitrião, foram circunstante companhia o Zé Gomes Fernandes, o Adelino Malho e o Zé Guardado (candidato à Câmara pelo CDS). Só queria que vós fôsseis moscas para assistir à cena. A pombalidade foi, naturalmente, o mais recorrente assunto. As costeletas de vaca, largas como as raquetes do Luís Faria no tempo do Clube de Ténis de Pombal, pingaram suco. A pinga era boa, toda ela de marca não barata. O melão era daquele espanhol de Almeirim, mas entrou que nem mimo. Para acta de tal assembleia, fica este ponto 2. Com, naturalmente, um especial agradecimento ao Ernesto Andrade, esperando que para o ano haja mais.

3. À guisa de rodapé, deixo-vos de seguida com a crónica que publiquei hoje em Santarém (semanário O Ribatejo). Porquê? Porque me parece que o assunto dela, sendo de mais lato objectivo, pode bem ser que vos interesse:

Lembrando Manuel Dias

A vida não me deu muito tempo para deixar crescer a flor-do-sal que era a minha amizade com um homem bom chamado Manuel Dias. Deu-se ele ao trabalho de morrer sem aviso, aqui há umas temporadas. Era um exímio cultor da Língua Portuguesa, que toda a vida foi o instrumento de trabalho dele. Jornalista, escritor, exímio narrador oral de episódios da vida, graves uns, hilariantes outros. Um destes últimos é o que me traz hoje a esta coluna.
Contou-me o Man’el que, de certa vez que um clube português da bola se deslocou à Grécia para um desafio uefeiro, um muito conhecido figurão dessa arte do coice e da cabeça que integrava a comitiva foi a uma “casa-de-tia”, como se diz no Norte. Era em Atenas. O referido figurão tinha consigo uma apreciável maquia, como parece ser costume entre os futeboleiros a partir de determinado nível. Acudindo-lhe ao faro venéreo certa senhora profissional circunstante, chamou o empregado e perguntou-lhe quanto é que em dólares lhe ficaria o gasto pela companhia e o doce usufruto da referida. O empregado foi e veio.
“ – Ela diz que são cem dólares”, informou.
O cliente nosso protagonista disse assim então ao rapaz:
“ – Diz-lhe que está bem, mas avisa-a de que eu gosto de bater um bocadito!”
O empregado foi e veio.
“ – Ela quer saber se o bocadito é muito ou pouco.”
E o figurão:
“ – Diz-lhe que é só até ela largar os cem dólares.”
Como o nosso jornal vai parar duas semanas para o mais que merecido descanso do pessoal, resolvi cronicar este episódio hílare em alternativa às coisas algo macambúzias que aqui costumo plasmar. Mas desde já aviso que há rabo mal escondido de gato irónico nesta minha prática. Por outras palavras: vou ser mauzinho. Noutros termos: vou figurar bitaite azedo. De outros modos: vou-me às canelas da Merkelzita local, aquela que mente que não mente.
A culpa é do meu saudoso Manuel Dias. Fosse ele vivo, que a história ateniense acima exposta seria rebuçado narrativo de bem melhor embrulho linguístico. Paciência, hei que ser eu a fazer-lhe as vezes. Ora, que poderá ter Maria Luís Albuquerque que ver com a anedota helénica? Pelo lado figurado (e, note-se, devidamente separadas as águas contextuais do prostíbulo de luxo que deu cenário ao episódio pícaro e caricato dos cem dólares), tem ela, não muito, mas tudo que ver.
Porque, tal como a mim, já várias vezes terá apetecido ao meu Leitor bater na agora ministra. Mas, claro, não muito.

Só até ela largar os “swaps”.

Daniel Abrunheiro

Um momento de (bom) humor


Uma rábula com semelhanças a outras rábulas ...

7 de agosto de 2013

Escolhas que não lembram ao diabo (IV)

Em Vila Cã, o PSD não recandidatou o atual presidente da junta (Jorge Silva) porque, sendo empresário da construção civil a operar em França, não tem, supostamente, disponibilidade para exercer o cargo.
Em Carnide, o PSD escolheu para encabeçar a lista um empresário da construção civil (Sílvio Santos) a operar em França,  onde se desloca frequentemente e permanece por longos períodos.
Dois pesos e duas medidas. O caso de Vila Cã continua muito mal explicado. 

Quem maquiou nas Swapes

A preocupação da comunicação social, no seguimento da argumentação pública do PS, é saber quem mentiu na informação sobre as swapes. Não lhes interessa saber ou discutir quem negociou as swapes e quem lucrou com elas. O que lhes interessa noticiar é que o governo anterior, do PS, informou o atual governo do PSD sobre os contratos, numa campanha para ocultar os resultados ruinosos das Swapes.
Já conhecíamos a posição contraditória da comunicação social entre os 3 anos de estado de graça oferecidos ao governo do PS e a intolerância imediata atirada ao governo do PSD. Ficámos agora a conhecer a posição manipuladora.
Entrando na discussão atual, direi que não é provável que alguém (o governo PS) informe o sucessor (o governo PSD) sobre todos os pormenores de  negócios ruinosos para a nação. Isso seria confessar culpas e responsabilidades, políticas, cíveis, criminais, políticas, etc.
A comunicação social, tal como o Tribunal Constitucional, é um outro governo com muita força e muitos interesses…

6 de agosto de 2013

Escolhas que não lembram ao diabo (III)

Em Pombal, é agora moda candidatar funcionários públicos locais às juntas de freguesia. Não é ilegal – nem o deveria ser – mas é uma situação potencialmente pantanosa. Não estou a falar do aspeto formal (remunerações e tal, estabelecidas na lei), mas de outra dimensão do exercício dos cargos políticos, tais como, a liberdade política e o condicionamento da autonomia política e individual.
É eticamente insustentável que um presidente da junta acumule o cargo com o de funcionário na câmara ou, ainda pior, com o de funcionário da junta que lidera. Logo, os candidatos que são funcionários autárquicos devem assumir, durante a campanha, uma opção clara: funcionário autárquico ou presidente da junta. A bem da transparência.

5 de agosto de 2013

Obras de luxo e de lixo

Alguém me questionava recentemente sobre as obras de remodelação da cidade, dizendo que se há dinheiro para o luxo dos gastos nas obras também deveria haver uma pequena fatia para resolução das dificuldades de trânsito do antigo IC8 para o IC2 no entroncamento do Alto do cabeço em Pombal. As dificuldades de trânsito são visivelmente ainda maiores durante as festas do bodo e durante as férias grandes.
Depois, pensei eu, que também poderia despender-se um pouco de atenção e de tempo com a limpeza dos silvados do Barco, não só os que são visíveis do lado direito do antigo IC8, à saída de Pombal, como os que ficam ocultos atrás das casas de habitação do lado esquerdo.
Esta política de mostrar luxo nos locais mais visíveis e mais frequentados e de lá ocultar “mamarrachos em evolução” ou de ignorar ou ocultar o lixo nos outros locais, faz-me lembrar a história que me contavam sobre a conduta de alguns habitantes de algumas aldeias mais afastadas dos centros urbanos que, durante a década de 50 do século passado e em vésperas da visita pascal do pároco da paróquia, varriam o ciscalho da sala para baixo do arquibanco.

3 de agosto de 2013

Escolhas que não lembram ao diabo (II)

Em Vila Cã, o PSD resolveu não recandidatar Jorge Silva e apostar num tal João Santos (um rapaz de 22 anos, recém-licenciado, sem qualquer experiência autárquica ou outra).
É esmagadoramente reconhecido que Jorge Silva exerceu o mandato de forma empenhada e tranquila, sem controvérsias (o que nos tempos que vão correndo deveria ser uma boa carta de recomendação). Toda a gente, apoiantes e opositores, contava com a sua recandidatura.
O que terá levado a direção do PSD local a riscar Jorge Silva?
Ou, mais estranho ainda, que razões estiveram por detrás da aposta no rapaz João Santos?
Os eleitores de Vila Cã merecem uma explicação para tão estranho golpe.

2 de agosto de 2013

O que fizeram do Cardal

Que está melhor do que estava? Claro que sim. Melhor fora se não estivesse! Só continuo a achar discutível gastar qualquer coisa como dois milhões e meio de euros naquilo. Mas se o executivo considerou obras prioritárias...é porque isto está muito melhor do que parece.
A pála (inspirada na Expo'98, como se percebe) ainda é o mal menor. O mamarracho (que o candidato do CDS à Câmara promete demolir, se for eleito) é uma coisa que não lembra ao diabo, quanto mais a políticos crentes e devotos: o pior de tudo é o efeito muro em frente à Igreja do Cardal.
Os bancos também dão muito jeito ali, mas alguém se esqueceu de tirar as medidas. A maioria das pessoas não consegue estar sentada e bater com os pés no chão. Façam o teste, leitores.
E por fim, as "cardaleiras", como lhes chamou o meu amigo João Pimpão em jeito de brincadeira, no Facebook. À excepção do meu vizinho da frente, não conheço ninguém que tenha caído, efectivamente, e se tenha magoado (mesmo) naquela tontice disfarçada de pinos para delimitar o trânsito. Mas é um exercício interessante apreciar a quantidade de gente que todos os dias ali tropeça.
Como é? Demora muito para fazermos uma petição a exigir a retirada daquilo?

1 de agosto de 2013

Viva mas é a Família Araújo e Deus também!

Pombal Etc e Tal
1. Na quinta-feira passada, 25 de Julho, não publiquei aqui a crónica já habitual por causa de dois sábados, os de 20 e de 27 do mesmo mês, que me fizeram bem mas me entorpeceram a tropelia gráfica que tanta confusão por vezes gera a espíritos decentes e honestos e simples como os do António José Roque.
A 20, subi com a minha Senhora à Cafetaria do Castelo (que não conhecíamos, nem um nem outra) a saber da candidatura de Carlos Lopes à Freguesia de Pombal. Dele e da equipa, note-se. Fomos a convite, que de outra maneira não iríamos: isto de partidarizar autarquias sempre me arrepiou o espinhaço ateu em matéria de religiões (ou seitas) partidárias. Não foi o caso: o discurso das pessoas daquele projecto pareceu-me limpo e de gente para gente. Já lá vamos.
Em antítese, da apresentação do senhor Nascimento (também) Lopes, digo nada: pela simples razão de ninguém me ter convidado. Perda minha e prejuízo de ninguém.
Escrevo esta crónica para o Farpas a meras duas horas da apresentação pública, no Jardim do Cardal, da candidatura de Adelino Mendes y sus muchachos à Câmara. Também fui convidado, mas o ácido úrico decorrente da já não pouca idade e dos muitos copinhos de malvasia por desjejum não me permite tal boa hora. Também não fui à do Diogo Mateus, para prejuízo de ninguém e só perda minha: pois que sempre gostei de assistir, com estes que a terra há-de comer, à frivolidade tangerina de tanta juventude que não lê para um dia, como a gaja Espírito Santo, poder brincar aos pobrezinhos nalguma choupana de bifanas a caminho da Kyay.
2. A 27, entretanto, fui a outro acontecimento pombalense da mais supina importância: a Sardinhada anual da Família Araújo. Ali, de tão devotos, ninguém vai a votos. Toda a gente se sente eleita. Foi a 26.ª vez que tal efeméride viva se vivamente deu na História de Portugal. Bem hajam os Araújos.
3. Retomando o fio: Carlos Lopes, Adelino Mendes, Diogo Mateus e o moço António José Roque. Comecemos por este fim para lhe dar primazia de primeira. Quis a má-hora (dele) fazê-lo andar:
a) A incomodar telemobilisticamente amigos comuns inquirindo “por que raio me tinha eu vendido ao Diogo”. Foi por causa daquela minha brincadeira, em crónica anterior, dos bilhetes & bilheteiros do Estádio Municipal, de o PS não eleger vereador nenhum, das favas contadas do Diogo etc. etc. etc. etc. até à exaustão. Foi ele o único que não percebeu aquilo que o Zé Gomes Fernandes percebeu logo: brincar é uma coisa séria. Mas para isso, além dos dois deditos de testa, é precisa esta simples coisa: ter unhas nos dois deditos de testa.
b) Em página (minha) do Facebook, ousei eu fazer brincadeira (aliás indignada) com todo este carnaval a propósito do filhote real da monarquia britânica. Veio o Roque. Logo. Pois claro. Que até “estima aquela Família Real”. Que eu deveria ter “educação cívica e moral”. Ora, acusarem-me de não portador de “educação cívica e moral” é pior, para mim, do que me castrarem depois de me terem prometido coçadelas nas bolsas gónadas.
c) É portanto, educada, cívica e moralmente, que digo aqui em voz tão alta quanta me puder ouvir a Lua que ao Castelo da nossa praça sobe para iluminar a vergonha de betão daquelas escadarias: ninguém de boa prece e melhor deus anda por aí a mostrar a desfiliação do PSD como ele. Porque nem o PSD o quer para nada, nem o PS há-de querer – local como nacionalmente. NB: há quem, como ele, e aliás decentemente, viva de tinteiros; o problema é que eu vivo para a tinta. Os tais dois dedinhos de testa, pá. Que se lixe o bebé real. Ou os que nunca passam de bebés.
3. Agora o Diogo: a única questão dele é tomar o Poder, que se calhar merece. A “coisa” daquilo da América Latina etc. é propaganda. A minha dúvida é se ele se propõe, uma vez edil, trazer para o Cardal a banana do Brasil, a cocaína da Colômbia ou alguma milonga da Argentina. No resto, não acredito – como ninguém.
4. O Adelino: deveria, a meu ver, ter feito como fez o sempre correcto João Melo Alvim na apresentação do Carlos Lopes. Isto é: estive, não quiseram, que ao próximo queiram. Há um cansaço exposto na repetição. E a novidade fundamentada (na dignidade, por exemplo) é carta a ter em conta no baralho. Ao Adelino Mendes, atenção, nenhuma dignidade falta. Nem há-de faltar. Mas seria preciso outro nome, outra coisa não tão parecida com, digamos, uma tó-zézice insegura.

5. Acabo com o padre. Parece que se chama João Paulo Vaz, que toca viola e baladas tonycarreiro-litúrgicas. Mas repare-se agora nisto: a política de distribuição de subsídios da presente administração camarária é zona muito sensível. Críticas não faltam a certos rumos dados aos dinheiros públicos. Comissões fabriqueiras de igrejas incluídas. É ou não verdade que o boletim paroquial cá da parvónia (e a cores, santo Deus!) beneficiou de qualquer coisa como 2500 euros? Vindos de quem? Ora! Da Câmara. A qual, recorde-se, recorte-se e cole-se, é financiada por um Estado constitucionalmente laico desde 1910/11. Mas que só é laica até o velho Narciso se ajoelhar, cíclico e fatal como o sarampo infantil e o alzheimer senil, no Convento do Louriçal cada 15 de Agosto, à aparente mercê de uma Boa Morte (política) que não há modo de se dar, chiça. Parece, ainda, que o padre Vaz, moço de trintas e poucos, se arroga o direito de esmifrar “certificados de idoneidade” a este e àquela. (Sobretudo àquela). Prece, rogação e oração minha: tenha juízo, moço. Assistir ao pé das “entidades locais” (Narciso e Diogo) ao concerto da Ana Moura, vá que não vá. Mas cantar como ela, nem o Diabo lhe há-de dar. A não ser que, para o ano, queira vir comigo à Sardinhada dos Araújos, onde Deus aparece sempre ao terceiro garrafão mas o Narciso nunca, para bem dos nossos pecados. 

Daniel Abrunheiro

31 de julho de 2013

Escolhas que não lembram ao diabo

Há muito que as estruturas partidárias, nomeadamente as locais, perderam totalmente o respeito pelos eleitores. Soure e Leiria são os exemplos mais próximos e mais recentes.
Por cá não é muito diferente. Propõem-nos o requentado, o plástico, o falso, o obscuro. Mas em Abiúl exageraram. Como diz um amigo meu, que anda nestas lides há trinta anos, o descaramento é tal que parece que querem gozar com os eleitores. Segundo ele, existem em Abiúl 999 eleitores que ganham ao candidato do PSD; no entanto, as apostas da oposição foram para um dos outros.
Havia necessidade?

30 de julho de 2013

Há Bodo no olhar de quem?

Enquanto a procissão recolhia, ao crepúsculo de domingo (um bocadinho desorganizado, esse momento, este ano...), lá fui entusiasmada visitar a exposição "Há Bodo no Olhar", que ocupa ainda os claustros do edifício da Câmara. Imaginei várias coisas, antes de entrar: uma exposição colectiva de fotografias sobre a Festa, ao longo dos anos; uma mostra do espólio de alguns fotógrafos locais; ou ainda uma coisa parecida com aquela que ocupou a galeria do Teatro-Cine, há alguns anos, resultado do convite feito a vários fotógrafos e jornalistas da região. Depois lembrei-me que ao longo dos anos a Câmara sempre contratou fotógrafos exclusivamente para registar os momentos mais importantes do Bodo, e só esse olhar bastaria para prender os olhares de quem gosta da festa, de quem a vive, ou simplesmente de quem nela participa.
Enganei-me.
Percebi mais tarde que a sensação de enjoo com que saí dos claustros perpassou da exposição para a maioria das pessoas. E essa maioria foi visitá-la com o mesmo entusiasmo com que eu fui: à procura de retalhos da nossa festa, das pessoas que a fazem, todos os anos. 
Quem ainda não foi, não perca a oportunidade de constatar como é que se derrete o nosso dinheiro em meia dúzia de painéis de qualidade, com arranjos gráficos cuidados, e cujo conteúdo deveria envergonhar quem o seleccionou. São os convites de inauguração, são os programas de inauguração, são as figuras de proa como Isaltino e Mexia, e é sempre Narciso Mota. Aquilo fez-me lembrar o tempo em que o presidente aqui chegou, no verão de 1993, quando enchia a boca com críticas ferozes o boletim municipal de Armindo Carolino e toda a exposição a que o então chefe do executivo se submetia, nas fotografias. Volvidas duas décadas, está visto que ninguém resiste à tentação da imagem perpetuada. 
Falta ali o povo. A gente da festa, que enche o Cardal todos os anos, o Largo do Arnado, o da Biblioteca, o Estádio noutro tempo. E há dezenas de pombalenses com bons registos desses. Bastava lançar o desafio da partilha. 
Tenho para mim que aquilo deve ser o livro em ponto grande. O tal livro.

Obras bonitas

A maior parte das obras da cidade estão bonitas. Há mérito na sua execução. Em contrapartida, teremos de nos interrogar se proporcionam segurança aos utentes, se estão funcionais e se justificam o dinheiro gasto e o esforço dos contribuintes.
O calcetamento das ruas, com a assimetria das placas de pedra, está mesmo assim bonito.
O açude foi reparado e está bonito. Gastou-se muito dinheiro a corrigir os erros de projeto e ou de execução até à próxima inundação. Não há responsáveis.
O largo do Cardal ficou quase bonito. Ficaria mesmo bonito se alguém arrancasse o mamarracho implantado em frente dos paços do concelho e da igreja e corrigisse as meias ratoeiras de marcos pretos implantados na calçada.
A ponte Dª Maria já estava “bonita”, com aquelas ratoeiras de pedra pontiaguda, onde, durante as festas do bodo, se viam crianças e adolescentes a brincar (com a sorte), fazendo deslizar os pés pela face lisa das pedras, e onde também se viam os desatentos a tropeçar. Não há quem seja responsável e arranque aquelas coisas (pedras).
O centro de negócios está mesmo feio. Haja quem lhe coloque um telhado à antiga portuguesa, à semelhança dos de todos os edifícios da praça Marquês de Pombal. Vejam no que deu a transformação de um projeto de recuperação (falhada) de um edifício histórico para a construção de um edifício novo.  
Se a natureza obrigou a fazer alterações e reparações no açude, a segurança dos cidadãos, a história, a estética e a funcionalidade também deveriam impor alterações das obras executadas ou em execução.

28 de julho de 2013

Caciquismo

Há estruturas partidárias que se apropriaram tanto do poder que na altura de escolher  os candidatos e têm de excluir alguém mais desgastado prometem-lhe lugar na próxima rodada.
Ao que isto chegou!

26 de julho de 2013

Obras no Cardal


Aconteceu o que se temia: a CMP não conseguiu terminar as obras antes do início das Festas do Bodo, o que confirma uma tremenda falta de capacidade de planeamento e um profundo desprezo pelos pombalenses e, em particular, pelos comerciantes. 
O mesmo acontece na zona histórica da cidade: transformada num estaleiro abandonado. 
Que péssimo cartão de visita. Não havia necessidade.

25 de julho de 2013

Procura-se candidato


Será que não há por aí ninguém que queira aproveitar a deixa e encabeçar essa candidatura? Alguém com experiência autárquica (de preferência até documentada em livro). Aposto que esta é uma ideia que teria muitos e variados adeptos.

Agora a sério, desejo um bom Bodo a toda a comunidade Farpas. Que se reencontrem e aproveitem a quadra ao seu gosto. E mantenho, o feriado municipal de Pombal devia ser na 2ª feira de Bodo. Fica a proposta.

24 de julho de 2013

DJ Party Fest


Sou dos que considera que um DJ é um artista, um profissional do espectáculo como um actor ou um músico. Mas já me custa aceitar – será da idade? – que a página oficial das Festas do Bodo dê mais destaque ao DJ Kiko ou o DJ Pedro G que à Ana Moura. Afinal a fadista vem fazer a primeira parte do DJ Kiko? Os Expensive Soul vêm aquecer o pessoal para o grande DJ Rui Santoro?

23 de julho de 2013

Aberrações arquitetónicas

As “ratoeiras” de pedra pontiaguda da ponte Dª Maria: boas para apanhar e ferir desprevenidos que nelas tropecem.
O “sarcófago” de betão do Largo S. Sebastião: bom para guardar uma múmia que por ai anda desvairada...
O "bunker" da praça Marquês de Pombal: bom para desconchavar a arquitetura da praça mais histórica de Pombal, para exemplificar o mau gosto na recuperação de um edifício histórico e para mostrar a marca de alguém.
A “cagadeira” do Largo do Cardal, bem no centro do largo, ali em frente aos paços do concelho e à igreja: bom para ser o contraste, para tapar a visão sobre os edifícios históricos, para estragar a estética do local e para defecar.

22 de julho de 2013

Antologia do non sensu (político)

Na sua intervenção, perante cerca de 1.300 apoiantes, Diogo Mateus dirigiu-se aos seus, ainda, colegas de vereação Paula Silva e Michael da Mota António. “A vossa não inclusão na lista à Câmara não é uma expulsão, nem uma repreensão, nem um acto de desagrado, nem de desprezo, nem de antipatia”.
In Noticias do Centro

Candidatos ao lugar de bilheteiro


Como a foto documenta, ambos estão disponíveis. O momento registei-o sábado à tarde, na cafetaria do Castelo, durante a apresentação da candidatura do Carlos Lopes à Junta de Freguesia de Pombal. E assim sossegamos os espíritos inquietos com a última crónica do Daniel Abrunheiro, cá na casa.

21 de julho de 2013

Propostas fabulosas


Os candidatos à CMP têm mimoseado os pombalenses com propostas fabulosas:
- Diogo Mateus promete Investimento na Formação Humana e Competências dos Pombalenses;
 - Adelino Mendes promete mais Emprego.
Entre trufas e caviar, escolho o quê?

18 de julho de 2013

Eu é que vou ser o bilheteiro do Estádio Municipal e ninguém mais

Pombal etc e Tal


1. Em e de Pombal, só me falta a circunstância do nascimento físico. Em tudo, sinto-me tão pombalense como os que o são de gema e berço. Isso agrada-me sobremaneira. Uma pessoa pertence deveras e de facto a todo o sítio cuja gente lhe faça falta. É o (meu) caso. De vez em quando, uma espécie de prurido emocional faz-me catar (quase) todo e (quase) tudo. Nessas ocasiões, sei que o único remédio para tal, digamos, “micose” é apontar as biqueiras dos sapatos à ponte sobre o modesto Arunca da nossa vida.
2. Postas assim as coisas (em assertiva sinceridade), julgo não precisar de esclarecer as Vossas boas almas de que quase tudo, se não tudo mesmo, o que pombalense seja me interessa:
os nascimentos como os óbitos;
os casamentos como os desquites;
os baptizados como as bebedeiras (próprias e/ou alheias);
e a Política, p’x-tá-claro.
Escutai-me, por e de favor vo-lo rogo, esta verdade-verdadinha: quando por aí jornalei, diverti-me sempre muito muito muito muito. Sobretudo quando malhava com as nalgas no banco dos réus por causa das queixinhas daquele Senhor-de-Que-se-não-Diz-o-Nome-mas-Todo-o-Bicho-Careta-Sabe-Quem-é. Ai o quanto eu gostava de o ver, por assim dizer, autocoitadinhar-se em frente à sôtôra-juíza!  Ai as lágrimas de riso que eu não tive de sufocar à nascença do esófago! Ai as vezes que quase me não borrei (literalmente) de gozo o mais impuro e mole enquanto ele fazia de virgem ofendida! Ai o caruncho nos meus ossos quando a traça me ratava a naftalina! Bons tempos velhos, esses.
3. Para mal dos meus pecados (mas também para bem dos meus fígados), já Pombal não tem jornais. Os únicos que lá vejo – são os de embrulhar o peixe no mercado das segundas-feiras. Ou então este da campanha do Diogo Mateus – ideal para jogar o scrabble. Sim, o scrabble. Veja-se e prove-se e comprove-se: chamando-se, como se chama e lhe chamam, Mais Pombal, dá assim – Mais Pombal – Jornal;  Mais Pombal – Jornal – das Meirinhas. N’é mêmo? Ora, isto faz-me muita pena. Pena, porque Pombal tem sempre muito de que se (lhe) diga. E escreva. E comente. E opine. É pena. Não falo ressabiadamente: não é o meu estilo. Digo-o porque sim: porque de facto creio na importância de uma imprensa livre para a comunidade. Livre e responsável – atenção. Responsável e ética – atenção. Ética e deontológica – atenção. Em sede de tribunal como em folha impressa, o princípio do contraditório só pode ser bom – porque apura e apara o bem do mal. O unanimismo invertebrado e minhoca e acéfalo que desde Julho de 1993 tomou posse da vida sociopolítica pombalense não é nem nutritivo nem digestivo – é diarreico. Mas não tem de ser vitalício. É por isso que qualquer pessoa tem o direito de esperar que, pelo menos até 5 de Agosto próximo, Diogo nos diga que lista é a dele. Ou então a daquele Senhor-de-Que-se-não-Diz-o-Nome-mas-Todo-o-Bicho-Careta-Sabe-Quem-é.
4. Sisudos ou ridentes, trombudos ou ridículos, o que é preciso é nunca ter medo de nada nem de ninguém. À excepção da saúde dos filhos, nada pode atemorizar-nos. A higiene de carácter, a seriedade moral, a solidariedade pronta – isso sim, são essas as rosas a cultivar em o rosal de cada um sem poupar no estrume. (NB: Eu tenho tido sempre e sempre terei muito sucesso junto das mulheres porque lhes falo assim sem pestanejar e elas acreditam.)

5. Vai longa já esta espécie de confessional exortação aos meus (afinal) conterrâneos e compatrícios e compadres de Pombal. Pois ainda bem que sim: o desemprego, se tem coisa boa, é dar tempo de obra & sobra para escrever dislates e disparates bem intencionados como estes. Sim, eu disse a palavra feia: “desemprego”. Mas se o Adelino Mendes, que não tem dinheiro para jornais de scrabble, recusar o convite do Diogo para bilheteiro do Estádio Municipal, espero bem que o novo edil, filho do meu/nosso saudoso Alves-Mateus, me ofereça o lugar, que eu aceito-o logo sem olhar nem duas vezes para o cu, ou o cós, das calças. As minhas, claro, as mesmas que tantas vezes assentei em vara de réu por causa daquele Senhor-de-Que-se-não-Diz-o-Nome-mas-Todo-o-Bicho-Careta-Sabe-Quem-é.

17 de julho de 2013

Aldeia do Vale, Aldeia do Vereador

Já todos sabemos que o granito substituiu grande parte do calcário na calçada da cidade de Pombal. Mas só os que passam na Aldeia do Vale é que sabem que os caminhos ao redor da casa e do terreno do vereador também foram calcetados com granito de igual aspeto, logo numa encosta duma serra de calcário. Bem, os muros de vedação do prédio foram feitos em pedra de calcário.
Dizem os indiscretos que o custo dos trabalhos da calçada do Vale está incluído no financiamento comunitário e no projeto da obra da cidade. Dizem os moradores do Vale que os trabalhos só foram efetuados nas proximidades da casa do vereador, o que pode ser confirmado por quem quiser visitar o local.
Parece-me que são necessários esclarecimentos sobre a obra do Vale.

15 de julho de 2013

Ele diz que ainda é o presidente

Depois de ler um dos comentários deixados num dos anteriores posts deste blog, fui averiguar. Fiquei a saber que os funcionários comentam que o chefe diz aos vereadores que ainda é o presidente e que em equipa que ganha não se mexe. É o mesmo chefe que perdeu toda a sua primeira equipa, da qual apenas recuperou um elemento para uma relação de amor/ódio.
Aquela pretensão, para além de ser a continuação da linguagem brutal e da brutal falta de respeito pelas liberdades e competências dos outros, revela o velho a querer condicionar o novo, a querer fazer a equipa do novo, a querer que o novo também seja velho e a querer proteger os seus boys, sejam eles bons, medíocres, maus, o 1/2 vereador ou o -1 vereador.
Se a vontade do velho se  concretizasse, seria o novo a perder a credibilidade, sobretudo dentro da instituição que este quer governar… 

13 de julho de 2013

Narciso Mota & C.ª

Distingue 81 trabalhadores do município com a Medalha de Mérito Municipal em prata.
É uma pena não o ter feito aos 810!

PS1: boa armadilha. 
PS2: Até o Victor Leitão vai receber uma Medalha de Mérito Municipal, por que não?

12 de julho de 2013

Nas Asas dos Subsídios (II)

A Ata 13/2013 enumera os 481.000€ de subsídios espalhados ao desbarato, nesta altura, e já aqui glosados.
Realço os 106.000 dados às Comissões Fabriqueiras de Igreja e afins. Triplamente chocante: pelo montante, pelos fins e pela discriminação.
Há outras confissões religiosas em Pombal, porque são discriminadas?
Um estado laico deve financiar atividades religiosas?

11 de julho de 2013

Tarantoladas benignas

Cardal etc e tal



1. Ao contrário de proeminentes figuras como as do Zé Man’el Carraca e do Adelino Leitão, eu não faço falta alguma a Pombal. Verdade seja dita. Mas esta também: Pombal faz-me falta a mim. A qualidade da minha vida, da pessoal à artística, da profissional à excursionística, tem caído a pique desde que deixei a formosa terra que o Arunca banha às pinguinhas. Por falar em “pinguinhas”, nenhumas são tão boas como as que Pombal propicia em seus parlamentares balcões taberneiros. Já tenho sido encontrado a chorar pelas ruas de todos os sítios que habitei depois de Pombal (e Louriçal). As pessoas ficam sempre com muita pena de mim, a ponto de me darem às vezes umas coroas para eu ir dessedentar as mágoas a qualquer tasco com ramo de loureiro à porta. Eu vou, mas depois choro ainda mais porque nem o Leitão nem o Carraca estão lá dentro. A minha é deveras uma vida muito triste.

2. Triste deve andar também, e se calhar bem mais do que eu, o nosso Cavácuo local, Aníbal Narciso Silva Mota de seu nome. Obriga a lei a que tombe do poleiro que durante duas longas décadas engalinhou sem descanso. Tenho muita pena dele. Chego a achar que, indo embora o Mota, quem deveria subir a edil máximo era o Zé Mouco, que esse é que sabe tudo de motas. Eu, é mais de lambretas.

3. É público e notório que os animadores de serviço destas Farpas são os notáveis (e notados) Man’el Rodrigues Marques e Zé Gomes Fernandes. Mas atenção: quando lhes chamo “animadores”, faço-o no sentido etimológico. Este aqui: do latim “anima”, que, encurtado em “an’ma”, acabou resultando na portuguesíssima palavra “alma”. É o que eles deveras me parecem: a alma do sítio, se bem que aqui e ali algo desalmada. Outra figura é o Tarantola, que desde sempre me pareceu “Tarântula” mal escrita. Não percebo o porquê do pseudónimo. Pombal tem certa vocação para estes disfarces de tapa-cara – e já desde os tempos do famigerado e infame O Abutre. Lembram-se dele?

4. Apesar de longe, estou a ficar um bocadito menos desinfeliz: já aqui falei de pessoas que me são caras, do Carraca ao Leitão e do Man’el de Albergaria ao Zé Gomes das bicicletas. É gente de que sempre gostei, sobretudo, dentre estes quatro, dos dois que anos a fio levaram a água do Narciso ao moinho do Poder. Do Man’el de Albergaria (Albergaria dos Seis + Seis, não dos Doze, que aquilo sempre foi tipo raia Cima contra Baixo), aprecio particularmente a tonitruância. Pedir-lhe que fale alto é como pedir ao Toninho Varela que toque baixo: é escusado, que a coisa é certa como a chuva chamar caracóis. Do Zé Gomes Fernandes, gosto do perfil mourisco, da tez sarracena, da barba de Mafoma, dos olhos de corsário. Se eu fosse mulher ou, digamos, tipo Baião ou Goucha, ele não me escaparia.

5. O dicionário da nossa Língua emparelha como sinónimos os termos “freguesia” e “clientela”. Mas a política autárquica não deveria fazer o mesmo. O mal é que não tem feito outra coisa. Em Pombal como alhures. Sempre quero ver que nos trará Outubro próximo. Narciso deve aguentar para aí um mesito como presidente da Assembleia Municipal. O Michael, apeado do gabinete, só se o meu amigo Calvete lhe der emprego ou, em alternativa, horas extraordinárias no Manjar do Marquês, sítio onde a única coisa de Graça é o Paulo. O nosso Parreira, não sei não. Aulas outra vez? Mas onde? O Instituto D. João V já só emprega estagiários por seis meses. As escolas de condução não vendem uma carta desde Outubro de 2005. E os centros nóvóportunidades deram o berro que nem ginjas. O cenário é agreste. Resta o Diogo. Figura macha, soube suportar o deserto e o ostracismo. Ei-lo por cima. Como o PS vai acabar por não eleger qualquer vereador, o bravo Mateus vai acabar por empregar o nosso Adelino Mendes na bilheteira do Estádio Municipal, nicho perfeito para ele, Adelino, avaliar ao que se reduziu o PS/Pombal que Deus tem e o Diabo não quer.

6. Prontinho, por hoje já “tarantolei” o meu bocadito. Agora vou-lh’amandar com uma punheta de bacalhau e uns decilitros do maduro, que só de pensar nele me faz agravo das saudades do Leitão e do Carraca. Até para a semana, ó boa gente, ó bons Pombalenses!

Descubra as diferenças

E as semelhanças...

Também não percebo isto

Apenas para dizer que, no seguimento do post anterior, se não percebo umas coisas, também não percebo coisas semelhantes/análogas, evitáveis até por todas as leituras que se fazem directa ou indirectamente. Uma coisa é fora de campanhas e de períodos pré-eleitorais, pedir a colaboração de políticos para acções como vendas de jornais para determinadas causas ou galas ou afins. Isto, parece-me, é misturar planos que não devem ser misturados. Mas pode ser de mim. Irrevogável também já significou uma coisa e agora, aparentemente, é outra.

10 de julho de 2013

Coisas que não se percebem

Sinceramente, da primeira vez que vi, nem reparei. Afinal, era uma fotografia normalíssima de campanha. Mas depois, numa rede social, houve quem reparasse no lado esquerdo da fotografia. E por motivos perfeitamente dispensáveis. É que sinceramente, isto é dos livros: não basta ser, tem que se parecer. Pensava eu que era uma lição aprendida em Pombal.

Eleições – liderança a três ou a uma cabeça

Enquanto o PSD local apresenta publicamente a cúpula da organização da campanha eleitoral a funcionar em triunvirato (à moda da Roma clássica), com Pedro Pimpão, Diogo Mateus e Narciso Mota, o PS apresenta apenas um único ator, Adelino Mendes.
No caso do PSD, todos os ex-líderes locais sentem-se comprometidos no projeto e na organização, pelo menos com dois dos três membros do triunvirato. Em contraposição, todos ou quase todos os ex-líderes locais do PS estão (foram) afastados da organização partidária e da das eleições, sentindo-se excluídos.
Iremos ver se, na organização do triunvirato, algum dos membros vai ditar a solução para a casa dos outros membros e se, na organização adversária, o ator único vai deixar de ditar todas as regras e escolhas e passa a receber apoio e colaboração dos que representaram o partido.

9 de julho de 2013

Braço-de-ferro

Consta que é a actividade mais praticada no Largo do Cardal. Há outra, que fará concorrência com a actividade situada no topo do Jardim do Cardal, mas do outro lado da Igreja. Voltando ao braço-de-ferro, o desfecho terá naturais influências no que há-de ser, se Setembro se confirmar de laranja. Mas, sobretudo, mostra bem a pior face daquilo que têm sido estes 20 anos. Mas nisto, parece-me que estarei a ensinar a missa ao padre. Quem quer fazer diferente sabe bem. E tem dois combates importantes. Mas se perder este, mesmo que ganhe o segundo (confirmando-se, repito), terá 4 anos complicados devido a uma tutela que não quer largar. Terá? Teremos.

8 de julho de 2013

Nós, por cá...é mais barulho

Quem foi ao Teatro-Cine de Pombal neste último fim-de-semana teve o prazer de assistir a qualquer das quatro sessões de um espectáculo magnífico, pela mão da academia de dança da Filarmónica Artística Pombalense. Na verdade, desde os tempos dos (saudosos) musicais do Colégio João de Barros que não me recordo de ter assistido a coisa parecida, tal o nível ali vincado. "Nanny, uma ama perfeita" e "Grand Hotel" tiveram a assinatura da pombalense Patrícia Valente (que todos conhecem por Ticha) e de Kelly Lisboa, que ensinou gerações de pombalenses a dançar.
Quem dançou foram crianças, jovens e adultos de cá, para um público de cá, entusiasmado até à medula. Mas ficaram praticamente vazias as cadeiras da fila da frente, reservada a essa classe que em Pombal respira cultura, como se sabe: as entidades oficiais. À excepção do omnipresente Pedro Pimpão, os quatro espectáculos de sexta, sábado e domingo não mereceram a atenção dos autarcas do costume. É claro que assim é difícil perceberem o que se faz por cá. É óbvio que, assim, não admira que estes espectáculos não cheguem, por exemplo, ao palco das festas do Bodo (a Fap Dança e a Dance Spirit, outra academia da cidade). Nós, por cá, pelos vistos preferimos encher a noite de quinta - que há anos estava reservada às bandas de Pombal - com um espectáculo de...tunas académicas. Que estão para Pombal como as placas de granito para as ruas do centro histórico. 
E para essa organização não vai nada, nada, nada?...

7 de julho de 2013

Diogo segundo João Paulo Pedrosa do PS

Na apresentação da candidatura de Adelino Mendes, João Paulo Pedrosa, seu ex-inimigo, abriu as hostilidades políticas para as próximas eleições autárquicas. Não se bastando com o elogio do seu candidato, urgiu um ataque a Diogo Mateus. Comparou-o a Paulo Portas, quando foi candidato (vencedor) a Presidente de Junta da Freguesia de Pombal, e terá dito que nada mais fez que política e sem obra.
Tal intervenção parece ter sido um motivo de mobilização nas hostes do PSD, mesmo para alguns que pareciam estar desinteressados, criando um sentimento de injustiça, não tanto por ser um ataque pessoal mas principalmente por entenderem que as afirmações não correspondem à verdade. Muitos dos membros ou simpatizantes do PSD local dizem saber que Diogo Mateus sabe o que é vida dura, pois já “comeu o pão que o diabo amassou”, já passou grandes dificuldades económicas na sua juventude, de que não faz alarde, já foi carteiro, dizem saber que já foi organizador e “trabalhador” de campanhas eleitorais para outros candidatos (carregador de pianos), que já organizou e instruiu várias candidaturas de várias entidades locais a fundos comunitários ou outros, que foi e é dirigente de várias associações, que fez um trabalho inovador e profundo na Junta de Freguesia de Pombal, que é competente…
Veremos como vão os principais candidatos do PS mostrar os seus atributos morais, as suas competências a sua participação social, nomeadamente se se interessaram muito, pouco ou nada pelas causas públicas fora das épocas eleitorais ou fora do âmbito da atividade política. Vamos ver como corre este verão escaldante… 

5 de julho de 2013

A Macaca no Governo

No país dos bonobos, há uma macaca, dita centrista, que tem acasalado com cada chimpanzé que seja líder da comunidade nacional. Quando lhe parece que o companheiro está a perder o poder, passa a cortejar outro chimpanzé que revele poder ser o novo chefe da selva da macacada. Já sobreviveu a pelo menos quatro chimpanzés que foram para a cova.
Para estar sempre no poder a comandar cada líder, a macaca tudo exige e tudo justifica negativamente com a moral e os costumes dos que perdem a liderança.
A macaca, esperta em terra de cegos, já foi universitária independente e agente submarina. Para os seus detratores, ela é uma meretriz. Para os seus admiradores ela é casta, até santa…

4 de julho de 2013

Cardaladas das Rijas - I

Cardal etc e Tal

Eu de Pombal não sei grande coisa.
Sei é muitas coisitas. Geralmente das miúdas, por grossas. E grosseiras, por miudinhas.
É verdade que ao saber se me ajuntam, por igual, boas coisas, factos bons de boa gente – mas essas e esses e esta valem menos às crónicas no plano capitoso, tanto no da retórica como no da leitura.
Parece que a partir desta quinta-feira aqui nos reencontramos. Eu deste lado, de onde, deveras e de facto, nunca saí senão geograficamente; e Vós desse, que é o de Pombal, essa castelã “charneira” de certo poder local com “h” a seguir ao “p”.
Por ser esta a primeira crónica do nosso reencontro (não, infelizmente, em papel de jornal mas em modernaço espaço internáutico, aproveitando a boleia e a caridade anfitriã das Farpas Pombalinas), sinto a necessidade de deixar alguns avisos a Vós e à navegação. Estes aqui:

1 - Escrever-vos-ei com a ortografia que aprendi, cursei, venero e pratico sem fadiga nem cedência. Recuso o abortês acordográfico do infame “simplex” em má hora herdado. Se, por absurdo ou masoquismo, ou por impura ignorância, eu Vos escrevesse como agora se desescreve, não Vos pareceria eu assim uma espécie de Joaquim Branco a falar ou, pior, o já quase extinto Dinossauro de ali perto da Ranha a assimilar uma crítica construtiva em legítima sede pública de assembleia? Pareceria.

2 – Não tecerei nem considerações nem desconsiderações sobre essa espécie de Twilight Zone a que chamamos Sporting. (NB: nem sobre o de Alvalade, nem sobre o nosso de Pombal.) Esta nossa é uma terra esmagadoramente verde-branca, à excepção de alguns dois ou três infelizes que fazem das tripas (tripeiras) coração e de uma pouca dúzia e meia de gente séria (como por exemplo eu) que assimila por Benfica a verdade sinonímia da Grei Lusitana.

3 – Por 500 paus dos antigos (meros €2,5 dos modernos), tergiversarei aqui, a pedido pagante de alguém interesseiro e interessado, sobre qualquer tema. (Menos o Sporting.) Se tiver o texto a pedido de meter insultos os mais soezes & mais duradouros, daqueles que doem até na bílis, digamos, narcísica, então a coisa terá de ser paga, ao negro e por debaixo da mesa, a 750 paus (em euros, “é só fazer as contas”, para citar o inefável Guterres, que anda lá fora a fazer de bonzinho à guisa de Madre Teresa de Calcutá.

4 e Última – Encontramo-nos depois

a) na Cervejália
ou
b) em tribunal.

Saudações viperinas do

Daniel Abrunheiro

3 de julho de 2013

Câmara cobra créditos prescritos

Já sabíamos que a Câmara Municipal de Pombal cobra o preço dos “serviços de gestão de resíduos sólidos urbanos” também relativamente às casas de habitação a que não presta tais serviços. Cobra aos munícipes ricos, remediados, pobres, insolventes ou miseráveis, quer habitem ou não a casa de habitação. Cobra aos que não têm fornecimento de água, mesmo aos que não tenham recursos para pagar e aos ausentes (emigrantes, internados em hospitais ou lares de idosos, detidos em prisões, etc). Todos pagam, quer tenham ou não contratado o serviço e dele beneficiem ou não. O que importa é cobrar.
Pior ainda, exige o pagamento dos “serviços” relativamente a créditos de faturas com mais de seis meses. O artigo 1º, nº 2, al g) da Lei 23/96 de 26 de Julho, diz que os “serviços de gestão de resíduos sólidos urbanos” estão abrangidos pelas regras consagradas na restante lei a que devem obedecer, as de prestação de serviços públicos.
Ora, nos termos do disposto no artigo 10º, nº 1 da citada lei, “o direito ao recebimento do preço do serviço prestado prescreve no prazo de seis meses”.
Porém, o executivo continua a exigir o pagamento e até paga o custo do registo com aviso de receção de cartas que envia para o efeito relativamente faturas prescritas de valor de €4,28.

2 de julho de 2013

Câmara rica em concelho pobre

Quando o executivo camarário começou, no anterior mandato, a sobrecarregar com impostos as famílias e as empresas, alertei, aqui, aqui, aqui e na Assembleia Municipal, para um quadro socioeconómico insustentável: uma câmara rica num concelho pobre. A realidade impôs-se.
Uma das faces da realidade há muito que é conhecida e sentida: as famílias e as empresas têm enorme dificuldade em pagar os impostos municipais. É verdade que a câmara, percebendo-o, foi aliviando a carga. Mas o mal estava feito.
A outra face da realidade manifesta-se agora em todo o seu esplendor: gastar, gastar, gastar: 600.000 € por uma quinta (terreno rústico a 12 €/m2), ± 500.000 de subsídios, compra de terrenos, compra de prédios abandonados, construção de edifícios públicos de utilidade duvidosa, construção de estádio de futebol junto a outro praticamente inativo, obras do regime no Cardal e no centro histórico, sarcófago de S. Sebastião (bem batizado pelo JGF), estradas em granito na aldeia do vale (aldeia do calcário), …

Uma pergunta se impõe: o povo tem o governo que merece, ou o governo não merece melhor povo? 

1 de julho de 2013

Daniel Abrunheiro chega quinta-feira

A partir desta semana o Farpas ganha uma crónica semanal, em cada quinta-feira. 
Vai chamar-se "Cardal etc e tal" e tem a assinatura do incomparável Daniel Abrunheiro (jornalista, cronista e escritor).
Naquele que promete ser um verão quente, Julho não podia começar de melhor maneira cá por casa ;)