17 de outubro de 2013

A inaugurar obras de 20 anos

As obras estão a ser concluídas e inauguradas à pressa, antes da passagem do cargo.
Os discursos de despedida sobre os 20 anos de obras estão a acompanhar todas as intervenções públicas e multiplicam-se em autoelogios.
Os livros dos 20 anos de obras estão a ser impressos pela autarquia com idolatria do autarca e estão a ser oferecidos à pressa.
As censuras às hipotéticas medidas do sucessor, já estão a ser difundidas pelos corredores.
As censuras aos independentes e aos “traidores” são o ponto mais inflamados de discursos de eventos populares, como o da abertura das “tasquinhas”.
Talvez um discurso sereno e apaziguador fosse uma forma feliz de ser lembrado.
Porém, perante a soberba necessidade de ver pregada uma placa com o nome em cada obra acabada ou inacabada e a de censurar e desvalorizar os outros, teremos de perguntar: O que resta para o relacionamento entre o Presidente da Assembleia, por um lado, e o da Câmara e os membros da Assembleia, por outro lado?

À Paula Cardoso

A Paula Cardoso vai, naturalmente, cessar as suas funções de Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara. É, portanto, altura de, aqui, lhe endereçar algumas palavras simples mas - penso eu – justas. A Paula Cardoso soube estar à altura do cargo.
O cargo de chefe de gabinete é um lugar delicado porque, sendo de nomeação política, exige solidariedade política e pessoal; e, fazendo parte da estrutura, está sujeito a obrigações e deveres comuns. É este duplo constrangimento que exige descrição, perspicácia, diplomacia, serenidade e acima de tudo respeitabilidade: por si, pelo cargo, pela organização e seus parceiros e pelo Presidente. A Paula soube, sempre, tê-las.
A forma como matou à nascença um potencial conflito público que um conhecido desbocado, por aqui, quis provocar, deixou-me convicto que a Paula era a pessoa certa, naquele lugar e naquelas circunstâncias.

15 de outubro de 2013

O Farpas no Blogómetro

O Blogómetro, criado pelo Aventar, é (como definido por eles) um “sistema de classificação dos blogs portugueses de acordo com as estatísticas do sitemeter”. Disponibiliza vários indicadores referentes aos blogs portugueses, nomeadamente: n.º de visitas, n.º de páginas vistas, nota de qualidade.
O Farpas, sendo por opção um blog de âmbito regional (na prática essencialmente concelhio) e de cariz sociopolítico, consegue, quando comparado com os blogs de âmbito nacional e/ou genéricos, boa figura. No mês de Setembro ficou, entre mil blogs, na 147.ª posição em n.º de visitas e na 99.ª posição em n.º de páginas vistas. Muito para uns, pouco para outros, claro. Para nós satisfação moderada.
Mas o que verdadeiramente nos orgulha (e talvez faça pensar os nossos detratores) é o 34.º lugar (entre 1000!) na avaliação “Qualidade” do FARPAS.

Obrigado leitores e comentadores. 

Inauguração a jogar às cartas

Narciso Mota inaugurou mais um barracão de uma “associação de jogos de cartas”, pago com dinheiro dos contribuintes. Justificou o investimento dizendo que “a jogar às cartas também se aprende” e que foi possível à Câmara Municipal pagar o custo diretamente ao empreiteiro porque tem dinheiro resultante de uma boa gestão, como se o dinheiro fosse dele e não dos pobres contribuintes/munícipes.
Porém, omitiu, sobre a sua gestão, que um outro barracão localizado num outro lugar vizinho, pago com subsídios entregues pela Câmara (dinheiro dos contribuintes e não do Narciso Mota) se encontra fechado desde há vários anos.

14 de outubro de 2013

“Centro de neqócios”

O “centro de neqócios” e o parque de estacionamento do Largo de S. Sebastião foram inaugurados no 1º dia das festas do bodo pelo Presidente da Câmara e pelo 1º Ministro. As infraestruturas iriam ser disponibilizadas ao público.
No mesmo dia, à tarde, a Câmara Municipal fechou as portas, até hoje.

NSP, um exemplo

Declaração de interesses: sou do Benfica e o meu filho joga no Núcleo Sportinguista de Pombal (NSP).

Na clubite manda a emoção e pouco a razão, logo atrai-me o encarnado e desagrada-me o verde e o azul. Mas apesar da paixão clubista reconheço no NSP um exemplo de profissionalismo, tanto na componente técnica como na organizativa.
É notável como com muito pouco oferecem tanto! Podiam ser melhores? Podiam. Se não fossem sportinguistas…


11 de outubro de 2013

Narciso e outros

A comissão política distrital do PSD de Leiria é chefiada por Fernando Costa (Caldas da Rainha) e inclui, ainda, entre outros, Fernando Marques (Ansião) e Narciso Mota (Pombal), todos eucaliptos secadores da biodiversidade política partidária.

Agora, preparam-se para continuarem a manter refém o aparelho partidário, a fim de poderem ocupar os lugares das candidaturas dos partidos aos cargos eleitorais, nomeadamente a deputados, pouco lhes interessando a renovação e os resultados eleitorais, como é prova o das recentes autárquicas em Leiria…

10 de outubro de 2013

Enfim, o estádio das Meirinhas


Domingo próximo vai ser inaugurado o famigerado estádio das Meirinhas, agora despromovido a campo de futebol.
O programa das festas é tão bom que merece ser emoldurado.
O espaço vai receber o nome de um homem grande, que deixou uma marca profunda em tudo o que é desporto e cultura da terra: António Mota Assis. Até percebo a forma airosa que a Câmara encontrou para minimizar os estragos: assim é impermeável à crítica - pensarão certos conselheiros.
A uma semana da tomada de posse do novo executivo municipal, Narciso Mota despede-se com chave de ouro das Meirinhas.

7 de outubro de 2013

Balancete e desafio(s)

1. Que o PSD/Pombal se não iluda: no global, ficou em segundo lugar nas Autárquicas de 29/IX. Em primeiro, por larga margem, ficou esse triste espectro chamado Abstenção.
2. Ao nível da freguesia urbana, a vitória de Nascimento Lopes é uma (mais uma) derrota de Pombal – sem tirar nem pôr.
3. Outro derrotado: Narciso. Os (muitos) menos votos que recebeu (menos por comparação aos obtidos pelo seu maior – e se calhar único – rival, Diogo Mateus.) demonstram à saciedade e à sociedade que a Mãe-Natureza extinguiu os dinossauros por alguma razão válida. E que o Jurassic Park à Spielberg já se não adequa a urinóis no Cardal como legado.
4. (E agora de repente, no meio de assuntos mais sérios, o nosso velho Orlando Cardoso, que figurativamente está para a profissão jornalística como a lesma para a classe dos vertebrados, fez publicar na edição de 1/X/2013 do Diário de Leiria uma penicada vagamente noticiosa e estrondosamente anti-aritmética intitulada “Narciso Mota preside a Assembleia tricolor”. Façamos as contas à moda do inefável Guterres, que anda lá fora a fazer de Madre Teresa dos refugiados e dos pobrezinhos: tri quer dizer três, não quer? Então contemos as forças representadas na tal Assembleia Municipal a que Narciso vai presidir; PSD, PS, CDU e CDS. Ó caraças, que eu conto quatro. Ó caraças, que o tri do Orlandito dá tetra. A diferença está, decerto que está, em ele ter descontado (mais) uma para a caixa. Das esmolas, digo eu. Em recado directo e de olhos nos olhos, ao contrário da story of life dele, digo(-lhe) eu: Orlando, Orlandito, Cardosito, Cardosão, que não sabes escrever, já toda a gente está careca de saber há q’anos! Agora, que nem contar saibas, já mete dó. A não ser que seja metafísica tua, isso de praticar com fé a incompetência básica e a desálgebra elementar: não sabes contar porque sabes que não contas. Siga, que com este já acertei por ora as contas.)
5. João vai ou não chefiar o gabinete presidencial do Diogo-Até-que-Enfim-Presidente-Mateus? Ouvi que sim, que ia, que vai. Caso para dizer, se sim, que é uma rica maneira de ganhar o (Pim)pão nosso de cada dia. Nosso, não. Dele. Se for, tenho uma recomendação. Ou melhor: uma expectativa. A de que ele (ou, afinal, quem for) atente nestes dois nomes: Paula (e) Cardoso. Essa senhora levou a cabo com digna seriedade e séria dignidade, anos a fio, o lugar – mesmo, ou sobretudo, tendo em conta quem era o Chefe, atenção. Trata-se de uma tarefa que exige cara lavada e mãos limpas. A ver vamos, enfim, como diz o Stevie Wonder.
6. Sandra Barros, em Abiul, deu-nos a todos uma alegria para este Outono/Inverno: a de ter ajudado decisivamente a escaqueirar a manhosa barraca-de-feira que era o Carrasqueira como (falso) número-dois do PSD. Ora incha, que os furúnculos também rebentam!
7. Ana Tenente, em Vila Cã, também nos alegrou, proibindo a freguesia de andar por aí a cheirar a fraldas. E das usadas. Mais uma consolaçãozita mínima, atento o vendaval oragino-asinino das restantes (agora) onze freguesias cá do Pombalhal.
8. Uma só palavra sobre o ambiente de (certa) campanha para estas autárquicas: merda. Andou por aí certa “jumentude” (não é gralha, é mesmo mescla de jumento com juventude) autora de deselegâncias e chinfrins eivados de intoleráveis hinos megafónicos ao vazio, de baixezas do foro antipessoal e de quejandas nojices mais próprias de asnos mijões sem arreata nem civismo do que de dignos participantes verticais e vertebrados da querela democrática. (NB: sei muito bem que o que digo a e desses jovens quadrúpedes lhes não entra por um ouvido e sai pelo outro – pela elementar razão física de o som não se propagar no vácuo. Mas ainda assim digo, que ele há por aí muita e muito boa gente, e séria, e até da secção adulta do PSD/Pombal, que quer ouvir.) Espero que os próximos actos eleitorais voltem a ser maioritária e decisivamente orientados por adultos. Nenhum crescido há-de gostar, como eu não gosto, desta espécie de versão porno-laranja dos Livros da Anita.
9. Termino com duas referências que reputo de suficiente importância epilogar:
a) Narciso Mota – não o julgo capaz da equidade (nem da dignidade institucional) de, por exemplo, um doutor Luís Garcia no exercício do cargo de fiel-da-balança da Assembleia Municipal. E o meu amigo Henrique Falcão também não, aposto. Seremos só os dois a pensar assim?
b) Nota positiva – do PS à CDU e ao CDS, o envolvimento de muitas pessoas decentes, cidadãos e cidadãs comuns, capazes, sérios, interessados e desinteresseiros. Foi um ganho: porque a Democracia é feita de e para pessoas, não de bandeiras e outros lixos coloridos. E se foi por uma derrota que esta crónica começou, é com esta afinal vitória que termina. Que se lembre essa gente de que uma alternativa séria e viável leva pelo menos quatro anos a vestir-se. Por isso, Adelino Mendes, vê lá se, nos entretantos que daqui vão até 2017, és capaz de ajudar a construir uma alternativa viável e séria: uma de seriedade igual à tua, de genuína pombalidade como a tua e com um nome diferente do teu.

Verdes são os campos

No Alto dos Crespos há poesia no ar e dinheiro no chão. Não num, mas em dois campos de futebol (um deles polidesportivo) crescem pastagens e devia crescer também alguma vergonha na cara dos autarcas: há clubes nas redondezas que agradeciam um espaço como aqueles para treinar ou jogar. Depois do muito que vi e ouvi ao longo das últimas semanas, fica claro que a filosofia/critério para conseguir espaços e apoios (exibidos como se fossem medalhas, nalguns casos, por parte das direcções das colectividades) é elementar, meus caros: quem não chora não mama. E quem sabe chorar com o timbre certo e a côr adequada, tem tudo o que quer. Mesmo que a utilidade seja...nenhuma.

4 de outubro de 2013

Análise à análise da esquerda

Depois se ler alguns comentários sobre a interpretação que alguns atores políticos de esquerda locais fizeram e continuam a fazer aos resultados eleitorais e à vontade e motivação dos eleitores, parece-me que a esquerda local continua a sofrer de dois vícios estruturantes: dogmatismo e arrogância intelectual. Não aceitam que se questionem as suas soluções políticas, como se fossem verdades absolutas, e exibem-se como intelectualmente superiores, menorizando os que seguem por opções diferentes e assumindo-se como paladinos das liberdades dos outros, mesmo dos que os recusam.

Afinal…

Quem lê e ouve os comentários dos líderes políticos locais sobre os resultados eleitorais locais só pode concluir o seguinte: afinal o PSD foi o grande derrotado e todas as outras forças políticas obtiverem bons resultados!

Se duvidas havia sobre as razões do desastre, estão esclarecidas.

PS: Acho que não se trata de cegueira, mas, simplesmente, de querer cegar os outros. Uma tristeza!

A Feira de Artesanato e as Tasquinhas

Começa hoje e prolonga-se até domingo a XX Feira Nacional de Artesanato e Tasquinhas, no Expocentro. Qualquer um percebe que, este ano, a preocupação do cartaz (que é, afinal, uma colecção dos cartazes anteriores) foi comunicar ao público que o evento faz 20 anos. Eu até percebo a intenção dos serviços da Câmara, no sentido de homenagear Narciso Mota e o seu primeiro executivo.
Mas preferia ver menos preocupação em agradar para dentro e mais preocupação em fazer para fora: o programa de animação é de uma pobreza confrangedora. Com tanta gente a fazer boa música popular em Pombal (de Abiul à Ranha), custava muito levá-los ao palco da feira? E os Ranchos? Não vos parece natural que ali se exibam? Restam então os Semibreves, da Ilha, que actuam no sábado à noite.
A nota positiva da feira vai mesmo para a presença de "novos artesãos" que estão a nascer em Pombal (e no resto do país) fruto do desemprego e do resto. Estou certa de Gentil Guedes (que sonhou esta feira há 19 anos, ao lado do benemérito Nelson Lobo Rocha) merece um brinde nos dias que se seguem. Gosto sempre de lá ir e lembrar-me das primeiras Tasquinhas (ali onde hoje fica a zona desportiva), dos ossos de Almagreira, da sopa da Mata Mourisca ou do galo na púcara da Ilha - que acompanhavam uma feira chamada Falpom.
Bons petiscos!

2 de outubro de 2013

Atualizem-se

O site da CMP informa que o Passe Mensal de Estudante que frequenta a Escolaridade Obrigatória é gratuito. No entanto, os motoristas estão a obrigar os miúdos a pagar bilhete e os serviços camarários responsáveis pelos PomBus dizem que a gratuitidade é só até ao 9.º ano.

Será que esta gente sabe o que é a escolaridade obrigatória? Senão sabem, proponho a frequência das Novas Oportunidades (agora CQEF).

A ressaca das eleições

Alguns vencedores revelaram-se pela arrogância na vitória enquanto alguns derrotados, que desvalorizam a vitória dos adversários, mostraram a justiça do resultado. Não foram tiradas consequências políticas dos resultados e ainda não foram esquecidos os excessos da campanha, o que revela que a sensatez é qualidade ausente.
Dos sinais das eleições, apenas a algazarra da propaganda sonora política e a correria dos candidatos terminaram. As enormes carantonhas dos candidatos e a restante propaganda gráfica continuam expostas, como símbolos de esbanjamento e imagens de poluição visual.

1 de outubro de 2013

Sacralização dos independentes

O aparecimento de candidaturas independentes, especialmente ao nível das freguesias, teve como efeito o maior envolvimento das populações e, consequentemente, a redução da abstenção. Este facto, aliado à tradicional tendência de diabolizar os partidos políticos, criou a ideia de que a salvação da democracia está nas candidaturas independentes. Nada mais falso!

Como bem disse António Barreto, “se a política portuguesa estivesse entregue aos independentes no parlamento ou nas autarquias, Portugal era um caos absoluto". Segundo esse sociólogo, os partidos políticos "são factores de racionalidade e de sistematização das ideias e dos programas e isso são factores de estabilidade”. Isso não quer dizer que os partidos não se reinventem, não se tornem mais permeáveis aos sinais vindos da sociedade. Antes pelo contrário: ou os partidos repensam seriamente a sua praxis, eliminando dogmas e clientelismos, ou o sistema democrático será posto em causa.

Há muitas formas de integrar os cidadãos na vida política. Uma delas é através da possibilidade de candidaturas independentes. Mas, se olharmos para as candidaturas mais mediáticas surgidas nestas eleições, vemos que de independente têm muito pouco. Outra, talvez mais eficaz, poderia ser através da criação de orçamentos participativos ou de conselhos consultivos municipais.

Deixo um repto à nova Assembleia Municipal: criem condições para a existência de um orçamento participativo em Pombal e promovam todos os esforços no sentido de envolver uma grande percentagem da população na sua discussão.

Temos é que ser Gente!*

"Uma pessoa pertence deveras e de facto a todo o sítio cuja gente lhe faça falta" escreveu aqui um dia o Daniel Abrunheiro, meu velho camarada de jornais e da vida. É verdade, verdade absoluta. Foi por me sentir pertença da terra, por me faltar outra gente, que aceitei o convite do Carlos Lopes para integrar a candidatura à Junta de Freguesia de Pombal, pelo Partido Socialista. Sabia bem no que me estava a meter, no vespeiro que poderia acordar ao saltar das páginas de papel ou do computador para a rua, onde, afinal, está a realidade. Hoje sei que pelo menos uma vez na vida toda a gente deveria passar por esta experiência, a de descer ao centro da terra, dar a cara e o peito às balas. Envolver-se até à medula. Ver de perto o que resta da nossa gente. E perceber como é que se constroem maiorias absolutas, ao longo de 20 anos. Digo-vos isto com a maior das angústias, depois do muito que vi nas últimas semanas: O nosso dinheiro está enterrado em associações sem qualquer actividade (um almoço convívio por ano não pode justificar nada) , em balneários cheios de bolor e polidesportivos onde cresce o mato - e pastam as cabras, como tão bem lembrou o candidato da CDU à Câmara, no debate do Teatro-Cine, promovido pelo Jornal de Leiria, durante a campanha. Dir-me-ão que é disso que o povo gosta. Talvez. Mas qual povo?
Vamos, então, por partes.

1. Os resultados eleitorais são o que são. O PSD perde votos mas continua a ser esmagadoramente o partido mais votado, varrendo o PS outra vez do mapa das freguesias - este até consegue a eleição de mais um vereador (uma vereadora, a Marlene Matias), mas sabe a muito pouco para o que deveria ser o objectivo alcançado. Como continuo livre como dantes, considero igualmente que não há oposições fofinhas. Não podemos votar contra os subsídios às associações porque depois os dirigentes levam a mal? Podemos pois. É preciso mostrar às pessoas que essa não é a maneira que defendemos de gerir os dinheiros públicos. E mostrar-lhes outro caminho, todos os dias, e não apenas de quatro em quatro anos. 

2. Mais do que perder votos, os partidos não deram conta de que perdemos muita gente nos últimos dois anos. Os 63% de abstenção na freguesia de Pombal e os 55% no concelho deviam servir de alguma coisa aos que agora foram eleitos. Não se trata apenas de um desinteresse instalado na população. Trata-se da falta dela. Como é fácil perceber, quem teve de emigrar (sem trabalho, sem salário, com dívidas e filhos para criar) não foi gente do sistema. Não foram funcionários da Câmara nem das Juntas. Mas foi muita gente. Milhares. Fui percebendo isso mesmo ao longo da campanha eleitoral, quando percorríamos de uma ponta à outra os lugares da freguesia de Pombal. As casas fechadas,  as escolas vazias e entregues a associações de âmbito nacional (Pombal é um espectáculo, bem podem dizê-lo). Os velhos sozinhos (alguns em situação de abandono). Não sei se alguém os terá ido buscar para os churrascos que dominaram a campanha do senhor Nascimento Lopes para a Junta de Freguesia. Mas o mínimo que vou exigir do novo executivo é que olhe por esta gente. Pela nossa gente. Era o que faríamos se o eleitorado tivesse optado pelo nosso projecto. Sendo assim, temos de nos remeter ao nosso papel de oposição: crítica quando tiver de ser, vigilante, construtiva quando tiver de ser, mas sobretudo actuante. Fica já aqui escrito, para não haver dúvidas. Enquanto escrevo lembro-me das palavras sábias do camarada Adelino Malho, certa vez, quando trocávamos conversa sobre o andar da carruagem nas eleições: "às vezes há frutos que não amadurecem tão depressa como gostaríamos". Tinhas razão (como quase sempre).

3. Passada a tristeza por todo este estado de coisas, é hora de embalar essa trouxa e farpar. Não o fiz durante toda a campanha eleitoral porque tive a sorte de nascer numa casa onde pai e mãe me ensinaram valores que carrego para a vida inteira. Tenho muita pena dos pais que não conseguiram fazer o mesmo com os filhos. Tento fazê-lo com os meus todos os dias, para evitar que sejam alinhados "porque sim" em carreiros de formigas ou rebanhos coloridos, num plano de catequização que é preciso combater.
Na causa pública move-me - hoje mais do que nunca - a vontade de fazer desta uma terra melhor para os meus filhos . E para nós também. Sei que a partir de agora nada vai ser como dantes. Pombal não precisa de ser mais, precisa é de ser melhor. É um bom prenúncio o regresso à vida política do CDS, mas sobretudo da CDU. Se por acaso estas eleições tivessem sido decididas pela maioria do povo, essa sim seria uma grande vitória. Como a de Ana Tenente em Vila Cã (que não conheço, mas que tem a minha admiração desde a entrega da lista, depois de ter sido excluída como candidata natural pelo PSD) e de Sandra Barros, em Abiul, que sem dar por ela ganhou a Junta para o CDS. Uma lição da serra.

*como dizia Zeca Afonso

Escolhas que não lembram ao diabo (VI)

É fácil ou difícil ganhar eleições (autárquicas)? Depende: do nível de capacidade e de aselhice de uns e de outros.
Em Abiúl foi fácil demais, tal o nível de aselhice e de soberba do alapado poder.
 A rapaziada até só queria participar e incomodar. Mas foi obrigada a ganhar.

Ele há coisas…!

30 de setembro de 2013

Autárquicas, por cá e por lá

Por cá, como em muitos municípios deste país (Porto, Lisboa, Matosinhos, etc.), os eleitores disseram que sabem escolher e que não aceitam que os aparelhos partidários lhes imponham candidatos. Disseram também que sabem impor grandes derrotas ou reduzir a votação em relação aos “dinossauros” que se habituaram a sair sempre vencedores (Porto, Matosinhos, Madeira, etc.), aqueles que anulam o debate interno e o direito à crítica e à opinião e afastam as cabeças pensantes que sejam potenciais adversários, empobrecendo e enfraquecendo os respetivos partidos.
Por cá, vimos uma redução de votação no partido do poder, duas opções novas nas juntas, dois partidos a regressarem à AM e um partido a ser varrido pela 2ª vez do mapa político-eleitoral das freguesias…

O que se aprendeu por cá? Que consequências?