20 de fevereiro de 2014

SE NÃO CONTAREM COM O JOÃO, ENTÃO COMIGO TAMBÉM NÃO Ou CRÓNICA SOBRE A BALBÚRDIA QUE ANDA A SER AQUILO DA ASSOCIAÇÃO DE PAIS

Eu já fui professor do então denominado 8.º Grupo B do ensino secundário. Aconteceu noutro século. Nesses já remotos anos, a minha Escola era o louriçalense Instituto D. João V. E a vida era boa como cerejas frescas. E dava para pôr um “V” antes do segundo “E” de “cerejas”. Adiante.
Entre 1989 e 1993, a minha Escola era, como disse, o louriçalense Instituto D. João V, estabelecimento então muito menos famoso do que agora, mas por boas razões: os professores davam aulas, os alunos tinham-nas e a Associação de Pais local era uma remota eventualidade mais do foro da ficção científica do que da pragmática quotidiana do regular funcionamento lectivo. Mas adiante de novo.
Aconteceu que, em 1990 primeiro e logo depois em 1991, este V. cronista foi convidado pelo Conselho Directivo da Escola Secundária de Pombal a vir à estimada e prestigiosa instituição que tantos bons frutos deu já à Pátria e até a Vermoil. Aceitei. Motivo do convite: palestrar e aconselhar os então décimo-segundo-anistas relativamente à famigerada PGA (Prova Geral de Acesso, espécie de funil artificioso com que o ME de então queria justificar o numerus clausus do acesso ao Superior). Disse que sim e vim. Fui muito bem recebido, tanto em 90 como em 91. Tenho até dois certificados carimbados e tudo que atestam que V. não aldrabo. Acho que os miúdos aproveitaram alguma coisa. Eu também. E pronto: num fósforo, já lá vai um quarto de século quase. Pelos meus 30 anos, deixei o ensino como ganha-pão e ingressei no jornalismo. Asneiras da juventude, que hoje amargo com língua-de-palmo. Ou não. Mas adiante ainda, que o bingo ainda não é aqui.
Estabelecido o contexto nos primeiros parágrafos, ataco agora o assunto que deveras aqui me trouxe. E o assunto que deveras aqui me trouxe – é o da balbúrdia que pela mesma Secundária pombalense parece andar (e anda) grassando e desgraçando quase tudo e quase todos, do mais ínfimo bicho-careta ao mais autoproclamado senhor-doutor-da-mula-ruça-dá-lhe-o-xarope-para-que-ela-não-tussa.
Garanto-vos que em 1990 não era nada disto: professores eram professores, pais eram pais, directores eram directores, alunos eram alunos – e a mais, ninguém se sentia obrigado. Agora, nada disso. Agora há professores que querem ser pais e professores ao mesmo tempo e na mesma Escola. Praticamente, moram lá, só devem ir a casa escovar os dentes e mudar a areia ao gato. Parece-me que secundária, para eles, é a missão educativa, porque primária é a tentação de mandar alguma coisita, já que se calhar em casa não mandam nada. Ou então, se calhar, esta zaragata de vespas, por assim dizer, nasceu da mesma confusão originada pelo abate/fusão de freguesias. De freguesias e de agrupamentos. Puseram, por exemplo, o agrupamento da Marquês a chuchar – e agora é o que se vê: uma cacofonia de tachos vazios tão grande, que ele é alumínio amolgado por tudo quanto é sítio. Alumínio e até casais casados tão bem habituadinhos a mandar naquilo que, até por lei, nem é deles.
(Abro aqui parêntesis por necessidade de clareza, teatrice de àparte e injecção de piadola. A coisa vai em maiúsculas como se eu estivesse no palco do Teatro-Cine a mandar bojardas gilvicentinas para gáudio da geral plateia: ENTÃO E SE O JOÃO FARIA TIVESSE FEITO E TIDO E MANTIDO FILHOS? PODERIA O BOM JOÃO CONCORRER, ELE TAMBÉM, À ASSOCIAÇÃO DE PAIS DA SECUNDÁRIA? HUM? PODERIA OU NÃO PODERIA? OU TAMBÉM LHE DIRIAM QUE ELE NÃO TINHA LÁ CABIDELA PORQUE NÃO TEM CURSO SUPERIOR E PORTANTO NEM SABE FAZER ACTAS NEM PODE DAR RELIGIÃO E MORAL? HUM? Fim de parêntesis.)
Ora, como vos dizia, tudo isto me cheira ao mesmo esturro da politiquice baixa tão à moda e ao gosto da cena pombalense. Cheira-me, até, a cera fria de sacristia, um não-sei-quê de saiotes à Opus Dei fantasmando vigaricezitas em nome do é-tudo-por-Deus-mas-começa-por-mim. Cheira, cheira. E por me cheirar a essa ímpia e falsa piedade, dou-lhe de machado. Claro. (Até já estava a demorar o trocadilhozito, não estava? É mais ou menos por esta altura que por exemplo o Zé Gomes Fernandes se começa a rir, esse meu Amigo que tão calado tem andado em relação à ETAP desde que os maiorais de lá também foram mudados.) Mas o bingo é ali em frente e não há-de ser ele a vir a nós. Vamos pois nós a ele com esforço, dedicação e devoção, que a glória é certa, a acreditar no Sporting.
Eu não lhe chamo ilegal, mas chamo-lhe imoral, até regimentalmente. A quê? A quem? Ora, a ser prof. e pai e tudo ao mesmo tempo – nem que seja para que mais ninguém o possa ser. E acho perfeitamente tenebroso que a Educação deixe de ser efectiva e genuína causa comum para ser apenas a gamela onde refocilam lavagens uns quantos bacoritos ávidos de projecção social que nem sequer desconfiam que, lá ao fundo dos 40, 50, 60 anitos está a moléstia à espera de nos tornar a todos clientes da Guida da Funerária. E que a vida é curta. E que a vida é preciosa de mais para ser desperdiçada nestas questiúnculas de auto-afirmação sempre (MAS SEMPRE) em detrimento dos outros. E que nem nos próprios filhos pensam, ocupados que estão na ilusão de, em vez de um Opel Corsa a cair aos bocados como agora, virem a ter na garagem nem que seja uma terça parte dos calhambeques de luxo como os Madamas, esses campeões do sorteio das facturas, pois assim foi que juntaram tanto Ferrari, ó bom Deus!
Se eu posso dizer isto?
Posso – porque sei o que digo, sei do que falo – e porque, referindo-me afinal a toda a gente, particularizo ninguém. Não é assim, ó meu bom Amigo Manuel António, que em vez de andares sossegadinho lá pela nossa Guia ainda te dás ao triste luxo de ensinar a gente que estas coisas do poder são muito lindas mas têm de ser legítimas. Que para se ser bom docente, decente há que ser também. Que os Conselhos Gerais têm precisamente de ser isso – Gerais, não propriedade privada de meia-dúzia de malacuecos que fazem vista-grossa à incontornável obrigação de a barcarola da Educação ser remada por todos e na mesma direcção, de professores a alunos, de pessoal não docente a pais, com uns pós de Câmara (mas não muitos, caso contrário lá me cheira outra vez a sacristia politiqueira), de entidades locais e… do João Faria, que mesmo, ao que se saiba, não sendo pai, nem sabendo redigir actas à “doutor”, também no meu tempo ia ao Instituto do antigo Louriçal mostrar aqueles calhauzitos carregadinhos de sinais dinossáuricos.
Como dinossáurica também me parece, à pombalense moda, esta afinal ridícula trauliteirice de uns zés-marias-afinal-ninguéns que, sem ao menos uma associaçãozita de pais, nenhuma marca deixariam.
Nem pela tal PGA passariam com aproveitamento. Pela PGA ou por mim, que também fui professor, que também sou pai mas nunca me dei à triste sina de querer mentirosamente parecer o que o ser verdadeiramente me nunca deu.
Ite, missa est. Ide em paz.

19 de fevereiro de 2014

Beneméritos?

As empresas municipais foram o instrumento utilizado pelas câmaras municipais para quebrar os mecanismos de controlo da administração pública, para criar empregos para os boys e para proporcionar retribuição adicional a muitos autarcas. Em Pombal serviram os dois primeiros desideratos.
Os abusos dos autarcas obrigaram o poder central a colocar alguns entraves, nomeadamente a não acumulação de remunerações e a remuneração de um só administrador. Compreendem-se as opções do legislador, porquanto as empresas municipais abarcam atividades da esfera de ação do executivo camarário. Parece claro que, tendo o legislador estabelecido que as empresas municipais teriam três administradores e só um remunerado, os cargos não remunerados deveriam ser exercidos pelo presidente/vereadores eleitos. E em Pombal foi essa a prática nos mandatos anteriores.
Atualmente a PMUGest é administrada por um conselho de administração com um presidente não remunerado, uma administradora não executiva não remunerada e um administrador executivo remunerado.
Administrar uma empresa municipal é, também, administrar dinheiros públicos (nosso). A função envolve exposição pública e responsabilidade politica, civil e criminal que, pelos vistos, o presidente da câmara e os vereadores não querem (mas deveriam) assumir.
O que leva, então, profissionais respeitados a assumir funções de tamanha responsabilidade sem retribuição?

Praxes de morte

“Faz parte”, era a expressão que desde há alguns anos tenho ouvido de algumas mães em resposta às minhas posições anti praxe académicas. Resposta que era, simultaneamente, uma concordância com os conteúdos das práticas e uma justificação dos seus passados estudantis na participação em tais práticas sem qualquer utilidade.
A falácia da integração dos estudantes caloiros esconde a realidade com que alguns pretendem retirar prazer da humilhação e do sofrimento de outros. Entendo que não são necessárias grandes reflexões para se compreender que mesmo as simples “brincadeiras” da praxe acabam sempre por evoluir para o abuso e para a violência física ou psicológica, organizada e dirigida por cábulas com o consentimento inicial das vítimas e a cumplicidade da sociedade e das Universidades.
As consequências trágicas recentes das praxes estudantis são apenas um exemplo extremo de tantos outros atos de violência não divulgados e que a sociedade tem encorajado, inclusive nas escolas secundárias do nosso concelho e da cidade de Pombal...
As mentalidades, os usos e as modas também se mudam. 

17 de fevereiro de 2014

Anatomia de um órgão: a Associação, os pais e os amigos deles


Há precisamente um mês, no dia 17 de Janeiro, o hall da Escola Secundária de Pombal fervilhou de actividade. Decorreu ali a eleição dos representantes dos pais e encarregados de educação do agrupamento de escolas de Pombal (esse monstro criado pelos organismos ditos competentes, que abalou a vida e a organização das várias escolas) para o Conselho Geral Transitório, com uma impressionante e saudável afluência de pais. A eleição acontecia depois deste post do Adelino Malho, daquela reunião em que também estive, e de tentativas feitas pela Associação de Pais no sentido de "eleger" ao estilo nomeação os quatro representantes, em reuniões posteriores.
Com a chegada de uma convocatória a casa de todos os pais - enviada por correio, em nome dos mais de três mil alunos - pareceu-nos (a mim e a outros pais igualmente críticos daquele modus operandi de uma instituição que se auto-elege, entre si) ver ali alguma reposição de igualdade e justiça. Dizia a convocatória - assinada pelos presidente das assembleias-gerais das duas associações de pais do agrupamento (há outra associação, na Redinha) que "as listas deveriam ser entregues até às 17h30". Assim fizemos. Pairaram dúvidas durante quase duas horas sobre a aceitação de uma lista de pais que não emanava das Associações. A presidente da Associação de Pais do Agrupamento - que também encabeçava uma lista para os representantes dos pais no Conselho Geral - tinha aproveitado a ocasião para reunir, ali ao lado da mesa eleitoral, os pais representantes das diversas turmas, de todas as escolas e níveis de ensino. Manifestou-se desde logo contra a existência de qualquer outra lista. Mais tarde, haveríamos de perceber que aquela atitude era um mal menor, perante o que estava para vir.
Com a confusão instalada, muitos pais acabaram por abandonar a Secundária sem exercer o legítimo direito de voto. Os que ficaram, assistiram ao momento em que a presidente da mesa eleitoral decidiu aceitar a proposta em causa, e dividiram-se entre 66 votos a favor da lista A e 58 da lista B, mais cinco brancos e três nulos.
E assistiram também ao momento hilariante em que a presidente da Associação quis votar duas vezes, e depois à cena final, quando rasgou o boletim de voto, à frente de todos. Só não assistiram ao rol de peripécias que ocupou o último mês, em que houve lugar para tudo, tentando impedir a todo o custo que as duas mães eleitas pela lista B nunca chegassem ao conselho geral. Vou dispensar os leitores do Farpas dos pormenores mais sórdidos e lamentáveis, por ter chegado à triste conclusão de que não há limites para a ânsia de poder. Chegámos ao ponto do Conselho Geral cessante receber duas actas: uma legitimamente redigida e subscrita pela presidente da mesa eleitoral, e também da mesa da assembleia geral da Associação de Pais do Agrupamento, e outra presumivelmente feita pela própria presidente da direcção da Associação, com um conjunto de assinaturas que a própria recolheu juntos de diversos elementos.
Esta manhã, os diversos membros eleitos para o Conselho Geral Transitório foram finalmente convocados para tomar posse, ao lado dos representantes de alunos, professores, pessoal não-docente, Câmara Municipal e outras entidades locais. Perante a novela em que se transformou o caso, ficam-me algumas dúvidas:
1. Haverá petróleo, ouro, ou outra riqueza escondida nas reuniões do Conselho Geral?
2. O que leva uma Associação de Pais e mover céus e terra para impedir que pais e mães comuns participem da vida das escolas e do agrupamento, quando seria de esperar alguma satisfação pela participação que é quase sempre escassa?
3. Vale-se a Associação de pais de um regulamento interno - que nunca foi aprovado em assembleia geral de pais, para considerar "não válida" uma lista de pais comuns. E por isso, estava pronta a eliminar essa lista, deitando fora o voto de 58 pais. Por que razão todos os outros membros são eleitos pelo método de hondt, e insiste a Associação na regra de maioria para a representantividade?
4. Se é certo e constitucional que quem elege também pode ser eleito, qual é o problema, afinal?

Por estes dias, tenho-me lembrado mais do que nunca das palavras do padre Ulisses, quando chegou à paróquia do Louriçal, em finais dos anos 70:
- não queiras ser muito beata...
Haveriam de passar muitos anos até lhe perceber, em toda a dimensão, a grandeza das palavras. Pregar a moral, a religião e os bons costumes é fácil. Praticar é que é pior.

Original

Na entrevista (?) ao Região de Leiria, Diogo Mateus anunciou uma medida que classificou de original: a mudança das finanças para o (desocupado) Centro de Negócios. Tem razão, a medida é original. Poucos se lembravam de colocar a raposa junto das galinhas.
Quando se fazem obras por fazer, dá nisto: ficam desocupadas ou cedem-se a estranhos.

12 de fevereiro de 2014

Uma preocupação legítima


Faço eco a uma preocupação legítima:  a eventual expansão das duas pedreiras existentes no concelho de Pombal, previstas na proposta de revisão do Plano Director Municipal (PDM). Segundo o Grupo de Protecção Sicó (GPS), “a área que se prevê de aumento é extremamente exagerada e levantam-se muitas dúvidas quanto à sua possível recuperação. E como grupo não gosta de ficar pelas palavras ocas, elaborou um extenso relatório que submeteu à Câmara Municipal no âmbito da discussão pública do PDM que decorreu até 29 de Janeiro.

O impacto paisagístico das pedreiras do concelho de Pombal é uma evidência. Perante o crescente desinvestimento nas grandes obras públicas, será que se justifica continuar a destruir o nosso património natural de forma tão ostensiva? 

E se fosse uma tempestade a sério?

Estrada do Casalinho, perto do Açude, ontem às 12 horas. Foto dos BVP

- perguntava-me alguém esta manhã, depois de ver algumas fotos que mostram o que aconteceu nos últimos dias neste triângulo do Litoral (como lhe chama a Maria Luís Brites) desenhado por Leiria, Marinha Grande e Pombal.
Pois. Se fosse a sério, com muitos estragos e desalojados como vemos noutros pontos da Europa e do mundo, seria um problema sério também. É que por cá temos dois problemas: o constante improviso por parte das autoridades (ainda um dia me vão explicar para que servem tantos planos municipais e nacionais de emergência) e a incúria por parte do cidadão comum, daquele que vai tirar a foto da onda ou do pinheiro mesmo a cair.
Por Pombal, temos sempre o açude como cartão de visita. A diferença entre Abril do ano passado e estes dias é a liderança e respectivos braços. Como agora o comandante dos Bombeiros Voluntários e o da Protecção Civil municipal são uma e a mesma pessoa, isso deve ajudar nas operações. Por outro lado, o gabinete de propaganda imprensa municipal tem sido exímio na divulgação de informações (depois não admira que haja por aí uma certa confusão entre o que é uma coisa e outra...
 E pronto, tudo está no seu lugar, graças a Deus. Até a água.

10 de fevereiro de 2014

Desbarate

A maioria do PSD na CMP continua a construir parques de estacionamento subterrâneo, mesmo sabendo que não tem clientes para eles (nem para os da superfície). Nos últimos tempos derreteu mais 1,8 milhões de euros no parque do Largo S. Sebastião.
Como não tem clientes para o parque resolveu cedê-lo, gratuitamente, aos moradores. Um luxo! Da maioria estamos falados.
E a oposição o que pensa? Que é pouco! Que a câmara deveria ter construído mais um piso!

No desbarate estão alinhados: a maioria diz mata, a oposição diz esfola!

Desfaz & desfaz

Os políticos deveriam saber que é fácil desfazer, mas é difícil e arriscado erguer. Se o soubessem, não obedeciam tanto ao instinto da ação, avaliavam melhor os custos e os benefícios das medidas e ponderavam melhor as decisões.
A decisão de retirar a feira do Largo do Arnado é um bom exemplo de insensatez política. Na altura, alegaram - contra a opinião das forças vivas locais - que a feira perturbava a vida do bairro e que o largo era pequeno para a feira. Esqueceram-se que o que mais perturba é o silêncio e que a feira era a última âncora do comércio tradicional e o único evento que atraía, regularmente, as populações rurais à cidade. Com a transferência da feira para a desfalecida zona industrial deram, de uma assentada, a estocada final no comércio tradicional e na feira.
Agora, ao anunciaram que a feira retornará ao Largo do Arnado – de onde nunca deveria ter saído – corrigem um erro que nunca deveriam ter cometido. Contudo, a feira que saiu do Largo do Arnado não é a que lá retornará. Entretanto, o largo é grande demais para a feira.

6 de fevereiro de 2014

A visitinha da praxe



Como aqui já foi dito e redito, nosso Diogo resolveu dar um saltinho a Barcelona “para observar as boas práticas internacionais no que toca à inclusão”. Nada contra. Mas não me sai da cabeça que foi precisamente depois de uma visita à mesma cidade que o grande Narciso Mota teve a brilhante ideia de construir um teleférico em Pombal. Se, como mandam as praxes, o pupilo seguir o mestre, podemos contar com a Igreja Matriz transformada em Sagrada Família. Mas com uma rampa para os deficientes motores, claro está.

5 de fevereiro de 2014

Centro de Interpretação e Museu Sicó

A Câmara Municipal de Pombal vai avançar com a construção de um edifício em Poios, Redinha, para pretenso apoio turístico ou estudo na Serra do Sicó, onde irá gastar entre 2.200,000,00 a 2.800.000,00 (conforme a fonte da informação publicada). Ou seja, cada pombalense vai pagar cerca de €50,00, incluindo velhos, crianças e os que emigraram recentemente, para além do que irá pagar em manutenção e funcionamento e para além do que irá pagar na construção dos museus de Santiago de Litem, de Mota Pinto, etc.
Ao contrário da justificação esfarrapada que li transcrita em ata, a utilidade é muito inferior aos sacrifícios dos contribuintes. Continuamos a assistir à construção de “elefantes brancos” à custa do empobrecimento e/ou insolvência dos contribuintes e a Câmara Municipal continua a adquirir ou construir edifícios, a fabricar espaços para novos empregos públicos e a substituir a iniciativa privada.
Faz muito mais Fernando Mota (e também Filipino) pelo desporto (BTT) e pelo turismo na Serra do Sicó, a abrir e a manter trilhos sem qualquer subsídio ou apoio público ou medalha, do que a Câmara Municipal a gastar milhões para a fotografia…

30 de janeiro de 2014

MAS QUE RAIO FOI O DIOGO FAZER A BARCELONA e/ou O AFINAL NÃO TÃO ESTRANHO QUANTO ISSO CASO DO “MAIL” QUE SE DESFERNANDESOU


O meu regresso às lides do nosso Farpas Pombalinas (sítio-net entretanto promovido a espécie de sucedâneo do Povo Livre, ao que ouvi rosnar por aí) não poderia nunca deixar de meter preâmbulo de gratidão à suave e gentil senhorita Joana Coucelo. Deve-se o exórdio agradecedor ao facto de ter sido ela (ela, Joana) a fazer-me descobrir que o bom Adelino Malho é, quando escreve, como eu quando bebo: “sumo”, nem vê-lo. Pronto: posto isto, vamos à trabalheira.
Vossemecês poderão desconhecer que motivo levou o bom Diogo, o nosso D. Sebastião finalmente retornado, a ir ali a Barcelona com a mesma urgência com que nós, no campismo ou nos intervalos dos bailaricos, vamos ali atrás daquela árvore. Desconhecê-lo-eis Vós. Mas aqui o “je" não desconhece, olha quem!
1) Eu sei porquê.
2) E para quê.
3) E por causa de quem.
Começo pela última parte: foi por causa do meu trovejante Amigo Man’el Rodrigues Marques, que tão depressa é capaz de falar alto como de (não) mandar mails pela calada.
E os pontos 1) e 2)? Fácil: o nosso Edil pós-Meirinhas foi a Barcelona precisamente à procura do mail que o Man’el d’Albergaria dos 6+6, se calhar inadvertidamente, para lá enviou mas que, chegar, nunca chegou. Nunca chegou a quem? Ora, ao bom Zé Gomes Fernandes, esse paladino do debate livre que já tem tão boa idade para ter o juízo suficiente de perceber às primeiras que “debate livre” e “PSD/Pombal” estão um para o outro como a Guida da Funerária para as maternidades.
E por que espécie terá feito o Man’el escrever electronicamente ao Zé para as bandas onde joga o Messi? Fácil também: porque o Zé Gomes Fernandes e o Adelino Malho andam muito os dois, isto é, de bicicleta. E de bicicleta vão mais longe, muito mais longe, do que na política. Já ouvi dizer que até já chegaram quase a Manteigas mas voltaram para trás por lhes terem dito que agora andavam a chamar Brokeback Mountain àquelas paragens altas. (Ainda um dia, aliás, hei-de eu aqui farpear crónica a propósito das peregrinações ciclísticas Malho/Fernandes pelos arredores da vida a quilómetro, colorindo de manilhas à Carrasqueira e de tout-venant à Narciso as beiras das estradas que eles pedalam com tanto garbo. Prometo.)
Ora, nisto, é claro que o nosso Diogo não sabia que o tal mail do Man’el era para o Zé se não esquecer do torneio de dominó naquela sala que cheira a peixe (ou a peixeirada, por causa do mercado em frente) a que a malta se habituou a chamar sede do PSD/Pombal. Chegado à capital da Catalunha, o nosso Eleito Mateus é claro que não deu por lá com convocatória alguma. Deu, sim, com aquela catedral muito esquisita dedicada à Expiação da Sagrada Família, espécie de barraca desenhada sobre os joelhos por um gajo chamado Gaudi, gajo que suponho tenha sido o mesmo a projectar aquele “peido-geométrico”, como se diz em Coimbra, que é a igreja da Guia. Mas adiante, se não o Celestino Mota ainda pensa que eu só me refiro ao Gaudi para dizer mal dele (dele, Celestino).
Vem daí, regressa o Diogo às pastagens do Arunca – e logo a ele acorre, pressuroso, aflito e gozão,  o nosso Man’el 6+6. Sigamos, como se moscas fôssemos, o capitoso e ominoso diálogo entre ambos.
– Ó Diogo, e que tal, o mail?
– Eh pá, ó Man’el, metes-me em cada uma que nem o Faraó anterior, pá, fartei-me de procurar e nicles-batatóides.
– Porra, pá, porra-porrinha-porreta, isto assim ainda acaba no Farpas.
– Ó pá, não seja por isso: queres tu que eu mande ali o Orlando fazer um desmentido a entalar o Zé Gomes?
– Poça, prez’dent’, também não é preciso exagerar: se fosse o caso de ser preciso escrever, tinha de não ser com os pés.
– Atão manda-se um dos clementinas bitaitar umas brilhantinices pimponas “quaisqueres”.
– Pior a emenda, ó Autarca da Longa Espera e Maior Paciência, pior a emenda: para aves dessas, vou ali ao talho do Adriano e trago quantos franganotes sem cabeça eu quiser. Não: tem de ser no Farpas, tipo assim, anunciamos uma rifa de bicicletas como as do Malho e do Zé.
– Ó Man’el, eu antes queria que fosse no Pombal Jornal…
– Ó pá, ‘tá bem, pá, mas depois sujeitas-te a que ninguém leia aquela porra, pá…
– Também tens razão, de vez em quando também te dá para acertar. Inté pareces o Alvim: perderes a freguesia foi a melhor coisinha que já te aconteceu, pá. Mas olha, já sei! – quase gritou o prez’dent’da’cambra.
(Nota da Redacção: não gritou porque nunca grita, que ele é mais daquele pianinho dos modos da fala que tão bem se aprende no Conservatório da Opus Dei.)
– Atão? – quis logo saber o Rodrigues Mails, perdão, Marques.
–  Eh pá, chama-se o craque dos computadores, o Pedro Martins, lembras-te dele?, aquele que pôs Pombal no lugar da frente da modernização infoadministrativa e a quem nós agradecemos com um coice na braguilha.
– Ah, já sei, o que é casado com a Júlia Paula do Toninho Póvoa, aquela moça que canta o fado de olhos fechados sem que o marido consiga fazer CONTROL+ALT+DELETE. Tou-t’a’ver. Vamos nisso.
E foram. Ora, estava o dito Pedro Martins (que é uma jóia viva de pessoa, talvez o único com que o Autor destes disparates por escrito casaria à moda gay no caso de as mulheres todas do concelho levarem sumiço migratório) ali na Ti’ São, ao Largo do Bacalhau ou das Laranjeiras, a chuchar uns jaquinzinhos com guarnição de migas de repolho criado a penicadas de mijo em quintais traseiros de viúvas baixinhas e artríticas, quando os bons Diogo e Man’el Six-Plus-Six rompem por ali adentro com carácter de urgência a pedir deferimento. Logo o excelente Pedro, que é um gozão daqueles mansinhos, contente de os ver exclama assim:
– Vossemecês os dois por aqui juntos? Até parecem o Gomes Fernandes e o Malho, isto sem desfazer, é claro.
Vai daí, os dois explicam-lhe ao que vêem. Restringindo no esófago o ímpeto gargalhoso, esclarece-os assim o bom Pedro da Júlia Paula do Toninho Póvoa:
– Mas ó gente, isso é o caso mais simples do mundo! O Zé Gomes não recebeu o mail do Man’el porque o Zé Gomes fez o que eu lhe disse há muito tempo para fazer e que eu há muito tempo fiz também: configurar o correio electrónico para, cada vez que aparece o triplo dígito P-S-D, o spam abrir automaticamente.
Nisto, o Man’el pergunta assim:
– Mas q’a porra é isso do spam?
E o Diogo, (sempre) muito paciente, assim:
– Ó pá, é como estes gajos das informáticas chamam ao caixote do lixo.
E pronto, amiguinhos, já por hoje açucarei a bílis.
Voltarei, ameaço.
Se por aí virdes ocasiões, contai comigo, que os Amigos afinal é para  elas que são.

29 de janeiro de 2014

Vem aí a Pombal TV

Já tem página no Facebook e roda por aí em recolha de imagens e contactos multimedia. As rádios locais marcaram os anos 80, os jornais os anos 90, e há muito tempo que não tínhamos nada de novo na área.
A iniciativa parte de dois jovens da terra, cheios de projectos e sonhos. Oxalá os concretizem e a terra os mereça. Porque é preciso é criar desassossego...

27 de janeiro de 2014

Rodrigues Marques através do Farpas

Consta que se realizou no passado sábado uma assembleia da secção do PSD de Pombal, mediante convocatória enviada para os militantes via e-mail.
Porém, alguns militantes não receberam qualquer comunicação, tal como aconteceu comigo e com outros militantes meus familiares. Parece que Rodrigues Marques omitiu a convocação do militante de que não gosta e que o importuna, estendeu a omissão da vingança aos familiares deste e, reiterando a sua habitual conduta tortuosa, cerca das 23 horas de sexta-feira, colocou um comentário no farpas, concretamente no post “Gorjetas nas últimas autárquicas”, a convidar-me para ir votar em Passos Coelho (sem qualquer referência à assembleia), a fim de mascarar uma comunicação que não fez.

Para Rodrigues Marques, o Farpas passou também a servir de meio de divulgação das convocatórias do PSD de Pombal. Pena que eu não tenha lido o seu comentário a tempo de poder comparecer.

25 de janeiro de 2014

21 de janeiro de 2014

“Gorjetas” nas últimas eleições autárquicas

Contaram-me que todos os membros das mesas eleitorais de Pombal, nas últimas eleições, foram presenteadas com €5.00 a título de “ajuda da Junta para o pequeno-almoço”. Um funcionário camarário fez a entrega. Alguns fiscais dos partidos assistiram à entrega. Nada de recibo ou outro comprovativo.
Donde saiu o dinheiro?

19 de janeiro de 2014

Perigo no rio Arunca - III

Depois do 2º post sobre os pilaretes dos guarda-corpos destruídos junto ao rio Arunca, na Urbanização das Cegonhas, constatamos que foram tomadas medidas, embora provisórias, através da colocação de grades metálicas (não fixas) ornadas com fitas plásticas de alerta, raiadas de vermelho e branco.
Parece estar provisoriamente travado o risco, para pessoas e animais, de queda de vários metros de altura para as águas do rio. Resta agora encontrar o caminho para a resolução definitiva e rápida do problema.
O “farpas” também serve para alertar as autarquias para a existência de fontes de perigo nos equipamentos públicos, para erros de decisões e para erros de execução de decisões. Apenas é necessário saber aceitar críticas sem a arrogância do passado recente…
Nós iremos continuar a intervir, com o objetivo de ver o poder político a melhorar a gestão dos interesses públicos…

11 de janeiro de 2014

A verdade a que temos direito

Num assomo de excesso de zelo, o município de Pombal publicou on-line os nomes completos e respectivos valores das indemninizações dos trabalhadores que aderiram ao programa de rescisão por mútuo acordo, no âmbito daquela "operação limpeza" dos funcionários públicos que o Governo incentivou.  
São dez, ao todo, o que representa para os cofres municipais uma despesa na ordem dos 150 mil euros. Qualquer coisa como 1/5 do estádio da Meirinhas, duas ou três obras como a da Féteira.
Mas o insólito não ficou por aqui. Num rasgo de criatividade, o Pombal Jornal chamou o assunto à primeira página: "Saiba quem são os trabalhadores do município que pediram rescisão". Lá dentro, a notícia teria sido correcta se ficasse pelo penúltimo parágrafo, mas o jornal preferiu aderir ao estilo pravdazinho e estampar os nomes das pessoas e os euros que cada uma vai levar, à laia de compensação. 
Talvez lá no jornal ninguém saiba que um funcionário público não é, necessariamente, uma figura pública. E que ainda assim, o acordo é privado. "E por isso só poderia ser tornado público com o consentimento de ambas as partes", tal como me disse ontem à noite Óscar Mascarenhas, provedor do leitor do DN, que durante anos presidiu ao conselho deontológico do Sindicato dos Jornalistas. É que à partida, as notícias que saem nos jornais não devem perder de vista o artº 9º do Código Deontológico: "O jornalista deve respeitar a privacidade dos cidadãos excepto quando estiver em causa o interesse público ou a conduta do indivíduo contradiga, manifestamente, valores e princípios que publicamente defende"(...)
Em tempos, o Diogo Mateus seria o primeiro a apontar o dedo a esta façanha. E em tempos, os jornais faziam mais do que reproduzir as informações municipais como verdades absolutas. Dizia o "velho" Pimpão que "o jornalista é que tem de ser esperto, os outros podem ser todos burros".
Estamos sempre a inovar em Pombal, está visto...



10 de janeiro de 2014

Finalmente!

A laranja, afinal, move-se! Depois de longos anos a defender a abertura dos museus em horários mais compatíveis com a vida urbana (veja-se aqui ou o folheto da CDU de 2005), a nossa autarquia tomou essa sensata decisão. A partir de amanhã, todos os museus municipais passarão a abrir aos fins-de-semana, das 10h às 17h30, encerrando às segundas-feiras. Cabe agora aos responsáveis por essas infra-estruturas ter imaginação para procurar parcerias que permitam dinamizar actividades de qualidade, que envolvam a população, transformando os nossos museus em espaços vivos e cativantes.

Diagnóstico precoce

"Afigura-se-me, de facto, estranho, que uma pequena unidade com pouco mais de 30 camas e dois blocos operatórios seja, de facto, o maior operador privado no domínio SIGIC*". A declaração de Francisco Faro ecoou-me por dias, desde que a SIC anunciou a grande reportagem que esta noite foi para o ar. A mim e certamente a muitos que conhecem de perto esta nova realidade do Centro Hospitalar São Francisco, agora nas mãos da Sanfil, que a apresentadora Sónia Araújo ajuda a vender nos media (da tv à imprensa), nos últimos dias. A grande reportagem do Pedro Coelho deve ser vista com toda a atenção. Depois, num exercício semelhante ao "páre, escute e olhe" que nos ensinavam em pequenos, cada um que faça a sua interpretação.
De tudo, o que mais me repugnou não foi o cheiro nauseabundo que exala das relações estreitas entre o Serviço Nacional de Saúde e um privado. Foi mesmo o medo de quem (não) deu a cara. Conheço alguns e sei  que, de facto, muita daquela gente foi tratada de forma desumana. Contaram-me episódios próprios de de um clima de terror, instalado entre os que ficaram. E percebo que o senhor administrador, quando confrontado com a questão, reaja como se estivesse perante "um insulto". Afinal, "o infermo são os outros" - como dizia tantas vezes o senhor seu pai, o psicólogo Carlos Amaral Dias, naquele programa da TSF, há uns anos.
E é esse medo crescente que está a acabar com a coluna vertebral deste país. É desse medo que se alimentam os doutores administradores e as doutoras executivas que gostam de ver os "recursos humanos" num frangalho, porque o respeitinho é muito lindo. Quando percebermos, será tarde para voltar atrás.

*sistema de gestão de inscritos para cirurgia

Salários na ETAP

Os trabalhadores “contratados” da ETAP ainda não receberam os salários dos meses de novembro e dezembro de 2013 e os do “quadro” ainda não receberam o salário do mês de Dezembro.
Em contrapartida, não é conhecida a nova direção e é divulgada na escola a informação de que a anterior direção terá aumentado o salário da diretora e de mais 3 outras pessoas que lhe eram próximas. Será interessante saber que remuneração vai receber a nova direção e como vai conseguir financiamento para sustentar a escola.
Numa época em que se anunciam algumas benesses para os funcionários da Câmara Municipal, constata-se que falta dinheiro para pagar aos trabalhadores da ETAP, alguns já com sérias dificuldades na gestão da sua vida económica. A motivação dos professores e dos outros trabalhadores estará muito baixa…
Por hoje, resta dizer que a aluna “despedida” foi imediatamente reintegrada após a notícia do Farpas.

8 de janeiro de 2014

Benesses camarárias

Li no Notícias do Centro que a Câmara Municipal de Pombal vai dar várias benesses aos funcionários camarários, tais como abonos para os filhos, dispensas do trabalho em várias ocasiões, almoços convívio, etc., tudo no seguimento que foi a “folga” do dia do circo.
Fiquei surpreendido e revoltado. Surpreendido porque esperava e já vinha a assistir a sinais de melhoria na gestão pública. Revoltado porque me senti enganado nas expetativas, porque as ditas medidas representam um benefício de alguns à custa de todos os outros, com muito maiores dificuldades e esforço fiscal, e porque também representam a criação e a cristalização de uma cultura viciada de favorecimento.

É compreensível que Diogo Mateus queira seduzir os funcionários da Câmara, de forma a criar neles uma imagem mais positiva do que a que ficou do vereador. Só que deveria consegui-lo com permanentes boas práticas de governação e não à custa dos outros cidadãos e de cedência no rigor, na exigência e na responsabilidade. 

7 de janeiro de 2014

Diretor-Geral em part-time!

Há poucos processos em que o fator humano seja mais dominante do que no formativo. Na formação profissional é-o ainda mais do que nos outros trajetos formativos. Por razões bem conhecidas: (i) a incerteza da relação entre os sistemas de formação e o sistema de trabalho; (ii) massificação da formação profissional contínua; (iii) caraterísticas do público-alvo.
Depois da expansão do ensino profissional a partir do final do século passado, assiste-se, por razões diversas, ao definhar do modelo que muitos apregoaram como a panaceia para o problema da empregabilidade, e, em particular, da entrada no mercado de trabalho.
Entrámos numa fase em que os projetos formativos das escolas profissionais têm que ser reinventados, em que as escolas têm que se posicionar ou reposicionar com ofertas formativas diferenciadoras e de valor, têm que apostar num corpo educativo e numa direção comprometida com o sucesso dos formandos e das escolas. Acabou o tempo dos cursos de catálogo, do improviso e da formação profissional como um entretimento para os adolescentes e um biscate para os formadores.
Logo, apostar num diretor-geral em part-time para a ETAP é um péssimo sinal e pode ser interpretado como desinteresse e descomprometimento da câmara com o futuro escola.

Um dos erros que se cometeu na escola pública – e felizmente em parte já corrigido – foi a falta de liderança, não se saber quem tinha a autoridade e a responsabilidade última na escola. Os membros da comunidade educativa devem saber a quem pedir contas ou apoio. Não concebo uma escola sem um diretor presente, comprometido, interventivo, vigilante, facilitador e que seja o porta-estandarte do projeto formativo da escola.

Encontro com o teatro


Neste fim-de-semana o TAP convida-nos a um encontro com o teatro. Três dias, três peças, três euros. 

O espectáculo inaugural (sexta-feira, dia 10, às 21h30, no Teatro-Cine), "À Deriva", uma comédia com encenação de José Carlos Garcia e Nádia Santos, será apresentado pela Aijidanha (Associação de Juventude de Idanha-a-Nova). Uma boa oportunidade para tomar contacto com a obra do dramaturgo polaco Slawomir Mrozek, uma grande referência do teatro do absurdo, um mestre no uso da linguagem cómica e satírica como crítica mordaz à mesquinhez, tanto individual como colectiva. 

Num tempo de profunda crise económica e desemprego generalizado, o TAP não poderia ter escolhido melhor. 

4 de janeiro de 2014

A oeste tudo de novo

A sede da União de Freguesias da Guia, Ilha e Mata Mourisca vai ser na...Mata Mourisca. Não deixa de ser uma ironia do destino que a freguesia mãe das outras duas (e a única cujo último presidente saiu, de facto, de cena) receba agora essa benesse. 
Entretanto, os primeiros sinais mostram que o novo presidente da mega junta, Manuel Serra, tem tudo para se tornar uma revelação no campo autárquico: retirado da vida pública durante uma parte longa da vida, parece disposto a recuperar o tempo perdido. Quem o viu sábado passado, a travar-se de razões com o homólogo do Louriçal, a propósito da cedência de uma máquina que podia salvar um cão preso num túnel do IC8...percebeu-lhe a fibra. Lá na Guia já lha tinham percebido, quando se revelou agnóstico, numa terra daquelas e num tempo destes.
E o que têm em comum Mata Mourisca e Albergaria dos Doze? A sede. É que na União de Albergaria, São Simão e Santiago de Litém também funciona a democracia (mesmo que a custo, como em tantos outros pedaços deste paraíso). E sendo assim, é lá que vai ficar a sede do novo órgão autárquico. Se Rodrigues Marques tivesse aceite o nosso repto, ainda chegava a presidente. E não apenas de uma "terra adiada", como ele próprio lhe chamou um dia. Ou como dizia Eliseu Ferreira Dias noutro tempo..."que ele há coisas, há".

3 de janeiro de 2014

Arrumação e limpeza

Arrumação e limpeza são a base de qualquer programa de organização empresarial. Na CMP está em marcha: começou com a segregação da tralha dispersa que empancava e provocava vibração e ruído na máquina, avançou decididamente para a ETAP, prosseguirá na PMUGest e aprofundar-se-á na estrutura da câmara. Aqui, rolarão pesos pesados (Diretores de Departamento e Chefes de Divisão) - o mais poderoso vai de mota! - cortar-se-ão (alguns) interesses instalados e ligações inconvenientes.

Alguns autarcas que comiam da manjedoura do orçamento municipal perderão a ração. E não será com muitos elogios públicos que a recuperam!

1 de janeiro de 2014

Novo ano, felicidade de engano

Nas passagens de ano, assistimos por todo o mundo a manifestações de alegria em excesso com muita comida, bastante álcool, foguetes luminosos, música diversa, gritos histéricos, roupas novas, vaidades e exibicionismos.
Ao longo de vários anos, ainda não percebi porque a histeria e a loucura coletivas ficcionam a felicidade de um determinado momento e impedem cada indivíduo de escolher a calma da felicidade de todos os dias.
Por vezes, temos de nos libertar hábitos sociais e parar para refletirmos e redefinirmos objetivos, para sabermos viver.
Que cada um pense pela sua cabeça e saiba ter dignidade e ser feliz.

31 de dezembro de 2013

Novo diretor da ETAP

Segundo o NC, Jorge Viera da Silva foi nomeado Diretor Geral da ETAP.
É uma boa escolha porque dá um importante sinal de despartidarização dos cargos públicos (ou semi-públicos) e parece assentar em critérios de meritocracia.

Jorge Vieira da Silva é um profissional competente e rigoroso que dá garantias de inverter o definhar da ETAP.  
Bom sinal!

29 de dezembro de 2013

Perigo no rio Arunca - II

Já aqui falámos dos pilartes dos guarda-corpos destruídos junto ao rio Arunca na Urbanização das Cegonhas e do consequente perigo de queda de vários metros de altura para o rio Arunca.
Também dissemos que um cidadão já havia alertado a Câmara Municipal para o perigo ali existente.
Soubemos recentemente que a Câmara Municipal terá respondido ao dito cidadão, informando-o que a responsabilidade seria do dono do loteamento e que haviam sido colocadas fitas plásticas a sinalizar o perigo. Visitámos o local e já só encontramos vestígios das fitas num dos troços destruídos.
Mesmo que as infraestruturas não tenham sido recebidas provisória ou definitivamente e tendo sido aprovado o loteamento e prestada caução, a Câmara Municipal pode e deve intervir e remover o perigo. Aliás, parece que, no presente caso, não se trata de uma questão de efeitos mas de destruição (por alguém) dos pilaretes dos guardas-corpos.
Aqui chegados, resta perguntar o que é necessário acontecer para serem feitas as necessárias reparações? Se ocorrer uma desgraça, alguém irá apressar-se a tomar medidas para tentar evitar responsabilidades…

28 de dezembro de 2013

As respostas de Sofia

Andei a adiar escrever sobre este assunto mas agora, quem sabe se imbuído pelo espírito natalício, não resisti. 

A Juventude Socialista de Pombal promoveu recentemente petição pelo alargamento do horário da Biblioteca Municipal. Apesar de não ser um adepto das petições on-line (a não ser que seja uma petição on-line para acabar com as petições on-line), reconheço que algumas delas podem fazer sentido, sobretudo se partirem de grupos de cidadãos e não tanto de estruturas partidárias.

O que me leva a escrever não é uma análise à proposta dos jovens socialistas, mas antes as respostas dadas pela sua líder às várias críticas que lhe foram feitas. Sofia Dias - pessoa que não conheço pessoalmente - respondeu com uma elevação que é rara nas caixas de comentário deste fórum. Apesar da contundência da crítica, ela soube defender as suas ideias de forma clara e firme, com uma educação desarmante. Sem nunca resvalar para ataques pessoais ou argumentos mesquinhos, Sofia Dias deu uma lição a muitos dirigentes partidários. 

Está de parabéns a JS por ter escolhido para sua representante uma jovem com este perfil. Espero, sinceramente, que a vida não a faça seguir as pegadas de muitos dos seus correligionários. 

23 de dezembro de 2013

Pão e Circo


A política do Pão e Circo foi introduzida pelos líderes romanos com o intuito de manter a ordem estabelecida e conquistar o apoio dos súbditos. Por se ter mostrado muito eficaz tem sido replicada até aos dias atuais.

Maquiavel dissertou profundamente sobre a estratégia que o Príncipe deveria seguir para se manter no poder: se é melhor ser amado que temido ou o contrário. E depois de identificar os riscos associados a uma e outra concluía: “as amizades que se adquirem por dinheiro, e não pela grandeza e nobreza de alma, são compradas mas com elas não se pode contar e, no momento oportuno, não se torna possível utilizá-las”.

22 de dezembro de 2013

ETAP “despede” aluna

Há cerca de 10 dias, na sequência do levantamento dos alunos que deveriam estar a usufruir da lei da Educação Especial, a ETAP “descobriu” (!) que uma aluna lá tinha ingressado sem habilitação, sem o 9º ano. Aquela lei é de 2008 (Decreto-Lei nº 3/2008) e só agora é que a ETAP se lembrou que a mesma existe!
A aluna não teria o 9º ano, em virtude de ter usufruído da última medida da Educação Especial, embora, apesar das grandes dificuldades de aprendizagem, tenha conseguido fazer todos os módulos e estivesse agora a frequentar o 3º ano, talvez devido ao facilitismo.
A diretora pedagógica, à revelia do Conselho de Turma e do Conselho Pedagógico, convocou a aluna e a mãe e, na companhia da psicóloga da ETAP e da orientadora educativa, comunicou-lhes que a aluna não podia frequentar o ensino da escola, pois tinha havido um erro da escola. Logrou obter a assinatura da mãe num documento para anular a matrícula, atendendo a que a aluna e a mãe são pessoas humildes e com fracos recursos, quer materiais quer culturais, e sem capacidade de reação e defesa, apesar da aluna ter um contrato de formação por três anos e, consequentemente, não poder ser excluída.
Aqueles podem decidir devem encontrar uma solução, para a aluna não ser vítima da crueldade e da desumanidade de quem apenas pretende limpar erros e responsabilidades. Talvez deva ser procurada uma solução ao abrigo da educação especial, como acontecia até ao 9º ano.

21 de dezembro de 2013

A magia do Natal no comércio tradicional

Há prémios e incentivos para quem ainda pode comprar nas lojas que resistem abertas por Pombal. É Natal e a Associação Comercial e de Serviços de Pombal faz a sua campanha de comunicação, certamente o melhor que sabe e pode,  mesmo antes de entrar ao serviço um profissional de marketing - como é anunciado esta semana pelo presidente da direcção, num jornal em que também ocupa o lugar de director adjunto. Fala de tudo, o homem, menos daquilo que por estes dias abala a associação: o despedimento de duas das três funcionárias da casa. Uma delas cumpriu ontem o último dia de trabalho, ao cabo de 35 anos ao serviço dos comerciantes. Num passo de mágica, embarca no desemprego aos 53 anos de idade.
É fruto do tempo, como se diz na minha aldeia.
Pelos vistos, não andamos só a criar postos de trabalho. Também os extinguimos.

19 de dezembro de 2013

Desfalecimento do concelho charneira

As variáveis demográficas são o verdadeiro “teste do algodão” ao dinamismo de uma comunidade, sobretudo quando apontam todas no mesmo sentido. O desfalecimento de Pombal é evidente, mas nada melhor que os indicadores demográficos para o confirmarem.
Na NUTTIII do Pinhal Litoral, Pombal é o concelho que mais regride em três indicadores demográficos fundamentais: taxa de natalidade, taxa de mortalidade e taxa de crescimento da população. Segundo o relatório do INE de 2012, Pombal tem uma taxa de crescimento da população negativa que é o dobro da média da região. A crise pode atacar todos, mas ataca mais os mais frágeis.
Decididamente: o concelho charneira não se cumpre!

15 de dezembro de 2013

A doença dos políticos das freguesias

Foram candidatos e não queriam perder eleições. O protagonismo ainda foi o principal estímulo à sua mobilização política.
Eram presidentes de junta e queriam mostrar que eram os melhores, que faziam muitas obras. Muitos arruinaram a sua vida profissional ou a sua empresa por terem estado muito ocupados na realização de obras na sua freguesia e pouco ocupados na sua profissão.
“Arranjaram” um emprego para o filho ou para o amigo na Câmara ou na empresa municipal. Não podiam abandonar o sabor do poder da governação, para manterem os níveis de dopamina em alto e para protegerem os amigos.
Finalmente, a lei libertou-os da droga. Alguns ficaram arruinados e outros sentem que beneficiaram com a política. Alguns confessam terem readquirido a qualidade de vida perdida, até na parte sexual.
O protagonismo da atividade política é uma quimera que, depois de desfeito, deixa voltar a mostrar a vida…

14 de dezembro de 2013

Revisão do PDM


O executivo camarário prometeu colocar a revisão do Plano Director Municipal de Pombal em discussão pública a partir do dia 13 de Dezembro de 2013 e cumpriu. Muitos parabéns!

A informação que se encontra on-line é extensa e complexa. Para fomentar a discussão e estimular o aparecimento de propostas construtivas, talvez fizesse sentido a existência de sessões públicas de esclarecimento. Alguém se oferece?

13 de dezembro de 2013

Há Dinossauros e Dinossauros

Narciso Mota esteve no poder durante vinte anos. Adelino Mendes esteve na oposição durante os mesmos vinte anos. Narciso Mota ganhou eleições atrás de eleições; e, se o deixassem, continuaria a ganhá-las. Adelino Mendes perdeu eleições atrás de eleições, e continuará a perdê-las.
Narciso Mota soube conviver com os críticos e alargou sempre o seu espaço político. Adelino Mendes viu sempre adversários nos militantes mais influentes e foi reduzindo, continuamente, o seu espaço político.
Narciso Mota foi sempre mais do que o partido. Adelino Mendes é o partido.
Narciso Mota sempre acreditou muito no que fazia (até demais). Adelino Mendes nunca acreditou no que fazia. E finalmente reconheceu-o publicamente: “devo acrescentar a ideia que já tinha quanto ao funcionamento de um órgão executivo com esta natureza colegial, também tenho que reconhecer com toda a frontalidade que não alterei nada à minha oposição, acho que os Vereadores da oposição, num contexto em que há um partido claramente maioritário vencedor das eleições não faz aqui nada neste órgão.”
Está explicado…, em parte!

12 de dezembro de 2013

Recomendo vivamente

A CMP gaba-se de ter uma situação económico-financeira invejável. Logo, se tivesse um mínimo de consciência social, poderia abdicar de 5% do IRS, restituindo-o aos munícipes, e assim contribuir para minimizar os efeitos da profunda crise económica em que o concelho está enterrado e de onde não sairá tão cedo.
Como não o fez, aconselho todos os que têm uma segunda residência num concelho que abdica dos 5% do IRS a mudar a residência fiscal para esse concelho e assim beneficiar da medida.

Tenho alguns amigos que já o fizeram! Tenho pena de não o poder fazer.

Pérola literária

Aconselho, vivamente, a leitura dos discursos de despedida do último executivo autárquico. Há muito que não me ria tanto! Só uma pergunta: não há quem reveja as actas antes de serem publicadas?

11 de dezembro de 2013

Despesa inútil

Em Set/13, a CMP deliberou, por unanimidade, aprovar o projecto de execução, o programa de concurso, o caderno de encargos e abrir concurso público com vista à execução do Centro de Estudos Mota Pinto no valor de 1.000.000 €.
Paga contribuinte!

Subsídios (XXIII)

Em SET/13, a CMP deliberou, por unanimidade, presentear a Associação de Caçadores de Pombal com 6.387,88 €.

Subsídios (XXII)

Em SET/13, a CMP deliberou, por unanimidade, presentear a Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Vermoil com 10.000 € e muita fé.

Subsídios (XXI)

Em SET/13, a CMP deliberou, por unanimidade, presentear a Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Carnide com 5.000 € e muita fé.

Subsídios (XX)

Em SET/13, a CMP deliberou, por unanimidade, dar 800 € ao Centro Cultural Recreativo e Desportivo de Matas para aquisição de um monta-cargas.

9 de dezembro de 2013

Da série "a verdade (a que temos direito)"


Há horas de sorte na vida de um dirigente, e horas de azar na vida de um editor. Que o diga o nosso comentador de estimação, supra-mega dirigente associativo Rodrigues Marques, que na última edição do Jornal de Leiria se viu subitamente transformado em José (em vez de Manuel), e promovido a presidente da Associação Comercial e Industrial de Pombal. Ora, como é sabido, a lei de Murphy faz-se sentir sem apelo nem agravo...mas salva-se a veracidade da resposta do engenheiro, a propósito da propaganda que o Governo alimenta, fazendo crer que o desemprego baixou e que a economia recupera a cada dia.
Diz ele: "penso que essa queda do desemprego se prende com uma limpeza feita à base de dados dos centros de emprego, quer pela via da emigração ou por outro qualquer motivo. Em termos empresariais não se nota nada. Está tudo na mesma".
Ou como diria o outro...o pior é a realidade.

6 de dezembro de 2013

Falso partidarismo (II)

Durante este fim-de-semana realizam-se eleições para as concelhias do PS. Em muitos casos, falsas eleições. Os partidos estão reféns de caciques.

Quem acompanha a realidade partidária sabe-o. Mas, muito poucos têm a noção da gravidade da situação. Ver dirigentes políticos a denunciar publicamente a situação é um excelente sinal. O sistema democrático precisa de partidos, minimamente, democráticos.

Falso partidarismo

Há dias, após longa ausência, resolvi marcar presença na Reunião Geral de Militantes da Concelhia do PS de Pombal. A ordem de trabalhos prometia: 1-Análise e balanço dos resultados eleitorais; 2-Análise da situação politica. Prometia mas não cumpriu. De onde não há, não se pode tirar.
A reunião começou sem quórum, com 45 minutos de atraso. Uma espera inglória por militantes que não existem. Cinco militantes de base e sete dirigentes ouviram, resignados, as longas explicações do líder, resumidas desta forma: o partido não tinha atingido os objectivos; tinha até perdido a única junta que detinha, mas elegeu mais um vereador; perdeu votos, mas o PSD perdeu muitos mais. Logo, atendendo às circunstâncias, os resultados não foram maus!
No final da intervenção do líder, o presidente da assembleia perguntou se alguém queria intervir. Ninguém se manifestou.
O presidente passou de imediato ao ponto 2. Análise da situação politica. O líder relatou as ações do partido no pós-eleições: instalação dos eleitos, os (desastrosos) casos de Abiúl e Almagreira e anunciou o calendário das eleições. Informou, ainda, que a última listagem de militantes recebida na concelhia indicava que a concelhia só tinha dez militantes com as quotas em dia e que as listas aos órgãos concelhios exigiam, no mínimo, 25 militantes (15 efetivos + suplentes).
Aquilo mais parecia um velório, e num velório aconselha-se contenção.
Mas o cadáver não será enterrado, o ritual continuará!

Nelson Mandela (1918-2013)

Morreu hoje (5 de Dezembro de 2013) a minha grande referência política. O meu único ídolo. 

5 de dezembro de 2013

Rua Aristides de Sousa Mendes

Era uma reivindicação antiga do Alvim. Agora que partiu para outras paragens, a sua terra fez-lhe a vontade. A partir de Janeiro a actual Rua da Piscina vai passar a chamar-se Rua Aristides de Sousa Mendes. A toponímia pombalense dá assim destaque a uma notável figura do século XX português que, apesar de alguma controvérsia, é vista como um símbolo da liberdade e do espírito de resistência. 

Freud & Maquiavel, I

Os tempos são esquizofrénicos por toda a parte e nos vários fragmentos da sociedade. Em Pombal - onde, já se sabe, nem tudo é normal - vive-se um paradoxo: nunca a sociedade foi tão dominada pela Igreja e nunca assistimos a uma corrente tão transversal de valores pouco cristãos. Às vezes humanos, só.
As empresas gostam de encher a boca com a solidariedade e a responsabilidade social, mas são um lugar muito estranho em matéria de respeito pelos direitos e de cumprimento de deveres. Não admira por isso que as instituições sejam um reflexo deste retrato. O falso associativismo de que aqui fala, amiúde, o Adelino Malho, tem sido maná para meia dúzia de alpinistas sociais. Mais do que o falso associativo, aquilo a que estamos a assistir em muitos casos (haverá sempre honrosas excepções)) é falso dirigismo. Ora, se as reuniões de assembleias gerais ficam vazias, com que moral se podem queixar os associados?


Petição para alargar o horário da Biblioteca Municipal

Corre pela internet uma petição pelo alargamento do horário da biblioteca municipal de Pombal, que pode ser consultada e assinada Aqui.
A iniciativa é da Juventude Socialista de Pombal (sim, afinal existe, e é liderada por uma rapariga, a Sofia Dias)) e fez-me lembrar uma frase popularizada há uns por um "boneco" do actor Nuno Lopes, n'Os Contemporâneos, que terminava com "faz alguma coisa de útil para a sociedade".
A iniciativa parece-me excelente para ilustrar o mundo de coisas que as juventudes partidárias podem (e devem) fazer pela/na sociedade que integram. Numa altura em que uma das duas rádios locais prepara um programa para lhes dar palco, é um sinal positivo, este.

3 de dezembro de 2013

Uma medida estúpida

O novo executivo municipal do PSD e a maioria que o suporta na AM decidiram agravar o IMI para os proprietários de prédios rústicos abandonados. Seguiram a doutrina tributária do governo: sobrecarregar os mais frágeis, os que menos têm, os que menos podem pagar. A medida é triplamente estúpida, porque é injusta, inexequível e contraproducente.
É injusta porque a aplicação dos impostos (ou a respetiva taxa) deve atender ao princípio da equidade (que exige o mesmo esforço a todos os contribuintes), à capacidade contributiva e à igualdade de tratamento em uma situação semelhante. Porque a exploração dos terrenos rústicos é maioritariamente deficitária (gera prejuízo), os proprietários que não cuidam ou cuidam mal dos terrenos são duplamente penalizados. Logo, não faz qualquer sentido tributar ainda mais quem não pode pagar, quem não tem como pagar.
É inexequível porque ao diferenciar as taxas de IMI entre terrenos rústicos abandonados ou explorados exige a sua classificação regular, porventura anual, o que é economicamente inexequível. Aplicar a taxa à mancha provocará muitas injustiças e reclamações.
É contraproducente porque fomenta aquilo que, supostamente, quer prevenir: os fogos florestais. A forma mais económica de limpar os terrenos rústicos é lançar-lhes fogo.

Se a estupidez pagasse imposto….

2 de dezembro de 2013

Falso associativismo

Há dias participei na reunião da associação de pais do Agrupamento de Escolas de Pombal. A ordem trabalhos visava: 1. Discussão e aprovação do Relatório de Atividades; 2. Eleição dos Órgãos Diretivos. Nas votações só puderam votar os pais que fossem sócios da associação com quotas em dia. Ficámos a saber que a associação (só) tem 15 sócios com as quotas em dia e que são necessários 15 dirigentes para os três órgãos. Logo, 15 sócios elegeram-se dirigentes.

No entanto, valeu a pena esperar que se cumprissem as formalidades da ordem de trabalhos porque, no final, houve tempo para a discussão dos problemas do agrupamento, nomeadamente na Escola Secundária e na Escola Marques de Pombal. Muita matéria.

Obstáculos no Largo do Cardal

As notícias dizem que o novo executivo camarário pretende remover os pinos do Largo do Cardal por serem obstáculos perigosos para os peões. O “Farpas” tinha razão. 
Não era necessário terem ocorrido “acidentes” com ferimentos nos peões para que ficar provada a perigosidade dos pinos.
Resta saber o que irá ser feito quanto aos “pinos” da pedra afiada da Ponte D Maria e quanto às proteções removidas junto ao rio Arunca.
Para já os sinais são mais de responsabilidade e menos de proteção de amigos autores de projetos de m…