30 de junho de 2015

O estranho caso dos rapazes que querem mudar o feriado municipal para a segunda-feira do Bodo

foto: Pombal Jornal

Diz a imprensa local que a JSD apresentou ontem, em plena Assembleia Municipal, uma proposta tão bizzara quanto a exposição dos burros: mudar o feriado municipal, de 11 de Novembro, para a segunda-feira do Bodo. 
Tenho resistido a comentar tonterias. Mas a Assembleia Municipal ainda me parece um órgão sério - e pese embora todo o meu desencanto, por ter esperado 20 anos pela mudança que afinal não chegou - quero acreditar que prevalece uma réstia de bom senso. 
A mim não me choca que os rapazes sejam irreverentes, desde que não confundam a mesa do Red Line, da Cervejália, da Capital ou de outro qualquer com a bancada da Assembleia Municipal. 
O Bodo não é - nem nunca foi - uma festa concelhia. A maioria das freguesias não se revê nela.
Mas para tirarmos as teimas - e acabar com este episódio de manifesto umbiguismo, em que se confunde a árvore com a floresta - eu voto a favor de um referendo, já que chegámos aqui. Já que o presidente da Câmara propõe um amplo debate.
De resto, vale a pena perceber o que diz o povo, nas redes sociais...

Há burros no Cardal


O Jardim Municipal acolhe, por estas dias, uma exposição bizarra. Procurei mais informação sobre aqueles burros, mas não encontrei. Fico-me então pelas explicações do povo, daquele que anda no Pombus à hora de almoço, e que ainda há pouco me elucidou:
- isto são os burros dos ciganos?
- Não...(diz o motorista, esclarecido). São fotografias de um fotógrafo que é muito crítico, e que veio com aqueles espanhóis e italianos que estão no castelo a dar concertos. Acho que vão andar aqui umas duas semanas.
- Os burros?
- Tudo.
Imaginei tanta coisa no Cardal, neste formato. Mas é preciso ser burro, afinal.

29 de junho de 2015

Oposição dispensável

Sempre defendi a existência de executivos multipartidários nas autarquias como forma de assegurar uma melhor governação e algum controlo da deriva populista, cacique e corrupta do poder local. Mas estou quase a ceder. A realidade é o que é e não o que gostaríamos que fosse: a inoperância das oposições autárquicas é confrangedora, nomeadamente em Pombal.
Nem discuto a coisa com base nos argumentos económicos ou das necessárias poupanças: é evidente que os custos inerentes aos vereadores da oposição são insignificantes. Mas ganham significado quando o valor gerado é nulo ou próximo disso. Na verdade, não é o custo que pesa, mas o remorso do embuste.  
A agenda da última reunião do executivo municipal (que antecede a próxima assembleia municipal) continha vários e importantíssimos assuntos:
- Relatório de Gestão e Prestação de Contas Consolidadas – Ano de 2014
- Parecer do auditor externo sobre as Contas Consolidadas – Ano de 2014
- 3.ª Revisão às Grandes Opções do Plano 2015/2018
- Contratos Interadministrativos com as Juntas de Freguesia para a criação do Espaço Cidadão
- Protocolo de parceria entre o Município de Pombal e a Vodafone Portugal
- Projeto de Regulamento Municipal de Urbanização e Edificação de Pombal
- Normas do Orçamento Participativo de Pombal
- Relatório final da Ação de Acompanhamento à Operação POVT
- Relatório de Execução Orçamental da PMUGest – 1.º Trimestre – Exercício de 2015
- Apoios às Juntas de Freguesia do Concelho de Pombal
Todos votados por unanimidade, sem uma observação, um reparo, uma crítica.
É a oposição que temos. Demitam-se, poupem-nos o remorso do embuste.

24 de junho de 2015

O perigo da utilzação da bicicleta

Para a European Cyclists’ Federation, Portugal é o país da União Europeia com maior taxa de ciclistas mortos na estrada e é apenas o 2º país com menor utilização de bicicleta, o que revela a perigosidade do uso deste meio de transporte. Só por medo os cidadãos não recorrem mais ao uso da bicicleta.
Embora o baixo grau de civismo de condutores ou até de ciclistas seja uma das causas de tão alta sinistralidade, é-o, sobretudo, a falta de adaptação das vias à segurança dos ciclistas.
Em Pombal, para além da zona da praia do Osso da Baleia e do pequeno troço do rio Arunca entre o açude e o Viaduto Guilherme Santos (preparados apenas para fins lúdicos), nenhuma outra estrada ou rua está adaptada à utilização da bicicleta. Acresce que não existe qualquer estudo ou projeto para alterar as vias e proporcionar a utilização regular da bicicleta pelos pombalenses como meio de transporte.
Mesmo na parte do lazer, pouco se tem feito, como é o caso do btt. Tendo a modalidade atingido razoáveis níveis de popularidade, sendo praticada por muitos cidadãos e pretendo o executivo camarário colher os louros e conduzir o “rebanho” para anunciado Centro de Interpretação da Sicó, justificando o pródigo investimento, apressou-se recentemente a colocar sinalética nalguns trilhos anteriormente abertos e mantidos pelos praticantes mais empenhados. Pensou-se que o Município iria passar a cuidar dos trilhos, o que não aconteceu, uma vez que os mesmos ou estão a ficar fechados com vegetação ou têm de continuar a ser mantidos pela carolice de alguns “betetistas”.

23 de junho de 2015

O SCP e os Tramiqueiros

Os tramiqueiros são criaturas com imaginação fértil, não para coisas com valor, mas para a tramiquice. Até ao final do século passado tiveram sucesso e ostentavam-no, rindo-se até dos que não lhes seguiam os métodos. Nos últimos anos entraram em desgraça e são, actualmente, a desgraça das organizações por onde andam. O seu “modus operandi” é simples: movimentam-se regularmente na fronteira da legalidade e lançam uma ou mais tramiquices. Se uma resultar, ganham um balão de oxigénio até à próxima dificuldade, e assim sucessivamente. Para tal, juntam-se sempre a quem lhes possa facilitar as tramiquices: dirigentes bem colocados ou políticos (alguns, tramiqueiros de origem).
O SC Pombal (SCP) foi, ao longo das últimas décadas, um bom exemplo da gestão tramiqueira. O clube claramente mais apoiado pela câmara – subsídios, infra-estruturas, serviços, despesas - manteve-se insolvente e normalmente sem resultados desportivos.
O SCP não sabe o que deve, mas sabe que não consegue pagar a dívida; quer continuar a receber apoios, mas não quer assumir os compromissos com os credores. Continua com uma direcção sem legitimidade a tomar medidas de fundo (Desportivas e Administrativas) e um Direcção eleita - já com baixa(s) - sem tomar posse porque não tem contas aprovadas. Para embelezar este quadro o digníssimo presidente da AG convocou uma assembleia para, de entre outros pontos, discutir a eventual criação de uma “Sociedade Desportiva Unipessoal por Quotas”, onde o clube terá uma quota intransmissível de 100% (DL n.º 10/2015; art.º 11.º).
O que visam com este “esquema”? Deixar o passivo no clube e, como este não tem activos, ludibriar os credores?
O que tem a câmara - principal financiador do clube com o dinheiro dos nossos impostos – a dizer sobre isto?
Vai a câmara continuar a dar toda a cobertura às tramiquices e a lançar o dinheiro dos nossos impostos numa entidade que não cumpre as suas responsabilidades e os compromissos com o Estado (Nós)?

21 de junho de 2015

Sete Sóis Sete Luas


O sete é um número bíblico, um número místico. Não foi por acaso que Deus descansou no sétimo dia e que Newton, que era um místico, decidiu fixar o sete como o número de cores do arco-íris. Também são sete as petições do pai-nosso.

Em Pombal vivemos também sob o signo do sete. Depois de termos sido considerados a sétima melhor cidade para se viver na região centro, acolhemos agora o Festival Sete Sóis Sete Luas. Desconheço os desígnios do oculto mas, sejam quais forem os motivos desta coincidência, o que é certo é que são duas boas notícias.

Confesso que estava longe de pensar que a nossa autarquia decidisse apostar num evento inspirado nas personagens de Baltazar Sete Sóis e Blimunda Sete Luas do magnífico "Memorial do Convento" de José Saramago. Estamos sempre a aprender. Espero que essa decisão corresponda mais a uma opção de futuro do que a uma medida avulsa, aproveitando uma oportunidade circunstancial. Só assim se justifica o investimento.
 
A partir de quinta-feira vamos acolher um festival que tem dado ênfase à divulgação da cultura mediterrânea, privilegiando os pequenos centros e artistas de inegável qualidade mas longe de poder ser considerados mainstream. Porque reconheço enorme qualidade nos nossos novos artistas (Ricardo Silva é o pombalense em destaque), porque vejo o futuro de cidades como Pombal enquadrado em redes de centros urbanos de interesses e identidades comuns e porque acredito na nossa matriz mediterrânea, aplaudo esta iniciativa da autarquia. Estarei disposto a aplaudir de pé quando perceber se esta opção corresponde a uma efectiva política cultural.

18 de junho de 2015

Silly Season*


A imprensa local e regional vai transmitindo, com assiduidade, o que se passa por aí. A nossa vida corre bem, como nos posts do facebook. Funcionários e vereadores do município marcharam alinhados, no Santo António (é verdade que nos outros municípios o papel das câmaras é incentivar as colectividades e os bairros - por alguma razão as marchas se chamam populares, e não municipais. Mas, como sabem, nada disso interessa).
A EB1 vai entrar em obras (isto se a DEGEstE se pronunciar a tempo sobre o projecto, se a obra for a concurso e publicamente apresentada/discutida), dando finalmente lugar a um Centro Escolar. Os pais estão agora a ser delicadamente informados, à medida que vão matricular os filhos. Mas é verão, tempo de férias e gelados. Os bombeiros hão-de dar conta do recado, que se-Deus-quiser a época de incêndios há-de ser tão morna como a participação no debate sobre o futuro do país que a nossa Associação de Industriais organizou - um naipe de oradores como aquele merecia, pelo menos, uma sala composta. Mas lá está, é quase-verão, a vida corre entre caipirinhas, gin-tónico e sumo de laranja fresco, que maçada.
Pensando bem, falta pouco mais de um mês para o Bodo. Pode ser que nessa altura já nos possamos deleitar junto ao Arunca, na esplanada que ali há-de nascer, em frente ao pavilhão da Caldeira, na sede prometida pela Câmara a uma colectividade desportiva (nas zonas desportivas devem estar colectividades desportivas, está bom de ver). E afinal, 183 mil euros hão-de dar para belas vistas.

Além disso, teremos sempre o Osso da Baleia.
fotos: Jornal Terras de Sicó

14 de junho de 2015

Carnaval de santo António

Nos últimos anos, tem-se registado um crescimento da promoção e da participação nos desfiles do carnaval de santo António no sambódromo de Pombal. O trabalho inútil de vários dias de preparação, os gastos perdidos nas indumentárias e os subsídios e os gastos camarários destruídos num momento servem para dar circo ao povo, bajular o clero e proporcionar mais um “arraial” de exibição dos autarcas municipais.

Este a ano, a chuva minha amiga fez uma desfeita ao carnaval, mas poupou-me um pouco de dinheirinho no consumo de água e manteve a natureza forte, verde e bonita, o que é muito mais importante. 

9 de junho de 2015

A Meia Surpresa

Realizou-se ontem uma assembleia extraordinária da AH dos Bombeiros Voluntários de Pombal que formalizou mais uma sucessão na direcção da instituição, com uma meia surpresa: a não recandidata de Rodrigues Marques – fica por lá como vogal. 
O novo presidente - Sérgio Gomes; figura educada, dialogante, respeitável e respeitadora, com provas dadas no meio associativo e não só – espera fazer “nestes próximos dois anos aquilo que não se conseguiu fazer até aqui”, nomeadamente “restituir a paz à instituição”.

Que Deus os abençoe.

Executivo camarário sentado sobre uma mina de água

O aquífero da Mata do Urso é talvez o maior da Península Ibérica. É ali que a Câmara Municipal vai buscar a água (com poucos custos de captação e de transporte e poucas necessidades de tratamento) para a distribuir ao domicílio e à indústria. Obtida a água a baixos custos e vendida aos cidadãos, as receitas são suficientes para pagamento do valor das remunerações de todos os funcionários públicos. As restantes receitas do município servem para custear a construção de infraestruturas e também para brincar aos subsídios e para construção de edifícios “elefantes brancos”.

Enquanto as freguesias da zona serrana obtém uma compensação monetária pela exploração de pedreiras e pela instalação de eólicas, os munícipes do nosso concelho não beneficiam da redução do preço da água. Se porventura regam o seu jardim no verão, terão de pagar não só a água a mais alto preço como ainda terão de pagar a taxa de resíduos correspondente como se regar o jardim produzisse lixo. Talvez seja melhor construir um furo para captação de água e deixar de ter água da rede pública.

7 de junho de 2015

A animação da ETAP na SIC Radical - o mistério do vídeo desaparecido

A informação não corresponde de todo à verdade. Não foi no Dia Mundial da Criança que aconteceu aquela exibição, mas sim no Carnaval, como aqui farpeámos. Ainda assim, na mais recente edição do programa Irritações, da SIC Radical, mereceu destaque aquele programa de animação made in ETAP, a concorrer directamente com a ideia brilhante da Câmara de Portalegre no Dia da Criança, treinando os mais pequenos para uma batalha campal, com polícia de choque e tudo...
É claro que, entretanto, o vídeo desapareceu do facebook e dos arquivos da solícita Pombaltv, que o filmou na altura. Mas isto é uma chatice: uma vez na net, sempre na net. Ao minuto 42' do programa, lá está ele.

4 de junho de 2015

Mais vale tarde…

A CMP decidiu, por unanimidade, alargar o transporte escolar gratuito até ao 12.º ano.

Atualizaram-se! Há muito que aqui tínhamos apontado a injustiça da limitação da gratuitidade até ao 9.º Ano. Mais vale tarde do que nunca.

2 de junho de 2015

A malta é jovem. E pensa?


Quando vi um palco cá fora, pensei que desta vez a Feira da Juventude ia ser de rasgo - bem pensado, aproveitar o bom tempo e o ar livre para as exibições de bandas, grupos de dança ou de ginástica, em vez de contribuir para o efeito de estufa em espaço fechado, com aulas de zumba. Ledo engano. Lá dentro, no pavilhão, o modelo continua o mesmo, ultrapassado há tempos. Parece-me que falta dar um objectivo à iniciativa e orientá-la. "Falta orientar isto para o emprego, que é a grande preocupação dos jovens" - disse-me ao final do dia um dirigente partidário à direita. Se calhar essa componente até lá estava - na óptica da organização, que pegou nos seus meninos-exemplos de sucesso e foi às escolas passar a mensagem.


Este ano o Município quis homenagear os jovens que se destacaram na vida académica e desportiva. Alguém nos pode dizer qual foi o critério? E já agora, uma nota ao Presidente: não se faz um discurso daqueles para miúdos daquela idade...


Louvável o esforço dos agrupamentos, escolas e colectividades que se desdobraram para marcar a melhor presença. Não percebi o que aconteceu com o Agrupamento de Escolas da Guia, que deixou o stand vazio. Por pudor (certamente) a organização acabou por retirar o nome do espaço. Ninguém diria que a direcção tem uma assessoria técnico-pedagógica para o plano de actividades. 

31 de maio de 2015

SCP na Regional e na falência

O SCP desceu à Regional (na verdade já lá estava – desceu só mais um nível). É estranho que o clube mais representativo de um concelho de média dimensão ande pela liga dos últimos.

Há clubes que têm má performance desportiva, mas boa performance económica (no mínimo contas equilibradas e sérias). No Pombal, temos o pior de dois mundos: desastre desportivo e desastre administrativo (insolvência e contas irregulares). Com a complacência do(s) paladino(s) da legalidade.

29 de maio de 2015

Há coisas que não mudam...

O inevitável aconteceu: renuncia (forçada) dos órgãos (ilegalmente) eleitos. A coisa passava – deve ter passado muitas vezes - se uma eleita (?) não tivesse dado com a língua nos dentes e se lhes tivéssemos dado o descanso que não merecem. O presidente da mesa da A.H. Bombeiros Voluntários de Pombal convocou uma reunião, dia 8 de Junho, com a seguinte Ordem de Trabalhos: 
1) Informação (demissão dos Corpos Sociais); 
2) Eleição dos Órgãos Sociais para o biénio 2015/2016. 
O presidente da direcção divulgou a reunião por políticos, doutores e engenheiros, sócios e não-sócios; sem a comunicar, antes, aos Bombeiros. A mail-list da direcção dos bombeiros não inclui os Bombeiros. Vivemos numa comunidade dual: poder/oposição(?); dirigentes/dirigidos; abrangidos/excluídos; mas, nalgumas situações, dispensava-se tanto desplante. 
 Nos BVP, o dualismo dirigentes versus dirigidos é levado ao extremo: os dirigentes não são bombeiros e os bombeiros não são dirigentes (há o comandante, imposto por lei, senão…). Esta disjunção, alicerçada em interesses antagónicos, deixa pouco campo para o compromisso e muito para a guerrilha. Depois admiram-se…

28 de maio de 2015

E no entanto, ela move-se


A poucos dias de terminar o ano lectivo, a Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas de Pombal deu sinais de vida. Está afixada num painel da Escola Secundária de Pombal (pelo menos) a convocatória que ontem chegou a algumas caixas de correio electrónico de alguns associados [que isto deve ser como na missa, só comunga quem as entidades superiores consideram estar em condições de papar a hóstia].
E o que diz a convocatória? 
  • Que a Associação de Pais vai finalmente eleger uma nova mesa da Assembleia Geral, pois que na última (em Dezembro) demitiu-se a presidente? Não.
  • Que a Associação de Pais quer reunir os associados e ajudar a organizar as festas de final de ano? Não.
  • Que a Associação de Pais resolveu finalmente apresentar as contas e o relatório de actividades dos últimos dois anos?Não (até porque só pode haver relatório do que existe).
  • Que a Associação de Pais está preocupada com o processo inerente às obras que aí vêm, para a construção de um pólo escolar na cidade - e que vão obrigar à mudança dos alunos sabe-se-lá-para-onde, no próximo ano lectivo? Não.
  • Que a Associação de Pais está preocupada com o que se passa nas nossas escolas, de um modo geral? Também não.
A convocatória tem dois pontos:
1. Marcação da data para a realização de eleições dos novos órgãos sociais
2. Informações sobre a sentença proferida pelo Tribunal de Leiria (relativamente ao processo contra a APEEAEP)
Aqui fica o nosso serviço público: desta vez a reunião não acontece na Câmara nem na Biblioteca Municipal. Está marcada para dia 3 de Junho, às 19h30, no auditório da Escola Secundária de Pombal. 

26 de maio de 2015

A desvergonha prossegue

Passaram 2 meses sobre as eleições para a ABVP, onde ocorreram as irregulares mais graves alguma vez vistas em Pombal. Os erros são graves, mas mais grave é não os assumirem e não os corrigirem.
A correcção dos erros só tem uma solução: renuncia (ou perca de mandato) dos corpos (mal)eleitos e novas eleições. Mas não chega, é necessário, também, desconspurcar a organização: apurar o(s) responsável(is) pela fraude, puni-lo(s) pelos danos causados à organização e impedi-lo(s) de cometerem novas fraudes –  de se candidatarem.
De que estão à espera para renunciarem?
Porque continuam a pactuar com tamanha fraude?
Haja um mínimo de dignidade e de respeito por uma organização secular e respeitável.

Ministra da Justiça em Pombal

A AICP promoveu e organizou, no passado dia 19-05-2015, um "jantar-debate" com a presença da ministra da justiça sobre “a reforma da justiça e o impacto na economia”.
Tendo ficado com a opinião da irresponsabilidade da ministra e tendo, depois, lido a entrevista de Isaltino Morais ao Expresso de 23-05-2015 sobre aquela ministra, onde formulou sobre ela opinião ainda pior, decidi escrever algumas palavras sobre o “jantar-debate”.
A ministra alegou que a reforma do mapa judiciário e os meios alternativos de resolução de conflitos levaram à maior celeridade processual e a melhores benefícios para a economia, dizendo que tudo era positivo e que países mais ricos que o nosso nos têm consultado para aprenderem com a nossa experiência e propondo mesmo um brinde coletivo ao “êxito da reforma”.
Aceitando e defendendo nós como certo que todas as sociedades organizadas necessitam de reformas para evoluírem e para não ruírem, temos de dizer que a ministra revela pretender esconder os efeitos negativos da reforma ao transformar o setor da justiça portuguesa num grande laboratório onde muitos cidadãos são as cobaias vítimas das experiências “científicas”, aquelas que os estrangeiros querem então conhecer e estudar antes de cometerem os mesmos erros. Omite o que se passa, por exemplo, com os PER, como forma de evitar o peso das estatísticas de empresas insolventes mas que leva aos esquemas de protelamento das insolvência e de ocultação da má gestão, com as notificações nos procedimentos de injunção, como forma dos cidadãos não se poderem defender de dívidas prescritas e de procedimentos caducados, com as execuções com base em “fórmulas executórias” das injunções, como forma dos bens dos cidadãos serem espoliados antes dos mesmos tomarem conhecimento da existência da execução, por dívidas que não ou já não existiam, etc...
Gostava de ter visto alguma honestidade intelectual nos argumentos da ministra…

Fiasco Pombalino


No final da semana passada recebi um honroso convite do presidente da câmara para participar no Festival Pombalino. Consegui mobilizar toda a família (coisa rara – têm gostos e interesses muito diversos) e Sábado à noite deslocámo-nos para o evento. Fiquei mal visto e nos próximos tempos dificilmente os arrasto para outra: uma praça despida e triste – como mostra a foto – fracas atuações, pouca animação e pouco público (nem as figuras da organização - do poder - se viram por lá!).

Sem muito para ver entreti-me a falar com os feirantes/expositores – a parte mais consistente do evento – e percebi a sua desilusão com o evento e com a organização (CMP): pouca de promoção e em cima do evento, poucos visitantes, terrado muito caro e evento alternativo no Domingo (Crisma no Pavilhão de Exposições, fora da cidade). Não se faz!
Desta forma, destrói-se valor no lugar de o gerar. Não se justifica fazer pagar um terrado a expositores que constituem o cenário do evento, num evento novo sem potencial para gerar receitas aceitáveis (nalguns casos não darão para pagar a deslocação, e alguns fizeram 200 km).
Não basta fazer, é preciso mais alguma coisinha…

22 de maio de 2015

A cultura do regresso ao passado


O que aconteceu em Pombal no fim-de-semana passado merece aplausos e incentivo. É sempre um balão de oxigénio para uma moribunda zona histórica ter alguma vida de volta, ainda mais se chegar acompanhada de música e dança, como foi o caso da iniciativa Montras Poéticas: artistas nossos a mostrarem, de uma forma original, o que fazem tão bem.
Depois, no domingo, quase em segredo (custa-me a crer como é que não se aproveita a marca do Marquês, numa coisa destas, como é que não se divulga isto à séria) uma nova Associação Artística apresentou-se no Museu, com um [belíssimo] quinteto de música de câmara, que pode voar tão alto...
A maioria das entidades locais tinha mais que fazer - está visto - e por isso chegou no final do concerto, só a tempo da fotografia. Uma pena. 
Mas o que sobra deste tempo é a fixação pela idade média e pelos séculos passados. Foram os romanos no Natal, depois a feira medieval, agora o festival pombalino. Dir-me-ão que é melhor que nada, que o que importa é haver actividade. É importante preservar o passado, sim. Mas é igualmente importante projectar o futuro, e isso faz-se muito pouco, nos tempos que correm. Cheguei a pensar que as sementes lançadas na Casa Varela, no Bodo passado, iriam germinar. Mas os meses passaram, a casa não voltou a abrir-se, e os nossos artistas continuam a ser chamados por Leiria (por exemplo) para animar as inúmeras iniciativas culturais da cidade vizinha. Não se trata de copiar os outros, mas podemo-nos inspirar. E fazer mais coisas como a do fim-de-semana-passado. Mudamos esta agulha?

nota de rodapé: Se há um festival pombalino e um sarau, com  música barroca, agendado para a noite de sábado; se acaba de nascer um quinteto em que os músicos até trajam à época e tocam tão bem, não faria sentido integrar uma actuação nesta iniciativa? Pois.