8 de julho de 2015

Oposição dispensável (II)

Na assembleia municipal, tal como no executivo, na não há debate, quanto mais visões alternativas. A maior parte dos temas da agenda são despachados sem qualquer intervenção e os mais importantes são brindados com uma ou outra intervenção superficial (de quem não leu/analisou os documentos) ou no acessório.
O presidente da câmara deve passar as horas mais folgadas do seu mandato nas reuniões da assembleia municipal. Nota-se pelo teor das suas intervenções. E seriam ainda melhores se um ou outro membro da sua bancada não introduzisse, de vez em quando, um assunto incómodo, como, por exemplo, o encerramento da escola do Seixo.

Dom Diogo baralha, dá, destrunfa, recolhe, credita e volta a baralhar… Fala mais ele, do que ou outros todos juntos! E com muito mais consistência. Está nas suas sete quintas. Só tem que se preocupar com um ou outro companheiro que se quer afirmar ou demarcar, e há-os por lá. As ameaças (só) podem vir de dentro, dos que não estão lá só pela senha de presença.

1 de julho de 2015

Os 50 anos do Hospital de Pombal e os fariseus

O Hospital de Pombal, propriedade da Misericórdia de Pombal (do Vaticano), está a ser objeto de obras de remodelação mandadas executar pelo Governo de Portugal. Os contribuintes pagarão cerca de €2.000.000,00 em obras e equipamentos.
Recentemente, no âmbito duma ação propagandística denominada “sessão comemorativa dos 50 anos do hospital de Pombal”, o Município de Pombal, através do seu Executivo, decidiu afixar uma placa onde fez constar que contribui para a remodelação ou “conservação das fachadas” com “€182.320,00” (dos contribuintes Pombalenses) e que é “dono da obra”. A dita “comemoração”, necessária à exibição dos protagonistas, incluiu, a abrir, uma missa no Cardal, e a fechar, uma visita ao Hospital.
Constata-se que vários políticos locais estão a ganhar o hábito farisaico de fingir serem muito crentes, tal como os boémios convertidos em jihadistas degoladores de infiéis. Todos eles querem frequentar a mesma universidade de Navarra, os mesmos cursos pós graduação das filiais da mesma universidade, as mesmas missas, os mesmos retiros, os mesmos campos de férias, tudo da mesma organização (opus dei) fundada pelo espanhol Josemaría Escrivá de Balaguer, à semelhança da outra organização (inquisição), tristemente famosa, liderada por outro espanhol, Tomás de Torquemada. Todos querem prestar vassalagem ao clero e dar muito dinheiro dos depauperados contribuintes para as festas das igrejas, para as “merendeiras” das capelas, para os adros, para a “corda do sino”, etc…

O pior de tudo é que cada um destes “crentes” quer mostrar ser mais crente que os outros e quer mostrar acreditar na crença; quer mostrar até que o poder lhe advém por força divina… 

30 de junho de 2015

O estranho caso dos rapazes que querem mudar o feriado municipal para a segunda-feira do Bodo

foto: Pombal Jornal

Diz a imprensa local que a JSD apresentou ontem, em plena Assembleia Municipal, uma proposta tão bizzara quanto a exposição dos burros: mudar o feriado municipal, de 11 de Novembro, para a segunda-feira do Bodo. 
Tenho resistido a comentar tonterias. Mas a Assembleia Municipal ainda me parece um órgão sério - e pese embora todo o meu desencanto, por ter esperado 20 anos pela mudança que afinal não chegou - quero acreditar que prevalece uma réstia de bom senso. 
A mim não me choca que os rapazes sejam irreverentes, desde que não confundam a mesa do Red Line, da Cervejália, da Capital ou de outro qualquer com a bancada da Assembleia Municipal. 
O Bodo não é - nem nunca foi - uma festa concelhia. A maioria das freguesias não se revê nela.
Mas para tirarmos as teimas - e acabar com este episódio de manifesto umbiguismo, em que se confunde a árvore com a floresta - eu voto a favor de um referendo, já que chegámos aqui. Já que o presidente da Câmara propõe um amplo debate.
De resto, vale a pena perceber o que diz o povo, nas redes sociais...

Há burros no Cardal


O Jardim Municipal acolhe, por estas dias, uma exposição bizarra. Procurei mais informação sobre aqueles burros, mas não encontrei. Fico-me então pelas explicações do povo, daquele que anda no Pombus à hora de almoço, e que ainda há pouco me elucidou:
- isto são os burros dos ciganos?
- Não...(diz o motorista, esclarecido). São fotografias de um fotógrafo que é muito crítico, e que veio com aqueles espanhóis e italianos que estão no castelo a dar concertos. Acho que vão andar aqui umas duas semanas.
- Os burros?
- Tudo.
Imaginei tanta coisa no Cardal, neste formato. Mas é preciso ser burro, afinal.

29 de junho de 2015

Oposição dispensável

Sempre defendi a existência de executivos multipartidários nas autarquias como forma de assegurar uma melhor governação e algum controlo da deriva populista, cacique e corrupta do poder local. Mas estou quase a ceder. A realidade é o que é e não o que gostaríamos que fosse: a inoperância das oposições autárquicas é confrangedora, nomeadamente em Pombal.
Nem discuto a coisa com base nos argumentos económicos ou das necessárias poupanças: é evidente que os custos inerentes aos vereadores da oposição são insignificantes. Mas ganham significado quando o valor gerado é nulo ou próximo disso. Na verdade, não é o custo que pesa, mas o remorso do embuste.  
A agenda da última reunião do executivo municipal (que antecede a próxima assembleia municipal) continha vários e importantíssimos assuntos:
- Relatório de Gestão e Prestação de Contas Consolidadas – Ano de 2014
- Parecer do auditor externo sobre as Contas Consolidadas – Ano de 2014
- 3.ª Revisão às Grandes Opções do Plano 2015/2018
- Contratos Interadministrativos com as Juntas de Freguesia para a criação do Espaço Cidadão
- Protocolo de parceria entre o Município de Pombal e a Vodafone Portugal
- Projeto de Regulamento Municipal de Urbanização e Edificação de Pombal
- Normas do Orçamento Participativo de Pombal
- Relatório final da Ação de Acompanhamento à Operação POVT
- Relatório de Execução Orçamental da PMUGest – 1.º Trimestre – Exercício de 2015
- Apoios às Juntas de Freguesia do Concelho de Pombal
Todos votados por unanimidade, sem uma observação, um reparo, uma crítica.
É a oposição que temos. Demitam-se, poupem-nos o remorso do embuste.

24 de junho de 2015

O perigo da utilzação da bicicleta

Para a European Cyclists’ Federation, Portugal é o país da União Europeia com maior taxa de ciclistas mortos na estrada e é apenas o 2º país com menor utilização de bicicleta, o que revela a perigosidade do uso deste meio de transporte. Só por medo os cidadãos não recorrem mais ao uso da bicicleta.
Embora o baixo grau de civismo de condutores ou até de ciclistas seja uma das causas de tão alta sinistralidade, é-o, sobretudo, a falta de adaptação das vias à segurança dos ciclistas.
Em Pombal, para além da zona da praia do Osso da Baleia e do pequeno troço do rio Arunca entre o açude e o Viaduto Guilherme Santos (preparados apenas para fins lúdicos), nenhuma outra estrada ou rua está adaptada à utilização da bicicleta. Acresce que não existe qualquer estudo ou projeto para alterar as vias e proporcionar a utilização regular da bicicleta pelos pombalenses como meio de transporte.
Mesmo na parte do lazer, pouco se tem feito, como é o caso do btt. Tendo a modalidade atingido razoáveis níveis de popularidade, sendo praticada por muitos cidadãos e pretendo o executivo camarário colher os louros e conduzir o “rebanho” para anunciado Centro de Interpretação da Sicó, justificando o pródigo investimento, apressou-se recentemente a colocar sinalética nalguns trilhos anteriormente abertos e mantidos pelos praticantes mais empenhados. Pensou-se que o Município iria passar a cuidar dos trilhos, o que não aconteceu, uma vez que os mesmos ou estão a ficar fechados com vegetação ou têm de continuar a ser mantidos pela carolice de alguns “betetistas”.

23 de junho de 2015

O SCP e os Tramiqueiros

Os tramiqueiros são criaturas com imaginação fértil, não para coisas com valor, mas para a tramiquice. Até ao final do século passado tiveram sucesso e ostentavam-no, rindo-se até dos que não lhes seguiam os métodos. Nos últimos anos entraram em desgraça e são, actualmente, a desgraça das organizações por onde andam. O seu “modus operandi” é simples: movimentam-se regularmente na fronteira da legalidade e lançam uma ou mais tramiquices. Se uma resultar, ganham um balão de oxigénio até à próxima dificuldade, e assim sucessivamente. Para tal, juntam-se sempre a quem lhes possa facilitar as tramiquices: dirigentes bem colocados ou políticos (alguns, tramiqueiros de origem).
O SC Pombal (SCP) foi, ao longo das últimas décadas, um bom exemplo da gestão tramiqueira. O clube claramente mais apoiado pela câmara – subsídios, infra-estruturas, serviços, despesas - manteve-se insolvente e normalmente sem resultados desportivos.
O SCP não sabe o que deve, mas sabe que não consegue pagar a dívida; quer continuar a receber apoios, mas não quer assumir os compromissos com os credores. Continua com uma direcção sem legitimidade a tomar medidas de fundo (Desportivas e Administrativas) e um Direcção eleita - já com baixa(s) - sem tomar posse porque não tem contas aprovadas. Para embelezar este quadro o digníssimo presidente da AG convocou uma assembleia para, de entre outros pontos, discutir a eventual criação de uma “Sociedade Desportiva Unipessoal por Quotas”, onde o clube terá uma quota intransmissível de 100% (DL n.º 10/2015; art.º 11.º).
O que visam com este “esquema”? Deixar o passivo no clube e, como este não tem activos, ludibriar os credores?
O que tem a câmara - principal financiador do clube com o dinheiro dos nossos impostos – a dizer sobre isto?
Vai a câmara continuar a dar toda a cobertura às tramiquices e a lançar o dinheiro dos nossos impostos numa entidade que não cumpre as suas responsabilidades e os compromissos com o Estado (Nós)?

21 de junho de 2015

Sete Sóis Sete Luas


O sete é um número bíblico, um número místico. Não foi por acaso que Deus descansou no sétimo dia e que Newton, que era um místico, decidiu fixar o sete como o número de cores do arco-íris. Também são sete as petições do pai-nosso.

Em Pombal vivemos também sob o signo do sete. Depois de termos sido considerados a sétima melhor cidade para se viver na região centro, acolhemos agora o Festival Sete Sóis Sete Luas. Desconheço os desígnios do oculto mas, sejam quais forem os motivos desta coincidência, o que é certo é que são duas boas notícias.

Confesso que estava longe de pensar que a nossa autarquia decidisse apostar num evento inspirado nas personagens de Baltazar Sete Sóis e Blimunda Sete Luas do magnífico "Memorial do Convento" de José Saramago. Estamos sempre a aprender. Espero que essa decisão corresponda mais a uma opção de futuro do que a uma medida avulsa, aproveitando uma oportunidade circunstancial. Só assim se justifica o investimento.
 
A partir de quinta-feira vamos acolher um festival que tem dado ênfase à divulgação da cultura mediterrânea, privilegiando os pequenos centros e artistas de inegável qualidade mas longe de poder ser considerados mainstream. Porque reconheço enorme qualidade nos nossos novos artistas (Ricardo Silva é o pombalense em destaque), porque vejo o futuro de cidades como Pombal enquadrado em redes de centros urbanos de interesses e identidades comuns e porque acredito na nossa matriz mediterrânea, aplaudo esta iniciativa da autarquia. Estarei disposto a aplaudir de pé quando perceber se esta opção corresponde a uma efectiva política cultural.

18 de junho de 2015

Silly Season*


A imprensa local e regional vai transmitindo, com assiduidade, o que se passa por aí. A nossa vida corre bem, como nos posts do facebook. Funcionários e vereadores do município marcharam alinhados, no Santo António (é verdade que nos outros municípios o papel das câmaras é incentivar as colectividades e os bairros - por alguma razão as marchas se chamam populares, e não municipais. Mas, como sabem, nada disso interessa).
A EB1 vai entrar em obras (isto se a DEGEstE se pronunciar a tempo sobre o projecto, se a obra for a concurso e publicamente apresentada/discutida), dando finalmente lugar a um Centro Escolar. Os pais estão agora a ser delicadamente informados, à medida que vão matricular os filhos. Mas é verão, tempo de férias e gelados. Os bombeiros hão-de dar conta do recado, que se-Deus-quiser a época de incêndios há-de ser tão morna como a participação no debate sobre o futuro do país que a nossa Associação de Industriais organizou - um naipe de oradores como aquele merecia, pelo menos, uma sala composta. Mas lá está, é quase-verão, a vida corre entre caipirinhas, gin-tónico e sumo de laranja fresco, que maçada.
Pensando bem, falta pouco mais de um mês para o Bodo. Pode ser que nessa altura já nos possamos deleitar junto ao Arunca, na esplanada que ali há-de nascer, em frente ao pavilhão da Caldeira, na sede prometida pela Câmara a uma colectividade desportiva (nas zonas desportivas devem estar colectividades desportivas, está bom de ver). E afinal, 183 mil euros hão-de dar para belas vistas.

Além disso, teremos sempre o Osso da Baleia.
fotos: Jornal Terras de Sicó

14 de junho de 2015

Carnaval de santo António

Nos últimos anos, tem-se registado um crescimento da promoção e da participação nos desfiles do carnaval de santo António no sambódromo de Pombal. O trabalho inútil de vários dias de preparação, os gastos perdidos nas indumentárias e os subsídios e os gastos camarários destruídos num momento servem para dar circo ao povo, bajular o clero e proporcionar mais um “arraial” de exibição dos autarcas municipais.

Este a ano, a chuva minha amiga fez uma desfeita ao carnaval, mas poupou-me um pouco de dinheirinho no consumo de água e manteve a natureza forte, verde e bonita, o que é muito mais importante. 

9 de junho de 2015

A Meia Surpresa

Realizou-se ontem uma assembleia extraordinária da AH dos Bombeiros Voluntários de Pombal que formalizou mais uma sucessão na direcção da instituição, com uma meia surpresa: a não recandidata de Rodrigues Marques – fica por lá como vogal. 
O novo presidente - Sérgio Gomes; figura educada, dialogante, respeitável e respeitadora, com provas dadas no meio associativo e não só – espera fazer “nestes próximos dois anos aquilo que não se conseguiu fazer até aqui”, nomeadamente “restituir a paz à instituição”.

Que Deus os abençoe.

Executivo camarário sentado sobre uma mina de água

O aquífero da Mata do Urso é talvez o maior da Península Ibérica. É ali que a Câmara Municipal vai buscar a água (com poucos custos de captação e de transporte e poucas necessidades de tratamento) para a distribuir ao domicílio e à indústria. Obtida a água a baixos custos e vendida aos cidadãos, as receitas são suficientes para pagamento do valor das remunerações de todos os funcionários públicos. As restantes receitas do município servem para custear a construção de infraestruturas e também para brincar aos subsídios e para construção de edifícios “elefantes brancos”.

Enquanto as freguesias da zona serrana obtém uma compensação monetária pela exploração de pedreiras e pela instalação de eólicas, os munícipes do nosso concelho não beneficiam da redução do preço da água. Se porventura regam o seu jardim no verão, terão de pagar não só a água a mais alto preço como ainda terão de pagar a taxa de resíduos correspondente como se regar o jardim produzisse lixo. Talvez seja melhor construir um furo para captação de água e deixar de ter água da rede pública.

7 de junho de 2015

A animação da ETAP na SIC Radical - o mistério do vídeo desaparecido

A informação não corresponde de todo à verdade. Não foi no Dia Mundial da Criança que aconteceu aquela exibição, mas sim no Carnaval, como aqui farpeámos. Ainda assim, na mais recente edição do programa Irritações, da SIC Radical, mereceu destaque aquele programa de animação made in ETAP, a concorrer directamente com a ideia brilhante da Câmara de Portalegre no Dia da Criança, treinando os mais pequenos para uma batalha campal, com polícia de choque e tudo...
É claro que, entretanto, o vídeo desapareceu do facebook e dos arquivos da solícita Pombaltv, que o filmou na altura. Mas isto é uma chatice: uma vez na net, sempre na net. Ao minuto 42' do programa, lá está ele.

4 de junho de 2015

Mais vale tarde…

A CMP decidiu, por unanimidade, alargar o transporte escolar gratuito até ao 12.º ano.

Atualizaram-se! Há muito que aqui tínhamos apontado a injustiça da limitação da gratuitidade até ao 9.º Ano. Mais vale tarde do que nunca.

2 de junho de 2015

A malta é jovem. E pensa?


Quando vi um palco cá fora, pensei que desta vez a Feira da Juventude ia ser de rasgo - bem pensado, aproveitar o bom tempo e o ar livre para as exibições de bandas, grupos de dança ou de ginástica, em vez de contribuir para o efeito de estufa em espaço fechado, com aulas de zumba. Ledo engano. Lá dentro, no pavilhão, o modelo continua o mesmo, ultrapassado há tempos. Parece-me que falta dar um objectivo à iniciativa e orientá-la. "Falta orientar isto para o emprego, que é a grande preocupação dos jovens" - disse-me ao final do dia um dirigente partidário à direita. Se calhar essa componente até lá estava - na óptica da organização, que pegou nos seus meninos-exemplos de sucesso e foi às escolas passar a mensagem.


Este ano o Município quis homenagear os jovens que se destacaram na vida académica e desportiva. Alguém nos pode dizer qual foi o critério? E já agora, uma nota ao Presidente: não se faz um discurso daqueles para miúdos daquela idade...


Louvável o esforço dos agrupamentos, escolas e colectividades que se desdobraram para marcar a melhor presença. Não percebi o que aconteceu com o Agrupamento de Escolas da Guia, que deixou o stand vazio. Por pudor (certamente) a organização acabou por retirar o nome do espaço. Ninguém diria que a direcção tem uma assessoria técnico-pedagógica para o plano de actividades. 

31 de maio de 2015

SCP na Regional e na falência

O SCP desceu à Regional (na verdade já lá estava – desceu só mais um nível). É estranho que o clube mais representativo de um concelho de média dimensão ande pela liga dos últimos.

Há clubes que têm má performance desportiva, mas boa performance económica (no mínimo contas equilibradas e sérias). No Pombal, temos o pior de dois mundos: desastre desportivo e desastre administrativo (insolvência e contas irregulares). Com a complacência do(s) paladino(s) da legalidade.

29 de maio de 2015

Há coisas que não mudam...

O inevitável aconteceu: renuncia (forçada) dos órgãos (ilegalmente) eleitos. A coisa passava – deve ter passado muitas vezes - se uma eleita (?) não tivesse dado com a língua nos dentes e se lhes tivéssemos dado o descanso que não merecem. O presidente da mesa da A.H. Bombeiros Voluntários de Pombal convocou uma reunião, dia 8 de Junho, com a seguinte Ordem de Trabalhos: 
1) Informação (demissão dos Corpos Sociais); 
2) Eleição dos Órgãos Sociais para o biénio 2015/2016. 
O presidente da direcção divulgou a reunião por políticos, doutores e engenheiros, sócios e não-sócios; sem a comunicar, antes, aos Bombeiros. A mail-list da direcção dos bombeiros não inclui os Bombeiros. Vivemos numa comunidade dual: poder/oposição(?); dirigentes/dirigidos; abrangidos/excluídos; mas, nalgumas situações, dispensava-se tanto desplante. 
 Nos BVP, o dualismo dirigentes versus dirigidos é levado ao extremo: os dirigentes não são bombeiros e os bombeiros não são dirigentes (há o comandante, imposto por lei, senão…). Esta disjunção, alicerçada em interesses antagónicos, deixa pouco campo para o compromisso e muito para a guerrilha. Depois admiram-se…

28 de maio de 2015

E no entanto, ela move-se


A poucos dias de terminar o ano lectivo, a Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas de Pombal deu sinais de vida. Está afixada num painel da Escola Secundária de Pombal (pelo menos) a convocatória que ontem chegou a algumas caixas de correio electrónico de alguns associados [que isto deve ser como na missa, só comunga quem as entidades superiores consideram estar em condições de papar a hóstia].
E o que diz a convocatória? 
  • Que a Associação de Pais vai finalmente eleger uma nova mesa da Assembleia Geral, pois que na última (em Dezembro) demitiu-se a presidente? Não.
  • Que a Associação de Pais quer reunir os associados e ajudar a organizar as festas de final de ano? Não.
  • Que a Associação de Pais resolveu finalmente apresentar as contas e o relatório de actividades dos últimos dois anos?Não (até porque só pode haver relatório do que existe).
  • Que a Associação de Pais está preocupada com o processo inerente às obras que aí vêm, para a construção de um pólo escolar na cidade - e que vão obrigar à mudança dos alunos sabe-se-lá-para-onde, no próximo ano lectivo? Não.
  • Que a Associação de Pais está preocupada com o que se passa nas nossas escolas, de um modo geral? Também não.
A convocatória tem dois pontos:
1. Marcação da data para a realização de eleições dos novos órgãos sociais
2. Informações sobre a sentença proferida pelo Tribunal de Leiria (relativamente ao processo contra a APEEAEP)
Aqui fica o nosso serviço público: desta vez a reunião não acontece na Câmara nem na Biblioteca Municipal. Está marcada para dia 3 de Junho, às 19h30, no auditório da Escola Secundária de Pombal. 

26 de maio de 2015

A desvergonha prossegue

Passaram 2 meses sobre as eleições para a ABVP, onde ocorreram as irregulares mais graves alguma vez vistas em Pombal. Os erros são graves, mas mais grave é não os assumirem e não os corrigirem.
A correcção dos erros só tem uma solução: renuncia (ou perca de mandato) dos corpos (mal)eleitos e novas eleições. Mas não chega, é necessário, também, desconspurcar a organização: apurar o(s) responsável(is) pela fraude, puni-lo(s) pelos danos causados à organização e impedi-lo(s) de cometerem novas fraudes –  de se candidatarem.
De que estão à espera para renunciarem?
Porque continuam a pactuar com tamanha fraude?
Haja um mínimo de dignidade e de respeito por uma organização secular e respeitável.

Ministra da Justiça em Pombal

A AICP promoveu e organizou, no passado dia 19-05-2015, um "jantar-debate" com a presença da ministra da justiça sobre “a reforma da justiça e o impacto na economia”.
Tendo ficado com a opinião da irresponsabilidade da ministra e tendo, depois, lido a entrevista de Isaltino Morais ao Expresso de 23-05-2015 sobre aquela ministra, onde formulou sobre ela opinião ainda pior, decidi escrever algumas palavras sobre o “jantar-debate”.
A ministra alegou que a reforma do mapa judiciário e os meios alternativos de resolução de conflitos levaram à maior celeridade processual e a melhores benefícios para a economia, dizendo que tudo era positivo e que países mais ricos que o nosso nos têm consultado para aprenderem com a nossa experiência e propondo mesmo um brinde coletivo ao “êxito da reforma”.
Aceitando e defendendo nós como certo que todas as sociedades organizadas necessitam de reformas para evoluírem e para não ruírem, temos de dizer que a ministra revela pretender esconder os efeitos negativos da reforma ao transformar o setor da justiça portuguesa num grande laboratório onde muitos cidadãos são as cobaias vítimas das experiências “científicas”, aquelas que os estrangeiros querem então conhecer e estudar antes de cometerem os mesmos erros. Omite o que se passa, por exemplo, com os PER, como forma de evitar o peso das estatísticas de empresas insolventes mas que leva aos esquemas de protelamento das insolvência e de ocultação da má gestão, com as notificações nos procedimentos de injunção, como forma dos cidadãos não se poderem defender de dívidas prescritas e de procedimentos caducados, com as execuções com base em “fórmulas executórias” das injunções, como forma dos bens dos cidadãos serem espoliados antes dos mesmos tomarem conhecimento da existência da execução, por dívidas que não ou já não existiam, etc...
Gostava de ter visto alguma honestidade intelectual nos argumentos da ministra…

Fiasco Pombalino


No final da semana passada recebi um honroso convite do presidente da câmara para participar no Festival Pombalino. Consegui mobilizar toda a família (coisa rara – têm gostos e interesses muito diversos) e Sábado à noite deslocámo-nos para o evento. Fiquei mal visto e nos próximos tempos dificilmente os arrasto para outra: uma praça despida e triste – como mostra a foto – fracas atuações, pouca animação e pouco público (nem as figuras da organização - do poder - se viram por lá!).

Sem muito para ver entreti-me a falar com os feirantes/expositores – a parte mais consistente do evento – e percebi a sua desilusão com o evento e com a organização (CMP): pouca de promoção e em cima do evento, poucos visitantes, terrado muito caro e evento alternativo no Domingo (Crisma no Pavilhão de Exposições, fora da cidade). Não se faz!
Desta forma, destrói-se valor no lugar de o gerar. Não se justifica fazer pagar um terrado a expositores que constituem o cenário do evento, num evento novo sem potencial para gerar receitas aceitáveis (nalguns casos não darão para pagar a deslocação, e alguns fizeram 200 km).
Não basta fazer, é preciso mais alguma coisinha…

22 de maio de 2015

A cultura do regresso ao passado


O que aconteceu em Pombal no fim-de-semana passado merece aplausos e incentivo. É sempre um balão de oxigénio para uma moribunda zona histórica ter alguma vida de volta, ainda mais se chegar acompanhada de música e dança, como foi o caso da iniciativa Montras Poéticas: artistas nossos a mostrarem, de uma forma original, o que fazem tão bem.
Depois, no domingo, quase em segredo (custa-me a crer como é que não se aproveita a marca do Marquês, numa coisa destas, como é que não se divulga isto à séria) uma nova Associação Artística apresentou-se no Museu, com um [belíssimo] quinteto de música de câmara, que pode voar tão alto...
A maioria das entidades locais tinha mais que fazer - está visto - e por isso chegou no final do concerto, só a tempo da fotografia. Uma pena. 
Mas o que sobra deste tempo é a fixação pela idade média e pelos séculos passados. Foram os romanos no Natal, depois a feira medieval, agora o festival pombalino. Dir-me-ão que é melhor que nada, que o que importa é haver actividade. É importante preservar o passado, sim. Mas é igualmente importante projectar o futuro, e isso faz-se muito pouco, nos tempos que correm. Cheguei a pensar que as sementes lançadas na Casa Varela, no Bodo passado, iriam germinar. Mas os meses passaram, a casa não voltou a abrir-se, e os nossos artistas continuam a ser chamados por Leiria (por exemplo) para animar as inúmeras iniciativas culturais da cidade vizinha. Não se trata de copiar os outros, mas podemo-nos inspirar. E fazer mais coisas como a do fim-de-semana-passado. Mudamos esta agulha?

nota de rodapé: Se há um festival pombalino e um sarau, com  música barroca, agendado para a noite de sábado; se acaba de nascer um quinteto em que os músicos até trajam à época e tocam tão bem, não faria sentido integrar uma actuação nesta iniciativa? Pois. 

Meio-tolos

A ofensa é a arma dos fracos, e dos tolos. Os primeiros são imputáveis, os segundos não. O problema é distingui-los e responsabilizá-los. Como poderemos responsabilizá-los se não conseguimos distingui-los? Há sempre a hipótese de chutar o problema para os tribunais, mas os juízes também se consideram impotentes para o efeito e recorrem regularmente a peritos, que dão pareceres contraditórios e a pedido.
É complicado lidar com os tolos e muito pior com os meio-tolos. Os tolos são por natureza criaturas inconscientes, ingénuas, toleráveis; que, apesar de dizerem parvoíces, piadas de mau-gosto ou impropérios, não ofendem verdadeiramente. Erasmo dizia que “só aos tolos os Deuses concederam o privilégio de censurar sem ofender” e, por isso, reservam-lhes o reino dos céus. A tolice é a alegria do tolo.
Os meio-tolos são a outra face dos tolos: criaturas perigosas, mal-formadas, intrinsecamente desonestas, que manhosamente conquistaram uma certa áurea de tolos (espertos) e a usam, conforme as circunstâncias, para se fazerem passar por tolos ou por audazes. Abundam por aí e por aqui.
Tolero os tolos mas abomino os meio-tolos, porque estes não olham a meios para atingir os fins. Preocupo-me muito pouco com a imagem, mas preocupo-me com o bom-nome. Não é tanto por mim, mas pelos meus Amigos e pela minha família - acima de tudo pelos meus filhos. Tenho hoje a certeza (se se pode tê-la) que os meus filhos são melhores do que o pai. Isso enche-me de orgulho, mas aumenta-me a responsabilidade de os não desiludir, de os não envergonhar. Tenho a consciência de que os filhos perdoam todos os deslizes à mãe, mas são implacáveis com o pai. Compreendo-o e aceito-o.
Há uns tempos, um amigo recente presenteou-me com um jantar onde tive a sorte de ficar sentado ao lado de uma Senhora que não conhecia. O jantar foi delicioso – ficou-me gravado o sabor daquela cabidela, prato de que não era grande apreciador – e a longa conversa com a distinta Senhora foi o complemento perfeito do repasto. Quando leio alguns dos comentários que por aqui vão sendo colocados, penso na distinta Senhora (e no seu filho que não conheço) e rezo para que não tenha(m) o azar de os ler - farão sofrer e rasgarão, com certeza, a sensibilidade da distinta Senhora. 

16 de maio de 2015

Oxalá tenhas um mau vizinho

É o agoiro proferido durante uma discussão contra o adversário e inimigo: “Oxalá tenhas um mau vizinho”.
O mau vizinho intromete-se na vida alheia (vigiando), insulta, agride, danifica, furta e arremessa lixo a partir do seu quintal, tentando cansar e desmoralizar o vizinho. Porém, arrisca-se a encontrar alguém ainda mais duro e partir a testa com as cabeçadas que dá. É o que me fez lembrar a conduta mais recente de Rodrigues Marques e anteriormente de alguns anónimos em relação ao Farpas.

Mais uma baixa…

Desta vez durou, apenas, dois meses e meio. Jorge Cordeiro, adjunto do Príncipe, contratado para chefe da propaganda, bateu com a porta e zarpou.
As crueldades continuam a ser mal usadas, a desconfiança é enorme, os ministros andam pelos cabelos e dirigentes amedrontados e em guerrilha.

O príncipe está demasiado incauto e o delfim no terreno a entender o regaço aos desiludidos. 

Não desvalorizem as touradas

Nota prévia: não sou grande aficionado nem anti-touradas. Aprecio, até, uma boa lide, preferencialmente “a pé”: a coreografia, a encenação, a musica e a adrenalina do risco.

A junta de Abiúl (com apoio da câmara) vai pagar (dar), à RTP, 25.000 € pela transmissão de uma tourada, por altura das festas de Agosto. Não se percebe - até porque as televisões andam ávidas de eventos e parodias que lhes ocupem as muitas horas de emissão.

É um 2 em 1: desvalorizam as touradas - ao assumirem que não têm valor e gastam dinheiro, sem qualquer retorno, necessário para suprir carências básicas.  

13 de maio de 2015

Bullying estudantil e praxis académica

Recentemente, assistimos à divulgação de um vídeo mostrando alguns estudantes a agredir um colega, para escândalo da hipocrisia de graúdos, que também já o fizeram, e de miúdos, que também o fazem. Recuando mais um pouco no tempo, assistimos anteriormente à novela televisiva da investigação das responsabilidades na morte dos estudantes da Praia do Meco, em resultado da brincadeira e da estupidez da adesão a praxis estudantis.
No primeiro caso, é patente a presença de uns marmanjos, feitos líderes, a incentivarem as suas fêmeas a agredirem o macho mais fraco, chegando mesmo a manietá-lo para que este não se possa defender. No segundo caso, um estudante cábula e repetente, intitulado “dux”, liderou alguns estudantes, nomeadamente fêmeas, conduzindo-os à Praia do Meco onde perderam a vida.
Não se surpreendam os graúdos que compram fatos de andorinha para os seus “meninos” se inserirem na “sociedade” académica e na cultura da festa inconsciente, para participarem nas atividades das praxis académicas e apanharem quilómetros de bebedeiras e produzirem toneladas e lixo…

Entretanto, miúdos e graúdos continuam a disputa territorial e o jogo de sedução muito vistos nos documentários televisivos sobre vida animal, como por exemplo nos filmados no “Parque Nacional do Serengeti”.

A 13 de Maio, na cova da Pombalaria

Maio é um mês que me irrita um bocado.
Desde logo, por causa das aparições. Refiro-me, claro, às aparições dessa aberração rodoviária que são os "carros de apoios a peregrinos". Juntemos a essa irritante realidade o facto de suprimirem todas as segundas faixas na estrada (IC2) entre Coimbra e Leiria, e... vamos completar o quadro com a colagem dos políticos ao fenómeno religioso, que é talvez ainda mais obscena do que aquela que fazem ao futebol.
O Pombal Jornal dá a boa-nova, em noticia assinada pela menina JESUS (o que reforça a santidade da acção municipal), e de forma não muito diferente da que é feita pela site do Município. Há plágio de um dos dois, ou há uma "acção concertada" entre órgãos que se querem (e são, não duvido) amigos? Ou o "gabinete da propaganda" foi aumentado mais uma vez, e nós não sabíamos? Ou então, poderá também ser uma substituição, mas para isso, teria algum dos actuais membros de tão activo órgão que se demitir, o que não parece uma coisa normal.

O estado é laico, mas o município, aparentemente, não é. Nem os seus seguidores.
Amén.

12 de maio de 2015

Se eu não me ajudar…

Não sei se é da crise ou da evolução normal da praxis: o certo é que o lema “se nós não ajudarmos os nossos…”, assumido publicamente pelo PSD para justificar as múltiplas arbitrariedades, evoluiu para “se eu não me ajudar…”.
O presidente da junta do Louriçal reconheceu, em plena assembleia de freguesia, que a junta compra produtos à sua empresa. Está explicado o seu deslumbramento com a terra de oportunidades em que Pombal se transformou!

11 de maio de 2015

É tudo uma questão de fé

A comovente divulgação do apoio aos peregrinos por terras de Pombal, por parte do município - republicano e laico (?!) -  mostrou ao país e ao mundo que não há terra como esta.
Desta vez, superámo-nos no sacrifício pelos outros, deixando aos nossos atletas uma sala para se equiparem, pois que os balneários estavam TODOS destinados aos peregrinos.

9 de maio de 2015

Rapaziada, quer se possa ou se não possa...


A convocatória merece ser emoldurada.
A convocatória merece ser emoldurada porque está em letra miudinha.
A convocatória merece ser emoldurada porque está em letra miudinha e mal se lê, no jornal.
A convocatória merece, ainda, ser emoldurada porque...não se via nenhuma destas desde há uns dois anos!
A convocatória é uma boa convocatória. O clube é um bom clube. E os candidatos também. 
Era um Lopes para o Sporting de Pombal, sff.

7 de maio de 2015

Ao jeito de Frei Tomás

Custa-me, acreditem, repisar estes temas (o seu denominador comum): Conselho Geral de Agrupamento de Escolas de Pombal e a Direcção dos Bombeiros Voluntários de Pombal. Mas a realidade é de tal forma abusadora que até deixar de ver faz doer os olhos.  E, como dizia Pessoa, tudo que se passa no onde vivemos é em nós que se passa. E, nestes casos, é preciso ter contra-alma bastante para não chorar e grande desvergonha para calar.
O Agrupamento de Escolas de Pombal não tem Conselho Geral, vai para ano e meio. Não tem porque o presidente da câmara, fazendo-se passar por paladino da legalidade, aponta potenciais irregularidade na eleição dos representantes dos pais, e, apoiando-se nisso, recusa-se a tomar posse e não consente que tomem posse os membros designados pela autarquia, o que acarreta transtornos e prejuízos para a comunidade educativa.
Há cerca de um mês, foram (re)eleitos os (velhos) dirigentes da Associação de Bombeiros Voluntários de Pombal, mantendo-se o presidente da câmara como vice-presidente. O processo eleitoral foi um chorrilho de ilegalidades, que atingiu o caricato com uma eleita a ter que emitir um comunicado para se demarcar do processo e mostrar a sua estupefacção por constar da lista única apesar de não ter sido convidada e não ser associada. Apesar desta (e não só) ilegalidade que roça o burlesco, os dirigentes eleitos tomaram posse e, depois de o caso ter sido tornado público, não se demitiram – o que não surpreende - e o presidente da câmara – o tal paladino da legalidade – continua sereno e inamovível, atestando, dessa forma, a conformidade do processo.

Bem prega Frei Tomás: faz o que eu digo, não faças o que eu faço! Até quando…

Em nome do Oscar

Calou-se ontem uma das vozes mais incómodas do jornalismo em Portugal, da liberdade de expressão. Da Liberdade. Oscar Mascarenhas morreu, de ataque cardíaco, aos 65 anos. Deixou muito de si à imprensa portuguesa e um bocadinho também ao Farpas, quando, em Janeiro de 2014, fez o favor de me esclarecer a propósito disto.
Na edição de hoje do DN, o camarada (de sempre) Ferreira Fernandes escreve-lha uma doída homenagem, que vale a pena replicar aqui - afinal, o Oscar travou uma luta contra os anónimos e deles dizia muito do que penso, também: escrever é dar a cara. Por isso mesmo, aqui fica a crónica, para memória futura.

Doeu, mas está tão bem escrito...

Um dia, ele contou-me que o pai, médico, recebera uma carta, que abriu, levou os olhos ao fim do texto e, não tendo encontrado assinatura, rasgou-a e deitou ao lixo. "Uma carta anónima não se lê", ensinou o pai a Oscar Mascarenhas, ensinou-me ele em conversa, como ensinou a muitos, nas redações dos jornais e nas escolas. O Oscar era altivo a falar e quem nisso só visse arrogância perdeu, talvez, boas lições. Perdi algumas, mas aquela, não. A carta anónima não foi mero episódio, era a convicção duma vida: escrever é dar a cara. Aqui, no DN, Oscar Mascarenhas liderou um combate contra a irresponsabilidade (passe o pleonasmo) dos comentários anónimos no online. E não era ver o argueiro nos olhos dos outros: não conheço jornalista português que mais tivesse criticado os seus próprios camaradas. Criticava por amar demasiado o que fazia: "Digam-me uma só profissão que se autocritique em público tanto como a nossa!", desafiava. Um risco, porque ele viveu estes anos em que o jornalismo tarda em renascer. Ele conhecia esse desânimo, o que, por vezes, o levava a usar como arma de espadeirada o florete com que esgrimia a língua portuguesa. Era um polemista temível - de quem o fustigado, se conseguisse ser justo depois de tamanha coça, deveria dizer: "Doeu, mas está tão bem escrito..." Disse-me, ontem, de longe, uma pessoa querida: "Ele deu-me o CD da verdadeira música da pesada quando eu só pensava em rock. Era Wagner."

Perigo nas estradas dos peregrinos

As vias rodoviárias que ligam o norte e o centro de Portugal a Fátima, em grande parte dos seus percursos, constituem um risco para a vida dos peregrinos, como o demonstram as recentes mortes por atropelamento nos concelhos de Pombal e de Condeixa.
A Igreja Católica, os sucessivos Governos e os Municípios por onde transitam os peregrinos poderiam construir um caminho rústico interdito a veículos motorizados, para proteção dos peregrinos, à semelhança da maior parte dos troços dos caminhos de Santiago.
A omissão de iniciativas da Igreja Católica, principal responsável moral pela proteção dos peregrinos, parece revelar apenas preocupação com os resultados económicos das peregrinações a Fátima, de que é sempre a principal beneficiária. Também os autarcas dos municípios atravessados pelos peregrinos, aqueles que se fingem muito religiosos e que atribuem gordos subsídios à Igreja Católica, para construção ou remodelação de adros de capelas, ou às associações, para “atividades” sem utilidade, parecem não valer os cargos que exercem…

O Município de Pombal começa a falar numa solução. Veremos se a mesma implica os habituais “remendos” na adaptação de vias rodoviárias ou a definição dos “caminhos de Fátima” materializados em novos trajetos interditos a veículos motorizados.

6 de maio de 2015

Louriçal: quem quer festa sua-lhe a testa...


Estão a concorrer com o Bodo as grandiosas festas do Louriçal. O cartaz - que foi publicamente conhecido e promovido muito antes da festa da cidade - é tão ou mais arrojado que o do ano passado. A única chatice é que o do passado saiu caro à Junta de Freguesia local. Soube-se agora, em pública reunião da assembleia de freguesia, que o prejuízo ultrapassou os 30 mil euros, qualquer coisa como cinco vezes mais do que o previsto. Se o orçamento daquela que é a maior Junta do concelho (jóia da coroa para o PSD nas últimas eleições) anda nos 640 mil euros...é fazer as contas, como dizia o outro.
Para evitar males maiores, este ano a autarquia mudou de plano: vai atribuir um subsídio de 16 mil euros à nova Comissão de Festas do Louriçal (não havia uma desde os tempos da chamada festa do Seco...), presidida pelo benemérito António Calvete. 
Entretanto, somam e seguem os Serões Culturais pelas colectividades da freguesia. Honra seja feita a José Manuel Marques, o primeiro presidente de um executivo social-democrata a promover a iniciativa que, até agora, era um exclusivo dos socialistas. E mérito, já agora, pois que nunca a Câmara contribuira com um tostão para o evento, e desta vez chegaram aos cofres da Junta 4.500 euros...

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5 de maio de 2015

Um vício típico de endinheirado

A maioria das câmaras municipais tem ideias e projetos, mas falta-lhes dinheiro. A CMP tem dinheiro a mais, mas faltam-lhe ideias. Vai daí: sentido o incómodo do dinheiro parado e da falta obras, lança-se a fazer o que não deve e/ou o que não lhe pedem.
Os exemplos do desvario abundam. O mais risível é o desembolso de 236 mil Euros para a recuperação das fachadas do Hospital de Pombal – edifício que não administra nem lhe pertence. Então, porquê substituir/subsidiar o Centro Hospitalar de Leiria-Pombal – instituição com uma situação económico-financeira desafogada?  

Embelezar mulher alheia é um vício típico de endinheirado.

Boa ou Má Gestão

Boa gestão é aquela que fornece (muito) valor às partes interessadas, que capta bem o que agrega valor e utiliza bem os recursos disponíveis para o atingir. Má gestão é aquela que não fornece valor às partes interessadas porque avalia mal as suas necessidades ou utiliza mal os recursos.
A CMP terminou 2014 com um excedente de 7,8 milhões de Euros. Isto é bom ou mau? Revela Boa ou Má Gestão? Antes de responder a estas questões convém introduzir alguns considerandos que diferenciam a gestão pública da gestão privada: (i) a gestão pública, ao contrário da privada, não visa o lucro; (II) a gestão pública transfere valor essencialmente para os utentes ou cidadãos em geral – nomeadamente nas câmaras, porque lhes está vedada a possibilidade de transferir valor para accionistas (não existem) ou colaboradores. 

Uma câmara que termina o ano com um excedente de 7,8 milhões de Euros é uma câmara que sacou aos seus cidadãos mais do que necessitava ou que não tem ideias onde deve investir os recursos disponíveis com valor para os cidadãos. É, no fundo, uma câmara mal gerida. 

3 de maio de 2015

As caminhadas e os trails dos políticos

As caminhadas, os “trails” e os percursos de btt estão a deixar de ser apenas atividades físicas, desportivas e lúdicas para se transformarem também em modas aproveitadas pelos políticos para ser mostrarem e obterem receitas para agradar a algumas associações.
A Câmara Municipal organizou há uma semana uma caminhada e um trail, cobrando uma pequena quantia monetária aos participantes e utilizando (sem custos) os trilhos, desde há muito abertos por alguns praticantes de btt, que sinalizou com fitas plásticas presas à vegetação ou, nalguns pontos, seguras debaixo de pedras colocadas nos estradões.
Enquanto atribui subsídios a diversas associações, alegadamente para construção de infraestruturas e para os seus membros praticarem desporto, a mesma Câmara cobra pela participação nalgumas outras atividades desportivas para a algumas associações. O objetivo parece ser sempre a obtenção de “receitas” para agradar às associações e não o fomento da prática de atividades salutares e do desporto para todos.

Entretanto, passada uma semana sobre a realização da “caminhada” e do “trail”, ainda não foram retiradas as fitas plásticas sinalizadoras dos percursos colocadas na vegetação e nos estradões nem as pedras colocadas/obstáculos colocadas nos estradões. Bem, apenas retiraram uma pequena parte das fitas junto à cidade… 

30 de abril de 2015

Juntar uns trocos

Depois da sessão de ontem da Assembleia de Freguesia de Pombal, deixei de acreditar nos regulamentos. Erro meu, má fortuna, tempo descrente...este em que as instituições da terra (supostamente laicas) estão rendidas ao trimestre que o Bispo aqui passou - e que teve de tudo, desde a benção das máquinas (tenho especial carinho pela roçadoira de Pombal) até às coreografias que as senhoras professoras ensaiaram com os meninos, num total desrespeito pela liberdade religiosa de cada família. Foram três meses apoteóticos para a comunidade. D. Virgílio é simpático, um líder cativante, e no dizer de uma beata cá da terra "um pedaço de mau caminho" - expressão do léxico feminino para descrever os homens bem apessoados. 
Mas essa é conversa para outro post. Este serve para beatificar os 2.500 euros que a Junta de Pombal atribuiu à Fábrica da Igreja Paroquial. Para suportar as obras mais recentes da Igreja - respondeu-me ontem o senhor presidente da junta, à dúvida levantada. 
Qualquer executivo de uma Junta é soberano para distribuir o dinheiro dos cofres (cheios, como felizmente estão os nossos). O único senão é que existe um regulamento, desde 2005, que estipula um tecto máximo de mil euros para apoio a associações e festas religiosas. E foi esse que suportou (!) a decisão autárquica.
Posto isto, não sei que diga aos dirigentes associativos que se desunham por apoios (às vezes logísticos, como a cedência de transporte). O melhor é irem à missa, todos os dias e com devoção. E uma vez praticantes, que integrem o Coro Municipal Marquês de Pombal, pronto para viajar até à Checoslováquia, e levar longe o nome de Pombal - com o apoio de 750 euros, que a Junta deu para a viagem, mesmo sem se tratar de uma associação e ser, como o nome indica... municipal.

Avenç(o)ados



27 de abril de 2015

A dança da cadeira

Uma das novidades introduzidas na gestão autárquica por Diogo Mateus foi a peregrina ideia da vice-presidência rotativa. De seis em seis meses, um dos vereadores a tempo inteiro assume o cargo de vice-presidente da autarquia, sabe-se lá com que finalidade. Esta decisão tem dois defeitos e, que eu saiba, nenhuma virtude: desprestigia o cargo e promove a incompetência. É o princípio de Peter no seu melhor, desta vez aplicado à vereadora Catarina Silva.

De acordo com o que aqui leio, o cargo de vice-presidente não é meramente decorativo. A ele cabe, para além das funções que lhe foram confiadas no âmbito da distribuição de pelouros: substituir o Presidente da Câmara nas suas faltas e impedimentos; representar o Presidente da Câmara em matérias administrativas e financeiras; assegurar as relações com a Assembleia Municipal; efetivar o trabalho de preparação política; realizar a coordenação geral da vereação no que às políticas implementadas diz respeito; monitorizar a execução do Plano de Ação Eleitoral sufragado; promover novas abordagens aos processos e incentivar a sua implementação nos serviços; proceder ao acompanhamento da Estratégia 2020.

E se todos reconhecem competência a certos dos vereadores da maioria, porque raio de carga de água o senhor presidente da câmara, ciclicamente, a quer desperdiçar?

O estritamente necessário para deixar pendente um sinal


Obrigado a todos os que fizeram do nosso 25 de Abril uma festa de aniversário do Farpas Pombalinas, um debate vivo e acutilante. Estamos cá para farpear. E para o que der e vier!

25 de abril de 2015

E depois de Abril

Muita coisa mudou nas nossas vidas desde aquela madrugada de 25 de Abril de 2008, quando eu, o Adelino Malho, o Adérito Araújo, o João Alvim e o Daniel Bento Alves mergulhámos nos teclados e nesta aventura de criar um blogue em Pombal, que se assumisse sem medos como um projecto de intervenção cívica e política [não partidário]. Na verdade, eu ganhava-lhes a todos: trazia comigo a Leonor, há sete meses, que haveria de nascer um mês depois, prematuramente aos olhos da ciência. De modo que, quando me perguntam do que me lembro nessa noite – em que trocámos talvez centenas de mails, entre nós, até acertarmos com aquela meia dúzia de linhas que fizeram o primeiro post – a memória traz-me algumas dores nas costas, largas o bastante para o que viria a seguir.
Era outro o Pombal desse tempo, como era outro o país. 
Não sonhávamos com redes sociais, com likes nem partilhas, mas sonhávamos todos com uma terra melhor. Sempre acreditei que a nossa terra é aquela onde vivemos, embora fiquemos para sempre ligados àquela onde nascemos. E por isso fui andando, às vezes por caminhos tortuosos, com a única certeza de o fazer de pé. A falta de predisposição para esfolar os joelhos traz dissabores, nos meios pequenos, mas dá-nos uma imensa  liberdade. E uma certeza: quando não temos nada a perder, e sobretudo quando não temos valores físicos para deixar aos nossos filhos, resta-nos a dignidade. É difícil falar dela e passar esta mensagem a quem só conhece o outro modus vivendi, aquele do registo bem comportado e futuro prometido, mais a pacandita nas costas (agora também existe em forma de like) e unidade colectiva. Às vezes penso que se não tivesse tido a sorte de viver e trabalhar com outra gente (mesmo sabendo que a sorte dá muito trabalho), nunca saberia que há mais vida para lá do Cardal, da declaração do presidente e de reacção oficial. Da mesma maneira, talvez me parecesse normal que a maioria dos jornalistas se anulasse no pé do microfone, esquecendo que são, antes de mais, cidadãos. E que numa sociedade saudável isso nunca coloca em causa o profissionalismo de cada um. Desgosta-me muito o estado a que isto chegou, mas não basta lamber as feridas. É preciso ter coragem de as tratar.
É nesse quadro que o Farpas se assume como um bálsamo, antídoto para caciques e formigas no carreiro.
Muita coisa mudou. Do núcleo fundador faltam-nos o Daniel e o Alvim, migrados para outras paragens. Vieram novos farpeiros, outros vieram e foram, abrimos as portas, desarrumámos a casa -  que fica à esquerda, como sabem. O Farpas foi entrando na vida da comunidade, de Abiul ao Carriço, do Louriçal às Meirinhas. Quando olho para nós, hoje, vejo-nos a abrir a janela e a sacudir o tapete, onde os poderes e interesses instalados guardam as migalhas e a poeira. A “farpearia” – como lhe chamam os meus – é um blogue. O que será depois de hoje, só saberemos logo à noite.
Valeu a pena a travessia? Valeu pois!
Pombal, 25 de Abril de 2015

Sete anos de Farpas


Por feliz coincidência, o Farpas nasceu no dia em que se comemora a liberdade. E tem sido sob o signo da liberdade que, desde 2008, cultivamos neste espaço o exercício da cidadania. Desengane-se quem aqui procura isenção e independência. Sentimos que a nossa democracia, mais do que opiniões consensuais, precisa do confronto leal de ideias, do contraditório. O nosso compromisso com a liberdade é a promessa de continuarmos a ser, como sempre fomos, totalmente comprometidos e tendenciosos. 

24 de abril de 2015

Assino e recomendo

Vai correndo esta petição, pelo fim dos subsídios públicos a actividades tauromáquicas.
Sou amplamente a favor, por vários motivos.

Fica o convite para que assinem também, e a que repudiem as vergonhosas contribuições da CMP (com o silêncio patético do PS) para esta prática.

23 de abril de 2015

A quem incomoda a política?


A Câmara Municipal de Pombal, alegando querer tornar as cerimónias de comemoração do 41º aniversário da revolução de 25 de Abril de 1974 "mais abertas à população, levando a outro tipo de participação e a outros públicos”, decidiu não realizar a habitual sessão solene. Para quem tomou essa decisão, ouvir os discursos das várias forças políticas com expressão no concelho de Pombal é uma seca, não cativa ninguém. Será a lógica do "like" do facebook a justificar estas aberrações? Das vezes em que participei na sessão (como orador ou espectador) vi sempre a sala cheia e uma plateia jovem e interessada.

Pelo que leio nos jornais, apenas o PCP se indignou com esta decisão e, em consonância, promove uma sessão política no Jardim do Cardal às 11h do dia 25. Não me surpreende. A verdade é que o PS também não me surpreende. Nunca esperei encontrar cultura política no principal partido da oposição. Já me surpreende que a JSD, que tantas vezes tenho elogiado pelo empenho político, não se tenha manifestado.

Tradicionalmente, Pombal dava palco à política na manhã do dia 25 de Abril. Este ano, provavelmente para não perder o encontro de mini-basket do Núcleo ou a arruada da Filarmónica Ilhense, os nossos vereadores eliminaram-na do programa. Que saudades do Eng. Narciso Mota!

Perigo na rua de Ansião




A ribeira do barco, junto ao passeio da rua de Ansião, na zona próximo do "2000" e do entroncamento para a rotunda do monumento aos bombeiros, está desde há muitos anos desprovida de corrimão que evite a queda de pessoas, como as fotos documentam.

Tanto cuidado a aplicar tanto dinheiro a “alindar” os adros das capelas, propriedade do Vaticano, e tanto desleixo a fazer as obras necessárias à segurança dos cidadãos.

Farpas: parar ou avançar?


São poucos os projectos políticos que se disponibilizam a discutir abertamente o seu próprio futuro. Mas é isso mesmo o que o Farpas se propõe fazer por ocasião do seu sétimo aniversário, convidando apoiantes, críticos, comentadores, leitores. Em particular, gostaria de convidar directamente alguns dos nossos históricos comentadores:

Flores Silva, roque, Eduardo Francisco Louro Marques, JA, Jorge Ferreira, Professor, João Gante, João André Coelho, Pedro Brilhante, Rodrigues Marques, Ernesto Andrade, DBOSS, Tiago Louriçal, Andreia, António Justo Domingues, caravaggio, Marlene, lopes da silva, Hugo Neves, Sérgio Gomes, F.D. Carolino, Zé da Maria, Artur Oliveira, João Paulo Forte, Maria Iluminada, Adruzilo Gambino, Sal da Nossa Pele, alegria2, Pedro S@ntos, Anónimo, Carlos Ribeiro da Silva, Nobre Povo, Filipe Eusébio, Cassandra, grilofalante1, Morcego Sicó Nidificador, Adruzilo Gambino, Sopas, Gumercindo Saraiva, Nuno Carrasqueira, Samuel da Chainça, Colonia Perfumada, kariguergous, Tarantola, Sra Cardal, Lino Cardoso, João Pimpão, Missionário, Mabeco, Pedro Moreira, papagaio, Acutilante Portugal, Sofia Dias, tinhoso, Pedro Pinto, Taedium Vitae, Sandra, José Guardado, Candelabro branco, Chico Gravateiro, João Luís Ferreira, Mário Martins, Al-Samir Zayn, Paulo Batista, Dino Freitas, Paulo Lima, Corvo Branco, pica miolos, voltaire898, Natividade Silva, e todos os outros que agora não me lembro.

O Farpas também é vosso. E se nos orgulhamos dos 1948 posts que publicámos, as 1103291 visualizações que temos devem-se muito aos vossos 17097 comentários. Apareçam!

20 de abril de 2015

OS SUBSÍDIOS, COMO A SEMENTE DE NABO, DÃO-SE À CORNADA

Podemos ler na NOTA DE IMPRENSA do GABINETE DE COMUNICAÇÃO que (e cito) "a Câmara Municipal de Pombal, reunida em sessão ordinária, aprovou por unanimidade a atribuição de apoios a Juntas de Freguesia e entidades do concelho no valor global de €53.564,74.
No âmbito dos apoios atribuídos às Juntas de Freguesia, a Câmara deliberou atribuir à Junta de Freguesia da Pelariga um apoio no valor de €12.500, que se destinará à comparticipação de trabalhos de beneficiação no Parque de Máquinas desta Junta de Freguesia, apoio concedido mediante a assinatura de um acordo de colaboração.
Também através de um acordo de colaboração, deliberou a Câmara atribuir um apoio no valor de €15.350,40 à Junta de Freguesia de Pombal, que se destinará à comparticipação de trabalhos de requalificação do Largo da Capela dos Mendes.
A Câmara deliberou atribuir também à Junta de Freguesia de Abiul um apoio de €10.000 (dez mil euros) para a comparticipação da transmissão em direto na RTP1 da Corrida de Touros de Abiul, que decorrerá no dia 14 de agosto.
À Junta de Freguesia de Carnide a Câmara deliberou um apoio no montante de €3.500, que se destina à comparticipação do sistema de rega de apoio ao regadio já existente na localidade de Cavada, nessa Freguesia.
À União das Freguesias da Guia, Ilha e Mata Mourisca deliberou a Câmara atribuir um apoio de €2.640,93 para a realização das obras de reparação no Parque de Vale da Sobreira, na Mata Mourisca; no Parque de Lazer da Ilha e para a reparação de semáforos na Guia. A Câmara também votou favoravelmente apoiar a Junta de Freguesia do Louriçal em €4.500, que se destinam a comparticipar nas despesas decorrentes da organização dos “Serões Culturais”, que têm vindo a ser desenvolvidos
pela Junta de Freguesia em todo o seu território."

Outros valores merecem a minha discordância (que não vale muito mais do que isso mesmo, uma discordância pessoal face aos méritos e justezas dos valores em causa), mas os 10.000 € pagos para comparticipar a transmissão em directo de uma corrida de touros, acho um insulto.
E não consigo entender a mansidão da oposição, que quando toca a populismos baratuchos, não mostra ser alternativa ou ter energia para fazer coisa diferente. Estamos mal.

18 de abril de 2015

Obras do Mercado e do Centro de Saúde em risco de continuação

Alpeso – Construções S.A., a empresa adjudicatária das empreitadas das obras de remodelação do mercado de Pombal, da ampliação do Centro e Saúde de Pombal e da construção do Centro Escolar da Mata Mourisca, requereu em 07-04-2015, para surpresa da Câmara Municipal, um Processo Especial de Revitalização (1019/15.2T8STR), depois de ter recebido mais uma “tranche” mensal do valor das empreitadas. Significa isto que a empresa está em dificuldades económicas e que vai necessitar de perdão de dívidas, para poder continuar a laborar, ou que vai seguir para a insolvência.

As obras, pelo menos do mercado municipal, já foram suspensas o que, a persistir, poderá implicar o lançamento de novos concursos públicos. Os custos monetários e sociais, decorrentes da paralisação ou arrastamento das obras e do lançamento de novos concursos, são as consequências visíveis da adjudicação de empreitadas a empresas em dificuldades económicas.

Jantar/Debate


No dia em que o blogue cumpre 7 anos de vida, de intervenção cívica e política, os da casa convidam à reflexão sobre o futuro. 
A blofosfera foi uma moda ou é uma necessidade? 
O Farpas é um projecto esgotado - pelas circunstâncias e pelo tipo de intervenção realizada - ou com potencial para gerar mudanças na comunidade? 
Farpas: parar ou avançar?
Venham daí os comentadores, os críticos e os leitores! Inscrições para o jantar (14 € por pessoa) através do e-mail farpaspombalinas@gmail.com

10 de abril de 2015

As Associações de Carolino, Narciso e Diogo

Armindo Carolino foi Presidente da Mesa da Assembleia das várias Associações locais de maior destaque. Algumas recusas, a excessivas exigências de subsídios e de outros bens efetuadas pelos diretores das várias associações ao Presidente da Câmara, acarretaram desagrado e desgaste político.
Narciso Mota manteve-se fora dos órgãos sociais das diversas associações. O Presidente da Câmara apenas comparecia nas festas das associações, munido de um cheque de subsídio e de várias promessas, para recolher a gratidão e o apoio político dos associados.
Diogo Mateus, parece ter retomado a prática do “Presidente da Câmara” integrar os órgãos sociais das associações de maior destaque local, quer diretamente quer “encoberto” por um “cabeça de lista”. Não tendo querido “aprender” com Narciso Mota, começa a ficar chamuscado pelo calor dos conflitos associativos em que teimosamente gosta de se enredar. Não se percebe…

8 de abril de 2015

Eleita desconhece ser candidata

O que aconteceu nas recentes eleições para os órgãos sociais da Associação de Bombeiros, onde uma eleita na lista para a direção não era sócia e desconhecia ser candidata, é um exemplo do que se passa em muitas associações e é a confirmação do que aqui temos vindo a falar sobre o funcionamento da generalidade das Associações.
A transigência com todo o tipo de irregularidades, em nome dos interesses e do bem das Associações, é uma prática seguida por sócios e outras pessoas com cargos ou destaque públicos que revela o baixo nível ético e cívico dos que cirandam os penachos.

No final, sem pudor, não assumem as responsabilidades; não sabem ser consequentes…