28 de julho de 2015

A OPV da ETAP

Na passada terça-feira decorreu, no Salão Nobre do Edifício dos Paços do Concelho, a Formalização da Operação de Aumento de Capital da PombalProf, S.A., detentora da ETAP. Passou uma semana e a câmara não divulgou publicamente a identidade das empresas/empresários envolvidos, montantes de capital subscrito e a estrutura de capital após a operação (obtive alguma desta informação, ontem, em conversa informal e ocasional com o Director da escola). O Gabinete de Comunicação (Propaganda) da CMP é lesto a passar a informação que lhesinteressa, mas descuidado a esconder a que nos interessa. 
Apesar de a operação ter potencial virtuoso nasce ferida de legitimidade política e de forma pouco transparente. O PSD - tal como os outros partidos representados nos órgãos autárquicos - não tinha no seu programa eleitoral a privatização da  ETAP. Logo, não está mandatado para a fazer. Convinha que os decisores políticos do Largo do Cardal percebessem que não estão a alienar património do presidente da câmara ou dos vereadores - estão a alienar património público (dos pombalenses), através de uma Oferta Pública/Privada de Venda (OPV) pouco transparente.
A situação é mais grave porque com esta OPV a câmara perde o controlo da ETAP. Por isso, deve esclarecer o seguinte: 
(i) Na escritura, ficou salvaguardada a preferência pela recompra das acções? Ou a ideia é ceder definitivamente a escola aos privados?
(ii) Quais foram os critérios de escolha das empresas convidadas? Qualquer uma servia porque se privilegiou o encaixe ou houve a preocupação em escolher empresas com interesse e capacidade paradesenvolver a escola?
(iii) Qual o interesse (e motivações) em ter como accionista da escola uma empresa fantasma - “Cabaz Florido - Restaurante Típico, Lda”, morto e enterrado há décadas?

Adenda 1: Até à data de 30/07/2015 só conhecia uma empresa de Pombal com a designação e actividade de “Cabaz Florido – Restaurante Típico”. E essa, esse restaurante típico está morto e enterrado - abandonado até. Se existe outra empresa, activa e dinâmica, da área da restauração, folgo por isso. Mas continuo sem perceber o que acrescenta à escola.

Adenda 2: Gostaria/mos de ver o poder politico a responder – a dar a cara – pelos seus actos, a esclarecer as questões colocadas e as outras que vêm a caminho e não um pombo-correio, fantasma, sob o anonimato, a atacar o mensageiro.

A quimera das festas do bodo

O silêncio é de ouro e as regras da organização social impõem-no em determinados períodos do dia, designadamente à noite. Porém, o direito dos cidadãos ao descanso e ao repouso é suprimido nas festas do bodo. Nem tão pouco há misericórdia para os doentes e moribundos do Hospital (para doentes terminais) da Misericórdia de Pombal, atualmente em remodelação e recentemente objeto de festa política.
O ruído começa com foguetório às 9h, continua com música de rua, dos carroceis e das tascas durante dia, repete-se com foguetório às 24/0h e prolonga-se com música até às 6h.
O ponto alto das festas foi a procissão ou o cortejo das vaidades, onde, este ano, até os dirigentes da Misericórdia mostraram a sua religiosidade, as suas máscaras e as suas indumentárias. A feira das vaidades continuou nas poses para as fotografias a exibir…
Todos tiveram um pouco de ilusão da quimera fugaz da festa: sobretudo os políticos sedentos de protagonismo, comerciantes sedentos de receitas e o público sedento de prazer.
Simultaneamente, as ratoeiras dos pinos e das pedras pontiagudas continuaram e continuam cravadas nos pavimentos a fazer tombar e a ferir vítimas, até que alguém demande judicialmente o município ou apresente queixa contra os autarcas pelo crime de ofensa à integridade física por negligência e exija indemnizações.

De toda esta habitual “cultura” de festa, destacamos de positivo a anunciada redução das despesas comparativamente aos anos anteriores.

27 de julho de 2015

Diário do Bodo

- E novidades? 
Perguntam vocês. 
Todos os anos acontecem acidentes como aquele que presenciei ontem à noite, na Ponte D. Maria, por onde passa grande parte do povo que se dirige do Cardal para o Arnado. 
Já sabemos - que o poder não se cansa de explicar - que a culpa é de quem não olha para o chão que pisa, ali como no Cardal. Estamos em crer que a explicação para casos como o de ontem há-de ser idêntica.
Mas já que calha em conversa, de quem será a culpa de não existir um corredor de segurança para que os meios de socorro possam passar, quando é preciso? Haverá um plano de emergência para as Festas do Bodo? Se sim, por que razão é toda uma cena da Balada de Hill Street quando é preciso chegar ao meio da festa, como aconteceu ontem, ou na sexta-feira? Que comunicação é essa que não passa para os bombeiros ou para a BT, e que resulta em voltinhas das ambulâncias pela cidade, no sábado, durante as provas de atletismo, à espera de encontrar um agente da PSP que soubesse identificar o acesso ao Hospital?

26 de julho de 2015

O Nosso Bodo II

"Lá se passaram aqueles tradicionais dias de festa, que este ano foram dias de festa…pobre, tendo custado dinheiro de festa rica.
Missas e sermões; sermões e procissões; novenas e foguetões; fracas iluminações e que nos conste com fartura nada mais nestes dias de tantas expansões.
O Bodo de Pombal! Quem o viu e quem o vê!
Quem o viu nos tempos em que havia gosto e se primava por em tudo o demonstrar.
Quem o viu nos tempos em que havia amor à terra, superior ao mercantilismo, e o que se vê agora! Que diferença!
As ornamentações, …, e aquelas iluminações pobres, a tantos riais por hora, meticulosamente calculados, não vá haver desequilíbrio orçamental! – sem se ter pejo de tanta gente notar que isto é pobre de mais para uma terra como a nossa, é tudo quanto lhe queiram chamar, menos Festas do Bôdo, menos ornamentações de uma festa anual, numa terra onde há civilização.
Cremos que é esta a opinião geral e registámo-la fazendo éco com o nosso protesto, dos protestos dos outros.
Pombal exige que melhor o honrem e que tanto o não alvitrem.
É preciso que se diga isto, e nós dizemo-lo com a hombridade que usamos, para que nesta terra de pessoas medianamente inteligentes, nem todas finjam ou sejam comidas por tolas.
De resto, lá pela igreja creio que houve festarola rija também: as procissões estiveram em beleza a rivalizar com as ornamentações, e de tanta pobreza franciscana – e esta é a melhor impressão, alguns cobres correram para as gavetas dos comerciantes locais que, como de costume, - eles e o ornamentador – tiveram uns prejuízos tão grandes que não podem fazer a festa pró ano..."
Em “O Imparcial”, 1919, por A. S. S.

Um século passado, uma revolução e a liberdade; e parece mentira como regredimos tanto no que se refere a jornalismo local independente, mordaz, bem escrito - e não só.

24 de julho de 2015

Finos a 1,20€

Passaram-se?! Como é possível? É esse o preço que a malta tem que pagar para ter o Emanuel à borla?

A Câmara querer vender, no seu barraco, os finos a 1€20, ainda vá que não vá; obrigar os comerciantes locais a acompanhar esse preço absurdo é que não se admite. Se é verdade o que se consta, Digo Mateus, numa atitude de "capo" da Máfia, enviou os seus fantoches para a rua com ordens para ameaçar todos aqueles que não aceitaram a cartelização dos preços. Um total absurdo! Um desrespeito pelos pombalenses!

Caro Diogo Mateus: meta-se na sua vida! Exerça apenas o cargo para que foi eleito e todos nós lhe ficaremos imensamente gratos. E não se esqueça: nem Pombal não é a sua quinta nem os pombalenses são seus súbditos!

Aí está o Bodo 2015


As Festas do Bodo 2015 são oficialmente inauguradas hoje, pelas 18h, com a participação do Ministro adjunto Poiares Maduro. Olhando para a foto oficial, atrevo-me a dizer que as preces de Diogo Mateus foram atendidas. É que, em termos de peso político, um Ministro, ainda que adjunto, é bem melhor que uma simples presidente da CCDRC! E se, no ano passado, apenas Ana Abrunhosa sorria, aposto que agora vamos ver mais caras alegres na cerimónia do hastear das bandeiras.

20 de julho de 2015

A Volta do Futuro e a ciclovia

Pombal assistiu recentemente ao inicio de uma etapa da Volta a Portugal do Futuro em bicicleta, subsidiada com dinheiros camarários (dos contribuintes) para promover não se sabe bem o quê. Certamente que não foi para promover a prática do desporto de bicicleta dos munícipes.

Simultaneamente, a ciclovia junto ao Arunca encontra-se em degradação. Ciclovia que foi construída com luxo desnecessário ao uso dos sapatos das pessoas e dos pneus das bicicletas e com falta de segurança na “greta” central transformada em ratoeira para bicicletas, nomeadamente de crianças. A tijoleira cara aplicada no pavimento depressa se degradou e foi desleixada, enquanto fazem "festa" e se exibem na volta Portugal do Futuro.

Câmara Corporativa

O Estado Novo aguentou-se (quase) meio século porque instaurou um controlo apertado de toda a sociedade. Esse controlo fazia-se através das forças de segurança – PIDE à cabeça – e de uma organização em pirâmide da estrutura económica, cultural, social, desportiva, religiosa, assistencialista…
O Corporativismo Económico adoptado pelo Estado Novo – é, talvez, a parte mais conhecida e estudada, porque, tendo sido implementado de forma consistente, ao longo de (pelo menos) três décadas (na parte final houve alguma inflexão, nomeadamente a abertura ao exterior) permite-nos extrair conclusões sólidas sobre suas consequências económicas e sociais.
Actualmente é unanimemente reconhecido que o proteccionismo económico penaliza o crescimento económico e a prossecução do bem-estar social porque, ao reduzir a concorrência, assegura rendas excessivas e a perenidade dos negócios protegidos. Logo, quando os poderes públicos privilegiam certos empresários ou grupos empresariais, a troco ou não de benefícios próprios, afastam-se do interesse público e da prossecução do bem-estar social.
A economia portuguesa é uma longa história de proteccionismo económico. A revolução de 1794 e a entrada na CEE deram-lhe duas fortes machadadas, mas não o eliminaram; está ainda enraizado em vários sectores e regiões.
Em Pombal o modelo de Associativismo, de Assistencialismo e de relação com a Igreja baseia-se nos antigos princípios e métodos. Tal como o proteccionismo de alguns empresários e o consequente afastamento de outros, com os inevitáveis prejuízos para toda a comunidade, nomeadamente na oferta de emprego.
Assim se explica (também) o desfalecimento crescente desta terra - do concelho charneira.

17 de julho de 2015

39º Aniversário do TAP


Vários motivos que tornam este evento interessante: não é ocorre no Castelo; não é organizado pela Câmara; o grupo A Jigsaw é muito bom. Parabéns ao TAP!

16 de julho de 2015

Aposta?

A Federação Distrital do PS de Leiria aprovou a lista de deputados seguinte:
            1.º - Margarida Marques
            2.º - António Sales
            3.º - Miguel Medeiros
            4.º - Odete João
            5.º - Adelino Mendes
            6.º - João Paulo Pedrosa
Se a lista final for esta, aposto dourado contra vintém que em Leiria o PS terá o pior resultado. Quem aposta?

PS: Ainda espero que António Costa faça aplicar, aqui, a orientação de renovação e abertura.

Pombal 2020 - Sucesso Escolar 100%


Com grande parangonas, o nosso edil apresentou ao Senhor Presidente da República o Programa Municipal de Potenciação do Sucesso Escolar denominado "Pombal 2020 - Sucesso Escolar 100%". Apesar de não conhecer os seus detalhes, quero acreditar nos méritos pedagógicos da iniciativa e faço figas para que seja um verdadeiro sucesso. Mas o que não consigo perceber é o que faz o Pombal 2020 no meio disto tudo.

Tal como já havia questionado aqui, continuo sem entender o que é o Pombal 2020. Segundo a sua página web, é um projecto do PSD (ou de alguma laranja iluminada, não se percebe bem). Mas se é isso, o que faz o nome do Pombal 2020 associado a uma iniciativa municipal?

Ou muito me engano ou este Pombal 2020 é mais um pretexto para o PSD capitalizar com as iniciativas que são de todos nós. Se assim é, é uma vergonha. Uma vergonha que, infelizmente, não me espanta nada.

10 de julho de 2015

Orçamento Participativo, faits divers

Os Orçamentos Participativos são faits divers que os executivos camarários utilizam para mostrarem o que não têm (não cultivam), a quem pouco que tem para mostrar.
O modelo que foi proposto e aprovado na Câmara de Pombal é excessivamente burocrático, inconsequente e inútil; a que só aderirá um ou outro rapazola ávido de protagonismo.
O regulamento começa logo por estar mal nomeado: em vez de Orçamento Participativo deveria chamar-se Plano Investimentos Participativo, porque permite unicamente propostas sobre investimentos. É um documento onde abundam termos descontextualizados e expressões exageradas, que em vez de engrandecer, desqualificam; tais como: “O Orçamento Participativo constitui uma estratégia do actual Executivo” …”é um contributo para a modernização dos serviços municipais” … “Proporcionar uma experiência participativa e colectiva” … “Contribuir para a educação de uma cidadania participativa, responsável e inclusiva”. Por outro lado, no substantivo, falta-lhe comprometimento do executivo e independência na condução do processo: “O Município de Pombal irá inscrever uma verba para este fim” (quanto???) e todo o processo é controlado pelo presidente - não seria de esperar outra coisa.

Como será um faits divers não irá sobrecarregar muito os serviços com burocracia desnecessária. Do mal, o menos…

A falácia

Segundo o Jornal de Leiria, "nos últimos tempos, Pombal tem proporcionado vários eventos e iniciativas no domínio cultural, criando um movimento interessante de atractividade do público local e externo, demonstrando que o clima cultural da cidade está a mudar e a criar ofertas mais ricas e cosmopolitas". Das duas uma: ou quem escreveu esta peça não tem a mínima noção do que está a falar, ou presta-se a ser porta-voz de quem quer transmitir esta falácia.

9 de julho de 2015

PMUGest, uma Natureza Morta

O Relatório de Gestão da PMUGest, do 1.º Trimestre de 2015, é um quadro com uma bela moldura que envolve uma natureza morta. Comprova que não há choque de gestão que reanime actividades/negócios que nasceram e amadureceram deficitários, fazendo concorrência desleal aos privados.
A PMUGest continua a padecer dos mesmos males: é um emaranhado de actividades/negócios que não têm potencial para gerar sinergias, onde os não rentáveis crónicos – Café Concerto e Esplanada do Castelo - vivem, sistematicamente, à custa da “renda” da exploração do Estacionamento Pago e da Publicidade.
Foi um erro transformar a PMU, que presta um bom serviço e tem uma exploração equilibrada (apesar de no 1.º TRI2015 apresentar um resultado de -17.277 €), na PMUGest. Juntar actividades que funcionam bem com outras que funcionam mal e que não têm qualquer complementaridade, não é solução para os problemas, como aqui alertei na altura.

Do que estão há espera para tomar medidas? 

O Cotrofe e o seu regulamento "formal"


É sabido e notório que reina por Pombal alguma confusão entre os papéis que cada um deve desempenhar. Ficou claro isso mesmo nos últimos dois posts do Adelino Malho. E fica claro, para mim, em cada sessão da Assembleia de Freguesia de Pombal, essa lição que me vai ficar para a vida... 
Falta-nos muito espírito democrático, mas falta-nos sobretudo cidadania. Só isso explica a obsessão pelos rótulos partidários, pela colagem forçada, pelo fundamentalismo de discutir pessoas em vez de ideias. A verdade é que essa linha orientadora - que começa na pequena colectividade da aldeia e termina nos Paços do Concelho - chega a transformar-se num muro de cimento armado que impede tanta coisa boa de ver a luz do dia, tanto projecto de singrar, prejudicando todos em nome da teimosia de alguns.
O exemplo mais recente é o (tão necessário) regulamento do Parque de Merendas de Cotrofe, onde todos os caminhos vão dar, mal o sol espreita e o calor aperta. Está aprovado pela maioria social-democrata da Junta de Pombal. E podia ser um bom instrumento de gestão de um espaço público. Podia, mas não era a mesma coisa...
É claro que ficamos conversados a partir do momento em que um dos membros da bancada do PSD atira uma sentença como "nós não precisamos das outras bancadas para o fazer aprovar". Mas seria tão de bom tom como democrático ouvir os contributos que os membros das bancadas do PS e do CDS estavam prontos a dar. À conta dessa birra de poder, o Cotrofe vai ter/já tem um não-regulamento, com pérolas como "a marcação de mesas é feita presencialmente no próprio dia", "o funcionamento do bar (...) deve obedecer às melhores regras" ou - cereja do bolo - "só é permitida a marcação de mesas com antecedência no máximo de cinco, a grupos formais e informais; a grupos institucionais". Saibam os estimados leitores do Farpas que, de acordo com as explicações dadas na sessão da AF pelo executivo da Junta, são considerados grupos formais "por exemplo, os da catequese". 
Uma dor de alma, isto. Bastava ir ali ao lado ao Troncão, no limite da vizinha freguesia de Vermoil e a de Colmeias, para ver como é que se gere um parque com êxito. Naquela noite, na associação do Pinheirinho, garantiu-me a Junta que sim, que lá tinha ido, e que até copiou do modelo algumas coisas. Não consegui identificá-las, mas deve ser um problema meu, que ainda ando atordoada com aquele festão dos anos 80, no sábado passado...

8 de julho de 2015

Oposição dispensável (II)

Na assembleia municipal, tal como no executivo, na não há debate, quanto mais visões alternativas. A maior parte dos temas da agenda são despachados sem qualquer intervenção e os mais importantes são brindados com uma ou outra intervenção superficial (de quem não leu/analisou os documentos) ou no acessório.
O presidente da câmara deve passar as horas mais folgadas do seu mandato nas reuniões da assembleia municipal. Nota-se pelo teor das suas intervenções. E seriam ainda melhores se um ou outro membro da sua bancada não introduzisse, de vez em quando, um assunto incómodo, como, por exemplo, o encerramento da escola do Seixo.

Dom Diogo baralha, dá, destrunfa, recolhe, credita e volta a baralhar… Fala mais ele, do que ou outros todos juntos! E com muito mais consistência. Está nas suas sete quintas. Só tem que se preocupar com um ou outro companheiro que se quer afirmar ou demarcar, e há-os por lá. As ameaças (só) podem vir de dentro, dos que não estão lá só pela senha de presença.

1 de julho de 2015

Os 50 anos do Hospital de Pombal e os fariseus

O Hospital de Pombal, propriedade da Misericórdia de Pombal (do Vaticano), está a ser objeto de obras de remodelação mandadas executar pelo Governo de Portugal. Os contribuintes pagarão cerca de €2.000.000,00 em obras e equipamentos.
Recentemente, no âmbito duma ação propagandística denominada “sessão comemorativa dos 50 anos do hospital de Pombal”, o Município de Pombal, através do seu Executivo, decidiu afixar uma placa onde fez constar que contribui para a remodelação ou “conservação das fachadas” com “€182.320,00” (dos contribuintes Pombalenses) e que é “dono da obra”. A dita “comemoração”, necessária à exibição dos protagonistas, incluiu, a abrir, uma missa no Cardal, e a fechar, uma visita ao Hospital.
Constata-se que vários políticos locais estão a ganhar o hábito farisaico de fingir serem muito crentes, tal como os boémios convertidos em jihadistas degoladores de infiéis. Todos eles querem frequentar a mesma universidade de Navarra, os mesmos cursos pós graduação das filiais da mesma universidade, as mesmas missas, os mesmos retiros, os mesmos campos de férias, tudo da mesma organização (opus dei) fundada pelo espanhol Josemaría Escrivá de Balaguer, à semelhança da outra organização (inquisição), tristemente famosa, liderada por outro espanhol, Tomás de Torquemada. Todos querem prestar vassalagem ao clero e dar muito dinheiro dos depauperados contribuintes para as festas das igrejas, para as “merendeiras” das capelas, para os adros, para a “corda do sino”, etc…

O pior de tudo é que cada um destes “crentes” quer mostrar ser mais crente que os outros e quer mostrar acreditar na crença; quer mostrar até que o poder lhe advém por força divina… 

30 de junho de 2015

O estranho caso dos rapazes que querem mudar o feriado municipal para a segunda-feira do Bodo

foto: Pombal Jornal

Diz a imprensa local que a JSD apresentou ontem, em plena Assembleia Municipal, uma proposta tão bizzara quanto a exposição dos burros: mudar o feriado municipal, de 11 de Novembro, para a segunda-feira do Bodo. 
Tenho resistido a comentar tonterias. Mas a Assembleia Municipal ainda me parece um órgão sério - e pese embora todo o meu desencanto, por ter esperado 20 anos pela mudança que afinal não chegou - quero acreditar que prevalece uma réstia de bom senso. 
A mim não me choca que os rapazes sejam irreverentes, desde que não confundam a mesa do Red Line, da Cervejália, da Capital ou de outro qualquer com a bancada da Assembleia Municipal. 
O Bodo não é - nem nunca foi - uma festa concelhia. A maioria das freguesias não se revê nela.
Mas para tirarmos as teimas - e acabar com este episódio de manifesto umbiguismo, em que se confunde a árvore com a floresta - eu voto a favor de um referendo, já que chegámos aqui. Já que o presidente da Câmara propõe um amplo debate.
De resto, vale a pena perceber o que diz o povo, nas redes sociais...

Há burros no Cardal


O Jardim Municipal acolhe, por estas dias, uma exposição bizarra. Procurei mais informação sobre aqueles burros, mas não encontrei. Fico-me então pelas explicações do povo, daquele que anda no Pombus à hora de almoço, e que ainda há pouco me elucidou:
- isto são os burros dos ciganos?
- Não...(diz o motorista, esclarecido). São fotografias de um fotógrafo que é muito crítico, e que veio com aqueles espanhóis e italianos que estão no castelo a dar concertos. Acho que vão andar aqui umas duas semanas.
- Os burros?
- Tudo.
Imaginei tanta coisa no Cardal, neste formato. Mas é preciso ser burro, afinal.

29 de junho de 2015

Oposição dispensável

Sempre defendi a existência de executivos multipartidários nas autarquias como forma de assegurar uma melhor governação e algum controlo da deriva populista, cacique e corrupta do poder local. Mas estou quase a ceder. A realidade é o que é e não o que gostaríamos que fosse: a inoperância das oposições autárquicas é confrangedora, nomeadamente em Pombal.
Nem discuto a coisa com base nos argumentos económicos ou das necessárias poupanças: é evidente que os custos inerentes aos vereadores da oposição são insignificantes. Mas ganham significado quando o valor gerado é nulo ou próximo disso. Na verdade, não é o custo que pesa, mas o remorso do embuste.  
A agenda da última reunião do executivo municipal (que antecede a próxima assembleia municipal) continha vários e importantíssimos assuntos:
- Relatório de Gestão e Prestação de Contas Consolidadas – Ano de 2014
- Parecer do auditor externo sobre as Contas Consolidadas – Ano de 2014
- 3.ª Revisão às Grandes Opções do Plano 2015/2018
- Contratos Interadministrativos com as Juntas de Freguesia para a criação do Espaço Cidadão
- Protocolo de parceria entre o Município de Pombal e a Vodafone Portugal
- Projeto de Regulamento Municipal de Urbanização e Edificação de Pombal
- Normas do Orçamento Participativo de Pombal
- Relatório final da Ação de Acompanhamento à Operação POVT
- Relatório de Execução Orçamental da PMUGest – 1.º Trimestre – Exercício de 2015
- Apoios às Juntas de Freguesia do Concelho de Pombal
Todos votados por unanimidade, sem uma observação, um reparo, uma crítica.
É a oposição que temos. Demitam-se, poupem-nos o remorso do embuste.

24 de junho de 2015

O perigo da utilzação da bicicleta

Para a European Cyclists’ Federation, Portugal é o país da União Europeia com maior taxa de ciclistas mortos na estrada e é apenas o 2º país com menor utilização de bicicleta, o que revela a perigosidade do uso deste meio de transporte. Só por medo os cidadãos não recorrem mais ao uso da bicicleta.
Embora o baixo grau de civismo de condutores ou até de ciclistas seja uma das causas de tão alta sinistralidade, é-o, sobretudo, a falta de adaptação das vias à segurança dos ciclistas.
Em Pombal, para além da zona da praia do Osso da Baleia e do pequeno troço do rio Arunca entre o açude e o Viaduto Guilherme Santos (preparados apenas para fins lúdicos), nenhuma outra estrada ou rua está adaptada à utilização da bicicleta. Acresce que não existe qualquer estudo ou projeto para alterar as vias e proporcionar a utilização regular da bicicleta pelos pombalenses como meio de transporte.
Mesmo na parte do lazer, pouco se tem feito, como é o caso do btt. Tendo a modalidade atingido razoáveis níveis de popularidade, sendo praticada por muitos cidadãos e pretendo o executivo camarário colher os louros e conduzir o “rebanho” para anunciado Centro de Interpretação da Sicó, justificando o pródigo investimento, apressou-se recentemente a colocar sinalética nalguns trilhos anteriormente abertos e mantidos pelos praticantes mais empenhados. Pensou-se que o Município iria passar a cuidar dos trilhos, o que não aconteceu, uma vez que os mesmos ou estão a ficar fechados com vegetação ou têm de continuar a ser mantidos pela carolice de alguns “betetistas”.

23 de junho de 2015

O SCP e os Tramiqueiros

Os tramiqueiros são criaturas com imaginação fértil, não para coisas com valor, mas para a tramiquice. Até ao final do século passado tiveram sucesso e ostentavam-no, rindo-se até dos que não lhes seguiam os métodos. Nos últimos anos entraram em desgraça e são, actualmente, a desgraça das organizações por onde andam. O seu “modus operandi” é simples: movimentam-se regularmente na fronteira da legalidade e lançam uma ou mais tramiquices. Se uma resultar, ganham um balão de oxigénio até à próxima dificuldade, e assim sucessivamente. Para tal, juntam-se sempre a quem lhes possa facilitar as tramiquices: dirigentes bem colocados ou políticos (alguns, tramiqueiros de origem).
O SC Pombal (SCP) foi, ao longo das últimas décadas, um bom exemplo da gestão tramiqueira. O clube claramente mais apoiado pela câmara – subsídios, infra-estruturas, serviços, despesas - manteve-se insolvente e normalmente sem resultados desportivos.
O SCP não sabe o que deve, mas sabe que não consegue pagar a dívida; quer continuar a receber apoios, mas não quer assumir os compromissos com os credores. Continua com uma direcção sem legitimidade a tomar medidas de fundo (Desportivas e Administrativas) e um Direcção eleita - já com baixa(s) - sem tomar posse porque não tem contas aprovadas. Para embelezar este quadro o digníssimo presidente da AG convocou uma assembleia para, de entre outros pontos, discutir a eventual criação de uma “Sociedade Desportiva Unipessoal por Quotas”, onde o clube terá uma quota intransmissível de 100% (DL n.º 10/2015; art.º 11.º).
O que visam com este “esquema”? Deixar o passivo no clube e, como este não tem activos, ludibriar os credores?
O que tem a câmara - principal financiador do clube com o dinheiro dos nossos impostos – a dizer sobre isto?
Vai a câmara continuar a dar toda a cobertura às tramiquices e a lançar o dinheiro dos nossos impostos numa entidade que não cumpre as suas responsabilidades e os compromissos com o Estado (Nós)?

21 de junho de 2015

Sete Sóis Sete Luas


O sete é um número bíblico, um número místico. Não foi por acaso que Deus descansou no sétimo dia e que Newton, que era um místico, decidiu fixar o sete como o número de cores do arco-íris. Também são sete as petições do pai-nosso.

Em Pombal vivemos também sob o signo do sete. Depois de termos sido considerados a sétima melhor cidade para se viver na região centro, acolhemos agora o Festival Sete Sóis Sete Luas. Desconheço os desígnios do oculto mas, sejam quais forem os motivos desta coincidência, o que é certo é que são duas boas notícias.

Confesso que estava longe de pensar que a nossa autarquia decidisse apostar num evento inspirado nas personagens de Baltazar Sete Sóis e Blimunda Sete Luas do magnífico "Memorial do Convento" de José Saramago. Estamos sempre a aprender. Espero que essa decisão corresponda mais a uma opção de futuro do que a uma medida avulsa, aproveitando uma oportunidade circunstancial. Só assim se justifica o investimento.
 
A partir de quinta-feira vamos acolher um festival que tem dado ênfase à divulgação da cultura mediterrânea, privilegiando os pequenos centros e artistas de inegável qualidade mas longe de poder ser considerados mainstream. Porque reconheço enorme qualidade nos nossos novos artistas (Ricardo Silva é o pombalense em destaque), porque vejo o futuro de cidades como Pombal enquadrado em redes de centros urbanos de interesses e identidades comuns e porque acredito na nossa matriz mediterrânea, aplaudo esta iniciativa da autarquia. Estarei disposto a aplaudir de pé quando perceber se esta opção corresponde a uma efectiva política cultural.

18 de junho de 2015

Silly Season*


A imprensa local e regional vai transmitindo, com assiduidade, o que se passa por aí. A nossa vida corre bem, como nos posts do facebook. Funcionários e vereadores do município marcharam alinhados, no Santo António (é verdade que nos outros municípios o papel das câmaras é incentivar as colectividades e os bairros - por alguma razão as marchas se chamam populares, e não municipais. Mas, como sabem, nada disso interessa).
A EB1 vai entrar em obras (isto se a DEGEstE se pronunciar a tempo sobre o projecto, se a obra for a concurso e publicamente apresentada/discutida), dando finalmente lugar a um Centro Escolar. Os pais estão agora a ser delicadamente informados, à medida que vão matricular os filhos. Mas é verão, tempo de férias e gelados. Os bombeiros hão-de dar conta do recado, que se-Deus-quiser a época de incêndios há-de ser tão morna como a participação no debate sobre o futuro do país que a nossa Associação de Industriais organizou - um naipe de oradores como aquele merecia, pelo menos, uma sala composta. Mas lá está, é quase-verão, a vida corre entre caipirinhas, gin-tónico e sumo de laranja fresco, que maçada.
Pensando bem, falta pouco mais de um mês para o Bodo. Pode ser que nessa altura já nos possamos deleitar junto ao Arunca, na esplanada que ali há-de nascer, em frente ao pavilhão da Caldeira, na sede prometida pela Câmara a uma colectividade desportiva (nas zonas desportivas devem estar colectividades desportivas, está bom de ver). E afinal, 183 mil euros hão-de dar para belas vistas.

Além disso, teremos sempre o Osso da Baleia.
fotos: Jornal Terras de Sicó

14 de junho de 2015

Carnaval de santo António

Nos últimos anos, tem-se registado um crescimento da promoção e da participação nos desfiles do carnaval de santo António no sambódromo de Pombal. O trabalho inútil de vários dias de preparação, os gastos perdidos nas indumentárias e os subsídios e os gastos camarários destruídos num momento servem para dar circo ao povo, bajular o clero e proporcionar mais um “arraial” de exibição dos autarcas municipais.

Este a ano, a chuva minha amiga fez uma desfeita ao carnaval, mas poupou-me um pouco de dinheirinho no consumo de água e manteve a natureza forte, verde e bonita, o que é muito mais importante. 

9 de junho de 2015

A Meia Surpresa

Realizou-se ontem uma assembleia extraordinária da AH dos Bombeiros Voluntários de Pombal que formalizou mais uma sucessão na direcção da instituição, com uma meia surpresa: a não recandidata de Rodrigues Marques – fica por lá como vogal. 
O novo presidente - Sérgio Gomes; figura educada, dialogante, respeitável e respeitadora, com provas dadas no meio associativo e não só – espera fazer “nestes próximos dois anos aquilo que não se conseguiu fazer até aqui”, nomeadamente “restituir a paz à instituição”.

Que Deus os abençoe.

Executivo camarário sentado sobre uma mina de água

O aquífero da Mata do Urso é talvez o maior da Península Ibérica. É ali que a Câmara Municipal vai buscar a água (com poucos custos de captação e de transporte e poucas necessidades de tratamento) para a distribuir ao domicílio e à indústria. Obtida a água a baixos custos e vendida aos cidadãos, as receitas são suficientes para pagamento do valor das remunerações de todos os funcionários públicos. As restantes receitas do município servem para custear a construção de infraestruturas e também para brincar aos subsídios e para construção de edifícios “elefantes brancos”.

Enquanto as freguesias da zona serrana obtém uma compensação monetária pela exploração de pedreiras e pela instalação de eólicas, os munícipes do nosso concelho não beneficiam da redução do preço da água. Se porventura regam o seu jardim no verão, terão de pagar não só a água a mais alto preço como ainda terão de pagar a taxa de resíduos correspondente como se regar o jardim produzisse lixo. Talvez seja melhor construir um furo para captação de água e deixar de ter água da rede pública.

7 de junho de 2015

A animação da ETAP na SIC Radical - o mistério do vídeo desaparecido

A informação não corresponde de todo à verdade. Não foi no Dia Mundial da Criança que aconteceu aquela exibição, mas sim no Carnaval, como aqui farpeámos. Ainda assim, na mais recente edição do programa Irritações, da SIC Radical, mereceu destaque aquele programa de animação made in ETAP, a concorrer directamente com a ideia brilhante da Câmara de Portalegre no Dia da Criança, treinando os mais pequenos para uma batalha campal, com polícia de choque e tudo...
É claro que, entretanto, o vídeo desapareceu do facebook e dos arquivos da solícita Pombaltv, que o filmou na altura. Mas isto é uma chatice: uma vez na net, sempre na net. Ao minuto 42' do programa, lá está ele.

4 de junho de 2015

Mais vale tarde…

A CMP decidiu, por unanimidade, alargar o transporte escolar gratuito até ao 12.º ano.

Atualizaram-se! Há muito que aqui tínhamos apontado a injustiça da limitação da gratuitidade até ao 9.º Ano. Mais vale tarde do que nunca.

2 de junho de 2015

A malta é jovem. E pensa?


Quando vi um palco cá fora, pensei que desta vez a Feira da Juventude ia ser de rasgo - bem pensado, aproveitar o bom tempo e o ar livre para as exibições de bandas, grupos de dança ou de ginástica, em vez de contribuir para o efeito de estufa em espaço fechado, com aulas de zumba. Ledo engano. Lá dentro, no pavilhão, o modelo continua o mesmo, ultrapassado há tempos. Parece-me que falta dar um objectivo à iniciativa e orientá-la. "Falta orientar isto para o emprego, que é a grande preocupação dos jovens" - disse-me ao final do dia um dirigente partidário à direita. Se calhar essa componente até lá estava - na óptica da organização, que pegou nos seus meninos-exemplos de sucesso e foi às escolas passar a mensagem.


Este ano o Município quis homenagear os jovens que se destacaram na vida académica e desportiva. Alguém nos pode dizer qual foi o critério? E já agora, uma nota ao Presidente: não se faz um discurso daqueles para miúdos daquela idade...


Louvável o esforço dos agrupamentos, escolas e colectividades que se desdobraram para marcar a melhor presença. Não percebi o que aconteceu com o Agrupamento de Escolas da Guia, que deixou o stand vazio. Por pudor (certamente) a organização acabou por retirar o nome do espaço. Ninguém diria que a direcção tem uma assessoria técnico-pedagógica para o plano de actividades. 

31 de maio de 2015

SCP na Regional e na falência

O SCP desceu à Regional (na verdade já lá estava – desceu só mais um nível). É estranho que o clube mais representativo de um concelho de média dimensão ande pela liga dos últimos.

Há clubes que têm má performance desportiva, mas boa performance económica (no mínimo contas equilibradas e sérias). No Pombal, temos o pior de dois mundos: desastre desportivo e desastre administrativo (insolvência e contas irregulares). Com a complacência do(s) paladino(s) da legalidade.

29 de maio de 2015

Há coisas que não mudam...

O inevitável aconteceu: renuncia (forçada) dos órgãos (ilegalmente) eleitos. A coisa passava – deve ter passado muitas vezes - se uma eleita (?) não tivesse dado com a língua nos dentes e se lhes tivéssemos dado o descanso que não merecem. O presidente da mesa da A.H. Bombeiros Voluntários de Pombal convocou uma reunião, dia 8 de Junho, com a seguinte Ordem de Trabalhos: 
1) Informação (demissão dos Corpos Sociais); 
2) Eleição dos Órgãos Sociais para o biénio 2015/2016. 
O presidente da direcção divulgou a reunião por políticos, doutores e engenheiros, sócios e não-sócios; sem a comunicar, antes, aos Bombeiros. A mail-list da direcção dos bombeiros não inclui os Bombeiros. Vivemos numa comunidade dual: poder/oposição(?); dirigentes/dirigidos; abrangidos/excluídos; mas, nalgumas situações, dispensava-se tanto desplante. 
 Nos BVP, o dualismo dirigentes versus dirigidos é levado ao extremo: os dirigentes não são bombeiros e os bombeiros não são dirigentes (há o comandante, imposto por lei, senão…). Esta disjunção, alicerçada em interesses antagónicos, deixa pouco campo para o compromisso e muito para a guerrilha. Depois admiram-se…

28 de maio de 2015

E no entanto, ela move-se


A poucos dias de terminar o ano lectivo, a Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas de Pombal deu sinais de vida. Está afixada num painel da Escola Secundária de Pombal (pelo menos) a convocatória que ontem chegou a algumas caixas de correio electrónico de alguns associados [que isto deve ser como na missa, só comunga quem as entidades superiores consideram estar em condições de papar a hóstia].
E o que diz a convocatória? 
  • Que a Associação de Pais vai finalmente eleger uma nova mesa da Assembleia Geral, pois que na última (em Dezembro) demitiu-se a presidente? Não.
  • Que a Associação de Pais quer reunir os associados e ajudar a organizar as festas de final de ano? Não.
  • Que a Associação de Pais resolveu finalmente apresentar as contas e o relatório de actividades dos últimos dois anos?Não (até porque só pode haver relatório do que existe).
  • Que a Associação de Pais está preocupada com o processo inerente às obras que aí vêm, para a construção de um pólo escolar na cidade - e que vão obrigar à mudança dos alunos sabe-se-lá-para-onde, no próximo ano lectivo? Não.
  • Que a Associação de Pais está preocupada com o que se passa nas nossas escolas, de um modo geral? Também não.
A convocatória tem dois pontos:
1. Marcação da data para a realização de eleições dos novos órgãos sociais
2. Informações sobre a sentença proferida pelo Tribunal de Leiria (relativamente ao processo contra a APEEAEP)
Aqui fica o nosso serviço público: desta vez a reunião não acontece na Câmara nem na Biblioteca Municipal. Está marcada para dia 3 de Junho, às 19h30, no auditório da Escola Secundária de Pombal. 

26 de maio de 2015

A desvergonha prossegue

Passaram 2 meses sobre as eleições para a ABVP, onde ocorreram as irregulares mais graves alguma vez vistas em Pombal. Os erros são graves, mas mais grave é não os assumirem e não os corrigirem.
A correcção dos erros só tem uma solução: renuncia (ou perca de mandato) dos corpos (mal)eleitos e novas eleições. Mas não chega, é necessário, também, desconspurcar a organização: apurar o(s) responsável(is) pela fraude, puni-lo(s) pelos danos causados à organização e impedi-lo(s) de cometerem novas fraudes –  de se candidatarem.
De que estão à espera para renunciarem?
Porque continuam a pactuar com tamanha fraude?
Haja um mínimo de dignidade e de respeito por uma organização secular e respeitável.

Ministra da Justiça em Pombal

A AICP promoveu e organizou, no passado dia 19-05-2015, um "jantar-debate" com a presença da ministra da justiça sobre “a reforma da justiça e o impacto na economia”.
Tendo ficado com a opinião da irresponsabilidade da ministra e tendo, depois, lido a entrevista de Isaltino Morais ao Expresso de 23-05-2015 sobre aquela ministra, onde formulou sobre ela opinião ainda pior, decidi escrever algumas palavras sobre o “jantar-debate”.
A ministra alegou que a reforma do mapa judiciário e os meios alternativos de resolução de conflitos levaram à maior celeridade processual e a melhores benefícios para a economia, dizendo que tudo era positivo e que países mais ricos que o nosso nos têm consultado para aprenderem com a nossa experiência e propondo mesmo um brinde coletivo ao “êxito da reforma”.
Aceitando e defendendo nós como certo que todas as sociedades organizadas necessitam de reformas para evoluírem e para não ruírem, temos de dizer que a ministra revela pretender esconder os efeitos negativos da reforma ao transformar o setor da justiça portuguesa num grande laboratório onde muitos cidadãos são as cobaias vítimas das experiências “científicas”, aquelas que os estrangeiros querem então conhecer e estudar antes de cometerem os mesmos erros. Omite o que se passa, por exemplo, com os PER, como forma de evitar o peso das estatísticas de empresas insolventes mas que leva aos esquemas de protelamento das insolvência e de ocultação da má gestão, com as notificações nos procedimentos de injunção, como forma dos cidadãos não se poderem defender de dívidas prescritas e de procedimentos caducados, com as execuções com base em “fórmulas executórias” das injunções, como forma dos bens dos cidadãos serem espoliados antes dos mesmos tomarem conhecimento da existência da execução, por dívidas que não ou já não existiam, etc...
Gostava de ter visto alguma honestidade intelectual nos argumentos da ministra…

Fiasco Pombalino


No final da semana passada recebi um honroso convite do presidente da câmara para participar no Festival Pombalino. Consegui mobilizar toda a família (coisa rara – têm gostos e interesses muito diversos) e Sábado à noite deslocámo-nos para o evento. Fiquei mal visto e nos próximos tempos dificilmente os arrasto para outra: uma praça despida e triste – como mostra a foto – fracas atuações, pouca animação e pouco público (nem as figuras da organização - do poder - se viram por lá!).

Sem muito para ver entreti-me a falar com os feirantes/expositores – a parte mais consistente do evento – e percebi a sua desilusão com o evento e com a organização (CMP): pouca de promoção e em cima do evento, poucos visitantes, terrado muito caro e evento alternativo no Domingo (Crisma no Pavilhão de Exposições, fora da cidade). Não se faz!
Desta forma, destrói-se valor no lugar de o gerar. Não se justifica fazer pagar um terrado a expositores que constituem o cenário do evento, num evento novo sem potencial para gerar receitas aceitáveis (nalguns casos não darão para pagar a deslocação, e alguns fizeram 200 km).
Não basta fazer, é preciso mais alguma coisinha…

22 de maio de 2015

A cultura do regresso ao passado


O que aconteceu em Pombal no fim-de-semana passado merece aplausos e incentivo. É sempre um balão de oxigénio para uma moribunda zona histórica ter alguma vida de volta, ainda mais se chegar acompanhada de música e dança, como foi o caso da iniciativa Montras Poéticas: artistas nossos a mostrarem, de uma forma original, o que fazem tão bem.
Depois, no domingo, quase em segredo (custa-me a crer como é que não se aproveita a marca do Marquês, numa coisa destas, como é que não se divulga isto à séria) uma nova Associação Artística apresentou-se no Museu, com um [belíssimo] quinteto de música de câmara, que pode voar tão alto...
A maioria das entidades locais tinha mais que fazer - está visto - e por isso chegou no final do concerto, só a tempo da fotografia. Uma pena. 
Mas o que sobra deste tempo é a fixação pela idade média e pelos séculos passados. Foram os romanos no Natal, depois a feira medieval, agora o festival pombalino. Dir-me-ão que é melhor que nada, que o que importa é haver actividade. É importante preservar o passado, sim. Mas é igualmente importante projectar o futuro, e isso faz-se muito pouco, nos tempos que correm. Cheguei a pensar que as sementes lançadas na Casa Varela, no Bodo passado, iriam germinar. Mas os meses passaram, a casa não voltou a abrir-se, e os nossos artistas continuam a ser chamados por Leiria (por exemplo) para animar as inúmeras iniciativas culturais da cidade vizinha. Não se trata de copiar os outros, mas podemo-nos inspirar. E fazer mais coisas como a do fim-de-semana-passado. Mudamos esta agulha?

nota de rodapé: Se há um festival pombalino e um sarau, com  música barroca, agendado para a noite de sábado; se acaba de nascer um quinteto em que os músicos até trajam à época e tocam tão bem, não faria sentido integrar uma actuação nesta iniciativa? Pois. 

Meio-tolos

A ofensa é a arma dos fracos, e dos tolos. Os primeiros são imputáveis, os segundos não. O problema é distingui-los e responsabilizá-los. Como poderemos responsabilizá-los se não conseguimos distingui-los? Há sempre a hipótese de chutar o problema para os tribunais, mas os juízes também se consideram impotentes para o efeito e recorrem regularmente a peritos, que dão pareceres contraditórios e a pedido.
É complicado lidar com os tolos e muito pior com os meio-tolos. Os tolos são por natureza criaturas inconscientes, ingénuas, toleráveis; que, apesar de dizerem parvoíces, piadas de mau-gosto ou impropérios, não ofendem verdadeiramente. Erasmo dizia que “só aos tolos os Deuses concederam o privilégio de censurar sem ofender” e, por isso, reservam-lhes o reino dos céus. A tolice é a alegria do tolo.
Os meio-tolos são a outra face dos tolos: criaturas perigosas, mal-formadas, intrinsecamente desonestas, que manhosamente conquistaram uma certa áurea de tolos (espertos) e a usam, conforme as circunstâncias, para se fazerem passar por tolos ou por audazes. Abundam por aí e por aqui.
Tolero os tolos mas abomino os meio-tolos, porque estes não olham a meios para atingir os fins. Preocupo-me muito pouco com a imagem, mas preocupo-me com o bom-nome. Não é tanto por mim, mas pelos meus Amigos e pela minha família - acima de tudo pelos meus filhos. Tenho hoje a certeza (se se pode tê-la) que os meus filhos são melhores do que o pai. Isso enche-me de orgulho, mas aumenta-me a responsabilidade de os não desiludir, de os não envergonhar. Tenho a consciência de que os filhos perdoam todos os deslizes à mãe, mas são implacáveis com o pai. Compreendo-o e aceito-o.
Há uns tempos, um amigo recente presenteou-me com um jantar onde tive a sorte de ficar sentado ao lado de uma Senhora que não conhecia. O jantar foi delicioso – ficou-me gravado o sabor daquela cabidela, prato de que não era grande apreciador – e a longa conversa com a distinta Senhora foi o complemento perfeito do repasto. Quando leio alguns dos comentários que por aqui vão sendo colocados, penso na distinta Senhora (e no seu filho que não conheço) e rezo para que não tenha(m) o azar de os ler - farão sofrer e rasgarão, com certeza, a sensibilidade da distinta Senhora. 

16 de maio de 2015

Oxalá tenhas um mau vizinho

É o agoiro proferido durante uma discussão contra o adversário e inimigo: “Oxalá tenhas um mau vizinho”.
O mau vizinho intromete-se na vida alheia (vigiando), insulta, agride, danifica, furta e arremessa lixo a partir do seu quintal, tentando cansar e desmoralizar o vizinho. Porém, arrisca-se a encontrar alguém ainda mais duro e partir a testa com as cabeçadas que dá. É o que me fez lembrar a conduta mais recente de Rodrigues Marques e anteriormente de alguns anónimos em relação ao Farpas.

Mais uma baixa…

Desta vez durou, apenas, dois meses e meio. Jorge Cordeiro, adjunto do Príncipe, contratado para chefe da propaganda, bateu com a porta e zarpou.
As crueldades continuam a ser mal usadas, a desconfiança é enorme, os ministros andam pelos cabelos e dirigentes amedrontados e em guerrilha.

O príncipe está demasiado incauto e o delfim no terreno a entender o regaço aos desiludidos. 

Não desvalorizem as touradas

Nota prévia: não sou grande aficionado nem anti-touradas. Aprecio, até, uma boa lide, preferencialmente “a pé”: a coreografia, a encenação, a musica e a adrenalina do risco.

A junta de Abiúl (com apoio da câmara) vai pagar (dar), à RTP, 25.000 € pela transmissão de uma tourada, por altura das festas de Agosto. Não se percebe - até porque as televisões andam ávidas de eventos e parodias que lhes ocupem as muitas horas de emissão.

É um 2 em 1: desvalorizam as touradas - ao assumirem que não têm valor e gastam dinheiro, sem qualquer retorno, necessário para suprir carências básicas.  

13 de maio de 2015

Bullying estudantil e praxis académica

Recentemente, assistimos à divulgação de um vídeo mostrando alguns estudantes a agredir um colega, para escândalo da hipocrisia de graúdos, que também já o fizeram, e de miúdos, que também o fazem. Recuando mais um pouco no tempo, assistimos anteriormente à novela televisiva da investigação das responsabilidades na morte dos estudantes da Praia do Meco, em resultado da brincadeira e da estupidez da adesão a praxis estudantis.
No primeiro caso, é patente a presença de uns marmanjos, feitos líderes, a incentivarem as suas fêmeas a agredirem o macho mais fraco, chegando mesmo a manietá-lo para que este não se possa defender. No segundo caso, um estudante cábula e repetente, intitulado “dux”, liderou alguns estudantes, nomeadamente fêmeas, conduzindo-os à Praia do Meco onde perderam a vida.
Não se surpreendam os graúdos que compram fatos de andorinha para os seus “meninos” se inserirem na “sociedade” académica e na cultura da festa inconsciente, para participarem nas atividades das praxis académicas e apanharem quilómetros de bebedeiras e produzirem toneladas e lixo…

Entretanto, miúdos e graúdos continuam a disputa territorial e o jogo de sedução muito vistos nos documentários televisivos sobre vida animal, como por exemplo nos filmados no “Parque Nacional do Serengeti”.

A 13 de Maio, na cova da Pombalaria

Maio é um mês que me irrita um bocado.
Desde logo, por causa das aparições. Refiro-me, claro, às aparições dessa aberração rodoviária que são os "carros de apoios a peregrinos". Juntemos a essa irritante realidade o facto de suprimirem todas as segundas faixas na estrada (IC2) entre Coimbra e Leiria, e... vamos completar o quadro com a colagem dos políticos ao fenómeno religioso, que é talvez ainda mais obscena do que aquela que fazem ao futebol.
O Pombal Jornal dá a boa-nova, em noticia assinada pela menina JESUS (o que reforça a santidade da acção municipal), e de forma não muito diferente da que é feita pela site do Município. Há plágio de um dos dois, ou há uma "acção concertada" entre órgãos que se querem (e são, não duvido) amigos? Ou o "gabinete da propaganda" foi aumentado mais uma vez, e nós não sabíamos? Ou então, poderá também ser uma substituição, mas para isso, teria algum dos actuais membros de tão activo órgão que se demitir, o que não parece uma coisa normal.

O estado é laico, mas o município, aparentemente, não é. Nem os seus seguidores.
Amén.

12 de maio de 2015

Se eu não me ajudar…

Não sei se é da crise ou da evolução normal da praxis: o certo é que o lema “se nós não ajudarmos os nossos…”, assumido publicamente pelo PSD para justificar as múltiplas arbitrariedades, evoluiu para “se eu não me ajudar…”.
O presidente da junta do Louriçal reconheceu, em plena assembleia de freguesia, que a junta compra produtos à sua empresa. Está explicado o seu deslumbramento com a terra de oportunidades em que Pombal se transformou!

11 de maio de 2015

É tudo uma questão de fé

A comovente divulgação do apoio aos peregrinos por terras de Pombal, por parte do município - republicano e laico (?!) -  mostrou ao país e ao mundo que não há terra como esta.
Desta vez, superámo-nos no sacrifício pelos outros, deixando aos nossos atletas uma sala para se equiparem, pois que os balneários estavam TODOS destinados aos peregrinos.

9 de maio de 2015

Rapaziada, quer se possa ou se não possa...


A convocatória merece ser emoldurada.
A convocatória merece ser emoldurada porque está em letra miudinha.
A convocatória merece ser emoldurada porque está em letra miudinha e mal se lê, no jornal.
A convocatória merece, ainda, ser emoldurada porque...não se via nenhuma destas desde há uns dois anos!
A convocatória é uma boa convocatória. O clube é um bom clube. E os candidatos também. 
Era um Lopes para o Sporting de Pombal, sff.

7 de maio de 2015

Ao jeito de Frei Tomás

Custa-me, acreditem, repisar estes temas (o seu denominador comum): Conselho Geral de Agrupamento de Escolas de Pombal e a Direcção dos Bombeiros Voluntários de Pombal. Mas a realidade é de tal forma abusadora que até deixar de ver faz doer os olhos.  E, como dizia Pessoa, tudo que se passa no onde vivemos é em nós que se passa. E, nestes casos, é preciso ter contra-alma bastante para não chorar e grande desvergonha para calar.
O Agrupamento de Escolas de Pombal não tem Conselho Geral, vai para ano e meio. Não tem porque o presidente da câmara, fazendo-se passar por paladino da legalidade, aponta potenciais irregularidade na eleição dos representantes dos pais, e, apoiando-se nisso, recusa-se a tomar posse e não consente que tomem posse os membros designados pela autarquia, o que acarreta transtornos e prejuízos para a comunidade educativa.
Há cerca de um mês, foram (re)eleitos os (velhos) dirigentes da Associação de Bombeiros Voluntários de Pombal, mantendo-se o presidente da câmara como vice-presidente. O processo eleitoral foi um chorrilho de ilegalidades, que atingiu o caricato com uma eleita a ter que emitir um comunicado para se demarcar do processo e mostrar a sua estupefacção por constar da lista única apesar de não ter sido convidada e não ser associada. Apesar desta (e não só) ilegalidade que roça o burlesco, os dirigentes eleitos tomaram posse e, depois de o caso ter sido tornado público, não se demitiram – o que não surpreende - e o presidente da câmara – o tal paladino da legalidade – continua sereno e inamovível, atestando, dessa forma, a conformidade do processo.

Bem prega Frei Tomás: faz o que eu digo, não faças o que eu faço! Até quando…

Em nome do Oscar

Calou-se ontem uma das vozes mais incómodas do jornalismo em Portugal, da liberdade de expressão. Da Liberdade. Oscar Mascarenhas morreu, de ataque cardíaco, aos 65 anos. Deixou muito de si à imprensa portuguesa e um bocadinho também ao Farpas, quando, em Janeiro de 2014, fez o favor de me esclarecer a propósito disto.
Na edição de hoje do DN, o camarada (de sempre) Ferreira Fernandes escreve-lha uma doída homenagem, que vale a pena replicar aqui - afinal, o Oscar travou uma luta contra os anónimos e deles dizia muito do que penso, também: escrever é dar a cara. Por isso mesmo, aqui fica a crónica, para memória futura.

Doeu, mas está tão bem escrito...

Um dia, ele contou-me que o pai, médico, recebera uma carta, que abriu, levou os olhos ao fim do texto e, não tendo encontrado assinatura, rasgou-a e deitou ao lixo. "Uma carta anónima não se lê", ensinou o pai a Oscar Mascarenhas, ensinou-me ele em conversa, como ensinou a muitos, nas redações dos jornais e nas escolas. O Oscar era altivo a falar e quem nisso só visse arrogância perdeu, talvez, boas lições. Perdi algumas, mas aquela, não. A carta anónima não foi mero episódio, era a convicção duma vida: escrever é dar a cara. Aqui, no DN, Oscar Mascarenhas liderou um combate contra a irresponsabilidade (passe o pleonasmo) dos comentários anónimos no online. E não era ver o argueiro nos olhos dos outros: não conheço jornalista português que mais tivesse criticado os seus próprios camaradas. Criticava por amar demasiado o que fazia: "Digam-me uma só profissão que se autocritique em público tanto como a nossa!", desafiava. Um risco, porque ele viveu estes anos em que o jornalismo tarda em renascer. Ele conhecia esse desânimo, o que, por vezes, o levava a usar como arma de espadeirada o florete com que esgrimia a língua portuguesa. Era um polemista temível - de quem o fustigado, se conseguisse ser justo depois de tamanha coça, deveria dizer: "Doeu, mas está tão bem escrito..." Disse-me, ontem, de longe, uma pessoa querida: "Ele deu-me o CD da verdadeira música da pesada quando eu só pensava em rock. Era Wagner."

Perigo nas estradas dos peregrinos

As vias rodoviárias que ligam o norte e o centro de Portugal a Fátima, em grande parte dos seus percursos, constituem um risco para a vida dos peregrinos, como o demonstram as recentes mortes por atropelamento nos concelhos de Pombal e de Condeixa.
A Igreja Católica, os sucessivos Governos e os Municípios por onde transitam os peregrinos poderiam construir um caminho rústico interdito a veículos motorizados, para proteção dos peregrinos, à semelhança da maior parte dos troços dos caminhos de Santiago.
A omissão de iniciativas da Igreja Católica, principal responsável moral pela proteção dos peregrinos, parece revelar apenas preocupação com os resultados económicos das peregrinações a Fátima, de que é sempre a principal beneficiária. Também os autarcas dos municípios atravessados pelos peregrinos, aqueles que se fingem muito religiosos e que atribuem gordos subsídios à Igreja Católica, para construção ou remodelação de adros de capelas, ou às associações, para “atividades” sem utilidade, parecem não valer os cargos que exercem…

O Município de Pombal começa a falar numa solução. Veremos se a mesma implica os habituais “remendos” na adaptação de vias rodoviárias ou a definição dos “caminhos de Fátima” materializados em novos trajetos interditos a veículos motorizados.

6 de maio de 2015

Louriçal: quem quer festa sua-lhe a testa...


Estão a concorrer com o Bodo as grandiosas festas do Louriçal. O cartaz - que foi publicamente conhecido e promovido muito antes da festa da cidade - é tão ou mais arrojado que o do ano passado. A única chatice é que o do passado saiu caro à Junta de Freguesia local. Soube-se agora, em pública reunião da assembleia de freguesia, que o prejuízo ultrapassou os 30 mil euros, qualquer coisa como cinco vezes mais do que o previsto. Se o orçamento daquela que é a maior Junta do concelho (jóia da coroa para o PSD nas últimas eleições) anda nos 640 mil euros...é fazer as contas, como dizia o outro.
Para evitar males maiores, este ano a autarquia mudou de plano: vai atribuir um subsídio de 16 mil euros à nova Comissão de Festas do Louriçal (não havia uma desde os tempos da chamada festa do Seco...), presidida pelo benemérito António Calvete. 
Entretanto, somam e seguem os Serões Culturais pelas colectividades da freguesia. Honra seja feita a José Manuel Marques, o primeiro presidente de um executivo social-democrata a promover a iniciativa que, até agora, era um exclusivo dos socialistas. E mérito, já agora, pois que nunca a Câmara contribuira com um tostão para o evento, e desta vez chegaram aos cofres da Junta 4.500 euros...

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5 de maio de 2015

Um vício típico de endinheirado

A maioria das câmaras municipais tem ideias e projetos, mas falta-lhes dinheiro. A CMP tem dinheiro a mais, mas faltam-lhe ideias. Vai daí: sentido o incómodo do dinheiro parado e da falta obras, lança-se a fazer o que não deve e/ou o que não lhe pedem.
Os exemplos do desvario abundam. O mais risível é o desembolso de 236 mil Euros para a recuperação das fachadas do Hospital de Pombal – edifício que não administra nem lhe pertence. Então, porquê substituir/subsidiar o Centro Hospitalar de Leiria-Pombal – instituição com uma situação económico-financeira desafogada?  

Embelezar mulher alheia é um vício típico de endinheirado.

Boa ou Má Gestão

Boa gestão é aquela que fornece (muito) valor às partes interessadas, que capta bem o que agrega valor e utiliza bem os recursos disponíveis para o atingir. Má gestão é aquela que não fornece valor às partes interessadas porque avalia mal as suas necessidades ou utiliza mal os recursos.
A CMP terminou 2014 com um excedente de 7,8 milhões de Euros. Isto é bom ou mau? Revela Boa ou Má Gestão? Antes de responder a estas questões convém introduzir alguns considerandos que diferenciam a gestão pública da gestão privada: (i) a gestão pública, ao contrário da privada, não visa o lucro; (II) a gestão pública transfere valor essencialmente para os utentes ou cidadãos em geral – nomeadamente nas câmaras, porque lhes está vedada a possibilidade de transferir valor para accionistas (não existem) ou colaboradores. 

Uma câmara que termina o ano com um excedente de 7,8 milhões de Euros é uma câmara que sacou aos seus cidadãos mais do que necessitava ou que não tem ideias onde deve investir os recursos disponíveis com valor para os cidadãos. É, no fundo, uma câmara mal gerida. 

3 de maio de 2015

As caminhadas e os trails dos políticos

As caminhadas, os “trails” e os percursos de btt estão a deixar de ser apenas atividades físicas, desportivas e lúdicas para se transformarem também em modas aproveitadas pelos políticos para ser mostrarem e obterem receitas para agradar a algumas associações.
A Câmara Municipal organizou há uma semana uma caminhada e um trail, cobrando uma pequena quantia monetária aos participantes e utilizando (sem custos) os trilhos, desde há muito abertos por alguns praticantes de btt, que sinalizou com fitas plásticas presas à vegetação ou, nalguns pontos, seguras debaixo de pedras colocadas nos estradões.
Enquanto atribui subsídios a diversas associações, alegadamente para construção de infraestruturas e para os seus membros praticarem desporto, a mesma Câmara cobra pela participação nalgumas outras atividades desportivas para a algumas associações. O objetivo parece ser sempre a obtenção de “receitas” para agradar às associações e não o fomento da prática de atividades salutares e do desporto para todos.

Entretanto, passada uma semana sobre a realização da “caminhada” e do “trail”, ainda não foram retiradas as fitas plásticas sinalizadoras dos percursos colocadas na vegetação e nos estradões nem as pedras colocadas/obstáculos colocadas nos estradões. Bem, apenas retiraram uma pequena parte das fitas junto à cidade…