28 de abril de 2016

Fazem com Narciso Mota o que fizeram com Luís Garcia?

Em 2008, Luís Garcia era presidente da AM e Administrador do Hospital de Pombal, Narciso Mota era presidente da CMP e Diogo Mateus seu vice-presidente. Nesse ano, Luís Garcia afirmou à imprensa "nunca ter visto na agenda política da Câmara a vontade verdadeira de resolver a situação do novo Centro de Saúde". Dias depois, no decorrer de uma assembleia municipal, na sequência da decisão do presidente da AM de cortar a palavra ao presidente da câmara, por reiterado abuso de tempo; Diogo Mateus, num aparte, não anuído, usou da palavra para acusar Luís Garcia de ter quebrado a solidariedade política na assembleia, tal como já o tinha feito quando prestou declarações à imprensa a propósito da política de saúde e do centro de saúde. Diogo Mateus - apesar de não ser presidente da câmara nem do partido - aproveitou a oportunidade para, de forma inoportuna, censurar publicamente Luís Garcia, retirar-lhe a confiança política e, desta forma, desencadear o processo destituição do presidente da AM, conduzido pelo líder da bancada e da concelhia do PSD. O desfecho do processo é conhecido e deixou as suas marcas e as suas vítimas. 
 Agora, Diogo Mateus é presidente da câmara e Narciso Mota é presidente da AM. E é Narciso Mota que, a meio do mandato autárquico, anuncia a sua candidatura a presidente da câmara, justificando-a com o mau desempenho político de Diogo Mateus, consubstanciado no forte descontentamento popular. Com estes actores políticos e neste contexto de guerra declarada, uma pergunta se impõe: Diogo Mateus tem “tomates” para destituir Narciso Mota da presidência da AM, como o fez, por motivos insignificantes, com Luís Garcia? A coerência deveria impô-lo. Até porque, agora, o “pecado” é incomensuravelmente mais grave. Mas, terá “tomates”?  

27 de abril de 2016

Liberdade de Imprensa

Falta pouco para o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que se assinala a 3 de Maio. A propósito dos jornais que amanhã estão nas bancas, ocorre-me a célebre frase de Orson Welles:

"Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. 
Todo o resto é publicidade".

26 de abril de 2016

História de um golpe anunciado (I)

No passado fim-de-semana, Pombal comemorou o golpe militar de 74, com as cerimónias oficiais centradas nos “Rapazes dos Tanques”. Premonitório: nas conversas informais só se comentava o golpe desferido por Narciso Mota contra o seu sucessor.
É discutível o modo e o momento escolhido por Narciso Mota para tornar público o assalto ao poder, mas respeita os princípios básicos da arte da guerra: ataque de surpresa, quando o adversário não está preparado ou está enfraquecido. Pode ter sido uma simples coincidência, mas o certo é que Narciso Mota apanhou o príncipe coxo, com a mobilidade fortemente limitada, amparado em muletas.
Independentemente das circunstâncias do ataque, o príncipe é mais réu do que vítima: tem sido demasiado incauto, semeou demasiado odioso nos seus súbditos quando estes ainda não tinham feito o corte com o anterior soberano e ausentou-se do território para ir gozar férias na neve (gosta de feriar regularmente) quando a rebelião já estava em marcha - como por aqui avisámos. Maquiavel ensinou que “contra a inimizade de um povo um príncipe jamais pode estar garantido”. O príncipe está vulnerável, corre sérios riscos de perder, sem honra, o reino rico e até há pouco tempo pacificado que lhe foi legado.

É agora chegado o momento de o príncipe mostrar a sua têmpera: se nasceu para ser Príncipe ou se príncipe foi.

25 de abril de 2016

Quem mais ordena


Não tenho simpatia pela figura do Marquês, mas acho desde o início que o projecto da Associação Artística Marquês de Pombal tem tudo para ser diferenciador. Via-os, por exemplo, na organização do "Maio, mês do Marquês", não apenas o quinteto a tocar, mas a colocarem em prática toda a vasta actividade que está nos estatutos da associação. Mas colocar o quinteto (vestido a rigor) no Café Concerto, em plena comemoração do 25 de Abril...não lembra ao diabo. Lembrou à Câmara de Pombal, que troca a Grândola pela música barroca.

Oito anos de Farpas

Há oito anos, o Farpas foi criado com o intuito de furar o cerco da asfixia informativa local. Conseguimo-lo. Comemoramo-lo com orgulho, com sentimento da missão cumprida, mas também com a azia da obra inacabada. Naquele longínquo 2008 estávamos longe de imaginar que o mais fácil seria furar o cerco. Hoje sabemos que o mais difícil é manter o cerco furado, porque as forças que o querem fechado estão mais fortes, são mais profissionais, e contam com colaboracionistas mais submissos e mais bajuladores.
Por hábito – e, agora, também, por necessidade - as pessoas submetem-se a tudo o que o poder deseja, o que gera um poder arrogante e uma cidadania dormente. Nesta comunhão maldosa, o arrogante encontra-se com o fraco, funcionam como duas faces da mesma moeda, mas não se compreendem.
Às vezes apetece-nos parar, dar a missão por concluída, mas rapidamente percebemos que estamos a meio da cruzada, que parar implicaria o regresso ao ponto de partida, que parar seria sempre uma desistência, uma cobardia. Não podemos dar esse presente aos nossos “inimigos”. E sobretudo: não podemos privar Pombal do contraditório, num tempo em que a oposição se demitiu de funções e a imprensa adormeceu.
Eles não mudam, não podemos mudar.
Cumprir Abril é isto, também.
Viva o Farpas, Viva a Liberdade!

23 de abril de 2016

Narciso é candidato à Câmara (crónica de um divórcio anunciado)



Narciso Mota está pronto para ser candidato à Câmara de Pombal em 2017. A decisão andou a ser pensada nos últimos meses, e fontes próximas do ex-presidente garantem que estava tomada já no sábado passado, quando tomou posse como presidente do plenário do PSD de Pombal, e onde deixou uma frase que muitos entenderam dirigir-se ao sucessor, Diogo Mateus: "quem com ferros mata, com ferros morre".
Nos últimos dias, o autarca - que actualmente preside à Assembleia Municipal de Pombal - tem vindo a estabelecer contactos com diversos apoiantes (no seguimento de um crescente apelo popular ao regresso) sendo claro na mensagem: "se o PSD não me quiser, avanço como independente". A decisão já foi comunicada ao presidente da concelhia, Pedro Pimpão.
A foto do triunvirato era premonitória. Tal como se adivinhava, começa a desenhar-se o tsunami.
Estava escrito nas estrelas, mas não era expectável que fosse tão cedo. 

21 de abril de 2016

Apelo aos beneméritos


Circula há mais de uma semana pelas redes sociais este apelo. Não vi na imprensa local nenhuma notícia sobre o assunto, mas parece-me que esta é daquelas situações que pode servir para o poder político e empresarial exercitar a sua responsabilidade social. A Paula sofre de uma doença degenerativa que há anos lhe vem roubando independência, que nos últimos tempos lhe fez perder até a capacidade de engolir. Gostava de deixar a sua história escrita, e já arranjou quem se disponibiliza a fazê-lo gratuitamente. Mas editar um livro tem custos. Por isso, aqui fica o apelo à boa vontade dos pombalenses beneméritos - que os há. Não é caridade, mas é solidariedade. E pode fazer a diferença.

13 de abril de 2016

Expectativas medievais


Respigo o que aqui escrevi há dois anos, aquando da inauguração das obras de requalificação do Castelo. "Face a uma proposta arrojada e polémica como esta, esperava do município um programa em coerência para o monumento. Um programa que justificasse o investimento efectuado e dignificasse a opção tomada. Provavelmente é isso que está na cabeça de Diogo Mateus e da sua equipa. Mas, se assim for, alguém me consegue explicar como se justifica um Mercado Medieval para o dia da inauguração?"

A insistência nos mercados medievais em Abril, assinalando o aniversário da inauguração da obra, mostra claramente que Diogo Mateus e a sua equipa não partilham a minha opinião. E quem sou eu para os criticar! Os factos até parecem dar-lhes razão. Fazendo fé nas palavras da vereadora Ana Gonçalves, o evento "continua a ser muito acarinhado pelos Pombalenses e pelos turistas nacionais e estrangeiros". 

Pronto, tudo bem... Os mercados medievais até são giros e concordo que, quando se tem uma infraestrutura como a do Castelo, seria uma pena não promover um evento desse cariz. Também sei que os pombalenses acarinham a iniciativa (como, aliás, muitas outras). Mas essa dos "turistas nacionais e estrangeiros" não será um exagero? Olhando para a foto que retirei da página da Câmara, noto que conheço quase metade das pessoas que "invadiram" o Castelo. Só 7 são da minha família! 

11 de abril de 2016

A Publireportagem da TSF

No discurso, a CMP mostra-se preocupada com a Educação (nomeadamente com o insucesso escolar), mas na prática, maltrata a Educação: planeia mal as pólos escolares – não os faz onde há crianças e fá-los onde não as há -, bloqueia o funcionamento do maior agrupamento de escolas do concelho, não disponibiliza recursos humanos indispensáveis ao funcionamento das escolas e não investe nas actividades extra-curriculares - indispensáveis para atenuar desníveis de desenvolvimento das crianças. E nada disto é notícia!
Mas quiseram que o programa EPIS fosse notícia, aqui e além-fronteiras. E a TSF fez o jeito - e fez-se pagar por ele – com uma Publireportagem (uma reportagem paga) sobre a matéria.
Ao que nós chegámos!

10 de abril de 2016

Pombal Contemporâneo

O evento designado (erradamente) Mercado Medieval, organizado, este fim-de-semana, pela CMP, nada tem do longínquo e malfadado tempo medieval. É sim, na parte exposta, uma amostra do Pombal contemporâneo, muito próxima do Pombal tradicional.

Evocar o passado com o presente é desvirtuar o passado e puxar o presente para o passado. Ou não saber o que se quer.

8 de abril de 2016

Sai um Panteão

Os deputados da região têm andado numa azáfama mediática. Na última semana o Pedro sobressaiu com um bom número: conceder ao Mosteiro da Batalha o estatuto de Panteão Nacional. Desta vez, sejamos justos, o nosso deputado foi imaginativo - já estávamos fartos da lengalenga à volta do Aeroporto de Monte-Real e da transformação do IPL em Universidade. Poucos se lembrariam de utilizar o mosteiro para sepultar os famosos cá da terra - Narciso Mota, Lemos Proença, Fernando Costa, por exemplo - mas o Pedro tem este feeling político, adquirido no prolongado estágio na Jota, que lhe permite ver em antecipação aquilo que os outros não enxergam. Hoje, a política faz-se destes números que não requerem grande elaboração ou fundamentação, mas têm uma enorme capacidade de atrair “likes” e daí saltarem rapidamente para as páginas dos jornais e os noticiários das rádios e televisões.
Há muito tempo que a acção política abandonou o terreno do concreto, a busca do “bem comum”, a racionalização das relações sociais, para se centrar no fantasioso, no virtual, no efémero, no megalómano ou até no bizarro. Neste terreno, a aptidão do político consiste em saber quais são as paixões que podem ser despertadas com mais facilidade e que mais benefício mediático pode trazer, no imediato, ao mentor.
A coisa vai avançar? Claro que não. Mas isso pouco importa. O número está feito e capitalizado. Se avançasse, lá teriam as nossas criancinhas de fazer visitas de estudo ao mosteiro para conhecer os grandiosos cá da terra.

O rastreio das crianças

foto: EPIS

Passou ontem na TSF esta reportagem sobre o programa EPIS (da homónima associação de empresários para a inclusão social). Já aqui falei sobre o tema, já disse publicamente aos senhores coordenadores e autarcas o que acho daquilo, da invasão de privacidade expressa naqueles inquéritos.No ano passado a coisa correu mal na cidade. Na EB1, entre a centena e meia de alunos, apenas dez pais acederam ao desafio da autarquia, no resto do concelho a adesão passou pouco dos 60%. Ora, se o programa é assim tão bom, se os resultados são tão espectaculares, fico sempre intrigada com o facto de apenas os municípios de Pombal, Figueira da Foz e Pampilhosa da Serra aderirem ao dito. Há pelo país uns 360 que ainda não descobriram esta pólvora. Outros há que apostam numa política de criação de actividades desportivas e lúdicas, que asseguram a igualdade de oportunidades que a escola pública nem sempre dá. O outro Diogo desta história (director-geral da EPIS), diz que ainda estão à procura "do grande resultado quantitativo e estatiscamente relevante".
Ouvi com toda a atenção aqueles minutos de rádio, gravados há coisa de um mês. Martelam-me na cabeça as palavras "rastrear" e "sinalizar". Parece que a Câmara de Pombal (através da equipa que criou para assegurar o EPIS) já "rastreou 1070 crianças". Diz o presidente que a ideia é chegar "aos que são mais pobres, mais vulneráveis". E depois "trabalhar os jovens e a sua capacitação para o futuro". O conceito é este, e quanto a isso estamos conversados. 
São os princípios que me incomodam, os meios que tão-pouco sabemos se vão justificar os fins. nessa óptica da caridadezinha aplicada à escola, que só tem paralelo no que se anda a passar em alguns estabelecimentos da cidade, onde a percentagem de crianças carenciadas é elevadíssima. Num gesto caridoso,  há pão para "os meninos pobres". E isto é dito assim, a todos.
Ora aí um bom tema para reportagem, para quem ousar fazer "caminho paralelo".

4 de abril de 2016

A Feira da Floresta trazia água no bico

O dinheiro em abundância permite muita extravagância. Mas há limites!
A CMP, depois de desbaratar dinheiro em quintas e edifícios de que não tinha necessidade e que não utiliza, prepara-se para prosseguir na senda dos maus negócios, ou dos bons - depende da parte. Ao Região de Leiria, a vereadora Catarina Silva afirmou: “temos desenvolvido os procedimentos para nos assumirmos como proprietário florestal. Estamos a preparar todos os passos para fazer compra de floresta”Não precisam: eu tenho pouca mas dou-vos alguma e conheço quem vos poderá dar mais. Que não vos falte floresta! 
E deixem lá estar o dinheiro no banco. Talvez apareça alguém com (boas) ideias onde o aplicar.

30 de março de 2016

A perversidade do modelo partidário

As estruturas partidárias são modelos piramidais tradicionais de três níveis: Direcção Nacional, Federações e Concelhias (as secções e os grupos sectoriais - trabalhadores, mulheres, etc. - são irrelevantes para esta análise). O modelo tem dois problemas graves: está desfasado da realidade social e, pior do que isso, induz perversidade.
O modelo de organização em pirâmide visa dois propósitos essenciais: controlo “top down” e estímulo do mérito (sobe quem mostrou capacidade). Nos partidos assegura o controlo, mas desincentiva o mérito.
Na Europa, no pós-guerra, e em Portugal, na pós-revolução, as elites (intelectuais, académicos, artistas, quadros técnicos de topo, etc.) estavam bem representadas nos partidos políticos e influenciavam fortemente a estratégia e a acção política. Actualmente não têm espaço nos partidos, porque não o desejam nem são desejados. As máquinas partidárias são controladas pelos apparatchiks, que fazem da vida partidária a sua razão de vida, gente sem méritos reconhecidos interpares ou na comunidade, sem sucessos políticos ou com derrotas esmagadoras, que subiram no partido pelo designado “trabalho partidário”, que, na prática, se resume à intriga política, ao trade-off de apoios internos e a outros processos obscuros. Consequentemente, os partidos, da base ao topo, deixaram de ter pensamento político estruturado, limitam-se a seguir a agenda mediática. As concelhias nem isso fazem, porque não há agenda mediática local nem a sabem criar. As federações fazem o que sempre fizeram: distribuem “tachos” pelos apparatchiks na máquina do estado (deputados, secretários-estados, chefes de gabinete, assessores, dirigentes de CCDR, Segurança Social, Hospitais, etc). Como existem não têm qualquer utilidade para a comunidade e para os partidos, mas são muito disputadas porque os apparatchiks há muito perceberam que o caminho para chegar ao “pote” é mais curto e mais fácil nas federações do que nas concelhias. Este mecanismo gera perversidade e enfraquece os partidos, nomeadamente nas concelhias - o nível essencial para fazer crescer e fortalecer os partidos. E é por isto que, mesmo nos grandes partidos, as concelhias só mantém actividade regular e significativa onde o partido é poder e o presidente da câmara não se posiciona de costas voltadas para a concelhia.
Mas, para além desta enfermidade endémica, outra praga está a destruir os partidos: as sociedades secretas. Tema a abordar noutra altura.

23 de março de 2016

Diogo Mateus superstar


É um desfile de fotos nunca visto, só comparável com as filas do Portugal Fashion para registar o momento em fotografia, quando se encontra uma figura pública. Para compensar a ausência à última hora, no ano passado, que redundou numa baixa de meses por parte de uma funcionária municipal (a culpa é sempre dos outros, já se sabe), este ano o Município de Pombal fez tudo diferente: não confirmou presença na Feira de Nanterre antecipadamente (razão pela qual não aparecia inicialmente nos cartazes, só mais tarde se juntou o brasão) e em vez de convidar as empresas locais a juntarem-se à iniciativa, decidiu inverter os papéis, e tornou-se na atracção principal: Diogo fez-se acompanhar do chefe de gabinete João Pimpão (quem mais poderia fazer a ponte com o povo, chegar a ele, falar a mesma linguagem?) e durante todo o fim-de-semana posou para a fotografia ao lado de todas as famílias que encontrou, naturais de Pombal. Depois foi só distribuir os Roques, os Costa, os Santos, os Silva, os Dias, os Oliveira, e todos os outros pelos diversos grupos regionalizados do Facebook e mostrar como é que o senhor presidente é popular, no meio dos chouriços de Lamego, das alheiras de Mirandela e, vá lá, das cavacas de Pombal.

Aguardo com expectativa a reportagem que nos há-de trazer o Tuga Magazine, publicação portuguesa a cargo de um rapaz aqui do concelho. Foi graças a ele que pudemos visualizar o vídeo com o discurso do senhor presidente, que a assistência ouviu com a atenção que se vê.  Tenho aqui até um espírito-santo-de-orelha a dizer-me que foi graças à insistência dele que Pombal acabou por ir lá parar.
Então e vamos lá saber: essa viagem, espremida, dá o quê? votos dos familiares dos modelos fotográficos?

22 de março de 2016

Sai mais uma avença para o Teófilo

A CMP adjudicou mais uma avença a Teófilo Santos, de prestação de serviços jurídicos, no valor de 39.810 €, mais IVA. Uma “brilhante” forma de reconhecer os serviços prestados pela dupla Teófilo & Michael António no processo das 35 horas.
A lei das 35 horas semanais aplicava-se a todas as câmaras municipais. Mas a única que perdeu um processo em tribunal, e vai ter que entrar com mais de 100.000 €, é a de Pombal.
É obra! E paga o Zé!

21 de março de 2016

No dia da Poesia

Por mal dar, por mal ter, viram cerradas
Do céu as portas; penam nesta lida
Com mágoas, que não podem ser contadas.

Vês quanto é de vaidade iludida
A ambição, de que os homens a porfiam,
Da fortuna anelando os bens da vida.

A pujança de um povo é grande ou escassa
Segundo o seu querer, que, se escondendo
Qual serpe em erva triunfante passa.

Contra ela o saber vosso não valendo
No seu reino ela tem poder e mando
Como os outros o seu, estão regendo.

Ora no lodo ainda mais tristes somos –
Com voz cortada assim gargarejavam
De palavras somente havendo assomos.

Essa alma, que de orgulho ainda esbraveja,
Avessa ao bem, de raiva possuída,
Deixou em si memoria, que negreja.

Quantos reis, grandes na terrena vida,
Virão, quais cedros, se atascar no lodo,
Fama de si deixando poluída.

Que há povo infindo para o bem avaro!
             Do vadio e genial Dante Alighieri - Divina Comédia

17 de março de 2016

Porque é o príncipe tão incauto?

Maquiavel explicou-nos que “O príncipe vela não pela felicidade do povo, mas pela sua própria”. Mas por cá, nem pela própria - na sua ânsia de se tornar poderoso, tem desbaratado aquilo que a fortuna lhe pôs no regaço: um reino dócil, submisso e rico. Surpreende que alguém que teve todo o tempo para aprender a arte de reinar, tenha, em pouco tempo, perdido tão rapidamente a confiança dos súbditos.
O príncipe tem cometido demasiados erros, e não os tem sabido conter os estragos: armadilhou laços (em vez de os evitar) e caiu neles, desgastou-se em guerras infrutíferas, fez inimigos nos fracos e não cuidou dos poderosos, foi leão quando deveria ser raposa e raposa quando deveria ter sido leão. É da sua natureza!
O processo das 35 horas é um tratado de inabilidade política, que poderia ter feito tropeçar trezentos e tal príncipes, mas onde só o de cá se espalhou.
O príncipe parece ter perdido o norte: procura passar o odioso da decisão inicial para o seu antecessor, ajudando a juntar a matilha de lobos, e, ao mesmo tempo, prossegue a afronta aos súbditos, não cumpre a sentença, pede (hipocritamente) desculpa aos trabalhadores - que há muito atribuíram a culpa da contínua afronta - mas não paga as horas extraordinárias a todos os trabalhadores (todos as fizeram), paga-as somente aos trabalhadores sindicalizados do sindicato que interpôs a acção.

O príncipe padece de dois males: não tem (por opção sua) ministros que o protejam e não tem bons fundamentos. E como disse Maquiavel: “um príncipe que não tem bons fundamentos, necessariamente cairá em ruína”.

15 de março de 2016

Ajudem a câmara, sff

Mesmo fazendo muita obra inútil e outras que não são da sua competência, a CMP (ainda) dispõe de 11,640 milhões de Euros em caixa.

Apelo: ajude a câmara a encontrar destino para o (seu) dinheiro.