10 de fevereiro de 2016

A Cidade de Deus

Entrámos na quaresma. Por cá nunca saímos dela, vive-se uma vida quotidiana muito vazia e monótona, onde o prazer e a folia são abafados, e a vida religiosa é estimulada, pois nela o servilismo toma o aspecto de uma virtude cristã.
Pombal tornou-se uma Cidade Deus, onde os Homens vivem segundo Deus, e bajulam o seu deus, onde a razão e a fé convergem para iluminar a função política no seu propósito de ampliar, ainda mais, o poder supremo. Onde o povo é moldado a ser tanto melhor quanto sua concordância estiver no que é “melhor” e o “melhor” seja o bem supremo. Não é uma cidade justa, dado que não aspira, ou, pelo menos, nem sempre aspira ao soberano bem.
Pombal é uma cidade que não separa “o que é de César, a César; e o que é de Deus, a Deus”, onde o que não serve a deus não é povo e onde o superior impera sobre o inferior. Onde se apregoa bondade, caridade e misericórdia, mas onde os que apregoadores, fazem mais mal que bem.
Pombal não é uma terra de gente com grande sentimento religioso, antes fosse – estava explicado o estranho fenómeno -, mas é uma terra de gente com grande oportunismo religioso, onde a culpa é virtude e o padecer é glória (dos outros).

8 de fevereiro de 2016

Porque é que esta cidade nunca tira a máscara?

Quando me apareceu um cartaz pela frente a anunciar um "baile de carnaval", no dia 8 (segunda-feira) fiquei toda contente, a pensar que finalmente o município recuperava um hábito antigo, o de festejar o entrudo, nem que fosse de forma modesta. Ledo engano. Afinal o baile é senior, na linha do costume, o de mascarar os velhinhos e fazer de conta que são marionetas guiadas pelas técnicas dos lares e centros de dia.
Sou desde sempre crítica da forma como decorre o desfile de carnaval das escolas, por achar que uma boa parte dos mais pequenos não se diverte, como era suposto. Ainda assim, quando mal nunca pior, e por isso mais vale haver alguma coisa a coisa nenhuma. Mas os velhinhos, senhor? Que fixação é esta? Porque é que nunca se pensa na população activa que ainda cá está, como se fosse pecado abrir a porta à folia ou à diversão? Numa rápida visita pelas páginas dos municípios à volta, facilmente percebemos que, à sua maneira, todos a promoveram. E nós a treinarmos para transformar a terra num reduto da terceira idade, essa inevitabilidade, segundo presidente da Câmara. É uma pena que os nossos séniores não tenham saúde física nem financeira para irem além do pavilhão das actividades económicas. Que ironia.
Mas enfim, teremos sempre Abiul...
foto: Pombal Jornal

28 de janeiro de 2016

Pegar o touro pelos cornos - wi'll always have Abiul


Foto gentilmente recolhida do nosso homónimo Farpas blogue. 

Presidente da Câmara prometeu ser um "acérrimo defensor da tauromaquia na região" mesmo que isso lhe custe votos
Citado pelo site Touro e Ouro, o presidente da Câmara de Pombal, Diogo Mateus, durante a entrega dos troféus da Tertúlia O Berço da Tauromaquia de Abiúl, a Vasco Pinto, prometeu ser um "acérrimo defensor da tauromaquia" na região que representa, com um "discurso altamente positivo e promissor para a tauromaquia".
O autarca social-democrata, segundo o mesmo site, mostrou-se forte entusiasta da Festa Brava e reconheceu a importância da tauromaquia em Abiúl, prometeu que Pombal estará sempre "ao lado das tradições culturais portuguesas, mesmo que isso possa custar votos".

Durante o discurso, Diogo Mateus sublinhou ainda que "Pombal não tem vozes anti-taurinas".

Dizer isto é d'homem.
Pombal não tem vozes anti-taurinas?
Pombal não tem vozes.
Pombal não tem.

Se tivesse, outro galo cantaria.

27 de janeiro de 2016

Um comentário com direito a post

"Para quando um protesto, cada vez que subir uma lomba buzinar.
E o transporte de doentes também sobe e desce essas lombas, é pena não ser o desarquiteto a passar dentro duma ambulância com problemas de coluna, ia ser giro".

                                                                                                     Por Natividade Silva
Bora buzinar nas lombas.

25 de janeiro de 2016

Notas soltas sobre os resultados das presidenciais

A fé não move montanhas. 
Duas surpresas: (i) o senso comum dos eleitores; (ii) a fé de algumas criaturas políticas.
Numa eleição sem recandidato presidente, invulgar foi só aparecer um candidato potencialmente vencedor, e nove candidatos perdedores. Sinal de que o cargo de Presidente da República se tornou pouco atractivo. Consequentemente ganhou quem tinha que ganhar e perdeu quem tinha que perder.
A esquerda perdeu. A direita ganhou mas chupa no dedo…. O PS – Costa – foi o perdedor que não saiu derrotado.
Marcelo R. Sousa: ganhou, e encontrou o registo para assegurar a reeleição e contornar o tédio que o cargo lhe vai provocar. Hipocondríaco como é, vai fugir a sete pés dos conflitos potencialmente perdedores. A direita não pode contar com ele, Costa também não, mas fica a depender unicamente de si e dos seus “compagnons de route”.
Sampaio da Nóvoa: perdeu mas capitalizou. Vai andar por aí. Em 2026 será candidato potencialmente vencedor.
Marisa Matias – cumpriu o papel (nestas circunstâncias).
Maria de Belém: o “soufflé” era de fraquíssima qualidade – deslaçou-se assim que a temperatura subiu. Penoso.
Edgar Silva: erro de casting. Prova-se mais uma vez que os votos não têm dono.
Vitorino Silva (Tino das Rans): ganhou o campeonato da II Liga - é o menos mau dos maus.

A primavera marcelista


Pombal acordou hoje debaixo de uma tempestade, num dia invernoso, cheio de raios e coriscos. Em dias como este, o meu avô Zé-Maria vestia uma samarra igual àquela que o professor Marcelo usou na campanha, nos intervalos das visitas a creches e lares de velhinhos. Ontem, quando o vi na tv a fazer o percurso de candidato para presidente, continuava com a cassete do "sereno e tranquilo". É essa falta de chama que me aborrece em candidatos como ele, passando a ideia de que a vida política de um país é pouco mais do que chá e bolinhos, estantes de livros, lareira acesa e grandes dissertações sobre os lugares e as viagens da elite - com direito a pausas para a caridadezinha.

No resto do país, a esquerda adormeceu a remoer esta mania de esticar a manta de retalhos. À direita não lhe bastou - nunca lhe basta, de resto - ganhar. O facebook encheu-se de gente ressabiada com o governo de Costa, colocando a nu uma das carcaterísticas que sempre me causa urticária: não lhes basta ganhar, é preciso espezinhar quem perde. Os brasileiros têm uma expressão que diz tudo sobre esse estado de alma, mais colado ao PSD do que ao incólume CDS: debochar. E  sabendo que um catavento é sempre imprevisível, em Pombal o partido jogou pelo seguro, e marimbou-se para os sinais de independência que o professor emitia, colando mensagem partidária à campanha. De maneira que foi coerente o agradecimento feito, ontem à noite, no facebook, congratulando-se com tão expressiva vitória cá na terra: 69,74%. É claro que continuamos a bater recordes de abstenção, com uns honrosos 57.24%. Quer dizer que uma esmagadora maioria não está aqui representada.
Mas o que é que isso interessa?

24 de janeiro de 2016

Parque da Fonte da Charneca



As primeiras (poucas) chuvas do outono abriram os primeiros sulcos no terreno arenoso colocado no parque em construção na frente da fonte da Charneca. Reparados os danos com a colocação de mais terras arenosas, logo as primeiras chuvas do inverno voltaram a abrir novos regos, como as fotografias de 17-01-2016 demonstram.

Num ato de colaboração, sugiro que, no planeamento e na execução das obras, se prevejam os efeitos das chuvas como, noutros projetos, se devem ter em conta os critérios da segurança, da utilidade, do preço e da estética, pela ordem indicada e não pela ordem inversa para se evitarem os habituais acidentes e demolições e reconstruções, tudo suportado pelos cidadãos.

21 de janeiro de 2016

O Renato

A informação foi passada: Renato Guardado, mestre em Arquitectura, vereador na CMP, é candidato à presidência da distrital da JSD.
O Renato é um rapaz apaixonado pela política, com um longo percurso de jota, que circunstâncias especiais fizeram vereador. Mas que ainda não é Vereador. 
Nietzsche afirmou que “pouquíssimas pessoas são capazes de inferir o efeito das circunstâncias em sua personalidade”, e - afirmo eu - no seu destino. Gostava que o Renato tivesse essa capacidade.
O Renato será, com certeza, o futuro presidente da distrital da JSD, mas tenho dúvidas que termine o mandato como Vereador.
O Renato é um rapaz a quem a sociedade concedeu um duplo privilégio: remuneração principesca (para a ausência de curriculum) e oportunidade de valorização profissional. Por isso, o Renato deveria ter a consciência da sua condição de privilegiado e das consequentes obrigações que a situação impõe.  

Tenho estima e consideração pelo Renato, por isso e pelas circunstâncias, tenho-lhe poupado, por aqui, alguns deslizes, contando que o rapaz precisa de tempo para crescer e ser aquilo que legitimamente ambiciona: Político. Mas convinha que tivesse a noção que o trajecto para objectivos ambiciosos não é rectilíneo.

18 de janeiro de 2016

Os obstáculos contornam-se

A propósito das obras no Barco, um amigo de Leira que regularmente vai passar o fim-de-semana ao norte do distrito perguntava-me se Pombal tinha aderido tardiamente há moda das rotundas e das lombas na estrada (tipo obstáculos). Não percebia por que é que a câmara tinha colocado cinco lombas enormes, em quinhentos metros de via,  num local onde nunca tinha visto pessoas a atravessar a estrada. Coisas estranhas, disse-lhe eu, sem resposta!

Mas quando os obstáculos são mesmo obstáculo as pessoas procuram alternativas. É o que começa a acontecer no Barco: se é difícil circular pela via principal, circula-se pela secundária (sem lombas). 

14 de janeiro de 2016

Centro de saúde de Pombal

Quarta feira, dia 13-01-2016, o tempo de espera para consulta era superior a 1 hora. Nalguns casos os atrasos eram de cerca de 2h15.
As justificações do lado do Centro de Saúde são “a falta de sistema”, o pouco tempo fixado para as consultas e os pacientes que contam toda a “história da sua vida”. Do lado dos pacientes, as justificações são os atrasos dos médicos na entrada ao serviço e os médicos que gostam de dar a conhecer aos pacientes todo o seu “curriculum vitae”. Ainda do lado dos pacientes, era dito que estes, depois procederem à marcação das consultas com vários dias de antecedência, se não procederem depois à inscrição na data marcada antes da hora marcada, ficarão para último lugar ou terão de voltar noutro dia.

Urge organizar todos os serviços públicos, de forma a dar-lhes uma imagem de eficiência e de forma que os utentes não sofram prejuízos na produtividade ou nos rendimentos do trabalho nem desesperem na espera. Resta esperar pela entrada em funcionamento do novo edifício e pela intervenção da política socialista, para a qual habitualmente tudo se resolve sempre e só com mais dinheiro dos outros…

13 de janeiro de 2016

Notícias da Etap (que há muito tempo não tínhamos)

                                                             Foto: Pombal Jornal
O título apareceu-me na minha timeline como um murro no estômago -  a metáfora que usamos em jornalismo para explicar como é que se prende um leitor logo à partida. E então fui ler a notícia, que na edição online do Pombal Jornal é acompanhada daquela foto soberba, ao estilo retrato de família, em que o número de alunos em causa está quase igual aos que fazem número como figurantes na fotografia. O presidente, o director e os discípulos dele são cinco, os alunos seis.
Ficamos então a saber que há seis alunos da ETAP que vão estagiar a França (em empresas locais, imaginamos nós) o que (estranhamente) acontece pela primeira vez em 25 anos. Quero acreditar que estes desenvolvimentos se devem à entrada [no capital da escola] daquele vasto naipe de empresas, que foi notícia no verão passado, pois que muitas estão a deslocalizar a sua mão-de-obra para fora, ainda que não propriamente para Bordéus. Mas essa é a parte boa da notícia. O lado mau é este provincianismo confrangedor que exibe a "mercadoria" agora "exportada", levando-nos a concluir que já não falta muito para que a notícia passe a ser qualquer coisa como o cão que mordeu o homem, em vez do homem que mordeu o cão. Nessa linha, fazia todo o sentido que também tivesse sido noticiado o jantar da Natal da escola, que aconteceu pela primeira vez em 25 anos. A não ser que, pelo número reduzido de presenças, não se justificasse a fotografia.

9 de janeiro de 2016

Sinais de trânsito em cima de outros



Um sinal de trânsito a indicar a passagem para peões colocado de forma a tapar um semáforo, junto ao jardim do Cardal, é um exemplo da sinalização de trânsito vertical confusa da cidade de Pombal que não foi corrigida na última alteração da organização do trânsito.
No caso em apreço, os condutores que circulam do Largo do Cardal para a Avª Heróis do Ultramar terão de avançar sobre a referida passadeira para lograrem ver o sinal luminoso quando está em vermelho.
Já aqui tratámos anteriormente o excesso de sinais de trânsito na Avenida do Continente. Resta-nos esperar que o trânsito seja organizado de forma articulada por toda a cidade e não apenas com sucessivas “aparências”…

8 de janeiro de 2016

Um “caso” dos trabalhos

Que os vereadores da CMP não servem para (quase) nada, já o sabíamos. Mas que nem para figurantes sirvam, é demais. A culpa não será deles.
Vem isto a propósito do encravado Acordo Colectivo de Trabalho da CMP, mas não só. O normal (numa organização funcional) era que as negociações com o sindicato e/ou comissão de trabalhadores fossem conduzidas pela vereadora com o pelouro dos recursos humanos (e técnicos da sua equipa) e fechadas pelo presidente. Mas não foi nada disso que aconteceu. Por cá, o acordo foi negociado e fechado, unicamente, pelo presidente e anunciado por este no jantar de Natal.
Decididamente, em Pombal ocidental, nem tudo é normal (como costuma dizer a Paula Sofia). E em matérias laborais (e não só), ainda é mais assim: a CMP é a única(?), no distrito, onde não aplica o regime das 35 horas semanais*, o que tem provocado grande insatisfação nos funcionários, que nem os prémios ridículos distribuídos no jantar de Natal suavizaram, antes pelo contrário.
Mas mais grave do que tudo isto é o presidente da camara faltar/adiar duas vezes a cerimónia de assinatura do acordo. Porquê? Com que propósitos?
Uma coisa é a existência do mal, outra a razão dessa existência. A existência do mal não pode ser negada, mas a maldade da existência do mal não pode ser aceite.
* Informação não (totalmente) confirmada

7 de janeiro de 2016

A perna maior que o passo: falta-nos uma sala de espectáculos

*fotos maravilhosas para ver aqui

O bailado "Quebra-Nozes" - que o coreógrafo Árvaro Ribeiro (bailarino brasileiro radicado em Aveiro) e a professora de dança Kelly Lisboa levaram ao palco do Teatro-Cine, encheu as medidas de quem o viu. Literalmente. O espectáculo esgotou rapidamente as duas sessões de domingo, 3 de Janeiro - e isso colocou a nu, outra vez, a necessidade de uma sala de espectáculos maior para Pombal. Espero que Diogo Mateus deixe essa marca. Na verdade, a cidade está cheia de salas e salinhas, mas falta-lhe uma sala de espectáculos maior, como já se provou várias vezes.
No domingo estavam em palco cerca de 70 bailarinos, na maioria crianças e adolescentes, que na certa se fazem sempre acompanhar de (pelo menos) os pais. Ora, se a sala tem capacidade para 294 pessoas, está bom de ver que, se todos quisessem levar ao espectáculo alguns familiares ou amigos, não restariam bilhetes disponíveis para mais ninguém. Juntemos ainda ao naipe a banda filarmónica de Vermoil - que abrilhantou os momentos antes do espectáculo com uma suite do Quebra-Nozes, e facilmente se percebe por que razão ainda foram colocadas umas cadeiras na sala, cá atrás. Tudo esgotado, portanto.
Já tivemos momentos em que a Câmara deu o passo maior que a perna. Neste caso, assistimos ao inverso.

2 de janeiro de 2016

Migrantes e refugiados

A guerra, a violência, a perseguição, a falta de liberdade e a pobreza, isolada ou conjuntamente, fazem fugir ou migrar os povos das suas casas e das suas terras para outros locais.
Quando as culturas e os valores de origem são diferentes dos do destino, ocorrem choques e tensões entre os povos refugiados ou migrantes e os povos dos locais de acolhimento, o que dificulta a integração. As soluções são defendidas e tratadas pelos vários membros das sociedades de acolhimento em função das suas motivações económicas, sociais, políticas e religiosas, de várias formas e sempre sem posições claras e inteligíveis.
Há os que recusam receber os que chegam, por falta de solidariedade ou por temerem a violência e temerem perder ou ver limitadas a sua identidade cultural e a sua liberdade em face da cultura dos que chegam, os que defendem o apoio com condições, por pretenderem manter a sua organização político social sem importar a violência, e os que defendem o apoio sem condições, por pretenderem disso retirar dividendos políticos ou económicos.
A solidariedade, enquanto componente social do humanismo, é uma das pedras base da construção da sociedade moderna ocidental, mas também o é a liberdade, enquanto primeira pedra. O apoio (a solidariedade) aos refugiados não pode ser negado, mas também não deve deixar-se de exigir o comprometimento e o respeito pela liberdade, pelos valores e pelas leis de acolhimento.

Depois de muito se falar emotiva ou demagogicamente sobre refugiados, é tempo de ponderação na busca de respostas adequadas às crescentes migrações.

Os candidatos presidenciais e os debates televisivos

Pouquíssimos eleitores ouvirão os debates televisivos. Porquê? Porque, no geral, os candidatos não têm nada de interesse para dizer. Um deles já os abandonou. Fez bem: poupo-nos o frete e aproveita o tempo para pensar nos “números”.
Cândido Ferreira – Não diz nada com interesse, mas gosta de fazer “uns números”. Já fez dois. Quantos (mais) fará? A acompanhar. Suscita essa curiosidade.
- Vitorino Silva (Tino das Rans) – Desde que se fez figura mediática tem que continuar a aparecer. Estar na televisão é o seu Olimpo.
- Edgar Silva – Tem que estar na televisão para cumprir o ritual à risca. Não a adianta nem a atrasa. Nem padre, nem candidato. Um erro de “casting”.
- Henrique Neto – Vai para televisão convencidíssimo que tem coisas para dizer que ainda ninguém disse. Incha com a televisão. Pode rebentar lá! É melhor, não.
- Paulo de Morais – é o padre da Corrupção. Prega-a onde haja uma criatura que esteja disposto a ouvi-lo. Na TV sente-se um pregador. Mas toda a pregação monocórdica cansa.
- José Sequeira – Acha-se engraçado (e tem as suas razões). Deslumbra-se com as câmaras.  Mas pode tirar algum proveito delas.
- Marisa Matias – Tem voz e presença. Tinha tudo para passar bem na TV, mas não conhece verdadeiramente o papel que representa. Um desperdício.
- Maria de Belém – Gosta da TV (porque gosta de aparecer). De entrada, aquela imagem rende, mas o “soufflé” deslaça-se facilmente. Ainda não se percebeu quem acredita menos: ela ou os apoiantes?
    - Sampaio da Nóvoa – Não gosta das câmaras mas sabe que precisa delas. Torna-o tão evidente que a coisa não pode dar bom resultado. Já se percebeu quem acredita menos: os apoiantes.
    - Marcelo de Sousa – É um peixe de águas profundas. Na televisão está no seu habitat. Se pudesse não saia de lá. Porque quer ir para presidente? Vai sentir tanto tédio – logo, vai fazer asneiras. Tenham pena dele.

1 de janeiro de 2016

Cidade viva e cidade adormecida

Quando se dava a transição para o Ano Novo, Pombal era uma cidade deserta, adormecida num sono profundo de esquecimento do tempo. Aqui ao lado, em Leiria (e também na Figueira da Foz), uma cidade em peso – novos, velhos, crianças, famílias inteiras (pombalenses, também) - saía à rua, confraternizava, divertia-se, partilhava afectos.
Mandeville, um dos percursores do pensamento liberal nos inícios de séc. XVIII, foi o primeiro filósofo-político a perceber que os vícios são fontes de riquezas, de melhorias, de tudo o que torna a vida mais confortável e agradável porque impulsionam a vida humana e, por meio da interacção humana, a sociedade. As suas teses geraram muito escândalo e foram o alvo proferido dos moralistas da época. Mandeville pode ser considerado  um visionário da actual sociedade de consumo e do prazer porque defendeu que a frugalidade deveria ser incentivada.
A indústria da diversão é actualmente uma das mais importantes: a de maior crescimento e a que mais contribui para a realização humana (excepto para os cristãos). Os políticos que ignoram isto estão desfasados no tempo ou tem uma agenda de retrocesso civilizacional.
Actualmente, as principais cidades europeias têm uma agenda de animação contínua. Lisboa é um bom exemplo - recuperou em pouco tempo o tempo de atraso.

Por cá compromete-se o presente em busca da salvação prometida.

31 de dezembro de 2015

O último a saber


Sempre achei que "Árvores Vivas" de Judite da Silva Gameiro foi do que melhor se fez em Pombal no que diz respeito à chamada arte urbana. Não sei se a Autarquia encarou o projecto como efémero mas, pelo que leio no Pombal Jornal, a artista sempre acreditou que a sua obra seria acarinhada por forma a poder durar mais do que um ano e meio. E eu também...

Aquilo que, no início, parecia ser uma bela história de amor entre a Câmara e os artistas locais, acabou (talvez sem surpresa) em traição. E nestas coisas da traição, já se sabe quem é sempre o último a saber.

19 de dezembro de 2015

Presidente à esquerda

Diogo Mateus tem vindo progressivamente a desenvolver de forma dissimulada e teatral uma estratégia de sedução e de afirmação de poder e influência. Começou o exercício do seu mandato a tomar o pequeno-almoço com funcionários, a dar folgas, a reduzir horários, a atribuir apoios sociais e a aliciar e comprometer a oposição de esquerda, enquanto, simultaneamente, criava alguns conflitos, nomeadamente com o anterior presidente, vereadores e conselho de escola, que tentava resolver com o recurso às habituais falácias.
Depois, refinou a sua estratégia, estreitando os laços com a igreja e misericórdias e com as associações e incrementando a sedução à esquerda em geral, a nível cultural ou atores políticos, a quem começou a oferecer cada vez mais lugares, e recuperou como sua a política do anterior presidente de criar cargos e de mandar construir obras desnecessárias, caras e com erros de conceção, enquanto mantém o esforço dos contribuintes, apesar da crise e do colapso económico de muitos cidadãos, a maioria a rumar para o estrangeiro.

Entretanto, os militantes do partido que o apoiam vão-se interrogando sobre estas e outras questões, designadamente sobre o programa de atuação (não eleitoral) em confronto com o programa e a identidade do partido…

As lágrimas de Ofélia (e as de nós todos, diz ela!)

Assembleia Municipal de Pombal, 30/9/2015, a propósito da discussão e aprovação da associação de apoio aos peregrinos:
Já agora, crie-se, também, rapidamente, uma associação para enxugar as lágrimas. Mas tem que vir gente de fora!

"Onde é que a maldade mora?
Todos sabem onde é
É em quem quando diz que chora
Leva a rir e a responder
Indo em crueldade até
A gente não a entender..."
               Fernando Pessoa

18 de dezembro de 2015

Importa-se de explicar, sff


Um momento de (boa) dialéctica política

Da caridadezinha



No verão de 1991, Pombal respirava progresso e abastança. À hora de almoço os empregados no comércio e serviços acotovelavam-se nos restaurantes, as fábricas eram várias e empregavam muita gente, Cavaco estava a um passo de conseguir aquela maioria absoluta e tudo corria bem, no país e no mundo (havia o Iraque e tal, mas era longe, nada nos haveria de beliscar). Foi nesse tempo de glória que conheci os clubes Rotários e Lions - nessa altura mais ou menos divididos em Pombal, subtilmente, entre poder (PS) e oposição(PSD). Como eu era muito nova e lá na Moita do Boi o único clube que havia era a Associação, lá fui, cheia de curiosidade, ao serviço que o director do Correio de Pombal me mandou fazer: um jantar no Manjar do Marquês para a entrega de uma televisão à Cercipom. Era muita gente, nesse tempo: os rotários e os jornalistas.

...

No inverno de 2012, quando Pombal se preparava para deixar de ter jornais (com a morte anunciada do Correio de Pombal) quando o grupo para o qual trabalhei 18 anos tinha fechado o Eco e reduzido os seus quadros nos outros jornais para metade, o Rotary Clube convidou-me para ir a uma das suas reuniões de terça falar da crise dos jornais e da imprensa regional. Tenho no clube gente de que gosto muito, como é o caso do meu mestre Alfredo Faustino. Admiro outros, que ainda por lá andam, embora me identifique pouco com os moldes (declinei dois convites, nos últimos anos, para integrar organizações similares). Antes de me ouvir, um deles quis saber a minha opinião sobre os rotários. E eu disse. Contei a história da televisão, e como me tinha ido embora a pensar que, com o dinheiro do jantar, poderiam comprar-se mais duas televisões. Ressalvei, na altura, o mérito de uma organização que contribuía de outras formas para a comunidade, por exemplo com a pioneira criação das bolsas de estudo (ou dos concursos de contos, noutro tempos) ou a realização de conferências e debates.
...
No outono deste ano suspendi o meu mandato na Assembleia de Freguesia de Pombal (para a qual fui eleita nas eleições de 2013, como independente, na lista do PS). O regresso ao noticiário político nas páginas do DN ditou-me esse dever ético. E por isso não participei nem assisti à última reunião daquele órgão, nem estava a perceber a conversa do actual presidente dos rotários, no facebook, por estes dias. Fui saber. Parece que a Junta de Freguesia (cujo executivo integra) deu um subsídio de 750 euros ao Rotary, para uma bolsa de estudo, das várias que o clube atribui. Como? Não será mais lógico a Junta criar a sua própria bolsa, já que quer apoiar? E o Rotary agora funciona assim? O que é que aconteceu ao mecenato?
Melhor que este fait divers em tempo de Natal (quando a solidariedade voltou a dar lugar à caridadezinha), só o desfile do executivo camarário - amplamente divulgada -  na venda de jornais outra vez promovida pelo Região de Leiria, a favor de instituições do distrito. Faz agora anos que o director acabou a acção de charme do dia, entrou no jornal, já de noite, e concluiu o processo de extinção de postos de trabalho iniciado meses antes.
Boas festas!

Ratoeira da lomba na estrada da Granja da Cumieira



No lugar de Granja da Cumieira, freguesia de Pombal, na estrada que dali liga ao lugar de Cardeais da freguesia de Vila Cã, existe uma depressão seguida de lomba não sinalizada. Os condutores das viaturas automóveis que seguem do referido lugar de Granja da Cumieira para Cardeais são surpreendidos com uma pancada da base da viatura no pavimento da lomba seguida de um ressalto. Algumas viaturas já ficaram com os "cárteres" rachados.
Enquanto o pavimento da estrada vai abatendo e se aguarda pela reparação, a qual talvez só seja efetuada quando for pedida responsabilidade civil ao município, vamos caminhando em Pombal sobre as passadeiras vermelhas do Natal e vamos assistindo à remodelação da rua do Barco com todos os berloques e labirintos…

E a Lei, e a Lei, e a Lei…

Assembleia Municipal de Pombal, 30/9/201, Discussão e votação da Proposta da Câmara sobre o Lançamento de Derrama. Proposta da câmara para isenção de Derrama as empresas que criem, no mínimo, 3 novos postos de trabalho.


Que falta de senso. Valha-lhes S. Sinfrónio.

O Orçamento Participativo não é tão brilhante como parece

Assembleia Municipal de Pombal, 30/9/2015, Intervenções na Generalidade. Resposta de Diogo Mateus a uma intervenção elogiosa e auto-elogiosa sobre o Orçamento Participativo:


Quando o político se esquece do “papel”…

Assembleia Municipal de Pombal, 30/9/2015, Intervenções na Generalidade:


17 de dezembro de 2015

A propósito da arte de interrogar e responder

Na arte de interrogar e responder é comummente aceite que não há perguntas difíceis, pode é haver respostas difíceis. Na Assembleia Municipal de Pombal não é bem assim.

A assembleia está melhor. Não por mérito de quem pergunta, mas por mérito de quem responde.

16 de dezembro de 2015

Politécnico ou Académico

Em Leiria, uns quantos opinion-makers têm procurado lançar um movimento para transformar o IPL em Universidade. Já conseguiram, pelo menos, uma coisa: envolver as estruturas partidárias na polémica – os partidos, despidos como estão de pensamento estruturado, salivam imediatamente quando pressentem movimentações. O caminho para o desastre está traçado.
O IPL conseguiu, na última década, credibilizar uma oferta educativa dirigida à região e com alguma qualidade. O que menos necessitava nesse trajecto era de uma polémica gratuita e de uma alteração do seu código genético e do trajecto que o tem conduzido a algum sucesso.
Bem sei que é legítimo que uma instituição queira saltar de patamar, mas é isso necessário, exequível e virtuoso? Tenho dúvidas, muitas.
Por um lado, Portugal não necessita de mais Universidades, tem, até, demais; e as que tem são de pequena dimensão quando comparadas com as congéneres europeias, com quem competem, nomeadamente no ensino pós-graduado. A tendência a que se assiste é para a diminuição do número de Universidades, movimento já concretizado em Lisboa, com a fusão entre a UL e a UTL, e, pelo que ouvi, passo já admitido entre as Universidades de Coimbra e Aveiro, e inevitável para as Universidades de Trás-os-Montes e Alto Douro e da Beira Interior.
Por outro lado, actualmente, é mais importante diversificar ofertas educativas do que padronizá-las.
Em resumo, em vez de transformar o IPL em Universidade talvez fosse mais adequado aproximá-lo da Universidade de Coimbra. Mas desconfio que os orgulhos e interesses de paróquia não o permitirão.

Educação e Rendimento

A correlação entre o potencial de crescimento de uma economia, o potencial humano e o nível de vida das pessoas e é tão evidente que actualmente é considerado uma tautologia. No entanto, em Portugal, e por cá, somos confrontados frequentemente com opiniões avestruzas que desvalorizam o papel da escola na vida das pessoas e da sociedade.
Eric Hanushek, da Universidade de Stanford, afirmou anteontem numa conferência em Lisboa “que os resultados conseguidos nos testes PISA, sobre o desempenho nas áreas da matemática, leitura e ciências, realizados pela OCDE, têm uma forte correlação com o crescimento económico”. Segundo Hanushek, “Portugal foi um dos países que mais melhorou nos últimos 15 anos, está hoje a meio da tabela, perto dos Estados Unidos, mas representa uma subida de 25 pontos nos testes”. Habushek fez o exercício de seguinte: “se Portugal atingisse o nível da Polónia nos testes PISA, isso significaria, em 80 anos, um crescimento de 340% do PIB português e salários 15% mais altos em cada ano, durante 80 anos." Talvez seja uma extrapolação com pressupostos muito optimistas, mas dá que pensar.
Em Portugal (e em Pombal também) culpa-se demasiado os políticos pelo nosso atraso secular, com uma cegueira e um fanatismo perturbantes; sem se olhar para as causas estruturais desse atraso, e elas são tão evidentes. Uma delas, e talvez a mais preponderante, é o grave défice de Educação da população.
Em 1900, a Holanda comemorou a entrada no novo século proclamando a erradicação do analfabetismo. Em Portugal os níveis de Educação são baixíssimos, quando comparados com os nossos parceiros europeus. Mas em Pombal a realidade surpreende até os mais atentos a estas coisas. A Carta Educativa do Concelho mostra-nos um retrato de tons muito negros: 25% da população sem instrução e 28% da população detém apenas o 1.º ciclo do Ensino Básico.
Está explicado, em grande parte, o atraso socioeconómico do concelho de Pombal. E não contem com melhorias nos próximos anos.

14 de dezembro de 2015

Um excelente documento

A (revista) Carta Educativa do Concelho de Pombal é um excelente documento, com um pequeno senão: apresenta-nos uma realidade preocupante.
A levar em consideração pelas partes interessadas, nomeadamente actores políticos e responsáveis pelas instituições educativas.

Pergunta indiscreta

Em Pombal insistem em transformar vias rodoviárias em pistas de obstáculos. Por quê?

9 de dezembro de 2015

Chã de Baixo a Freguesia

Numa nota de imprensa do gabinete de comunicação/propaganda da CMP, intitulada “Obras de construção do Centro Escolar de Vermoil já arrancaram” – belo titulo - pode ler-se: “O Centro Escolar de Vermoil está implantado no centro de gravidade da concentração da população a servir, distando de forma semelhante entre os principais núcleos urbanos da freguesia de Vermoil, encontrando-se numa zona de forte expansão urbana e com forte procura de habitação permanente”.
Ao ler isto, até o pombalense mais alheado destas coisas exclamará: estão a falar de quê? De Lisboa, de Paris, de Londres…?
Falar de núcleos urbanos em Vermoil é como falar em floresta no deserto, e classificar a Chã de Baixo como “uma zona de forte expansão urbana e com forte procura de habitação permanente” é como falar de vida no cemitério.
Quem redigiu esta “peça”, nunca visitou Vermoil – de certeza. Se o tivesse feito, não colaborava neste dislate, que desinforma em vez de informar, diz o que não pode ser dito e ignora o que deve ser dito. Saberia que Vermoil é uma terra que vive um sono profundo: nada ali muda, nada ali é novidade. Quem a viu nos anos 70, do século passado, e por lá se perde agora, encontra a mesma paisagem, o mesmo modo de vida, os mesmos costumes, a mesma religiosidade. Os comboios continuam a passar por lá, mas deixaram de apitar; porventura, para não perturbarem o sono profundo. Os sinos da Igreja continuam a tocar, mais para funerais do que para baptizados.
A situação de Vermoil não é muito diferente de outras freguesias do concelho. Mas o definhamento é mais evidente. É o resultado de muitas más escolhas, que obedeceram sempre ao mesmo critério: agradar a gregos e troianos. No final, desagradou a ambos.
A localização do Centro Escolar na Chã de Baixo é só mais um erro no percurso, com as mesmas consequências: perder garotos (população) para as freguesias limítrofes (e já tem tão poucos). 
“Onde não há visão as populações desaparecem”, já rezava a Bíblia. Mas, pelos vistos, até os beatos a levam pouco a sério.
Tão estranha decisão merece algumas questões:
Vermoil tem necessidade de um Centro Escolar? Ttem e vai ter crianças para ele?
Porque é que a junta mandou o Centro Escolar para Chã de Baixo? Pensa passar para lá a sede de freguesia? Ou parir mais uma freguesia?
Valha-nos Deus.

1 de dezembro de 2015

O estilo rococó no urbanismo

Em Pombal, o urbanismo está a ser influenciado pelo estilo rococó. As obras no Barco são um (mau) exemplo do estilo dos ornamentos rebuscados. Fica, no entanto, uma dúvida: as preocupações da câmara são estéticas ou os ornamentos visam dificultar a fluidez do trânsito.
Nos últimos dias foram acrescentados vários ornamentos nas obras do Barco que só complicam a circulação. Uma superfície comercial de Pombal adoptou também o estilo rococó no seu parque de estacionamento, mas quando percebeu que os ornamentos incomodavam os clientes, removeu-os imediatamente. Aprendam. E não compliquem a vida às pessoas.
Simple is the best.

Presidente demolidor

Mal tomou posse como Presidente da Câmara Municipal de Pombal, Luís Diogo Mateus foi rápido a mandar demolir e remover o quiosque/sanitário do Largo do Cardal, dando seguimento ao desagrado e às críticas públicas de uma grande parte dos cidadãos, mais fortes aqui no “farpas”, e dando oportunidade a que alguns entendessem o ato como o derrube simbólico do anterior poder.
Simultaneamente e estranhamente, o executivo camarário mostrava-se silencioso e inerte quanto aos pinos de pedra afiada da ponte Dª Maria e quanto aos pinos metálicos do Largo do Cardal, apesar de ter sido por nós alertado no “farpas” sobre perigo para a integridade física e até para a vida dos cidadãos-peões e para a possível responsabilização civil e criminal dos autarcas.
Volvido muito tempo e depois de vários acidentes e pedidos de indemnização das respetivas vítimas, o executivo camarário decidiu finalmente mandar remover a maior parte dos pinos metálicos do Largo do Cardal e, recentemente, os pinos de pedra afiada da Ponte Dª Maria.
Da remoção dos pinos não podemos lamentar o dinheiro destruído, porque a destruição ocorreu aquando da execução da obra e não aquando da remoção do perigo. Mas temos de lamentar que o executivo camarário tivesse necessitado das “provas” dos feridos para agir e não tivesse visto atempadamente àquilo que estava à vista de todos desde o projeto e desde o princípio e de que nós havíamos alertado.

Porque censurei a colocação dos pinos pelos motivos suprarreferidos, deixo aqui um conselho: doravante os membros do executivo camarário poderão ler os nossos úteis “pareceres” aqui publicados e seguir as nossas indicações, sem os custos de qualquer avença…

26 de novembro de 2015

Muito bem





A correcção da rotunda junto ao Caravela está em marcha. Como foram rápidos a reagir e a correcção não envolve grandes custos o Farpas não a contabilizará na rubrica Faz & Desfaz. 
O Farpas é amigo.

25 de novembro de 2015

Que dia é hoje, hã?

"Tu vais conversando, conversando,
 que ao menos agora pode-se falar... ou já não se pode? Ou já começaste a fazer a tua revisãozinha constitucional tamanho familiar, hã? 
Estás desiludido com as promessas de Abril, né? As conquistas de Abril! Eram só paleio a partir do momento que tas começaram a tirar e tu ficaste quietinho, né filho? E tu fizeste como a avestruz, enfiaste a cabeça na areia: não é nada comigo, não é nada comigo, né? E os da frente que se lixem... 
E é por isso que a tua solução é não ver, é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada, precisas de paz de consciência, não andas aqui a brincar, né filho? Precisas de ter razão, precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de Março, para os do 25 de Novembro, para os do... que dia é hoje, hã?"

in FMI, José Mário Branco

Duas constatações importantes: 
1. Em Pombal não se brinca em serviço: de pequenino se aprende o que é um combatente, um herói do Ultramar (explicaram isso aos meninos, não explicaram?)
2. Ainda há cravos vermelhos. São exageradas as notícias sobre a sua morte.


20 de novembro de 2015

Homens bons e Homens maus

Pombal é uma terra de gente boa - boa até demais – constituída por Homens “bons”, meia dúzia de desalinhados - Homens “maus” – e uma grande franja de adormecidos.
Mas será que o Homem “bom” faz, em média, mais bem do que o Homem “mau”? É uma questão que vários filósofos colocaram, e que convém abordar numa terra de gente cada vez mais obediente ao poder e mais temente a Deus. Russel, um Lord de quinta geração, procurou responder a esta dúvida, caracterizando primeiro o Homem “bom” e o Homem “mau”, e, depois, os seus contributos para o bem comum. Segundo ele, “o Homem “bom” não fuma nem bebe, evita linguagem de baixo calão, conversa na presença de homens exactamente o que falaria se houvesse mulheres presentes, vai à igreja com regularidade e tem opiniões correctas sobre todos os assuntos. Tem verdadeiro horror ao mau procedimento e está ciente que é nosso doloroso dever punir o Pecado. Tem horror ainda maior aos pensamentos errados e considera ser responsabilidade das autoridades proteger os jovens contra os que questionam a sabedoria das opiniões aceites, de modo geral, pelos cidadãos de meia-idade bem-sucedidos. Além dos deveres profissionais, aos quais é assíduo, ele dedica muito tempo a trabalhos que visam o bem. Acima de tudo, é claro, a sua “moral”, em sentido limitado, deve ser irrepreensível”. Em síntese: “um Homem “Bom” é aquele cujas opiniões e actividades são agradáveis aos que detêm o poder” e o Homem “mau” é o oposto da descrição anterior.
Para Russel, uma das principais utilidades de ter Homens “bons” nos cargos políticos “é fornecer uma cortina de fumaça para que os outros possam dar continuidade às suas actividades de modo insuspeito” porque a moral estabelecida dita que “um Homem “bom” nunca será suspeito de usar a sua “bondade” para esconder vilões”. Só que, um dos principais problemas é que “os padrões de “bondade” reconhecidos em geral pela opinião pública não são aqueles calculados para fazer o mundo um lugar melhor”. E Pombal não o é seguramente.

19 de novembro de 2015

Arrumador de automóveis

Quase todos os dias, o arrumador de automóveis está presente no parque provisório de estacionamento da avenida do Continente que foi preparado pela Câmara Municipal para a época do último Bodo. Muito zeloso e exigente e pouco polido, o arrumador lá vai ditando as suas regras aos automobilistas, tentando impor a sua ordem no estacionamento de viaturas e discutindo com os “infratores”. Às indicações ou à rudeza do pobre arrumador, respondem alguns automobilistas com agressividade ou estacionando nos acessos, talvez para o contrariarem e para lhe mostrarem que ele não tem autoridade ou com o receio de que se não derem gorjeta sofrerão represálias…
Também não gosto de ver arrumadores a imporem ordem no estacionamento, pois normalmente pretendem uma gratificação de quem não lhes solicitou serviço e, muitas vezes, de quem já está a pagar taxa de estacionamento e danificam as viaturas de quem não paga, o que não é o caso daquele arrumador. Nesta caso, nada justifica prejudicar o estacionamento dos outros cidadãos ou agredir ou ameaçar um miserável arrumador, sobretudo por quem se pretende superior a ele…

18 de novembro de 2015

Faz & Desfaz (III)

A CMP tem dinheiro em excesso e não sabe onde o gastar.

Vai daí, Faz & Desfaz & Faz. E assim, contribui, à sua maneira, para reanimar a economia.

Foto da PombalTV

Obras no Barco

As obras no Barco são como as obras de Santa Engrácia, começaram mas não se sabe como e quando acabam. Pelo meio, incomodam muita gente, e, no final, não é certo resolvam mais problemas do que acrescentam. O desenho das vias, das rotundas e dos acessos são de utilidade muito duvidosa. Não se compreende o exagerado estreitamento das faixas de rodagem (não é por falta de terreno livre) nem a geometria das rotundas e acessos. Reduzem a fluidez do trânsito e aumentam os riscos de acidentes. Pude confirmá-lo, ontem, quando me cruzava com um autocarro de passageiros na rotunda junto ao Caravela. Não colidimos porque (praticamente) parei. O autocarro, quando fazia a curva para sair da rotunda e entrar na via no sentido de Ansião, invadiu a minha faixa de rodagem. Mas desconfio que não tinha grande alternativa.
Corrijam enquanto é tempo.

16 de novembro de 2015

"É como se estivesse no Outeiro e um kamikaze tivesse ativado o cinto no Louriçal"

foto: Reuters

Pela primeira vez nas nossas vidas, conhecemos pessoas que podiam ter morrido num atentado e que, felizmente, sobreviveram. Pela primeira vez nas nossas vidas, conhecemos pessoas que perderam familiares, amigos mais ou menos próximos, num atentado. Pela primeira vez na minha vida, um atentado com kamikazes aconteceu aqui, à porta de casa, a minutos de onde vos escrevo, como se estivesse no Outeiro do Louriçal e um kamikaze tivesse ativado o seu cinto no Louriçal.
Pela segunda vez nas nossas vidas, passámos duas noites difíceis, perturbadas pelas horas passadas a ver em direto os canais de informação e a ler atentivamente o que as pessoas descreviam no Twitter: relatos de mortos, de feridos estendidos no chão, e rumores, vagas contínuas de pânico um pouco por toda a capital.
As primeiras intervenções do Presidente francês não me convenceram, a primeira decisão do PrimeiroMinistro aniquilou-me : hoje, segunda-feira, sabemos que as forças armadas francesas já bombardearam a cidade de Raqqa, na Síria. Outros sinais não auguram também nada de bom: houve desacatos durante uma manifestação anti-migrantes em Pontivy e um movimento de pânico na Praça da República provocado pelo lançamento de petardos. Isto adicionado a algumas teorias da conspiração e/ou informações que saíram e reforçam cada vez mais o que o governo francês tinha iniciado com as suas primeiras tomadas de posição: a divisão.
Se é verdade que, na última sexta-feira, muitos parisienses abriram as suas portas, ajudaram e esconderam as vítimas e reuniram-se na Praça da República, antevê-se o mesmo cenário do início do ano 2015: cada um vai olhar por si e pelos seus, fazer como se nada tivesse ocorrido, fazer pela sua comunidade, pela sua etnia, pela sua religião, pelo seu meio social. Os mesmos jornalistas e políticos polémicos vão inundar as televisões, brincar com o fogo, tentar criar o que os terroristas sempre sonharam: uma guerra civil.
Mas também não somos ingénuos. Sabemos que o fim dos bombardeamentos na Síria não iria tornar as nossas vidas mais seguras, mais pacatas, mas apenas dar «uma razão/um argumento» a menos aos terroristas para nos atacar pois sabemos que é quase impossível desradicalizar quem se radicalizou como é muito complicado tornar menos racista quem já o é.
Não temos, por enquanto, medo de morrer. Mas talvez, sim, medo de ter medo de morrer. Por uma razão injusta, por uma guerra que não apoiamos, uma das muitas guerras que a França trava e travou sem consultar o seu povo previamente. Uma das guerras que faz ironicamente também «viver» o país a nível económico (a França bateu o seu recorde de vendas de armas em junho de 2015) e ocupar um lugar de destaque no cenário mundial (ver a importância do Canal de Suez e do transporte/comércio de petróleo na região.

Mickael Oliveira, Lusodescendente, filho de emigrantes do Outeiro do Louriçal. Mora em Saint Denis, perto do local onde três kamikazes se fizeram explodir.

13 de novembro de 2015

Rezemos pelo padre João Paulo

Eucaristia em honra de São Martinho, presidida pelo pároco da cidade, na Igreja do Cardal. "Rezemos hoje pelo nosso País, pelos nossos políticos e pelo nosso Município", pediu o padre João Paulo.
                                                                                                                           Município de Pombal

12 de novembro de 2015

Medalhas, sintoma de esgotamento

Há muito tempo que a condecoração de personalidades e entidades pelo executivo da CMP, no dia do município, se transformou numa rotina sem grandeza nem brio, que em nada engrandece os distinguidos.
Quando avalias, avalias-te. O lote de distinguidos deste ano confirma o esgotamento do executivo municipal: é incapaz de distinguir alguém. Convenhamos: é difícil encontrar distinção numa vida social dormente, que o poder local moldou à sua maneira. 

Distinguir, repetidamente, personalidades e entidades vulgares e acrescentar à lista funcionários da câmara é de uma confrangedora vulgaridade.

E o po(l)vo, pá?


Esta imagem vale por mil palavras. As comemorações do Dia do Município - que deveriam chamar-se comemorações da paróquia de Pombal/festas de São Martinho - trouxeram ao Teatro-Cine um concerto de Rita Guerra, na véspera de feriado. O concerto era de borla, bastando para isso reservar o bilhete, como sucede, amiúde, nesta terra-amiga. Ora acontece que, horas depois de disponibilizadas as reservas, quem ligou para a linha indicada percebeu que o concerto estava esgotado. Comunicação eficaz? Divulgação massiva? Agora o leitor que retire daqui as suas "inalações" - como dizia um político da região, noutro tempo. 
O polvo que se instalou em Pombal nas últimas décadas conseguiu esta proeza: na Câmara trabalham os tios, os primos, os amigos dos amigos, que encheram (rapidamente) a sala. Na verdade, a avaliar pelas imagens prontamente divulgadas, tratou-se de uma festa privada paga pelo erário público. Ou como canta Rita Guerra: "pormenores sem a mínima importância"...

8 de novembro de 2015

O general no seu labirinto


A revista "Domingo" - que acompanha o inimitável Correio da Manhã - publica na sua edição desta semana um depoimento de Narciso Mota, na secção "a minha guerra". O ex-presidente da Câmara e actual Presidente da Assembleia Municipal de Pombal deixa um testemunho doído sobre o estado da democracia e do país: "lamento que 40 anos depois da Revolução os valores da democracia não sejam aqueles por que lutámos. os partidos políticos imprescindíveis num Estado de Direito Democrático precisam de estadistas competentes e honestos que saibam governar o país sem consentimento da corrupção. Os portugueses devem repudiar e penalizar os compadrios políticos e a gestão danosa com enriquecimento ilícito, as injustiças sociais, a corrupção que enriquece alguns em prejuízo de um todo nacional". 
Lido assim, ninguém diria que teve responsabilidades nos últimos 20 anos, nomeadamente dentro de um partido político.

7 de novembro de 2015

Mercado municipal renovado

O dia 11/11, dia do município, está a chegar para mais umas festas, medalhas e inaugurações. A renovação do mercado municipal está quase concluída para a inauguração prevista e para o funcionamento com novas regras.
Vai terminar o acordo tácito que dura desde há alguns anos entre a ASAE é o Município de Pombal para aquela entidade não fazer fiscalizações no mercado, para não ter de o encerrar. A partir do dia 11/11 próximo, a ASAE poderá aparecer e fiscalizar a qualidade dos produtos alimentares, as licenças, a regularidade fiscal dos vendedores e as condições do local.

Alguns vendedores pretendem desistir da sua atividade, para não terem de cumprir regras. Até agora, ninguém fiscalizou o que comprámos no mercado para comer… 

4 de novembro de 2015

O Ilídio em estilo radical

O Farpas lá vai fazendo “escola”. O presidente Ilídio, de tanto nos ler, já revela um radicalismo inimaginável há uns tempos atrás. 
                    
Utilizo a IC2, todos os dias, ao longo de vinte anos,e ainda não vi crime nenhum. Mas fala quem sabe!
Força presidente Ilídio. Assim, talvez consiga retirar Vermoil do marasmo. Mas cuidado: o S. Pedro contabiliza estes deslizes de linguagem, e, no momento do juízo final, relembra-os. É melhor passar pelo confessionário.

Volte engenheiro. Está perdoado!

Falhada que foi a nossa tentativa de eleger o engenheiro a Presidente, como muitos se recordam, através do M.A.M., está na altura de lançarmos uma petição pelo regresso daquele que, mesmo na sombra, continua a ser o nosso comentador de estimação.
Rodrigues Marques foi acometido de uma súbita timidez, que o impede de publicar, em modo público, na caixa de comentários, as mensagens que tem enviado, todos os dias, a várias horas, para as caixas de e-mail d'os da casa. Sem insultar nem destratar ninguém. É bem verdade que o tempo tudo traz... E tudo leva. Agora que está liberto de todas as responsabilidades político-partidárias e afins que tantos dissabores lhe causaram, o engenheiro terá todo o tempo do mundo para se dedicar à troca de ideias.
Sinta-se em casa, camarada Marques!