Entrámos na quaresma. Por cá nunca saímos dela, vive-se uma vida
quotidiana muito vazia e monótona, onde o prazer e a folia são abafados, e a
vida religiosa é estimulada, pois nela o servilismo toma o aspecto de uma
virtude cristã.
Pombal tornou-se uma Cidade Deus, onde os Homens vivem segundo Deus, e bajulam
o seu deus, onde a razão e a fé convergem para iluminar a função política no
seu propósito de ampliar, ainda mais, o poder supremo. Onde o povo é moldado a
ser tanto melhor quanto sua concordância estiver no que é “melhor” e o “melhor”
seja o bem supremo. Não é uma cidade justa, dado que não aspira, ou, pelo
menos, nem sempre aspira ao soberano bem.
Pombal é uma cidade que não separa “o que é de César, a César; e o que é
de Deus, a Deus”, onde o que não serve a deus não é povo e onde o superior
impera sobre o inferior. Onde se apregoa bondade, caridade e misericórdia, mas
onde os que apregoadores, fazem mais mal que bem.
Pombal não é uma terra de gente com grande sentimento religioso, antes
fosse – estava explicado o estranho fenómeno -, mas é uma terra de gente com grande
oportunismo religioso, onde a culpa é virtude e o padecer é glória (dos outros).
Quando me apareceu um cartaz pela frente a anunciar um "baile de carnaval", no dia 8 (segunda-feira) fiquei toda contente, a pensar que finalmente o município recuperava um hábito antigo, o de festejar o entrudo, nem que fosse de forma modesta. Ledo engano. Afinal o baile é senior, na linha do costume, o de mascarar os velhinhos e fazer de conta que são marionetas guiadas pelas técnicas dos lares e centros de dia.
Sou desde sempre crítica da forma como decorre o desfile de carnaval das escolas, por achar que uma boa parte dos mais pequenos não se diverte, como era suposto. Ainda assim, quando mal nunca pior, e por isso mais vale haver alguma coisa a coisa nenhuma. Mas os velhinhos, senhor? Que fixação é esta? Porque é que nunca se pensa na população activa que ainda cá está, como se fosse pecado abrir a porta à folia ou à diversão? Numa rápida visita pelas páginas dos municípios à volta, facilmente percebemos que, à sua maneira, todos a promoveram. E nós a treinarmos para transformar a terra num reduto da terceira idade, essa inevitabilidade, segundo presidente da Câmara. É uma pena que os nossos séniores não tenham saúde física nem financeira para irem além do pavilhão das actividades económicas. Que ironia.
Mas enfim, teremos sempre Abiul...
Foto gentilmente recolhida do nosso homónimo Farpas blogue.
Presidente da Câmara prometeu ser um "acérrimo defensor da tauromaquia na região" mesmo que isso lhe custe votos
Citado pelo siteTouro e Ouro, o presidente da Câmara de Pombal, Diogo Mateus, durante a entrega dos troféus da Tertúlia O Berço da Tauromaquia de Abiúl, a Vasco Pinto, prometeu ser um "acérrimo defensor da tauromaquia" na região que representa, com um "discurso altamente positivo e promissor para a tauromaquia".
O autarca social-democrata, segundo o mesmo site, mostrou-se forte entusiasta da Festa Brava e reconheceu a importância da tauromaquia em Abiúl, prometeu que Pombal estará sempre "ao lado das tradições culturais portuguesas, mesmo que isso possa custar votos".
Durante o discurso, Diogo Mateus sublinhou ainda que "Pombal não tem vozes anti-taurinas".
"Para quando um protesto, cada vez que subir uma lomba buzinar. E o transporte de doentes também sobe e desce essas lombas, é pena não ser o desarquiteto a passar dentro duma ambulância com problemas de coluna, ia ser giro". Por Natividade Silva Bora buzinar nas lombas.
Duas surpresas: (i) o senso comum dos eleitores; (ii) a fé de algumas
criaturas políticas.
Numa eleição sem recandidato presidente, invulgar foi só aparecer um candidato
potencialmente vencedor, e nove candidatos perdedores. Sinal de que o cargo de
Presidente da República se tornou pouco atractivo. Consequentemente ganhou quem
tinha que ganhar e perdeu quem tinha que perder.
A esquerda perdeu. A direita ganhou mas chupa no dedo…. O PS – Costa –
foi o perdedor que não saiu derrotado.
Marcelo R. Sousa: ganhou, e encontrou o registo para assegurar a
reeleição e contornar o tédio que o cargo lhe vai provocar. Hipocondríaco como
é, vai fugir a sete pés dos conflitos potencialmente perdedores. A direita não
pode contar com ele, Costa também não, mas fica a depender unicamente de si e
dos seus “compagnons de route”.
Sampaio da Nóvoa: perdeu mas capitalizou. Vai andar por aí. Em 2026 será
candidato potencialmente vencedor.
Marisa Matias – cumpriu o papel (nestas circunstâncias).
Maria de Belém: o “soufflé” era de fraquíssima qualidade –
deslaçou-se assim que a temperatura subiu. Penoso.
Edgar Silva: erro de casting. Prova-se mais uma vez que os votos
não têm dono.
Vitorino Silva (Tino das Rans): ganhou o campeonato da II
Liga - é o menos mau dos maus.
Pombal acordou hoje debaixo de uma tempestade, num dia invernoso, cheio de raios e coriscos. Em dias como este, o meu avô Zé-Maria vestia uma samarra igual àquela que o professor Marcelo usou na campanha, nos intervalos das visitas a creches e lares de velhinhos. Ontem, quando o vi na tv a fazer o percurso de candidato para presidente, continuava com a cassete do "sereno e tranquilo". É essa falta de chama que me aborrece em candidatos como ele, passando a ideia de que a vida política de um país é pouco mais do que chá e bolinhos, estantes de livros, lareira acesa e grandes dissertações sobre os lugares e as viagens da elite - com direito a pausas para a caridadezinha.
No resto do país, a esquerda adormeceu a remoer esta mania de esticar a manta de retalhos. À direita não lhe bastou - nunca lhe basta, de resto - ganhar. O facebook encheu-se de gente ressabiada com o governo de Costa, colocando a nu uma das carcaterísticas que sempre me causa urticária: não lhes basta ganhar, é preciso espezinhar quem perde. Os brasileiros têm uma expressão que diz tudo sobre esse estado de alma, mais colado ao PSD do que ao incólume CDS: debochar. E sabendo que um catavento é sempre imprevisível, em Pombal o partido jogou pelo seguro, e marimbou-se para os sinais de independência que o professor emitia, colando mensagem partidária à campanha. De maneira que foi coerente o agradecimento feito, ontem à noite, no facebook, congratulando-se com tão expressiva vitória cá na terra: 69,74%. É claro que continuamos a bater recordes de abstenção, com uns honrosos 57.24%. Quer dizer que uma esmagadora maioria não está aqui representada.
As primeiras (poucas) chuvas do outono abriram os
primeiros sulcos no terreno arenoso colocado no parque em construção na frente
da fonte da Charneca. Reparados os danos com a colocação de mais terras
arenosas, logo as primeiras chuvas do inverno voltaram a abrir novos regos,
como as fotografias de 17-01-2016 demonstram.
Num ato de colaboração, sugiro que, no planeamento e na
execução das obras, se prevejam os efeitos das chuvas como, noutros projetos,
se devem ter em conta os critérios da segurança, da utilidade, do preço e da
estética, pela ordem indicada e não pela ordem inversa para se evitarem os
habituais acidentes e demolições e reconstruções, tudo suportado pelos
cidadãos.
A informação foi passada: Renato Guardado, mestre em
Arquitectura, vereador na CMP, é candidato à presidência da distrital da JSD.
O Renato é um rapaz apaixonado pela política, com um longo percurso de
jota, que circunstâncias especiais fizeram vereador. Mas que ainda não é Vereador.
Nietzsche afirmou que “pouquíssimas pessoas são capazes de inferir o efeito das
circunstâncias em sua personalidade”, e - afirmo eu - no seu destino. Gostava
que o Renato tivesse essa capacidade.
O Renato será, com certeza, o futuro presidente da distrital da JSD, mas
tenho dúvidas que termine o mandato como Vereador.
O Renato é um rapaz a quem a sociedade concedeu um duplo privilégio: remuneração
principesca (para a ausência de curriculum) e oportunidade de valorização
profissional. Por isso, o Renato deveria ter a consciência da sua condição de
privilegiado e das consequentes obrigações que a situação impõe.
Tenho estima e consideração pelo Renato, por isso e pelas circunstâncias,
tenho-lhe poupado, por aqui, alguns deslizes, contando que o rapaz precisa de
tempo para crescer e ser aquilo que legitimamente ambiciona: Político. Mas convinha
que tivesse a noção que o trajecto para objectivos ambiciosos não é rectilíneo.
A propósito das obras no Barco, um amigo de Leira que regularmente vai passar
o fim-de-semana ao norte do distrito perguntava-me se Pombal tinha aderido tardiamente há moda das rotundas e das lombas na estrada (tipo obstáculos).
Não percebia por que é que a câmara tinha colocado cinco
lombas enormes, em quinhentos metros de via, num local onde nunca tinha visto pessoas a atravessar a
estrada. Coisas estranhas, disse-lhe eu, sem resposta!
Mas quando os obstáculos são mesmo obstáculo as pessoas procuram
alternativas. É o que começa a acontecer no Barco: se é difícil circular pela
via principal, circula-se pela secundária (sem lombas).
Quarta feira, dia 13-01-2016, o tempo de espera para consulta
era superior a 1 hora. Nalguns casos os atrasos eram de cerca de 2h15.
As justificações do lado do Centro de Saúde são “a
falta de sistema”, o pouco tempo fixado para as consultas e os pacientes que
contam toda a “história da sua vida”. Do lado dos pacientes, as justificações são
os atrasos dos médicos na entrada ao serviço e os médicos que gostam de dar a
conhecer aos pacientes todo o seu “curriculum vitae”. Ainda do lado dos pacientes,
era dito que estes, depois procederem à marcação das consultas com vários dias
de antecedência, se não procederem depois à inscrição na data marcada antes da
hora marcada, ficarão para último lugar ou terão de voltar noutro dia.
Urge organizar todos os serviços públicos, de forma a
dar-lhes uma imagem de eficiência e de forma que os utentes não sofram prejuízos
na produtividade ou nos rendimentos do trabalho nem desesperem na espera. Resta
esperar pela entrada em funcionamento do novo edifício e pela intervenção da política
socialista, para a qual habitualmente tudo se resolve sempre e só com mais dinheiro
dos outros…
O título apareceu-me na minha timeline como um murro no estômago - a metáfora que usamos em jornalismo para explicar como é que se prende um leitor logo à partida. E então fui ler a notícia, que na edição online do Pombal Jornal é acompanhada daquela foto soberba, ao estilo retrato de família, em que o número de alunos em causa está quase igual aos que fazem número como figurantes na fotografia. O presidente, o director e os discípulos dele são cinco, os alunos seis.
Ficamos então a saber que há seis alunos da ETAP que vão estagiar a França (em empresas locais, imaginamos nós) o que (estranhamente) acontece pela primeira vez em 25 anos. Quero acreditar que estes desenvolvimentos se devem à entrada [no capital da escola] daquele vasto naipe de empresas, que foi notícia no verão passado, pois que muitas estão a deslocalizar a sua mão-de-obra para fora, ainda que não propriamente para Bordéus. Mas essa é a parte boa da notícia. O lado mau é este provincianismo confrangedor que exibe a "mercadoria" agora "exportada", levando-nos a concluir que já não falta muito para que a notícia passe a ser qualquer coisa como o cão que mordeu o homem, em vez do homem que mordeu o cão. Nessa linha, fazia todo o sentido que também tivesse sido noticiado o jantar da Natal da escola, que aconteceu pela primeira vez em 25 anos. A não ser que, pelo número reduzido de presenças, não se justificasse a fotografia.
Um sinal de trânsito a indicar a passagem
para peões colocado de forma a tapar um semáforo, junto ao jardim do Cardal, é
um exemplo da sinalização de trânsito vertical confusa da cidade de Pombal que
não foi corrigida na última alteração da organização do trânsito.
No caso em apreço, os condutores
que circulam do Largo do Cardal para a Avª Heróis do Ultramar terão de avançar
sobre a referida passadeira para lograrem ver o sinal luminoso quando está em vermelho.
Já aqui tratámos anteriormente o
excesso de sinais de trânsito na Avenida do Continente. Resta-nos esperar que o
trânsito seja organizado de forma articulada por toda a cidade e não apenas com
sucessivas “aparências”…
Que os vereadores da CMP não servem para (quase) nada, já o sabíamos. Mas
que nem para figurantes sirvam, é demais. A culpa não será deles.
Vem isto a propósito do encravado Acordo Colectivo de Trabalho da CMP,
mas não só. O normal (numa organização funcional) era que as negociações com o
sindicato e/ou comissão de trabalhadores fossem conduzidas pela vereadora com o
pelouro dos recursos humanos (e técnicos da sua equipa) e fechadas pelo
presidente. Mas não foi nada disso que aconteceu. Por cá, o acordo
foi negociado e fechado, unicamente, pelo presidente e anunciado por este no
jantar de Natal.
Decididamente, em Pombal ocidental, nem tudo é normal (como costuma dizer
a Paula Sofia). E em matérias laborais (e não só), ainda é mais assim: a CMP é
a única(?), no distrito, onde não aplica o regime das 35 horas semanais*, o que tem
provocado grande insatisfação nos funcionários, que nem os prémios ridículos distribuídos
no jantar de Natal suavizaram, antes pelo contrário.
Mas mais grave do que tudo isto é o presidente da camara faltar/adiar duas vezes a cerimónia de assinatura do acordo. Porquê? Com
que propósitos?
Uma coisa é a existência do mal, outra a razão dessa existência. A
existência do mal não pode ser negada, mas a maldade da existência do mal não pode
ser aceite.
O bailado "Quebra-Nozes" - que o coreógrafo Árvaro Ribeiro (bailarino brasileiro radicado em Aveiro) e a professora de dança Kelly Lisboa levaram ao palco do Teatro-Cine, encheu as medidas de quem o viu. Literalmente. O espectáculo esgotou rapidamente as duas sessões de domingo, 3 de Janeiro - e isso colocou a nu, outra vez, a necessidade de uma sala de espectáculos maior para Pombal. Espero que Diogo Mateus deixe essa marca. Na verdade, a cidade está cheia de salas e salinhas, mas falta-lhe uma sala de espectáculos maior, como já se provou várias vezes.
No domingo estavam em palco cerca de 70 bailarinos, na maioria crianças e adolescentes, que na certa se fazem sempre acompanhar de (pelo menos) os pais. Ora, se a sala tem capacidade para 294 pessoas, está bom de ver que, se todos quisessem levar ao espectáculo alguns familiares ou amigos, não restariam bilhetes disponíveis para mais ninguém. Juntemos ainda ao naipe a banda filarmónica de Vermoil - que abrilhantou os momentos antes do espectáculo com uma suite do Quebra-Nozes, e facilmente se percebe por que razão ainda foram colocadas umas cadeiras na sala, cá atrás. Tudo esgotado, portanto.
Já tivemos momentos em que a Câmara deu o passo maior que a perna. Neste caso, assistimos ao inverso.
A guerra, a violência, a perseguição,
a falta de liberdade e a pobreza, isolada ou conjuntamente, fazem fugir ou migrar
os povos das suas casas e das suas terras para outros locais.
Quando as culturas e os valores
de origem são diferentes dos do destino, ocorrem choques e tensões entre os povos
refugiados ou migrantes e os povos dos locais de acolhimento, o que dificulta a
integração. As soluções são defendidas e tratadas pelos vários membros das sociedades
de acolhimento em função das suas motivações económicas, sociais, políticas e religiosas,
de várias formas e sempre sem posições claras e inteligíveis.
Há os que recusam receber os que
chegam, por falta de solidariedade ou por temerem a violência e temerem perder ou
ver limitadas a sua identidade cultural e a sua liberdade em face da cultura
dos que chegam, os que defendem o apoio com condições, por pretenderem manter a
sua organização político social sem importar a violência, e os que defendem o
apoio sem condições, por pretenderem disso retirar dividendos políticos ou
económicos.
A solidariedade, enquanto componente
social do humanismo, é uma das pedras base da construção da sociedade moderna ocidental,
mas também o é a liberdade, enquanto primeira pedra. O apoio (a solidariedade) aos
refugiados não pode ser negado, mas também não deve deixar-se de exigir o comprometimento
e o respeito pela liberdade, pelos valores e pelas leis de acolhimento.
Depois de muito se falar emotiva ou demagogicamente sobre refugiados, é tempo de ponderação na busca de respostas adequadas às crescentes
migrações.
Pouquíssimos eleitores ouvirão os debates televisivos.
Porquê? Porque, no geral, os candidatos não têm nada de interesse para dizer.
Um deles já os abandonou. Fez bem: poupo-nos o frete e aproveita o tempo para
pensar nos “números”.
- Cândido Ferreira – Não diz nada com interesse,
mas gosta de fazer “uns números”. Já fez dois. Quantos (mais) fará? A
acompanhar. Suscita essa curiosidade.
- Vitorino Silva (Tino das Rans) – Desde que se
fez figura mediática tem que continuar a aparecer. Estar na televisão é o seu
Olimpo.
- Edgar Silva – Tem que estar na televisão para
cumprir o ritual à risca. Não a adianta nem a atrasa. Nem padre, nem candidato.
Um erro de “casting”.
- Henrique Neto – Vai para televisão
convencidíssimo que tem coisas para dizer que ainda ninguém disse. Incha com a
televisão. Pode rebentar lá! É melhor, não.
- Paulo de Morais – é o padre da Corrupção.
Prega-a onde haja uma criatura que esteja disposto a ouvi-lo. Na TV sente-se um
pregador. Mas toda a pregação monocórdica cansa.
- José Sequeira – Acha-se engraçado (e tem as suas
razões). Deslumbra-se com as câmaras.
Mas pode tirar algum proveito delas.
- Marisa Matias – Tem voz e presença. Tinha tudo
para passar bem na TV, mas não conhece verdadeiramente o papel que representa.
Um desperdício. - Maria de Belém – Gosta da TV (porque gosta de
aparecer). De entrada, aquela imagem rende, mas o “soufflé” deslaça-se
facilmente. Ainda não se percebeu quem acredita menos: ela ou os apoiantes?
- Sampaio da Nóvoa – Não gosta das câmaras mas
sabe que precisa delas. Torna-o tão evidente que a coisa não pode dar bom
resultado. Já se percebeu quem acredita menos: os apoiantes.
- Marcelo de Sousa – É um peixe de águas profundas.
Na televisão está no seu habitat. Se pudesse não saia de lá. Porque quer ir
para presidente? Vai sentir tanto tédio – logo, vai fazer asneiras. Tenham pena
dele.
Quando se dava a transição para o Ano Novo, Pombal era uma cidade
deserta, adormecida num sono profundo de esquecimento do tempo. Aqui ao lado,
em Leiria (e também na Figueira da Foz), uma cidade em peso – novos, velhos,
crianças, famílias inteiras (pombalenses, também) - saía à rua, confraternizava, divertia-se,
partilhava afectos.
Mandeville, um dos percursores do pensamento liberal nos inícios de séc.
XVIII, foi o primeiro filósofo-político a perceber que os vícios são fontes
de riquezas, de melhorias, de tudo o que torna a vida mais confortável e agradável
porque impulsionam
a vida humana e, por meio da interacção humana, a sociedade. As suas
teses geraram muito escândalo e foram o alvo proferido dos moralistas da época.
Mandeville pode ser considerado um visionário
da actual sociedade de consumo e do prazer porque defendeu que a frugalidade
deveria ser incentivada.
A indústria da diversão é actualmente uma das mais
importantes: a de maior crescimento e a que mais contribui para a realização humana
(excepto para os cristãos). Os políticos que ignoram isto estão desfasados no
tempo ou tem uma agenda de retrocesso civilizacional.
Actualmente, as principais cidades europeias têm uma agenda de
animação contínua. Lisboa é um bom exemplo - recuperou em pouco tempo o tempo
de atraso.
Por cá compromete-se o presente em busca da salvação
prometida.
Sempre achei que "Árvores Vivas" de Judite da Silva Gameiro foi do que melhor se fez em Pombal no que diz respeito à chamada arte urbana. Não sei se a Autarquia encarou o projecto como efémero mas, pelo que leio no Pombal Jornal, a artista sempre acreditou que a sua obra seria acarinhada por forma a poder durar mais do que um ano e meio. E eu também...
Aquilo que, no início, parecia ser uma bela história de amor entre a Câmara e os artistas locais, acabou (talvez sem surpresa) em traição. E nestas coisas da traição, já se sabe quem é sempre o último a saber.
Diogo Mateus tem vindo progressivamente
a desenvolver de forma dissimulada e teatral uma estratégia de sedução e de
afirmação de poder e influência. Começou o exercício do seu mandato a tomar o
pequeno-almoço com funcionários, a dar folgas, a reduzir horários, a atribuir apoios
sociais e a aliciar e comprometer a oposição de esquerda, enquanto, simultaneamente,
criava alguns conflitos, nomeadamente com o anterior presidente, vereadores e
conselho de escola, que tentava resolver com o recurso às habituais falácias.
Depois, refinou a sua estratégia,
estreitando os laços com a igreja e misericórdias e com as associações e incrementando
a sedução à esquerda em geral, a nível cultural ou atores políticos, a quem começou
a oferecer cada vez mais lugares, e recuperou como sua a política do anterior presidente
de criar cargos e de mandar construir obras desnecessárias, caras e com erros
de conceção, enquanto mantém o esforço dos contribuintes, apesar da crise e do
colapso económico de muitos cidadãos, a maioria a rumar para o estrangeiro.
Entretanto, os militantes do partido
que o apoiam vão-se interrogando sobre estas e outras questões, designadamente
sobre o programa de atuação (não eleitoral) em confronto com o programa e a identidade do partido…
No verão de 1991, Pombal respirava progresso e abastança. À hora de almoço os empregados no comércio e serviços acotovelavam-se nos restaurantes, as fábricas eram várias e empregavam muita gente, Cavaco estava a um passo de conseguir aquela maioria absoluta e tudo corria bem, no país e no mundo (havia o Iraque e tal, mas era longe, nada nos haveria de beliscar). Foi nesse tempo de glória que conheci os clubes Rotários e Lions - nessa altura mais ou menos divididos em Pombal, subtilmente, entre poder (PS) e oposição(PSD). Como eu era muito nova e lá na Moita do Boi o único clube que havia era a Associação, lá fui, cheia de curiosidade, ao serviço que o director do Correio de Pombal me mandou fazer: um jantar no Manjar do Marquês para a entrega de uma televisão à Cercipom. Era muita gente, nesse tempo: os rotários e os jornalistas.
...
No inverno de 2012, quando Pombal se preparava para deixar de ter jornais (com a morte anunciada do Correio de Pombal) quando o grupo para o qual trabalhei 18 anos tinha fechado o Eco e reduzido os seus quadros nos outros jornais para metade, o Rotary Clube convidou-me para ir a uma das suas reuniões de terça falar da crise dos jornais e da imprensa regional. Tenho no clube gente de que gosto muito, como é o caso do meu mestre Alfredo Faustino. Admiro outros, que ainda por lá andam, embora me identifique pouco com os moldes (declinei dois convites, nos últimos anos, para integrar organizações similares). Antes de me ouvir, um deles quis saber a minha opinião sobre os rotários. E eu disse. Contei a história da televisão, e como me tinha ido embora a pensar que, com o dinheiro do jantar, poderiam comprar-se mais duas televisões. Ressalvei, na altura, o mérito de uma organização que contribuía de outras formas para a comunidade, por exemplo com a pioneira criação das bolsas de estudo (ou dos concursos de contos, noutro tempos) ou a realização de conferências e debates.
...
No outono deste ano suspendi o meu mandato na Assembleia de Freguesia de Pombal (para a qual fui eleita nas eleições de 2013, como independente, na lista do PS). O regresso ao noticiário político nas páginas do DN ditou-me esse dever ético. E por isso não participei nem assisti à última reunião daquele órgão, nem estava a perceber a conversa do actual presidente dos rotários, no facebook, por estes dias. Fui saber. Parece que a Junta de Freguesia (cujo executivo integra) deu um subsídio de 750 euros ao Rotary, para uma bolsa de estudo, das várias que o clube atribui. Como? Não será mais lógico a Junta criar a sua própria bolsa, já que quer apoiar? E o Rotary agora funciona assim? O que é que aconteceu ao mecenato?
Melhor que este fait divers em tempo de Natal (quando a solidariedade voltou a dar lugar à caridadezinha), só o desfile do executivo camarário - amplamente divulgada - na venda de jornais outra vez promovida pelo Região de Leiria, a favor de instituições do distrito. Faz agora anos que o director acabou a acção de charme do dia, entrou no jornal, já de noite, e concluiu o processo de extinção de postos de trabalho iniciado meses antes.
No lugar de
Granja da Cumieira, freguesia de Pombal, na estrada que dali liga ao lugar de
Cardeais da freguesia de Vila Cã, existe uma depressão seguida de lomba não
sinalizada. Os condutores das viaturas automóveis que seguem do referido lugar
de Granja da Cumieira para Cardeais são surpreendidos com uma pancada da base
da viatura no pavimento da lomba seguida de um ressalto. Algumas viaturas já
ficaram com os "cárteres" rachados.
Enquanto o pavimento da estrada vai abatendo e se
aguarda pela reparação, a qual talvez só seja efetuada
quando for pedida responsabilidade civil ao município, vamos caminhando em
Pombal sobre as passadeiras vermelhas do Natal e vamos assistindo à remodelação
da rua do Barco com todos os berloques e labirintos…
Assembleia Municipal de Pombal, 30/9/201,
Discussão e votação da Proposta da Câmara sobre o Lançamento de Derrama.
Proposta da câmara para isenção de Derrama as empresas que criem, no mínimo, 3
novos postos de trabalho.
Assembleia Municipal de Pombal, 30/9/2015, Intervenções na Generalidade. Resposta de Diogo Mateus a uma intervenção elogiosa e auto-elogiosa sobre o Orçamento Participativo:
Na arte de interrogar e responder é comummente aceite que não há
perguntas difíceis, pode é haver respostas difíceis. Na Assembleia Municipal de
Pombal não é bem assim.
A assembleia está melhor. Não por mérito de quem pergunta, mas por mérito de quem responde.
Em Leiria, uns quantos opinion-makers
têm procurado lançar um movimento para transformar o IPL em Universidade. Já
conseguiram, pelo menos, uma coisa: envolver as estruturas partidárias na
polémica – os partidos, despidos como estão de pensamento estruturado, salivam imediatamente
quando pressentem movimentações. O caminho para o desastre está traçado.
O IPL conseguiu, na última década, credibilizar uma oferta educativa
dirigida à região e com alguma qualidade. O que menos necessitava nesse
trajecto era de uma polémica gratuita e de uma alteração do seu código genético
e do trajecto que o tem conduzido a algum sucesso.
Bem sei que é legítimo que uma instituição queira saltar de patamar, mas
é isso necessário, exequível e virtuoso? Tenho dúvidas, muitas.
Por um lado, Portugal não necessita de mais Universidades, tem, até,
demais; e as que tem são de pequena dimensão quando comparadas com as
congéneres europeias, com quem competem, nomeadamente no ensino pós-graduado. A
tendência a que se assiste é para a diminuição do número de Universidades,
movimento já concretizado em Lisboa, com a fusão entre a UL e a UTL, e, pelo
que ouvi, passo já admitido entre as Universidades de Coimbra e Aveiro, e inevitável
para as Universidades de Trás-os-Montes e Alto Douro e da Beira Interior.
Por outro lado, actualmente, é mais importante diversificar ofertas
educativas do que padronizá-las.
Em resumo, em vez de transformar o IPL em Universidade talvez fosse mais
adequado aproximá-lo da Universidade de Coimbra. Mas desconfio que os orgulhos
e interesses de paróquia não o permitirão.
A correlação entre o potencial de crescimento de uma economia, o
potencial humano e o nível de vida das pessoas e é tão evidente que actualmente
é considerado uma tautologia. No entanto, em Portugal, e por cá, somos
confrontados frequentemente com opiniões avestruzas que desvalorizam o papel da
escola na vida das pessoas e da sociedade.
Eric Hanushek, da Universidade de Stanford, afirmou anteontem numa
conferência em Lisboa “que os resultados conseguidos nos testes PISA, sobre o
desempenho nas áreas da matemática, leitura e ciências, realizados pela OCDE,
têm uma forte correlação com o crescimento económico”. Segundo Hanushek,
“Portugal foi um dos países que mais melhorou nos últimos 15 anos, está hoje a
meio da tabela, perto dos Estados Unidos, mas representa uma subida de 25
pontos nos testes”. Habushek fez o exercício de seguinte: “se Portugal
atingisse o nível da Polónia nos testes PISA, isso significaria, em 80 anos, um
crescimento de 340% do PIB português e salários 15% mais altos em cada ano,
durante 80 anos." Talvez seja uma extrapolação com pressupostos muito
optimistas, mas dá que pensar.
Em Portugal (e em Pombal também) culpa-se demasiado os políticos pelo
nosso atraso secular, com uma cegueira e um fanatismo perturbantes; sem se
olhar para as causas estruturais desse atraso, e elas são tão evidentes. Uma delas, e talvez a mais preponderante, é o grave défice de
Educação da população.
Em 1900, a Holanda comemorou a entrada no novo século proclamando a erradicação
do analfabetismo. Em Portugal os níveis de Educação são baixíssimos, quando
comparados com os nossos parceiros europeus. Mas em Pombal a realidade
surpreende até os mais atentos a estas coisas. A Carta Educativa do Concelho
mostra-nos um retrato de tons muito negros: 25% da população sem instrução e
28% da população detém apenas o 1.º ciclo do Ensino Básico.
Está explicado, em grande parte, o atraso socioeconómico do concelho de
Pombal. E não contem com melhorias nos próximos anos.
Numa nota de imprensa do gabinete de comunicação/propaganda da CMP,
intitulada “Obras de construção do Centro Escolar de Vermoil já arrancaram” –
belo titulo - pode ler-se: “O Centro
Escolar de Vermoil está implantado no centro de gravidade da concentração da
população a servir, distando de forma semelhante entre os principais núcleos
urbanos da freguesia de Vermoil, encontrando-se numa zona de forte expansão
urbana e com forte procura de habitação permanente”.
Ao ler isto, até o pombalense mais alheado destas coisas exclamará:
estão a falar de quê? De Lisboa, de Paris, de Londres…?
Falar de núcleos urbanos em Vermoil é como falar em floresta no deserto,
e classificar a Chã de Baixo como “uma zona de forte expansão urbana e com
forte procura de habitação permanente” é como falar de vida no cemitério.
Quem redigiu esta “peça”, nunca visitou Vermoil – de certeza. Se o
tivesse feito, não colaborava neste dislate, que desinforma em vez de informar,
diz o que não pode ser dito e ignora o que deve ser dito. Saberia que Vermoil
é uma terra que vive um sono profundo: nada ali muda, nada ali é novidade. Quem
a viu nos anos 70, do século passado, e por lá se perde agora, encontra a mesma
paisagem, o mesmo modo de vida, os mesmos costumes, a mesma religiosidade. Os
comboios continuam a passar por lá, mas deixaram de apitar; porventura, para
não perturbarem o sono profundo. Os sinos da Igreja continuam a tocar, mais
para funerais do que para baptizados.
A situação de Vermoil não é muito diferente de outras freguesias do
concelho. Mas o definhamento é mais evidente. É o resultado de muitas más
escolhas, que obedeceram sempre ao mesmo critério: agradar a gregos e troianos.
No final, desagradou a ambos.
A localização do Centro Escolar na Chã de Baixo é só mais um erro no
percurso, com as mesmas consequências: perder garotos (população) para as freguesias
limítrofes (e já tem tão poucos).
“Onde não há visão as populações
desaparecem”, já rezava a Bíblia. Mas, pelos vistos, até os beatos a levam pouco a sério.
Tão estranha decisão merece algumas questões:
Vermoil tem necessidade de um Centro Escolar? Ttem e vai ter crianças
para ele?
Porque é que a junta mandou o Centro Escolar para Chã de Baixo? Pensa
passar para lá a sede de freguesia? Ou parir mais uma freguesia?
Em Pombal, o urbanismo está a ser influenciado pelo estilo rococó. As
obras no Barco são um (mau) exemplo do estilo dos ornamentos rebuscados. Fica,
no entanto, uma dúvida: as preocupações da câmara são estéticas ou os
ornamentos visam dificultar a fluidez do trânsito.
Nos últimos dias foram acrescentados vários ornamentos nas obras do
Barco que só complicam a circulação. Uma superfície comercial de Pombal adoptou
também o estilo rococó no seu parque de estacionamento, mas quando percebeu que
os ornamentos incomodavam os clientes, removeu-os imediatamente. Aprendam. E não
compliquem a vida às pessoas.
Mal tomou posse como Presidente da
Câmara Municipal de Pombal, Luís Diogo Mateus foi rápido a mandar demolir e
remover o quiosque/sanitário do Largo do Cardal, dando seguimento ao desagrado e
às críticas públicas de uma grande parte dos cidadãos, mais fortes aqui no “farpas”,
e dando oportunidade a que alguns entendessem o ato como o derrube simbólico do
anterior poder.
Simultaneamente e estranhamente, o
executivo camarário mostrava-se silencioso e inerte quanto aos pinos de pedra
afiada da ponte Dª Maria e quanto aos pinos metálicos do Largo do Cardal,
apesar de ter sido por nós alertado no “farpas” sobre perigo para a integridade
física e até para a vida dos cidadãos-peões e para a possível responsabilização
civil e criminal dos autarcas.
Volvido muito tempo e depois de vários
acidentes e pedidos de indemnização das respetivas vítimas, o executivo camarário
decidiu finalmente mandar remover a maior parte dos pinos metálicos do Largo do
Cardal e, recentemente, os pinos de pedra afiada da Ponte Dª Maria.
Da remoção dos pinos não podemos
lamentar o dinheiro destruído, porque a destruição ocorreu aquando da execução
da obra e não aquando da remoção do perigo. Mas temos de lamentar que o
executivo camarário tivesse necessitado das “provas” dos feridos para agir e não
tivesse visto atempadamente àquilo que estava à vista de todos desde o projeto
e desde o princípio e de que nós havíamos alertado.
Porque censurei a colocação dos
pinos pelos motivos suprarreferidos, deixo aqui um conselho: doravante os membros
do executivo camarário poderão ler os nossos úteis “pareceres” aqui publicados e seguir
as nossas indicações, sem os custos de qualquer avença…
A correcção da rotunda junto ao Caravela está em marcha. Como foram rápidos a reagir e a correcção não envolve grandes custos o Farpas não a contabilizará na rubrica Faz & Desfaz.
"Tu vais conversando, conversando, que ao menos agora pode-se falar... ou já não se pode? Ou já começaste a fazer a tua revisãozinha constitucional tamanho familiar, hã? Estás desiludido com as promessas de Abril, né? As conquistas de Abril! Eram só paleio a partir do momento que tas começaram a tirar e tu ficaste quietinho, né filho? E tu fizeste como a avestruz, enfiaste a cabeça na areia: não é nada comigo, não é nada comigo, né? E os da frente que se lixem... E é por isso que a tua solução é não ver, é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada, precisas de paz de consciência, não andas aqui a brincar, né filho? Precisas de ter razão, precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de Março, para os do 25 de Novembro, para os do... que dia é hoje, hã?" in FMI, José Mário Branco
Duas constatações importantes: 1. Em Pombal não se brinca em serviço: de pequenino se aprende o que é um combatente, um herói do Ultramar (explicaram isso aos meninos, não explicaram?) 2. Ainda há cravos vermelhos. São exageradas as notícias sobre a sua morte.
Pombal é uma terra de gente boa - boa até demais – constituída por Homens
“bons”, meia dúzia de desalinhados - Homens “maus” – e uma grande franja de
adormecidos.
Mas será que o Homem “bom” faz, em média, mais bem do que o Homem “mau”?
É uma questão que vários filósofos colocaram, e que convém abordar numa terra
de gente cada vez mais obediente ao poder e mais temente a Deus. Russel, um
Lord de quinta geração, procurou responder a esta dúvida, caracterizando primeiro
o Homem “bom” e o Homem “mau”, e, depois, os seus contributos para o bem comum.
Segundo ele, “o Homem “bom” não fuma nem bebe, evita linguagem de baixo calão,
conversa na presença de homens exactamente o que falaria se houvesse mulheres
presentes, vai à igreja com regularidade e tem opiniões correctas sobre todos
os assuntos. Tem verdadeiro horror ao mau procedimento e está ciente que é
nosso doloroso dever punir o Pecado. Tem horror ainda maior aos pensamentos
errados e considera ser responsabilidade das autoridades proteger os jovens
contra os que questionam a sabedoria das opiniões aceites, de modo geral, pelos
cidadãos de meia-idade bem-sucedidos. Além dos deveres profissionais, aos quais
é assíduo, ele dedica muito tempo a trabalhos que visam o bem. Acima de tudo, é
claro, a sua “moral”, em sentido limitado, deve ser irrepreensível”. Em síntese:
“um Homem “Bom” é aquele cujas opiniões e actividades são agradáveis aos que
detêm o poder” e o Homem “mau” é o oposto da descrição anterior.
Para Russel, uma das principais utilidades de ter Homens “bons” nos
cargos políticos “é fornecer uma cortina de fumaça para que os outros possam
dar continuidade às suas actividades de modo insuspeito” porque a moral
estabelecida dita que “um Homem “bom” nunca será suspeito de usar a sua
“bondade” para esconder vilões”. Só que, um dos principais problemas é que “os
padrões de “bondade” reconhecidos em geral pela opinião pública não são aqueles
calculados para fazer o mundo um lugar melhor”. E Pombal não o é seguramente.
Quase todos os dias, o arrumador de automóveis está presente no parque
provisório de estacionamento da avenida do Continente que foi preparado pela
Câmara Municipal para a época do último Bodo. Muito zeloso e exigente e pouco
polido, o arrumador lá vai ditando as suas regras aos automobilistas, tentando
impor a sua ordem no estacionamento de viaturas e discutindo com os
“infratores”. Às indicações ou à rudeza do pobre arrumador, respondem alguns
automobilistas com agressividade ou estacionando nos acessos, talvez para o
contrariarem e para lhe mostrarem que ele não tem autoridade ou com o receio de
que se não derem gorjeta sofrerão represálias…
Também não gosto de ver arrumadores a imporem ordem no estacionamento, pois
normalmente pretendem uma gratificação de quem não lhes solicitou serviço e,
muitas vezes, de quem já está a pagar taxa de estacionamento e danificam as
viaturas de quem não paga, o que não é o caso daquele arrumador. Nesta caso, nada
justifica prejudicar o estacionamento dos outros cidadãos ou agredir ou ameaçar
um miserável arrumador, sobretudo por quem se pretende superior a ele…
As obras no Barco são como as obras de Santa Engrácia, começaram mas não se sabe como e quando acabam. Pelo meio, incomodam muita gente, e, no final, não é certo resolvam mais problemas do que acrescentam.
O desenho das vias, das rotundas e dos acessos são de utilidade muito duvidosa. Não se compreende o exagerado estreitamento das faixas de rodagem (não é por falta de terreno livre) nem a geometria das rotundas e acessos. Reduzem a fluidez do trânsito e aumentam os riscos de acidentes. Pude confirmá-lo, ontem, quando me cruzava com um autocarro de passageiros na rotunda junto ao Caravela. Não colidimos porque (praticamente) parei. O autocarro, quando fazia a curva para sair da rotunda e entrar na via no sentido de Ansião, invadiu a minha faixa de rodagem. Mas desconfio que não tinha grande alternativa.
Corrijam enquanto é tempo.
Pela primeira vez
nas nossas vidas, conhecemos pessoas que podiam ter morrido num atentado e que,
felizmente, sobreviveram. Pela primeira vez nas nossas vidas, conhecemos
pessoas que perderam familiares, amigos mais ou menos próximos, num atentado.
Pela primeira vez na minha vida, um atentado com kamikazes aconteceu aqui, à
porta de casa, a minutos de onde vos escrevo, como se estivesse no Outeiro do
Louriçal e um kamikaze tivesse ativado o seu cinto no Louriçal.
Pela segunda vez
nas nossas vidas, passámos duas noites difíceis, perturbadas pelas horas
passadas a ver em direto os canais de informação e a ler atentivamente o que as
pessoas descreviam no Twitter:
relatos de mortos, de feridos estendidos no chão, e rumores, vagas contínuas de
pânico um pouco por toda a capital.
As primeiras
intervenções do Presidente francês não me convenceram, a primeira decisão do PrimeiroMinistro aniquilou-me :
hoje, segunda-feira, sabemos que as forças armadas francesas já bombardearam a
cidade de Raqqa, na Síria. Outros sinais não auguram também nada de bom:
houve desacatos durante uma manifestação anti-migrantes em Pontivy e um
movimento de pânico na Praça da República provocado pelo lançamento de petardos.
Isto adicionado a algumas teorias da conspiração e/ou informações que saíram e reforçam cada vez mais o que o governo francês tinha iniciado com
as suas primeiras tomadas de posição: a divisão.
Se é verdade que,
na última sexta-feira, muitos parisienses abriram as suas portas, ajudaram e
esconderam as vítimas e reuniram-se na Praça da República, antevê-se o mesmo
cenário do início do ano 2015: cada um vai olhar por si e pelos seus,
fazer como se nada tivesse ocorrido, fazer pela sua comunidade, pela sua etnia,
pela sua religião, pelo seu meio social. Os mesmos jornalistas e políticos
polémicos vão inundar as televisões, brincar com o fogo, tentar criar o que os
terroristas sempre sonharam: uma guerra civil.
Mas também não
somos ingénuos. Sabemos que o fim dos bombardeamentos na Síria não iria tornar
as nossas vidas mais seguras, mais pacatas, mas apenas dar «uma razão/um
argumento» a menos aos terroristas para nos atacar pois sabemos que é
quase impossível desradicalizar quem
se radicalizou como é muito complicado tornar menos racista quem já o é.
Não temos, por
enquanto, medo de morrer. Mas talvez, sim, medo de ter medo de morrer. Por uma
razão injusta, por uma guerra que não apoiamos, uma das muitas guerras que a
França trava e travou sem consultar o seu povo previamente. Uma das guerras que
faz ironicamente também «viver» o país a nível económico (a França
bateu o seu recorde de vendas de armas em junho de 2015) e ocupar um lugar de destaque no cenário mundial (ver a importância do Canal de Suez e do
transporte/comércio de petróleo na região.
Mickael Oliveira, Lusodescendente, filho de emigrantes do Outeiro do Louriçal. Mora em Saint Denis, perto do local onde três kamikazes se fizeram explodir.
Eucaristia em honra de São Martinho, presidida pelo pároco da cidade, na Igreja do Cardal. "Rezemos hoje pelo nosso País, pelos nossos políticos e pelo nosso Município", pediu o padre João Paulo.
Há muito tempo que a condecoração de personalidades e entidades pelo executivo
da CMP, no dia do município, se transformou numa rotina sem grandeza nem brio,
que em nada engrandece os distinguidos.
Quando avalias, avalias-te. O lote de distinguidos deste ano confirma o
esgotamento do executivo municipal: é incapaz de distinguir alguém.
Convenhamos: é difícil encontrar distinção numa vida social dormente, que o
poder local moldou à sua maneira.
Distinguir, repetidamente, personalidades e entidades vulgares e acrescentar
à lista funcionários da câmara é de uma confrangedora vulgaridade.
Esta imagem vale por mil palavras. As comemorações do Dia do Município - que deveriam chamar-se comemorações da paróquia de Pombal/festas de São Martinho - trouxeram ao Teatro-Cine um concerto de Rita Guerra, na véspera de feriado. O concerto era de borla, bastando para isso reservar o bilhete, como sucede, amiúde, nesta terra-amiga. Ora acontece que, horas depois de disponibilizadas as reservas, quem ligou para a linha indicada percebeu que o concerto estava esgotado. Comunicação eficaz? Divulgação massiva? Agora o leitor que retire daqui as suas "inalações" - como dizia um político da região, noutro tempo.
O polvo que se instalou em Pombal nas últimas décadas conseguiu esta proeza: na Câmara trabalham os tios, os primos, os amigos dos amigos, que encheram (rapidamente) a sala. Na verdade, a avaliar pelas imagens prontamente divulgadas, tratou-se de uma festa privada paga pelo erário público. Ou como canta Rita Guerra: "pormenores sem a mínima importância"...
A revista "Domingo" - que acompanha o inimitável Correio da Manhã - publica na sua edição desta semana um depoimento de Narciso Mota, na secção "a minha guerra". O ex-presidente da Câmara e actual Presidente da Assembleia Municipal de Pombal deixa um testemunho doído sobre o estado da democracia e do país: "lamento que 40 anos depois da Revolução os valores da democracia não sejam aqueles por que lutámos. os partidos políticos imprescindíveis num Estado de Direito Democrático precisam de estadistas competentes e honestos que saibam governar o país sem consentimento da corrupção. Os portugueses devem repudiar e penalizar os compadrios políticos e a gestão danosa com enriquecimento ilícito, as injustiças sociais, a corrupção que enriquece alguns em prejuízo de um todo nacional".
Lido assim, ninguém diria que teve responsabilidades nos últimos 20 anos, nomeadamente dentro de um partido político.
O dia 11/11, dia do município, está a chegar para
mais umas festas, medalhas e inaugurações. A renovação do mercado municipal está
quase concluída para a inauguração prevista e para o funcionamento com novas regras.
Vai terminar o acordo tácito que dura desde há alguns
anos entre a ASAE é o Município de Pombal para aquela entidade não fazer fiscalizações
no mercado, para não ter de o encerrar. A partir do dia 11/11 próximo, a ASAE poderá
aparecer e fiscalizar a qualidade dos produtos alimentares, as licenças, a regularidade
fiscal dos vendedores e as condições do local.
Alguns vendedores pretendem desistir da sua atividade,
para não terem de cumprir regras. Até agora, ninguém fiscalizou o que comprámos
no mercado para comer…
O Farpas lá vai fazendo “escola”. O
presidente Ilídio, de tanto nos ler, já revela um radicalismo inimaginável há
uns tempos atrás.
Utilizo a IC2, todos os dias, ao longo de vinte anos,e ainda
não vi crime nenhum. Mas fala quem sabe!
Força presidente Ilídio. Assim,
talvez consiga retirar Vermoil do marasmo. Mas cuidado: o S. Pedro contabiliza
estes deslizes de linguagem, e, no momento do juízo final, relembra-os. É
melhor passar pelo confessionário.
Falhada que foi a nossa tentativa de eleger o engenheiro a Presidente, como muitos se recordam, através do M.A.M., está na altura de lançarmos uma petição pelo regresso daquele que, mesmo na sombra, continua a ser o nosso comentador de estimação.
Rodrigues Marques foi acometido de uma súbita timidez, que o impede de publicar, em modo público, na caixa de comentários, as mensagens que tem enviado, todos os dias, a várias horas, para as caixas de e-mail d'os da casa. Sem insultar nem destratar ninguém. É bem verdade que o tempo tudo traz... E tudo leva. Agora que está liberto de todas as responsabilidades político-partidárias e afins que tantos dissabores lhe causaram, o engenheiro terá todo o tempo do mundo para se dedicar à troca de ideias.