8 de abril de 2016

Sai um Panteão

Os deputados da região têm andado numa azáfama mediática. Na última semana o Pedro sobressaiu com um bom número: conceder ao Mosteiro da Batalha o estatuto de Panteão Nacional. Desta vez, sejamos justos, o nosso deputado foi imaginativo - já estávamos fartos da lengalenga à volta do Aeroporto de Monte-Real e da transformação do IPL em Universidade. Poucos se lembrariam de utilizar o mosteiro para sepultar os famosos cá da terra - Narciso Mota, Lemos Proença, Fernando Costa, por exemplo - mas o Pedro tem este feeling político, adquirido no prolongado estágio na Jota, que lhe permite ver em antecipação aquilo que os outros não enxergam. Hoje, a política faz-se destes números que não requerem grande elaboração ou fundamentação, mas têm uma enorme capacidade de atrair “likes” e daí saltarem rapidamente para as páginas dos jornais e os noticiários das rádios e televisões.
Há muito tempo que a acção política abandonou o terreno do concreto, a busca do “bem comum”, a racionalização das relações sociais, para se centrar no fantasioso, no virtual, no efémero, no megalómano ou até no bizarro. Neste terreno, a aptidão do político consiste em saber quais são as paixões que podem ser despertadas com mais facilidade e que mais benefício mediático pode trazer, no imediato, ao mentor.
A coisa vai avançar? Claro que não. Mas isso pouco importa. O número está feito e capitalizado. Se avançasse, lá teriam as nossas criancinhas de fazer visitas de estudo ao mosteiro para conhecer os grandiosos cá da terra.

O rastreio das crianças

foto: EPIS

Passou ontem na TSF esta reportagem sobre o programa EPIS (da homónima associação de empresários para a inclusão social). Já aqui falei sobre o tema, já disse publicamente aos senhores coordenadores e autarcas o que acho daquilo, da invasão de privacidade expressa naqueles inquéritos.No ano passado a coisa correu mal na cidade. Na EB1, entre a centena e meia de alunos, apenas dez pais acederam ao desafio da autarquia, no resto do concelho a adesão passou pouco dos 60%. Ora, se o programa é assim tão bom, se os resultados são tão espectaculares, fico sempre intrigada com o facto de apenas os municípios de Pombal, Figueira da Foz e Pampilhosa da Serra aderirem ao dito. Há pelo país uns 360 que ainda não descobriram esta pólvora. Outros há que apostam numa política de criação de actividades desportivas e lúdicas, que asseguram a igualdade de oportunidades que a escola pública nem sempre dá. O outro Diogo desta história (director-geral da EPIS), diz que ainda estão à procura "do grande resultado quantitativo e estatiscamente relevante".
Ouvi com toda a atenção aqueles minutos de rádio, gravados há coisa de um mês. Martelam-me na cabeça as palavras "rastrear" e "sinalizar". Parece que a Câmara de Pombal (através da equipa que criou para assegurar o EPIS) já "rastreou 1070 crianças". Diz o presidente que a ideia é chegar "aos que são mais pobres, mais vulneráveis". E depois "trabalhar os jovens e a sua capacitação para o futuro". O conceito é este, e quanto a isso estamos conversados. 
São os princípios que me incomodam, os meios que tão-pouco sabemos se vão justificar os fins. nessa óptica da caridadezinha aplicada à escola, que só tem paralelo no que se anda a passar em alguns estabelecimentos da cidade, onde a percentagem de crianças carenciadas é elevadíssima. Num gesto caridoso,  há pão para "os meninos pobres". E isto é dito assim, a todos.
Ora aí um bom tema para reportagem, para quem ousar fazer "caminho paralelo".

4 de abril de 2016

A Feira da Floresta trazia água no bico

O dinheiro em abundância permite muita extravagância. Mas há limites!
A CMP, depois de desbaratar dinheiro em quintas e edifícios de que não tinha necessidade e que não utiliza, prepara-se para prosseguir na senda dos maus negócios, ou dos bons - depende da parte. Ao Região de Leiria, a vereadora Catarina Silva afirmou: “temos desenvolvido os procedimentos para nos assumirmos como proprietário florestal. Estamos a preparar todos os passos para fazer compra de floresta”Não precisam: eu tenho pouca mas dou-vos alguma e conheço quem vos poderá dar mais. Que não vos falte floresta! 
E deixem lá estar o dinheiro no banco. Talvez apareça alguém com (boas) ideias onde o aplicar.

30 de março de 2016

A perversidade do modelo partidário

As estruturas partidárias são modelos piramidais tradicionais de três níveis: Direcção Nacional, Federações e Concelhias (as secções e os grupos sectoriais - trabalhadores, mulheres, etc. - são irrelevantes para esta análise). O modelo tem dois problemas graves: está desfasado da realidade social e, pior do que isso, induz perversidade.
O modelo de organização em pirâmide visa dois propósitos essenciais: controlo “top down” e estímulo do mérito (sobe quem mostrou capacidade). Nos partidos assegura o controlo, mas desincentiva o mérito.
Na Europa, no pós-guerra, e em Portugal, na pós-revolução, as elites (intelectuais, académicos, artistas, quadros técnicos de topo, etc.) estavam bem representadas nos partidos políticos e influenciavam fortemente a estratégia e a acção política. Actualmente não têm espaço nos partidos, porque não o desejam nem são desejados. As máquinas partidárias são controladas pelos apparatchiks, que fazem da vida partidária a sua razão de vida, gente sem méritos reconhecidos interpares ou na comunidade, sem sucessos políticos ou com derrotas esmagadoras, que subiram no partido pelo designado “trabalho partidário”, que, na prática, se resume à intriga política, ao trade-off de apoios internos e a outros processos obscuros. Consequentemente, os partidos, da base ao topo, deixaram de ter pensamento político estruturado, limitam-se a seguir a agenda mediática. As concelhias nem isso fazem, porque não há agenda mediática local nem a sabem criar. As federações fazem o que sempre fizeram: distribuem “tachos” pelos apparatchiks na máquina do estado (deputados, secretários-estados, chefes de gabinete, assessores, dirigentes de CCDR, Segurança Social, Hospitais, etc). Como existem não têm qualquer utilidade para a comunidade e para os partidos, mas são muito disputadas porque os apparatchiks há muito perceberam que o caminho para chegar ao “pote” é mais curto e mais fácil nas federações do que nas concelhias. Este mecanismo gera perversidade e enfraquece os partidos, nomeadamente nas concelhias - o nível essencial para fazer crescer e fortalecer os partidos. E é por isto que, mesmo nos grandes partidos, as concelhias só mantém actividade regular e significativa onde o partido é poder e o presidente da câmara não se posiciona de costas voltadas para a concelhia.
Mas, para além desta enfermidade endémica, outra praga está a destruir os partidos: as sociedades secretas. Tema a abordar noutra altura.

23 de março de 2016

Diogo Mateus superstar


É um desfile de fotos nunca visto, só comparável com as filas do Portugal Fashion para registar o momento em fotografia, quando se encontra uma figura pública. Para compensar a ausência à última hora, no ano passado, que redundou numa baixa de meses por parte de uma funcionária municipal (a culpa é sempre dos outros, já se sabe), este ano o Município de Pombal fez tudo diferente: não confirmou presença na Feira de Nanterre antecipadamente (razão pela qual não aparecia inicialmente nos cartazes, só mais tarde se juntou o brasão) e em vez de convidar as empresas locais a juntarem-se à iniciativa, decidiu inverter os papéis, e tornou-se na atracção principal: Diogo fez-se acompanhar do chefe de gabinete João Pimpão (quem mais poderia fazer a ponte com o povo, chegar a ele, falar a mesma linguagem?) e durante todo o fim-de-semana posou para a fotografia ao lado de todas as famílias que encontrou, naturais de Pombal. Depois foi só distribuir os Roques, os Costa, os Santos, os Silva, os Dias, os Oliveira, e todos os outros pelos diversos grupos regionalizados do Facebook e mostrar como é que o senhor presidente é popular, no meio dos chouriços de Lamego, das alheiras de Mirandela e, vá lá, das cavacas de Pombal.

Aguardo com expectativa a reportagem que nos há-de trazer o Tuga Magazine, publicação portuguesa a cargo de um rapaz aqui do concelho. Foi graças a ele que pudemos visualizar o vídeo com o discurso do senhor presidente, que a assistência ouviu com a atenção que se vê.  Tenho aqui até um espírito-santo-de-orelha a dizer-me que foi graças à insistência dele que Pombal acabou por ir lá parar.
Então e vamos lá saber: essa viagem, espremida, dá o quê? votos dos familiares dos modelos fotográficos?

22 de março de 2016

Sai mais uma avença para o Teófilo

A CMP adjudicou mais uma avença a Teófilo Santos, de prestação de serviços jurídicos, no valor de 39.810 €, mais IVA. Uma “brilhante” forma de reconhecer os serviços prestados pela dupla Teófilo & Michael António no processo das 35 horas.
A lei das 35 horas semanais aplicava-se a todas as câmaras municipais. Mas a única que perdeu um processo em tribunal, e vai ter que entrar com mais de 100.000 €, é a de Pombal.
É obra! E paga o Zé!

21 de março de 2016

No dia da Poesia

Por mal dar, por mal ter, viram cerradas
Do céu as portas; penam nesta lida
Com mágoas, que não podem ser contadas.

Vês quanto é de vaidade iludida
A ambição, de que os homens a porfiam,
Da fortuna anelando os bens da vida.

A pujança de um povo é grande ou escassa
Segundo o seu querer, que, se escondendo
Qual serpe em erva triunfante passa.

Contra ela o saber vosso não valendo
No seu reino ela tem poder e mando
Como os outros o seu, estão regendo.

Ora no lodo ainda mais tristes somos –
Com voz cortada assim gargarejavam
De palavras somente havendo assomos.

Essa alma, que de orgulho ainda esbraveja,
Avessa ao bem, de raiva possuída,
Deixou em si memoria, que negreja.

Quantos reis, grandes na terrena vida,
Virão, quais cedros, se atascar no lodo,
Fama de si deixando poluída.

Que há povo infindo para o bem avaro!
             Do vadio e genial Dante Alighieri - Divina Comédia

17 de março de 2016

Porque é o príncipe tão incauto?

Maquiavel explicou-nos que “O príncipe vela não pela felicidade do povo, mas pela sua própria”. Mas por cá, nem pela própria - na sua ânsia de se tornar poderoso, tem desbaratado aquilo que a fortuna lhe pôs no regaço: um reino dócil, submisso e rico. Surpreende que alguém que teve todo o tempo para aprender a arte de reinar, tenha, em pouco tempo, perdido tão rapidamente a confiança dos súbditos.
O príncipe tem cometido demasiados erros, e não os tem sabido conter os estragos: armadilhou laços (em vez de os evitar) e caiu neles, desgastou-se em guerras infrutíferas, fez inimigos nos fracos e não cuidou dos poderosos, foi leão quando deveria ser raposa e raposa quando deveria ter sido leão. É da sua natureza!
O processo das 35 horas é um tratado de inabilidade política, que poderia ter feito tropeçar trezentos e tal príncipes, mas onde só o de cá se espalhou.
O príncipe parece ter perdido o norte: procura passar o odioso da decisão inicial para o seu antecessor, ajudando a juntar a matilha de lobos, e, ao mesmo tempo, prossegue a afronta aos súbditos, não cumpre a sentença, pede (hipocritamente) desculpa aos trabalhadores - que há muito atribuíram a culpa da contínua afronta - mas não paga as horas extraordinárias a todos os trabalhadores (todos as fizeram), paga-as somente aos trabalhadores sindicalizados do sindicato que interpôs a acção.

O príncipe padece de dois males: não tem (por opção sua) ministros que o protejam e não tem bons fundamentos. E como disse Maquiavel: “um príncipe que não tem bons fundamentos, necessariamente cairá em ruína”.

15 de março de 2016

Ajudem a câmara, sff

Mesmo fazendo muita obra inútil e outras que não são da sua competência, a CMP (ainda) dispõe de 11,640 milhões de Euros em caixa.

Apelo: ajude a câmara a encontrar destino para o (seu) dinheiro.

Oposição

Vive-se, por aqui, uma paz indolente, uma vida comunitária adormecida com o terço do consenso. É tanto assim que o presidente da câmara pode emitir um Edital onde divulga a aprovação de tudo por unanimidade. 
Toda a unanimidade é burra e nefasta. No céu pode fazer as almas felizes; mas na Terra provoca um enorme tédio e um enorme marasmo.
Procura-se: alguém que faça oposição nesta terra - que questione, que pense diferente, que critique, que tenha ideias, que se bata por elas, etc.

13 de março de 2016

Para memória futura

Sexta-feira, 11 de Março de de 2016.
Passam agora dois anos desde aquele dia em que os poderes instituídos declararam guerra às peças soltas da engrenagem, naquele que se haveria de tornar o mais famoso conselho geral de sempre num agrupamento escolar, por nunca ter sido empossado. Há momentos em que uma pessoa quase se cansa de dar murros em pontas de faca, há que dizê-lo. Mas depois vem a realidade e percebemos que não há alternativa: é isso ou o costume. Contei a história tantas vezes a tanta gente - incluindo aos nossos deputados da nação, eleitos por Leiria, que da esquerda à direita mexeram zero palhas para desbloquear o imbróglio - que me convenci estar a relatar qualquer coisa do imaginário.
Dois anos depois, a senhora directora regional de Educação é a mesma. Mas precisou desses dois anos e - quiçá - de uma mudança de governo para mandar fazer aquilo que devia ter sido feito de imediato: convocar uma assembleia geral de pais, eleger uma mesa eleitoral e uma comissão que elabore um regulamento, com regras claras e definidas, que garanta a qualquer pai/mãe/encarregado de educação a liberdade de encabeçar uma lista, sem estar preso a qualquer associação - por mais real que ela fosse, ou se existisse. O que se espera, agora, é que seja reposta a ordem natural das coisas. 
Dos cerca de três mil encarregados de educação, apenas uns 50 responderam à chamada do Agrupamento, na sexta-feira. É mais fácil destilar queixas no facebook do que sair do sofá e ir à escola, perceber em que mundo vivem os nossos filhos. Mas isso é o que temos, ou talvez seja o que sobrou. Nunca me hei-de esquecer do átrio cheio de pais para votar naquele 17 de janeiro de 2013, de como foram abandonando o local à medida que passavam as horas e aumentava a pressão para não se aceitarem listas "independentes", de "pais iluminados".
O tempo passou. A associação de pais declarou-se inactiva, em comunicado afixado. O vereador da educação da época renunciou ao mandato. Os estudantes que representavam os alunos já deixaram a escola, alguns professores também. O presidente da Câmara cumpriu o prometido: nunca tomou posse, vieram as inspecções. Amarfanhou-se a pessoa do presidente do conselho-geral cessante, obrigou-se a presidente da assembleia geral da associação de pais a demitir-se, numa noite de inverno, no edifício da Câmara. Nos tribunais corre ainda uma acção alusiva a um ilegítimo acto eleitoral, tentado há um ano atrás, noutro espaço municipal - a Biblioteca. Ora, se isto é assim quando a Escola ainda é do Estado, imagine-se o que seria se a municipalização da educação fosse assumida e implementada neste concelho...
O que aconteceu com este processo é o que se passa em todo o lado, habitualmente, neste Pombal: há um controlo implícito, que assegura o funcionamento da máquina, sem peças soltas na engrenagem. Se mais vezes ousássemos agitar essas águas paradas, respirava-se muito melhor. É sabido que isso tem custos, desgasta, cria tantos inimigos como ter opinião. Mas liberta.
Nem eu nem a Odete Alves (as duas mães que o poder não quis no conselho geral) tencionamos candidatar-nos no acto eleitoral que aí vem. Mas vamos ajudar a concluir esse processo e abrir caminho a quem vier. Para memória futura.



7 de março de 2016

Coisa de mulheres, parte II

Minutos depois de publicado este post aqui no Farpas, o cartaz desapareceu do facebook de quem o postara e foi disparada uma mensagem de e-mail "resgatando a mensagem anterior". 
Dias depois, foi massivamente distribuído pela cidade um novo cartaz, já sem o Movimento das Mulheres Social-Democratas na "organização". Não custa nada fazer as coisas bem feitas. Às vezes basta pensar. É claro que - como são as mesmas - as mulheres continuam a ser social-democratas. Mas à mulher de César não basta ser séria...
Adenda: 

A mentira tem perna curta. Ora vejam só como é que a oradora Teresa Morais anuncia a sua vinda a Pombal: 
Está tudo dito. 

6 de março de 2016

A unanimidade, segundo o PSD de Pombal

Pedro Pimpão foi ontem eleito presidente da comissão política do PSD local. Foi-o pela terceira vez, sem oposição. Não se sabe por quantos votos (a comunicação do partido é boa, mas filtra, como é função das agências e/ou dos assessores), apenas que foi por unanimidade. 
Ao olhar para o resultado das eleições e ao mesmo tempo para a lista que compõe a "nova" comissão política, temos aquela estranha sensação de calmaria, típica dos momentos que antecedem um tsunami. E Pedro Pimpão sabe-o bem. Lendo o desabafo que escreveu na sua página oficial de facebook, em fim de noite, percebe-se a escolha das palavras: "(...)o que me assusta dada a enorme responsabilidade que assim recai sobre os meus ombros, mas que está em perfeita consonância com o objectivo de unir o PSD/Pombal.

Agradeço este (excesso) de confiança e prometo que me vou empenhar para não desiludir aqueles que acreditam no nosso trabalho, assim como, tudo farei para que os Pombalenses se revejam cada vez mais nos nossos projectos, ideias e candidatos que devem ter como principal objectivo Afirmar Pombal!"
Ora acontece que 2017 é já para o ano. E a comissão política que vai decidir sobre elas é constituída por esta mistura explosiva que a foto documenta. Nota positiva para a quantidade (e a qualidade, sobretudo) de mulheres na equipa de Pedro.


ps1: Narciso Mota ficou como presidente da mesa do plenário.
ps2: José Grilo preside ao conselho consultivo.
Ps3: o que é que fizeram a Rodrigues Marques?

Assim se compra o céu

… e o resto. 
A CMP deliberou, por unanimidade, atribuir (mais) um subsídio de 5.000 € à Fábrica da Igreja Paroquial de Pombal e (mais) um subsídio de 1800 € à Fábrica da Igreja Paroquial de Vila Cã.

5 de março de 2016

Diogo e amigos promovem-se em Lisboa


Leio no Pombal Jornal que "o Município de Pombal participa na edição 2016 da Bolsa de Turismo de Lisboa, que decorre no espaço da Feira Internacional de Lisboa, de 2 a 6 de Março". Para além do Marquês (dispenso comentar) e da doçaria tradicional local, a nossa autarquia também convidou o operador turístico DTravel a juntar-se à comitiva. Eu não conheço a empresa (e, provavelmente irei ser tremendamente injusto), mas se o objectivo do convite era o de promover "o território pombalense como destino turístico", porque se convida uma empresa que ostensivamente omite o nome da cidade na sua página web? E não foi por falta de oportunidade! No espaço que dedicam ao Centro de Portugal, referem Batalha, Alcobaça, Coimbra, Tomar, Óbidos, Aveiro, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Aldeias de Xisto, Serras da Estrela, Caramulo e Lousã. Pombal e o seu território é que nada. 

4 de março de 2016

A guerra das rosas

O médico António Sales ganhou hoje a Federação de Leiria do PS, naquela que foi a segunda tentativa para liderar os socialistas deste distrito. Ganhou com 665 votos contra os 514 de Odete João. São ambos deputados eleitos por Leiria na Assembleia da República. Ele de novo, ela de há muitos anos.
O que se espera de um ortopedista é que consiga sarar as fracturas na estrutura óssea. Não há melhor imagem para o momento que se vive no PS distrital. 
- E Pombal?, perguntam vocês.
Pombal fez jus à sua condição de fenómeno: 83 votos para a lista derrotada, 14 na lista vencedora.

O homem já voltou aos cartazes


3 de março de 2016

Tanta falta de bom-senso

Com o bom-senso passa-se um paradoxo engraçado: é uma das qualidades humanas mais mal distribuídas, mas todos acham que têm o suficiente.
Repare-se neste (triste) exemplo: a CMP de Pombal resolver espalhar pinos rasteiros e pontiagudos pelo Cardal e pela ponte D. Maria. Os munícipes mais atentos – e o Farpas em particular – fartaram-se de criticar a opção e exigiram a sua remoção. Depois de muitas críticas e alguns acidentes, a câmara assumiu o erro e mandou arrancar os pinos. Mas pelo meio, umas quantas pessoas caíram e magoaram-se, e uma delas pediu uma pequena indemnização à câmara para cobrir os danos patrimoniais decorrentes da quebra dos óculos aquando da queda.  
A câmara assumiu a responsabilidade? Não! Decidiu que “após uma análise cuidada do pedido formulado pela lesada, das informações facultadas pelos Serviços Técnicos do Município, bem como do parecer jurídico anexo, conclui-se que a responsabilidade pelos danos causados não é imputável ao Município de Pombal”.
Não o faz por falta de dinheiro - tem-no demais e aplica-o onde não tem responsabilidades, substituindo o Estado e prejudicando os munícipes. Fá-lo com a insensatez própria dos arrogantes.
Há mais falta de bom-senso (político)?

Contas a ajustar

Tudo está bem quando acaba bem. 
Consta que houve pranto e ranger de dentes, nos últimos dias. Mas foi um presidente dócil que esta manhã se penitenciou perante os funcionários sindicalizados, quando lhes anunciou a reposição da legalidade e pagamento das horas extraordinárias. Muniu-se de todo o bom senso para explicar, em palavras, aquilo que alguns súbditos quiseram impedir, em actos e à força, esta manhã: a presença de um dirigente sindical na reunião com os trabalhadores.

O braço de ferro partiu

Os políticos experimentados evitam afrontar os trabalhadores e os sindicatos porque sabem que os custos políticos são elevados. Por cá a armadilha virou-se contra o armadilhas.
A afronta já tinha tido dois rounds, que só não terminaram em derrota porque os sindicatos tiveram o bom senso que o príncipe parece não ter. Na câmara o desfecho é conhecido: estrondosa derrota política, com a condenação da câmara ao pagamento do trabalho extraordinário e à reposição das 35 horas semanais.
Bem pode o príncipe responsabilizar o responsável dos Recursos Humanos por não ter ouvido os trabalhadores, os juristas da câmara por não terem assessorado bem a câmara e os advogados pela estratégia de defesa seguida e pelos erros cometidos. Nada apagará o odioso da questão, o falhanço da afronta.
O problema não é tanto de quem executa e de quem assessora - decidem pouco. É de quem decide. E é, também, de quem decide fazer obras de Estado com dinheiro dos munícipes. Serão, também, os chefes de serviço os responsáveis por estes dislates?
O príncipe pode achar-se possuído de todo o poder, mas isto (ainda) não é uma monarquia – Dura Lex, Sed Lex.  

E nesta Republica, que mais parece uma Monarquia, paga é o Zé: aos trabalhadores, aos funcionários e aos advogados. 

1 de março de 2016

Gabinete de Propaganda

Neste mandato, o gabinete de comunicação da CMP nunca funcionou bem. Na primeira fase percebia-se: de aprendizes voluntaristas não se podia esperar grande coisa. Mas com a contratação de uma especialista esperavam-se melhorias. Puro engano. A evolução foi no pior sentido. Temos agora um gabinete de imprensa especializado em propaganda, em que o método é a inversão dos factores, a inversão dos valores, no âmbito da qual não existe mentira - meia-verdade ou meia-mentira - que não mereça ser difundida. A tudo se recorre para fazer de uma natureza morta um quadro vivo e colorido. As notas de imprensa são prospetos risíveis, que procuram, de forma despudorada, beneficiar o emissor e não o destinatário; são palha dada aos seguidores acríticos e aos distribuidores que as divulgam.
Mas a falta de decoro atinge o condenável quando se confunde a câmara com o partido  e o partido com a câmara. Ao que nós chegámos!


Adenda: Gastem o tempo livre para preparar e a publicar as actas atempadamente - também é comunicação, e imposta por lei.

27 de fevereiro de 2016

Má figura

Há uns dias atrás, veio de Castanheira de Pêra uma equipa de futebol salão para jogar contra outra de Pombal. Mas não houve jogo! Chovia dentro do pavilhão. No outro pavilhão os tacos estão soltos e colocam em risco os atletas.  

Há tanto dinheiro para gastar em obras da responsabilidade do Estado Central e falta dinheiro (ou vontade) para investir nos pavilhões, sobreocupados!

26 de fevereiro de 2016

Entre o partido e a mulher, ninguém meta a colher


Estamos sempre a inovar, cá na terra. Este ano as comemorações do Dia Internacional da Mulher que passam pelo Café Concerto são uma organização conjunta da Apepi (uma instituição vocacionada para o apoio à infância e às mulheres vítimas de violência) e do Movimento das Mulheres Social-democratas. A iniciativa está anunciada em cartaz e lá figuram apoios tão importantes como o da Segurança Social, do Município de Pombal e outros organismos públicos, que deviam manter alguma independência relativamente às questões partidárias.
O tema do evento é interessante, e as mulheres empreendedoras convidadas também, com destaque para Teresa Morais (já era tempo desta organização perceber que é deselegante  usar dr's na apresentação escrita...), que por coincidência é deputada pelo PSD à Assembleia da República. Quem anda a fazer os convites é a Apepi, dirigida por Teresa Silva, deputada pelo PSD na Assembleia Municipal de Pombal.
De modo que continua tudo normal em Pombal ocidental, de forma cada vez mais despudorada. Espero que Helena do Vale, Alexandra Gameiro e Adélia Junqueira representem bem o género, e que seja um debate dos bons.

25 de fevereiro de 2016

Dura lex, sed lex - 35 horas para os trabalhadores da Câmara

                                 foto: "Notícias da sua Terra"
A reposição das 35 horas de trabalho, tal como manda a lei, está a revelar-se um parto difícil na Câmara de Pombal. A coisa tinha sido anunciada pelo presidente, no jantar de natal dos funcionários em...2014, com grande ovação. Depois voltou a sê-lo em 2015. Mas Diogo Mateus tinha mais que fazer neste concelho que se apresenta orgulhosamente só, entre os municípios do distrito de Leiria, no que a esta matéria diz respeito.
 Já se sabe que enquanto o pau vai e vem, folgam as costas. E por isso a história recente está repleta de tentativas de reuniões, contactos e tentativas (sobretudo tentativas) por parte dos Sindicatos (STAL e SINTAP) ligados à administração local e pública. Menos trabalho deu a Junta de Freguesia de Pombal, que desde Janeiro deixou de contrariar a tendência local - pelo menos neste caso.
Ora acontece que Pombal até pode achar-se o centro do mundo mas ainda não está acima da lei. E por isso tem agora nas mãos uma sentença que queima: O Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria fixou em 30 dias o prazo (que está a terminar) para "Identificar todos os trabalhadores atingidos pela prestação de um horário de trabalho de 8 horas diárias desde 28 de setembro de 2013 até 6 de março de 2014" e "Proceder aos cálculos da prestação de trabalho suplementar, nos termos da lei, de uma hora de trabalho diária, além do período normal de trabalho, dos trabalhadores referidos,
naquele período ali igualmente identificado". Deve ainda "Proceder ao processamento dos montantes devidos a título daquele trabalho suplementar". Por via das dúvidas, o TAF previne-se: "Em caso de incumprimento da presente sentença executiva, determina-se, desde já,
a aplicação de uma sanção pecuniária compulsória ao Presidente da Câmara Municipal de
Pombal, nos termos do n.º 3 do citado dispositivo legal, à razão diária de 5% do salário
mínimo nacional". O valor da acção foi fixado em 30 mil euros. 
Escusávamos, todos nós, de pagar por isto. Em vez das papas e bolos dos pequenos-almoços com os funcionários e outros floreados, melhor fora que se respeitassem os direitos legais, sem paternalismos. 

18 de fevereiro de 2016

Política local é música celestial

A política é, na sua essência, conflito. Em Pombal transformou-se numa atmosfera celestial, onde até uma inócua abstenção é pecado e alvo de censura. Enganaram-se os que justificavam o desarranjo local com o bi-partidarismo que existia nos órgãos autárquicos. A representação alargou-se mas a pasmaceira agravou-se.
A oposição é grupo homogéneo de "meninos de coro" que cantam, em tons diferentes, ao ritmo da maioria. Na AM, os membros do CDS rivalizam com os membros da bancada do PSD pelo lugar de primeiro solista de arpa nas melodias celestiais em que as assembleias se tornaram:
“Nós vamos votar favoravelmente estes dois documentos (GOP e Orçamento, os mais importantes da Gestão da Autarquia, digo eu), mas não queria deixar de dizer que neste tipo de documentos, e neste tipo de trabalhos, acho que é pouco elegante a utilização da abstenção neste tipo de documento. As pessoas têm de assumir se estão de acordo com o que está feito, se estão de acordo ou não estão de acordo, assumem ou não assumem. Se querem votar contra, votam contra, e apresentam alternativas. O “nim”, neste caso, parece-me um bocadinho deselegante.”

Sugestão cá d`casa: aprovem uma emenda ao regimento com as regras seguintes: (i) quem se abstém nas votações desce as escadas e dirige-se imediatamente ao confessionário na porta ao lado; (ii) quem se arriscar a votar contra é excomungado e fica proibido de entrar na porta ao lado.

Surpreendente, ou nem tanto

Em Março realizar-se-ão eleições para a Federação Distrital do PS. Depois de vários anos afastado da vida partidária decidi apoiar o António Sales, por o considerar o melhor colocado para iniciar uma alteração dos propósitos da federação. Aceitei, também, ajudá-lo a identificar apoiantes e candidatos a delegados ao congresso distrital.
Surpresa das surpresas, após poucos contactos, e como ninguém recusou liminarmente o convite, fechámos rapidamente a lista com vinte militantes.

E esta, hem!

17 de fevereiro de 2016

Câmara a mais e oposição a menos

A regra geral na alocação de recursos - seja nas entidades públicas, nas empresas ou nas famílias - é haver mais necessidades do que recursos. Nas empresas e nas famílias encontramos excepções (Microsoft, Bill Gates ou Cristiano Ronaldo) que devem ter dificuldade em encontrar necessidades a suprir e bens onde gastar o dinheiro. Pombal Ocidental, onde nem tudo é normal, é, também, uma estranha excepção à regra.
Dom Diogo é um privilegiado: dispõe de avultados recursos financeiros que transita de exercício para exercício porque, decerto, não descortina necessidades no concelho que governa. Vai daí, ávido de se mostrar grande fazedor, veste a pele de benemérito e distribui “esmolas” de milhões pelo Estado Central, Empresas Públicas, Hospitais, etc.
As câmaras têm direito a determinadas verbas do Orçamento de Estado e a recolher determinadas receitas porque têm determinadas obrigações a cumprir com a comunidade e os seus munícipes, no âmbito das suas responsabilidades. Aplicar os recursos da autarquia fora do âmbito das suas competências é uma violação grave da dos deveres dos órgãos autárquicos e uma violação das regras da boa governação que desvirtua a justa distribuição dos recursos. É não fazer o que deveria ser feito, para fazer o que compete a outros.
Compreende-se que numa situação de urgência a câmara substitua o Estado na contenção de um problema que afecta a comunidade. Mas não é aceitável que desvie vários milhões do orçamento da câmara para obras que competem à administração central ou organismos por ela tutelados. 
A administração dos recursos públicos tem regras. Que a oposição não apresente propostas alternativas – não seja alternativa – até se compreende, tal é o descrédito em que caiu. Mas que não fiscalize as regras básicas de aplicação dos recursos da autarquia, é demais!

14 de fevereiro de 2016

A praga da religião

A religião é como uma praga que corrói e consome o que de mais valioso encontra na vida e na sociedade. Enquanto fica no domínio do privado, dos fiéis, não vem grande mal ao mundo. O pior, o mais perigoso, é quando sai desse domínio e se impregna na sociedade e no Estado. O médio-oriente é o exemplo extremo desta negra realidade, mas os tons cinza estão espalhados por todo o lado.  
Um bom liberal deve respeitar as opções de vida dos outros, mesmo quando que elas comprometam aquilo que a vida pessoal tem de mais virtuoso - a alegria, o prazer, a superação, a liberdade. Mas há uma barreira que um cidadão responsável não deve permitir que seja ultrapassada: a que separa interesses ilegítimos do bem comum. Quando isso acontece, com o apoio e cooperação de entidades do Estado (que por cá, por determinação, é laico), o estilo de vida virtuoso está em risco e corremos o risco de regressar à época das trevas – do pecado, da penitência e da fé na redenção.  
O fenómeno religioso tem algum paralelismo com a praga da corrupção: quando esta se faz no domínio privado, não vem grande mal ao mundo – facilita, até, o modus operandi do capitalismo. O problema é quando ela se faz entre o privado e o público (o Estado), nesse domínio consome-nos (a todos).
Por cá, vivemos numa terra onde há mais religião que civilização: onde há criaturas políticas que nos vêm “todos a chorar com a vinda do Papa”, onde o padre que se gaba publicamente da conversão de uns quantos infiéis, onde a câmara subsidia ilegitimamente a actividade da igreja violando um elementar princípio republicano - o laicismo do Estado. A praga está à solta. Se não for atacada, imporá uma vida social dormente e doente, uma existência malograda. A vida não é isto, não pode ser isto.

Russel afirmou que “a religião é uma resposta covarde ao vazio do universo. Se houvesse um Deus, ele deveria ser julgado por crimes contra a humanidade. Os devotos são culpados por incentivar o mal: ou porque também são covardes demais para encarar o facto de que Deus é um criminoso ou porque têm uma noção perversa de moralidade e realmente acreditam na força corretora do poder”.

10 de fevereiro de 2016

A Cidade de Deus

Entrámos na quaresma. Por cá nunca saímos dela, vive-se uma vida quotidiana muito vazia e monótona, onde o prazer e a folia são abafados, e a vida religiosa é estimulada, pois nela o servilismo toma o aspecto de uma virtude cristã.
Pombal tornou-se uma Cidade Deus, onde os Homens vivem segundo Deus, e bajulam o seu deus, onde a razão e a fé convergem para iluminar a função política no seu propósito de ampliar, ainda mais, o poder supremo. Onde o povo é moldado a ser tanto melhor quanto sua concordância estiver no que é “melhor” e o “melhor” seja o bem supremo. Não é uma cidade justa, dado que não aspira, ou, pelo menos, nem sempre aspira ao soberano bem.
Pombal é uma cidade que não separa “o que é de César, a César; e o que é de Deus, a Deus”, onde o que não serve a deus não é povo e onde o superior impera sobre o inferior. Onde se apregoa bondade, caridade e misericórdia, mas onde os que apregoadores, fazem mais mal que bem.
Pombal não é uma terra de gente com grande sentimento religioso, antes fosse – estava explicado o estranho fenómeno -, mas é uma terra de gente com grande oportunismo religioso, onde a culpa é virtude e o padecer é glória (dos outros).

8 de fevereiro de 2016

Porque é que esta cidade nunca tira a máscara?

Quando me apareceu um cartaz pela frente a anunciar um "baile de carnaval", no dia 8 (segunda-feira) fiquei toda contente, a pensar que finalmente o município recuperava um hábito antigo, o de festejar o entrudo, nem que fosse de forma modesta. Ledo engano. Afinal o baile é senior, na linha do costume, o de mascarar os velhinhos e fazer de conta que são marionetas guiadas pelas técnicas dos lares e centros de dia.
Sou desde sempre crítica da forma como decorre o desfile de carnaval das escolas, por achar que uma boa parte dos mais pequenos não se diverte, como era suposto. Ainda assim, quando mal nunca pior, e por isso mais vale haver alguma coisa a coisa nenhuma. Mas os velhinhos, senhor? Que fixação é esta? Porque é que nunca se pensa na população activa que ainda cá está, como se fosse pecado abrir a porta à folia ou à diversão? Numa rápida visita pelas páginas dos municípios à volta, facilmente percebemos que, à sua maneira, todos a promoveram. E nós a treinarmos para transformar a terra num reduto da terceira idade, essa inevitabilidade, segundo presidente da Câmara. É uma pena que os nossos séniores não tenham saúde física nem financeira para irem além do pavilhão das actividades económicas. Que ironia.
Mas enfim, teremos sempre Abiul...
foto: Pombal Jornal

28 de janeiro de 2016

Pegar o touro pelos cornos - wi'll always have Abiul


Foto gentilmente recolhida do nosso homónimo Farpas blogue. 

Presidente da Câmara prometeu ser um "acérrimo defensor da tauromaquia na região" mesmo que isso lhe custe votos
Citado pelo site Touro e Ouro, o presidente da Câmara de Pombal, Diogo Mateus, durante a entrega dos troféus da Tertúlia O Berço da Tauromaquia de Abiúl, a Vasco Pinto, prometeu ser um "acérrimo defensor da tauromaquia" na região que representa, com um "discurso altamente positivo e promissor para a tauromaquia".
O autarca social-democrata, segundo o mesmo site, mostrou-se forte entusiasta da Festa Brava e reconheceu a importância da tauromaquia em Abiúl, prometeu que Pombal estará sempre "ao lado das tradições culturais portuguesas, mesmo que isso possa custar votos".

Durante o discurso, Diogo Mateus sublinhou ainda que "Pombal não tem vozes anti-taurinas".

Dizer isto é d'homem.
Pombal não tem vozes anti-taurinas?
Pombal não tem vozes.
Pombal não tem.

Se tivesse, outro galo cantaria.

27 de janeiro de 2016

Um comentário com direito a post

"Para quando um protesto, cada vez que subir uma lomba buzinar.
E o transporte de doentes também sobe e desce essas lombas, é pena não ser o desarquiteto a passar dentro duma ambulância com problemas de coluna, ia ser giro".

                                                                                                     Por Natividade Silva
Bora buzinar nas lombas.

25 de janeiro de 2016

Notas soltas sobre os resultados das presidenciais

A fé não move montanhas. 
Duas surpresas: (i) o senso comum dos eleitores; (ii) a fé de algumas criaturas políticas.
Numa eleição sem recandidato presidente, invulgar foi só aparecer um candidato potencialmente vencedor, e nove candidatos perdedores. Sinal de que o cargo de Presidente da República se tornou pouco atractivo. Consequentemente ganhou quem tinha que ganhar e perdeu quem tinha que perder.
A esquerda perdeu. A direita ganhou mas chupa no dedo…. O PS – Costa – foi o perdedor que não saiu derrotado.
Marcelo R. Sousa: ganhou, e encontrou o registo para assegurar a reeleição e contornar o tédio que o cargo lhe vai provocar. Hipocondríaco como é, vai fugir a sete pés dos conflitos potencialmente perdedores. A direita não pode contar com ele, Costa também não, mas fica a depender unicamente de si e dos seus “compagnons de route”.
Sampaio da Nóvoa: perdeu mas capitalizou. Vai andar por aí. Em 2026 será candidato potencialmente vencedor.
Marisa Matias – cumpriu o papel (nestas circunstâncias).
Maria de Belém: o “soufflé” era de fraquíssima qualidade – deslaçou-se assim que a temperatura subiu. Penoso.
Edgar Silva: erro de casting. Prova-se mais uma vez que os votos não têm dono.
Vitorino Silva (Tino das Rans): ganhou o campeonato da II Liga - é o menos mau dos maus.

A primavera marcelista


Pombal acordou hoje debaixo de uma tempestade, num dia invernoso, cheio de raios e coriscos. Em dias como este, o meu avô Zé-Maria vestia uma samarra igual àquela que o professor Marcelo usou na campanha, nos intervalos das visitas a creches e lares de velhinhos. Ontem, quando o vi na tv a fazer o percurso de candidato para presidente, continuava com a cassete do "sereno e tranquilo". É essa falta de chama que me aborrece em candidatos como ele, passando a ideia de que a vida política de um país é pouco mais do que chá e bolinhos, estantes de livros, lareira acesa e grandes dissertações sobre os lugares e as viagens da elite - com direito a pausas para a caridadezinha.

No resto do país, a esquerda adormeceu a remoer esta mania de esticar a manta de retalhos. À direita não lhe bastou - nunca lhe basta, de resto - ganhar. O facebook encheu-se de gente ressabiada com o governo de Costa, colocando a nu uma das carcaterísticas que sempre me causa urticária: não lhes basta ganhar, é preciso espezinhar quem perde. Os brasileiros têm uma expressão que diz tudo sobre esse estado de alma, mais colado ao PSD do que ao incólume CDS: debochar. E  sabendo que um catavento é sempre imprevisível, em Pombal o partido jogou pelo seguro, e marimbou-se para os sinais de independência que o professor emitia, colando mensagem partidária à campanha. De maneira que foi coerente o agradecimento feito, ontem à noite, no facebook, congratulando-se com tão expressiva vitória cá na terra: 69,74%. É claro que continuamos a bater recordes de abstenção, com uns honrosos 57.24%. Quer dizer que uma esmagadora maioria não está aqui representada.
Mas o que é que isso interessa?

24 de janeiro de 2016

Parque da Fonte da Charneca



As primeiras (poucas) chuvas do outono abriram os primeiros sulcos no terreno arenoso colocado no parque em construção na frente da fonte da Charneca. Reparados os danos com a colocação de mais terras arenosas, logo as primeiras chuvas do inverno voltaram a abrir novos regos, como as fotografias de 17-01-2016 demonstram.

Num ato de colaboração, sugiro que, no planeamento e na execução das obras, se prevejam os efeitos das chuvas como, noutros projetos, se devem ter em conta os critérios da segurança, da utilidade, do preço e da estética, pela ordem indicada e não pela ordem inversa para se evitarem os habituais acidentes e demolições e reconstruções, tudo suportado pelos cidadãos.

21 de janeiro de 2016

O Renato

A informação foi passada: Renato Guardado, mestre em Arquitectura, vereador na CMP, é candidato à presidência da distrital da JSD.
O Renato é um rapaz apaixonado pela política, com um longo percurso de jota, que circunstâncias especiais fizeram vereador. Mas que ainda não é Vereador. 
Nietzsche afirmou que “pouquíssimas pessoas são capazes de inferir o efeito das circunstâncias em sua personalidade”, e - afirmo eu - no seu destino. Gostava que o Renato tivesse essa capacidade.
O Renato será, com certeza, o futuro presidente da distrital da JSD, mas tenho dúvidas que termine o mandato como Vereador.
O Renato é um rapaz a quem a sociedade concedeu um duplo privilégio: remuneração principesca (para a ausência de curriculum) e oportunidade de valorização profissional. Por isso, o Renato deveria ter a consciência da sua condição de privilegiado e das consequentes obrigações que a situação impõe.  

Tenho estima e consideração pelo Renato, por isso e pelas circunstâncias, tenho-lhe poupado, por aqui, alguns deslizes, contando que o rapaz precisa de tempo para crescer e ser aquilo que legitimamente ambiciona: Político. Mas convinha que tivesse a noção que o trajecto para objectivos ambiciosos não é rectilíneo.

18 de janeiro de 2016

Os obstáculos contornam-se

A propósito das obras no Barco, um amigo de Leira que regularmente vai passar o fim-de-semana ao norte do distrito perguntava-me se Pombal tinha aderido tardiamente há moda das rotundas e das lombas na estrada (tipo obstáculos). Não percebia por que é que a câmara tinha colocado cinco lombas enormes, em quinhentos metros de via,  num local onde nunca tinha visto pessoas a atravessar a estrada. Coisas estranhas, disse-lhe eu, sem resposta!

Mas quando os obstáculos são mesmo obstáculo as pessoas procuram alternativas. É o que começa a acontecer no Barco: se é difícil circular pela via principal, circula-se pela secundária (sem lombas). 

14 de janeiro de 2016

Centro de saúde de Pombal

Quarta feira, dia 13-01-2016, o tempo de espera para consulta era superior a 1 hora. Nalguns casos os atrasos eram de cerca de 2h15.
As justificações do lado do Centro de Saúde são “a falta de sistema”, o pouco tempo fixado para as consultas e os pacientes que contam toda a “história da sua vida”. Do lado dos pacientes, as justificações são os atrasos dos médicos na entrada ao serviço e os médicos que gostam de dar a conhecer aos pacientes todo o seu “curriculum vitae”. Ainda do lado dos pacientes, era dito que estes, depois procederem à marcação das consultas com vários dias de antecedência, se não procederem depois à inscrição na data marcada antes da hora marcada, ficarão para último lugar ou terão de voltar noutro dia.

Urge organizar todos os serviços públicos, de forma a dar-lhes uma imagem de eficiência e de forma que os utentes não sofram prejuízos na produtividade ou nos rendimentos do trabalho nem desesperem na espera. Resta esperar pela entrada em funcionamento do novo edifício e pela intervenção da política socialista, para a qual habitualmente tudo se resolve sempre e só com mais dinheiro dos outros…

13 de janeiro de 2016

Notícias da Etap (que há muito tempo não tínhamos)

                                                             Foto: Pombal Jornal
O título apareceu-me na minha timeline como um murro no estômago -  a metáfora que usamos em jornalismo para explicar como é que se prende um leitor logo à partida. E então fui ler a notícia, que na edição online do Pombal Jornal é acompanhada daquela foto soberba, ao estilo retrato de família, em que o número de alunos em causa está quase igual aos que fazem número como figurantes na fotografia. O presidente, o director e os discípulos dele são cinco, os alunos seis.
Ficamos então a saber que há seis alunos da ETAP que vão estagiar a França (em empresas locais, imaginamos nós) o que (estranhamente) acontece pela primeira vez em 25 anos. Quero acreditar que estes desenvolvimentos se devem à entrada [no capital da escola] daquele vasto naipe de empresas, que foi notícia no verão passado, pois que muitas estão a deslocalizar a sua mão-de-obra para fora, ainda que não propriamente para Bordéus. Mas essa é a parte boa da notícia. O lado mau é este provincianismo confrangedor que exibe a "mercadoria" agora "exportada", levando-nos a concluir que já não falta muito para que a notícia passe a ser qualquer coisa como o cão que mordeu o homem, em vez do homem que mordeu o cão. Nessa linha, fazia todo o sentido que também tivesse sido noticiado o jantar da Natal da escola, que aconteceu pela primeira vez em 25 anos. A não ser que, pelo número reduzido de presenças, não se justificasse a fotografia.

9 de janeiro de 2016

Sinais de trânsito em cima de outros



Um sinal de trânsito a indicar a passagem para peões colocado de forma a tapar um semáforo, junto ao jardim do Cardal, é um exemplo da sinalização de trânsito vertical confusa da cidade de Pombal que não foi corrigida na última alteração da organização do trânsito.
No caso em apreço, os condutores que circulam do Largo do Cardal para a Avª Heróis do Ultramar terão de avançar sobre a referida passadeira para lograrem ver o sinal luminoso quando está em vermelho.
Já aqui tratámos anteriormente o excesso de sinais de trânsito na Avenida do Continente. Resta-nos esperar que o trânsito seja organizado de forma articulada por toda a cidade e não apenas com sucessivas “aparências”…

8 de janeiro de 2016

Um “caso” dos trabalhos

Que os vereadores da CMP não servem para (quase) nada, já o sabíamos. Mas que nem para figurantes sirvam, é demais. A culpa não será deles.
Vem isto a propósito do encravado Acordo Colectivo de Trabalho da CMP, mas não só. O normal (numa organização funcional) era que as negociações com o sindicato e/ou comissão de trabalhadores fossem conduzidas pela vereadora com o pelouro dos recursos humanos (e técnicos da sua equipa) e fechadas pelo presidente. Mas não foi nada disso que aconteceu. Por cá, o acordo foi negociado e fechado, unicamente, pelo presidente e anunciado por este no jantar de Natal.
Decididamente, em Pombal ocidental, nem tudo é normal (como costuma dizer a Paula Sofia). E em matérias laborais (e não só), ainda é mais assim: a CMP é a única(?), no distrito, onde não aplica o regime das 35 horas semanais*, o que tem provocado grande insatisfação nos funcionários, que nem os prémios ridículos distribuídos no jantar de Natal suavizaram, antes pelo contrário.
Mas mais grave do que tudo isto é o presidente da camara faltar/adiar duas vezes a cerimónia de assinatura do acordo. Porquê? Com que propósitos?
Uma coisa é a existência do mal, outra a razão dessa existência. A existência do mal não pode ser negada, mas a maldade da existência do mal não pode ser aceite.
* Informação não (totalmente) confirmada

7 de janeiro de 2016

A perna maior que o passo: falta-nos uma sala de espectáculos

*fotos maravilhosas para ver aqui

O bailado "Quebra-Nozes" - que o coreógrafo Árvaro Ribeiro (bailarino brasileiro radicado em Aveiro) e a professora de dança Kelly Lisboa levaram ao palco do Teatro-Cine, encheu as medidas de quem o viu. Literalmente. O espectáculo esgotou rapidamente as duas sessões de domingo, 3 de Janeiro - e isso colocou a nu, outra vez, a necessidade de uma sala de espectáculos maior para Pombal. Espero que Diogo Mateus deixe essa marca. Na verdade, a cidade está cheia de salas e salinhas, mas falta-lhe uma sala de espectáculos maior, como já se provou várias vezes.
No domingo estavam em palco cerca de 70 bailarinos, na maioria crianças e adolescentes, que na certa se fazem sempre acompanhar de (pelo menos) os pais. Ora, se a sala tem capacidade para 294 pessoas, está bom de ver que, se todos quisessem levar ao espectáculo alguns familiares ou amigos, não restariam bilhetes disponíveis para mais ninguém. Juntemos ainda ao naipe a banda filarmónica de Vermoil - que abrilhantou os momentos antes do espectáculo com uma suite do Quebra-Nozes, e facilmente se percebe por que razão ainda foram colocadas umas cadeiras na sala, cá atrás. Tudo esgotado, portanto.
Já tivemos momentos em que a Câmara deu o passo maior que a perna. Neste caso, assistimos ao inverso.

2 de janeiro de 2016

Migrantes e refugiados

A guerra, a violência, a perseguição, a falta de liberdade e a pobreza, isolada ou conjuntamente, fazem fugir ou migrar os povos das suas casas e das suas terras para outros locais.
Quando as culturas e os valores de origem são diferentes dos do destino, ocorrem choques e tensões entre os povos refugiados ou migrantes e os povos dos locais de acolhimento, o que dificulta a integração. As soluções são defendidas e tratadas pelos vários membros das sociedades de acolhimento em função das suas motivações económicas, sociais, políticas e religiosas, de várias formas e sempre sem posições claras e inteligíveis.
Há os que recusam receber os que chegam, por falta de solidariedade ou por temerem a violência e temerem perder ou ver limitadas a sua identidade cultural e a sua liberdade em face da cultura dos que chegam, os que defendem o apoio com condições, por pretenderem manter a sua organização político social sem importar a violência, e os que defendem o apoio sem condições, por pretenderem disso retirar dividendos políticos ou económicos.
A solidariedade, enquanto componente social do humanismo, é uma das pedras base da construção da sociedade moderna ocidental, mas também o é a liberdade, enquanto primeira pedra. O apoio (a solidariedade) aos refugiados não pode ser negado, mas também não deve deixar-se de exigir o comprometimento e o respeito pela liberdade, pelos valores e pelas leis de acolhimento.

Depois de muito se falar emotiva ou demagogicamente sobre refugiados, é tempo de ponderação na busca de respostas adequadas às crescentes migrações.

Os candidatos presidenciais e os debates televisivos

Pouquíssimos eleitores ouvirão os debates televisivos. Porquê? Porque, no geral, os candidatos não têm nada de interesse para dizer. Um deles já os abandonou. Fez bem: poupo-nos o frete e aproveita o tempo para pensar nos “números”.
Cândido Ferreira – Não diz nada com interesse, mas gosta de fazer “uns números”. Já fez dois. Quantos (mais) fará? A acompanhar. Suscita essa curiosidade.
- Vitorino Silva (Tino das Rans) – Desde que se fez figura mediática tem que continuar a aparecer. Estar na televisão é o seu Olimpo.
- Edgar Silva – Tem que estar na televisão para cumprir o ritual à risca. Não a adianta nem a atrasa. Nem padre, nem candidato. Um erro de “casting”.
- Henrique Neto – Vai para televisão convencidíssimo que tem coisas para dizer que ainda ninguém disse. Incha com a televisão. Pode rebentar lá! É melhor, não.
- Paulo de Morais – é o padre da Corrupção. Prega-a onde haja uma criatura que esteja disposto a ouvi-lo. Na TV sente-se um pregador. Mas toda a pregação monocórdica cansa.
- José Sequeira – Acha-se engraçado (e tem as suas razões). Deslumbra-se com as câmaras.  Mas pode tirar algum proveito delas.
- Marisa Matias – Tem voz e presença. Tinha tudo para passar bem na TV, mas não conhece verdadeiramente o papel que representa. Um desperdício.
- Maria de Belém – Gosta da TV (porque gosta de aparecer). De entrada, aquela imagem rende, mas o “soufflé” deslaça-se facilmente. Ainda não se percebeu quem acredita menos: ela ou os apoiantes?
    - Sampaio da Nóvoa – Não gosta das câmaras mas sabe que precisa delas. Torna-o tão evidente que a coisa não pode dar bom resultado. Já se percebeu quem acredita menos: os apoiantes.
    - Marcelo de Sousa – É um peixe de águas profundas. Na televisão está no seu habitat. Se pudesse não saia de lá. Porque quer ir para presidente? Vai sentir tanto tédio – logo, vai fazer asneiras. Tenham pena dele.

1 de janeiro de 2016

Cidade viva e cidade adormecida

Quando se dava a transição para o Ano Novo, Pombal era uma cidade deserta, adormecida num sono profundo de esquecimento do tempo. Aqui ao lado, em Leiria (e também na Figueira da Foz), uma cidade em peso – novos, velhos, crianças, famílias inteiras (pombalenses, também) - saía à rua, confraternizava, divertia-se, partilhava afectos.
Mandeville, um dos percursores do pensamento liberal nos inícios de séc. XVIII, foi o primeiro filósofo-político a perceber que os vícios são fontes de riquezas, de melhorias, de tudo o que torna a vida mais confortável e agradável porque impulsionam a vida humana e, por meio da interacção humana, a sociedade. As suas teses geraram muito escândalo e foram o alvo proferido dos moralistas da época. Mandeville pode ser considerado  um visionário da actual sociedade de consumo e do prazer porque defendeu que a frugalidade deveria ser incentivada.
A indústria da diversão é actualmente uma das mais importantes: a de maior crescimento e a que mais contribui para a realização humana (excepto para os cristãos). Os políticos que ignoram isto estão desfasados no tempo ou tem uma agenda de retrocesso civilizacional.
Actualmente, as principais cidades europeias têm uma agenda de animação contínua. Lisboa é um bom exemplo - recuperou em pouco tempo o tempo de atraso.

Por cá compromete-se o presente em busca da salvação prometida.