13 de maio de 2016

A carta da JSD que alerta para "uma guerra fraticida"

                                  Seminário "Pombal 2030", organizado pela JSD. Tudo corria bem, até certo momento...


Quando a comissão política se sentar esta sexta-feira 13 na sede da rua Dr. Luís Torres, para debater uma extensa ordem de trabalhos, há um ponto a sobrepor-se a todos: "análise da situação política". Ao contrário do era previsto por Narciso Mota - que preside à mesa da Assembleia Geral - nas declarações à imprensa, a actividade partidária fica-se por aqui, e não haverá plenário de militantes, o tal em que o ex-candidato-futuro presidente da Câmara iria anunciar oficialmente a sua candidatura. E não haverá porquê? É uma espécie de quarto segredo de Fátima. Terá sido Narciso que se esqueceu de o convocar? Seria esse um trabalho para a secretária ou para o vice-presidente da Mesa? Não se sabe ainda a resposta, mas também já pouco importa, numa altura em que Narciso aproveitou o seminário "Pombal 2030" organizado pela JSD para fazer publicamente o anúncio.
O mal-estar instalou-se na família laranja de imediato. Até então, ainda havia esperança que Narciso recusasse. Paradoxalmente, foi a JSD quem melhor fez a leitura dos acontecimentos, como o mostra uma carta enviada pelo presidente, João Antunes dos Santos. Está bem escrita e é muito clara:

"Estando o Eng. Narciso Mota presente, sentiu-se naturalmente provocado e acabou por anunciar que iria ser candidato à Câmara Municipal de Pombal, nas próximas eleições autárquicas. Era desnecessária a provocação despropositada que levou a este desfecho, pelo que lamento profundamente a atitude de ambos! (...) Lamento que em vez de se colocar água na fervura, se coloque combustível. E lamento que não estejamos todos a pensar no melhor para o partido e para as próximas eleições. Numa altura em que temos o partido mais activo do que nunca é triste que se esteja disposto a deitar tudo a perder. É triste que quando dezenas de pessoas se mobilizam por todo o concelho para defender o PSD, contribuindo ainda mais para a sua implementação no concelho, haja quem contribua exactamente para o contrário".

O jovem advogado percebeu como poucos o que está em causa, lamentando que os protagonistas tenham usado uma iniciativa daquelas "para declarar aberta uma guerra que será fraticida". E por isso, na mesma carta, diz esperar "que na próxima reunião do partido se debata frontalmente este assunto". Há-de ser logo à noite, numa reunião que contará com as ilustres presenças de: Pedro Pimpão, Diogo Mateus, José Gomes Fernandes, Mário Santos, Pedro Brilhante, Guilherme Domingues, Ana Gonçalves, Ana Cabral, Andreia Marques, Edite Pascoal, Manuel António, Nelson Pereira, Sofia Amado, Célio Dias, Felismino Neves, Fernando Silva, Adelina Gomes e Leontino Ribeiro. Duzia e meia de cérebros para pensar como é que sai deste imbróglio. E Narciso de fora (da discussão, entenda-se).

12 de maio de 2016

Pedro e o lobo, a fábula que encanta Pombal

Está ao rubro o ambiente nos bastidores do PSD local, especialmente desde sábado, quando Diogo esticou mais um bocadinho da corda em que vai puxar por Narciso Mota, nos próximos tempos. A "brincadeira" fez estragos consideráveis internamente, e levou mesmo o líder da JSD a escrever a escrever uma carta (fica para outro post) que fez chegar por e-mail a todos os membros dos diversos órgãos do partido.
De maneira que cresce entre os admiradores do estilo e da forma de Pedro Pimpão uma vontade férrea de o ver avançar, personificando a terceira via. É verdade que corremos o risco de ver reproduzir-se em Pombal a história de Pedro e o lobo: quando um dia for a sério, já ninguém acredita.
Ainda assim, parece-me cedo para tamanho risco. O Pedro está em forma e não é só por causa das corridas. Quem o viu ontem, na comissão de Educação, Cultura, Desporto e Juventude - com direito a uns minutos da sua brilhante intervenção nos noticiários da TV - percebeu logo que anda bem assessorado.


11 de maio de 2016

Onde pára a Feira do Livro?



Ao fim de 21 edições a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Pombal decidiu (ou alguém decidiu por ela) que era tempo de acabar com a Feira do Livro. Talvez por fruto da sua extensa formação na área da mercadologia, Ana Gonçalves concluiu que o evento não interessava aos consumidores. 

Todos sabemos que as feiras do livro já conheceram melhores dias. Nos últimos anos, os certames realizados fora dos grandes centros têm apostado na literatura infanto-juvenil que - por muito que alguns pensem o contrário - é a única faixa etária que tem vindo a aumentar o número de leitores. Mas como os jovens não votam, não foram incluídos nos doutos estudos da Srª vereadora. 

Mesmo não tendo grandes expectativas quanto ao interesse da vereação laranja pelas coisas da cultura (acham mais piada brincar ao carnaval disfarçados de Marquês de Pombal), atrevo-me a dar um conselho: porque não entregam a organização do evento a quem sabe do assunto? Não faltam exemplos no país de iniciativas de sucesso em que o livro é protagonista. Mas, para isso, é necessário que os promotores tenham imaginação e acreditem genuinamente no que estão a fazer. 

Numa altura em que a Junta de Freguesia de Pombal, em boa hora, voltou a lembrar a figura de António Serrano, custa ver o desprezo com que a Câmara trata a literatura. 

PS: Muitos parabéns ao Nuno Gabriel e restantes premiados na edição deste ano do Prémio Literário António Serrano.

10 de maio de 2016

A ilusão de Ícaro (e de D. Diogo)

A divulgação, pelo Farpas, da (re)candidatura de Narciso Mota à CMP, e a imediata confirmação pelo próprio, desencadeou um terramoto político em Pombal (e não só).
Admitindo, como plausível, que Narciso Mota sempre teve o desejo de regressar aonde foi feliz, o que o conduziu à concretização do desejo foi a imprudência do príncipe: cometeu muitos erros, gerou muito odioso, a maior parte das vezes sem necessidade, o que criou as condições para o regresso. Bem pode o príncipe arguir traição política, fazer-se de vítima e apontar cúmplices - é uma propensão natural atribuir infortúnio à malignidade de alguém – mas foi da sua arrogância que o conduziu ao infortúnio. Se o príncipe conhecesse (e tivesse interiorizado) a lenda da ilusão de Ícaro ou se prestasse atenção ao Farpas, tinha evitado muito desgosto e a queda em desgraça. Bem sabemos que é pedir muito: o príncipe é incapaz de corrigir a sua natureza e jamais leria o Farpas. Erro seu e virtude de seu pai (político) - Narciso Mota – que não o sabia ler, mas lia-o, religiosamente.
O príncipe deslumbrou-se com o poder “absoluto”, cometeu a ilusão de Ícaro. Diz a lenda que Ícaro morreu no Mar Egeu (ou Mar Icário) vítima de sua arrogância. Seu pai, Dédalo, era um exímio artesão. Condenado por sabotar a obra do rei Minos (que capturou o Minotauro), Dédalo criou uma incrível trama para escapar da prisão: criou um par de asas para ele e seu filho. Depois de fixar as asas com cera, prepararam-se para fugir. Dédalo alertou Ícaro para não voar muito perto do sol. Mas, encantado com sua capacidade mágica de voar, Ícaro desobedeceu ao pai e voou alto demais. Todos sabemos o que aconteceu: a cera derreteu e Ícaro, o filho adorado, perdeu suas asas, caiu no mar e morreu.

O príncipe ainda não morreu, mas caminha a passos largos para tal desgraça. Que se tenha deslumbrado com a herança de um reino rico e obediente, percebe-se. Mas já não se percebe a forma como tem reagido ao assalto do pai: as precipitações, os tiros nos pés – tudo feito ao contrário. Quando a fragilidade da compreensão e a perversidade de vontade colaboram mutuamente, o caminho para o desastre fica traçado. Ou será que o príncipe já deu o trono como perdido?

6 de maio de 2016

"Eu é que escolho". E quem é que paga?


No princípio do verão de 1987, o meu pai chegou a casa com uma indicação de agenda, para uma tarde na Associação da Moita do Boi. Constava que deixaria de haver transporte para a Guia, a escola transformada em C+S depois do 25 de Abril, antigo externato privado. Além disso estava a nascer no Louriçal "um colégio novo" - que oferecia transporte, claro - e um dos sócios dispusera-se a explicar, detalhadamente a cada família, o projecto no seu todo. Lá fomos. Nunca me esquecerei da imagem de António Calvete, à época rapaz de sub-30, camisa e calça de ganga, sapatilhas, óculos redondos e olhar certeiro. Estava sentado sozinho, numa mesa ao cimo daquele salão de baile. Falava pausadamente, discurso estudado e fluente, abusava da bengala de linguagem "no fundo", e no fundo eu sabia que de pouco adiantava dizer ao meu pai que não queria estudar no Louriçal, que ninguém queria passar os dias na vila, que vivia há anos na sombra do foral manuelino e do convento, mais o mercado ao domingo. Estava escrito nas estrelas, e lá fui, meses depois, para o primeiro 9º ano da vida do Instituto D. João V: 300 pessoas ao todo, entre alunos, funcionários e professores. 50 professores. A nata da nata que havia em Pombal e Figueira da Foz.
Naqueles primeiros tempos  da escola fomos todos muito felizes. A vila ganhou uma vida que não tinha, a comunidade assistiu a uma explosão cultural que nunca conhecera. Era a feira medieval, eram as semanas culturais, os desfiles de carnaval, as marchas populares, o concurso dos vestidos de chita e mais tarde os festivais da canção. Funcionávamos como uma grande família, que à hora de almoço se reunia na  cantina para comer uma sopa - que a D. São fazia em casa, ali a poucos metros, e trazia à cabeça, dentro da panela. Pouco tempo depois, já ninguém tinha saudades da Guia, ou do Paião, de Pombal ou da Figueira. Estava criado um ecossistema de afectos, que haveria de nos ligar para sempre, a muitos de nós. Muito do que sou devo-o ao Instituto D. João V e não me esqueço disso: quando escolhi a variante de jornalismo/turismo da área que se chamava Humanísticas, a escola fê-lo para quatro alunas. Outra de nós enveredou pelas Clássicas; a escola mandava vir uma professora exclusivamente para lhe dar aulas de grego, uma vez por semana. Um luxo suportado pelo ensino particular e cooperativo, com dinheiro público. Mas isso eu só haveria de perceber mais tarde. Logo aos primeiros anos estava lançada a fama da escola, de tal modo que, de repente, transferiam-se para o Louriçal não as moças mais lindas do bairro operário, mas as meninas da cidade, que descobriam na vila um sítio muito melhor do que Pombal para estudar. Não tardou muito para se multiplicarem as salas e as turmas. Ao mesmo tempo, o IDJV transformava-se num organizador de eventos ímpar. Já a fama da escola estava cimentada quando demos corpo a uma marcha popular: o João Portulez ensaiou, o Daniel Abrunheiro fez a letra, a banda da Sociedade Filarmónica Louriçalense acompanhou, e lá fomos, Louriçal abaixo, escola acima, a marchar, alunos e professores, o povo a aplaudir. Antes, porém, o Dr. Calvete reuniu os marchantes, no final de um ensaio. Tratava-se de convencer a todos e a cada um comprar uma t-shirt com a marca da escola, coisa para custar mil escudos, pois que vestir a camisola deveria ser um orgulho. Aquilo não me soou bem. Cá atrás, levantei o dedo e disse-lhe o que pensava: não me parecia normal passarmos semanas ali, depois das aulas, nos necessários ensaios, dar tempo e trabalho a uma iniciativa da escola, e ainda pagar por isso. Instalou-se a confusão e acabámos por marchar de camisa branca, cada um com a que tinha. Foi uma grande festa, aquela, dos santos populares de 1991: marchas populares, um arraial na escola, um desfile de vestidos de chita, um baile abrilhantado pelo conjunto musical "Carapaus de Prata", a prata da casa. Aquele era "o elenco do Instituto", como dizia o patrão dos colégios. Em troca, sorrisos, tiras de presunto e queijo, e um caldo-verde.
Naquele tempo nasciam empresas por toda a parte, Portugal já estava na CEE de corpo e alma, havia dinheiro fresco e abundante. Apareceram os cursos de formação financiada, um novo filão para as escolas como aquela. Nesse jogo da sorte lembro-me do canalizador lá da minha aldeia que se fez professor, assim, à medida dos montantes. Nunca mais soube do que acontecera à escola da Guia, nem às outras. O meu mundo era aquele, e aos 16 ou 17 anos ninguém pensa muito nos modelos de financiamento, contratos de associação e outros demónios. 
A escola trouxe gente, a gente precisava de morar ali perto - especialmente os professores. E então nasceram prédios e moradias à medida dessas necessidades. O Louriçal cresceu à sombra do Instituto, e o Instituto ganhou tentáculos noutras áreas de negócio. Era assim o mundo nos anos 90, quando as famílias tinham emprego, trabalho certo e esperança no futuro. Com a garantia de transporte de Pombal para a vila (a que Narciso Mota resistiu o quanto pode, coadjuvado de forma veemente por Diogo Mateus, que nessa altura era crítico do 'sponsor' do PS, António Calvete, como lhe chamava), disparou o número de alunos. Tinham a modalidade de natação nas aulas de educação física, um pavilhão gimnodesportivo para a prática de outras modalidades. Era o tempo do desporto escolar transformado em jogo profissional, equipas na primeira divisão nacional. 
Mas o mundo mudou. E no IDJV as mudanças sentiram-se cedo, aos primeiros sinais de recuo financeiro. Acabou-se o basquetebol, o futsal, fechou-se a piscina. Os professores foram dos primeiros a perceber que o tempo era outro, especialmente os casais que se viram no desemprego, com casas para pagar, no mesmo Louriçal para onde se haviam mudado. Nos últimos quatro anos dezenas de professores foram convidados a sair do grupo GPS (que entretanto agrupou vários colégios dos empresários Calvete e Madama). Conheço vários que não voltaram a trabalhar na área, ou que oscilam entre uma ou outra substituição nas escolas públicas. Não são eles que escolhem. Nem os filhos deles.

Na freguesia do Louriçal (como em Albergaria dos Doze, Redinha ou Meirinhas) o milagre não se fez sentir: a natalidade caiu, a emigração aumentou, fecharam empresas, encerraram muitas escolas do ensino básico. Quando passo na aldeia da minha avó, custa-me ver a escola primária de Antões transformada numa sede de rancho folclórico. É melhor do que estar fechada, ao abandono? Claro que sim. Mas lá na terra toda a gente preferia ver o recreio cheio de corridas, macacas e jogo da apanhada. Eu também. No mundo ideal, o Estado não se limitava a pagar aos privados (muito e bem) para o substituírem quando fosse preciso, mas dar-se-ia ao luxo de lhes pagar sempre, independentemente do número de alunos; os negócios seriam um dado adquirido para todo o sempre, sem prazo. Num mundo melhor, não teriam encerrado centenas de jornais neste país, nos últimos anos, nem outras empresas. A pobreza não teria disparado para níveis que doem.
Ora acontece que a realidade é uma desmancha-prazeres, e tem vindo a esvaziar escolas públicas sucessivamente, aquelas que todos pagamos - e onde, apesar dos pesares, se mantêm professores de excelência. A manta é curta. E chegámos aqui, ao momento em que um governo de esquerda teve a coragem de fazer o que tinha de ser feito, para minimizar os estragos. Como bem escreveu Mariana Mortágua, " O Estado tem obrigação de ter uma boa rede de ensino público, universal e gratuito. Tem obrigação de, quando essa rede não existe, pagar aos privados para que o façam. MAS não tem obrigação de financiar privados quando há uma escola pública, vazia, ao lado. E isto não é acabar com a liberdade de escolher privado. Quem quiser pode fazê-lo. Não nos podemos meter nas escolhas de terceiros, mas também não temos que as pagar!".
Dantes, o presidente da Câmara de Pombal também pensava assim. Mas foi sem surpresa que o vi nas imagens amplamente difundidas pelo IDJV, em manifesta solidariedade para com aquele privado - ele e três vereadores: dois antigos alunos e um antigo professor. 
Aqui por Pombal só não temos a Igreja metida ao barulho, como acontece numa boa parte do ensino privado. 
É isto, afinal: "Como a escolaridade é obrigatória e o nosso Estado é laico, é obrigação do Estado garantir que existe uma escola laica. Um Estado laico não pode obrigar uma família a inscrever as suas crianças em escolas de inspiração católica. A implicação lógica é simples: onde há escola pública, não se deve financiar escolas privadas. A não ser, claro, que o Estado deixe de ser laico, como grande parte da Direita gostaria". 
O que me custa? Que em Pombal seja uma parte da esquerda a alinhar nessa onomatopeia.

Sai uma depilação

O convento de S. António tem funcionado, nos últimos tempos, como um verdadeiro depilador, tal a quantidade de vezes que foi chegada-a-roupa-ao-pelo aos funcionários. Porque o trabalho não foi bem feito ou por sadismo, a câmara resolveu protocolar a conclusão do processo de depilação com as cosméticas locais, assegurando um desconto aos funcionários.

Mas, como a chegada-de-roupa-ao-pelo foi feita a frio, não seria mais conveniente protocolar uns tratamentos de pele? E uma reparação dos neurónios, aos mais sofridos?

5 de maio de 2016

Síndrome do unanimismo

O PS local sofre da síndrome do unanimismo – uma espécie de raquitismo político, que os protege – no seu fraco entender - dos perigos. A doença é antiga, mas agravou-se nos últimos tempos - tornou-se crónica.
Quando fiz parte da AM - no mandato 2005-2009 – a doença já se manifestava. O cabeça de lista da altura – Jorge Silva (o mesmo deste mandato) – chegou a defender que deveríamos abandonar a AM, porque, dizia ele, o presidente não respondia às nossas questões e a bancada da maioria nunca aceitava as nossas propostas. Expliquei-lhe na altura - sem o convencer - que a eficácia da nossa acção politica não estava dependente das respostas do presidente ou do apoio da bancada da maioria, mas da pertinência das nossas questões, da qualidade dos nossos argumentos e da diferenciação das nossas propostas.
Agora a situação piorou – ou melhorou, depende da perspetiva. O PS (também) faz questões e o presidente actual responde as todas. Mas as questões são “deixas” - tal como as da bancada da maioria - para o presidente brilhar.
Na última AM o CDS e PSD apresentaram moções de defesa (e reforço) do ensino privado. E o que fez o PS? Aprovou-as, com a abstenção envergonhada de três membros da bancada.
A não renovação dos contratos de associação com os colégios privados, nos locais onde o Estado tem oferta educativa, é uma medida com toda a racionalidade económica, nomeadamente quando o Estado não tem dinheiro. Logo, só por esta razão, deveria ser apoiada por todos os partidos. Mas um socialista deveria saber que se trata de uma medida ideologicamente emblemática deste governo. Votar contra ela é uma enorme quebra de solidariedade política com o frágil governo do PS, que devia fazer corar de vergonha um verdadeiro socialista.
A falta de preparação politica ainda se tolera - tal o nível a que já descemos - mas a ausência de consciência política, não.
Oh Jorge, convence lá esse pessoal a abandonar a assembleia municipal. Fazias um belo serviço ao partido.

4 de maio de 2016

O mistério da sala que falta no Centro de Saúde


Desde a apresentação do projecto que médicos e enfermeiros foram alertando para algumas falhas no edifício do novo Centro de Saúde de Pombal, que deverá abrir portas na próxima semana. A coordenadora alertou, os profissionais também, mas chegámos ao fim da obra com o insólito: falta uma sala de enfermagem na Unidade de Saúde de São Martinho. Como é possível tamanha leviandade numa obra que custa milhões, e que deveria ser projectada para o futuro? 
Quando na segunda-feira os responsáveis foram à Câmara para tentar uma solução, nos contentores (onde tem funcionado o Centro de Saúde) os profissionais sabiam que não havia muito por onde remendar. E assim foi: vai fazer-se à pressa uma divisória, para caberem todos. 
Ora aí o pior do planeamento, remendando uma obra mesmo antes de a inaugurar.

3 de maio de 2016

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades - sempre a pensar na carreira

Pedro Pimpão – Líder da Concelhia do PSD – anda atarefadíssimo a tentar, por todos os meios, abafar o tsunami lançado por Narciso Mota, no concelho e no PSD, tentando convencê-lo a não avançar para a câmara, o que vai ser difícil – digo eu.
Mas aquando do processo de destituição de Luís Garcia - baseado numa dessintonia política menor, opinativa, referente a uma área – Saúde – onde o executivo local não tem atribuições e responsabilidades, Pedro Pimpão teve um comportamento bem distinto (para não dizer oposto), bateu-se pela destituição. Na altura, disse e escreveu:
E agora, Pedro, o que dizes e o que fazes? Qual vai ser o teu voto? Vais liderar a destituição de Narciso Mota?
Ficamos à espera. Atentos.

2 de maio de 2016

O reality show da Assembleia Municipal



Este era o segredo mais bem guardado da Câmara Municipal em matéria de entretenimento. A transmissão em directo (agora disponibilizada em gravação no youtube) das sessões da Câmara tem sido qualquer coisa de aborrecido, mas a da Assembleia Municipal superou toda e qualquer eventual decepção que eu pudesse ter. Ainda não percebi se aquilo é uma parceria com a pombaltv, se é uma cedência de meios, se é uma adjudicação directa. Seja o que for, é muito bom. Os concelhos à volta que ponham os olhos nisto...
É o nível das intervenções das diversas bancadas.
É a quantidade de deputados que ali vai receber a senha de presença e picar o ponto, sem abrir a boca.
É o deputado que se incomoda com as questões "bagatelares" da árvore e do buraco da estrada (que mania que o povo tem de se preocupar com coisas menores).
É o presidente da Câmara que demora mais tempo a responder aos deputados do que o total gasto pelos ditos.
É o presidente da mesa da Assembleia que não consegue auto-regular a sua intervenção.
E é a cereja no topo bolo: o secretário da mesa que dá ordens ao presidente.
É do melhor. Ide ver.

Chamem os bombeiros


Ao minuto 47 da gravação da Assembleia Municipal da passada sexta-feira, o presidente da Câmara de Pombal explica com detalhe por que razão não está em vigor no nosso concelho o Plano Municipal de Defesa da Floresta contra Incêndios. Legalista militante, Diogo Mateus coloca nas mãos da Justiça a resolução de um processo kafkiano cuja culpa atribui ao Instituto de Conservação da Natureza. Diz o autarca que não é por aí, pois que o Plano Operacional Municipal existe - e é esse "que disponibiliza o conjunto de meios que estão prontos a fazer intervenção, se forem necessários os mecanismos de prevenção". Fazendo fé nas palavras supremas, está tudo bem. Mas diz a imprensa que os Bombeiros Voluntários de Pombal se debatem com falta de gente, lamento assumido publicamente na última assembleia geral da associação humanitária, aqui há dias. Foi na mesma altura em que os sócios aprovaram as contas - que limpam a imagem da casa um ano depois da tempestade directiva. Sabe-se que esta direcção da AHBVP tem funcionado ao estilo "Tide lava mais branco", implacável no alcance dos resultados, entretanto afixados no placard das secções. Tudo está bem quando acaba bem. 
Ora acontece que, apesar da proximidade a Fátima, os milagres não se verificam num instalar de dedos. Como não se pode ter sol na eira e chuva no nabal, são compreensíveis os receios manifestados pelo presidente da assembleia geral, José Manuel Carrilho, que já dirigiu com mestria a associação e sabe do que fala. Sem ovos ainda não se fazem omoletes: sem voluntários não há corpo de bombeiros. Sucedem-se os cursos e também o número dos que nem sequer terminam as formações; os incentivos e regalias foram sendo sucessivamente dizimados, e por isso ser bombeiro é hoje mais penoso do que aliciante para qualquer voluntário. Posto isto, o melhor é aproveitar as peregrinações de Maio para rezar e pedir protecção divina para a floresta. Ou então mudar a agulha na estratégia organizacional, onde tantas vezes o essencial é invisível aos olhos. 
Se perguntarem aos bombeiros, rapidamente percebem que isto não vai lá com trail's.

28 de abril de 2016

Fazem com Narciso Mota o que fizeram com Luís Garcia?

Em 2008, Luís Garcia era presidente da AM e Administrador do Hospital de Pombal, Narciso Mota era presidente da CMP e Diogo Mateus seu vice-presidente. Nesse ano, Luís Garcia afirmou à imprensa "nunca ter visto na agenda política da Câmara a vontade verdadeira de resolver a situação do novo Centro de Saúde". Dias depois, no decorrer de uma assembleia municipal, na sequência da decisão do presidente da AM de cortar a palavra ao presidente da câmara, por reiterado abuso de tempo; Diogo Mateus, num aparte, não anuído, usou da palavra para acusar Luís Garcia de ter quebrado a solidariedade política na assembleia, tal como já o tinha feito quando prestou declarações à imprensa a propósito da política de saúde e do centro de saúde. Diogo Mateus - apesar de não ser presidente da câmara nem do partido - aproveitou a oportunidade para, de forma inoportuna, censurar publicamente Luís Garcia, retirar-lhe a confiança política e, desta forma, desencadear o processo destituição do presidente da AM, conduzido pelo líder da bancada e da concelhia do PSD. O desfecho do processo é conhecido e deixou as suas marcas e as suas vítimas. 
 Agora, Diogo Mateus é presidente da câmara e Narciso Mota é presidente da AM. E é Narciso Mota que, a meio do mandato autárquico, anuncia a sua candidatura a presidente da câmara, justificando-a com o mau desempenho político de Diogo Mateus, consubstanciado no forte descontentamento popular. Com estes actores políticos e neste contexto de guerra declarada, uma pergunta se impõe: Diogo Mateus tem “tomates” para destituir Narciso Mota da presidência da AM, como o fez, por motivos insignificantes, com Luís Garcia? A coerência deveria impô-lo. Até porque, agora, o “pecado” é incomensuravelmente mais grave. Mas, terá “tomates”?  

27 de abril de 2016

Liberdade de Imprensa

Falta pouco para o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que se assinala a 3 de Maio. A propósito dos jornais que amanhã estão nas bancas, ocorre-me a célebre frase de Orson Welles:

"Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. 
Todo o resto é publicidade".

26 de abril de 2016

História de um golpe anunciado (I)

No passado fim-de-semana, Pombal comemorou o golpe militar de 74, com as cerimónias oficiais centradas nos “Rapazes dos Tanques”. Premonitório: nas conversas informais só se comentava o golpe desferido por Narciso Mota contra o seu sucessor.
É discutível o modo e o momento escolhido por Narciso Mota para tornar público o assalto ao poder, mas respeita os princípios básicos da arte da guerra: ataque de surpresa, quando o adversário não está preparado ou está enfraquecido. Pode ter sido uma simples coincidência, mas o certo é que Narciso Mota apanhou o príncipe coxo, com a mobilidade fortemente limitada, amparado em muletas.
Independentemente das circunstâncias do ataque, o príncipe é mais réu do que vítima: tem sido demasiado incauto, semeou demasiado odioso nos seus súbditos quando estes ainda não tinham feito o corte com o anterior soberano e ausentou-se do território para ir gozar férias na neve (gosta de feriar regularmente) quando a rebelião já estava em marcha - como por aqui avisámos. Maquiavel ensinou que “contra a inimizade de um povo um príncipe jamais pode estar garantido”. O príncipe está vulnerável, corre sérios riscos de perder, sem honra, o reino rico e até há pouco tempo pacificado que lhe foi legado.

É agora chegado o momento de o príncipe mostrar a sua têmpera: se nasceu para ser Príncipe ou se príncipe foi.

25 de abril de 2016

Quem mais ordena


Não tenho simpatia pela figura do Marquês, mas acho desde o início que o projecto da Associação Artística Marquês de Pombal tem tudo para ser diferenciador. Via-os, por exemplo, na organização do "Maio, mês do Marquês", não apenas o quinteto a tocar, mas a colocarem em prática toda a vasta actividade que está nos estatutos da associação. Mas colocar o quinteto (vestido a rigor) no Café Concerto, em plena comemoração do 25 de Abril...não lembra ao diabo. Lembrou à Câmara de Pombal, que troca a Grândola pela música barroca.

Oito anos de Farpas

Há oito anos, o Farpas foi criado com o intuito de furar o cerco da asfixia informativa local. Conseguimo-lo. Comemoramo-lo com orgulho, com sentimento da missão cumprida, mas também com a azia da obra inacabada. Naquele longínquo 2008 estávamos longe de imaginar que o mais fácil seria furar o cerco. Hoje sabemos que o mais difícil é manter o cerco furado, porque as forças que o querem fechado estão mais fortes, são mais profissionais, e contam com colaboracionistas mais submissos e mais bajuladores.
Por hábito – e, agora, também, por necessidade - as pessoas submetem-se a tudo o que o poder deseja, o que gera um poder arrogante e uma cidadania dormente. Nesta comunhão maldosa, o arrogante encontra-se com o fraco, funcionam como duas faces da mesma moeda, mas não se compreendem.
Às vezes apetece-nos parar, dar a missão por concluída, mas rapidamente percebemos que estamos a meio da cruzada, que parar implicaria o regresso ao ponto de partida, que parar seria sempre uma desistência, uma cobardia. Não podemos dar esse presente aos nossos “inimigos”. E sobretudo: não podemos privar Pombal do contraditório, num tempo em que a oposição se demitiu de funções e a imprensa adormeceu.
Eles não mudam, não podemos mudar.
Cumprir Abril é isto, também.
Viva o Farpas, Viva a Liberdade!

23 de abril de 2016

Narciso é candidato à Câmara (crónica de um divórcio anunciado)



Narciso Mota está pronto para ser candidato à Câmara de Pombal em 2017. A decisão andou a ser pensada nos últimos meses, e fontes próximas do ex-presidente garantem que estava tomada já no sábado passado, quando tomou posse como presidente do plenário do PSD de Pombal, e onde deixou uma frase que muitos entenderam dirigir-se ao sucessor, Diogo Mateus: "quem com ferros mata, com ferros morre".
Nos últimos dias, o autarca - que actualmente preside à Assembleia Municipal de Pombal - tem vindo a estabelecer contactos com diversos apoiantes (no seguimento de um crescente apelo popular ao regresso) sendo claro na mensagem: "se o PSD não me quiser, avanço como independente". A decisão já foi comunicada ao presidente da concelhia, Pedro Pimpão.
A foto do triunvirato era premonitória. Tal como se adivinhava, começa a desenhar-se o tsunami.
Estava escrito nas estrelas, mas não era expectável que fosse tão cedo. 

21 de abril de 2016

Apelo aos beneméritos


Circula há mais de uma semana pelas redes sociais este apelo. Não vi na imprensa local nenhuma notícia sobre o assunto, mas parece-me que esta é daquelas situações que pode servir para o poder político e empresarial exercitar a sua responsabilidade social. A Paula sofre de uma doença degenerativa que há anos lhe vem roubando independência, que nos últimos tempos lhe fez perder até a capacidade de engolir. Gostava de deixar a sua história escrita, e já arranjou quem se disponibiliza a fazê-lo gratuitamente. Mas editar um livro tem custos. Por isso, aqui fica o apelo à boa vontade dos pombalenses beneméritos - que os há. Não é caridade, mas é solidariedade. E pode fazer a diferença.

13 de abril de 2016

Expectativas medievais


Respigo o que aqui escrevi há dois anos, aquando da inauguração das obras de requalificação do Castelo. "Face a uma proposta arrojada e polémica como esta, esperava do município um programa em coerência para o monumento. Um programa que justificasse o investimento efectuado e dignificasse a opção tomada. Provavelmente é isso que está na cabeça de Diogo Mateus e da sua equipa. Mas, se assim for, alguém me consegue explicar como se justifica um Mercado Medieval para o dia da inauguração?"

A insistência nos mercados medievais em Abril, assinalando o aniversário da inauguração da obra, mostra claramente que Diogo Mateus e a sua equipa não partilham a minha opinião. E quem sou eu para os criticar! Os factos até parecem dar-lhes razão. Fazendo fé nas palavras da vereadora Ana Gonçalves, o evento "continua a ser muito acarinhado pelos Pombalenses e pelos turistas nacionais e estrangeiros". 

Pronto, tudo bem... Os mercados medievais até são giros e concordo que, quando se tem uma infraestrutura como a do Castelo, seria uma pena não promover um evento desse cariz. Também sei que os pombalenses acarinham a iniciativa (como, aliás, muitas outras). Mas essa dos "turistas nacionais e estrangeiros" não será um exagero? Olhando para a foto que retirei da página da Câmara, noto que conheço quase metade das pessoas que "invadiram" o Castelo. Só 7 são da minha família! 

11 de abril de 2016

A Publireportagem da TSF

No discurso, a CMP mostra-se preocupada com a Educação (nomeadamente com o insucesso escolar), mas na prática, maltrata a Educação: planeia mal as pólos escolares – não os faz onde há crianças e fá-los onde não as há -, bloqueia o funcionamento do maior agrupamento de escolas do concelho, não disponibiliza recursos humanos indispensáveis ao funcionamento das escolas e não investe nas actividades extra-curriculares - indispensáveis para atenuar desníveis de desenvolvimento das crianças. E nada disto é notícia!
Mas quiseram que o programa EPIS fosse notícia, aqui e além-fronteiras. E a TSF fez o jeito - e fez-se pagar por ele – com uma Publireportagem (uma reportagem paga) sobre a matéria.
Ao que nós chegámos!

10 de abril de 2016

Pombal Contemporâneo

O evento designado (erradamente) Mercado Medieval, organizado, este fim-de-semana, pela CMP, nada tem do longínquo e malfadado tempo medieval. É sim, na parte exposta, uma amostra do Pombal contemporâneo, muito próxima do Pombal tradicional.

Evocar o passado com o presente é desvirtuar o passado e puxar o presente para o passado. Ou não saber o que se quer.

8 de abril de 2016

Sai um Panteão

Os deputados da região têm andado numa azáfama mediática. Na última semana o Pedro sobressaiu com um bom número: conceder ao Mosteiro da Batalha o estatuto de Panteão Nacional. Desta vez, sejamos justos, o nosso deputado foi imaginativo - já estávamos fartos da lengalenga à volta do Aeroporto de Monte-Real e da transformação do IPL em Universidade. Poucos se lembrariam de utilizar o mosteiro para sepultar os famosos cá da terra - Narciso Mota, Lemos Proença, Fernando Costa, por exemplo - mas o Pedro tem este feeling político, adquirido no prolongado estágio na Jota, que lhe permite ver em antecipação aquilo que os outros não enxergam. Hoje, a política faz-se destes números que não requerem grande elaboração ou fundamentação, mas têm uma enorme capacidade de atrair “likes” e daí saltarem rapidamente para as páginas dos jornais e os noticiários das rádios e televisões.
Há muito tempo que a acção política abandonou o terreno do concreto, a busca do “bem comum”, a racionalização das relações sociais, para se centrar no fantasioso, no virtual, no efémero, no megalómano ou até no bizarro. Neste terreno, a aptidão do político consiste em saber quais são as paixões que podem ser despertadas com mais facilidade e que mais benefício mediático pode trazer, no imediato, ao mentor.
A coisa vai avançar? Claro que não. Mas isso pouco importa. O número está feito e capitalizado. Se avançasse, lá teriam as nossas criancinhas de fazer visitas de estudo ao mosteiro para conhecer os grandiosos cá da terra.

O rastreio das crianças

foto: EPIS

Passou ontem na TSF esta reportagem sobre o programa EPIS (da homónima associação de empresários para a inclusão social). Já aqui falei sobre o tema, já disse publicamente aos senhores coordenadores e autarcas o que acho daquilo, da invasão de privacidade expressa naqueles inquéritos.No ano passado a coisa correu mal na cidade. Na EB1, entre a centena e meia de alunos, apenas dez pais acederam ao desafio da autarquia, no resto do concelho a adesão passou pouco dos 60%. Ora, se o programa é assim tão bom, se os resultados são tão espectaculares, fico sempre intrigada com o facto de apenas os municípios de Pombal, Figueira da Foz e Pampilhosa da Serra aderirem ao dito. Há pelo país uns 360 que ainda não descobriram esta pólvora. Outros há que apostam numa política de criação de actividades desportivas e lúdicas, que asseguram a igualdade de oportunidades que a escola pública nem sempre dá. O outro Diogo desta história (director-geral da EPIS), diz que ainda estão à procura "do grande resultado quantitativo e estatiscamente relevante".
Ouvi com toda a atenção aqueles minutos de rádio, gravados há coisa de um mês. Martelam-me na cabeça as palavras "rastrear" e "sinalizar". Parece que a Câmara de Pombal (através da equipa que criou para assegurar o EPIS) já "rastreou 1070 crianças". Diz o presidente que a ideia é chegar "aos que são mais pobres, mais vulneráveis". E depois "trabalhar os jovens e a sua capacitação para o futuro". O conceito é este, e quanto a isso estamos conversados. 
São os princípios que me incomodam, os meios que tão-pouco sabemos se vão justificar os fins. nessa óptica da caridadezinha aplicada à escola, que só tem paralelo no que se anda a passar em alguns estabelecimentos da cidade, onde a percentagem de crianças carenciadas é elevadíssima. Num gesto caridoso,  há pão para "os meninos pobres". E isto é dito assim, a todos.
Ora aí um bom tema para reportagem, para quem ousar fazer "caminho paralelo".

4 de abril de 2016

A Feira da Floresta trazia água no bico

O dinheiro em abundância permite muita extravagância. Mas há limites!
A CMP, depois de desbaratar dinheiro em quintas e edifícios de que não tinha necessidade e que não utiliza, prepara-se para prosseguir na senda dos maus negócios, ou dos bons - depende da parte. Ao Região de Leiria, a vereadora Catarina Silva afirmou: “temos desenvolvido os procedimentos para nos assumirmos como proprietário florestal. Estamos a preparar todos os passos para fazer compra de floresta”Não precisam: eu tenho pouca mas dou-vos alguma e conheço quem vos poderá dar mais. Que não vos falte floresta! 
E deixem lá estar o dinheiro no banco. Talvez apareça alguém com (boas) ideias onde o aplicar.

30 de março de 2016

A perversidade do modelo partidário

As estruturas partidárias são modelos piramidais tradicionais de três níveis: Direcção Nacional, Federações e Concelhias (as secções e os grupos sectoriais - trabalhadores, mulheres, etc. - são irrelevantes para esta análise). O modelo tem dois problemas graves: está desfasado da realidade social e, pior do que isso, induz perversidade.
O modelo de organização em pirâmide visa dois propósitos essenciais: controlo “top down” e estímulo do mérito (sobe quem mostrou capacidade). Nos partidos assegura o controlo, mas desincentiva o mérito.
Na Europa, no pós-guerra, e em Portugal, na pós-revolução, as elites (intelectuais, académicos, artistas, quadros técnicos de topo, etc.) estavam bem representadas nos partidos políticos e influenciavam fortemente a estratégia e a acção política. Actualmente não têm espaço nos partidos, porque não o desejam nem são desejados. As máquinas partidárias são controladas pelos apparatchiks, que fazem da vida partidária a sua razão de vida, gente sem méritos reconhecidos interpares ou na comunidade, sem sucessos políticos ou com derrotas esmagadoras, que subiram no partido pelo designado “trabalho partidário”, que, na prática, se resume à intriga política, ao trade-off de apoios internos e a outros processos obscuros. Consequentemente, os partidos, da base ao topo, deixaram de ter pensamento político estruturado, limitam-se a seguir a agenda mediática. As concelhias nem isso fazem, porque não há agenda mediática local nem a sabem criar. As federações fazem o que sempre fizeram: distribuem “tachos” pelos apparatchiks na máquina do estado (deputados, secretários-estados, chefes de gabinete, assessores, dirigentes de CCDR, Segurança Social, Hospitais, etc). Como existem não têm qualquer utilidade para a comunidade e para os partidos, mas são muito disputadas porque os apparatchiks há muito perceberam que o caminho para chegar ao “pote” é mais curto e mais fácil nas federações do que nas concelhias. Este mecanismo gera perversidade e enfraquece os partidos, nomeadamente nas concelhias - o nível essencial para fazer crescer e fortalecer os partidos. E é por isto que, mesmo nos grandes partidos, as concelhias só mantém actividade regular e significativa onde o partido é poder e o presidente da câmara não se posiciona de costas voltadas para a concelhia.
Mas, para além desta enfermidade endémica, outra praga está a destruir os partidos: as sociedades secretas. Tema a abordar noutra altura.

23 de março de 2016

Diogo Mateus superstar


É um desfile de fotos nunca visto, só comparável com as filas do Portugal Fashion para registar o momento em fotografia, quando se encontra uma figura pública. Para compensar a ausência à última hora, no ano passado, que redundou numa baixa de meses por parte de uma funcionária municipal (a culpa é sempre dos outros, já se sabe), este ano o Município de Pombal fez tudo diferente: não confirmou presença na Feira de Nanterre antecipadamente (razão pela qual não aparecia inicialmente nos cartazes, só mais tarde se juntou o brasão) e em vez de convidar as empresas locais a juntarem-se à iniciativa, decidiu inverter os papéis, e tornou-se na atracção principal: Diogo fez-se acompanhar do chefe de gabinete João Pimpão (quem mais poderia fazer a ponte com o povo, chegar a ele, falar a mesma linguagem?) e durante todo o fim-de-semana posou para a fotografia ao lado de todas as famílias que encontrou, naturais de Pombal. Depois foi só distribuir os Roques, os Costa, os Santos, os Silva, os Dias, os Oliveira, e todos os outros pelos diversos grupos regionalizados do Facebook e mostrar como é que o senhor presidente é popular, no meio dos chouriços de Lamego, das alheiras de Mirandela e, vá lá, das cavacas de Pombal.

Aguardo com expectativa a reportagem que nos há-de trazer o Tuga Magazine, publicação portuguesa a cargo de um rapaz aqui do concelho. Foi graças a ele que pudemos visualizar o vídeo com o discurso do senhor presidente, que a assistência ouviu com a atenção que se vê.  Tenho aqui até um espírito-santo-de-orelha a dizer-me que foi graças à insistência dele que Pombal acabou por ir lá parar.
Então e vamos lá saber: essa viagem, espremida, dá o quê? votos dos familiares dos modelos fotográficos?

22 de março de 2016

Sai mais uma avença para o Teófilo

A CMP adjudicou mais uma avença a Teófilo Santos, de prestação de serviços jurídicos, no valor de 39.810 €, mais IVA. Uma “brilhante” forma de reconhecer os serviços prestados pela dupla Teófilo & Michael António no processo das 35 horas.
A lei das 35 horas semanais aplicava-se a todas as câmaras municipais. Mas a única que perdeu um processo em tribunal, e vai ter que entrar com mais de 100.000 €, é a de Pombal.
É obra! E paga o Zé!

21 de março de 2016

No dia da Poesia

Por mal dar, por mal ter, viram cerradas
Do céu as portas; penam nesta lida
Com mágoas, que não podem ser contadas.

Vês quanto é de vaidade iludida
A ambição, de que os homens a porfiam,
Da fortuna anelando os bens da vida.

A pujança de um povo é grande ou escassa
Segundo o seu querer, que, se escondendo
Qual serpe em erva triunfante passa.

Contra ela o saber vosso não valendo
No seu reino ela tem poder e mando
Como os outros o seu, estão regendo.

Ora no lodo ainda mais tristes somos –
Com voz cortada assim gargarejavam
De palavras somente havendo assomos.

Essa alma, que de orgulho ainda esbraveja,
Avessa ao bem, de raiva possuída,
Deixou em si memoria, que negreja.

Quantos reis, grandes na terrena vida,
Virão, quais cedros, se atascar no lodo,
Fama de si deixando poluída.

Que há povo infindo para o bem avaro!
             Do vadio e genial Dante Alighieri - Divina Comédia

17 de março de 2016

Porque é o príncipe tão incauto?

Maquiavel explicou-nos que “O príncipe vela não pela felicidade do povo, mas pela sua própria”. Mas por cá, nem pela própria - na sua ânsia de se tornar poderoso, tem desbaratado aquilo que a fortuna lhe pôs no regaço: um reino dócil, submisso e rico. Surpreende que alguém que teve todo o tempo para aprender a arte de reinar, tenha, em pouco tempo, perdido tão rapidamente a confiança dos súbditos.
O príncipe tem cometido demasiados erros, e não os tem sabido conter os estragos: armadilhou laços (em vez de os evitar) e caiu neles, desgastou-se em guerras infrutíferas, fez inimigos nos fracos e não cuidou dos poderosos, foi leão quando deveria ser raposa e raposa quando deveria ter sido leão. É da sua natureza!
O processo das 35 horas é um tratado de inabilidade política, que poderia ter feito tropeçar trezentos e tal príncipes, mas onde só o de cá se espalhou.
O príncipe parece ter perdido o norte: procura passar o odioso da decisão inicial para o seu antecessor, ajudando a juntar a matilha de lobos, e, ao mesmo tempo, prossegue a afronta aos súbditos, não cumpre a sentença, pede (hipocritamente) desculpa aos trabalhadores - que há muito atribuíram a culpa da contínua afronta - mas não paga as horas extraordinárias a todos os trabalhadores (todos as fizeram), paga-as somente aos trabalhadores sindicalizados do sindicato que interpôs a acção.

O príncipe padece de dois males: não tem (por opção sua) ministros que o protejam e não tem bons fundamentos. E como disse Maquiavel: “um príncipe que não tem bons fundamentos, necessariamente cairá em ruína”.

15 de março de 2016

Ajudem a câmara, sff

Mesmo fazendo muita obra inútil e outras que não são da sua competência, a CMP (ainda) dispõe de 11,640 milhões de Euros em caixa.

Apelo: ajude a câmara a encontrar destino para o (seu) dinheiro.

Oposição

Vive-se, por aqui, uma paz indolente, uma vida comunitária adormecida com o terço do consenso. É tanto assim que o presidente da câmara pode emitir um Edital onde divulga a aprovação de tudo por unanimidade. 
Toda a unanimidade é burra e nefasta. No céu pode fazer as almas felizes; mas na Terra provoca um enorme tédio e um enorme marasmo.
Procura-se: alguém que faça oposição nesta terra - que questione, que pense diferente, que critique, que tenha ideias, que se bata por elas, etc.

13 de março de 2016

Para memória futura

Sexta-feira, 11 de Março de de 2016.
Passam agora dois anos desde aquele dia em que os poderes instituídos declararam guerra às peças soltas da engrenagem, naquele que se haveria de tornar o mais famoso conselho geral de sempre num agrupamento escolar, por nunca ter sido empossado. Há momentos em que uma pessoa quase se cansa de dar murros em pontas de faca, há que dizê-lo. Mas depois vem a realidade e percebemos que não há alternativa: é isso ou o costume. Contei a história tantas vezes a tanta gente - incluindo aos nossos deputados da nação, eleitos por Leiria, que da esquerda à direita mexeram zero palhas para desbloquear o imbróglio - que me convenci estar a relatar qualquer coisa do imaginário.
Dois anos depois, a senhora directora regional de Educação é a mesma. Mas precisou desses dois anos e - quiçá - de uma mudança de governo para mandar fazer aquilo que devia ter sido feito de imediato: convocar uma assembleia geral de pais, eleger uma mesa eleitoral e uma comissão que elabore um regulamento, com regras claras e definidas, que garanta a qualquer pai/mãe/encarregado de educação a liberdade de encabeçar uma lista, sem estar preso a qualquer associação - por mais real que ela fosse, ou se existisse. O que se espera, agora, é que seja reposta a ordem natural das coisas. 
Dos cerca de três mil encarregados de educação, apenas uns 50 responderam à chamada do Agrupamento, na sexta-feira. É mais fácil destilar queixas no facebook do que sair do sofá e ir à escola, perceber em que mundo vivem os nossos filhos. Mas isso é o que temos, ou talvez seja o que sobrou. Nunca me hei-de esquecer do átrio cheio de pais para votar naquele 17 de janeiro de 2013, de como foram abandonando o local à medida que passavam as horas e aumentava a pressão para não se aceitarem listas "independentes", de "pais iluminados".
O tempo passou. A associação de pais declarou-se inactiva, em comunicado afixado. O vereador da educação da época renunciou ao mandato. Os estudantes que representavam os alunos já deixaram a escola, alguns professores também. O presidente da Câmara cumpriu o prometido: nunca tomou posse, vieram as inspecções. Amarfanhou-se a pessoa do presidente do conselho-geral cessante, obrigou-se a presidente da assembleia geral da associação de pais a demitir-se, numa noite de inverno, no edifício da Câmara. Nos tribunais corre ainda uma acção alusiva a um ilegítimo acto eleitoral, tentado há um ano atrás, noutro espaço municipal - a Biblioteca. Ora, se isto é assim quando a Escola ainda é do Estado, imagine-se o que seria se a municipalização da educação fosse assumida e implementada neste concelho...
O que aconteceu com este processo é o que se passa em todo o lado, habitualmente, neste Pombal: há um controlo implícito, que assegura o funcionamento da máquina, sem peças soltas na engrenagem. Se mais vezes ousássemos agitar essas águas paradas, respirava-se muito melhor. É sabido que isso tem custos, desgasta, cria tantos inimigos como ter opinião. Mas liberta.
Nem eu nem a Odete Alves (as duas mães que o poder não quis no conselho geral) tencionamos candidatar-nos no acto eleitoral que aí vem. Mas vamos ajudar a concluir esse processo e abrir caminho a quem vier. Para memória futura.



7 de março de 2016

Coisa de mulheres, parte II

Minutos depois de publicado este post aqui no Farpas, o cartaz desapareceu do facebook de quem o postara e foi disparada uma mensagem de e-mail "resgatando a mensagem anterior". 
Dias depois, foi massivamente distribuído pela cidade um novo cartaz, já sem o Movimento das Mulheres Social-Democratas na "organização". Não custa nada fazer as coisas bem feitas. Às vezes basta pensar. É claro que - como são as mesmas - as mulheres continuam a ser social-democratas. Mas à mulher de César não basta ser séria...
Adenda: 

A mentira tem perna curta. Ora vejam só como é que a oradora Teresa Morais anuncia a sua vinda a Pombal: 
Está tudo dito. 

6 de março de 2016

A unanimidade, segundo o PSD de Pombal

Pedro Pimpão foi ontem eleito presidente da comissão política do PSD local. Foi-o pela terceira vez, sem oposição. Não se sabe por quantos votos (a comunicação do partido é boa, mas filtra, como é função das agências e/ou dos assessores), apenas que foi por unanimidade. 
Ao olhar para o resultado das eleições e ao mesmo tempo para a lista que compõe a "nova" comissão política, temos aquela estranha sensação de calmaria, típica dos momentos que antecedem um tsunami. E Pedro Pimpão sabe-o bem. Lendo o desabafo que escreveu na sua página oficial de facebook, em fim de noite, percebe-se a escolha das palavras: "(...)o que me assusta dada a enorme responsabilidade que assim recai sobre os meus ombros, mas que está em perfeita consonância com o objectivo de unir o PSD/Pombal.

Agradeço este (excesso) de confiança e prometo que me vou empenhar para não desiludir aqueles que acreditam no nosso trabalho, assim como, tudo farei para que os Pombalenses se revejam cada vez mais nos nossos projectos, ideias e candidatos que devem ter como principal objectivo Afirmar Pombal!"
Ora acontece que 2017 é já para o ano. E a comissão política que vai decidir sobre elas é constituída por esta mistura explosiva que a foto documenta. Nota positiva para a quantidade (e a qualidade, sobretudo) de mulheres na equipa de Pedro.


ps1: Narciso Mota ficou como presidente da mesa do plenário.
ps2: José Grilo preside ao conselho consultivo.
Ps3: o que é que fizeram a Rodrigues Marques?

Assim se compra o céu

… e o resto. 
A CMP deliberou, por unanimidade, atribuir (mais) um subsídio de 5.000 € à Fábrica da Igreja Paroquial de Pombal e (mais) um subsídio de 1800 € à Fábrica da Igreja Paroquial de Vila Cã.

5 de março de 2016

Diogo e amigos promovem-se em Lisboa


Leio no Pombal Jornal que "o Município de Pombal participa na edição 2016 da Bolsa de Turismo de Lisboa, que decorre no espaço da Feira Internacional de Lisboa, de 2 a 6 de Março". Para além do Marquês (dispenso comentar) e da doçaria tradicional local, a nossa autarquia também convidou o operador turístico DTravel a juntar-se à comitiva. Eu não conheço a empresa (e, provavelmente irei ser tremendamente injusto), mas se o objectivo do convite era o de promover "o território pombalense como destino turístico", porque se convida uma empresa que ostensivamente omite o nome da cidade na sua página web? E não foi por falta de oportunidade! No espaço que dedicam ao Centro de Portugal, referem Batalha, Alcobaça, Coimbra, Tomar, Óbidos, Aveiro, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Aldeias de Xisto, Serras da Estrela, Caramulo e Lousã. Pombal e o seu território é que nada. 

4 de março de 2016

A guerra das rosas

O médico António Sales ganhou hoje a Federação de Leiria do PS, naquela que foi a segunda tentativa para liderar os socialistas deste distrito. Ganhou com 665 votos contra os 514 de Odete João. São ambos deputados eleitos por Leiria na Assembleia da República. Ele de novo, ela de há muitos anos.
O que se espera de um ortopedista é que consiga sarar as fracturas na estrutura óssea. Não há melhor imagem para o momento que se vive no PS distrital. 
- E Pombal?, perguntam vocês.
Pombal fez jus à sua condição de fenómeno: 83 votos para a lista derrotada, 14 na lista vencedora.

O homem já voltou aos cartazes


3 de março de 2016

Tanta falta de bom-senso

Com o bom-senso passa-se um paradoxo engraçado: é uma das qualidades humanas mais mal distribuídas, mas todos acham que têm o suficiente.
Repare-se neste (triste) exemplo: a CMP de Pombal resolver espalhar pinos rasteiros e pontiagudos pelo Cardal e pela ponte D. Maria. Os munícipes mais atentos – e o Farpas em particular – fartaram-se de criticar a opção e exigiram a sua remoção. Depois de muitas críticas e alguns acidentes, a câmara assumiu o erro e mandou arrancar os pinos. Mas pelo meio, umas quantas pessoas caíram e magoaram-se, e uma delas pediu uma pequena indemnização à câmara para cobrir os danos patrimoniais decorrentes da quebra dos óculos aquando da queda.  
A câmara assumiu a responsabilidade? Não! Decidiu que “após uma análise cuidada do pedido formulado pela lesada, das informações facultadas pelos Serviços Técnicos do Município, bem como do parecer jurídico anexo, conclui-se que a responsabilidade pelos danos causados não é imputável ao Município de Pombal”.
Não o faz por falta de dinheiro - tem-no demais e aplica-o onde não tem responsabilidades, substituindo o Estado e prejudicando os munícipes. Fá-lo com a insensatez própria dos arrogantes.
Há mais falta de bom-senso (político)?

Contas a ajustar

Tudo está bem quando acaba bem. 
Consta que houve pranto e ranger de dentes, nos últimos dias. Mas foi um presidente dócil que esta manhã se penitenciou perante os funcionários sindicalizados, quando lhes anunciou a reposição da legalidade e pagamento das horas extraordinárias. Muniu-se de todo o bom senso para explicar, em palavras, aquilo que alguns súbditos quiseram impedir, em actos e à força, esta manhã: a presença de um dirigente sindical na reunião com os trabalhadores.

O braço de ferro partiu

Os políticos experimentados evitam afrontar os trabalhadores e os sindicatos porque sabem que os custos políticos são elevados. Por cá a armadilha virou-se contra o armadilhas.
A afronta já tinha tido dois rounds, que só não terminaram em derrota porque os sindicatos tiveram o bom senso que o príncipe parece não ter. Na câmara o desfecho é conhecido: estrondosa derrota política, com a condenação da câmara ao pagamento do trabalho extraordinário e à reposição das 35 horas semanais.
Bem pode o príncipe responsabilizar o responsável dos Recursos Humanos por não ter ouvido os trabalhadores, os juristas da câmara por não terem assessorado bem a câmara e os advogados pela estratégia de defesa seguida e pelos erros cometidos. Nada apagará o odioso da questão, o falhanço da afronta.
O problema não é tanto de quem executa e de quem assessora - decidem pouco. É de quem decide. E é, também, de quem decide fazer obras de Estado com dinheiro dos munícipes. Serão, também, os chefes de serviço os responsáveis por estes dislates?
O príncipe pode achar-se possuído de todo o poder, mas isto (ainda) não é uma monarquia – Dura Lex, Sed Lex.  

E nesta Republica, que mais parece uma Monarquia, paga é o Zé: aos trabalhadores, aos funcionários e aos advogados. 

1 de março de 2016

Gabinete de Propaganda

Neste mandato, o gabinete de comunicação da CMP nunca funcionou bem. Na primeira fase percebia-se: de aprendizes voluntaristas não se podia esperar grande coisa. Mas com a contratação de uma especialista esperavam-se melhorias. Puro engano. A evolução foi no pior sentido. Temos agora um gabinete de imprensa especializado em propaganda, em que o método é a inversão dos factores, a inversão dos valores, no âmbito da qual não existe mentira - meia-verdade ou meia-mentira - que não mereça ser difundida. A tudo se recorre para fazer de uma natureza morta um quadro vivo e colorido. As notas de imprensa são prospetos risíveis, que procuram, de forma despudorada, beneficiar o emissor e não o destinatário; são palha dada aos seguidores acríticos e aos distribuidores que as divulgam.
Mas a falta de decoro atinge o condenável quando se confunde a câmara com o partido  e o partido com a câmara. Ao que nós chegámos!


Adenda: Gastem o tempo livre para preparar e a publicar as actas atempadamente - também é comunicação, e imposta por lei.