19 de setembro de 2016

O exemplo de Ansião, outra vez

                                                   foto retirada da página do Facebook do PSD/Pombal

O presidente da Câmara de Ansião anunciou estes dias que não se recandidata ao cargo. Fê-lo nas páginas de um jornal local, e embora não seja muito claro a explicar as razões deste abandono prematuro, dá um sinal que devia servir pelo menos para reflexão, a muitos correlegionários. 
Lembro-me de Rui Rocha enquanto adjunto de Fernando Marques, enquanto líder da JSD, e mais tarde enquanto vereador. É discreto, ponderado, e tem uma dose de coragem que aprecio nos políticos, o que faz dele o homem certo na comissão política distrital do PSD, sem folclore.
Não sei se vai ser administrador de alguma empresa, se quer ter a experiência (legítima) da Assembleia da República, mas sei que no vizinho Ansião deixa uma marca, à conta daquele equilíbrio entre o rapaz da terra que faz por ela tudo o que pode, e o político que escapa à propaganda, sabendo que isso da Jota já foi há 20 anos e por isso há um tempo para tudo...
A verdade é que é mais um quadro do PSD em condições de ocupar qualquer lugar fora daqui. E isso não é bom para D. Diogo nem para Pedro Pimpão, em primeiro plano, nem para todo o séquito, em segundo. Mas é bom para o eleitorado.

15 de setembro de 2016

Quando o feitiço se volta contra o feiticeiro

O feitiço é a nova e grandiosa Extensão de Saúde da Guia: um presente envenenado que o príncipe quis ofertar ao Estado e aos súbditos do oeste. Engano seu: o Estado não o agradeceu e a maioria dos súbditos rejeitam-no. Assim, o feitiço virou-se contra o feiticeiro. O príncipe foi, mais uma vez, pouco astuto: fez o que não lhe competia fazer e arrisca-se a ficar com o odioso da coisa, a ter mais prejuízo que proveito, à porta das eleições
Tanto assim é, que o empreendimento está concluído há muito tempo, mas ninguém lhe quer pegar. Até já foi ocupado clandestinamente, mas, estranhamente, ainda não foi inaugurado. Há muito que os senhores doutores ocuparam os gabinetes do novo empreendimento, e por lá ficaram sem reparo. Recentemente os funcionários administrativos, por não suportarem o efeito de estufa da envidraçada sala de recepção, nos tórridos dias de Agosto, seguiram-lhe o exemplo: pegaram nos computadores e mobiliário e mudaram-se para as novas instalações. Falha deles, que logo chegou à tutela que ordenou o retorno imediato às velhas instalações (nesta terra não são permitidas veleidades à arraia-miúda). Só que, decisões despropositadas e injustas são de implementação difícil; e, apesar de a temperatura ter amainado, os funcionários continuam nas novas instalações.
O príncipe revela muita indecisão; mas, nestas coisas, costuma dizer-se que o perigo está na tardança. E o pior está para vir!

13 de setembro de 2016

Obras benditas que se tornam malditas

As obras necessárias são sempre bem-vindas, se vierem no tempo certo. Não é o caso das obras na Etap e Rua Fernando Pessoa / Escola Marquês de Pombal. Este tipo de obras, dentro das escolas ou na sua periferia, deveriam decorrer no período de férias.

É verdade que a capacidade de planeamento da CMP nunca foi muita, mas parece ter-se agravado. Fazer obras volumosas nas escolas ou na sua periferia durante o arranque do ano lectivo revela uma enorme falta de bom senso, porque colocam em risco a segurança das crianças, pais e transeuntes.

9 de setembro de 2016

De vez em quando lembram-se de Mota Pinto



No princípio, era o busto: várias figuras de Pombal clamaram, durante anos, por uma homenagem a Carlos Alberto Mota Pinto, que aqui nasceu e viveu até à juventude, embora nunca tenha estabelecido com Pombal grande ligação. Depois veio a Junta de Freguesia com um prémio que não passou da primeira edição, e só depois a Câmara decidiu comprar a casa onde nasceu o professor, primeiro-ministro de Portugal em 78/79, fundador do PPD e um dos vultos da memória social-democrata. Depois foi o que está à vista, na casa em frente ao Teatro-Cine de Pombal.
Entretanto, os órgãos locais do partido acabam de criar um evento com o nome do vulto: é a Academia Mota Pinto, descrito na página do facebook como "Um evento de formação e reflexão cívica que se pretende anual". 
Talvez seja mesmo essa a melhor forma de homenagear um pensador. É preciso é que seja consequente, e não à imagem do que têm sido as tentativas falhadas pelos órgãos autárquicos. E por favor, não o tentem transformar numa espécie de universidade de verão.

7 de setembro de 2016

O Dia da Educação: obrigada, Eduardo Sá

                               Foto: Município de Pombal. Retrato da plateia

Nota prévia: Começo este post como os oradores de ontem, no Dia da Educação: a agradecer ao Município de Pombal, o município "Educador", como lhe chama Diogo Mateus numa brochura distribuída aos participantes (educadores de infância e professores do primeiro ciclo), em que divulga ao pormenor os investimentos avultados nos edifícios que albergam as escolas. Mas essa é outra conversa. Participei na sessão enquanto mãe, integrada numa pequena delegação da Associação de Pais de Pombal, em formação, cujos primeiros órgãos sociais hão-de ser eleitos nas próximas semanas, depois do regresso às aulas. Obrigada à Câmara de Pombal por ter convidado Eduardo Sá. Espero que tenham filmado tudo e reproduzam num filme bonitinho, como é costume, porque todos merecem ver e ouvir o que disse.

"Se eu mandasse um bocadinho, convidava o senhor presidente da Câmara a colocar em todas as portas dos jardins de infância de Pombal a frase: Proibido ensinar a Ler e Escrever", disse ontem em Pombal Eduardo Sá, que o Município convidou para palestrar no Dia da Educação - uma operação de charme anual para dar as boas-vindas aos educadores de infância e professores do primeiro ciclo. Nessa altura Diogo Mateus já não estava na sala, mas alguém lho disse, certamente. O que o psicólogo queria dizer é que começa aí o combate contra a criação de "uma linha de jovens tecnocratas, primeiro de fraldas e depois de mochila". Todos iguais, bem comportadinhos, melhores alunos dentro da sala de aula, exemplares no recreio, excelentes na extensa lista de actividades que lhes preenchem os dias e as noites.  "A escola não serve para isso", disse Eduardo Sá, que ali desfiou uma série de verdades incómodas para a esmagadora maioria da plateia. Antes dele, tinham subido ao palco os três directores dos agrupamentos de escolas de Pombal (Fernando Mota) , Gualdim Pais (Sara Rocha) e  Guia (António Duarte). Depois de o ouvirem, tenho a certeza de que alguns guardaram rapidamente os papéis, corados de vergonha. Retive, contudo, a intervenção de Sara Rocha. Regozijou-se com a boa-nova de um jardim infantil que a Câmara vai construir na Gualdim Pais, "porque a escola é muito mais do que a sala de aula". Porque, como tão bem lembrou, "há crianças que ali chegam às 8 da manhã e só vão embora às 19". Mas este é o país em que os adultos reclamam "35 horas semanais para a função pública, enquanto as crianças passam 52 horas na escola", disse Eduardo Sá, ele que teve esperança "que a ASAE olhasse para alguns recreios". Seria bom, sim. Assim como seria boa a sugestão que deixou, de "criar um quadro de honra para os alunos faladores", ou "um quadro de excelência para os que têm uma vida familiar desastrosa e que ainda assim não desistem, contra a escola e contra os pais". Em vez disso, a escola resolve colocá-los de castigo no intervalo, privando-os dele. "Vivemos numa escola mentirosa e batoteira, que segrega os meninos de uma determinada faixa social", notou, certo de que "todas as crianças são geniais e todas têm necessidades educativas especiais", que precisam de brincar, sobretudo. porque "brincar não é uma actividade de fim-de-semana". No fundo, o que o psicólogo diz é tão simples: olhemos para os alunos como crianças, como pessoas, e menos como números da excelência e do sucesso. Não sei o que pensam disto os senhores do EPIS, mas calculo.  Acredito que teríamos uma sociedade muito  melhor, no futuro, se gastássemos menos energias com a ditadura dos trabalhos de casa e mais com actividades que os enriquecessem, pessoalmente. Depois lembro-me de uma reportagem que fiz no mês passado para o DN, e dos números dramáticos sobre a média de idades dos professores em Portugal. Sobre o número crescente de professores com doenças incapacitantes. Como é que queremos uma escola nova sem sangue novo?
E depois há a realidade, que nos apresenta milhares de professores no desemprego, parte de uma geração em que investimos tanto. Não poderia ter sido mais adequada a escolha da música que a jovem Íris foi cantar ao palco, naquela sessão: "Para os braços de minha mãe", esse hino à emigração legada pelos últimos anos de austeridade, que assenta tão bem neste concelho. Provavelmente, essa foi a parte destinada aos pais e encarregados de educação. 


2 de setembro de 2016

OPA florestal

No geral, o poder local tem tido dinheiro a mais e políticos a menos – incapazes e sem visão (sem modelo de desenvolvimento para o concelho). Quando há boas ideias nunca há dinheiro a mais, mas quando não há ideias pode haver dinheiro a mais. Pombal é um caso desses.
Nas três décadas posteriores ao 25-Abril de 74, o poder local granjeou uma imagem positiva. Na maioria dos concelhos faltava quase tudo: infraestruturas básicas (estradas, água, saneamento) e equipamentos sociais (pavilhões, piscinas, escolas, lares, espaços de lazer, etc.). Logo, não havia dúvidas no que fazer, só era necessário fazer. Os autarcas criaram a imagem de grandes fazedores de obras e de reivindicadores de fundos. Os governos interesseiramente foram-lhes alimentando os propósitos, as obras foram-se fazendo e os orçamentos das câmaras foram crescendo, até que, as necessidades de obras foi decrescendo mas os orçamentos continuaram a crescer. Há hoje municípios onde está tudo feito, no que toca a infraestruturas e equipamentos socias. No entanto, muitos autarcas continuam a gastar o que têm e o que não têm, a destruir recursos e a acumular endividamento com obras sem utilidade: asfaltagens de estradas onde ninguém circula, construção ringues onde não há jovens, recuperação de aldeias condenadas ao abandono, empedramento de estradas e construção de parques de merendas onde não há vida, já tomadas pelas silvas.
No meio disto encontram-se algumas câmaras com gestão mais prudente, que satisfizeram as necessidades básicas e mantiveram sempre um bom equilíbrio económico-financeiro. E há até câmaras, como a de Pombal, que satisfizeram as necessidades básicas e acumularam reservas financeiras avultadas. Mas, como diz o povo: após um poupador vem sempre um gastador.
A câmara de Pombal é um caso extremo de dinheiro a mais e ideias a menos. Atiram-se a tudo: o que não é preciso e o que não lhes pertence (infraestruturas e equipamentos do governo, IPSS, benfeitorias privadas). Chega a parecer que a preocupação essencial é esvaziar o cofre.
A última “brilhante” ideia é uma OPA sobre a floresta. Por várias razões, a OPA não terá sucesso. E ainda bem que não o terá. Se o tivesse transformava um problema em dois, não resolveria o problema do ordenamento florestal e, se houvesse grande adesão e um investimento significativo, colocaria em risco a sustentabilidade da câmara. Logo, não é para levar a sério, é mais um show-off próprio de campanha eleitoral.
Uma câmara que vê todos os dias árvores que plantam na cidade e as deixa morrer à sede não pode ter grande preocupação com o arvoredo, o seu ordenamento e manutenção.

Adenda: A apresentação da OPA foi um desastre: falta de espaço para as pessoas, não audível pela maior parte dos presentes e sem direito a perguntas. Pelos vistos, destinava-se unicamente à recolha de fotografias para os sites. Uma sugestão: não usem as pessoas.

31 de agosto de 2016

A história do pinheiro desgovernado que deu subsídio

O tal pinheiro desgovernado estatelou-se no chão sem antes ter raspado e arrancado umas telhas numa casa próxima. Mas o pior foi o que veio depois, muito tempo depois.
Testemunhas presentes no momento do incidente garantem que a queda do pinheiro não provocou danos significativos na habitação próxima; mas se os provocou, o correcto teria sido a reparação imediata dos danos pela entidade que os provocou – Câmara ou PMUGest - ou activando o seguro que deveria existir. Mas não há registo de qualquer pedido de indemnização ou reparação dos danos pelos proprietários nem da intervenção das responsáveis pelo abate. Por outro lado, a Junta de Freguesia das Meirinhas – território do pinheiro – nada fez, porque nada tinha a fazer.
Então, porque é que a Junta de Freguesia de Vermoil, que não tinha nenhuma responsabilidade no sucedido, se meteu - passados dois anos – ou quatro como dizem testemunhas presentes - neste caso, pedindo à Câmara um subsídio para a “Reparação de danos numa casa” causados por “corte do pinheiro que caiu sobre a habitação em fins de Marco de 2014”? E porque é que o pedido é feito com um orçamento de 7000 € e a informação ao executivo solicita um subsídio de 1450 € + IVA a pagar à Junta? Se a reparação foi feita e acarretou despesas – o que não é seguro – e, se foi feita de imediato, como dizem, porque é que o pedido de subsídio foi feito anos depois? E porque é que não apresentaram factura da reparação?
Bem sabemos que o presidente Ilídio é muito piedoso. E que o piedoso não é, simplesmente, movido pela preocupação com felicidade do outro, mas pelo seu próprio prazer, pelo retorno da (suposta) boa-acção, pelo benefício próprio. E como o demônio dos homens é o amor ao poder, o homem político é um piedoso falso.
A história do pinheiro desgovernado que deu origem a um subsídio é uma farsa, ridícula e muito mal enjorcada, que expõe a falta de decoro dos protagonistas até ao enjoo.

29 de agosto de 2016

A história do pinheiro desgovernado

Contam os registos oficiais, sem concretizar data e hora, que por finais de Março de 2014, a Protecção Civil foi alertada para o risco de queda de pinheiro ou de pinheiros, para a estrada, numa encosta, onde o talude tinha sido limpo, poucos meses antes, aquando do alargamento e asfaltagem da via. Contam igualmente os registos que o pinheiro foi forçado a cair, provocando ou um incidente com prejuízos para terceiros. Mas há testemunhas que garantem que o incidente ocorreu dois anos antes e não provocou prejuízos significativos.
Os dados por agora conhecidos indicam que o incidente com o pinheiro desgovernado daria uma bela novela jornalística. Aqui, vamos tratá-lo de acordo com o nosso estilo: curto e afiado. Consta que a vereadora com o pelouro da Floresta, alertada para o potencial perigo, contactou imediatamente o comandante e expôs-lhe a situação. Puseram-se logo de acordo no que fazer: abater imediatamente o pinheiro (ou os pinheiros). Pegaram na motosserra, montaram-se na 4x4 e partiram para o local. A história tem mais protagonistas e envolveu mais meios, mas como os registos oficiais os ignoraram, ignoremo-los também.
O comandante (homem de acção) chegado ao local verificou que alguns pinheiros na encosta poderiam cair para a estrada e colocar em risco quem passasse na via. As coisas não se passaram bem assim, mas porque assim rezam os registos oficiais, e porque diferente versão não desvirtua a moral da história, adiante, que há muito para contar, e ficcionar). O que não consta dos registos é se foi feita avaliação dos riscos para a casa próxima.  
Verificado o perigo avançou-se para ele. O comandante deu corda à motosserra, aproximou-se do pinheiro com o propósito de o derrubar encosta abaixo. Corte de um lado, outro do lado oposto, e zás. Ainda o segundo corte não ia a meio e já o maldito pinheiro se começava a deitar, não sem antes ter rodado pela ponta cerca de um quarto de volta, talvez por ter nascido e crescido retorcido e quisesse agora libertar as tensões que acumulou. Ou talvez porque tivesse sido alvo de mal-olhado, mal próprio de certo tipo de pessoas, mas que não está provado que não possa também atingir outros seres. Ordenou pois a sorte, e o diabo (que nem sempre dorme), que o pinheiro não obedece-se ao comandante, e desabasse na direcção errada. Quando o triste destino se começou a desenhar, a vereadora ficou em pânico e suplicou à Virgem Santíssima que o endireitasse, mas ela estava ocupada noutros serviços ou não lhe quis valer (e lá terá as suas razões, e não foi por estar a dormir – o diabo dorme, mas os santos não dormem, fazem-se esquecidos, ás vezes, muitas vezes, até).
O pinheiro, conduzido pelas leis e forças da física, e desobedecendo à metafísica e à fé, acelerou o retorcido movimento e estatelou-se no solo, atingido a casa próxima. 

25 de agosto de 2016

Obras paradas


Logo depois deste post, foi um ar que se deu às máquinas em movimento. Sendo assim, resta-nos agradecer ao Município de Pombal este acto nobre de saber ler o Farpas e emendar o erro. Vêem como não custa nada fazer as coisas bem feitas?

24 de agosto de 2016

Subsídios sagrados III

A CMP atribuiu, por unanimidade, um subsídio de 2.800 €, à Fábrica da Igreja Paroquial de Pombal, para a publicação do Boletim “Luz e Esperança”.

A pantomima religiosa prossegue.

22 de agosto de 2016

Subsídios sagrados II

A CMP atribuiu, por unanimidade, um subsídio de 7.500 €, à Fábrica da Igreja Paroquial de Santiago de Litém, para a obras no recinto da capela.

18 de agosto de 2016

A tórrida Silly Season

A silly season vai tórrida, no clima e na política local. Com os dois galos no terreno, em marcação cerrada, voltou a terceira via – o frango.
Da oposição nem sinal de vida.
O príncipe perdeu o pé, tenta acertá-lo mas troca-o a cada passada mais arrojada. As inflexões bruscas não rendem dividendos - a populaça, com o tempo, foi percebendo as manhas dos políticos - e a aproximação aos súbditos marca passo ou regride, apesar do esforço para refrear a altivez; pese embora as penitências custosas, como interromper férias para ir a procissões e arraiais. Mas o piedoso cristão não cola com o gambuzino pagão, o aristocrata não casa com o mundano e a colagem a apoios que desabonam também não.
O príncipe está mal assessorado, com estratagema seguido perde nos dois terrenos: na câmara e na rua. Como centralizou tudo em si, e passa agora mais tempo por fora, a câmara entrou em serviços mínimos – em modo eleitoral. Os ministros (que nunca o foram) nada decidem e nem verdadeiros despachos dão, limitam-se ao mínimo: a roda-viva por festas, arraiais e procissões. E até isso fazem a contragosto, porque sabem que o presente não tem futuro, independentemente do destino da coisa. Entretêm-se, por lá, divertidamente, a achincalhar o pai. Os dirigentes há muito que estão em serviços mínimos, mais preocupados em não fazer (não errar) do que em fazer.
Chegados aqui, a terceira via foi reactivada (se alguma vez esteve morta). Compreende-se: uma estrutura partidária que se acha invencível não pode aceitar papel de simples expectadora de uma luta de galos que não regula. Daí, empurra novamente Pedro Pimpão para a frente, e este está já no terreno a avaliar e a conquistar apoios. O arriscado estratagema dos líderes do partido passa por, primeiro, eliminar os dois galos, fragilizando-os e forçando-os à desistência, e, depois, lançar a terceira via, o partido, o eterno-jovem Pimpas. A coisa parece clara e transparente. Mas incorrem na mesma tolice da mosca quando se depara com a janela de vidro: pensa que algo transparente não oferecerá resistência ao atravessamento. Puro engano. Chocam de frente com a realidade: dois galos duros de roer.

Nesta grande procissão do destino, bastaria a Narciso Mota esperar sentado. Só que – e há sempre um “se” nestas coisas – Narciso Mota não gosta de estar sentado e de esperar. 

17 de agosto de 2016

Hey, DJ, falta saber o preço das Festas do Louriçal


Quando em Julho de 2015 foi constituída a associação recreativa Critérios e Tradições, com sede no Louriçal - cujo principal objecto é organizar as festas de Agosto - estava aberto caminho para que os poderes públicos contribuíssem para a boda. A Junta de Freguesia assegura "oficialmente" 10 mil euros, mais a iluminação e outras miudezas (que rondarão os 30 mil euros) e a Câmara Municipal mostra a generosidade galopante para com o Louriçal com um apoio de 5 mil. O presidente da comissão/associação/organização é o benemérito António Calvete, que - já se sabe - é uma alma generosa. Este ano quis verbalizar todo o sentimento louriçalense ao discursar, na abertura das festas. Toda a gente percebeu que está encontrado o director de campanha de Diogo Mateus (João Pimpão, já foste), tal o nível elogioso que imprimiu nas palavras que lhe dirigiu.  Disse também que nunca o Louriçal conheceu um executivo da Junta tão bom como este, o que é de uma abnegação sem tamanho, já que ele próprio foi presidente da mesma junta. É certo que isso só aconteceu "porque já na altura o José Manuel não quis". No Louriçal, todos sabem disso. O actual presidente escudava-se sempre no facto de "ter uma porta aberta". Ora aí está: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. A porta continua aberta e a Junta...também.
Desse momento único na sessão solene das Festas do Louriçal ficam duas impressões:
1. Ninguém sabe quanto custam as festas. 
2. Não há almoços  discursos grátis.
Mas sabe-se que os recintos ficaram mais vazios este ano. Nem todas as colectividades acederam pagar entre os 500 e 2000 euros (para alguns pequenos expositores 300 euros também é dinheiro) dependendo do espaço, ao que acrescia a venda obrigatória das pulseiras, 10 euros cada, para os quatro dias de festa. Talvez os mais antigos se lembrem como a ganância matou as festas do Louriçal, há muitos anos, antes de renascerem nos anos 90. E esses também mereciam alguma programação, durante o dia, que não fosse apenas o rancho e a banda filarmónica, nos dias 13 e 15.
O resto esquece-se tão depressa como aquela intenção manifestada em tempos por certo ex-vereador, ao tempo de Narciso Mota, que por tudo queria convencer o então presidente a demolir a casa de Calvete, por falta de licença. Mas isso foi noutra vida.


11 de agosto de 2016

Pimpão deputado e Pimpão líder local do PSD




A modéstia e a imodéstia são duas faces da mesma moeda. Mas o elogio de boca própria é vitupério. Se fosse por algo excepcional, haveria atenuante; agora pela assiduidade!!! Actualmente, até o profissional mais básico sente remorso com elogio insincero ou despropositado. Pior, ainda, quando o (falso) elogio está associado ao que se faz em proveito próprio.

9 de agosto de 2016

Onde pára a praça de Táxis?

Está a tornar-se provisoriamente definitiva a localização arranjada à pressa, há três anos, para os táxis da cidade de Pombal. Se bem se lembram, estavam ali ao Cardal, antes da regeneração urbana. Pela dose de paciência manifestada até agora, os taxistas de Pombal não são apenas a antítese dos de Lisboa: merecem a medalha municipal da tolerância, exequo para quem utiliza o serviço, na sua maioria idosos. De forma que o senhor Cardoso, 90 anos já batidos, tem um dilema de cada vez que vem a Pombal, à segunda-feira: esperar pelo autocarro até às 18, e desidratar nos 40º à sombra, ou apanhar um táxi, mal se despache das suas voltas, e desidratar mais depressa. 


8 de agosto de 2016

Meu querido mês das obras


É preciso ter pontaria para isto: uma estrada nacional que já é naturalmente caótica, um cruzamento naturalmente perigoso, a primeira semana de Agosto em Portugal (coisa que se nota por demais em Pombal) e retomam em força as obras que hão-de mudar isto tudo. A foto é desta manhã de segunda-feira escaldante, e é uma pequena amostra do caos instalado à entrada/saída da cidade, numa altura em que a população triplica. 
Às vezes parece-nos que isto fará parte de uma estratégia para desertificar a cidade em Agosto: no mês em que voltamos a ter gente nas ruas, há quase nada em matéria de animação para os que cá estão. Até às sedes de freguesia programaram noites de verão, festas de homenagem aos emigrantes, seja o que for. Aqui fazemos obras - quem é que não fica impressionado com aquele aparto, hum? - enervamos os automobilistas logo de manhã, e assim arranjamos maneira de os mandar de volta às suas aldeias. Vai-se a ver e é um plano, nós é que ainda não descobrimos.

5 de agosto de 2016

Coerência e pedagogia que se pratica por cá

Criticam e censuram o relator de um trabalho sobre Educação, porque o relator submeteu o trabalho sem assegurar o acordo de todos os membros (como se fosse possível obter consenso com quem não o quer, como posteriormente se viu), apesar de o relator ter ressalvado, na nota introdutória, que um dos membros do grupo de trabalho não subscrevia o documento.
Mas recusam qualquer alteração a acta que refere unicamente as intervenções favoráveis à estrutura e ignora todas as críticas aos documentos submetidos pela estrutura, e que, por via dessas críticas, foram retirados da agenda.
E esta, hein?!

4 de agosto de 2016

AEC, uma realidade camuflada

As Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) são uma medida governamental de reforço das competências dos alunos do 1.º ciclo que visam, em parte, uma adequação local da oferta educativa de forma a fazer face a necessidades específicas - um instrumento fundamental para, no 1.º ciclo, reduzir assimetrias de desenvolvimento das crianças, nomeadamente das que provém de famílias que desconhecem ou não valorizam determinadas dimensões do desenvolvimento das crianças ou não possuem a capacidade para o fazer. As AEC não devem, em momento algum, ser confundidas com Componente de Apoio à Família; são instrumentos que respondem a necessidades totalmente diferentes e, consequentemente, devem ter objectivos distintos.
Na delegação de competências com as autarquias e agrupamentos ou escolas não agrupadas o ministério da educação deixou grande liberdade organizativa e programática. Tal, deveria ter proporcionado soluções que optimizassem a utilização dos recursos e a obtenção de resultados. Em Pombal, os agrupamentos de escolas não quiseram assumir-se como entidades promotoras. Avançou a câmara, mas delegou a competência nas freguesias que não possuem recursos nem competências na matéria e, por isso, subcontrataram o serviço a entidades e/ou técnicos sem critérios de exigência aceitáveis e em regimes de grande precariedade. Os agrupamentos abdicaram, também, das suas responsabilidades na concepção, supervisão e acompanhamento das AEC. Os resultados são os conhecidos:
As AEC não estão enquadradas por objectivos definidos no projecto educativo do agrupamento;
Os conteúdos programáticos não estão estabelecidos, o que provoca uma falta da continuidade dos conteúdos/programas ao longo dos anos e dentro do mesmo ano;
Os objectivos – níveis de domínio das actividades – não estão estabelecidos, para cada nível de ensino;
As AEC não são avaliadas de forma regular e sistemática;
A dispersão de responsabilidade por várias entidades, a que se junta a deficiente articulação entre as diferentes entidades envolvidas, compromete a qualidade ao longo de todo o processo;
O processo de selecção dos formadores e o regime precário da contratação, que provoca substituições frequentes dos formadores – chega a atingir 7 formadores, por ano, na mesma turma - compromete a falta de continuidade dos programas e dos resultados.
Nenhum dos intervenientes das diferentes partes envolvidas tem o descaramento de negar as falhas, mas também não querem tomar medidas de fundo que melhorem o processo, nomeadamente:
A planificação (conteúdos programáticos alinhados com o projecto educativo), realização e avaliação das AEC pelos agrupamentos (única entidade com competências centrais para o fazer);
A selecção e aprovação dos formadores, respeitando os requisitos da legislação e com competência alinhada com o conteúdo programático, centralizada nos agrupamentos;
- Horários desfasados para as AEC (uma hora no início do período da manhã, outra no final do período da manhã e outra no início do período da tarde) para permitir uma carga lectiva atractiva para os formadores.
Numa terra onde o faz-de-conta se sobrepõe ao que conta, continuamos a fazer de conta naquilo que é mais determinante para a nossa qualidade de vida: a Educação.

3 de agosto de 2016

Deem água às árvores, sff

No Dia Árvore, os nossos políticos gostam muito de posar para a fotografia a plantar uma árvore. Mas rapidamente se esquecem dela.

As obras no Barco provocaram um desnecessário abate de árvores. Mas a câmara mandou plantar umas dezenas ao longo da via. Negócio.

Sucede que a câmara nunca regou as novas árvores. Resultado: matou-as à sede – vinte, contei eu, e estão mais na corda-bamba. 
Não é por falta de água. Por que será, então?

1 de agosto de 2016

Casa Varela vira restaurante

A jornalista pergunta: E a Casa Varela, quando terá a utilidade cultural de que se tem falado nos últimos anos?
Responde D. Diogo: “Será aberto um concurso público para as obras ainda este mês. É um processo que sob o ponto de vista arquitectónico e funcional está resolvido. A ideia é que venha a dar lugar a um espaço expositivo, performativo e de produção, ao mesmo tempo que terá actividades em regime cowork (espaços de trabalho partilhados), sendo que na base, ao nível da cave, será um equipamento hoteleiro, de restauração, que dará apoio a toda a frente ribeirinha”. Ahhh! “O promotor do investimento é o município de Pombal, mas não significa que não possamos a ter outras entidades a participar, nomeadamente na programação de actividades e dinamização do espaço.”
Estão a ver a frente ribeirinha? E a escassez de oferta de restauração na zona?
Ao longo de mais de duas décadas, a câmara abriu pela cidade, e não só, vários negócios de restauração e cafetaria. Ainda não conseguiu equilibrar a exploração de nenhum! E insiste, insiste, insiste! Paga munícipe.

30 de julho de 2016

O mundo ao contrário…

Afirmação (deixa) do jornalista: há quem afirme que está a gerir o município sem oposição…
D. Diogo: “Eu não sei se a forma de fazer oposição tem de ser comparada com aquela que era feita a alguns anos. Admito que, quer o exercício do poder, quer a forma coma a oposição é feita, desenvolve-se de forma diferente.”…
O jornalista: Fica satisfeito ao ouvir elogios por parte da oposição?
D. Diogo: Fico satisfeito. É simpático. Mas dá também muito mais responsabilidade, porque significa confiança e, também da parte das equipas, uma capacidade de resposta que não defraude.”…
D. Diogo, amigo, a oposição está contigo. O partido é que não!
In PombalJornal

29 de julho de 2016

Vestir a camisola

Anda por aí, neste Bodo. É uma criação daquela rapaziada que circula entre o café da Várzea e o Scó-Bar, na linha da igualmente célebre t-shirt "Mamarracho, não serás esquecido", ou daquela do ano passado "finos a 1,20. Je suis Bodo".

O rigor de D. Diogo

Pergunta - tipo deixa - do jornalista: “Para este ano o orçamento é idêntico ao do ano anterior?”
Resposta de D. Diogo: “É um orçamento que ronda os 220/250 mil euros. O que representa um esforço financeiro da Câmara Municipal na ordem dos 20 e 25 mil euros. Espero eu que não seja preciso muito mais do que isso. No entanto, a mim pessoalmente, não me choca que o município tivesse de gastar do seu orçamento, 60 ou 70 mil euros para fazer as suas festas anuais.”
Não te choca a ti nem à oposição. E se for o dobro, ou o triplo, também não (vos) choca.
Já estamos em campanha eleitoral, o povo não leva a mal!

28 de julho de 2016

Ana Cabral é a nova directora da Biblioteca Municipal

O regresso de Ana Maria Cabral à direcção da Biblioteca Municipal de Pombal foi ontem formalmente aprovado pela Câmara - que assim repara um erro cometido há 14 anos, quando lhe retirou o cargo. Louvo-lhe a resiliência, ao longo dos anos. A cidade e o concelho precisam dela. A Biblioteca também.

27 de julho de 2016

Recantos desta cidade


É uma espécie de fetiche da Divisão de Urbanismo da Câmara de Pombal: onde há um contentor de lixo, haverá uns bancos de jardim para o apreciar. Uma pessoa anima-se quando vê que estão a alargar passeios, a criar recantos de lazer, e quando acabam as obras dá-se com o insólito, entre a rua do Mancha-Pé e a Custódio Freire.

25 de julho de 2016

Olha a bandeirinha!


Depois da caderneta de cromos (para os meninos da catequese, que são recompensados por uma figurinha de cada vez que vão à missa, e penalizados quando faltam, pela falta dela), chega mais uma inovação à paróquia de Pombal: a bandeirinha, com a imagem da Srª do Cardal, resultado de (mais uma) singela parceria entre a Câmara e a Paróquia.
Estou em crer que, em breve, a autarquia deixará de sustentar financeiramente algumas actividades, por exemplo o boletim "Luz e Esperança", pois que a gerar receitas desta forma, a Igreja tem condições para a emancipação de um jornal.
E assim se calam as vozes que apontam os "subsídios sagrados". A imprensa da terra (que podia e devia indignar-se com a desigualdade) já não é preciso.
créditos: FB de João Pimpão, que anunciou já ter a sua.

Subsídios sagrados

A CMP deliberou, por unanimidade, atribuir um subsídio de 6.000 € à Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Abiúl.

Diálogos principescos


23 de julho de 2016

Não são flores!, são pedras…

A primeira fase de recuperação urbana do centro histórico, concluída em 2014, incluiu soluções arquitetónicas de gosto, utilidade e durabilidade duvidosas. Na altura fizemos, por aqui, vários reparos e forçámos muita correcção.
Mas há um reparo que foi ignorado pelo poder político: a opção arquitectónica (materiais e formas) escolhida para as ruas do centro histórico. A utilização pavimento em granito, que absorve facilmente a borracha dos veículos, dá um ar escuro e sujo. Mas o pior está nos arranjos de calçada nas ruas. Quem tivesse circulado pelas a semana passada pelo centro histórico encontraria calçada arrancada e os consequentes buracos em todas ruas. Nas ruas com maior circulação - Cap. Tavares Dias e Almirante Dias – já foram reparados todos os mosaicos de calçada, e alguns mais do que uma vez. Na semana anterior Às Frestas do Bodo as ruas foram, mais uma vez, reparadas.
Não estava na cara que era uma opção feia, cara, pouco durável e com custos de manutenção elevados? Estava! 

22 de julho de 2016

E para a Educação, não vai nada, nada, nada?

O famigerado Conselho Geral Transitório do Agrupamento de Escolas de Pombal reuniu esta tarde/noite, com uma ordem de trabalhos importante (como é suposto serem todas). O objectivo era aprovar o Plano de Acção Estratégica, bem como diversos regulamentos importantes para a comunidade educativa. Para espanto geral, a Câmara - cujos representantes recusaram tomar posse durante dois anos, impedindo que o órgão funcionasse - primou pela ausência.
O plano reporta a 2016-2020, num agrupamento que representa metade da população escolar do concelho de Pombal. Recorde-se aqui que o município de D. Diogo elegeu a Educação como bandeira, com slogan e tudo: Sucesso escolar 100%. É compreensível, se atentarmos na defesa do seu programa eleitoral, que assentava em qualquer coisa como "a valorização do capital humano"... Será por isso, aliás, que Pombal se tornou nessa espécie de cobaia do programa EPIS para o primeiro ciclo. Estamos em crer que o presidente terá uma boa explicação para não ter estado presente: a apresentação, à mesma hora, nos claustros da Câmara, das novas plataformas digitais da autarquia. É desta que ele entra no Farpas.

19 de julho de 2016

Prioridades invertidas (III)

Apesar de ter edifícios públicos “às-moscas”, a CMP adquiriu a Casa Varela. Como não sabia que utilidade lhe deveria dar, reuniu com uns artistas da terra para a ver se encontrava uma utilidade qualquer para o edifício. Mas pelos vistos não saiu nada. E o edifício lá continua, fechado, sem a câmara saber o que fazer com aquilo.
Em vez de andarem a tratar das “joias” dos outros não seria melhor tratar das suas?

Em vez de os vereadores andarem a pavonear-se pelas festas, não seria melhor passarem o tempo estudar os problemas que criaram?

18 de julho de 2016

Prioridades invertidas (II)

O que não falta em Pombal é edifícios públicos (e privados) sem utilização. Mesmo assim, a câmara mandou construir um Centro de Negócios, sem saber que utilidade lhe deveria dar. Resultado: está fechado, há muito tempo!
Em vez de andarem a tratar das “jóias” dos outros não seria melhor tratar das suas?
Em vez de os vereadores andarem a pavonear-se pelas festas, não seria melhor fazerem alguma coisa de útil – dar utilidade ao que nos ficou caro e está abandonado?

14 de julho de 2016

40º Aniversário do TAP


Vários motivos que tornam este evento interessante: não é organizado pela Câmara; a viola de arco do José Valente é dos segredos mais bem escondidos da música portuguesa; é mais uma oportunidade para poder assistir ao Romeu e Julietaa entrada é livre. Parabéns ao TAP!

11 de julho de 2016

A (nossa) tragédia grega

A política pombalense está possuída pelo Complexo de Édipo. Existisse por aqui um Sófocles, e o actual o drama político daria uma bela tragédia grega.
O complexo de Édipo é a designação que Freud atribuiu a um fenómeno psicológico universal que observou em crianças neuróticas e normais, após ter visto a representação da tragédia de Édipo do Rei, de Sófocles. Freud caracterizou o complexo como um conjunto de desejos amorosos e hostis que as crianças vivenciam na relação com a mãe e o pai, que lhes provoca enorme culpa inconsciente e as leva a dirigir o primeiro impulso sexual para a mãe e o primeiro ódio para o pai, ao ponto de desejarem matá-lo. De uma forma ou de outra, com menor ou maior intensidade, o Complexo de Édipo acompanha-nos ao longo da vida, e, se não for bem resolvido, nos primeiros anos de vida, pode tornar-se patológico e desencadear verdadeiras tragédias. Freud observou também que a tragédia do Édipo do Rei era apreciada por novos e velhos e por diferentes culturas, o que indicava que o Complexo de Édipo era um fenómeno universal.   
Por cá, o complexo de Édipo manifesta-se porque o filho não arrumou o passado - não esqueceu os desaforos do pai, recalcou-os. Daí à afronta ao pai, foi um passo. Afrontar o pai é um erro que transforma a felicidade em infelicidade, por duas razões: primeira, a cultura cristã castiga sempre quem afronta o pai; segunda, o pai nunca tolera a desconsideração e a desautorização, e quando ainda está rijo, vinga-se. O caminho para a tragédia fica traçado.
O drama político pombalense assemelha-se a uma verdadeira tragédia grega: prelúdio empolgante (que já se vive), mote conhecido de todos - o filho que quis matar o pai, e o pai deseja vingar-se do filho – e epílogo imprevisível.
A peça não terá, com certeza, grande unidade estética, mas promete cenas empolgantes, como a do último fim-de-semana. Dois indivíduos de carácter distinto, com diferentes estados de alma, entregues ao enigma do destino, com culpa inconsciente e sofrimento imerecido, numa luta feita de coragem e medo, resistência e poder, fugindo da punição e buscando a salvação. O enredo promete muita transfiguração da realidade: peças alegóricas e doutrina cristã, sentimentos piedosos e sentido aristocrático, moral prática e falsa moral ascética, briga política e pessoal.
Os espectadores (o povo e o não-povo) não se limitarão a assistir. Ser-lhes-á pedido participação activa na repartição da culpa e da absolvição, na punição e na consagração, conforme o gosto ou a estirpe.
Uma coisa é certa: o deleite do povo está garantido.

8 de julho de 2016

Os amigos de Manel

Uma pessoa fica embevecida com a solidariedade que grassa por aí, em forma de partilha nas redes sociais, para com Manuel António, ex-presidente da Junta da Guia, a propósito de outro antigo cargo - o de presidente do conselho geral da Escola Secundária de Pombal. Mal o Farpas anunciou aqui o louvor que lhe foi atribuído, foram muitos os amigos que se apressaram a enaltecer-lhe todas as qualidades. Aquelas que sempre teve, desde que o conheço, há muitos anos. As mesmas que o fizeram recuperar para o PSD uma junta em território (até então) socialista, que o fariam ganhar sempre, por qualquer partido ou fora deles.
É uma pena que naquele árduo processo do conselho geral transitório, em que D. Diogo o maltratou e destratou, não tenham vindo a terreiro defendê-lo. À excepção do jovem Brilhante (honra lhe seja feita), em coluna de jornal, todos os outros assobiaram para o lado. Ficam as boas intenções de Pedro Pimpão, quando o convidou a fazer parte da comissão política concelhia... dois anos depois. Aguardava-o um cachimbo da paz? Nem por isso. Se dúvidas houvesse, atente-se nesta foto, ao estilo  "se os olhares matassem". De cada vez que os vejo juntos, vem-me à memória aquela reunião de março de 2014, em que o resiliente Manel tentava cumprir a lei, sem sucesso, e instalar um conselho geral transitório para o agrupamento de escolas de Pombal - só aconteceria agora, dois anos e meio depois.
"Lê lá a lei, Manel".

A armadilha da revogação do Plano de Pormenor

Na última AM, no ponto referente à discussão e aprovação da revogação do Plano de Pormenor (PP) do Parque Manuel da Mota, Victor Gomes, deputado municipal do PS, fez uma observação pertinente (mas inconsequente): alertou para a falta de informação sobre as razões da revogação do plano, que o executivo tinha aprovado, por unanimidade, provavelmente de olhos e ouvidos fechados.
O presidente da câmara justificou a revogação do Plano de Pormenor com a necessidade aprovar edificações que violam o plano. Explicou que a revogação do Plano de Pormenor é forma mais rápida de contornar as normas em vigor porque passa a vigorar o Plano Director Municipal (PDM) que tem normas mais largas/vagas.
Ou seja: o presidente da câmara submeteu à AM uma “armadilha”, sem justificação formal, de forma a obter desta a cobertura para uma ilegalidade.
O PDM é um plano de cariz estratégico que estabelece a organização territorial do concelho, não sendo o documento adequado para a gestão urbanística. Os documentos utilizados para regular a gestão urbanística são os Planos de Pormenor. Fazer isto ao contrário é violar os documentos, o espírito e a letra da lei.
Nos primeiros tempos, quando as câmaras tinham PDM mas ainda não tinham PP (os segundos derivam dos primeiro) aceitava-se que licenciassem edificações com base no PDM. Actualmente é inaceitável. 
A câmara está a cometer uma ilegalidade, com a conivência da assembleia e de uma oposição néscia.



6 de julho de 2016

Não se pode falar de Blogs na AM

Na AM, realizada na última quinta-feira, João Gante, leitor do Farpas, pegou no que por aqui se escreveu sobre a Quinta de Sant`Ana e questionou o presidente da câmara. O que ele foi fazer. Saltou logo o digníssimo dr. João Coucelo, líder da bancada do PSD, não para esclarecer o problema real e grave (dizemos nós, e percebeu-se pela resposta do presidente da câmara) ou para contrapor um argumento qualquer, mas indignado por o deputado municipal do PS interpelar o presidente da câmara “com um assunto totalmente despropositado” e citando um Blog (O Farpas). Censurou o deputado municipal do PS, afirmando: “se um blog que eu não sei o que diz, serve para as pessoas reflectirem e vir para a AM falarem, lamento imenso, porque os blogs, para mim, não servem rigorosamente para nada, não são opinião pública”.
Nós, por cá, nesta questão (e não só), discordamos totalmente do digníssimo dr. João Coucelo, porque temos, com certeza, conceitos muito diferentes do que é opinião pública e público; mas compreendemo-lo muito bem. Só não percebemos porque gastou o tempo todo a atacar os Blogs (o Farpas) e não reservou um segundo sequer para contestar a mensagem. Aí, o presidente da câmara distinguiu-se. Compreendemos, também, que o digníssimo dr. João Coucelo e a sua bancada não gostem de ser incomodados, de três-em-três-meses, com o mesmo assunto, para algumas pessoas torna-se enfastiante. Bonito, para as pessoas que assim pensam, é despachar os assuntos todos, nomeadamente os fundamentais para a comunidade, numa penada, com aprovações  por unanimidade, sem nenhuma discussão ou intervenção.
Mas também compreendemos que o João Gante tenha metido o rabo entre as pernas e a bancada do PS não tenha tossido nem mugido – o respeitinho é muito bonito.
O digníssimo dr. João Coucelo nunca lerá estas palavras – seria descer demasiado baixo para o seu estatuto – mas os que são (também) opinião pública, vão gostar de saber o que ele considera opinião pública.



5 de julho de 2016

Burrice

“Toda a unanimidade é burra”, como bem disse Nelson Rodrigues. Mas em Pombal, a oposição não acredita nisso. O grande problema da burrice é ser cara, se não o fosse seria desculpável e até divertida.
Realizou-se na passada quinta-feira a assembleia municipal mais importante do ano – Relatório de Gestão e Prestação de Contas do ano anterior e outros documentos fundamentais para a gestão da câmara – na qual a oposição, em bloco, aprovou tudo por unanimidade, sem um único reparo.
Ao aprovar, por unanimidade, o Relatório de Gestão, a oposição disputa entre si a medalha do melhor-comportado, mas assume igualmente que não sabe (e não quer) fazer melhor. E é verdade. E o eleitorado sabe-o bem. E eles também…
Se não existisse oposição interna, as próximas eleições seriam um passeio para D. Diogo. Mas felizmente há luar. 
Mais uma vez se prova que no poder não há vazios, o que uns deixam vago é logo ocupado por outros.




O Gambuzino no convento

Realizou-se no sábado passado a III Corrida dos Gambuzinos. O evento tem dois motes: correr – fazer exercício físico – e caçar gambuzinos, sem saco.
Este ano a organização foi muito perspicaz: o gambuzino estava no Convento de Santo António.
Todos sabemos que D. Diogo está em dificuldades, mas não é a abdicar de toda a gravitate do cargo (fazendo o papel de gambuzino) que lá vai. O que esta gente da propaganda obriga uma pessoa a fazer! Se queria mostrar-se ao povo, podia fazer como dantes: correr ao lado dele. Sem pajens por perto.
Narciso Mota é um rural, mas não se prestava a este papel.

1 de julho de 2016

Para além do Cardal

Quem passa pela Rua Miguel Bombarda tem mesmo de parar: a artista italiana Alicé transformou uma parede de um prédio num hino à arte urbana, através desta pintura, no âmbito do festival Sete Sóis, Sete Luas, que decorre desde há duas semanas e passa por aqui, pelo segunda vez. Aqui fica um aplauso à Câmara por ter trazido até nós pedaços do melhor que se faz na cultura do mediterrâneo. Esta sexta-feira à noite há mais um espectáculo promissor na Praça Marquês de Pombal (espaço que pode e deve ser muito mais utilizado que o castelo, para este fim): o circo acrobático dos franceses Les P'tits Bras. O programa pode ser consultado aqui, mas há-de fechar com chave de ouro no dia 10 de Agosto, num espectáculo a cargo da Luasibérica Orkestra, em que participa essa artista maior portuguesa (e leitora do Farpas, sabemos) Celina da Piedade.
Eis um bom exemplo de promover a Cultura cá no burgo: trazer aquilo que nem todos podem ir ver lá fora. Ver para lá do Cardal é isto, afinal.

29 de junho de 2016

Prioridades invertidas (II)

A Quinta de Sant`Ana está encerrada há largos meses (com tendência para o abandono).
Este executivo está bem à imagem do português típico: não sabe resolver os seus problemas, mas tem (sempre) solução para os problemas dos outros. Não tem solução para os seus imóveis, mas ocupa-se a tratar dos imóveis dos outros.

E era um investimento estratégico, imaginem se não fosse!

28 de junho de 2016

Nota simples

De uma distinção justa e rara (por cá).
Quando se lidera um processo virgem, conflituoso e tortuoso, regulado por leis e regulamentos confusos e discrepantes, as falhas podem ocorrer. Mas quando se tem ética republicana e princípios democráticos sólidos os propósitos nobres são alcançados e reconhecidos. 

Acompanhámos, influenciámos e participámos no tortuoso processo da instalação do Conselho Geral Transitório do Agrupamento de Escolas de Pombal. Regozijamo-nos com esta distinção. Também é nossa razão de existência dar nota do gesto simples e desinteressado e da exemplar cidadania.

20 de junho de 2016

Autárquicas: samba de uma nota só

                                                             Foto: Ricardo Graça, Jornal de Leiria

Uma pessoa esforça-se por encontrar motivos de interesse à esquerda e à direita, contraria a sua natureza, faz de conta que as decisões vão ser tomadas em várias frentes, mas isto parece o fado da sina: "não podes fugir/ao negro fado mortal/ao teu destino fatal/que uma má estrela domina".
A entrada em cena de Narciso Mota condicionou todo o espectáculo. Daqui até ao outono de 2017 será uma vindima farta. Qual capataz apanhado a dormir a sesta, o PSD há-de tentar compor os estragos. Mas como não pode servir a dois senhores, num qualquer momento vai esticar a bota para que Narciso se espalhe. Pode ser já na próxima Assembleia Municipal, para a semana que vem. O problema é que, mesmo com apoio do feitor, Diogo Mateus nunca sairá imune (nem impune) dos estilhaços que esta granada vai espalhando por aí.
Enquanto isso, o PS continuará à procura de quem aceite vestir o fato, agora que Narciso disse que não, que não vai por eles. Está determinado nisto, o homem que tornou o PSD naquilo que ele é hoje: ou vai pelo partido, ou contra ele, como independente. Posto isto, o CDS - cuja cúpula distrital equacionava convidar o actual presidente da Assembleia Municipal de Pombal, contra a vontade da estrutura concelhia - pode dar seguimento ao plano Falcão.

Não é a favor, é a desfavor de Pombal

O normal – e correcto – é as câmaras fazerem as obras que são da sua responsabilidade, e deixarem para o governo as que são da responsabilidade deste.
Mas há câmaras que conseguem inverter isto a seu favor: para além de pressionarem o governo a fazer obras que são da sua responsabilidade, conseguem que o governo faça as grandes obras que são da responsabilidade da autarquia.
Depois, há o caso (especial) da câmara de Pombal que subverte as regras a desfavor do concelho: não faz as obras que são da sua responsabilidade, e oferece-se para fazer - e pagar - as obras que são da responsabilidade do governo.

Nem tudo é normal em Pombal Ocidental…

16 de junho de 2016

Prioridades invertidas

Da CMP saem todos os dias Notas de Imprensa inúteis – propaganda barata que nos fica muito cara.
No entanto, há seis meses que não publicam as actas das reuniões do executivo. Não é por falta de recursos, é por má utilização deles.

Cumpram a lei. 

15 de junho de 2016

Luta de Galos II

Se, como tudo indica, Narciso Mota avançar mesmo, as próximas eleições autárquicas disputar-se-ão entre dois galos bravos: ele e Diogo Mateus. A terceira via caiu, se alguma vez se começou a erguer.
Neste contexto, a concelhia local do PSD limitar-se-á a cumprir, sem grande entusiasmo, a orientação dos órgãos nacionais: apoiar a recandidatura dos presidentes em funções, travando, desta forma, o regresso ao poder dos autarcas que foram afastados com a lei da limitação dos mandatos. Consegui-lo-ão? Em Pombal, as dúvidas são mais do que muitas. Por cá, a tradição diz-nos que o candidato do PSD vale mais que os outros todos juntos, mas Narciso Mota, neste momento, valerá mais do que qualquer candidato do PSD, nomeadamente o actual presidente da câmara.
Narciso Mota é uma ameaça terrível para todos, porque é favorito e tem uma autonomia estratégica invejável: ganhando, ganha a todos, e, perdendo, não perde nada. Cientes disso, os outros partidos movimentam-se para o aliciar ou apoiar, se avançar como independente. É uma opção que parece interessante – oportunidade de ganhar alguma coisa sem esforço - mas que não assegurará ganhos a nenhuma das partes, nomeadamente a Narciso Mota, cuja força advém do povo, não de estruturas partidárias - para ele são parcelas que não somam, reduzirão até o seu espectro eleitoral.
Diogo Mateus enfrentará uma batalha de ganha-ou-morre. Se ganhar afasta definitivamente a ameaça, se perder morre politicamente, sem glória e sem honra. Ficará para os anais da política local como a histórica de um príncipe que em pouco tempo perdeu um reino pacificado e rico.

8 de junho de 2016

Luta de Galos

Em Pombal, as eleições autárquicas, previstas para o ultimo trimestre de 2017, já estão ao rubro, com três candidatos – dois galos e um frango - do mesmo galinheiro, cobiçando o mesmo poleiro.
Ontem realizou-se a primeira refrega: longa (até às duas da manhã) e duríssima (com muita bicada e descompostura), mas sem triunfador. Tudo correu conforme os propósitos: eliminar ou enfraquecer os galos de crista-alta para fazer avançar o frango. O confronto mostrou a política partidária no seu esplendor, repleta das suas misérias e das suas grandezas. Podem não respeitar Narciso Mota, mas respeitar o PSD local é respeitar o muito que Narciso Mota deu ao partido.
A forma como decorreu a refrega confirmou o que sabíamos: (i) o partido não quer o regresso de Narciso Mota; (ii) o partido gostaria de afastar Diogo Mateus; (iii) o partido gostaria de avançar com Pedro Pimpão - sabe-se por quê e para quê, mas amanhã ainda não será a véspera desse dia.
Daqui se conclui que a vida não está fácil para ninguém. Mas o caminho fica claro para os diferentes protagonistas: Narciso Mota deve fazer o seu caminho, independentemente do dos outros, porque não precisa do partido, o partido é que pode precisar dele; Diogo Mateus tem que “usar” cargo e desgastar Narciso Mota, mas o problema está na dose, e aí já demonstrou inépcia no doseio do fel; Pedro Pimpão e os dirigentes a si ligados têm a delicada empreitada de gerir uma guerra e participar nela.
Está renhida a luta. Infelizmente só com galos da mesma capoeira. Na política, tal como na economia, a fortuna e a penúria andam sempre ligadas, são o resultado de vasos comunicantes descompensados, sabiamente estabelecidos.

4 de junho de 2016

Uma aposta ganha


Depois da estreia da nova produção do TAP (em parceria com a AJIDANHA, Companhia de Teatro de Idanha a Nova), o momento alto do Festival de Teatro de Pombal 2016 acontece hoje, às 21h30, no Teatro-Cine de Pombal, com a apresentação de Electra, pela Companhia do Chapitô. É o regresso a Pombal de um grupo que grande qualidade, num evento que constitui a mais sólida aposta cultural da Câmara Municipal de Pombal. Estão de parabéns os promotores pela consistência do projecto.