29 de outubro de 2016

O sangue-azul do Cardal

                                          Foto: Forum Pombal. Quando tudo corria bem. Ou parecia que sim.

Foi um ar que se lhe deu. Num dia Narciso anuncia uma conferência de imprensa para se apresentar como candidato - e convida meio mundo a comparecer, entre autarcas e dirigentes de todos os partidos - noutro cancela-a. "Lamentando e por motivos alheios à minha vontade, serve o presente para cancelar a data prevista da conferência de imprensa, até nova data a informar". 
O E-mail chegou às caixas de correio já passava da uma da manhã de hoje, e foi escrito depois uma discussão acalorada que o ex-presidente da Câmara manteve com Pedro Pimpão, à saída do jantar de inauguração do Bodo das Castanhas, em Vermoil. O mesmo jantar onde se esqueceram de guardar lugar para ele, na mesa das entidades oficiais. 
Da conversa entre ambos pouco se sabe pode contar, ainda,  que o povo é bem educado e não se abeira de uma discussão tão séria, com implicações tão grandes para a vida de ambos - e do concelho que é nosso. Mas as ondas de choque não se fizeram sentir. Quem saiu em defesa de D. Diogo (o mesmo é dizer contra Narciso) foi o doutor João Coucelo, que respondeu ao mail de Narciso, enviando a resposta para todos os mortais da mailling list O médico - ex-vereador de Narciso, ex-mandatário de Narciso, ex-presidente da Assembleia Municipal, sempre pelo PSD, sempre próximo de D. Diogo - arregaçou o punho de renda e fez o favor de dizer ao meio mundo convidado de Narciso aquilo que a estrutura local do partido ainda não tivera coragem de escrever:
"Caro Narciso
Devias cancelar as tuas intenções de candidatura que eticamente são condenáveis nos moldes em que o fizeste.Se persistes tens de te demitir das funções na A.M o que é o mínimo de decência que te resta nesta farsa.
Sempre fui solidário contigo nos momentos mais difíceis e nem sempre tive igual tratamento,mas mantive a discrição que se exige a quem na política só pretende o bem publico.
Não alinho em lutas pessoais e cruzadas de mau gosto.
O que está feito, feito está mas trata de desfazer males maiores".
A parte melhor desse e-mail vem no fim. É quando Coucelo se despede de Narciso "com amizade", qual Sousa Veloso aos agricultores que o viam, com respeito, aos domingos de manhã.
Isto promete ser uma campanha de avanços e recuos. E não apenas por parte de Narciso. Na comissão política concelhia, "recuo" passou a ser o nome do meio. Não é Pedro?

27 de outubro de 2016

Narciso, o renegado



Narciso Mota vai fazer uma fuga para a frente, no próximo dia 4 de novembro, no auditório da Caixa de Crédito Agrícola, e apresentar-se à imprensa como candidato à Câmara de Pombal. Sendo certo que o PSD já deu mostras várias de não o querer - as eleições hão-de confirmar uma evolução na continuidade, com Diogo Mateus - o mais certo é assumir-se já como independente, para não passar a vergonha de ser desmentido publicamente. Consta até que o próprio presidente do partido em Pombal já lho disse, na cara, depois de meses com as mãos a escaldar de tamanha batata quente. Quem conhece o Pedro Pimpão imagina-o a dizer a sentença a Narciso Mota enquanto engole as vísceras e segura as entranhas. Tal como a esmagadora maioria dos que vivem da política em Pombal, deve a Narciso Mota muito do ganha-pão. Mas isso são contas de outro rosário. Também Diogo as engoliu, por mera questão de sobrevivência política, ao longo de 20 anos.
É certo que o PSD não tinha grande saída, e mesmo não sendo D. Diogo o candidato ideal para um partido vincadamente populista, não havia como não o apoiar.
O problema nesta equação chama-se povo. É esse que vai contribuir ainda mais para partir o partido, é essa a grande base de apoio de Narciso Mota - porque o reconhece como parte integrante e não precisa de tirar o chapéu para lhe falar. Mesmo que neste tempo já não baste a empatia para ganhar eleições, a era Marcelo é esta, a dos afectos. Melhor fora que Narciso tivesse escolhido as Meirinhas para se apresentar. Se na quinta-feira aparecer sozinho, não se iludam. Até ao dia das eleições, o cenário será aquele aqui descrito: um exército que com uma mão segura a bandeira do partido e dá passagem a Diogo, e com a outra abre a porta a Narciso. Isto vai ser imperdível...

Teremos sempre Paris


O João Melo Alvim é desde esta semana Cônsul-Geral Adjunto de Portugal em Paris. Aqui na casa ficamos de peito cheio pela conquista do camarada Alvim, que sonhou connosco o Farpas e lhe deu corpo durante vários anos. 
É um orgulho para nós e para a comunidade emigrante, ver um pombalense ali destacado. A terra perdeu mais um dos seus melhores, mas ganhou-o o mundo - e todos nós, de certa forma.

22 de outubro de 2016

Partido

Os partidos são como a pescada: antes de o serem já o eram. Uns escondem-no, outros assumem-no. Nisto, o PPD/PSD é exemplar, e expressa-o bem.
O PPD/PSD local está partido. Nas próximas eleições autárquicas vai ter dois candidatos: Diogo Mateus pelo Partido e Narciso Mota como independente. Mas a divisão das hostes é tão profunda que se justificava que fosse um pelo PPD e outro pelo PSD.  

No fundo, a surpresa nem é tanto a divisão (natural), mas a forma dissimulada e determinada como se está a processar; o persistente jogo duplo de dirigentes e autarcas, que subscrevem um candidato e trabalham para outro. Por este andar, os resultados eleitorais vão ser uma caixinha de surpresas. 
É a política...

18 de outubro de 2016

Agora, até o turismo espanhol mama…

A CMP aprovou, por maioria com 3 votos contra dos vereadores do PS – Uff, acordaram! – um subsídio de 4.592,50 €, à Banda Filarmónica Ilhense, para esta participar no XII Encontro de Bandas de Música na Comunidade Valenciana - Valência – Espanha, entre 30 de Setembro a 2 de Outubro.
Este era um subsídio que até o Farpas ignoraria - é daqueles que o senso comum nos diz que é virtuoso. Mas não o é. Na verdade, é emblemático do conluio de interesses que a subsidiodependência gerou, e do estratagema de geração de poder que engendrou.
A vereadora da cultura, ávida de agradar e de captar agradecimentos para o príncipe, esmerou-se a pincelar a informação com as todas as cores do arco-íris. Mas fê-lo numa tela com fundo negro. O esquema parecia perfeito, se do outro lado não estivesse um ex-inspector, conhecedor profundo dos esquemas avançados dos espanhóis, na captação de excursionistas para as suas instâncias turísticas, na época baixa, preferencialmente junto de grupos financiados com dinheiro público.
Aqui, a oposição – nomeadamente o vereador Jorge Claro – esteve bem: foi oposição - mostrou, até aos mais cépticos, que o papel da oposição é indispensável à prossecução da boa governance, mesmo nos assuntos julgadas menores, ou politicamente inconvenientes. Segundo ele, “o encontro de bandas da comunidade valenciana foi em Julho”, e não entre 30 de Setembro a 2 de Outubro, como a informação refere; “o local previsto para a realização do evento dista 100 km de Valência, é uma estância balnear composta por edifícios turísticos, não há qualquer outra actividade económica a não ser o turismo, existem mais de 100 hotéis, é uma zona dedicada apenas ao turismo.” “Quem promove este evento é uma agência de viagens, com sede em Barcelona, e que tem uma delegação na zona”. A banda actuou num jardim em frente da unidade hoteleira Marina d’Or, perto da praia, - um complexo turístico com cinco unidades hoteleiras.
Falta saber quem tem maior responsabilidade no desvario: a vereadora que quer agradar ou o príncipe que precisa de agradecimentos. 
OH MEU POMBAL, que até o turismo espanhol subsidia! Se o teu castelo falasse mais vezes, tanta coisa que se saberia!

17 de outubro de 2016

O estranho caso da sondagem, ou a sondagem mais estranha


Poucos dias antes da notícia oferecida aos leitores do Pombal Jornal, na sua última edição, duas figuras do PSD perguntaram-me o que achava daquilo. "Então e a sondagem, que tal?"
Ora, como a última notícia que tivera de qualquer sondagem, foi quando Narciso Mota voltou de Lisboa - do encontro com Pedro Passos Coelho, onde alegadamente o líder lhe terá dito que o partido "ia fazer uma sondagem para ver se era ele ou Diogo Mateus o candidato à Câmara" - pensei que estávamos a falar dessa. Ficou-me sempre um punhado de dúvidas, caros leitores, agora agravadas:
1. Sendo vencedor absoluto na Câmara, o que raio iria o PSD fazer a Diogo Mateus, e voltar atrás, com Narciso Mota?
2. A haver sondagem, quem é que a fazia? O PSD nacional? O PSD local?
3.O que ganhava o PS em trazer à liça uma figura como o vizinho João Gouveia? 
4. O que ganhava João Gouveia em mudar-se para Pombal? A que propósito?
Por este andar, escrevemos um livro e fazemos um filme, no final de 2017. Poucas terras teriam um guião tão atractivo.

9 de outubro de 2016

O candidato que veio do...Bombarral

''Desejo um Portugal moderno, livre, em que o Estado — que deveríamos ser todos nós — garanta o direito universal à educação mas não obrigue os menos favorecidos a obtê-la em estabelecimentos públicos.''
Ó senhor Deputado do PSD, Licenciado, Mestre, Doutorando em Direito e Presidente da Comissão Parlamentar de Trabalho e Segurança Social, o que seria deste país com gente ''menos favorecida'' a estudar em estabelecimentos públicos?
Medo.
Tenham muito medo.

8 de outubro de 2016

Os vícios repetem-se


Ana Gonçalves e sua equipa, ávidos por mostrar serviço, continuam a evidenciar uma enorme falta de respeito pelos artistas que convidam. Tal como aconteceu com as Montras Poéticas ou o Taleguinho, o nome de quem leva a cena a ópera "A flauta mágica", de Mozart, é omitido ou não é referido de forma clara (parece ser a Escola de Música de Abiul). Amadorismo, ingenuidade, esquecimento? Não: egoísmo, leviandade e desrespeito! Mais do que promover a cultura e os seus agentes, a vereação da cultura da Câmara Municipal de Pombal pretende apenas promover-se a si própria.

Mas alguém se importa? Aparentemente, não. A comunicação social (97FM, Pombal Jornal), que tão prontamente carimba o nome da autarquia em todos eventos que esta promove, não revela qualquer curiosidade em saber quem lhes dá corpo e voz. Será que iremos ver Ana Gonçalves subir a palco amanhã, no Teatro-Cine, como a Rainha da Noite? 

6 de outubro de 2016

Importa-se de repetir, senhor presidente?

Disse mesmo que "não há uma delas que não tenha uma parque infantil decente..."? Quando é que marcamos uma visita guiada à EB1 de Pombal, a funcionar desde o ano passado no edifício Conde Castelo Melhor? Não é decente. Pela simples razão de que não existe.

5 de outubro de 2016

Um tiro certeiro

Na última AM, Ricardo Ferreira, do CDS, fez uma intervenção certeira (uma excepção em toda a assembleia). Escolheu bem o assunto e os argumentos (enquadrados com a realidade circundante, incisivos e inquiridores). Por outro lado, mostrou astúcia táctica: no aparte inicial, na condução da intervenção e no remake à mesa da AM (esteve bem Narciso Mota e mal o sec(re)tário) e a Diogo Mateus.
Dos outros, foi tudo tiros na água, ou “deixas” para o presidente brilhar. 



4 de outubro de 2016

Quixotescamente

A escolha do tema e a forma como o PS tem conduzido a polémica sobre a Unidade de Saúde Familiar do Oeste é um tratado de inabilidade política, como bem o desmontou Diogo Mateus, na assembleia municipal (ver vídeo, minuto 47).
Mas quem manda o PS trocar a sua postura mansa e pacifica por contendas arriscadas sem nenhum potencial de ganho?
Resultado: caíram logo na boca do lobo… É o que se chama, sair de casa para ir à procura de lã e vir de lá tosquiado.

3 de outubro de 2016

Megalomania

Megalomania é um transtorno psicológico caracterizado por delírios e fantasias de poder, relevância ou (até) omnipotência. Segundo Freud, pode engendrar uma paranóia.
Os delírios e fantasias da rapaziada politizada cá da terra foram sempre considerados excessos de uma adolescência retardada; tolerados porque, supostamente, seriam corrigidos pelo amadurecimento e não traziam nada de mau ao mundo. O pior foi quando lhes começaram a dar ouvidos; e o transtorno, no lugar de regredir, agravou-se.
Agora sim, o potencial de dano é real - dano colectivo, pago por todos nós. Ora vejam!

A propósito de populismo

Fala o roto do mal remendado...


2 de outubro de 2016

Pedro vai à escola


Pedro é um menino muito espertinho que adora a escola. Nos primeiros dias de Setembro a ansiedade é grande. Para não se esquecer de nada, os papás ajudam-no a preparar a mochila de véspera e, na manhã seguinte, é vê-lo saltitar de alegria, com vontade de chegar cedinho, antes dos outros meninos todos. 

O nosso Pedrocas é querido de toda a gente. Para além de muito simpático e bonito, o mocito não enjeita o trabalho e as responsabilidades. Daí que os papás, muito orgulhosos, aceitaram com agrado a sua vontade de visitar todas as escolas do país. Brilhante ideia! - disseram. Assim podes ajudar os outros meninos a ser como tu. 

Vai daí, abriram os cordões à bolsa e pagaram-lhe uma viagem por todo o país (incluindo as Ilhas). Afinal, o dinheiro que se gasta até pode ser um bom investimento. Quem sabe se, no futuro, não poderemos vir a ter uma geração de meninos bonitos como o Pedrinho? Não seria tão bom? Aposto que as más-línguas vão dizer o contrário.

30 de setembro de 2016

Estádio II

A história é simples:
Em Leiria um Plano de Mobilidade incendiou a cidade este ano. (itálico, note-se, significa que é uma força de expressão...)
Um grupo de cidadãos organizou-se e constituiu um Movimento de Cidadãos por Leiria, para contestar alguns aspectos desse Plano. Recolheram-se mais de 6000 assinaturas.
A Autarquia decidiu constituir um Grupo de Trabalho, integrando todas as forças partidárias e este Movimento, para produzir um relatório.
Democrático, não?
Só que o relatório, afinal, não traduz o que se passou nas muitas reuniões de trabalho.
Hoje à noite, em Monte Real, na Assembleia Municipal, a entrega deste pseudo-relatório (itálico, note-se) está agendada para o fim da sessão, que começa às vinte e uma horas no auditório do Cine-Teatro.
Mas a vida é muito mais que este relato a seco, não acham?
Na verdade, o futuro de Leiria e a forma como nos vamos, ou não, poder deslocar, viver e circular está em jogo. A discussão faz-se, convenientemente, longe dos holofotes, em Monte Real, hoje.
E pergunto-vos, a todos os que vivem em Leiria:
se pudessem ter participado em algum momento, no destino da vossa cidade e ter impedido o erro histórico que foi e continua a ser o estádio, teriam saído de casa a uma sexta-feira à noite?
Pois bem, têm agora a oportunidade de poder fazer alguma coisa de realmente importante pelo futuro de Leiria:
estejam presentes hoje na reunião da Assembleia Municipal de Leiria em Monte Real.
Vejam com os vossos olhos o destino de Leiria a desenhar-se.
Sejam parte activa na construção da democracia.
Ou então não.
Mas depois, se tiverem de viver numa cidade onde a mobilidade será uma miragem, calem-se.
Para sempre.

P.S. e sim também tenho filhos pequenos em casa, tarefas domésticas, mais que fazer à sexta à noite, mas tenho de viver com a consciência que me diz diariamente que se não fazemos alguma coisa pelo mundo que queremos ele não se construirá sozinho por milagre.
Partidas às 8,30 em frente ao Teatro José Lúcio da Silva e boleias partilhadas. Divulguem...

Mais e melhores farpas


Setembro despede-se do Farpas em grande, com a entrada de um novo membro no blogue. A partir de agora junta-se aos da casa Alexandra Azambuja, que traz com ela a realidade de Leiria - onde passamos a cravar farpas, na porção de ferro estritamente indispensável para deixar pendente um sinal.
Sabemos que chegamos a milhares de pessoas todos os dias, nos quatro cantos do mundo. Há muita gente interessada em saber tudo sobre os interesses instalados. Cá estaremos para o contar, como sempre.

27 de setembro de 2016

De como o príncipe está a sentir o cerco a apertar-se

Depois de uma semana laboriosa e de um fim-de-semana longo, cheio de eventos e ajuntamentos, de onde era esperado retorno muito proveitoso que invertesse o derribamento para infortúnio, o príncipe iniciou a semanada subindo pesarosamente a longa escadaria até ao trono. Tinha passado uma noite mal dormida, com pequenos apagamentos intervalados por sonhos sobressaltados com assombrações de fantasmas furibundos – confessou-o na abertura da reunião com o seu escudeiro.
O príncipe entrou no gabinete, deixou a porta aberta, e sentou-se no cadeirão. Sentia-se cansado: corpo dorido e cabeça pesarosa. Chamou o fiel escudeiro:
- Pança, vinde cá…
O escudeiro entrou e perguntou: - o que deseja Vossa Mercê?
- Senta-te, Pança, precisamos de falar, e eu de te ouvir. Sabes bem que te considero um fiel escudeiro, sempre pronto para todo o serviço. Tens-me ajudado nas muitas pendências em que me tenho metido, reconheço-o, por isso tenho sido generoso contigo… Mas, como sabes, as coisas estão complicadas, e por mais que me esforce para ser o que não sou, não se descomplicam. Dize-me, tu que te mexes bem no meio do povo, o que preciso de fazer mais, para ter povo.
- Quem sou eu para dar conselhos a Sua Alteza. É verdade que Vossa Mercê mudou muito nos últimos tempos, e tem usado todo o cardápio de afabilidades: sorrisos, simpatias e beijos; e abusado de esmolas, prebendas, feitorias, … Mas concordo com Vossa Mercê: a mesinha não está a resultar…
- Interrompeu o príncipe, ansioso: - dize-me Pança, por que não está a resultar, se eu me tenho esforçado tanto; e não sabes tu o quanto me tem custado, que isto de forçar o corpo, custa; mas contrariar a nossa natureza, violenta.
- Pois o problema pode estar aí mesmo; mais no curador do que na doença. A doença é muito ruim…
Atalhou logo o príncipe: - De que doença me estás a falar, Pança?
- Calma, calma, Senhor. Eu vou tentar explicar; e faltando-me doutas palavras, pego num exemplo conhecido, que se aplica bem ao (seu) caso. A sua maleza é uma espécie de tuberculose. E ocorre aqui como no caso do tuberculoso: no princípio é fácil a cura e difícil o diagnóstico, mas com o decorrer do tempo, se a enfermidade não foi conhecida nem tratada, torna-se fácil o diagnóstico e difícil a cura. Sua Alteza estará, com certeza, a aplicar a receita correcta; mas começou tarde, e talvez não vá a tempo da cura.
- E dizeis-me só agora, isso, Pança? O que dizem os meus ministros? Também eles, pensam como tu?
- Desculpe-me Alteza, mas entre príncipe e ministros não se deve escudeiro meter.
- Mas dize-me, dize-me, Pança? – inquiriu o príncipe marfado - sabes bem que te ordenei que os vigiasses.
- Quer mesmo saber a verdade, Senhor? Quer?
- Fala, Pança…Evita-me este penar.
- Acho que estão mais descrentes do que eu. Dizem-no à boca cheia pelos corredores, e lá por fora.
- Mas sabes bem, Pança; que estamos todos no mesmo barco, e se formos ao fundo…
- Eu não… Eu regresso aonde saí…
- Enganas-te, Pança. Ajuda-me a salvar-me, que te salvas também a ti.
- O que está feito, feito está; agora paciência e fé em Deus, e na Sr.ª do Cardal (minha querida Senhora). Da minha lavra, não sei o que se pode usar mais. Mas já agora, porque não se mexe Sua Alteza, junto de quem controla as forças divinas, onde se movimenta muito bem. Eu não o faço porque a minha condição não mo permite, mas continuo a assistir à missinha e faço as minhas orações, regularmente.
- Pobre terra - exclamou o príncipe - que nem tem com quem se possa tomar conselho nas incertezas, alívio nos queixumes, nem remédio na desgraça.
                                                                                                                                                                                                          Miguel Saavedra      

26 de setembro de 2016

Acto de contrição





Nada como agradecer e nomear a todos em geral e a cada um em particular. Foi há três dias, como poderia ter sido no século XIX.

O arranque da campanha

                                Foto publicada por António Sales
Falta exactamente um ano para as eleições autárquicas, e como não está marcado o dia, a única certeza que temos é que será a última edição organizada por este executivo de Diogo Mateus. Por isso mesmo, o arranque da campanha eleitoral aconteceu no evento que ontem terminou - e que voltou a ser um sucesso, se o medirmos em gente, movimento, e desta vez até em animação musical, bastante melhorada. 
Já se sabe que o PSD não precisa de fazer grande coisa para se fazer notar, pois que a presença do partido, organizado, nas festas e romarias, é uma certeza tão grande como o Natal em Dezembro. Também já percebemos que o CDS está apostado em ocupar o espaço da oposição, com uma pequena nuance: comporta-se como se fosse poder, trazendo figuras diversas e contribuindo para o êxito das feiras. Afinal, a herança de Portas ainda está para durar...
Ora acontece que foi o PS quem levou às tasquinhas esse arranque da campanha eleitoral. Se dúvidas houvesse, bastou a febre de sábado à noite, com mais de 50 militantes, quadros locais e distritais do partido, uma espécie de Perdoa-me dos nossos dias com a presença de António Sales e o regresso de Adelino Mendes (O registo de dinâmica continuará hoje à noite, com um plenário distrital em...Pombal). Observando ao pormenor, destacam-se ali os três vereadores do PS e a sua mudança de estilo na oposição. Já todos reparámos que perderam as peneiras e já votam contra, quando se justifica, como apontam o dedo e abandonaram o registo unanimista e morno que caracterizava Marlene Matias, Aníbal Cardona e Jorge Claro. É este quem está a dar a cara à estratégia.
Temos candidato.

22 de setembro de 2016

Academia, mas pouco


Os nossos sociais-democratas promoveram nova sessão de homenagem a Mota Pinto. E se, há dois anos, apelidaram a iniciativa de tertúlia, desta vez optaram pela pomposa designação de Academia. Nada contra; cada um escolhe o nome que mais gosta. O que me entristece, mais uma vez, é a opção por limitar os intervenientes à estrita esfera partidária. Será que não há ninguém fora do partido e da família que consiga dizer duas palavritas elogiosas a propósito de tão insigne pombalense?

21 de setembro de 2016

O Orçamento Participativo

A ideia é uma boa ideia: financiar as propostas do cidadão comum, aquele que não lidera uma colectividade nem fez carreira partidária autárquica. Mas a história volátil do Orçamento Participativo em Pombal faz-se mais de oportunismo do que de oportunidades para a sociedade civil. São as colectividades - já abonadas pela Câmara, como em poucos concelhos do país - que têm levado vantagem. De maneira que ver ali no meio do rol deste ano um projecto como este - apresentado por pais de crianças autistas - é uma boa razão para levar o caso a sério e votarmos. A lista está disponível aqui, e a discussão pública decorre esta quinta-feira, 22, pelas 21 horas, no Teatro-Cine de Pombal.

19 de setembro de 2016

O exemplo de Ansião, outra vez

                                                   foto retirada da página do Facebook do PSD/Pombal

O presidente da Câmara de Ansião anunciou estes dias que não se recandidata ao cargo. Fê-lo nas páginas de um jornal local, e embora não seja muito claro a explicar as razões deste abandono prematuro, dá um sinal que devia servir pelo menos para reflexão, a muitos correlegionários. 
Lembro-me de Rui Rocha enquanto adjunto de Fernando Marques, enquanto líder da JSD, e mais tarde enquanto vereador. É discreto, ponderado, e tem uma dose de coragem que aprecio nos políticos, o que faz dele o homem certo na comissão política distrital do PSD, sem folclore.
Não sei se vai ser administrador de alguma empresa, se quer ter a experiência (legítima) da Assembleia da República, mas sei que no vizinho Ansião deixa uma marca, à conta daquele equilíbrio entre o rapaz da terra que faz por ela tudo o que pode, e o político que escapa à propaganda, sabendo que isso da Jota já foi há 20 anos e por isso há um tempo para tudo...
A verdade é que é mais um quadro do PSD em condições de ocupar qualquer lugar fora daqui. E isso não é bom para D. Diogo nem para Pedro Pimpão, em primeiro plano, nem para todo o séquito, em segundo. Mas é bom para o eleitorado.

15 de setembro de 2016

Quando o feitiço se volta contra o feiticeiro

O feitiço é a nova e grandiosa Extensão de Saúde da Guia: um presente envenenado que o príncipe quis ofertar ao Estado e aos súbditos do oeste. Engano seu: o Estado não o agradeceu e a maioria dos súbditos rejeitam-no. Assim, o feitiço virou-se contra o feiticeiro. O príncipe foi, mais uma vez, pouco astuto: fez o que não lhe competia fazer e arrisca-se a ficar com o odioso da coisa, a ter mais prejuízo que proveito, à porta das eleições
Tanto assim é, que o empreendimento está concluído há muito tempo, mas ninguém lhe quer pegar. Até já foi ocupado clandestinamente, mas, estranhamente, ainda não foi inaugurado. Há muito que os senhores doutores ocuparam os gabinetes do novo empreendimento, e por lá ficaram sem reparo. Recentemente os funcionários administrativos, por não suportarem o efeito de estufa da envidraçada sala de recepção, nos tórridos dias de Agosto, seguiram-lhe o exemplo: pegaram nos computadores e mobiliário e mudaram-se para as novas instalações. Falha deles, que logo chegou à tutela que ordenou o retorno imediato às velhas instalações (nesta terra não são permitidas veleidades à arraia-miúda). Só que, decisões despropositadas e injustas são de implementação difícil; e, apesar de a temperatura ter amainado, os funcionários continuam nas novas instalações.
O príncipe revela muita indecisão; mas, nestas coisas, costuma dizer-se que o perigo está na tardança. E o pior está para vir!

13 de setembro de 2016

Obras benditas que se tornam malditas

As obras necessárias são sempre bem-vindas, se vierem no tempo certo. Não é o caso das obras na Etap e Rua Fernando Pessoa / Escola Marquês de Pombal. Este tipo de obras, dentro das escolas ou na sua periferia, deveriam decorrer no período de férias.

É verdade que a capacidade de planeamento da CMP nunca foi muita, mas parece ter-se agravado. Fazer obras volumosas nas escolas ou na sua periferia durante o arranque do ano lectivo revela uma enorme falta de bom senso, porque colocam em risco a segurança das crianças, pais e transeuntes.

9 de setembro de 2016

De vez em quando lembram-se de Mota Pinto



No princípio, era o busto: várias figuras de Pombal clamaram, durante anos, por uma homenagem a Carlos Alberto Mota Pinto, que aqui nasceu e viveu até à juventude, embora nunca tenha estabelecido com Pombal grande ligação. Depois veio a Junta de Freguesia com um prémio que não passou da primeira edição, e só depois a Câmara decidiu comprar a casa onde nasceu o professor, primeiro-ministro de Portugal em 78/79, fundador do PPD e um dos vultos da memória social-democrata. Depois foi o que está à vista, na casa em frente ao Teatro-Cine de Pombal.
Entretanto, os órgãos locais do partido acabam de criar um evento com o nome do vulto: é a Academia Mota Pinto, descrito na página do facebook como "Um evento de formação e reflexão cívica que se pretende anual". 
Talvez seja mesmo essa a melhor forma de homenagear um pensador. É preciso é que seja consequente, e não à imagem do que têm sido as tentativas falhadas pelos órgãos autárquicos. E por favor, não o tentem transformar numa espécie de universidade de verão.

7 de setembro de 2016

O Dia da Educação: obrigada, Eduardo Sá

                               Foto: Município de Pombal. Retrato da plateia

Nota prévia: Começo este post como os oradores de ontem, no Dia da Educação: a agradecer ao Município de Pombal, o município "Educador", como lhe chama Diogo Mateus numa brochura distribuída aos participantes (educadores de infância e professores do primeiro ciclo), em que divulga ao pormenor os investimentos avultados nos edifícios que albergam as escolas. Mas essa é outra conversa. Participei na sessão enquanto mãe, integrada numa pequena delegação da Associação de Pais de Pombal, em formação, cujos primeiros órgãos sociais hão-de ser eleitos nas próximas semanas, depois do regresso às aulas. Obrigada à Câmara de Pombal por ter convidado Eduardo Sá. Espero que tenham filmado tudo e reproduzam num filme bonitinho, como é costume, porque todos merecem ver e ouvir o que disse.

"Se eu mandasse um bocadinho, convidava o senhor presidente da Câmara a colocar em todas as portas dos jardins de infância de Pombal a frase: Proibido ensinar a Ler e Escrever", disse ontem em Pombal Eduardo Sá, que o Município convidou para palestrar no Dia da Educação - uma operação de charme anual para dar as boas-vindas aos educadores de infância e professores do primeiro ciclo. Nessa altura Diogo Mateus já não estava na sala, mas alguém lho disse, certamente. O que o psicólogo queria dizer é que começa aí o combate contra a criação de "uma linha de jovens tecnocratas, primeiro de fraldas e depois de mochila". Todos iguais, bem comportadinhos, melhores alunos dentro da sala de aula, exemplares no recreio, excelentes na extensa lista de actividades que lhes preenchem os dias e as noites.  "A escola não serve para isso", disse Eduardo Sá, que ali desfiou uma série de verdades incómodas para a esmagadora maioria da plateia. Antes dele, tinham subido ao palco os três directores dos agrupamentos de escolas de Pombal (Fernando Mota) , Gualdim Pais (Sara Rocha) e  Guia (António Duarte). Depois de o ouvirem, tenho a certeza de que alguns guardaram rapidamente os papéis, corados de vergonha. Retive, contudo, a intervenção de Sara Rocha. Regozijou-se com a boa-nova de um jardim infantil que a Câmara vai construir na Gualdim Pais, "porque a escola é muito mais do que a sala de aula". Porque, como tão bem lembrou, "há crianças que ali chegam às 8 da manhã e só vão embora às 19". Mas este é o país em que os adultos reclamam "35 horas semanais para a função pública, enquanto as crianças passam 52 horas na escola", disse Eduardo Sá, ele que teve esperança "que a ASAE olhasse para alguns recreios". Seria bom, sim. Assim como seria boa a sugestão que deixou, de "criar um quadro de honra para os alunos faladores", ou "um quadro de excelência para os que têm uma vida familiar desastrosa e que ainda assim não desistem, contra a escola e contra os pais". Em vez disso, a escola resolve colocá-los de castigo no intervalo, privando-os dele. "Vivemos numa escola mentirosa e batoteira, que segrega os meninos de uma determinada faixa social", notou, certo de que "todas as crianças são geniais e todas têm necessidades educativas especiais", que precisam de brincar, sobretudo. porque "brincar não é uma actividade de fim-de-semana". No fundo, o que o psicólogo diz é tão simples: olhemos para os alunos como crianças, como pessoas, e menos como números da excelência e do sucesso. Não sei o que pensam disto os senhores do EPIS, mas calculo.  Acredito que teríamos uma sociedade muito  melhor, no futuro, se gastássemos menos energias com a ditadura dos trabalhos de casa e mais com actividades que os enriquecessem, pessoalmente. Depois lembro-me de uma reportagem que fiz no mês passado para o DN, e dos números dramáticos sobre a média de idades dos professores em Portugal. Sobre o número crescente de professores com doenças incapacitantes. Como é que queremos uma escola nova sem sangue novo?
E depois há a realidade, que nos apresenta milhares de professores no desemprego, parte de uma geração em que investimos tanto. Não poderia ter sido mais adequada a escolha da música que a jovem Íris foi cantar ao palco, naquela sessão: "Para os braços de minha mãe", esse hino à emigração legada pelos últimos anos de austeridade, que assenta tão bem neste concelho. Provavelmente, essa foi a parte destinada aos pais e encarregados de educação. 


2 de setembro de 2016

OPA florestal

No geral, o poder local tem tido dinheiro a mais e políticos a menos – incapazes e sem visão (sem modelo de desenvolvimento para o concelho). Quando há boas ideias nunca há dinheiro a mais, mas quando não há ideias pode haver dinheiro a mais. Pombal é um caso desses.
Nas três décadas posteriores ao 25-Abril de 74, o poder local granjeou uma imagem positiva. Na maioria dos concelhos faltava quase tudo: infraestruturas básicas (estradas, água, saneamento) e equipamentos sociais (pavilhões, piscinas, escolas, lares, espaços de lazer, etc.). Logo, não havia dúvidas no que fazer, só era necessário fazer. Os autarcas criaram a imagem de grandes fazedores de obras e de reivindicadores de fundos. Os governos interesseiramente foram-lhes alimentando os propósitos, as obras foram-se fazendo e os orçamentos das câmaras foram crescendo, até que, as necessidades de obras foi decrescendo mas os orçamentos continuaram a crescer. Há hoje municípios onde está tudo feito, no que toca a infraestruturas e equipamentos socias. No entanto, muitos autarcas continuam a gastar o que têm e o que não têm, a destruir recursos e a acumular endividamento com obras sem utilidade: asfaltagens de estradas onde ninguém circula, construção ringues onde não há jovens, recuperação de aldeias condenadas ao abandono, empedramento de estradas e construção de parques de merendas onde não há vida, já tomadas pelas silvas.
No meio disto encontram-se algumas câmaras com gestão mais prudente, que satisfizeram as necessidades básicas e mantiveram sempre um bom equilíbrio económico-financeiro. E há até câmaras, como a de Pombal, que satisfizeram as necessidades básicas e acumularam reservas financeiras avultadas. Mas, como diz o povo: após um poupador vem sempre um gastador.
A câmara de Pombal é um caso extremo de dinheiro a mais e ideias a menos. Atiram-se a tudo: o que não é preciso e o que não lhes pertence (infraestruturas e equipamentos do governo, IPSS, benfeitorias privadas). Chega a parecer que a preocupação essencial é esvaziar o cofre.
A última “brilhante” ideia é uma OPA sobre a floresta. Por várias razões, a OPA não terá sucesso. E ainda bem que não o terá. Se o tivesse transformava um problema em dois, não resolveria o problema do ordenamento florestal e, se houvesse grande adesão e um investimento significativo, colocaria em risco a sustentabilidade da câmara. Logo, não é para levar a sério, é mais um show-off próprio de campanha eleitoral.
Uma câmara que vê todos os dias árvores que plantam na cidade e as deixa morrer à sede não pode ter grande preocupação com o arvoredo, o seu ordenamento e manutenção.

Adenda: A apresentação da OPA foi um desastre: falta de espaço para as pessoas, não audível pela maior parte dos presentes e sem direito a perguntas. Pelos vistos, destinava-se unicamente à recolha de fotografias para os sites. Uma sugestão: não usem as pessoas.

31 de agosto de 2016

A história do pinheiro desgovernado que deu subsídio

O tal pinheiro desgovernado estatelou-se no chão sem antes ter raspado e arrancado umas telhas numa casa próxima. Mas o pior foi o que veio depois, muito tempo depois.
Testemunhas presentes no momento do incidente garantem que a queda do pinheiro não provocou danos significativos na habitação próxima; mas se os provocou, o correcto teria sido a reparação imediata dos danos pela entidade que os provocou – Câmara ou PMUGest - ou activando o seguro que deveria existir. Mas não há registo de qualquer pedido de indemnização ou reparação dos danos pelos proprietários nem da intervenção das responsáveis pelo abate. Por outro lado, a Junta de Freguesia das Meirinhas – território do pinheiro – nada fez, porque nada tinha a fazer.
Então, porque é que a Junta de Freguesia de Vermoil, que não tinha nenhuma responsabilidade no sucedido, se meteu - passados dois anos – ou quatro como dizem testemunhas presentes - neste caso, pedindo à Câmara um subsídio para a “Reparação de danos numa casa” causados por “corte do pinheiro que caiu sobre a habitação em fins de Marco de 2014”? E porque é que o pedido é feito com um orçamento de 7000 € e a informação ao executivo solicita um subsídio de 1450 € + IVA a pagar à Junta? Se a reparação foi feita e acarretou despesas – o que não é seguro – e, se foi feita de imediato, como dizem, porque é que o pedido de subsídio foi feito anos depois? E porque é que não apresentaram factura da reparação?
Bem sabemos que o presidente Ilídio é muito piedoso. E que o piedoso não é, simplesmente, movido pela preocupação com felicidade do outro, mas pelo seu próprio prazer, pelo retorno da (suposta) boa-acção, pelo benefício próprio. E como o demônio dos homens é o amor ao poder, o homem político é um piedoso falso.
A história do pinheiro desgovernado que deu origem a um subsídio é uma farsa, ridícula e muito mal enjorcada, que expõe a falta de decoro dos protagonistas até ao enjoo.

29 de agosto de 2016

A história do pinheiro desgovernado

Contam os registos oficiais, sem concretizar data e hora, que por finais de Março de 2014, a Protecção Civil foi alertada para o risco de queda de pinheiro ou de pinheiros, para a estrada, numa encosta, onde o talude tinha sido limpo, poucos meses antes, aquando do alargamento e asfaltagem da via. Contam igualmente os registos que o pinheiro foi forçado a cair, provocando ou um incidente com prejuízos para terceiros. Mas há testemunhas que garantem que o incidente ocorreu dois anos antes e não provocou prejuízos significativos.
Os dados por agora conhecidos indicam que o incidente com o pinheiro desgovernado daria uma bela novela jornalística. Aqui, vamos tratá-lo de acordo com o nosso estilo: curto e afiado. Consta que a vereadora com o pelouro da Floresta, alertada para o potencial perigo, contactou imediatamente o comandante e expôs-lhe a situação. Puseram-se logo de acordo no que fazer: abater imediatamente o pinheiro (ou os pinheiros). Pegaram na motosserra, montaram-se na 4x4 e partiram para o local. A história tem mais protagonistas e envolveu mais meios, mas como os registos oficiais os ignoraram, ignoremo-los também.
O comandante (homem de acção) chegado ao local verificou que alguns pinheiros na encosta poderiam cair para a estrada e colocar em risco quem passasse na via. As coisas não se passaram bem assim, mas porque assim rezam os registos oficiais, e porque diferente versão não desvirtua a moral da história, adiante, que há muito para contar, e ficcionar). O que não consta dos registos é se foi feita avaliação dos riscos para a casa próxima.  
Verificado o perigo avançou-se para ele. O comandante deu corda à motosserra, aproximou-se do pinheiro com o propósito de o derrubar encosta abaixo. Corte de um lado, outro do lado oposto, e zás. Ainda o segundo corte não ia a meio e já o maldito pinheiro se começava a deitar, não sem antes ter rodado pela ponta cerca de um quarto de volta, talvez por ter nascido e crescido retorcido e quisesse agora libertar as tensões que acumulou. Ou talvez porque tivesse sido alvo de mal-olhado, mal próprio de certo tipo de pessoas, mas que não está provado que não possa também atingir outros seres. Ordenou pois a sorte, e o diabo (que nem sempre dorme), que o pinheiro não obedece-se ao comandante, e desabasse na direcção errada. Quando o triste destino se começou a desenhar, a vereadora ficou em pânico e suplicou à Virgem Santíssima que o endireitasse, mas ela estava ocupada noutros serviços ou não lhe quis valer (e lá terá as suas razões, e não foi por estar a dormir – o diabo dorme, mas os santos não dormem, fazem-se esquecidos, ás vezes, muitas vezes, até).
O pinheiro, conduzido pelas leis e forças da física, e desobedecendo à metafísica e à fé, acelerou o retorcido movimento e estatelou-se no solo, atingido a casa próxima. 

25 de agosto de 2016

Obras paradas


Logo depois deste post, foi um ar que se deu às máquinas em movimento. Sendo assim, resta-nos agradecer ao Município de Pombal este acto nobre de saber ler o Farpas e emendar o erro. Vêem como não custa nada fazer as coisas bem feitas?

24 de agosto de 2016

Subsídios sagrados III

A CMP atribuiu, por unanimidade, um subsídio de 2.800 €, à Fábrica da Igreja Paroquial de Pombal, para a publicação do Boletim “Luz e Esperança”.

A pantomima religiosa prossegue.

22 de agosto de 2016

Subsídios sagrados II

A CMP atribuiu, por unanimidade, um subsídio de 7.500 €, à Fábrica da Igreja Paroquial de Santiago de Litém, para a obras no recinto da capela.

18 de agosto de 2016

A tórrida Silly Season

A silly season vai tórrida, no clima e na política local. Com os dois galos no terreno, em marcação cerrada, voltou a terceira via – o frango.
Da oposição nem sinal de vida.
O príncipe perdeu o pé, tenta acertá-lo mas troca-o a cada passada mais arrojada. As inflexões bruscas não rendem dividendos - a populaça, com o tempo, foi percebendo as manhas dos políticos - e a aproximação aos súbditos marca passo ou regride, apesar do esforço para refrear a altivez; pese embora as penitências custosas, como interromper férias para ir a procissões e arraiais. Mas o piedoso cristão não cola com o gambuzino pagão, o aristocrata não casa com o mundano e a colagem a apoios que desabonam também não.
O príncipe está mal assessorado, com estratagema seguido perde nos dois terrenos: na câmara e na rua. Como centralizou tudo em si, e passa agora mais tempo por fora, a câmara entrou em serviços mínimos – em modo eleitoral. Os ministros (que nunca o foram) nada decidem e nem verdadeiros despachos dão, limitam-se ao mínimo: a roda-viva por festas, arraiais e procissões. E até isso fazem a contragosto, porque sabem que o presente não tem futuro, independentemente do destino da coisa. Entretêm-se, por lá, divertidamente, a achincalhar o pai. Os dirigentes há muito que estão em serviços mínimos, mais preocupados em não fazer (não errar) do que em fazer.
Chegados aqui, a terceira via foi reactivada (se alguma vez esteve morta). Compreende-se: uma estrutura partidária que se acha invencível não pode aceitar papel de simples expectadora de uma luta de galos que não regula. Daí, empurra novamente Pedro Pimpão para a frente, e este está já no terreno a avaliar e a conquistar apoios. O arriscado estratagema dos líderes do partido passa por, primeiro, eliminar os dois galos, fragilizando-os e forçando-os à desistência, e, depois, lançar a terceira via, o partido, o eterno-jovem Pimpas. A coisa parece clara e transparente. Mas incorrem na mesma tolice da mosca quando se depara com a janela de vidro: pensa que algo transparente não oferecerá resistência ao atravessamento. Puro engano. Chocam de frente com a realidade: dois galos duros de roer.

Nesta grande procissão do destino, bastaria a Narciso Mota esperar sentado. Só que – e há sempre um “se” nestas coisas – Narciso Mota não gosta de estar sentado e de esperar. 

17 de agosto de 2016

Hey, DJ, falta saber o preço das Festas do Louriçal


Quando em Julho de 2015 foi constituída a associação recreativa Critérios e Tradições, com sede no Louriçal - cujo principal objecto é organizar as festas de Agosto - estava aberto caminho para que os poderes públicos contribuíssem para a boda. A Junta de Freguesia assegura "oficialmente" 10 mil euros, mais a iluminação e outras miudezas (que rondarão os 30 mil euros) e a Câmara Municipal mostra a generosidade galopante para com o Louriçal com um apoio de 5 mil. O presidente da comissão/associação/organização é o benemérito António Calvete, que - já se sabe - é uma alma generosa. Este ano quis verbalizar todo o sentimento louriçalense ao discursar, na abertura das festas. Toda a gente percebeu que está encontrado o director de campanha de Diogo Mateus (João Pimpão, já foste), tal o nível elogioso que imprimiu nas palavras que lhe dirigiu.  Disse também que nunca o Louriçal conheceu um executivo da Junta tão bom como este, o que é de uma abnegação sem tamanho, já que ele próprio foi presidente da mesma junta. É certo que isso só aconteceu "porque já na altura o José Manuel não quis". No Louriçal, todos sabem disso. O actual presidente escudava-se sempre no facto de "ter uma porta aberta". Ora aí está: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. A porta continua aberta e a Junta...também.
Desse momento único na sessão solene das Festas do Louriçal ficam duas impressões:
1. Ninguém sabe quanto custam as festas. 
2. Não há almoços  discursos grátis.
Mas sabe-se que os recintos ficaram mais vazios este ano. Nem todas as colectividades acederam pagar entre os 500 e 2000 euros (para alguns pequenos expositores 300 euros também é dinheiro) dependendo do espaço, ao que acrescia a venda obrigatória das pulseiras, 10 euros cada, para os quatro dias de festa. Talvez os mais antigos se lembrem como a ganância matou as festas do Louriçal, há muitos anos, antes de renascerem nos anos 90. E esses também mereciam alguma programação, durante o dia, que não fosse apenas o rancho e a banda filarmónica, nos dias 13 e 15.
O resto esquece-se tão depressa como aquela intenção manifestada em tempos por certo ex-vereador, ao tempo de Narciso Mota, que por tudo queria convencer o então presidente a demolir a casa de Calvete, por falta de licença. Mas isso foi noutra vida.


11 de agosto de 2016

Pimpão deputado e Pimpão líder local do PSD




A modéstia e a imodéstia são duas faces da mesma moeda. Mas o elogio de boca própria é vitupério. Se fosse por algo excepcional, haveria atenuante; agora pela assiduidade!!! Actualmente, até o profissional mais básico sente remorso com elogio insincero ou despropositado. Pior, ainda, quando o (falso) elogio está associado ao que se faz em proveito próprio.

9 de agosto de 2016

Onde pára a praça de Táxis?

Está a tornar-se provisoriamente definitiva a localização arranjada à pressa, há três anos, para os táxis da cidade de Pombal. Se bem se lembram, estavam ali ao Cardal, antes da regeneração urbana. Pela dose de paciência manifestada até agora, os taxistas de Pombal não são apenas a antítese dos de Lisboa: merecem a medalha municipal da tolerância, exequo para quem utiliza o serviço, na sua maioria idosos. De forma que o senhor Cardoso, 90 anos já batidos, tem um dilema de cada vez que vem a Pombal, à segunda-feira: esperar pelo autocarro até às 18, e desidratar nos 40º à sombra, ou apanhar um táxi, mal se despache das suas voltas, e desidratar mais depressa. 


8 de agosto de 2016

Meu querido mês das obras


É preciso ter pontaria para isto: uma estrada nacional que já é naturalmente caótica, um cruzamento naturalmente perigoso, a primeira semana de Agosto em Portugal (coisa que se nota por demais em Pombal) e retomam em força as obras que hão-de mudar isto tudo. A foto é desta manhã de segunda-feira escaldante, e é uma pequena amostra do caos instalado à entrada/saída da cidade, numa altura em que a população triplica. 
Às vezes parece-nos que isto fará parte de uma estratégia para desertificar a cidade em Agosto: no mês em que voltamos a ter gente nas ruas, há quase nada em matéria de animação para os que cá estão. Até às sedes de freguesia programaram noites de verão, festas de homenagem aos emigrantes, seja o que for. Aqui fazemos obras - quem é que não fica impressionado com aquele aparto, hum? - enervamos os automobilistas logo de manhã, e assim arranjamos maneira de os mandar de volta às suas aldeias. Vai-se a ver e é um plano, nós é que ainda não descobrimos.

5 de agosto de 2016

Coerência e pedagogia que se pratica por cá

Criticam e censuram o relator de um trabalho sobre Educação, porque o relator submeteu o trabalho sem assegurar o acordo de todos os membros (como se fosse possível obter consenso com quem não o quer, como posteriormente se viu), apesar de o relator ter ressalvado, na nota introdutória, que um dos membros do grupo de trabalho não subscrevia o documento.
Mas recusam qualquer alteração a acta que refere unicamente as intervenções favoráveis à estrutura e ignora todas as críticas aos documentos submetidos pela estrutura, e que, por via dessas críticas, foram retirados da agenda.
E esta, hein?!

4 de agosto de 2016

AEC, uma realidade camuflada

As Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) são uma medida governamental de reforço das competências dos alunos do 1.º ciclo que visam, em parte, uma adequação local da oferta educativa de forma a fazer face a necessidades específicas - um instrumento fundamental para, no 1.º ciclo, reduzir assimetrias de desenvolvimento das crianças, nomeadamente das que provém de famílias que desconhecem ou não valorizam determinadas dimensões do desenvolvimento das crianças ou não possuem a capacidade para o fazer. As AEC não devem, em momento algum, ser confundidas com Componente de Apoio à Família; são instrumentos que respondem a necessidades totalmente diferentes e, consequentemente, devem ter objectivos distintos.
Na delegação de competências com as autarquias e agrupamentos ou escolas não agrupadas o ministério da educação deixou grande liberdade organizativa e programática. Tal, deveria ter proporcionado soluções que optimizassem a utilização dos recursos e a obtenção de resultados. Em Pombal, os agrupamentos de escolas não quiseram assumir-se como entidades promotoras. Avançou a câmara, mas delegou a competência nas freguesias que não possuem recursos nem competências na matéria e, por isso, subcontrataram o serviço a entidades e/ou técnicos sem critérios de exigência aceitáveis e em regimes de grande precariedade. Os agrupamentos abdicaram, também, das suas responsabilidades na concepção, supervisão e acompanhamento das AEC. Os resultados são os conhecidos:
As AEC não estão enquadradas por objectivos definidos no projecto educativo do agrupamento;
Os conteúdos programáticos não estão estabelecidos, o que provoca uma falta da continuidade dos conteúdos/programas ao longo dos anos e dentro do mesmo ano;
Os objectivos – níveis de domínio das actividades – não estão estabelecidos, para cada nível de ensino;
As AEC não são avaliadas de forma regular e sistemática;
A dispersão de responsabilidade por várias entidades, a que se junta a deficiente articulação entre as diferentes entidades envolvidas, compromete a qualidade ao longo de todo o processo;
O processo de selecção dos formadores e o regime precário da contratação, que provoca substituições frequentes dos formadores – chega a atingir 7 formadores, por ano, na mesma turma - compromete a falta de continuidade dos programas e dos resultados.
Nenhum dos intervenientes das diferentes partes envolvidas tem o descaramento de negar as falhas, mas também não querem tomar medidas de fundo que melhorem o processo, nomeadamente:
A planificação (conteúdos programáticos alinhados com o projecto educativo), realização e avaliação das AEC pelos agrupamentos (única entidade com competências centrais para o fazer);
A selecção e aprovação dos formadores, respeitando os requisitos da legislação e com competência alinhada com o conteúdo programático, centralizada nos agrupamentos;
- Horários desfasados para as AEC (uma hora no início do período da manhã, outra no final do período da manhã e outra no início do período da tarde) para permitir uma carga lectiva atractiva para os formadores.
Numa terra onde o faz-de-conta se sobrepõe ao que conta, continuamos a fazer de conta naquilo que é mais determinante para a nossa qualidade de vida: a Educação.

3 de agosto de 2016

Deem água às árvores, sff

No Dia Árvore, os nossos políticos gostam muito de posar para a fotografia a plantar uma árvore. Mas rapidamente se esquecem dela.

As obras no Barco provocaram um desnecessário abate de árvores. Mas a câmara mandou plantar umas dezenas ao longo da via. Negócio.

Sucede que a câmara nunca regou as novas árvores. Resultado: matou-as à sede – vinte, contei eu, e estão mais na corda-bamba. 
Não é por falta de água. Por que será, então?

1 de agosto de 2016

Casa Varela vira restaurante

A jornalista pergunta: E a Casa Varela, quando terá a utilidade cultural de que se tem falado nos últimos anos?
Responde D. Diogo: “Será aberto um concurso público para as obras ainda este mês. É um processo que sob o ponto de vista arquitectónico e funcional está resolvido. A ideia é que venha a dar lugar a um espaço expositivo, performativo e de produção, ao mesmo tempo que terá actividades em regime cowork (espaços de trabalho partilhados), sendo que na base, ao nível da cave, será um equipamento hoteleiro, de restauração, que dará apoio a toda a frente ribeirinha”. Ahhh! “O promotor do investimento é o município de Pombal, mas não significa que não possamos a ter outras entidades a participar, nomeadamente na programação de actividades e dinamização do espaço.”
Estão a ver a frente ribeirinha? E a escassez de oferta de restauração na zona?
Ao longo de mais de duas décadas, a câmara abriu pela cidade, e não só, vários negócios de restauração e cafetaria. Ainda não conseguiu equilibrar a exploração de nenhum! E insiste, insiste, insiste! Paga munícipe.