2 de maio de 2018

Ousadia e vaidade


Num estilo jactante e gabarola, muito ao gosto de Pedro Pimpão, a Junta de Freguesia de Pombal fez, no facebook (onde mais poderia ser?), o balanço dos seus primeiros seis meses de actividade. O "dinamismo ímpar" e a "ousadia" com que a Junta se adjectiva, só rivaliza com o "apoio fantástico" e o "enorme potencial" usados para qualificar os pombalenses. Nem Pedro Viera faria melhor nas suas "inspirações para uma vida mágica".

A continuar neste ritmo frenético, a Junta de Freguesia corre o risco de acabar (se é que ainda não acabou) com todo o potencial criativo independente em Pombal. Entre tertúlias, palestras, ciclos de teatro, bailes de carnaval, festivais musicais, nada escapa ao dinamismo de Pimpão y sus muchachos. Ao ler a lista incompleta(?) de iniciativas, fico com uma sentimento dúbio: por um lado, não posso deixar de enaltecer a energia da equipa; por outro, tenho que criticar a forma como o supérfluo tem ofuscado o essencial, relegado para o final da lista, num discreto "etc, etc".

Como o tempo é de festa e de exaltação, deixo o meu contributo para as festas populares que se avizinham, talvez para acompanhar com um fadinho conhecido:

Pedro Pimpão e a sua equipa tão airosa
Quis um dia dar nas vistas
E saíu com o Roma e o Pedrosa
P'ra fazer suas conquistas

Manhas antigas, vaidade louca
Anda o Pedrito a bailar de boca em boca
Triste bizarra, em comunhão
Anda em Pombal cabisbaixa a oposição

1 de maio de 2018

Sua excelência o presidente dos social-democratas de Pombal: Manel


Estava assim sem rei-nem-roque, já há semanas, o PSD de Pombal, quando ontem à noite a rede foi inundada pela "mensagem do Presidente". É verdade que as eleições são só no próximo fim-de-semana, mas no oeste é atar e pôr ao fumeiro, de maneira que o único candidato conhecido para inquilino da rua Luís Torres resolveu apresentar-se logo como presidente, e está arrumada a questão. Talvez não valha a maçada de sair de casa para exercer o direito de voto. Deve ser essa a mensagem subliminar que está ali, naquele panfleto digital. Ou então, há várias hipóteses para esta atitude patética de Manuel António:
1.  Está como gato escaldado, e antes que à última hora lhe tirem o tapete, é melhor apresentar-se já como presidente
2. Foi isso que Pedro Pimpão lhe mandou fazer, pois que todos sabemos que foi ele quem o resgatou da desgraça em que caíra, da humilhação a que Diogo Mateus o sujeitou no processo do Conselho Geral Transitório do Agrupamento de Escolas de Pombal, bem como na Junta de Freguesia.
3. Tem saudades de ser presidente. É legítimo e ninguém lhe pode levar a mal.

Como a mim não me volta a enganar, nem estou em condições de votar nele, só tenho pena. 

Dez anos de Farpas - Seguidores 13

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Dez anos de Farpas - Seguidores 12

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Dez anos de Farpas - Seguidores 11

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Dez anos de Farpas - Seguidores 10

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Dez anos de Farpas - Seguidores 9

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Dez anos de Farpas - Seguidores 8

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30 de abril de 2018

Dez anos de Farpas - Seguidores 7

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Dez anos de Farpas - Seguidores 1

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Compra de Cemitério, um estrugido de podres


A discussão da proposta da câmara de aquisição do cemitério dos Mendes, à associação local, foi um verdadeiro estrugido de podres: obra ilegal; obra para actividade vedada a privados, obra financiada com subsídios e fornecimentos de materiais à-la-carte, sem aprovação e sem registos; e, finalmente, a aquisição de uma coisa que é do povo (foi feita pelo povo), com o dinheiro do povo, novamente com o dinheiro do povo.
Depois - também grave-, a débil oposição que temos: um e outro, enterrados até ao pescoço no lodaçal (mas com o outro, a propor um esquema, à socapa, que os salvaguarde, que os proteja; outra, a mostrar, novamente, uma incapacidade política confrangedora, agarrada a formalismos e ao preço (neste caso não é, claramente, a questão fulcral); a Anabela, que neste ponto, foi a melhor – não disse nada.

28 de abril de 2018

Ó minha senhora...




Narciso Mota deve cada voto do movimento que criou para as autárquicas a ele próprio. Só. Tenho para mim que cada cromo que escolheu para completar a caderneta contribuiu claramente para a sua derrota. Atente-se neste discurso, que só um assomo de benevolência de Diogo Mateus permitiu, num ponto que nada tinha a ver com o assunto enrolado pela vereadora Anabela.
Parecia que estava a adivinhar.

Oh Narciso

Faz o que é preciso…
Foste poderoso, estás impotente; foste temido, estás frouxo; foste obedecido, és desobedecido; promoveste quem te despromove; pagaste tudo, nada recebes…
Põe travão nesta patética forma de fazer oposição.
Publicado por:Adelino Malho

25 de abril de 2018

Dez anos de Farpas


Quando, na noite de 24 para 25 de Abril de 2008, lançámos o Farpas, com o propósito de “farpear os interesses e os poderes instalados, os oportunistas e os manhosos, a hipocrisia e o servilismo, a obscenidade e o desperdício. E dar nota do gesto simples e desinteressado, da exemplar cidadania e da excelência”, estávamos longe de imaginar que a aventura cumpriria uma década, nomeadamente com a penetração e o reconhecimento, entretanto alcançado. Nós fizemos por isso, e as circunstâncias ajudaram muito.
Preocupámo-nos, desde o início, em fazer uma coisa séria, com estilo e propósito claros. Começámos pelo mais simples: apontar casos que evidenciavam os vícios e os podres dos poderes instalados; depois, evoluímos para a crítica sociopolítica incisiva, fracturante, mordaz. Ao mesmo tempo, fomos melhorando o embrulho com mais imagem, cartoons e, mais recentemente, vídeo – obrigado Diogo. Há pouco mais de três anos entrámos no Facebook - em boa hora o fizemos…
Passados dez anos, somos o que somos, porque como escreveu pessoa, no poema que serviu de mote ao debate do 10.º aniversário, “somos do tamanho do que vemos…e não do tamanho da nossa altura”nunca fomos tão poucos e nunca valemos tanto! Na verdade, somos grandes por que vemos muito. Da janela das nossas casas no cimo do nosso outeiro, de lados opostos, vemos este (nosso) universo, este Pombal.
A nossa única riqueza – como diz Pessoa – é ver. Ver o que a maioria não vê ou não quer ver. Nestes dez anos apurámos muito a capacidade de ver, de ver para além da superfície, de radiografar a realidade. Nesta aldeia que Pombal continua a ser, não “existem grandes casas que fecham a vista à chave”. Aqui, o céu e o inferno estão à vista do olhar atento; e a realidade mais obscura está logo debaixo do véu, basta levantá-lo. Sim, nesta aldeia, conhecemos-nos todos, o presente e o passado, o que é bom e mau. Bom por que nos permite ver tudo com mais clareza, antecipar passos, movimentos, alinhamentos, intrigas, rupturas…Mau por que farpeamos gente conhecida, pessoas de carne e osso, amigos ou inimigos, das nossas vidas.
A missão a que nos propusemos não é fácil, nomeadamente numa terra onde existe uma profunda aversão à crítica; numa cidade maioritariamente constituída por gente que veio da aldeia para o meio urbano, mas trouxe a aldeia consigo; assumimo-la porque alguém a tinha que fazer.
Nestes dez anos, o que conseguimos? No debate, o Adérito afirmou: só derrotas! E justificou-o com os resultados eleitorais. Não subscrevo a avaliação. Prefiro olhar para o copo meio cheio: estimulámos e enriquecemos muito a cidadania, a cultura política e o debate de ideias. E nós crescemos, também, muito neste processo; porque acreditamos que a troca de ideias, como afirmou Bernad Shaw, é a troca mais enriquecedora, porque quando  quando se troca uma ideia com um amigo, cada um fica com duas ideias. Muita gente instruída não percebe isto, mas quer ter sucesso na vida pública. O Farpas vai continuar a praticar a troca de ideias.
Viva o Farpas. Viva a Liberdade.

23 de abril de 2018

A propósito do discurso do medo

Em Democracia, o discurso do medo é a confissão da impotência. Em Democracia só os medrosos têm medo. Em Democracia há medo? Em Pombal há medo? Há! Pela simples razão que há medrosos - muitos!
Os medrosos são ineptos na política; logo, não devem estar na política.

20 de abril de 2018

Café (des)Concerto

Regozijamo-nos com a forte adesão ao jantar-debate comemorativo do 10.º aniversário do Farpas e da Liberdade. Tínhamos projectado um evento maior - um encontro de nacional de blogs. Amputaram-nos a ambição, mas não a determinação.
Aludindo à relevância e ao carácter excepcional do evento e da data, para o Farpas e para Pombal, solicitámos, com a devida antecedência, o Café-Concerto. Mas o tecnocrata, o “velho do Restelo”, que convive muito mal com crítica e não revela sentido de serviço público, recusou. Com a recusa não prejudicou o Farpas, prejudicou-se; não se desforrou, enterrou-se mais. Prejudicou o espaço morto que não sabe dinamizar e rentabilizar, e prejudicou muitos pombalenses. Em resumo,  prejudicou Pombal.
Bem pode Diogo Mateus clamar, na AM, respondendo a uma questão sobre supostos abusos na realização de determinado tipo de eventos, que o que interessa é dinamizar o Café Concerto e que todo o tipo de eventos são bem-vindos, independentemente da sua proveniência ou tipo. Diogo; com ajudantes destes, nunca serás ajudado.

19 de abril de 2018

Esgotado!


Amigos: Uma extraordinária adesão ao aniversário do Farpas leva-nos a comunicar a todos que as inscrições para o jantar-debate fecharam esta manhã. A lotação está esgotada! 
Tudo se encaminha para conseguirmos transmitir esse momento tão importante para a liberdade de expressão e para a democracia em Pombal. Estejam atentos!

16 de abril de 2018

Pombal spring fest


Está a decorrer a KLIK, Semana da Juventude de Pombal. Entre road shows, sessões inspiring e comedy, seminários onde se aprende o que é o mentoring e o papel dos business angels, entre outros temas, o programa conta ainda com DJs e live concerts. Amazing! Do riquíssimo programa, destaco (talvez pelo contraste) o baile abrilhantado por Graciano Ricardo. Os jovens pombalenses terão, mais uma vez, a oportunidade de poder dançar ao ritmo do artista fétiche do PSD local. Para o ano espero que os nossos autarcas não se esqueçam da teclista Vânia Marisa. Ou do performace pombalense Dr Zappa, que tanto apoiou a comitiva laranja nas últimas eleições. Aí sim, aplaudia de pé.

15 de abril de 2018

10 anos de Farpas: o jantar-debate




O Farpas comemora 10 anos no próximo dia 25 de Abril. Começamos a festa de véspera, na noite de 24, com um jantar-debate que promete. Para nós, é hora de repensar tudo, de discutir, de abrir os olhos ao mundo e perceber o que acontece à nossa volta. Vamos ouvir as experiências de outros blogues, como o Aventar e o Azinheiragate. E que honra é ter connosco a plataforma É Apenas Fumaça! Sabemos que o povo é sereno, e que alinha numa boa conversa. Como os lugares são limitados, é imprescindível reserva para qualquer um d'Os da Casa ou para o mail farpaspombalinas@gmail.com
Venham daí fazer a festa da liberdade ;) 

13 de abril de 2018

Raspanete

Ao contrario do que lhe é habitual, José Gomes Fernandes usou o registo enigmático para passar um grande raspanete ao(s) político(s) que “não sabe(m) dizer “não””, “não tomam as medidas que são necessárias …porque tenta-se ser agradável, ir pelo mais fácil” e “não podem andar permanentemente na comunicação social…e nas redes sociais”.
Para quem é estava ele a falar? Não era, com certeza, para os políticos da oposição; por que esses, coitados, não podem dizer “não”, não podem ser agradáveis, nem podem andar na comunicação social.

12 de abril de 2018

Oh doutora Ofélia

Ele já a tinha avisado para não se apoiar em papéis escritos por outros…
Por que é que lá foi, no ponto seguinte, com os mesmos papéis/argumentos? Acusou; ele pediu-lhe que apontasse exemplos; e a doutora calou-se!
Resultado: foi ao tapete, desta forma comovedora…

A independência tem uma prima

...que vai sempre à Assembleia Municipal de Pombal, envolta num sectarismo atroz. O doutor João Coucelo sabe bem que não é por dizer banalidades com ar superior que as mesmas se tornam verdades absolutas. Bem pode ele dourar a pílula quanto quiser, que a realidade é uma chatice. Ora vejam:


11 de abril de 2018

Nesta, a presidente esteve bem

A presidente da AM não tem estado à altura do cargo - tem vestido sistematicamente a camisola do partido.
Mas nesta esteve bem! Na verdade, não era uma questão de defesa da honra, era uma questão de saúde – de saúde mental. Percebeu-o rapidamente, ao contrário do outro.

Os presidentes (des)alinhados

Nas últimas eleições autárquicas, o PS e o movimento de Narciso Mota (NMPH) só tiveram uma única alegria: vitória na junta da Redinha (PS); vitória na junta do Oeste (NMPH).
Foram vitórias de Pirro. Depois de eleitos, os dois presidentes de junta colaram-se, de imediato, à maioria; e (parece que) Paulo Duarte e Gonçalo Ramos cortaram qualquer alinhamento político com as forças pelas quais foram eleitos. No Oeste, o presidente vai soar as estopinhas para derrubar a oposição que o PSD lhe faz, pelo menos (ou apenas...) localmente, a não ser que Diogo Mateus dê ordens ao nosso lacaio do partido para abrandar.
Tudo isso é bem visível na Assembleia Municipal: alinham sempre com a maioria e contra as forças pelas quais foram eleitos; e fazem-no de forma gratuita, já que, ali, não contam para nada.
Esta postura política ultrapassa, em muito, a quebra (pontual) da indispensável solidariedade política: configura traição política – mudança de campo. 

O caso do CDS em Abíúl, no último mandato, deveria servir de lição. Mas para isso é preciso que a oposição seja capaz de aprender. O resultado está à vista de um cego.

10 de abril de 2018

O Jovem Deslumbrado – Take II

O jovem João Antunes do Santos atingiu a maioridade política e, talvez por isso, mudou o registo: delegou o discurso laudatório ao poder nos novos jotas e assumiu o encargo de bater na oposição.
Na primeira investida escolheu mal o opositor. Resultado: foi ao tapete. Na última assembleia, voltou a escolher mal a temática e os argumentos; mas, como não teve réplica adequada, fez o seu pequeno brilharete.

Este tipo de jovens, formatados na cartilha neo-liberal, salivam e mordem logo o isco quando ouvem falar de impostos – no caso, subida da carga fiscal -, mostrando, regularmente, ignorância do que falam – como foi o caso.

9 de abril de 2018

Tacanhos: olhem para a frente!



Diogo Mateus tem muitas qualidades. Entre elas - como está bem de ver - uma certa predisposição para o digital. "Temos que olhar para a frente!" - diz ele. Talvez quisesse acrescentar "para cima", apontando ao castelo, quando o assunto é o posto de turismo que retirou da entrada da cidade e foi esconder nas muralhas. Nesta conversa, só faltou dizer que o posto de turismo não faz falta nenhuma na cidade, pois que, no concelho onde vive, "qualquer cidadão pega na sua app, no seu portátil" e vai.
Terá alguma razão no que diz, o presidente. Há uma certa franja que o faz, sim. Mas nesse momento senti que lhe faltava um banho de realidade. E intrigou-me - outra vez - por que raio foi ele libertar o espaço construído de raiz para o posto de turismo para lá instalar...uma agência de viagens. É um povo tacanho este, que não alcança a sabedoria dos botões de punho. E que tem o desplante de achar que o handicap do turismo em Pombal é a falta de um posto de turismo à entrada, acessível a todos.
Não, não é. É mesmo a falta de turistas. 

Discussão do Relatório de Gestão

A Prestação de Contas Anuais é – deveria ser - um momento político marcante para o executivo (e o partido que o apoia) e, por maioria de razões, para a oposição. O executivo sujeita-se ao exame com o que fez e os resultados que alcançou; a oposição examina (deveria examinar) o executivo: reconhecer o que o foi bem feito e apontar, fundamentadamente, o que foi mal feito ou o que não foi feito, em função daquilo que o executivo se propôs fazer ou daquilo que a oposição acha(va) que deveria ter sido feito.
Constata-se, repetidamente, que o executivo sabe embelezar a execução com malabarismos orçamentais, e sabe passar a mensagem. A oposição examina mal, ou não examina sequer, e parece não ter consciência que ao examinar mal ou ao não examinar, examina-se.
A oposição contínua sem ânimo, deixou cair os braços ou ergue-os somente para cumprir os serviços mínimos. Só assim se compreende que duas forças políticas - CDS e BE - não tenham, sequer, participado na discussão do Relatório de Gestão; e as outras duas - PS e NMPH - se tenham limitado a listar um conjunto de trivialidades desconexas, sem qualquer fio condutor, e um ou outro ponto vital mal albardado com tautologismos simplórios (exemplo: executou-se mais receita de capital porque tivemos muitos fundos comunitários).
A oposição, da esquerda à direita, revela uma gritante falta de consistência, coerência e memória. Por isso, põe-se a jeito: é facilmente contraditada, desmentida, desqualificada. E, pior ainda: como não replica (no bolso leva só os discursos escritos), sujeita-se, de forma inglória, ao descrédito.
Ora vejam.

PS: bancada da maioria está ao mesmo nível da oposição: fala do que não sabe (exemplo: Saldo de Gerência) e debita banalidades e com pose doutoral. 

Ana e a geringonça


Há muito que queria dar os parabéns ao município de Pombal por ter aderido à Artemrede. Mais ainda quando soube que a nossa vereadora da cultura, Ana Gonçalves, passou a integrar a sua estrutura directiva

A Artemrede tem como grande mentora Catarina Vaz Pinto, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, o que, por si só, é uma garantia de qualidade. Mas a associação é muito mais do que as personalidades e os municípios que a constituem, e a prova está no excelente trabalho que tem desenvolvido, desde 2005, tanto no apoio à criação artística como no da programação cultural.

Um traço que relevo é o facto da rede integrar municípios de quadrantes políticos distintos. A actual direcção, constituída por Catarina Vaz Pinto (Presidente, Lisboa, PS), Luis Dias (Vice-Presidente, Abrantes, PS), Daniel Figueiredo (Moita, CDU), Luis Miguel Calha (Palmela, CDU) e Ana Gonçalves (Pombal, PSD), mostra como equipas com diferentes sensibilidades políticas podem trabalhar bem em conjunto. 

O maior envolvimento Ana Gonçalves nesta interessante geringonça evidencia o forte compromisso de Pombal com este projecto e com os seus objectivos. Numa altura em que se discute tanto a indigência orçamental a que tem sido votada a Cultura em Portugal, é bom saber que Pombal subscreve as conclusões do 2º Fórum Político da Artemrede, onde claramente se defende a necessidade de aumentar de forma progressiva e substancial o Orçamento de Estado dedicado à Cultura. Os meus parabéns!

8 de abril de 2018

Vergonha alheia: o deboche

Já lá vão muitos anos, no tempo em que a Assembleia Municipal era uma coisa séria, assisti a um episódio repugnante: um militante do PSD veio do Louriçal (o Toninho Roque deve lembrar-se disso...), foi espreitar uma reunião, e sem saber as regras, sentou-se no lugar dos deputados. Nesse tempo a disputa fazia-se taco-a-taco entre o PSD e o PS, e na bancada deste último, alguém notou o atropelo - e denunciou-o. Só que, entretanto, na bancada do PSD também se dera pela façanha, e rapidamente foi corrigido o tiro. Quando o deputado socialista chamou a atenção da mesa, já o intruso lá não estava. No PSD riram-se todos muito, fazendo passar por tolo o autor da chamada de atenção, que já não está entre nós. 
Conto este episódio para lembrar que não é de agora o gosto pelo deboche que reina entre os psd's locais, peritos em ser fortes com os fracos e fracos com os fortes. Não encontro palavra melhor que essa tão usada pelos irmãos brasileiros para expressar o que aconteceu naquela última hora da AM, sexta-feira passada, na forma como destrataram a deputada do BE, Célia Cavalheiro.
Aquela gente está ali para nos representar, supostamente.
Pagamos a cada um deles para nos representarem, ainda por cima.
Em cada sessão, cada um ganha qualquer coisa como 76 euros. A conta de luz de uma ou duas famílias. Muitas rodadas de cerveja no Gentil - onde o engenheiro Rodrigues Marques deveria ter continuado. Uns bilhetes para a tourada em Abiul. Uma idas às compras. Ou que seja a falaciosa atribuição a uma instituição de caridade.
O mínimo que esta gente nos deve, a todos e a cada um, é respeito. 
O que aconteceu foi grave. Indecoroso. Vergonhoso - sobretudo para cada um daqueles e daquelas que goza, descaradamente, com o exótico BE, com a cara da Célia. Aqueles e aquelas que, na sexta-feira, mostraram que continuam a ser farinha do mesmo saco, que nunca deixaram de ser, afinal, um único partido.


7 de abril de 2018

O Farpas foi à assembleia

Para sentir o pulsar da coisa ao vivo. Ainda não tínhamos acabado de subir a escadaria e já o Pança, sempre atento às ocorrências, se deslocava para nos receber com muito donaire. O Miguel Saavedra teria gostado, com certeza, de apreciar o momento. O Pança pode ser pançudo, mas tem mais elegância democrática do que muito (falso) democrata de esquerda.
O Farpas ficou surpreendido com a presença do fugidio José Gomes Fernandes, e logo primeira fila, já como adjunto do novo líder do partido. O Manel vai ter o homem certo para bater na oposição; já só falta a oposição.
A assembleia decorreu em tom ameno e cordato*. O retiro espiritual fez muito bem a D. Diogo – gostámos particularmente do seu tom paternalista com o rapaz do CDS –; e os efeitos fizeram-se sentir, também, na primeira-dama: esteve muito menos interventiva.
A oposição marcou presença. Parece, cada vez, com menos ânimo.

*Adenda: se descontarmos o triste momento final.

Regimento, fato à medida


Em Democracia, tal como na sociedade, os interesses são contraditórios; e por sê-lo devem ser contrabalançados; umas vezes com acordos mínimos, outras com acordos máximos, mas nunca abdicando da defesa dos interesses de cada parte.
No jogo democrático parlamentar os interesses da maioria e da oposição são naturalmente divergentes. O regimento do órgão deve procurar contrabalançar essa divergência, proporcionando um debate profícuo de todas as matérias, e assegurando à oposição condições plenas de se afirmar como alternativa, por que, se a alternância democrática funcionar – o que seria desejável –, quem é hoje poder, amanhã será oposição, e vice-versa. Só que, em Pombal, há muito se perdeu esta noção; há muito que a maioria impõe e a oposição aceita. O regimento da AM, agora revisto e aprovado, traduz na plenitude esta realidade.
António Pires ainda esperneou; mas cedeu, tal como os outros (todos) à unanimidade burra da aprovação de um regimento que desvirtua o jogo democrático. No parlamentarismo existem dois momentos igualmente importantes: o momento da discussão e o momento da decisão. No momento da decisão, o peso na decisão é proporcional à representação de cada força política (princípio da proporcionalidade); mas no momento da discussão, as diferentes forças devem ter igual oportunidade de expressar os seus argumentos. Em Pombal, a oposição está tão vergada que há muito perdeu a consciência dos seus direitos e deveres, ou sente-se mais confortável não os exercendo.

6 de abril de 2018

Guia prático para utilizadores da Assembleia Municipal



foto: Diário de Leiria

Reúne amanhã o órgão máximo do município, num ambiente propício a uma boa discussão política. Senão vejamos:
1. O PSD está sem liderança desde há duas semanas (Pedro Pimpão despediu-se do mandato no facebook), pelo que a reunião da AM será não apenas um teste como um palco para o novo líder, que há-de ser eleito em Maio, "quando o sangue novo atiça" - lá dizia o poeta. 
1.1. Espera-se uma entrada em pleno de José Gomes Fernandes.
1.2. É reservar lugar para assistir a esse desfile de líderes-de-bancada na primeira fila. Juntar João Coucelo e JGF do mesmo lado da barricada tem tudo para correr bem.


2. O PS está motivadíssimo depois do "congresso histórico", pelo que os quatro magníficos (alô dr. Célio, é amanhã. Se não puder avise. Não faça essa desfeita a quem o convidou com tanto empenho) deverão levar preparado um naipe de intervenções políticas como a ocasião merece. 


3. Do CDS e do PP esperam-se intervenções várias.
a) Henrique Falcão estará a elencar o conjunto de elogios possíveis ao executivo.
b) Ricardo Ferreira (ou Pedro Pinto) estarão a fazer todo um trabalho de casa. Apostamos em como o tema das florestas e das responsabilidades que o município não assumiu virão à baila? E bombeiros...a talho de foice.


4. O NMPH...pois o NMPH é um problema. Assumir o papel de oposição é tão estimulante como comprometedor. Com a ausência anunciada de Manuel Barros (as melhoras, daqui lhe desejamos) vamos ver quantos galos cabem naquele poleiro.


5. Finalmente, o Bloco de Esquerda. É exótico achar piada às propostas do BE. Mas desde que uma única deputada conseguiu fazer aprovar uma medida - não obstante a ameaça por parte de certo dirigente do PSD de que isso nunca mais aconteceria - que a maioria tem cautelas e caldos de galinha. Mas não lhe basta. A presidente-em-modo-secretária viu-se obrigada a enviar duas versões da ordem de trabalhos aos deputados, pois que insistia em deixar de fora as quatro propostas adiadas na última sessão. Vamos ver que bancadas têm coragem de denunciar que o rei vai nu, que não é o presidente da Câmara que decide o que a presidente da AM deve ou não incluir na agenda. Não é bom para ninguém, nem sequer para a auto-estima da senhora. Para a democracia, pois.

5 de abril de 2018

Revisão do Regimento da AM


Amanhã, vai à Assembleia Municipal (AM) a discussão e votação o novo regimento. De novo, para além das intervenções do público passarem do final para o início da reunião, nada. E esta alteração far-se-á por que aqui a exigimos; e por que a discussão, muito participada, que depois se fez, deixou pouco espaço para manter o anacronismo.
Muito mais haveria a fazer - ao nível regimental - para tornar os debates mais frutuosos. Mas quem caminha ao pé-coxinho não pode dar grandes saltos. Por isso, fica (quase) tudo na mesma…
Todas as forças políticas, representadas na AM, participaram na comissão informal de revisão do regimento; resta saber duas coisas: (i) se todas se revêm no documento e o aprovarão; (ii) e, por consequência, que conceito de Democracia (representativa) têm.

3 de abril de 2018

Retrato da gestão do ciclo eleitoral


O gráfico anexo, retirado do Relatório de Gestão, mostra a Evolução da Despesa nos últimos 5 anos; demonstra a gestão cuidadosa do ciclo eleitoral: forte despesa de capital em ano eleitoral, queda abrupta nos primeiros anos de mandato e nova subida no ano eleitoral.
O que é que isto provoca?
1.º - Eficácia eleitoral no uso da despesa de capital.
2.º - Ineficiência na gestão dos recursos.

2 de abril de 2018

Notícias do concelho que se diz amigo das famílias


Como assinala o JN, em 2017 (com efeitos na declaração que agora vamos submeter), 114 concelhos devolvem parte ou o total do IRS a que têm direito. Pombal não consta da lista – não devolve IRS às famílias de que se diz muito amigo.
A CMP tem dinheiro a mais: terminou 2016 com 8,9 milhões e 2017 com 5,4 milhões de Saldo de Gerência positivo. Ou seja: recebe mais do que aquilo que necessita; e, pelo meio, ainda faz obras que não são da sua responsabilidade. No final sobra-lhe muito, mas não devolve nada.

29 de março de 2018

Conversa de Marretas

A reunião do executivo da CMP, que decorreu na passada semana, era uma das mais importantes do ano, por que da agenda constava - de entre outros assuntos - a discussão e votação do Relatório de Gestão e Prestação de Contas 2017 e uma proposta de Revisão ao Orçamento para 2018 e Grandes Opções do Plano 2018-2021.
Os vereadores da oposição participaram na reunião, discutiram durante quatro horas e meia – mais parecia uma conversa de marretas - e votaram os documentos mais importantes para a gestão da câmara, sem os terem analisado, porque – dizem - não lhes foram entregues atempadamente.
Na verdade, poder e oposição estão bem uns para os outros: o poder não respeita a oposição, e a oposição não se dá ao respeito.
Reparem bem neste exemplar: pede encarecidamente, e repetidamente, ao longo de toda a reunião, que o presidente assegure a entrega atempada dos documentos!

28 de março de 2018

A oposição que temos…

Foram à última reunião do executivo dois pedidos de extensão do prazo de entrega de obras.
O movimento NMPH tem três representantes no executivo. Michael António argumentou contra mas absteve-se; Narciso Mota votou a favor, convicto, com reparos a quem se absteve; Anabela Neves concordou com os dois colegas, e absteve-se!

27 de março de 2018

Que trata dos preparativos do Príncipe antes da sua partida para o retiro espiritual

O Príncipe adiou a partida para o Retiro Espiritual para poder mostrar publicamente que a tradicional fortaleza inimiga, esmagada na última contenda, está dominada e assimilada. Depois, mandou chamar o Pança para lhe passar as incumbências a cumprir durante o seu retiro espiritual, onde irá aprender os ensinamentos de S. Josemaria Escrivá: santificar o trabalho e a vida quotidiana; praticar a caridade, a humildade, a justiça e a paciência; cultivar a oração e a penitência; respeitar as opiniões alheias; ter uma família numerosa; não “ter uma vida dupla”; obedecer ou ir-se embora; aprender a dissimular ou a mentir.
Depois de uns dias de ausência, o Pança apresentou-se no trono folgado e desejoso de mostrar serviço nas artes de mandar. Começou o Príncipe:
- Como sabeis, Pança, partirei na próxima semana para o Retiro Espiritual, onde espero reencontrar a Graça de Deus e ser por Ele iluminado para cumprir a minha missão na terra e os altos desígnios a que me propus.
- Que nesse local sagrado, as estrelas fortifiquem a vossa divindade divinamente, os profetas do Senhor vos abençoai e vos faça merecedor do merecimento que merece a vossa grandeza, e, dessa forma, a nós também – desejou o Pança. E acrescentou: - muito gostaria de participar nesses encontros; e agora, que já me fiz governador de um condado, bem poderia Vossa Mercê meter uma cunha por mim.
- Parece que não aprendes, Pança; já te disse que estes encontros não são para gente da linhagem dos Panças.
- Não se exalte, Alteza. Era só para testar a sua bondade.
- Sois ingrato, Pança; bondade contigo é o que não me tem faltado…
- Desculpai-me, Alteza; eu cá não sou desagradecido, estou sempre às ordens de Vossa Alteza, a quem me liga minha obediência, para sempre, por laços comungais.
- Estais preparado para assumirdes a governação, na minha ausência?
- Não sou diplomado com o Senhor, ou o “Nanito”, mas tenho a escola da vida: aprendi com Vossa Mercê as praxes da cortesia e a saber usar a cenoura e o chicote; já sei pedir um favor, mas prefiro ordená-lo; já sei escolher o caminho mais curto, ou como chegar lá por desvios; e, se algo me escapa, uma vez sabido, sei como remediá-lo.
- Já sabeis bastante da arte de mandar, Pança; mas falta-te descrição e astúcia para não pareceres um fanfarrão que só diz pilhérias; modera vaidade, a ambição e a inerente maldade. 
- Cada qual é como Deus o fez. Mas não há só uma forma de tocar os burros; para mim, isso, hoje, é como comer e beber; e já aprendi que o porco que mais come é o mais calado. Ficai descansado: quem corre por gosto não cansa - é realmente agradável mandar e ser obedecido - não receie Vossa Mercê, meu Amo, que eu me desmande - afiançou o Pança.
- Assim espero, Pança. Mas árdua tarefa te deixo: tereis que meter os ministros e alguns dirigentes a trabalhar. No terreno não aparece nada feito. Os ministros aparecem-me nas reuniões de cabeça despida, boca aberta, sem dizerem palavra. Uma desligou; outra ainda não ligou (continua em tirocínio); as obras não andam ou andam tortas; o Jota não faz e o pajem ajuda-o.
- Ficai descansado, Senhor meu.
- Não poderei ficar, Pança; porque conheço-os bem: dizem sim a tudo, mas depois…
- Deixai-os aos cuidados do meu desprazer, Alteza. Saberei amarrá-los ao nosso despotismo; sei bem que a via da imposição e da autoridade é mais segura que a da astúcia.
- Não vos esqueçais de apertar com o Jota&pajem: quero a floresta limpa até ao final do mês - reforçou o Príncipe.
- Com a limpeza atempada da floresta não me posso comprometer, Alteza. O ministro Jota só pensa na jota (há eleições, agora - anda sempre em eleições), e o pajem, coitado, parece sofrer de manqueira.
- A lei tem que ser cumprida, Pança; se ele não fizer, faze tu – ordenou o Príncipe.
- Fazer, fazia; mas falta-me tempo…Má altura: tenho que me desdobrar por aqui e pelo meu condado, onde estou a organizar o Festival das Favas.
- Fazei como entenderdes; se a floresta não for limpa a tempo, alguém vai ficar com a fava. Ai vai, vai.
                                                                                                                 Miguel Saavedra

A queda do império


As notícias sobre essa galinha dos ovos de ouro (nascida e criada no Louriçal) estão a sair a conta-gotas. Nem tudo é mau, neste relambório. Para os restaurantes cá do burgo cumpre-se aquela máxima de que 'não há boa nem má publicidade, há publicidade'. Nesta notícia da revista Sábado sobre os "crimes de corrupção activa e passiva, peculato, falsificação de documento agravada, burla qualificada e abuso de confiança qualificado", em que, segundo a acusação do Ministério Público, o Estado "foi prejudicado em 30 milhões de euros, sendo que parte desse dinheiro foi gasto em jantares, férias, viagens e cruzeiros", também sai prejudicado um restaurante dos nossos, pois que a designação correcta é 'Os Amigos da Velha Caroca'. Feito o reparo, sempre gostava de saber o que têm agora a dizer os camisola-amarela desta vida, que há coisa de dois anos rasgaram as vestes em defesa deste modelo. 

Para memória futura, fica o registo: "Em 2006, a acusação refere que foram consumidas, às refeições, bastantes garrafas de vinho "cujo preço variou entre €75 e €120 a garrafa".  Já em 2007, o ano em que o valor das facturas apresentadas foi mais elevado, registaram-se €8.673,74 gastos em restaurantes como O Manjar do Marquês, Cervejália, Amigos da Velha ou Puttanesca. 

No ano seguinte, os arguidos foram clientes de dois restaurantes principalmente: O Manjar do Marquês e o Tirol. Os restaurantes emitiram facturas no valor de €2.100 e de €2.671,10, respectivamente, ao longo do ano".

Gaiteiros nas ruas de Pombal


Melhor fora que o centro histórico não fosse o que é, que a comemoração do Dia Nacional dos Centros Históricos não se ficasse por aí. Ainda assim, quando mal nunca pior. Na sexta-feira há uma iniciativa da Junta de Freguesia que merece aplauso, com a valorização dos grupos de gaiteiros, esse ícone do nosso património. 
É aproveitar que Pombal terá por cá mais gente e dar alguma vida a isto.

25 de março de 2018

O que foi fazer Diogo Mateus ao congresso do PS?

As fotos e vídeos espalhadas pela rede mostram que, afinal, sempre existiu o congresso distrital do PS em Pombal. Dessa reportagem caseira fica-nos, no entanto, uma dúvida existencial: Adalberto Campos Fernandes (actual ministro da Saúde) que até há pouco tempo não era sequer militante do PS, veio ao congresso de Pombal em que qualidade? Como ministro ou como militante socialista? As imagens mostram a entrada triunfal de Diogo Mateus, a acompanhar um envergonhado ministro. Só se compreende a presença do presidente da Câmara (que se fez ladear do deputado/presidente da junta Pedro Pimpão, e do chefe de Gabinete João Pimpão) a acompanhar Adalberto, se o estiver a fazer institucionalmente. Se assim é, erro. Um ministro não vem nessa qualidade a um congresso partidário. Se Adalberto vem como destacado militante, outro erro. Porque assim não há justificação para a presença do presidente da Câmara, que até agora há-de estar a rir-se que nem um perdido, sabendo nós que não dá ponto sem nó. E que sabe de cor a linha que separa as funções. E que ali foi dar a ideia de que é um democrata, porque sabe bem que dali não virá qualquer perigo. Nem oposição. 

23 de março de 2018

O abandono da zona histórica



Nos últimos 20 anos o poder autárquico enterrou milhões de euros na zona histórica de Pombal, sempre com a promessa de a revitalizar, de a fazer renascer. Primeiro foi Narciso Mota que prometeu a lua aos moradores e comerciantes - no tempo em que existiam, ainda - convencendo-os de que um parque subterrâneo traria charters de visitantes à praça Marquês de Pombal. Nesse tempo a Câmara comprou quase tudo e reconstruiu, a começar pelo Celeiro do Marquês. Transformou a cadeia em museu, inaugurou o Arquivo, e manteve ali a casa mortuária na Igreja do Carmo, afastando qualquer possibilidade de ver singrar um ou outro bar. Chamou Centro Cultural ao celeiro mas nunca teve um projecto para lá, pelo que as obras de cosmética não resultaram em nada, como é hábito nessas acções. Depois veio Diogo Mateus. Estava construído um Centro de Negócios ali à esquina, mas como não havia negócios a solução foi transferir para lá as Finanças, onde as pessoas vão porque são obrigadas e nunca de vontade. E isso faz toda a diferença para quem passa pelo centro histórico ou o visita. Com o tempo, o comércio praticamente desapareceu. Do pograma 'Porta Aberta' de que a Câmara tanta propaganda fez, resta uma loja. A Praça tornou-se num lugar inóspito, associado a funerais e outras despedidas, e finou-se a coméstica. 
Quando esta semana por lá passei, no dia em que chegava a primavera  (apesar de só hoje estar anunciada para a cidade), dei com um terreiro perigoso de pedra partida. Está assim pelo menos desde o verão, desde os espectáculos que ali decorreram no âmbito do Festival Sete Sóis Sete Luas. Depois falaram-me de (mais) um evento da Junta de Freguesia e do bem intencionado Pedro Pimpão. Boa ideia, sim senhor. Bem pode a Junta enfeitar as praças, e clamar por levar gente à zona histórica. Enquanto a Câmara se estiver nas tintas e não quiser fazer nada pelo coração da cidade, o comércio continuará a afunilar na avenida Heróis do Ultramar. Quando morrerem os últimos habitantes e as últimas lojas fecharem portas, a zona histórica não servirá nem para museu. É isso que queremos?

19 de março de 2018

O dia em que o PSD de Pombal respirou de alívio


*Feliciano Duarte, em 2002, na Quinta da Gramela (gala dos 70 anos do jornal O Eco). A primeira vez que veio a Pombal enquanto governante

Quando ontem à tarde foi conhecida a anunciada demissão de Feliciano Barreiras Duarte, o tempo abriu para muitos dirigentes do PSD de Pombal. Ao contrário do que era ainda suposto por alguma linha mal informada, há muito que a proximidade de Feliciano e Diogo se esfumara. Por outro lado, na Jota não gostam dele. E ele não gosta de várias figuras aqui da terra, no cantão laranja.
Neste excelente artigo publicado no Observador, fica um relato pormenorizado da vida política de Nanito - como ainda hoje é tratado por muitos, entre os quais o engenheiro Rodrigues Marques - que diariamente vai fazendo por mail a revista de imprensa, num trabalho de assessoria impagável. 
Feliciano e Diogo são quase da mesma idade, contemporâneos na JSD. Estavam ambos em plena ascensão quando os vi juntos a primeira vez, na sede do PSD de Leiria, em 1994, na tomada de posse da distrital da JSD. Nesse dia Feliciano sucedeu ao irmão, João Carlos, e levou com ele vários amigos, como Telmo Faria (que viria a ser presidente de Óbidos), Paulo Baptista Santos (actual presidente da Batalha) e  (Luís) Diogo Mateus, que acabara de ser eleito vereador, e nessa conferência de imprensa dava nota de como as mudanças estavam a acontecer em Pombal, pois que os vereadores "passaram a sair à noite e isso já é encarado como natural". Outro tempo.
Depois a vida fez Feliciano subir e Diogo descer na escada da política. Em 2001, quando Diogo se viu obrigado a candidatar-se à Junta de Pombal para não perder tudo, Feliciano iniciou um caminho ascendente ao lado de Durão Barroso. Quando foi nomeado secretário de Estado, quis levar (Luís) Diogo para chefe de gabinete. Diogo preferiu jogar pelo seguro e não se afastar de Pombal. Arranjou-se-lhe então um lugar no Governo Civil de Leiria, cargo que foi acumulando com o de presidente da Junta.
A amizade corria bem, mas em política tudo se paga. E nada se esquece, mesmo que pareça. Feliciano manteve algumas guerras viscerais com Narciso Mota, tendo por base a defesa de Diogo. Mas este nunca teve a coragem de enfrentar Narciso, calou sempre e consentiu, como se sabe, à espera do momento certo. A esse traço de quem faz pela vida juntou-se outro momento: quando Passos Coelho começa a desenhar a ascensão ao partido, Feliciano vai a Leiria com 'o Pedro' e Diogo aparece na apresentação do livro, como que a redimir-se do passado recente. O mal estava feito e nada voltou a ser como dantes.
A ascensão de Feliciano a Secretário-Geral do PSD foi um amargo de boca na Rua Dr. Luís Torres. Um problema. Só ontem se respirou de alívio.

13 de março de 2018

Misérias



Uma Nota Informativa proveniente da CMP (“assinada” por um não-funcionário) relata “a entrega de 20 cabazes por parte de famílias de etnia cigana a outras famílias carenciadas” e acrescenta que a “ação que se decorreu no âmbito do Projeto 3I`s”. Ao lê-la, fica-se na dúvida se o autor disse o que queria ou o que não queria. Pouco importa. Importa, sim, o que o caso, em-si, representa: a carência inteira no seu esplendor; e a material não é, com certeza, a parcela maior.
A bondade, como bem disse Pessoa, é um capricho temperamental: não temos o direito de fazer os outros vítimas de nossos caprichos, ainda que de humanidade ou de ternura”. Esta nem isso tem (humanidade e ternura); mete no mesmo saco bondade e compaixão, e rega tudo com o mais escabroso proveito mediático; onde a graça e a felicidade de uns, é a vergonha e a mágoa de outros. Para Nietzsche “a compaixão tem uma impudência própria como companheira: pois, querendo ajudar de toda forma, não se embaraça nem com os meios de cura nem com a espécie e a causa da doença, e desenvoltamente lida como um charlatão com a saúde e a reputação do paciente”.
Atingimos o estágio onde a (feitura da) bondade e compaixão se tornaram um vício; e a sua ostentação uma patologia social. Mas convém lembrar que a bondade honesta é a que a Natureza nos presenteia, ou a que é doada sem mostrar o rosto. 

9 de março de 2018

O papel da(s) Mulher(es)


foto: Junta de Freguesia de Pombal

Ontem à noite, no Café Concerto, enquanto debatíamos a igualdade de género, em pleno Dia Internacional da Mulher, lembrei-me muito do que dizia a D. Lucy (minha eterna directora) sobre essa divisão do mundo que se faz entre as pessoas medíocres e as outras. Foi de um espantoso arrojo o convite da Junta de Freguesia de Pombal e da APEPI. Lá estivemos eu, a Dina Sebastião e o José Zaluar a esmiuçar sub-temas desse anátema que é o papel da Mulher nos vários eixos, os três à esquerda do que é convencional aqui na terra. Para espanto de uns quantos, aconteceu aquilo de que eu já estava à espera: ninguém da Câmara. E ninguém com responsabilidades em qualquer partido político. Uma ausência notória e notada, se pensarmos que ainda no início do mandato os senhores presidente, vereadores e demais agentes teciam loas à eleição da primeira mulher para presidente da Assembleia Municipal. E que nos anos recentes, quanto tudo corria bem dentro de um partido único, e as comemorações do 8 de Março eram um dois-em-um entre a APEPI e as mulheres social-democratas, era uma correria de bem-parecer. A Câmara tem duas vereadoras a tempo inteiro, com pelouros tão importantes como a Educação e a Cultura. Fica-lhes mal, até como mulheres, esta demarcação. Fica mal ao Município embarcar no sectarismo, quando gosta tanto de encher a boca com a terra das oportunidades e da igualdade para todos.
Falei ontem do papel da Mulher nos Media, do que me ficou nos anos em que aqui dirigi um jornal, dos números tristes que retratam a presença feminina nas páginas e nas peças, e da esperança no meu Sindicato dos Jornalistas, cuja direcção contraria a desigualdade de género e se empenhou num projecto de Literacia Mediática que há-de levar os jornalistas às escolas e construir uma outra educação para os media com os mais novos. Para memória futura, rendi a minha homenagem a duas mulheres de Pombal, nem sempre compreendidas mas cujo papel foi marcante na história dos media locais: a Teresa Estanislau (primeira mulher com carteira profissional de jornalista em Pombal) e Maria Luís Roldãobritesbustorff, a cronista que mais escreveu e falou de nós nas páginas dos jornais.
Razão tinha mesmo a Simone de Beauvoir: "não se nasce mulher, torna-se mulher". Só que isso não está ao alcance de todas e de todos.

5 de março de 2018

Litigância compulsiva ou desleixo

A CMP litigou contra um munícipe, até ao Supremo Tribunal de Justiça, pelo direito a uma serventia, nas Meirinhas. Depois, não exerceu os direitos! Ou seja: só massacrou o munícipe e gastou o nosso direito. 
Isto é litigância compulsiva ou desleixo. Ou as duas coisas!


2 de março de 2018

Desleixo extremo nas obras

O cardápio das obras-tortas é extenso; na última AM, António Pires desfiou uma parte dele. Até agora, conheciam-se os erros e problemas frequentes no projecto ou na execução; na última reunião do executivo ficámos a saber que nem a recepção (provisória e definitiva) fazem, atempadamente. A obra da Casa Manuel Henriques terminou há seis anos, está em funcionamento desde essa altura, e não foi recepcionada; ou seja, não foi verificada a sua conformidade com o caderno de encargos. E, com certeza, foi paga; porque o empreiteiro não ia ficar sem receber durante seis anos.
A isto chama-se desleixo extremo, irresponsabilidade. E o ministro das obras apresentou isto na reunião, sem uma explicação, sem uma palavra, sem um acto de contrição.
Valha-nos Nossa Senhora dos Bem-aventurados.

Bajulador com pés de barro

O IAPMEI e Turismo de Portugal - na verdade os Bancos – distinguiram, em Pombal, 23  micro e pequenas empresas, com a marca PME Excelência - um láurea ligeiramente acima dos certificados da farinha do Amparo.
Diogo Mateus aproveitou a coisa para, num exercício estafado e risível, dar brilho e vida à natureza morta que é a economia local - vai, até, publicar anúncios nos jornais. Mas, ainda Diogo Mateus estava inchado com o retorno que supunha atingir com as loas tecidas, já Narciso Mota lhe relatava o caso da maior empresa do Parque Industrial da Guia, que se prepara para se deslocalizar para a Figueira da Foz porque não tem espaço para expandir a capacidade produtiva.
Que Pombal não seja capaz de captar industrias (apesar de até Paredes Coura o conseguir, como dizia o outro), já todos o sabemos; mas deixar partir as poucas que por cá (ainda) existem, por falta de espaço, é demais.
Diogo: a realidade local não aceita muita cor. E quando se gasta a maior parte do tempo com as trivialidades do cortejo, falta tempo para o essencial.

PS: Há dias, Diogo Mateus recomendou que membros da AM se contivessem quando opinam sobre empresas por que alguns comentários podem prejudicar a imagem das empresas. Mas quando foi confrontado com a intenção da empresa, fez-lhe acusações graves.


Palhaçada - disse ele.




A política local baixou ao nível menos zero, como se percebe pelas intervenções das reuniões filmadas. Aqui no Farpas em particular (e no concelho em geral) agradecemos para sempre a Diogo Mateus o rasgo de transmitir em directo as reuniões de Câmara e Assembleia Municipal, pois que assim se percebem as honras ganhas à conta da transparência. Tem sido um exercício interessante ver a contenção de alguns vereadores, no momento em que se lembram das câmaras, e a exibição de outros, tirando disso partido. Uns e outros devem sempre lembrar-se que a vida dá muitas voltas; que isto de vestir uma camisola é um risco: por vezes encolhe na lavagem e depois fica-lhes um tanto ridícula.
E há feitiços que se voltam contra o feiticeiro.
Este excerto, em que o presidente diz a Narciso Mota e a Micael António que "não tomaram os medicamentos" bate todos os níveis.
Para quem gosta de encher a boca a falar de honra e respeito, é como se lhe fugisse o pé para a chinelo, usar maldosamente da expressão para diminuir alguém que foi para ele como um pai. E é triste.
Fazia aqui falta agora o conselho amigo de Ana Gonçalves, a propósito de ter (ou não ter) consciência pesada. 
Daqui continuamos a apreciar a "palhaçada", Diogo. Ainda que nos pareça ofensivo para os palhaços.

1 de março de 2018

Singularidades de uma rapariga loira...num campo de batalha

Ana Gonçalves quebrou um jejum de protagonismo na última reunião de Câmara (essa pérola de vídeo que está integralmente disponível aqui) e travou-se de razões com o ex companheiro de partido, Micael António. 
Houve um tempo em que a amizade vinda da jota era inquebrável, pois que todos conviviam à mesma mesa da Câmara, ou como diz o povo, comiam do mesmo tacho.
Tem sido interessante perceber o contorcionismo a que se dedicam estas figuras, à medida que os interesses partidários se alteraram, colocando as peças em diferentes campos.
Ora, na reunião de ontem, saltou a tampa a Ana Gonçalves. Acusou Micael António de ter comunicado publicamente o projecto do Parque Verde, "quando nem sequer tinha os terrenos negociados". 
- Nestas coisas não é só 'tar a mandar "bocas"
Disse Ana a Micael. O excerto da troca de galhardetes mostra bem a aplicabilidade prática dos provérbios portugueses: quando se zangam as comadres descobrem-se as verdades. Quem não se sente não é filho de boa gente. Quando lhe chega a mostarda ao nariz estala-lhe logo o verniz.
E sim, o povo tem sempre razão: quem não tem padrinhos morre mouro.
E não, não temos parque verde tão depressa. Jorge Claro, no final da discussão, coloca bem o dedo na ferida: age assim quem nunca geriu uma empresa. Nisso, Narciso Mota também tem razão - o carreirismo político  passa ao lado da vida vivida, como diz o engº Rodrigues Marques por aqui.