28 de junho de 2018

A integração à moda de Pombal


Quem passou no Cardal ao final do dia de segunda-feira foi surpreendido com um concerto de (boa) música pela comunidade cigana de Pombal. Mais tarde, a Câmara fez passar nas redes sociais a mensagem sobre o que ali tinha acontecido: as comemorações do Dia Nacional do Cigano, um evento que " serviu também para alertar a Sociedade para a exclusão social daquela comunidade", diz o Município.
Convém lembrar que a comunidade está perfeitamente integrada em Pombal. Só não sabe disso quem não tem os filhos na escola pública - ou que optou por retirá-los para não haver misturas. Quem assistiu, por exemplo, à festa de final de ano do Centro Escolar de Pombal ou da Conde Castelo Melhor, pôde verificar isso mesmo.
Por isso não deixa de ser estranho que a Câmara tenha optado por promover aquele concerto do Dia do Cigano à socapa.  Resultado: ciganos a actuar para ciganos, com a cortesia da presença do senhor presidente.
Às vezes, em Pombal, há uma linha muito ténue que separa a integração da segregação. Foi uma política iniciada por Narciso Mota (quando empurrou os ciganos para lá do rio e da linha do comboio, e da cidade, afinal) e continuada na perfeição por Diogo Mateus. Já sabemos que os ciganos quase não votam - mas fazem propaganda. E isso explica tudo, afinal. 

25 de junho de 2018

Obras tortas


A câmara não acerta uma…
A obra de Requalificação da EN237, entre o Alto do Cabaço e o Barco, tem sido um calvário para quem usa a via: cortes no trânsito e falta de segurança (buracos no piso; máquinas, materiais, trabalhadores e transeuntes na via; trabalhos de noite sem iluminação, etc.).
A esta desorganização acrescenta-se o faz&desfaz.
Na semana passada, para compor o ramalhete, parte da via - praticamente concluída - abateu!
Valha-nos N.ª Senhora do Amparo.

22 de junho de 2018

A oeste nada de novo

Par além das múltiplas irregularidades detectadas e relatadas na auditoria, a assembleia de UFGIMM revelou mais dois actos de gestão falhados, praticados também de forma irregular, que dizem muito do poder local que temos: a aquisição da Varredoura Urbana; a contratação da auditoria.
A Varredoura Urbana foi adquirida por adquirir – sem utilidade (uso significativo).
A auditoria foi contratada e logo abafada - para proteger os companheiros. Palmas para a pessoa que a quis tornar pública; obrigando, assim,  à sua discussão, mitigada, envergonhada, comprometida.

Ensaio sobre a cegueira


Os dados estavam lançados e aqui no Farpas - onde uma parte importante dos leitores está no Oeste - julgámos que a reunião da Assembleia de Freguesia que iria discutir a auditoria às contas do anterior executivo seria um momento-chave na vida política do concelho. Ledo engano. Aquilo a que assistimos na noite passada, no salão paroquial da Ilha, só não foi tempo perdido porque:

1. Certificámo-nos de que Manuel Serra já foi encostado pelo PSD e Gonçalo Ramos já encostou o nado-morto NMPH (Narciso Mota Pombal Humano).
2. A montanha pariu um rato: a auditoria revela aspectos graves da vida autárquica naquela freguesia, a que só Dino Freitas (CDS) fez cócegas, ao de leve.
3. Uma auditoria paga pelo povo tem de ser do conhecimento do povo. A auditora, Isabel Clemente, que massacrou o público durante uma hora com considerandos de douta sabedoria (quando nem sequer devia ter sido chamada a intervir), bem pode aproveitar as férias de verão para ver uns filmes ou ler uns livros que contam o caso watergate. Gonçalo Ramos também, em vez de olhar por cima do ombro a tentar perceber como é que a auditoria transpirou para fora, qual miúdo que atira a pedra e esconde a mão.

Numa região onde a agregação está longe de ser aceite e não vai demorar até que o tema salte para a ribalta, de novo, o público é a maior lição: enche os salões nas assembleias, e é capaz de esperar até às 2h30 da madrugada para intervir, chutado para último. A mesa da Assembleia comporta-se como os membros do NMPH - faz só figura de corpo presente, não conduz os trabalhos, cada um fala o tempo que quer, como e quando quer. Saímos de lá com a dúvida: a AF daquela União de Freguesias tem regimento, como as outras, ou não?
No fundo, aquela reunião com 10 (dez) pontos, marcada para as 21 horas de uma quinta-feira, foi uma cegueira colectiva. 
Manuel Serra não percebeu que era tempo de digerir a derrota e sair de cena, cego pelo poder. Gonçalo Ramos está deslumbrado com o mesmo, transforma a apresentação de cada ponto em floreado verbal, arrastando os trabalhos no tempo e no espaço. Avançou sem medos para a auditoria, mas depois não soube o que fazer com ela, refugiando-se num "aperfeiçoamento de procedimentos". 
Dino Freitas (CDS) arranca sempre bem, mas intervenções, mas vai perdendo força e não consegue ser eficaz na oposição.
Hugo Sintra (PS) vai acabar com os últimos votos que o partido - que foi ali poder - ainda tinha.

21 de junho de 2018

Auditoria arrasadora


O novo executivo da União de Freguesias da Guia, Ilha e Mata-Mourisca (UFGIMM), presidido por Gonçalo Ramos (NMPH), decidiu mandar realizar uma auditoria ao executivo, do mandato anterior, presidido por Manuel Serra (PSD). A decisão foi acertada – imperiosa, responsável, transparente -, mas deve ser consequente.
As conclusões da auditoria são arrasadoras para o executivo presidido por Manuel Serra: 
- O presidente “autorizou a realização e o pagamento de despesa”, apesar de “não ter delegação de competências” para o efeito;
- “Não há evidência de controlo físico dos bens da freguesia”;
- “A junta não dispõe de registo de assiduidade, controlo e autorização de horas extraordinárias”;
- “Não estão redigidos a escrito os contratos com os trabalhadores da junta”;
- A junta fez “o pagamento de despesas correntes a trabalhadores e fornecedores sem documento de suporte válido e sem a obrigatória comunicação aos poderes públicos”;
- “A despesa não é cabimentada previamente, permitindo a ocorrência de despesa sem a efectiva disponibilidade dos fundos financeiros”;
- A junta não controla os produtos comprados, “não emite requisições internas nem externas e consequentemente “os fornecedores não indicam o número do compromisso”;
- “Despesa com refeições confeccionadas no valor de 32 mil euros”: “40% serviços de catering para Actividades de Animação e Apoio à Família – Ilha”; “Relativamente aos restantes 60% não existem deliberações ou evidência da necessidade da (sua) realização”;
- “Na aquisição de bens e equipamentos e na realização de empreitadas e obras públicas, o ajuste directo não se encontra fundamentado em violação dos princípios da transparência, igualdade e concorrência”;
- “Os apoios directos não estão regulados nem publicitados”;
- Em 2016, a junta gastou 17.351 € no restaurante “Couto e Santos, Lda”.
Depois de muitas hesitações, a discussão do relatório faz parte da agenda da assembleia, que reúne, hoje, na Ilha. Altura para os fregueses conhecerem melhor como é (ou não é) administrada a coisa pública, e para Manuel Serra e o seu executivo se explicarem.

19 de junho de 2018

Sensações


O vazio pode encher-se com o vazio! É o que sinto quando percorro os espaços do lugar onde nasci, na minha aldeia, ou o centro histórico da minha cidade.
Os espaços do lugar onde nasci atraem-me pela mesma razão que o ladrão retorna ao local do crime; há ali uma atracção que não se explica, sente-se. Não sei se é o vazio do lugar que me preenche ou se sou eu que, de alguma forma, preencho aquele vazio.
Quando percorro o centro histórico da minha cidade – faço-o regularmente – sinto um vazio profundo, que não preencho nem me preenche. É uma sensação estranha de desilusão, de letargia e de mágoa, onde os sentidos convocam a memória e esta os reprime. Paro sempre naquela praça solitária, despida, sem vida, com uma história que não conta, embelezada com uma coerência falsa, sem brilho nem beleza. Olho para cima, medito no paradoxo que foi querer dar vida à natureza morta que é castelo e a sua encosta e ao mesmo tempo matar a praça. É uma amargura, uma tristeza de alma, ver o que isto é e não conseguir sentir o que isto foi.
Outrora, criança, percorri estas ruas, nos dias de mercado, num corrupio sempre apressado contra a escassez do tempo e dos bens. Outrora gozei tudo aquilo: o passar dos comboios; o frenesim da abertura das cancelas que restabelecia o fluxo das formigas apressadas no carreiro principal; a simpatia do boneco da sapataria Cruz; o regateio entre compradores e vendedores na praça; etc.
Hoje, vagueio por aquelas ruas estreitas, silenciosas, nuas, sem vida; por aqueles espaços que nada têm e pouco dizem. Sinto-o; sente-se um adormecimento sofrido que contrasta com uma agressividade que mora ao lado. Ali, as portas antigas fecharam-se definitivamente, e as “portas abertas” ainda não se abriram. Os poucos rostos, que vagueiam como eu, parecem reflectir as lajes escuras, ou as amarguras de vidas amachucadas.
Nas horas de expediente, paro na loja do Maia - um rebento híbrido da Casa Fortunato. Umas vezes, entro; outras, olho para aquilo, da rua, circunspecto. Admiro a resiliência daquele homem. Custa-me descer o resto daquela rua, a grande avenida do cemitério da minha cidade; custa-me mais do que o despovoamento da minha aldeia, que, pelo menos, mantém a força estimulante da natureza selvagem.

14 de junho de 2018

Onde se dá conta da avaliação que o Príncipe e o seu escudeiro fizeram do Estado da Nação


A meio do ano, antes do período de descanso, o Príncipe decidiu avaliar o Estado da Nação, a fim de prevenir incómodos no regresso. No final da passada semana, antes de abandonar o trono, informou o Pança desse seu propósito; avisou-o que se preparasse convenientemente, durante o fim-de-semana, para lhe prestar contas, na primeira hora da semana seguinte, sobre as mui valorosas empreitadas de lhe tinha destinado.
O Pança não contava com esta incumbência de última hora. Depois de várias semanas em grande azáfama, que o obrigaram a desdobrar-se como nunca, tinha reservado o fim-de-semana para a família. Erro seu. Já deveria saber que escudeiro não tem outro Senhor nem ócios. Mas o pior nem era abdicar da família, que coitada já estava acostumada, era o muito trabalho que o esperava, toques e mais toques que era preciso dar, relações e compromissos que era necessário revisitar e avivar, depois de ter colocado as suas empreitadas em segundo plano para acudir às emergências do Príncipe.
Quando o Príncipe chegou, já o Pança estava no seu posto, e já tinha aproveitado o tempo de espera para fazer os contactos que não tinha conseguido fazer durante o fim-de-semana – sem sucesso. Assim que o Príncipe chegou ao cimo das escadas, avistou-o logo, e comunicou-lhe que se apresentasse daí a cinco minutos. O Pança estava nervoso; sabia bem que um exame político, com o Príncipe, é sempre imprevisível, e para este tinha sido apanhado de surpresa.
Quando o Pança se apresentou à porta do trono, o Príncipe ordenou de imediato:
- Entrai, Pança; não temos tempo a perder…Sentai-vos.
- Com licença, Alteza.
- Dizei-me, Pança: como vai o reino? E as nossas relações com os condados desalinhados?
- Bem, muito bem, Majestade. Reina uma paz absoluta; mérito, com certeza, da sua brilhante arte de governar. Oposição não tem, e a que tem serve, quanto muito, para mostrar aos súbditos que há Rei neste reino. Os condados desalinhados estão absorvidos, ou, pelo menos, em vias disso. Vossa Alteza tem, novamente, o poder absoluto. Viva o Rei.
- Deixai-vos desses adornos, Pança, são despropositados neste momento – avisou o Príncipe.
- Desculpai-me, Alteza; mas uma pessoa empolga-se com tanto sucesso, e não consegue guardar sempre a descrição que a solenidade de certos momentos exige – anuiu o Pança.
- Mas dizei-me, Pança: como vão as coisas pelo condado de Roda?
- Melhor do que alguma vez esperámos: o homem é nosso. Rompeu totalmente com o inimigo; assunto encerrado, parece tão confortável connosco que nem dispêndio nos vai exigir – afirmou, orgulhoso, o Pança.
- Bom trabalho… E a Oeste: como estão as coisas? – perguntou o Príncipe.
- Mais atrasadas, mas vem encaminhadas, Alteza. O Ramos é um rapaz de bem - se tal título se pode dar a um adversário que nos combateu e derrotou. Se não fosse a resistência da sua arisca escudeira, e as areias que o Conde-sem-condado e o Manel têm metido na engrenagem, já estava totalmente do nosso lado – afiançou o Pança.
- Não digo menos, nem o contrário disso, Pança – respondeu o Príncipe -; mas dizei-me: já conseguistes abafar a inspecção ao livro-de-contas?
- Ainda não, Alteza – afirmou o Pança. E acrescentou: - esse é o grande empecilho à pacificação …
- Mas dizei-me, Pança: o relatório é assim tão comprometedor para nós?
- É, Alteza. É como o de Abiúl, só que de maior grandeza. De tal forma que, se não fosse por saber que todos estes descômodos andam muito anexos ao exercício da política, aqui me deixara morrer de pura vergonha – afirmou, desgostoso, o Pança.
- Deixai-vos disso, e fazei das fraquezas, forças, Pança. Se em Abiúl – terra de toiros e toureiros – conseguimos abafar a coisa; ali, melhor haveis de o conseguir também – reforçou o Príncipe.
- Este contratempo não é daqueles que se passa bem para detrás das costas, ou se cura com uma prebenda avantajada, é uma rixazinha que poderá desgraçar-nos a reputação… - afirmou o Pança.
- Fazei como em Abiúl – ordenou o Príncipe, e acrescentou: - Sabeis, com certeza, arranjar maneira de meter o relatório na gaveta ou fazê-lo desaparecer.
- Claro, Alteza; temos que arranjar uma forma de o fazer desaparecer. Na última reunião conseguimos arregimentar a nossa malta mais influente (o Manel, o Ferrador e C.ª) e abafámos aquilo. Mas a coisa não está fácil, mesmo contando com a boa vontade do Ramos…
- Mas ele está, ou não está, connosco? Perguntou, meio irritado, o Príncipe.
- Está, Alteza; mas a estrada a percorrer é de via única – não cabem lá dois cavalos. O Conde-sem-condado quer recuperar o condado, ainda não percebeu que tem que abrir caminho…O Ramos sabe que se perder a face abre caminho ao Conde-sem-condado, ou a outro dos nossos.
- Costuma-se dizer, Pança, que cada qual é artífice da sua ventura. O Conde ficou sem condado, coitado, porque tem uma inclinação, que lhe vem de haver sido abastado no tempo da sua mocidade, que o leva a ser liberal e gastador. Foi pelo caminho mais fácil: seguiu a (des)governação do Manel, que eu já tinha denunciado há vários anos, mas não se deu conta que não possuía os dotes dissimuladores dele – afirmou o Príncipe.
- Tendes razão, Alteza; é sempre assim: para os vencidos muda-se o bem em mal e o mal em pior – atestou o Pança.
- Há mais algum problema no reino, Pança? - perguntou o Príncipe.
- Em Abizeude as coisas podem descambar. A governanta não é de confiança: muda de camisola ao ritmo que nós mudamos de humor. Agora anda alinhada com o inimigo (ou amigo, veio de lá): aprovou-lhe as propostas todas. Diz-se que está revoltada porque Vossa Mercê ainda não cumpriu o compromisso que assumiu com ela – afirmou o Pança.
- Deixai esse assunto comigo… Conheceis mais desavenças que urge conter? - perguntou o Príncipe.
- No condado de Vermoim as coisas também podem azedar. Como o Senhor bem sabe, o beato Ilídio não nasceu para ser desobedecido; e, naquele seu jeito languinhento, quer todos em concórdia consigo. Resultado? O gordo sente-se mais desgovernado do que governador – explicou o Pança.
- Aí, controla-se bem a coisa: fazemo-los passar pelo confessionário…- concluiu o Príncipe.
                                                                                                                  Miguel Saavedra

12 de junho de 2018

Um toque de vermelho na onda laranja


O PSD local exibiu na rede algumas imagens desse jantar de tomada de posse onde "fizeram questão de comparecer mais de 250 pessoas", diz a legenda. Já se sabe que estes eventos são de uma procura frenética. Mas este era especial: Pedro Pimpão entregou os trabalhos da concelhia ao ressuscitado Manuel António, num esforço que era escusado: Com jeito, a derrota naquela junta de freguesia transforma-se rapidamente em vitória.
Mas vale a pena determo-nos nas fotos que falam, de que é exemplo maior esta que aqui vemos, e que aqui no Farpas nos deixa descansados, de alguma maneira: A (ainda) jovem Ana Carolina Jesus - que se tornou conhecida dos meandros políticos e mais tarde públicos através deste blogue, quem não se lembra da menina JA e seu rol de comentários contra-poder-laranja? - entrega a Pedro Pimpão um cartaz em que lhe agradece, em nome do vasto grupo. Diz então que "é uma honra fazer política contigo, muito obrigada Pimpão", antes de fazer circular a imagem pela sala do restaurante à cata de declarações de agradecimento.
Em Pombal este fenómeno da metamorfose não é raro. Chama-se instinto de sobrevivência. Por isso acreditamos que a rapariga que se dizia de esquerda - e que vestiu de vermelho, num inusitado pendant com o amigo Pimpão - "ainda vai cumprir seu ideal". 

10 de junho de 2018

...Afinal havia outra

O encerramento da Caixa Geral de Depósitos no Louriçal despoletou uma inusitada tomada de posição por parte de Diogo Mateus. É um tanto estranho vê-lo alinhar numa posição assaz musculada, e isso fez-nos soar campainhas. Talvez a chave para este enigma esteja na possibilidade  de ver outra Caixa encerrar balcões noutras freguesias do concelho, e com isto dar um sinal de que não anda aqui a brincar.
Na verdade, a Caixa de Crédito Agrícola pode parecer, mas não é a Santa Casa da Misericórdia (se é que a comparação tem ainda cabimento, nos tempos que correm). E depois de fechar as agências de Vila Cã e Santiago de Litém, há várias freguesias candidatas ao destino final, num quadro que atesta bem o desfalecimento do concelho-charneira. Passou um mandato, entrámos no segundo, e os investidores da América Latina nunca nos vieram salvar. Em rigor, depois da Derovo (ainda na década de 90) nunca mais se instalou aqui qualquer indústria de relevo. 
A agregação das freguesias só veio acelerar esse processo. Não é por isso de estranhar que a próxima vítima do fecho dos balcões seja a Mata Mourisca, freguesia-mãe do Oeste, onde o movimento pós-fecho do centro de saúde é quase nulo. A Caixa dá-se bem em qualquer terra (como diz o slogan), mas é preciso que a terra também se dê. E agora, Diogo? A Câmara também equaciona retirar as contas de lá?

8 de junho de 2018

Como a valorização da irrelevância expõe o populismo mais bacoco

A propósito do encerramento da agência de CGD no Louriçal:
- Diogo Mateus decidiu “que perante tal situação tão desagradável e a desconsideração pelo povo de Pombal, neste caso mais concreto do Louriçal, a CMP vai tomar uma posição e deixará já a partir de amanhã de trabalhar com a CGD”.
- Pedro Pimpão – esse grande deputado da Nação – “remeteu uma pergunta regimental dirigida ao Ministro das Finanças…” e “manifestou a total solidariedade para com a população do Louriçal e toda a região envolvente pelo anúncio de uma decisão com a qual não concordamos e que pode ter consequências muito nefastas para um território com uma interessante dinâmica económico-social que merece um melhor tratamento por parte das entidades responsáveis nos diversos sectores”.
- O sonso PS local associou-se ao choradinho e veio “reconhecer a importância que aquele balcão da CGD tem para a população, para os empresários do Louriçal e para o desenvolvimento económico da região”; atestar que “A manutenção de um serviço público bancário na vila do Louriçal é uma necessidade e também um direito próprio das populações”; asseverar que “Reduzir o número de agências da CGD no concelho de Pombal a apenas uma, é incompreensível e inaceitável do ponto de vista da coesão territorial e do interesse das suas gentes”; e, disponibilizar-se para “acções de luta e em negociações que tenham em vista a reversão daquela intenção de encerramento”.
O PSD local veio “expressar a mais profunda indignação relativamente à intenção … de encerrar, no próximo 29 Junho, o balcão situado no Louriçal”; contestar a decisão com argumentos falsos; e, exigir ainda mais do acabrunhado PS local.
- Etc.
Pobre terra que tem políticos destes: escravos do populismo bacoco, sonhadores débeis, pobres-diabos cuja racionalidade não vai além da banalidade, moralistas ascéticos que abrem feridas para poderem seduzir pelo consolo.
Se há alguma injustiça ou irracionalidade na decisão de encerrar o balcão da CGD no Louriçal, pergunto: porque é que esta amálgama de populistas bacocos não junta esforços e exige a abertura de uma agência da CGD em cada freguesia (Abiul, Vila Cã, Santiago de Litem, S. Simão de Litém, Albergaria dos Doze, Vermoil, Meirinhas, Carnide, Ilha, Mata Mourisca, Guia, Carriço, Almagreira, Pelariga e Redinha)?
Porque é que, durante tantos anos, se esqueceram das populações das 15 freguesias discriminadas - dessa suposta necessidade básica, desse serviço público essencial, desse direito próprio das populações?
Decididamente, somos governados por criaturas sem qualquer noção do ridículo.

7 de junho de 2018

Demagogia barata

Diogo Mateus decidiu fazer uma declaração pública sobre o encerramento da agência da CGD no Louriçal, antes da reunião do executivo. Convidou a pombaltv para fazer um extra - para a divulgar.
A declaração mostrou um presidente dominado por baixo espírito: demagógico, precipitado, inconsequente - um fantasma arrogante.
Naquele número baixo, salvou-se Narciso Mota: surpreendentemente sensato.

6 de junho de 2018

É a economia, estúpido!


A CGD decidiu fechar mais 70 agências até ao final do ano. Mas a coisa não vai ficar por aqui, nem na caixa nem nos outros bancos. É a Economia. E na economia não há coincidências, apenas consequências.
Em Pombal, a CGD vai fechar o balcão no Louriçal; o que está a provocar a revolta do presidente da câmara, que ameaça fechar as contas da câmara e retirar de lá 21 milhões de Euros (?) – diz a notícia. Está dado o mote: nos próximos tempos, teremos o presidente da câmara no papel de grande-cavaleiro a lutar contra moinhos de vento. Já tínhamos o seu escudeiro a encarnar o Pança, mas nunca imaginámos ver D. Diogo no bobo papel do D. Quixote dos tempos modernos. Uma coisa é certa: não lhe vão faltar moinhos de vento para derrubar e fortalezas para defender: agências bancárias, empresas históricas, colégios, etc. Diogo Mateus vai ter tudo o que necessita para se sentir forte e feliz: conflitos, pendências, chantagens, vinganças. E os pombalenses desgostos.
Não deixa de ser estranho, e contraditório, que uma criatura esclarecida – Diogo Mateus - que considera que não se justifica a existência de um posto de turismo, porque, nos dias de hoje, com uma app e um ipad, vai-se a todo o lado, considere imperativo manter agências bancárias deficitárias e assim empurrar um sector vital da economia, que neste momento não é rentável, para a falência.
Antes de atirar pedras, Diogo Mateus deveria bater com a mão três vezes no peito e assumir a sua enorme responsabilidade no desfalecimento do concelho, que governa há três décadas. Porque, apesar de a economia do país mostrar uma vitalidade assinalável, os pombalenses assistirão a este drama contínuo, com algumas tragédias de permeio, a esta antinomia entre a culpa de uma câmara rica e o desfalecimento do concelho charneira que permanece sem solução.

4 de junho de 2018

Olhar para os aviões


A abertura da Base de Monte-Real à aviação civil é uma revindicação recorrente que a maioria dos políticos da região, e aspirantes a sê-lo, gosta de fazer publicamente. Na ausência de outra coisa mais sensacionalista, atiram com esta...!
Mas surpreendentemente, até Narciso Mota já abandonou a ideia de transformar a base militar, ou parte dela, em aeroporto. Agora bate-se pela transformação da (sua) pista do Casalinho: primeiro em aeródromo, depois em aeroporto!
O que não nos falta é gente com ideias…

28 de maio de 2018

Quem faz xeque-mate a isto?



No lufa-lufa de eventos que é a Junta de Freguesia de Pombal, calhou-me assistir a dois deles, nos últimos dias: as Pombalíadas (ainda bem que há memória e que no local alguém se lembrava de um evento com o mesmo nome, há muitos anos, organizado por um jornalista desportivo no tempo d'O Eco), e o já conceituado torneio de xadrez jovem. Esta quarta edição juntou mais de uma centena de crianças do primeiro ciclo, que no âmbito das AEC (Actividades de Enriquecimento Curricular) frequentam as aulas de xadrez. Foi uma tarde intensa para as crianças (entre os 6 e os 10 anos de idade) e para os pais. Por ser a primeira vez que acompanhava a minha filha a uma coisa destas, precisei de me habituar à ideia de que, durante quatro ou cinco horas, um amontoado de pais e mães iriam ficar colados às janelas daquela sala da Gualdim Pais. E essa deveria ser a primeira regra de qualquer organização similar - porque intimida os pequenos e é um espectáculo deprimente. Depois veio o essencial: dentro da sala não estavam apenas os professores das AEC's. Estavam promotores de escolas privadas, que vão 'gerindo' os jogos dos miúdos sob diversas formas, com a conivência da Junta de Freguesia. Uma espécie de 'olheiros', ou 'observadores' - como um deles se intitulou, junto de um grupo de pais, à caça de novos talentos.
A introdução do xadrez nas AEC's foi benéfica, no cômputo geral. Despertou nos miúdos esse interesse pelo jogo de estratégia que lhes estimula o raciocínio. Mas não havia necessidade destes números, que colocam a competição acima de qualquer competência, de forma mais ou menos velada. Também não havia necessidade de fazer discursar o actual presidente da Junta, o antigo presidente da Junta, a vereadora da Cultura e a presidente da Assembleia Municipal. Ao final, foi a minha filha que me fez o desenho: "mãe, já percebi que isto é como no Crianças ao Palco...os que andam nas escolas privadas estão sempre em vantagem". Não é assim lá fora, mas Pombal, já se sabe, é um micro-clima.

27 de maio de 2018

Obras tortas e caras

O executivo levou à última reunião o concurso de reparação da Biblioteca Municipal – substituição da cobertura devido a múltiplas infiltrações e substituição do sistema AVAC – no valor de 306 m€. É inadmissível que um edifício público, relativamente novo (com vinte anos), apresente tamanha degradação e exija tamanha reparação.
Em Pombal, a série de obras tortas impressiona o mais insensível. Sinal de muito desleixo e de muita incompetência. É assim no presente e foi assim no passado.
Bem pode Narciso Mota desqualificar o ministro das obras e imputar gestão danosa nas obras. O presente não deve nada ao passado, e o passado não é exemplo. Só assim se compreende que Narciso Mota critique tanto e de forma tão dura a obra – as obras, no geral - e vote/votem favoravelmente.
Confirma-se mais uma vez: poder e oposição* são farinha do mesmo saco. 

PS: o representante do PS – Jorge Claro – limitou-se a assistir; e a dar cobertura ao desmando.

25 de maio de 2018

A atracção pelo infortúnio


Na sessão de abertura da Feira Nacional da Floresta - local, de tudo e de pouca floresta-, o presidente da CMP - Diogo Mateus - anunciou a intenção de desenvolver um novo estudo para a criação de uma Escola Superior de Ciências Agro-industriais e Florestais. Estuda-se o que se desconhece, não o que se conhece. E o que é que se conhece desta matéria? Que os cursos existentes na Agro-indústria têm pouca procura, e na área Florestal praticamente nenhuma.
Nas últimas décadas, os presidentes de câmara (e os seus executivos) têm evidenciado uma gritante incapacidade de prospectivar o futuro do concelho. Continuam a afirmar que o concelho tem muitas potencialidades, mas tem-lhes faltado visão e estratégia de desenvolvimento. Resultado: apostas avulsas e erráticas conduziram o concelho, primeiro à estagnação, depois ao declínio. A realidade socioeconómica está à vista de todos; e os exemplos espalhadas pelo concelho também.
É tempo de abandonar medidas avulsas, arriscadas e sem nenhum enquadramento estratégico. Chega de atracção pelo infortúnio.

14 de maio de 2018

Ajudar os nossos : do desemprego ao voluntariado

Está esclarecido o mistério em torno da alegada contratação de Manuel Serra para a Câmara, para a ADILPOM, ou para outra qualquer bolsa de emprego. Diogo Mateus esclareceu tudo na última reunião de Câmara, conforme explica esta escorreita notícia do Jornal Terras de Sicó (os de cá, caladinhos, que o respeitinho é muito lindo)
Diz o presidente que "não há nenhum contrato, não há nenhum valor estabelecido entre a Câmara Municipal de Pombal e o Manuel Serra”. E explica: “eu desafiei Manuel Serra, que durante muitos anos esteve ligado às matérias relacionadas com a floresta, para de forma graciosa auxiliar a ADILPOM nos contactos comerciais para a Feira Nacional da Floresta”.
Cabe aqui um exercício de penitência por parte do Farpas, que terá julgado erradamente o conde do Oeste. Afinal, sabendo que foi punido nas urnas por não ter trabalhado como deveria, Manuel Serra penitencia-se agora e, em regime de voluntariado, vai suar as estopinhas para que Diogo Mateus fique bem na fotografia da Feira da Floresta. (Cheguei a pensar que havia até um vereador com esse pelouro, mas foi engano meu, certamente).
Tenho para mim que tanto Catarina Silva como Célia Freire deveriam seguir-lhe o exemplo. A primeira foi punida por não ter desempenhado o cargo à medida de ser incluída na lista de Diogo, a segunda foi punida nas urnas de Ansião, onde o inatingível PSD perdeu as eleições autárquicas. Era de valor exercerem as respectivas funções nessa abnegação, pois que - já se sabe - ninguém entra na política para se servir, mas antes para servir os outros. Que às vezes são nossos, outras (em cerca de escassos 30%, segundo D. Diogo) nem por isso. Azar.

11 de maio de 2018

Se nós não ajudarmos os nossos…(III)


…O presidente da junta do Louriçal – José Marques –, perito no venha-a-nós, juntou-se aos presidentes da junta de Almagreira – Humberto Lopes – e do Carriço – Pedro Silva –, seus correligionários, para contratar, em regime de avença, com o beneplácito da câmara que paga 70% do tacho criado, a ex-vereadora Catarina Silva, sua apoiante e grande amiga, que tinha ficado desocupada depois de ter sido afastada, por Diogo Mateus, dos lugares elegíveis à câmara.
Perderam definitivamente a vergonha… E gozam descaradamente connosco.

10 de maio de 2018

Fantástica Conferência de Motivação Melga


- Olá, Mike! 
- Olá, Melga!...
- Ah, ah, ah, ah, ah... Ah, ah, ah, ah, ah... Eu não gosto nada de te ver assim, Mike. 
- Ó Melga, a verdade é que sou um jovem desmotivado e não sei o que fazer, Melga.
- Fantástico, Mike! Nem de propósito! Tenho a solução para ti.
- Fantástico, Melga! E qual é a solução para mim, Melga?
- Escuta, escuta. Sabes o que vai acontecer já no próximo Sábado em Pombal, Mike?
- Não, Melga, não sei o que vai acontecer já no próximo Sábado em Pombal, Melga. Conta-me tudo!
- Anda cá, Mike, anda cá. Ouve com atenção.
- Estou em pulgas, Melga!
- No próximo Sábado, dia 12 de Maio, no Teatro-Cine de Pombal, podes participar na Fantástica Conferência de Motivação Melga, Mike!
- Participar na Fantástica Conferência de Motivação Melga, Melga? 
- Sim, Mike. Podes participar na Fantástica Conferência de Motivação Melga, totalmente focada no desenvolvimento, evolução e aperfeiçoamento de jovens imperfeitos e desmotivados como tu, Mike.
- Fantástico, Melga! E o que é ao certo a Fantástica Conferência de Motivação Melga, Melga?
- A Fantástica Conferência de Motivação Melga, Mike, é um evento organizado em parceria com o Município de Pombal onde, por apenas 10 euros, podes assistir a fantásticas sessões com títulos em inglês e ainda te oferecem um coffee break, um welcome pack e um fantástico certificado Melga, Mike.
- Fantástico, Melga! Sessões com títulos em inglês, Melga?
- Sim, sessões com títulos em inglês, Mike! Podes assistir às fantásticas sessões eject yourself, networking moment e get inspired, todas elas com o certificado de garantia Melga!
- Fantástico, Melga! 
- Mas se fores smart, Mike, por mais 5 euros podes também almoçar. 
- Fantástico, Melga! Eu sou smart, eu sou smart!
- Espera, espera. Presta atenção, não sejas precipitado. Pela módica quantia de 50 euros, podes ainda ser um jovem platinum, Mike!
- Fantástico, Melga! 
- Com a opção platinum, Mike, podes ter acesso a um almoço VIP e a um fantástico late networking Melga, de meia hora, com os oradores!
- Fantástico, Melga! Vou já comprar o bilhete platinum para a Fantástica Conferência de Motivação Melga, Melga!
- Fantástico, Mike! Com o bilhete platinum da Fantástica Conferência de Motivação Melga, Mike, a tua vida vai mudar para sempre. O triste e deprimido Mike que hoje és vai desaparecer, para dar lugar a um jovem garboso, empreendedor e dinâmico. Agarra já a tua oportunidade, Mike!
- Fantástico, Melga! Vou já a correr inscrever-me antes que esgote!

Onde se dá conta da nova e mui valorosa empreitada do Pança

O Príncipe atazanou e atormentou tanto a Ana que esta afracou e abaixou. Vendo-se com a folclórica Feira da Floresta nas mãos e à porta, mandou de imediato chamar o Conde do Oeste. Mesmo sem contrato, ordenou-lhe que metesse rapidamente mãos à empreitada, que os papéis seriam tratados depois. O conde faz bem o cerimonial, mas não está - nunca foi- habituado a ritmos acelerados. Preocupado…; chamou o Pança.

- Pança? Vinde aqui…

- O que desejais, Alteza? – acudiu o Pança.
- Tenho uma mui valorosa empreitada para vós, onde podereis mostrar, mais uma vez, a vossa raça e desenvoltura: a Feira da Floresta – afirmou o Príncipe.
- Agradeço muito o obséquio, Alteza; mas vem a destempo: ando mui desacorçoado e mui atolado em afazeres, não aguento com mais carga… 
- Aguentas, Pança; sois escudeiro teso e de costas largas …- reforçou o Príncipe.
- Já o fui…, Alteza; mas agora sinto-me enfraquecido, e desagradecido. Acreditai-me, Alteza: mui gostaria de por mãos em tão prestigiante empreitada, mas faltam-me as forças e o ânimo – desabafou Pança com ar desolado.   
- Deixai-vos disso, Pança; e fazei das fraquezas forças…
- Por minha fé, senhor meu Amo; entendei-me: doí-me perceber que muito tenho dado e pouco tenho recebido das companhias em que tenho andado – afirmou o Pança, condoído.
- Pança, não sejais desagradecido: fiz-vos escudeiro famoso, e já prometi – e havei de cumpri-lo, se não me falhardes – fazer-vos cavaleiro – afirmou o Príncipe.
- Começo a ficar farto de promessas…Sou um moiro de trabalho, trabalho para muito Senhor, todos me dão ordens, é “Pança para aqui”, é “Pança para ali”,…, mas no final, é sempre a mesma coisa: um pontapé no rabo e vai dar uma volta! - desabafou o Pança.
- Não estou a perceber, Pança – retorquiu o Príncipe.
- Não estais, Alteza! Se mo permitirdes, explico. Como sabeis: fizeram-se escolhas no partido… Contava concorrer; não o fiz porque não tive apoios, nomeadamente de onde mais contava…
- Não me incomodes com pendências partidárias, Pança. Se vos sentíeis maltratado, deveis resolver a questão com o vosso irmão – ele é que é o cozinheiro desse cozinhado requentado – afirmou o Príncipe.
- Bem sei, Alteza, bem sei... Os nossos são sempre os primeiros a trair-nos. Já me desentendi com ele...Mas Vossa Mercê também me defraudou um pouco – se me tivésseis dado um pequeno empurrão, talvez hoje fosse eu o mandante – e o Senhor dormiria mais descansado…
- Sois mais necessário como escudeiro, Pança – retorquiu o Príncipe.
- Mas eu não quero ser escudeiro a vida toda…Escolheram o Manel. Dizei-me, Alteza: o que é que o Manel tem a mais do que eu? Trabalho não, e vitórias também não! Não é caso para uma pessoa se sentir desagradecido? E pior, Alteza: chutaram-me para um lugar decorativo…Há ingratidão maior? perguntou o Pança.
- A arte da política é muito ingrata, Pança. Devíeis sabê-lo; não vedes a ingratidão de sou alvo todos os dias? – replicou o Príncipe.
- Bem o sei, Alteza; e bem o sinto…!
- Tendes que ultrapassar essas mágoas, Pança; preciso que vos atireis à Feira da Floresta com ganas – afirmou o Príncipe.
- Não consigo, Alteza; vede bem: continuo atolado em afazeres: ainda não consegui desmontar o Festival das Favas (está tudo por aí espalhado); a governação do condado absorve-me muito tempo; aqui uma pessoa nunca tem descanso, ninguém me ajuda: a nova manceba já abaixou, o tira-retratos só faz aquilo - não consigo tocar tanto burro…
- Não vos reconhecei, Pança; já não quereis ser escudeiro? - perguntou o Príncipe.
- Quero, Alteza; mas entendei-me: não posso ser pau para toda a obra; a empreitada da Feira Florestal é responsabilidade do ministro Jota e do seu pajem...
- Já devíeis saber, Pança, que ministro Jota e o seu pajem só servem para as brincadeiras com a rapaziada…
- Sim, ainda estão moços… - anuiu o Pança
- A empreitada da Feira da Floresta é deveras importante, expõe-nos, tem que ser conduzida por vós, que sabeis fazer acontecer as coisas – decretou o Príncipe.
- Mas como é que eu me desdobro, Alteza!?
- Desdobras…Eu mando limpar os destroços do teu Festival das Favas; e tu atiras-te a esta empreitada com como cão a bofes; entendeis?
- Se for assim…- aquiesceu o Pança.
E lá saíram, Amo e escudeiro, felizes e contentes.
                                                                                                   Miguel Saavedra

9 de maio de 2018

Desordem na CMP

A CMP marcou dois eventos anuais para o mesmo fim-de-semana: a Feira da Floresta e o Festival Pombalino.
Reina, como nunca, a desordem no Convento de Santo António: ninguém comunica, ninguém se entende.

8 de maio de 2018

Se não ajudarmos os nossos...(II)

Foto de Carlos Domingues, publicada no FB durante a campanha eleitoral, anunciando "vitória"

Desde o final de Abril que Manuel Serra está investido  pelo município de Pombal a tratar de angariar gente e sucesso para a Feira Nacional da Floresta. Desde que perdeu a Junta do Oeste que o PSD local tentava arranjar emprego ao autarca. Primeiro foi na Associação de Produtores Florestais, mas como não resultou, tentou-se então o Município. De modo que o conde do Oeste (como tão bem o baptizou Miguel de Saveedra) não tinha tempo a perder para mostrar serviço: mesmo antes de anunciada a contratação (ou avença), passou a utilizar um endereço de e-mail e um telefone, em nome da Câmara. 
É preciso nivelar por cima, elevar as relações (incluindo as laborais). Isso de contratos e burocracias é uma maçada para a qual só o povo tem vocação. Ou será uma avença, apenas? Seja o que for, façam lá o favor de esclarecer quem paga. Nós, portanto.

Se nós não ajudarmos os nossos…(I)


A CMP granjeou fama na integração dos desprotegidos desta vida; agora, desacredita-se ajudando os privilegiados da política. A oportunidade dada aos primeiros é louvável, o favorecimento dos segundos é altamente censurável.
Diogo Mateus decidiu ajudar a correligionária Célia Cristina Freire, ex-vice-presidente da câmara de Ansião, que ficou desocupada depois de perder as eleições. Contratou-a para secretária da “vereadora” Ana Gonçalves! O que desagradou os novos dirigentes do partido; ávidos de benesses.
Na CMP, os vereadores são meros secretários do presidente. A vereadora Ana Gonçalves foi, durante vários anos, a excepção: teve poder. Mas perdeu-o, pelos motivos conhecidos (agora está ao nível dos outros). No entanto, recebe o que nunca teve: uma secretária - uma ex-vice-presidente de câmara.
Pergunta-se:
O que leva uma ex-vice-presidente de câmara a sujeitar-se a isto, a uma esmola como secretária de uma “vereadora”?
O que leva Diogo Mateus a dar um tacho político desnecessário e incompreensível? Que vantagens procura obter?
Quando se perde o decoro (e já passamos esse patamar), perde-se a respeitabilidade.

Enfim, os premiados


Timidamente e a contra-gosto, a Junta de Freguesia de Pombal lá divulgou os vencedores do Prémio Literário António Gaspar Serrano, horas depois da publicação do Farpas.  Pelos vistos, ainda servimos para alguma coisa.

Segundo a notícia do Diário do Leiria, os vencedores nas diversas categorias são: Anabela Monteiro Coelho (categoria de Poesia), com a obra "O lastro das Palavras"; Maria Filomena Figueiredo (categoria Conto), com a obra "A Vida, apenas" e João António Silva (categoria Revelação), com o ensaio "Ensaio sobre um passado mais que perfeito". Os meus parabéns aos premiados. Pena que a notícia não nos elucide sobre qual opinião do júri sobre os trabalhos distinguidos. Tratando-se de um evento literário, seria de esperar que a literatura tivesse outro protagonismo (veja-se o bom exemplo dado aqui pela Câmara de Montalegre). 

De acordo com o regulamento, "a Junta de Freguesia de Pombal reserva-se o direito de edição de todos os trabalhos publicados, em regime de protocolo com uma editora nacional". Que eu saiba, até agora nenhum dos trabalhos premiados das edições anteriores foi considerado para publicação. Falta de mérito? Desinteresse da parte da Junta? Dificuldade em encontrar parcerias? Eu arriscava uma resposta, mas temo estar a ser injusto. Vamos lá ver se, no consulado de Pedro Pimpão, as coisas mudam. Lembro o jovem autarca que pode sempre usar o prefácio da obra para elogiar os seus méritos pessoais e uma das badanas para colocar uma foto sua bem sorridente. 

7 de maio de 2018

Mais dignidade!


Só há dois factos interessantes a saber num prémio literário: quem são os vencedores (os verdadeiros protagonistas) e qual o júri (quem prestigia o  prémio). No caso do “Prémio Literário António Gaspar Serrano” é tudo o que não ficamos a saber pelos comunicados da Junta e as notícias da comunicação social.

Em Pombal, os vícios repetem-se. Os meninos da Junta estão apenas interessados em promover-se, organizando galas bacocas onde podem tirar selfies para o facebook fazer discursos pedantes. A comunicação social não revela qualquer curiosidade, não tem espírito crítico, não quer saber. Faz alarde da iniciativa da Junta e despreza quem devia promover.

Que eu saiba, os nomes dos vencedores apenas foram publicitados na primeira edição. António Serrano, vulto maior da vida pombalense, merecia que o evento fosse tratado com outra dignidade. 

Trapalhadas nas eleições no PSD



As eleições para os órgãos concelhios dos partidos - salvo raras excepções - são uma farsa. Limitam-se a um ritual de substituição de um “controleiro” por outro, que se revezam; ou, noutra variante, um testa-de-ferro reserva o lugar para o “controleiro” que já atingiu o limite de mandatos.
As eleições no PSD local, que decorreram sexta-feira passada, seguiram o guião normal. De novo só as trapalhadas: primeiro, com o Manel a fazer-se anunciar presidente antes de o ser; segundo, com este a anunciar publicamente uma lista sem ter obtido a aceitação de todos os candidatos.
Começa mal, o Manel. Fica mais descansado o “controleiro”.

PS: já agora: quem foi eleito para a Mesa do Plenário? E os resultados!? A malta está curiosa...

6 de maio de 2018

Pombal medieval


Em Pombal, o que conta é fazer o número; seja na feira medieval, ou noutra coisa qualquer, porque ninguém leva a mal modernices parolas.
Mas o que verdadeiramente ajudava Pombal seria recordar a época do Renascimento, não a época das trevas, da brutalidade e da miséria.

4 de maio de 2018

Negociatas

O extraordinário combate ao desemprego



É assinalável o esforço que o executivo municipal está a desenvolver no combate ao desemprego. Ontem mesmo ficámos a saber da contratação de um presidente da junta derrotado nas últimas eleições, que já assina mails em nome do Município de Pombal - mesmo antes da contratação. Isto sim, é serviço: atribuir um telemóvel e um endereço de e-mail a um futuro funcionário que ainda não o é. 
No seu primeiro mandato, Diogo Mateus quis cortar com o registo "...senão ajudarmos os nossos" e manteve-se firme e hirto no bloqueio à cunha e ao tacho. Mas parece estar a perder esse filtro. O que dizer, por exemplo, da ex-vereadora que (naturalmente com mérito) ficou à frente de umas quantas dezenas de candidatas ao cargo de psicóloga na Comissão Social de Freguesia que servirá Carriço, Louriçal e Almagreira? E cujo lugar de assistente social já estará reservado para quando outra destacada militante do PSD ficar sem trabalho, ao fim de certo projecto? Ou ainda da secretária que vem a caminho (de um concelho vizinho) para apoiar certa vereadora?
Às vezes compreendo os jovens que se deixam seduzir pelo canto da sereia da jota. E lembro-me daquele anúncio de antigamente: "jovens, se tens 18 anos, vem para a GNR". Agora troquem por JSD. E vamos verificar quantos jovens ligados a outros partidos têm tido oportunidades nesse grande empregador que é o município. O primeiro a acertar ganha uma viagem à feira medieval.
 

3 de maio de 2018

Obras tortas e atrasadas


A CMP tem fama antiga – não o proveito – de ser bom (rápido) pagador aos empreiteiros. Nos últimos anos, conquistou, também, junto dos próprios empreiteiros, a fama de ser um bom receptor das obras – recebe-as quando os empreiteiros as entregam, tarde e más horas, e não quando deviam ser entregues.
Os prazos estabelecidos nos cadernos de encargos das obras são, salvo raras excepções, muito longos – o dobro do que seria necessário para fazer a obra. Mas, mesmo assim, a CMP estende-os, uma, duas, três vezes…! Tem sido sempre assim nas principais obras: Centro Saúde, Centro de Negócios, CIMU-Sicó, Obra dos Governos, Casa Varela, etc…
O prazo excessivo e os atrasos na execução das obras não são problemas menores, evidenciam falhas graves de organização e gestão que acarretam prejuízos significativos. Ao contrário do que dizem o presidente e o seu ministro das obras, a responsabilidade pelos atrasos não é dos empreiteiros, é da câmara. Estranha-se, ou nem tanto, que ninguém da oposição seja capaz de o dizer, e de exigir responsabilidades e medidas concretas. Uma obra, antes de incumprir o prazo, antes de ficar atrasada, vai-se atrasando. E vai-se atrasando por falta de acompanhamento, desleixo ou incompetência.
Que câmaras que pagam mal – tarde, a más horas e aos bochechos – sejam mal servidas, compreende-se; mas que isso aconteça, sistematicamente, numa câmara que se gaba de pagar muito bem, demonstra incompetência grave.

2 de maio de 2018

Ousadia e vaidade


Num estilo jactante e gabarola, muito ao gosto de Pedro Pimpão, a Junta de Freguesia de Pombal fez, no facebook (onde mais poderia ser?), o balanço dos seus primeiros seis meses de actividade. O "dinamismo ímpar" e a "ousadia" com que a Junta se adjectiva, só rivaliza com o "apoio fantástico" e o "enorme potencial" usados para qualificar os pombalenses. Nem Pedro Viera faria melhor nas suas "inspirações para uma vida mágica".

A continuar neste ritmo frenético, a Junta de Freguesia corre o risco de acabar (se é que ainda não acabou) com todo o potencial criativo independente em Pombal. Entre tertúlias, palestras, ciclos de teatro, bailes de carnaval, festivais musicais, nada escapa ao dinamismo de Pimpão y sus muchachos. Ao ler a lista incompleta(?) de iniciativas, fico com uma sentimento dúbio: por um lado, não posso deixar de enaltecer a energia da equipa; por outro, tenho que criticar a forma como o supérfluo tem ofuscado o essencial, relegado para o final da lista, num discreto "etc, etc".

Como o tempo é de festa e de exaltação, deixo o meu contributo para as festas populares que se avizinham, talvez para acompanhar com um fadinho conhecido:

Pedro Pimpão e a sua equipa tão airosa
Quis um dia dar nas vistas
E saíu com o Roma e o Pedrosa
P'ra fazer suas conquistas

Manhas antigas, vaidade louca
Anda o Pedrito a bailar de boca em boca
Triste bizarra, em comunhão
Anda em Pombal cabisbaixa a oposição

1 de maio de 2018

Sua excelência o presidente dos social-democratas de Pombal: Manel


Estava assim sem rei-nem-roque, já há semanas, o PSD de Pombal, quando ontem à noite a rede foi inundada pela "mensagem do Presidente". É verdade que as eleições são só no próximo fim-de-semana, mas no oeste é atar e pôr ao fumeiro, de maneira que o único candidato conhecido para inquilino da rua Luís Torres resolveu apresentar-se logo como presidente, e está arrumada a questão. Talvez não valha a maçada de sair de casa para exercer o direito de voto. Deve ser essa a mensagem subliminar que está ali, naquele panfleto digital. Ou então, há várias hipóteses para esta atitude patética de Manuel António:
1.  Está como gato escaldado, e antes que à última hora lhe tirem o tapete, é melhor apresentar-se já como presidente
2. Foi isso que Pedro Pimpão lhe mandou fazer, pois que todos sabemos que foi ele quem o resgatou da desgraça em que caíra, da humilhação a que Diogo Mateus o sujeitou no processo do Conselho Geral Transitório do Agrupamento de Escolas de Pombal, bem como na Junta de Freguesia.
3. Tem saudades de ser presidente. É legítimo e ninguém lhe pode levar a mal.

Como a mim não me volta a enganar, nem estou em condições de votar nele, só tenho pena. 

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