"E na epiderme de cada facto contemporâneo cravaremos uma farpa: apenas a porção de ferro estritamente indispensável para deixar pendente um sinal."
1 de outubro de 2018
30 de setembro de 2018
Comportamentos persecutórios
Esta discussão sobre persecução, entre duas criaturas com
historial de respeito na matéria, diz-nos muito da classe política que tem
mandado nesta terra.
No final, ficamos com a sensação que D. Diogo é o mais ajuizado.
Estranho, não é?
29 de setembro de 2018
Indignidade completa
O fim é triste. O fim em política é sempre triste,
nomeadamente quando se teve uma carreira longa e cheia de sucessos, que não se
soube terminar a tempo. Mas não tem que ser indigno.
O fim político de Narciso Mota atingiu aquilo que muitos
prognosticaram: o patamar do indigno. Neste destino há muita culpa do próprio (à
cabeça as pessoas de que se foi rodeando) e de todos que o rodeiam. Sim, de todos:
apoiantes e adversários, amigos e inimigos, os que o afrontam e os que se escondem…
O patamar de baixeza que se atingiu na última reunião do
executivo não expõe somente as fraquezas de Narciso Mota e de Diogo Mateus, expõe
todos – os que falaram e os/as que se calaram. Expõe, também, uma classe
política indigna, sem princípios nem valores - velhaca. Direi mais: o palavrório
descontrolado, inconsciente, choca tanto como os silêncios comprometidos, cobardes,
manhosos. Porque aquilo não foi um descontrole momentâneo, um baixeza, que
qualquer um pode cometer no calor da luta política; aquilo foi indignidade
completa e em crescendo. Aquilo foi o grau zero da política, da decência, da
dignidade. Como é que aquela dezena de criaturas não se indignou com o que
estava a acontecer?
Naquela malfadada reunião, Narciso Mota desbaratou o resto
da respeitabilidade que granjeou, e Diogo Mateus perdeu a autoridade moral e
política que necessita para exercer o cargo. Os outros são figuras
menores que nunca serão maiores, figurantes que se calam e se divertem com a indignidade.
28 de setembro de 2018
Peixeirada na reunião de Câmara: o concurso, a nora, o presidente e o juri dele
Foi um momento deprimente para a vida municipal, o da reunião de Câmara desta manhã. A seguir, só se for o pugilato. Narciso e Diogo trocaram mimos diversos, com acusações mútuas, enquanto o séquito de vereadores assistia de camarote ao espectáculo. Ao final, os da maioria lá murmuraram qualquer coisa. Para memória futura fica aquele momento em que o director de Recursos Humanos (que prazer conhecer esta figura, finalmente, assim na tv) vai à reunião para lavar o seu protesto, jurando a pés juntos que fez tudo dentro da legalidade.
Senhoras e senhores, este é o Estado a que chegámos.
Ouro olímpico
27 de setembro de 2018
Do (infeliz) aproveitamento, II
Quando Diogo Mateus falou aos jornalistas na manhã da tragédia, no local do acidente, parecia todo ele um poço de bom senso. Um repórter de tv perguntava-lhe se era possível assacar responsabilidades à estrada, e ele, prudente, sublinhou antes que os acidentes que ali ocorrem não obedecem a um padrão. Acresce que aquele troço nem é, de todo, aquele em que mais acidentes regista, em comparação com o que liga Pombal a Ansião.
Mas algumas horas bastaram para que virasse o disco. Numa assembleia em que exibiu (entre os risos cúmplices com Ana Cabral, enquanto ignorava ostensivamente Ana Gonçalves) toda a sobranceria, parecia falar ao espelho. Ora vejam:
Do (infeliz) aproveitamento, I
O PS local tem-se comportado como verdadeira oposição, na Assembleia Municipal, mas ao Governo do país. Primeiro foi a propósito dos colégios privados - alinhando no discurso e nas posições da maioria PSD. Agora, um dia depois da tragédia que matou seis jovens num desastre automóvel, saiu-se com uma moção pela rápida requalificação do IC8. João Coucelo (PSD) ainda avisou que não era de bom tom "colar" uma coisa à outra. Mas Carlos Lopes (PS) insistiu nessa ideia peregrina. Bem pode o líder da bancada sublinhar uma e outra vez que "o PS não fez, não faz, nem fará qualquer tipo de aproveitamento político de tragédias", que aos olhos de quem assiste a esta inusitada proposta, soa ao seu contrário. É claro que neste jogo do bem-parecer, quase todos os deputados foram votar uma moção que ali chegou em cima da hora, e que nunca ali chegaria naqueles termos se não tivesse ocorrido um acidente no IC8, na véspera - em circunstâncias ainda por apurar, e que podem nada ter a ver com a estrada. Paradoxalmente, foi José Gomes Fernandes (PSD) o único a levantar a questão certa: não misturar assuntos políticos com sentimentos.
26 de setembro de 2018
Os substitutos
A bancada do PS na Assembleia Municipal está reduzida a quatro elementos, desde as últimas eleições autárquicas: Célio Fernandes, Carlos Lopes, Patrícia Carvalho e Manuel da Mariana. Mas ao longo deste ano que passou, já se percebeu que há quem faça tábua rasa da confiança dos eleitores. Já houve quem não fosse e nem sequer avisasse o partido. E ontem foi o que se viu. Estava difícil encontrar substitutos.
24 de setembro de 2018
22 de setembro de 2018
Vira o disco e toca o mesmo
A CMP deliberou, por unanimidade, atribuir um subsídio à Associação Cultural e Recreativa Sicoense, no valor de 800,00 €, para a organização de um passeio TT (na serra e arredores)!
20 de setembro de 2018
A propósito de ofensas
Com estas baboseiras, o Michael ofendeu, ou não, a
consciência e a inteligência dos pombalenses?
19 de setembro de 2018
Incoerências no trânsito
A
câmara requalificou(?) a EM237, entre o Alto do Cabaço e o Barco: passeios,
ciclovia, estreitamento da via, muitas lombas e passadeiras. Finalidade:
devolver espaço às pessoas e reduzir/limitar a circulação automóvel. No
entanto, os camiões - nomeadamente os das pedreiras - continuam a poder usar a
via, apesar de existir uma via alternativa próxima. Alguém compreende isto?
18 de setembro de 2018
O ovo de Colombo segundo Pedro Pimpão
Sou muito fã desta hiperactividade da Junta de Freguesia de Pombal, uma espécie de sempre-em-festa que contrasta com o incenso e mirra da Câmara Municipal. É verdade que a malta se queixa dos passeios por limpar, das coisas simples e básicas por resolver, mas não se pode ter tudo.
Ou será que pode?
No fim de semana passado estávamos desfalcados de eventos. Então a Junta mobilizou os seus recursos para o "1º Festival do Ovo" na Estrada, organizado pela ADERCE - uma coisa mal-amanhada cujo ponto alto foi o baile com o organista Graciano Ricardo, que também faz parte da tal "Junta que nos junta". As fotos mostram a realidade como ela é: notável e extraordinária, como diz Pimpão. Não mostram, porém, aquilo que é mais impressionante naquela colectividade, protótipo do que foram os anos sem rei nem roque de Narciso Mota a distribuir dinheiro pelas colectividades, independentemente da actividade que tivessem. Por isso isto do ovo tem um lado bom, sim senhor.
A Junta fez tudo o que pôde, mas não bastou para o sucesso da iniciativa. Porém, foi mais um passo nessa travessia de Pedro Pimpão, qual ovo de colombo.
16 de setembro de 2018
10 de setembro de 2018
Centro Escolar das Meirinhas - Obra Torta
O
Centro de Educação das Meirinhas, adjudicado em Julho de 2016, com prazo de
execução de 450 dias, está neste estado! Não vai abrir no início do ano
escolar, como era exigível. A data de abertura foi adiada para o próximo ano.
O
empreiteiro deixou atrasar a obra, não comunicou o incumprimento nem pediu
formalmente o prolongamento do prazo (afirmou o presidente da câmara na ultima reunião
do executivo). Não se sabe se a câmara sabia do atraso - a câmara não acompanha
nem fiscaliza as obras devidamente. Mais: o presidente da câmara acha que não
compete a esta controlar/acompanhar o planeamento da execução das obras. Irresponsabilidade.
Em parte, estão explicados os sistemáticos incumprimentos dos prazos.
Mas há
dúvidas que persistem:
- Que tipo de relação existe entre a câmara e os empreiteiros que os leva a estarem-se nas tintas para a câmara (que é o cliente)?
- Porque é que a câmara – que paga bem – não é exigente com os empreiteiros?
9 de setembro de 2018
8 de setembro de 2018
A Anabela voltou a falar
Para
perguntar ao Sr. Presidente se podia votar…
Ainda
não explicaram à senhora que há perguntas que não se fazem; e que ela está lá
para falar, não para votar (o seu voto não conta para nada)?!
6 de setembro de 2018
O mundo ao contrário
Em Democracia,
o debate político faz-se, normalmente, com a oposição a criticar/atacar o
poder, e o poder a defender-se.
Em
Pombal, é ao contrário: a oposição é colaboracionista; e, mesmo assim, o poder bate-lhe
sem dó; e ela amocha!
5 de setembro de 2018
Quando a bengala é falsa
A vereadora
Odete expôs bem a intervenção que levava preparada sobre o plano da Área de
Regeneração Urbana de Pombal. Teria feito boa figura se do outro lado o
adversário não lhe tivesse detectado os pontos fracos. Cometeu dois básicos:
basear-se em pressupostos falsos e concluir mal (ou não concluir) – um chega
para destruir qualquer argumentação.
A vereadora
Odete apoiou toda a sua argumentação num erro cometido pelos autores do plano, que
apontavam, numa tal análise SWOT, as três grandes vias que atravessam Pombal -
Rio Arunca, Linha do Norte e Estrada Nacional - como pontos fracos da cidade (os
doutores, os engenheiros e os arquitectos gostam de embelezar/estragar os seus
trabalhos com coisas que não dominam e não são aplicáveis aos seus estudos –
manias tolas). No final, cometeu outro erro imperdoável: não concluiu - limitou-se
a afirmar que faria diferente, e absteve-se.
Resultado:
o adversário deu-lhe forte nos pontos fracos; levou-a ao tapete.
Narciso sobre regeneração urbana
Um
plano de regeneração urbana é um documento muito importante, que pode e deve
mudar uma cidade.
Ora
ouçam o que um ex-presidente da câmara, com 20 anos de presidência, tem a dizer
sobre o assunto.
Fora da ordem-do-dia
Antes
de começar a falar, Narciso Mota avisou logo que gastaria pouco tempo, e
cumpriu: gastou (só) dezasseis minutos, nos quais, apoiado nos títulos dos jornais
e no seu conhecimento da realidade, discorreu, com a clareza e a profundidade
conhecidas, sobre os mais diversos assuntos, desde a gestão de obras – de que é
um reconhecido “especialista” – até teoria política, nomeadamente a dictomia
esquerda direita.
Pelo
meio, ainda teve tempo para dar uma reprimenda ao seu delfim, que insiste em criticar
o incumprimento dos prazos das obras.
4 de setembro de 2018
Discurso de charlatão
O
charlatão, nomeadamente o político charlatão, tem uma inclinação enorme para o autoelogio,
para querer mostrar o que não é. Apoia-se regularmente nos seus supostos
“mestres” e em estudos que desconhece ou não existem sequer. O eleitor topa-os
bem e tolera-os; mas quando as falácias atingem o domínio do risível, é
demais.
Vem
isto a propósito de uma intervenção do vereador Michael sobre os feitos do
poder local, e da sua altíssima eficiência – credo: o Michael a falar de eficiência!
Afirmou ele - sem se rir - que “sempre
ouviu dizer, nomeadamente aqui ao ex-presidente da câmara, que um euro - um
cêntimo - é muito melhor gerido por uma autarquia do que pela administração
central, isso está provado por números e dados estatísticos, porque as câmaras
com 1,5%, ou não chega a 2%, do orçamento do Estado conseguem produzir 30% ou
mais do PIB”.
Só uma
criatura profundamente ignorante na matéria ou altamente desonesta pode fazer uma afirmação
destas publicamente sem se envergonhar. Mas mais: para dar alguma credibilidade
à falácia, referiu dados e números estatísticos que o provam; sem nunca os ter
visto porque, simplesmente, não existem. Estamos claramente na presença do
típico charlatão político que se disfarça com máscara de sábio e que tenta
fazer de uma mosca um elefante, mas da matéria - multiplicadores da Economia -
nada conhece, nem uma vaga noção da
escala tem; e de estatística não deve conhecer mais do que o termo. Risível.
Já na
época dos sofistas, os gregos diziam: “o macaco é sempre macaco, mesmo
vestido de púrpura”. Tal como o papagaio é sempre papagaio, mesmo que saiba falar línguas.
3 de setembro de 2018
Vamos à festa
Houve
festa em Albergaria dos Doze. Como festa pede inaugurações, e inaugurações pedem
obras, fazem-se obras. Foi assim durante muitas décadas. E foi também por isso que estamos
como estamos, que temos por aí muito elefante branco e muito mono abandonado.
Foi assim, mas já não é! Agora basta ter meia obra, ou a obra iniciada.
Ora vejam o estado em que foram inauguradas as obras de regeneração urbana(?) de Albergaria dos Doze – filmado ontem.
Ora vejam o estado em que foram inauguradas as obras de regeneração urbana(?) de Albergaria dos Doze – filmado ontem.
Mais:
durante as festas esconderam a coisa, e o presidente da junta teve a lata de se
gabar, no discurso de inauguração, que este ano tinham assegurado dois palcos,
quando um deles foi a forma improvisada que arranjaram para esconder a obra
inacabada.
Perdeu-se
o respeito pela lei, e pelos contribuintes que pagam estes desmandos.
Cerimónia do Beija-mão
A entrega de uns prémios monetários aos participantes na Corrida do Bodo, no início da reunião do executivo com transmissão em directo, um mês depois do evento, levou ao povo a representação de um velho ritual monárquico: a tétrica cerimónia do beija-mão.
Bonito. Tão bonito que até a oposição, sempre colaboracionista, aprovou e aplaudiu.
2 de setembro de 2018
31 de agosto de 2018
CIMU-SICÓ – é para demolir?
A construção do CIMU-SICÓ está parada há dois anos e meio; no estado que o vídeo mostra!
O CIMU-SICÓ foi apresentado, em 2007, como um projecto grandioso – megalómano, até – com duas valências essenciais: (1) divulgação do património histórico e cultural da região; (2) centro de apoio aos desportos de natureza e turismo.
O projecto é uma aberração arquitectónica, tanto no que se refere ao enquadramento paisagístico como à funcionalidade interior (um labirinto disforme com corredores e inúmeras salas). Ao longo dos doze anos de criação do mamarracho, a câmara nunca conseguiu aportar-lhe conteúdos/valor que justificassem o elevado investimento e a descaracterização da paisagem protegida. Depois do fraco interesse das diversas entidades pela vertente da divulgação do património histórico e cultural da região – o Centro Ciência Viva afastou logo a possibilidade de ali instalar um pólo – o projecto ficou, em grande parte, amputado da primeira valência e resumido à segunda - desportos de natureza e turismo –, a que a câmara pensou, recentemente, agregar uma ponte suspensa sobre o Vale do Poio – mais uma bizarria.
Entretanto, a câmara estabeleceu um protocolo com o Grupo de Protecção da Sicó (GPS) que “prevê a cedência do direito de superfície da antiga Escola Primária de Ereiras a favor do GPS, e que permitirá a ampliação daquela infraestrutura, com vista a receber o Centro de BTT Sicó, projecto que pretende instalar uma rede de trilhos pedestres e cicláveis na Serra de Sicó". O protocolo acrescenta que “o Centro de BTT Sicó pretende ter um papel fundamental na potenciação das actividades de cycling e walking no Maciço Calcário Sicó-Alvaiázere, assumindo-se igualmente como um pólo de promoção de Turismo de Natureza descentralizado dos principais centros urbanos”.
Com o protocolo estabelecido, a câmara apoia e financia a criação de uma estrutura, próxima do CIMU-SICÓ, que vai fazer exactamente o que o CIMU-SICÓ se propunha desenvolver - desportos de natureza e turismo.
Perante esta duplicação de meios pergunta-se:
- Com o protocolo estabelecido, o executivo – Diogo Mateus – prepara-se para, assim, justificar a demolição do mamarracho (está numa fase em que os prejuízos, apesar de tudo, são ainda moderados)?
Defina-se, presidente; a duplicação de infraestruturas e de meios não é aceitável. Esclareça os pombalenses; são eles que pagam estes desmandos.
PS: Faz sentido a criação de uma estrutura minimalista para apoio às actividades/desportos de montanha. No entanto, parece-me que as Ereiras não é o local mais indicado. Por todas as razões (localização, atractividade, potencial turístico, etc.) a Aldeia do Vale é o local ideal.
30 de agosto de 2018
Da série "cidade desmazelada" ou a negligência municipal
Chamava-se Centro Coordenador de Transportes, quando foi inaugurado, ao tempo em que a Câmara era presidida por Armindo Carolino. Além de estação rodoviária, o edifício foi dotado de vários espaços (comerciais) e durante anos quase cumpriu a sua função - até para além dela, pois que integra, inclusive, uma residência social. 25 anos depois, não passa de um edifício-fantasma, descuidado. Um dos poucos espaços que ainda lhe dá vida e movimento é uma tabacaria/quiosque. Há anos que a proprietária reclama junto da Câmara - dona do espaço - que tome medidas para acabar com a indecência que ali acontece durante a noite, e que todos os dias deixa o espaço imundo, como as fotos documentam.
Supomos que não há pelouro responsável por isto.
29 de agosto de 2018
Feitos num 8
É como estamos, afinal. A bem da verdade, o monumento ao biscoito do Louriçal foi pago por todos os munícipes do concelho. Para que conste: em Julho, em reunião de Câmara, foi aprovado um subsídio no valor de 8 mil euros, para o efeito. É a gastar. Quem pode, pode.
25 de agosto de 2018
23 de agosto de 2018
Tartufices
No verão passado, Pedrogão Grande (e os concelhos
limítrofes) foi devastado por um violento incêndio que provocou a maior
tragédia humana, neste tipo de catástrofe, em Portugal.
Os portugueses (e não só) desencadearam uma onda de
solidariedade que permitiu disponibilizar, em pouco tempo, recursos financeiros
e materiais mais do que suficientes para reparar os prejuízos materiais e restabelecer
a normalidade possível daquelas vidas e daquela frágil comunidade.
Pensou-se que o mais difícil - o possível - estava feito.
Puro engano! A reportagem da TVI sobre a reconstrução das casas em Pedrogão
Grande, que passou ontem no Jornal da Noite, mostrou-nos uma mistela abjecta com
as piores misérias humanas: a mentira, a hipocrisia, a desonestidade, o compadrio,
a injustiça, a corrupção, a trafulhice, o aproveitamento pessoal, o roubo. O
que choca não é que estes vícios e irregularidades estejam mais uma vez
presentes na distribuição de dinheiros públicos – infelizmente, já estamos
habituados. O que repugna profundamente é ver o patamar de desfaçatez que se
atingiu; é verificar que até na presença de abundantes recursos materiais, os
verdadeiramente necessitados são marginalizados, e os amigos e os oportunistas que
pouco ou nada perderam são beneficiados de forma obscena.
Pobre terra, onde a corrupção brota à vista desarmada como
um fungo. Pobres coitados, que tem à sua frente gente sem pinga de vergonha - uma
cambada de impostores sem princípios e sem pudor.
21 de agosto de 2018
Dúvida
Os jotas, e muitos graúdos, cá do burgo andaram
empenhadíssimos na candidatura do fugaz Santana Lopes à liderança do PPD/PSD.
No entanto, Santana Lopes perdeu as eleições; e vai daí, resolveu fundar um novo
partido.
Os acérrimos apoiantes locais tinham algum alinhamento ideológico com Santana Lopes ou apoiaram-no por simples opção carreirista?
Duvida a esclarecer nos próximos meses.
18 de agosto de 2018
13 de agosto de 2018
O biscoito e a festa do Louriçal
Está inaugurado com pompa e circunstância o monumento ao Biscoito, coisa singela que terá custado aos cofres do erário público escassos oito mil euros. É uma capicua curiosa. Numa terra que deu à luz vários e tão bons artistas plásticos, o rasgo autárquico não foi além de um biscoito em pedra (ou seja lá o que for) encomendado a um homem do norte.
No sábado, o séquito da Câmara, o garboso presidente da junta e meia dúzia de politiqueiros embandeiraram em arco com o biscoito de pedra. Na gaveta deste executivo está o projecto da Confraria do Biscoito (já que o PS lá foi passear, podia ter aproveitado para o lembrar), por se tratar de uma acção defendida pela anterior junta. E aqui para nós, com toda essa massa não fazíamos umas acções que defendessem melhor o biscoito e o levassem longe? Mas o povo anda contente com a obra, e já se sabe que o que não enche o olho não traz votos. Desconfiamos é que fique tão contente com o rumo que as festas levam: é olhar para o recinto fechado e para o exterior e perceber o desinteresse por parte das colectividades. Mas esse é um balanço que fica para depois, que ainda as festas vão a meio.
10 de agosto de 2018
Cidade desmazelada
A CMP faz obras - muitas mal - e despreza-as. Os
equipamentos públicos, nomeadamente os espaços públicos (jardins,
ciclovias, etc.) encontram-se no perfeito desmazelo.
O pelouro de manutenção dos Equipamentos Públicos não é
minimamente exercido. É inadmissível que a cidade esteja tão desmazelada,
nomeadamente quando é mais visitada.
A política não pode ser só festas, inaugurações e
politiquice; convinha guardar algum tempo para o que é necessário fazer.
9 de agosto de 2018
O perfeito vazio
A última reunião de Câmara, a 01 de Agosto, decorreu sem a presença de qualquer vereador eleito pelo PS. Lembramos aqui os mais distraídos que o PS elegeu apenas um elemento nas últimas eleições autárquicas - Jorge Claro, o último candidato. Ora acontece que - como devem ter reparado os menos distraídos - com a entrada de Odete Alves para líder da concelhia do PS - e sendo que ela não fora eleita, pois que era a nº 2 da lista - Claro foi-se preparando para abdicar do lugar, suspendendo primeiro o mandato por pequenos períodos, estando a renúncia anunciada para os próximos dias. Isso permitiria - e bem - deixar espaço e margem de manobra política à líder. Mas veio o verão, as férias, depois o Bodo, e nisto andaram ali a dançar na Câmara quatro nomes, para ocupar um único lugar. Marlene Matias substituiu Odete Alves, que por sua vez substitui Jorge Claro, mas antes disso uma e outra foram substituídas por Manuel Jordão Gonçalves, essa revelação socialista com aspirações. A verdade é que, na Câmara, os serviços baralharam-se nesta dança de cadeiras. E enviaram a convocatória e respectiva documentação para o eleito (ausente, por sinal), cuja suspensão de mandato estava em vigor até dia 4 de Agosto.
O vereador Murtinho (a quem Diogo insiste em manter como vice-presidente, mesmo depois da manifesta incompetência revelada) desdobrou-se em telefonemas, mas todas as tentativas se revelaram infrutíferas. E o 'novo' PS? Como é que deixa acontecer uma coisa destas? No meio de tanto candidato a efectivo não se arranjou um suplente?
Alvíssaras a quem der uma resposta certa.
Recorde-se que aquela era a reunião em que o PS tinha tudo para fazer verdadeiro combate: Diogo Mateus de férias, Murtinho ao leme do executivo, e o maior facto político dos últimos anos: este.
8 de agosto de 2018
Obras tortas
O Centro Escolar de Pombal (CEP) foi mal concebido, nasceu
torto, cresceu torto – como assinalámos aqui -, está torto. Bem diz o povo: o
que nasce torto tarde ou nunca se endireita.
Menos de um ano após a inauguração confirma-se o que há muito se suspeitava: o CEP foi mal concebido, mal construído, mal acompanhado e mal recepcionado. Apresenta múltiplas deficiências/anomalias: fissuras, abatimentos, infiltrações, madeiras empenadas, pinturas degradadas, etc. que exigem uma reparação profunda antes do início do ano lectivo. O empreiteiro foi chamado mas (consta que) não respondeu afirmativamente. Pelos vistos, prefere perder a caução (avultada) do que fazer as reparações.
Menos de um ano após a inauguração confirma-se o que há muito se suspeitava: o CEP foi mal concebido, mal construído, mal acompanhado e mal recepcionado. Apresenta múltiplas deficiências/anomalias: fissuras, abatimentos, infiltrações, madeiras empenadas, pinturas degradadas, etc. que exigem uma reparação profunda antes do início do ano lectivo. O empreiteiro foi chamado mas (consta que) não respondeu afirmativamente. Pelos vistos, prefere perder a caução (avultada) do que fazer as reparações.
Vão assim as obras municipais.
6 de agosto de 2018
A vida cheia precisa de inimigos, e nós de espiritualizar a inimizade
A cultura mole do politicamente correcto, do sim e não, do
compromisso cobarde, da paz indolente, que se instalou, nomeadamente aqui, tem
conduzido ao apagamento das consciências, à vida frouxa, ao definhamento e à
decadência. No Farpas rejeitamos esta forma de estar e de viver; exigimos o
possível, o decente, o engrandecedor. Somos diferentes: temos “inimigos” e
gostamos de os ter. Temos feito caminho, mas falta caminhar muito. Com grandes
mestres fá-lo-emos com sucesso.
“A espiritualização da sensibilidade chama-se amor: ela é um
grande triunfo sobre o Cristianismo. Um outro triunfo é a nossa
espiritualização da inimizade. Ela consiste em se compreender profundamente o
valor que possui o fato de se ter inimigos. Em resumo: frente ao modo como se
agia e concluía outrora, se age e conclui agora inversamente. A igreja sempre
quis, em todos os tempos, a aniquilação de seus inimigos: nós, imoralistas e
anticristãos, vemos nossa vantagem no fato de que a igreja subsiste... No campo
político, a inimizade também se tornou agora algo mais espiritualizado.
Muito mais prudente, muito mais meditativo, muito mais
cuidadoso. Quase todos os partidos compreendem que os interesses de sua auto-conservação apontam para a necessidade dos partidos opositores não perderem
suas forças; o mesmo vale para o grande político. Uma nova criação sobretudo,
algo como um novo império, tem os inimigos como mais necessários do que os
amigos: somente na oposição ele se sente necessário, somente na oposição ele se
torna necessário... Nós não nos comportamos de modo diverso frente ao
"inimigo interior": também aí espiritualizamos a inimizade, também aí
compreendemos seu valor. É preciso ser rico em oposições, e só pagando esse
preço que se é fecundo; só se permanece jovem sob a pressuposição de que a alma
não se espreguiça, não anseia pela paz... Nada nos parece mais estranho do que
o que era desejável outrora, o que era desejável para o cristão: a "paz da
alma". Nada nos deixa menos invejosos do que a vaca moral e a felicidade
balofa da boa consciência. Renunciou-se à vida grandiosa quando se renunciou à
guerra: Em muitos casos, por sorte, a "paz da alma" é apenas um
mal-entendido, - algo diverso que apenas não sabe se denominar de um modo mais
honroso. Sem rodeios e preconceitos, aqui temos alguns casos. A "paz da
alma" pode ser, por exemplo, a irradiação suave de uma animalidade rica no
interior do campo moral (ou religioso). Ou o começo da fadiga, a primeira
sombra que a noite lança, qualquer tipo de noite. Ou um sinal de que o ar está húmido,
de que o vento sul se aproxima. Ou a gratidão inconsciente por uma digestão
feliz (às vezes chamada "amor aos homens"). Ou a aquietação do
convalescente, para o qual todas as coisas possuem um novo sabor, e que
espera... Ou o estado que segue a um intenso apaziguamento de nossa paixão
dominante, o bem-estar de uma saciedade rara. Ou a senilidade de nossa vontade,
de nossos desejos, de nossos vícios. Ou a preguiça, convencida pela vaidade a
adornar-se moralmente. Ou a entrada em cena de uma certeza, mesmo de uma
certeza terrível, depois da tensão e do martírio produzidos pela incerteza. Ou
a expressão da maturidade e do domínio em meio ao agir, criar, efectivar, querer,
o respirar tranquilo, a "Liberdade da Vontade" alcançada...
Crepúsculo dos Ídolos: quem sabe? Talvez também apenas um tipo de "Paz da
Alma"..."
4 de agosto de 2018
3 de agosto de 2018
Bodo on tape, pessoal!
Eu até percebo os jovens que se querem divertir e ter algum protagonismo junto dos amigos. Agora a Rádio Cardal alinhar numa rubrica que de criativo apenas tem o conceito e de qualidade nem se fala, é que custa ver.
Esta iniciativa da Rádio mostra que há espaço em Pombal para projectos arrojados, originais, irreverentes. Mas o ser "diferente" não justifica tudo e os nossos filhos nem sempre são os artistas que gostávamos que fossem. Se for para repetir a experiência - como espero - deixo um repto aos jovens protagonistas: revejam o que fizeram, sejam os vossos maiores críticos e trabalhem (muito) mais. O vosso potencial só tem hipótese de se traduzir em algo interessante se forem muito mais exigentes convosco próprios.
Deixo também este último conselho também à Rádio Cardal. Sou um grande defensor das rádios locais e, por isso mesmo, contem sempre comigo para vos criticar. Acredito no sucesso dos meios de comunicação regionais de qualidade, geridos com rigor, comprometidos com as causas sociais da comunidade em que vivem, que saibam recuperar as redes locais de identidade e não cedam à tentação da subserviência ao poder. Já não acredito em projectos que valorizem o supérfluo e descurem o essencial.
1 de agosto de 2018
A eficácia da farpa
Menos de 24 horas separam estas duas imagens do prédio 'Carlos Baptista'. Depois da denúncia feita aqui, no domingo à tarde, as pedras foram removidas do local e os mínimos de segurança repostos.
Falta-nos contar, ainda, que a estrada que liga os Motes aos Malhos começou a ser pavimentada no dia seguinte à denúncia pública do processo movido ao munícipe contestatário.
E isso é tudo o que importa: que isto de denunciar sirva para melhorar o que está mal.
31 de julho de 2018
Onde se narra a mui digna sessão de abertura do bodo
A sessão
de abertura das Festas do Bodo teve muita solenidade e classe, com uma falha ou
outra que não comprometeram a grandiosidade do momento. Os serviços já tinham
estado muito bem no lançamento da primeira pedra do lar para os confrades - com
o estear das bandeiras; recepção das autoridades eclesiásticas e políticas;
banda filarmónica; cerimonial e discursos eloquentes -, mas a sessão de
abertura das Festas do Bodo superou em muito o ensaio geral.
O Príncipe
esteve portentoso: sereno, douto e gracioso – liberto de qualquer ódio baixo ou
mal nascido, distribuindo graças e venturas por todos os presentes e alguns
ausentes – clérigos, governantes, políticos, confrades, beneméritos e
avarentos, vivos e falecidos, etc. Na oratória esteve sublime: registo
bilingue; sermão em tom evangélico, inspirado com certeza na epístola de S.
Paulo ao Coríntios, cheio de reminiscências bíblicas entrelaçadas com laivos
profanos; palavras e frases bem escolhidas que tocam sempre as almas mais
sensíveis.
O Pança
esteve bem, também; mas com algumas falhas no protocolo. A maior –
indesculpável – foi ter atirado Sua Excelência Reverendíssimo Bispo para a
plateia quando deveria encimar a cerimónia, como é do protocolo nos reinos
confessionais - como o nosso. Não menos desculpável foi ter atirado,
igualmente, o nosso deputado para a plateia – parece que neste reino já não
venera as altas figuras da República. Por outro lado, esteve bem o Pança ao
puxar o sr. comendador para cima – e viu-se bem o quanto ficou feliz com a
distinção. Mas o que não ficou nada bem ao Pança foi andar a distribuir copos
de água durante a sessão. Um escudeiro-mor, que já é governador de um condado, e
a quem o Farpas augura promissora carreira política, não pode ser
pau-para-toda-a-obra. Bem sabemos que lhe falta gente; culpa sua: se não tivesse
infernizado a vida à noviça de Alitém, ao ponto de lhe ter posto a
cabeça-em-água, tinha uma prestimosa ajuda para estas situações mais exigentes.
Para
finalizar uma referência – merecida - à Marquesa Prada: esteve portentosa, com
muita “finesse” e deslumbrante (em contraste total como o tom mate geral).
30 de julho de 2018
É tudo uma questão de fé
A regeneração urbana deveria estar obrigada a cumprir os mínimos em matéria de segurança. Em plenas Festas do Bodo, com milhares de pessoas a passar entre o Largo do Cardal e a Rua de Albergaria dos Doze, o cenário é este: é só escolher a pedra para atirar.
Estamos em crer que a fé move montanhas, assim como segura o perigo. Só assim se compreende que a Câmara permita uma coisa destas.
27 de julho de 2018
Em que se narra a desgraça do ministro das obras-tortas
No
regresso das amarguradas férias, o ministro das obras-tortas tinha à sua espera
uma dura acareação com o Príncipe e o seu fiel escudeiro. O escarcéu dos Malhos
tinha deixado feridas profundas que tinham que ser limpas e tratadas. Quando o
ministro das obras-tortas se apresentou no trono, já Pança e o Príncipe o
esperavam. Apresentou-se mortinho e com cara de enforcado. Retraído como é,
pediu licença para entrar, mas não chegou a ouvir a resposta; logo o Pança se
adiantou: - Senta-te. Tens muitas explicações para dar, e lições para apreender.
Começou
o Príncipe: - Explicai-nos, ministro das obras, duas coisas só: primeiro, que
andais a fazer para deixardes ficar a estrada para os Motes naquele estado;
segundo, como foi possível gerardes sozinho tamanho escarcéu mediático?
-
Desculpai-me o sucedido, Alteza; que tamanha vergonha nunca eu passei, nem
espero jamais passar…
Ao que
logo interpôs o Pança: - se não ganhardes mais esperteza vais passá-las. Ai
vais, vais!
- Posso
continuar…- perguntou o ministro das obras-tortas?
Ao que o Príncipe respondeu:
- Deixai-o explicar-se, Pança.
- Então,
continuando: a estrada ficou sem reparação porque acertámos em deixar atrasar
aquilo para podermos receber algum dinheiro dos fundos…
- Aquilo
não é uma estrada – rematou o Príncipe irritado.
- Pois
não, Alteza – anuiu a contragosto o ministro das obras-tortas. E acrescentou: -
as coisas vão-se degradando e os serviços nem sempre conseguem tocar tanto
burro como temos para tocar.
- Aqui
só houve um burro – afirmou o Príncipe.
O
ministro das obras-tortas ignorou o comentário do Príncipe e prosseguiu nas
desculpas: - sobre o escarcéu mediático, nem me fale, Alteza. Nunca imaginei
que a queixa caísse nas mãos dos maldizentes – afirmou o ministro das
obras-tortas. E acrescentou: - mas queixas às autoridades é coisa que se faz amiúde…
-
Fazem-se mas é preciso saber fazê-las – replicou logo o Pança. E acrescentou: -
e essa pasta é minha…
- Mas eu
sou vice-governador, com a atribuição da ligação com as autoridades oficiais –
lembrou o ministro.
- Para
que vos meteis nestas coisas? - perguntou o Príncipe. E acrescentou: - Tendes tanto que fazer nas obras, que bem atrasadas estão; evitai pendências para as quais não tendes
destreza.
- Desculpai-me,
Alteza; em pena de ter infringido as leis da estadística e ter causado este
grande desaforo; que Deus vos conceda dar-me merecido castigo (uns açoites).
Ao que o
Pança contrapôs logo: - Os açoites não reparam os descómodos que estamos a
sofrer, e ódios destes não se anulam com açoites no malfeitor.
- Nisto
que nos agora aconteceu — tornou ministro — quisera eu ter tido o entendimento e
a sabedoria que Vossa Mercê sempre tem nestas delicadas alturas; mas eu lhe
juro, à fé de pobre homem, e do fraco entendimento que possuo nas manhas da política, que não
repetirei tamanho dislate; e que se não fosse por saber, que todos estes descómodos andam muito anexos ao exercício da política, aqui me deixaria morrer
de pura vergonha – afirmou o ministro.
- A tua
desventura – que também é nossa - é daquelas que nem consolação admite. O pior
nem é o muito mal que nos fizeste, é o muito que engrandeceste os maldizentes –
devem estar bem inchados com tanta as visualização – retorquiu o Pança.
- Eu
sei, eu sei, eu sei…- anuiu o ministro das obras-tortas.
- Mas
bater com a mão três vezes no peito não chega – afirmou o Pança. Tencionava
ajudar-te a chorar as mágoas, e suavizá-las o melhor que soubesse; porque sei,
por experiência própria, que sempre é alívio nas desgraças termos quem se nos
doa delas, mas … Se Deus com sua infinita misericórdia nos não socorre… -
acrescentou o Pança.
Ao que o
Príncipe aditou - Despertais-nos piedade, muito embora conceder-vos perdão seja
impossível – neste caso, só Deus o pode fazer. Por isso, recomendo-vos uma confissão
- preferencialmente pelo nosso Bispo -, uma
penitência rigorosa, uns tempos de clausura com jejuns e outras inclemências que
possam ajudar à remissão, senão do político, pelo menos da alma.
E o
Pança acrescentou: - Mas tem cuidado; porque bem diz o povo que um mal nunca
vem só, e que o fim de uma desgraça é princípio de outra maior.
Antes de
sair, o ministro das obras-tortas, suplicou: - Senhor meu, tende sempre mão em
mim... E saiu, mais falto de conforto humano e com a alma mais enegrecida do que
quando entrou. Miguel Saavedra
26 de julho de 2018
Com razão mas sem emenda
Às vezes escolhe bem os assuntos, e consegue , até, defendê-los bem - como foi o caso. Mas nem nessas situações consegue fazer boa figura, porque, pelo meio e pelo fim, debita a cassete toda - um extenso rol de lamúrias repisadas até à exaustão.
PS: o vídeo é a parte que se aproveita, da longa intervenção.
24 de julho de 2018
Ti Milha: O povo que ainda canta
Na minha juventude a Ilha ocupava uma nota de rodapé na (nossa) agenda festiva. Os bailes no salão da Igreja não eram os mais badalados da região, aquele era um momento em que se vivia uma espécie de intervalo na riqueza cultural daquela terra. Só o percebi quando comecei a trabalhar, nas reportagens (para o Correio de Pombal) que me contaram tudo sobre as origens daquele povo. Para isso muito contribuiu um homem extraordinário (Manuel Marques), que já cá não está, e guardava um espólio rico e vasto de tudo e mais alguma coisa. Era entendido em partilhas e tinha aquele dom de descobrir a riqueza da água debaixo da terra, com uma verga. Num desses verões, em 1993, quando o jornal começou a fazer cadernos especiais dedicados a cada uma das 17 freguesias, percebemos que a Ilha batia o record de colectividades, apesar de tão pequena. Era daí que eu me lembrava da ARCUPS. O que nesse tempo não podíamos imaginar era que um dia haveríamos de assistir a um festival como o Ti Milha (o David Gomes explicou-me aqui a origem do nome), onde cabem os bons sons e as músicas do mundo.
Fui lá, finalmente, nesta terceira edição. O que ali aconteceu deve orgulhar-nos a todos, em sinal de gratidão para com aqueles rapazes e raparigas que levam os pais e os avós ao parque de merendas da Ilha, e que têm a capacidade de atrair (cada vez mais) forasteiros, graças a um cartaz muito bem feito, a pensar em todos. A valorizar aquilo que em muitas outras terras foi engavetado.
O que aconteceu na Ilha este fim-de-semana foi um verdadeiro hino ao colectivo. O Ti Milha é um oásis no deserto. Faz-nos acreditar que a desertificação não leva sempre a melhor, que é possível preservar as raízes, o amor à terra, e voar ao mesmo tempo. Rapazes e raparigas da ARCUPS: you are the world!
ps1: Há muitas fotos aqui. Quem não foi, roa-se de inveja, como diz o (Wilson) Capitão.
ps2: Uma vénia ao Vítor Couto (o Vítor Caseiro) que há três anos teve esta magnífica ideia.
23 de julho de 2018
Quando o Presidente puxa o tapete ao Pedro
Quem mora no convento é que sabe o que lá vai dentro. O ditado aplica-se por estes dias às conversas de bastidores na Câmara de Pombal, onde toda a gente sabe que Pedro Brilhante já só faz número.
Por esta altura, o jota já deve ter-se arrependido do dia - nas autárquicas de 2017 - em que teve a (presunçosa) coragem de encostar Diogo Mateus à parede: ou ia na lista, ou a JSD não aparecia na campanha. Nem que para isso fosse preciso deitar borda-fora o companheiro Renato Guardado, a quem acabou por substituir no executivo.
Na última reunião de Câmara, o Presidente puxou-lhe delicadamente o tapete, para que possa esticar-se à vontade. Foi este o momento.
20 de julho de 2018
Para que serve uma farpa
Andamos há 10 a farpear os interesses instalados, os oportunistas e os manhosos. E também a dar nota do gesto simples e desinteressado - infelizmente, com pena nossa, muito mais a primeira que a segunda.
Mas o que aconteceu nas últimas 24 horas deixa-nos com a sensação clara de que isto vale a pena. E que, aos poucos, a comunidade onde nos inserimos vai ganhando consciência dos seus direitos, vai perdendo o medo de apontar o dedo a meia dúzia de pseudo poderosos que se acham no direito de pôr a pata em cima. Fortes com os fracos e fracos com os fortes.
Este post escrito aqui ontem por nós alcançou, em 24 horas, mais de 17.700 pessoas. Foi partilhado por mais de 100, comentado por outras tantas. A indignação tomou conta do Facebook, no que diz respeito a Pombal. Só lhe falta agora saltar para a rua, como fez aquele jovem munícipe dos Malhos. A Câmara (na pessoa do vereador Pedro Murtinho e, em primeira instância, do seu presidente, Diogo Mateus) devia tão só um pedido de desculpas ao cidadão que protestou, e a todos os que, há dois anos, são fustigados pelo mau estado da estrada. Optou antes por pôr em prática tiques de autoritarismo, persecutórios. Que o povo nunca se esqueça que é ele quem sustenta isso tudo, e que tem nas mãos o poder de acabar com estes laivos.
19 de julho de 2018
Maldade de um cara-de-pau
Dia 2
de Julho, um cidadão dos Malhos, indignado com o péssimo estado da Rua
Principal dos Motes e com a indiferença da câmara perante os vários protestos
dos aí residentes, decidiu: partir uns ramos de eucalipto; espetá-los nas
crateras da via; e publicar o feito no facebook. Inspirou-se, com certeza, nos desordeiros
autarcas cá da terra, que, com D. Diogo à cabeça, realizaram, em Março de 2017,
uma manifestação contra a falta de segurança no IC2, recorrendo a recursos e
equipamentos públicos, onde tentaram, e conseguiram, cortar o trânsito no IC2, apesar
da oposição da GNR.
Na
semana passada, a GNR recebeu um e-mail do vereador Pedro Murtinho com uma
queixa contra o cidadão dos Malhos. Actuou prontamente: abordou o indignado
cidadão na sua residência; identificou-o; autuou-o em
300 a 1500€ por “infracção à liberdade de trânsito”; e notificou-o a comparecer
no posto a fim de prestar depoimento no processo criminal instaurado.
Se
fossemos todos iguais perante a lei – como esta estabelece – a GNR tinha actuado
com os autarcas cá da terra como actuou na semana passada com o cidadão dos
Malhos: tinha autuado e processado a generalidade dos políticos cá da terra e umas
dezenas dos seus mais acérrimos defensores que os acompanharam na desordeira
manifestação. Mas desenganem-se - ainda não somos todos iguais perante a lei.
Continuamos a ser uma comunidade estratificada em mandantes e mandados,
poderosos e fracos, privilegiados e desprotegidos, alinhados e desalinhado com
o poder, gente de sangue azul e gente de sangue vermelho, etc. É nesta
dicotomia social e neste caldo de cultura que as assimetrias se cavam, que os
poderes fácticos medram, que a hegemonia se acentua, que o autoritarismo se
instala, que até o beato Murtinho bufa. O poder instalado tem um cunho
persecutório; se as polícias e os tribunais alinharem com isto (e estão a ser arrastadas) estamos lixados.
18 de julho de 2018
Oposição aguerrida
Há momentos em que nos faltam as palavras. Isto seria cómico se não fosse trágico.
16 de julho de 2018
Defesa da floresta e do mundo rural
Os trágicos acontecimentos do ano passado vieram mostrar que as questões relacionadas com a floresta e o mundo rural a todos dizem respeito. O paradigma da nação urbana e desenvolvida, onde a relação do português com a natureza era encarada como uma saudade na geração dos mais velhos e uma ficção de que ouvem falar os mais novos, revelou-se desadequado e o insistir na ideia de que a ruralidade já pouco faz parte da substância da identidade portuguesa um erro que pode custar caro.
É urgente que Portugal se reencontre com a sua matriz rural. A perspectiva não é saudosista, nem corresponde a um regresso ao passado. As potencialidades do mundo rural, da pequena agricultura familiar e da floresta são muitas e a forma de nos relacionarmos com essas realidades deve ser reinventada e projectada no futuro. Acredito que um Portugal moderno só faz sentido se conseguir cimentar a sua identidade nacional, dando corpo e espaço à nossa cultura tradicional.
Por tudo isto decidi participar na recém formada Comissão de Populares para a Defesa da Floresta e do Mundo Rural de Pombal e Pinhal Interior Norte do distrito de Leiria. De entre os objectivos dessa comissão destaco o da mobilização da população em geral e todos os interessados - nomeadamente pequenos produtores florestais e de agricultura familiar desta região - para defender a floresta, o mundo rural e a agricultura de subsistência.
Fica o convite a todos os que queiram conhecer melhor os objectivos desta comissão ou associar-se a esta iniciativa para comparecer no acto público de apresentação que irá decorrer amanhã, dia 17 de Julho de 2018 (terça-feira), pelas 21h, no edifício da COPOMBAL. A apresentação pública contará ainda com a participação e intervenção de Isménio de Oliveira, membro do Executivo da Direcção da CNA (Confederação Nacional da Agricultura).
10 de julho de 2018
A insustentável leveza de Rodrigues Marques
Sexta-feira à noite há duas reuniões importantes, embora uma mais importante que outra.
O movimento de Narciso Mota (ou o que resta dele) vai tentar apanhar os cacos da última reunião da Assembleia Municipal, enquanto o PSD anda a juntar as peças. De maneira que há, no meio disto, um dilema por resolver, na pessoa do engenheiro Rodrigues Marques, que - sabe-se agora - nunca deixou de ser militante do partido, incorrendo na ilegalidade de pagar quotas de um lado e ser eleito por outro. Ora, quando convocado para a reunião do movimento que o elegeu - e que muito dinheirinho lhe deu a ganhar, na última campanha - respondeu que não, que não pode ir, que daquela vez o coração (chamemos-lhe assim) falou mais alto e optou por estar ao lado do 'amigo' Narciso, mas que desta vez é a razão que o leva à assembleia de militantes do PSD.
Já todos tínhamos percebido que continuava (ele e não só) a ser laranja por dentro e por fora, naquela bancada, como ficou bem claro na última reunião da AM. Mas faltava a confirmação: afinal o engenheiro só foi ao NMPH fazer uma perninha, e agora quer voltar ao PSD.
Resta saber se o PSD o quer de volta.
8 de julho de 2018
6 de julho de 2018
Meirinhas, esse exemplo (in)feliz
Já sabemos que há terras onde os fenómenos eclodem com mais intensidade, mas o que aconteceu recentemente na freguesia de Meirinhas bem pode entrar para o Guiness no domínio das decisões mais rapidamente revogadas. Ou melhor: é digno do jornal do Incrível.
Aconteceu então que a Junta de Freguesia se prontificou realizar o sonho de qualquer IPSS: pagar o salário de duas funcionárias - as mesmas que haviam feito um POC (programa ocupacional do Instituto de Emprego) -durante um ano, ao Lar da Felicidade. E para isso fez um protocolo à medida, que acabaria por passar apenas com recurso ao voto de qualidade do presidente da mesa da Assembleia, faz hoje oito dias. Há ainda a particularidade de o presidente da Junta ser, ele próprio, presidente da assembleia geral do Lar. E o tesoureiro da direcção é nada menos que um dos membros da assembleia, Daniel Mota, que encabeçou a lista do movimento de Narciso Mota - e que por isso se escusou à votação.
Em acta não constam só os três votos a favor de dois membros do PSD e do único eleito do PS (!), os três votos contra da bancada do CDS e as duas abstenções de um membro do movimento NMPH, e outro do PSD. Constará também a história mal-amanhada de uma manigância. E provavelmente alguém na junta pôs a mão na consciência, horas depois de aprovado o protocolo. Resultado: no dia seguinte à aprovação, o presidente da Junta fez chegar ao Lar da Felicidade um "comunicado", sublinhando que face à (tremida) votação, "não se encontram reunidas as condições adequadas para a boa implementação do protocolo".
Em acta não constam só os três votos a favor de dois membros do PSD e do único eleito do PS (!), os três votos contra da bancada do CDS e as duas abstenções de um membro do movimento NMPH, e outro do PSD. Constará também a história mal-amanhada de uma manigância. E provavelmente alguém na junta pôs a mão na consciência, horas depois de aprovado o protocolo. Resultado: no dia seguinte à aprovação, o presidente da Junta fez chegar ao Lar da Felicidade um "comunicado", sublinhando que face à (tremida) votação, "não se encontram reunidas as condições adequadas para a boa implementação do protocolo".
Talvez seja melhor revogar primeiro a decisão da AF, não, presidente?
E sim, é sensato da parte dessa autarquia recuar. Antes que as restaurantes colectividades e/ou IPSS's da freguesia lhe comecem a bater à porta e pedir o mesmo. Era um luxo, se não fosse uma fraude.
5 de julho de 2018
O velho pobre “novo PS”
Eis
uma verdadeira amostra do actual PS local: registo patético e métodos terceiro-mundistas
próprios das “repúblicas das bananas”.
3 de julho de 2018
Acabou o estado de graça para o ministro Jota
O último
processo autárquico partiu o PSD local; que a vitória - esmagadora - atenuou. Dividiu
também a JSD; só que, ali, a vitória não atenuou a divisão, acentuou-a.
O
Farpas não gosta de se meter nas intrigas da rapaziada; por isso, engavetou as múltiplas
informações que nos sopraram sobre os desmandos do ministro Jota – porque
considera que a rapaziada merece atenuantes e oportunidades para brilhar. Mas,
quando a coisa toma proporções tal, que o presidente recebe uma deixa para
censurar publicamente o ministro Jota; a coisa tomou, com certeza, proporções inquietantes
– para o ministro Jota.
2 de julho de 2018
O pobre “novo PS” (II)
A fonte de todo o oportunismo está em partir dos sintomas e não do problema, dos efeitos e não das causas, da parte e não do todo; está em
ver no interesse particular e na sua satisfação uma forma de captar um apoio
momentâneo, não um meio para a criação de uma alternativa política. O populismo
pode parecer o caminho mais fácil para captar simpatias, mas obriga a cedências
aos interesses particulares e compromete a coerência de qualquer projecto
político.
Só a
ausência de qualquer pensamento político minimamente estruturado e o desespero
político pode ter levado o pobre “novo PS” local a quebrar o mais elementar solidariedade
política e a enveredar pela veia oportunista e populista, contra o programa do
partido e do governo.
Quem tem
alguma consciência política e viu o pobre “novo PS”, envergonhado, na
mini-manifestação organizada pelos três militantes do BE contra o encerramento
da agência da CGD do Louriçal, deve ter ficado perplexo e deve ter pensado que
este PS bateu no fundo. Se o pensou, enganou-se. O pior estava para vir, logo a
seguir!
O
pobre “novo PS” juntou-se ao PSD, na rua e com um moção apresentada na AM -
logo apropriada pelo PSD -, no combate a uma medida emblemática ideologicamente
e de uma racionalidade económica à prova-de-vala do actual governo – manutenção/reforço
dos contratos de associação com os privados onde não existe procura ou oferta
pública. Perante tamanha insanidade política, pergunta-se: está tudo doido? São
socialistas? Sabem qual é o partido que está no governo? Acham que o país é
rico? Ou que pode duplicar e desperdiçar recursos?
Depois,
como o partido não possui nenhum pensamento político minimamente estruturado,
os seus representantes decidem tudo casuísticamente, são apanhados a cada passo
em contradições indesculpáveis num partido que deveria ser alternativa.
Decididamente,
não têm futuro.
Quando o CDS aponta o dedo
Ricardo Ferreira é - já aqui o dissemos - um dos melhores na actual composição da Assembleia Municipal. Para infortúnio nosso e da terra, está cá pouco tempo. Ainda assim, deixa sempre uma marca em cada sessão, a contrastar com o silêncio ensurdecedor do companheiro de bancada, Henrique Falcão, que quando intervém é para elogiar - claro - o que faz o executivo. Um fala em AM outro em FM, pelo que assim é difícil perceber a mensagem do partido. Ainda assim, fica o exemplo, a ironia e o tacto político do jovem Ricardo, a fazer aquilo que o PS (já) não sabe, ou não quer: denunciar o job for the girl criado pela própria Catarina Silva, quando era vereadora.
1 de julho de 2018
O pobre “novo PS” (I)
A
nudez ideológica do “novo PS” – dirigentes e autarcas – é tal que deixa
qualquer um na dúvida: resulta da impossibilidade do uso activo da inteligência
(medo, por exemplo) ou de ausência da própria inteligência.
Por
isso, não surpreende que até um PSD convicto lhes dê uma lição de social-democracia numa área fundamental – Educação.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
















