8 de novembro de 2018

Onde se dá conta da distribuição das comendas no dia do Principado

O esgotamento do Príncipe é tão evidente que até para distribuir as comendas do dia do Principado precisou dos alvitres do Pança. Chamou-o:
- Pança; vinde aqui.
- O que desejais, Alteza? – acudiu o Pança.
- Como sabeis; estamos em vésperas do dia do Principado, e ainda não sei quem agraciar…-principiou o Príncipe.
- Pois,…O Senhor sempre foi mui deslembrado para a ventura alheia…- atalhou o Pança.
- Já estais a desvairar, Pança; mas adiante, que tenho pressa. Indicai-me cinquenta justos que mereçam comenda.
- Justos segundo a medida divina ou segundo a medida humana? – perguntou o Pança.
- Boa pergunta - estais mui arguto! – notou o Príncipe.
- Foi bom haver sido eu por vós achado, senão o que seria deste pobre Principado – tufou o Pança.
- Não vos esticais, Pança – avisou o Príncipe; e prosseguiu a prosa: - segundo a primeira, que é a que mais interessa.
- Somente segundo a primeira é mui dificultoso inventar cinquenta justos num Principado onde a virtude não medra - afirmou o Pança -; a não ser que se junte um ou outro vidente, um ou outro adivinho e um ou outro charlatão.
- Fazei como achardes melhor – anuiu o Príncipe -; que adiante separarei.
- Estou pouco imaginoso, Alteza; trago a cabeça cheia com os meus muitos afazeres – afirmou o Pança. E prosseguiu: - devemos agraciar quem se distinguiu; o problema é que nesta terra ninguém se distingue (para cima – pensou, mas não disse).
- Deixai-vos de considerandos, Pança. Nomes, nomes… - insistiu o Príncipe.
- Vossa Mercê pode agraciar o Almirante, o padre do “Pão de Deus”, o estudante de números do oeste…- sugeriu o Pança.
- O Almirante já foi agraciado, e o padre do “Pão por Deus foi-nos roubado pelo beato Ilídio…- retorquiu o Príncipe -; mas, sim: o estudante de números serve…
- Já temos um…- assinalou o Pança. E acrescentou: - Vossa Mercê poderá também agraciar a associação dos esquecidos...
- Essa serve… Mas mais, Pança; mais…- suplicou o Príncipe - Estais pouco imaginativo. Falta-nos criaturas ilustres, que engrandeçam esta mui nobre cerimónia.
- Dai-me um entretanto, Alteza, para pensar alto, com os meus botões…
- Pensai, Pensai, Pança; mas despachai-vos, que não falta muito tempo para a cerimónia – avisou o Príncipe.
- Se me pedíeis que seja imaginoso, que também o sei ser, quando mo pedem ou mo deixam ser; pergunto a mim mesmo (e perdoai-me se for precipitação): por que não agraciar os farpeiros?
- Endoidaste, Pança; ou eles já te deram a volta?
- O Senhor é mesmo desagradecido…; eu só queria auxiliar Vossa Mercê, mas já vi que me precipitei.
- Assim, não ajudais nada, Pança; seria loucura tentar semelhante empresa! – afirmou o Príncipe.
- Eu sei que oferecer incenso a maldizentes, que se têm fartado de chasquear as nossas misérias - eu que o diga, que tenho sido um mártir nas mãos deles -, é fazer deles ídolos.
- Contava que me alimentásseis os desejos, não que me importunásseis com extravagantes toleimas – advertiu o Príncipe.
- Não sei se é toleima…- retorquiu o Pança -; se já agraciamos radialistas sem ouvintes e pasquim sem leitores, por que não agraciar estes que amiúde são indicados para as comendas por súbditos bem letrados … 
- Santo Deus! Que estais dizendo, Pança? Querereis que eu entronize três Judas, sem vergonha e sem temor, que nos têm infernizado a vida? - perguntou o Príncipe.
- Olhe que eles até têm andado comedidos! Se Vossa Mercê não lhes desse tanta mecha, nas reuniões difundidas, não nos davam tantos desgostos…- retorquiu o Pança.
- Seríeis um escudeiro mais confiável se me dissésseis que os deveria mandar excomungar e condenar ao fogo – afirmou o Príncipe.
- Desculpai-me, Alteza; que as minhas intenções sempre as dirijo para bons fins – retorquiu o Pança.
- Cala-te, Pança — tornou o Príncipe, com voz exaltada — cala-te, repito, e não digas blasfémias.
- Se Vossa Mercê se enfada — retorquiu o Pança — eu calo-me e deixo de dar os meus alvitres.
- Às vezes mais valeria cortar-te o pio - lembrou o Príncipe – mas não, agora; falai, mas falai com tino - com proposições conformes à ordem estabelecida.
- Pedir é fácil, difícil é ir ao agrado do Senhor. Mas, por minha fé, Deus e o Senhor me perdoem este outro alvitre: por que não agracia, Vossa Mercê, a oposição? – sugeriu perguntando o Pança.
- Endoidaste de vez, Pança – afirmou, exaltado, o Príncipe.
- Bem sei que não é gente justa – advertiu o Pança -, mas a comenda seria justa – tanto têm sofrido, sem gemer nem mugir, com as bordoadas que o Senhor lhes tem dado.
- À oposição não se dá comendas, Pança.
- Por que não?! Seria um prémio merecido: são uns verdadeiros mártires; e têm-nos ajudado tanto ou mais que os nossos. Se o Senhor fosse piedoso, uma vez na vida, dava-lhes esta alegria (que outra não terão – pensou só para si) - concluiu, rogando, o Pança.
- Pança; arrebita as orelhas e ouve-me bem ouvido: obedeces-me ou desterro-te definitivamente para o teu condado – ameaçou o Príncipe, com voz irritada.
                                                                                                          Miguel Saavedra

A tourada


Por estes dias, a tourada voltou a ser o tema fracturante da sociedade portuguesa - e também da comunidade local. A polémica foi desencadeada por a redução do IVA para os espectáculos culturais não englobar a tauromaquia e pela (infeliz) justificação da ministra da cultura – “tauromaquia não é uma questão de gosto, é de civilização”. A proibição da tourada é uma polémica recorrente, ao longo da história; tal como o são, mais recentemente, o aborto e a eutanásia.
O que me leva a entrar nesta polémica - de galos atiçados - não é a questão fiscal - não espero comprar bilhetes para touradas - nem a defesa da tauromaquia - deixo isso para os verdadeiros aficionados. São razões de imperativo de consciência: a defesa de princípios e valores em que acredito e deveriam ser um imperativo categórico de boa conduta: a liberdade individual (em todas as suas dimensões: estilos de vida, gostos e comportamentos).
Um verdadeiro democrata não impõe estilos de vida, gostos e comportamentos, nomeadamente quando estes não chocam frontalmente com o bem-comum. Vivemos tempos conturbados e de grande incerteza; convém não largar as verdadeiras âncoras da nossa civilização para embarcar em modas de maiorias conjunturais ou de minorias folclóricas. Como afirma o Manuel Alegre “é chegada a hora de enfrentar cultural e civicamente o fanatismo do politicamente correcto”, onde sobressai a humanização dos animais e o culto do amolecimento do Homem. Vivemos tempos de degeneração, onde uma certa esquerda, igualmente intolerante e avessa à diversidade, parece empenhada em puxar para baixo. Uma esquerda conduzida pela cultura de rebanho - na boa matriz cristã que tanto diz combater -; pelo sentimentalismo oco, idealista, contraditório, exótico, hermafrodita; e pela falsa compaixão com os animais. A mesma esquerda que tanto se bate pelo aborto e pela eutanásia escandaliza-se com tourada (diversão com um animal que vai ser abatido), com a caça, com o abate dos animais abandonados, com a esterilização de animais que são uma praga, etc.
Sim: a tourada é uma questão de gosto, e de civilização.

5 de novembro de 2018

Cidade desmazelada


SE o vereador responsável pela Manutenção Urbana e o presidente da junta de freguesia de Pombal dedicassem 10% do tempo que dedicam às festas, romarias e encontros partidários, para verificarem o estado da cidade, reportar as situações degradadas e exigirem aos serviços as reparações necessárias, a cidade estaria um mimo. Não acham?

4 de novembro de 2018

O elogio do mal


Em Abiul - que reclama para si a praça de touros mais antiga do país - há uma coisa chamada Tertúlia Berço da Tauromaquia, a que os nossos autarcas gostam de dar cobertura. E dinheiro nosso. Por estes dias os mentores publicaram orgulhosos a imagem que aqui se pode ver, agradecendo a" a todos quantos colaboraram neste projeto". Presumimos que se trate do acto de embalsamar o animal, morto naquela arena da terra, e cuja carcaça vai adornar a sala da Tertúlia. O horror em estado sólido.

Olha a pala



O desmazelo a que a cidade tem sido votada, confrange. Mas não cuidar da sala de visitas da cidade – Praça do Cardal – é demais.
A praça foi recentemente “requalificada”; mas o estado de degradação já exige nova requalificação.
Ora vejam o estado da pala (rota e cheia de bolor) que foi apresentada como principal elemento embelezador da praça.

2 de novembro de 2018

Michael e a pedagogia barata

Quem acompanha a vida política nas últimas duas décadas lembra-se bem de como Michael António ficou conhecido na Câmara como "o vereador da tarde". E apesar de dar sinais de algum amadurecimento, e de ser, por ora, o menos mau daquele conjunto na oposição, não deixa de ser um mimo este momento em que decidiu fazer pedagogia voltada para o jovem Brilhante. 
Mas bem mais surpreendente é o silêncio deste último, que ficou mudo perante as palavras do antigo companheiro de partido. O que diz bem da fragilidade em que se encontra no executivo - e na política. 

29 de outubro de 2018

E ela a dar-lhe com a ponte suspensa sobre o Vale do Poio

Não conseguem acabar o mamarracho do CIMU-SICÓ - está parado há dois anos e meio, ainda não está sequer a meio e não sabem que utilidade lhe dar;
Pelo meio, constroem e adquirem edifícios que estão ao abandono ou em subutilização;
Mas vão estas alminhas meter-se a construir uma ponte suspensa no Vale do Poio – numa área especial protegida – que ninguém lhes pede.
Dinheiro a mais; e juizinho a menos!

19 de outubro de 2018

O “novo” PS morreu

O “novo” PS – anunciado pelos actuais dirigentes – morreu à nascença. Pode-se afirmá-lo, com aquela verdade que não precisa de flores para se saber que está morta. A demissão de Aníbal Cardona (ideólogo do “novo” PS) foi só a confirmação do desfecho que a debandada de dirigentes e representantes nos órgãos autárquicos já anunciava.
Este PS não tem nada de novo – para além do slogan – e não tem futuro – como o slogan prometia. É o velho PS com a mesma roupa: sem liderança, sem estratégia, sem discurso político, sem pessoas (bases). Pior: sem uma ideia sequer do que deve ser e do que quer para o concelho (sobre qualquer das funções nucleares da administração municipal). O partido não tem massa crítica para fazer oposição política - não dispõe das competências necessárias para o fazer. O pouco que faz é sem razão, vive demasiado à parte para ter razões pró ou contra tal coisa.
Os dirigentes do PS não podem continuar a enganar-se e a enganar os militantes e os pombalenses que ainda acreditam. O partido por e simplesmente não existe como força política. É um organismo sem vida; corroído até ao tutano pela intriga, mesquinhez e inimizade; incapaz e impotente; movido unicamente pelo ciúme e indolência; resignado ao non far niente; preso de pés e de cabeça desligada; onde nada medra e tudo definha. A gravidade maior é que os seus crónicos dirigentes não têm sequer consciência disto…
O partido foi afastando ou escorraçando os quadros com valor político (pensamento próprio, sentido crítico, capacidade política), hostilizando-os tanto mais afincadamente quanto mais méritos têm. Resume-se actualmente a meia-dúzia de criaturas que acreditam sem acreditar, e outras tantas almas penadas que se assaparam à estrutura por oportunismo ou inveja pueril. Há muito que o partido perdeu o amor-próprio, e se foi transformado num covil de desgostos e desgraças onde todos submergem.
O partido precisa urgentemente que alguém desligue a luz por uns tempos, para que, cada um na solidão consigo próprio e depois todos em conjunto, façam uma catarse que expurgue maldades e ódios de estimação. Só assim se pode refundar localmente uma estrutura que já foi triunfadora, que a nível nacional goza de simpatia e liderança invejáveis, mas aqui entrou numa espiral de destruição que conduziu à agonia interminável.

18 de outubro de 2018

A lei de Murphy

Assisti - como qualquer munícipe daqueles que teve comunicações, estes dias - aos briefings que o presidente da Câmara fez questão de fazer, com a prestimosa ajuda dos presidentes de junta e da vereadora Ana Cabral. Ao princípio ainda tive dúvidas se aquilo não era o regresso do Gato Fedorento, mas depois vi o rapaz da Protecção Civil e o bombeiro João e a coisa afigurou-se séria. Tão séria como a tempestade Leslie que causou em Pombal maiores danos do aqueles que vi em Soure. Tão séria que deixou tanta gente sem água, luz, comunicações. Culturas destruídas nas terras que vivem da agricultura. Casas destelhadas, a maioria sem seguro, e agora à mercê dos apoios que um dia hão-de chegar, depois dos formulários preenchidos.
E nesses momentos (transmitidos em directo para o facebook pelas rádios locais) - que contavam com a participação dos representantes dos órgãos da imprensa local, de tal modo que até um director de rádio faz perguntas, mesmo não sendo jornalista - ninguém se lembrou de perguntar por que raio o Município de Pombal não decretou a calamidade pública? Por que razão o ministro da Administração Interna não passou por Pombal no domingo, quando foi a Soure e Figueira da Foz? Será que a autarquia comunicou ao governo o estado em que nos encontramos? 
O mais certo é sermos tão auto-suficientes que não é preciso. 
E assim fica já feito o discurso para a próxima reunião de Câmara e/ou Assembleia Municipal, a dizer que lá está Pombal a fazer o papel do Estado. 
De permeio, continuamos no olho do furacão: um presidente dos Bombeiros que usa o melhor vernáculo para se dirigir em público a quem questiona, em defesa-do-colete-do-presidente. Entre o fogo e o vento, a tempestade ensinou a Diogo Mateus a importância de não ir para o terreno em camisa branca e sapato de vela . E quando exportamos os nossos para a fora, às vezes acontece uma espécie de karma, como se viu na Figueira da Foz.
Estamos condenados à lei de Murphy, é o que é. 

16 de outubro de 2018

O que acontece no PS

Os militantes do PS foram ontem surpreendidos com a notícia da demissão de Aníbal Cardona da comissão política concelhia e do secretariado.
Numa altura em que o PSD está dividido como nunca, em que o poder autárquico está uma comédia, o que faz o PS? Nada. Senta-se e espera que passe. 
Cardona invoca razões pessoais para se demitir das funções. Esperemos que continue (pelo menos) na assembleia de freguesia de Pombal, e que esta demissão não signifique um afastamento da vida política.
Falta-nos gente de garra na oposição. Falta-nos oposição. 

13 de outubro de 2018

Pedro perdeu o coelhinho


Pedro é um rapaz muito esperto, trabalhador e ambicioso. Querido por todos, ganhou rapidamente o estatuto de líder junto dos seus amiguitos, que o respeitavam e admiravam. Nos seus tempos de escola, Pedrocas foi muito feliz e a sua aura ofuscava tudo à sua volta. 

Infelizmente, nada dura para sempre e a felicidade de Pedro não é excepção. A sorte começou a mudar quando, um dia, perdeu o seu coelhinho. Mais do que um amigo, o simpático bichinho era a sua grande referência e o segredo da sua força. Qual Sansão privado do seu longo cabelo, assim murchou o rapaz quando perdeu o coelhinho. Sem a clarividência e sagacidade que o caracterizavam, Pedro deixou-se enredar em aventuras inconsequentes

O moço é hoje uma pálida sombra de si próprio. Desprezado pelos mais velhos, que se recusam a dar-lhe o protagonismo que julga merecer, ganhou tiques de ditador junto do mais jovens. E se, em tempos, tudo lhe era perdoado, actualmente são poucos os que estão dispostos a pactuar com a arrogância e a vaidade. Sem surpresa, os seus maiores críticos passaram a ser aqueles que antes lhe vaticinaram um futuro brilhante.

O sempre jovem e bonito Pedro que, tal como Dorian Gray, se recusa a envelhecer, já não consegue esconder as primeiras rugas que lhe revelam o carácter. 

11 de outubro de 2018

Um passo em frente PARA Pombal


Foi ontem inaugurado em Pombal um espaço que alberga a partir de agora o 
PARA - Projecto de Apoio e Recursos para o Autismo, vencedor do concurso de ideias para o orçamento participativo, há dois anos.
É a primeira vez que temos notícia de um projecto desses ser concluído, e este em particular merece destaque. Porque resulta da persistência do Patrick e da Viviana Mendes, pais que conhecem bem os caminhos tortuosos da sociedade e das instituições no apoio às crianças autistas. "Agradecemos do fundo do coração a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, contribuíram para que este sonho seja agora uma realidade. É um primeiro mas decisivo passo que irá influenciar o futuro de muitos. Obrigado POMBAL", escreveu ontem Patrick Mendes na sua página de FB.
Apesar da demora, é bom que a Câmara tenha abraçado este projecto. Há um mundo para lá da propaganda ao "sucesso escolar 100%". E é bom que o orçamento participativa seja, de facto, pertença da sociedade civil. 

9 de outubro de 2018

AM, uma Ópera Bufa

Nota prévia: este post foi escrito para ser publicado no dia da malfadada reunião do executivo camarário. Foi adiado, e pode, agora, perante os últimos acontecimentos, parecer desproporcionado. Um peido não desculpa uma bufa.

As reuniões da AM são uma espécie de ópera bufa, fastidiosa de contar e pior de ouvir, onde o tenor principal, na sua pose nobre mas sem nobreza, monopoliza todo o trama, e os tenores secundários não têm consciência do papel irrelevante que representam.
O guião e o propósito do trama são conhecidos: subjugar os desalinhados e transformar todos em pajens - impor o arbítrio. Os mais desprendidos perceberam-no e já debandaram; os outros arrastam-se naquele ritual sem honra nem glória. É um espectáculo bizarro: ao mesmo tempo, sonoro e surdo, onde se fala muito e nada se ouve. De um lado actuam as criaturas para quem a política é um trabalho de enfeite e a rapaziada de dentes de leite e cabeça oca. Do outro contracenam os desavindos da ala direita, a esquerda sonsa e a esquerda folclórica. Ao fundo sentam-se as figuras cuja utilidade, ali, é idêntica à das muletas para o defunto. No topo, secretários que não secretariam. Os tenores secundários gravitam todos na orbita do tenor principal. Os que vêm do lado direito apresentam-se inchados com os sucessos, uns suam sob o peso do estatuto outros do orgulho juvenil. Os que vêm do lado esquerdo entram no palco com a roupa e o espírito do dia de finados, quais cordeiros no dia do sacrifício, prontos a aceitar humildemente o castigo de representar papéis que desconhecem, para os quais não estão preparados nem se preparam. Depois, do meio daquela amálgama de figurantes de que não se espera nada, porque é perfeitamente inútil esperar o que que quer que seja - criaturas que se limitam a arrecadar a senha de presença e a compor a sala -, surge aquele cavalheiro ilustre, cheio de lustre e termos novos, inconsequente, que insiste no pregar aos peixes. Algumas daquelas criaturas nem para ser filmadas servem, como aquela cara de perpétua que passa o tempo todo a cuscar os papéis que a vizinha lê.
No final, fica-nos sempre a dúvida: se o papel mais reles é dos que falam ou dos que se calam. 

8 de outubro de 2018

Sobe & Desce

Basta? pelos vistos não


Acontece amanhã em Pombal um seminário importante. Ou melhor, com um tema importante: Violência contra os idosos - quem se importa? Muita pouca gente, parece-nos. Os números dizem-nos que 40% dos idosos neste país é vítima de violência. Num concelho envelhecido como o nosso, as estatísticas devem superar-se. Talvez haja respostas, amanhã, nesse seminário organizado em conjunto pelo Município de Pombal e pela APEPI, que lidera o Projecto BASTA, descrito como "intervenção em rede no âmbito da Igualdade de Género e do Combate à Violência de Género com destaque para a violência doméstica, violência no namoro e violência contra idosos".
É verdade que nos últimos dois anos não tivemos grandes notícias de mais este projecto da APEPI, mas até Dezembro deste ano (data em que termina) ainda vamos a tempo. O seminário vem cumprir uma parte desses objectivos, como se impõe nestas coisas. Mas as linhas com que se cosem estas iniciativas em Pombal são sempre de qualidade duvidosa, e o que aconteceu na organização deste seminário é sintomático: a direcção da APEPI - através da presidente, Teresa Silva, convidou a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, para encerrar o seminário. Só que quem manda aqui ainda é a Câmara. E nas primeiras reuniões, através da vereadora Ana Cabral, parecia dar ares de abertura e respeito pela autonomia da APEPI (responsável pelo programa). Ora, como nem tudo o que parece é, não demorou a que a autarquia usasse os mesmos canais de sempre para anunciar taxativamente que se retirava da organização se a associação insistisse no convite. E a APEPI anuiu.
A ironia desta história é muita. Quem vem cá encerrar o evento é o doutor Pinto da Costa (que a organização vai ao Porto buscar), e certamente vão vir charters de televisões atrás dele...dando ao seminário a visibilidade que merece.
A ironia desta história é muita, mas fiquemo-nos pelo nome do projecto que a suporta: BASTA? pelos vistos não.

5 de outubro de 2018

(Des)interesse público

Esta discussão, sobre a atribuição de interesse público municipal a um pedido de legalização de um aviário ilegal, mostra, até ao tutano, duas coisas: primeira, uma classe política que insiste em condenar esta terra à pobreza franciscana; segunda, uma águia que insiste em ensinar perus a voar - uma, duas e três vezes – sem resultados (os perus nunca voarão; e o que não é peru não quer voar - para ele quanto mais rasteiro for o movimento melhor).
Reparem bem como o executivo, e a maioria que o suporta, distorce a realidade e abre caminho à legalização de uma coisa - sanciona-a, na prática - que é a negação do interesse público. É claro que contam com a conivência superior, que perante a declaração de interesse público tende a fechar os olhos para não hostilizar o famigerado poder local; naquela: se gostam da merda que fazem, fiquem com ela!
É assim que este país continua uma choldra, onde a maioria estraga e poucos preservam.

4 de outubro de 2018

Dêem-nos um bocadinho de IRS

Na discussão sobre a fixação da percentagem de IRS a devolver pela câmara, a oposição foi pobrezinha - contentou-se com um bocadinho. O inábil PS fez pior: pôs-se a jeito para ser glosado.
Mas reparem bem na desonestidade e na malvadez presentes na resposta do graçolas D. Diogo ao PS.
E dizia-se o homem constrangido com tragédia da véspera!

Trapalhadas nos transportes escolares

Aldina Pedro (PS) questionou os critérios de concessão dos passes escolares, partindo do caso do seu sobrinho/irmã(!).
Diogo Mateus teve alguma dificuldade em explicar a trapalhada existente com a atribuição dos diferentes tipos de passes escolares, mas foi claro no essencial: todos os alunos do concelho, que frequentem o ensino obrigatório, têm direito a transporte gratuito. O que surpreende deveras é que a sua vereadora Ana Cabral, com os pelouros da Educação e da Acção Social, e os serviços da câmara, desconheçam isso. Na reunião com os pais, sobre este problema, a vereadora Ana Cabral afirmou que o assunto seria reencaminhado para o Gabinete Jurídico. Perguntada se a câmara devolveria o dinheiro, entretanto pago, caso o Gabinete Jurídico considerasse que os alunos têm direito a passe gratuito, teve o desplante afirmar que o que foi pago não seria devolvido.

3 de outubro de 2018

O mundo ao contrário

Diogo Mateus a presentear os funcionários com promoções e melhores retribuições.
A Célia Cavalheiro (BE) a defender contenção da despesa com o pessoal.

2 de outubro de 2018

O caso dos Malhos não foi um deslize, é a praxis

D. Diogo ainda mal tinha acabado de fazer um exercício presunçoso de moralismo cristão, aproveitando a tragédia recente, onde se esqueceu de colocar o espelho à sua frente enquanto falava, quando foi questionado sobre o indigno comportamento do seu vereador no caso dos Malhos.
Um político sensato, coerente, respeitador do outro, demarcava-se do comportamento do seu vereador, justificava-o como uma precipitação momentânea e rematava a coisa com o bom princípio e a boa prática da câmara para estes conflitos. Não o fez. E ficámos a saber – muitos já o sabíamos – que D. Diogo subscreve a acção, que o exemplo veio de cima, e que o pobre vereador agiu mais pelo exemplo do que pela sua consciência. 

Uma andorinha não faz a primavera

Ricardo Ferreira (CDS) continua a mostrar que sabe intervir – tanto na forma como no conteúdo – e consegue acossar Diogo Mateus, levando-o a perder o controlo, a descer de nível e a ter que recorrer a argumentos falsos. Mas o seu número não salva a face do partido, que numa agenda com vinte e tal pontos, só marcou o ponto no período antes da ordem do dia. Com a agravante de o seu cabeça de lista mostrar desconforto claro com o teor da intervenção.

30 de setembro de 2018

Comportamentos persecutórios

Esta discussão sobre persecução, entre duas criaturas com historial de respeito na matéria, diz-nos muito da classe política que tem mandado nesta terra.
No final, ficamos com a sensação que D. Diogo é o mais ajuizado. Estranho, não é?

29 de setembro de 2018

Indignidade completa


O fim é triste. O fim em política é sempre triste, nomeadamente quando se teve uma carreira longa e cheia de sucessos, que não se soube terminar a tempo. Mas não tem que ser indigno.
O fim político de Narciso Mota atingiu aquilo que muitos prognosticaram: o patamar do indigno. Neste destino há muita culpa do próprio (à cabeça as pessoas de que se foi rodeando) e de todos que o rodeiam. Sim, de todos: apoiantes e adversários, amigos e inimigos, os que o afrontam e os que se escondem…
O patamar de baixeza que se atingiu na última reunião do executivo não expõe somente as fraquezas de Narciso Mota e de Diogo Mateus, expõe todos – os que falaram e os/as que se calaram. Expõe, também, uma classe política indigna, sem princípios nem valores - velhaca. Direi mais: o palavrório descontrolado, inconsciente, choca tanto como os silêncios comprometidos, cobardes, manhosos. Porque aquilo não foi um descontrole momentâneo, um baixeza, que qualquer um pode cometer no calor da luta política; aquilo foi indignidade completa e em crescendo. Aquilo foi o grau zero da política, da decência, da dignidade. Como é que aquela dezena de criaturas não se indignou com o que estava a acontecer?
Naquela malfadada reunião, Narciso Mota desbaratou o resto da respeitabilidade que granjeou, e Diogo Mateus perdeu a autoridade moral e política que necessita para exercer o cargo. Os outros são figuras menores que nunca serão maiores, figurantes que se calam e se divertem com a indignidade.

Peixeirada na câmara - part II

Sem mais palavras...

28 de setembro de 2018

Peixeirada na reunião de Câmara: o concurso, a nora, o presidente e o juri dele

Foi um momento deprimente para a vida municipal, o da reunião de Câmara desta manhã. A seguir, só se for o pugilato. Narciso e Diogo trocaram mimos diversos, com acusações mútuas, enquanto o séquito de vereadores assistia de camarote ao espectáculo. Ao final, os da maioria lá murmuraram qualquer coisa. Para memória futura fica aquele momento em que o director de Recursos Humanos (que prazer conhecer esta figura, finalmente, assim na tv) vai à reunião para lavar o seu protesto, jurando a pés juntos que fez tudo dentro da legalidade. 
Senhoras e senhores, este é o Estado a que chegámos.

Ouro olímpico

Depois de várias medalhas nas Olimpíadas Portuguesas de Matemática, de várias Menções Honrosas e uma Medalha de Bronze nas Olimpíadas Internacionais de Matemática (grande feito!), o nosso conterrâneo Pedro Morei­ra Fernandes, aluno do 12º ano da  Escola Básica 2, 3 c/ Secundária da Guia, conquistou, esta semana, uma Medalha de Ouro nas Olimpíadas Ibero-Americanas de Matemática. Um orgulho!

27 de setembro de 2018

Do (infeliz) aproveitamento, II

Quando Diogo Mateus falou aos jornalistas na manhã da tragédia, no local do acidente, parecia todo ele um poço de bom senso. Um repórter de tv perguntava-lhe se era possível assacar responsabilidades à estrada, e ele, prudente, sublinhou antes que os acidentes que ali ocorrem não obedecem a um padrão. Acresce que aquele troço nem é, de todo, aquele em que mais acidentes regista, em comparação com o que liga Pombal a Ansião. 
Mas algumas horas bastaram para que virasse o disco. Numa assembleia em  que exibiu (entre os risos cúmplices com Ana Cabral, enquanto ignorava ostensivamente Ana Gonçalves) toda a sobranceria, parecia falar ao espelho. Ora vejam: 

Do (infeliz) aproveitamento, I

O PS local tem-se comportado como verdadeira oposição, na Assembleia Municipal, mas ao Governo do país. Primeiro foi a propósito dos colégios privados - alinhando no discurso e nas posições da maioria PSD. Agora, um dia depois da tragédia que matou seis jovens num desastre automóvel, saiu-se com uma moção pela rápida requalificação do IC8. João Coucelo (PSD) ainda avisou que não era de bom tom "colar" uma coisa à outra. Mas Carlos Lopes (PS) insistiu nessa ideia peregrina. Bem pode o líder da bancada sublinhar uma e outra vez que "o PS não fez, não faz, nem fará qualquer tipo de aproveitamento político de tragédias", que aos olhos de quem assiste a esta inusitada proposta, soa ao seu contrário. É claro que neste jogo do bem-parecer, quase todos os deputados foram votar uma moção que ali chegou em cima da hora, e que nunca ali chegaria naqueles termos se não tivesse ocorrido um acidente no IC8, na véspera - em circunstâncias ainda por apurar, e que podem nada ter a ver com a estrada. Paradoxalmente, foi José Gomes Fernandes (PSD) o único a levantar a questão certa: não misturar assuntos políticos com sentimentos.


26 de setembro de 2018

Os substitutos


A bancada do PS na Assembleia Municipal está reduzida a quatro elementos, desde as últimas eleições autárquicas: Célio Fernandes, Carlos Lopes, Patrícia Carvalho e Manuel da Mariana. Mas ao longo deste ano que passou, já se percebeu que há quem faça tábua rasa da confiança dos eleitores. Já houve quem não fosse e nem sequer avisasse o partido. E ontem foi o que se viu. Estava difícil encontrar substitutos. 

22 de setembro de 2018

Vira o disco e toca o mesmo






A CMP deliberou, por unanimidade, atribuir um subsídio à Associação Cultural e Recreativa Sicoense, no valor de 800,00 €, para a organização de um passeio TT (na serra e arredores)!

19 de setembro de 2018

Incoerências no trânsito

A câmara requalificou(?) a EM237, entre o Alto do Cabaço e o Barco: passeios, ciclovia, estreitamento da via, muitas lombas e passadeiras. Finalidade: devolver espaço às pessoas e reduzir/limitar a circulação automóvel. No entanto, os camiões - nomeadamente os das pedreiras - continuam a poder usar a via, apesar de existir uma via alternativa próxima. Alguém compreende isto?

18 de setembro de 2018

O ovo de Colombo segundo Pedro Pimpão



Sou muito fã desta hiperactividade da Junta de Freguesia de Pombal, uma espécie de sempre-em-festa que contrasta com o incenso e mirra da Câmara Municipal. É verdade que a malta se queixa dos passeios por limpar, das coisas simples e básicas por resolver, mas não se pode ter tudo. 
Ou será que pode?
No fim de semana passado estávamos desfalcados de eventos. Então a Junta mobilizou os seus recursos para o "1º Festival do Ovo" na Estrada, organizado pela ADERCE - uma coisa mal-amanhada cujo ponto alto foi o baile com o organista Graciano Ricardo, que também faz parte da tal "Junta que nos junta". As fotos mostram a realidade como ela é: notável e extraordinária, como diz Pimpão. Não mostram, porém, aquilo que é mais impressionante naquela colectividade, protótipo do que foram os anos sem rei nem roque de Narciso Mota a distribuir dinheiro pelas colectividades, independentemente da actividade que tivessem. Por isso isto do ovo tem um lado bom, sim senhor.
A Junta fez tudo o que pôde, mas não bastou para o sucesso da iniciativa. Porém, foi mais um passo nessa travessia de Pedro Pimpão, qual ovo de colombo. 


10 de setembro de 2018

Centro Escolar das Meirinhas - Obra Torta

O Centro de Educação das Meirinhas, adjudicado em Julho de 2016, com prazo de execução de 450 dias, está neste estado! Não vai abrir no início do ano escolar, como era exigível. A data de abertura foi adiada para o próximo ano.
O empreiteiro deixou atrasar a obra, não comunicou o incumprimento nem pediu formalmente o prolongamento do prazo (afirmou o presidente da câmara na ultima reunião do executivo). Não se sabe se a câmara sabia do atraso - a câmara não acompanha nem fiscaliza as obras devidamente. Mais: o presidente da câmara acha que não compete a esta controlar/acompanhar o planeamento da execução das obras. Irresponsabilidade. Em parte, estão explicados os sistemáticos incumprimentos dos prazos.
Mas há dúvidas que persistem:
  1. Que tipo de relação existe entre a câmara e os empreiteiros que os leva a estarem-se nas tintas para a câmara (que é o cliente)?
  2. Porque é que a câmara – que paga bem – não é exigente com os empreiteiros?
PS: O resto – que é muito – fica para outra ocasião: negócio do terreno, localização, etc.

8 de setembro de 2018

A Anabela voltou a falar

Para perguntar ao Sr. Presidente se podia votar…
Ainda não explicaram à senhora que há perguntas que não se fazem; e que ela está lá para falar, não para votar (o seu voto não conta para nada)?!


6 de setembro de 2018

O mundo ao contrário

Em Democracia, o debate político faz-se, normalmente, com a oposição a criticar/atacar o poder, e o poder a defender-se.
Em Pombal, é ao contrário: a oposição é colaboracionista; e, mesmo assim, o poder bate-lhe sem dó; e ela amocha!

5 de setembro de 2018

Quando a bengala é falsa


A vereadora Odete expôs bem a intervenção que levava preparada sobre o plano da Área de Regeneração Urbana de Pombal. Teria feito boa figura se do outro lado o adversário não lhe tivesse detectado os pontos fracos. Cometeu dois básicos: basear-se em pressupostos falsos e concluir mal (ou não concluir) – um chega para destruir qualquer argumentação.
A vereadora Odete apoiou toda a sua argumentação num erro cometido pelos autores do plano, que apontavam, numa tal análise SWOT, as três grandes vias que atravessam Pombal - Rio Arunca, Linha do Norte e Estrada Nacional - como pontos fracos da cidade (os doutores, os engenheiros e os arquitectos gostam de embelezar/estragar os seus trabalhos com coisas que não dominam e não são aplicáveis aos seus estudos – manias tolas). No final, cometeu outro erro imperdoável: não concluiu - limitou-se a afirmar que faria diferente, e absteve-se.
Resultado: o adversário deu-lhe forte nos pontos fracos; levou-a ao tapete.


Narciso sobre regeneração urbana


Um plano de regeneração urbana é um documento muito importante, que pode e deve mudar uma cidade.
Ora ouçam o que um ex-presidente da câmara, com 20 anos de presidência, tem a dizer sobre o assunto.


Fora da ordem-do-dia

Antes de começar a falar, Narciso Mota avisou logo que gastaria pouco tempo, e cumpriu: gastou (só) dezasseis minutos, nos quais, apoiado nos títulos dos jornais e no seu conhecimento da realidade, discorreu, com a clareza e a profundidade conhecidas, sobre os mais diversos assuntos, desde a gestão de obras – de que é um reconhecido “especialista” – até teoria política, nomeadamente a dictomia esquerda direita.
Pelo meio, ainda teve tempo para dar uma reprimenda ao seu delfim, que insiste em criticar o incumprimento dos prazos das obras.

4 de setembro de 2018

Discurso de charlatão

O charlatão, nomeadamente o político charlatão, tem uma inclinação enorme para o autoelogio, para querer mostrar o que não é. Apoia-se regularmente nos seus supostos “mestres” e em estudos que desconhece ou não existem sequer. O eleitor topa-os bem e tolera-os; mas quando as falácias atingem o domínio do risível, é demais.
Vem isto a propósito de uma intervenção do vereador Michael sobre os feitos do poder local, e da sua altíssima eficiência – credo: o Michael a falar de eficiência! Afirmou ele - sem se rir - que “sempre ouviu dizer, nomeadamente aqui ao ex-presidente da câmara, que um euro - um cêntimo - é muito melhor gerido por uma autarquia do que pela administração central, isso está provado por números e dados estatísticos, porque as câmaras com 1,5%, ou não chega a 2%, do orçamento do Estado conseguem produzir 30% ou mais do PIB”.
Só uma criatura profundamente ignorante na matéria ou altamente desonesta pode fazer uma afirmação destas publicamente sem se envergonhar. Mas mais: para dar alguma credibilidade à falácia, referiu dados e números estatísticos que o provam; sem nunca os ter visto porque, simplesmente, não existem. Estamos claramente na presença do típico charlatão político que se disfarça com máscara de sábio e que tenta fazer de uma mosca um elefante, mas da matéria - multiplicadores da Economia - nada conhece,  nem uma vaga noção da escala tem; e de estatística não deve conhecer mais do que o termo. Risível.
Já na época dos sofistas, os gregos diziam: “o macaco é sempre macaco, mesmo vestido de púrpura”. Tal como o papagaio é sempre papagaio, mesmo que saiba falar línguas.

3 de setembro de 2018

Vamos à festa

Houve festa em Albergaria dos Doze. Como festa pede inaugurações, e inaugurações pedem obras, fazem-se obras. Foi assim durante muitas décadas. E foi também por isso que estamos como estamos, que temos por aí muito elefante branco e muito mono abandonado. Foi assim, mas já não é! Agora basta ter meia obra, ou a obra iniciada. 
Ora vejam o estado em que foram inauguradas as obras de regeneração urbana(?) de Albergaria dos Doze – filmado ontem.
Mais: durante as festas esconderam a coisa, e o presidente da junta teve a lata de se gabar, no discurso de inauguração, que este ano tinham assegurado dois palcos, quando um deles foi a forma improvisada que arranjaram para esconder a obra inacabada.
Perdeu-se o respeito pela lei, e pelos contribuintes que pagam estes desmandos.


Cerimónia do Beija-mão

A entrega de uns prémios monetários aos participantes na Corrida do Bodo, no início da reunião do executivo com transmissão em directo, um mês depois do evento, levou ao povo a representação de um velho ritual monárquico: a tétrica cerimónia do beija-mão.
Bonito. Tão bonito que até a oposição, sempre colaboracionista, aprovou e aplaudiu.

31 de agosto de 2018

CIMU-SICÓ – é para demolir?

A construção do CIMU-SICÓ está parada há dois anos e meio; no estado que o vídeo mostra! O CIMU-SICÓ foi apresentado, em 2007, como um projecto grandioso – megalómano, até – com duas valências essenciais: (1) divulgação do património histórico e cultural da região; (2) centro de apoio aos desportos de natureza e turismo. O projecto é uma aberração arquitectónica, tanto no que se refere ao enquadramento paisagístico como à funcionalidade interior (um labirinto disforme com corredores e inúmeras salas). Ao longo dos doze anos de criação do mamarracho, a câmara nunca conseguiu aportar-lhe conteúdos/valor que justificassem o elevado investimento e a descaracterização da paisagem protegida. Depois do fraco interesse das diversas entidades pela vertente da divulgação do património histórico e cultural da região – o Centro Ciência Viva afastou logo a possibilidade de ali instalar um pólo – o projecto ficou, em grande parte, amputado da primeira valência e resumido à segunda - desportos de natureza e turismo –, a que a câmara pensou, recentemente, agregar uma ponte suspensa sobre o Vale do Poio – mais uma bizarria. 
Entretanto, a câmara estabeleceu um protocolo com o Grupo de Protecção da Sicó (GPS) que “prevê a cedência do direito de superfície da antiga Escola Primária de Ereiras a favor do GPS, e que permitirá a ampliação daquela infraestrutura, com vista a receber o Centro de BTT Sicó, projecto que pretende instalar uma rede de trilhos pedestres e cicláveis na Serra de Sicó". O protocolo acrescenta que “o Centro de BTT Sicó pretende ter um papel fundamental na potenciação das actividades de cycling e walking no Maciço Calcário Sicó-Alvaiázere, assumindo-se igualmente como um pólo de promoção de Turismo de Natureza descentralizado dos principais centros urbanos”. Com o protocolo estabelecido, a câmara apoia e financia a criação de uma estrutura, próxima do CIMU-SICÓ, que vai fazer exactamente o que o CIMU-SICÓ se propunha desenvolver - desportos de natureza e turismo. Perante esta duplicação de meios pergunta-se: - Com o protocolo estabelecido, o executivo – Diogo Mateus – prepara-se para, assim, justificar a demolição do mamarracho (está numa fase em que os prejuízos, apesar de tudo, são ainda moderados)? Defina-se, presidente; a duplicação de infraestruturas e de meios não é aceitável. Esclareça os pombalenses; são eles que pagam estes desmandos. 

PS: Faz sentido a criação de uma estrutura minimalista para apoio às actividades/desportos de montanha. No entanto, parece-me que as Ereiras não é o local mais indicado. Por todas as razões (localização, atractividade, potencial turístico, etc.) a Aldeia do Vale é o local ideal.

30 de agosto de 2018

Da série "cidade desmazelada" ou a negligência municipal


Chamava-se Centro Coordenador de Transportes, quando foi inaugurado, ao tempo em que a Câmara era presidida por Armindo Carolino. Além de estação rodoviária, o edifício foi dotado de vários espaços (comerciais) e durante anos quase cumpriu a sua função - até para além dela, pois que integra, inclusive, uma residência social. 25 anos depois, não passa de um edifício-fantasma, descuidado. Um dos poucos espaços que ainda lhe dá vida e  movimento é uma tabacaria/quiosque. Há anos que a proprietária reclama junto da Câmara - dona do espaço - que tome medidas para acabar com a indecência que ali acontece durante a noite, e que todos os dias deixa o espaço imundo, como as fotos documentam. 
Supomos que não há pelouro responsável por isto. 

29 de agosto de 2018

Feitos num 8


É como estamos, afinal. A bem da verdade, o monumento ao biscoito do Louriçal foi pago por todos os munícipes do concelho. Para que conste: em Julho, em reunião de Câmara, foi aprovado um subsídio no valor de 8 mil euros, para o efeito. É a gastar. Quem pode, pode.

23 de agosto de 2018

Tartufices

No verão passado, Pedrogão Grande (e os concelhos limítrofes) foi devastado por um violento incêndio que provocou a maior tragédia humana, neste tipo de catástrofe, em Portugal.
Os portugueses (e não só) desencadearam uma onda de solidariedade que permitiu disponibilizar, em pouco tempo, recursos financeiros e materiais mais do que suficientes para reparar os prejuízos materiais e restabelecer a normalidade possível daquelas vidas e daquela frágil comunidade.
Pensou-se que o mais difícil - o possível - estava feito. Puro engano! A reportagem da TVI sobre a reconstrução das casas em Pedrogão Grande, que passou ontem no Jornal da Noite, mostrou-nos uma mistela abjecta com as piores misérias humanas: a mentira, a hipocrisia, a desonestidade, o compadrio, a injustiça, a corrupção, a trafulhice, o aproveitamento pessoal, o roubo. O que choca não é que estes vícios e irregularidades estejam mais uma vez presentes na distribuição de dinheiros públicos – infelizmente, já estamos habituados. O que repugna profundamente é ver o patamar de desfaçatez que se atingiu; é verificar que até na presença de abundantes recursos materiais, os verdadeiramente necessitados são marginalizados, e os amigos e os oportunistas que pouco ou nada perderam são beneficiados de forma obscena.
Pobre terra, onde a corrupção brota à vista desarmada como um fungo. Pobres coitados, que tem à sua frente gente sem pinga de vergonha - uma cambada de impostores sem princípios e sem pudor.

21 de agosto de 2018

Dúvida


Os jotas, e muitos graúdos, cá do burgo andaram empenhadíssimos na candidatura do fugaz Santana Lopes à liderança do PPD/PSD. No entanto, Santana Lopes perdeu as eleições; e vai daí, resolveu fundar um novo partido.
Os acérrimos apoiantes locais tinham algum alinhamento ideológico com Santana Lopes ou apoiaram-no por simples opção carreirista?
Duvida a esclarecer nos próximos meses.

13 de agosto de 2018

O biscoito e a festa do Louriçal


Está inaugurado com pompa e circunstância o monumento ao Biscoito, coisa singela que terá custado aos cofres do erário público escassos oito mil euros. É uma capicua curiosa. Numa terra que deu à luz vários e tão bons artistas plásticos, o rasgo autárquico não foi além de um biscoito em pedra (ou seja lá o que for) encomendado a um homem do norte.
No sábado, o séquito da Câmara, o garboso presidente da junta e meia dúzia de politiqueiros embandeiraram em arco com o biscoito de pedra. Na gaveta deste executivo está o projecto da Confraria do Biscoito (já que o PS lá foi passear, podia ter aproveitado para o lembrar), por se tratar de uma acção defendida pela anterior junta. E aqui para nós, com toda essa massa não fazíamos umas acções que defendessem melhor o biscoito e o levassem longe? Mas o povo anda contente com a obra, e já se sabe que o que não enche o olho não traz votos. Desconfiamos é que fique tão contente com o rumo que as festas levam: é olhar para o recinto fechado e para o exterior e perceber o desinteresse por parte das colectividades. Mas esse é um balanço que fica para depois, que ainda as festas vão a meio.

10 de agosto de 2018

Sobe & Desce

Cidade desmazelada

A CMP faz obras - muitas mal - e despreza-as. Os equipamentos públicos, nomeadamente os espaços públicos (jardins, ciclovias, etc.) encontram-se no perfeito desmazelo.
O pelouro de manutenção dos Equipamentos Públicos não é minimamente exercido. É inadmissível que a cidade esteja tão desmazelada, nomeadamente quando é mais visitada.
A política não pode ser só festas, inaugurações e politiquice; convinha guardar algum tempo para o que é necessário fazer.

9 de agosto de 2018

O perfeito vazio



A última reunião de Câmara, a 01 de Agosto, decorreu sem a presença de qualquer vereador eleito pelo PS. Lembramos aqui os mais distraídos que o PS elegeu apenas um elemento nas últimas eleições autárquicas - Jorge Claro, o último candidato. Ora acontece que - como devem ter reparado os menos distraídos - com a entrada de Odete Alves para líder da concelhia do PS - e sendo que ela não fora eleita, pois que era a nº 2 da lista - Claro foi-se preparando para abdicar do lugar, suspendendo primeiro o mandato por pequenos períodos, estando a renúncia anunciada para os próximos dias. Isso permitiria - e bem - deixar espaço e margem de manobra política à líder. Mas veio o verão, as férias, depois o Bodo, e nisto andaram ali a dançar na Câmara quatro nomes, para ocupar um único lugar. Marlene Matias substituiu Odete Alves, que por sua vez substitui Jorge Claro, mas antes disso uma e outra foram substituídas por Manuel Jordão Gonçalves, essa revelação socialista com aspirações. A verdade é que, na Câmara, os serviços baralharam-se nesta dança de cadeiras. E enviaram a convocatória e respectiva documentação para o eleito (ausente, por sinal), cuja suspensão de mandato estava em vigor até dia 4 de Agosto. 
O vereador Murtinho (a quem Diogo insiste em manter como vice-presidente, mesmo depois da manifesta incompetência revelada) desdobrou-se em telefonemas, mas todas as tentativas se revelaram infrutíferas. E o 'novo' PS? Como é que deixa acontecer uma coisa destas? No meio de tanto candidato a efectivo não se arranjou um suplente?
Alvíssaras a quem der uma resposta certa.  
Recorde-se que aquela era a reunião em que o PS tinha tudo para fazer verdadeiro combate: Diogo Mateus de férias, Murtinho ao leme do executivo, e o maior facto político dos últimos anos: este. 

8 de agosto de 2018

Obras tortas


O Centro Escolar de Pombal (CEP) foi mal concebido, nasceu torto, cresceu torto – como assinalámos aqui -, está torto. Bem diz o povo: o que nasce torto tarde ou nunca se endireita. 
Menos de um ano após a inauguração confirma-se o que há muito se suspeitava: o CEP foi mal concebido, mal construído, mal acompanhado e mal recepcionado. Apresenta múltiplas deficiências/anomalias: fissuras, abatimentos, infiltrações, madeiras empenadas, pinturas degradadas, etc. que exigem uma reparação profunda antes do início do ano lectivo. O empreiteiro foi chamado mas (consta que) não respondeu afirmativamente. Pelos vistos, prefere perder a caução (avultada) do que fazer as reparações.
Vão assim as obras municipais.

6 de agosto de 2018

A vida cheia precisa de inimigos, e nós de espiritualizar a inimizade

A cultura mole do politicamente correcto, do sim e não, do compromisso cobarde, da paz indolente, que se instalou, nomeadamente aqui, tem conduzido ao apagamento das consciências, à vida frouxa, ao definhamento e à decadência. No Farpas rejeitamos esta forma de estar e de viver; exigimos o possível, o decente, o engrandecedor. Somos diferentes: temos “inimigos” e gostamos de os ter. Temos feito caminho, mas falta caminhar muito. Com grandes mestres fá-lo-emos com sucesso.
“A espiritualização da sensibilidade chama-se amor: ela é um grande triunfo sobre o Cristianismo. Um outro triunfo é a nossa espiritualização da inimizade. Ela consiste em se compreender profundamente o valor que possui o fato de se ter inimigos. Em resumo: frente ao modo como se agia e concluía outrora, se age e conclui agora inversamente. A igreja sempre quis, em todos os tempos, a aniquilação de seus inimigos: nós, imoralistas e anticristãos, vemos nossa vantagem no fato de que a igreja subsiste... No campo político, a inimizade também se tornou agora algo mais espiritualizado.
Muito mais prudente, muito mais meditativo, muito mais cuidadoso. Quase todos os partidos compreendem que os interesses de sua auto-conservação apontam para a necessidade dos partidos opositores não perderem suas forças; o mesmo vale para o grande político. Uma nova criação sobretudo, algo como um novo império, tem os inimigos como mais necessários do que os amigos: somente na oposição ele se sente necessário, somente na oposição ele se torna necessário... Nós não nos comportamos de modo diverso frente ao "inimigo interior": também aí espiritualizamos a inimizade, também aí compreendemos seu valor. É preciso ser rico em oposições, e só pagando esse preço que se é fecundo; só se permanece jovem sob a pressuposição de que a alma não se espreguiça, não anseia pela paz... Nada nos parece mais estranho do que o que era desejável outrora, o que era desejável para o cristão: a "paz da alma". Nada nos deixa menos invejosos do que a vaca moral e a felicidade balofa da boa consciência. Renunciou-se à vida grandiosa quando se renunciou à guerra: Em muitos casos, por sorte, a "paz da alma" é apenas um mal-entendido, - algo diverso que apenas não sabe se denominar de um modo mais honroso. Sem rodeios e preconceitos, aqui temos alguns casos. A "paz da alma" pode ser, por exemplo, a irradiação suave de uma animalidade rica no interior do campo moral (ou religioso). Ou o começo da fadiga, a primeira sombra que a noite lança, qualquer tipo de noite. Ou um sinal de que o ar está húmido, de que o vento sul se aproxima. Ou a gratidão inconsciente por uma digestão feliz (às vezes chamada "amor aos homens"). Ou a aquietação do convalescente, para o qual todas as coisas possuem um novo sabor, e que espera... Ou o estado que segue a um intenso apaziguamento de nossa paixão dominante, o bem-estar de uma saciedade rara. Ou a senilidade de nossa vontade, de nossos desejos, de nossos vícios. Ou a preguiça, convencida pela vaidade a adornar-se moralmente. Ou a entrada em cena de uma certeza, mesmo de uma certeza terrível, depois da tensão e do martírio produzidos pela incerteza. Ou a expressão da maturidade e do domínio em meio ao agir, criar, efectivar, querer, o respirar tranquilo, a "Liberdade da Vontade" alcançada... Crepúsculo dos Ídolos: quem sabe? Talvez também apenas um tipo de "Paz da Alma"..."

3 de agosto de 2018

Bodo on tape, pessoal!


Eu até percebo os jovens que se querem divertir e ter algum protagonismo junto dos amigos. Agora a Rádio Cardal alinhar numa rubrica que de criativo apenas tem o conceito e de qualidade nem se fala, é que custa ver. 

Esta iniciativa da Rádio mostra que há espaço em Pombal para projectos arrojados, originais, irreverentes. Mas o ser "diferente" não justifica tudo e os nossos filhos nem sempre são os artistas que gostávamos que fossem. Se for para repetir a experiência - como espero - deixo um repto aos jovens protagonistas: revejam o que fizeram, sejam os vossos maiores críticos e trabalhem (muito) mais. O vosso potencial só tem hipótese de se traduzir em algo interessante se forem muito mais exigentes convosco próprios. 

Deixo também este último conselho também à Rádio Cardal. Sou um grande defensor das rádios locais e, por isso mesmo, contem sempre comigo para vos criticar. Acredito no sucesso dos meios de comunicação regionais de qualidade, geridos com rigor, comprometidos com as causas sociais da comunidade em que vivem, que saibam recuperar as redes locais de identidade e não cedam à tentação da subserviência ao poder. Já não acredito em projectos que valorizem o supérfluo e descurem o essencial. 

1 de agosto de 2018

A eficácia da farpa


Menos de 24 horas separam estas duas imagens do prédio 'Carlos Baptista'. Depois da denúncia feita aqui, no domingo à tarde, as pedras foram removidas do local e os mínimos de segurança repostos.
Falta-nos contar, ainda, que a estrada que liga os Motes aos Malhos começou a ser pavimentada no dia seguinte à denúncia pública do processo movido ao munícipe contestatário
E isso é tudo o que importa: que isto de denunciar sirva para melhorar o que está mal.