19 de novembro de 2018

Olha o Arunca tão limpinho

Na última reunião da Assembleia Municipal, uma deputada do NMPH questionou a Câmara sobre a poluição no rio Arunca e foi prontamente ridicularizada por Diogo Mateus. Como a realidade é uma maluca, esta semana havia uns montes de espuma pelo rio acima.
Isto só pode ser do detergente para lavar as margens. 

15 de novembro de 2018

Oposição colaborativa


Narciso Mota nasceu e cresceu no regime da União Nacional. Não surpreende, portanto, que sempre tenha abominado a crítica política e defendido que a oposição deve ser colaborativa (convém acrescentar que para Narciso Mota colaborar é estar de acordo com ele).
Como vereador da oposição, Narciso Mota tem continuado a reafirmar que quer fazer a tal “oposição colaborativa”. Logicamente, sem quaisquer resultados e com muita conflitualidade à mistura. Porquê? Porque a vontade que manda não é a dele.
No entanto, Narciso Mota deve ter saído feliz da última reunião do executivo. Conseguiu, finalmente, fazer a sua “oposição colaborativa”: (diz-se que) foi o autor da proposta de atribuição da Medalha de Prestigio e Carreira ao Pe. Américo Ferreira. A proposta não era do conhecimento dos outros membros do executivo (descontando o presidente) -  quebrando as regras acordadas - mas, mesmo assim, foi aprovada por unanimidade, como convém.
Neste processo, uma coisa merece realce: Narciso Mota conseguiu o seu primeiro troféu com a tal oposição colaborativa. E duas dúvidas persistem: primeira, Narciso Mota, foi o verdadeiro autor da proposta ou um simples veículo? Segunda; tendo feito um “favor” a D. Diogo, qual foi/será a “recompensa”?

13 de novembro de 2018

A propósito da educação altruísta

Desde que o bom-cristão Guterres enunciou a sua paixão pela Educação, e fez dela o seu grande desígnio político, qualquer aprendiz de político encontrou ali caminho para percorrer, e assunto para poder debitar banalidades. A praça, por cá, está cheia deles. Esgadanham-se para dizer a banalidade maior, com os termos que melhor a emproem.
Um bom-cristão local, em tirocínio para político, veio-nos apregoar a educação altruísta – suponho que ele queria dizer educação cristã, mas teve receio do dizer.
A moral altruística não peca somente contra o bom gosto e a elevação, é um incitamento aos pecados da omissão e do amadorismo, uma sedução a mais sob a máscara da generosidade(zinha).

11 de novembro de 2018

Olha a pala (II)



Passados pouco tempo de aqui ter sido postado o miserável estado da pala da praça do Cardal, a câmara mandou retirá-la.
Conclusão: eles até sabem o que deve ser feito; andam é muito distraídos - são muito desleixados.

Olha os camiões



De manhã, a EM 237, entre o cruzamento para o Barrocal e o Alto do Cabaço, parece um comboio humanitário das Nações Unidas, mas com camiões carregados de pedra.
Diogo Mateus gaba-se, sistematicamente, que a rotunda do Alto do Cabaço veio facilitar a vida aos automobilistas. É verdade para uma (pequena) parte deles. Mas veio facilitar muito mais a vida aos seus amigos da pedreira, que agora entram directamente no IC2, sem parar. Por isso, a via, na prática, não foi requalificada para ser devolvida aos peões, foi para facilitar a vida aos camionistas da pedra (que têm uma boa via sem passar por dentro da cidade).

10 de novembro de 2018

O que é que nos distingue, afinal?



Andei dias para escrever um post sobre uma intervenção de um jota na última Assembleia Municipal, que tecia loas à fabulosa aposta da Câmara em matéria cultural. Acabei por não escrever, com aquela sensação que não devíamos ter, de bater em mortos. Bem sei que a culpa é nossa, dos que não acompanhamos a extraordinária actividade municipal em matéria cultural: não vislumbramos uma programação no Teatro-Cine, não apreciamos a qualidade das exposições que passam pela galeria do mesmo edifício  (a última, de escultura, era demasiado para nós...), ou dos espectáculos que animam o Café Concerto. Não compreendemos que o público vai ali para rir alto e falar muito, que tanto faz ser um duo como os Terylene, ou um organista qualquer.
A culpa é nossa, pois, que não damos o devido valor ao investimento municipal na cultura, à programação que o pelouro organiza e desenvolve, nem nos comovemos com a afirmação "Pombal é Cultura", que perpassa pelo facebook de cada vez que acontece algum entretenimento. Como naquela tarde de sábado em que um grupo de gaiteiros desfilava pela cidade, com o director da Biblioteca à frente e o fotógrafo municipal atrás, mais uma funcionária que entregava panfletos. Eram os 20 anos da Biblioteca Municipal e aqueles que "são do contra", os mal-agradecidos, portanto, não foram lá "marcar presença". Porque - para o caso de não saberem - é isso que distingue um pombalense de gema, interessado e que ama a sua terra: fazer número.
É nossa, a culpa. Não sabemos de cor a letra do "ai meu Pombal", não valorizamos esse espaço ao serviço da cultura que é a Casa Varela, ou o Auditório Municipal, ou o Centro Cultural (ainda se chama assim) instalado no Celeiro do Marquês. Não sabemos aproveitar as oportunidades que a terra nos dá, e por isso é só curioso que dois dos técnicos de sonoplastia do Teatro Miguel Franco, em Leiria, sejam pombalenses. Que ainda na semana passada  deram cartas num concerto de um grupo de Pombal - o projecto Jazz - que esgotou a sala. E que sentiu a diferença de tratamento entre a cidade-natal e a que os acolheu.
A culpa é nossa, que permitimos o alastrar da (subsidio)dependência da Câmara, nos 20 anos em que Narciso Mota reinou, e nos conformámos com a displicência de Diogo Mateus. Pior: resignámo-nos, quase todos, contentado-nos com o poucochinho, demitindo-nos de qualquer papel na sociedade civil. O sucesso do Farpas - visível e palpável nas visualizações e na interacção com os leitores, sobretudo nas redes sociais, no último ano - resulta dessa consciência que temos vindo a tomar, no colectivo. Até há um ano, nas últimas eleições, por exemplo, o cidadão comum não se manifestava, lia tudo mas não comentava nada. 
Se há algum caminho que vale a pena ter percorrido é este, o de acordar consciências. Mas não basta. De que nos serve isso tudo se não houver uma alternativa ao poder em exercício? Falta-nos a bolha, não raras vezes. E aproveitarmos essa onda para valorizar o pouco que vai aparecendo, fora da caixa municipal, fora da esfera comissão-de-eventos-freguesia-de-Pombal, que acena com jantares aos participantes em iniciativas (válidas, pois) como o Ó da Praça. Não é muito, mas há gente a fazer coisas, de Abiul a Vermoil. Da Charneca a Londres, com raízes aqui presas. Há a Ideias Ousadas, sempre menosprezada. A Orquestra Marquês de Pombal. É uma lista de gente a insistir na terra, a dar-lhe nome, e a receber indiferença. Às vezes chego a duvidar que 2014 tenha existido, que aquele Bodo tenha sido real. E custa a crer que tenhamos deitado tudo fora: a pintura, a música, a dança, os debates, a homenagem à emigração que trouxe até Gérald Bloncourt, há poucos dias desaparecido. 
Falo nisto agora porque amanhã é Dia do Município, com o qual o concelho se identifica muito pouco, para lá do feriado.
Falta-nos sentimento de pertença, identidade. Não admira por isso que a lista de homenageados com medalhas seja o que é, todos os anos: um item a cumprir, uma obrigação municipal, a arte de andar à pressa a convidar clubes, figuras, empresas. E desta vez não se arranjou nada na área cultural, para cúmulo.
Somos a soma dessa resignação, desse desalento, dessa "política do enfeite" que embandeira em arco com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma: autarcas em modo Pimpão que destilam adjectivos no facebook, onde é tudo "notável e extraordinário". E que por isso nunca precisará de ser melhorado, repensado, povoado de alguma coisa que nos acrescente em vez de nos enfeitar, só. 
A culpa é nossa, que os elegemos no exacto momento em que engordamos os números da abstenção (convém lembrar que metade dos eleitores de Pombal não vota), na medida em que nos demitimos de intervir. Porque não basta encher a boca a dizer que "o meu amor é Pombal", é preciso pô-lo em prática. Se os nossos autarcas o fizessem, importavam-se com o desmazelo a que está votada a cidade, e algumas freguesias. Mas para isso é preciso percorrê-la, andar a pé em vez de correr para a fotografia. Ver para além de olhar. É preciso morar aqui, de facto, ter os filhos na escola pública, ir ao Centro de Saúde, acompanhá-los nas actividades. E depois olhar à volta, e perceber as diferenças entre as cidades e vilas vizinhas, o empenho no espaço público.
Vivemos a cultura do bem-parecer, perpetrada pelas rádios e pelo jornal, que redunda nos dias iguais, porque está tudo bem, é tudo gratificante. Nunca equacionamos discutir a sério, debater de verdade, ouvir opiniões contrárias, porque não interessa. Quem ousa fazê-lo é uma espécie de belzebu da terra, com quem não nos devemos cruzar nem virtualmente! Só ver o que diz, enviar aos correlegionários, à socapa, em mensagem privada, evitar o contágio. 
Não é uma escolha fácil ficar em Pombal, viver para contá-la, como escreveu sobre a (sua) vida Gabriel Garcia Marques. Levantar o tapete e sacudir a poeira é uma forma de zelar por ela. Discuti-la também. 
Digam lá o que disserem, essa é a nossa medalha mais brilhante. Não nos pesa, não enferruja, e está ao alcance de todos. 
Façam muitos magustos por aí. É uma forma de tirar o bafio às salas das colectividades, e dinamizar as comunidades sem ser em épocas eleitorais. Se começarmos agora, ainda vemos a tempo.
Vivam Pombal. 

9 de novembro de 2018

Uma história de vida, que mete touros

Há duas décadas, estava instalada no país a polémica sobre os touros de morte, por causa da morte do touro pelos barranquenhos durante as festas anuais. Sempre fui contra os touros de morte e, como normalista que sempre fui (agora menos), não percebia porque é que o Estado continuava a tolerar aquela excepção - se, naquela altura, houvesse facebook teria desancado forte nos políticos “fracos” que permitiam aquela violação da lei.
No verão seguinte, resolvi fazer um desvio na viagem da semana de férias no Algarve, e aproveitar para conhecer alguma coisa de Barrancos (daquele povo bruto que matava o touro e desafiava a autoridade do Estado). Almocei em Monsaraz (nas viagens para o Algarve aproveito sempre para desfrutar da cozinha alentejana) e continuei por estadas estreitas e com mau piso até Barrancos. Chegado ao centro da vila, no alto, deparei-me com uma praça pequena, com piso de rocha natural irregular, circundada por casario terreno, de pedra e telhados com telha de canudo, pobre e degradado; uma taberna/café no lado este; velhotes sentados nas lajes em frente às casas, no lado com sombra, agarrados ao seu cajado; e dois ou três garotos a dar pontapés numa pequena bola de plástico. Fui á taberna beber uma bebida fresca; dei uma pequena volta à pequena vila e parei por uns momentos junto ao carro, na praça, antes de retomar a viagem. Lembro-me como se fosse hoje: senti um arrepio que me contraiu a face, desceu e contraiu barriga (uma espécie de murro no estômago), e soou-me este grito na cabeça: fxxx-se, Adelino; estás errado! E este povo está certo! Este povo, que não tem quase nada, tem a dignidade suficiente para não abrir mão da sua cultura, da sua história, das suas tradições, dos seus laços. Percebi naquele momento porque é que aquelas festas se continuavam a realizar daquela forma, com aquele esforço e galhardia, com aquele sentido comunitário, onde o touro é lidado, morto, esfolado, cozinhado e comido pela pobre comunidade. Aquela gente não celebra a morte, celebra a vida e a alegria (talvez a única do ano); aquela gente não é bruta, é fraterna; aquela gente não é baixa, é Grande.
Parti, voltei atrás - porque junto à fronteira não existia estrada que ligasse ao Algarve -, atravessei a fronteira, andei muito até Huelva, entrei ao fim da tarde pela fronteira de Vila Real de Santo António com a garota pequena chateada porque tinha perdido uma das poucos tardes de praia que tinha para gozar. Mas eu recebi uma grande lição de vida.

8 de novembro de 2018

Onde se dá conta da distribuição das comendas no dia do Principado

O esgotamento do Príncipe é tão evidente que até para distribuir as comendas do dia do Principado precisou dos alvitres do Pança. Chamou-o:
- Pança; vinde aqui.
- O que desejais, Alteza? – acudiu o Pança.
- Como sabeis; estamos em vésperas do dia do Principado, e ainda não sei quem agraciar…-principiou o Príncipe.
- Pois,…O Senhor sempre foi mui deslembrado para a ventura alheia…- atalhou o Pança.
- Já estais a desvairar, Pança; mas adiante, que tenho pressa. Indicai-me cinquenta justos que mereçam comenda.
- Justos segundo a medida divina ou segundo a medida humana? – perguntou o Pança.
- Boa pergunta - estais mui arguto! – notou o Príncipe.
- Foi bom haver sido eu por vós achado, senão o que seria deste pobre Principado – tufou o Pança.
- Não vos esticais, Pança – avisou o Príncipe; e prosseguiu a prosa: - segundo a primeira, que é a que mais interessa.
- Somente segundo a primeira é mui dificultoso inventar cinquenta justos num Principado onde a virtude não medra - afirmou o Pança -; a não ser que se junte um ou outro vidente, um ou outro adivinho e um ou outro charlatão.
- Fazei como achardes melhor – anuiu o Príncipe -; que adiante separarei.
- Estou pouco imaginoso, Alteza; trago a cabeça cheia com os meus muitos afazeres – afirmou o Pança. E prosseguiu: - devemos agraciar quem se distinguiu; o problema é que nesta terra ninguém se distingue (para cima – pensou, mas não disse).
- Deixai-vos de considerandos, Pança. Nomes, nomes… - insistiu o Príncipe.
- Vossa Mercê pode agraciar o Almirante, o padre do “Pão de Deus”, o estudante de números do oeste…- sugeriu o Pança.
- O Almirante já foi agraciado, e o padre do “Pão por Deus foi-nos roubado pelo beato Ilídio…- retorquiu o Príncipe -; mas, sim: o estudante de números serve…
- Já temos um…- assinalou o Pança. E acrescentou: - Vossa Mercê poderá também agraciar a associação dos esquecidos...
- Essa serve… Mas mais, Pança; mais…- suplicou o Príncipe - Estais pouco imaginativo. Falta-nos criaturas ilustres, que engrandeçam esta mui nobre cerimónia.
- Dai-me um entretanto, Alteza, para pensar alto, com os meus botões…
- Pensai, Pensai, Pança; mas despachai-vos, que não falta muito tempo para a cerimónia – avisou o Príncipe.
- Se me pedíeis que seja imaginoso, que também o sei ser, quando mo pedem ou mo deixam ser; pergunto a mim mesmo (e perdoai-me se for precipitação): por que não agraciar os farpeiros?
- Endoidaste, Pança; ou eles já te deram a volta?
- O Senhor é mesmo desagradecido…; eu só queria auxiliar Vossa Mercê, mas já vi que me precipitei.
- Assim, não ajudais nada, Pança; seria loucura tentar semelhante empresa! – afirmou o Príncipe.
- Eu sei que oferecer incenso a maldizentes, que se têm fartado de chasquear as nossas misérias - eu que o diga, que tenho sido um mártir nas mãos deles -, é fazer deles ídolos.
- Contava que me alimentásseis os desejos, não que me importunásseis com extravagantes toleimas – advertiu o Príncipe.
- Não sei se é toleima…- retorquiu o Pança -; se já agraciamos radialistas sem ouvintes e pasquim sem leitores, por que não agraciar estes que amiúde são indicados para as comendas por súbditos bem letrados … 
- Santo Deus! Que estais dizendo, Pança? Querereis que eu entronize três Judas, sem vergonha e sem temor, que nos têm infernizado a vida? - perguntou o Príncipe.
- Olhe que eles até têm andado comedidos! Se Vossa Mercê não lhes desse tanta mecha, nas reuniões difundidas, não nos davam tantos desgostos…- retorquiu o Pança.
- Seríeis um escudeiro mais confiável se me dissésseis que os deveria mandar excomungar e condenar ao fogo – afirmou o Príncipe.
- Desculpai-me, Alteza; que as minhas intenções sempre as dirijo para bons fins – retorquiu o Pança.
- Cala-te, Pança — tornou o Príncipe, com voz exaltada — cala-te, repito, e não digas blasfémias.
- Se Vossa Mercê se enfada — retorquiu o Pança — eu calo-me e deixo de dar os meus alvitres.
- Às vezes mais valeria cortar-te o pio - lembrou o Príncipe – mas não, agora; falai, mas falai com tino - com proposições conformes à ordem estabelecida.
- Pedir é fácil, difícil é ir ao agrado do Senhor. Mas, por minha fé, Deus e o Senhor me perdoem este outro alvitre: por que não agracia, Vossa Mercê, a oposição? – sugeriu perguntando o Pança.
- Endoidaste de vez, Pança – afirmou, exaltado, o Príncipe.
- Bem sei que não é gente justa – advertiu o Pança -, mas a comenda seria justa – tanto têm sofrido, sem gemer nem mugir, com as bordoadas que o Senhor lhes tem dado.
- À oposição não se dá comendas, Pança.
- Por que não?! Seria um prémio merecido: são uns verdadeiros mártires; e têm-nos ajudado tanto ou mais que os nossos. Se o Senhor fosse piedoso, uma vez na vida, dava-lhes esta alegria (que outra não terão – pensou só para si) - concluiu, rogando, o Pança.
- Pança; arrebita as orelhas e ouve-me bem ouvido: obedeces-me ou desterro-te definitivamente para o teu condado – ameaçou o Príncipe, com voz irritada.
                                                                                                          Miguel Saavedra

A tourada


Por estes dias, a tourada voltou a ser o tema fracturante da sociedade portuguesa - e também da comunidade local. A polémica foi desencadeada por a redução do IVA para os espectáculos culturais não englobar a tauromaquia e pela (infeliz) justificação da ministra da cultura – “tauromaquia não é uma questão de gosto, é de civilização”. A proibição da tourada é uma polémica recorrente, ao longo da história; tal como o são, mais recentemente, o aborto e a eutanásia.
O que me leva a entrar nesta polémica - de galos atiçados - não é a questão fiscal - não espero comprar bilhetes para touradas - nem a defesa da tauromaquia - deixo isso para os verdadeiros aficionados. São razões de imperativo de consciência: a defesa de princípios e valores em que acredito e deveriam ser um imperativo categórico de boa conduta: a liberdade individual (em todas as suas dimensões: estilos de vida, gostos e comportamentos).
Um verdadeiro democrata não impõe estilos de vida, gostos e comportamentos, nomeadamente quando estes não chocam frontalmente com o bem-comum. Vivemos tempos conturbados e de grande incerteza; convém não largar as verdadeiras âncoras da nossa civilização para embarcar em modas de maiorias conjunturais ou de minorias folclóricas. Como afirma o Manuel Alegre “é chegada a hora de enfrentar cultural e civicamente o fanatismo do politicamente correcto”, onde sobressai a humanização dos animais e o culto do amolecimento do Homem. Vivemos tempos de degeneração, onde uma certa esquerda, igualmente intolerante e avessa à diversidade, parece empenhada em puxar para baixo. Uma esquerda conduzida pela cultura de rebanho - na boa matriz cristã que tanto diz combater -; pelo sentimentalismo oco, idealista, contraditório, exótico, hermafrodita; e pela falsa compaixão com os animais. A mesma esquerda que tanto se bate pelo aborto e pela eutanásia escandaliza-se com tourada (diversão com um animal que vai ser abatido), com a caça, com o abate dos animais abandonados, com a esterilização de animais que são uma praga, etc.
Sim: a tourada é uma questão de gosto, e de civilização.

5 de novembro de 2018

Cidade desmazelada


SE o vereador responsável pela Manutenção Urbana e o presidente da junta de freguesia de Pombal dedicassem 10% do tempo que dedicam às festas, romarias e encontros partidários, para verificarem o estado da cidade, reportar as situações degradadas e exigirem aos serviços as reparações necessárias, a cidade estaria um mimo. Não acham?

4 de novembro de 2018

O elogio do mal


Em Abiul - que reclama para si a praça de touros mais antiga do país - há uma coisa chamada Tertúlia Berço da Tauromaquia, a que os nossos autarcas gostam de dar cobertura. E dinheiro nosso. Por estes dias os mentores publicaram orgulhosos a imagem que aqui se pode ver, agradecendo a" a todos quantos colaboraram neste projeto". Presumimos que se trate do acto de embalsamar o animal, morto naquela arena da terra, e cuja carcaça vai adornar a sala da Tertúlia. O horror em estado sólido.

Olha a pala



O desmazelo a que a cidade tem sido votada, confrange. Mas não cuidar da sala de visitas da cidade – Praça do Cardal – é demais.
A praça foi recentemente “requalificada”; mas o estado de degradação já exige nova requalificação.
Ora vejam o estado da pala (rota e cheia de bolor) que foi apresentada como principal elemento embelezador da praça.

2 de novembro de 2018

Michael e a pedagogia barata

Quem acompanha a vida política nas últimas duas décadas lembra-se bem de como Michael António ficou conhecido na Câmara como "o vereador da tarde". E apesar de dar sinais de algum amadurecimento, e de ser, por ora, o menos mau daquele conjunto na oposição, não deixa de ser um mimo este momento em que decidiu fazer pedagogia voltada para o jovem Brilhante. 
Mas bem mais surpreendente é o silêncio deste último, que ficou mudo perante as palavras do antigo companheiro de partido. O que diz bem da fragilidade em que se encontra no executivo - e na política. 

29 de outubro de 2018

E ela a dar-lhe com a ponte suspensa sobre o Vale do Poio

Não conseguem acabar o mamarracho do CIMU-SICÓ - está parado há dois anos e meio, ainda não está sequer a meio e não sabem que utilidade lhe dar;
Pelo meio, constroem e adquirem edifícios que estão ao abandono ou em subutilização;
Mas vão estas alminhas meter-se a construir uma ponte suspensa no Vale do Poio – numa área especial protegida – que ninguém lhes pede.
Dinheiro a mais; e juizinho a menos!

19 de outubro de 2018

O “novo” PS morreu

O “novo” PS – anunciado pelos actuais dirigentes – morreu à nascença. Pode-se afirmá-lo, com aquela verdade que não precisa de flores para se saber que está morta. A demissão de Aníbal Cardona (ideólogo do “novo” PS) foi só a confirmação do desfecho que a debandada de dirigentes e representantes nos órgãos autárquicos já anunciava.
Este PS não tem nada de novo – para além do slogan – e não tem futuro – como o slogan prometia. É o velho PS com a mesma roupa: sem liderança, sem estratégia, sem discurso político, sem pessoas (bases). Pior: sem uma ideia sequer do que deve ser e do que quer para o concelho (sobre qualquer das funções nucleares da administração municipal). O partido não tem massa crítica para fazer oposição política - não dispõe das competências necessárias para o fazer. O pouco que faz é sem razão, vive demasiado à parte para ter razões pró ou contra tal coisa.
Os dirigentes do PS não podem continuar a enganar-se e a enganar os militantes e os pombalenses que ainda acreditam. O partido por e simplesmente não existe como força política. É um organismo sem vida; corroído até ao tutano pela intriga, mesquinhez e inimizade; incapaz e impotente; movido unicamente pelo ciúme e indolência; resignado ao non far niente; preso de pés e de cabeça desligada; onde nada medra e tudo definha. A gravidade maior é que os seus crónicos dirigentes não têm sequer consciência disto…
O partido foi afastando ou escorraçando os quadros com valor político (pensamento próprio, sentido crítico, capacidade política), hostilizando-os tanto mais afincadamente quanto mais méritos têm. Resume-se actualmente a meia-dúzia de criaturas que acreditam sem acreditar, e outras tantas almas penadas que se assaparam à estrutura por oportunismo ou inveja pueril. Há muito que o partido perdeu o amor-próprio, e se foi transformado num covil de desgostos e desgraças onde todos submergem.
O partido precisa urgentemente que alguém desligue a luz por uns tempos, para que, cada um na solidão consigo próprio e depois todos em conjunto, façam uma catarse que expurgue maldades e ódios de estimação. Só assim se pode refundar localmente uma estrutura que já foi triunfadora, que a nível nacional goza de simpatia e liderança invejáveis, mas aqui entrou numa espiral de destruição que conduziu à agonia interminável.

18 de outubro de 2018

A lei de Murphy

Assisti - como qualquer munícipe daqueles que teve comunicações, estes dias - aos briefings que o presidente da Câmara fez questão de fazer, com a prestimosa ajuda dos presidentes de junta e da vereadora Ana Cabral. Ao princípio ainda tive dúvidas se aquilo não era o regresso do Gato Fedorento, mas depois vi o rapaz da Protecção Civil e o bombeiro João e a coisa afigurou-se séria. Tão séria como a tempestade Leslie que causou em Pombal maiores danos do aqueles que vi em Soure. Tão séria que deixou tanta gente sem água, luz, comunicações. Culturas destruídas nas terras que vivem da agricultura. Casas destelhadas, a maioria sem seguro, e agora à mercê dos apoios que um dia hão-de chegar, depois dos formulários preenchidos.
E nesses momentos (transmitidos em directo para o facebook pelas rádios locais) - que contavam com a participação dos representantes dos órgãos da imprensa local, de tal modo que até um director de rádio faz perguntas, mesmo não sendo jornalista - ninguém se lembrou de perguntar por que raio o Município de Pombal não decretou a calamidade pública? Por que razão o ministro da Administração Interna não passou por Pombal no domingo, quando foi a Soure e Figueira da Foz? Será que a autarquia comunicou ao governo o estado em que nos encontramos? 
O mais certo é sermos tão auto-suficientes que não é preciso. 
E assim fica já feito o discurso para a próxima reunião de Câmara e/ou Assembleia Municipal, a dizer que lá está Pombal a fazer o papel do Estado. 
De permeio, continuamos no olho do furacão: um presidente dos Bombeiros que usa o melhor vernáculo para se dirigir em público a quem questiona, em defesa-do-colete-do-presidente. Entre o fogo e o vento, a tempestade ensinou a Diogo Mateus a importância de não ir para o terreno em camisa branca e sapato de vela . E quando exportamos os nossos para a fora, às vezes acontece uma espécie de karma, como se viu na Figueira da Foz.
Estamos condenados à lei de Murphy, é o que é. 

16 de outubro de 2018

O que acontece no PS

Os militantes do PS foram ontem surpreendidos com a notícia da demissão de Aníbal Cardona da comissão política concelhia e do secretariado.
Numa altura em que o PSD está dividido como nunca, em que o poder autárquico está uma comédia, o que faz o PS? Nada. Senta-se e espera que passe. 
Cardona invoca razões pessoais para se demitir das funções. Esperemos que continue (pelo menos) na assembleia de freguesia de Pombal, e que esta demissão não signifique um afastamento da vida política.
Falta-nos gente de garra na oposição. Falta-nos oposição. 

13 de outubro de 2018

Pedro perdeu o coelhinho


Pedro é um rapaz muito esperto, trabalhador e ambicioso. Querido por todos, ganhou rapidamente o estatuto de líder junto dos seus amiguitos, que o respeitavam e admiravam. Nos seus tempos de escola, Pedrocas foi muito feliz e a sua aura ofuscava tudo à sua volta. 

Infelizmente, nada dura para sempre e a felicidade de Pedro não é excepção. A sorte começou a mudar quando, um dia, perdeu o seu coelhinho. Mais do que um amigo, o simpático bichinho era a sua grande referência e o segredo da sua força. Qual Sansão privado do seu longo cabelo, assim murchou o rapaz quando perdeu o coelhinho. Sem a clarividência e sagacidade que o caracterizavam, Pedro deixou-se enredar em aventuras inconsequentes

O moço é hoje uma pálida sombra de si próprio. Desprezado pelos mais velhos, que se recusam a dar-lhe o protagonismo que julga merecer, ganhou tiques de ditador junto do mais jovens. E se, em tempos, tudo lhe era perdoado, actualmente são poucos os que estão dispostos a pactuar com a arrogância e a vaidade. Sem surpresa, os seus maiores críticos passaram a ser aqueles que antes lhe vaticinaram um futuro brilhante.

O sempre jovem e bonito Pedro que, tal como Dorian Gray, se recusa a envelhecer, já não consegue esconder as primeiras rugas que lhe revelam o carácter. 

11 de outubro de 2018

Um passo em frente PARA Pombal


Foi ontem inaugurado em Pombal um espaço que alberga a partir de agora o 
PARA - Projecto de Apoio e Recursos para o Autismo, vencedor do concurso de ideias para o orçamento participativo, há dois anos.
É a primeira vez que temos notícia de um projecto desses ser concluído, e este em particular merece destaque. Porque resulta da persistência do Patrick e da Viviana Mendes, pais que conhecem bem os caminhos tortuosos da sociedade e das instituições no apoio às crianças autistas. "Agradecemos do fundo do coração a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, contribuíram para que este sonho seja agora uma realidade. É um primeiro mas decisivo passo que irá influenciar o futuro de muitos. Obrigado POMBAL", escreveu ontem Patrick Mendes na sua página de FB.
Apesar da demora, é bom que a Câmara tenha abraçado este projecto. Há um mundo para lá da propaganda ao "sucesso escolar 100%". E é bom que o orçamento participativa seja, de facto, pertença da sociedade civil. 

9 de outubro de 2018

AM, uma Ópera Bufa

Nota prévia: este post foi escrito para ser publicado no dia da malfadada reunião do executivo camarário. Foi adiado, e pode, agora, perante os últimos acontecimentos, parecer desproporcionado. Um peido não desculpa uma bufa.

As reuniões da AM são uma espécie de ópera bufa, fastidiosa de contar e pior de ouvir, onde o tenor principal, na sua pose nobre mas sem nobreza, monopoliza todo o trama, e os tenores secundários não têm consciência do papel irrelevante que representam.
O guião e o propósito do trama são conhecidos: subjugar os desalinhados e transformar todos em pajens - impor o arbítrio. Os mais desprendidos perceberam-no e já debandaram; os outros arrastam-se naquele ritual sem honra nem glória. É um espectáculo bizarro: ao mesmo tempo, sonoro e surdo, onde se fala muito e nada se ouve. De um lado actuam as criaturas para quem a política é um trabalho de enfeite e a rapaziada de dentes de leite e cabeça oca. Do outro contracenam os desavindos da ala direita, a esquerda sonsa e a esquerda folclórica. Ao fundo sentam-se as figuras cuja utilidade, ali, é idêntica à das muletas para o defunto. No topo, secretários que não secretariam. Os tenores secundários gravitam todos na orbita do tenor principal. Os que vêm do lado direito apresentam-se inchados com os sucessos, uns suam sob o peso do estatuto outros do orgulho juvenil. Os que vêm do lado esquerdo entram no palco com a roupa e o espírito do dia de finados, quais cordeiros no dia do sacrifício, prontos a aceitar humildemente o castigo de representar papéis que desconhecem, para os quais não estão preparados nem se preparam. Depois, do meio daquela amálgama de figurantes de que não se espera nada, porque é perfeitamente inútil esperar o que que quer que seja - criaturas que se limitam a arrecadar a senha de presença e a compor a sala -, surge aquele cavalheiro ilustre, cheio de lustre e termos novos, inconsequente, que insiste no pregar aos peixes. Algumas daquelas criaturas nem para ser filmadas servem, como aquela cara de perpétua que passa o tempo todo a cuscar os papéis que a vizinha lê.
No final, fica-nos sempre a dúvida: se o papel mais reles é dos que falam ou dos que se calam. 

8 de outubro de 2018

Sobe & Desce

Basta? pelos vistos não


Acontece amanhã em Pombal um seminário importante. Ou melhor, com um tema importante: Violência contra os idosos - quem se importa? Muita pouca gente, parece-nos. Os números dizem-nos que 40% dos idosos neste país é vítima de violência. Num concelho envelhecido como o nosso, as estatísticas devem superar-se. Talvez haja respostas, amanhã, nesse seminário organizado em conjunto pelo Município de Pombal e pela APEPI, que lidera o Projecto BASTA, descrito como "intervenção em rede no âmbito da Igualdade de Género e do Combate à Violência de Género com destaque para a violência doméstica, violência no namoro e violência contra idosos".
É verdade que nos últimos dois anos não tivemos grandes notícias de mais este projecto da APEPI, mas até Dezembro deste ano (data em que termina) ainda vamos a tempo. O seminário vem cumprir uma parte desses objectivos, como se impõe nestas coisas. Mas as linhas com que se cosem estas iniciativas em Pombal são sempre de qualidade duvidosa, e o que aconteceu na organização deste seminário é sintomático: a direcção da APEPI - através da presidente, Teresa Silva, convidou a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, para encerrar o seminário. Só que quem manda aqui ainda é a Câmara. E nas primeiras reuniões, através da vereadora Ana Cabral, parecia dar ares de abertura e respeito pela autonomia da APEPI (responsável pelo programa). Ora, como nem tudo o que parece é, não demorou a que a autarquia usasse os mesmos canais de sempre para anunciar taxativamente que se retirava da organização se a associação insistisse no convite. E a APEPI anuiu.
A ironia desta história é muita. Quem vem cá encerrar o evento é o doutor Pinto da Costa (que a organização vai ao Porto buscar), e certamente vão vir charters de televisões atrás dele...dando ao seminário a visibilidade que merece.
A ironia desta história é muita, mas fiquemo-nos pelo nome do projecto que a suporta: BASTA? pelos vistos não.

5 de outubro de 2018

(Des)interesse público

Esta discussão, sobre a atribuição de interesse público municipal a um pedido de legalização de um aviário ilegal, mostra, até ao tutano, duas coisas: primeira, uma classe política que insiste em condenar esta terra à pobreza franciscana; segunda, uma águia que insiste em ensinar perus a voar - uma, duas e três vezes – sem resultados (os perus nunca voarão; e o que não é peru não quer voar - para ele quanto mais rasteiro for o movimento melhor).
Reparem bem como o executivo, e a maioria que o suporta, distorce a realidade e abre caminho à legalização de uma coisa - sanciona-a, na prática - que é a negação do interesse público. É claro que contam com a conivência superior, que perante a declaração de interesse público tende a fechar os olhos para não hostilizar o famigerado poder local; naquela: se gostam da merda que fazem, fiquem com ela!
É assim que este país continua uma choldra, onde a maioria estraga e poucos preservam.

4 de outubro de 2018

Dêem-nos um bocadinho de IRS

Na discussão sobre a fixação da percentagem de IRS a devolver pela câmara, a oposição foi pobrezinha - contentou-se com um bocadinho. O inábil PS fez pior: pôs-se a jeito para ser glosado.
Mas reparem bem na desonestidade e na malvadez presentes na resposta do graçolas D. Diogo ao PS.
E dizia-se o homem constrangido com tragédia da véspera!

Trapalhadas nos transportes escolares

Aldina Pedro (PS) questionou os critérios de concessão dos passes escolares, partindo do caso do seu sobrinho/irmã(!).
Diogo Mateus teve alguma dificuldade em explicar a trapalhada existente com a atribuição dos diferentes tipos de passes escolares, mas foi claro no essencial: todos os alunos do concelho, que frequentem o ensino obrigatório, têm direito a transporte gratuito. O que surpreende deveras é que a sua vereadora Ana Cabral, com os pelouros da Educação e da Acção Social, e os serviços da câmara, desconheçam isso. Na reunião com os pais, sobre este problema, a vereadora Ana Cabral afirmou que o assunto seria reencaminhado para o Gabinete Jurídico. Perguntada se a câmara devolveria o dinheiro, entretanto pago, caso o Gabinete Jurídico considerasse que os alunos têm direito a passe gratuito, teve o desplante afirmar que o que foi pago não seria devolvido.

3 de outubro de 2018

O mundo ao contrário

Diogo Mateus a presentear os funcionários com promoções e melhores retribuições.
A Célia Cavalheiro (BE) a defender contenção da despesa com o pessoal.

2 de outubro de 2018

O caso dos Malhos não foi um deslize, é a praxis

D. Diogo ainda mal tinha acabado de fazer um exercício presunçoso de moralismo cristão, aproveitando a tragédia recente, onde se esqueceu de colocar o espelho à sua frente enquanto falava, quando foi questionado sobre o indigno comportamento do seu vereador no caso dos Malhos.
Um político sensato, coerente, respeitador do outro, demarcava-se do comportamento do seu vereador, justificava-o como uma precipitação momentânea e rematava a coisa com o bom princípio e a boa prática da câmara para estes conflitos. Não o fez. E ficámos a saber – muitos já o sabíamos – que D. Diogo subscreve a acção, que o exemplo veio de cima, e que o pobre vereador agiu mais pelo exemplo do que pela sua consciência. 

Uma andorinha não faz a primavera

Ricardo Ferreira (CDS) continua a mostrar que sabe intervir – tanto na forma como no conteúdo – e consegue acossar Diogo Mateus, levando-o a perder o controlo, a descer de nível e a ter que recorrer a argumentos falsos. Mas o seu número não salva a face do partido, que numa agenda com vinte e tal pontos, só marcou o ponto no período antes da ordem do dia. Com a agravante de o seu cabeça de lista mostrar desconforto claro com o teor da intervenção.

30 de setembro de 2018

Comportamentos persecutórios

Esta discussão sobre persecução, entre duas criaturas com historial de respeito na matéria, diz-nos muito da classe política que tem mandado nesta terra.
No final, ficamos com a sensação que D. Diogo é o mais ajuizado. Estranho, não é?

29 de setembro de 2018

Indignidade completa


O fim é triste. O fim em política é sempre triste, nomeadamente quando se teve uma carreira longa e cheia de sucessos, que não se soube terminar a tempo. Mas não tem que ser indigno.
O fim político de Narciso Mota atingiu aquilo que muitos prognosticaram: o patamar do indigno. Neste destino há muita culpa do próprio (à cabeça as pessoas de que se foi rodeando) e de todos que o rodeiam. Sim, de todos: apoiantes e adversários, amigos e inimigos, os que o afrontam e os que se escondem…
O patamar de baixeza que se atingiu na última reunião do executivo não expõe somente as fraquezas de Narciso Mota e de Diogo Mateus, expõe todos – os que falaram e os/as que se calaram. Expõe, também, uma classe política indigna, sem princípios nem valores - velhaca. Direi mais: o palavrório descontrolado, inconsciente, choca tanto como os silêncios comprometidos, cobardes, manhosos. Porque aquilo não foi um descontrole momentâneo, um baixeza, que qualquer um pode cometer no calor da luta política; aquilo foi indignidade completa e em crescendo. Aquilo foi o grau zero da política, da decência, da dignidade. Como é que aquela dezena de criaturas não se indignou com o que estava a acontecer?
Naquela malfadada reunião, Narciso Mota desbaratou o resto da respeitabilidade que granjeou, e Diogo Mateus perdeu a autoridade moral e política que necessita para exercer o cargo. Os outros são figuras menores que nunca serão maiores, figurantes que se calam e se divertem com a indignidade.

Peixeirada na câmara - part II

Sem mais palavras...

28 de setembro de 2018

Peixeirada na reunião de Câmara: o concurso, a nora, o presidente e o juri dele

Foi um momento deprimente para a vida municipal, o da reunião de Câmara desta manhã. A seguir, só se for o pugilato. Narciso e Diogo trocaram mimos diversos, com acusações mútuas, enquanto o séquito de vereadores assistia de camarote ao espectáculo. Ao final, os da maioria lá murmuraram qualquer coisa. Para memória futura fica aquele momento em que o director de Recursos Humanos (que prazer conhecer esta figura, finalmente, assim na tv) vai à reunião para lavar o seu protesto, jurando a pés juntos que fez tudo dentro da legalidade. 
Senhoras e senhores, este é o Estado a que chegámos.

Ouro olímpico

Depois de várias medalhas nas Olimpíadas Portuguesas de Matemática, de várias Menções Honrosas e uma Medalha de Bronze nas Olimpíadas Internacionais de Matemática (grande feito!), o nosso conterrâneo Pedro Morei­ra Fernandes, aluno do 12º ano da  Escola Básica 2, 3 c/ Secundária da Guia, conquistou, esta semana, uma Medalha de Ouro nas Olimpíadas Ibero-Americanas de Matemática. Um orgulho!

27 de setembro de 2018

Do (infeliz) aproveitamento, II

Quando Diogo Mateus falou aos jornalistas na manhã da tragédia, no local do acidente, parecia todo ele um poço de bom senso. Um repórter de tv perguntava-lhe se era possível assacar responsabilidades à estrada, e ele, prudente, sublinhou antes que os acidentes que ali ocorrem não obedecem a um padrão. Acresce que aquele troço nem é, de todo, aquele em que mais acidentes regista, em comparação com o que liga Pombal a Ansião. 
Mas algumas horas bastaram para que virasse o disco. Numa assembleia em  que exibiu (entre os risos cúmplices com Ana Cabral, enquanto ignorava ostensivamente Ana Gonçalves) toda a sobranceria, parecia falar ao espelho. Ora vejam: 

Do (infeliz) aproveitamento, I

O PS local tem-se comportado como verdadeira oposição, na Assembleia Municipal, mas ao Governo do país. Primeiro foi a propósito dos colégios privados - alinhando no discurso e nas posições da maioria PSD. Agora, um dia depois da tragédia que matou seis jovens num desastre automóvel, saiu-se com uma moção pela rápida requalificação do IC8. João Coucelo (PSD) ainda avisou que não era de bom tom "colar" uma coisa à outra. Mas Carlos Lopes (PS) insistiu nessa ideia peregrina. Bem pode o líder da bancada sublinhar uma e outra vez que "o PS não fez, não faz, nem fará qualquer tipo de aproveitamento político de tragédias", que aos olhos de quem assiste a esta inusitada proposta, soa ao seu contrário. É claro que neste jogo do bem-parecer, quase todos os deputados foram votar uma moção que ali chegou em cima da hora, e que nunca ali chegaria naqueles termos se não tivesse ocorrido um acidente no IC8, na véspera - em circunstâncias ainda por apurar, e que podem nada ter a ver com a estrada. Paradoxalmente, foi José Gomes Fernandes (PSD) o único a levantar a questão certa: não misturar assuntos políticos com sentimentos.


26 de setembro de 2018

Os substitutos


A bancada do PS na Assembleia Municipal está reduzida a quatro elementos, desde as últimas eleições autárquicas: Célio Fernandes, Carlos Lopes, Patrícia Carvalho e Manuel da Mariana. Mas ao longo deste ano que passou, já se percebeu que há quem faça tábua rasa da confiança dos eleitores. Já houve quem não fosse e nem sequer avisasse o partido. E ontem foi o que se viu. Estava difícil encontrar substitutos. 

22 de setembro de 2018

Vira o disco e toca o mesmo






A CMP deliberou, por unanimidade, atribuir um subsídio à Associação Cultural e Recreativa Sicoense, no valor de 800,00 €, para a organização de um passeio TT (na serra e arredores)!

19 de setembro de 2018

Incoerências no trânsito

A câmara requalificou(?) a EM237, entre o Alto do Cabaço e o Barco: passeios, ciclovia, estreitamento da via, muitas lombas e passadeiras. Finalidade: devolver espaço às pessoas e reduzir/limitar a circulação automóvel. No entanto, os camiões - nomeadamente os das pedreiras - continuam a poder usar a via, apesar de existir uma via alternativa próxima. Alguém compreende isto?

18 de setembro de 2018

O ovo de Colombo segundo Pedro Pimpão



Sou muito fã desta hiperactividade da Junta de Freguesia de Pombal, uma espécie de sempre-em-festa que contrasta com o incenso e mirra da Câmara Municipal. É verdade que a malta se queixa dos passeios por limpar, das coisas simples e básicas por resolver, mas não se pode ter tudo. 
Ou será que pode?
No fim de semana passado estávamos desfalcados de eventos. Então a Junta mobilizou os seus recursos para o "1º Festival do Ovo" na Estrada, organizado pela ADERCE - uma coisa mal-amanhada cujo ponto alto foi o baile com o organista Graciano Ricardo, que também faz parte da tal "Junta que nos junta". As fotos mostram a realidade como ela é: notável e extraordinária, como diz Pimpão. Não mostram, porém, aquilo que é mais impressionante naquela colectividade, protótipo do que foram os anos sem rei nem roque de Narciso Mota a distribuir dinheiro pelas colectividades, independentemente da actividade que tivessem. Por isso isto do ovo tem um lado bom, sim senhor.
A Junta fez tudo o que pôde, mas não bastou para o sucesso da iniciativa. Porém, foi mais um passo nessa travessia de Pedro Pimpão, qual ovo de colombo. 


10 de setembro de 2018

Centro Escolar das Meirinhas - Obra Torta

O Centro de Educação das Meirinhas, adjudicado em Julho de 2016, com prazo de execução de 450 dias, está neste estado! Não vai abrir no início do ano escolar, como era exigível. A data de abertura foi adiada para o próximo ano.
O empreiteiro deixou atrasar a obra, não comunicou o incumprimento nem pediu formalmente o prolongamento do prazo (afirmou o presidente da câmara na ultima reunião do executivo). Não se sabe se a câmara sabia do atraso - a câmara não acompanha nem fiscaliza as obras devidamente. Mais: o presidente da câmara acha que não compete a esta controlar/acompanhar o planeamento da execução das obras. Irresponsabilidade. Em parte, estão explicados os sistemáticos incumprimentos dos prazos.
Mas há dúvidas que persistem:
  1. Que tipo de relação existe entre a câmara e os empreiteiros que os leva a estarem-se nas tintas para a câmara (que é o cliente)?
  2. Porque é que a câmara – que paga bem – não é exigente com os empreiteiros?
PS: O resto – que é muito – fica para outra ocasião: negócio do terreno, localização, etc.

8 de setembro de 2018

A Anabela voltou a falar

Para perguntar ao Sr. Presidente se podia votar…
Ainda não explicaram à senhora que há perguntas que não se fazem; e que ela está lá para falar, não para votar (o seu voto não conta para nada)?!


6 de setembro de 2018

O mundo ao contrário

Em Democracia, o debate político faz-se, normalmente, com a oposição a criticar/atacar o poder, e o poder a defender-se.
Em Pombal, é ao contrário: a oposição é colaboracionista; e, mesmo assim, o poder bate-lhe sem dó; e ela amocha!

5 de setembro de 2018

Quando a bengala é falsa


A vereadora Odete expôs bem a intervenção que levava preparada sobre o plano da Área de Regeneração Urbana de Pombal. Teria feito boa figura se do outro lado o adversário não lhe tivesse detectado os pontos fracos. Cometeu dois básicos: basear-se em pressupostos falsos e concluir mal (ou não concluir) – um chega para destruir qualquer argumentação.
A vereadora Odete apoiou toda a sua argumentação num erro cometido pelos autores do plano, que apontavam, numa tal análise SWOT, as três grandes vias que atravessam Pombal - Rio Arunca, Linha do Norte e Estrada Nacional - como pontos fracos da cidade (os doutores, os engenheiros e os arquitectos gostam de embelezar/estragar os seus trabalhos com coisas que não dominam e não são aplicáveis aos seus estudos – manias tolas). No final, cometeu outro erro imperdoável: não concluiu - limitou-se a afirmar que faria diferente, e absteve-se.
Resultado: o adversário deu-lhe forte nos pontos fracos; levou-a ao tapete.


Narciso sobre regeneração urbana


Um plano de regeneração urbana é um documento muito importante, que pode e deve mudar uma cidade.
Ora ouçam o que um ex-presidente da câmara, com 20 anos de presidência, tem a dizer sobre o assunto.


Fora da ordem-do-dia

Antes de começar a falar, Narciso Mota avisou logo que gastaria pouco tempo, e cumpriu: gastou (só) dezasseis minutos, nos quais, apoiado nos títulos dos jornais e no seu conhecimento da realidade, discorreu, com a clareza e a profundidade conhecidas, sobre os mais diversos assuntos, desde a gestão de obras – de que é um reconhecido “especialista” – até teoria política, nomeadamente a dictomia esquerda direita.
Pelo meio, ainda teve tempo para dar uma reprimenda ao seu delfim, que insiste em criticar o incumprimento dos prazos das obras.

4 de setembro de 2018

Discurso de charlatão

O charlatão, nomeadamente o político charlatão, tem uma inclinação enorme para o autoelogio, para querer mostrar o que não é. Apoia-se regularmente nos seus supostos “mestres” e em estudos que desconhece ou não existem sequer. O eleitor topa-os bem e tolera-os; mas quando as falácias atingem o domínio do risível, é demais.
Vem isto a propósito de uma intervenção do vereador Michael sobre os feitos do poder local, e da sua altíssima eficiência – credo: o Michael a falar de eficiência! Afirmou ele - sem se rir - que “sempre ouviu dizer, nomeadamente aqui ao ex-presidente da câmara, que um euro - um cêntimo - é muito melhor gerido por uma autarquia do que pela administração central, isso está provado por números e dados estatísticos, porque as câmaras com 1,5%, ou não chega a 2%, do orçamento do Estado conseguem produzir 30% ou mais do PIB”.
Só uma criatura profundamente ignorante na matéria ou altamente desonesta pode fazer uma afirmação destas publicamente sem se envergonhar. Mas mais: para dar alguma credibilidade à falácia, referiu dados e números estatísticos que o provam; sem nunca os ter visto porque, simplesmente, não existem. Estamos claramente na presença do típico charlatão político que se disfarça com máscara de sábio e que tenta fazer de uma mosca um elefante, mas da matéria - multiplicadores da Economia - nada conhece,  nem uma vaga noção da escala tem; e de estatística não deve conhecer mais do que o termo. Risível.
Já na época dos sofistas, os gregos diziam: “o macaco é sempre macaco, mesmo vestido de púrpura”. Tal como o papagaio é sempre papagaio, mesmo que saiba falar línguas.

3 de setembro de 2018

Vamos à festa

Houve festa em Albergaria dos Doze. Como festa pede inaugurações, e inaugurações pedem obras, fazem-se obras. Foi assim durante muitas décadas. E foi também por isso que estamos como estamos, que temos por aí muito elefante branco e muito mono abandonado. Foi assim, mas já não é! Agora basta ter meia obra, ou a obra iniciada. 
Ora vejam o estado em que foram inauguradas as obras de regeneração urbana(?) de Albergaria dos Doze – filmado ontem.
Mais: durante as festas esconderam a coisa, e o presidente da junta teve a lata de se gabar, no discurso de inauguração, que este ano tinham assegurado dois palcos, quando um deles foi a forma improvisada que arranjaram para esconder a obra inacabada.
Perdeu-se o respeito pela lei, e pelos contribuintes que pagam estes desmandos.


Cerimónia do Beija-mão

A entrega de uns prémios monetários aos participantes na Corrida do Bodo, no início da reunião do executivo com transmissão em directo, um mês depois do evento, levou ao povo a representação de um velho ritual monárquico: a tétrica cerimónia do beija-mão.
Bonito. Tão bonito que até a oposição, sempre colaboracionista, aprovou e aplaudiu.