31 de outubro de 2020

D. Diogo enrola-os todos

O vereador Pedro Brilhante resolveu levar à reunião do executivo o polémico investimento do Grupo Lusiaves, na Zona Industrial da Guia. Pegou na questão pelo lado da hasta pública, e fundamentalmente pelo preço do terreno.

A hasta pública poderá padecer de vários vícios; não parece que o preço do terreno seja um deles. Em política não basta ter informação e argumentos – coisas muito importantes. É indispensável que eles sejam consistentes e se possua a legitimidade para os apresentar e os defender.

Oferecido o flanco, D. Diogo, sempre cinco passos além na retórica, na astúcia e a na arte de enrolar os incautos, arrasou o vereador contestatário, apontando-lhe um “retardamento na reflexão”, responsável pelas suas posições contraditórias. E aproveitou ainda para “excomungar” os contestatários do Oeste, do seu partido, apelidando-os de malfeitores do reino.

Nas matérias da gestão autárquica propriamente dita, D. Diogo enrola-os todos e ainda xinga deles. Uns porque talvez possuam um retardamento na reflexão, outros(as) porque nem sequer reflectem.


25 de outubro de 2020

A Saga Varela

Ao fim de anos de avanços e recuos sobre o que fazer da Casa Varela, a Câmara Municipal de Pombal (CMP) apresentou, em Agosto deste ano, o seu Director Artístico. Seria de esperar que, para além da circunstância do nome, algo mais fosse dito aos pombalenses. E a  verdade é que foi, mas tudo passou nas entrelinhas.

O que há sabíamos.

1. A Casa Varela foi adquirida pela CMP sem que esta tivesse definido para ela qualquer programa. Com o menino nos braços, havia que dar um destino à coisa para poder justificar aos eleitores a pertinência de compra. E foram várias as propostas apresentadas: uma escola de artes e ofícios, um espaço para albergar uma loja do cidadão ou serviços municipais, um restaurante, um hostel, um espaço de co-working, um gabinete de apoio ao emprego e ao empregador. 

2. Depois de uma reunião com os artistas locais em 2014 (já lá vão 6 anos; o Daniel Abrunheiro e o José Gomes Fernandes ainda escreviam no Farpas!), ficou no ar a ideia (ver aqui, aqui, aqui e aqui) de que a CMP pretendia destinar o local a uma casa das artes. 

3. Em Janeiro, numa reunião camarária, foi assumido que a Casa Varela seria "um espaço de promoção e criação artística, performance e exposições" que "pretende abranger áreas culturais diversificadas, como a música, artes cénicas, pintura, escultura entre outras formas de arte, promovendo também trabalhos de experimentação e residências artísticas". Em coerência com essa proposta, a CMP decidiu abandonar a ideia do restaurante, optando por construir, no piso -1 do edifício, uma sala de ensaios numa tipologia de open-space, que também poderia ser destinada a exercícios performativos e espectáculos intimistas. 

O que ficámos a saber

1. A grande novidade foi a escolha de Filipe Eusébio como Director Artístico da Casa Varela. O Filipe é uma pessoa dinâmica, com muita experiência na área teatral e com fortes ligações aos agentes culturais de Pombal. A sua escolha tem todos os ingredientes para agradar aos nossos artistas e, pessoalmente, desejo-lhe o maior sucesso nas suas novas funções.

2. O cargo de Director Artístico da Casa Varela é um cargo de confiança política. Se assim não fosse, não haveria razão para as suas funções terminarem nas eleições. Este facto compromete a autonomia de Filipe Eusébio, deixando-o refém dos humores do Presidente da Câmara.

3. Em declarações ao Jornal de Leiria, Diogo Mateus garantiu que no próximo Orçamento Municipal será contemplada uma verba de investimento e funcionamento anual, mas que, "num futuro a médio prazo, entre as várias possibilidades de modelo económico em estudo, está uma “fundação com pernas para andar”, com apoio mecenático, da comunidade e também da autarquia". Aqui está está uma belíssima forma de não se dizer nada! Mas, se atentarmos bem, o que Diogo Mateus nos quer dizer é que, da Autarquia, a Casa Varela apenas irá ter orçamento para funcionamento e pouco mais, remetendo para um "futuro a médio prazo" um modelo económico que viabilize a infra-estrutura.

O que gostaríamos de saber (e a nossa imprensa não pergunta)

1. A conferência de imprensa de apresentação de Filipe Eusébio foi totalmente dominada por Diogo Mateus. Esta opção deixa transparecer algo que merecia ser esmiuçado: o projecto artístico é da autoria do Presidente da Câmara ou do novo Director Artístico? Qual o contributo de pessoas como André Varandas (indignamente descartado pela Autarquia já depois da referida reunião de Janeiro) na elaboração do referido projecto? 

2. Qual o modelo de gestão da Casa Varela? Qual a autonomia do seu Director Artístico (já sabemos que é pouca)? Será que todas as suas decisões terão que ser ratificadas pela vereação? 

3. Será que a CMP, que já possui espaços como o Celeiro do Marquês, o Teatro-Cine, a Biblioteca Municipal, entre outros, necessitava de adquirir mais um edifício para cumprir as funções atribuídas à Casa Varela? Se a resposta é sim, como gostaria, subsiste a dúvida: qual a estratégia municipal para a cultura que permita dinamizar todas estas infra-estruturas? Qual o papel que a Autarquia reservou para os artistas no meio disto tudo: dinamizadores autónomos ou utentes subservientes?

14 de outubro de 2020

Pobre Câmara rica

                                             foto: Terras de Sicó

As notícias municipais dão conta de que a Câmara vai comprar (ou já comprou?) um terreno na Redinha, pela módica quantia de 98.504 euros, onde a Santa Casa da Misericórdia  local pretende construir uma ERPI (Estrutura Residencial Para Idosos), a designação pomposa que agora se dá aos lares, quando albergam um três-em-um - concentram-se ali as valências de Centro de Dia e Apoio Domiciliário.

Não está em causa a necessidade premente do sector público ou privado encontrar soluções que respondam à procura da população de uma determinada freguesia, mesmo quando há aqui algumas pequenas nuances, na Redinha: o atual provedor da Santa Casa da Redinha já foi, em tempo, candidato pelo PS à junta local (converteu-se a tempo, para o PSD) e o presidente da Junta está há muito rendido ao poder e à maioria vigente. Aliás, não se percebe por que razão o PS ainda não lhe retirou a confiança política, pois que vota sistematicamente contra o partido que lhe suportou duas candidaturas, ignorando-o descaradamente. Mas adiante.

O que está em causa é a Câmara gastar quase 100 milenas num terreno. Num terreno na Redinha. Junto às escolas de salas vazias e ou fechadas - como é o caso do Colégio Cidade Roda. Ora, aqui cola-se outra particularidade: é voz corrente que o próximo destino daquele edifício bem poderia ser...uma residência para idosos. 

Por último, sobra uma dúvida: o que aconteceu ao benemérito que há anos oferecera um terreno para construir um Lar da Santa Casa na Redinha?

Ficamos todos descansados com a limpidez deste processo, e com a certeza que a Câmara dá: "O Executivo Municipal considera que o envelhecimento é o segundo eixo de intervenção prioritário definido no Plano de Desenvolvimento Social do Concelho de Pombal, sendo objetivo de até 2021 apoiar medidas para o desenvolvimento ativo e saudável no concelho, garantindo os recursos e respostas necessárias à proteção da população sénior". Em residências, portanto.

Agora que sabemos do segundo eixo, só nos falta saber do primeiro. 

12 de outubro de 2020

Foto da semana

 Uma equipa de acção, empática e de pensamento!


PS: a câmara é boa: captou tudo com grande clareza - radiografou.


9 de outubro de 2020

O esvoaçar dos querubins

A Política já foi vista - na Grécia Antiga - como a mais importante das artes humanas, capaz de proporcionar às pessoas os mais elevados de todos os bens - o bem-comum e a ordem pública. Na época absolutista transmudou para a arte de capturar e preservar o poder. E na democracia passou a ser a arte de captar em proveito próprio a paixão dos outros. Mas até neste propósito se tornou desprezível.

Se a Política se tornou fastidiosa, o dirigente político tornou-se insuportável. E abaixo, bem abaixo, do dirigente político está o dirigente partidário, uns querubins que esvoaçam a toda a hora no éter, saracoteando poses e lantejoulas; criaturas de que não se conhece ideia ou pensamento, nem mesmo sabem para que serve a política, mas julgam que basta estar para ser (político).

Há fenómenos, como disse Pessoa, nos quais faz grande diferença se os encaramos de cima ou de baixo. A prostituição é claramente um deles. E a política - que se lhe assemelha, tanto nos esquemas como nos termos - é outro. Mas entre o (dirigente) político que nos quer (mas não nos sabe) comprar, amemos a prostituta que quer que a compremos, porque esta ama, ao menos, o comprarmo-la. 

7 de outubro de 2020

O Cartão

Parece que brevemente teremos constituída uma Comissão de Utentes do ACES Pinhal Litoral. Achei a iniciativa muito positiva. Eis quando soube que, esta comissão, estava a ser feita por convite por um “alto” responsável politico da Câmara Municipal, e encabeçada por um enfermeiro (Hummm!!!!).

Então soube ainda que, os tais convites, são estrategicamente feitos ou a simpatizantes, ou a militantes do PSD (Hummmmmmmmm!!!!).

E eu cá pensei p’ra mim: mas eu achava que para pertencer a uma Comissão de utentes o cartão que contava era o do SNS!!!

Olhem! eu tenho esse cartão (o de utente), e pertenço à UCSP do Vale do Arunca. Estou também à espera do convite (espera lá, mas é preciso convite para pertencer a uma comissão de utentes? Ó pá já não percebo nada disto).

2 de outubro de 2020

A pedra é o que mais ordena

Henrique Falcão levou à AM a maior aberração rodoviária na cidade: os camiões das pedreiras que circulam por dentro da cidade - quando podem usar facilmente o IC8.

Levantei o problema, aqui, há dois anos; com forte contraditório do pessoal que vive do negócio da pedra.

De lá para cá, tudo na mesma - o negócio da pedra é o que mais ordena.

Pois é, presidente, o problema é no terreno.

E de onde menos se esperava…

 Saiu uma boa intervenção, do Marco Carreira (substituto do presidente da UFIGMM na AM), clara, responsável e responsabilizante, contra a política do facto consumado.

Bem pode o presidente da câmara zurzir nos seus companheiros de partido, que não os cala nem os trava. Porquê? Porque o caso toca-lhes muito; e as posições estão extremadas, entre os que fazem a porcaria, e os que a cheiram.

30 de setembro de 2020

Os amigos (e os inimigos) do Rio Arunca


Um grupo de cidadãos está a organizar-se para defender o rio Arunca, assumindo uma importante faceta da sociedade civil.

No tempo em que os jornais e as rádios tinham gente a trabalhar e verdadeira independência, essa seria a notícia - e a nota de imprensa da câmara ocuparia o lugar que merece: uma breve, tanto mais quando o anúncio do prolongamento do corredor ribeirinho deveria fazer corar de vergonha o executivo de Diogo Mateus: andamos nisto há quantos anos, mesmo? Há quantos programas eleitorais enchemos chouriços com essa promessa, a reboque do tal parque verde? 

Mas num tempo de mundo ao contrário, com as Redacções depauperadas e o jeito que dá ter a papa feita, qualquer texto-propaganda ganha terreno ao valor-notícia. E por isso a "carta aberta dos Amigos do Arunca" - enviada aos órgãos de comunicação local e regional, não encontrou eco na imprensa escrita aqui do burgo. Uma busca rápida encontra-a aqui, no Região de Leiria, e aqui, na Rádio Clube de Pombal. Há ainda registos de uma entrevista de alguns dos Amigos do Arunca na Rádio Cardal.

Muito estranhei não ver o nosso Pedro Pimpão dar as boas-vindas ao novo movimento nas suas redes sociais. Também ele foi (quase) lesto a divulgar a propaganda municipal na página da Junta de Freguesia. 

Mas nada me surpreendeu que a "resposta" à carta aberta dos amigos do Arunca, por parte da Câmara, fosse um comunicado. Mesmo que o comunicador não saiba que a localidade se chama Flandes e não Frandres, e que seja citado um projectista secreto. 

Esta tarde reúne a Assembleia Municipal. Espero para ver quem é que se chega à frente com o tema. Ah, espera, estão lá representados dois fervorosos ambientalistas: Diogo Mateus, o próprio presidente da Câmara, e José Gomes Fernandes, indefectível membro da bancada do PSD. Afinal, foram eles os fundadores da Aurora, a última associação ambiental que nasceu e morreu à beira do Arunca. Bem que podiam voltar ao activo e dar uma mãozinha a este novo movimento. 

*foto desta manhã, 30 de setembro, com a bela da espuma dos dias

29 de setembro de 2020

Filho de pai incógnito

Seria completamente inadmissível que o Estado se colocasse à parte nas decisões sobre a família e permitisse que milhares de crianças crescessem sem saberem quem era o pai.

Infelizmente, a lei não eliminou a existência de registos de crianças com pai incógnito ainda hoje. Em muitos dos casos são as próprias mães que se recusam a indicar quem é o pai. Todos concordamos que é um direito da criança e isso é inadmissível.

E é aí que o Estado intervém para garantir que o superior interesse da criança seja salvaguardado.

Para garantir que as responsabilidades parentais sejam cumpridas, logo à partida, como provedor, e para que a criança não cresça com o trauma permanente da ignorância ou ausência! A criança não tem culpa se foi uma relação fora do matrimónio, uma relação casual ou porque são de status diferentes... ou pior... que isso possa ser considerado aceitável para alguns...

Olhando para trás, houve vozes contra essa alteração em 1977. “E se fosse de mútuo acordo?” Hoje isso não nos passa pela cabeça, mas foi real...

Da mesma forma que daqui a alguns anos alguém olhará com estranheza para este cenário: como meia dúzia de pessoas defendeu que é normal a existência de um quadro legal que permita uma ausência de um dos progenitores...

... Porque é preciso analisar, é preciso fazer testes psicotécnicos ou de capacidades parentais (porque para ter filhos não é preciso), que se avalie se talvez, eventualmente, ou se pergunte se o pai ou mãe é violento, se existem acusações falsas (sem depois penalizar quem inventa tais atrocidades)...

É isto que significa dizer “cada caso é um caso”...

E no meio disto tudo passaram, pelo menos, dois anos... nos tribunais, nas audiências técnicas, nos institutos de medicina legal, em reuniões, nas esquadras, nos psicólogos, nas baixas...

Perdem-se vínculos entre pais/mães e os filhos.

Hoje é inequívoco na comunidade científica o impacto nefasto no desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças (principalmente nos rapazes) da ausência de um dos progenitores e como isso elimina oportunidades para o seu futuro!

O que aconteceu estes dias na Assembleia da República foi terrível.

- O PS, que transportou esta bandeira durante anos, mudou assim de repente de posicionamento e fez a panelinha com o PSD que defendia o regime preferencial na anterior legislatura (sim estamos com necessidade de aprovar o orçamento);

- Os partidos que apoiavam esta medida: PAN, BE, IL, PEV e abstenção do PCP ficam incrédulos em como se mudou de posição de forma tão leviana (sem qualquer necessidade) em algo de tão grande importância.

Este é mais um exemplo (neste caso muito grave) da distância dos políticos em relação à sociedade.

Felizmente, nunca se falou tanto neste tema e a sociedade em geral evoluiu muito de forma orgânica. Hoje, é quase impossível que não seja a primeira opção entre pais que se separam ou nos tribunais.

O legislador não percebeu mas os cidadãos já estão a dar a resposta no dia-a-dia. E quem usa questões tão importantes para interesses próprios ou de grupos e circunstanciais para questões de curto prazo perderá (naturalmente) o apoio daqueles que os elegeram.

 

Meio Riso

 

25 de setembro de 2020

A (corajosa) despedida do Director de Recursos Humanos

Miguel Ribeirinho ficará na história do município de Pombal por várias razões, mas interessa particularmente sublinhar a forma como - nos últimos tempos -  foi capaz de fazer peito aos poderes que dominam no Largo do Cardal. Lá diz o povo que "quem mora no convento é que sabe o que lá vai dentro". Haveremos de saber, todos, um dia destes. 

Impedido de ir falar de viva voz à reunião pública, ao abrigo de uma lei qualquer, enviou uma intervenção gravada, que vale a pena ouvir. Isto é o que fazem as pessoas educadas.

24 de setembro de 2020

Um Flop há muito anunciado

A aquisição pela câmara de um terreno florestal, junto ao Parque Industrial Manuel da Mota, por 10 €/m2, foi sempre um negócio muito mal explicado. Na altura, Manuel Barros (NMPH) levantou muitas dúvidas sobre o negócio e foi muito atacado pelo presidente da câmara. Terminou as suas intervenções com um “vamos ver onde é que isto vai parar”. Abortou – como tinha que ser.

Agora, Narciso Mota, profundo conhecedor deste tipo de negócios e dos intervenientes, afirmou, com toda a veemência, que isto é um caso de polícia.

Chamem a polícia.


23 de setembro de 2020

Jornais e partidos e comer gelados com a testa

Depois do episódio do destacável do Oeste com o logótipo do Núcleo Oeste do PSD (que seria ilegal) agora volta a usar a mesma reportagem incluindo a mesma imagem e é publicada no mesmo jornal como se tudo fosse normal.

- A União de Freguesias e o seu presidente estiveram bem e não colaboraram nesta farsa e romper  os laços cordiais com este jornal.

- Diogo Mateus esteve bem ao não autorizar a publicação da sua entrevista, independentemente deste núcleo fazer parte da sua família política (ou talvez não)

- Rui Acácio, responsável do PSD no oeste, esteve muito mal na forma, o que releva para segundo plano o conteúdo que porventura tivesse - e tenta enganar a população


O Pombal Jornal perde a independência (se é que a tinha) e fica colado a um dos partidos nas próximas eleições. Onde estarão agora os órgãos de comunicação social local que permitam informar de forma imparcial e transparente? Quem nos acode?

 

Concurso político

A política local está transformada num “concurso” político geral. Na última reunião do executivo, dois paladinos da isenção, da independência e da transparência digladiaram-se por causa da admissão da irmã da vereadora.

O que nós vamos sabendo…


22 de setembro de 2020

Excepcional, Odete

Na primeira reunião do executivo depois de anunciar publicamente a sua candidatura à Câmara de Pombal (encabeçando a lista do PS, supostamente adversária do poder), Odete Alves conseguiu surpreender-me: o tom da sua intervenção foi mais caloroso e fofinho do que é habitual.

Neste excerto da sua excepcional intervenção - em que parece concorrer ao prémio Pedro Pimpão, na categoria 'notável e extraordinário' - Odete só encontra uma pequena nódoa na toalha de linho que é, na sua óptica, o início deste ano lectivo: os transportes. Não sei se está a falar das crianças que vêm da Redinha ou de Abiul no autocarro das 6h50 para almoçar às 11 e ter aulas às 12h40. Mas pode ser. 

Acresce aqui um dado importante neste início de ano lectivo em que "as nossas crianças e jovens" entraram na escola com a tranquilidade dos contos de fadas: Odete Alves é, ainda, vice-presidente da Associação de Pais de Pombal. Foi um caminho que começámos juntas, há anos, mas que eu deixei quando percebi os interesses paralelos que ali se tinham instalado - em que a cereja no topo do bolo é um projecto que tem a Câmara como parceiro, sugando praticamente toda a energia, e deixando quase nenhum espaço para os problemas que afligem os pais no dia a dia da escola. Mas o que é que isso interessa, quando o Dia da Educação é excepcional, as intervenções excepcionais, e está tudo bem?

Desculpas aceites, Odete. 


O notável Homo Erectus

 

O Homo Erectus é um ilustre ancestral do Homem Moderno que viveu há cerca 1,5 milhões de anos. Julga-se que terá sido o primeiro hominídeo a viver em grupo de forma organizada.

Ao contrário do Homo Erectus que já percebia as regras básicas da vivência em sociedade, alguns mamíferos dos dias de hoje, que apenas por ostentarem uma postura erecta e serem portadores de smartphone, os podemos classificar como humanos, insistem em não as entender.

21 de setembro de 2020

Novelo

 

O titubeante regresso às aulas voltou a lembrar-nos de que as revisões do PDM, os PEDU´s, os estudos e os lampejos intermitentes em tornar Pombal numa cidade ciclável, não foram suficientes para mitigar a excessiva concentração de trânsito no centro da cidade nas horas de ponta.

Será legítimo questionarmo-nos se esta situação se mantêm por simples inépcia dos decisores ou para, propositadamente, induzir-nos uma percepção artificial de que vivemos numa “grande cidade”.

Mais um Flop

O doutor Mateus começou a reunião do executivo anunciado que tinha decidido terminar a comissão de serviço do director de Recursos Humanos - alvo de processos disciplinares e suspenso durante seis meses! E com a lábia e a manha que lhe reconhecemos, apresentou a decisão como um exemplo de correcção, de respeito pela lei e pelo visado, e sem ónus para a câmara.

O doutor Mateus conseguiu ao longo de muitos anos, como número dois da câmara e com a manha que se lhe conhece (por contraponto com o numero um), passar a ideia do político competente. Mas bastou expor-se mais um bocado e passar a ser escrutinado como deve ser, para se perceber que é um gigante com pés de barro, um poderoso fraco, marcado pelo odioso e pela inveja, que obedece aos instintos, diminuindo os outros para se elevar. 

Nos últimos tempos entrou em desnorte, não acerta uma. É de tal forma incompetente que, com quase 30 anos de câmara e o apoio(?) jurídico dos serviços e do gabinete de advogados avençado, avançou para um processo disciplinar que não consegui meter a andar quanto mais terminar; e, pensando que tinha aprendido alguma coisa com o primeiro, avançou para um segundo, sobre o mesmo visado, que também não conseguiu terminar. Pelo meio, cometeu tanta irregularidade processual e material que obrigará a câmara a responder em vários processos judiciais.

Derrotado, agarrou-se a uma saída airosa: terminar a comissão de serviço do visado - algo que só depende do presidente da câmara. Mas como é verdadeiramente incompetente, e convencido (pensa que sabe mas não sabe), até aqui meteu os pés-pelas-mãos, e veio agora, ali, na reunião de câmara, tentar mostrar que fez as coisas bem. 

A mentira tem perna curta; por isso, como bem diz o povo, apanha-se mais depressa um mentiroso que um coxo.


18 de setembro de 2020

Contra a má-fé e a ignorância – um contributo para a cidadania

O ambiente sociopolítico local está demasiado crispado e assiste-se a uma crescente judicialização da política, que não traz nada de bom à comunidade, à política e à justiça.

Esta paranoia litigante assenta em duas causas principais: ignorância e má-fé. Se a ignorância natural (de quem não teve acesso à instrução) é perfeitamente desculpável, não o são a ignorância desnatural e a má-fé.

O foco principal da litigância sociopolítica tem girado em torno de dois valores fundamentais: o direito ao bom nome e reputação e o direito à palavra e à liberdade de expressão, ambos consagrados na CRP. São direitos naturalmente conflituantes. No entanto, o TEDH considera que a liberdade de expressão não cede perante o direito à honra, nomeadamente quando não atingiu a esfera íntima dos visados, atingindo apenas a parte da mesma com exposição pública e social.

Daí que, no processo de que fui alvo, interposto pelo doutor coiso, por ter sido visado – difamado no dizer dele - neste post, o Tribunal tenha considerado que “no caso dos autos, o arguido fez uma publicação num blogue cujo nome não deixa dúvidas interpretativas: Farpas Pombalinas. Está evidentemente em causa um blogue crítico, polemista e satírico, centrado na actividade do concelho de Pombal e, como não pode deixar de ser, na actuação dos titulares de cargos camarários. O assistente é um vereador municipal, obviamente notório nesse contexto local, movendo-se na arena política. A acusação considera difamatória a imputação pelo arguido ao assistente dos epítetos “político charlatão” e “típico político charlatão”. Mesmo sem o contexto do restante texto da publicação, trata-se de juízo de valor que não tem um potencial ofensivo particularmente alto, não se pondo em causa, evidentemente, que seja ofensivo para a generalidade das pessoas colocadas na situação do assistente. Mas este último é um vereador, move-se em áreas da política local, naturalmente sujeitas a crítica e escrutínio nesse âmbito, muitas vezes com recurso a linguagem muito mais contundente e ácida que a empregue pelo arguido. A publicação da autoria do arguido refere o contexto da imputação, trata de concreta intervenção pública do assistente na sua veste de vereador, criticando essa concreta afirmação, ainda que extrapolando por vezes para outras actuações ou afirmações do assistente enquanto vereador que para o arguido são falaciosas e sofistas”.

O tribunal considerou ainda que “a crítica não tem que ser justa ou educada e pode ser ofensiva sem ser criminalmente típica. A questão é que, como acima se disse, não se pode negar a contribuição da publicação do arguido para o debate de interesse geral”.

Depois de assumir todas as afirmações proferidas, expliquei ao Tribunal que no post houve a simples preocupação de mostrar e explicar à comunidade como é que um político sofista pode recorrer à mais abjeta demagogia para arvorar sapiência em matérias complexas que decididamente não domina nem faz a mínima ideia do que está a dizer.

Reafirmei que o post não procurou, em nenhum momento e de nenhuma forma, ofender a honra, a reputação e a consideração do assistente, mas tão só caracterizar o seu discurso nesta matéria (multiplicadores do investimento público). E que “a haver diminuição da honra, da reputação e da consideração do assistente foi o próprio que a praticou, atendendo ao ridículo e absurdo das afirmações por si proferidas.

Fez-se justiça.