O PSD local – Pedro Pimpão – resolveu fazer uns Webinar a que resolveu chamar ADN236. Pela amostra, o ADN é fraco. Tão fraco que o primeiro, sobre “O Conhecimento ao Serviço do Desenvolvimento”, não se pode deixar passar em claro, por aqui.
Que os provincianos de cá não dominem “o Conhecimento”, “o Desenvolvimento” e a relação entre ambos, compreende-se e aceita-se; que Académicos, peritos na matéria, não tenham nada para dizer sobre a temática para além de simples banalidades (orador dixit) mal ataviadas, não…
Que a província - esta - se regule pela pobreza franciscana, aceita-te; da Academia (e afins) espera-se um poucachinho mais.
Imagem da campanha hoje lançada pela Federação Internacional de Jornalistas, apoiada pelo Sindicato dos Jornalistas, onde a igualdade de género tem feito a diferença
As conclusões preliminares de um estudo do Instituto Europeu para a Igualdade de Género revelaram, por estes dias, aquele que cada uma de nós já sabia: as mulheres são as mais afectadas pela pandemia, tanto no trabalho fora de casa como dentro dela. Nos próximos tempos serão vários os estudos que hão-de revelar essa brutal desigualdade, dissecando os dados por área de atividade, por faixa etária e condição social. E cada um deles há-de concluir que, afinal, não estávamos todos no mesmo barco - apenas no mesmo mar.
Para já, este que rasga essa cortina, faz-nos confrontar com a nossa realidade: Portugal é quinto país da UE com maior impacto da pandemia no mercado de trabalho, e as mulheres são claramente mais penalizadas que os homens. E tudo aquilo onde estão em maioria, não é boa notícia: entre o comércio de retalho, o alojamento, as fábricas confecção (veja-se o que está a acontecer no Louriçal, de forma intermitente), as limpezas e os lares de idosos estimam-se 40% dos empregos perdidos por mulheres.
Depois juntamos-lhe o teletrabalho. Navego nessas águas há meia dúzia de anos, e por isso a pandemia só teve o condão de me fazer sentir compreendida pelos camaradas que, de repente, perceberam o drama de manter esticada essa linha invisível entre a vida profissional e familiar. O mesmo estudo mostra que há mais mulheres (45%)do que homens (30%) a trabalhar a partir de casa. Contando que sobre elas recai maioritariamente todo um conjunto de tarefas que as sobrecarregam, algumas também inerentes à pandemia: são mais elas que eles que ficam em casa para acompanhar os filhos menores de 12 anos.
Na minha juventude, quando era cheia de certezas, achava mesmo que este Dia Internacional da Mulher já não fazia sentido. Lembro-.me, amiúde, de uma crónica que escrevi para o saudoso Correio de Pombal, em que me atrevia chamar-lhe "a discriminação em forma de dia". Mas a vida - e a convivência com algumas mulheres de excepção - a profissão e o mundo sindical fizeram-me perceber a importância de continuar a luta, todos os dias, o tanto que está por fazer. Sobretudo de olhar com a mesma atenção a árvore e a floresta. É por isso que sou feminista. Porque quero deixar à minha filha, a todas as da sua geração e às que hão-de vir a determinação de mudar o mundo, mesmo que esse seja um processo sempre envolto em dores de crescimento.
Por estes dias, o meu filho mandou-me uma imagem de um cartaz que ele os companheiros da República desenharam: era uma homenagem à D. Clara, que ali trabalha para manter a salubridade daquele prédio centenário, pouco dado à academia 'coimbrinha' mas muito à boémia (imagino, só, e basta-me). A quem qualquer um deles tem tanto respeito como se fosse mãe. E aquilo comoveu-me. Da mesma maneira que me comovo sempre quando vejo os meus camaradas homens lutarem lado a lado, connosco. Sim, já fizemos muito caminho. Mas como lembrou o Presidente da República numa nota alusiva ao Dia, "os passos já dados para salvaguardar a igualdade na Lei, na Constituição, e na Família, na revisão do Código Civil, na paridade no emprego, nos salários, nos cargos de direção, na política, nas responsabilidades familiares e domésticas, na proteção contra a violência, embora decisivos, não são, porém, ainda suficientes".
Não sou muito adepta dos dias “disto” e “daquilo”, porque
normalmente tende-se a banalizar a data e o significado da mesma.
8 de Março é o Dia Internacional da Mulher.
A ideia de criar este
Dia surgiu nos Estados Unidos e na Europa, no contexto das lutas feministas por
melhores condições de trabalho e pelo direito ao voto (final do sec. XIXe inicio do sec. XX). Não vou alongar-me com
os factos históricos que deram origem a este dia.
Contudo, é notório que muita gente (mulheres incluídas)
ainda não percebeu o que realmente está em causa neste dia. Não são as flores,
os chocolates ou os jantares do mulherio em massa, que ocorrem normalmente
neste Dia que vem dignificar e defender a Mulher. Também não são as “as mesas
redondas” sobre o papel da mulher; a importância da mulher etc. que vêm fazer
grande diferença.
As Mulheres querem apenas aquilo a que têm direito:
respeito, igualdade de oportunidades, equidade salarial!
Este dia simboliza a luta que as mulheres (ainda) têm que
continuar, no seu dia- a -dia, para combater as várias formas de discriminações
que vai sofrendo neste Mundo profundamente dominado pelo sexo masculino. É bom
reflectir também no recente relatório do Instituto Europeu para a Igualdade de
Género, que no âmbito do contexto actual da COVID, concluía a enorme pressão
sobre as mulheres no domínio da conciliação da vida profissional, familiar e
pessoal. As tarefas domésticas, a prestação de cuidados aos filhos e/ou aos
idosos, o desemprego, os horários de trabalho e a violência doméstica, vieram
provar que o impacto da pandemia foi mais forte e incisiva na Mulher!
Há um longo caminho a percorrer, apesar de muito se ter
percorrido, por isso é que não sou muito adepta disto da comemoração dos Dias…
“Hoje é Dia da Mulher, ontem foi Dia da Mulher e Amanhã será
Dia da Mulher…
Enquanto houver dias…enquanto houver Mulheres” Joaquim Pessoa
Depois de uma paragem de QUATRO anos, as obras no Elefante Branco CIMU-SICÓ recomeçaram, com a expansão do
mamarracho e arrastando a serra à volta para junto dele, tentando escondê-lo. A
saga continua; as asneiras avolumam-se.
D. Diogo governou com o
impudente desprezo de tudo o que não fosse ele mesmo. Deixa-nos um legado de feridas profundas: na
paisagem, no urbanismo, e no espírito de muita gente.
O Partido Comunista Português faz hoje 100 anos. Um século! No dia 6 de Março de 2021 (imagem da esquerda), na sede da Associação dos Empregados do Escritório, em Lisboa, realiza-se a assembleia que elege a primeira direcção do partido. Foi o início de uma longa história, sempre ligada à luta pela liberdade e pela democracia, em nome do Manifesto com que se apresentaram ao país em 1921 (imagem da direita).
Foram muitos os pombalenses que derem o corpo a este Manifesto. Relembro alguns deles (uns militantes, outros independentes): Luís Brites, Isabel Pires Machado, Silvino Alves, Fernanda Marques, João do Vale, Maria Luís Brites, António Matias, Catarina Costa, Rui Cavalheiro, Conceição Estanislau, Manuel Rodrigues, Porfírio Malheiro, Maria José Anastácio, Laureno da Silva, Maria de Fátima Varela, Amílcar dos Santos, Adelino Malho, Fausto Alves, Helena Vale, Gilberto de Jesus Rodrigues, Lucinda Botas, Fernando Botas, Carla Matias, Jorge Neves, Vanessa Gonçalves Luís, Adelino Leitão, Evelina Gameiro, José Pereira Resende, Graziela Alves, Manuel da Silva Marques, Natália Sousa Gomes, António Jorge Costa, Lécio Leal, Fernando Gama, Hilário Oliveira, Manuel Hermínio Mendes, Fernando Costa, Fernando Domingues, Egídio Farinha, Alfredo Santos, Joaquim Euzébio, Virgílio Amorim, Hilário Oliveira, para além de toda a minha família.
Pombal e o país precisam hoje, mais do que nunca, de um partido com a matriz e o património do PCP. Um partido de gente séria e corajosa, que assume, sem hesitações, a luta dos mais desfavorecidos. Um partido que recusa a lógica dos "likes" e dos "shares", um partido de trabalho, que luta por uma educação inclusiva, uma cultura emancipatória, que defende a causa pública, a dignificação e as condições de vida na terceira idade, que combate o clientelismo e a corrupção.
Um século passado da sua fundação, o PCP tem que ser capaz de se reinventar. Tem que ser capaz de se apresentar aos cidadãos como uma verdadeira alternativa de poder e, ao mesmo tempo, assumir a defesa dos novos "comuns": as questões subjacentes à ameaça de uma catástrofe ecológica; a herança biogenética; o património artístico cultural e científico da humanidade. Tem que ser capaz de combater as novas forma de segregação social, racial e de género, e dar protagonismo às questões que realmente preocupam as populações. E, em Pombal, não faltam argumentos para sustentar uma nova política social e económica: a questão dos baldios; a defesa da agricultura familiar e da floresta; a promoção dos mercados municipais; a luta para por fim à precariedade laboral; o criar mecanismos para combater a especulação imobiliária; o incentivo à fixação de empresas que tragam valor acrescentado para o concelho.
Os comunistas são, pela sua natureza, pessoas optimistas. Caso contrário, não poderiam pertencer a um partido que a sua a luta como mote. Eu, apesar de não ser filiado (nunca o fui) no PCP, assumo esse optimismo e essa luta. Viva o PCP!
Na última sexta-feira a Câmara aprovou por unanimidade uma proposta da Câmara, recomendando ao governo que alargue a área de influência do Instituto D. João V à freguesia de Almagreira, além da aprovação de abertura de 2 turmas no 5º ano; 2 turmas no 7oº ano e 1 turma no 10º ano de escolaridade neste estabelecimento de ensino particular e cooperativo.
No mesmo dia, a Assembleia Municipal aprovou a referida proposta por maioria, com duas abstenções.
O que ressalta deste servicito público que o poder político está a fazer ao sector privado não é novo. Como o próprio Diogo Mateus referiu, andamos nisto há cinco anos. Foi desde que o Governo teve coragem para por termo ao regabofe que durante anos todos nós andámos a pagar. É certo que há situações de manifesta injustiça pelo país, porque (como sempre) se olhou para a decisão com régua e esquadro, fazendo pagar o justo pelo pecador. Mas foram casos como o do IDJV (ou talvez 'o caso') que levou a cortar o mal pela raiz.
Já aqui contei mais do que uma vez a minha história, (a maneira como fui desviada do ensino público para o ensino privado no Louriçal), e que é a história de tantos. Seria bom que Odete Alves não reproduzisse apenas o canto da sereia que escuta. E que antes de fazer - como nenhum vereador da maioria foi capaz- a defesa da coisa, soubesse da história: O Louriçal é uma economia muito assente no Instituto D. João V? É. Quando o cerco começou a apertar, o grupo GPS não teve qualquer pejo em fazer despedimentos em barda no seu corpo docente. O mesmo que comprou os apartamentos na urbanização construída por uma empresa do grupo e que comprava as viagens na agência do grupo. Foram famílias inteiras, formigas fora do carreiro, de repente.
Odete diz que não tem elementos suficientes para se pronunciar sobre a "falta de visão a longo prazo da tutela, ao nível do ordenamento e gestão da rede escolar" referida na proposta que aprovou e defendeu. Muito estranho. Sei que ao tempo em que era secretária de Estado da Educação, a corajosa Alexandra Leitão lhe fez um desenho, numa reunião em Leiria, na sede do PS.
Ainda julguei que a diretora pedagógica do IDJV daria um ar de sua graça na Assembleia Municipal (para a qual foi eleita nas listas do PS mas é raro lá por os pés), mas isto sem coro da terra não é a mesma coisa, e lá foi (outra vez) substituída.
A vereadora e candidata à Câmara acertou, porém, numa parte da intervenção. Foi quando falou do espólio do IDJV. Agora que a manta está curta, convém salvaguardar o que ainda não foi alvo de espoliação a todos e a cada um.
O PSD local apoiou Narciso Mota durante 20 anos, e tolerava-o por mais 20 se a lei não tivesse mudado, impedindo mais que 3 mandatos, mas não tolera D. Diogo por mais 4 anos.
O PSD nacional não quis Pedro Pimpão na Assembleia da República e, pelos vistos, também não o quer na Câmara de Pombal.
Aqui no Farpas já estranhávamos que a única publicação a validar a candidatura de Pedro Pimpão à Câmara - aprovada por maioria, com uma abstenção, no plenário do PSD realizado sábado passado - fosse uma notícia da Rádio Clube de Pombal (e hoje uma da Pombaltv) amplamente partilhada por vários amigos, familiares e companheiros de partido do Pedro Pimpão. Por parte do partido, nem uma palavra. Por parte do Pedro, nem um sinal - logo ele que fez um discurso daqueles.
Eis que há instantes, durante a apresentação de 100 candidatos do PSD, na sede nacional - ou melhor, daqueles cujo processo de candidatura está fechado, devidamente aprovado pelos órgãos locais, distritais e nacionais - o secretário-geral do partido, José Silvano, respondeu à pergunta de uma jornalista sobre o caso de Pombal. Ficamos então a saber que:
"O presidente da Câmara de Pombal transmitiu-nos que não estaria mais interessado em ser candidato, por isso não consta aqui.
Se ele ainda mudar de opinião, daqui até lá, virá numa próxima vez. Não podemos é tê-lo aqui hoje, pela vontade dele nesta altura de não querer ser mais candidato”.
Não acredito que Diogo volte atrás na decisão que foi levado a tomar. O PSD está a protegê-lo bem, para todos os efeitos. Mas não se percebe como é que uma figura tão consensual como o Pedro não entra directamente para o top dos 23 candidatos "novos" escolhidos e "homologados". Cá estamos à espera das cenas dos próximos capítulos.
Quem é, quem é, o presidente de junta amigo e exemplar (e a equipa maravilha), que tem sempre dinheiro para o folclore e para a propaganda mas não paga o seguro das máquinas (e leva multa)?
Um ponto aparentemente irrelevante – proposta de revogação de transferência financeira para a PMUGest (submetida pela própria empresa) - descambou numa hora de intifada política, sem ordem, sem tino e sem espírito.
Ali, naquela balbúrdia em que há muito se transformaram as reuniões do executivo, já nada se discute, já ninguém ouve, já ninguém pensa. Ali, naquele desvaneio sem grandeza e sem tino, vomitam-se palavras, grita-se, ofende-se. Ali, já todos discorrem às-cegas, com insuportável grosseria, indesculpável ignorância, inexplicável temeridade, sempre com fome de vingança, sejam eles rufiões do espírito, cavaleiros da triste figura, donzelas adulosas ou o destravado assistente.
Sabe-se que a política exacerba os piores instintos, mas até na maledicência se exige nível. E na adulação também.
A reunião já ia longa, cheia de picardias e desaforos. Mas sentia-se que faltava ao doutor coiso - sempre ávido de protagonismo - o seu momento. Na falta de melhor pretexto, utilizou o ponto sobre uma simples reserva de recrutamento, de dois técnicos para a área do saneamento, para arrastar a boneca lustrosa para uma luta na lama.
Resultado: sujou e sujou-se, gratuitamente, de uma forma tão feia e penosa que consternou a alma piedosa que moderava a reunião naquele momento e deu a D. Diogo a possibilidade de sair daquilo como um príncipe.
O canto do cisne é uma crença antiga de que o cisne branco é completamente mudo durante toda a vida mas pode cantar uma bela e triste canção imediatamente antes de morrer. Sabe-se há muito tempo que a crença é falsa – os cisnes brancos não são mudos e não cantam antes de morrer.
Todos sabemos que D. Diogo ouve bem, tem boa memória, e canta ainda melhor. Que tem um discurso politicamente construído, ideológico, mesmo na forma como introduz a tecnicidade, cheio de elementos significantes (a ordem, a fé, o elitismo, etc.), que usa uma retórica vigorosa, habilidosa, muitas vezes falsa, sem materialidade, ora cortês ora agressiva, não como instrumento de persuasão mas de manipulação da opinião pública e dos seus opositores. O seu problema esteve sempre na dose, foi a dose que o matou.
Ontem, nas reuniões do executivo e da AM, D. Diogo exercitou o seu discurso de despedida, um verdadeira representação do canto do cisne, repleto de ironia e sarcasmo, virilidade e altivez, verbosidade e impudência, pretensiosismo e vaidade, digno de quem se considera “o eleito” - ainda não caiu na real.
A jornalista Anabela Silva questionou-o sobre o assunto e finalmente D. Diogo acedeu prestar declarações sobre o "tabu" (não à imprensa da sua terra, que despreza, como tanta coisa), numa manobra que lhe permita dar a ideia de que vai embora por vontade própria e não afugentado pelos seus, pelo seu partido.
Diz ele que “há mais de um ano” transmitiu às estruturas do partido que não pretendia voltar a concorrer à Câmara e que o fez “muito antes das trapalhadas de 2020”, referindo-se às polémicas em que se envolveu com os vereadores Pedro Brilhante e Ana Gonçalves, eleitos pelo PSD, a quem retirou os pelouros. "Trapalhadas" que, no seu entender, "mostraram muita coisa".
As declarações de D. Diogo ao JL acontecem dois dias antes do plenário de militantes do PSD (online), que há-de confirmar Pedro Pimpão como seu sucessor, numa inédita movimentação para lhe retirar o poder. Era preciso ser ele a dizê-lo, para não incorrer na vergonha de ser o partido. Diogo aprendeu a mentir (e a omitir) com naturalidade ao longo dos anos, como bom político. Foi o mais bem preparado de sempre, para o cargo, na nossa história contemporânea. A mesma história que nos tem mostrado como é que isso, só por si, não basta. E por isso conta a versão que lhe convém, para este final infeliz enquanto autarca social-democrata.
É verdade que "as trapalhadas" do ano passado "revelaram muita coisa". E é interessante ter escolhido o termos 'trapalhadas' - não para aludir à mistura da vida pública e privada - mas para nos recordar das acusações sobre o uso indevido de meios públicos em benefício privado.
Apesar de tão bem preparado para o cargo de presidente de Câmara, Diogo sairá de cena por manifesta incapacidade: a de não ter percebido como exercer o cargo em democracia, onde o poder vem de baixo, do povo. E onde há linhas vermelhas (mesmo que ténues e imaginárias) que o povo não gosta de ver pisadas. Sabemos que prefere as monarquias, mas para isso terá de procurar outras paragens.
Nasci numa aldeia onde o colectivo sempre importou. Muito antes de haver uma associação (com estatutos e corpos sociais e tudo o que Abril nos trouxe, no final dos anos 70), o povo já se encontrava para fazer coisas, fosse no largo da capela ou num barracão, numa casa em construção ou numa esquina qualquer. Nasci naquela parte da Moita do Boi que era pertença da freguesia da Mata Mourisca (mais tarde da Guia), mas tinha menos de um ano quando me mudei para esta rua que as fotografias vos mostram. Rua da Guarita, Rua do Campo de Futebol. Metade das casas ali construídas nos últimos 50 anos são da minha imensa família. Cresci ali, à beira de uma estrada de terra batida, onde esfolei os joelhos vezes sem conta, onde no inverno havia uma brincadeira divertida que era não pisar as poças, numa gincana até chegar à estrada principal - também ela ainda de terra batida - e depois à escola. Lembro-me bem do espanto de uma das minhas professoras da primária, que me fez pensar pela primeira vez no que era não ter alcatrão. Foi numa aula de Meio Físico e Social. De modo que me lembro bem do que fomos, enquanto povo, num país desigual. Uma das primeiras lutas do meu pai quando voltou à terra foi essa do alcatrão. Ele e uns amigos andavam de casa em casa, com "os homens da Junta", a convencer os pares a ceder uns centímetros de terra, para que a estrada pudesse servir também para os automóveis. Não foi há 100 anos, foi há menos de 40.
Ao mesmo tempo, o meu pai e esses amigos, e os homens mais velhos e os rapazes novos, erguiam a sede da Associação Desportiva Recreativa e Cultural da Moita do Boi (hoje também de promoção social). Nos tempos livres, organizam-se para os trabalhos de construção. No dia em que foi colocada a "primeira placa", juntaram-se para uma foto de grupo, que lá está, na parede do Bar da Associação, para que ninguém se esqueça de onde veio. E já se sabe, na Moita do Boi tudo começa e acaba na bola. A Associação nasceu a partir de uma equipa de futebol já formada - Os Corsários. Não é por isso de espantar a bravura com que tudo se faz. Só assim se explica que numa aldeia (que não só não é sede de freguesia como é dividida por duas - Guia e Louriçal), um clube que começa com uns rapazes a jogar à bola onde calhava, a troco de recreio, chegue onde está. Desconfio que muitos não sabem que a Moita do Boi milita hoje na Divisão de Honra da Associação de Futebol de Leiria, a mesma onde estão o GD Guiense e o Sporting de Pombal.
Desconfio que os autarcas também não sabem. Ou melhor, a memória selectiva só lhes permite lembrar desse feito em época de eleições, quando vão todos desfilar para o campo, nas bancadas, a ver o jogo e dar o seu apoio, a troco dos votos. Se não fosse assim, como é que se explica de forma racional o que está a acontecer neste primeiro trimestre de 2021? Como é que chegados a este tempo é possível fazer uma obra de tamanha vergonha, sem um único passeio? Como é que se arrancam manilhas e se atiram para as eiras e entradas das casas? Como é que se refaz uma rua e não se pensa no escoamento das águas pluviais?
Esta é a rua do campo de futebol. Mas é também a rua onde estão sediadas algumas empresas de obras particulares e públicas. Que liga a Moita do Boi a Santo António e ao Louriçal. Antes da pandemia, aquela rua era um corrupio, todos os dias (não apenas pelos atletas da equipa sénior e escalões de formação), à conta dos treinos, dos jogos, e da atividade económica. Passam ali camiões de grande porte - o que ajudou a rebentar o piso. Foi com entusiasmo que vi as máquinas chegarem. E foi com pesar que este fim de semana percebi o desleixo, a incúria, o desprezo com que ainda são tratados os cidadãos da aldeia onde eu nasci, onde moram os meus pais, os meus tios, os meus amigos de infância.
Porque o poder - seja ele qual for - continua a olhar para o povo com a mesma expressão de há 50 anos: para quem é, bacalhau basta. Basta, sim. Só que basta de nos comerem por parvos.
Fernando Domingues, camarada e amigo, figura histórica do Partido Comunista Português em Pombal, vai hoje a sepultar. Homem digno, dedicou a sua vida política e sindical à defesa dos interesses dos que não têm voz, dos que estão mais afastados dos centros de decisão. Foi-lhe particularmente cara a luta pela defesa da floresta e do mundo rural em Pombal, nomeadamente na salvaguarda da propriedade comunitária dos baldios e das comunidades de compartes, assim como na protecção da biodiversidade e o equilíbrio ambiental.
Serão sempre escassas as palavras a ser ditas nestas ocasiões. Poderia lembrar o passado no movimento associativo, o seu sentido de humor, a forma simples com que pautou a sua vida, os magníficos queijos que sempre tinha, a coerência do seu pensamento político, a sua alegria de viver. Mas, mais do que palavras, a justiça à sua memória só será feita assumindo a sua luta. É esse o meu compromisso, camarada!
Na ultima semana, fomos assistindo a vários municípios aqui
à volta, a trazer a publico como irá arrancar o processo de vacinação nos seus
concelhos.
Desde a cedência de espaços para o mesmo, até o dia em que o
mesmo processo arrancará.
De Pombal nada. Contudo, soube que o processo de vacinação
já arrancou, e que algumas pessoas já foram vacinadas (ainda bem).
Numa altura em que tanto se tem falado na transparência da
informação, não percebo o silêncio em torno do assunto. Parece-me (por aquilo
que observo) não haver articulação entre o município e as autoridades de saúde.
Sr.Presidente Diogo deixe lá as reuniões com as
colectividades, que isso já o devia ter feito antes, e faça lá um Briefing a
fazer o ponto da situação. Os munícipes agradecem.
Em Pombal, os subsídios e a politiquice têm andado sempre entrelaçados. Daí que não se estranhe a forma como a câmara os tirou (ou cortou) recentemente e os prometeu reforçar de imediato. Há muito que os subsídios são o alfa e o gama da política pombalense.
Para o bem e para o mal, esta trapalhada política tem um mentor (Diogo Mateus), um executor (Pedro Martins) e um denunciador (Pedro Brilhante) - o PS entrou nisto por arrasto.
Mas neste folclore não podia faltar o PSD local – Pedro Pimpão -, que veio censurar, em comunicado, o “ aproveitamento político desta matéria por parte do Partido Socialista e do Vereador Pedro Brilhante, a quem já retirámos a confiança política em Julho de 2020”.
Ao mesmo tempo que mina a (fraca) credibilidade de D. Diogo e do seu executivo e se quer impor como candidato alternativo ao candidato natural do PSD à câmara, Pedro Pimpão dá uma no cravo e outra na ferradura, coloca um pé numa margem e o outro na outra.
Cuidado com as pernas muito abertas, Pedro - é uma posição muito instável, e vulnerável.
Vai (ou ia), hoje, à reunião do executivo uma proposta de corte de 160.000 € aos clubes desportivos do concelho (aproximadamente 40% do montante global e 50 % aos maiores clubes).
Para tal, bastou que D. Diogo lavrasse um despacho que altera dois critérios do regulamento de atribuição de subsídios desportivos e o seu “vereador” executasse (L`Etat C`est Moi!).
Mas quando os clubes foram informados do que se ia passar na reunião (tinham sido avisados que eram pequenos cortes) revoltaram-se.
Perante a revolta, D. Diogo escondeu-se e mandou avançar o “vereador” do desporto – Pedro Martins – que, com a habilidade política que lhe conhecemos, em vez de acalmar a revolta estimulou-a. Não explicou nem negociou a medida; quis simplesmente saber como é que os clubes tinham tido acesso à informação - sempre a paranoia do controlo da informação.
Resultado: alguns clubes (GD Ilha à cabeça) ameaçaram encerrar e entregar as chaves à câmara, se a proposta for aprovada.
Enquanto cá no burgo persiste a dúvida (oficial) sobre quem são os candidatos à Câmara, naquela ala que domina o eleitorado, no Oeste as eleições autárquicas já correm com "normalidade". Gonçalo Ramos avança para um segundo mandato por conta própria, como independente, desta vez sem o chapéu de um movimento que nasceu e morreu em 2017 - Narciso Mota Pombal Humano - e que teve ali a sua única vitória.
Apesar de não apreciar o estilo engraxador que perpetua nas reuniões da Assembleia Municipal, e a bajulação ao presidente da Câmara, reconheço que cresceu muito ao longo deste mandato, sobretudo no relacionamento com os fregueses. E não é fácil comandar um barco como o daquela Junta de Freguesia, num mar agitado como é aquele onde navega. Demorará décadas até que sarem as feridas da agregação na Guia, Ilha e Mata Mourisca.
E eis que finalmente Carlos Mota Carvalho pode ser candidato, agora que se aposentou. O dirigente associativo anda há (muitos) anos à espera deste momento. Será o cabeça de lista pelo PSD no Oeste. O convite está feito e aceite. Não é encarado com bons olhos por todo o núcleo do Oeste, mas...é a vida.
A reunião do executivo de 4 Janeiro, onde se discutiu e aprovou as conclusões dos inquéritos disciplinares às duas funcionárias do departamento de recursos humanos, ficará para os “anais da história” – como bem disse o doutor coiso. O vídeo/áudio abaixo mostra o essencial da longuíssima e despudorada discussão.
Como já aqui tinha informado, o instrutor – o “conhecido” dr. Agostinho – popôs, e o presidente subscreveu, a suspensão de funções de uma funcionária por 45 dias e outra por 90 dias, ambas com execução de pena suspensa por 2 anos.
Após a apresentação das conclusões - pelo presidente da câmara - o vereador Pedro Brilhante fustigou até à náusea o libelo acusatório por este se basear quase exclusivamente nas confissões das visadas (e no que não o é deriva delas), feitas por escrito, em dois momentos desfasados no tempo, com circunstancialismo, pormenores e formalismo jurídico de tal forma rebuscados que as torna pouco credíveis. São confissões que acabrunham quem as profere, pela culpabilidade e nível de incriminação assumidas, das quais se pode tirar não importa o quê, mas nada de bom para quem as profere; e em que - como bem disse Pedro Brilhante - só gente muito estupida acredita.
Estava dada a deixa para D. Diogo - o douto nobre sem nobreza – apoucar Pedro Brilhante. Recomendou-lhe a leitura de um clássico da literatura, “Crime e Castigo”, de Dostoiévski, para que pudesse compreender que a consciência (pelo remorso e contrição) de um cidadão pode ser aquilo que verdadeiramente lhe dá paz, tranquilidade e bem-estar; e que, quem verdadeiramente não consegue perceber que isso é uma coisa boa é que é verdadeiramente estúpido. O nível da conversa ficou definitivamente traçado, depois foi sempre a descer.
Não se pode dizer que a escolha do “Crime e Castigo” para ajudar a interpretar o intricado enredo dos processos disciplinares em causa seja desajustada; até por que, se Pedro Brilhante tivesse lido Dostoiévski, teria podido dizer a D. Diogo que a tomada de consciência e o arrependimento do criminoso não acaba sempre, nem geralmente, com a sua pacificação; inicia, muitas vezes, um processo de auto-destruição do arrependido que conduz ao desespero e até ao suicídio. Mas, ajustado, ajustado, teria sido a escolha de “O Processo”, de Kafka, mais alinhado com esta trama.
Se D. Diogo leu Dostoiévski – pode ter ficado somente pelo prefácio - sabe, com certeza, que num “crime” não participa somente o executante; participa igualmente o cúmplice, o consentidor, o influenciador, etc. Pelo que se vai sabendo, parece evidente que por toda a câmara, e não só no departamento de RH, surgem regularmente e à vista de toda a gente, irregularidades, falhas, abusos e apropriações indevidas. E D. Diogo comprova-o. E não parece que a leitura do “Crime e Castigo” o tivesse ajudado no processo de consciencialização. D. Diogo é uma espécie de antítese de Mefistófeles, que dizia que queria o mal e não fazia senão o bem. No final desta discussão, D. Diogo anunciou mais três processos disciplinares por factos conexos com a “matéria” destes processos. A intifada continua, como bem disse Pedro Brilhante.
A doutora Odete - sempre alinhada com o doutor coiso - acompanhou e suplantou até D. Diogo na incriminação das “desventuradas” – nunca a vimos tão determinada e aguerrida na defesa de uma causa! Começou por se indignar por o vereador Pedro Brilhante ter criticado a forma como defesa das funcionárias (não) foi feita; depois, discorreu sobre a verdade e o valor da confissão como prova, sem nunca suscitar uma ponta de dúvida sobre as condições e a forma como as confissões foram obtidas. Será que a doutora Odete considera que a confissão é a rainha das provas, como foi no passado, no Império Romano e na época da Inquisição? Como boa-cristã estará ela convencida que a confissão, o arrependimento e a penitência purificam tudo? No final, alegou impedimento na votação por ter sido advogada de uma das funcionárias (Pedro Brilhante tinha-o lembrado pouco antes!), mas não o quis dizer aqui no Farpas, mesmo depois de ter sido desafiada a justificar o impedimento.
O doutor coiso gastou - mais uma vez - o tempo e a energia a mostrar o que não é. Primeiro, a censurar e depois a aconselhar Pedro Brilhante sobre a forma de fazer política. Depois, a mostrar muita compaixão pelas funcionárias e a suplicar máxima reserva da intimidade das suas vidas privadas, até porque, disse ele, uma delas estará por um fio. Pelo meio, defendeu com “unhas e dentes” a acusação e teceu rasgados elogios ao instrutor - percebe-se: têm atributos semelhantes, mas pouco recomendáveis. Terminou da forma mais abjeta e na mais profunda contradição, profanando o que tinha começado por implorar aos outros: falou da vida privada das funcionárias, nomeadamente do lado mais íntimo e mais dorido da vida de uma delas. Afirmou que foram dirigidas por quem se aproveitou delas e acabaram por criar factos na vida delas, alguns já não têm volta, pois uma - e nomeou-a - está divorciada, e divorciou-se no âmbito destes factos. Simplesmente execrável. Quando o doutor coiso prega moral ou apregoa virtude é capaz de irritar um morto.