26 de março de 2026

Sobre o malfadado território

Há autarcas que andam sempre com o território na boca, mas desprezam-no olimpicamente. Pior: nalguns casos nem é por má vontade, é por simples ignorância - não têm, sequer, noção das facadas que lhe dão.

A profissionais da engenharia industrial sabem que o lay-out determina a produtividade. Os autarcas deveriam saber que o ordenamento do território determina a qualidade de vida das populações e a eficiência económica. Mas não sabem, nem querem saber; preferem uma benfeitoria aqui, outra ali, e muita propaganda. O ordenamento do território exige estudo, planeamento, critérios e perspectivadas em horizontes temporais suficientemente largos para garantirem eficácia, equilíbrio e estabilidade. Tudo o que nos falta, e eles (autarcas) não valorizam.

Bastou passar por cá um “estrangeiro” – um tipo do Fundão (Paulo Fernandes - coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro) - para constatar e expor o óbvio: o eixo Leiria-Pombal apresenta uma flagrante falta de ordenamento do território. Venho alertado para isso há décadas...

Por cá o nosso autarca prefere debitar falácias sobre a eficácia do poder local. 


3 comentários:

  1. Amigo Malho, sobre o assunto em causa não discordo da conclusão do Dr Paulo Fernandes que constatou a grande falta de ordenamento do território, questão primordial para um desenvolvimento eficaz das empresas que por cá se pretendem ou já estão instaladas.
    Também não estou em desacordo consigo e com ele que o desordenamento territorial prejudica a eficiência e consequentemente a produtividade da economia essencialmente por falta de alinhamento das sinergias funcionais.
    Concordo que o meu amigo possa andar há décadas a falar nisso e que não tenha curtido grande efeito por várias razões a saber:
    Os PDMs e outros instrumentos de organização territorial são preocupações administrativas muito recentes, não mais de 30 anos, e mesmo assim por imposição da CEE.
    Tão recentes e pouco desejadas pela maioria dos autarcas que muitos atrasaram a sua entrada em funcionamento até ao extremo, ao ponto de a própria CEE ter anunciado o corte ao acesso de fundos europeus aos municípios sem PDM ativo, e exatamente porque era visto como um espartilho ao livre arbitreo municipal para instalação de estruturas imóveis.
    Por outro lado, até aos anos 90 do século passado a lógica da implantação das fabricas, das casas, das acessibilidades, derivava da maior ou menor facilidade de instalação, numa realidade onde a funcionalidade de conjunto e as sinergias dos serviços públicos de saneamento, água e electricidade eram assuntos pouco relevantes, também porque o crescimento exponencial não existia com a pressão que existe hoje.
    Ora, reorientar as consequências de décadas de práticas que conduziu a uma disseminação de estruturas fabris e residenciais para uma forma mais organizada é um trabalho de formiga que só os anos, mais de um século, poderão começar a dar os seus frutos.
    Já não concordo com o final em que acusa o nosso autarca de pouca preocupação com esse assunto a quem acusa de debitar falácias sobre a eficácia do poder local, simplesmente porque me parecem assuntos distintos.
    Organizar o território é necessário e está em marcha com a revisão em curso do PDM de Pombal e não vejo onde a eficácia do poder autárquico possa ser falaciosa ou colidente com a organização do território.
    Ou seja, não percebo a logica da sua conclusão após toda a prévia exposição porque na minha optica, conforme também referi, uma coisa tem pouco a ver com a outra.
    Abraço contraditório.

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    Respostas
    1. Amigo Serra,
      Só não percebo como não percebe, ou vê contradição, entre deficiente ordenamento do território e eficácia do poder local.
      Abraço.

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    2. Ainda bem que veio aqui uma pessoa do PSD defender o regime!

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