4 de março de 2026

Estratégia? Não. Propaganda barata

O doutor Pimpão levou à última Assembleia Municipal três Planos Estratégicos para responder à recente calamidade – três cardápios mal-amanhados de intenções, migalhas e miudezas, elaborados à pressa, sem método (juntando palpites), sem critério e sem consonância, destinados à exibição e frenesim mediático. Para amanhã, está marcada a sua apresentação pública!



O doutor Pimpão é, com certeza, o autarca que mais Planos Estratégicos apresentou e fez aprovar. O que atesta o contrário daquilo que ele quer afirmar: a ausência de Estratégia, porque quando tudo é estratégico nada é estratégico. E porventura não precisaria de uma qualquer estratégia, bastar-lhe-ia fazer o óbvio - o que num contexto de calamidade se torna indispensável. Mas não, a vaidade da encenação e da subordinação de toda a acção à propaganda está-lhe na epiderme, é o seu oxigénio político. 

Para alguns autarcas, a recente calamidade é uma oportunidade com bons potenciais proveitos… Mas para quê enfastiar os infortunados com a banal mediocridade da teologia evangélica do renascer se as pessoas só precisam de (o regular) viver?

1 comentário:

  1. Amigo Malho
    Compreendo o seu comentário, sempre acutilante e acusatório da “encenação e da propaganda” como método primeiro de atuação do nosso executivo. É a forma preferida do nosso Presidente que talvez assim se sinta mais seguro das iniciativas a tomar. Perante a gigantesca tarefa de ultrapassar as consequências que a tempestade Kristin nos deixou, o planeamento dos trabalhos a executar poderão ser uma ajuda orientadora e nessa medida este conjunto de “intenções mal amanhadas” poderão fazer sentido, não deixando contudo de reconhecer que também se trata de uma jogada de marketing político, de um órgão também político.
    Eu também preferia um conjunto de medidas mais simples, menos numerosas e com uma ambição mais baixa com vista a garantir uma maior e melhor execução do mesmo.
    Esta calamidade, ao destruir grande parte da riqueza do distrito, cerca de 30%, é por si só uma oportunidade de nos reerguermos mais eficazes e produtivos uma vez que a necessidade faz o engenho e a experiência ajuda a não repetir os erros, pelo que aquilo que viermos a conseguir reerguer será mais evoluído e seguramente mais resistente uma vez que os fenômenos naturais violentos aumentaram cinco vezes de frequência nos últimos 20 anos e nós desejamos conseguir resistir melhor no futuro.
    Pelas razões acima descritas e preferindo uma menor profusão de objetivos no reerguer de Pombal, que na minha opinião teria uma muito maior vantagem de execução, e não tendo a intenção de indesejar o agora proposto no programa aprovado, mas muito cético na sua boa execução, abstive-me de o votar favoravelmente na Reunião de Câmara que o apreciou.
    Há entusiasmos de atuação que por vezes nos fazem anunciar a necessidade de executarmos tarefas só possíveis de conseguir no plano dos milagres, porque no plano das realidades são obviamente impossíveis de atingir.
    Por exemplo, as reparações de todas as linhas elétricas e das comunicações vão demorar mais de um ano tal o grau de destruição das mesmas, obviamente que com o restabelecimento precário e nem sempre de qualidade em realidades temporais mais curtas.
    A falácia da limpeza dos 8 milhões de árvores abatidas das florestas até finais de junho, por causa dos incêndios, não passa de um sonho de quem pouco conhece do assunto que também se não resolve por decreto.
    Se se conseguir o milagre “exequivel” de unicamente limparmos todos os caminhos florestais para permitir uma penetração fácil na floresta, já teremos o impossível. E quanto ao resto resta-nos pedir a Santa Bárbara que nos evite incêndios numerosos.
    Assim, entre planos ambiciosos onde metade ou mais das suas propostas não sairão do papel e a meia dúzia de decisões principais que serão o fulcro das intervenções é bom que saibamos enveredar com determinação pelas últimas sem nós esgotarmos muito no resto.
    De todo o modo faço votos para que esteja enganado e muito feliz ficaria se e realidade me corrigisse.

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