12 de fevereiro de 2026

Quando não se tem cu para duas cadeiras…

Pouquííísimas pessoas têm cu para duas cadeiras. E em momentos de crise não conheço nenhuma.

Que a câmara de Pombal e as juntas não estavam minimamente preparadas para a calamidade que se abateu sobre o concelho, não restam grandes dúvidas – na verdade, ninguém estava preparado para o que aconteceu. Mas que era possível e expectável que a resposta tivesse sido mais rápida e efectiva, também é evidente…

Mas não houve a resposta que deveria ter havido. Nem poderia haver - por múltiplas razões. À cabeça porque se ignoraram os riscos; não se fez a sua correcta avaliação; logo, não se definiram ações concretas a tomar. Depois, ou ao mesmo nível, faltou liderança e articulação entre as diferentes entidades que deveriam ter actuado imediatamente, com missões perfeitamente definidas e enquadradas.

Em Pombal, o responsável operacional pela Protecção Civil Municipal, Hugo Gonçalves (o efectivo é o presidente da câmara), acumula o cargo com o cargo de comandante dos Bombeiros Voluntários. As duas funções e entidades partilham algumas atribuições e responsabilidades complementares, mas são distintas em muitas outras. Daí que a acumulação de funções tão diversas e com tão amplas responsabilidades seja uma coisa descabida e comprometedora da capacidade de ambas as estruturas. Disfunção que já era amplamente comentada no corpo de bombeiros, mas que agora ficou amplamente exposta na Proteção Civil da Câmara.



A Câmara de Pombal sempre padeceu do pecado grave de entregar os tachos aos amigos que podem ajudar a manter o poder, porque o que interessa não é buscar respostas robustas para os problemas reais ou potenciais, mas tão somente ir enganando a perdigota. Com o doutor Pimpão a coisa agravou-se.

Quando o responsável pela Protecção Civil Municipal, Hugo Gonçalves, confessa publicamente que “o que se está a passar agora” é que há locais onde se desconhecia que “eram suscetíveis de ter cheias”, estamos conversados sobre o desleixo e a impreparação reinante. É muito bonito andar com a palavra território sempre na boca, mas conhecê-lo, estudá-lo e fortalecê-lo dá muito trabalho.

Hoje, na reunião da “junta”, o vereador João Coelho pediu a sua demissão responsável pela Protecção Civil Municipal – uma exigência lógica. Se o rapaz não conhece as cartas do risco hidrográfico, nem os leitos de cheia, nem as linhas de água do concelho, o que é que está a fazer no cargo que ocupa? É libertá-lo das múltiplas funções e mandá-lo percorrer o concelho. Agora os leitos de cheia e as linhas de água estão bem visíveis.

1 comentário:

  1. Agora o João Coelho não esteve bem. O Hugo é competente e tem formação para as funções que lhe foram confiadas. Será que o problema não estará em quem foi ocupando esse cargo anteriormente que não deixou nada mapeado? As tantas a culpa disto tudo tem sido o desleixo nesta matéria dos respectivos Vereadores com o pelouro. Sim de facto, Pombal tem tido equipas de Vereaçao que só estão vocacionadas para o unico pelouro que funciona: O Pelouro FESTASeBOLOS, o resto é desleixo e inoperancia. Os responsaveis disto tudo é o povo que VOTA ha mais de 40 anos, na seta que vai para o céu e agora está a descobrir o novo paradigma CHEGANO.

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