10 de fevereiro de 2016

A Cidade de Deus

Entrámos na quaresma. Por cá nunca saímos dela, vive-se uma vida quotidiana muito vazia e monótona, onde o prazer e a folia são abafados, e a vida religiosa é estimulada, pois nela o servilismo toma o aspecto de uma virtude cristã.
Pombal tornou-se uma Cidade Deus, onde os Homens vivem segundo Deus, e bajulam o seu deus, onde a razão e a fé convergem para iluminar a função política no seu propósito de ampliar, ainda mais, o poder supremo. Onde o povo é moldado a ser tanto melhor quanto sua concordância estiver no que é “melhor” e o “melhor” seja o bem supremo. Não é uma cidade justa, dado que não aspira, ou, pelo menos, nem sempre aspira ao soberano bem.
Pombal é uma cidade que não separa “o que é de César, a César; e o que é de Deus, a Deus”, onde o que não serve a deus não é povo e onde o superior impera sobre o inferior. Onde se apregoa bondade, caridade e misericórdia, mas onde os que apregoadores, fazem mais mal que bem.
Pombal não é uma terra de gente com grande sentimento religioso, antes fosse – estava explicado o estranho fenómeno -, mas é uma terra de gente com grande oportunismo religioso, onde a culpa é virtude e o padecer é glória (dos outros).

8 de fevereiro de 2016

Porque é que esta cidade nunca tira a máscara?

Quando me apareceu um cartaz pela frente a anunciar um "baile de carnaval", no dia 8 (segunda-feira) fiquei toda contente, a pensar que finalmente o município recuperava um hábito antigo, o de festejar o entrudo, nem que fosse de forma modesta. Ledo engano. Afinal o baile é senior, na linha do costume, o de mascarar os velhinhos e fazer de conta que são marionetas guiadas pelas técnicas dos lares e centros de dia.
Sou desde sempre crítica da forma como decorre o desfile de carnaval das escolas, por achar que uma boa parte dos mais pequenos não se diverte, como era suposto. Ainda assim, quando mal nunca pior, e por isso mais vale haver alguma coisa a coisa nenhuma. Mas os velhinhos, senhor? Que fixação é esta? Porque é que nunca se pensa na população activa que ainda cá está, como se fosse pecado abrir a porta à folia ou à diversão? Numa rápida visita pelas páginas dos municípios à volta, facilmente percebemos que, à sua maneira, todos a promoveram. E nós a treinarmos para transformar a terra num reduto da terceira idade, essa inevitabilidade, segundo presidente da Câmara. É uma pena que os nossos séniores não tenham saúde física nem financeira para irem além do pavilhão das actividades económicas. Que ironia.
Mas enfim, teremos sempre Abiul...
foto: Pombal Jornal

28 de janeiro de 2016

Pegar o touro pelos cornos - wi'll always have Abiul


Foto gentilmente recolhida do nosso homónimo Farpas blogue. 

Presidente da Câmara prometeu ser um "acérrimo defensor da tauromaquia na região" mesmo que isso lhe custe votos
Citado pelo site Touro e Ouro, o presidente da Câmara de Pombal, Diogo Mateus, durante a entrega dos troféus da Tertúlia O Berço da Tauromaquia de Abiúl, a Vasco Pinto, prometeu ser um "acérrimo defensor da tauromaquia" na região que representa, com um "discurso altamente positivo e promissor para a tauromaquia".
O autarca social-democrata, segundo o mesmo site, mostrou-se forte entusiasta da Festa Brava e reconheceu a importância da tauromaquia em Abiúl, prometeu que Pombal estará sempre "ao lado das tradições culturais portuguesas, mesmo que isso possa custar votos".

Durante o discurso, Diogo Mateus sublinhou ainda que "Pombal não tem vozes anti-taurinas".

Dizer isto é d'homem.
Pombal não tem vozes anti-taurinas?
Pombal não tem vozes.
Pombal não tem.

Se tivesse, outro galo cantaria.

27 de janeiro de 2016

Um comentário com direito a post

"Para quando um protesto, cada vez que subir uma lomba buzinar.
E o transporte de doentes também sobe e desce essas lombas, é pena não ser o desarquiteto a passar dentro duma ambulância com problemas de coluna, ia ser giro".

                                                                                                     Por Natividade Silva
Bora buzinar nas lombas.

25 de janeiro de 2016

Notas soltas sobre os resultados das presidenciais

A fé não move montanhas. 
Duas surpresas: (i) o senso comum dos eleitores; (ii) a fé de algumas criaturas políticas.
Numa eleição sem recandidato presidente, invulgar foi só aparecer um candidato potencialmente vencedor, e nove candidatos perdedores. Sinal de que o cargo de Presidente da República se tornou pouco atractivo. Consequentemente ganhou quem tinha que ganhar e perdeu quem tinha que perder.
A esquerda perdeu. A direita ganhou mas chupa no dedo…. O PS – Costa – foi o perdedor que não saiu derrotado.
Marcelo R. Sousa: ganhou, e encontrou o registo para assegurar a reeleição e contornar o tédio que o cargo lhe vai provocar. Hipocondríaco como é, vai fugir a sete pés dos conflitos potencialmente perdedores. A direita não pode contar com ele, Costa também não, mas fica a depender unicamente de si e dos seus “compagnons de route”.
Sampaio da Nóvoa: perdeu mas capitalizou. Vai andar por aí. Em 2026 será candidato potencialmente vencedor.
Marisa Matias – cumpriu o papel (nestas circunstâncias).
Maria de Belém: o “soufflé” era de fraquíssima qualidade – deslaçou-se assim que a temperatura subiu. Penoso.
Edgar Silva: erro de casting. Prova-se mais uma vez que os votos não têm dono.
Vitorino Silva (Tino das Rans): ganhou o campeonato da II Liga - é o menos mau dos maus.

A primavera marcelista


Pombal acordou hoje debaixo de uma tempestade, num dia invernoso, cheio de raios e coriscos. Em dias como este, o meu avô Zé-Maria vestia uma samarra igual àquela que o professor Marcelo usou na campanha, nos intervalos das visitas a creches e lares de velhinhos. Ontem, quando o vi na tv a fazer o percurso de candidato para presidente, continuava com a cassete do "sereno e tranquilo". É essa falta de chama que me aborrece em candidatos como ele, passando a ideia de que a vida política de um país é pouco mais do que chá e bolinhos, estantes de livros, lareira acesa e grandes dissertações sobre os lugares e as viagens da elite - com direito a pausas para a caridadezinha.

No resto do país, a esquerda adormeceu a remoer esta mania de esticar a manta de retalhos. À direita não lhe bastou - nunca lhe basta, de resto - ganhar. O facebook encheu-se de gente ressabiada com o governo de Costa, colocando a nu uma das carcaterísticas que sempre me causa urticária: não lhes basta ganhar, é preciso espezinhar quem perde. Os brasileiros têm uma expressão que diz tudo sobre esse estado de alma, mais colado ao PSD do que ao incólume CDS: debochar. E  sabendo que um catavento é sempre imprevisível, em Pombal o partido jogou pelo seguro, e marimbou-se para os sinais de independência que o professor emitia, colando mensagem partidária à campanha. De maneira que foi coerente o agradecimento feito, ontem à noite, no facebook, congratulando-se com tão expressiva vitória cá na terra: 69,74%. É claro que continuamos a bater recordes de abstenção, com uns honrosos 57.24%. Quer dizer que uma esmagadora maioria não está aqui representada.
Mas o que é que isso interessa?

24 de janeiro de 2016

Parque da Fonte da Charneca



As primeiras (poucas) chuvas do outono abriram os primeiros sulcos no terreno arenoso colocado no parque em construção na frente da fonte da Charneca. Reparados os danos com a colocação de mais terras arenosas, logo as primeiras chuvas do inverno voltaram a abrir novos regos, como as fotografias de 17-01-2016 demonstram.

Num ato de colaboração, sugiro que, no planeamento e na execução das obras, se prevejam os efeitos das chuvas como, noutros projetos, se devem ter em conta os critérios da segurança, da utilidade, do preço e da estética, pela ordem indicada e não pela ordem inversa para se evitarem os habituais acidentes e demolições e reconstruções, tudo suportado pelos cidadãos.

21 de janeiro de 2016

O Renato

A informação foi passada: Renato Guardado, mestre em Arquitectura, vereador na CMP, é candidato à presidência da distrital da JSD.
O Renato é um rapaz apaixonado pela política, com um longo percurso de jota, que circunstâncias especiais fizeram vereador. Mas que ainda não é Vereador. 
Nietzsche afirmou que “pouquíssimas pessoas são capazes de inferir o efeito das circunstâncias em sua personalidade”, e - afirmo eu - no seu destino. Gostava que o Renato tivesse essa capacidade.
O Renato será, com certeza, o futuro presidente da distrital da JSD, mas tenho dúvidas que termine o mandato como Vereador.
O Renato é um rapaz a quem a sociedade concedeu um duplo privilégio: remuneração principesca (para a ausência de curriculum) e oportunidade de valorização profissional. Por isso, o Renato deveria ter a consciência da sua condição de privilegiado e das consequentes obrigações que a situação impõe.  

Tenho estima e consideração pelo Renato, por isso e pelas circunstâncias, tenho-lhe poupado, por aqui, alguns deslizes, contando que o rapaz precisa de tempo para crescer e ser aquilo que legitimamente ambiciona: Político. Mas convinha que tivesse a noção que o trajecto para objectivos ambiciosos não é rectilíneo.

18 de janeiro de 2016

Os obstáculos contornam-se

A propósito das obras no Barco, um amigo de Leira que regularmente vai passar o fim-de-semana ao norte do distrito perguntava-me se Pombal tinha aderido tardiamente há moda das rotundas e das lombas na estrada (tipo obstáculos). Não percebia por que é que a câmara tinha colocado cinco lombas enormes, em quinhentos metros de via,  num local onde nunca tinha visto pessoas a atravessar a estrada. Coisas estranhas, disse-lhe eu, sem resposta!

Mas quando os obstáculos são mesmo obstáculo as pessoas procuram alternativas. É o que começa a acontecer no Barco: se é difícil circular pela via principal, circula-se pela secundária (sem lombas).