27 de julho de 2015

Diário do Bodo

- E novidades? 
Perguntam vocês. 
Todos os anos acontecem acidentes como aquele que presenciei ontem à noite, na Ponte D. Maria, por onde passa grande parte do povo que se dirige do Cardal para o Arnado. 
Já sabemos - que o poder não se cansa de explicar - que a culpa é de quem não olha para o chão que pisa, ali como no Cardal. Estamos em crer que a explicação para casos como o de ontem há-de ser idêntica.
Mas já que calha em conversa, de quem será a culpa de não existir um corredor de segurança para que os meios de socorro possam passar, quando é preciso? Haverá um plano de emergência para as Festas do Bodo? Se sim, por que razão é toda uma cena da Balada de Hill Street quando é preciso chegar ao meio da festa, como aconteceu ontem, ou na sexta-feira? Que comunicação é essa que não passa para os bombeiros ou para a BT, e que resulta em voltinhas das ambulâncias pela cidade, no sábado, durante as provas de atletismo, à espera de encontrar um agente da PSP que soubesse identificar o acesso ao Hospital?

26 de julho de 2015

O Nosso Bodo II

"Lá se passaram aqueles tradicionais dias de festa, que este ano foram dias de festa…pobre, tendo custado dinheiro de festa rica.
Missas e sermões; sermões e procissões; novenas e foguetões; fracas iluminações e que nos conste com fartura nada mais nestes dias de tantas expansões.
O Bodo de Pombal! Quem o viu e quem o vê!
Quem o viu nos tempos em que havia gosto e se primava por em tudo o demonstrar.
Quem o viu nos tempos em que havia amor à terra, superior ao mercantilismo, e o que se vê agora! Que diferença!
As ornamentações, …, e aquelas iluminações pobres, a tantos riais por hora, meticulosamente calculados, não vá haver desequilíbrio orçamental! – sem se ter pejo de tanta gente notar que isto é pobre de mais para uma terra como a nossa, é tudo quanto lhe queiram chamar, menos Festas do Bôdo, menos ornamentações de uma festa anual, numa terra onde há civilização.
Cremos que é esta a opinião geral e registámo-la fazendo éco com o nosso protesto, dos protestos dos outros.
Pombal exige que melhor o honrem e que tanto o não alvitrem.
É preciso que se diga isto, e nós dizemo-lo com a hombridade que usamos, para que nesta terra de pessoas medianamente inteligentes, nem todas finjam ou sejam comidas por tolas.
De resto, lá pela igreja creio que houve festarola rija também: as procissões estiveram em beleza a rivalizar com as ornamentações, e de tanta pobreza franciscana – e esta é a melhor impressão, alguns cobres correram para as gavetas dos comerciantes locais que, como de costume, - eles e o ornamentador – tiveram uns prejuízos tão grandes que não podem fazer a festa pró ano..."
Em “O Imparcial”, 1919, por A. S. S.

Um século passado, uma revolução e a liberdade; e parece mentira como regredimos tanto no que se refere a jornalismo local independente, mordaz, bem escrito - e não só.

24 de julho de 2015

Finos a 1,20€

Passaram-se?! Como é possível? É esse o preço que a malta tem que pagar para ter o Emanuel à borla?

A Câmara querer vender, no seu barraco, os finos a 1€20, ainda vá que não vá; obrigar os comerciantes locais a acompanhar esse preço absurdo é que não se admite. Se é verdade o que se consta, Digo Mateus, numa atitude de "capo" da Máfia, enviou os seus fantoches para a rua com ordens para ameaçar todos aqueles que não aceitaram a cartelização dos preços. Um total absurdo! Um desrespeito pelos pombalenses!

Caro Diogo Mateus: meta-se na sua vida! Exerça apenas o cargo para que foi eleito e todos nós lhe ficaremos imensamente gratos. E não se esqueça: nem Pombal não é a sua quinta nem os pombalenses são seus súbditos!

Aí está o Bodo 2015


As Festas do Bodo 2015 são oficialmente inauguradas hoje, pelas 18h, com a participação do Ministro adjunto Poiares Maduro. Olhando para a foto oficial, atrevo-me a dizer que as preces de Diogo Mateus foram atendidas. É que, em termos de peso político, um Ministro, ainda que adjunto, é bem melhor que uma simples presidente da CCDRC! E se, no ano passado, apenas Ana Abrunhosa sorria, aposto que agora vamos ver mais caras alegres na cerimónia do hastear das bandeiras.

20 de julho de 2015

A Volta do Futuro e a ciclovia

Pombal assistiu recentemente ao inicio de uma etapa da Volta a Portugal do Futuro em bicicleta, subsidiada com dinheiros camarários (dos contribuintes) para promover não se sabe bem o quê. Certamente que não foi para promover a prática do desporto de bicicleta dos munícipes.

Simultaneamente, a ciclovia junto ao Arunca encontra-se em degradação. Ciclovia que foi construída com luxo desnecessário ao uso dos sapatos das pessoas e dos pneus das bicicletas e com falta de segurança na “greta” central transformada em ratoeira para bicicletas, nomeadamente de crianças. A tijoleira cara aplicada no pavimento depressa se degradou e foi desleixada, enquanto fazem "festa" e se exibem na volta Portugal do Futuro.

Câmara Corporativa

O Estado Novo aguentou-se (quase) meio século porque instaurou um controlo apertado de toda a sociedade. Esse controlo fazia-se através das forças de segurança – PIDE à cabeça – e de uma organização em pirâmide da estrutura económica, cultural, social, desportiva, religiosa, assistencialista…
O Corporativismo Económico adoptado pelo Estado Novo – é, talvez, a parte mais conhecida e estudada, porque, tendo sido implementado de forma consistente, ao longo de (pelo menos) três décadas (na parte final houve alguma inflexão, nomeadamente a abertura ao exterior) permite-nos extrair conclusões sólidas sobre suas consequências económicas e sociais.
Actualmente é unanimemente reconhecido que o proteccionismo económico penaliza o crescimento económico e a prossecução do bem-estar social porque, ao reduzir a concorrência, assegura rendas excessivas e a perenidade dos negócios protegidos. Logo, quando os poderes públicos privilegiam certos empresários ou grupos empresariais, a troco ou não de benefícios próprios, afastam-se do interesse público e da prossecução do bem-estar social.
A economia portuguesa é uma longa história de proteccionismo económico. A revolução de 1794 e a entrada na CEE deram-lhe duas fortes machadadas, mas não o eliminaram; está ainda enraizado em vários sectores e regiões.
Em Pombal o modelo de Associativismo, de Assistencialismo e de relação com a Igreja baseia-se nos antigos princípios e métodos. Tal como o proteccionismo de alguns empresários e o consequente afastamento de outros, com os inevitáveis prejuízos para toda a comunidade, nomeadamente na oferta de emprego.
Assim se explica (também) o desfalecimento crescente desta terra - do concelho charneira.

17 de julho de 2015

39º Aniversário do TAP


Vários motivos que tornam este evento interessante: não é ocorre no Castelo; não é organizado pela Câmara; o grupo A Jigsaw é muito bom. Parabéns ao TAP!

16 de julho de 2015

Aposta?

A Federação Distrital do PS de Leiria aprovou a lista de deputados seguinte:
            1.º - Margarida Marques
            2.º - António Sales
            3.º - Miguel Medeiros
            4.º - Odete João
            5.º - Adelino Mendes
            6.º - João Paulo Pedrosa
Se a lista final for esta, aposto dourado contra vintém que em Leiria o PS terá o pior resultado. Quem aposta?

PS: Ainda espero que António Costa faça aplicar, aqui, a orientação de renovação e abertura.

Pombal 2020 - Sucesso Escolar 100%


Com grande parangonas, o nosso edil apresentou ao Senhor Presidente da República o Programa Municipal de Potenciação do Sucesso Escolar denominado "Pombal 2020 - Sucesso Escolar 100%". Apesar de não conhecer os seus detalhes, quero acreditar nos méritos pedagógicos da iniciativa e faço figas para que seja um verdadeiro sucesso. Mas o que não consigo perceber é o que faz o Pombal 2020 no meio disto tudo.

Tal como já havia questionado aqui, continuo sem entender o que é o Pombal 2020. Segundo a sua página web, é um projecto do PSD (ou de alguma laranja iluminada, não se percebe bem). Mas se é isso, o que faz o nome do Pombal 2020 associado a uma iniciativa municipal?

Ou muito me engano ou este Pombal 2020 é mais um pretexto para o PSD capitalizar com as iniciativas que são de todos nós. Se assim é, é uma vergonha. Uma vergonha que, infelizmente, não me espanta nada.

10 de julho de 2015

Orçamento Participativo, faits divers

Os Orçamentos Participativos são faits divers que os executivos camarários utilizam para mostrarem o que não têm (não cultivam), a quem pouco que tem para mostrar.
O modelo que foi proposto e aprovado na Câmara de Pombal é excessivamente burocrático, inconsequente e inútil; a que só aderirá um ou outro rapazola ávido de protagonismo.
O regulamento começa logo por estar mal nomeado: em vez de Orçamento Participativo deveria chamar-se Plano Investimentos Participativo, porque permite unicamente propostas sobre investimentos. É um documento onde abundam termos descontextualizados e expressões exageradas, que em vez de engrandecer, desqualificam; tais como: “O Orçamento Participativo constitui uma estratégia do actual Executivo” …”é um contributo para a modernização dos serviços municipais” … “Proporcionar uma experiência participativa e colectiva” … “Contribuir para a educação de uma cidadania participativa, responsável e inclusiva”. Por outro lado, no substantivo, falta-lhe comprometimento do executivo e independência na condução do processo: “O Município de Pombal irá inscrever uma verba para este fim” (quanto???) e todo o processo é controlado pelo presidente - não seria de esperar outra coisa.

Como será um faits divers não irá sobrecarregar muito os serviços com burocracia desnecessária. Do mal, o menos…

A falácia

Segundo o Jornal de Leiria, "nos últimos tempos, Pombal tem proporcionado vários eventos e iniciativas no domínio cultural, criando um movimento interessante de atractividade do público local e externo, demonstrando que o clima cultural da cidade está a mudar e a criar ofertas mais ricas e cosmopolitas". Das duas uma: ou quem escreveu esta peça não tem a mínima noção do que está a falar, ou presta-se a ser porta-voz de quem quer transmitir esta falácia.