22 de março de 2017

Que trata da saída do Príncipe a terras taurinas

O Príncipe ficou desapontado com o fraco retorno da visita a terras taurinas. O povo não aderiu; ignorou-o, até. Chamou o roliço Pança para lhe apontar as falhas.
- Vinde, aqui, Pança…
- Que deseja meu Amo poderoso? Aqui estou – respondeu o Pança.
- Quero ouvir, de-viva-voz, como justificais o falhanço da visita a terras taurinas? Inquiriu o Príncipe.
- Porque dizeis isso Senhor Meu Amo? Manejámos bem o que interessava: a governanta local e o jornaleiro – destacou o Pança.
- Não Pança. Nesta fase, o que nos interessa é o povo – referiu o Príncipe -; e não o tivemos… Até a governanta contínua fugidia; apesar das grandes empreitadas e prebendas que lhe atribuí. Não vos agarreis ao jornaleiro; esse está, há muito tempo, controlado; se não faz melhor, é por culpa tua ou da Serôdia.
- Propagandeou o que queríamos…
- Estais enganados, Pança. Tanto se perde por notícia de mais como por notícia de menos. Aquela peça dos moinhos só prejudicou – disse o Príncipe.
- Já dei na cabeça à Serôdia…Várias vezes lhe disse - mas ela não aprende - que não há necessidade de puxar pelo jornaleiro, pois ele já bajula demais – justificou e Pança. E acrescentou: - É verdade que não tivemos povo; e ainda não virámos a governanta, mas já dividimos o grupo.
- Não percebo aquela gente: é áspera como os carrascos da serra e irritante como as urtigas da ribeira-de-baixo - observou o Príncipe, descoroçoado. Era-nos tão fiel - mesmo com o trapaceiro - e tornou-se tão infiel!
- Nem eu – concordou o Pança. Nada agradecem e tudo contestam...Dá-se-lhes as coisas e cospem no prato! Mas a culpa não é só deles.
- É de quem mais... – Perguntou o Príncipe.
- Desculpai-me o descuido e o reparo – alertou o Pança. E acrescentou: - Vossa Mercê também não facilita a aproximação, não abdica da pompa régia e de toda a majestade.
- Já falaste demais, Pança. Quem presta contas, aqui, sois vós – disse o Príncipe exaltado. E acrescentou: - o roteiro que fizestes não resultou, ponto. Devíeis saber que aquela gente aprecia mais marradas de toiros do que moinhos de vento. Teria sido melhor aliciá-los com obras na Praça de Toiros.
- Talvez, mas limitei-me a seguir indicações – referiu o Pança. E pensou mas não o disse: “Dar conselhos a este senhor é como dar coices em aguilhão”.
- Não é isso que espero de um fiel, empenhado e arguto escudeiro. Não me estais a ajudar a manter o poder – concluiu o Príncipe.
- As minhas intenções sempre as dirijo para bons fins; que são fazer o melhor pelo meu Amo, o bem pelos nossos e o mal pelos inimigos – retorquiu o Pança. Se melhor não faço é porque sou mal industriado.
- Tereis aí grande dessintonia, entre intenções e resultados, que deveis corrigir rapidamente – concluiu o Príncipe.
- Sua Alteza vê todo o mundo pelo avesso, apenas pela face defeituosa, nunca reconhecendo virtude ou mérito. Um génio assim não é recomendável para ir a votos. 
                                                                                                                        Miguel Saavedra

18 de março de 2017

Quando tens uns dias de atraso

Não está fácil gerir no espaço público esta divisão instalada no PSD, quando nunca se sabe quem são, afinal, os que fazem exército pelo partido ou por Narciso Mota, porque aparecem de um lado e depois vão ao outro dizer que é tudo um equívoco. E as comemorações do Dia Internacional da Mulher foram bom exemplo disso, este ano.
A habitual parceria entre a APEPI e as Mulheres Social Democratas partiu, como já aqui se disse, mas nesta altura o fair-play ainda dá os últimos suspiros - e por isso está agendada uma tertúlia para a próxima quinta-feira, cujo tema é deveras fracturante: A Mulher e o Desporto.
Como dizia a vereadora Catarina Silva no seu mural de facebook, "o Dia da Mulher é quando quisermos", por isso, comemorar a 23 de Março uma data que se assinala a 9...who cares? Confio que lá estará o exército de Teresa Silva a encher a sala.
Ao menos não caíram no ridículo de levar os homens a fazer de conta que respeitam muito as mulheres, como na semana passada. Porque não, esta luta não é deles.

15 de março de 2017

A (nova) aposta do PSD



O jantar das mulheres do PSD fez-se este ano num registo de muita paridade, com os homens à mesa. As fotos do evento  e (sobretudo) o vídeo, mostram várias coisas, tais como:
1. O PSD anda a pintar-se de vermelho, como é visível em todo o material promocional. Foge-lhes o pé para a asneira, amiúde, pois que já deviam saber quanto vale o laranja, neste concelho, por oposição a outras cores.
2. Está em curso uma subalternização de Pedro Pimpão. Mas isso dá um post inteiro.
3. Fernanda Guardado, a líder do Movimento das Mulheres Social-Democratas (seja lá isso o que for) é apontada como candidata do PSD à Junta de Freguesia de Pombal. No mentidero comenta-se a forma ressabiada como encarou a ida de Teresa Silva para a lista de Narciso Mota.
A deputada Teresa Morais - que é uma senhora - bem podia dar uns conselhos a este mulherio.

E o Turismo, Ana!

Há dias, armei-me em turista na própria terra. Foi numa tarde de domingo, fresco mas com boas abertas, que convidava a saída. Circulavam poucas pessoas pela cidade; abordei meia dúzia das que supus não me conhecerem, e perguntei-lhes pelo Posto de Turismo. Desconheciam tal local, e só uma indicou o edifício junto à Biblioteca, mas alertou-me logo que deveria estar fechado por ser domingo. E talvez por isso, também, nenhuma me mandou para uma agência de viagens, como sucede frequentemente.
Certo do destino e do propósito, dirigi-me ao Castelo. Dei uma volta, atenciosa, até se abrir uma porta de um caixote rectangular, modernaço, construído dentro do castelo, e sair de lá uma moça. Aproximei-me, cumprimentei-a e entrei. Perguntei-lhe se era ali que funcionava o Posto de Turismo. Disse-me que sim; perguntou-me se precisava de alguma ajuda. Perguntei-lhe se tinha algum roteiro que me permitisse visitar, no pouco tempo que tinha, os pontos de maior interesse na cidade. Disse-me que não; mas tinha uns folhetos com os pontos de maior interesse na cidade e no concelho. Percebendo que não me despertou qualquer interesse, perguntou-me se conhecia a história do castelo e a lenda de Al-Pal-Omar; acrescentou que poderia ver os vídeos. Aceitei. No final, perguntou-me se tinha gostado, disse-lhe que sim, que dentro da pobreza geral era a coisinha que se aproveitava. Perguntei-lhe, depois, se muitas pessoas – turistas – a procuravam; disse-me que não, que aparecem algumas no Verão mas muito poucas agora. Para rematar a visita perguntei-lhe quantas pessoas tinha atendido naquele dia. Respondeu-me, com ar desconsolado, “hoje, ainda nenhuma”. Era meia tarde, três horas. Deve custar-lhe muito a passar os dias, aqui – observei; reconheceu com um “hoje ainda mais, porque não tenho net nem telefone”. Despedimo-nos simpaticamente.
Para concluir o roteiro passei pelos “museus”, onde anunciavam exposições relevantes. Deparei-me com uma pobreza franciscana. Estão abertos, mas estão fechados. Percebi que não esperam ninguém; abrem as portas quando aparece alguém. O sossego é tanto que até custa incomodar. Um desperdício de recursos.
Podem masturbar os egos com discursos bajuladores, e iludir alguns com “notícias” plantadas nos pasquins; mas a realidade, se nada de substantivo fizerem, não muda.

13 de março de 2017

O biscoito do CDS

Inspirado naquele vídeo em que Diogo Mateus aparece a fazer sumol, na respectiva fábrica, o líder local  do CDS partilhou ontem um vídeo seu, filmado na padaria Central, a enrolar um biscoito do Louriçal.
É verdade que o CDS está nestas autárquicas como se fora massa a levedar, à espera que as condições lhe permitam crescer e aparecer. Mas para meter as mãos na massa é preciso arregaçar as mangas e arrumar a gravata, ou corre o risco de nunca passar da aspiração em chegar à Câmara. Sidónio Santos tem tido uma boa prestação na Assembleia de Freguesia de Pombal, demarcando-se do espírito PàF, e sobretudo do registo lambe-botas perpetrado na Assembleia Municipal. Não é fácil - sobretudo neste ano do fenómeno Narciso - mas ainda pode chegar a vereador. Só que há números que são escusados...

Obras tortas

O Príncipe e os seus apaniguados andam inchados com a rotunda do Alto do Cabaço, no IC2, que passou a ser a obra do regime, substituindo o CIMU – Sicó - o malfadado mamarracho . Quando se comemora a construção de (mais) uma rotunda na principal estrada nacional, paga com o dinheiro dos pombalenses, está tudo dito sobre os decisores locais.
A rotunda beneficia uma pequena parte dos automobilistas, os que circulam na EN237 na direcção Leiria; mas prejudica a esmagadora maioria, os que circulam na IC2.
Mas pior do que a rotunda, é a solução para o entroncamento entre a EN237 e a Rua Carlos Alberto Mota Pinto (junto à Estação de Serviço). A EN237 foi desclassificada - passou a EM – e tem funcionado como a única variante à cidade, permitindo, a Norte, contornar a cidade e fugir ao trânsito interior. Com o novo figurino, o trânsito que circula na EN237 em direcção ao Alto do Cabaço e pretende entrar na cidade, tem que entrar no IC2 e fazer a rotunda, obrigando à paragem do trânsito no IC2, nos dois sentidos.
Pergunta-se: como é que as Infraestruturas de Portugal aceitaram esta aberração? Olharam só para o projecto da rotunda ou limitaram-se a seguir o ditado popular: em cavalo dado não se olham os dentes. A investigar… 

11 de março de 2017

Propaganda barata

Tudo serve para promover o Príncipe como grande visionário e construtor; mesmo as asneiras. Ei-lo no alto das Corujeiras, na pose do grande timoneiro, determinado, apontando para amanhãs grandiosos, profetizando a recuperação do que nunca quis(eram) recuperar, do que deixaram atingir a degradação total, do que não é recuperável.

Haja paciência.

9 de março de 2017

Quem quer casar com a carochinha?*

video

Está a Ana bem contente
Nos tortulhos, tão afã
Desiludida anda a gente
Já não é independente
A moça de Vila Cã

Condivou-a o Narciso
“Há para si e há para os seus!”
Muito riso, pouco siso
Nem sempre abunda o juízo
E derrete-se com Mateus

Descartou-a D. Diogo
Na primeira eleição
Mas o partido é engodo…
Pior que noite de bodo
Para qualquer João Ratão

Convidou-a o PS
Pela voz de Jorge Claro
Do resto logo se esquece
Do Sidónio ao CDS
Haja quem lhe dê amparo


*canta-se assim, na freguesia de Vila Cã, onde o vento mudou.

3 de março de 2017

As falsas avenças, e não só

Na CMP, o final do ano e o início de novo traz muitas renovações das avenças aos “abençoados” do regime. Avenças falsas ou desnecessárias.
Para além da avença crónica ao Teófilo Santos, que nos custa uns módicos 40 mil Euros anuais, e que representa uma espécie de renda vitalícia; há as avenças falsas: falsas prestações de serviços que na prática são serviço corrente, com horário e subordinação hierárquica - já aqui caracterizadas.
Mas o sintoma maior do desleixo e/ou incompetência que reina por aquelas bandas é este: renovaram avenças a 7-2-2017 - a avençados que terminaram a avença anterior no final do ano - e mantiveram-nos a trabalhar durante o mês de Janeiro, cumprindo o (tal) horário regular. 
Pergunta-se: os avençados, nestas circunstâncias, vão receber o trabalho realizado durante o mês de Janeiro? Como é que lhes vão pagar, sem violarem a lei?