20 de julho de 2018

Para que serve uma farpa


Andamos há 10 a farpear os interesses instalados, os oportunistas e os manhosos. E também a dar nota do gesto simples e desinteressado - infelizmente, com pena nossa, muito mais a primeira que a segunda.
Mas o que aconteceu nas últimas 24 horas deixa-nos com a sensação clara de que isto vale a pena. E que, aos poucos, a comunidade onde nos inserimos vai ganhando consciência dos seus direitos, vai perdendo o medo de apontar o dedo a meia dúzia de pseudo poderosos que se acham no direito de pôr a pata em cima. Fortes com os fracos e fracos com os fortes.
Este post escrito aqui ontem por nós alcançou, em 24 horas, mais de 17.700 pessoas. Foi partilhado por mais de 100, comentado por outras tantas. A indignação tomou conta do Facebook, no que diz respeito a Pombal. Só lhe falta agora saltar para a rua, como fez aquele jovem munícipe dos Malhos. A Câmara (na pessoa do vereador Pedro Murtinho e, em primeira instância, do seu presidente, Diogo Mateus) devia tão só um pedido de desculpas ao cidadão que protestou, e a todos os que, há dois anos, são fustigados pelo mau estado da estrada. Optou antes por pôr em prática tiques de autoritarismo, persecutórios. Que o povo nunca se esqueça que é ele quem sustenta isso tudo, e que tem nas mãos o poder de acabar com estes laivos. 

19 de julho de 2018

Maldade de um cara-de-pau


Dia 2 de Julho, um cidadão dos Malhos, indignado com o péssimo estado da Rua Principal dos Motes e com a indiferença da câmara perante os vários protestos dos aí residentes, decidiu: partir uns ramos de eucalipto; espetá-los nas crateras da via; e publicar o feito no facebook. Inspirou-se, com certeza, nos desordeiros autarcas cá da terra, que, com D. Diogo à cabeça, realizaram, em Março de 2017, uma manifestação contra a falta de segurança no IC2, recorrendo a recursos e equipamentos públicos, onde tentaram, e conseguiram, cortar o trânsito no IC2, apesar da oposição da GNR.
Na semana passada, a GNR recebeu um e-mail do vereador Pedro Murtinho com uma queixa contra o cidadão dos Malhos. Actuou prontamente: abordou o indignado cidadão na sua residência; identificou-o; autuou-o em 300 a 1500€ por “infracção à liberdade de trânsito”; e notificou-o a comparecer no posto a fim de prestar depoimento no processo criminal instaurado.
Se fossemos todos iguais perante a lei – como esta estabelece – a GNR tinha actuado com os autarcas cá da terra como actuou na semana passada com o cidadão dos Malhos: tinha autuado e processado a generalidade dos políticos cá da terra e umas dezenas dos seus mais acérrimos defensores que os acompanharam na desordeira manifestação. Mas desenganem-se - ainda não somos todos iguais perante a lei. Continuamos a ser uma comunidade estratificada em mandantes e mandados, poderosos e fracos, privilegiados e desprotegidos, alinhados e desalinhado com o poder, gente de sangue azul e gente de sangue vermelho, etc. É nesta dicotomia social e neste caldo de cultura que as assimetrias se cavam, que os poderes fácticos medram, que a hegemonia se acentua, que o autoritarismo se instala, que até o beato Murtinho bufa. O poder instalado tem um cunho persecutório; se as polícias e os tribunais alinharem com isto (e estão a ser arrastadas) estamos lixados.

16 de julho de 2018

Defesa da floresta e do mundo rural


Os trágicos acontecimentos do ano passado vieram mostrar que as questões relacionadas com a floresta e o mundo rural a todos dizem respeito. O paradigma da nação urbana e desenvolvida, onde a relação do português com a natureza era encarada como uma saudade na geração dos mais velhos e uma ficção de que ouvem falar os mais novos, revelou-se desadequado e o insistir na ideia de que a ruralidade já pouco faz parte da substância da identidade portuguesa um erro que pode custar caro.

É urgente que Portugal se reencontre com a sua matriz rural. A perspectiva não é saudosista, nem corresponde a um regresso ao passado. As potencialidades do mundo rural, da pequena agricultura familiar e da floresta são muitas e a forma de nos relacionarmos com essas realidades deve ser reinventada e projectada no futuro. Acredito que um Portugal moderno só faz sentido se conseguir cimentar a sua identidade nacional, dando corpo e espaço à nossa cultura tradicional. 

Por tudo isto decidi participar na recém formada Comissão de Populares para a Defesa da Floresta e do Mundo Rural de Pombal e Pinhal Interior Norte do distrito de Leiria. De entre os objectivos dessa comissão destaco o da mobilização da população em geral e todos os interessados - nomeadamente pequenos produtores florestais e de agricultura familiar desta região - para defender a floresta, o mundo rural e a agricultura de subsistência. 

Fica o convite a todos os que queiram conhecer melhor os objectivos desta comissão ou associar-se a esta iniciativa para comparecer no acto público de apresentação que irá decorrer amanhã, dia 17 de Julho de 2018 (terça-feira), pelas 21h, no edifício da COPOMBAL. A apresentação pública contará ainda com a participação e intervenção de Isménio de Oliveira, membro do Executivo da Direcção da CNA (Confederação Nacional da Agricultura). 

10 de julho de 2018

A insustentável leveza de Rodrigues Marques



Sexta-feira à noite há duas reuniões importantes, embora uma mais importante que outra. 
O movimento de Narciso Mota (ou o que resta dele) vai tentar apanhar os cacos da última reunião da Assembleia Municipal, enquanto o PSD anda a juntar as peças. De maneira que há, no meio disto, um dilema por resolver, na pessoa do engenheiro Rodrigues Marques, que - sabe-se agora - nunca deixou de ser militante do partido, incorrendo na ilegalidade de pagar quotas de um lado e ser eleito por outro. Ora, quando convocado para a reunião do movimento que o elegeu - e que muito dinheirinho lhe deu a ganhar, na última campanha - respondeu que não, que não pode ir, que daquela vez o coração (chamemos-lhe assim) falou mais alto e optou por estar ao lado do 'amigo' Narciso, mas que desta vez é a razão que o leva à assembleia de militantes do PSD.
Já todos tínhamos percebido que continuava (ele e não só) a ser laranja por dentro e por fora, naquela bancada, como ficou bem claro na última reunião da AM. Mas faltava a confirmação: afinal o engenheiro só foi ao NMPH fazer uma perninha, e agora quer voltar ao PSD. 
Resta saber se o PSD o quer de volta.

6 de julho de 2018

Meirinhas, esse exemplo (in)feliz


Já sabemos que há terras onde os fenómenos eclodem com mais intensidade, mas o que aconteceu recentemente na freguesia de Meirinhas bem pode entrar para o Guiness no domínio das decisões mais rapidamente revogadas. Ou melhor: é digno do jornal do Incrível. 
Aconteceu então que a Junta de Freguesia se prontificou realizar o sonho de qualquer IPSS: pagar o salário de duas funcionárias - as mesmas que haviam feito um POC (programa ocupacional do Instituto de Emprego) -durante um ano, ao Lar da Felicidade. E para isso fez um protocolo à medida, que acabaria por passar apenas com recurso ao voto de qualidade do presidente da mesa da Assembleia, faz hoje oito dias. Há ainda a particularidade de o presidente da Junta ser, ele próprio, presidente da assembleia geral do Lar. E o tesoureiro da direcção é nada menos que um dos membros da assembleia, Daniel Mota, que encabeçou a lista do movimento de Narciso Mota - e que por isso se escusou à votação.
Em acta não constam só os três votos a favor de dois membros do PSD e do único eleito do PS (!), os três votos contra da bancada do CDS e as duas abstenções de um membro do movimento NMPH, e outro do PSD. Constará também a história mal-amanhada de uma manigância. E provavelmente alguém na junta pôs a mão na consciência, horas depois de aprovado o protocolo. Resultado: no dia seguinte à aprovação, o presidente da Junta fez chegar ao Lar da Felicidade um "comunicado", sublinhando que face à (tremida) votação, "não se encontram reunidas as condições adequadas para a boa implementação do protocolo". 
Talvez seja melhor revogar primeiro a decisão da AF, não, presidente?
E sim, é sensato da parte dessa autarquia recuar. Antes que as restaurantes colectividades e/ou IPSS's da freguesia lhe comecem a bater à porta e pedir o mesmo. Era um luxo, se não fosse uma fraude.

5 de julho de 2018