18 de setembro de 2017

Daqui fala a mãe


O novo Centro Escolar de Pombal abriu hoje as portas, pela primeira vez. Entraram por ali adentro 194 crianças, que a partir de agora hão-de correr pelos corredores impregnados do cheiro a novo, ocupando então seis salas do primeiro ciclo e três do pré-escolar. Eram quatro, mas as inscrições não chegaram para tanto. Fui lá hoje pela primeira vez e trago uma sensação agridoce: não é tudo perfeito mas é melhor, muito melhor do que a escola Conde Castelo Melhor, onde outros tantos meninos continuam a brincar num recreio pobre, a almoçar num refeitório que ecoa e amplia os gritos de miúdos e graúdos, enfim, o verdadeiro "reformatório do século XIX", como tão bem lhe chamou (em tempos passados) o director do Agrupamento. E isso devia bastar para fazer corar de vergonha o nosso poder político, um município que escolheu para lema na educação o "sucesso escolar 100%". Como tão bem lembra Catarina Pires neste exercício de memória, "a escola deve ser o principal instrumento de criação de igualdade de oportunidades e justiça social."

Só que não é. Em Pombal, não é. Bem pode Diogo Mateus esgrimir argumentos e vantagens de "não ter uma escola com 400 alunos", para justificar a opção de requalificar a velhinha EB1 em vez de construir o Centro fora dali, que isso não apagará os factos deste ano lectivo: há meninos a chorar na Conde, tristes porque não tiveram a mesma sorte que os outros. Houve um sorteio, como é sabido, que ditou as turmas bafejadas. "Isso daqui a uns dias passa", hão-de dizer-me. Pois passa. "No meu tempo também não tinha melhores condições e ninguém reclamava". Pois não. Só que o tempo não anda para trás, o mundo é outro, e a nossa exigência na aplicação dos dinheiros públicos também o deveria ser. 
Descendo na cronologia, uma nota importante: a reunião no ginásio da escola secundária de Pombal, segunda-feira passada, entre o agrupamento, a Câmara, a Junta (afinal o presidente sempre se dignou a aparecer, depois de anunciar em edital que não fazia sentido reunir com os pais e falar de AEC's, almoços e ATL, por estar em fim de mandato...) e os pais. Demorei oito dias a digerir aquilo. Era um anfiteatro cheio de pais, a maioria mais ansiosos que os filhos, muitos que ali entravam pela primeira vez. Lembrei-me naquela hora da minha primeira reunião do género a que assisti, no velhinho ginásio da EB1, salva pelo entusiasmo da professora Trindade, então à beira da reforma. Falta entusiasmo e faltam sorrisos nestes encontros a que a Escola chama de acolhimento, efeito bálsamo para pais à rasca. Na segunda feira passada, o presidente da Câmara anunciou a todos aquilo que já se adivinhava quando passávamos perto da obra: o Centro Escolar não estava pronto, as aulas só poderiam começar na semana seguinte. E por mais que tenha apreciado a forma frontal como ali foi falar aos pais, isso não apaga o desrespeito da revelação tardia. Mais uma vez, tudo começa e acaba na comunicação, ou na falta dela. E num caso destes, bastava aos pais terem sido avisados atempadamente do adiamento da abertura, para que pudessem (re)organizar a sua vida. Mas os pais estão condenados ao papel de espectadores neste processo educativo, são encarados pela escola como figuras decorativas na estrutura, e quando assim não é...é uma chatice. Não vem mal ao mundo que uma obra se atrase, desde que estejamos todos preparados para isso. Porém, parece que esta nem se atrasou. Naquela reunião ficámos a saber que o caderno da encargos previa a entrega da obra até 15 de Outubro (!) Sendo assim, é tempo de embarcarmos naquele discurso fofinho do "em Pombal temos muita sorte, estamos muito bem, quem dera ao país estar como nós"? Não, não é. É tempo de sermos exigentes com o poder que nos governa e com a oposição que deveria perceber estas coisas antes de as assinar de cruz. Ou só agora repararam que os meninos não cabem todos na escola nova, aprovada por unanimidade, como é costume?
Sobre a obra da escola nova, falta dizer que ainda não houve bênção, embora precise. O piso do recreio não inspira confiança a um crente. As salas de aula são demasiado pequenas para turmas com 26 meninos. O resto é bom: espaço amplo no refeitório e na biblioteca. O ginásio ainda não está pronto mas promete. Temos metade do problema resolvido. Dentro de poucos anos talvez esteja todo ele sanado. E eu, que continuo a defender a escola pública e as lutas dos professores (mesmo que nem todos nem sempre o mereçam) acredito que os nossos filhos vão ser felizes ali. De resto, não podemos esperar que toda a gente nos compreenda, que quem opta pelo privado para a educação dos filhos saiba colocar-se no nosso lugar. Essa deveria ser a primeira condição para um titular de cargo público, seja ele qual for. 

16 de setembro de 2017

Olé, Sandra, Olé!

Foi uma cena de faca e alguidar como não há memória na Assembleia Municipal. Sandra Barros, a seráfica presidente da Junta de Abiul que se fez eleger pelo CDS mas que acaba de se mudar para o PSD, soltou a língua na última reunião do mandato, proporcionando uma cena trágico-cómica. Desafiada pelo astuto Ricardo Ferreira, confundiu o salão nobre com uma tertúlia das lides e...rodou a baiana.
O que falta de tacto político à presidente de Abiul sobra a Ricardo Ferreira, mentor do renascimento do CDS em Pombal, verdadeiro peão de brega de todo o processo autárquico. Sandra achou-se "com as costas quentes", escoltada pelo PSD,  mas apostamos centavo contra vintém em como aquela cena fez corar de vergonha Diogo Mateus, pouco dado a este baixo-nível. Quatro anos na Assembleia não lhe bastaram para aprender que o jogo político se faz de algumas regras básicas...
Mas, para além da forma, há o conteúdo das suas acusações. A provarem-se, estamos perante um crime. E sendo assim, das duas uma: ou os membros do CDS em Abiul são uns arruaceiros destruidores de propaganda, ou há aqui trabalho para os tribunais. 

A provocação:

A resposta:

15 de setembro de 2017

Tempo de balanços

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Realizou-se ontem a última sessão da Assembleia Municipal (AM) deste mandato. Foi uma sessão política, aproveitada pelos políticos que por lá ainda restam para balanço e campanha eleitoral.
O presidente da assembleia – Narciso Mota – despediu-se do cargo com mais desculpas que brilho. Não conseguiu compatibilizar o exercício do cargo com o de candidato opositor. Deveria ter renunciado ao cargo após o anúncio da candidatura.
O presidente da câmara – Diogo Mateus – foi o que mais política fez na sessão e ao longo de todo mandato; mal, vezes demais, para ele e para os outros. Conseguiu transformar um passeio triunfal num calvário com final imprevisível. Mas fez correctamente o balanço dos outros: uma oposição preguiçosa e cómoda, quando deveria ser mais estudiosa, mais assertiva, mais rigorosa e trabalhadora.
A bancada do PS, por comodismo e por não gostar de incomodar, por preguiça e falta de capacidade de trabalho, nunca fez política - desperdiçou até factos políticos que provavelmente não surgirão na próxima década. Foi uma bancada de gente em serviços mínimos e de corpos presentes.
No CDS nunca existiu bancada, só dois atiradores: Ricardo Ferreira e Henrique Falcão. O primeiro foi uma surpresa: Jovem, astuto, preparado e com intento político em tudo que faz; o segundo foi uma desilusão: acomodado e colaboracionista (os favores pagam-se), limitou-se a dar uns tiros de pólvora seca. No entanto, na última intervenção mostrou que, se quisesse, poderia ter feito um bom mandato: desmascarou as figuras que se pavoneiam pelos cargos públicos, pedindo-lhes que reportassem à assembleia as actividades e os resultados atingidos nas entidades/comissões para onde tinham sido eleitas como representantes da AM. Não se ouviu uma única informação substantiva; mas ficou a saber-se que algumas só tomaram posse…
Do representante da CDU não vale a pena falar.
A bancada do PSD não quis ou não conseguiu fazer política. Muito corpo presente e pouco discernimento político. O Pedro Brilhante foi o único que cresceu ao longo do mandato – melhorou a retórica e a substância, falta-lhe abandonar o que resta de paleio jota.

PS1: a maioria dos membros da AM terminou o mandato sem nunca ter lido o regimento, e o democrata Pedro Pimpão tentou aproveitar essa fragilidade para silenciar a oposição mas não deu carta-branca à sua malta para violar o dito regimento.
PS2: A oposição (e os desalinhados) pouco rigorosa e pouco estudiosa vai ao tapete sempre que levanta a garimpa porque esquece-se que aprovou uma medida e mais tarde faz oposição à medida. 

14 de setembro de 2017

Um comício para (lhes) tratar da saúde


Na noite passada caiu por terra a teoria de que o povo já não vai a comícios. Vai, se for levado com jeitinho. Foi o que aconteceu no Louriçal, onde uma praça de gente madura compareceu,obedientemente, a um evento criado pela designada "Comissão de Utentes do Pólo de Saúde do Louriçal da UCSP Vale do Arunca", sob a forma de debate, subordinado ao tema "Louriçal - o futuro terá saúde?". A organização - a cargo do responsável pela dita comissão, um farmacêutico que por coincidência acumula o cargo com o de secretário da actual Junta de Freguesia - deu uma lição de marketing político às melhores agências: usou a palavra "Futuro", convidou os diversos candidatos à Junta, mais o presidente da Câmara, e amplificou no palco o boato que circula há semanas por ali - esses malandros esquerdalhos querem fechar o centro de saúde do Louirçal. E levá-lo para a Pelariga, na melhor das hipóteses...
A mim não me espanta que a praça se encha de gente, em plena campanha eleitoral. Nem tão pouco que a desinformação seja moeda de troca no vale-tudo das eleições. E logo no Louriçal, onde o PSD nem sequer tem razões para se preocupar. Mas custa-me ver a manipulação. E como quem cala consente, é penoso ver o silêncio das entidades competentes, como a ARS. Já perceberam que as respostas por escrito não levam a lado nenhum, ou depois da noite passada é preciso fazer um desenho?

12 de setembro de 2017

Desmazelo

Em Pombal, constroem-se equipamentos desportivos (e não só) para mostrar obra feita e assim captar votos, não para responder às necessidades da população. Depois são deixados ao abandono. O da figura, na cidade, cedido à câmara como contrapartida de construção de urbanização, tem boa procura mas encontra-se no abandono total. Mostra (tal como muitos outros) o desmazelo, a incúria e a irresponsabilidade reinante.

11 de setembro de 2017

Falharam, disse ele.



Se o discurso da oposição se assemelhasse (em forma e conteúdo, incluindo o do próprio, nas reuniões de Câmara...) ao que Aníbal Cardona proferiu na tarde de sábado, na festa que a renascida Juventude Socialista organizou no Jardim, outro galo cantaria nas eleições de Outubro próximo.
O PS anda há anos demais como que a pisar ovos, como que a pedir desculpa por intervir, esquecendo que está em causa apenas ser aquilo que se espera de uma alternativa: diferente do poder, sem medo das palavras, muito menos de "espantar os passarinhos".
Quem vê a forma combativa como o candidato do PS à Junta de Pombal se dirige ao público nesta intervenção, facilmente conclui que sim, que falharam todos: o poder reinante (pelas razões enumeradas, entre outras) mas também a oposição, nas suas próprias escolhas. Sábado à noite há um debate no Café Concerto entre todos os candidatos à junta de Pombal: Pedro Pimpão (PSD), Aníbal Cardona (PS), Sílvia João (CDS-PP), Eduardo Carrasqueira (NMPH) e António Costa (CDU). E isso é que promete.

10 de setembro de 2017

Provar do próprio veneno


Narciso Mota dispensa palavras na hora de descrever como foi a sua governação. Betão, alcatrão e pouco mais é o que se pode dizer dos tempos deste ex autarca que está convencido que vai voltar às lides.

Sempre que se aproximavam as eleições eis que surgiam quase miraculosamente tapetes de alcatrão, já que essa é uma das mais belas formas de garantir votos. Alcatrão e manilhas e afins, é a fórmula pouco secreta de boa parte dos autarcas. E os cidadãos, diga-se, são pouco exigentes, já que ao invés de pugnarem pelo ordenamento do território, por um urbanismo pensado para a qualidade de vida, e outras “coisas” mais, importantes, "vendem-se" facilmente por umas canetas e um tapete de alcatrão à porta de casa.
Narciso Mota usufruiu desta fórmula mágica, fazendo um bom uso dela durante muitos anos, mas, e agora, que está numa posição desfavorável, queixa-se do Município de Pombal, que, imagine-se, fez precisamente o que ele fez enquanto esteve ao leme daquele município, tal como consta nos anais da história pombalense. Objectivamente fez queixa de quem foi o seu delfim, o qual seguiu à risca o que viu durante esse tempo vivido num segundo plano. É quase que como uma ironia suprema pombalense, o feitiço virar-se contra o próprio feiticeiro.
Como diz aquele velho ditado popular, Narciso Mota está a provar do próprio veneno, e parece que não está a gostar nada, dada as queixas da sua candidatura à CNE. Quem diria, quem mais promoveu a politica do alcatrão em Pombal faz agora queixinhas da... política do alcatrão.
Tem a sua graça... Numa notícia do Jornal Terras de Sicó, fala em imediatismo, nas decisões de curto prazo, pensando que a malta se esquece do que ele fez. Pensa que basta passar uma esponja no que não lhe interessa nesta fase e acredita que basta meter um slogan humanizado, diga-se muito contraditório e inconsequente, para a malta voltar a votar nele. É por estas e por outras que as palavras de muitos autarcas valem o que valem."

Farpas Convidadas: João Paulo Forte (Blogger: http://www.azinheiragate.blogspot.com/)