25 de julho de 2017

O mistério da constituição das listas


Da esquerda para a direita (literalmente): Anabela Cordeiro, Victor Cardoso, Elisabete Gonçalves, Jorge Humberto Carvalho, Domingos Doutel(coordenador autárquico nacional), Fernanda Silva, Sidónio Santos, Manuel Isaac (presidente da distrital), Telma Silva, Pedro Gomes e Henrique Falcão. créditos: Fábio Gonçalves

Falta pouco mais de duas semanas para a entrega, em tribunal, das listas candidatas aos diversos órgãos autárquicos - e até agora apenas o CDS apresentou a sua. Fê-lo ontem à noite, numa sessão bastante participada - de gente e de entusiasmo. Se o resultados das eleições se medisse assim, podíamos já avançar que o CDS ultrapassaria o PS na contagem dos votos. O cabeça de lista, Sidónio Santos, deu uma lição à tradicional oposição socialista, no que respeita à forma e ao conteúdo com que se dirigiu ao auditório. O que falha naquele partido é a falta de sintonia: enquanto o candidato à Câmara aponta as armas ao poder instalado, o candidato à Assembleia fala de "diálogo e consenso", de "estabilidade política e governativa". Se assim não fosse, outro galo cantaria na oposição em Pombal, como de resto já se percebeu pela intervenção do mesmo Sidónio Santos na Assembleia de Freguesia...
Entretanto, no PS, nada se sabe desde a apresentação, em Abril. E no PSD - que tinha outra obrigação para com um eleitorado que lhe é tão devoto e fiel - a equipa de Diogo Mateus continua a ser uma carta fechada. Entre os vereadores (quase) ninguém sabe que vida vai ter depois de 01 de Outubro. Temos cá um palpite para o nº 2 - ou para reforço, se quiserem - por imposição do partido. Mas deixamos esse post para que tenha o devido destaque e mostre como, na política e na vida, há seres manifestamente invertebrados. 

Sandra Barros muda-se para o PSD


O namoro era antigo, e aqui no Farpas já há muito que vaticinámos como é que o PSD estava pronto a fazer uma pega de caras, em Abiul, uma das duas freguesias que em 2013 perdeu - dessa feita para o CDS. Agora é certo: Sandra Barros, a actual presidente da junta,  vai mudar de camisola e vestir de laranja nestas eleições autárquicas. O CDS promete uma conferência de imprensa para os próximos dias, episódio que se adivinha interessante nesta novela.
Quanto à candidata, ninguém lhe pode levar a mal: depois de ter integrado uma lista candidata pelo PS, depois de ter ganho a junta para o CDS, tem todo o direito de querer experimentar novas sensações. Está tudo pronto para dançar o despacito? 

21 de julho de 2017

Onde se dá conta das preocupações e dos planos da Princesa e do Príncipe

No período entre a missa matinal e o almoço domingueiro, a Princesa e o Príncipe tiveram, finalmente, a conversa que vinha sendo adiada sobre a sua pouco firme situação.
A Princesa começou por descrever o ambiente que se vive no reino, comparando-o ao que se viveu na época mais gloriosa da alta Roma, pouco antes de cair o grande Júlio:
- Conta-se que saíram dos sepulcros os cadáveres em seus lençóis, gemendo pelas ruas. Depois, chuviscou sangue e apareceram manchas no Sol”. E concluiu: - Idênticos sinais de cruéis eventos, percursores de agouros eminentes, andam no ar. Estamos no meio de uma borrasca que pode dar em guerra fratricida. Tremeram-lhe os lábios ao expressar tão ruim presságio, e rematou: - se Deus com sua infinita misericórdia nos não socorre, estamos perdidos.
- Bem sabeis que a vida dos príncipes está sujeita a mil perigos e desventuras, mas, com coragem, habilidade e a bênção do Senhor, havemos de vencer – sentenciou o Príncipe.
- Já estive mais segura, Alteza – retorquiu a Princesa. O Inimigo bajula muito o povinho, de uma forma que parece mergulhar-lhes no peito. E o povinho desta terra serve apenas para luz emprestar a criatura tão pífia, que tem mais de bruto que de pessoa ajuizada.
- Não me alegra vê-la tão desesperançada! Ficai serena e confiai em mim – asseverou o Príncipe. E continuou: - O partido sabe arregimentar os apoios necessários – vede como o beato Ilídio o a sua amanuense o fizeram recentemente, com o passeio dos idosos e o respectivo comprometimento. E eu, do trono, estou determinado, com o apoio do meu fiel escudeiro, a tudo fazer para seduzir os seduzíveis.
- Desculpai-me a sinceridade nefasta: se, contra tanta adversidade, Vos apoiais só no partido e no Pança, estais perdido. Há muito que andais rodeado de zombadores e amigos de cochichos - gente licenciosa e sem princípios - que faz jogo duplo – afirmou a Princesa.
- Mas preciso deles para este combate mata-mata – disse o Príncipe.
- Devíeis apoiar-vos mais no povo… ficar mais próximo dele. O que vos aproveita ir para Marrocos com a Marquesa, em passeio? – Perguntou a Princesa. E deu a resposta: - Em Marrocos não há votantes, e a cruz da Marquesa há muito que está conquistada.
- Estais mal-humorada…- disse o Príncipe.
- Estou é a ver a nossa vida a andar para trás - afirmou a Princesa. E acrescentou: - É altura de pensarmos em nós mesmos e nas nossas crianças.
- E o que propõe, Você? – Perguntou o Príncipe.
- Para começar, tiramos as crianças desta terra (das escolas desta terra). Bem sei que Você tem tentado, com o tal EPIS, melhorar as coisas. Mas nada mudou – o povo não muda. Logo, não podemos deixar as meninas, educadas com tanta "finesse", misturadas, muito mais tempo, com os garotos dos bairros sociais e do campo, expostas à ordinarice, aos piolhos e às carraças.
- Concordo…- anuiu o Príncipe. E acrescentou: - o que não nos falta é problemas com as escolas…
- As escolas desta terra não têm regras, dirigentes à altura e educadores capazes. O rapaz vai para a capital e as meninas têm que ir para o Colégio Conciliar da Maria Imaculada, que lhes proporciona educação distinta e o acompanhamento cuidado das irmãs. Eu farei com gosto o esforço diário das viagens de ida e vota. Depois, se as coisas correrem mal dia 1 de Outubro abandonamos esta piolheira – rematou a Princesa.
                                                                                                            Miguel Saavedra

18 de julho de 2017

Pedro, guardador de votos e de sonhos


Passou uma semana desde aquela apresentação de Pedro Pimpão como candidato à junta de Pombal, e demorámos a recuperar de tamanho banho de esperança no futuro, em que tantos vieram de longe para ver e ouvir. É a candidatura do bem, do bom e do belo, por isso não há muito a dizer sobre a terra onde ele não vive. Pombal é - já se sabe - a freguesia perfeita, notável e extraordinária, onde as crianças crescem felizes, os papás têm todas as condições de vida para as criarem, e os avós podem limitar-se a sorrir, apenas e só, sem preocupações. O parque verde estava prometido para este mandato que agora finda mas...tarde é o que nunca vem.
Percebemos a "forte aposta na educação", a aplicação para gerir as ementas nas escolas (isso da qualidade da comida já se sabe que não é verdade, Pedro, até foi constituída uma comissão de provas mas só para os mais velhos, os pequenitos exageram sempre, não há razão para lhes dar ouvidos, como bem pode atestar o -ainda- presidente da Junta). Também falaste da acção social. Mas Pedro, haverá mesmo necessidade? Teremos na freguesia algum número significativo de crianças carenciadas? Confere lá os dados com a Componente de Apoio à Família...talvez não haja necessidade de manchar minimamente este quadro perfeito...
Também gostámos de te ouvir dizer que a tua não é  "uma candidatura do PSD... é de toda a gente". O partido é que não, mas como o presidente és tu, quem é sabe, hã?
Nessa tua senda de "promover o bem-estar e a felicidade" apreciámos a solução airosa que arranjaste para integrar o senhor Escalhorda, através do anunciado "Conselho da Comunidade". Quem mais haveria de tratar de estradas e valetas? Sabemos que não conseguirás chegar a todo o lado, mas acreditamos que continuarás a esforçar-te para isso, para  "fixar pessoas e criar emprego". Não é que seja preciso, mas nesse plano traçado para os próximos 10 anos (8, vá...) ficará bem uma certa "cultura de inovação e empreendedorismo", coisas modernas como "start-ups e novos negócios". Tu bem sabes que "temos empresários extraordinários que podem ajudar os mais jovens" e isso vê-se, todos os dias.
E enfim, Pedro, ficamos à espera do tal encontro com todos (aí nos incluímos) para vermos do programa. A lista, já sabes, pouco importa, até porque se é feita de gente extraordinária (e notável), não vemos necessidade de a apresentar. Também não vemos grande necessidade do formalismo das eleições, até porque tu já ganhaste - como tão bem notou o senhor Nascimento Lopes, no seu melhor discurso de todo o mandato. A oposição tem-te temor (lembrou bem o Diogo Mateus) e se amasse a sua terra como tu e só tu, abdicava desse devaneio a teu favor. Contamos contigo à segunda, como prometeste. No resto dos dias cá nos havemos de arranjar. 

#notável&extraordinário

17 de julho de 2017

Quo vadis PS?

Com o governo em alta nos estudos de opinião, a economia a crescer em força e a confiança das famílias no valor mais alto deste século; o PS teria tudo para fazer um grande resultado nas eleições autárquicas. Em Leiria não o terá, provavelmente. Não são necessários estudos de opinião ou recolher o sentimento das populações para o afirmar; basta falar com os dirigentes do partido no distrito - é raro encontrar um que acredite num bom resultado, mesmo entre os que são candidatos.
Se exceptuarmos Leiria, Marinha Grande e Nazaré - onde o partido está a trabalhar bem e ganhará as eleições (Marinha Grande será difícil) -, a noite de 1 de Outubro não trará boas noticias para os militantes e apoiantes, no distrito. Seria conveniente que os dirigentes e militantes tivessem consciência que o partido, se não crescer nestas eleições (onde beneficia de uma conjuntura geral muito favorável), terá, nos próximos anos, um futuro sombrio na esmagadora maioria dos concelhos do distrito. Mas tão importante como perspectivar este cinzento cenário, é perceber as causas internas do provável falhanço e corrigir o que ainda for corrigível.
O partido - na federação e na esmagadora maioria das concelhias - não tem estratégia, não tem discurso nem coordenação mínima. Actua de forma desgarrada, atabalhoada e simplista; queima etapas, pessoas e imagem; faz más escolhas sem necessidade, vezes demais. Só assim, com tanto erro, é possível levar uma "chapelada" do adversário (PSD) mais enfraquecido que o partido alguma vez enfrentou.

PS: No norte do distrito o desenlace estava traçado, mas a tragédia recente introduziu grande incerteza que pode beneficiar o PS.

16 de julho de 2017

O desfalecimento de Pombal vê-se bem pela taxa de natalidade

O desfalecimento de Pombal é evidente em todos os indicadores económicos ou sociais.
Os indicadores demográficos são os mais eficazes a captar a realidade e a tendência de longo prazo. 
O Eurostat divulgou as estatísticas sobre a taxa de natalidade referentes a 2016. De entre os concelhos do litoral, com costa, Pombal apresenta a pior taxa de natalidade - com clara tendência de descida. Só Alcobaça, Cantanhede, Mira e Caminha estão no mesmo grupo - 5,6 a 6,6 nascimentos por mil habitantes.

Mais palavras para quê? Os nascimentos não enganam. 

13 de julho de 2017

Oh da guarda…

Em Vila Cã os casos graves sucedem-se: a "presidenta"/funcionária compra e vende, contrata e descontrata, faz e desfaz, sem dar cavaco a ninguém.
Agora, alterou o contrato vitalício com a empresa que explora a pedreira para benefício desta e prejuízo da Junta, sem autorização da assembleia de freguesia e, ao que se diz, com a colaboração de dirigentes do PSD local.
A promiscuidade da situação presidente/funcionária, conjugada com o resto que se conhece, só poderia dar nisto.                                         Um caso de polícia.

12 de julho de 2017

Leviandade política

Nem o escândalo provocado pela indemnização de 508.000 €, por danos num terreno avaliado em menos de 10.000 €, muda o comportamento desleixado da classe política local. Os casos sucedem-se. A forma como foram aprovadas as quatro moções apresentadas na última AM, e como esta foi conduzida, comprovam-no.
O presidente da AM começou por informar a assembleia que tinha recebido três moções: uma do PSD – João Coucelo – de pesar e de solidariedade para com as vítimas do incêndio de Pedrogão Grande, com uma proposta populista de entrega das senhas de presença às vítimas do incendio; outra do presidente da Junta de Vermoil – Ilídio da Mota – de louvor e de pesar pela morte prematura do maestro da Filarmónica de Vermoil (Jaime Pascoal); outra do PCP – Jorge Neves – de pesar e solidariedade para com as vítimas de Pedrogão Grande, com umas considerações generalistas sobre a reforma da floresta e umas críticas à proposta do PS de reforma da floresta; e outra ainda, oral, da autoria do presidente da AM, de louvor e pesar pela morte ex-presidente da Junta das Meirinhas (Américo Ferreira).
A mesa da AM propôs a votação conjunta de três moções distintas; e deixou para o período de antes-da-ordem-do-dia a moção do PCP. Foram aprovadas de forma simplista, por atacado e por unanimidade.
Posteriormente, durante o período e antes-da-ordem-do-dia, Jorge Neves apresentou a moção PCP. Só o PS levantou algumas reservas sobre alguns considerandos. A moção foi aprovada por maioria com quatro abstenções das bancadas do PSD e CDS.
Mais palavras para quê? É o que temos…Mas convinha respeitar minimamente o regimento. E que a oposição tivesse alguma coluna vertebral; e o PS alguma memória.
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11 de julho de 2017

Mostrem lá o que valem, senhores deputados!


Passaram três semanas desde que o inferno de chamas consumiu terras e vidas nos concelhos do norte do distrito de Leiria. Reina uma desinformação nas redes sociais - onde cada um publica o que quer e se arma em repórter da desgraça e da caridade, como o mostram algumas páginas e vídeos por aí. Mas reina também uma descoordenação preocupante entre entidades e instituições diversas daquele território, há tanto abandonado. Até ao fatídico 17 de Junho, só quem lá ia tinha a percepção das ruínas da indústria, do isolamento e da pobreza que o marcavam. O fogo serviu (infelizmente) para mostrar ao país e ao mundo as fragilidades daquelas terras, que interessam pouco ao poder político porque representam uma agulha no palheiro das eleições. Cada um daqueles três concelhos tem menos eleitores que algumas freguesias do concelho de Pombal. Mas cada um deles é parte do país, contribui para ele e para o sustento da coisa pública. Portanto, aqui fica um lembrete aos senhores deputados eleitos por Leiria, que é como quem diz  eleitos (também) por aquelas pessoas que - efectivamente - estão a precisar muito de apoio, e não é só de beijos e visitas presidenciais: vão lá. Percebam o que está a falhar. Usem os vossos poderes e deveres para questionar, para agilizar, para pressionar o tempo e o modo de ajuda àquele povo. Ir de férias, senhor Primeiro-Ministro, ainda em rescaldo da catástrofe? Não. Instituições que lançam apelos desenfreados para recolhas massivas e agora lavam as mãos? Não. O voluntariado é muito lindo, é preciso, mas é ao Estado que compete assegurar a restituição das condições de vida daquela gente. E isso, garanto-vos, está muito longe de acontecer.

#Teresa Morais (PSD)
#Pedro Pimpao (PSD)
#Margarida Balseiro Lopes (PSD)
#José António Silva (PSD)
#Feliciano Barreiras Duarte (PSD)
#Assunção Cristas (CDS)
#António Sales (PS)
#Odete João (PS)
#José Miguel Medeiros (PS)
#Heitor de Sousa (BE)