23 de julho de 2016

Não são flores!, são pedras…

A primeira fase de recuperação urbana do centro histórico, concluída em 2014, incluiu soluções arquitetónicas de gosto, utilidade e durabilidade duvidosas. Na altura fizemos, por aqui, vários reparos e forçámos muita correcção.
Mas há um reparo que foi ignorado pelo poder político: a opção arquitectónica (materiais e formas) escolhida para as ruas do centro histórico. A utilização pavimento em granito, que absorve facilmente a borracha dos veículos, dá um ar escuro e sujo. Mas o pior está nos arranjos de calçada nas ruas. Quem tivesse circulado pelas a semana passada pelo centro histórico encontraria calçada arrancada e os consequentes buracos em todas ruas. Nas ruas com maior circulação - Cap. Tavares Dias e Almirante Dias – já foram reparados todos os mosaicos de calçada, e alguns mais do que uma vez. Na semana anterior Às Frestas do Bodo as ruas foram, mais uma vez, reparadas.
Não estava na cara que era uma opção feia, cara, pouco durável e com custos de manutenção elevados? Estava! 

22 de julho de 2016

E para a Educação, não vai nada, nada, nada?

O famigerado Conselho Geral Transitório do Agrupamento de Escolas de Pombal reuniu esta tarde/noite, com uma ordem de trabalhos importante (como é suposto serem todas). O objectivo era aprovar o Plano de Acção Estratégica, bem como diversos regulamentos importantes para a comunidade educativa. Para espanto geral, a Câmara - cujos representantes recusaram tomar posse durante dois anos, impedindo que o órgão funcionasse - primou pela ausência.
O plano reporta a 2016-2020, num agrupamento que representa metade da população escolar do concelho de Pombal. Recorde-se aqui que o município de D. Diogo elegeu a Educação como bandeira, com slogan e tudo: Sucesso escolar 100%. É compreensível, se atentarmos na defesa do seu programa eleitoral, que assentava em qualquer coisa como "a valorização do capital humano"... Será por isso, aliás, que Pombal se tornou nessa espécie de cobaia do programa EPIS para o primeiro ciclo. Estamos em crer que o presidente terá uma boa explicação para não ter estado presente: a apresentação, à mesma hora, nos claustros da Câmara, das novas plataformas digitais da autarquia. É desta que ele entra no Farpas.

19 de julho de 2016

Prioridades invertidas (III)

Apesar de ter edifícios públicos “às-moscas”, a CMP adquiriu a Casa Varela. Como não sabia que utilidade lhe deveria dar, reuniu com uns artistas da terra para a ver se encontrava uma utilidade qualquer para o edifício. Mas pelos vistos não saiu nada. E o edifício lá continua, fechado, sem a câmara saber o que fazer com aquilo.
Em vez de andarem a tratar das “joias” dos outros não seria melhor tratar das suas?

Em vez de os vereadores andarem a pavonear-se pelas festas, não seria melhor passarem o tempo estudar os problemas que criaram?

18 de julho de 2016

Prioridades invertidas (II)

O que não falta em Pombal é edifícios públicos (e privados) sem utilização. Mesmo assim, a câmara mandou construir um Centro de Negócios, sem saber que utilidade lhe deveria dar. Resultado: está fechado, há muito tempo!
Em vez de andarem a tratar das “jóias” dos outros não seria melhor tratar das suas?
Em vez de os vereadores andarem a pavonear-se pelas festas, não seria melhor fazerem alguma coisa de útil – dar utilidade ao que nos ficou caro e está abandonado?

14 de julho de 2016

40º Aniversário do TAP


Vários motivos que tornam este evento interessante: não é organizado pela Câmara; a viola de arco do José Valente é dos segredos mais bem escondidos da música portuguesa; é mais uma oportunidade para poder assistir ao Romeu e Julietaa entrada é livre. Parabéns ao TAP!

11 de julho de 2016

A (nossa) tragédia grega

A política pombalense está possuída pelo Complexo de Édipo. Existisse por aqui um Sófocles, e o actual o drama político daria uma bela tragédia grega.
O complexo de Édipo é a designação que Freud atribuiu a um fenómeno psicológico universal que observou em crianças neuróticas e normais, após ter visto a representação da tragédia de Édipo do Rei, de Sófocles. Freud caracterizou o complexo como um conjunto de desejos amorosos e hostis que as crianças vivenciam na relação com a mãe e o pai, que lhes provoca enorme culpa inconsciente e as leva a dirigir o primeiro impulso sexual para a mãe e o primeiro ódio para o pai, ao ponto de desejarem matá-lo. De uma forma ou de outra, com menor ou maior intensidade, o Complexo de Édipo acompanha-nos ao longo da vida, e, se não for bem resolvido, nos primeiros anos de vida, pode tornar-se patológico e desencadear verdadeiras tragédias. Freud observou também que a tragédia do Édipo do Rei era apreciada por novos e velhos e por diferentes culturas, o que indicava que o Complexo de Édipo era um fenómeno universal.   
Por cá, o complexo de Édipo manifesta-se porque o filho não arrumou o passado - não esqueceu os desaforos do pai, recalcou-os. Daí à afronta ao pai, foi um passo. Afrontar o pai é um erro que transforma a felicidade em infelicidade, por duas razões: primeira, a cultura cristã castiga sempre quem afronta o pai; segunda, o pai nunca tolera a desconsideração e a desautorização, e quando ainda está rijo, vinga-se. O caminho para a tragédia fica traçado.
O drama político pombalense assemelha-se a uma verdadeira tragédia grega: prelúdio empolgante (que já se vive), mote conhecido de todos - o filho que quis matar o pai, e o pai deseja vingar-se do filho – e epílogo imprevisível.
A peça não terá, com certeza, grande unidade estética, mas promete cenas empolgantes, como a do último fim-de-semana. Dois indivíduos de carácter distinto, com diferentes estados de alma, entregues ao enigma do destino, com culpa inconsciente e sofrimento imerecido, numa luta feita de coragem e medo, resistência e poder, fugindo da punição e buscando a salvação. O enredo promete muita transfiguração da realidade: peças alegóricas e doutrina cristã, sentimentos piedosos e sentido aristocrático, moral prática e falsa moral ascética, briga política e pessoal.
Os espectadores (o povo e o não-povo) não se limitarão a assistir. Ser-lhes-á pedido participação activa na repartição da culpa e da absolvição, na punição e na consagração, conforme o gosto ou a estirpe.
Uma coisa é certa: o deleite do povo está garantido.

8 de julho de 2016

Os amigos de Manel

Uma pessoa fica embevecida com a solidariedade que grassa por aí, em forma de partilha nas redes sociais, para com Manuel António, ex-presidente da Junta da Guia, a propósito de outro antigo cargo - o de presidente do conselho geral da Escola Secundária de Pombal. Mal o Farpas anunciou aqui o louvor que lhe foi atribuído, foram muitos os amigos que se apressaram a enaltecer-lhe todas as qualidades. Aquelas que sempre teve, desde que o conheço, há muitos anos. As mesmas que o fizeram recuperar para o PSD uma junta em território (até então) socialista, que o fariam ganhar sempre, por qualquer partido ou fora deles.
É uma pena que naquele árduo processo do conselho geral transitório, em que D. Diogo o maltratou e destratou, não tenham vindo a terreiro defendê-lo. À excepção do jovem Brilhante (honra lhe seja feita), em coluna de jornal, todos os outros assobiaram para o lado. Ficam as boas intenções de Pedro Pimpão, quando o convidou a fazer parte da comissão política concelhia... dois anos depois. Aguardava-o um cachimbo da paz? Nem por isso. Se dúvidas houvesse, atente-se nesta foto, ao estilo  "se os olhares matassem". De cada vez que os vejo juntos, vem-me à memória aquela reunião de março de 2014, em que o resiliente Manel tentava cumprir a lei, sem sucesso, e instalar um conselho geral transitório para o agrupamento de escolas de Pombal - só aconteceria agora, dois anos e meio depois.
"Lê lá a lei, Manel".

A armadilha da revogação do Plano de Pormenor

Na última AM, no ponto referente à discussão e aprovação da revogação do Plano de Pormenor (PP) do Parque Manuel da Mota, Victor Gomes, deputado municipal do PS, fez uma observação pertinente (mas inconsequente): alertou para a falta de informação sobre as razões da revogação do plano, que o executivo tinha aprovado, por unanimidade, provavelmente de olhos e ouvidos fechados.
O presidente da câmara justificou a revogação do Plano de Pormenor com a necessidade aprovar edificações que violam o plano. Explicou que a revogação do Plano de Pormenor é forma mais rápida de contornar as normas em vigor porque passa a vigorar o Plano Director Municipal (PDM) que tem normas mais largas/vagas.
Ou seja: o presidente da câmara submeteu à AM uma “armadilha”, sem justificação formal, de forma a obter desta a cobertura para uma ilegalidade.
O PDM é um plano de cariz estratégico que estabelece a organização territorial do concelho, não sendo o documento adequado para a gestão urbanística. Os documentos utilizados para regular a gestão urbanística são os Planos de Pormenor. Fazer isto ao contrário é violar os documentos, o espírito e a letra da lei.
Nos primeiros tempos, quando as câmaras tinham PDM mas ainda não tinham PP (os segundos derivam dos primeiro) aceitava-se que licenciassem edificações com base no PDM. Actualmente é inaceitável. 
A câmara está a cometer uma ilegalidade, com a conivência da assembleia e de uma oposição néscia.

video


6 de julho de 2016

Não se pode falar de Blogs na AM

Na AM, realizada na última quinta-feira, João Gante, leitor do Farpas, pegou no que por aqui se escreveu sobre a Quinta de Sant`Ana e questionou o presidente da câmara. O que ele foi fazer. Saltou logo o digníssimo dr. João Coucelo, líder da bancada do PSD, não para esclarecer o problema real e grave (dizemos nós, e percebeu-se pela resposta do presidente da câmara) ou para contrapor um argumento qualquer, mas indignado por o deputado municipal do PS interpelar o presidente da câmara “com um assunto totalmente despropositado” e citando um Blog (O Farpas). Censurou o deputado municipal do PS, afirmando: “se um blog que eu não sei o que diz, serve para as pessoas reflectirem e vir para a AM falarem, lamento imenso, porque os blogs, para mim, não servem rigorosamente para nada, não são opinião pública”.
Nós, por cá, nesta questão (e não só), discordamos totalmente do digníssimo dr. João Coucelo, porque temos, com certeza, conceitos muito diferentes do que é opinião pública e público; mas compreendemo-lo muito bem. Só não percebemos porque gastou o tempo todo a atacar os Blogs (o Farpas) e não reservou um segundo sequer para contestar a mensagem. Aí, o presidente da câmara distinguiu-se. Compreendemos, também, que o digníssimo dr. João Coucelo e a sua bancada não gostem de ser incomodados, de três-em-três-meses, com o mesmo assunto, para algumas pessoas torna-se enfastiante. Bonito, para as pessoas que assim pensam, é despachar os assuntos todos, nomeadamente os fundamentais para a comunidade, numa penada, com aprovações  por unanimidade, sem nenhuma discussão ou intervenção.
Mas também compreendemos que o João Gante tenha metido o rabo entre as pernas e a bancada do PS não tenha tossido nem mugido – o respeitinho é muito bonito.
O digníssimo dr. João Coucelo nunca lerá estas palavras – seria descer demasiado baixo para o seu estatuto – mas os que são (também) opinião pública, vão gostar de saber o que ele considera opinião pública.
video