22 de maio de 2015

A cultura do regresso ao passado


O que aconteceu em Pombal no fim-de-semana passado merece aplausos e incentivo. É sempre um balão de oxigénio para uma moribunda zona histórica ter alguma vida de volta, ainda mais se chegar acompanhada de música e dança, como foi o caso da iniciativa Montras Poéticas: artistas nossos a mostrarem, de uma forma original, o que fazem tão bem.
Depois, no domingo, quase em segredo (custa-me a crer como é que não se aproveita a marca do Marquês, numa coisa destas, como é que não se divulga isto à séria) uma nova Associação Artística apresentou-se no Museu, com um [belíssimo] quinteto de música de câmara, que pode voar tão alto...
A maioria das entidades locais tinha mais que fazer - está visto - e por isso chegou no final do concerto, só a tempo da fotografia. Uma pena. 
Mas o que sobra deste tempo é a fixação pela idade média e pelos séculos passados. Foram os romanos no Natal, depois a feira medieval, agora o festival pombalino. Dir-me-ão que é melhor que nada, que o que importa é haver actividade. É importante preservar o passado, sim. Mas é igualmente importante projectar o futuro, e isso faz-se muito pouco, nos tempos que correm. Cheguei a pensar que as sementes lançadas na Casa Varela, no Bodo passado, iriam germinar. Mas os meses passaram, a casa não voltou a abrir-se, e os nossos artistas continuam a ser chamados por Leiria (por exemplo) para animar as inúmeras iniciativas culturais da cidade vizinha. Não se trata de copiar os outros, mas podemo-nos inspirar. E fazer mais coisas como a do fim-de-semana-passado. Mudamos esta agulha?

nota de rodapé: Se há um festival pombalino e um sarau, com  música barroca, agendado para a noite de sábado; se acaba de nascer um quinteto em que os músicos até trajam à época e tocam tão bem, não faria sentido integrar uma actuação nesta iniciativa? Pois. 

Meio-tolos

A ofensa é a arma dos fracos, e dos tolos. Os primeiros são imputáveis, os segundos não. O problema é distingui-los e responsabilizá-los. Como poderemos responsabilizá-los se não conseguimos distingui-los? Há sempre a hipótese de chutar o problema para os tribunais, mas os juízes também se consideram impotentes para o efeito e recorrem regularmente a peritos, que dão pareceres contraditórios e a pedido.
É complicado lidar com os tolos e muito pior com os meio-tolos. Os tolos são por natureza criaturas inconscientes, ingénuas, toleráveis; que, apesar de dizerem parvoíces, piadas de mau-gosto ou impropérios, não ofendem verdadeiramente. Erasmo dizia que “só aos tolos os Deuses concederam o privilégio de censurar sem ofender” e, por isso, reservam-lhes o reino dos céus. A tolice é a alegria do tolo.
Os meio-tolos são a outra face dos tolos: criaturas perigosas, mal-formadas, intrinsecamente desonestas, que manhosamente conquistaram uma certa áurea de tolos (espertos) e a usam, conforme as circunstâncias, para se fazerem passar por tolos ou por audazes. Abundam por aí e por aqui.
Tolero os tolos mas abomino os meio-tolos, porque estes não olham a meios para atingir os fins. Preocupo-me muito pouco com a imagem, mas preocupo-me com o bom-nome. Não é tanto por mim, mas pelos meus Amigos e pela minha família - acima de tudo pelos meus filhos. Tenho hoje a certeza (se se pode tê-la) que os meus filhos são melhores do que o pai. Isso enche-me de orgulho, mas aumenta-me a responsabilidade de os não desiludir, de os não envergonhar. Tenho a consciência de que os filhos perdoam todos os deslizes à mãe, mas são implacáveis com o pai. Compreendo-o e aceito-o.
Há uns tempos, um amigo recente presenteou-me com um jantar onde tive a sorte de ficar sentado ao lado de uma Senhora que não conhecia. O jantar foi delicioso – ficou-me gravado o sabor daquela cabidela, prato de que não era grande apreciador – e a longa conversa com a distinta Senhora foi o complemento perfeito do repasto. Quando leio alguns dos comentários que por aqui vão sendo colocados, penso na distinta Senhora (e no seu filho que não conheço) e rezo para que não tenha(m) o azar de os ler - farão sofrer e rasgarão, com certeza, a sensibilidade da distinta Senhora. 

16 de maio de 2015

Oxalá tenhas um mau vizinho

É o agoiro proferido durante uma discussão contra o adversário e inimigo: “Oxalá tenhas um mau vizinho”.
O mau vizinho intromete-se na vida alheia (vigiando), insulta, agride, danifica, furta e arremessa lixo a partir do seu quintal, tentando cansar e desmoralizar o vizinho. Porém, arrisca-se a encontrar alguém ainda mais duro e partir a testa com as cabeçadas que dá. É o que me fez lembrar a conduta mais recente de Rodrigues Marques e anteriormente de alguns anónimos em relação ao Farpas.

Mais uma baixa…

Desta vez durou, apenas, dois meses e meio. Jorge Cordeiro, adjunto do Príncipe, contratado para chefe da propaganda, bateu com a porta e zarpou.
As crueldades continuam a ser mal usadas, a desconfiança é enorme, os ministros andam pelos cabelos e dirigentes amedrontados e em guerrilha.

O príncipe está demasiado incauto e o delfim no terreno a entender o regaço aos desiludidos. 

Não desvalorizem as touradas

Nota prévia: não sou grande aficionado nem anti-touradas. Aprecio, até, uma boa lide, preferencialmente “a pé”: a coreografia, a encenação, a musica e a adrenalina do risco.

A junta de Abiúl (com apoio da câmara) vai pagar (dar), à RTP, 25.000 € pela transmissão de uma tourada, por altura das festas de Agosto. Não se percebe - até porque as televisões andam ávidas de eventos e parodias que lhes ocupem as muitas horas de emissão.

É um 2 em 1: desvalorizam as touradas - ao assumirem que não têm valor e gastam dinheiro, sem qualquer retorno, necessário para suprir carências básicas.  

13 de maio de 2015

Bullying estudantil e praxis académica

Recentemente, assistimos à divulgação de um vídeo mostrando alguns estudantes a agredir um colega, para escândalo da hipocrisia de graúdos, que também já o fizeram, e de miúdos, que também o fazem. Recuando mais um pouco no tempo, assistimos anteriormente à novela televisiva da investigação das responsabilidades na morte dos estudantes da Praia do Meco, em resultado da brincadeira e da estupidez da adesão a praxis estudantis.
No primeiro caso, é patente a presença de uns marmanjos, feitos líderes, a incentivarem as suas fêmeas a agredirem o macho mais fraco, chegando mesmo a manietá-lo para que este não se possa defender. No segundo caso, um estudante cábula e repetente, intitulado “dux”, liderou alguns estudantes, nomeadamente fêmeas, conduzindo-os à Praia do Meco onde perderam a vida.
Não se surpreendam os graúdos que compram fatos de andorinha para os seus “meninos” se inserirem na “sociedade” académica e na cultura da festa inconsciente, para participarem nas atividades das praxis académicas e apanharem quilómetros de bebedeiras e produzirem toneladas e lixo…

Entretanto, miúdos e graúdos continuam a disputa territorial e o jogo de sedução muito vistos nos documentários televisivos sobre vida animal, como por exemplo nos filmados no “Parque Nacional do Serengeti”.

A 13 de Maio, na cova da Pombalaria

Maio é um mês que me irrita um bocado.
Desde logo, por causa das aparições. Refiro-me, claro, às aparições dessa aberração rodoviária que são os "carros de apoios a peregrinos". Juntemos a essa irritante realidade o facto de suprimirem todas as segundas faixas na estrada (IC2) entre Coimbra e Leiria, e... vamos completar o quadro com a colagem dos políticos ao fenómeno religioso, que é talvez ainda mais obscena do que aquela que fazem ao futebol.
O Pombal Jornal dá a boa-nova, em noticia assinada pela menina JESUS (o que reforça a santidade da acção municipal), e de forma não muito diferente da que é feita pela site do Município. Há plágio de um dos dois, ou há uma "acção concertada" entre órgãos que se querem (e são, não duvido) amigos? Ou o "gabinete da propaganda" foi aumentado mais uma vez, e nós não sabíamos? Ou então, poderá também ser uma substituição, mas para isso, teria algum dos actuais membros de tão activo órgão que se demitir, o que não parece uma coisa normal.

O estado é laico, mas o município, aparentemente, não é. Nem os seus seguidores.
Amén.

12 de maio de 2015

Se eu não me ajudar…

Não sei se é da crise ou da evolução normal da praxis: o certo é que o lema “se nós não ajudarmos os nossos…”, assumido publicamente pelo PSD para justificar as múltiplas arbitrariedades, evoluiu para “se eu não me ajudar…”.
O presidente da junta do Louriçal reconheceu, em plena assembleia de freguesia, que a junta compra produtos à sua empresa. Está explicado o seu deslumbramento com a terra de oportunidades em que Pombal se transformou!

11 de maio de 2015

É tudo uma questão de fé

A comovente divulgação do apoio aos peregrinos por terras de Pombal, por parte do município - republicano e laico (?!) -  mostrou ao país e ao mundo que não há terra como esta.
Desta vez, superámo-nos no sacrifício pelos outros, deixando aos nossos atletas uma sala para se equiparem, pois que os balneários estavam TODOS destinados aos peregrinos.

9 de maio de 2015

Rapaziada, quer se possa ou se não possa...


A convocatória merece ser emoldurada.
A convocatória merece ser emoldurada porque está em letra miudinha.
A convocatória merece ser emoldurada porque está em letra miudinha e mal se lê, no jornal.
A convocatória merece, ainda, ser emoldurada porque...não se via nenhuma destas desde há uns dois anos!
A convocatória é uma boa convocatória. O clube é um bom clube. E os candidatos também. 
Era um Lopes para o Sporting de Pombal, sff.

7 de maio de 2015

Ao jeito de Frei Tomás

Custa-me, acreditem, repisar estes temas (o seu denominador comum): Conselho Geral de Agrupamento de Escolas de Pombal e a Direcção dos Bombeiros Voluntários de Pombal. Mas a realidade é de tal forma abusadora que até deixar de ver faz doer os olhos.  E, como dizia Pessoa, tudo que se passa no onde vivemos é em nós que se passa. E, nestes casos, é preciso ter contra-alma bastante para não chorar e grande desvergonha para calar.
O Agrupamento de Escolas de Pombal não tem Conselho Geral, vai para ano e meio. Não tem porque o presidente da câmara, fazendo-se passar por paladino da legalidade, aponta potenciais irregularidade na eleição dos representantes dos pais, e, apoiando-se nisso, recusa-se a tomar posse e não consente que tomem posse os membros designados pela autarquia, o que acarreta transtornos e prejuízos para a comunidade educativa.
Há cerca de um mês, foram (re)eleitos os (velhos) dirigentes da Associação de Bombeiros Voluntários de Pombal, mantendo-se o presidente da câmara como vice-presidente. O processo eleitoral foi um chorrilho de ilegalidades, que atingiu o caricato com uma eleita a ter que emitir um comunicado para se demarcar do processo e mostrar a sua estupefacção por constar da lista única apesar de não ter sido convidada e não ser associada. Apesar desta (e não só) ilegalidade que roça o burlesco, os dirigentes eleitos tomaram posse e, depois de o caso ter sido tornado público, não se demitiram – o que não surpreende - e o presidente da câmara – o tal paladino da legalidade – continua sereno e inamovível, atestando, dessa forma, a conformidade do processo.

Bem prega Frei Tomás: faz o que eu digo, não faças o que eu faço! Até quando…

Em nome do Oscar

Calou-se ontem uma das vozes mais incómodas do jornalismo em Portugal, da liberdade de expressão. Da Liberdade. Oscar Mascarenhas morreu, de ataque cardíaco, aos 65 anos. Deixou muito de si à imprensa portuguesa e um bocadinho também ao Farpas, quando, em Janeiro de 2014, fez o favor de me esclarecer a propósito disto.
Na edição de hoje do DN, o camarada (de sempre) Ferreira Fernandes escreve-lha uma doída homenagem, que vale a pena replicar aqui - afinal, o Oscar travou uma luta contra os anónimos e deles dizia muito do que penso, também: escrever é dar a cara. Por isso mesmo, aqui fica a crónica, para memória futura.

Doeu, mas está tão bem escrito...

Um dia, ele contou-me que o pai, médico, recebera uma carta, que abriu, levou os olhos ao fim do texto e, não tendo encontrado assinatura, rasgou-a e deitou ao lixo. "Uma carta anónima não se lê", ensinou o pai a Oscar Mascarenhas, ensinou-me ele em conversa, como ensinou a muitos, nas redações dos jornais e nas escolas. O Oscar era altivo a falar e quem nisso só visse arrogância perdeu, talvez, boas lições. Perdi algumas, mas aquela, não. A carta anónima não foi mero episódio, era a convicção duma vida: escrever é dar a cara. Aqui, no DN, Oscar Mascarenhas liderou um combate contra a irresponsabilidade (passe o pleonasmo) dos comentários anónimos no online. E não era ver o argueiro nos olhos dos outros: não conheço jornalista português que mais tivesse criticado os seus próprios camaradas. Criticava por amar demasiado o que fazia: "Digam-me uma só profissão que se autocritique em público tanto como a nossa!", desafiava. Um risco, porque ele viveu estes anos em que o jornalismo tarda em renascer. Ele conhecia esse desânimo, o que, por vezes, o levava a usar como arma de espadeirada o florete com que esgrimia a língua portuguesa. Era um polemista temível - de quem o fustigado, se conseguisse ser justo depois de tamanha coça, deveria dizer: "Doeu, mas está tão bem escrito..." Disse-me, ontem, de longe, uma pessoa querida: "Ele deu-me o CD da verdadeira música da pesada quando eu só pensava em rock. Era Wagner."

Perigo nas estradas dos peregrinos

As vias rodoviárias que ligam o norte e o centro de Portugal a Fátima, em grande parte dos seus percursos, constituem um risco para a vida dos peregrinos, como o demonstram as recentes mortes por atropelamento nos concelhos de Pombal e de Condeixa.
A Igreja Católica, os sucessivos Governos e os Municípios por onde transitam os peregrinos poderiam construir um caminho rústico interdito a veículos motorizados, para proteção dos peregrinos, à semelhança da maior parte dos troços dos caminhos de Santiago.
A omissão de iniciativas da Igreja Católica, principal responsável moral pela proteção dos peregrinos, parece revelar apenas preocupação com os resultados económicos das peregrinações a Fátima, de que é sempre a principal beneficiária. Também os autarcas dos municípios atravessados pelos peregrinos, aqueles que se fingem muito religiosos e que atribuem gordos subsídios à Igreja Católica, para construção ou remodelação de adros de capelas, ou às associações, para “atividades” sem utilidade, parecem não valer os cargos que exercem…

O Município de Pombal começa a falar numa solução. Veremos se a mesma implica os habituais “remendos” na adaptação de vias rodoviárias ou a definição dos “caminhos de Fátima” materializados em novos trajetos interditos a veículos motorizados.