17 de fevereiro de 2017

Good News


As obras de requalificação da sede de Abiúl pararam.


Às vezes, é melhor dar um passo atrás, para dar dois em frente, mais seguros.

Não desbaratem os 500.000 €

Na sede de Abiúl tudo exige qualificação: Coreto, Lavatório, WC, espaço, via, …
O Coreto é o elemento mais desqualificador e disfuncional daquele espaço. Surpreende, portanto, que o projecto contemple, unicamente, uma “(re)pintura e reparações diversas, necessárias à sua manutenção”. Prova evidente que o projecto não visa qualificar o espaço, mas simplesmente embelezar a coisa.
O Lavatório poderia ter algum valor sentimental para as pessoas da zona, mas era inestético e démodé. A opção tomada acumula três erros:  refaz o que não tinha valor nem função, coloca-lhes uma pala aberrante e compromete a forma e funcionalidade do WC.
A opção para o Ecoponto é ruim – mais um exemplo de que não se quis qualificar a vila. Deveriam ser enterrados - não se percebe a resistência do Presidente da Câmara a esta proposta.
A solução junto ao Cruzeiro é discutível – gosto e funcionalidade duvidosa.
As lajetas de granito na via, como alternativa ao asfalto, são uma solução aceitável. Já a redução da via e os lancis elevados nas curvas são opções disfuncionais e inseguras.
Em resumo: muito dinheiro, pouco benefício e muita falta de criatividade. 

16 de fevereiro de 2017

Por favor, não destruam património identitário valioso

O projecto de requalificação da sede de Abiúl parece ter sido feito com os pés: desqualifica o que qualifica, e mantém o que desqualifica.
O erro maior está na demolição da escadaria da igreja e construção de uma nova escadaria, menor, assimétrica, com pedra nova talhada a régua e esquadro. O edifício/monumento que mais qualifica a vila histórica é a igreja; apesar de já ter sido alvo de outros atentados. Há pouco tempo atrás, rebocaram as pedras das colunas da fachada porque acharam que lisas ficavam melhores. Entretanto removeram-no, e sobrepuseram pedra trabalhada nas colunas e na porta, porque alguém deve ter alertado que o reboco era um escarro na fachada da igreja. Corrigiram parte do erro, mas a traça primitiva foi-se. Felizmente, não se lembraram de substituir a laje muito gasta da porta principal - salvou-se um elemento traça primitiva da fachada.
A demolição da escadaria e sua substituição por uma escadaria de pedra trabalhada é um crime ao património arquitectónico de Abiúl. É verdade que a escadaria actual necessita de intervenção: está desnivelada, com fissuras e com muitos remendos de argamassa fruto de atentados anteriores. Mas uma coisa é reabilitar a escadaria, respeitando o carácter arquitectónico do edifício e do espaço envolvente, salvaguardando a traça primitiva e a imagem do edifício e da praça; outra, bem diferente, é edificar uma nova escadaria que destrói inevitavelmente património muito antigo.

15 de fevereiro de 2017

E o povo, pá!

O projecto de requalificação da sede da freguesia de Abiúl, em execução, retrata na perfeição o estilo de exercício do poder que temos na câmara: voluntarista, arrogante, surdo.  
Voluntarista porque avançou com o projecto quando e como quis; sem articular a intervenção com a junta.
Arrogante porque faz como quer, contra a vontade da população e dos seus legítimos representantes. Na sessão de apresentação do projecto, a população e a junta mostraram discordância em relação às soluções propostas. Presente na sessão, Diogo Mateus fez-o-número habitual: prometeu introduzir correcções no projecto, mas não o fez - manteve tudo igual.
Surdo porque não ouve, ou só ouve quem quer. É inadmissível que ignore a junta - legítima representante da população.
Resultado: o projecto é mau, está a provocar muita contestação, vai obrigar a alterações e sobrecusto da obra. Por este andar, perder-se-á uma oportunidade para requalificar a sede da vila e desperdiçar-se-á meio milhão de euros (ou, pelo menos, parte deles)

14 de fevereiro de 2017

D. Diogo, o conquistador

                                          Foto: Município de Pombal. Esta terça-feira, em Vila Cã, o engº Abel parece apontar o caminho

Desfeitas as dúvidas, é certo que Diogo Mateus não vai a lado nenhum. Fica em Pombal, onde disputa, nas próximas autárquicas, as eleições da sua vida: é a primeira vez que pode assumir a desforra com Narciso Mota, vingar-se de todas as vezes em que comeu e calou, até chegar à presidência da Câmara, em 2013. Dessa vez, ainda foi agarrado à imagem do "mestre". Usou-a nos cartazes, dando ideia de que estavam unidos para sempre. Quando naquelas eleições de 2001 se candidatou à Junta, não podia assumir a ruptura. E poucos saberão que o fez por instinto de sobrevivência, já que Narciso o deixou de fora da lista à Câmara. Desta vez, preparem-se para o pranto e ranger de dentes.
Na reunião da comissão política concelhia do partido, ontem à noite, já se definiu alguma coisa, mas o órgão continua por aprovar a (re)candidatura.O actual presidente da Câmara vai esticar essa corda até ao limite. Estratega, como só ele, há-de deixar todos os pares na dúvida, quanto a nomes e lugares a ocupar. Na próxima sexta, a Assembleia de militantes há-de confirmá-lo.
No meio desta novela há outra certeza: Pedro Pimpão não tem (outra vez) lugar na lista de Diogo. Mas continuamos a ter candidato, nem que seja à Junta de Freguesia de Pombal. Assim teria tempo para se afirmar localmente como advogado, fazer teatro à sexta, correr ao sábado, ir à bola ao domingo. E para fazer o caminho necessário até à Câmara, de permeio. Fica a dica.

O falso associativismo

O nosso associativismo está infestado pelo falso associativismo - uma praga que se propaga de associação para associação, mais rápido do que a praga dos gafanhotos, se enraíza melhor do que as ervas daninhas, causa mais dano do que o pior dos parasitas. É uma praga que ataca mais as associações importantes - com potencial para gerar receitas - do que as pequenas associações.
A Associação dos Industriais do Concelho de Pombal (AICP) foi atacada pela praga do falso associativismo. Se a AICP tivesse como missão servir unicamente os seus associados e não fosse financiada por dinheiros públicos, a enfermidade era um problema dos industriais de Pombal. Não é o caso.
As associações de industriais são, em qualquer concelho deste país com alguma tradição industrial, entidades influentes e respeitadas, lideradas por industriais com obra feita, que muito contribuem para o crescimento local e regional. A AICP é o oposto do que deveria ser. Foi tomada por profissionais do associativismo - não-industriais e algumas muletas - que cirandam de associação para associação: Consultores, Formadores, Contabilistas, Advogados, Enfermeiros, Agentes de Seguros, Comerciantes, Reformados, etc.
Os Industriais associados da AICP são responsáveis, por acção e inação, pelo estado da associação. Não lhes basta criticarem os dirigentes, actuais e anteriores (a doença é antiga), em surdina; e assumirem, em privado, que não se revêm na associação.
E uma pergunta: todos os membros dos órgãos sociais da AICP assumiram a candidatura? (Ou foi como nas eleições para a Associação dos Bombeiros Voluntários de Pombal?)

12 de fevereiro de 2017

Muita parra, pouca uva


Diogo Mateus não se cansa de apregoar os méritos da parceria que a Câmara Municipal de Pombal tem com a Associação EPIS - Empresários Pela Inclusão Social. De tempos a tempos, lá surge um comunicado a referir as maravilhas do programa. 

Sejamos sérios: alguém conhece os resultados de tal parceria? Talvez a culpa seja minha, mas até agora ainda não vi nada de concreto. E quanto ao envolvimento dos pais: é verdade que colaboram efectivamente no projecto ou estão lá apenas porque ficam bem na fotografia?

Como professor e pai, sou o primeiro a aplaudir tudo o que de sério possa ser feito pela promoção do sucesso escolar. Se for essa a vontade dos senhores empresários e da autarquia, trabalhem com descrição e eficácia. Não gastem energia e dinheiro em propaganda oca. Vão acabar por matar uma ideia com potencial a brincar à caridadezinha.

Dissemelhanças

O PSD local sofre de dores de enfartamento, provocado pelo excesso de candidatos - tem três em campanha.

A oposição faz dieta - faz da inexistência modo de vida - e espera que o adversário pereça do enfartamento. 

8 de fevereiro de 2017

E o candidato do PSD em Pombal é...

A novela autárquica segue a bom ritmo com um novo capítulo: "Tendo tido conhecimento da desvinculação do PSD do ex-militante Narciso Mota, a Comissão Política Distrital de Leiria do PSD retira a confiança política de todos os cargos que exercia e reforça toda a solidariedade para com a concelhia de Pombal na preparação do processo eleitoral autárquico". Era o esperado, e era o mínimo, à luz das obrigações e deveres partidários. Mas como nem tudo é normal em Pombal ocidental (nem oriental), estranham-se alguns contornos destes caso.
1. Por que razão é a comissão política distrital a retirar a confiança dos cargos que são ou advêm do concelho? 
2. Quem assina o envio do comunicado é Pedro Pimpão, enquanto "secretário da comissão política distrital". Estamos a atirar a pedra e a esconder a mão? 
Não era a concelhia que deveria exercer essa responsabilidade?
3. É bizarro o atraso na apresentação da (re)candidatura de Diogo Mateus. A não ser...que Diogo Mateus não seja o candidato do PSD. Note-se que, até à data, não há uma palavra do próprio que indique essa disponibilidade, e crescem rumores de que poderá estar de abalada de Pombal. Na verdade, não se levantou a vaga de fundo que era esperada num caso destes. Na Rua dr. Luís Torres fazem-se comunicados com os dentes de fora e tiros nos pés; na Bidoeira faz-se uma coisa insipiente apelidada de comunicado. É como dizia o outro: "se não tens nada para dizer, não digas". Mas neste particular, Narciso Mota terá muito para dizer - a começar pela lista de empregos que arranjou ao longo de 20 anos aos que agora cospem no prato onde comeram. Porém, os telhados de vidro nunca foram boa cobertura...
Esperamos para ver se o PSD local será consequente com tamanha valentia escrita, e propõe a demissão de NM da presidência da Assembleia Municipal.


7 de fevereiro de 2017

Politiqueiros da insegurança no IC2

O título do Diário de Leiria soa a alarme: “Pombal: autarcas fazem ‘ultimato’ para exigir obras no IC2”. A notícia reforça o toque a rebate: “as juntas e a câmara municipal deram um prazo, até final do mês, à empresa Infraestruturas de Portugal (IP)…. Caso contrário, estão dispostos a encetar uma “luta” com marcha lenta e outras iniciativas de “maior força””.
O deputado Pedro Pimpão – o grande reivindicador das obras – afirma que é “uma causa que nos une a todos”. Não lhe passei procuração para falar por mim. Compreendo-o, e não o censuro por me incluir no molho: é um exageradão, vive da ressonância.
Não nego que o IC2, nomeadamente no troço que atravessa o concelho, precise de obras. Todas as estradas, todos os anos, precisam de obras. Nego é que seja insegura (ou, melhor dito, menos segura que o resto da via) e que seja o grande problema de Pombal (temos tantos, infelizmente) ao ponto de exigir um toque a rebate.
Utilizo o IC2, todos os dias, no troço Pombal – Leiria. Considero-a uma via segura e relativamente fluída para o volume de trânsito que a procura. Podia ser mais segura? Podia. Mas mais segurança implicará, sempre, perca de outras valências. Podia ser mais rápida? Podia. Mas maior rapidez acarretará, sempre, mais dificuldade de acesso. Tenho muitas dúvidas que as populações que vivem nas imediações da via desejem limitações no acesso e no atravessamento da via. E sejamos sérios: mais segurança obrigará a isso. As recentes alterações no IC2 têm dado primazia total ao veículo automóvel; e, por vida disso, a colocação de separadores centrais, forte redução do número de acessos e cruzamentos, e proibição dos motociclos e bicicletas. 
Uma intervenção profunda no troço que atravessa o concelho, dando primazia total à segurança, não é uma prioridade para o concelho, e tenho muitas dúvidas sobre os seus benefícios globais.