24 de março de 2020

Falas bem, mas…

Diogo Mateus esteve-se nas tintas para a pandemia, durante duas a três semanas. Primeiro, ignorou-a; depois, usou-a para o servicinho político - para despachar a vereadora e o director.

Agora todo ele é humanidade e o estadista de vistas largas - veio propor a  existência de uma “lista actualizada de pessoas em quarentena, administrativa ou clínica, para controlo das autoridades de saúde e de protecção civil”. Diogo Mateus não está preocupado com as pessoas; está preocupado em controlar.

Diogo Mateus é perigoso mesmo sem lei; com uma lei que lhe permitisse o controlo nominal da vida (dos movimentos) das pessoas em quarentena, que tende a ser a maioria, caíamos na perfeita ditadura. Seria de fugir. Enquanto houvesse tempo.

21 de março de 2020

Da sanidade e insanidade


Da sanidade da quarentena

1. Cumpro a mesma rotina: dou aulas no horário de sempre, reuno por Skype ou ZOOM, estudo.
2. Visto a roupinha tal e qual como se fosse para sair, trabalho num sítio fixo (não no sofá) e faço as pausas às mesmas horas; vou menos às compras.
3. Reforço as minhas convicções relativas ao papel do estado e à importância insubstituível da ciência.

Da insanidade da quarentena

1. Somos encharcados com tudo e mais alguma coisa pelo WhatsAPP, email & etc. Para mim o melhor vídeo, até agora, é este (tornei-me fã dos Little Big).
2. Todos somos especialistas em COVIDs.
3. Há quem pense que a democracia está suspensa e comece a acreditar em Dons Sebastião. 

Felizmente, não é o caso do Farpas.

20 de março de 2020

CMP, o desnorte total


O país e o concelho estão no pico da pandemia. Nos próximos dias atingiremos novos picos; até que chegará o dia – que desconhecemos – em que a crise estabilizará e começará a regredir.

Por cá, o presidente da câmara resolver acrescentar à crise pandémica grave uma crise política sem precedentes. Mais: descurou a crise pandémica para alimentar e forçar a crise política agora publicamente assumida.
O presidente da câmara passou seis anos a capturar poder - a subjugar, esmagar e a eliminar quem dele divergisse. Como aqui escrevi, atingiu o pico com o golpe político da captura do vereador Pedro Martins ao movimento NMPH. E nesse momento, iniciou a queda - descontrolada por agora.

Que Diogo Mateus se suicide politicamente com casos e mais casos - com a sua equipa, o partido, os dirigentes e funcionários da câmara, e os seus adversários políticos -, é, essencialmente, um problema seu. Que comprometa a operacionalidade da câmara com conflitos sistemáticos, nomeadamente neste momento crítico, é inaceitável – mostra a sua natureza e o desnorte que o assaltou.

Quando na última segunda-feira aqui postei sobre o caso da chamada da Polícia Científica à câmara para, supostamente, averiguar uma violação do sistema informático e/ou instalações da câmara, fui acusado de estar a brincar com coisas sérias, de brincadeira de mau gosto. Mas não estava. Estava a dar informações relevantes para ajudar as pessoas a perceber o estado da autarquia, o desnorte que reina no Convento do Cardal. Estava a começar a mostrar até onde vai a irresponsabilidade política, a má-fé, o desnorte.

19 de março de 2020

Última hora

Como o Farpas já tinha indiciado, recentemente, o presidente da CMP, Diogo Mateus, retirou os pelouros à vereadora Ana Gonçalves. O desnorte continua.

Comunicação de crise

Em pleno estado de emergência no país, numa altura que o concelho de Pombal é (no distrito de Leiria) o maior foco de preocupação no âmbito da pandemia, o presidente da Câmara - que hoje activou o Plano Municipal de Emergência e Protecção Civil, chamando a si a responsabilidade maior das operações - ainda arranjou tempo para retirar os pelouros à vereadora Ana Gonçalves. Da mesma maneira que, na sexta-feira passada, suspendeu o director de Recursos Humanos - com efeitos imediatos.

As Tricas do Concelho


Neste momento de crise, que já sabemos que não estamos preparados, há coisas muito mais importantes do que pensar na ingerência, incompetência e nas tricas políticas.

O que é importante:

  • O resguardo absoluto. Excepção para aqueles heróis que nos mantêm vivos nas nossas casas: o pessoal da saúde, dos transportes e serviços básicos, do retalho alimentar, da segurança e todos aqueles que permitem a uma grande maioria da população estar em casa de preferência a praticar o teletrabalho;
  • De garantir que todos, principalmente os nossos pais e avós, fiquem em casa e explicar que “dar só uma voltinha” não pode acontecer e há que lavar as mãos e as outras medidas que já deveríamos saber de cor;
  • Dar os parabéns aos bons exemplos de comércio local e pessoas que passaram a fazer entregas em casa;
  • Os empresários e empresas de serviços e bens essenciais que mantém tudo a funcionar com risco de saúde para si e seus funcionários;
  • Os que puderam e prontamente fecharam as suas empresas dando prioridade à saúde e às famílias sem qualquer garantia que conseguiriam pagar as contas no final do mês – mas com a convicção que vamos continuar e dar a volta;
  • As iniciativas de apoio a pessoas com dificuldade de movimentação ou que pertencem a grupos de risco;
  • A capacidade de cada um de nós, sem grande preparação prévia, de nos adaptarmos a uma realidade completamente diferente e continuar a ser produtivos ao mesmo tempo que mantemos os nossos filhos na curva de aprendizagem com o apoio remoto da pessoal de educação;
  • Dos contactos permanentes com os nossos através da tecnologia (dá para reunir a família toda numa única chamada do Messenger, Skype, ou outras) porque é necessário manter o sentido de comunidade de foram permanente;
  • De estar alerta para situações de risco à nossa volta - estamos mais isolados por isso é preciso perguntar mais;
  • Desliguar-se das redes sociais por algumas horas e não estar na ansiedade de saber mais esta ou aquela novidade – sabemos isso a horas definidas;
  • E confiar e apoiar quem tem responsabilidade pela causa pública. Estão a fazer o melhor que podem e conseguem para responder às necessidades de todos. Ser paciente porque também não estavam preparados e esperamos que aprendam rápido com os bons exemplos aqui ao lado em Leiria.
A história contemporânea do Concelho traz-nos à memória personalidades que pelo seu engenho, capacidade de trabalho e audácia assumiram responsabilidades e fizeram coisas acontecer. Não estiveram à espera.

Haverá seguramente assuntos que cheguem a jusante porque o caudal é longo.

"A verdadeira generosidade para com o futuro consiste em dar tudo ao presente".

Albert Camus, O homem revoltado (1951)


17 de março de 2020

Tudo vai ficar bem!



Estamos a menos de 24 horas de saber se é decretado o Estado de Emergência no nosso país. Calculo que muito poucos saberão, no concreto, o que isso representa para cada um de nós. Nem eu!

Estando em isolamento social, tenho tido tempo. Tempo para pensar em tanta coisa. Tempo para olhar à minha volta. Equacionar tantas coisas, que eu até aqui, considerava como importantes na minha vida. Continuam a ser, mas deixaram de ser tão importantes.
Uns acham que DEUS nos está a por à prova, outros acham que é a própria Mãe Natureza a falar… não contesto nem uma ou outra teoria, cada um crê no que quiser. De uma coisa eu sei, um “inimigo invisível” fez-nos parar a todos. Pôs o Mundo em alerta e no geral, está a modificar o comportamento das pessoas. Há um sentimento de união, de entreajuda, de solidariedade e de comunidade.


Estamos em “guerra” dizem os nossos responsáveis políticos e o mundo uniu-se contra o inimigo.
Não é tempo de exigir do Estado tudo e mais alguma coisa - e aqui refiro-me a todos os órgãos desde o governo até às juntas de freguesia - porque o Estado somos nós e portanto, cada um terá que ter a sua quota de participação de responsabilidade. Enquanto cidadãos devemos olhar pelos nossos semelhantes, desde os nossos familiares até aos nossos vizinhos, porque todos precisamos uns dos outros.

Sou eternamente grata àqueles que não estão em casa, continuam a trabalhar, desde os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, auxiliares, administrativos TSD….) até ao padeiro que não deixa que o pão nos falte na mesa. A solidariedade dos minimercados das aldeias que se mantém abertos e que fazem entregas ao domicílio aos idosos e doentes e tantos, tantos outros…isto é ESTADO, porque ninguém se pode demitir da sua obrigação, até enquanto ser humano.

Acho (e espero) que toda esta crise profunda em que vivemos, nos faça reequacionar as verdadeiras prioridades da VIDA. Porque ninguém vive numa ilha isolada.

Todo o ser capaz de viver isoladamente, ou é um Deus ou uma besta, mas não um ser humano” (Aristóteles)

16 de março de 2020

Última hora

O Convento do Cardal foi, supostamente, invadido por um VÍRUS*. A Polícia Científica foi chamada e esteve no local durante o fim-de-semana.

Aguardam-se informações do presidente da câmara, a todo o momento.

* Adenda: VÍRUS (Hacker; Intruso, ...)

15 de março de 2020

COVID-19 (nós por cá)

À hora a que vos escrevo ninguém sabe quantas pessoas em Portugal serão já portadoras do novo coronavírus. Sabemos o número de casos confirmados, os que estão a aguardar resultado aos testes, os casos suspeitos e os que estão sob vigilância. 
Mas há quem, entre nós, neste pequeno mundinho, acha que sabe tudo. De repente vemo-nos rodeados de especialistas em Saúde Pública, mas também em gestão do território, administração interna, gestão hospitalar, tudo e um par de botas.
Entre os que pedem o fecho imediato das fronteiras e os que apontam o dedo ao Governo 'porque devia tê-las fechado há várias semanas', ficam aqueles que apontam o dedo a tudo. Menos aos medicamentos que hoje estão a tomar e são fabricados na China. Menos ao avião que trouxe o filho de regresso a casa, interrompido o programa Erasmus em Itália. Apontam o mesmo dedo que ainda há dias contava notas aos molhos, sem o lavarem a seguir. O mesmo que deslizavam no ecrã do telemóvel a escolher o destino da próxima viagem. O mesmo que ainda há poucos dias carregava malas nos aeroportos, nas estâncias da neve, nos hotéis e alojamentos, esquecendo-se que, nessa altura, o vírus já se passeava também pelo mundo. 
Entre o chorrilho de disparates que leio nas redes sociais, perdoo quase tudo. Até àquela enfermeira que ontem, na caixa do LIDL, espalhava o pânico nos olhos das duas funcionárias que a ouviam. Sendo até uma questão ética, compreendo que nem todos conseguem ter o discernimento de gerir o seu próprio medo.
Sucedem-se há dias as pérolas como:
"Já há um caso em Almagreira!"
"Não, é na Pelariga".
"Ouvi dizer que é um camionista"
"Há vários casos na Marquês e na Secundária"
"No centro de saúde já foram atendidos vários casos, no hospital também"
"Estão a esconder tudo".
Normalmente são os mesmos que nos mandam áudios apocalípticos via messenger - em que se percebe ao primeiro segundo que é fake. 
Perdoo tudo, mas não a todos. Os políticos desta terra têm obrigação de ter juízo. Ser eleito local não é só ir à Assembleia, dizer umas balelas e levar para casa uma senha de presença na ordem dos 70 euros. É ter  noção do que é causa pública, a responsabilidade social. Encarnar a ordem e a serenidade num momento da vida como nunca a conhecemos. Objetivamente, o que é que ganhamos em agitar bandeirinhas políticas num tempo destes? 
Vamos lá atinar, e começar pelo básico: o Município de Pombal ainda não percebeu que é preciso comunicar com os munícipes, de forma simples e eficaz, em vez de os obrigar a ler um plano de contingência de várias páginas. É certo que está sem gabinete de comunicação há algum tempo, ultimamente transformado em gabinete de propaganda do presidente. Mas o mesmo trio que tem disparado notas à imprensa com apoios e subsídios também poderia comunicar com o público, como estão a fazer as outras câmaras da região, todos os dias e a toda a hora. Informações básicas, curtas, claras e concisas. 
Tudo é mais útil do que espalhar previsões aos milhares no facebook. É a esses que me dirijo em particular, com uma reflexão do Paulo Querido, esta manhã: "Agora imaginem por 5 segundos que o desgoverno de Passos/Portas tinha desmantelado por completo o serviço nacional de saúde, como queriam, com o aplauso daquilo que são hoje a IL e o Chega. Pronto, já passaram os 5 segundos de terror. Só espero que tenham deixado lastro duradouro até às próximas eleições (se o sistema aceitar manter esse luxo)".
À hora a que vos escrevo não há nenhuma cadeia de transmissão em Pombal, nem casos diagnosticados no distrito de Leiria. Não sabemos até quando, pois que todos circulámos por aí nos últimos tempos. Chama-se globalização, e este é um dos preços a pagar. 
Acredito que as autoridades estão a fazer o melhor que podem e conseguem. Que os meus amigos médicos e enfermeiros se vão desdobrar para garantir que o SNS do nosso pequeno país vai dar tudo nesta cruzada. E que cada um de nós, por uma vez, faça o esforço de proteger os outros, protegendo-se. Que o sentido de colectivo é maior que a ganância individual.
Uma nota para os outros pombalenses proprietários de cafés, restaurantes e outros serviços por este concelho fora que preferiram prevenir para não remediar. Há coisas que não deveria ser preciso um Governo dizer-nos, há outras em que - sendo da sua responsabilidade - é inevitável. Ninguém está livre. Mas o medo e o pânico não podem tomar conta de nós, em nome da sanidade mental - da nossa e dos nossos filhos.

13 de março de 2020

Conversa de marretas

A discussão da proposta de apoio ao pedido de atribuição do 3.º ciclo (12.º ano) ao Colégio de Albergaria-dos-Doze, mandada agendar, em cima da hora, por Diogo Mateus, logo aceite e dispensada pela mesa da votação para admissão à discussão (quem pode, pode; e deve ser obedecido), expõe até ao tutano a desonestidade (intelectual), a insensatez, a hipocrisia e a ignorância reinante.  

A assembleia deveria ser constituída por pessoas sensatas, que soubessem raciocinar, e, pelo menos, distinguir o essencial do trivial (do desnecessário, do prejudicial, do nefasto). Mas infelizmente não é isso que acontece. A assembleia está cheia de criaturas entorpecidas de cabeça e joelhos, incapazes de distinguir o realizável da mais extravagante toleima, sempre disponíveis para alinhar com a mais jocosa tontice, e sempre prontos a debitar vulgaridades e senilidades. 

Só criaturas sem dois pingos de honestidade (intelectual), sem meio olho para observar o que as rodeia e sem um neurónio a funcionar em pleno podem defender que Albergaria-dos-Doze e o seu Colégio têm condições mínimas para ter 12.º Ano. Valeu, pelo menos, para ficarmos a saber que estas criaturas acham que os requisitos para leccionar uma turma de 12.º Ano são idênticos aos de (mais) uma turma do 1.º ou 2.º Ciclo. Mas não servem para nos governar. 

Depois, que dizer mais:

- Do presidente, manipulador profissional, que usou a proposta simplesmente como arma de arremesso político para rebaixar ainda mais o PS;

- Do pobre PS que continua sem qualquer pensamento ou orientação sobre as matérias fundamentais - dançou do início ao fim, com evidentes divergências internas, entre a rejeição por razões formais e a concordância com o conteúdo da proposta - acabou destroçado;

- Do ex-deputado, demagogo profissional, semi-teólogo de crenças incredíveis, sempre com a boca cheia de unção, que já tinha obrigação de saber distinguir o exequível do lírico;

- Daquele presidente da junta que só dever ter ido à escola para poder tirar a carta de condução, mas teve o descaramento de amesquinhar o doutor afirmando que o colégio onde estudou se deve ter enganado a dar a notas;

- Do Coveiro-mor do reino que só vai à assembleia para ajavardar aquilo;

- E daquela representante do CDS que parece empenhada em fazer recuar o mundo, que apoiou tudo com o lirismo habitual, e até sugeriu cursos de pastorice como alternativa ao 12.º Ano.

Valha-nos N.ª Senhora da Agonia


E a lei, Diogo?!

Na última reunião do executivo municipal (27-2-2020), Diogo Mateus submeteu à aprovação um vasto conjunto de subsídios às juntas de freguesia, de que destaca, pelo montante e finalidade, um subsídio de 82.600 € à Junta de Freguesia de Carnide.
Como o orçamento municipal não contemplava verba para este(s) subsídio(s) o presidente da câmara pode ter cometido uma irregularidade grave.
Na última reunião  da AM (28-2-2020), Diogo Mateus submeteu uma alteração ao orçamento para reforço de verbas para fazer face aos subsídios já aprovados; desrespeitando a assembleia e forçando-a a aprovar factos já consumados.
Mais grave ainda: os presidentes da junta – parte interessada nos subsídios – aprovaram a proposta, numa clara violação do princípio da independência, que fere de nulidade o acto praticado.
E a oposição alinha com isto tudo, engole e não refila.
Estamos nisto! Num regime sem regra e sem oposição.