17 de janeiro de 2017

Jorge Claro é candidato à Câmara



A comissão política concelhia do PS aprovou ontem à noite o nome de Jorge Claro para candidato do partido à Câmara de Pombal nas eleições autárquicas que acontecem este ano. 
Aqui no Farpas notámos essa vontade de Jorge Claro - e consequente mudança de atitude na vereação, algures no verão passado. Mas os meses passaram, as estruturas distritais  (e nacionais?) iam fazendo caminho paralelo, de forma que no início de Janeiro, o homem publicou na sua página de facebook esta fotografia, respondendo tratar-se de "a minha foto para 2017". Jorge Claro não nasceu ontem e sabia que era preciso marcar terreno. Que nos bastidores o PS continuava a asneirar, alimentando contactos com Narciso Mota, que ainda terá ponderado a possibilidade de ir a votos com a bandeira socialista. E ei-lo, então, pronto para o combate.
De acordo com a nota de imprensa divulgada esta madrugada, "O PS considera que se trata de um candidato credível, capaz e profundamente conhecedor do Concelho e das suas gentes. Dono de um percurso profissional irrepreensível mas também de uma dedicação ao serviço público extremamente relevante". 
Tem agora uns meses pela frente para mostrar o que vale, politicamente, numa corrida que podia ter começado sem pressas.

13 de janeiro de 2017

Pombal pior (II)



Em vez de trabalharem para os pombalenses, aplicando bem o dinheiro que nos pertence; trabalham para o Estado Central, gastando o nosso dinheiro em benefício do Estado Central. E com orgulho!

10 de janeiro de 2017

A não-notícia sobre o falso associativismo



Era suposto que o mandato dos órgãos sociais da Associação de Industriais do Concelho de Pombal (AICP) terminasse em Março próximo, mas a "notícia" divulgada pela Rádio Clube dá conta de novidades: João Matias e Rodrigues Marques foram (re)eleitos presidentes da direcção e da mesa da Assembleia Geral, respectivamente. Na "notícia" falta, no entanto, saber o essencial: quando é que aconteceu essa assembleia geral? Porque é que o mandato não chegou ao fim? Quem são os outros membros dos diversos órgãos sociais? 
No tempo em que as rádios e os jornais locais faziam perguntas, era certo que por esta altura uns e outros queriam saber várias coisas:
1. Quem são os industriais nesta associação?
2. É verdade que a vice-presidente se demitiu do cargo no ano passado? Porquê?
3. Desde quando é que a prestação de serviços é uma actividade industrial?
4. Qual é a principal actividade desta organização (onde ainda não houve tempo para publicar o comunicado replicado em forma de notícia pela 97 Fm, nem para actualizar os novos órgãos)?
Falta-nos (em Pombal) em indústria, em emprego e em valores o que nos sobra em xico-espertismo, numa altura em que se criou uma nova espécie - o dirigente profissional - que saltita entre as diversas associações, acometido de uma súbita vontade de servir o próximo. Ainda bem que "as listas foram compostas por um elevado número de pombalenses". Ficamos todos mais descansados.

8 de janeiro de 2017

Obrigada, Mário Soares


Agoniei-me muitas vezes nas últimas horas com o que gente aparentemente de bem - que tenho entre os amigos da minha página de facebook - escreveu e replicou sobre Mário Soares, na hora da sua morte. O destilar do mesmo ódio que escorre de vez em quando a propósito dos refugiados, que papagueia frases feitas ou artigos de jornais fora de contexto, com o mesmo à-vontade com que partilha pagelas dos senhores dos aflitos, da Cruz Vermelha ou de qualquer obra de caridade. Há um denominador comum entre todos: o ódio. Bem sei que os Homens como Mário Soares nascem assim, na condição de serem amados ou odiados, sem meios termos. Mas impunha-se, a muitos desses actores da vida pública, alguma noção do que isso significa, de como não se despe ali à porta do facebook o casaco de autarca, de dirigente, assim como não se despe o de jornalista, de médico, de professor. Porque antes de tudo há ali um cidadão. Ou deveria haver.
Conheci Mário Soares pessoalmente na sua última visita oficial ao distrito de Leiria, em 1995. Não simpatizando largamente com a personalidade, percebi um pouco melhor quem ele era e como era:imparável. A meio da jornada, percebendo ele que eu andava colada aos seus gestos (daquela vez a minha função era fazer 'o outro lado' da visita), ágil nos meus vinte e picos, visou-se para mim à porta dos Morgatões, agarrou-me nos braços e perguntou: "então, aguenta?". Rimo-nos todos. Mal sabia ele (e eu) o equilíbrio que precisaria para me aguentar, nos anos que se seguiram. 
Poderia dizer muito sobre tudo o que representa Soares para o país, para a Democracia e para a Liberdade, a mesma que permite a qualquer pato-bravo discorrer sobre a sua vida e a sua obra. Mas fico-me pelo agradecimento. Por ter existido e nos permitir, aos portugueses, sermos hoje um povo menos parolo, menos atrasado, do que éramos antes de chegarmos à Europa, de termos o mesmo acesso que os outros ao mundo. Aquela de que fazia parte a Alemanha dos anos 70, onde o meu pai trabalhava, para onde emigrara depois de deixar Angola, depois da guerra. De onde escrevia à minha mãe todas as semanas, a lembrá-la de como era importante ir votar. Aquela de onde voltou em 80, cheio de sonhos para a aldeia e para o país, levados ao extremo naquelas eleições em que no fulgor da adolescência colei um autocolante na lapela a dizer "Soares é fixe", e na escola uma funcionária do bar quase me triturava juntamente com o almoço, porque tudo estava ao rubro, A mesma Europa que encheu bolsos, comprou jipes, criou o cavaquismo e agora se desmorona. Este é o fim de um ciclo, sabe-mo-lo bem. Na hora em que Soares deixa este mundo - que idealizou socialista, republicano e laico - resta-me, só, agradecer. Pelo Farpas, por sermos livres. E sublinhar as palavras de Vasco Pimental, de entre tudo o que se vai escrevendo:


"Atacar a vida de uma pessoa no justo momento em que ela deixa de se poder defender não diz rigorosamente nada sobre a pessoa atacada, e diz tudo sobre o atacante. Fiquem a saber: o que vocês escrevem nesses momentos é um letreiro que vos fica colado na testa para todo o sempre (colam-no vocês próprios) e que diz o seguinte: "Sou uma porcaria ignóbil".

7 de janeiro de 2017

Mário Soares

Mário Soares partiu. Viveu uma vida cheia e encheu a vidas de várias gerações. O País deve-lhe muito; por isso, rende-lhe, neste momento, uma justa homenagem. Não é uma homenagem consensual, nem o poderia ser: Mário Soares nunca foi consensual e nunca procurou sê-lo. Há uma direita radical, revanchista, sectária, saudosista que tem raiva a Mário Soares, que nunca lhe perdoou o papel decisivo que teve no pós-revolução, nomeadamente na descolonização. A esquerda radical também lhe teve ódio, mas soube vencê-lo.
Não sei sintetizar melhor o percurso político de Mário Soares do que a forma como o fez (há mais de uma década) Vasco Pulido Valente (insuspeito esquerdista): “Mário Soares fez mais do que ninguém. Liquidou como pôde a ilusão do Império. Foi o fundador da democracia portuguesa contra o Partido Comunista e a tutela do exército. Levou o país para uma "Europa" a que ele sempre desejara pertencer. Presidiu a um "progresso material" (e "social") sem paralelo em toda a nossa história”. E fez tudo isto no período ideologicamente mais conturbado do sec. XX - o pós-Guerra-Fria – porque esteve sempre do lado certo em três valores fundamentais: Liberdade, Democracia e Europa. Pouquíssimos políticos, em Portugal e na Europa, se podem gabar disso.
Obrigado Mário Soares.

6 de janeiro de 2017

Pombal pior

Não é de agora a falta de sensibilidade dos vários executivos da CMP pela economia do concelho; mas evitavam de exagerar.
Na altura da construção do Parque Industrial Manuel da Mota, a câmara da Marinha Grande construiu um, cerca de três vezes maior. Passados três anos estava cheio. Nas últimas duas décadas, o eixo industrial Marinha Grande - Leiria cresceu muito: Leiria tornou-se uma cidade industrial, construiu vários parques industriais, que apresentam altas taxas de ocupação; e a Marinha Grande cresceu tanto que falta espaço para responder à procura dos empresários. Há umas semanas o Jornal de Leiria titulava em manchete: “Empresas obrigadas a deixar a Marinha Grande para crescer”.
Em Pombal, nas últimas duas décadas não se instalou uma empresa industrial de média dimensão. O Parque Industrial Manuel da Mota continua sub-ocupado ou com pavilhões para armazéns, contra o seu estatuto inicial. Nesta zona, a industrialização parou no Barracão. É com Indústria que se cria riqueza de forma sustentada.
A falta de sensibilidade da CMP pela economia está bem patente no chamado Centro de Negócios. Foi prometido pelo PSD, eleição após eleição. Em 2011, foi finalmente anunciado por Narciso Mota. Demorou vários anos a ser construído, foi mal construído e esteve cerca de 2 anos fechado devido a erros de construção e não só. No tempo que decorreu desde o seu lançamento, a câmara não foi capaz de pensar e conceber um projecto consistente com o que deve ser um Centro de Negócios. Não admira, portanto, que não tendo nada, digno dum Centro de Negócios, que lá colocar; coloquem lá o Serviço de Finanças. Ou seja: colocam a raposa junto das galinhas; antes de terem galinhas. Há maior falta de ideias e de sensibilidade pela economia do concelho? Não creio.

3 de janeiro de 2017

Orgulhosamente sós

                                   Ansião, noite de passagem d'ano

Quem atravessou o Cardal na madrugada de 1 de janeiro, encontrou o mesmo cenário desolador de sempre, a fazer lembrar o que aqui escrevemos há um ano atrás. Mas desta vez a vergonha sobe-nos até à face. Dos diversos municípios que fazem fronteira com o concelho de Pombal...só o nosso é que não investe numa festa de passagem de ano para o povo. Ansião deu (mais uma) bofetada de luva branca, com um programa de excelência. Mas aqui, conseguimos a proeza de desmontar o Natal mesmo antes de ele chegar, deixando-lhe o rasto na fogueira do Cardal, ao estilo "numa casa pobrezinha, mas toda cheia de luz".
Quando olho para as imagens de Leiria, Figueira, Ansião (para não falar da Marinha Grande, Alcobaça, Nazaré...) lembro-me dos nossos jovens que abalaram logo na sexta e só voltaram ontem, dando vida e dinamismo ao comércio de outras terras. A história ensina-nos que nunca é bom ficarmos orgulhosamente sós. Para mais, continuo sem perceber onde é que gastámos os 100 mil euros. 
Bom ano a todos!

23 de dezembro de 2016

Boas Festas!


   São os votos d'Os da Casa para todos os que nos lêem. 
  Feliz Natal!

Adelino Malho
Adérito Araújo
Alexandra Azambuja
Paula Sofia Luz

A oeste nada de novo: história de uma (des)união

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Quando nos primórdios da sua governação Narciso Mota apelava à união do "Povo de Pombal", sempre me deu tremenda vontade de rir, pois que se referia, não raras vezes, a gente de Almageira e Vermoil, Abiul e Carriço, Guia ou Meirinhas, como se houvesse algum factor de identidade que ligasse as 17 freguesias do concelho de Pombal, que não o administrativo. 
Quando assistia, um dia depois, à transmissão da reunião da Assembleia Municipal e à corajosa intervenção de António Fernandes, último presidente da Mata Mourisca, lembrei-me de uma história que ouvi desde criança, sobre aquele dia em que a população da aldeia se armou de enxadas e forquilhas para correr com um padre, ali no final dos anos 70. Há uma expressão popular lá por aquelas bandas que diz muito sobre aquele povo: "é de cruto (cocuruto) como os da Mourisca". Quer dizer que é com grandeza. Atente-se por isso na intervenção do ex-autarca - cuja posição foi sempre clara desde o início, no que respeita à agregação, de tal forma que não integrou a lista do PSD à União de Freguesias do Oeste. É em resposta a uma intervenção de João Coucelo, que por sua vez comentava a estranha moção do deputado do PCP, a propósito do tema. "Está por provar que não funcione [a agregação]. Regra geral, todas as revisões administrativas nunca foram de encontro à dita 'vontade popular'. Foram sempre coisas que vieram de cima para baixo. Se fosse por vontade popular nunca se mudava nada".
E foi aqui que Tó Fernandes lhe respondeu à maneira lá da terra. E lembrou aquilo que, naquele salão nobre, se tentava ignorar: um abaixo-assinado, lido ao início da sessão, mas pelo qual as bancadas passaram como cão por vinha vindimada.
Nessa tarde-noite de (cada vez mais) confrangedora intervenção política, há ainda a reter a comunicação de Manuel Serra, actual presidente da Junta da União de Freguesias. Lúcido, como é - deixou a nota durante a reunião: "tanto se me dá que sejamos agregados como não. Eu não serei um entrave das decisões contrárias às vontades das maiorias, mesmo não sendo essas vontades muitas vezes as mais esclarecidas, mas em democracia é assim mesmo". E foi quando o ouvi enumerar tudo aquilo que tem sido feito no Oeste que percebi melhor por que é que na Guia e na Ilha as pessoas se unem em abaixo-assinado para acabar com a agregação. É que, de União, há ali muito pouco.