19 de julho de 2019

E a abstenção, estúpidos?

Que o regime (democrático) está doente poucos o negam; e ninguém o quer tratar. O afastamento das pessoas dos partidos e da participação política confirmam-no, nomeadamente nas eleições .
Há muito que os partidos deixaram de representar a sociedade, as profissões e as pessoas - as suas expectativas e interesses -; transformaram-se num charco onde só sobrevivem os aparelhistas (jotas e caciques) à espera de tachos ou honrarias, um ou outro predador de fraco gosto, e meia-dúzia de pobres de espírito.
O retrato local é deprimente, o do país não é diferente. Os mesmos aboletados do poder e os mesmos rufiões de espírito, cujo traço comum é a superficialidade, o oportunismo e a destreza para tecer as teias de aranha que os nutrem. Falta-nos uma classe política dotada da ousadia própria da consciência, capaz de afirmar ideias, de se ligar às pessoas e à sociedade.
A cegueira é muito rara nos indivíduos, mas nos partidos é regra. As listas de candidatos a deputados da Nação, que os principais partidos nos apresentam, em Leiria, ilustram-no: Cavaleiros(as) da Triste Figura com fome de celebridade ou das sobremesas da vida, que não representam nada nem ninguém; de que não se pode esperar nada, porque é perfeitamente inútil esperar.
Perante isto, em quem votar?
- No camaleão próximo do lusco-fusco mental? Na paraquedista feminista? No vaidoso cobiçoso? No dizedor de graçolas sem coragem para a libertinagem? Na noviça de retórica oca? No ex-jota aparelhista insaciável? No profeta do amor, da vontade e do optimismo vazio? Na aparelhista feminista? Na mensageira da mensagem beata? No controleiro que só serve para dar recados? Na esganiçada requentada sempre envolta em virilidades? No mal menor: no partido que provavelmente menos comprometa as suas condições de vida.


15 de julho de 2019

É a cultura, estúpido!


Quando entrei no Café Concerto, na última terça-feira, um rol de gente enchia o espaço. Estavam em círculo, como nas reuniões ou grupos de auto-ajuda, enquanto o mastro Paulo Lameiro explicava ao que vinha: a candidatura de Leria a capital europeia da cultura em 2027, a importância dos municípios se envolverem em trabalharem em rede (lá está), num trabalho que deve começar pela base, entre os diversos 'agentes culturais'. E bom, chegamos então ao cerne da questão: aquilo era uma reunião de agentes culturais - como horas antes me avisara o responsável da PMU, sabendo-me parte do Gang da Malha, que ali se reúne precisamente às terças, desde há cinco anos. Não raras vezes, as tricotadeiras são a única clientela do espaço, para mal dos resultados financeiros do CC. 
Espantei-me com o cenário: não conhecia uma boa parte das pessoas que ali estavam, não reconhecia ali a cena cultural dominante. Faltava ali muita gente, a começar pelos rapazes do Ti Milha (o festival que é mesmo uma Ilha), o pessoal da ADAC, e tantos agentes culturais individuais e colectivos que vão fazendo coisas, teimando em dar à terra aquilo que ela nem sempre merece.
A certa altura, o Paulo quis perceber melhor o que somos e quem somos, culturalmente falando. E foi aí que o circulo se abriu, desaguando entre um muro de lamentações e um bailado de graxa à Câmara, que ali estava representada pela vereadora da Cultura, Ana Gonçalves. 
Foi uma cena bizarra, aquela: ranchos e filarmónicas, grupos de música popular e barroca, músicos vários, professores, assalariados e assessores, dirigentes e afins, num espaço público sem público. A maioria não se conhece. 
E no meio da discussão, a lembrança da casa Varela. Aquela que foi comprada para ser berço das artes, em Pombal, que assim se mostrou ao público num Bodo, e que agoniza, sem rei nem roque. Que motivou certa vez uma reunião de outros agentes culturais, ao estilo pretensioso de D. Diogo, com muita parra e pouca uva. Pior: chegou a pedir trabalho a um grupo mais restrito desse naipe, para nada.
De modo que a intenção do Paulo Lameiro é boa (mesmo que Pombal não tenha sido seleccionada para os prelúdios que aconteceram noutros pontos do distrito), mas faria muito mais sentido se esta casa estivesse arrumada: se os nossos agentes culturais (seja lá isso o que for) se conhecessem, pelo menos. Se isto não fosse um saco de gatos em que o rancho inveja o subsídio da banda, em que há filhos e enteados para o poder, em que isso se traduz na importância maior ou menor que cada um assume. Porque nos falta, também na cultura, o de sempre: sociedade civil. Que não fique à espera das migalhas que hão-de ser aprovadas por quem não distingue uma clave de sol de uma roda de bicicleta, uma noite de fados de um projecto musical, um artista de um chico-esperto. 
Para nossa felicidade, temos alguns (bons) exemplos. Mas a maioria não estava ali. Fica-me a dúvida: não foram porque não quiseram ou porque simplesmente não foram convidados? Tenho para mim que isto de ser agente cultural aqui na terra é mais ou menos como a mulher de César, mas de forma mais apurada: mais do que ser, é preciso parecer. 

12 de julho de 2019

Afinal, qual é o verdadeiro amor do Pedro?


Nas últimas autárquicas, o Pedro fez repetidas declarações de amor a Pombal, aos pombalenses, aos amigos, à família, etc.; convenceu-nos (à maioria) que a sua paixão era sincera. Mas quando decidiu ficar por Lisboa a dúvida instalou-se… Ficámos agora a saber que a verdadeira paixão do Pedro – o seu interesse – é Lisboa (o Parlamento) e não Pombal: fez-se designar elegível por Leiria, em lugar seguro (3.º)! As opções do Pedro não são fruto das circunstâncias; são uma forma de vida. 
O Pedro é uma criatura amorosa - um polígamo político que ama todos por si - a quem se tolera uma traiçãozita. Se Rui Rio não o cortar – razões não lhe faltam - o Pedro ficará bem lá por Lisboa, junto da senhora luxuriosa, rica e majestosa, durante mais quatro anos, à espera de melhores dias. Talvez gostasse de ficar por cá, com os seus, mas esta terra não gera oportunidades, nem para rapazes como o Pedro. Ficará sempre com o consolo da amante provinciana para os escapes de fim-de-semana.
O Pedro está feito político: surpreendentemente saiu (parece ter saído) vitorioso deste jogo, jogando em dois tabuleiros, com muita manha e jogo de cintura.
Força Pedro, és um dos nossos, o Farpas está contigo.

10 de julho de 2019

Diogo Mateus; balanço a meio


Metade da vida política de Diogo Mateus, como presidente da câmara, esfumou-se. O que mais surpreende nem são os parcos resultados, é o sentimento de inutilidade absoluta. Confrange ver como é que um indivíduo tão empenhado e preparado (tecnicamente) pode ser tão inconsequente e inútil.
Diogo Mateus foi sempre apresentado como o contraponto de Narciso Mota, no estilo, na literacia, nos hábitos de estudo dos dossiês; mas na prática, é a outra face da mesma moeda, o mesmo absolutismo e a mesma exercitação do inútil, com melhor representação, mais encenação e melhor retórica.
Diogo Mateus é poderoso. Daí não viria grande mal se o atributo não fosse um vício, se não gostasse tanto de o ser e de o parecer. Vive a vã glória de ser grande… Sujeita os assujeitados que o servem, e o temem, a fazer aquilo que lhe agrada e não o que os poderia engrandecer. Não é um líder - não vende esperança nem entrega resultados. O que transparece da actividade da câmara é uma lufa-lufa sem rumo e sem sentido, onde se consomem energias e recursos sem critério e sem resultados. Pelo meio, o concelho definha a olhos-vistos; enquanto os executivos, que nada executam, se consomem, meio descrentes, num rodopio estafado de aparições públicas para as mesmas almas conformadas.
A Política é - como alguém a definiu - a arte do possível. Aqui, é sobretudo um jogo, um rito, um hábito, um desserviço à comunidade que se tornou um mero exercício de sobrevivência política.
O que podemos esperar da outra metade da vida política de Diogo Mateus? O mesmo registo, em perda - o mal reforça a acção mal começada. Terminará derreado, desiludido e frustrado com os assujeitados e com a terra.

9 de julho de 2019

O regresso de António Pires

António Pires acaba de ser eleito director do Agrupamento de Escolas da Guia, num processo eleitoral que destronou António Duarte (que nos últimos anos dirigia as escolas do oeste, mas acabou por ser excluído do concurso) e teve a particularidade de reunir dois ex-vereadores da Câmara de Pombal: António Pires e...Fernando Parreira (também excluído).
Há uma certa ironia no destino que reveste esta chegada de António Pires à Guia. 
Antes de ter sido vereador - que mal aqueceu o lugar, saindo em ruptura com o presidente Diogo Mateus, meses depois de eleito - pelo PSD, dirigiu com mestria o extinto Agrupamento Marquês de Pombal. Foi lá que deu nas vistas, que Diogo o foi buscar para a lista, qual grande aposta para a Educação e Cultura. 
Pires - que nas últimas autárquicas apoiou a candidatura de Narciso Mota e foi eleito para a Assembleia Municipal através do movimento independente que a suportou - regressa à ribalta pela porta da Guia. Ora a Guia é nada menos que a terra de Manuel António, o actual presidente da comissão política do PSD - que tudo fez para o afastar de qualquer cargo de direcção escolar. Tantas voltas que a vida dá...

6 de julho de 2019

A JS existe?


O caso do Joel Gomes é paradigmático: como é que alguém que não existe politicamente no seu concelho, na sua terra, pode representar uma juventude partidária a nível distrital, ocupar cargos no mesmo âmbito a nível nacional, e agora ser indicado para ocupar nas listas do PS um lugar de deputado?
Ah, espera...na última AM o Joel fez uma intervenção. De fundo. 

4 de julho de 2019

JSD volta a reclamar

A JSD voltou a criticar o executivo por falta de políticas para a juventude. O executivo tem um vereador (jota) com pelouro da juventude, mas é como se não tivesse. Ou a velha questão: de onde não há não se pode tirar.
Mas triste, triste, é a JSD ver e apontar a falha, e mais ninguém a ver!

3 de julho de 2019

Coisa chocha

Ir à pesca e vir de mãos a abanar; não porque não houvesse peixe, mas por não saber pescá-lo.

Ou o velho problema de não ter rabo para duas cadeiras.

2 de julho de 2019

Quando as emoções falam mais alto

Tenho os meus 2 filhos a estudar no Instituto D. João V., por isso, consigo perceber a ligação afectiva que eles (e nós pais) temos à escola. Aliás, estou em crer que seria assim em qualquer escola em que, porventura, estivessem a estudar. A vida é feita disto: de afectos, de ligações, de emoções; se assim não fosse, provavelmente sofreríamos de um qualquer distúrbio psicopatológico.
Toda esta história do corte de turmas dos colégios com contrato associação tem alguns anos. Politicamente, e enquanto desempenhei funções politicas, apoiei esta decisão. Mantenho a minha posição, não mudei. Não tenho nada contra os colégios, até porque como disse, os meus filhos estudam lá. São entidades privadas que contratualizaram com o Estado um serviço (publico). As regras de contratualização sempre foram claras: seriam para dar resposta publica, onde o Estado estava impossibilitado de conseguir dar. Nunca foram contratos ad eternum. Todos conheciam as regras do jogo.
A questão primordial aqui é uma: demográfica! Não há crianças, e portanto, este fenómeno que assistimos hoje com os colégios com contrato associação, estimo que o veremos dentro de 10 anos na escola pública. Aí provavelmente, estaremos a discutir qual destas (publicas) será para encerrar. Aliás, isso já começou com o encerramento de algumas salas dos jardins de infância e primeiro ciclo nos nossos (novos) centros escolares …
Contudo, não deixo de estar solidária com todos aqueles que directa ou indirectamente serão afectados com esta inevitabilidade. Assim como estaria solidária se em vez de uma escola, fosse uma fábrica que encerrasse as suas portas e deixasse desempregadas dezenas ou centenas de famílias! Assim como fui solidária com muitas das populações por essas aldeias fora (no nosso concelho) que viram as suas escolas primárias encerrarem e as crianças foram para os centros escolares (que todos agora reclamam querer também ter)
A nossa preocupação agora quer enquanto cidadãos quer enquanto Políticos, é perceber se todos os cortes preconizados nestes contratos associação estão efectivamente a ser investidos na escola pública como nos fora prometido! Se há reforço orçamental na escola pública, se o acréscimo de alunos foi acompanhado do respectivo acréscimo do reforço de pessoal por exemplo, ou noutras áreas deficitárias que a escola pública tem vindo a enfrentar!
Sou e continuo a ser defensora do serviço publico, principalmente nas áreas cruciais da vida do cidadão: saúde, educação e segurança social. É uma questão ideológica? Que seja.

1 de julho de 2019

Socialista mas pouco

Desde que assumiu as funções de Directora Pedagógica (!) do Instituto D. JoãoV, a doutora Patrícia quase não voltou a pôr os pés na Assembleia Municipal. Não sei como é que a democracia local sobreviveu à sua ausência, à sua intervenção (numa bancada que é tudo menos oposição), mas lá se aguentou. 
Até que a doutora Patrícia voltou, na semana passada, com um coro de pais do Louriçal.
O que aconteceu na sexta-feira, 28 de Junho, é grave. Já o fora no passado, quando o Governo socialista teve a coragem de acabar com o regabofe dos colégios privados que, anos a fio, enriqueceram à custa dos contratos de associação - e a bancada do PS, invertebrada, fez coro com o PSD. Mas desta vez foi pior. 
Já aqui postámos o essencial da traição que a bancada socialista representa para o Governo, mas falta analisar, em detalhe, o caso de Patrícia Carvalho. A intervenção fala por si, só que é preciso lembrar aos munícipes que a moça não é apenas uma deputada municipal, eleita numa lista supostamente alternativa ao poder vigente. Ela é também militante, membro da estrutura local, e - pior - integra os órgãos da Federação Distrital do PS. Com aquele registo de quem vai ler a segunda leitura, disse tudo o que precisávamos saber: "temos o mesmo propósito, o mesmo objectivo", para justificar a aliança com o PSD. Junta-se ainda o objectivo pessoal da doutora Patrícia, que tem todo o direito de querer manter o seu posto de trabalho e lutar por ele, mas o dever ético de separar as águas. Diz ela acreditar que "a política deve ser o exercício do bom senso". Nós também. Por isso é que lhe recomendamos que mude de bancada, em memória e respeito pelos muitos que lutaram para a afirmação do PS neste concelho, e que a esta hora darão voltas no túmulo perante aquela intervenção - que é um prego fundo no caixão do PS em Pombal.

30 de junho de 2019

Já chegámos à Madeira…

O triste e caricato episódio que ocorreu na última AM com a Célia (BE), a “presidenta” (PSD) e o presidente (PSD) diz tudo sobre o estado a que chegou o regime: ausência de regras, sectarismo e prepotência do lado do poder; acanhamento e inabilidade do lado da oposição.
Discutia-se a moção de protesto contra o corte do financiamento público a duas turmas do IDJ V.
Primeiro: a moção nasceu eivada de pecado original: não foi votada a sua admissão a debate.
Segundo: a representante do BE foi impedida de discutir a moção pela “presidenta”, porque, na opinião dela, “senhora deputada enveredou por um caminho que não é esse que queremos” – A Célia falou nas barras de ouro.
Terceiro: o presidente interveio no debate (a questão era unicamente da AM, logo não tinha que o fazer), durante 10 min!!!, para zurzir forte e feio no BE e no governo, afastando-se sistematicamente do tema sem nenhum reparo da “presidenta”. Começou logo com esta pérola: “há partidos que são aqueles que se podem assumir por serem os únicos responsáveis por terem assaltantes de bancos nas suas fileiras”. Nota importante: vale a pena reparar no “boneco”, a seu lado, há muito escolhido e programado para dizer Amém a tudo o que o soberano diz; e para o invertebrado politico, em frente, que também já lhe apanhou o jeito;
Ninguém lhe deu troco, mas ele merece-o.
Quando um político desenterra cadáveres políticos, assuntos mortos e enterrados, é sinal de falta de argumentos ou baixeza (política) congénita. O presidente foi buscar o assalto a uma delegação do Banco de Portugal, durante o regime fascista, para obter fundos para o combate à ditadura. Pouco ou nada condenável – digo eu e a esmagadora maioria dos democratas.
Mas faltou alguém com coragem e memória que lhe dissesse que o seu partido (PPD/PSD) tem um registo negro em termos de violência política: teve no seu interior um grupo bombista que fez vários atentados à bomba e várias vítimas mortais no pós 25 Abril, em Liberdade.
Tem vergonha, Diogo; em política não vale tudo.

29 de junho de 2019

A hipocrisia saiu à rua, e subiu ao Salão Nobre

A discussão do suposto corte do financiamento público a duas turmas do IDJ V; mostrou-nos:
- que a “presidenta” continua a tratar as  moções conforme a proveniência: as do poder são admitidas automaticamente; as da oposição, melhor dito do BE, têm admissibilidade sujeita a votação pela assembleia (como deve ser) - e rejeição garantida pela maioria;
- que o Manel continua o invertebrado político que conhecemos: em privado defende uma coisa, em público outra;
- que o presidente-da-junta-empresário-homem-de-negócios é um grande politiqueiro; tão politiqueiro que tem o topete de dizer que aquilo que diz defender, o tal “instituto”, “é do povo e ao povo pertence”;
- que a doutora Ofélia ensinou Economia, Contabilidade e Relações Públicas no tal “instituto” – quem diria!. Inexplicável o silêncio de M. Barros nesta matéria!;
- que a doutora Patrícia - directora do tal “instituto” – voltou à AM para defender o seu empregador contra o seu partido. Uma "clarissa" que se cala quando deveria falar (ex: escândalos), e fala quando devia estar calada. Continua igual: desleal com o seu partido em questões programáticas, persecutória com os correligionários que dela divergem;
- que o Henrique diria o mesmo que o Pedro;
- que o Humberto considera aquilo, o tal “instituto”, uma verdadeira família. Oh Humberto; como pode existir uma verdadeira família com um patriarca daqueles?!
- que a Célia é a “ovelha negra”* daquele rebanho;

* o caso da Célia com a “presidenta” e o presidente merece post à parte

Velhos métodos, melhores resultados

O PSD local fez do suposto corte do financiamento público a duas turmas do IDJ V, do Louriçal, o assunto principal da última reunião da AM. Os métodos utilizados e os argumentos foram os mesmos de há duas décadas, aquando do encerramento das escolhas primárias espalhadas pelas aldeias do concelho: moção de protesto e arregimento da população para a AM para tentar mostrar que a oposição (o PS) está contra as populações e as criancinhas. Na altura, o PS fez-lhes frente, ganhou-lhes o debate, e eles mudaram de posição. Agora foi tudo mais fácil: o PS local estendeu-lhe a mão (já é o principal aliado do poder); para eles se vitimizarem, encobrirem a realidade e atacarem fortemente e sem razão o governo.
Mas, tal como no passado, o destino está traçado: definhamento e morte do IDJ V. É a vida. As organizações, tal como as pessoas, tem um ciclo de vida; não há política que lhes valha. A morte pode vir de várias formas – natural, justiça, política, etc. –, mas virá; mais rápida do que os politiqueiros locais pensam. Se tivessem assistido ao debate sobre Desenvolvimento Regional, promovido pelo Farpas, teriam percebido porquê.
Infelizmente ou talvez felizmente, a megalomania paga-se; ou como diz o povo “quanto mais alto se sobe maior é a queda”. Os vícios, as irregularidades e as maldades cometidas foram muitas e sistemáticas; não há notas, barras de ouro ou esquemas que lhes valham. Ainda bem: é sempre mais justa a justiça terrena do que a do além.

28 de junho de 2019

Causas que valem ouro


A reunião de hoje da Assembleia Municipal tem promessa de muito público: os pais - e amigos, por assim dizer - do Instituto D. João V, do Louriçal, vêm reclamar junto do poder autárquico o apoio (político) que sabem existir aqui: a indignação perante o corte de turmas naquela escola privada, no âmbito dos contratos de associação. Em termos práticos, que o Governo continue a financiar a iniciativa privada, independentemente do números de vagas nas escolas públicas.
Já aqui contei neste post a minha ligação ao IDJV, e como assisti ao crescimento do gigante dos colégios. Sei bem como é importante para o que resta do Louriçal manter o Instituto de portas abertas, num declínio que começou há vários anos: assisti ao processo de despedimento de vários amigos professores, e antes ainda ao encerramento de fábricas, às falências, num tempo em que, em contraciclo, o grupo GPS crescia.
A visão do empresário António Calvete e a iniciativa empresarial foram muito bem compensadas financeiramente pelo Estado (que somos todos nós, afinal) ao longo de muitos anos. Os tempos são outros, para toda a gente. De maneira que a notícia de ontem, aqui publicada - sobre as barras de ouro no valor de um milhão de euros, e os 200 mil euros em dinheiro vivo encontrados numa das casas da família - só pode ser uma cabala. Se não for, é injusto. O IDJV quer abrir três turmas de 5º ano e o Estado só lhe financia uma. Mas o que é que impede a administração de as abrir? Dinheiro?

27 de junho de 2019

O Legado






Narciso Mota fala muitas vezes das obras que deixou.

Sim, é verdade. Mal seria se, em 20 anos de mandato, não tivesse deixado obra feita!

Queixa-se muitas vezes do seu sucessor, Diogo Mateus, não continuar com “o progresso” que iniciou, acusando-o até de não respeitar o legado que deixou. São algumas destas razões, que alega várias vezes para justificar a sua candidatura contra o seu próprio partido!

Em várias ocasiões, Narciso Mota diz-se conhecedor profundo de engenharia civil (mesmo sendo engenheiro mecânico e electromecânico). Ele pela experiência de trabalho, percebe de obras públicas, contesta-as, faz reparos, faz sugestões! Pois bem; lamento muito que nos seus mandatos esse conhecimento profundo não tenha sido tão evidente!

Se não vejamos: na minha freguesia (Almagreira), temos um exemplo de obra … criativa. Aquando as obras para o saneamento básico na rua principal da aldeia – há cerca de 15 anos- “enterraram-se” tubos e fizeram-se estes passeios que podem ver nas fotos.

Os passeios são autênticas aberrações, não se entendendo bem se são pistas radicais, porque os peões esses circulam na estrada por ser mais seguro. Na altura da obra, quer a Junta de Freguesia de então, quer os serviços técnicos foram chamados ao local. Os técnicos não vislumbravam qualquer solução técnica para a situação. Pois isto contraria tudo o que Narciso Mota diz hoje e afirmou na ultima reunião de câmara, em que, em engenharia tudo é possível! Até deu o exemplo dos arranha-céus no Dubai construídos sobre areia dos desertos….

Quanto aos tubos – entenda-se rede de drenagem de águas residuais, ou melhor, saneamento básico - estavam a uma profundidade tal que, todas as casas existentes numa extensão de 400 m, não tinham cota para descarregar na conduta. E são ainda algumas. A verificação posteriormente feita foi, a cota de soleira das casas, era inferior à conduta. Mais caricato ainda é que, estas obras, foram executadas muito antes de existir ETAR.

Hoje, a solução de cada freguês passa pela compra de uma ou até duas bombas e bombar os seus esgotos para a dita. Nada que uns parcos 2.000,00€ não resolvam! Acrescido o valor pago ao Município para execução de ramal de que não usufruem.

Em Almagreira, a engenharia não conseguiu resolver algo tão simples: passeios planos. E aqui Sr. Eng. Narciso Mota, o Presidente Diogo Mateus respeitou e continua a respeitar o seu legado, porque também ele e o seu executivo, que com certeza tão bem conhece tal aberração, acabou há pouco tempo de pôr um tapete de alcatrão e deixou os passeios!

Assim tem sido gerido o dinheiro público, sem atender ao bom senso e à boa arte de construção!

26 de junho de 2019

Pombal é bom demais!

Os povos e os territórios serão sempre o resultado das suas escolhas.
Há 10 anos o João Alvim candidatou-se à Junta de Freguesia de Pombal. Trouxe consigo novas ideias, gente nova e vontade. Uma vontade indomável.
O João perdeu. Manteve-se a geometria do poder.
O João seguiu o seu caminho. Hoje é Cônsul-Geral Adjunto de Portugal em Paris. Acaba de ser condecorado pelo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas com a Medalha da Cruz de São Jorge pela “ajuda humanitária a Moçambique, após a passagem do ciclone IDAI”.
E Pombal PERDEU?
CLARO QUE NÃO!!!
A nossa sede de festarolas e de bandeiras está saciada.

23 de junho de 2019

É só fachada!

O protocolo que a Câmara Municipal de Pombal assinou recentemente com a Coimbra Business School (o nome em inglês com estilo para ISCAC) evidencia um dos aspecto mais tristes da forma como, por cá, se exerce a política (tanto autárquica como universitária): mais do que ser, o que importa é o parecer.  

Eu já li muitos protocolos de colaboração mas raramente li um tão oco como este. A verdade é que não existe nada que a Câmara queira fazer com o ISCAC nem o ISCAC quer saber do que se passa em Pombal. Bem, a não ser que o nosso Presidente da Câmara (ou algum amiguinho da Autarquia) queira frequentar um curso não conferente de grau no ISCAC com uma redução 20% no valor das propinas e o ISCAC esteja desesperado para encontrar clientes. Muito triste...

21 de junho de 2019

"Temos aqui algum desfasamento". Pois temos, senhor presidente



A vereadora Odete Alves (PS) levantou na última reunião de Câmara uma questão pertinente: o que é feito do Conselho Municipal de Segurança?
Ora, pela resposta de Diogo Mateus, ficámos a saber que está mais ou menos como o resto do concelho: em banho-maria. A resposta deixa perceber a importância que o edil atribui ao que os outros pensam - e dizem - se dúvidas houvesse. Segundo D. Diogo, é uma maçada andar a reunir um órgão sem assunto para discutir. E a verdade é que o dito Conselho só reuniu uma vez. Deveria ser convocado trimestralmente - por sua excelência o presidente - mas isso só aconteceu uma vez em quase três anos.
A dúvida que nos fica é de onde vêm os poderes omnipresentes de Diogo Mateus, que lhe permitem constatar se existe ou não assunto. E já agora, lamentamos informá-lo de que, sim, há problemas de segurança nesta terra. Se reunisse o conselho de segurança - que é composto por 27 membros, nem todos da casa, por estranho que pareça - poderia ficar a saber de tão coisas simples, mas preocupantes: o aumento da delinquência juvenil; da violência doméstica; do tráfico de droga à porta da escola secundária, e de outros focos de violência e (in)segurança que estão a aumentar, nomeadamente entre algumas comunidades estrangeiras. 
Pois, de facto, "temos aqui algum desfasamento", senhor presidente. A começar pelo cumprimento da lei.

18 de junho de 2019

PSD a rogar Futuro


O PSD local anunciou, para dia 21, a realização de uma conferência que designou “Pombal – Estratégia e Futuro”. É tolo pensar no futuro antes de ter presente. Mas em Pombal o tolo tem presente.
As pessoas vulgares gostam de falar do que não têm. E se há coisas que Pombal - o executivo local - não tem, nunca teve, é estratégia. O desfalecimento do concelho comprova-o. Os recorrentes erros de governação, nomeadamente os volumosos investimentos falhados, ilustram-no.
O PSD local insiste em prometer “Futuro”. Isso tem uma explicação. Einstein dizia que nunca se preocupava com o futuro porque ele não tardava a chegar. O PSD sabe que ele não chega, por isso o promete.
Se há coisa que distingue bem as propostas políticas da Democracia das da Ditadura, é o horizonte temporal. As ditaduras prometem sempre futuro radioso, homem-novo e amanhãs que cantam. Porquê? Porque sabem que o presente é tortuoso, cheio de sacrifícios e de sofrimento. Em contrapartida, nas Democracias a política é - deve ser - feita para as pessoas de carne-e-osso, para as vidas presentes, não para as que virão.
Em Pombal, não temos uma ditadura, mas temos uma Monarquia tipo Constitucional, com laivos Absolutistas, onde a fé no além dita as regras e o modo de vida, onde se vive um tempo que já não existe, o passado, a que Agostinho chamou o “tempo da Alma”, e outro que também não existe, o futuro, o tempo da ilusão, do desvaneio, da fuga à vida como ela deve ser vivida.
Entendamo-nos: não há nada mais perigoso na Terra do que o político profeta do Futuro.

14 de junho de 2019

Se o meu Fusca falasse!

Já tem acontecido encontrarmos na cidade, alguns veículos abandonados na via pública (lembram-se daquela carrinha amarela junto à estação ?), pois bem, mas existem outros.
Todos os dias, há vários meses, eu diria até um par de anos, que eu vejo este abandonado. Dia a dia vai-lhe faltando algumas peças, porque alguém “vai-se servindo” quando precisa. O curioso, é que todos da rua comentam de boca cheia de quem é o dono do carro e do outro alguns metros daquele … é natural! Calculo que pela matricula se chegue lá.
Mas o mais curioso, é o dístico (não sei se será o termo correcto) colocado pelos serviços de fiscalização municipal a informar  … a V. Exª.,  que deverá proceder à remoção da sua viatura da via pública, no prazo de 10 dias, sob pena de o mesmo ser removido pelos S.F.M.
Até aqui tudo bem. O problema é que o aviso não está datado nem assinado! Assim, os 10 dias é a partir de quando mesmo ????



10 de junho de 2019

Da série Faz& Desfaz



Há meia de dúzia de anos atrás, a CMP requalificou a Praça Marquês de Pombal. Uma intervenção daquelas deveria ter uma certa perenidade (duas ou três gerações). Contudo, durou pouco tempo: o pavimento está a ser arrancado – tarde – e substituído.
O projecto de requalificação foi, na altura, muito criticado, nomeadamente os materiais usados. Mas temos um poder autista que dá nisto: faz&desfaz ou obras falhadas. Resultado: o Zé&Maria pagam e são mal servidos.

7 de junho de 2019

Embandeirar em arco


Foi bonito de ver sete freguesias do concelho de Pombal serem galardoadas com uma bandeira Eco XXI. 
- E o que quer isso dizer? (pergunta legitimamente o leitor).
Ora, quer dizer que as freguesia de Almagreira, Carnide, Carriço, Louriçal, Meirinhas, Pombal e União das Freguesias da Guia, Ilha e Mata Mourisca podem agora içar a sua bandeira verde Eco-Freguesias XXI, "prémio que avalia e reconhece o trabalho realizado pelas autarquias locais em prol do reforço da sustentabilidade dos seus territórios, na vertente ambiental, económica e sociocultural", segundo a notícia do site municipal.
Muito bem. O verde vai bem com as favas das Meirinhas, mas também pode ir com as ervilhas do Carriço, ou com a erva que cresce nalguns arruamentos do Louriçal. Ou mesmo com os ramos de eucalipto da estrada dos Malhos, na freguesia de Pombal. Ah, espera...
O verde-esperança fica muito bem nesta fotografia, a fazer lembrar uma reunião da Maçonaria. Será por isso que, por exemplo, o presidente da Pelariga se mostrou irado na publicação do companheiro Pimpão? Ou seria antes porque o lugar (nas fotos) lhe foi ocupado por um mensageiro do regime?
De maneira que não saímos disto. Fomos feitos para a bandeira, para este faz-de-conta-que-nos-preocupamos-com-o-ambiente-e-assim.
O que vale é que temos um presidente da Câmara bondoso, que dispensa os seus funcionários para comparecerem nestas cerimónias. Pelo menos aqueles que fazem menos falta, e que têm missões autárquicas. Ah, espera..

6 de junho de 2019

Um Café e uma Farpa


A última crise económico-financeira teve impactos e consequências significativas no país, na região e no concelho. Importa, portanto, conhecer a realidade socio-económica da região e do concelho e discutir o que é e como se promove o Desenvolvimento Regional.
Contamos consigo para esta discussão.

4 de junho de 2019

Afinal quais são os critérios para atribuição dos subsídios?



Ninguém tem sido indiferente à vertente “generosa” que o nosso Município tem tido na atribuição de subsídios, nomeadamente naqueles “pontuais” (os que não estão regulamentados). A verdade, é que desconhecemos, na maioria das vezes (para não dizer sempre), os critérios de atribuição. Porque é que se dá mais a um do que a outro, ou porque se dá a um e não a outro por exemplo. Eu cá, sempre achei que o Presidente é que decide, com os seus critérios.
Desconhecemos qual o critério, por exemplo, para que uma associação como a Ajudanimal, que por diversas vezes tem solicitado apoio com atribuição de subsídio, continue á espera de uma resposta…
Estamos a falar de uma associação, que em muitas situações, se tem substituído ás obrigações do próprio Município; estamos a falar de uma associação, onde as pessoas mais rapidamente recorrem para denunciar/solicitar a recolha de animais abandonados, do que ao próprio centro de recolha animal do Município de Pombal; estamos a falar de uma associação constituída por voluntários, que também prestam um trabalho em prol da saúde pública, porque conseguem, inclusivamente, a esterilização de todos os animais recolhidos!
O Município deveria olhar para esta associação como sua parceira, porque na realidade, já todos percebemos como o “nosso” canil/gatil Municipal, não tem tido capacidade (em termos materiais e humanos) para responder às diferentes solicitações. E aqui, já não estamos a falar só de gostar (muito) de animais! Já falamos, também de uma questão de saúde pública!
Ainda não é critério mais que suficiente, para pelo menos responder, aos pedidos solicitados pela Ajudanimal? Já não chegou aquela “trapalhada” com a sua exclusão do Orçamento Participativo?

3 de junho de 2019

Um outono sem primavera à vista

O outono de D. Diogo é mais insonso que a "primavera marcelista". Naquela, apesar da rigidez do regime, existia uma espécie de oposição, de dissidência, de agitação protagonizada pela chamada Ala Liberal e pelo irreverente Jornal Expresso (da altura). Aqui e agora, nem isso!
Temos um poder autocrático e petulante, que sobrevive não pela sua energia vital mas pela ausência de ameaça. E uma oposição que não o é nem nunca o será, composta por um conjunto de figuras cujo traço comum é a superficialidade, o estupor apático, a falta de instinto político e, pior, a falta de coragem; figuras que não representam nada nem ninguém - propósitos ou aspirações legítimas; antagonismos de grupos ou individuais. E temos uma terra que acolhe esta mixórdia como aquilo que há de mais delicado, de mais grosseiro ou de mais artificioso.
As reuniões do executivo e da assembleia municipal ilustram o quadro na plenitude, e o resto completa-o.
As reuniões do executivo são uma dor de alma; juntam ao executivo que nada executa dois rufiões do espírito com fome de celebridade mas pobres de saber, e duas almas bondosas que vivem demasiado à parte para ter razões pró ou contra o que quer que seja.
As reuniões da AM são uma espécie de reunião de condóminos onde poucos pagam as quotas e muitos se queixam.
Por cima de toda esta vulgaridade reina o senhor-todo-poderoso, com pose de nobre, mas sem nobreza, instintivo como todos os falsos aristocratas, que sabe usar as máscaras e os artifícios do poder.
Cheira a fim de regime, mas não se vislumbra o fim. É difícil apontar o que mais desola: se a petulância e a malícia do senhor-todo-poderoso, ou a insignificância e o risível dos figurantes que o suportam.

30 de maio de 2019

O Tal Canal


A pombalTV faz este ano 5 anos de existência. Passado todo este tempo, continuo sem perceber ao certo que canal é este -  que não tem emissão regular e cuja maioria dos posts, à laia de “notícias” são textos escritos e copiados de outros meios de comunicação. Será então um videoblog sobre curiosidades locais ou um jornal online? Algo mais? 

Expliquem-me por favor, porque um canal de televisão certamente não é.
Durante algum tempo perguntei-me como poderia sobreviver este “canal de televisão” sem conteúdos próprios e sem uma emissão regular. Não existe nada de original que possa cativar um audiência a não ser o esporádico vídeo sobre as actualidades do concelho. E como sobrevive a pombalTV apenas com publicidade residual? Algo de estranho se passava, ou então seria este canal local um fenómeno de estudo e um caso único a nível mundial. Por essas razões decidi investigar.

Ao analisar alguns documentos oficiais disponibilizados online, no site http://www.base.gov.pt, pude facilmente descobrir qual a principal fonte de rendimento deste “canal de televisão”.
Desde a sua origem que a principal fonte de rendimentos da pombalTV é precisamente a Câmara Municipal de Pombal. Este Canal/Videoblog/Não Sei o Quê, entre 2014 e 2017 recebeu qualquer coisa como 27.443,76€ para a transmissão de Assembleias Municipais, Reuniões de Câmara e transmissão de outros eventos  não especificados.

Desse total, 12 821,21€ foram para a Criação da Agenda Municipal. A CMP paga um balúrdio por um formato pré feito onde se alteram mensalmente os textos dos eventos, e as fotos ou videos, mas se mantém toda uma base pré criada. Alguns destes “templates” encontram-se facilmente online a baixo custo em qualquer website de produção audiovisual que venda conteúdos "pré fabricados". Trabalho mínimo, lucro máximo.

Em Maio de 2018 mais um contrato por ajuste direto no valor de 4 218,00€ uma vez mais por Serviço de Transmissão de Imagens de Eventos Municipais, duração 365 dias, em relação ao trabalho em si, nada especificado uma vez mais.

Já este ano,  a 21 de Maio de 2019, foi feito novo contrato com a pombalTV no valor de 16.872,00€, relativo a, uma vez mais, Aquisição de Serviços de Transmissão de Imagem, um contrato bastante mais chorudo  que o anterior e com a duração de apenas 214 dias. 

Mas afinal contrata-se o quê especificamente? Quando e como? Que transmissão? Onde está ela? Online onde? Não existe divulgação pública destes concursos? É para depois afirmarem por escrito que não havia mais ninguém a participar? Os documentos existem foram aprovados e estão assinados. Sem se dar conhecimento à população é difícil realmente aparecer concorrência.  Não servem o Facebook e as outras plataformas oficiais para isso também? Para informar os cidadãos? Porquê tanto secretismo?

A CMP escolheu a pombalTV porquê? Pelo conjunto de profissionais que a compõem? Pelos equipamentos de última geração que possui? Pela larga experiência no meio? Pelo impressionante currículo do director do canal? Ou será realmente o preço do “pacote”?
Não me parece que nenhuma dessas razões seja suficientemente válida para deixar a concorrência para trás, cega, surda e muda. Neste momento a equipa da pombalTV é composta exclusivamente  pela Dona/Gerente/Jornalista/Comercial/Camara/Diretora/Editora/Produtora, Ana Rita Silva Ribeiro,  cujo percurso profissional se resume à criação e manutenção da pombalTV.  

Pessoalmente conheço mais de uma dezena de profissionais no concelho, com trabalho reconhecido na área, com todo o equipamento necessário e conhecimento prático que poderiam facilmente assegurar alguns destes serviços contratados exclusivamente à pombalTV.
Será que alguém me pode explicar qual foi a razão para este “contrato às escuras” e nada transparente? Tudo isto foi feito sem concurso público e nem sequer foi dado conhecimento em reunião camarária. Parece-me assim que se trata mais uma vez de um caso de “compadrio” que  ignora  completamente a existência de outros profissionais e empresas do ramo.

Fica aqui uma última questão: não possui a CMP um Gabinete de Comunicação?
Sei por experiência profissional que ficaria mais barato ao contribuinte adquirir os equipamentos necessários e dar formação aos técnicos da CMP (como fazem as outras câmaras da região) para realizar esses trabalhos de captação e transmissão de imagem que subcontratar outra empresa. Atenção que quando digo mais barato falo em dezenas de milhares de euros. Porque é que a CMP não o faz? Qual o interesse no modelo actual? Não defende certamente os interesses do contribuinte…

Uma sugestão final: mude-se o nome da pombalTV para CMPombalTV, assim talvez a coisa seja mais facilmente explicada e justificada.
Falamos de um orgão de comunicação social independente, mas afinal onde está a imparcialidade e transparência do mesmo quando este é financiado quase na totalidade pela Câmara Municipal e especialmente através deste tipo de contratos?
Continuo a achar tudo isto muito estranho, talvez alguém me consiga explicar o que realmente se passa afinal com o “tal canal”?