31 de dezembro de 2019

Os esqueletos do Cardal e o que nos espera em 2020

As notícias da imprensa regional dão conta de uns achados arqueológicos no Jardim do Cardal: túmulos do século XVI. Até um leigo na matéria sabe que revolver um jardim colado a uma igreja é obra certa, nesta matéria. E que por isso era fatal como o destino desta terra encontrar ali alguns esqueletos. Da mesma maneira, qualquer leigo sabe também que encontrar esses vestígios históricos implica um atraso nas obras, pelo que nos podemos preparar para continuar a ver o jardim entaipado durante muito tempo. É a nossa certeza para 2020. 
Voltemos à vaca fria: eram necessárias estas obras? Era preciso revolver as entranhas do Cardal para conservar o jardim e cuidá-lo? O que é que ganhamos, enquanto cidade, em estender betão num espaço que só precisava de mais relva, flores e plantas, para ter mais pessoas?
Saio de 2019 com a sensação de que Diogo Mateus quis, a todo o custo, deixar a sua marca em Pombal: mudar a face da cidade, que é o que está a fazer no Cardal, na rua Custódio Freire, no Jardim das Laranjeiras, e se deixarmos ainda juntará a Várzea a esta operação cosmética. Mas nem a cidade precisa de ser reconstruída (desta maneira) nem ele é o Marquês de Pombal. O nosso único problema é que, à volta, todos o fazem acreditar que sim, prestando-lhe vassalagem. E por isso não vimos a colaborante oposição levantar o dedo e a voz ao caos em que se transformou o trânsito, nesta quadra festiva, à conta desse capricho municipal. 
Estão todos bem para um brinde colectivo, pois claro. 

30 de dezembro de 2019

A heroína da avenida

Numa altura em que a Câmara Municipal parece tudo fazer para o definhar do concelho, é bom ver que há quem reme em sentido contrário. Exemplo disso é o excelente trabalho desenvolvido pela empresária Sónia Pedrosa. Não sou assíduo frequentador do nosso comércio local mas, pelo que me é dado perceber na altura do Natal, esta jovem empresária transformou a Avenida Heróis do Ultramar num dos mais dinâmicos centros comerciais da cidade. Talvez por isso, a sua empresa foi uma das 24 pequenas e médias empresas do concelho distinguidas pelo IAPMEI e pelo Turismo de Portugal com o selo de PME Excelência. Os meus parabéns!

29 de dezembro de 2019

Ajuda o Pai Natal!


O Pai Natal tem nove livros para os nove meninos e meninas que vivem no Convento do Cardal. Infelizmente, perdeu as cartas que lhe foram enviadas e agora está um pouco confuso. Queres ajudar o Pai Natal entregar as prendinhas aos meninos?

25 de dezembro de 2019

Diogo Mateus dixit: não serei candidato à câmara em 2021


Diogo Mateus, actual presidente da CMP, anunciou, na reunião extraordinária da comissão política do PSD, realizada na passada segunda-feira, convocada expressamente para discutir os últimos acontecimentos políticos, que não será candidato à câmara nas eleições de 2021.

Manuel António, actual presidente da concelhia, apresentou a demissão do cargo, logo no início da reunião, alegando  "discordância com os últimos acontecimentos políticos". Outros dirigentes abandonaram a reunião a meio.

Não se conhecem, até ao momento, as razões que levaram Diogo Mateus a assumir a retirada; mas a circunstância de o partido nunca lhe ter mostrado apoio, e de ter feito coro aos ataques de destacados militantes do partido e às críticas de outras forças vivas, devem-no ter feito sentir que não tinha condições políticas para se recandidatar.

Os últimos acontecimentos – exoneração do vereador Pedro Brilhante e atribuição de mandato a tempo inteiro a Pedro Martins (do movimento dissidente, de Narciso Mota) – foram, com certeza, as enxurradas que fizeram rebentar o dique. Mas a guerrilha sistemática entre partido, controlado por Pedro Pimpão, e presidente da câmara; a guerrilha sistemática entre a facção do partido na junta de freguesia de Pombal e o poder camarário, protagonizado por Diogo Mateus, era por demais evidente e alimentada à boca cheia na cidade e pelo concelho.

Com esta tomada de posição,  clara e frontal, Diogo Mateus faz saltar as coisas para outro patamar: do subterrâneo, onde a politiquice germina; para a praça pública, o terreno da política séria.

24 de dezembro de 2019

Onde dá conta das diligências e fadigas do Príncipe, no socorro às vítimas da tempestade, e das deslealdades de que foi vítima

Aos vinte dias do mês de Dezembro do ano de mil seiscentos e dezanove, o Príncipe mandou reunir os seus conselheiros para dar conta dos danos e males que S. Pedro tinha descarregado, na véspera, sobre o principado; dar conta das acções que mui oportunamente soubera tomar; tomar conselho; e, formalizar a troca de um Pedro por outro (Pedro).

Há hora marcada, marcaram presença na sala grande dos paços, com grande solenidade, ordem e regimento, tudo em grande perfeição; o Príncipe, em alto estrado na sua cadeira real, e mais abaixo; a Educadora-mor; o Obras-Tortas; a marquesa Prada; o comendador das Meirinhas; o conselheiro Coiso, o conselheiro Humano e a conselheira das Mouriscas; em seus assentos segundo suas precedências. O conselheiro Jota chegou com atraso por a charrete em que seguia ter descarrilhado outra vez.

O Príncipe começou por, de forma muito sentida e com uma arenga mui conforme ao caso, dar conta dos danos e das tormentas que tinham apoquentado o principado, na véspera; dos vastos trabalhos que tinha determinado para socorrer as vítimas; e das muitas fadigas que Ele próprio em pessoa cumpriu, por terras do Louriçal, onde rezou na Igreja de São Tiago e pediu compaixão a S. Pedro; por terras do Oeste; por terras da Redinha; e no açude, onde administrou o caudal do rio durante toda a noite.

De seguida, o Príncipe informou os conselheiros que, obtida a renúncia da conselheira do Oeste, e estando a governação manca, tinha convidado o conselheiro Pedro Humano, homem sesudo, mui obediente, e engenhoso no controlo dos bytes (alçapão por onde se têm esvaído os documentos secretos do trono), para substituir o ministro Jota, que previamente exonerara. E determinou logo ali e deixou assentado, que o novo ministro iria superintender os pelouros do ex-ministro Jota; e, posto isto, deu a palavra aos conselheiros.

O Pedro Humano, envergonhado por passar a Desumano, agradeceu, com palavras de fiel vassalo, a grande mercê que o Príncipe se dignou ofertar-lhe, e jurou total obediência.

A conselheira das Mouriscas tomou a dianteira e cumpriu rapidamente a formalidade, com palavras mui amorosas, asseverou muita confiança e contentamento por o conselheiro Humano ter siso designado ministro.

O conselheiro Coiso, grande paladino da honra, da moral e da ética, teceu uma grande léria sobre companheirismo e rectidão, com a propriedade e autenticidade que lhe é conhecida, atestando que o seu companheiro Humano, amigo de longa data, era tipo mui capaz; a quem, infelizmente, a providência divina tinha retirado as vértebras. 

O comendador das Meirinhas, que não é homem de grandes finezas e lealdades, também quis fazer fala, mas falou tão mal e com palavras tão piedosas para o novo ministro, e tão em desacordo com o conselheiro Coiso, que este nem o quis ouvir. 

Já a arenga ia longa, e o ambiente toldado, quando entrou na sala o conselheiro Jota, mui laborioso e bom falante, responsável e respeitoso, que se foi sentar no lugar do costume. Na sua vez, pediu a palavra que logo lhe foi concedida; e com falas mui ásperas e mui feias, destratou, sempre em crescendo, o Príncipe; Senhor mui poderoso, de grandessíssimas virtudes e bondades, excelentes costumes e manhas, mui generoso e mui cristão; acusando-o de lhe ter retirado, sem causa, ofício e a renda a que tinha direito, e de os ter entregado, de imediato, a um traidor sem direitos. 

O Príncipe mostrou-se mui agastado e mui revoltado com os maus modos e as cousas feias e desonestas que o conselheiro Jota lhe dirigiu; atribuiu o mau pensar ao acidente; e confirmou que retirou o ofício e a renda ao conselheiro Jota por não poder ter ministro desleixado, que passa o tempo na diversão e na politiquice.

O conselheiro Jota replicou, com palavras ainda mais azedas; dizendo que o Príncipe não lhe dava lições de trabalho por nunca ter trabalhado senão na política; e desafiou o Príncipe a apresentar provas do seu mau trabalhar.

O Príncipe, com a cortesia e sensatez que lhe é conhecida, rematou simplesmente: - “Sois só mal criado, e nada mais do que isso”. Alguém sussurrou por entre os dentes: - “Quer parecer tão nobre, mas vezes demais o diabo fala pela sua boca”. 

Terminados os trabalhos, o Príncipe convidou os conselheiros para o tradicional almoço de Natal. Seguidamente, discretamente, chamou o Pança e ordenou-lhe que, em saindo fora do convento, fosse o conselheiro Jota preso, levado para a praça velha, e largado dentro da cisterna.

Um Santo Natal!
Viva o Príncipe!
Viva o Principado!
                                                                                    Miguel Saavedra 

23 de dezembro de 2019

Crónica de uma decisão anunciada


Só quem não conhece o concelho de Pombal é que alguma vez suspeitou, primeiro, que Narciso Mota ganhasse as eleições e, segundo, que as suas hostes lhe fossem fiéis até final. O velho engenheiro apresentou-se a eleições sem chama, com um projecto politico gasto e traindo o seu discípulo dilecto. Os eleitores, e muito bem, não lhe derem a vitória; Narciso Mota não merecia voltar a presidir os destinos da nossa Autarquia

O que se passou após as eleições também era fácil de antever. Como aqui disse, "as hostes do movimento Narciso Mota - Pombal Humano (NMPH) vão aperceber-se rapidamente (se é que já não se aperceberam) da fragilidade do projecto. Totalmente focado na personalidade do seu mentor - que apenas prometeu ser o mesmo de sempre -, o movimento NMPH é demasiado inconsistente e, por isso mesmo, está condenado a muito breve prazo. Narciso Mota já veio dizer que aceita a vereação (o que só lhe fica bem), mas dificilmente conseguirá manter o compromisso até ao final. A máquina laranja irá fazer tudo para lhe infernizar a vida, muito à semelhança do que ele sempre fez com os seus adversários políticos. Nessa altura, os correligionários do movimento NMPH, órfãos de pai, irão a correr procurar abrigo junto da mãe que renegaram."

Espanta-me, por isso, a surpresa com que a notícia da atribuição de pelouros ao vereador Pedro Martins foi recebida. Não existe nada de substancialmente diferente entre o PSD e o defunto movimento NMPH. São a mesma face da mesma velha moeda. Por outro lado, também não percebo toda a indignação gerada. O objectivo das eleições autárquicas consiste em eleger vereadores e não, como muitos pretendem, apenas o Presidente da Câmara. O nosso modelo autárquico permite a existência de executivos multicolores o que, quanto a mim, enriquece a democracia. Ao contrário do que o PSD (e o PS) defendem, esta decisão de Diogo Mateus abre um bom precedente em Pombal que espero se volte repetir. No entanto - e é aqui que reside a única crítica que faço ao Presidente da Câmara -, estas alianças devem ter substância política e ser assumidas pelas forças partidárias que lhes dão forma. Caso contrário soam a uma mera troca de favores que em nada dignifica os seus protagonistas. 

22 de dezembro de 2019

Eles não merecem a água que bebem

A última reunião do executivo da CMP durou 3 horas e 9 minutos: 2 horas e 36 minutos na chicana política (e conversa da treta), 32 minutos a despachar uma agenda com 57 pontos, com simples apresentação dos temas e votações.
Não sai da boca daquelas criaturas as preocupações com o concelho, mas depois é isto! Esta gente não merece a água que bebe durante as reuniões, quanto mais o dinheiro que ganha.

A Casa dos Segredos

Todos nos lembramos de quando o presidente e o ex-presidente da Câmara andavam enrixados (agora querem-se muito?!?). Durante este período não faltaram insinuações graves (nunca concretizadas) de parte a parte, o que nos fez supor que seria uma questão de tempo até se descobrir que a honorabilidade (que resta) de quem nos tem governado nas últimas décadas é uma falácia.
Enterrado (ou comprado?!?) o “machado de guerra” entre os dois últimos edis, voltaram as insinuações. Desta feita sobre as imparidades do vereador Pedro Brilhante. De tal gravidade que, segundo o presidente, uma vez reveladas, acabariam com a sua carreira. A insinuação é instrumento especialmente cruel e cobarde, que marca definitivamente o visado e da qual não se consegue defender.
Parece por demais evidente que a nossa Câmara se encontra envolta numa opaca bruma capaz de ocultar mil sevícias. Faz-me lembrar o programa da TVI, “A Casa dos Segredos”, mas frequentada por gente de menor estirpe.
O povo gosta.

O dia em que David derrotou Golias

O Farpas tem o prazer de apresentar a longa-metragem: O dia em que David derrotou Golias.
Sem mais palavras...


20 de dezembro de 2019

20-12-2019 – o dia em D. Diogo deu o golpe de misericórdia na moribunda oposição

Nos seis anos que leva à frente da câmara, D. Diogo acumulou muitos erros na administração da autarquia; mas foi voraz na acumulação de poder. Só que: o vício mata o viciado. Hoje, D. Diogo rapou o resto do poder - deu o golpe de misericórdia na moribunda oposição.
Em política há derrotas que fortalecem, e vitórias que enfraquecem. Hoje, D. Diogo ganhou, mas perdeu. E iniciou o movimento de queda.

Uma cidade esburacada







Oh Sr. Presidente: já sabemos que o IC2 está uma lástima! São buracos que quase parecem crateras! Sabemos também, que a Infraestruturas de Portugal não quer saber…mas gostaríamos todos, que o Sr. colocasse tanto empenho na resolução dos buracos (que são muitos) na zona industrial da Formiga ou na rotunda junto aos móveis 80, como se empenha para falar das responsabilidades das outras instituições!

Traição ou desfaçatez?


Esta manhã, durante a última reunião de Câmara deste ano horribilis na autarquia, Diogo Mateus entregou publicamente um presente de natal a Pedro Martins - acabado de sentar na cadeira da vereação, em substituição de Anabela Neves. Deu-lhe os pelouros que retirou a Pedro Brilhante, e ainda uns que eram de Ana Cabral. E Pedro Martins - que Diogo não quis levar consigo em 2013, quando acabou o reinado de Narciso Mota - aceitou, todo contente.
Diz ele que as motivações são as mesmas que o fizeram aceitar integrar a lista de Narciso Mota, em 2017, e chama-lhe vontade de contribuir para o progresso "da nossa cidade". Pombal é um bocadinho mais que o largo do Cardal, Pedro. Assim como ser vereador é (ou deveria ser) um bocadinho mais que técnico de informática, por mais reputado que se mostre. 
Nesta ocasião ocorre-me uma crónica antiga, de um amigo comum (Daniel Abrunheiro), que enunciava a quantidade de professores dedicados à política local, porque "dar aulas é chato". Sim, deve ser. E será muito mais confortável viver com o ordenado de vereador, convenhamos. Aos poucos, Diogo Mateus vai conseguindo um feito que parecia impensável nas autárquicas de 2017: unir o PSD. Já amaciou os azedumes de Narciso Mota, agora repescou Pedro Martins. Sobra Micael António, orgulhosamente só, a levantar uma bandeira do NMPH. Alguém lhe diga que o movimento acabou, por caridade.
Imagino os milhares de eleitores que votaram naquela "alternativa", que olharam para Narciso Mota e seus muchachos como linha política que queriam para este concelho. É de traição que se trata, sim. E desfaçatez. Mas já se sabe que em política o que hoje é verdade amanhã é mentira. E que, como diz a canção,  "não se pode andar direito quando se tem a espinha torta". Alguém endireite a cadeira a esta gente. 

Muito mais do que apenas fumaça


Não são de Pombal mas foram o único projecto jornalístico que deu visibilidade aos 10 anos do FarpasGanharam, recentemente, o Prémio de Ciberjornalismo, do Observatório do Ciberjornalismo (ObCiber), da Universidade do Porto, pelo segundo ano consecutivo.  Antes disso, foram galardoados com o prémio podcast do ano, na primeira entrega dos Prémios Podes, os melhores podcasts portugueses.

Quando estiverem connosco, em Abril de 2018, tinha acabado de ganhar uma bolsa de apoio no valor de 80 mil euros atribuída pela Open Society FoundationsMas não se ficaram por aqui. Já este ano, voltaram a ser galardoados pela mesma fundação com uma bolsa de 175 mil euros e a sua série documental “Palestina, histórias de um país ocupado” foi a vencedora do prémio Gazeta Revelação 2018, uma das categorias dos Prémios Gazeta, os mais importantes do jornalismo nacional, atribuídos pelo Clube de Jornalistas.

Afirmam ser um projecto jornalístico independente, progressista e dissidente. São isso e muito mais. São muito bons e merecem o nosso apoio e o meu forte aplauso.

17 de dezembro de 2019

Sobre Poder de Compra e o falacioso D. Diogo

Por feitio ou por se sentir acossado por as coisas a não estarem a correr bem em várias áreas da administração municipal e na realidade concelhia, D. Diogo agarrou-se ao Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio 2017, publicado recentemente pelo INE, para se vangloriar longamente na reunião do executivo e na AM. Afirmou que “Pombal consegue ser a única cidade da região de Leiria que cresce mais de dois dígitos”, no IPCC, entre 2007-2017, e que “vale a pena pensarmos nestas coisas e sermos bastante claros nessa identificação das causas e das diferenças políticas que podem de facto trazer aos nossos territórios comportamentos distintos. É o que isto diz, é o que isto diz, demonstrando inequivocamente: aqui há uma diferença sobre os outros territórios”
Como em terra de cegos quem tem um olho é rei, D. Diogo pegou no indicador IPCC, no qual Pombal, apesar de mal posicionado, apresenta alguma melhoria, na última década, para pintar o quadro cinzento com cores alegres. Vendeu a sua banha-da-cobra; e a oposição (o PS) comprou-a sem reclamar. 

D. Diogo pode confiar muito nos seus dotes de retórica e na sua capacidade para subjugar consciências, mas não conseguirá falsificar a realidade. D. Diogo mentiu literalmente e por meias verdades (igualmente mentiras), nos números, nas conclusões e nas explicações. Os dados e os gráficos abaixo demonstram-no.




Mentiras maiores:
- Diogo dixit: “Pombal consegue ser a única cidade da região de Leiria que cresce mais de dois dígitos”. 
O IPCC de Pombal cresceu abaixo de dois dígitos, cresceu 8,35, e não foi o que mais cresceu. Porto Mós (12,31); Ansião (10,88); Figueiró dos Vinhos (9,87) e Pedrogão Grande (9,33) cresceram mais que Pombal; e a Alvaiázere cresceu quase o mesmo (8,18).
Perante isto, ressalta uma constatação inequívoca que contraria toda a argumentação de D. Diogo: Pombal compara muito bem - neste como em outros indicadores - com os concelhos do interior norte. 

E perante esta evidência, pergunto (a D. Diogo e aos leitores): os concelhos do interior norte concertam as suas políticas de investimento? Nestes concelhos o IPCC está a ser influenciado significativamente por políticas concelhias?

16 de dezembro de 2019

Sobre troca-tintas e meias-tintas

Já há uns tempos aqui escrevi que a inclusão dos presidentes das juntas de freguesia na assembleia municipal é - como afirma Vital Moreira e outros constitucionalistas - uma anomalia que distorce consideravelmente o princípio da proporcionalidade, e, por esta via, a democraticidade do órgão. A situação é particularmente grave, chocante até, quando os presidentes de junta abandonam imediatamente a força política pela qual concorreram e se colam à maioria que suporta e governa a câmara. É o que se passa em Pombal. 

A situação é de tal forma caricata que, para além de os presidentes da junta votarem sistematicamente em sintonia com a maioria, a presidente da assembleia, por desconhecimento ou abuso de função, contabiliza os votos dos traidores como da bancada do PSD.

Que o do oeste o faça ainda se tolera - foi eleito por um grupo inorgânico, sem direcção e orientação e em debandada geral. Mas que o da Redinha, eleito pelo PS, ignore o partido e bajule sistematicamente de forma obscena o presidente da câmara e o seu executivo, choca; e deveria chocar, indignar e obrigar a agir a presidente do partido se tivesse alguma coragem e sentido de respeito pelo partido e pelos seus militantes. Mas como no 1.º esquerdo, do n.º 7, da Rua Alexandre Herculano, ideologia, solidariedade política, responsabilidade e responsabilização são palavras vãs; tudo se tolera, tudo é meias-tintas, e tudo acaba em troca-tintas.


12 de dezembro de 2019

Alguém me esclareça se faz favor?

Para além da entrega da carpete vermelha aos comerciantes (julgo que tem subsidio camarário para ajuda na compra), que outras iniciativas se conhece, da Associação Comercial de Pombal, para dinamizar o comércio local nestas “festas natalícias” (já não vou perguntar por outras durante o ano)?

11 de dezembro de 2019

PS no seu melhor

Para PS (Pombal) a política é um pró-forma; onde o conteúdo, a intencionalidade e o propósito não entram; onde basta cumprir a obrigação do momento, sem esforço e sem tino.
Custa ver um partido com as responsabilidades do PS não saber distinguir o essencial do trivial. Mas dói – sim, dói mesmo - ver o PS exigir a concretização das excrescências do PSD. E chegar ao ponto de suplicar pela concretização da “Casa Mota Pinto”!


10 de dezembro de 2019

O inconsciente é tramado

A troca recorrente de doutora Ofélia por doutora Odete, pelo doutor Coucelo, quando respondia à doutora Ofélia, causou alguma preocupação entre amigos e conhecidos do doutor que assistiam à transmissão da AM.
Mas o Farpas explica o sucedido com o vídeo abaixo e um pouco de teoria freudiana… E desta forma desculpa e descansa todos.
O inconsciente é tramado. Até o Pedro Pinto (CDS), coitado, que ainda não tinha falado, sentiu na pele a irritação do doutor.


9 de dezembro de 2019

A pecuária da Mata Mourisca, o 'modus operandi' e o carro-vassoura

No registo certo (afinal, mais vale tarde que nunca), o presidente da União de Freguesias da Ilha, Guia e Mata Mourisca levantou finalmente na Assembleia Municipal a questão da pecuária que ameaça abrir portas e cheiros naquela região - como aqui foi alertado, em Outubro último.
Depois disso, já o assunto se espalhou nas notícias.
Gonçalo Ramos percebeu, enfim, como deve ser o modus operandi: de forma clara e concisa partilhou com todos a preocupação e questionou a Câmara. Estava feito. Mas o presidente da Junta do Louriçal (que lida mal com a democracia, como facilmente se percebe, pelo desagrado manifestado com a falta de unanimidade noutros assuntos) achou que tinha alguma coisa a acrescentar. Mais: estava a achar-se tanto, que quase parecia a entidade máxima da autarquia. Ora, perante a resposta de Diogo Mateus - que, pasme-se, garantiu que a Câmara vai procurar 'compatibilizar, se for compatibilizável, a convivência humana sobre a convivência animal', percebe-se bem o desconforto causado. O poder não gosta de ser importunado, e José Manuel Marques arriscou-se muito...

ps1:  Gostei muito de ouvir D. Diogo  dizer  que governa para as pessoas. Ele não tem dúvidas. Eu às vezes tenho. Mas isso sou eu, que não fui tocada pela sabedoria de Cavaco, ao tempo da hegemonia laranja no todo nacional. 

ps2: que deleite, aquela conversa acompanhada das mais belas expressões, entre Manuel António e José Gomes Fernandes - este último regressado à linha da frente do partido. Que deleite. 

7 de dezembro de 2019

O doutor falou

O doutor falou. Na Assembleia Municipal de Pombal. Falou de Pombal? Não. Falou do País. E até da Europa!
O doutor fala bem, muito bem, demasiado bem. Fala de tudo e de todos, e a todos aponta falhas. A todos? não! Ao País, ao governo, e à oposição (a parte dela!).
O doutor é grande. E sapiente. E Pombal tem destas coisas, destes privilégios incomuns, demasiado grandes para as nossas necessidades. Criaturas invulgares, que sabem tudo de tudo, conhecem e sabem apontar (todos) os problemas, dos outros.
E nós, os provincianos, ficamos cheios de inveja. E de pena - de o doutor não colocar uma grama da sua sapiência política ao serviço dos saloios.
O doutor é, porventura, o político local há mais tempo no activo. Mas até hoje – e já lá vão três décadas – nunca o vimos ou ouvimos apontar um problema desta pobre terra.


A pedra no charco na cultura no Concelho de Pombal

O Ti Milha foi nomeado para, não uma, mas 4 categorias dos Iberian Festival Awards. Pelo segundo ano é nomeado para a categoria de Melhor Programa Cultural, à qual acrescem as nomeações para Melhor Estratégia de Comunicação e Marketing, Melhor Festival de Pequena Dimensão e para Contribuição para a Sustentabildade

Só para termos uma noção de outros nomeados, basta percorrer a lista e encontramos o Websummit, Tradidanças, Meo Sudueste, Revenge of the 90’s, Vagos Metal Fest entre tantos. 

A presença nestas nomeações não foi de certeza o que motivou há 4 anos a realização do primeiro Ti Milha, mas sem dúvida as nomeações pelo segundo ano consecutivo são mais que merecidas pela ARCUPS e a comunidade onde se insere este festival, que parte da Ilha mas é já de todos. 

A cultura feita por quem sabe, genuína, com amor ao que é nosso, com cuidado e qualidade e com isso mesmo estar entre os melhores é a pedra no charco de quem ousa querer mais. E sem esperar apoios que não a participação por inteiro da comunidade onde se insere.

Parabéns aos rapazes e raparigas da ARCUPS e a todos que fazem acontecer o Ti Milha! 

PS - Quem quiser participar na votação pode fazê-lo em https://pt.surveymonkey.com/r/ifa2020 na categoria de Best Small Festival (as outras categorias são decididas pelo júri).

6 de dezembro de 2019

Há estratégia para Pombal?

Estratégia é um chavão interessante e serve para (não) dizer muita coisa. 
Mas simplificando, é definir o que se quer fazer e o que não se quer fazer, quando e para quê, ou seja, com que objetivos. Vamos lá dar um exemplo: que ações fazemos para sermos o concelho do distrito com mais investimento per capita nos próximos 10 anos e não vamos investir noutras áreas porque é esse o principal objetivo [isto é só um exemplo e nem sequer uma sugestão].
É diferente do que dar seguimento às coisas que têm de se fazer, tipo manutenção ou garantir os serviços na sua competência, ou garantir questões legais.
A Câmara Municipal anunciou recentemente que tem pelo menos um plano estratégico (Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano de Pombal - PEDU) e que em 2020 vai ter pelo menos mais 7. E ainda pretende fazer mais 6. Vamos ter planos para dar e vender. 
Com isto, as conversas de café sobre ausência de estratégia para o Concelho irão de certeza acabar!
Vejamos a lista…

Estudos anunciados para conclusão em 2020:
• Carta Estratégica de Educação (orientação científica da Universidade Católica do Porto
• Plano de Desenvolvimento Social de Pombal
• Plano Estratégico para o Turismo (coordenado pela Sociedade Portuguesa de Inovação)
• Estudo de instalação de Escola Superior de Agro-Indústria e Florestas em Pombal (IPL)
• Plano de Desenvolvimento Urbanístico do Casarelo (Universidade de Aveiro)
• Plano Estratégico do Comércio (orientado pela Associação Comercial e integralmente financiado pelo município)

Estudos que o município pretende ainda realizar:
• Plano Estratégico de Desenvolvimento Económico e Social
• Plano Estratégico de Alterações Climáticas
• Carta Municipal de Habitação
• Plano Local de Saúde
• Roteiro de Neutralidade Carbónica do Concelho
• Segundo Plano Estratégico da Cidade de Pombal
Por mais estudos que se façam, há a questão intrínseca que é a opção e essa é que não fica nada clara…
Ficaremos então a aguardar pela “necessidade de promover uma esclarecida, participada e vanguardista construção de planos, estratégias temáticas e roteiros que nos guiem”


Le Freak C'est Chic!

O icónico artista e figura pombalense, Dr Zappa Performer Dada, regressa à sua cidade natal com um espetáculo de performance intitulado "AMA.zona". 
Membro activo do grupo de performance multimédia "Objectos Perdidos", criado em 1987 por Paulo Eno, Tó Martinho e Zappa Dada. Influenciados por autores como Sade, Jean Genet, Lautréamont e Baudelaire e o dadaísmo nascido no Cabaret Voltaire. O último trabalho do colectivo intitulado "The Exploding Plastic Coimbra Inevitable" foi apresentado em Coimbra em Setembro de 2019.
Zappa participa também regularmente em concertos ao lado da banda "Black 77" uma reinvenção da banda Punk "77" uma das primeiras bandas de Punk Rock em Portugal fundada no ano de 1977 por Paulo Eno, a banda conta também com Pedro ''Calhau'' no saxofone, Victor Torpedo Ex "Tédio Boys" na guitarra e Ricardo Brito na bateria, sendo também acompanhados em palco pela performer Vera Mahsati.
Zappa Dada irá atuar este Sábado no Café Concerto em Pombal, realizando uma performance com a artista visual Magali Reales.
Através de video, música, poesia e performance teatral os dois artistas prometem não deixar ninguém indiferente, será sem dúvida um espetáculo único e imperdivel.
É sempre um prazer observar o doutor a operar, ainda mais neste tipo de espetáculo a que raramente temos acesso em Pombal. Apareçam no Café Concerto, Sábado às 22h30.
Obrigado por reaparecer, já tinhamos saudades suas Dr Zappa Dada!!


5 de dezembro de 2019

De delegação em delegação até à concentração total

O presidente da câmara, Diogo Mateus, voltou a exercitar a chamada “delegação de competências”. 
Traiu, outra vez, o tácito compromisso eleitoral ao (re)designar vice-presidente da câmara o vereador Pedro Murtinho - e não a vereadora Ana Cabral – a quem, supostamente, caberá: “substituir o presidente da câmara nas suas faltas e impedimentos”; “representar o presidente”…; “assegurar as relações com a AM”; … “preparar as políticas com as freguesias”…; “monitorizar o plano acção eleitoral sufragado”; …; “proceder à reconstituição mensal dos fundos de maneio”.
Reforçou, supostamente, as competências da vereadora Ana Gonçalves, delegando-lhe a “competência para justificar faltas do pessoal” … e “para aprovar e alterar o mapa de férias”… e “restantes decisões relativas a férias”…”de acordo com as minhas (suas) directrizes”.
E reforçou, também, supostamente, as competências da vereadora Ana Cabral, atribuindo-lhe “a autorização da concessão do apoio para a aquisição do serviço de teleassistência” …”até ao número de 25 unidades”.
Diogo Mateus ilude-se com estes formalismos destituídos de conteúdo e até de simbolismo. Sejamos claros: a câmara não tem vereadores; tem, quanto muito, uns figurantes que vagueiam, iludidos, sem autonomia e sem poder, por territórios que desconhecem.
Neste jogo de máscaras, louve-se o gesto e a lucidez do noviço Pedro: deixou cair a máscara: entregou os pelouros.

3 de dezembro de 2019

Avença muito estranha

O advogado Teófilo Araújo dos Santos, habitual dirigente do PSD em Leiria, tem um largo histórico de avenças com câmaras do PSD na região – Pombal à cabeça.

Mas recentemente, conseguiu uma avença com a câmara de Ansião (do PS, depois das últimas autárquicas). Muito estranho, não vos parece? Mas até as coisas estranhas têm explicação… que pode ser feia.

1 de dezembro de 2019

Como se estraga uma boa ideia


Hesitei em comentar esta proposta da JSD. Em primeiro lugar, porque parte dos jovens, e jovens interventivos e com ideias é tudo o que nós precisamos. Depois porque tenho uma certa tendência para ser mal interpretado quando falo da juventude.

Mas, vamos lá. No último debate promovido pelo Farpas, no Café-Converto, a líder da JSD, Nicolle Lourenço, fez uma intervenção sugerindo a criação de "uma plataforma onde as associações possam estar em contacto e partilhar recursos e materiais". Esta ideia não é uma originalidade absoluta, pois já foi experimentada por vários colectivos culturais, mas é, sem dúvida, interessante e com grande potencialidade. Na altura, quando intervim e elogiei a ideia, estava convencido - ingenuidade a minha - que a proposta tinha sido apresentada como um desafio às colectividades, convidando-as a juntarem esforços para a colocar em prática. Enganei-me. A JSD, na ânsia de mostrar trabalho, apresentou essa proposta no Conselho Municipal de Juventude, órgão consultivo do Município. Péssima decisão. Ao tomar a proposta como sua e ao apresentá-la naquele fórum, a JSD institucionalizou algo que, a nascer, deveria permanecer o mais longe possível dos paços do concelho. 

Termino com alguns conselhos aos jovens laranjas. Primeiro: não se esqueçam que entre uma boa ideia e uma proposta concreta vai uma longa distância. Segundo: tenham a generosidade suficiente para deixar as vossas boas ideias seguir o seu caminho, permitindo que floresçam onde tenham condições para vingar, possivelmente com outros protagonistas. Em Coimbra, quanto foi ensaiada uma experiência semelhante, a iniciativa partiu de um conjunto de colectividades com interesses comuns, que se uniram sob o nome de MAFIA - Federação Cultural de Coimbra, convenhamos, um nome bem mais interessante do que o inqualificável "Pombal Sharing". Finalmente: se consideram que o tecido associativo é das maiores riquezas do nosso concelho, lutem por um Regulamento Municipal de Apoio ao Associativismo Cultural decente.

29 de novembro de 2019

Quinta de Sant`Ana, o maior desastre

A CMP vai entregar a Quinta de Sant`Ana a troco de 2.020 euros mensais, durante 20 anos. Na verdade, não será bem assim: nos primeiros 5 anos a câmara não receberá nada, porque o empresário abate a renda ao investimento na quinta até ao montante de 100.000 €. Se durante os primeiros 5 anos abandonar o negócio a câmara (Nós) não receberá nada. 
O concurso internacional, com vídeos e campanhas de promoção caras, atraiu unicamente duas propostas, de baixo valor e sem qualquer projecto hoteleiro/turístico. A adjudicação é um tiro no escuro, e sem retorno (significativo).
A oposição limitou-se, como de costume naquilo que é importante, a observações vagas, a manifestar estados de espírito, e a lavar as mãos com a habitual abstenção.
A compra da Quinta de Sant`Ana foi um mau negócio; e a despesa lá realizada, ao longo de vinte e seis anos, ascende a muitas centenas de milhares de euros – Diogo dixit. Estamos perante o maior desastre económico de que há memória em Pombal. A custo actual a câmara já meteu naquele negócio mais de 2.000.000 €, sem retirar praticamente nada. 
Mas Diogo Mateus está empenhado em somar a este desastre, outro de que é o principal responsável: o CIMU-SICÓ. É obra!


27 de novembro de 2019

A Mercearia do Cidadão

A ideia até parece ser boa! Juntar vários serviços num mesmo espaço, com o objectivo de proporcionar ao cidadão a possibilidade de resolver vários assuntos no mesmo sítio.
Contudo, a Loja de(o) Cidadão não passa de um bonito espaço transformado numa…..coisa mal amanhada (arquitectónicamente falando)! 
Além da pouca luminosidade, sofre de muitas enfermidades: o atendimento confidencial dos cidadãos é manifestamente comprometido. Salas de espera ao lado de gabinetes de atendimento (acção social, IEFP e juntas médicas), onde a sonorização do espaço está comprometido e o cheiro nauseabundo a esgotos é das queixas frequentes de quem lá trabalha e de quem recorre aos serviços!
Numa altura em que andamos todos preocupados com a protecção de dados e de como fazer cumprir a lei, não parece ter havido a mesma preocupação em relação ao atendimento ao público nestes serviços.
Acho mesmo que quem projectou e quem fiscalizou desconhecia que tipo de serviços o equipamento ia albergar e os serviços que lá se instalaram, não fizeram chegar (digo eu) a quem de direito que o mesmo espaço não satisfaz os mínimos requisitos exigidos para o atendimento ao público: privacidade e confidencialidade.

Mas será que em Pombal não se consegue ter uma única obra de jeito????

P.S.: Tive agora conhecimento que caíu um pedaço de tecto, de um gabinete médico, no Centro de Saúde. Obras tortas, tarde ou nunca se endireitam!

OPA bufa

Em 2/9/2016, escrevi, aqui, que “A câmara de Pombal é um caso extremo de dinheiro a mais e ideias a menos”; e acrescentava: “A última “brilhante” ideia é uma OPA sobre a floresta. Por várias razões, a OPA não terá sucesso. E ainda bem que não o terá. Se o tivesse transformava um problema em dois, não resolveria o problema do ordenamento florestal e, se houvesse grande adesão e um investimento significativo, colocaria em risco a sustentabilidade da câmara. Logo, não é para levar a sério, é mais um show-off próprio de campanha eleitoral”.
Ficámos agora a saber, pela voz do brilhante ex-vereador com a pasta das florestas e do presidente da câmara, que a OPA florestal morreu. Na verdade, nunca existiu. Serviu unicamente para encenação política, para a política do retrato, e para uns créditos (caros) para uma bandeira ou medalha qualquer.
E assim vai Pombal, cantando e rindo, gastando e desperdiçando, de insucesso em insucesso, até à letargia geral.

PS: A desgraça de Pombal – estou farto de o afirmar – é a coexistência de um poder político esgotado e uma oposição fraca, insossa e infértil, que até os erros apoia - apoiou esta insensata medida, e até bateu palmas.

26 de novembro de 2019

Obras tortas faz&desfaz

Toda a gente que acompanha a vida pública local já percebeu que o Centro Escolar de Pombal é o exemplo maior das obras-tortas. Mais: a denominação obras-tortas nasceu lá, inspirada nas colunas tortas que cresciam dos caboucos (como aqui assinalámos).
Adivinhavam-se os problemas. O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita; neste caso, rompe, parte, e mete água por todos os lados quando chove.
Ao problema Centro Escolar junta-se o próprio vereador, que, coitado, ainda não percebeu o problema, a sua origem, as suas causas. E nós também não o percebemos; não percebemos as suas explicações sofridas, nem as acções.
Então, não é que agora (hoje), em plena invernia, quer substituir toda a tela da cobertura. Ponham mão naquele santinho...E os garotos ao largo.

PS: As obras dos Vinagres continuam sem fim à vista. O empreiteiro fura todos os prazos acordados; e o vereador já nem submete ao executivo – como devia - pedidos de prorrogação do prazo; limita-se a ter fé que o empreiteiro acabe aquilo, entretanto (vale-nos o vereador ser um homem de fé).

25 de novembro de 2019

O outro 25 de Novembro

foto de uma iniciativa alusiva ao dia, em...Ansião


Uma tarja. Uma tarja comprida, larga, vistosa, de tamanho suficientemente grande para aliviar a consciência municipal no que toca à data de hoje: 25 de Novembro é o dia Internacional para a eliminação da violência contra as mulheres. Já se sabe que Pombal é mais dado a lembrar o outro 25 de Novembro, e que uns metros de lona vermelha com a inscrição da data é quanto basta para cumprir calendário. Ao lado, uns desenhos de crianças e uns cartazes de eventos passados.
Dantes a APEPI (que tutela na cidade uma casa-abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica e um gabinete de apoio às vítimas) ainda organizava umas palestras, umas marchas, qualquer coisa que lembrasse o dia aos que vivem distraídos - e são muitos; há quem não imagine que esta cidade acolhe as dores mais fundas de mulheres e crianças, feridas abertas às vezes para sempre, que sangram nas escolas, nas tentativas de empregos, nas vidas das que ficam. Há quem prefira fazer de conta que por estes concelho fora (como no resto do país) não há violência contra as mulheres, e que por isso o tema não é suficientemente importante para merecer uma daquelas sessões que a Câmara gosta de fazer, no Café Concerto, mobilizando técnicos deste e daquele serviço.
Como não temos sociedade civil - e se não for o Farpas não há quem promova debates com independência - ficamo-nos assim pela tarja. Não vos basta?

Da vergonha

Assinala-se hoje o dia em que o beato Diogo e a sua corja de apáticos zombies, ano após ano, nos fazem sentir vergonha de ser pombalenses. 

24 de novembro de 2019

23 de novembro de 2019

Serviço público

Na próxima sexta (29/11), sábado (30/11) e domingo (1/12), o TAP apresenta o seu “Lusíadas?” em três freguesias do nosso concelho, respectivamente, na Associação do Louriçal, no Salão Paroquial da Mata Mourisca e no Salão Paroquial de São Simão de Litém. Os espectáculos têm início às 21h30 e os bilhetes têm o preço simbólico de 1 euro. Está de parabéns o TAP por esta iniciativa de serviço público. 

21 de novembro de 2019

CIMU-SICÓ – abandono total

Em Maio de 2017, a construção do CIMU-SICÓ parou; no dizer da câmara, porque a construtora abandonou a obra. No entanto, as obras já se arrastavam há mais de um ano. 
A partir daí, a obra foi deixada ao abandono total: sem vedação e sem qualquer vigilância - colocando em risco as crianças (vale, que por lá não há muitas!).
Recentemente a câmara lançou novo concurso. Ficou deserto. Fica definitivamente demonstrado que aquela obra - de mais de dois milhões de euros - não interessa a ninguém, nem às empresas de construção.
Perante os factos, só resta uma solução: demolir. Mas faltam duas coisas (raras): honestidade e coragem, para reconhecer o erro e para deitar abaixo.
Diogo: não deixes o berbicacho para o teu sucessor.


19 de novembro de 2019

Por ti, a inquiteção

Um dos nossos maiores morreu hoje, aos 77 anos.
Ninguém cantou tão bem a Inquiteção como ele. Deixa-nos tanto, em música, vida e obra, que seria atrevimento aqui dissertar sobre a grandeza tamanha. De Pombal, contou com o cartaz do Rui Cavalheiro e com a colaboração do Calika no generoso filme "Mudar de Vida - José Mário Branco, vida e obra".
Daqui, contará sempre com isto de nós. E para o resto.

18 de novembro de 2019

Os visionários


Nunca me canso de repetir que Pombal esteve bem ao aderir à associação Artemrede. Já antes havia felicitado o executivo de Narciso Mota aquando da decisão de integrar a Cultrede, uma associação congénere que penso estar inactiva. Como aqui disse, para além da rentabilização de recursos, este tipo de estruturas em rede possibilita disseminação de boas práticas de programação e gestão cultural, bem como a itinerância de projectos artísticos de qualidade, impossível de concretizar noutro contexto.

O caso da Artemrede é particularmente interessante pois, para além da programação cultural, tem outras vertentes que merecem destaque. Uma delas é a questão política. Eu não sei se a nossa Autarquia se revê nos documentos que assinou nos sucessivos Fóruns Políticos em que participou mas, se assim for, fico ansioso pelo que aí virá.

Outro ponto interessante da actividade desta associação de municípios é o projecto Visionários. O ideia consiste em convidar todos os cidadãos (é uma iniciativa totalmente aberta) a poder participar activamente programação cultural do município. Em Pombal, os Visionários foram os responsáveis por parte da programação do Teatro-Cine durante o mês em Novembro e, diga-se em abono da verdade, foram muito felizes. Parabéns ao Roque, ao Nuno - e a todos os outros que não conheço - por não ficarem em casa, por se juntarem e pela generosidade das suas escolhas.

Mas mais do que apenas espectadores/visionários, queremos cidadãos participativos da cena cultural. Para isso, há que fortalecer a rede de actores locais, gerar massa crítica, dar vós aos que se dedicam à música, ao teatro e à dança, mas também aos que escrevem romances, poemas (ou apenas os lêem), aos que se exprimem através das artes visuais ou do cinema, mas também aos que promovem eventos, aos que juntam pessoas e a todos os que acreditam que a cultura é também a exigência de um modo de vida e a necessidade de comunicação. 

Como apontou Madalena Victorino, prémio Universidade de Coimbra, no documento final do 3º Fórum Político da Artemrede, que decorreu no passado mês de Maio, em Pombal: "É nos universos e imaginários artísticos que reside uma riqueza excepcional de visionamento de uma vida cheia de possibilidade, de tolerância e de amplitude. A cada cidade cabe reinventar a sua cultura. A sua identidade cultural e artística". E este é um desafio para todos nós.

16 de novembro de 2019

De como o Príncipe distribuiu as comendas e ficou com as honras

Três dias antes o do dia do Reino (o mui santo dia de São Martinho), por haver que atribuir comendas a benfeitores que se houvessem distinguido, o Príncipe mandou chamar os do seu conselho ao Convento de Santo António. Todos os estimáveis conselheiros marcaram presença: o comendador das Meirinhas, o doutor coiso, a doutora da Guia, a doutora das Mouriscas, a marquesa Prada, a Educadora-mor, o ministro das Obras-Tortas, e o conselheiro Jota; mui bem assistidos pelo fiel-escudeiro e pela escrivã-mor.
O Príncipe iniciou as práticas com uma arenga mui bem-feita, com grande solenidade, ordem e regimento, tudo em grande perfeição, e bem conforme ao caso. No final, Sua Alteza deu fala aos conselheiros, que mostraram grande descrição e mui singulares virtudes. 
Iniciou as falas o conselheiro Jota, que destoou um pouco mas sem atingir o desprimor e a fogosidade habitual, ao propor ex-deputado da Nação e actual regedor da vila e a noviça actriz de novela oriunda do oeste; figuras que, apesar de mui principais, doutas e afamadas, não poderiam agradar ao Príncipe. 
Destoou também a doutora das Mouriscas, não pelo estilo, sempre dócil e delicado, mas pelo atrevimento nas propostas, ademais e a muito a desagrado do Príncipe, ao propor o cônsul português em terras gaulesas, a caridosa doutora benzinho, a cozinheira do risoto, e outros. 
O comendador, que não é homem de grandes finezas e lealdades, esteve mui discreto e em grande sintonia com o Príncipe; o doutor coiso não acrescentou coisa que para este escriba mereça registo; e a doutora da Guia esteve, como habitual, silenciosa e portentosa.
O Príncipe a todos ouviu, e com muita atenção. Depois, com palavras mui sábias e muitas razões, rejeitou as propostas por serem de figuras que fazem coisas mais a solto do que deviam, ou sem benefício para o reino, ou por razões de serem figuras sem real condição ou merecimento. Dito isto, silenciou por momentos, para dar entrada dos devidos arrimos; que vieram unicamente da Educadora-mor. Feito o compasso, Sua Alteza afirmou que o reino devia agraciar sete barões já assinalados; e porquê sete?, perguntou Ele e respondeu, afirmando que sete é número perfeito e mui cristão.
De balanço, deu Sua Alteza a conhecer, aos do seu conselho, os sete barões assinalados: os ronaldos da Pelariga; o pasquim “Os Doze”, pela grandiosa história e trabalho; a Misericórdia do Louriçal, pela miseração que pratica; o ilustre museu da pradaria, nas terras de Almagra, que pede meças ao museu do Prado; a indústria maxi, pelos plásticos que plastifica;  a associação dos comerciantes, por sobreviver sem comerciantes; e o laborioso albergariense, de criação pobre mas de mui bom coração (“se isto se pode dizer de um pobre”, soltou num aparte), que por terras gaulesas alcançou muitas cousas e muita renda para si; e com alguma acaridou alguns.
E assim, com tudo consentido e mui bem acabado, a prestimosa escrivã assentou tudo o que Príncipe determinou com os do seu conselho. E todos se foram com grande contentamento pelo grande contributo dado ao reino e à humanidade. Excepto o Pança, coitado, que não compreendia tamanha manha e injustiça do Amo, ao não agraciar o irmão, um escravo do regime, aqui e além; que não agraciasse o cônsul, que nunca fora fiel ao regime, percebia-se; agora o irmão, regedor, deputado da Nação e profeta-maior da boa vontade, não! Resmungava por dentro, o Pança, que por fora não o podia fazer sem lhe cair no lombo mais açoites, e sabia bem que ainda lhe falta dar-se muitos, e o espinhaço já está dorido demais.                         
Viva o Príncipe, Viva o Reino.
                                                                              Miguel Saavedra