28 de janeiro de 2019

A pista (des)coberta


Não deve tardar muito, a pista coberta destinada ao atletismo - instalada na Expocentro - mudará de poiso. Pombal, que é como quem diz o poder autárquico, tem esta capacidade inata de deixar escapar para fora o que tinha obrigação de conservar e rentabilizar. É certo que o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita: primeiro era o Parque TIR, mas quando se acabou a obra já a abertura de fronteiras ditava outras regras. Depois era o Expocentro, mas faltou perceber que não bastava abrir as portas às feiras, era preciso ter estrutura para acolher. Depois, em boa hora se acolheu a Pista Coberta, mas continuámos com o mesmo problema. Agora agravou-se: os clubes do concelho que se dedicavam à formação no atletismo deixaram de o fazer, e quase parece que deixámos de ter pelouro do Desporto, pelo menos a avaliar pelo deserto que se apresenta neste campo, a começar pela comunicação. Desafiamos o leitor a fazer uma pesquisa na página do Município e encontrar os eventos de...2017.
Ora acontece que estamos em 2019 e Pombal acaba de perder a realização do campeonato nacional de clubes, que vai acontecer em Braga. Aqui ficámos apenas com a fase de apuramento, e já gozamos.
Há pessoas e cidades que têm um talento especial para construir coisas, para acrescentar. Nós haveremos de nos notabilizar pelo talento de as destruir. Mas com pompa e circunstância. 

25 de janeiro de 2019

A junta do Pedro

Aviso ao leitor: este post não é o que era para ter sido, é o que pode ser.
    
As juntas de freguesia são de utilidade discutível, ao ponto de muita gente defender a sua extinção. A junta da sede do concelho é a de utilidade mais duvidosa, na medida em que, as suas atribuições são escassas, de pouco valor e o seu raio de acção sobrepõe-se ao da câmara.
A entrada do deputado Pedro Pimpão, e da sua pujante equipa, na junta de freguesia de Pombal, criou – criaram - a expectativa de que o papel da junta iria mudar: deixaria de ser uma coisa menor, que trata de minudências* (atestados, valetas, um ou outro arruamento e uma ou outra benfeitoria menor) e passaria a prestar serviços de elevado valor à comunidade. Puro engano. A junta mudou, sim, mas, pelos vistos, para pior: nem magnificências, nem minudências. E não é por falta de vontade, de voluntarismo. De onde não há não se pode tirar.
Ao contrário do que o bom-cristão sente e pensa, e o Pedro é o estereótipo do bom-cristão (que grande elogio!), a vontade não é naturalmente eficiente, ilude e ilude-se, porque labora mais que sobre uma vontade e não sobre a matéria. Daí que o voluntarismo conduza mais vezes à ineficiência do que à magnificência. O Pedro e a sua equipa têm-se esforçado por mostrar atitude voluntariosa, sempre a fazerem muitas coisas, ao ponto de já se apelidar a junta de agência de eventos, mas muitas coisas descambam quase sempre em coisa-pouca.
O Pedro prometeu colocar a junta na vanguarda das novas tecnologias, com os serviços on-line e os fregueses em rede, e, vai-se a ver, a coisa está pior do que no passado, do que no tempo da dupla Lopes-Escalhorda. Passou mais de um ano de mandato, e no site só actualizaram as fotos/perfis dos novos inquilinos; nem as obrigações mínimas de transparência têm cumprido: Relatórios de Prestação de Contas, Orçamentos e PPI e Actas nem vê-los!

PS: * As AEC e as refeições escolares são actividades que deveriam estar na câmara, se esta valorizasse verdadeiramente a educação.


21 de janeiro de 2019

A rã e o escorpião

Uma boa parte da natureza humana está espelhada na fábula a rã e o escorpião. A última reunião do executivo traduziu-a com requinte.
O escorpião caiu no lodo agarrado a um regulamento que cheirava mal por todos os lados. Logo a rã, sempre solícita e singela, se ofereceu para o ajudar. O escorpião aceitou ajuda, acomodou-se nas costas macias da rã e atravessou o rio sem sobressaltos.
Posto a salvo e seguro, o escorpião apresentou logo outro regulamento à rã. Esta, sem tempo e cansada de fazer fretes, pediu compreensão ao escorpião.
Mas o escorpião levava o ferrão carregado de veneno; e sentindo que ficava a dever um favor, mal a rã pediu ajuda, ergueu o ferrão, e zás, ferrou-lhe o seu veneno. É a sua natureza. Coitada da rã.

20 de janeiro de 2019

Uma “brilhante” trapalhada

O nosso douto e rigoroso presidente também não lê os documentos que leva às reuniões do executivo. Falha indesculpável, presidente: sabe bem que não pode confiar no trabalho do vereador.
O documento “cheira-mal” por todos os lados! Não são só as profundas incongruências jurídicas; mostra que quem o fez não tem noção nenhuma do que estava a fazer.
PS: a doutora Odete esteve muito bem a secretariar o executivo – merecia uma avença jurídica. O presidente, logo a seguir, deu-lhe bem a paga.

19 de janeiro de 2019

Conversa harmoniosa

A última reunião do executivo foi um deleite para as almas doces. Se o Eng.º Narciso também tivesse adoecido, a coisa teria sido uma conversa de anjos.
A doutora Odete, de forma sucinta e no seu registo mui cordato, interpelou o nosso presidente - lançou as deixas - sobre temáticas que são do agrado de qualquer bom-cristão.
O senhor presidente aproveitou muito bem as deixas da doutora Odete para, ao longo de 46 minutos (!), de 46 minutos (!), dar nota da sua frutuosa reunião com secretário de estado, sobre o processo de delegação de competências, onde, no seu dizer, alardeou as virtualidades da (sua) gestão municipal; o que lhe possibilitou exibir, ali, os seus talentos jurídicos e a sua retórica mui substantiva (palavras suas). Enfim: fez política ao longo daquela eternidade, tendo ainda a lata de intercalar os apartes “agora vou fazer um comentário político”. Embalado como estava, mostrou-nos a sua desconhecia face bondosa: informou-nos que já ofereceu, e pode oferecer, carros de lenha aos pobres.
O nosso presidente esteve soberbo. Satisfeito, consentiu que a cereja no topo do bolo fosse colocada pela vereadora Ana, que o fez com a simpatia e a doçura que a caracterizam.


15 de janeiro de 2019

Onde se põe em letra uma conversa de jardineiros

Estava o mestre-jardineiro, e a sua ajudante, a preparar a terra para receber os primeiros amores-perfeitos quando se aproximou uma almeida com a sua carreta.
- Bons dias, colegas.
- Bom dia.
- Bom dia.
- O jardim da coroa está mui desleixado…- atirou a almeida
- Não tendes folhas para apanhar? – respondeu o mestre-jardineiro.
- Ai! Não me faleis assim… Não vos mostreis tão aziados com esta vossa pobre colega – respondeu a almeida.
- Desandai…E deixai trabalhar quem muito trabalho tem para fazer – atirou o mestre-jardineiro
- Sim, tendes muito que fazer para fazer disto um jardim …- retorquiu a almeida.
- E tu tendes muita folha para apanhar por essas ruas e passeios – replicou a jardineira.
- O tempo encurta a minha empreitada, já vós não tendes a mesma sorte – replicou a almeida.
- Cada um sabe de si e Deus de nós todos – retorquiu a jardineira.
- Tendes as pedras cheias de caruncho, as seves arruinadas, as árvores com ninhos das vespas asiáticas, as roseiras cheias de lagartas, os canteiros em grande desordem e cheios de ervas daninhas... – atirou a almeida.
- Cala-te! Sabeis bem quem é o responsável de tal desordem…Sabeis bem que não temos quem nos oriente – afirmou o mestre-jardineiro -; e prosseguiu: - agora, entregou-nos a um mancebo demasiado jovem para saber o que quer, que nunca pegou numa enxada, nem sabe distinguir um amor-perfeito de um malmequer. 
- O Príncipe tem pecado muito… Deixou-se rodear por muita espécie que não dá frutos, e não tem suprimido os ramos parasitas para que os outros deem frutos... – afirmou a almeida.
- Já chega dessa conversa…- afirmou o mestre-jardineiro.
- Mudemos, então, de assunto – atirou a almeida. Vistes passar a primeira-dama? E prosseguiu: - saiu, há bocado, do convento, e logo a seguir saiu o padre Vaz, deve ter ido ao confessionário…
- Vi, sim – anuiu a jardineira. Nem a reconhecia, pareceu-me muito atormentada.
- Parece mirrada – afirmou a almeida.
- Estará doente? – perguntou a jardineira.
- De desgostos, ouvi dizer… Ai, cala-te boca – rematou a almeida.
- Pobre senhora – exclamou a jardineira.
- Parece desorientada; por onde passa, proclama, sem rodeios, seus males... – contou a almeida.
- Credo! Livrai-nos, Senhor, de desaforos, maus-olhados e outros que tais – afirmou a jardineira.
- A quem o dizes, colega! – rematou a almeida.
- Sabes quem passou por aqui, ontem? perguntou a jardineira.
- Conta-me, conta-me …rogou a almeida.  
- A marquesa! Ao tempo que não a via. Olha, nem a conhecia! Pareceu-me acabrunhada. Disseram-me que esteve de baixa, com a maleita do abatimento, coitada – contou a jardineira.
- Não tenho pena dela – afirmou a almeida. Pensam que, por ser fidalgas, nem o vento lhes toca, mas toca! Quando perdem o pé caem como as outras – afiançou a almeida.
- Há gente que prega o jejum, mas gosta de comer à grande e variado – rematou o mestre-jardineiro. Cala-te boca.
                                                                                            Miguel Saavedra

14 de janeiro de 2019

E no entanto, ela move-se


Em Pombal a JS sempre foi uma espécie de aurora boreal da política: toda a gente sabe que existe, mas poucos a viram. Por isso mesmo me surpreendi quando, num passado recente, vi o Joel Gomes ser eleito para a Federação Distrital de Leiria. É um rapaz educado, simpático mas tímido, sem peito para a intervenção. Não se lhe conhece qualquer posição em defesa (nem ataque) de qualquer tema local - um pouco à imagem e semelhança da concelhia do partido.
O meu espanto agigantou-se ontem, quando o vi anunciar ter sido eleito para "Coordenador Nacional Provisório da Tendência Sindical dos Jovens Socialistas". 
Joel, mesmo que provisoriamente, mostra aí que estamos enganados. Que é agora que vais começar pela terra, depois para a região e daí para o país. Ninguém te pede que sigas o exemplo laranja (onde há muito chefe para poucos índios), nem na forma nem no conteúdo. Só que existas.

10 de janeiro de 2019

A política do enfeite para este inverno

A melhor iniciativa do reinado de Diogo Mateus em época de Natal é a colocação das fogueiras no Cardal. São um ponto de encontro para os mais velhos e para os mais novos, tornam-se uma fonte de calor par lá da chama. 
Este ano a época natalícia foi quase tropical, com dias em que a temperatura bateu nos 20 graus. Quer isso dizer que não faziam grande falta, as fogueiras, pelo menos durante o dia.
Acontece que, mal encerram as festividades, o clima mudou. É Janeiro e está um frio de rachar, como diz a canção. Mas as fogueiras apagaram-se mal o dia de Reis se finou, justamente no momento em que eram precisas. 
A política do enfeite é isto: fazer por fazer, cumprir calendário. Os velhos procuram agora um lugar ao sol, no Cardal que enchem. Outros passeiam-se o dia todo no Pombus, para se manterem quentes. Do lado de lá, no Convento, o calor dos gabinetes não deixa perceber a vida cá fora. Foi ali que se falou em calor humano?

9 de janeiro de 2019

Diogo vai parar o Centro Estudos Mota Pinto?


Questionado, na reunião do executivo, sobre o não avanço do propalado Centro de Estudos sobre e na casa Mota Pinto, Diogo Mateus desculpou-se com a incompatibilidade do projecto com as regras do PDM, indefinições na finalidade, falta de conteúdos e alertou ainda para os elevados custos de funcionamento - para o pouco (ou nada) que há para mostrar. Ficou claro, apesar das meias palavras, que não pretende avançar com o projecto. Faz bem. Para tontaria já chega a compra de um barraco sem qualquer utilidade ou valor arquitéctónico. Meter lá mais um euro é agravar o erro. Por isso, neste momento, a única decisão racional é parar definitivamente com aquilo e alienar o imóvel com o menor prejuízo possível.
De elefantes brancos está o concelho cheio. Não acrescentes mais, Diogo.

3 de janeiro de 2019

A "menina JA" e as suas investidas


Há coisas que, apesar de aparentemente insignificantes, têm significado: uma manha que nos ilude, um chico-espertismo que nos ludibria, uma perversidade que nos molesta, um oportunismo que destrói oportunidades, etc. A “menina JA” é um caso desses.
Para quem ainda não sabe, ou não se recorda, “menina JA” foi um nickname que uma criatura local usou para esconder a identidade (a personalidade) nos comentários que fazia regularmente no Farpas, nos primeiros tempos do blog, num registo sistematicamente alinhado com os seus autores. Mais tarde, deu-se a conhecer num evento do Blog, e desfez-se em elogios aos seus autores. Era uma rapariga frágil, ingénua, aparentemente sonsa, que nada fazia prever a exposição pública que viria a ter. Esta terra tem coisas destas.
Conhecida a escriva daquela veia comentadora, logo ali, no blog, outro comentador obsessivo, presidente de uma rádio local e de tudo em que o deixassem mandar, a seduziu para a “sua” rádio, fez dela dirigente, e, acto contínuo, fez, também, da estudante de enfermagem, “jornalista”; e ela deixou-se fazer!
A “jornalista” feita à pressão são se ficou por aqui; sedenta de protagonismo, passou também a colaborar com o pasquim local, a fazer reportagens, a moderar debates e a fazer “notícias” deles. O salto para a política foi o pulo seguinte, que lhe permitiu aprofundar promiscuidades e satisfazer mais clientelas. Não sabemos se enquanto estudante de enfermagem chegou a aprender que dar vacinas ou arrancar pontos exige qualificação como enfermeiro; sabemos, isso sim, que a espevitada menina e os seus mandantes acham que para fazer notícias basta saber escrever e não ter vergonha. Por isso, praticou reiteradamente, ao longo de vários anos, o crime de usurpação de funções, com a conivência de algumas das testemunhas que depois arrolou para uma reles tentativa falhada de condicionamento do exercício da cidadania livre e responsável.
É esta “menina”, com este passado e com este presente, que, querendo fazer-se passar por virgem-ofendida, veio alegar na Justiça, que “as imagens de um cartoon” - do famoso José Vilhena, adaptado ligeiramente a Pombal, onde unicamente foi enxertado o seu rosto estilizado ao corpo da repórter Dorita - “e as respectivas expressões corporais e afirmações delas constantes atingem, por um lado directamente crédito, a confiança, bom nome, reputação, honra e consideração da queixosa, enquanto mulher e cidadã”, porque, segundo ela, “as imagens da figura feminina de vestido vermelho, surge numa postura corporal provocante, convidativa ou pelo menos receptiva a propostas menos decentes”. Aaaahhhhh!
Estas alegações revelam uma gritante falta de cultura, satírica-humorística e não só, e falta de carácter quando mente(m) descaradamente à Justiça, alegando que a queixosa “não é figura pública” e “não faz jornalismo nem reportagens”.
Ao longo dos anos fomos complacentes com os desmandos da “menina JA”, tivemos alguma compaixão pela criatura, aquela que sempre se concede … Andámos enganados! A boa manha sempre ilude, mas não muda a realidade. A consideração foi-se, da honra não vale a pena falar.
Uma lagartixa pode achar que é um jacaré, mas não passa de um réptil insignificante.