16 de dezembro de 2017

Dina Sebastião premiada


Já todos conhecíamos o mérito de Dina Sebastião enquanto jornalista e observadora da realidade política local (vale a pena ouvir os seus podcasts na 97FM, em particular aquele que dedicou a Narciso Mota). Menos divulgadas são as suas qualidades como investigadora do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX - CEIS20, da Universidade de Coimbra.

Pois, a partir da agora, já não há desculpas para esse desconhecimento: Dina Sebastião é a vencedora do Prémio Jacques Delors 2017, graças à sua obra “Mário Soares e a Europa: pensamento e ação”. Este prémio, atribuído pelo Centro de Informação Europeia Jacques Delors, pretende distinguir estudos académicos sobre temas europeus. Para além do prestígio da distinção e do valor pecuniário associado, a Dina vai ver a sua obra publicada e todos nós teremos a oportunidade de ficar a conhecer melhor o seu trabalho.

Muitos parabéns, Dina. Continua a construir, com qualidade, a tua carreira e - se não for pedir demais - vê lá se consideras o regresso a esta casa. A tua opinião  seria uma importante mais-valia para o Farpas.

14 de dezembro de 2017

Raríssimas é vulgaríssima

Tal como a ganância é a força motriz do capitalismo (da economia de mercado), a bondade é o capricho temperamental que tem fomentado a Economia da bondade – o Sector Social. Mas ao contrário do que é comumente aceite, a maioria dos actos “bondosos” é praticada em benefício próprio, não do outro.
Nietzsche disse que “há uma exuberância na bondade que parece ser maldade”. O caso da Raríssimas expô-la em toda a sua plenitude; mostrou toda a virtuosa sujidade de uma classe política e dirigente que há muito transmutou valores e perdeu o sentido da decência, que aderiu à política do enfeite, da escravidão do politicamente correcto e dos falsos afectos.
O caso Raríssimas não é a árvore podre no meio da floresta pujante, como os principais ignitores do caso querem fazer crer. É o modus operandi na maioria das IPSS e Associações. O Estado e a sociedade têm a obrigação de fiscalizar a forma como é utilizado o dinheiro público.

Por cá, casos idênticos não fazem escândalo porque não há imprensa que investigue e divulgue – nalguns casos bastava que divulgasse. Mas é pedir muito numa terra onde ainda vigora a regra salazarista: facto mau não pode ser notícia. 

13 de dezembro de 2017

A esquerda tem futuro em Pombal



Existe uma opinião generalizada de que a dicotomia esquerda/direita não faz hoje qualquer sentido. Eu defendo uma opinião radicalmente diferente. Não só afirmo que essa dicotomia continua a fazer todo o sentido, como acho que é hoje mais útil do que sempre foi. Para se poder perceber a minha posição e o sentido da resposta que pretendo dar no final, tenho que discorrer um pouco sobre aspectos mais conceptuais. A minha visão sobre esses aspectos não será, obviamente, neutra. É uma visão comprometida com os valores políticos que assumo. 

1. Por onde começar?

Desde a Revolução Francesa e até ao final da década de 80 do século passado, coexistiram na opinião pública duas formas de conceber o destino histórico da humanidade. Por um lado, o liberalismo, como a continuação de algo profundamente enraizado na história, que defende a propriedade privada como o aspecto central da organização social. Por outro lado, algo de novo, que foi chamado de socialismo (ou anarquismo, ou comunismo) e que advoga uma rotura com a narrativa histórica liberal, colocando em primeiro plano questões como a igualdade e o bem comum.

Hoje são poucos os que defendem a idea de que existe uma alternativa ao liberalismo. A esse propósito ficaram célebres as palavras de Margaret Tatcher: "There is no alternative", a famosa TINA. Mas é importante referir que o slogan não afirma, categoricamente, que o liberalismo é uma boa solução. O argumento é: pode não ser bom mas é a única possibilidade real.

2. Quais os efeitos a nível político?

A visão totalitarista subjacente à tese do fim da história não é apanágio da direita liberal. As trágicas experiências políticas do século XX, protagonizadas tanto pela esquerda como da direita, foram construídas com argumentos que advogavam o fim da política, a extinção dos partidos políticos e da própria ideia de oposição. Mas foi a direita quem melhor fez a leitura desses totalitarismos; a esquerda demitiu-se de fazer o seu balanço crítico. Ao incorporar no seu discurso os valores tradicionais da esquerda, a direita consegui fortalecer a convicção de que a democracia liberal representa a fórmula da melhor sociedade possível, pelo que não podemos fazer mais nada do tentar torna-la um pouco mais justa, um pouco mais tolerante.  

Mas, se isto é verdade, porque é que continua a haver tanta gente a insistir, contra toda a lógica aparente, numa utopia alternativa? A verdade é que nunca como hoje a regra do 80/20 de Pareto foi tão ajustada para descrever a vida social: 80% dos lucros são produzidos por 20% dos empregados; 80% da terra está na posse de 20% da população; 80% dos links estão conduzem a 20% de páginas web. E um sistema que torna 80% da sua população descartável, inútil, não será, ele próprio, igualmente descartável e inútil?

O liberalismo impôs uma relação assimétrica de valores: o que é bom para Wall Street é bom para Maine Street, mas o que é bom para Main Street não é necessariamente bom para Wall Street. Por outras palavras, Wall Street pode prosperar mesmo que Maine Street definhe, mas o contrário não é verdadeiro.  Esta assimetria tem como consequência um enorme descontentamento da população. Fazendo-nos crer que somos totalmente impotentes para mudar o status quo, instalou-se um sentimento de apatia face à democracia e de total desprezo pelas instituições democráticas. 

Paradoxalmente (ou não) foi a direita, mais uma vez, quem capitalizou estes descontentamentos. O surgimento de uma direita populista, fundamentalista, é disso a prova mais evidente. A escolha de líderes populistas, que fundamentam o seu discurso no medo e na desconfiança em relação ao outro, é uma reacção contra uma falha real do liberalismo. Ao alegar o fim da história, ao eliminar o sonho utópico de percurso alternativos, o liberalismo deixa terreno fértil à demagogia, ao populismo. 

3. O que fazer?   

Fazendo minhas as palavras de Rui Tavares, "talvez o maior legado moral das tragédias do século XX seja a obrigação partilhada, na esquerda e na direita, de combater esta visão do fim da política. (...) Quem proclama a superação das distinções política, partidárias ou de opinião, fá-lo, muitas vezes num quadro mental povoado por objetivos supostamente indiscutíveis: a eficácia, a competência, a pontualidade, a produtividade, etc. Contudo, ao fazê-lo, esquecem-se que estes valores são apenas prezáveis num quadro de princípios, valores e ideais. (...) Estes argumentos são perigosos porque, ao escolherem critérios indiscutíveis, imediatamente esvaziam a discussão e com ela a persuasão que fazem de nós humanos. São perigosos porque, no fundo, substituem a democracia pela demagogia."

Vale a pena regressar a um discurso ideológico. A esquerda para se afirmar, terá que ter claros os seus princípios fundamentais. O que nos é cometido como tarefa, como homens e mulheres de esquerda, é o ajudar a que se desenhe uma ideia forte, comprometedora que dê sentido ao ser de esquerda. Vale a pena lembrar que tudo o que hoje caracteriza a democracia liberal - desde o sufrágio universal à liberdade de imprensa - foi conquistado através de longas e difíceis lutas de classes. 

A utopia de esquerda só faz sentido num quadro de antagonismos reais que dão a essa ideia uma urgência prática. A identificação desses antagonismos é o que nos pode conduzir a uma estratégia alternativa. A esquerda tem protagonizado novos protestos, novas mobilizações, novas preocupações ecológicas. Não faltam formas de resistência ou protesto, mas é clara a ausência de alternativa. O que conta na acção política é a afirmação. A negação é necessária mas não permite a construção de uma alternativa credível.

É urgente que a esquerda recupere a sua matriz identitária e afirme, sem medo, as suas convicções. Tem também a obrigação de criar uma verdadeira contradição à visão liberal de direita. Se acreditarmos em soluções novas, temos obrigação de lutar por elas mesmo correndo o risco de falhar. De certa forma, temos que estar disponíveis para aceitar o aforismo de Samuel Beckett: Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor

4. A esquerda tem futuro em Pombal?

Em Pombal - e no país - vivemos a mistificação de termos um partido socialista e um partido social democrata que não o são. Esta mistificação faz com que o seu discurso não se adeque à prática. A prática do PSD é, sobretudo depois do advento da crise, claramente liberal, conservadora, enquanto a do PS sempre foi social democrata. Enredados nesta contradição, a acção de ambos os partidos pouco difere. Provavelmente um é mais conservador, outro mais reformista, mas estão fundamentalmente de acordo quanto ao essencial. O eixo de actuação de ambos consiste na gestão eficaz do sistema neoliberal.

Pombal precisa de uma esquerda corajosa, culta, alternativa. Uma esquerda que se paute mais pela acção e menos pelo discurso. Uma esquerda que se saiba unir naquilo que tem de mais fundamental, evitando guerras fratricidas que apenas servem os interesses partidários mais mesquinhos. Mas, para isso, há definir uma verdadeira alternativa ao PSD e, sejamos honestos, o PS não tem cumprido a sua obrigação.

Se não apresentarmos uma verdadeira alternativa aos pombalenses, porquê mudar? A defesa de causas fracturantes é muito importante mas não pode ser tudo o que a esquerda tem a apresentar. Temos que ser capazes de apresentar uma política económica e social credível. E, em Pombal, temos muitos argumentos que a podem sustentar: a questão dos baldios; a defesa da agricultura familiar e da floresta; a promoção dos mercados municipais; a luta para por fim à precariedade na autarquia; o criar mecanismos para combater a especulação imobiliária; o incentivo à fixação de empresas que tragam valor acrescentado para o concelho. 

Também não podemos passar o dia a arranjar justificações para nos afastarmos do povo. As populações têm que se sentir engajadas com as decisões políticas. "O que deve ser feito" em abstracto não compromete; o que compromete é "o que vamos fazer". Há que aproximar os cidadãos dos centros de decisão, incentivar a participação dos munícipes em fóruns promovidos pela autarquia onde se debatam (e decidam) os reais problemas do concelho. É preferível um povo que possa errar do que um tecnocrata que nunca admite que erra.

A esquerda tem que enfrentar os interesses instalados, lutar por uma educação inclusiva, uma cultura emancipatória, defender a causa pública, dignificar a condições de vida na terceira idade, acabar com o clientelismo e a perpetuação de uma casta política. As justas reivindicações das populações têm que ser satisfeitas como direitos e não apenas sob a forma de permissões. Um direito dá acesso ao exercício de um poder, à custa de um outro poder. Uma permissão não diminui o poder de quem o concede e não aumenta o poder de quem a obtém. E direitos é tudo aquilo que o PSD não tem dado em Pombal.

Não tenho a pretensão de afirmar que podemos mudar o mundo agindo apenas localmente. Mas temos obrigação de contribuir para isso. Precisamos de acreditar na capacidade política, de ter confiança no futuro e no outro. Há que mobilizar afectos por forma a eliminar um certo clima de desconfiança, de medo, dando lugar a um ambiente mais optimista. É preciso incentivar uma certa disciplina de artista, de investigador (e não só de empresário e empreendedor), que nos faça procurar, com confiança, o que não existe, o que ainda não foi inventado. 

Eu assumo a visão optimista de esquerda e, por isso mesmo, afirmo com toda a convicção: a esquerda tem futuro em Pombal.

12 de dezembro de 2017

A Esquerda tem futuro em Pombal?

A resposta à provocadora e polémica questão exige que se fixem os termos da mesma: o que é “Esquerda” e o que é (ter) “futuro”. Aceite-se, por ser o mais consensual, que a Esquerda é composta pelas forças (PS, BE e PCP) à esquerda do PSD (poder em Pombal) e o “futuro” se pode e deve dividir em três estágios: curto prazo (1 mandato, 4 anos); médio prazo (2 mandatos, 8 anos) e longo prazo (3 ou mais mandatos, ≥ 12 anos).
Para responder à questão, convém seguir a cartilha marxista para caracterizar a realidade objectiva em que a dita “Esquerda” está mergulhada.
No que se refere à envolvente externa o ambiente é adverso e hostil:
- O eleitor é cada vez mais instruído e culto, por isso mais exigente;
- A gestão autárquica tornou-se mais exigente, complexa e interdependente;
- O PSD domina de forma esmagadora as instâncias políticas e controla a generalidade das forças vivas da comunidade;
- O PSD possui competências políticas e autárquicas relevantes;
- O surgimento do movimento NMPH foi/é uma forte ameaça para a “Esquerda”.
Por outro lado, as forças de Esquerda estão numa situação frágil:
- Fraca representação política, no seu conjunto e cada um per si (PS:12%; Esquerda <20%);
- Diminuta presença e influência nas forças vivas da comunidade.
Neste contexto, a Esquerda está enfraquecida e reduzida à insignificância política; tanto ao nível político como ao nível social, contrariamente ao que sucede a nível nacional. A Esquerda, por erros e deméritos próprios (e também pelos mérito do PSD), caiu num fosso profundo do qual dificilmente sairá, no curto ou médio prazo, porque não tem massa crítica para o fazer. Para ter futuro, a Esquerda tem que poder, saber e querer competir com o poder instalado. Mas para isso, tem que renascer: abandonar a política do enfeite - da postura decorativa, colaborativa, conciliadora, bem comportada - e não esperar sentada por um futuro risonho que nunca atingirá sem esforço e risco. Tem que se convencer que antes de ser poder tem que ser contrapoder; tem que condicionar e influenciar as políticas locais, marcar a agenda política e mediática, ir ganhando competências, reconhecimento e credibilidade; e, desta forma, começar a aparecer como alternativa.
Para fazer contrapoder, de forma eficaz, bastam dois recursos: massa cinzenta e coragem – atributos raros. E seguir um aforismo com mais de quatro séculos, mas cada vez mais válido: “o silêncio só é virtude em língua defumada ou em virgem que não quer ser conquistada".

7 de dezembro de 2017

Mas...mas...

Acham que isso se faz aos senhores deputados?


O estranho caso do deputado que suspendeu o mandato sem tomar posse...

... e do substituto que também foi substituído.

Um dos casos que fica para os anais da vida política e dos órgãos autárquicos pombalenses é o do pedido de suspensão de mandato de José Gomes Fernandes (PSD), sem chegar sequer a tomar posse. 
Manuel Barros e Carlos Lopes (ambos advogados) das bancadas de NMPH e PS, respectivamente, bem questionaram sobre a legalidade desse sair sem entrar, mas a presidente parecia ter engolido um disco riscado: 'não dei posse a ninguém e não vou responder a essa questão'. Como se percebe pelo vídeo, Fernanda Guardado atira a responsabilidade para Narciso Mota - que na qualidade de presidente cessante dirigia a AM, na sua instalação. Devidamente instruída pelo partido, passou à frente, sem apelo nem agravo, partindo para um mandato ferido de legalidade. Mais ou menos como se tivesse ocupado uma cadeira partida, e - irresponsavelmente -  continuasse sentada nela, à espera que ceda, ao estilo 'não é nada comigo...não é nada comigo...' Depois há a implacável lei de Murphy: Nuno Carrasqueira tomou posse indevidamente, e não chegou sequer a aquecer o lugar, pois que agora é fiel escudeiro do companheiro Pedro Brilhante, na vereação. Em seu lugar sentou-se o jovem João Matias, que aparece no vídeo logo atrás do jovem João Antunes dos Santos.
Bem vistas as coisas, houve pelo menos uma coisa que a presidente fez bem, naquela assembleia: decorou a lição e declamou-a. Para memória futura: impediu uma declaração, fazendo crer (por desconhecimento ou não) que entregar um texto escrito ou ditá-lo, em voz alta, para a acta, seria a mesma coisa. Talvez seja importante que a revisão do regimento (em curso) tenha em conta algumas noções básicas da língua portuguesa e dos  direitos, liberdades e garantias.



4 de dezembro de 2017

Boa oposição

Esta discussão entre João Coucelo e Manuel Barros, sobre o Reconhecimento do Interesse Público Municipal (necessário para a regularização de um edifício industrial), mostra o quão necessário é a elevação do nível do debate político. Bastou a entrada de um novo membro com preparação sólida, para a lengalenga contorcionista ficar obsoleta.
Isto é boa oposição - obrigar o executivo a fazer melhor e os adversários a pedalar ou a encostar.

3 de dezembro de 2017

A presidente c'est moi



A primeira reunião da Assembleia Municipal tinha tudo para ser cordial e simultâneamente inócua, atendendo à ordem de trabalhos, dominada pela eleição dos diversos membros para representar a AM (e a todos nós) em vários organismos. Já se sabe que, na sua maioria, aquilo servirá de muito pouco, mas já que é assim há tanto tempo (não é dr João Coucelo?) seria uma chatice mudar alguma coisa para tudo ficar na mesma.
Ora acontece que esta nova AM começa mal, partindo da (des)orientação dos trabalhos e da postura da nova presidente, Fernanda Guardado: bem sabemos que a tentação de imitar D. Diogo é grande, mas...como em tudo na vida, é preciso ter corpo para a mania. 
Foi arrogante ao mostrar uma enorme inflexibilidade na atribuição do uso da palavra aos membros da assembleia, nomeadamente  nas interpelações à mesa, colando-se aos tiques autoritários do presidente da Câmara. 
Fica-nos a dúvida: se o desempenho a que assistimos foi porque quis, ou porque não sabe mais.
É verdade que acordou tarde para a vida política, ainda assim já anda nas lides autárquicas há anos suficientes para perceber como se faz, como se honra o legado de Menezes Falcão, António Rocha Quaresma, Luís Garcia ou José Grilo Gonçalves, num passado recente. Fernanda Guardado foi parcial, porque tratou com toda a parcimónia a bancada do seu partido, e usou de toda a prodigalidade para com as bancadas da oposição.
O mais grave foi quando propôs – e foi aceite – a dispensa da votação de uma lista conjunta com o argumento de que, se era conjunta, seria aprovada por unanimidade. A votação de pessoas é sempre nominal e por voto em urna. Os partidos podem acordar uma lista conjunta, mas o voto é sempre nominal e secreto. E o resultado da votação só é considerado válido após a contagem dos votos em urna.
Em suma: mostrou que não sabe conduzir a assembleia. Tendo em conta que esta reunião (extraordinária) se limitava a cumprir formalidades habituais, o que será no futuro, quando a actividade política for a sério? 
Há ainda a manifesta insensatez na forma como tratou o caso JGF e inerentes ocupações desse lugar, mas esse é um caso que merece um post, de tão rico que é. 

30 de novembro de 2017

Anomalias e irregularidades

A discussão e aprovação da recepção (provisória) do Centro Escolar de Pombal era o assunto mais delicado que foi à última reunião do executivo. Percebendo-o, Diogo Mateus evitou expor-se em demasia: não participou na cerimónia de recepção (provisória) da obra e aproveitou a impulsividade da oposição para lhes passar logo a batata-quente. A oposição centrou as críticas nas 40 anomalias detectadas na vistoria à obra, mas o pecado maior não estava aí.
Quando foi preciso responder à oposição, Diogo Mateus chutou a defesa para a nova vereadora da educação e para o seu ministro das obras (tortas). A vereadora Ana Cabral - há muito convertida ao registo pimposo - procurou limpar as nódoas e embelezar a coisa com as fragrâncias deixadas pelas técnicas da DEGESTE.
A obra, como aquiaqui, aqui e aqui fomos dizendo, é um chorrilho de aselhice técnico-política: má localização, falta de capacidade, deficiente planeamento e programação, execução e recepção irregulares. Aplica-se bem aqui o rifão popular que diz: o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. O Centro Escolar nasceu tordo, cresceu tordo e foi posto a funcionar de forma irregular, antes da aprovação da recepção provisória pelo executivo.
Pergunta-se: por que passaram quase três meses entre a entrada em funcionamento da obra e a aprovação da recepção provisória pelo executivo?

Um presidente sério e responsável não coloca o executivo perante factos consumados. 

A esquerda tem futuro em Pombal? Vem aí o debate


Depois de toda a novela que ocupou os meses de Outubro e Novembro (culminando com a decisão da Câmara a respeito da cedência de um espaço público), o Farpas vai finalmente realizar o debate prometido sobre o futuro da esquerda em Pombal, no Café Concerto. Por isso, na próxima segunda-feira, 11 de Dezembro, pelas 21 horas, estão todos convidados a juntarem-se aos bloguers desta casa e aos representantes dos partidos políticos de esquerda (PS, BE, PCP e PEV) para debater e esgrimir argumentos. Pelo Sim e pelo Não. Depois das últimas eleições autárquicas, este é o debate que se impõe. A entrada é livre, claro. 

27 de novembro de 2017

Pimpão aviador

Em Julho, Pedro Pimpão afirmou, perante uma plateia de fervorosos apoiantes: "Eu serei presidente da Junta de Freguesia desde o primeiro dia até ao último dia do mandato, desde o primeiro minuto ao último minuto". Todos aplaudiram e gritaram vivas!

O que é certo é que desde a sua tomada de posse no dia 24 de Outubro, o nosso bravo Presidente da Junta não tem faltado a uma única reunião plenária na Assembleia da República. As más-línguas poderão dizer que o moço não cumpre o que disse. Nada mais falso. Para o nosso super Presidente/Deputado, o trabalho na junta resume-se à presença nas duas reuniões plenárias mensais (uma é hoje e aberta ao público), às festas nas colectividades e às missinhas dominicais. O povo gosta. E isso é que é bonito!

24 de novembro de 2017

O dia em que o Farpas foi à reunião de Câmara e 'abriu' o Café Concerto


Os leitores do Farpas acompanharam por aqui a historieta do debate que este blogue queria promover, no âmbito da série 'Um Café e uma Farpa', subordinado ao tema "A Esquerda tem futuro em Pombal?", e que o Conselho de Administração da PMUGest recusou realizar no Café Concerto. É uma novela de muitos episódios, essa, mas cujo ponto alto aconteceu esta semana, em plena reunião de Câmara. Diogo Mateus - que respondia a um pedido de esclarecimento do vereador Micael António - chamou a si o assunto e desfiou as contas desse rosário. O vídeo que aqui publicamos é quase esclarecedor. Ao Farpas interessa sobretudo o essencial: que a partir de agora  "se disponibilize a segunda-feira para que o espaço possa abrir para este tipo de realizações", como sentenciou Diogo Mateus, que assim pôs cobro a uma birra pessoal gerada na PMUGest. Fica-nos a frase, lapidar "eu se calhar não teria decidido da mesma maneira..." enquanto agendamos o debate, para breve, no Café Concerto. Que é um espaço público, mesmo que isso custe a alguns.

23 de novembro de 2017

O Lar da Felicidade


Pelo que tem de particularmente revelador do que foi e do que é a política local, tanto no sentido literal como subjectivo, vale a pena ouvir o debate sobre o Lar da Felicidade, que ocorreu, ontem, na reunião do executivo da CMP.
A câmara foi o lar da felicidade de Narciso Mota; actualmente, é o lar da sua infelicidade, e o da felicidade de Diogo Mateus.
Como bem disse J. Ortega y Gasset: “O Homem é o Homem e suas circunstâncias” - mostram-me os anos, entretanto passados, que é mais as suas circunstâncias.
As circunstâncias fizeram Narciso Mota presidente da câmara, mas não fizeram Narciso Mota Homem, sábio. Custa dizê-lo com esta crueldade, mas a Política é cruel - tal como a sua linguagem. Por este caminho Narciso Mota não se salva, nem salva a sua circunstância. É pena.
A política não é (como muitos pensam) um trabalho de enfeite, inconsequente e, por isso, muitas vezes patético. É uma actividade dura e implacável, que exige preparação e killer-instinct, como o boxe. Mas no boxe, tal como na política, não ganha sempre o mais forte; ganha mais vezes o que sabe usar a força, escolher o terreno a pisar e o momento de ataque. Narciso Mota não sabe nada disso; não sabe o jogo que está a jogar - talvez nunca o tenha sabido. O problema maior – para ele –, é que já não vai a tempo de o aprender. Tirem Narciso Mota do ringue.

Adenda: Narciso Mota contactou-me para me transmitir que analisou o processo de licenciamento do Lar da Felicidade e verificou que este se encontra licenciado; o que foi à reunião da câmara foi uma alteração ao projecto de arquitectura.

Se é esta a situação do processo, as considerações tecidas no post são injustas; mas como Narciso Mota, e a sua equipa de vereadores não as desmentiram, foram tomadas como verdadeiras. Narciso Mota transmitiu-me, ainda, que o caso será novamente discutido na próxima reunião com transmissão em directo. A acompanhar…

A insustentável leveza da transparência


A Câmara de Pombal faz um brilharete no todo regional (e nacional) no que respeita à transmissão, em vídeo, das reuniões públicas. O Farpas agradece, a população também deveria agradecer, tal como os media locais, que poderiam fazer grande número com o feito, bastando que trabalhassem o que resulta desta plataforma. E é muito. Diogo fá-lo porque sabe que joga em vantagem, que é dono e senhor da estratégia, da táctica, do exercício retórico, e - mais importante de tudo - da forma como comunica, fazendo uso certeiro de todo o tipo de expressão, mais ao menos a antítese do que acontece no filme 'O Discurso do Rei'. Aqui, o nosso monarca é muito mais razão do que emoção. E é dessa sua característica que decorre a escolha dos ajudantes. São escolhas à partida incompreensíveis para quem analisa a postura superior, acima da plebe. Mas basta descascar essa laranja para alcançar a explicação: há trabalho que tem de ser feito, preferencialmente pelos outros. Assim se percebe a tentação de serem, quase todos, mais papistas que o papa, tentando agradar para receber um louvor, um afago. Assim se explica que um falso avençado - com as funções de assessoria na área da comunicação - seja lesto a dar ordem à prestadora de serviços que é a  Pombaltv, ordenando que cesse a transmissão, como aconteceu naquela primeira reunião do executivo. 
Há colheres de chá que saem caras.

Manual de instruções para encerrar uma reunião

Afinal,  Diogo sabe como encerrar uma reunião de Câmara. #ajudantesmaispapistasqueopapa

21 de novembro de 2017

Auto de Fé

Faz agora um ano, o Conselho Pedagógico e a Direcção do Agrupamento de Escolas de Pombal submeteram à aprovação do Conselho Geral um regulamento disciplinar para o 1.º ciclo, que previa a instauração de processo disciplinar por infracções tais como: entrada e saída da sala de aula aos gritos ou empurrões, linguagem imprópria, não acatar as ordens, participar em lutas ou agredir verbalmente ou reagir agressivamente pela voz ou gestos.
Na altura, manifestei profunda discordância em relação ao regulamento, por o achar inadequado - autoritário, opressivo e punitivo - e inoperacional (Como é que se conduz um processo disciplinar a uma criança de 6, 7, 8 ou 9 anos? Que penalização se poderá aplicar para além da achincalhante e ineficaz transferência de escola?).
Perante as críticas, o director decidiu retirar o regulamento da agenda e propôs a nomeação de uma comissão para a sua revisão. Mas para a comissão de revisão não foi nomeado nenhum membro crítico do regulamento. Consequentemente, na reunião seguinte (última, onde não estive por motivo de doença) apareceu uma proposta de regulamento idêntica à anterior - com a mesma matriz punitiva. O regulamento foi aprovado sem grandes reservas, por um Conselho Geral, onde a maioria dos seus membros foi educada pelo antigo regime, bebeu aí a sua pedagogia e gosta de a replicar, aos outros.
Há umas semanas, uma criança de 8 anos, do novo Centro Escolar de Pombal, aliciou outras, masculinas, com um brinquedo, para simularem uma cena sexual na casa de banho. Alertada por outra criança, a funcionária pôs cobro à cena rapidamente e comunicou o caso à coordenadora da escola. Esta chamou as crianças, esclareceu o caso e repreendeu-as. Depois, chamou os pais das crianças envolvidas, comunicou-lhes o caso, esclarecendo que não lhe tinha parecido grave e que já tinha repreendido as crianças; como tal, a bem das crianças – todas –, recomendava que o caso não fosse empolado e prometeu-lhes que iria reforçar a vigilância.
Só que – há sempre um “que” nestas coisas –, como a cultura punitiva está bem disseminada e o mentor da cena é cigano, estavam criadas as condições para os justiceiros - direcção do agrupamento e pais – avançarem com o Auto de Fé: processo para cima da criança de 8 anos, do cigano. Aposto cruzado contra vintém: se a criança tivesse sangue azul, o caso seria abafado.
É a escola que temos, a pedagogia que se pratica e a cultura que se espalha. Depois, não se admirem com os resultados.

Emprego social para jotas

As câmaras municipais das zonas mais desfavorecidas têm tido um papel importante na promoção do chamado emprego social – emprego destinado às pessoas mais desfavorecidas ou com fraca empregabilidade.
Pombal ainda não é considerado uma zona desfavorecida – para lá caminha – mas a câmara está transformada numa agência de emprego. E não é emprego social, é emprego bem remunerado, para os jotas. “Se não ajudarmos os nossos…”


16 de novembro de 2017

Os dias da rádio, das medalhas e outros contentamentos


As duas rádios locais que sobrevivem em Pombal comemoraram no ano passado 30 anos. Nessa altura o facto passou quase despercebido ao público, mas este ano a Câmara quis condecorá-las, numa linha coerente com a massagem que Diogo Mateus já lhes fizera, no discurso da tomada de posse, como aqui escrevemos. 
É certo que a atribuição de medalhas se banalizou de tal forma que o caso poderia, à partida, nem merecer qualquer reflexão. Mas merece. Porque ambas passaram dos 30 com o suor e a dedicação de muita gente, nem todas as contas estão saldadas, e não são as medalhas que pagam contas. E porque a um órgão de comunicação é exigida outra responsabilidade que não ao cidadão comum. Por isso, agora que as medalhas estão arrumadas num canto qualquer e continua tudo na mesma, como a lesma; agora que a poeira assentou e as fotografias não passam de memória na espuma dos dias, vale a pena reflectirmos sobre o que são as rádios, o que fazem, com quem e para quem. E não, não precisa de vir nenhum(a) iluminado(a) mandar postas de pescada pela blogosfera. Esse é um exercício que está ao alcance de todos e de cada cada um: ouvir. Ouvir a rádio desde manhã até à noite. Uma vez ao dia, que seja. Como acontecia dantes, quando a audiência era palpável, quando a hora do noticiário era sagrada, com os departamentos de informação eram autênticas redacções, com jornalistas profissionais; quando as grelhas de programação tinham eco nas ruas, quando toda a gente sabia que programa passava, feito por quem e a que horas; quando havia departamentos comerciais, quando a economia respirava com fôlego e o trabalho das rádios era levado a sério, a começar por dentro. Depois disso, podemos falar. 
Diz a Câmara que a sessão solene do Dia do Município "serviu também para homenagear as duas rádios de Pombal, enaltecendo a Rádio Clube de Pombal (Medalha de Mérito Municipal Associativo, prata) e a Rádio Cardal (Medalha de Mérito Municipal Empresarial, prata) pelo seu contributo para a promoção e solidificação do debate público, na consolidação da Democracia e como baluartes das mais essenciais liberdades, a de expressão e a de informação". A sério? Chega a ser comovente ver o poder político enaltecer desta forma os media locais, na exacta medida em que é de valor ver os peitos esticados para a condecoração. Os mesmos que se queixam da desigualdade de tratamento, da falta de transparência na aquisição da publicidade institucional, da desonestidade patronal, do incumprimento, da falta de meios, da falta de gente. Mas Pombal é este oásis em que o politicamente correcto tem de ser imagem de marca, em que o retrato tem de sair bonitinho, tapando o sol com a peneira. Quantos postos de trabalho se criaram nos últimos anos? Quantos programas? Que projectos?
Nenhuma empresa e/ou instituição de comunicação está livre das dificuldades que há anos tomam conta do sector. Da mesma maneira que, pelo andar da carruagem, ninguém está livre de ser apanhado no rol das medalhas. Mérito? Aqui chegados, resta-nos concluir que 'tudo está no seu lugar, graças a Deus'.

15 de novembro de 2017

Dosonestidade política

A transparência é um dos princípios basilares da boa governação, particularmente relevante na administração pública. Feri-la, de forma premeditada, é pecado original.
A lista de candidatos ao executivo autárquico é hierarquizada. Por isso, o número um da lista mais votada é, sempre, presidente da câmara; e o número dois, no caso de impedimento perlongado ou renúncia do presidente, ascende, sempre, a presidente - independentemente de quem tenha sido designado vice-presidente. Daí que, o eleitorado veja no número dois da lista vencedora o futuro número dois do executivo – o vice-presidente e o potencial presidente. Logo, quando um presidente da câmara, depois de empossado ou durante o mandado, não atribui a vice-presidência ao número dois, ludibria o eleitorado, assume que jogou com a popularidade do/a número dois para captar votos mas não lhe reconhece capacidade para o substituir.
Bem sabemos que a popularidade e a competência andam muito desligadas, mais ainda do que quando Óscar Wilde afirmou que “para ser popular é necessário ser uma mediocridade”, mas a desonestidade política deveria ter limites.

14 de novembro de 2017

Orçamento Participativo: a brincar ou a sério?

Este é o terceiro ano em que vamos ter Orçamento Participativo em Pombal. Vejo esta iniciativa como complemento e ampliação da democracia representativa, que pode aproximar os cidadãos da vida política. Mas, para que tal aconteça, a Autarquia tem que publicitar convenientemente o evento (não é à última da hora) e a sociedade civil Pombalense deve mobilizar-se para apresentar muitas e boas propostas.

Na última edição, o projecto Projecto de Apoio e Recurso para  Autismo (P.A.R.A) - Pombal foi o justo vencedor.  A proposta propunha implementar, nos 12 meses de execução previstos no Orçamento Participativo 2016/2017, um serviço de apoio diário e gratuito às crianças   com Perturbação do Espetro do Autismo do concelho de Pombal e respetivas famílias. 

Como não acompanho diariamente a realidade Pombalense, não faço ideia se o projecto foi concretizado ou não. Se foi, tenho pena que as notícias sobre as suas iniciativas não tenham merecido o destaque conveniente nos órgãos de comunicação social ou na página da Autarquia. Se não foi, a Câmara não está a cumprir o seu dever. E isso é grave!

Fazer Orçamentos Participativos não é como brincar aos legos. É um assunto sério que exige responsabilidade. Se a Autarquia não tem capacidade para realizar os projectos que aprova por sugestão directa dos cidadãos, deixe-se de brincadeiras e não menospreze uma ideia com tão grande mérito. 

Prebendas & recompensas políticas

O despacho tem data de 21 de Outubro, dia da tomada de posse dos órgãos autárquicos, mas só na véspera do feriado municipal foi comunicado aos trabalhadores do Município. Afinal, ainda havia jobs for the boys na Câmara de Pombal. A saber:


  • O lugar de coordenador da Biblioteca Municipal (deixado vago por Ana Cabral, que 'subiu' à vereação) passa a ser ocupado por Nelson Pedrosa, que já era técnico superior nos museus municipais, actual tesoureiro e antigo vogal da Junta de Freguesia de Pombal.
  • O lugar de secretária de apoio à presidência (deixado vago por Andreia Marques, que passou a adjunta de Diogo Mateus neste mandato) passa a ser ocupado por Filipa Matos, que aguardava como suplente nas listas do PSD à Câmara, de 2013 e 2017.
  • O lugar de secretário à vereação é uma novidade: Até à data sempre fora destinado a funcionárias municipais, mais ou menos experientes, tendo em conta a natureza dos cargos. Pois passa a ser ocupado pelo enfermeiro Nuno Carrasqueira, certamente apelando à experiência adquirida enquanto secretário da Associação dos Industriais do Concelho de Pombal. Esta última nomeação deixa-nos a esperança de que se cumpra finalmente a lei, e que o lugar que assumiu - irregularmente - na Assembleia Municipal de Pombal, seja de facto ocupado pelo eleito, José Gomes Fernandes, que pedira a suspensão mandato, sem dele tomar posse. Não nos falhes, Fernandes!

13 de novembro de 2017

Histórias de encantar

…Que não sabemos contar. Partilho esta.
PS: Mas quando o rei vai mesmo nu, evitamos dizê-lo, evito dizê-lo, não o disse, e havia muito que dizer. 

12 de novembro de 2017

Estamos a empobrecer

O INE publicou sexta-feira o Indicador de Poder de Compra per capita, referente a 2015.

Pombal contínua muito abaixo da média nacional, mas estava num processo de recuperação, que foi interrompido a partir de 2013: 85,32 em 2013 e 82,79 em 2015.

Diogo Mateus trouxe empobrecimento.

10 de novembro de 2017

Medalhas de (de)Mérito

A Câmara Municipal de Pombal (CMP) atribuiu a Medalha de Mérito Empresarial (prata) à Rádio Cardal, “pelos mais de 30 anos de vida e pelo trabalho desenvolvido na área da comunicação social”.
Recentemente, a CMP foi distinguida com o 6.º lugar num ranking municipal sobre Transparência, e logo de seguida arrasada pela Inspecção Geral de Finanças por desrespeitar de forma grosseira os princípios da legalidade, da concorrência e da transparência na contratação pública
O Mérito Empresarial está para a Rádio Cardal como a Transparência está para a CMP.
Apresentar a Rádio Cardal como exemplo do Mérito Empresarial é ofensivo para todo o tecido empresarial do concelho, e gabar-lhe o trabalho desenvolvido na área da comunicação social, quando há muito não a faz (ou a faz de forma irregular), é desfaçatez pura.
Quando o mal remendado gaba o roto, e o roto propagandeia o mal remendado, perdeu-se definitivamente o sentido do ridículo.
A distância entre a bondade e a maldade é curta - ténue até -, ao contrário daquilo que o senso comum apregoa. A distinção que a CMP fez à Rádio Cardal não foi uma bondade, foi uma MALDADE. 

9 de novembro de 2017

A política a preço de feira



O oeste não pára de nos surpreender. Esta semana o salão José Maria Duarte, na Guia, foi pequeno para acolher a multidão que quis assistir à sessão extraordinária da  Assembleia da União de Freguesias. Eram quatro pontos, dois sensíveis: o retorno da feira dos 10 ao próprio dia (de onde nunca deveria ter saído) e a apresentação, discussão e votação das contas de gerência intercalares do ano financeiro de 2017 (período entre 01 de Janeiro a 20 de Outubro).
É sempre bom verificar que uma comunidade não se mobiliza apenas para a mudança (como aconteceu nas últimas eleições), mas que está interessada no que à sua terra diz respeito. A Feira dos 10 é um património colectivo, de toda uma região e não apenas dos guienses  (alguém explique isso àquela rapariga da bancada do PSD) e que pode morrer, como tantas, mas é justo que morra no seu dia, se tiver de ser, e não na solução aventada pelo executivo de Manuel António, em 2012. O esforço - de a encostar ao fim-de-semana mais próximo - foi bom, mas o resultado revelou-se desastroso. Feirantes e fregueses há muito que se manifestavam a favor da mudança. Coerente consigo próximo, o ex-presidente Manuel Serra e a bancada do PSD votaram contra, os proponentes do actual executivo liderado por Gonçalo Ramos, do Movimento NMPH votaram a favor, Dino Freitas, eleito pelo CDS, também, e o único eleito da bancada do PS, Hugo Sintra,...absteve-se. A abstenção é um voto que não é carne nem é peixe. O que condiz pouco com as promessas feitas antes das eleições. Mas o pior estaria por vir: O mesmo eleito do PS votou favoravelmente as contas do anterior executivo, dando-lhe todo o seu aval. E nesse ponto, a maioria eleita para a União de Freguesias - a mesma a quem Manuel Serra classificou de impreparada para governar o Oeste, esteve mal: absteve-se também. Agir politicamente sem ser consequente é inabilidade. E em política, a inabilidade paga-se sempre. 

Notas sobre as medalhas atribuidas pela CMP










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5 de novembro de 2017

Vitorino e Janita Salomé em Pombal: A malta só não gosta da esquerda de cá


Não deixa de ser curiosa a escolha dos irmãos Vitorino e Janita Salomé para o espectáculo comemorativo do Dia do Município, marcado para domingo, 12 de Novembro, no Teatro-Cine de Pombal. O concerto é protagonizado pelos dois irmãos, acompanhados pela Orquestra Filarmonia das Beiras, e vem na linha de outros que o(s) executivo(s) de Diogo Mateus oferecem ao povo, por ocasião do feriado municipal. 
É um tanto esquizofrénica esta ideia subliminar que o poder tem, de se mostar muito aberto, muito alternativo no estilo musical, assim a piscar o olho a um público pouco dado a fadistagens do regime, e depois barrar o acesso ao debate sobre o futuro da esquerda em Pombal, promovido por munícipes que pouco contam, como estes gatos-pingados do farpas. Este tempo está-me perigosamente a fazer lembrar um outro, que trouxe a Pombal Sérgio Godinho, já lá vão uns anos, a um elitista café concerto da época.

3 de novembro de 2017

Lei da rolha

Conforme aqui foi dito , o Conselho de Administração (CA) da PMUgest recusou a cedência do Café Concerto para a realização de um debate promovido pelo Farpas argumentando que, face aos seus Estatutos, "não se afigura ajustável à utilização do espaço do Café Concerto a realização de eventos de cariz político". Perante esta resposta, o Farpas pediu para ser esclarecido relativamente a três questões que considerou legítimas (e que aqui também demos conta). Até hoje, o CA da PMUGest não se dignou a dar qualquer resposta.
Se a PMUgest fosse uma empresa privada, esta ausência de resposta poderia ser vista apenas como uma indelicadeza. Mas não é disso que se trata. Sendo uma empresa municipal, o CA da PMUGest está obrigado à boa conduta administrativa - responsável, transparente, imparcial e equitativa -, a fundamentar as suas decisões e a esclarecer cabalmente os munícipes num prazo razoável. 
O silêncio ostensivo do CA da PMUGest permite que as dúvidas se adensem e as questões se tornem mais pertinentes e de âmbito mais vasto.

1. - O CA da PMUGest autorizou a realização dos eventos da JSD e das mulheres sociais-democratas ou os eventos foram realizados à sua revelia (sem o sem conhecimento e consentimento)?

2. – O CA da PMUGest teve conhecimento e consentiu a realização dos espectáculos privados da sua administradora não executiva e da gerência do Café Concerto? 

O CA da PMUGEST tem o dever de responder, em tempo oportuno, às questões colocadas. Se não o fizer, coloca-se na posição de “quem cala consente”, assume que violou os mais elementares deveres da boa governação, nomeadamente os deveres de transparência e da imparcialidade.

30 de outubro de 2017

Onde se dá conta do raspanete do Príncipe ao Pança

O Príncipe saiu da primeira contenda com a nova velha oposição inchado e pomposo, com a forma como tinha espezinhado o Comendador e o seu ajudante. Mas estava-lhe atravessado terem-no apanhado em falso naquilo que é mais forte: os papéis.
Mal terminou a refrega, o Pança aproximou-se do Amo e começou logo a massajar-lhe o ego - “boa coça, Alteza”, “boa coça, Alteza”,… - pensado que, enchendo-o de elogios, evitava as arrochadas. Sem resultado. O Príncipe ordenou-lhe logo de forma seca: - apresentai-vos no meu gabinete com a vossa ajudante, depressa.
O Pança chamou a ajudante e apresentaram-se de imediato...
- Entrai, entrai…. Explicai-me: o que tendes andado a fazer para não terdes feito nada do que devíeis terdes feito? – perguntou o Príncipe, agastado.
- Senhor meu Amo, os bacharéis atrasaram-se - não trabalham ao nosso ritmo - e, agora, falta-me tempo para andar sempre em cima deles – disse o Pança.
- Como tendes o descaramento de dizer que vos faltou tempo, se tivestes vinte e tal dias para preparar e enviar todos os papéis? – perguntou o Príncipe, exaltado.
- Eu agora tenho outros afazeres, e fiquei com menos uma ajudante – afirmou o Pança.
- Tendes menos uma ajudante porque quisestes correr com ela…- rematou o Príncipe.
- Tem razão, Alteza – anuiu o Pança. Mas…
- Não te desculpes com outros afazeres; escudeiro é escudeiro, não tem outro Senhor nem ócios - tornou o Príncipe.
- Eu dedico o dever, assim como a alma, primeiro a Deus, depois a Vossa Alteza; mas, agora, também tenho que dedicar alguma atenção aos meus fregueses; até porque o Boi não sabe nada daquilo – aditou o Pança. 
- Pança; conheceis a história da rã que se quis igualar ao boi? - perguntou o Príncipe, com ar irónico.
- Não, Alteza. Mas contai, que deve ser engraçada – pediu o Pança.
- …Fez-se inchar; tanto, tanto, …, que rebentou! – disse o Príncipe.
- O Senhor é mesmo muito engraçado, e desagradecido…- afirmou o Pança, com alguma malícia. E prosseguiu: - E não deixa ninguém brilhar…Ainda agora acabei de me expor, e expor o meu tarefeiro, com o corte do directo, para proteger Vossa Excelência da censura pública, e já estou aqui a levar porrada ao pé da minha sujeita.
- Pança, não te agradeço; o cometido feito de que te orgulhas me enxovalha – afiançou o Príncipe.
- Mas, Vós mesmo, Alteza, me insinuastes o feito – atalhou o Pança. 
- Cala-te, Pança; senão ainda mais razões me dais para repisar a merecida reprimenda – avisou o Príncipe.
- Merecida uma ova – retorquiu o Pança. E acrescentou: - O que Vos deixou tão colérico?
- Tem juízo; Pança. Obedece e não faças perguntas – reavisou o Príncipe.
- Vossa Mercê está de uma maneira que nem Satanás o atura. Se não temperar essa ruindade perde o resto do cabelo – tornou o Pança.
- Por tua vida, Pança, nem mais um pio! – ordenou o Príncipe. E acrescentou: - Melhor te fora nunca terdes nascido, do que deixares de agradar-me agora.
- Não vos agastais meu caro Senhor; estamos aqui, a vossos pés, para sermos mandados e obedecer – disse o Pança.
 - É melhor que assim seja. Porque hás-de saber, Pança, se o não sabes, que há duas coisas, que mais que todas as outras, não tolero: o erro e o demando – afirmou o Príncipe.
- Eu sei, Alteza. Mas não preciseis de ser tão colérico com escudeiro tão fiel. Guardai as bordoadas para aqueles traidores danados; eles merecem-nas todas, e só se perdem as que caem no chão – disse o Pança.
- Devíeis de saber, Pança, que quem faz imoderado uso da espora, termina por matar a montaria. Ao soberano interessa sempre manter vivo um inimigo – afirmou o Príncipe.
- Mas digo-lhe mais: quando ele falou no mano fiquei fora de mim, se o Senhor me tivesse dado um sinal, tinha-lhe dado umas boas murraças – afirmou o Pança, ainda a ferver.
- Põe-te no teu lugar, Pança; este tipo de pendências não é para ti. Mas sereis necessário, quando for preciso sujar as mãos – rematou o Príncipe.
                                                                                                               Miguel Saavedra

28 de outubro de 2017

Ser ou não ser homenzinho

Quem acompanhou os 20 anos de convivência entre Diogo Mateus e Narciso Mota sabe do que foram feitos. Da mão que se estendeu e do tapete puxado, até o sacudir, nas autárquicas de 2001, levando-o a candidatar-se à Junta de Freguesia de Pombal, e é se quis sobreviver politicamente. Mais ou menos como agora aconteceu com Pedro Pimpão, embora as personagens e o enredo tenham tudo para um desfecho diferente.
Quem assistiu à primeira reunião de Câmara deste novo executivo, pode ter a certeza de que Diogo iniciou uma nova era, disposto a acabar com o que sobra de Narciso Mota. Ninguém tenha dúvidas dos esqueletos que vai tirar do armário nos próximos tempos. Há, no entanto, uma cautela que o autarca absoluto deveria ter: não cuspir para o ar. Já basta a ideia que passa de cuspir no prato onde comeu. Ora, quando se ouve Diogo a contar este episódio, ninguém imagina que, horas antes, in extremis, foi confrontado pela sua antiga adjunta com a eventual dispensa, quando na Câmara já todos sabiam, menos ela. A coragem e a hombridade não devem servir apenas para atirar à cara dos outros, senhor presidente. 

27 de outubro de 2017

Acusações graves

Na primeira reunião do executivo, Diogo Mateus fez um ataque fortíssimo a Narciso Mota, a Michael António e a todo o movimento NMPH.

Já no final da reunião derreteu a honorabilidade de quem já tinha passado pela câmara e lá voltou, dizendo que trabalham mal, não gostam de trabalhar, queriam tirar vantagem porque têm negócios. Quem ouve estas acusações graves e se cala, não tem carácter nem condições mínimas para exercer um cargo político.  

26 de outubro de 2017

E a seguir quem é?



Diogo Mateus designou para seu vice-presidente o vereador Pedro Murtinho. Não é ilegal, mas é o primeiro sinal de como o eleitorado foi ao engano. Na lista candidata à Câmara, a número dois é Ana Cabral - directora da Biblioteca Municipal - agora investida de pelouros sensíveis como a Educação e Acção Social, sem a Cultura - que continua (bem) entregue a Ana Gonçalves.
Quando se faz uma lista, os nomes não são colocados ao acaso, da mesma maneira que o eleitor esclarecido não vota ao acaso. E Diogo Mateus jogou com isso: Ana Cabral iria cativar algum voto à esquerda, pese embora a viragem que fez, nos últimos anos.  Naquela primeira reunião do (novo) executivo da Câmara, o presidente mudou as regras do jogo. Se no mandato passado apregoou a rotatividade para a vice-presidência, neste ficou-se pelo operacional que era 3º na lista, pelo menos "nesta fase". Não queremos acreditar que Ana Cabral não soubesse, nesta fase da vida, que há sempre uma "primeira fase". E queremos acreditar que Diogo Mateus tem presente o que significa a ordem da lista. 

O momento mais negro


A primeira reunião do novo/velho executivo começou mal, foi baixando de nível e terminou de forma inimaginável (até agora): corte na transmissão para cortar o contraditório.
Naquela sala, toda a gente viu o tarefeiro dar a ordem (que foi imediatamente cumprida) e percebeu quem foi o mandante.

25 de outubro de 2017

Política não entra?

Há quem possa não acreditar mas nós, aqui no Farpas, somos muito ingénuos. Vejam lá que chegámos a acreditar que a PMUgest iria acolher positivamente uma iniciativa que pretendíamos levar a cabo no Café Concerto!

Após o péssimo resultado da esquerda nas eleições autárquicas, pareceu-nos pertinente promover um debate da série "Um café e uma farpa", subordinado ao tema "A esquerda tem futuro em Pombal?". O Café Concerto (apesar do desleixo da página web) afigurava-se como o espaço ideal, não só pela sua centralidade, mas também por ter sido palco de inúmeras iniciativas, de cariz público e privado, levadas a cabo por inúmeras instituições. E, convenhamos, existindo desde 2008, o Farpas não é propriamente uma entidade obscura em Pombal. 

Como muitos de vós já devem estar a imaginar, o nosso pedido não foi atendido. Citando as 16 alíneas do Artigo 6º dos Estatutos, o Conselho de Administração comunicou-nos que  "não se afigura ajustável à utilização do espaço do Café Concerto a realização de eventos de cariz político". 

Louvo o zelo da empresa municipal no cumprimento escrupuloso dos deveres enumerados nos seus Estatutos. Mas, sem querer discutir a pertinência da sua decisão - há quem tenha medo de falar de política -, são legítimas algumas questões. Em que alínea dos Estatutos a PMUgest encontrou fundamento para aceder ao pedido da JSD/Pombal para realizar o evento que teve lugar no Café Concerto no dia 18 de Março de 2015Ou, noutro caso, a 7 de Março de 2016, uma conversa sobre empreendedorismo feminino, organizada pelas Mulheres Social-Democratas? Será, por ter sido a JSD/PSD  a pedir, o "cariz político" foi encarado de forma diferente? 

Como empresa municipal que é, PMUgest não pode ter dualidade de critérios nas suas decisões. Se assim o fizer reforça a ideia instalada de que o Café Concerto é gerido como uma coutada privada da sua Administração, com a porta escancarada para os seus amigos  e fechada para os restantes pombalenses.