29 de julho de 2017

Pedro, o amoroso

O Pedro propagandeia por aí que ama Pombal. O Pedro é um amor de pessoa, e um verdadeiro apóstolo do “Amor” - à imagem e semelhança de Santo Agostinho. O Pedro vive de e para o povo, de e para Deus.
Agostinho definia o povo como “o conjunto da multidão de seres racionais associado pela concordância comum das coisas que ama”. E se o povo amava Deus, também podia amar a Pátria e a polis. Para Agostinho o amor a Deus e/ou o amor à Pátria seria o antídoto ao egoísmo humano (chamado de amor-próprio), sempre subjacente na espécie humana, e sempre combatido pelo cristianismo.
Foi Agostinho que introduziu a teologia do “Amor” na Política e transformou o “Amor” no mais refinado artifício do cristianismo para obter vantagem sobre as demais religiões/forças, porque sabia que na palavra “amor” há algo tão ambíguo, tão sugestivo e tão esperançoso; que até a mais fraca inteligência ou o mais frio coração percebe e sente o cintilar desse termo. O feitiço do amor tem a capacidade de agir à distância, de aproximar vontades e anseios, de diluir fronteiras entre “alter” e “ego”, de fundir subjectividades envolvidas; e tudo sem lesar a própria integridade.   
A Teologia do Amor predominou durante toda a longa Idade Média, e só foi verdadeiramente desmontada pelo Liberalismo quando Mandeville demonstrou que o que se chama de virtudes também advém do amor-próprio, do espirito-livre e do livre-arbítrio; o que obliterou a antiquíssima distinção entre o vício e a virtude.

O ascético Pedro cresceu no caldo da Teologia do Amor; e fez-se uma mescla de político e apóstolo do evangelho amoroso-altruísta - do “amor ao próximo”. O Pedro é um político rico; mas, se Pombal o amar, convinha que fosse um rico político: fiel, próximo, presente. Senão, mostra que é só amor ao poder, que o homem político é um piedoso falso. E disso já estamos bem servidos; e em dose-de-cavalo.

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