11 de julho de 2026

De queda em queda. Até quando?


 


As ruas da cidade tornaram-se verdadeiras armadilhas. Depois das 'cardaleiras' de má memória, devidamente arrancadas em boa hora, vivemos o tempo da gincana no simples acto de caminhar na rua. O caso de uma idosa, ontem, num dos passeios da avenida Heróis do Ultramar, veio avivar de novo o sentimento de insegurança que invade muitos transeuntes assim que põem um pé na rua. 

Não, não foi um caso único nem isolado. Todas as semanas há reportes de gente que cai na rua, tropeça nos passeios danificados da avenida, nas calçadas que clamam manutenção e nas lajes levantadas nas ruas da zona histórica. Bem podemos encher a boca e as redes sociais do município com floreados verbais, do género parte integrante da "Rede de Cidades e Vilas de Excelência", com "Plano Local e Municipal de Promoção da Acessibilidade", que no fim a realidade é outra: esta cidade não é para velhos, para quem tem dificuldades de locomoção, tão pouco é para quem só quer caminhar no passeio sem se estatelar, às vezes com gravidade.

Foi grave o que aconteceu à rapariga que tropeçou no passeio frente a uma loja na Rua Carlos Alberto da Mota Pinto, o que levou a proprietária a colocar no local uma enorme floreira. Leram bem, não foram os serviços municipais. Ou da mulher que caiu na Praça Marquês de Pombal, em frente à Loja do Cidadão, há poucas semanas. Têm sido graves muitas das quedas ocorridas por toda a cidade, mesmo antes de levantadas as raízes das árvores pela tempestade Kristin. Há muito que ninguém se importa com o estado das ruas. Uma das poucas zonas em que os passeios são suficientemente largos, a caminho da Senhora de Belém, está há anos com o piso partido em múltiplos lugares, num perigo evidente.

Não sei por onde costuma Pedro Pimpão fazer as suas corridas, mas certamente o trajecto não inclui estas artérias da cidade. E não, não era suposto falarmos dos buracos da estrada em 2026, logo nós, em Pombal: mandamos para o estrangeiro técnicos muito abalizados falar de experiências locais e absorver outras, para quê? Venderam-nos a ideia de que agora seríamos uma smart city, a cidade dos 15 minutos, mas não nos disseram que, provavelmente, esse é o tempo que demora a chegar a ambulância, ou o tempo que ela gasta até ao ao Hospital - enquanto temos.

Hoje mesmo a presidente da Junta de Pombal apresentou  numa reunião da  ANAFRE uma proposta para a Segurança Rodoviária de Proximidade, "defendendo a criação de um programa nacional que permita às freguesias terem um 𝗽𝗮𝗽𝗲𝗹 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗮𝘁𝗶𝘃𝗼 𝗻𝗮 𝗽𝗿𝗲𝘃𝗲𝗻𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗮 𝘀𝗶𝗻𝗶𝘀𝘁𝗿𝗮𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗲 𝗻𝗼 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗼𝗹𝗼 𝗱𝗮 𝘃𝗲𝗹𝗼𝗰𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗻𝗼𝘀 𝗹𝗼𝗰𝗮𝗶𝘀 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗰𝗿𝗶́𝘁𝗶𝗰𝗼𝘀" (sic). Seria bom se começássemos pelo básico: a manutenção das ruas. Não precisamos que os presidentes de junta se armem em presidentes de Câmara, a não ser nas terras onde as Câmaras estão ao nível das Juntas, e daquelas que só servem para carimbar papéis.

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