26 de junho de 2017

Diogo Incoerência Mateus


                               Foto: Ricardo Graça, in Jornal de Leiria

por: Gonçalo Pessa*

Diogo Mateus, num rasgo de sinceridade e de sentido autocrítico nunca antes visto, explicou-nos, na apresentação da sua candidatura autárquica, que os últimos 23 anos de mandato do PSD na presidência da câmara foram anos em que “Pombal foi perdendo crédito fora do território”, anos de perda “da credibilidade e reconhecimento do concelho” e “da sua capacidade de afirmação e de impulsionar políticas regionais e nacionais”. É surpreendente ver o dirigente do PSD a reconhecer o lastro negativo que o seu partido tem deixado no concelho desde o início do seu regime camarário.
É surpreendente mas percebe-se a artimanha. Diogo Mateus identifica um problema, a perda de credibilidade, para deixar implícito um responsável, o seu ex-parceiro e ex-presidente da câmara Narciso Mota. Mas mais ainda, e para ficar claro que o ajuste é mesmo de contas, Diogo Mateus explica-nos, depois de denegrir a herança deixada por Narciso, que esse crédito perdido tem vindo a ser recuperado nos últimos 4 anos e que o responsável é ele próprio.
Percebe-se o esforço. “Eu finjo que não tive nada a ver com a Câmara até 2013, e dou uma ferroada no Dinossauro e na sua gestão” terá pensado Diogo Mateus. Mas esse esforço tem um problema. É que conhecendo o único currículo que Diogo Mateus tem, o político, percebemos a desfaçatez desta conversa. É que dos 20 anos de reinado do PSD de Narciso na câmara de Pombal, Diogo Mateus foi vereador 16 anos. Nesses 20 anos só interrompeu a maratona de vereação por 4 anos, e foi para presidir à Junta de Freguesia de Pombal. Pelo meio ainda foi vice-presidente da Câmara. Pois é, a este autarca comprometido até ao pescoço com o legado de Narciso Mota nunca conhecemos qualquer oposição ao funcionamento da câmara neste período. Nem um único discurso mais amargo pela “perda de credibilidade” que o seu partido e o seu presidente estariam a impor ao nosso concelho durante a sua vereação. O discurso de Diogo Mateus é de tal forma incoerente que, enquanto hoje alveja Narciso Mota e o seu trabalho enquanto presidente, há 4 anos explicava-nos antes que “o Município de Pombal e os seus órgãos representativos saberão reconhecer o seu exemplo enquanto Homem, Cidadão e Presidente da Câmara Municipal de Pombal entre 4 de Janeiro de 1994 e o dia 21 de Outubro de 2013. Obrigado Eng. Narciso Mota.”
Mas ficou por explicar que recuperação de credibilidade resultou do mandato de Diogo Mateus. Terá sido a credibilidade que trouxe o enterro de 2.1 milhões de euros no CIMU-Sicó, um centro-interpretativo/museu/hotel/auditório/laboratório/loja cuja obra está parada há um ano e cujo planeamento desastroso representa o tipo de desnorte político que atrasa o país? Ou será antes a política cimento-para-a-frente nas obras públicas, que abateu árvores e apagou jardins para cimentar chão a eito, como aconteceu com o Largo do Cardal e com os polos escolares? Se calhar a credibilidade veio da renovação da EB1 de Pombal que foi tão bem planeada que afinal nem lotação tem para acolher todos os seus alunos. Ou então veio ainda da eliminação da praça de táxis de Pombal, que pretendeu fazer dos taxistas pombalenses de segunda sem sítio para trabalhar.

Realmente, os últimos 23 anos não trouxeram o desenvolvimento a Pombal que devíamos esperar. Hoje Pombal é um concelho com pouca capacidade para fixar jovens, com pouco emprego de qualidade e com uma população envelhecida. Por cada 10 crianças Pombal tem 19 idosos, um envelhecimento demográfico 30% superior à média nacional. O concelho precisa de atacar estes problemas de frente, com participação democrática, preocupação social e ideias frescas. O que o concelho também precisa é de dispensar esta casta que tem ocupado o poder local e o gere ao sabor dos seus interesses e (des)entendimentos pessoais.

*Candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Pombal

6 comentários:

  1. É CLARO que só há um caminho para esta situação em Pombal. É mudar...Uma cura de oposição fazia tão bem ao EGO inflamado de D. Diogo e de toda a sua corte de Vassalos.

    ResponderEliminar
  2. Estava eu aqui no "ó micas cala-te, ó micas cala-te" para `concluir que ninguém sabe ao certo quem é Diogo Mateus!
    Tem sido um "mandato-campanha" onde páginas e páginas de jornais explanam transparência, rigor, capacidade e empenho no dia a dia...
    E... e "esmiuçando" nada! São todos tão bons, trabalham tanto e os outros tão inúteis!
    O Gonçalo é uma nódoa branca num pano sujo, é jovem é crente e ainda se dá ao trabalho de explicar valesse a pena...

    ResponderEliminar
  3. Isto vale tudo para se atingir um fim. Realmente os sr. Diogo diz uma grande verdade que sempre esteve a trabalhar para o estado nunca teve outra profissão, deveria ir para o privado ter um patrão é disso que necessita para saber dar maior valor a quem teve uma carreira no privado e posteriormente esteve na política d corpo e alma.
    E se esteve esses anos no estado deve ao ex presidente Narciso mota.
    Talvez seria bom dar o exemplo de uma vez na vida saber o que é ir trabalhar no privado...
    Vitaminizar-se ainda faz de si a ovelha negra.

    ResponderEliminar
  4. O sr. Gonçalo demonstrou boas capacidades de comentador político.
    Aguardo para saber das capacidades de político, quando conhecer o programa autárquico do BE e a lista de soluções para os problemas que encontrou.

    ResponderEliminar
  5. Desculpe Dª Elisabete...mas D. Diogo foi carteiro...Depois passou logo a Vereador...de seguida Presidente de Junta e licenciou-se na UNIVERSIDADE INTERNACIONAL DA FIGUEIRA DA FOZ ( já fechou) seguidamente voltou a Vice-Presidente e agora é o todo poderoso D. Diogo Mateus o Presidente da CMP. O futuro só a Deus pertence...mas não vai ser nada fácil manter-se no lugar

    ResponderEliminar
  6. Senhor Roque agradeço a informação disponibilizada. Carteiro? essa actividade, já agora durou quantos dias? pergunto dias porque nem chegou a meses... sem esquecer que nessa altura do exercício de tal função a entidade empregadora era o estado, só recentemente os CTT foram privatizados, portanto trabalho que é bom no privado nunca se candidatou e tão menos teve alguma actividade profissional por conta de outrem no privado. Quanto à licenciatura todos os alunos da UIFF no ano do seu encerramento concluíram o curso, o que dá que pensar .... mas canudo é canudo, mas a pratica é que demonstra o conhecimento adquirido, ou não. O futuro pertence a quem luta verdadeiramente e está de corpo e alma.

    ResponderEliminar

O comentário que vai submeter será moderado (rejeitado ou aceite na integra), tão breve quanto possível, por um dos administradores.
Se o comentário não abordar a temática do post ou o fizer de forma injuriosa ou difamatória não será publicado. Neste caso, aconselhamo-lo a corrigir o conteúdo ou a linguagem.
Bons comentários.