25 de fevereiro de 2019

A bajulação como modus operandi

Gonçalo Ramos, presidente da União de Freguesias do Oeste, deixou escorrer meio pote de graxa na intervenção inicial que fez na Assembleia Municipal, desfazendo-se em parabenizações ao presidente da Câmara.
A verdade é que, com esta aproximação ao poder, está dado um nó nos laços do PSD para as bandas do oeste: como é que Manuel António (ex-presidente da junta e actual presidente da comissão política concelhia. Ainda é, não é?) e Manuel Serra, por exemplo, vão digerir esta aproximação latente a Diogo Mateus. Astuto, Diogo está a fazer render o peixe, não lhe permitindo que passe toda a graxa, só aceitando a escova. Atente-se na displicência com que lhe respondeu, passando-lhe roda de ignorância, a propósito da ADSE.
O registo bajulador foi adoptado pela generalidade dos presidentes de Junta. Uns queixam-se das dores alheias (como o do Louriçal), outros entram naquela cantilena anti-geringonça. Até Paulo Duarte (Redinha), que mal foi eleito cortou com o PS, estava a gostar de se ouvir a fazer coro. Ressalva feita para quando colocou o dedo na ferida; não há pessoas. Estamos sem gente. E por isso não há milagres.
Uma nota também para Sandra Barros, que leu muito bem aquele texto escrito.
Vão longe os tempos em que os presidentes de junta aproveitavam o palco da AM para apontarem o que lhes faltava, a eles e aos que os elegeram, sem caírem na tentação de fazer política partidária. Na sua maioria casam bem com esta política do enfeite levada a cabo pela Câmara. E demonstraram cumprir razoavelmente o papel do bom aluno: na semana anterior, Diogo Mateus reuniu com todos, a propósito da Saúde. Quando chegaram à AM iam em ponto de rebuçado, devidamente instruídos para abrirem fogo logo no PAOD (Período de Antes da Ordem do Dia), carregando as espingardas a abrir e a fechar, no ponto colocado extra-agenda, para discutir a questão da Saúde.
É bonito verificar que a maioria destes autarcas está já noutro patamar, além do buraco da estrada. Mas não era pior se começassem  por aí, antes de se armarem em politiqueiros num local onde estão por inerência. 
Nesta marcha, só há um desalinhado. É Humberto Lopes (Almagreira), com o discurso mais sério entre todos os pares, a provar que é possível separar as águas e ser presidente de todos, honrando verdadeiramente o lugar sem cair na bajulação.


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