Os militantes do PS foram ontem surpreendidos com a notícia da demissão de Aníbal Cardona da comissão política concelhia e do secretariado.
Numa altura em que o PSD está dividido como nunca, em que o poder autárquico está uma comédia, o que faz o PS? Nada. Senta-se e espera que passe.
Cardona invoca razões pessoais para se demitir das funções. Esperemos que continue (pelo menos) na assembleia de freguesia de Pombal, e que esta demissão não signifique um afastamento da vida política.
Falta-nos gente de garra na oposição. Falta-nos oposição.
Pedro é um rapaz muito esperto, trabalhador e ambicioso. Querido por todos, ganhou rapidamente o estatuto de líder junto dos seus amiguitos, que o respeitavam e admiravam. Nos seus tempos de escola, Pedrocas foi muito feliz e a sua aura ofuscava tudo à sua volta.
Infelizmente, nada dura para sempre e a felicidade de Pedro não é excepção. A sorte começou a mudar quando, um dia, perdeu o seu coelhinho. Mais do que um amigo, o simpático bichinho era a sua grande referência e o segredo da sua força. Qual Sansão privado do seu longo cabelo, assim murchou o rapaz quando perdeu o coelhinho. Sem a clarividência e sagacidade que o caracterizavam, Pedro deixou-se enredar em aventuras inconsequentes.
O moço é hoje uma pálida sombra de si próprio. Desprezado pelos mais velhos, que se recusam a dar-lhe o protagonismo que julga merecer, ganhou tiques de ditador junto do mais jovens. E se, em tempos, tudo lhe era perdoado, actualmente são poucos os que estão dispostos a pactuar com a arrogância e a vaidade. Sem surpresa, os seus maiores críticos passaram a ser aqueles que antes lhe vaticinaram um futuro brilhante.
O sempre jovem e bonito Pedro que, tal como Dorian Gray, se recusa a envelhecer, já não consegue esconder as primeiras rugas que lhe revelam o carácter.
Foi ontem inaugurado em Pombal um espaço que alberga a partir de agora o
PARA - Projecto de Apoio e Recursos para o Autismo, vencedor do concurso de ideias para o orçamento participativo, há dois anos.
É a primeira vez que temos notícia de um projecto desses ser concluído, e este em particular merece destaque. Porque resulta da persistência do Patrick e da Viviana Mendes, pais que conhecem bem os caminhos tortuosos da sociedade e das instituições no apoio às crianças autistas. "Agradecemos do fundo do coração a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, contribuíram para que este sonho seja agora uma realidade. É um primeiro mas decisivo passo que irá influenciar o futuro de muitos. Obrigado POMBAL", escreveu ontem Patrick Mendes na sua página de FB.
Apesar da demora, é bom que a Câmara tenha abraçado este projecto. Há um mundo para lá da propaganda ao "sucesso escolar 100%". E é bom que o orçamento participativa seja, de facto, pertença da sociedade civil.
Nota prévia: este post
foi escrito para ser publicado no dia da malfadada reunião do executivo
camarário. Foi adiado, e pode, agora, perante os últimos acontecimentos, parecer
desproporcionado. Um peido não desculpa uma bufa.
As reuniões da AM são uma espécie de ópera bufa, fastidiosa
de contar e pior de ouvir, onde o tenor principal, na sua pose nobre mas sem
nobreza, monopoliza todo o trama, e os tenores secundários não têm consciência
do papel irrelevante que representam.
O guião e o propósito do trama são conhecidos: subjugar os
desalinhados e transformar todos em pajens - impor o arbítrio. Os mais
desprendidos perceberam-no e já debandaram; os outros arrastam-se naquele ritual
sem honra nem glória. É um espectáculo bizarro: ao mesmo tempo, sonoro e surdo,
onde se fala muito e nada se ouve. De um lado actuam as criaturas para quem a
política é um trabalho de enfeite e a rapaziada de dentes de leite e cabeça oca.
Do outro contracenam os desavindos da ala direita, a esquerda sonsa e a esquerda
folclórica. Ao fundo sentam-se as figuras cuja utilidade, ali, é idêntica à das
muletas para o defunto. No topo, secretários que não secretariam. Os tenores
secundários gravitam todos na orbita do tenor principal. Os que vêm do lado
direito apresentam-se inchados com os sucessos, uns suam sob o peso do estatuto
outros do orgulho juvenil. Os que vêm do lado esquerdo entram no palco com a
roupa e o espírito do dia de finados, quais cordeiros no dia do sacrifício, prontos
a aceitar humildemente o castigo de representar papéis que desconhecem, para os
quais não estão preparados nem se preparam. Depois, do meio daquela amálgama de
figurantes de que não se espera nada, porque é perfeitamente inútil esperar o
que que quer que seja - criaturas que se limitam a arrecadar a senha de
presença e a compor a sala -, surge aquele cavalheiro ilustre, cheio de lustre e termos novos, inconsequente, que insiste no pregar aos peixes. Algumas
daquelas criaturas nem para ser filmadas servem, como aquela cara de perpétua
que passa o tempo todo a cuscar os papéis que a vizinha lê.
No final, fica-nos sempre a dúvida: se o papel mais reles é
dos que falam ou dos que se calam.
Acontece amanhã em Pombal um seminário importante. Ou melhor, com um tema importante: Violência contra os idosos - quem se importa? Muita pouca gente, parece-nos. Os números dizem-nos que 40% dos idosos neste país é vítima de violência. Num concelho envelhecido como o nosso, as estatísticas devem superar-se. Talvez haja respostas, amanhã, nesse seminário organizado em conjunto pelo Município de Pombal e pela APEPI, que lidera o Projecto BASTA, descrito como "intervenção em rede no âmbito da Igualdade de Género e do Combate à Violência de Género com destaque para a violência doméstica, violência no namoro e violência contra idosos".
É verdade que nos últimos dois anos não tivemos grandes notícias de mais este projecto da APEPI, mas até Dezembro deste ano (data em que termina) ainda vamos a tempo. O seminário vem cumprir uma parte desses objectivos, como se impõe nestas coisas. Mas as linhas com que se cosem estas iniciativas em Pombal são sempre de qualidade duvidosa, e o que aconteceu na organização deste seminário é sintomático: a direcção da APEPI - através da presidente, Teresa Silva, convidou a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, para encerrar o seminário. Só que quem manda aqui ainda é a Câmara. E nas primeiras reuniões, através da vereadora Ana Cabral, parecia dar ares de abertura e respeito pela autonomia da APEPI (responsável pelo programa). Ora, como nem tudo o que parece é, não demorou a que a autarquia usasse os mesmos canais de sempre para anunciar taxativamente que se retirava da organização se a associação insistisse no convite. E a APEPI anuiu.
A ironia desta história é muita. Quem vem cá encerrar o evento é o doutor Pinto da Costa (que a organização vai ao Porto buscar), e certamente vão vir charters de televisões atrás dele...dando ao seminário a visibilidade que merece.
A ironia desta história é muita, mas fiquemo-nos pelo nome do projecto que a suporta: BASTA? pelos vistos não.
Esta discussão, sobre a atribuição de interesse público
municipal a um pedido de legalização de um aviário ilegal, mostra, até ao
tutano, duas coisas: primeira, uma classe política que insiste em condenar esta
terra à pobreza franciscana; segunda, uma águia que insiste em ensinar perus a
voar - uma, duas e três vezes – sem resultados (os perus nunca voarão; e o que
não é peru não quer voar - para ele quanto mais rasteiro for o movimento
melhor).
Reparem bem como o executivo, e a maioria que o suporta,
distorce a realidade e abre caminho à legalização de uma coisa - sanciona-a, na
prática - que é a negação do interesse público. É claro que contam com a
conivência superior, que perante a declaração de interesse público tende a
fechar os olhos para não hostilizar o famigerado poder local; naquela: se gostam
da merda que fazem, fiquem com ela!
É assim que este país continua uma choldra, onde a maioria
estraga e poucos preservam.
Na discussão sobre a fixação da percentagem de IRS a
devolver pela câmara, a oposição foi pobrezinha - contentou-se com um bocadinho.
O inábil PS fez pior: pôs-se a jeito para ser glosado.
Mas reparem bem na desonestidade e na malvadez presentes na
resposta do graçolas D. Diogo ao PS.
E dizia-se o homem constrangido com tragédia da véspera!
Aldina Pedro (PS) questionou os critérios de concessão dos
passes escolares, partindo do caso do seu sobrinho/irmã(!).
Diogo Mateus teve alguma dificuldade em explicar a trapalhada
existente com a atribuição dos diferentes tipos de passes escolares, mas foi
claro no essencial: todos os alunos do concelho, que frequentem o ensino
obrigatório, têm direito a transporte gratuito. O que surpreende deveras é que a sua
vereadora Ana Cabral, com os pelouros da Educação e da Acção Social, e os
serviços da câmara, desconheçam isso. Na reunião com os pais, sobre este
problema, a vereadora Ana Cabral afirmou que o assunto seria reencaminhado para
o Gabinete Jurídico. Perguntada se a câmara devolveria o dinheiro, entretanto pago, caso o
Gabinete Jurídico considerasse que os alunos têm direito a passe gratuito, teve
o desplante afirmar que o que foi pago não seria devolvido.
D. Diogo ainda mal tinha acabado de fazer um exercício presunçoso
de moralismo cristão, aproveitando a tragédia recente, onde se esqueceu de
colocar o espelho à sua frente enquanto falava, quando foi questionado sobre o
indigno comportamento do seu vereador no caso dos Malhos.
Um político sensato, coerente, respeitador do outro,
demarcava-se do comportamento do seu vereador, justificava-o como uma
precipitação momentânea e rematava a coisa com o bom princípio e a boa prática
da câmara para estes conflitos. Não o fez. E ficámos a saber – muitos já o
sabíamos – que D. Diogo subscreve a acção, que o exemplo veio de cima, e que o
pobre vereador agiu mais pelo exemplo do que pela sua consciência.
Ricardo Ferreira (CDS) continua a mostrar que sabe intervir
– tanto na forma como no conteúdo – e consegue acossar Diogo Mateus, levando-o
a perder o controlo, a descer de nível e a ter que recorrer a argumentos falsos.
Mas o seu número não salva a face do partido, que numa agenda com vinte e tal
pontos, só marcou o ponto no período antes da ordem do dia. Com a agravante de
o seu cabeça de lista mostrar desconforto claro com o teor da intervenção.
Esta discussão sobre persecução, entre duas criaturas com
historial de respeito na matéria, diz-nos muito da classe política que tem
mandado nesta terra.
No final, ficamos com a sensação que D. Diogo é o mais ajuizado.
Estranho, não é?
O fim é triste. O fim em política é sempre triste,
nomeadamente quando se teve uma carreira longa e cheia de sucessos, que não se
soube terminar a tempo. Mas não tem que ser indigno.
O fim político de Narciso Mota atingiu aquilo que muitos
prognosticaram: o patamar do indigno. Neste destino há muita culpa do próprio (à
cabeça as pessoas de que se foi rodeando) e de todos que o rodeiam. Sim, de todos:
apoiantes e adversários, amigos e inimigos, os que o afrontam e os que se escondem…
O patamar de baixeza que se atingiu na última reunião do
executivo não expõe somente as fraquezas de Narciso Mota e de Diogo Mateus, expõe
todos – os que falaram e os/as que se calaram. Expõe, também, uma classe
política indigna, sem princípios nem valores - velhaca. Direi mais: o palavrório
descontrolado, inconsciente, choca tanto como os silêncios comprometidos, cobardes,
manhosos. Porque aquilo não foi um descontrole momentâneo, um baixeza, que
qualquer um pode cometer no calor da luta política; aquilo foi indignidade
completa e em crescendo. Aquilo foi o grau zero da política, da decência, da
dignidade. Como é que aquela dezena de criaturas não se indignou com o que
estava a acontecer?
Naquela malfadada reunião, Narciso Mota desbaratou o resto
da respeitabilidade que granjeou, e Diogo Mateus perdeu a autoridade moral e
política que necessita para exercer o cargo. Os outros são figuras
menores que nunca serão maiores, figurantes que se calam e se divertem com a indignidade.
Foi um momento deprimente para a vida municipal, o da reunião de Câmara desta manhã. A seguir, só se for o pugilato. Narciso e Diogo trocaram mimos diversos, com acusações mútuas, enquanto o séquito de vereadores assistia de camarote ao espectáculo. Ao final, os da maioria lá murmuraram qualquer coisa. Para memória futura fica aquele momento em que o director de Recursos Humanos (que prazer conhecer esta figura, finalmente, assim na tv) vai à reunião para lavar o seu protesto, jurando a pés juntos que fez tudo dentro da legalidade.
Senhoras e senhores, este é o Estado a que chegámos.
Depois de várias medalhas nas Olimpíadas Portuguesas de Matemática, de várias Menções Honrosas e uma Medalha de Bronze nas Olimpíadas Internacionais de Matemática (grande feito!), o nosso conterrâneo Pedro Moreira Fernandes, aluno do 12º ano da Escola Básica 2, 3 c/ Secundária da Guia, conquistou, esta semana, uma Medalha de Ouro nas Olimpíadas Ibero-Americanas de Matemática. Um orgulho!
Quando Diogo Mateus falou aos jornalistas na manhã da tragédia, no local do acidente, parecia todo ele um poço de bom senso. Um repórter de tv perguntava-lhe se era possível assacar responsabilidades à estrada, e ele, prudente, sublinhou antes que os acidentes que ali ocorrem não obedecem a um padrão. Acresce que aquele troço nem é, de todo, aquele em que mais acidentes regista, em comparação com o que liga Pombal a Ansião.
Mas algumas horas bastaram para que virasse o disco. Numa assembleia em que exibiu (entre os risos cúmplices com Ana Cabral, enquanto ignorava ostensivamente Ana Gonçalves) toda a sobranceria, parecia falar ao espelho. Ora vejam: