16 de outubro de 2018

O que acontece no PS

Os militantes do PS foram ontem surpreendidos com a notícia da demissão de Aníbal Cardona da comissão política concelhia e do secretariado.
Numa altura em que o PSD está dividido como nunca, em que o poder autárquico está uma comédia, o que faz o PS? Nada. Senta-se e espera que passe. 
Cardona invoca razões pessoais para se demitir das funções. Esperemos que continue (pelo menos) na assembleia de freguesia de Pombal, e que esta demissão não signifique um afastamento da vida política.
Falta-nos gente de garra na oposição. Falta-nos oposição. 

13 de outubro de 2018

Pedro perdeu o coelhinho


Pedro é um rapaz muito esperto, trabalhador e ambicioso. Querido por todos, ganhou rapidamente o estatuto de líder junto dos seus amiguitos, que o respeitavam e admiravam. Nos seus tempos de escola, Pedrocas foi muito feliz e a sua aura ofuscava tudo à sua volta. 

Infelizmente, nada dura para sempre e a felicidade de Pedro não é excepção. A sorte começou a mudar quando, um dia, perdeu o seu coelhinho. Mais do que um amigo, o simpático bichinho era a sua grande referência e o segredo da sua força. Qual Sansão privado do seu longo cabelo, assim murchou o rapaz quando perdeu o coelhinho. Sem a clarividência e sagacidade que o caracterizavam, Pedro deixou-se enredar em aventuras inconsequentes. 

O moço é hoje uma pálida sombra de si próprio. Desprezado pelos mais velhos, que se recusam a dar-lhe o protagonismo que julga merecer, ganhou tiques de ditador junto do mais jovens. E se, em tempos, tudo lhe era perdoado, actualmente são poucos os que estão dispostos a pactuar com a arrogância e a vaidade. Sem surpresa, os seus maiores críticos passaram a ser aqueles que antes lhe vaticinaram um futuro brilhante.

O sempre jovem e bonito Pedro que, tal como Dorian Gray, se recusa a envelhecer, já não consegue esconder as primeiras rugas que lhe revelam o carácter. 

11 de outubro de 2018

Um passo em frente PARA Pombal


Foi ontem inaugurado em Pombal um espaço que alberga a partir de agora o 
PARA - Projecto de Apoio e Recursos para o Autismo, vencedor do concurso de ideias para o orçamento participativo, há dois anos.
É a primeira vez que temos notícia de um projecto desses ser concluído, e este em particular merece destaque. Porque resulta da persistência do Patrick e da Viviana Mendes, pais que conhecem bem os caminhos tortuosos da sociedade e das instituições no apoio às crianças autistas. "Agradecemos do fundo do coração a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, contribuíram para que este sonho seja agora uma realidade. É um primeiro mas decisivo passo que irá influenciar o futuro de muitos. Obrigado POMBAL", escreveu ontem Patrick Mendes na sua página de FB.
Apesar da demora, é bom que a Câmara tenha abraçado este projecto. Há um mundo para lá da propaganda ao "sucesso escolar 100%". E é bom que o orçamento participativa seja, de facto, pertença da sociedade civil. 

9 de outubro de 2018

AM, uma Ópera Bufa

Nota prévia: este post foi escrito para ser publicado no dia da malfadada reunião do executivo camarário. Foi adiado, e pode, agora, perante os últimos acontecimentos, parecer desproporcionado. Um peido não desculpa uma bufa.

As reuniões da AM são uma espécie de ópera bufa, fastidiosa de contar e pior de ouvir, onde o tenor principal, na sua pose nobre mas sem nobreza, monopoliza todo o trama, e os tenores secundários não têm consciência do papel irrelevante que representam.
O guião e o propósito do trama são conhecidos: subjugar os desalinhados e transformar todos em pajens - impor o arbítrio. Os mais desprendidos perceberam-no e já debandaram; os outros arrastam-se naquele ritual sem honra nem glória. É um espectáculo bizarro: ao mesmo tempo, sonoro e surdo, onde se fala muito e nada se ouve. De um lado actuam as criaturas para quem a política é um trabalho de enfeite e a rapaziada de dentes de leite e cabeça oca. Do outro contracenam os desavindos da ala direita, a esquerda sonsa e a esquerda folclórica. Ao fundo sentam-se as figuras cuja utilidade, ali, é idêntica à das muletas para o defunto. No topo, secretários que não secretariam. Os tenores secundários gravitam todos na orbita do tenor principal. Os que vêm do lado direito apresentam-se inchados com os sucessos, uns suam sob o peso do estatuto outros do orgulho juvenil. Os que vêm do lado esquerdo entram no palco com a roupa e o espírito do dia de finados, quais cordeiros no dia do sacrifício, prontos a aceitar humildemente o castigo de representar papéis que desconhecem, para os quais não estão preparados nem se preparam. Depois, do meio daquela amálgama de figurantes de que não se espera nada, porque é perfeitamente inútil esperar o que que quer que seja - criaturas que se limitam a arrecadar a senha de presença e a compor a sala -, surge aquele cavalheiro ilustre, cheio de lustre e termos novos, inconsequente, que insiste no pregar aos peixes. Algumas daquelas criaturas nem para ser filmadas servem, como aquela cara de perpétua que passa o tempo todo a cuscar os papéis que a vizinha lê.
No final, fica-nos sempre a dúvida: se o papel mais reles é dos que falam ou dos que se calam. 

8 de outubro de 2018

Sobe & Desce

Basta? pelos vistos não


Acontece amanhã em Pombal um seminário importante. Ou melhor, com um tema importante: Violência contra os idosos - quem se importa? Muita pouca gente, parece-nos. Os números dizem-nos que 40% dos idosos neste país é vítima de violência. Num concelho envelhecido como o nosso, as estatísticas devem superar-se. Talvez haja respostas, amanhã, nesse seminário organizado em conjunto pelo Município de Pombal e pela APEPI, que lidera o Projecto BASTA, descrito como "intervenção em rede no âmbito da Igualdade de Género e do Combate à Violência de Género com destaque para a violência doméstica, violência no namoro e violência contra idosos".
É verdade que nos últimos dois anos não tivemos grandes notícias de mais este projecto da APEPI, mas até Dezembro deste ano (data em que termina) ainda vamos a tempo. O seminário vem cumprir uma parte desses objectivos, como se impõe nestas coisas. Mas as linhas com que se cosem estas iniciativas em Pombal são sempre de qualidade duvidosa, e o que aconteceu na organização deste seminário é sintomático: a direcção da APEPI - através da presidente, Teresa Silva, convidou a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, para encerrar o seminário. Só que quem manda aqui ainda é a Câmara. E nas primeiras reuniões, através da vereadora Ana Cabral, parecia dar ares de abertura e respeito pela autonomia da APEPI (responsável pelo programa). Ora, como nem tudo o que parece é, não demorou a que a autarquia usasse os mesmos canais de sempre para anunciar taxativamente que se retirava da organização se a associação insistisse no convite. E a APEPI anuiu.
A ironia desta história é muita. Quem vem cá encerrar o evento é o doutor Pinto da Costa (que a organização vai ao Porto buscar), e certamente vão vir charters de televisões atrás dele...dando ao seminário a visibilidade que merece.
A ironia desta história é muita, mas fiquemo-nos pelo nome do projecto que a suporta: BASTA? pelos vistos não.

5 de outubro de 2018

(Des)interesse público

Esta discussão, sobre a atribuição de interesse público municipal a um pedido de legalização de um aviário ilegal, mostra, até ao tutano, duas coisas: primeira, uma classe política que insiste em condenar esta terra à pobreza franciscana; segunda, uma águia que insiste em ensinar perus a voar - uma, duas e três vezes – sem resultados (os perus nunca voarão; e o que não é peru não quer voar - para ele quanto mais rasteiro for o movimento melhor).
Reparem bem como o executivo, e a maioria que o suporta, distorce a realidade e abre caminho à legalização de uma coisa - sanciona-a, na prática - que é a negação do interesse público. É claro que contam com a conivência superior, que perante a declaração de interesse público tende a fechar os olhos para não hostilizar o famigerado poder local; naquela: se gostam da merda que fazem, fiquem com ela!
É assim que este país continua uma choldra, onde a maioria estraga e poucos preservam.

4 de outubro de 2018

Dêem-nos um bocadinho de IRS

Na discussão sobre a fixação da percentagem de IRS a devolver pela câmara, a oposição foi pobrezinha - contentou-se com um bocadinho. O inábil PS fez pior: pôs-se a jeito para ser glosado.
Mas reparem bem na desonestidade e na malvadez presentes na resposta do graçolas D. Diogo ao PS.
E dizia-se o homem constrangido com tragédia da véspera!

Trapalhadas nos transportes escolares

Aldina Pedro (PS) questionou os critérios de concessão dos passes escolares, partindo do caso do seu sobrinho/irmã(!).
Diogo Mateus teve alguma dificuldade em explicar a trapalhada existente com a atribuição dos diferentes tipos de passes escolares, mas foi claro no essencial: todos os alunos do concelho, que frequentem o ensino obrigatório, têm direito a transporte gratuito. O que surpreende deveras é que a sua vereadora Ana Cabral, com os pelouros da Educação e da Acção Social, e os serviços da câmara, desconheçam isso. Na reunião com os pais, sobre este problema, a vereadora Ana Cabral afirmou que o assunto seria reencaminhado para o Gabinete Jurídico. Perguntada se a câmara devolveria o dinheiro, entretanto pago, caso o Gabinete Jurídico considerasse que os alunos têm direito a passe gratuito, teve o desplante afirmar que o que foi pago não seria devolvido.

3 de outubro de 2018

O mundo ao contrário

Diogo Mateus a presentear os funcionários com promoções e melhores retribuições.
A Célia Cavalheiro (BE) a defender contenção da despesa com o pessoal.

2 de outubro de 2018

O caso dos Malhos não foi um deslize, é a praxis

D. Diogo ainda mal tinha acabado de fazer um exercício presunçoso de moralismo cristão, aproveitando a tragédia recente, onde se esqueceu de colocar o espelho à sua frente enquanto falava, quando foi questionado sobre o indigno comportamento do seu vereador no caso dos Malhos.
Um político sensato, coerente, respeitador do outro, demarcava-se do comportamento do seu vereador, justificava-o como uma precipitação momentânea e rematava a coisa com o bom princípio e a boa prática da câmara para estes conflitos. Não o fez. E ficámos a saber – muitos já o sabíamos – que D. Diogo subscreve a acção, que o exemplo veio de cima, e que o pobre vereador agiu mais pelo exemplo do que pela sua consciência. 

Uma andorinha não faz a primavera

Ricardo Ferreira (CDS) continua a mostrar que sabe intervir – tanto na forma como no conteúdo – e consegue acossar Diogo Mateus, levando-o a perder o controlo, a descer de nível e a ter que recorrer a argumentos falsos. Mas o seu número não salva a face do partido, que numa agenda com vinte e tal pontos, só marcou o ponto no período antes da ordem do dia. Com a agravante de o seu cabeça de lista mostrar desconforto claro com o teor da intervenção.

30 de setembro de 2018

Comportamentos persecutórios

Esta discussão sobre persecução, entre duas criaturas com historial de respeito na matéria, diz-nos muito da classe política que tem mandado nesta terra.
No final, ficamos com a sensação que D. Diogo é o mais ajuizado. Estranho, não é?

29 de setembro de 2018

Indignidade completa


O fim é triste. O fim em política é sempre triste, nomeadamente quando se teve uma carreira longa e cheia de sucessos, que não se soube terminar a tempo. Mas não tem que ser indigno.
O fim político de Narciso Mota atingiu aquilo que muitos prognosticaram: o patamar do indigno. Neste destino há muita culpa do próprio (à cabeça as pessoas de que se foi rodeando) e de todos que o rodeiam. Sim, de todos: apoiantes e adversários, amigos e inimigos, os que o afrontam e os que se escondem…
O patamar de baixeza que se atingiu na última reunião do executivo não expõe somente as fraquezas de Narciso Mota e de Diogo Mateus, expõe todos – os que falaram e os/as que se calaram. Expõe, também, uma classe política indigna, sem princípios nem valores - velhaca. Direi mais: o palavrório descontrolado, inconsciente, choca tanto como os silêncios comprometidos, cobardes, manhosos. Porque aquilo não foi um descontrole momentâneo, um baixeza, que qualquer um pode cometer no calor da luta política; aquilo foi indignidade completa e em crescendo. Aquilo foi o grau zero da política, da decência, da dignidade. Como é que aquela dezena de criaturas não se indignou com o que estava a acontecer?
Naquela malfadada reunião, Narciso Mota desbaratou o resto da respeitabilidade que granjeou, e Diogo Mateus perdeu a autoridade moral e política que necessita para exercer o cargo. Os outros são figuras menores que nunca serão maiores, figurantes que se calam e se divertem com a indignidade.

Peixeirada na câmara - part II

Sem mais palavras...

28 de setembro de 2018

Peixeirada na reunião de Câmara: o concurso, a nora, o presidente e o juri dele

Foi um momento deprimente para a vida municipal, o da reunião de Câmara desta manhã. A seguir, só se for o pugilato. Narciso e Diogo trocaram mimos diversos, com acusações mútuas, enquanto o séquito de vereadores assistia de camarote ao espectáculo. Ao final, os da maioria lá murmuraram qualquer coisa. Para memória futura fica aquele momento em que o director de Recursos Humanos (que prazer conhecer esta figura, finalmente, assim na tv) vai à reunião para lavar o seu protesto, jurando a pés juntos que fez tudo dentro da legalidade. 
Senhoras e senhores, este é o Estado a que chegámos.

Ouro olímpico

Depois de várias medalhas nas Olimpíadas Portuguesas de Matemática, de várias Menções Honrosas e uma Medalha de Bronze nas Olimpíadas Internacionais de Matemática (grande feito!), o nosso conterrâneo Pedro Morei­ra Fernandes, aluno do 12º ano da  Escola Básica 2, 3 c/ Secundária da Guia, conquistou, esta semana, uma Medalha de Ouro nas Olimpíadas Ibero-Americanas de Matemática. Um orgulho!

27 de setembro de 2018

Do (infeliz) aproveitamento, II

Quando Diogo Mateus falou aos jornalistas na manhã da tragédia, no local do acidente, parecia todo ele um poço de bom senso. Um repórter de tv perguntava-lhe se era possível assacar responsabilidades à estrada, e ele, prudente, sublinhou antes que os acidentes que ali ocorrem não obedecem a um padrão. Acresce que aquele troço nem é, de todo, aquele em que mais acidentes regista, em comparação com o que liga Pombal a Ansião. 
Mas algumas horas bastaram para que virasse o disco. Numa assembleia em  que exibiu (entre os risos cúmplices com Ana Cabral, enquanto ignorava ostensivamente Ana Gonçalves) toda a sobranceria, parecia falar ao espelho. Ora vejam: