14 de julho de 2014

A política do (a)parecer

Haverá com certeza poucos erros maiores do que dar importância a coisas que não a têm. A polémica sobre a paternidade/maternidade da ideia do alargamento do horário da biblioteca municipal em época de exames sempre me pareceu um deles. Mas, como a polémica tem andado por aqui e exacerbou-se nos últimos tempos, admiti que poderia estar a cometer um erro de avaliação, não sobre a paternidade/maternidade da iniciativa que pouco valorizo na ação política, mas sobre o mérito da coisa. Como procuro não escrever sobre o que não sei ou não conheço, meti-me ao terreno.
Eis os dados de uma amostragem significativa:
- Dia 10, 10:30 h: 6 frequentadores, com mais de 35 anos, 3 na net, 2 a estudar, 1 a ler jornais;
- Dia 11, 10 h: 4 frequentadores, com mais de 35 anos, na net;
- Dia 14, 10 h, 5 frequentadores, 3 a estudar, 2 na net, com mais de 35 anos.
Nos três dias um único frequentador repetido, com mais de 50 anos, na net.
Eis o ridículo da polémica, que espelha a política que por cá – não só, melhor fosse - se vai fazendo.
A política tradicional era ideologia - reflexão, análise, ideias, programa político. Atualmente é, essencialmente, (a)parecer - “iniciativas” e propaganda. O modelo proveio das “jotas”, mas rapidamente foi adotado pelos partidos. O resultado está aí: ausência de ideias, acão no modo tentativa-erro, lideranças ineptas. Nos principais partidos a realidade é confrangedora.

9 comentários:

  1. Parabéns pelo trabalho, vou gostar de ver algum esforço honesto de refutação das suas conclusões. Nota: eu só começava a estudar às 23h.

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  2. Bom dia
    Caro Sr. Malho, antes mais, obrigado pelo estudo!

    Não será cedo para falar?
    Vivo numa terra onde tudo se crítica, até o que é de somenos importância, se se faz está mal feito se não se faz aqui D` el rei ?

    Se queremos frutos devemos lançar as sementes à terra

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  3. Esta ideia até é boa e não havia necessidade de tanta guerrilha...enfim, deixemos pois esta questão para os "miudos" das jotas...e a julgar pelos "números" do Eng. Adelino,será que vale a pena a biblioteca estar aberta?! enfim vamos indo e vendo...
    cumprimentos.

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  4. Caros Srs. Se os números que o Adelino mencionou se manterem é um sinal que os políticos andam a remar para um lado e o povo para outro. É pena quando se criam condições e não ha receptividade á medida por parte dos jovens estudantes... Se o motivo é o horário acham que faz sentido abrir a Biblioteca á noite para 5 frequentadores seniores ? Ou será que vai abrir das 00:00 h ás 06:00 h que é o horário preferido para estudar pelos jovens.

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  5. Adelino boa tarde,

    Ainda bem que até tu conseguiste atingir a importância do tema e que te tenha mesmo feito ir “estudar” a questão ao terreno. É de saudar a atitude, mesmo que por detrás dela esteja uma clara intenção de “vasculhar” mais uma forma de poder dizer mal (modelo que adoptaste à muito).

    Contudo o estudo das questões deve ter uma prévia avaliação dos dados existentes, caso contrário fazemos figura de “Gabriel Oliveira a tirar fotografias da porta ao lado da Junta, que não é a da Junta, dizendo que é da Junta”.

    Olhemos então a alguns dados prévios importantes para o “estudo”:

    1. A biblioteca está aberta até à meia-noite (00h00) e não apenas até às dez e pouco (22h00) – tendo o estudo ignorado 2h longas horas de funcionamento, por sinal, aquelas em que os estudantes mais tendem a procurar os locais de estudo nocturnos.

    2. A medida foi implementada já no decorrer da actual época de exames, não podendo por isso, servir a presente de comparação ou termo de avaliação definitivo. Visto que:

    a. Os estudantes planeiam a sua época de estudo antes de ela acontecer (básico);
    b. Os primeiros utilizadores, desta época específica, seriam os estudantes dos exames do ensino secundário e na altura da implementação a sua época de exames já estava “mesmo a chegar”;
    c. Os estudantes universitários estariam, em maioria, na sua “cidade universitária” pelo motivo referido na primeira alínea.

    Mais, a medida terá o sucesso que os estudantes quiserem que tenha. Ao poder político cabe abrir a possibilidade e disponibilizar melhores condições para que as pessoas possam ter mais possibilidades e opções que as beneficiem. A política e os recursos têm de estar ao serviço das pessoas e este é um caso flagrante disso – existe mais uma possibilidade para os nossos estudantes de estudarem com mais condições em Pombal e para se prepararem para uma fase tão importante das suas vidas.

    Aos estudantes cabe aproveitar e usufruir desta nova possibilidade, aos políticos caberá a avaliação da medida. Mas não agora e muito menos quando distam apenas 2 semanas da sua implementação.

    Contudo, Malho, fico contente que aos 60 anos (não sei se é mas parece) te tenha despoletado um súbito interesse pelas questões da juventude. Mesmo que esse interesse venha dessa vontade insanável de dizer mal dos Jovens da JSD, que se envolvem e participam activamente na vida cívica do seu concelho. Talvez te faça aprofundar um pouco mais o estudo e te faça conhecer melhor as coisas e finalmente cumprir o teu próprio desejo de procurar “não escrever sobre o que não sei ou não conheço”.

    Sem mais assunto.

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    1. Brilhante,
      Sublinho e aplaudo, como o JGF, a elevação do argumento. Muito bem!
      Não te preocupes, não fazes figura de gabriel oliveira. Não há vivalma que nos confunda!

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    2. Caro Dr. Pedro Brilhante não queira atribuir ja a reforma ao Sr. Eng. Malho que ele ainda tem corpo são em mente sã para trabalhar mais 20 anitos

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  6. Adelino,
    Subscrevo a observação deste jovem de 14 anos (não sei se é, mas parece), ainda bem que te interessas por esta juventude, aparentemente tão desorientada. Deixa lá a biblioteca funcionar muitas horas, que o estudo da gramática da língua mãe ainda vai em estado muito precoce, na nossa praça.

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  7. Pedro,

    Respondo-te, com gosto, porque voltas-te a um registo polido. E desta forma ganhamos em duas dimensões: (i) podemos discutir, partilhar argumentos e evoluir na forma de pensar, independentemente do desacordo; (ii) e, não menos importante, evitar atritos e inimizades.

    Uma nota prévia:
    Não fiz estudo nenhum! Recolhi simplesmente uns dados, diretamente observáveis, alguns não confirmados – idade – mas classificados com uma enorme margem de segurança. Ou seja, na faixa acima de 35 anos a maioria terá mais de 50. São pessoas que, se fosse o Pedro a classificar inclui-las-ia, de certeza, na faixa dos sexagenários.

    1. Na recolha dos dados, ao contrário do que o Pedro dá a entender e outro comentador que por aqui passou afirmou, não procurei minimizar o mérito da coisa, antes pelo contrário. Centrei a recolha na faixa central, entre as 10 e as 11 h, a fim de apanhar o pico da frequência (penso que em cima do jantar ou junto ao fecho distorceria a recolha).
    2. A recolha dos dados foi nos dias seguintes à polémica e das loas tecidas à iniciativa.
    3. Acredito que a medida se dirigisse, essencialmente, aos estudantes, nomeadamente aos estudantes jovens, mas, se foi essa a intenção, os dados demonstram que a iniciativa foi, senão um fiasco, pelo menos, mal calibrada.

    Pedro, não querendo dar-te conselhos, nem podendo, porque, como dizes, não compreendo a rapaziada, talvez devesses rever a matéria, porque, pelos dados recolhidos, tudo aponta que estejas a trabalhar muito para os sexagenários. Simpatias?
    Bom trabalho,
    AM

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